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Desenho Arquitetônico

Material Teórico
Telhados

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Me. Luiz Boscardin

Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Telhados

• A Telhados: Função e
Definições Técnicas;
• Cálculo de Inclinação
de um Telhado;
• Roteiro para Desenho (Planta
de Cobertura e Elevações).

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Explicar de maneira detalhada o desenho e o cálculo de inclinação
de telhados.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Telhados

A Telhados: Função e Definições Técnicas


O telhado é um importante componente arquitetônico, pois, além de proteger as
áreas internas das intempéries, as escolhas técnicas e formais envolvidas em seu dese-
nho têm influência direta na volumetria da edificação (Figuras 1 e o link abaixo).

Figura 1 – Casa bandeirista do Sítio Padre Inácio – Século XVIII


Fonte: infopatrimonio.org
Explor

Casa Passárgada, 2016 (MASV Arquitetura). Disponível em: https://goo.gl/TiX1DF.

Tradicionalmente, duas soluções são utilizadas: telhados aparentes, que compõem


a volumetria da edificação, e os embutidos, que são ocultos por platibandas (Figura 2).

Figura 2 – Telhado embutido por platibandas


Fonte: Boscardin, 2018

A decisão entre o uso de um telhado aparente ou de um embutido deve levar em


consideração questões formais e fatores financeiros e técnicos.

A escolha do tipo de telhado e dos materiais que o compõem pode oferecer


maior ou menor custo, bem como maior ou menor desempenho termoacústico.

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Atualmente, está disponível grande variedade de telhas e revestimentos (ce-
râmicos, metálicos, cimentícios, vegetais etc.), e diversas possibilidades de so-
luções volumétricas, baseadas no uso de estruturas de madeira (link abaixo) ou
metálicas (Figura 3).

Gymnasium Régis Racine, França 2011 – Atelier d’Architecture Alexandre Dreyssé. Disponível
Explor

em: https://goo.gl/4M1bWR.

Figura 3 – SESC Santo André, 2002 (Tito Lívio Frascínio e Vasco de Mello)
Fonte: Boscardin, 2018

A estrutura de um telhado, geralmente, é configurada por um sistema de vigas treli-


çadas, conhecidas como Tesouras, que tesouras podem ser constituídas por elementos
metálicos ou de madeira, além de possuir resoluções estruturais bastante variadas.

Uma tesoura de madeira tradicional é composta pelos seguintes elementos (Figura 4):

Figura 4 – Tesoura de madeira tradicional


Fonte: Acervo do conteudista

Em linhas gerais, a configuração de uma treliça está subordinada a algumas


questões relacionadas às dimensões dos vãos que devem ser vencidos.

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UNIDADE Telhados

Entre elas estão:


• Tesouras que vencem vãos de até 3m não necessitam de escoras;
• Tesouras que vencem vãos acima de 8m necessitam de tirantes;
• O espaçamento ideal entre tesouras deve ser de aproximadamente 3m.

Sobre as tesouras, são posicionadas numa sequência de elementos estruturais


auxiliares, que têm como função a fixação das telhas que irão compor a cobertura
(Figura 5):

Figura 5 – Telhado tradicional


Fonte: Acervo do conteudista

Dessa forma, a configuração de um telhado tradicional, composto por tesouras


de madeira, apresenta os seguintes elementos (Figura 6):

Figura 6 – Telhado tradicional


Fonte: Acervo do conteudista

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Cálculo de Inclinação de um Telhado
O plano inclinado resultante da diferença de altura entre o beiral e a cumeeira
de um telhado é chamado de “água” (Figura 7).

Figura 7
Fonte: Acervo do conteudista

O número de águas de um telhado é uma decisão de Projeto, resultante de


fatores como tipo de telha a ser empregado, condições técnicas para execução e
intenção formal e volumétrica, entre outras.

Uma mesma edificação pode receber diversos tipos de soluções de cobertura,


como exibido na Figura 8:

Figura 8
Fonte: Acervo do conteudista

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UNIDADE Telhados

O cálculo da inclinação de um telhado tem como objetivo determinar qual será


a altura da cumeeira, sendo que a inclinação está diretamente relacionada ao
tipo de telha utilizada (Tabela 1).
Telhas de cerâmica, concreto, fibrocimento, vidro e metálicas, entre outras,
devem ser instaladas obedecendo a índices de inclinação diferentes, geralmente
indicados pelo próprio fabricante desses componentes.
Caso seja adotada uma inclinação não compatível com o tipo de telha a ser
utilizado, podem ocorrer problemas de funcionamento da cobertura, como, por
exemplo, acúmulo ou infiltração de água, falhas no encaixe ou na montagem,
destelhamento decorrente da ação dos ventos etc.

Tabela 1 – Inclinação das Telhas


Inclinação de Telhas - Un/M2
Tipo de Telha Inclinação Unidades/M2
Francesa 36% 16
Colonial 30% 24
Cerâmicas
Romana 30% 16
Portuguesa 30% 17
Metálica 15% Variável
Fibrocimento 10% Variável
Fonte: Boscardin, 2018

Assim com observado no Projeto de Rampas, a inclinação de um telhado, geral-


mente, é expressa em percentual. Como base na Tabela 1, considere o exemplo
a seguir.
Ao indicar que um telhado de duas águas possui uma inclinação de 10% (telha de
fibrocimento), e considerando a distância do beiral até a cumeeira em 10 metros,
teremos como resultado uma altura máxima de 1 metro. Dessa forma, entende-se
que, nesse exemplo, a altura equivale a 10% do comprimento (Figura 9).

Figura 9
Fonte: Acervo do conteudista

De acordo com essa relação entre comprimento e altura, é possível aplicar a


seguinte fórmula para o cálculo de inclinação:

h ⋅100
i=
c

• i = inclinação; h = altura; c = comprimento.

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Roteiro para Desenho (Planta
de Cobertura e Elevações)
Apresentaremos agora um roteiro para o desenho de telhados. O processo é
semelhante ao utilizado na execução de plantas e cortes, partindo da definição das
dimensões gerais do desenho de linhas de construção.
Desenharemos a planta de cobertura e elevações das seguintes edificações:

Figura 10
Fonte: Acervo do conteudista

Com linhas construção, trace os limites do perímetro do telhado (considerando


a dimensão dos beirais) e a projeção das faces externas da alvenaria da edificação
(Figura 11).
A partir dos vértices da cobertura, utilize o esquadro de 45° para encontrar os
espigões. O cruzamento dessas linhas definirá a posição da cumeeira e as águas do
telhado (Figura 12).

Figura 11 Figura 12
Fonte: Acervo do conteudista Fonte: Acervo do conteudista

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UNIDADE Telhados

Finalize o desenho da Planta de Cobertura adicionando os símbolos de inclina-


ção das águas e demais informações textuais (Figura 13).

Para o desenho de cortes ou elevações, é necessário definir a altura máxima do


telhado (cumeeira) a partir das dimensões de comprimento e inclinação (Figura 14).

Figura 14
Fonte: Acervo do conteudista

Figura 13
Fonte: Acervo do conteudista

Com a definição da altura da cumeeira, é possível desenhar cortes e elevação da


edificação, utilizando as técnicas já observadas nas unidades anteriores (Figura 15).

Figura 16
Fonte: Acervo do conteudista

Figura 15
Fonte: Acervo do conteudista

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Com linhas construção, trace os limites do perímetro do telhado (considerando
a dimensão dos beirais) e a projeção das faces externas da alvenaria da edificação
(Figura 17).
A partir dos vértices da cobertura, utilize o esquadro de 45° para encontrar
os espigões. O cruzamento dessas linhas definirá a posição das cumeeiras e as
águas do telhado (Figura 18).

Figura 17 Figura 18
Fonte: Acervo do conteudista Fonte: Acervo do conteudista

Finalize o desenho da Planta de Cobertura adicionando os símbolos de inclinação


das águas e demais informações textuais (Figura 19).

Figura 19
Fonte: Acervo do conteudista

Para o desenho de cortes ou elevações, é necessário definir a altura máxima do


telhado (cumeeira) a partir das dimensões de comprimento e inclinação (Figura 14).

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UNIDADE Telhados

Execute o cálculo tendo como base a cumeeira que possui a tesoura com maior
comprimento que, por consequência, será a mais alta (Figura 20).

Com a definição da altura dessa cumeeira, é possível desenhar cortes e elevação


da edificação, utilizando as técnicas já observadas nas unidades anteriores (Figura 21).

Figura 20
Fonte: Acervo do conteudista Figura 21
Fonte: Acervo do conteudista

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
Como projetar telhado? - Rotina de Arquiteto
https://youtu.be/8ukNyuKwIqQ
Divisão de Águas da Cobertura e Desenho da Vista de uma fachada
https://youtu.be/Bx8A6UVbHLs

Aula 04 Coberturas - Arq. Prof.ª Gisele Vieira


https://youtu.be/c9H02Q_QCk4
Como Calcular Inclinação de Qualquer Telhado!
https://youtu.be/gFf2ugY_zk0

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UNIDADE Telhados

Referências
ASSOCIAÇÃO Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6492: 1994: representação
de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1997.

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho arquitetônico. 4. ed. rev. atual. São Paulo:


Edgard Blucher, 2011.

MONTENEGRO, Gildo A. Geometria descritiva. São Paulo: Edgard Blucher, 2004.

PUGLIESI, P. Telhados: da escolha a execução. Disponível em: <https://www.


aecweb.com.br/cont/m/rev/telhados-da-escolha-a-execucao_11966_0_1>.
Acesso em: 2 jul. 2018.

YEE, R. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. 3. ed.


Rio de Janeiro: LTC, 2012.

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