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Desenho Arquitetônico

Material Teórico
Sistemas de Projeção e Representação

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Me. Luiz Boscardin

Revisão Textual:
Prof. Me. Luciano Vieira Francisco
Sistemas de Projeção e Representação

• Projeções;
• Sistema Mongeano;
• Vistas Ortogonais;
• Plantas, Cortes e Elevações.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Apresentar os conceitos que norteiam a construção e visualização de
representações bidimensionais empregadas no desenho arquitetônico.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Sistemas de Projeção e Representação

Projeções
Assim como em uma fotografia, boa parte dos desenhos, sejam técnicos ou artís-
ticos, possuem como fator comum a representação de objetos reais – portanto, tridi-
mensionais –, em um plano bidimensional.

Observando a seguinte fotografia (Figura 1), é possível identificar com clareza


as três dimensões que compõem a cena: altura, largura e profundidade.

Figura 1 – Dimensões
Fonte: Acervo do Contudista

Esse tipo de projeção – de um objeto tridimensional em um plano bidimensional


– chama-se perspectiva e é constituída pelos seguintes componentes – e represen-
tados na Figura 2:
• Observador;
• Objeto – paisagem ou elemento a ser representado do ponto de vista
do observador;
• Projetantes – raios visuais que saem do observador, encontram o objeto e o
projetam em um plano;
• Plano de projeção – onde o objeto será projetado.

Figura 2 – Componentes de uma projeção em perspectiva


Fonte: Acervo do Contudista

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O tipo de projeção visto na Figura 1, bem como em desenhos que simulam a
maneira de como os nossos olhos percebem a realidade (Link abaixo), é classi-
ficado como perspectiva cônica.

Perspectiva cônica desenhada por Hans Vredeman de Vries no século XIV. Disponível
Explor

em: https://goo.gl/4kHaEs.

Nesse tipo de projeção, o observador está situado a uma distância mensurável


do objeto a ser projetado. Chama-se perspectiva cônica, pois as projetantes que
partem do observador, atingindo os vértices do objeto e batendo no plano de pro-
jeção, formam um cone visual (figuras 2 e link acima).

Na projeção cônica, o objeto será representado no plano de projeção com me-


didas diferentes da realidade. Da mesma forma como ocorre com o nosso sentido
de visão, onde quanto mais distantes os objetos estão do observador, menor são as
suas dimensões se comparadas às suas medidas reais (link acima).

No desenho técnico, que geralmente visa a reprodução ou a exata descrição


volumétrica de um objeto, esta característica pode ser encarada como algo bastan-
te insatisfatório. Para contornar tal problema, utiliza-se a perspectiva de projeção
cilíndrica, que conserva as reais dimensões dos objetos.

Na projeção cilíndrica, considera-se que o observador está a uma distância in-


finita do objeto a ser projetado. Desta forma, as projetantes encontram o objeto
de maneira paralela – por definição da geometria euclidiana, onde as linhas para-
lelas encontram-se no infinito –, projetando-o em suas reais dimensões, tal como
vemos na Figura 3. O paralelismo entre as projetantes forma um cilindro visual.

Figura 3 – Projeção cilíndrica


Fonte: Acervo do Contudista

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Pertencem ao sistema de projeção cilíndrica duas importantes modalidades de


perspectiva: cavaleira e isométrica.
A perspectiva cavaleira caracteriza-se pela orientação da face frontal do obje-
to, sempre posicionada em paralelo ao plano de projeção. Como consequência,
a sua face frontal sempre apresentará as suas medidas reais.

Figura 4 – Perspectiva cavaleira


Fonte: Acervo do Contudista

Na perspectiva isométrica, o objeto é posicionado de maneira oblíqua em rela-


ção ao plano de projeção, sendo que o ângulo entre o plano de projeção e as três
faces do objeto será sempre o mesmo.
Nesse tipo de perspectiva, as faces estão em sua real dimensão. Desta forma, é
possível traçar uma perspectiva isométrica por meio de uma malha de retas dese-
nhadas a partir de ângulos de 30º.

Figura 5 – Perspectiva isométrica


Fonte: Acervo do Contudista

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Sistema Mongeano
O estudo dos conceitos presentes nas técnicas de execução de perspectivas cilín-
dricas resultou no desenvolvimento do sistema mongeano, onde cada face do objeto
é projetada em um plano de projeção distinto. Tal situação difere das perspectivas
cilíndricas – cavaleira e isométrica –, onde a projeção das faces é realizada em apenas
um plano.

A representação de um objeto tridimensional em planos distintos de projeção gera


representações bidimensionais que são de grande valia quando desejamos exibir de
maneira precisa e detalhada os espaços internos ou as relações de altura e distância
entre diferentes elementos.

Como veremos a seguir, o sistema mongeano é a base para desenharmos plan-


tas, cortes e elevações a partir de um objeto ou espaço tridimensional.

Figura 6 – Sistema mongeano


Fonte: Acervo do Contudista

O sistema mongeano divide o espaço em dois planos de projeção: um vertical e


o outro horizontal. A intersecção destes dois planos gera quatro quadrantes, cha-
mados de diedros (di = dois, edros = planos).

Ao posicionarmos um objeto tridimensional no centro de um diedro (Figura 6),


torna-se possível realizar as projeções ortogonais de todas as suas faces, nos pla-
nos de projeção vertical e horizontal (Figura 7). Assim como acontece na proje-
ção cilíndrica, no sistema mongeano, a distância do observador tende ao infinito
e, por isso, as projeções apresentam as dimensões reais do objeto.

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Figura 7 – Projeções ortogonais (sistema mongeano)


Fonte: Acervo do Contudista

Para converter a representação tridimensional para duas dimensões, ocupando,


portanto, um único plano, o plano horizontal é rotacionado em 90° para coincidir
com o plano vertical. Desta forma, obtém-se a épura – representação bidimensional
de duas faces do objeto.

Observe na Figura 8 que é possível visualizar as três dimensões do objeto – lar-


gura, altura e profundidade – utilizando, para isto, apenas duas dimensões:

Figura 8 – Projeções ortogonais e épura (sistema mongeano)


Fonte: Acervo do Contudista

Geralmente, as representações ortogonais são executadas no primeiro diedro.


Esta prática é conhecida como sistema alemão e é a indicada pela Associação Brasi-
leira de Normas Técnicas (ABNT). Deste modo, a face frontal de um objeto projeta-
-se no plano vertical e a face superior no plano horizontal inferior (Figura 7).

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Vistas Ortogonais
Como visto no Item anterior, na projeção cilíndrica considera-se que o observador
está a uma distância infinita do objeto a ser representado. Desta forma, as projetantes
encontram o objeto de maneira paralela, representando-o em suas reais dimensões.

Observe a Figura 9, onde apresentamos quatro vistas desse objeto em projeção ci-
líndrica, a partir dos observadores – representados aqui pelas máquinas fotográficas:

Figura 9
Fonte: Acervo do Contudista

Considerando a posição dos observadores, obteremos as seguintes vistas:

Figura 10
Fonte: Acervo do Contudista

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UNIDADE Sistemas de Projeção e Representação

Para as vistas superior e inferior, as regras de representação são as mesmas


(Figura 11). Note que em todas as vistas, a ordem de sequência dos componentes
é a seguinte: observador, objeto e projeção.

Figura 11
Fonte: Acervo do Contudista

Levando em consideração as definições que constituem o sistema mongeano, é


possível notar a similaridade dessas representações à disposição dos diedros e às
consequentes projeções ortogonais geradas por esse método de desenho.

Ao observarmos as seis vistas exibidas nas figuras 10 e 11, constata-se que o


objeto está posicionado no centro de uma caixa, formada pelos seis planos onde
serão executadas as suas projeções ortogonais.

Figura 12
Fonte: Acervo do Contudista

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Se abrirmos tal caixa em uma operação análoga à execução da épura no sis-
tema mongeano, teremos o seguinte arranjo:

Figura 13
Fonte: Acervo do Contudista

Desta forma, conclui-se que para desenharmos representações bidimensionais


externas – vistas ou elevações – de um objeto qualquer em suas reais dimensões,
utilizaremos o mesmo sistema de projeções cilíndricas que serve de base ao mon-
geano. Estes mesmos conceitos norteiam também a execução das representações
bidimensionais internas de um objeto ou espaço, mesma categoria que se enquadram
as plantas e os cortes.

Plantas, Cortes e Elevações


Plantas e cortes são representações bidimensionais resultantes das secções/
cortes de um objeto. Planta é a representação gerada a partir de uma secção
horizontal (Figura 14), e corte é a representação gerada a partir de uma secção
vertical (Figura 15).

Figura 14
Fonte: Acervo do Contudista

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Para a execução de plantas, considera-se como regra que a altura do plano de


corte é geralmente de 1,50 m em relação ao piso interno da construção ou ambien-
te. Nessa altura é possível representar a maioria dos componentes que constituem
um espaço edificado, tais como portas, janelas, escadas, bancadas etc.

Figura 15
Fonte: Acervo do Contudista

Já em um corte, a posição e o sentido do plano que seccionará verticalmente o


objeto são definidos de acordo com as necessidades de representação do projeto.

Nas plantas, visualizamos apenas as dimensões horizontais de um objeto. Neste


tipo de representação, as dimensões verticais apenas podem ser entendidas por meio
de chamadas de texto e, por essa razão, são necessárias as representações em corte
e elevação, onde é possível visualizar as dimensões verticais, além de uma das dimen-
sões horizontais.

Figura 16
Fonte: Acervo do Contudista

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Desenho Técnico
Sistema mongeano e projeções.
https://goo.gl/tYvG6S

Vídeos
Estudo do Ponto
Diedros e épura.
https://youtu.be/YCxIdhk6a18
Escalas - Vivendo a Matemática - Professora Angela
Projeção cônica e cilíndrica.
https://youtu.be/MlpfXdvG_04
Projeção ortogonal
https://youtu.be/VaT2vPh5JuI

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Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492: 1994:
representação de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1997.

CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. Porto Alegre, RS:


Bookman, 2011.

LITTLEFIELD, D. Manual do arquiteto: planejamento dimensionamento e proje-


to. Porto Alegre, RS: Bookman, 2011.

LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac


Naify, 2008.

MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 4. ed. rev. atual. São Paulo:


Edgard Blucher, 2011.

________. Geometria descritiva. São Paulo: Edgard Blucher, 2004.

YEE, R. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. 3. ed.


Rio de Janeiro: LTC, 2012.

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