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REDE DOCTUM DE ENSINO/MASTER ENSINO EDUCACIONAL/VITÓRIA, ES, Brasil, maio de 2016

A SALA DE AULA INVERTIDA COMO FORÇA


POTENCIALIZADORA NO PROCESSO DE ENSINO-
APRENDIZAGEM

João Fernando Costa Júnior1 – joaofernando@espiritolivre.org


Giselle Cristina de Souza Dutra Costa2 – giselle.geografia@gmail.com
(Autores do Artigo)

Profª Renata Rodrigues Ferrari – referrari74@gmail.com


Pedagoga, Psicanalista e Mestranda em Ciências das Religiões
(Orientadora)

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo discutir as potencialidades das tecnologias


digitais na construção de um novo modelo ensino-aprendizagem da educação
formal, a sala de aula invertida. Esta metodologia ativa, inverte o modelo de ensino-
aprendizagem, onde os alunos passam de agentes passivos para agentes ativos do
processo. Originamente conhecida como Flipped Classroom, tal procedimento,
nascido nos EUA, está sendo aplicado em diversas instituições pelo mundo. Para o
desenvolvimento deste artigo utilizou-se a pesquisa bibliográfica como procedimento
metodológico, tendo a intenção de desenvolver uma discussão em torno da
utilização da Sala de Aula Invertida em ambientes educativos, destacando suas
características, vantagens e dificuldades de implementação. Por fim, espera-se com
este trabalho, demonstrar a eficiência da Sala de Aula Invertida como método de
ensino colaborativo inovador e disruptor, entre professor e aluno, servindo como
força potencializadora no processo de ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: metodologia ativa, Sala de Aula Invertida, ensino-aprendizagem,


educação.

______
1
Pós-Graduando em Metodologia no Ensino Superior, pela Rede Doctum de Ensino/Master Ensino
Educacional, 2016.
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Pós-Graduanda em Metodologia no Ensino Superior, pela Rede Doctum de Ensino/Master Ensino
Educacional, 2016.
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1 INTRODUÇÃO

Com o advento das tecnologias digitais em nossa sociedade e sua consequente


popularização, o acesso à informação se tornou algo comum que agora é inerente à
ideia de lugar. Isso quer dizer que os conteúdos (educativos ou não), estando em
ambiente digital (e neste caso, entende-se ainda que estejam disponíveis na
Internet, a grande rede de computadores), podem ser consultados e consumidos a
qualquer hora, em qualquer lugar que se tenha o respectivo acesso. Entretanto, a
escola enquanto instituição, disposta de pilares e tradicionalmente responsável pela
formação curricular das pessoas, lamentavelmente não acompanhou tais mudanças,
estando, em grande parte das vezes, ainda entregue a um modelo do século
passado. Com tantas diferenças, firmou-se uma fina linha tênue entre instituição de
ensino, metodologia, professores e alunos.

Sendo assim, surge a necessidade de ajustar os métodos de ensino-aprendizagem


nas escolas e outras instituições educativas. O que entendemos por aula tradicional
já não tem mais o mesmo efeito que antes. O tempo, a metodologia e a maneira de
ensino se tornavam um problema facilmente visível, principalmente por parte dos
alunos. As reclamações são rotineiras, principalmente se o conteúdo for extenso e
teórico. Na tentativa de mudar essa realidade, dois professores norte-americanos
resolveram modificar a dinâmica de suas aulas. Ao invés de uma aula unicamente
expositiva, eles começaram a disponibilizar os materiais de ensino, como videoaulas
e materiais de consulta, de forma que o aluno estudasse respeitando sua
individualidade, acessando o conteúdo a seu tempo e assistindo aos vídeos quantas
vezes fosse necessário. A metodologia permitiu um dinamismo visível, além de um
pensamento crítico entre os alunos e na relação professor-aluno.

O método em questão conhecido como Flipped Classroom ou Sala de Aula Invertida,


onde os alunos, ao invés de serem meros ouvintes, passivos no processo de
receber a informação, passam a ser agentes ativos do processo. O professor sai da
posição de único expositor e apresentador do conteúdo, assumindo um papel
importantíssimo de condução e tutoria, apresentando e discutindo as análises sobre
o tema da aula.
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É perceptível que atuamente a educação formal encontrou um grande impasse a


sua frete diante a tantas mudanças impostas por nossa sociedade: como evoluir o
processo educacional a tal ponto que os alunos queiram estar ali, mesmo sabendo
que o mundo os reserva tantas maravilhas a um clique de distância ou mesmo ao
toque na tela de seu celular ou smartphone. Como competir com tanta novidade em
tantos lugares? Como tornar portanto, tudo isso palatável ao aluno? Diante de tantas
coisas chamando sua atenção, é inevitável que não somente a escola, mas o
currículo, a metodologia, a organização do espaço, bem como o tempo que o
professor para com os alunos precisam ser revistos com urgência.

A escola, como a conhecemos, padronizada, ensina e avalia a todos de forma igual,


exigindo resultados previsíveis, ignorando entre outros, que a sociedade do
conhecimento é baseada em inúmeras competências pessoais, cognitivas e sociais,
não se adquirindo de forma convencional. Tais capacidades exigem colaboração,
personalização, cooperação, proatividade, além de visão empreendedora.

O modelo de universidade que faz pesquisa, gera conhecimento e distribui este


conhecimento para poucos já não se sustenta mais. Como afirmam Tapscott e
Williams :

O atual modelo pedagógico, que constitui o coração da


universidade moderna, está se tornando obsoleto. No
modelo industrial de produção em massa de estudantes,
o professor é o transmissor. [...]. A aprendizagem
baseada na transmissão pode ter sido apropriada para
uma economia e uma geração anterior, mas cada vez
mais ela está deixando de atender às necessidades de
uma nova geração de estudantes que estão prestes a
entrar na economia global do conhecimento (TAPSCOTT;
WILLIAMS, 2010, p. 18-19).

Percebe-se claramente que na disputa pela atenção do aluno, a escola tem ficado
para trás, principalmente se considerarmos que as novas tecnologias acompanham
o aluno, aonde quer que ele vá. Grande parte dos jovens que ingressam nas escolas
fazem uso regular e cotidiano de tais tecnologias, que as instituições insistem em
incriminar. Hoje eles facilmente sabem utilizar computadores, tablets, smartphones
(e outros dispositivos móveis), usam redes sociais, enquanto o corpo docente, em
certas situações, não se apropria de tais recursos, utilizando-os para fins
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pedagógicos, penalizando os usuários de tais tecnologias e criando problemas que


afetam o rendimento escolar, bem como a carreira acadêmica do educando. É
preciso compreender que a tecnologia, se bem utilizada pelo aluno e pelo professor,
é uma importante engrenagem do motor educacional. Exatamente por isso que as
escolas e universidades, começam a rever seus conceitos e métodos de ensino,
buscando melhorias, principalmente, no que diz respeito ao uso de recursos
tecnológicos.

Diante disso, este trabalho tem por objetivo discutir as potencialidades das
tecnologias digitais na construção de um novo modelo do processo de ensino
aprendizagem da educação formal, o Flipped Classroom ou a Sala de Aula Invertida.
O procedimento metodológico para a construção deste estudo foi por meio de
pesquisa bibliográfica, visando buscar informações acerca dos benefícios das
tecnologias em sala e os possíveis problemas com o atual método de ensino,
relacionando estes, com o método da Sala de Aula Invertida.

Desta forma, foi articulada uma discussão teórica sobre a Sala de Aula Invertida, seu
funcionamento e sua relação com as novas tecnologias. Será discutido ainda alguns
métodos de ensino, articulando-os às novas propostas, possíveis problemas, bem
como as dificuldades educacionais e resistências perante novas metodologias de
ensino e aprendizagem. Por fim, são expostas considerações sobre do tema e
algumas concepções acerca das potencialidades desta nova metodologia inovadora
aplicada à educação.

2 A SALA DE AULA INVERTIDA (OU FLIPPED CLASSROOM)

Flipped Classroom ou Sala de Aula Invertida é uma metodologia ativa de ensino que
pode ser viabilizada, entre outras coisas, com o uso das TICs - Tecnologias da
Informação e Comunicação. Tal metodologia é apresentada com o objetivo de inovar
e aprimorar o processo de ensino-aprendizagem, em espaços da educação formal.
Neste novo conceito, o aluno deixa de ter um lugar passivo em sua cadeira,
passando a ter autonomia e podendo estudar e acessar a informação onde e
quando quiser, através dos materiais antecipadamente disponibilizados pelo
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educador, em plataformas digitais como um ambiente virtual de aprendizagem ou


similar. Desta forma, espera-se que os alunos ao chegarem em sala de aula, já
tenham tido acesso ao conteúdo com embasamento prévio do que será trabalhado
na sala de aula. Assim, o professor deixa de ser o único detentor do saber, passando
nesta nova configuração, a ser um mediador de debates, conduzindo o andamento
do processo educacional no ambiente de sala.

O Flipped Classroom surgiu em escolas do ensino médio americano, com os


professores Jonathan Bergman e Aaron Sams. Eles precisavam criar uma estratégia
diferenciada para atender alunos que precisavam se ausentar por longo tempo das
aulas regulares para jogos, que muitos deles eram atletas. A estratégia inicial,
segundo os próprios autores, era gravar suas aulas e a postá-las para que, mesmo
longe da sala de aula, os alunos com problemas relacionados a ausências
pudessem acompanhar a turma de forma regular. Desta forma, ao assistirem aos
vídeos gravados pelos professores, quando voltassem das viagens, estes alunos
teriam tido acesso ao conteúdo e trariam suas dúvidas e contribuições, para
momentos de discussão e aplicação. A partir desta experiência inicial, os
professores resolveram ampliar esta possibilidade para todos os alunos, invertendo
assim a lógica de suas aulas: os alunos, de forma independente e por conta própria,
nos locais e horários em que eles decidissem, assistiriam aos vídeos, que tinham o
papel de levar o conteúdo teórico das disciplinas, apresentado conceitos, autores e
diferentes proposições a respeito do tema de estudo. A partir daí e com o estudo de
vários materiais de apoio, os alunos passaram a se reunir com os professores não
mais para a aula expositiva, mas sim para a aplicação do conteúdo explorado nos
vídeos e estudado previamente (SCHNEIDER et. al., 2013)

Morán, citado por Lemos e Perl (2014, p.128) afirmou que "a Internet abre um
horizonte inimaginável de opções para implementação de cursos a distância, de
flexibilização dos presenciais e de inovação na sua avaliação. [...] Em poucos anos,
dificilmente teremos um curso totalmente presencial". O uso das tecnologias de
informação na contemporaneidade é de extrema importância para alcançar uma
melhor eficiência no ensino e aprendizagem. Os professores necessitam se atualizar
e trazer o "futuro" para as salas de aula.
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A "Sala de Aula Invertida", portanto, conta ainda com essa proposta: tanto professor
quanto aluno se veem na necessidade de se interagirem com as novas tecnologias,
acabando um aprendendo com o outro, sendo visível a relação próxima de
cooperativismo, professor e aluno, aluno e professor e ambos com a tecnologia e
ensino. A Sala de Aula Invertida, se bem conduzida, com estudo e planejamento,
torna-se uma ferramenta educacional que traz inúmeras possibilidades, já que o
aluno pode realizar seu estudo a seu tempo, repetidas vezes, com a ajuda da
internet e outras ferramentas de apoio previamente disponibilizadas pelo professor.

Os avanços tecnológicos trazem para a escola a


possibilidade de integrar os valores fundamentais, a
visão de cidadão e mundo que queremos construir, as
metodologias mais ativas, centradas no aluno com a
flexibilidade, mobilidade e ubiquidade do digital. Um dos
modelos mais interessantes de ensinar hoje é o de
concentrar no ambiente virtual o que é informação básica
e deixar para a sala de aula as atividades mais criativas
e supervisionadas. É o que se chama de aula invertida.
A combinação de aprendizagem por desafios, problemas
reais, jogos, com a aula invertida é muito importante para
que os alunos aprendam fazendo, aprendam juntos e
aprendam, também, no seu próprio ritmo. Os jogos e as
aulas roteirizadas com a linguagem de jogos cada vez
estão mais presentes no cotidiano escolar. Para
gerações acostumadas a jogar, a de desafios,
recompensas, de competição e cooperação é atraente e
fácil de perceber. (MORÁN, 2014)

Os computadores, tidos para muitos, como vilões e inimigos no processo de ensino-


aprendizagem, já se mostraram verdadeiros aliados e ferramentas importantíssimas
e precisam serem usados como tal.

Os computadores têm estado presentes no processo


ensino aprendizagem praticamente desde o momento
em que foram inventados. Eles já foram utilizados como
máquinas de ensinar e atualmente são vistos como
importante auxiliar na aprendizagem, entendida como
fruto da construção de conhecimentos que o aprendiz
realiza. No entanto, as funções que o computador tem
desempenhado como auxiliar no processo de
aprendizagem tem mudado ao longo destas duas
décadas de pesquisa na área de informática na
Educação. (VALENTE, 2002, p.15)

As atividades de que envolvem os processos de ensino e aprendizagem não são


exclusividade de ambientes puramente presenciais. Kenski (2007) afirma que desde
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que as TICs - Tecnologias da Informação e da Comunicação começaram a expandir-


se por toda a sociedade, as formas de ensinar e aprender foram profundamente
mudadas. Seja por um maior ou menor uso de equipamentos didáticos na sala de
aula, alunos e professores passam a ter a chance de estabelecer contato com
inúmeras mídias disponíveis, absorvendo informações em decorrência deste contato
e destas interações estabelecendo novas referências. Tais mediações sinalizam
portanto, que as diversas atividades que envolvem o processo de ensino e
aprendizagem não são exclusivas des ambientes unicamente presenciais, podendo
ocorrer, por exemplo, através de ambientes virtuais de aprendizagem.

Kenski (1999) faz esta colocação ao evidenciar que na realidade, o processo que
envolve a educação ocorre em grande parte em formato semipresencial, já que seria
impossível se imaginar que, as inúmeras ações educativas que culminam no
conhecimento, mesmo que planejadas, ocorram exclusivamente em espaço escolar,
dentro de sala de aula e tendo a frente a figura de um professor.

A tecnologia de uma forma bem ampla, potencializa o ensino, catapultando-o muito


além da presença física envolvendo um professores e alunos, em um ambiente de
uma sala de aula.

As tecnologias ampliam as possibilidades de ensino para


além do curto e delimitado espaço de presença física de
professores e alunos na mesma sala de aula. A
possibilidade de interação entre professores, alunos,
objeto e informações que estejam envolvidos no
processo de ensino redefine toda a dinâmica da aula e
cria novos vínculos entre os participantes. (KENSKI,
2007, p. 88)

Kenski (2007) torna evidente o apelo para o uso adequado das tecnologias de
informação. Logo, não basta escolher qualquer elemento tecnológico.

Vídeos, programas educativos na televisão e no


computador, sites educacionais, softwares diferenciados
transformam a realidade da aula tradicional, dinamizam o
espaço de ensino – aprendizagem, onde anteriormente,
predominava a lousa, o giz, o livro e a voz do professor.
Para que as Tecnologias de Informação e Comunicação
possam trazer alterações no processo educativo, no
entanto, elas precisam ser compreendidas e
incorporadas pedagogicamente. Isso significa que é
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preciso respeitar as especificidades do ensino e da


própria tecnologia para poder garantir que o seu uso,
realmente, faça diferença. Não basta usar a televisão ou
o computador, é preciso saber usar de forma
pedagogicamente correta a tecnologia escolhida.
(KENSKI, 2007, p. 46)

2.1 O uso da Sala de Aula Invertida e seu funcionamento

KENSKI (1999) afirma que o processo educacional deve ser semipresencial, já que
é impossível pensar que a educação, bem como as atividades que a envolve,
possam ser exercidas unicamente dentro da sala de aula. Isso se torna bastante
evidente se levarmos em conta que o perfil atual de aluno em nossa faculdades e
escolas é aquele que está sempre interagindo com as novas tecnologias. Desta
forma, tendo esse perfil em sala, certamente o método expositivo não se torna tão
atraente nem motivador. Se antes o método tradicional de ensino funcionava, graças
a falta de tecnologia ou mesmo por falta de um local que agregasse o informação e
a construção do conhecimento, hoje encontramos alunos com nossos desejos e
envolvidos em um mundo tecnológico, e logo, as novas metodologias devem atender
a esses novos alunos. Cabe ao docente em exercício conduzir essa nova realidade
na nova configuração de sala de aula.

Segundo Trevelin (2013), as novas tecnologias de informação ampliam as


possibilidades de ensino e interferem diretamente na prática docente e no
aprendizado, que gera a necessidade de adaptação contínua, tanto para os
estudantes como para os docentes.

Bergman e Sams se utilizaram da teoria de Bloom, psicólogo estadunidense, que,


em 1956, escreveu a Taxonomia dos Objetivos Educacionais. Bloom objetiva
naquela época descrever os objetivos educacionais, do mais simples ao mais
complexo e, desta orma, permitir que se planejassem os processos de ensino.
Bloom entendia que, se conseguirmos determinar claramente os objetivos que
desejamos desenvolver nos alunos, facilitaria escolher as estratégias apropriadas de
ensino-aprendizagem (SCHNEIDER et. al., 2013).
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Para este autor há três campos de objetivos: cognitivos


(aprendizagem intelectual), afetivos (aspectos ligados
aos valores) e psicomotores (execução de tarefas
usando o organismo muscular). Outro aspecto do
pensamento de Bloom é o que se refere a diferentes
estilos de aprendizagem, que, quando respeitados pelas
estratégias de ensino, favorecem o desenvolvimento
mais amplo do potencial de cada aprendiz. Bloom
classifica os objetivos no domínio cognitivo (único
domínio que foi desenvolvido mais a fundo) em 6 níveis e
defende que cada nível utiliza as capacidades adquiridas
nos níveis anteriores. (SCHNEIDER et. al.,2013, p. 72)

Desta forma, Bloom dividiu o nível cognitivo em seis partes, que pode ser
desenvolvida como pirâmide, a saber: recordar; compreender; aplicar; analisar;
avaliar e criar. Tal pensamento recebeu inúmeras críticas, pois com isso foi possível
criar sistemas instrucionais que visavam o controle e a adaptação do
comportamento do indivíduo com um ensino modelo pré-definido. Entretanto, apesar
de todas as críticas, é realmente necessário que haja uma estrutura para tal
processo educacional. Bergam e Sams, a partir daí, inverteram a ordem da pirâmide
de Bloom, criando a metodologia da Flipped Classroom ou Sala de Aula Invertida.
(SCHNEIDER et. al.). Cria-se então, um mecanismo onde os alunos fazem o estudo
prévio com o uso de livros, videosaulas, materiais impressos, apostilas, sites,
quizzes, dentre outros recursos disponíveis e previamente planejados pelo
professor. A seguir, o docente realiza, através das tecnologias de informação, a
melhor interação dos alunos junto à pesquisa (sendo que esta etapa já em sala de
aula) para que por fim, os alunos sejam estimulados a criar e desenvolver um
pensamento crítico.

Fazer uso das das novas tecnologias, principalmente as que utilizamo os


dispositivos móveis, é neste novo cenário, imprescindível. Elas são de grande
importância para o ensino, quando bem utilizadas. As possibilidades para a
educação são diversas, trazendo experiências que permitem atualizações tanto dos
professores como alunos (SILVA, 2012). Entretanto, nessa nova dinâmica, o
adequado é que o aluno não apenas busque respostas, como também formule seus
próprios questionamentos. Saber fazer um uso adequado da tecnologia nesse novo
cenário permitirá avanços diversos, assim como no uso de tecnologias móveis,
como os smartphones, tablets, ebook readers, que também podem ser de grande
ajuda no processo educativo, assim já foram em outros tempos, os computadores de
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mesa, webquests, jogos digitais e outras tecnologias. Com a ajuda da Internet, aluno
e professor conseguem acessar informação e construir conhecimeto de forma
rápida.

Segundo Lévy (1996), citado por Silva (2012, p.2) o armazenamento em memória
digital é uma potencialização, já a exibição é uma realização. Um hipertexto é uma
matriz de textos potenciais, sendo que alguns deles vão se realizar sob o efeito da
interação com o usuário”. Existe o plano potencial-real e virtual-atual, ou seja, o
universo potencial é aquilo que vai se realizar, e o universo virtual é aquilo que se
permite atualizar (SILVA, 2012).

2.2 Invertendo a sala de aula

Na metodologia da Sala de Aula Invertida, o estudante tem acesso ao conteúdo da


aula, antes que esta aconteça. A aula, portanto, se torna o lugar de aprendizagem
ativa, onde há perguntas, discussões e atividades práticas. O educador trabalha as
dificuldades dos alunos, ao invés de apresentações sobre o conteúdo da disciplina
(EDUCAUSE, 2012).

O relatório Flipped Classroom Field Guide (2014), citado por Valente (2014), informa
as regras básicas para inverter a sala de aula são: 1) as atividades em sala de aula
envolvem uma quantidade significativa de questionamento, resolução de problemas
e de outras atividades de aprendizagem ativa, obrigando o aluno a recuperar, aplicar
e ampliar o material aprendido on-line; 2) Os alunos recebem feedback
imediatamente após a realização das atividades presenciais; 3) Os alunos são
incentivados a participar das atividades on-line e das presenciais, sendo que elas
são computadas na avaliação formal do aluno, ou seja, valem nota; 4) tanto o
material a ser utilizado on-line quanto os ambientes de aprendizagem em sala de
aula são altamente estruturados e bem planejados (VALENTE, 2014, p. 86).

A escolha do tipo de atividades ou material a ser disponibilizado ao aluno, para que


este realize antecipadamente, bem como a estratégia em sala de aula, variam
conforme o planejamento do professor e a proposta que está sendo implantada.
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Assim, a Sala de Aula Invertida permite criar diferentes possibilidades para a prática
pedagógica.

2.3 Os desafios do uso da Sala de Aula Invertida

Sabe-se que em alguns casos, a relação entre aluno e professor pode ser
problemática quando o assunto é o uso de aparelhos tecnológicos na sala de aula.
Essa relação pode ainda piorar, sem um planejamento adequado das atividades e
com a condução direcionada para o fim educacional escolhido. O fato é que muitos
professores têm resistência ao uso de equipamentos tecnológicos e tendem
simplesmente a exclui-los, quando, por outro lado, o educador poderia utilizar tais
ferramentas a seu favor, como aliados ao processo educacional. O modelo da Sala
de Aula Invertida pode ser facilmente entendido como um exemplo de como utilizar
as novas tecnologias digitais podem melhorar a prática do ensino.

A Sala de Aula Invertida contempla a utilização de


tecnologias digitais (TD), de modo a contribuir para a
construção do conhecimento, por meio de videoaulas,
jogos, arquivos de áudio, applets, entre outras
ferramentas. Com auxílio desses recursos, o professor
pode otimizar o tempo em sala de aula e utilizá-lo em
atividades interativas, aprofundamento e discussões
sobre o tema abordado. (BARSEGHIAN, 2011)

Desta forma, percebe-se que as TICs, acopladas ao processo de ensino-


aprendizagem, aliadas ao modelo da Sala de Aula Invertida, conseguem trazer
excelentes resultados para o rendimento escolar e a prática docente, tendo o tempo
e o desenvolvimento das aulas alguns dos elementos significativamente melhorados.

OZÓRIO (2003) afirma que a escola sofre a exigência de desenvolver o pensamento


crítico, sendo que o professor deve ensinar o aluno a pensar. Mas como este
processo primordial da educação pode ocorrer em uma sala de aula que muitas
vezes apresenta mais de quarenta alunos? Como dar oportunidade a todos para se
expressarem e ensinar aos alunos como transmitirem as suas ideias?
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A autoria continua, afirmando que a educação é um processo que pressupõe


relação. Se a turma é muito grande, como o professor pode ter esta relação em uma
turma com excesso de alunos? Torna-se muito difícil para o professor atuar de forma
satisfatória indo ao encontro dos anseios dos seus alunos, tirando as suas dúvidas e
junto com eles pensarem em soluções.

Com excesso de alunos em sala de aula o professor não


tem espaço para que ele possa dar uma atividade
diferente, na qual os alunos possam se movimentar, a
configuração espacial das salas de aula parece um
ônibus - todos os alunos sentados virados para o
professor que dirige o ônibus. Esse tipo de arranjo
espacial é estranho já que se busca uma educação de
qualidade e o envolvimento diretamente dos alunos no
processo da aprendizagem. Quando o professor tem
oportunidades para trabalhar com a turma em grupos ou
em círculos, os alunos têm a chance de participar muito
mais, tendo um espaço de debate e desta forma o
professor pode fazer uma avaliação real dos seus
alunos. Sabemos que o aluno não é mais passivo,
receptáculo das informações, ele é ativo aprendiz,
construtor do seu conhecimento. Excesso de alunos em
sala não gera qualidade, pelo contrário gera um
aprendizado ineficiente. Tratar da qualidade educacional
sem debatermos este problema em nossas escolas, é
tentar tapar o sol com a peneira! (OZÓRIO, 2003)

Percebe-se portanto que existem várias dificuldades para uma aceitação pela para
novas metologias de ensino. Todos acabam sofrendo com isso, e certamente, a
parte que mais sofreria são os alunos, uma vez que sua maioria entendem que a
própria prática do estudo é uma punição, se consideramos os diversos problemas
que encontramos na fágil educação nacional. Com o modelo tradicional, fica
perceptível que o conhecimento se torna limitado. E como não poderia ser diferente,
o uso das tecnologias digitais nas salas de aula diverge opiniões, tanto de alunos
quanto de professores. Diversos profissionais da educação não se sentem seguros e
confortáveis em se utilizar tais metodologias, acreditando que os educandos
poderão se distrair e não captar o assunto estudado da maneira adequada. A falta
de informação, insegurança e receio acabam gerando esse tipo de atitude em
relação a tecnologia. Existe ainda a preocupação que o aluno, que nasceu em uma
era tecnológica possa vir a dominar a ferramenta, o que colocaria o professor em
uma posição desconfortável diante do seu pupilo. Certos alunos porém, se sentem
perdidos e se distraem com as outras possibilidades, não relacionadas com o
assunto da aula, algo que a tecnologia consegue fazer facilmente, dadas à facilidade
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de acesso que os dispositivos móveis, por exemplo, proporcional. Proibir o uso


certamente colocará o aluno em uma posição difícil de escolher entre acatar a uma
decisão do professor ou fazer uso de uma ferramenta que, na cabeça do aluno, mais
ajuda que atrapalha. As consequências porém de tais atitudes podem se desdobrar
e o propósito da aula ser perdido pelo caminho.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante de tudo que foi discutido, podem-se perceber que as tecnologias podem
favorecer o ensino nas escolas e universidades, desde que utilizadas da forma
adequada e com o devido empejo por todas as partes do processo de ensino-
aprendizagem. A Sala de Aula Invertida neste contexto se apresenta como uma
possibilidade de melhoria, uma força a mais, em uma área que carece de atenção: a
educação. Por se tratar de uma metodologia relativamente nova, ainda estão
implementados os primeiros estudos a respeito da mesma. Entretanto, ela tem sido
empregada com sucesso por escolas e universidades.

A metodologia traz inovação e um modelo disruptor, capaz de incrementar o


processo de construção do conhecimento, onde o aluno passa de agente passivo,
recebedor da informaão para agente ativo do processo. Desta forma, entende-se
que a aprendizagem se constituirá através de diversas frentes, porém com uma forte
fundamentação na autonomia do aluno, na produção (e resolução) de conteúdo em
casa ou em qualquer outro espaço favorável para o estudo. Desta forma, o ensino
passa a não ser mais centrado apenas na sala de aula e na figura do professor. O
modelo tradicional passa portanto, a ser invertido, uma vez que o professor se torna
o mediador, o condutor do processo e não mais o centro da aprendizagem (como
ocorre inevitavelmente com o processo tradicional de aprendizagem).

É importante ressaltar que a mudança de paradigma deste do processo educacional


atual é inevitável. O que muitos professores (e alunos) já perceberam é que, ou a
instituição de ensino se adapta e apresenta novas formas de aprender (tendo a
tecnologia como uma aliada) ou está fadada ao fim, como a conhecemos. É
compreensível ainda que muitos professores sejam resistentes a tais mudanças,
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assim como alguns professores, já que ambos, cresceram em um modelo


tradicional. É preciso, portanto, inovar e se adaptar para que a existência esteja
garantida.

O modelo tradicional de ensino, como foi dito, não é mais tão eficiente quanto no
passado, já que os alunos, assim como a sociedade mudaram e tendo acesso a
informações de maneira muito mais rápida e eficiente, diferentemente do passado
onde a escola era realmente o celeiro único das mentes brilhantes. A sociedade,
hoje como um todo, participa do processo de ensino (o aluno aprende com o jornal,
com os games, com a vivência fora da sala de aula) e a retroalimenta. Assim, os
agentes educacionais devem se articular para que práticas culturais e sociais,
estejam presentes no ambiente formal e o uso das tecnologias digitais e mídias
sociais aliadas no processo educativo é uma das grandes possibilidades.

Na metodologia da Sala de Aula Invertida, o educando torna-se responsável pelo


seu próprio conhecimento, cabendo a ele uma parcela muito maior de
responsabilidade e autonomia, diferentemente do método tradicional, onde a
exposição o instrui. Com a ajuda dos materiais disponibilizados previamente pelo
educador, o aluno pode escolher como e quando se apropriar dos seu estudo,
cabendo a ele criar seu próprio método de aprendizado, com velocidade, lugar e
situações que melhoram sua própria condução no aprendizado. É extremamente
necessario, entretanto, que o aluno ao chegar em sala, já tenha o estudo
previamente realizado. Desta forma, o professor buscará mecanismos para
aprimorar esse conhecimento já adquirido anteriormente, trabalhando com o aluno
de maneira única.

É extremamente relevante ressaltar ainda que a educação brasileira, sofre


atualmente problemas de gestão, seja por baixo salário dos profissionais envolvidos,
na falta de infraestrutura ou na aplicação de recursos. Todos esses elementos,
corroboram para dificultar ainda mais o desenvolvimento educacional do país. É
necessário entender ainda que muitos alunos perdem o interesse, desistem dos
estudos e da escola, exatamente ao enxergarem tais mazelas. Neste cenário, é
necessário envolver não apenas a escola, mas a socidade como um todo, incluindo
a família, amigos e agentes sociais, de maneira colaborativa não apenas no
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incentivo aos estudos, mas na construção de um ser humano mais digno e


preparado para as adversidades da vida em sociedade. A Sala de Aula Invertida, por
meio de sua forma de implementação, cria umadinâmica neste sentido.

Enfim, é possível perceber, não apenas através de relatos de implementação ao


redor do mundo que o Flipped Classroom ou a Sala de Aula Invertida se apresenta
com uma metodologia que tem apresentado bons resultados onde foi implementada.
Ela cria possibilidades, abre caminhos, coloca os alunos para trabalharem de forma
independente em certos momentos e em outro, juntos, na busca por soluções e
aprendizado, tendo o professor não como o chefe, mas sim como o mentor, o
inspirador, aquele que apresenta o caminho e não, aquele que arrasta o grupo.
Alunos e professores, devem portanto, entender o quão necessário é trabalharem
unidos e de forma articulada, utilizando todos os recursos possíveis, sejam as TICs
ou qualquer outra ferramenta que venha a contribuir na construção de um ser
humano melhor.

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