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O lugar do racismo na luta de classes brasileira.

O dilema do proletariado
preto*

O Brasil é o país com a segunda maior população preta do mundo, ficando atrás somente da
Nigéria. Esse contingente afrodescendente é resultado do comércio negreiro de maior volume da
história, que importou cerca de 6 milhões de africanos. O desenrolar histórico dessa república
capitalista que não fez sua revolução burguesa (nos moldes clássicos) impôs à nossa luta de classes
uma dinâmica diferenciada no que tange à questão racial. E essa particularidade é ainda incógnita, ou
embaçada, para o olhar de quem se organiza contra a exploração e a opressão. Pra uns a luta contra o
racismo é fragmentária e, por isso mesmo, retarda o nosso triunfo sobre a burguesia, e a superação do
racismo seria uma consequência inevitável e automática da revolução socialista. Pra outros o racismo
é a contradição central da nossa sociedade, e deve ser combatido pelas suas vítimas sem a
interferência de brancos que, no geral, se apresentam para conduzir a luta preta com pseudo-soluções
– eurocentradas – como o socialismo, que não passaria de mais um projeto de supremacia branca. Há
também aqueles que, divergindo dos dois outros grupos, admitem que as duas frentes de luta são na
verdade uma só. Mas sem entender direito o porquê, não conseguem ir além de repetir frases de ícones
dessa luta, como “racismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda” (Steve Biko), ou “não há
capitalismo sem racismo” (Malcolm X). O que faremos daqui pra frente é buscar a compreensão de
porque essas duas lutas estão ligadas umbilicalmente, e que, por isso, nem o capitalismo e nem o
racismo serão superados se combatidos separadamente.
Apesar do consenso de que só existe uma raça – a humana – iremos debater sobre um
fenômeno que tem nome, e esse nome é “racismo”. Então, falaremos o tempo todo em raça, pra não
tornar o texto burocrático, e pra não sermos obrigados a recorrer a termos como etnicismo,
fenotipismo, melaninismo, ou outras bizarrices ainda piores. E, como no resto do mundo, nos
referiremos aos africanos e seus descendentes como pretos, deixando o termo negro somente para nos
referirmos aos pretos escravizados (exceto quando tratamos das organizações do povo preto. Ex.
“movimento negro”). Da mesma forma, o que a historiografia oficial chamou de tráfico negreiro, aqui
daremos outro tratamento. Até a Lei Euzébio de Queiroz, em 1850, o comércio de escravos era livre,
legal, o que torna incoerente a utilização da palavra “tráfico”. Por isso, todo o comércio internacional
de africanos anterior a essa lei, chamaremos de “importação”.

A nossa primeira classe trabalhadora.

A primeira classe trabalhadora deste país – que nos impuseram chamar de Brasil – foi a
escrava, constituída por africanos, já que a tentativa de escravizar os povos nativos havia falhado. Por
tanto, a existência de pretos e do racismo no Brasil tem a ver diretamente com a escravidão. Por isso
mesmo é bom fazer uma distinção. Racismo e escravidão não estão necessariamente subordinados
um ao outro. Escravidão existiu em sociedades antigas como Roma e Grécia, mas não como resultado
de uma suposta superioridade de uma raça sobre a outra (até porque em ambos os casos tanto escravos
e senhores eram brancos). As guerras entre povos africanos também geravam escravos, mas estes
eram, num certo prazo e por várias vias diferentes, integrados à sociedade à qual serviam. Além disso,
sua condição humana não lhe era negada e a escravidão não era um modo de produção. A novidade
trazida pelo Século XVI é que no Novo Mundo, a escravidão, já como modo de produção, era
justificada na origem do escravizado, que traria a reboque uma suposta inferioridade intelectual e
cultural de um povo que tinha em comum o mesmo fenótipo, numa ponta, e na outra, a superioridade
do branco.
Durante três séculos o principal incômodo causado ao escravismo brasileiro era a rebeldia de
sua classe escrava, que se manifestava de várias formas, indo do suicídio, passando pelo assassinato
de seus senhores, resvalando nas greves 1 chegando à quilombagem – com direito a resgate de

1
Mesmo antes da chegada dos imigrantes, os negros já realizavam seus movimentos paredistas.
escravos nas fazendas – ou, várias dessas formas combinadas. Dentre elas, a quilombagem foi a que
mais contribuiu para enfraquecer o escravismo. Cada grupo de escravos – por menor que fosse –
fugido das fazendas significava prejuízo ao seu senhor que havia pagado por cada um deles. Além
disso, mais dinheiro era gasto pra se remunerar as milícias e custear as incursões nas matas para
capturar os fugitivos e desarticular os quilombos. Cada escravo fugido era um escravo a menos
produzindo para o sistema. E, dependendo do nível de organização de um determinado quilombo, ele
produzia o suficiente para comercializar com o mundo branco, concorrendo com os senhores
escravocratas. E assim a quilombagem contribuiu muitíssimo para desorganizar a economia
escravista, tornando-se a primeira forma expressiva de organização combativa da classe trabalhadora
brasileira. E já data dessa época a prática de negar ao preto rebelde o caráter de preso político. Por
mais que sua ação organizada e coletiva tenha como fim a subversão de uma ordem, o preto
subversivo sempre foi relegado ao status de bandido comum.
Porém, já na metade do Século XIX a resistência dos escravos não era a única preocupação
dos escravistas do Brasil. A pressão da principal potência político-militar e econômica da época,
criava muitos problemas para o futuro do escravismo brasileiro. Com sua revolução industrial
realizada um século antes, a Inglaterra precisava expandir seu mercado. E essa expansão é impossível
para regiões onde trabalhadores não recebem salário.

E os senhores são libertos de seus escravos.

No apagar das luzes do século XVIII a classe escrava do Haiti mostrou do que os negros eram
capazes ao fazer sua revolução. Principalmente porque para isso eles tiveram que derrotar o poderoso
exército napoleônico. O efeito desse importante feito – que, mesmo seguindo o rastro da Revolução
Francesa não consta nos livros de história entre as grandes revoluções – foi que toda a classe senhorial
do continente americano teve que começar a pensar na possibilidade de uma abolição sem o
radicalismo com que ocorreu na pequena ilha caribenha. No que toca ao Brasil era importante
redobrar os cuidados já que foi pra cá que o maior contingente de africanos havia sido importado
desde o Século XVI. Só pra se ter uma idéia, em 1849 o Rio de Janeiro era a capital mais “africana”
das Américas. O susto foi tamanho que o termo haitianismo passou a ser empregado a tudo que era
considerado risco de uma rebelião escrava. A paranoia se agravou depois da Revolta dos Malês, em
1835, quando negros islamizados se valeram de seu domínio da escrita árabe para organizar, durante
meses, um levante na província da Bahia.
Alguns setores da classe dominante ainda defendiam a manutenção do escravismo. Mas
mesmo os que faziam campanha pela abolição foram se precavendo para que ela acontecesse sem
sustos. Por isso, já a partir de 1850 legisladores começam a tomar suas providências e uma série de
Projetos de Leis (PLs) foram criados no sentido da abolição gradual e controlada. Esses PLs tratavam
da abolição dos castigos físicos, libertação dos filhos de mães escravas, o direito aos escravos de
comprar sua alforria, libertação dos escravos pertencentes ao governo, proibição do trabalho escravo
nas cidades, a proibição de se desfazer famílias de escravos no comércio interno, libertação de
escravos com mais de sessenta anos… Entre outros. É desse ano tanto a primeira lei relevante
abolicionista – a que proibia a importação de africanos – como a importante lei Nº 601, a Lei de
Terras. Antes dela a aquisição de terras só era possível através da doação pelo Rei. Este concedia os
lotes segundo alguns critérios, dentre os quais, serviços prestados à Coroa. A Lei de Terras altera essa
relação que deixa de ser de concessão para ser de venda. A partir de então só seria proprietário de
terra quem tivesse dinheiro pra comprá-la. Aos negros, que na África eram agricultores e aqui vieram
pra trabalhar na agricultura, foi eliminada qualquer possibilidade de acesso à terra. Dinheiro pra
comprar, por razões óbvias, não tinha. Agora também já não há chances de adquiri-las em função de
seus serviços prestados à Coroa. Na possibilidade da libertação dos escravos, a esses o acesso às terras
já estava blindado.
A queda no preço do açúcar cria grandes dificuldades para os fazendeiros do Nordeste. Quatro
anos antes da assinatura da Lei Áurea a província do Ceará já tinha abolido a escravidão, sendo
seguida por outras. As vantagens de se pagar salários ao invés de comprar e manter escravos já
apareciam com mais nitidez ante os olhos das elites brasileiras. As revoltas, as leis abolicionistas e a
inviabilidade de alguns senhores manterem seus escravos, já tinham liberado a maior parte da mão
de obra escrava antes de maio de 1888 (em 1887 a população brasileira passava dos 13 milhões, dos
quais, pouco mais de 720 mil eram escravos). Não tardou para que os egressos das senzalas
entendessem que a tal “libertação” na verdade era uma condenação à miséria. A última preocupação
dessa lei foi com os negros. Tanto é verdade que a eles não foi dada nenhuma garantia de sustento,
de manutenção das próprias vidas. A Lei Nº 601 impediu a aquisição de terra pelos pretos – que tantos
serviços prestaram à Coroa – mas garantiu lotes para algumas famílias de europeus que imigravam
pra cá à custa de fundos arrecadados pela venda dessas terras. Para se importar 6 milhões de africanos,
foi preciso mais de trezentos anos. Mas bastaram algumas décadas entre o fim do Século XIX e o
começo do XX para que cerca de quatro milhões de trabalhadores europeus entrassem no Brasil.
Com tanta gente liberada das senzalas, pra que trazer trabalhadores da Europa? Uma boa parte
da nossa esquerda se esforça pra negar que tenha sido por racismo, mas o faz, até agora, com
argumentos frágeis. Uma política de branqueamento do país entrou em curso a partir da segunda
metade do século XIX. E foi essa mentalidade também que deu mais fôlego à campanha abolicionista,
que refletiu o desejo de muitos brancos de se livrarem da “mancha negra”, dessa marca do atraso do
país.

Política de embranquecimento.

Alguns “materialistas” afirmam que essa sangria de trabalhadores europeus pra cá, ao invés
de motivações racistas, se deveu ao fato de que mesmo lenta, a industrialização brasileira carecia do
emprego de trabalhadores já habituados a lidar com o maquinário fabril. Só que a maior parte dos
imigrantes não veio para trabalhar na indústria. Além disso, devemos considerar a reorganização da
produção. Os artesãos transformados em trabalhadores assalariados dominavam o conhecimento de
todas as fases do processo produtivo. Suas habilidades eram imprescindíveis ao patrão. Mas com a
divisão do processo em várias operações distintas, e com um operário realizando cada uma delas, o
aprendizado de cada tarefa se torna bem mais breve. Muito mais ainda com a introdução da máquina
que veio dispensar as habilidades específicas do antigo artesão. Assim sendo, capacitar a força de
trabalho liberada da escravidão seria bem mais plausível do que importar trabalhadores da Europa.
Mas não para por aí. Para os africanos que aqui chegavam, os horrores do escravismo eram uma
aberração nunca vista antes. Para eles rebelar-se era uma necessidade imperativa. Mas muitos dos
escravos do último período do Império nasceram no Brasil escravista e não tinham vivenciado a
liberdade ainda. Para esses, o cativeiro era muito mais fácil de ser assimilado. Desde 1850 o
parlamento produzia, debatia e aprovava leis abolicionistas. Isso criava nesses negros uma
expectativa de serem libertados a qualquer momento por vias legais. Para isso as elites deliberantes
não poderiam se sentir ameaçadas. Do contrário, a liberdade dos negros é que correria perigo. Não
foi a toa que esses anos que se seguiram de 1850 até 1888 não registraram grandes rebeliões, ao
contrário dos anteriores. O mesmo não se podia dizer dos europeus que vieram. Uma parte deles já
atuava no movimento sindical de seus países e já havia criado muito problema para seus burgueses.
Pra que então trocar o novo comportamento mais brando que vinha se verificando entre os negros
pela já conhecida rebeldia dos trabalhadores do Velho Mundo? Atribui-se também essa política
imigrantista à idéia de que para modernizar o Brasil era necessário romper os vínculos com o
anacronismo da escravidão. E de fato o país estava tão atrasado que enquanto aqui ainda se discutia
se libertava ou não os filhos de mães escravas, em Paris a classe operária já tomava o poder da
burguesia. Ora, o Brasil foi condenado ao atraso por ter sido o último país no mundo a abolir a
escravidão. O negro era o principal e mais combativo inimigo desse modo de produção defendido
pelo branco com todas as armas possíveis e necessárias. Assim sendo, era a classe dominante branca
a responsável por esse atraso que, na decadência do modo de produção escravista, era diretamente
vinculado à figura do negro. Que nome damos a isso se não racismo? Lembremos que uma das
funções da ideologia é naturalizar o que não é natural, alguma situação de exploração e opressão
construída pela própria humanidade no decorrer de sua história. Trezentos anos de dominação
senhorial são mais do que suficientes para naturalizar a “inferioridade do negro”. Mesmo movida por
razões econômicas, a classe dominante não está isenta de ver o mundo distorcido pela ideologia que
ela mesma criou e alimenta. Aliás, é pra isso que existe a ideologia. 2 Então, a política de imigração
foi sim uma política racista. É importante sermos materialistas, ainda mais se também formos
históricos e dialéticos.
Definitivamente o povo preto estava descartado dos planos da república que nascia em 1889.
Em 1911 o Brasil envia para o Congresso Universal das Raças, em Londres, o médico João Batista
Lacerda que, preconizando uma superioridade da raça branca, previu a extinção do preto no Brasil
até o ano 2012. Sendo a preta uma raça mais fraca, no processo de miscigenação, já em curso desde
o escravismo, um século bastaria para que a raça branca prevalecesse absoluta.
Assim explicou João:

“A seleção sexual contínua aperfeiçoa sempre ao subjugar o atavismo e purga os descendentes


de mestiços de todos os traços característicos do negro. Graças a este procedimento de redução
étnica, é lógico supor que, no espaço de um novo século, os mestiços desaparecerão do Brasil,
fato que coincidirá com a extinção paralela da raça negra entre nós”

E segue a profecia:

“A população mista do Brasil deverá então ter, dentro de um século, um aspecto bem diferente
do atual. As correntes de imigração europeia, que aumentam a cada dia e em maior grau o
elemento branco desta população, terminarão, ao fim de certo tempo, por sufocar os elementos
dentro dos quais poderiam persistir ainda alguns traços do negro.”

A miscigenação sozinha não daria conta de tal façanha. Então nosso intelectual discorre sobre
outros aspectos que nos levaria a essa “purificação” racial no país mais preto fora da África:

“Depois da abolição, o negro entregue a ele próprio começou por sair dos grandes centros
civilizados, sem procurar melhorar, no entanto sua posição social, fugindo do movimento e
do progresso ao qual não poderia se adaptar. Vivendo uma existência quase selvagem, sujeito
a todas as causas de destruição, sem recursos suficientes para se manter, refratário a qualquer
disciplina que seja, o negro se propaga pelas regiões pouco povoadas e tende a desaparecer de
nosso território, como uma raça destinada à vida selvagem e rebelde à civilização.”

O interessante dessas últimas linhas é que, assim como se atribuiu ao ex-escravo o atraso do
país resultante do escravismo mantido pelo branco, agora, de novo, o preto é responsabilizado por
sua própria marginalização. Não foi que as portas do novo modo de produção lhes foram fechadas
em favor do embranquecimento do Brasil que priorizou importação de força de trabalho europeia. Ao
invés disso, afirma o pseudo-cientista, o povo preto que, “sem procurar melhorar sua posição social”,
optou por “uma existência quase selvagem, sujeito a todas as causas de destruição, sem recursos
suficientes para se manter”

Já prestes a encerrar sua comunicação científica, um quase clamor:

“Suas [do Brasil] questões limítrofes estão resolvidas, e as leis votadas ultimamente em favor
da imigração, a fim de assegurar os direitos dos estrangeiros diante dos tribunais da nação,
são as melhores garantias dos capitais estrangeiros empregados nos trabalhos de utilidade
nacional. Pode-se, portanto afirmar, sem medo de faltar à verdade, que o Brasil está pronto,
nesse momento, para acolher em seu vasto seio o êxodo dos povos europeus.

2
“Até agora os homens formaram sempre ideias falsas sobre si mesmos, sobre aquilo que são ou deveriam ser (…). Os
filhos de suas cabeças cresceram-lhes acima da cabeça. Curvaram-se, eles que são os criadores, diante das suas criaturas.”
(Marx e Engels, no prefácio de A Ideologia Alemã.)
Eles descobrirão, como fim à sua atividade, e para constituir a base da riqueza de suas famílias,
as grandes culturas de café, de cana-de-açúcar, de cacau, a exploração de borracha, a cultura de frutas
tropicais, da videira e do trigo, as indústrias de fabricações diversas, a cultura do bicho-da-seda, a
exploração de minerais, a criação dos rebanhos de bois e cavalos, a indústria leiteira etc., fonte de
riquezas as quais as leis do país prestam ainda mais seguros e assistência, pela concessão de terras e
pela promessa de garantia em dinheiro”.
A participação do médico racista nesse encontro foi patrocinada pelo presidente marechal
Hermes da Fonseca. O embranquecimento do Brasil não era uma teoria, mas sim um projeto.

Racismo. Um bom negócio.

A transição escravismo/capitalismo ao invés de uma ruptura revolucionária, fez manter de pé


a hegemonia da oligarquia agrária. E essa hegemonia perdurou até a década de 1930. Só então, com
a chamada Revolução de 30, se põe fim à “farra do café com leite” e os caminhos se abrem para a
burguesia industrial, para a consolidação do capitalismo no Brasil. E isso vai mudar a cara do racismo
brasileiro.
Para o capital a função do exército industrial de reserva é manter sempre favorável ao patrão
a lei de oferta e procura da mercadoria força de trabalho. Mas o que acontece quando uma enorme
massa encontra-se alijada até desse exército, e que nem na reserva está? Pois bem. Para além da
delinquência e de outros recursos que não nos interessa agora, há poucas alternativas. Duas delas são
disputar no mercado de trabalho aquelas funções de menores prestígio e remuneração, ou exercer as
mesmas funções que os trabalhadores brancos, mas por um salário menor. 3 Ora. Já vimos que essa
nova república que pretende se modernizar quer fazê-lo livre da presença repugnante do povo preto,
cuja figura remete imediatamente ao atraso. Vimos que a situação de miséria à qual os pretos foram
relegados era tão intensa que cientistas previam que essa raça não resistiria mais que um século a
tamanhas adversidades. A existência contínua de uma grande e determinada parcela do proletariado
que por tais condições é obrigada a vender sua força de trabalho por um preço abaixo do praticado
com os trabalhadores brancos – quase que exclusivos no mercado – faz constante pressão pra baixo
nos salários gerais. O trabalhador branco vive entre o baixo salário e a ameaça de ser substituído por
um outro trabalhador disposto a ganhar menos do que ele. Se a razão de ser do capitalismo é cada vez
maiores lucros, então o racismo não se encaixa perfeitamente aos seus objetivos? Pois é. Por mais
que as esquerdas não tenham notado isso até hoje, para o capital não passou despercebido. E ele se
utiliza do racismo para se fortalecer cada vez mais. Isso no campo econômico, mas e no político? A
manutenção do racismo acirra disputas que não deveriam existir no interior da classe, deixando-a
dividida (isso sim fragmenta a nossa classe), dificultando a identificação e ação unitária contra o
inimigo comum.

A democracia racial.

Um cenário como este não é compatível com a política de embranquecimento do país. Como
as classes dominantes vão deixar que se extinga uma parcela da população que é peça fundamental
de um mecanismo que fortalece sua dominação? Não foi a toa que na década de 1930 surgiu a farsa
da democracia racial, que vinha substituir a política de embranquecimento 4. A democracia racial

3
Ainda hoje a diferença entre o salário do trabalhador branco para o trabalhador preto orbita entre os 45%
4
Isso não significa que estejamos, por exemplo, negando um processo de extermínio da população preta (de acordo com
Karl Marx nenhuma transformação social ocorre sem que as forças produtivas se desenvolvam a ponto de se chocarem
com as relações de produção existentes. Quando isso acontece apresenta-se um período revolucionário. Para tentar
impedir a revolução, cabe à classe dominante barrar a evolução das forças produtivas, destruindo-as. Segundo a socióloga
Vera Malaguti Batista estima-se que 20% da força de trabalho hoje existente deem conta de mover a economia no mundo.
Os 80% restante são um percentual exagerado pra ser comportado dentro do exército industrial de reserva. Então, o que
fazer com o que sobra? Pesquisa divulgada em 2013 revela que aqui se mata 139% a mais de pretos do que de pessoas
brancas. No Brasil coube ao afro descendente o papel de excedente do exército industrial de reserva. A força de trabalho
deriva de uma corrente de pensamento que pretendeu vender ao mundo a imagem de perfeita
harmonia na relação entre as raças no Brasil. Na base dessa invenção há o argumento de que, ao
contrário da América protestante, a América católica era mais benevolente com seus escravos,
permitindo uma convivência tão íntima que possibilitou que as raças se misturassem, miscigenando
como em nenhum outro canto do mundo 5 . Portanto, num ambiente como esse, o racismo não
encontraria terreno. A partir daí o Brasil passa a configurar como laboratório de relações raciais para
o mundo. Todas as raças teriam iguais oportunidades, sendo de responsabilidade única de cada
indivíduo seu sucesso ou o fracasso, não importando seu fenótipo. De acordo com essa ideologia a
barreira entre o preto e sua dignidade seria o próprio preto. Tal farsa ecoou pelo exterior a ponto de a
Unesco patrocinar uma pesquisa cujo resultado deveria servir de manual prático das boas relações
raciais para o mundo. Assinado por Florestan Fernandes, Otavio Ianni, Fernando Henrique Cardoso
e Roger Bastide, o estudo desvelou a verdadeira face racista do Brasil, contrariando a propaganda que
se fazia das nossas “boas relações raciais”. Só que a pesquisa repercutiu muito menos do que a falácia
que ela desmentiu. E assim o mito da democracia racial sobrevive até hoje, resistindo às estatísticas
que são divulgadas anualmente no dia 20 de novembro, quando se evidencia o abismo que separa o
“Brasil preto” do “Brasil branco”6.

Identidades

Opor a “América católica” a “América protestante”, dentro desse contexto, é opor Brasil aos
EUA. Os defensores da falácia da democracia racial gostam dessa comparação por serem os Estados
Unidos um país onde a legislação segregou pretos e brancos até a década de 1960. Na vigência dessas
leis o preto estadunidense precisou criar seus próprios espaços de sociabilidade, assim como se
submeter a outros que o Estado lhe reservava. Eram escolas pra pretos, igrejas pra pretos, clubes pra
pretos, bebedouros pra pretos, bairros pra pretos, etc pra pretos. Essa segregação escancarada permitiu
ao preto de lá preservar e fortalecer sua identidade racial. Isso propiciou uma unidade na luta que lhes
proporcionou conquistas e avanços7. Aqui, com o racismo fantasiado de democracia racial, onde a
segregação não tem respaldo jurídico, ele incide com muito mais força e eficácia na informalidade.
O racismo brasileiro esconde o antes, o durante, e maquia o depois do seu processo, de forma que
nem suas vítimas conseguem perceber que sua condição de precariedade – que atinge a um percentual
maior da sua população e com maior intensidade que ao proletariado branco – tem ligação direta com
algumas características físicas que elas herdaram de seus antepassados escravizados. E um dos fatores
que dificultam essa percepção é justamente aquele que serviu de base pros defensores da democracia
racial: A miscigenação. Ela fez da população brasileira um povo de muitas cores. E se nos EUA preto
é preto e branco é branco, aqui essa diversidade responde por uma hierarquização cromática que
coloca em polos opostos o branco e o preto, mudando o tratamento que a sociedade vai dar aos
indivíduos de acordo com a proximidade que cada qual tem com um dos polos. Se o que a sociedade
tem de pior está reservado pra quem tem a pele mais escura, logo, na medida em que a pessoa se
distancia dessa tonalidade, menos incide nela a discriminação que se funda na origem racial.
Mecanismos sociais simbólicos têm sido usados como recurso de fuga dessa realidade tão adversa.
Por exemplo, no recenseamento de 1980, quando os pesquisadores do IBGE perguntavam pela cor,

preta é parte significativa das forças produtivas que o inimigo aniquila para impedir o choque delas com as relações de
produção capitalista). O que negamos, então, é que qualquer política racista corrente tenha como finalidade a extinção do
preto no Brasil capitalista, assim como o Brasil escravista não podia abrir mão de seus negros, ainda que os massacrasse.
5
A partir de 1908 essa miscigenação ganha mais um elemento com a imigração japonesa.
6
Em 2005 o Brasil era o 63º no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Analisando dados de então, o
economista Marcelo Paixão revelou que se dividíssemos o Brasil em dois, um preto e um branco, e comparássemos ambos
os IDHs com os dos outros países, o Brasil branco subiria para 47ª posição, enquanto o Brasil preto cairia para 92º.
7
Vejamos o que diz Darcy Ribeiro, no seu clássico O Povo Brasileiro: “É preciso reconhecer, entretanto, que o apartheid
tem conteúdos de tolerância que aqui se ignora. Quem afasta o alterno (diferente) e o põe à distância maior possível,
admite que ele conserve, lá longe, sua identidade, continuando a ser ele mesmo. Em consequência, induz à profunda
solidariedade interna do grupo discriminado, o que o capacita a lutar claramente por seus direitos sem admitir
paternalismos.”
os entrevistados respondiam com muitos subterfúgios, que iam do “bege”, passando pelo “cinza”,
resvalando no “morena bem chegada” indo até o “roxa”, totalizando 136 cores diferentes (e bem
bizarras). Essa pesquisa mostra que miscigenação não iguala ninguém. Ao contrário, cria uma
hierarquia que não tem mais tamanho. Se vivêssemos de fato numa democracia racial não haveria
necessidade de ninguém querer escamotear sua verdadeira identidade buscando se aproximar o
máximo possível de um modelo entendido como o certo, o belo, o limpo, o puro, o honesto, o
inteligente… Enfim, o padrão (branco). E o pior de tudo é que, como são simbólicos, esses
subterfúgios surtem pouco efeito na relação com o opressor, pois para o departamento pessoal das
empresas, pro cano do fuzil do policial, pro elevador de serviço, pro poder judiciário, pro sistema
penitenciário, etc., não existe “bege”, “melada”, “fogoió”, “cor de ouro”, “morena bem chegada”…
Não. É tudo preto.
Se a oposição que fazemos ao Projeto Democrático Popular (e à sua variante, o Projeto
Popular para o Brasil) nos impõe uma postura crítica à exaltação das identidades, a luta socialista,
dialeticamente, nos exige batalhar pela aquisição e afirmação da identidade do proletário preto. Numa
sociedade dividida em classes e com uma classe subalterna dividida em raças, a identidade racial é
uma identidade grupal, que por sua vez é precondição para superação da alienação. Assim diz o
professor da UFRJ, Mauro Iasi, no seu trabalho Ensaios sobre consciência e emancipação:

“Quando uma pessoa vive uma injustiça solitariamente, tende à revolta, mas em certas
circunstâncias pode ver em outra pessoa sua própria contradição. Esse também é um
mecanismo de identificação da primeira forma [de consciência], mas aqui a identidade com o
outro produz um salto de qualidade.”

Mas como um afro-descendente vai ver num outro preto a sua própria contradição se ele nem
se vê como tal, mas sim como um “fogoió”, um “cinza”, um “marrom bombom”, um “moreninho”,
um “pardinho”, um “melado”…?8 Num país com o histórico que o Brasil tem nas suas relações raciais,
a luta contra o racismo perpassa por uma batalha extremamente árdua pela identidade racial.
Identidade de um determinado grupo de pessoas que se assemelham em determinados traços físicos
que lhes inferioriza perante o outro grupo que guarda as características físicas da classe dominante.
E se o grupo é precondição para a superação da alienação rumo à consciência de classe para si,
negligenciar a luta contra o racismo no país com o racismo mais eficaz do mundo, é frear o avanço
da luta proletária contra o capital.
Conceitos como mais-valia, valor de uso, valor de troca, capital constante, capital variável,
entre outros necessários para um entendimento básico de economia política ainda são caros às massas.
São relações vividas cotidianamente por quem produz a riqueza desse país, mas impossível de serem
vistas a “olhos nus”. Porém, a companhia indesejável dos seguranças dos shoppings e lojas de
departamento; a demora pra ser atendido nesses mesmos espaços, assim como em restaurantes; a sua
cor como sinônimo de ruim, feio, perigoso, sujo, sombrio, lúgubre, malévolo, impuro, etc.; as
constantes revistas policiais e, nelas ter que fingir que é inocente mesmo sendo inocente; as piadas –
nada inocentes, diga-se de passagem – referentes aos traços físicos; a maior precariedade no acesso à
saúde 9 ; o desemprego ou o trabalho precarizado; a baixa escolaridade… São todos incômodos
sentidos na pele no dia a dia do trabalhador preto, mesmo que ele não perceba que há algo em comum
entre ele e a grande maioria das vítimas dessas mazelas. Na ausência de uma esquerda que discuta e
atue seriamente na questão racial com um recorte de classe, esses trabalhadores seguem na inércia
política. E essa pode ser a melhor das hipóteses. Pior ainda é quando aos poucos eles vão sendo

8
Ainda no mesmo parágrafo da obra citada na nota anterior: “Nas conjunturas assimilacionistas, ao contrário, se dilui a
negritude numa vasta escala de graduações, que quebra s solidariedade, reduz a combatividade (…)”. (Só para ilustrar, o
então jogador Ronaldo (fenômeno), em entrevista sobre o racismo na Europa, disse que até ele que não é negro (sic) se
sente profundamente incomodado e solidário ao problema de seus companheiros vítimas do preconceito racial. Tal
declaração foi condenada publicamente por seu pai, um “negro” assumido.)
9
Por exemplo, pesquisa da Fiocruz que entrevistou 10 mil mulheres, conclui que 11,1% das pretas não receberam
anestesia no parto. Mais que o dobre do percentual de mulheres brancas (5,1%)
cooptados por um setor do Movimento Negro que nega a luta de classes e que prega contra o
comunismo alegando que ele é uma proposta de luta eurocêntrica, que desconsidera o ethos negro, e
que no fim das contas, não passa de mais um projeto de dominação branca. Além disso, acusam os
militantes dos movimentos e partidos de esquerda de serem racistas – acusação que procede em
muitos casos.
O racismo é uma das manifestações da luta de classes. Portanto, podemos afirmar que a luta
antirracismo não fragmenta a luta proletária. Mas, ao contrário, fragmentamos o proletariado quando
deixamos de incorporar efetivamente a luta antirracismo, pois assim deixamos de trazer pras nossas
trincheiras parte da parcela maior da nossa classe. E ainda corremos o risco de empurrar muitos
trabalhadores pretos pra dentro de organizações que atuam no sentido de integrá-los na sociedade
burguesa, inverter os polos de opressão e exploração, e que elegeram a nós comunistas inimigos
preferenciais.

O racismo da nossa esquerda.

“Muitos são racistas e dizem não ser


Talvez você seja mesmo sem você saber”
Consciência Urbana

Somos uma ilha de democracia racial, cercada de racistas por todos os lados. O preconceito é
tão abominável que até os preconceituosos o condenam (pelo menos teoricamente). Uma pesquisa
organizada pela antropóloga Lilia Moritz Schwarcz perguntou aos entrevistados se “você tem
preconceito?”. A essa pergunta 96% responderam que não. Agora é que vem o absurdo. A segunda
pergunta era: “Você conhece alguém que tenha preconceito?”. Curiosamente 99% das pessoas
responderam que sim (!). O preconceito – e no caso do objeto do nosso debate, o racismo – é sempre
um defeito “do outro”, mas nunca “meu”.
Como já foi dito, uma das funções da ideologia é naturalizar a opressão e a exploração. Como
somos formados dentro de uma sociedade racista é quase inevitável a reprodução de atitudes e
discursos racistas, sem que eles sejam percebidos como tal. Assim sendo, o racismo é praticado por
inúmeros militantes que o condenam. Combater o racismo não pode ser entendido simplesmente
como reconhecer sua existência, se posicionar contra ele e exibir como troféu um preto que ocupe
cargo de direção dentro do seu partido, sindicato, movimento ou instrumento de organização e luta
da nossa classe.
Para essas pessoas um importante primeiro passo é reconhecer – sem culpa – os privilégios
que a sociedade lhes reserva, com relação à parcela preta do proletariado. Pra quem se enxerga no
cume da consciência revolucionária, isso vai parecer constrangedor. Porém, pra quem deseja
sinceramente a superação de uma sociedade que explora/oprime, esse é um movimento necessário. É
catártico. É libertador. Reconhecidos esses privilégios, eles podem, inclusive, serem colocados a
serviço do fim dos próprios privilégios. Basta o comprometimento com a luta revolucionária.
A simbologia é um campo também fértil para o nosso debate. A esquerda não abre mão de
vestir vermelho, por exemplo, sendo fiel a uma simbologia própria da nossa luta. Assim é também
com o hino d’A Internacional (cada vez menos frequente nos nossos espaços, é verdade), e também
com um linguajar que é comum somente no nosso meio. Isso prova que não estamos, em setor algum
da nossa sociedade, imune ao poder dos símbolos. Porém, se tratando das palavras – sejam elas
faladas ou escritas – no nosso meio muitas vezes vêm carregadas de conteúdo racista. O problema é
que a ideologia dominante tratou de naturalizar essas expressões de tal forma que seu potencial
ofensivo é artificialmente minimizado. Não podemos perder de vista que a violência simbólica é a
que justifica a violência física. A violência com a qual a mídia burguesa trata as favelas promove, nos
moradores “do asfalto”, um alto nível de aprovação das operações policiais que aniquilam favelados
– pretos, em sua maioria. Do mesmo modo a violência simbólica das expressões, dos termos, das
piadas racistas, reforça a naturalização de uma inferioridade que legitima a violência física praticada
contra o proletário preto. Por isso em pesquisa recente 55,8% dos entrevistados afirmaram que a
morte de jovens “negros” choca menos do que a de jovens brancos. São números que refletem
situações já conhecidas, como a do jovem preto, acusado de roubo, espancado e preso pelo pescoço
a um poste – como seus antepassados escravos presos no pelourinho – na mesma capital onde um
jovem branco que passa com seu carro importando por cima de um ciclista preto, matando-o, é
condenado a prestar dois anos de serviços comunitários.
É provável que os companheiros brancos se surpreendam e se incomodem com as queixas dos
militantes pretos com relação às práticas racistas verificadas nos espaços comuns de militância. Onde
a questão racial não é devidamente discutida é perfeitamente compreensível tanto as denúncias feitas
pelos pretos quanto o incômodo dos brancos (e pretos embranquecidos) com as denúncias. Essa é a
hora em que o companheirismo deve prevalecer, assim como a confiança política dos militantes
brancos naqueles companheiros que sentem na pele os efeitos nocivos de todo o preconceito
produzido e propagado contra os africanos e descendentes nesses 500 anos de história.
Materialistas que somos, não cremos na superação do racismo simplesmente monitorando as
palavras usadas no nosso cotidiano. Mas como nossa luta também se dá no campo das ideias (caso
contrário não perderíamos tempo com cursos de formação política, e produzindo material de
propaganda), é prudente ser vigilante com as próprias palavras pra não reproduzir o discurso racial
da classe dominante, poupando o companheiro preto que poderá canalizar suas energias militantes
somente contra o inimigo comum.
Sem teoria revolucionária não há ação revolucionária, dizia o camarada Lenin. Por isso os
estudos são tarefa imperativa para melhor qualificar a luta contra o capital. Porém, é mister
compreender o tempo do revolucionário preto no cumprimento dessa tarefa. Por uma nítida opção,
aos brancos basta a produção teórica de seus pares. Mas, além de se apropriar das mesmas fontes que
os camaradas brancos, aos pretos é necessária ainda a apreensão do que já foi produzido pelos autores
da diáspora africana. E como na maioria das vezes essa produção teórica dos pretos não leva em
consideração o fator “classe”, ainda recai sobre o militante preto produzir combinando esses vários
legados. Mas não termina aí. Aos militantes pretos cabe ainda a tarefa de ler o que setores do
Movimento Negro escrevem contra o marxismo, pra poder tecer a crítica sobre essas obras. Não é
fácil!
Dado o quadro das relações entre as raças no Brasil, o simples fato de desestimular o debate,
os estudos e a ação sobre as questões específicas do proletário preto, já se configura em postura racista.
É importante a compreensão de que, com base em tudo que foi escrito acima, o fortalecimento da
identidade preta, quando conduzido por quem está comprometido com o socialismo, ao contrário de
enfraquecer, só fortalece a identidade de classe. Por isso é importante evitar o paternalismo e, ao
mesmo tempo, entender que a formação de núcleos de militantes pretos em nossos partidos,
instrumentos e movimentos não significa a construção de guetos internos. Ao invés disso, é certo
enxergá-los como espaços de elaboração de táticas que, considerando nossas especificidades na luta
de classes, buscará uma maior adesão da população preta proletária, com um nível de
comprometimento e de consciência revolucionária cada vez maior.

Cada vez mais vermelho, sem deixar de ser preto,

Gas-PA
09-03-2014

*Revisado em 22-09-2020