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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

INSTITUTO UNIVERSITÁRIO DE PESQUISAS DO RIO DE JANEIRO -


IUPERJ

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA POLÍTICA

O SEXISMO NA CIÊNCIA:

A QUESTÃO DO GÊNERO NO ECOSSISTEMA DE INCUBADORAS / INOVAÇÃO

BIANCA RUBIM ANTUNES

RIO DE JANEIRO

2020
BIANCA RUBIM ANTUNES

O SEXISMO NA CIÊNCIA:

A QUESTÃO DO GÊNERO NO ECOSSISTEMA DE INCUBADORAS / INOVAÇÃO

Projeto de Pesquisa apresentado como exigência para ingresso

no Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em

Sociologia Política da Universidade Cândido Mendes do

Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ.

Orientador: Prof. (a) Dr. (a) Antônio Botelho; Co-orientadora:

Profª Dra. Mariza Almeida.

RIO DE JANEIRO

2020
RESUMO

Esta pesquisa abordará o sexismo nas ciências, tratando da questão do gênero no


processo de incubadoras de empresas no Brasil, startups, órgãos ligados ao
empreendedorismo e à inovação. Trata-se de um estudo de gênero sob um viés
feminista. Para isso será descrito como se desenvolveu os conceitos do que é ser mulher
através da filosofia, da igreja, da psicanálise, da ciência com papel da neurociência e a
testosterona. Dialogarei com a psicologia social de como se constrói - quem somos -
através do desenvolvimento infantil do self. Também será levado em consideração todo
o papel do sexismo na infância e na formação de um self generificado que repercute na
vida profissional, nas aptidões, na tomada de decisões das mulheres. Pretende-se
averiguar a representatividade da mulher em diversas áreas profissionais como uma
maneira de analisar se a escassez de mulheres gera um círculo vicioso, o qual acaba por
também impedir que meninas não sigam aquilo que não veem, ou seja, não escolhem
determinadas carreiras por simplesmente não verem outras mulheres seguindo. Assim,
uma quantificação do número de mulheres em algumas áreas. Posteriormente, ao entrar
na questão de gênero no ecossistema de inovação e empreendimento, pretende-se
conceituar as terminologias e a linguagem desse ambiente. Dessa forma, as questões de
gênero se farão presentes. E por último, num estudo mais feminista de forma crítica,
contextualizarei os mecanismos que afetam o ecossistema de inovação e de
empreendimentos que venham a suscetibilizar as mulheres. Assim, essa dissertação
tentará descortinar as possíveis causas que levam à falta de representatividade de
mulheres em diferentes áreas, principalmente na inovação, empreendedorismo e como
líderes de empresas. Quais causas determinam uma escolha profissional? Por que o
número reduzido de mulheres em algumas profissões? Quais barreiras são impostas a
elas? São perguntas que tentarei responder ao longo do caminho, tendo como norte: em
primeiro lugar a infância sexista, que pode levar à escassez de representatividade e a
certos comportamentos generificados; por último ao mundo patriarcal que também leva
à falta de representatividade, à escassez no topo hierárquico e à criação de
comportamentos estereotipados. Diante do extenso debate acadêmico interdisciplinar
sobre gênero ou sexo e ciência, quase sempre articulado com o movimento feminista.
Acumulou-se uma diversificada bibliografia sobre o tema. Serão usados diversos
aportes teóricos desde os clássicos da sociologia e da filosofia como da história da
ciência, das teóricas feministas, dos estudos de gênero até a antropologia em pesquisas
de campo, para que se possa compreender a importância da construção cultural do sexo
e gênero. Procurarei documentários, artigos, filmes bibliográficos e tudo que possa ser
usado. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa qualitativa e
quantitativa no aspecto do uso e do tratamento de coleta de dados. Na medida do
possível, farei entrevistas com algumas mulheres empreendedoras e das áreas de
inovação, de incubadora de empresas e de tecnologias, com o intuito de entender
algumas peculiaridades de ser mulher e ser cientista, inovadora e empreendedora.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ____________________________________________________10
1.1 Objetivos____________________________________________________20
1.2 O lócus da pesquisa e os percursos metodológicos ___________________25
1.3 Referencial Teórico ___________________________________________26
1.4 Formulação de Hipóteses _______________________________________26
2. A CONSTRUÇÃO DO GÊNERO FEMININO __________________________50
2.1 Na Filosofia _________________________________________________53
2.1.1 A visão de alguns filósofos da Idade Antiga _________________20
2.1.2 A visão de alguns filósofos da Idade Média _________________25
2.1.3 A visão de alguns filósofos da Idade Moderna _______________26
2.1.4 A visão de alguns filósofos da Idade Contemporânea _________50
2.2 Na Igreja ___________________________________________________67
2.3 Na Psicanálise – Falocentrismo __________________________________67
2.4 Na Ciência __________________________________________________67
2.4.1 O papel da neurociência no gênero ________________________25
2.4.2 O papel da testosterona no gênero ________________________26
3. A CONSTRUÇÃO DO SELF _________________________________________55
4. O SEXISMO NA INFÂNCIA _________________________________________60
4.1 Qual papel da educação sexista na vida profissional __________________45
5 – A FALTA DE REPRESENTATIVIDADE DAS MULHERES ____________65
5.1 Na Empregabilidade __________________________________________45
5.2 Na Medicina _________________________________________________45
5.3 Na Física ___________________________________________________45
5.4 Na Química _________________________________________________45
5.5 Nas Ciências Sociais e Filosofia _________________________________45
5.6 Na Política __________________________________________________45
5.6.1 Representatividade das mulheres em 2015 e 2016 ____________25
5.6.2 Representatividade das mulheres em 2020 __________________26
5.7 No Cinema __________________________________________________45
5.8 Na Engenharia e Ciência da Computação___________________________45
5.9 Na Mídia ___________________________________________________45
5.10 No Comando de Empresas - CEO _______________________________45
5.11. Mulheres Laureadas Com Prêmio Nobel Até 2019 _________________45
5.11.1 Mulheres Laureadas na Física ___________________________25
5.11.2 Mulheres Laureadas na Química _________________________26
5.11.3 Mulheres Laureadas na Fisiologia e Medicina ______________26
5.11.4 Mulheres Laureadas na Literatura ________________________26
5.11.5 Mulheres Laureadas na Paz _____________________________26
5.11.6 Mulheres Laureadas nas Ciências Econômicas _____________26
6. O GÊNERO NO ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO E EMPREENDIMENTO
___________________________________________________________________110
6.1 Definição do Ecossistema de Inovação e Empreendedorismo _________101
6.2 O gênero no Ecossistema de Inovação ___________________________105
6.3 O gênero no Ecossistema de Empreendimento _____________________110
7. O PAPEL DO FEMINISMO NA PROBLEMATIZAÇÃO DOS
ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO E EMPREENDIMENTOS _____________130
7.1 Mecanismo - Política _________________________________________130
7.2 Mecanismo – Marco-regulatório ________________________________133
7.3 Mecanismo -Infraestrutura _____________________________________134
7.4 Mecanismo - Financiamento____________________________________135
7.5 Mecanismo – Cultura _________________________________________137
7.5.1 Mídia ______________________________________________140
7.5.2 Trabalho Não Remunerado _____________________________140
7.6 Mecanismo – Disponibilidade de mentoria ________________________140
7.7 Mecanismo – Universidades ___________________________________141
7.8 Mecanismo – Capital Humano _________________________________142
7.9 Mecanismo – Fornecedores e Agências Locais _____________________143
7.10 Mecanismo – Rede de Contatos ________________________________143
7.10.1 Mecanismo – Rede de Contatos Particular e Exclusivo ______140
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS_________________________________________130
REFERÊNCIAS_____________________________________________________140
TEMA

A questão do gênero na inovação e na incubadora

JUSTIFICATIVA

Este trabalho pretende trazer algum significado no sentido de quanto mais


estudos sobre feminismos, melhor para a compreensão e as mudanças sociais, visto que
de acordo com a historiadora brasileira Michele Perrot (2005), os estudos sobre
mulheres começaram na década de 60, e a também historiadora Mary Del Priori (2013)
comenta que as primeiras narrativas históricas sobre mulheres tiveram início na década
de 80, ou seja, numa perspectiva de quase três mil anos de história temos praticamente
nada de narrativas de mulheres.
Há algum tempo eu acreditava que não existiam muitas mulheres em todas as
áreas profissionais ou ofícios possíveis. Essa grande curiosidade me levou a pesquisar o
sexo ou gênero feminino em diversas profissões, como por exemplo, a primeira pessoa a
descobrir os algoritmos foi a Ada Augusta Byron King (Wikipedia, Ada Lovelace;
Documentário, HTML, 2016); e a primeira a programar foi a capitã norte-americana
Grace Murray Hopper (Wikipedia, Grace Hopper; Documentário, HTML, 2016), além
da Hedwig Eva Maria Kiesler conhecida como Hedy Lamarr ficou conhecida por ser “a
mulher mais bonita do mundo”. Mas, entre outras peculiaridades, Hedy Lamarr, a
austríaca queridinha de Hollywood foi também inventora da tecnologia sem fio nos anos
de 1940 entre outros inventos (Documentário, Bombshell, 2018). Com isso eu escrevi o
livro O Sexo feminino: um ser ignorado e adulterado, no qual fui acumulando
conhecimento de todas pessoas do gênero feminino ou sexo feminino (que pude
pesquisar) que inventaram, criaram, foram guerreiras, cientistas, etc, até mesmo as que
passaram a vida toda como homens pois lhes era proibido exercer determinada
profissão, além daquelas que tiveram sua vida focada em outros atributos
estereotipados, que não ao essencial de suas personalidades, ou seja, os seus feitos, por
isso, escolhi o título ‘adulteradas’, como por exemplo, o caso de Carlota Joaquina,
estudada pela historiadora Francisca L Nogueira De Azevedo (Azevedo, 2003), na
maioria das vezes Carlota Joaquina é resumida na sua feiura, nas suas paixões, nas suas
qualidades morais (sempre vistas como inferiores) e não na sua grande articulação
política na época.
Entender de o porquê o número reduzido de mulheres no campo da inovação, da
tecnologia, de empresas incubadoras, além de elas serem pouco citadas e receberem
menos prêmios, menos verbas para a implantação de seus empreendimentos, como, por
exemplo, na área das ciências factuais sociais, temos diversas autoras nesse campo que
nem se quer são mencionadas, que se pode levar a crer que nenhuma teve se quer um
trabalho digno de ser mencionado ou a questão da disputa pelo poder dentro da
sociologia, da filosofia, dentre outros campos faz com que elas sejam constantemente
ignoradas, apenas para citar poucas: foi o caso da Teoria Cartesiana, embora criada por
René Descartes (nascimento 1596-1650), filósofo, físico, matemático francês, ele teve a
contribuição fundamental da princesa Elisabeth de Boêmia ou Isabel de Boêmia
(nascimento 1596-1662), que mesmo não sendo filósofa propriamente dita sem os
questionamentos dela, René Descartes não teria conseguido o aperfeiçoamento de seu
trabalho; Sócrates (469-399 a.C), referia-se a Aspácia de Mileto como a Diotima de
Mantinea que era a orientadora de suas obras, particularmente na arte da retórica.
Aspácia de Mileto dirigia reuniões literárias em sua casa e participava ativamente dos
debates políticos. Alguns acreditam que ela foi a responsável pelo Método Socrático;
isso tudo segundo a filósofa Maria Luísa Ribeiro Ferreira (2010, 113-116). Outra
filósofa foi Cristina de Pizan ou Cristina de Pisano (nascimento 1365-1431), segundo
Lucimara Leite (2015) ela possuiu uma obra muito importante que foi a La cité des
dames e trois vertus, o qual se tratava de uma querela de gênero entre Christine de Pizan
e a literatura antifeminista. Mary Wollstonecraft (nascida 1759-1797), escritora,
filósofa, jornalista e feminista inglesa escreveu diversos livros de inúmeros gêneros,
(Wollstonecraft, 2016).
Mais mulheres que também tiveram obras que foram apagadas: Harriet Taylor
(nascimento 1807-1858) filósofa, feminista e politizada que defendia a participação das
mulheres em tomar parte no governo local, devido ao seu casamento com John Stuart
Mill (Ferreira, 2010), não se sabe o que foi realmente obra dela ou não. Flora Tristan
que elaborou obra sobre emancipação proletária inglesa, que se chama Paseos por
Londres: La aristocracia y proletários ingleses (2008) e União dos Operários (2017).
Lembrando também de Harriet Martineau na sua obra How to Observe Morals and
Manners (2018, [138]), seis décadas antes de Émile Durkheim, do livro Regras do
Método Sociológico ([1895], 2011) fez uma sociologia tipicamente praticada hoje, uma
microssociologia, a vida privada; ela também estudou a democracia nos EUA, embora
seu nome nem se quer seja mencionado quando se trata em teóricos sobre a democracia
como Tocqueville. Ao contrário de Alexis Tocqueville (2019), em sua obra Democracia
na América, Martineau entendeu a sociedade americana como não democrática, pois
tinha uma grande parcela escravizada (não-brancos) e a metade em condições de
subalternização (mulheres), enquanto Tocqueville reconhece essas condições, porém
não as coloca como centrais, segundo a pesquisadora Verônica Toste (Documentário,
Harriet Martineau, 2017); Martineau vai até mais longe, considera que a escravidão e a
subalternização “degrada a democracia”. Charlotte Perkins Gilman, uma escritora bem
versátil e que também escreveu tratados sociológicos (Documentário, Perkins Gilman,
2017); outra socióloga Ana Julia Cooper em seu livro A Voice from the South (2000);
mais uma mulher também importante é Rosa Luxemburgo, a professora Isabel Loureiro
(2018) uma das grandes especialistas na socióloga revolucionária traz o quanto ela ainda
é atual, “não há sociedade livre sem pessoas livres, não manipuladxs, seja por
lideranças políticas, mídia, propaganda, ou, no plano individual, por suas paixões e
fantasmas”.
Como se vê, essas mulheres não são citadas, mesmo que seus trabalhos não
tenham tido nenhuma relevância, mesmo assim, no mínimo mereciam ser revisitadas e
conhecidas.
Tais respostas pretendem ser respondidas nesta pesquisa com uma metodologia
quanti-qualitativa e assim contribuir com os inúmeros trabalhos já realizados nesse
campo, com o intuito da promoção do sexo ou gênero feminino nas áreas de
empreendedorismo, de empresas de incubadora e de inovação. A importância dessa
promoção parece evidente quando a Revista Mulheres na Ciência (British Coucil, 2019,
p.7) mostra uma pesquisa que comprova ser a educação sexista para as meninas um
impedimento para mulheres nas áreas científicas e tecnológicas, o que parece que coisas
simples como escolhas de brinquedos formam os estereótipos, como bonecas para
meninas e carrinhos para meninos, vai implicar lá na frente nas escolhas profissionais,
na ambição em crescimento no trabalho e na profissão nos mais altos cargos.
É de se perceber que em vários campos profissionais que se tem grande status,
liderança nacional ou mundial, que permitem protagonizar, criar normas, mudar
culturas, criar paradigmas, descobrir grandes inventos são predominantemente
masculinos, tem-se até mulheres, mas que para sobreviverem entram nas normas
majoritariamente masculinas e são sub reconhecidas daí o “Efeito Matilde” de Rossiter
(1993).
A biografia da Sheryl Sandberg, (2013) chefe operacional do Facebook, desde
2008, mostra claramente que apesar de bem sucedida, ela se via por diversas vezes
tendo e seguindo normas e condutas que nunca pensou em seguir ou fazer,
simplesmente porque todos os homens assim o faziam.
Outra coisa que Sandberg (2010) numa conferência promovida pela TED (Why
we have too few women leaders | Sheryl Sandberg) revela a falta de ambição das
mulheres, grande parte delas sai do mercado antes de efetivamente saírem, por
pensarem em filhos sem nem serem casadas. Resumindo: o que Sandberg (2010) quer
esclarecer com isso é que as “mulheres subestimam sistematicamente suas habilidades”.
É estarrecedor quando ela cita uma pesquisa que demonstrou que 57% dos homens
quando saem da faculdade estão negociando seus primeiros salários em contrapartida
7% das mulheres, enquanto os homens atribuem seu sucesso a eles mesmos, as
mulheres atribuem a fatores externos. Cita ela:

Se você perguntar aos homens por que eles fizeram um bom trabalho, eles
dirão: ‘sou demais. Obviamente. Por que você tá perguntando?’ Se você
perguntar o mesmo às mulheres, elas dirão que alguém as ‘ajudou, que elas
tiveram sorte, que trabalharam duro’.

O documentário Mulheres HTML (2016) também mostra que algumas mulheres


abandonaram a carreira de engenheiras software por não se adequarem ou se adaptarem
num ambiente predominantemente masculino. E situando num caso mais recente no
Brasil, a ex-presidenta Dilma Rousseff foi taxada nacionalmente por comportamentos
ríspidos, que não condiziam talvez com sua “natureza” (aspas nossa) de mulher; parece-
me que tal percepção nunca foi cunhada a nenhum presidente no Brasil por mais grosso
e intransigente e autoritário que fosse.
O sexismo na educação de meninas e meninos pode ter algo de fundamental se
não uma causa principal que faça com que lá na frente as mulheres procurem menos as
ciências, tecnologias, processos de inovação, empresas de incubadora. Como bem
ilustra uma citação extraída do documentário (Documentário, Mulheres na mídia, 2012)
“você não pode ser o que não vê”, ou, “o jeito mais comum de alguém abrir mão do
poder é acreditar que não tem nenhum”.
E quando as mulheres se graduam ou tem um emprego com grandes chances de
ascensão parece também que não tem muitas ambições para cada vez mais subirem nos
graus, bem como não lutam por altos salários ou cachês ou quando o fazem são
condenadas e taxadas de encrenqueiras e mimadas, algo que pode ter a ver com o fato
de terem poucas chances ou / e a educação que receberam lhes cunhou a falta de
ambição, medo, etc; para compreender isso, um bom exemplo foi o artigo publicado
pela atriz norte americana Jennifer Lawrence, estrelar bilionária, das franquias como
Jogos Vorazes e X-Men e ter vencido o Oscar aos 22 anos de idade, ela queria muito ter
pedido um valor maior, porém se calou com receio de ser mal vista:

Quando se trata do assunto feminismo, eu tenho permanecido sempre


ligeiramente tranquila. Não quero debater assuntos só porque eles estão na
moda..., mas com muita conversa venho à mudança, então eu quero ser
honesta e aberta e, dedos cruzados, não chatear ninguém. É difícil para eu
falar das minhas experiências enquanto uma mulher trabalhadora, porque eu
posso seguramente dizer que meus problemas não são comuns. Quando o
vazamento da Sony aconteceu e eu descobri o quanto menos eu estava sendo
paga do que as pessoas que por sorte têm pintos, eu não fiquei brava com a
Sony. Eu tenho raiva de mim mesma. Eu falhei como uma negociadora
porque eu desisti cedo. Eu não queria continuar lutando por causa de milhões
de dólares que, francamente, devido a duas franquias, eu não precisava.
Naquele momento, parecia uma ideia tranquila até que vi na Internet os
pagamentos e percebi que para todos os homens que trabalharam comigo não
existia esses problemas de temer ser difícil ou mimado. Eu não acho que
trabalhei com algum homem que passou um tempo pensando como poderia
ser ouvido dentro da indústria. Ele é simplesmente ouvido. Jeremy Renner,
Christian Bale e Bradley Cooper: todos lutaram e conseguiram negociar
acordos poderosos para si próprios. Se qualquer coisa acontecer, eu tenho
certeza que eles foram elogiados por serem ferozes e táticos, enquanto eu
estava ocupada preocupada em agradar e não recebendo o que merecia por
direito (...). A atriz Angelina Jolie, que, como revelaram os documentos
vazados da Sony Pictures, foi chamada de "criança mimada" pelo produtor
Scott Rudin. Isso não tem nada a ver com a minha vagina, mas quando outro
e-mail vazado da Sony revelou um produtor se referindo a uma colega de
trabalho durante negociações como uma mulher 'mimada', por algum motivo,
eu não consigo imaginar alguém dizendo isso sobre um homem. (LENNY,
2015).

O caso da falta de ascensão nos mais altos graus superiores e a captação para
mais recursos, seja no trabalho, seja no campo de pesquisadores, de tecnologia, de
empresas incubadoras, startups podem ter relação com a falta de oportunidades ou a
falta de capital social para realizar os devidos contatos, cita Uzzi (2019) ao referendar
que mulheres e homens precisam de diferentes tipos de redes, na sua pesquisa foi
percebido que mulheres que possuem como contato outras mulheres em posições
estratégicas tiveram mais chances de assumir cargos de lideranças, que as que não
possuem tais contatos, no caso dos homens essas redes pouco importam; essa talvez seja
pelo fato de o ser humano ser mais empático com o seu semelhante, homem
normalmente tende a dar preferência para outro homem, tal conduta também pode ter se
naturalizado quando a mulher está no mesmo papel, ela também tende a preferir um
homem, assim o ciclo se retroalimenta.
No caso das brincadeiras, Beauvoir já havia mencionado isso em sua obra;
também identifica a Revista Mulher na Ciência (2018) como algo preocupante, coincide
também como uma recomendação nas aulas de educação física que os professores
deixem as meninas brincarem livremente, deixem-nas correrem tal como os meninos
(Ministério da Ed. E do Desporto, 1995, p.12). Como a psicologia mostra a importância
da primeira infância, do desenvolvimento infantil na formação de meninos e meninas
como uma das principais causas da construção do arcabouço da masculinidade frente a
uma feminilidade, a questão da construção do self e do eu. Bell Hooks (2018, 13)
menciona que o sexismo é o propagador de todo o patriarcado, que é ele o inimigo
número um do feminismo.
O sexismo está perpetuado em todas as esferas da vida, não é por acaso que ele
também está maculado na educação formal das crianças e jovens, prova de que existe
uma recomendação nos critérios para um atendimento de qualidade que respeite os
direitos fundamentais das crianças, que, infelizmente, passa desapercebida pela maioria
dos profissionais de educação, diz que: “as meninas também participam de jogos que
desenvolvem os movimentos amplos: correr, jogar, pular" (Ministério da Ed. E do
Desporto, 1995, p.12). Corrobora com o mesmo pensamento a pesquisadora Sheila
Scraton (1995, 60-3) que afirma que o professorado prevê que as meninas não realizem
movimentos bruscos ou perigosos, além de enfatizar as qualidades corporais das
meninas com elegância, bons modos, movimentos limitados, controlados e a beleza.
Algo que difere e muito dos meninos no entendimento de Deborah Thomé Sayão (2005,
p.60), esses não são escravizados na "ideologia da domesticação corporal", possuindo
os meninos um amplo envolvimento corporal, noção ilimitada e livre com seus corpos.
Outro caso que possa orientar a persistente exclusão das obras cientificas do
sexo ou gênero feminino, das invenções, da vida acadêmica e social seja a disputa por
esse poder que se dá tanto de forma consciente como inconsciente, que é perpetuado
tanto por um homem como por uma mulher. Um sistema patriarcal ainda em pleno
século XXI muito enraizado em nossa sociedade.
Uma outra coisa que possa influenciar a escassez das mulheres é a falta de
representatividade, nesse campo temos uma grande importância das mídias, se a
sociedade consome cada vez mais mídia e as meninas se vem majoritariamente em
comportamentos estereotipados como exigir delas algo diferente? Nesse contexto o
documentário “Mulheres na Mídia” (Documentário, 2012) é extremamente
esclarecedor.
O ciclo tende a se fechar, da infância à fase adulta, do ambiente familiar à
sociedade; das mídias, da arte, da academia, do cinema; tudo isso faz com que o status
quo se perpetue.

1 - INTRODUÇÃO

Se, toda vez que nós olhamos ao espelho e reclamamos da nossa aparência,
temos que nos lembrar da menina que ouve isso e aprende. (Documentário,
Mulheres na mídia, 2012).

Quando se pensa em ciência, empresas de incubadora, tecnologia e inovação,


qual o tipo de pessoa vem na mente? Muito provavelmente é um homem, possivelmente
branco. E quando pensamos em nomes de alguns cientistas quais surgem na mente?
Possivelmente Tales de Mileto, Galileu Galilei, Albert Einstein, Isaac Newton, Charles
Darwin, Nikola Tesla, mais recentemente Stephen William Hawking e assim por diante.
Quem não tem um conhecimento um pouco mais profundo, tem dificuldade de
mencionar alguma mulher cientista dentro das áreas de tecnologia e inovação. Daí a
necessidade que se tem de estudar mulheres que contribuíram e contribuem para a
ciência, pesquisa, empresas incubadoras, de tecnologia e de inovação.
Esta pesquisa contribuirá para a memorização dessas mulheres invisíveis, para
compreender o porquê de muito poucas mulheres se interessarem por tais áreas em
comparação com os homens, entender por que não tem os mesmos prestígios e nem
recebem a mesma quantidade de recursos. Este trabalho trará um enorme significado no
sentido de quanto mais estudos sobre feminismos e gênero, melhor para a compreensão
e as mudanças sociais.
Diante disso, o que percebo é que as mulheres sempre se fizeram presentes em
todos os campos, porém o que pretendo descobrir é porque elas são invisíveis ou quase
nunca citadas na vida acadêmica (pelo menos nos clássicos), na ciência, na tecnologia,
tanto é que de forma geral as pessoas até pensam que a mulher na ciência, na guerra ou
como inventora e etc. é coisa recente ou praticamente inexistente. A historiadora da
ciência Margaret W. Rossiter (1993) percebeu isso e criou o “Efeito Matilda” em
homenagem a americana Matilda Joslyn Gage (nascimento 1826-98) feminista e crítica
da religião e da Bíblia e escreveu junto com outras mulheres a Bíblia sob viés feminista,
ela mesma experimentou os fenômenos de subreconhecimento ou total esquecimento,
que o “Efeito Matilda” tenta retratar.
A historiadora de estudos de gênero Sharon Traweek (1995) em um dos seus
artigos aponta que as pesquisas sobre gênero e hormônios estão carregadas de
preconceitos, porém a Revista Science sempre se recusou a publicar refutações a essas
pesquisas. A filósofa e neurocientista Cordeline Fine denuncia os mitos arraigados no
discurso científico da dicotomia de cérebro feminino e masculino (2008, 2012, 2018).
Entendo ser de fundamental importância a reflexão dos mitos dessa dualidade dos
sexos, do determinismo biológico, da neurociência, para compreender até que ponto as
mulheres e os homens são predestinados mais para um lado ou outro em decorrência da
categoria sexo ou gênero. Mas aqui ressalto que o que venho percebendo é que,
majoritariamente, são publicados e reconhecidos estudos que reforçam esses
estereótipos, e não o contrário.
Certamente, o meu trabalho pretende corroborar com as pesquisas já existentes
neste campo, dando continuidade as já efetuadas que tenham relação com o sexismo no
ecossistema de inovação, da tecnologia, de empresas incubadoras situadas no Brasil.
O conhecimento e a compreensão de o porquê que existem poucas mulheres no
campo da inovação, da tecnologia, de empresas incubadoras, além de elas serem poucas
que estão no topo da carreira e que administram as incubadoras,
Quanto à questão do determinismo biológico e ao genecentrismo parece pouco
ou nada influir na aptidão por essa ou aquela profissão ou a falta de ambição; pelo
menos até agora não conheço nenhum que interfira, seja ele hormonal ou
cromossômico. Quanto à testosterona, parece que existem vários estudos que indicam a
influência comportamental do hormônio, não sei bem a que ponto isso levaria ou não a
uma alta ambição, vontade de competir, dentre outras atitudes “masculinas” que
parecem primordiais no mundo profissional, acadêmico, embora diversas teóricas e
cientistas apontem mais para um viés neurossexista como Fine (2018) em seu extenso
trabalho sobre a testosterona. Essa mesma corrente de pensamento pode nos levar a um
debate que já foi ultrapassado, que é o tamanho do cérebro feminino ser menor do que o
cérebro masculino (Beauvoir, 2016, vol I, 53), o que levaria a uma menor inteligência
da mulher, esse debate há décadas foi vencido, viu-se que não é o tamanho que conta e
sim outras conjunturas.
A princípio parece-me que as principais hipóteses podem ser todo um arcabouço
sexista da educação infantil, as brincadeiras, o modo como as pessoas lidam e educam
uma menina e um menino diante de toda uma gama de estereótipos binários. Talvez
essa seja uma causa principal que lá na frente faça com que mulheres que tenham
brincado majoritariamente com brincadeiras que denotem um caráter maternal, que
tenham aprendido a serem sempre humildes e abnegadas em prol do outro, aprenderam
a abdicarem muito de si; enquanto os meninos aprenderam o inverso. Isso
provavelmente seja uma causa explicativa das escolhas profissionais, do comportamento
predominante do gênero feminino na vida acadêmica e profissional.
Para isso separei o presente estudo em oito capítulos, incluindo a Introdução e a
Conclusão. No qual os primeiros cinco capítulos tratam do objetivo geral em trazer
conteúdo teórico, qualitativo; somente no capítulo seis e sete entro propriamente no
objetivo específico desta dissertação.
A presente introdução procurei dividi-la em: 1.1 Objetivos subdividida em 1.1.1
Objetivo geral e o 1.1.2 Objetivo específico; no subcapítulo 1.2 O Lócus da Pesquisa e
os Percursos metodológicos; 1.3 Referencial Teórico; por fim o subcapítulo 1.4
Formulação de Hipóteses.
No capítulo dois, trouxe um apanhado histórico de como o sujeito feminino veio
se construindo ao longo do tempo pelo patriarcado, pelas instituições, que foram
formando o que seria uma mulher e o que esperar dela. Dessa maneira foram escolhidas
três instituições as quais entendo serem primordiais na formação do self feminino: no
subcapítulo 2.1 Na Filosofia, que de forma didática destaquei por períodos históricos:
2.1.1 A visão de alguns filósofos da Idade Antiga; 2.1.2 A visão de alguns filósofos da
Idade Média; 2.1.3 A visão de alguns filósofos da Idade Moderna; 2.1.4 A visão de
alguns filósofos da Idade Contemporânea. No subcapítulo 2.2 Na Igreja; 2.3 Na
Psicanálise – Falocentrismo; 2.4 Na Ciência; no qual desprendi em 2.4.1 O papel da
neurociência no gênero e 2.4.2 O papel da testosterona no gênero. A importância do
capítulo dois se dá para entender como foi feito e ainda é toda a formação de estudos,
teses, teorias, pesquisas que sempre tentam diferenciar os sexos de uma forma a intitular
valores que prejudicam as mulheres.
Já de posse do conhecimento de como se deu a visão de filósofos; das teorias
psicanalistas; do papel da Igreja e da ciência, de como a mulher sempre foi controlada
em seu corpo e mente; assim ficará melhor ao compreender através da psicologia a
formação do self, da construção do eu no capítulo 3. A construção do self, que traz essa
internalização do - quem sou - e o papel do que a outra pessoa pensa sobre nós na nossa
própria formação.
O capítulo 4 O sexismo na infância comprova o quanto as meninas são
bombardeadas pelos conceitos de gênero, a ideologia de gênero, de papeis tão marcantes
que fica difícil escaparem dessa normatização de um self generificado. No subcapítulo
4.1 Qual papel da educação sexista na vida profissional - tentarei exemplificar a
interferência de uma criação sexista na vida profissional das mulheres -.
A partir do capítulo 5 A falta de representatividade das mulheres, apenas como
forma de comprovar o quanto as profissões são marcadas por gênero, a falta, a exclusão
de mulheres em algumas áreas, principalmente no topo da hierarquia. Dividi em vários
subcapítulos: 5.1 Na Empregabilidade; 5.2 Na Medicina; 5.3 Na Física; 5.4 Na
Química; 5.5 Nas Ciências Sociais e Filosofia; 5.6 Na Política: 5.6.1 Representatividade
das mulheres em 2015 e 2016 e 5.6.2 Representatividade das mulheres em 2020; 5.7 No
Cinema; 5.8 Na Engenharia e Ciência da Computação; 5.9 Na Mídia; 5.10 No Comando
das Empresas; 5.11 Mulheres Laureadas com Prêmio Nobel até 2019: 5.11.1 Mulheres
Laureadas na Física, 5.11.2 Mulheres Laureadas na Química, 5.11.3 Mulheres
Laureadas na Fisiologia e Medicina, 5.11.4 Mulheres Laureadas na Literatura, 5.11.5
Mulheres Laureadas na Paz, 5.11.6 Mulheres Laureadas nas Ciências Econômicas.
Com base em toda essa quantificação da falta ou escassez de representatividade
das mulheres em diversos campos profissionais expostos no capítulo 5, entrarei no
objetivo específico da dissertação no capítulo 6 - O gênero no ecossistema de inovação
e empreendimento, no qual separei em dois subcapítulos: 6.1 Definição do ecossistema
de inovação e empreendedorismo como uma maneira de conceituar, explicar,
exemplificar todo o entendimento sobre inovação e empreendedorismo; 6.2 O gênero no
ecossistema de inovação e 6.3 O gênero no ecossistema de empreendedorismo em que
tentarei delinear as questões de gênero nesses dois ambientes profissionais. Trata-se de
verificar e analisar as questões das diferenças de gênero.
No capítulo 7 - O papel do feminismo na problematização dos ecossistemas de
inovação e empreendedorismo- usarei a teoria feminista de forma crítica, política, não
neutra, mas com intuito realmente de problematizar as questões pertinentes aos
mecanismos que influenciam e interferem no ecossistema tanto de inovação quanto de
empreendedorismo. Acredito que o papel da pesquisa feminista é fornecer
interpretações e explicações para a subordinação das mulheres, por isso, além do estudo
de gênero se faz necessário também um estudo feminista nesse ecossistema. O capitulo
ficará separado em: 7.1 Mecanismo – Política; 7.2 Mecanismo – Marco-regulatório; 7.3
Mecanismo – Infraestrutura; 7.4 Mecanismo – Financiamento; 7.5 Mecanismo – Cultura
que desmembrei em 7.5.1 Mídia e 7.5.2 Trabalho não remunerado; 7.6 Mecanismo –
Disponibilidade de mentoria; 7.7 Mecanismo - Universidades; 7.8 Mecanismo – Capital
humano; 7.9 Mecanismo – Fornecedores e agências locais; 7.10 Mecanismo – Rede de
contatos e a subespecificação 7.10.1 Mecanismo – Rede de contatos particular e
exclusivo que é algo específico quanto ao gênero feminino.
Por fim o oitavo capítulo é a conclusão e depois as referências.

1.1 OBJETIVOS

Normalmente, as pesquisas sobre empreendedorismo feminino são


majoritariamente pautadas sob a ótica do feminismo liberal ou empirismo feminista, que
mostra a presença das mulheres, suas condições e discriminações. O feminismo liberal
ou empirismo político usa gênero equivalente ao sexo, e homem e mulher como
categorias para explicar as variáveis, tais como: representações como proprietárias de
empresas, acesso ao financiamento, práticas de gestão e desempenho; mapeando as
características e a presença das mulheres. São estudos preocupados em procurar as
diferenças de gênero, além de questões individuais como valores, características e
comportamento empreendedor da mulher e do homem, também questões estruturais
como educação e finanças. Esse tipo de pesquisa de acordo com o artigo Women’s
entrepreneurship policy research: a 30-year review of the evidence (Foss, Lene; Henry,
Colette; Ahl, Helene; Mikalsen, Geier H, 15 December 2017, 6-7) é útil para vislumbrar
a presença das mulheres e as diferenças apontadas, mas suas sugestões são muito
focadas na responsabilidade do indivíduo.
Já a teoria feminista é inerentemente política. Numa teoria mais voltada ao
feminismo marxista, há uma crítica da opressão capitalista, enquanto na teoria mais
radical existe uma crítica à opressão patriarcal, que traz sugestões para realmente mudar
a política com propostas de novas leis, cotas de gênero, novas regras para aquisições
governamentais ou mudanças nos sistemas de assistência social. Traz uma perspectiva
de mudanças nas estruturas sociais conforme dispõe o artigo citado (Foss; Henry; Ahl;
Mikalsen, 15 December 2017, 15)
O feminismo pós-estrutural tende a ter recomendações explícitas sobre política,
que discute a eliminação de papéis de gênero a fim de eliminar os estereótipos e as
suposições essencialistas. Os autores dessa extensa pesquisa (Foss; Henry; Ahl;
Mikalsen; 2017,16) acreditam que a falta de artigos com essa perspectiva de feminismo
pós-estrutural, radical ou marxista pode ser a alegação que os estudos devem ser
factuais e neutros, por isso muitos temem ter uma conotação mais politizada com
críticas mais contundentes, principalmente nas questões de Estado, de Governo e assim
não apresentarem uma neutralidade. E é exatamente essa pesquisa, em nível de
dissertação, que pretendo tratar, que tenha além do papel de gênero, que coloque em
cena uma perspectiva política, que faz parte da natureza de pesquisas propriamente
feministas, porque essas possuem um argumento para a mudança, o que é inerentemente
político por natureza.

1.1.1 Objetivos Geral

Primeiramente, como forma de trazer para esta dissertação um bom


embasamento teórico, será descrito como as mulheres foram vistas em algumas
instituições, que a meu ver são importantes para exercer um pensamento social, um fato
social, como a filosofia, a igreja, a psicanálise e a ciência em seu neurossexismo. Logo
será pormenorizado através da psicologia com a sociologia, como nos tornamos quem
somos na construção desse eu, desse self combinado com a estrutura institucional do
sexismo na infância. É exatamente neste capítulo 4 - Qual papel da educação sexista na
vida profissional, onde pretendo demonstrar minuciosamente a relevância da hipótese
de que - o sexismo na infância influencia e determina as escolhas profissionais e certos
comportamentos nas mulheres, que possam prejudicá-las no ecossistema de inovação e
incubadora -.
Em segundo lugar, examinarei em alguns campos profissionais, a quantidade de
mulheres. Essa coleta de dados servirá para verificar se há um número reduzido de
mulheres e se elas se encontram no topo. O intuito é descobrir se as mulheres estão
sendo bem representadas nas profissões pesquisadas, e se existe certa liderança
feminina. É exatamente nesse capítulo da quantificação da representação feminina e no
recebimento dos prêmios Nobel, que pretendo comprovar a minha hipótese – do
patriarcalismo impedir que as mulheres ingressem em ambientes predominantemente
masculinos e que cheguem ao topo -; além de ratificar também a hipótese da infância
sexista imbricar no número reduzido de mulheres.

1.1.2 Objetivo Específico


Diante de todo conteúdo já exposto, será conceituado o universo do ecossistema
de inovação e empreendedorismo como objetivo principal do trabalho. Em um estudo
de gênero, entrevistarei algumas mulheres que se fazem presentes nesses dois
ecossistemas - inovação e empreendimento -, a fim de coletar e comprovar minhas
hipóteses: das barreiras impostas pelo patriarcalismo no ingresso, na ascensão, no
recebimento de investimentos e assim por diante; e a hipótese de que uma possível
infância sexista tenha trazido um – self generificado – que possa atrapalhar a vida
profissional, sobrecarregando essas mulheres tanto emocionalmente quanto fisicamente
ou que as tenham afastado de áreas predominantemente masculinas.
Por outro lado, serão retratados através da teoria feminista, os mecanismos que
impactam diretamente o universo constelar da inovação, ciência e tecnologia,
incubadoras tanto no aspecto intergênero quanto no aspecto que perpassa ao gênero
feminino (suas dificuldades e problematizações), a fim de trazer um caráter mais
político e crítico.

1.2 O LÓCUS DA PESQUISA E OS PERCURSOS METODOLÓGICOS

Nesta seção delineio os caminhos que segui no empreendimento desta pesquisa.


Até o momento mostrei os objetivos, posteriormente apresentarei os autores e autoras
que escolhi para caminharem comigo nas problematizações propostas.
O tipo de pesquisa a ser usado quanto ao objetivo é explicativo para entender as
relações causais entre número reduzido de mulheres em tais campos e a sua relação com
sexismo; quanto ao procedimento será através da pesquisa bibliográfica; quanto à
abordagem do problema usado será qualitativo para conhecer melhor o fenômeno social
(Raupp e Beuren, 2006, p.80 – 93) e por ventura o quantitativo no tocante ao emprego
de instrumentos estatísticos na coleta de dados para determinar os percentuais de
mulheres nos ramos citados.
A pesquisa bibliográfica permitirá buscar conceitos e conhecimento técnico para
uma melhor interpretação da realidade que for se desvendando à medida que coletar
dados, pesquisas e por ventura entrevistas semiestruturadas ou história de vida de
algumas mulheres nas áreas de empresas de incubadora, tecnologia, inovação, startup.
A grande contribuição de Émile Durkheim (2011) com a criação da coerção
social sobre o indivíduo; de como se depreende o habitus de Pierre Bourdieu (2004,
2017); com a nova metodologia inaugurada por Michel Foucault (1987, 1996, 2017) em
que ele próprio se definiu – “historiador do pensamento” - (Sarcey, 2014, 553); o
pensamento foucaultiano, une-se a teoria feminista quando ambos buscam compreender
questões como sujeito e o poder; enunciado e o discurso; dominação e a representação;
sexualidade, soberania e o gênero. Eles servirão de base para a construção desta
dissertação.

1.3 REFERENCIAL TEÓRICO

Serão usados como norte os aportes teóricos dos clássicos da sociologia e da


filosofia como: Emile Durkheim (2011) na criação do fato social e sua coerção social;
Pierre Bourdieu (2004, 2017) com a internalização dos estereótipos femininos e o que a
sociedade espera de uma mulher, além da construção do habitus; bem como o legado de
Michel Foucault (1987, 1996, 2017) quanto às relações de dominação, no vasto
entendimento de como o homem governa outros homens.
Outros clássicos da sociologia e da filosofia que contribuirão para a dissertação:
Simone de Beauvoir (2016) com seu extenso legado acerca das percepções de gênero;
Judith Butler (2018) e sua teoria performática; Silvia Federici (2017, 2018) feminista
marxista que criou a tese do fim da divisão do trabalho não remunerado e seu primoroso
trabalho sobre mulheres, corpo e acumulação primitiva; Flávia Biroli (2018) quem
usarei para um melhor entendimento sobre o trabalho doméstico; Seyla Benhabib,
Drucilla Cornell e Nancy Fraser (2018) no debate ocorrido em 1990 em que trazem
grandes reflexões do papel das teorias feministas que servem de grande inspiração para
essa dissertação; Patricia Madoo Lengermann (1997) que traz a história da mulher na
profissão de sociologia; Sheila Scraton (1995) sobre educação de meninos e meninas
serem o principal problema para as diferenças; Débora Thomé Sayão (2005) na sua
pesquisa verifica a domesticação corporal das meninas; Nobert Elias (2000) no seu
extenso trabalho de campo que percebeu o quanto os outsiders são influenciados pelos
que os estabelecidos pensam dele; Bell Hooks (2018) com seu conceito primordial de
sexismo como o inimigo número um do feminismo; Heleieth Saffioti (2015) em seu
conceito patriarcalismo; Marilyn French (1992) em sua pesquisa exaustiva em diversos
países para comprovar a desigualdade entre os sexos; além da feminista radical da
segunda onda Shulamith Firestone (1976) a corroborar com sua visão feminista sobre a
psicanálise e também a Juliet Mitchel (1979).
Também as historiadoras: da ciência Margaret W. Rosssiter (1993, 2012) e a
historiadora de gênero Sharon Traweek (1995) e Joan Scott (1990) em seu conceito de
gênero como categoria de análise.
A contribuição da antropologia aqui se faz necessária nos estudos clássicos de
Margaret Mead (2003, 2015), que em suas obras de estudo de campo, as quais servem
de grande embasamento para compreender até que ponto a cultura ou o sexo influencia
no temperamento de uma pessoa; Marilyn Strathern (2007) que nos mostra que o
conceito de gênero não é dado e nem fixo; ambas demonstram que para falar sobre
gênero é necessário desmistificá-lo, homens e mulheres são bem diferentes em vários
lugares do mundo; e a Naomi Wolf (2018) que servirá de grande fundamento para um
melhor entendimento da internalização da necessidade da beleza no self feminino.
Também Rebeca Phol (2018) que cunhou um termo mansplaining (situações que
os homens explicam as coisas que elas sabem e eles não sabem).
Serão usados outros ramos de estudos sobre gênero nas áreas de ciências como:
neurociência, bioquímica, genética, neurobiologia, endocrinologia, psicologia social,
dentre outas, de como as diferenças biológicas podem ser produzidas ao longo do tempo
em resposta a diferentes experiências ambientais e sociais, que possam acarretar nas
diversas distinções, a esclarecer muito sobre as questões de gênero e o fazer ciência, se
existe ou não diferenças nos cérebros que limite ou não ao acesso de mulheres em tais
áreas, nomes como: Evelyn Fox Keller (1982, 1995, 1991, 1996), Donna Haraway
(2018), Helen Longino (1993, 1996, 1997); Anne-Fausto Sterling (1992, 2008, 2012),
Sandra Harding (1986, 1991, 1996), Charbel Nino El-Hani (1996), e por fim Cordeline
Fine (2008, 2012, 2018).
Servirá também de base uma análise nos estudos teóricos sobre o conceito e
desenvolvimento do self, do eu, dentro da psicologia social, termo criado por Carl
Rogers (1977) e em uma psicologia narrativa por McAdms (2001), bem como Harré e
Gillet (1999).
Também serão usadas: bibliografias de mulheres nas ciências; artigos;
documentários, filmes e tudo mais que possa corroborar com a presente pesquisa.
No estudo quantitativo, serão usados prioritariamente vários relatórios como:
Relatório de Desenvolvimento Humano (PNUD, 2019); relatório do Sebrae com a
Anprotec (2020); o estudo do Global Entrepreneurship Monitor Empreendedorismo no
Brasil (GEM, 2016); a Revista British Coucil, na sua primeira edição de Mulheres na
Ciência (2019) de forma a quantificar os dados sobre o ecossistema de inovação e
empreendimento, principalmente na questão de gênero e também de forma descritiva
para o conhecimento sobre esse ambiente.

1.4 FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES

Se o número de mulheres é reduzido e não se encontra no topo e são sub-


representadas em diversas áreas, tais como: incubação, empreendimento e inovação e
demais áreas de tecnologia, ciências de computação, programação, física e tantas outras
As perguntas seriam:
Seria um determinismo biológico ao genecentrismo? Seria a “pouca” testosterona?
A princípio parece-me que as principais hipóteses podem ser todo um arcabouço
sexista que começa na educação infantil e no binarismo das brincadeiras, nos
brinquedos, além da falta de representatividade. O modo como as pessoas lidam e
educam uma menina e um menino diante de toda uma gama de estereótipos binários,
bem como a falta de modelos fortes de mulheres para que as meninas possam enxergar
uma representatividade. Como ser aquilo que não se vê? Pelo menos quanto: as escolhas
profissionais e certas atitudes femininas versus a masculina que possam impactar tanto
na ascensão ao topo, quanto em comportamentos que prejudicam o crescimento das
mulheres nesses ecossistemas. Como por exemplo, as mulheres preferem menos: as
ciências exatas, tecnológicas, inovação, gerentes de incubadoras, gerentes de grandes
empresas, cargos políticos; não gostam de galgar o topo; abandonam mais as carreiras;
competem menos; sentem-se mais obrigadas a abdicar de suas carreiras para
acompanhar o marido ou cuidar dos filhos; trabalham mais em casa por que são
obrigadas ou se sentem obrigadas, dentre tantas outras perguntas que pretendo descobrir
se é natural, biológico ou fruto da formação de uma infância sexista. Nessa hipótese,
trata-se de um caráter mais subjetivo e individual - um self generificado -, das escolhas
profissionais e o quanto essa generificação se internaliza no comportamento feminino.
Em segundo lugar, penso que o patriarcalismo, que detém todo o poder político e
social nas mãos dos homens perpetua um ciclo interminável de barreiras para a ascensão
da mulher ao topo, dentre tantas outras dificuldades que elas encontram em ambientes
predominantemente masculinos. Como por exemplo, recebem menos ofertas e
financiamentos, inclusive de capital de risco para seus negócios; ganham menos que
seus colegas de trabalhos exercendo a mesma função; são menos ouvidas e mais
interrompidas em suas falas; sofrem assédio sexual; sentem-se preteridas por ser mulher
ou alguma dificuldade relacionada a isso; são cobradas mesmo que indiretamente a
comportamentos de cuidado ou outros comportamentos estereotipados no ambiente de
trabalho, tais como: a responsável pelo cafezinho, pela festinha, por manter a harmonia;
esperam delas atitudes mais compassivas, criticam quando são “severas”. Quais divisões
sexuais também se perpetuam no ambiente de trabalho? Tentarei responder se essas e
outras perguntas são produzidas pelo patriarcalismo e se as afetam e de que forma.
Nessa hipótese, trata-se de um caráter mais objetivo, da vida pública.

CRONOGRAMA

Provavelmente a qualificação do projeto de pesquisa será feita em agosto ou


setembro de 2020. A dissertação será entregue no máximo em dezembro de 2020.

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Lamarr ficou conhecida por ser “a mulher mais bonita do mundo”. Mas, entre outras
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https://philos.tv/video/bombshell-a-historia-de-hedy-lamarr/423925/
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Papel de Parede Amarelo" | SOBRE ELAS. Youtube. Dez.2017. Acesso 15 de
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DOCUMENTÁRIO: 4% um problema de gênero. Tradutora Fabiana Barúqui. Directed
by Caroline Suh. Producer Erika Frankel. Globosat Programadora, exibido GNT.doc.
Através de entrevistas com importantes personalidades do cinema, documentário aborda
uma questão pouco falada: a sub-representação das mulheres como diretoras. Os 1.300
filmes de maior bilheteria entre 2002 e 2014, apenas 4% foram dirigidos por mulheres.
Em 85 anos, só quatro mulheres foram indicadas ao Oscar de Melhor Diretor: o prêmio
foi dado a uma mulher pela primeira vez apenas em 2010. Esses dados servem de base
para o documentário '4% - Um Problema de Gênero', que, através de entrevistas com
importantes personalidades do meio como Anjelica Huston, Judd Apatow, Michael
Moore e Kristen Wiig, deseja abordar uma questão pouco falada: a sub-representação
das mulheres como diretoras de cinema. Disponível:
https://globosatplay.globo.com/gnt/v/5079932/. Acesso em Canal GNT Documentário,
28 de novembro de 2016.

DOCUMENTÁRIO: Hery Story: Liderança. Series director James Rogan. Tradutora


Fabiana Barúqui. Based on an original concept by Rachel Pashley, J. Walter Thompson
Company. BBC World News. Globosat Programadora, exibido GNT.doc. 2016. Esta
série apresenta mulheres na linha de frente da luta por igualdade de gênero no século 21.
Hoje conhecemos revolucionárias líderes femininas de diversas partes do mundo e suas
histórias inspiradoras. Disponível: https://globosatplay.globo.com/gnt/v/5079933/).
Acesso em Canal GNT Documentário, 18 de junho de 2017

DOCUMENTÁRIO: Mulheres HTML. Director Robin Hauser Reynolds. Tradutor


João Artur Souza. CODE documentary. Globosat Programadora, exibido GNT.doc.
2016. Os empregos no setor de tecnologia estão ultrapassando o crescimento de todos os
outros setores, mas quase não há mulheres nesse meio. Este documentário quer
descobrir o motivo pelo qual tão poucas mulheres trabalham na área de ciência da
computação. Através de entrevistas com mulheres bem-sucedidas da Pixar, Pinterest e
Etsy, o filme promove o debate sobre o que pode ser feito para incentivar a próxima
geração de mulheres a trabalhar na área. Disponível:
https://globosatplay.globo.com/gnt/v/5079917/). Acesso em Canal GNT Documentário,
05 de janeiro de 2016

DOCUMENTÁRIO: Mulheres na mídia. Written, directed&Producedby Jennifer


Siebel Newson; Production Jennifer Siebel Newson e Regina Kulik Scully; Executive
produces Geralyn Dreyfous, Sarah Johson Redlich, Regina Kulik Scully; Co-produces
Claire Dietrich e Julie Castanzo; Edited&Co-writtenby Jessica Congdon. Girls Club
Entertainmen. Globosat Programadora, exibido GNT.doc. 2012. Nenhuma mulher
parece conseguir escapar dos olhares – e das críticas – da sociedade que vê a si mesma
através da mídia. Das modelos mais famosas do mundo, passando por Oprah Winfrey e
chegando até Sarah Palin, uma das figuras políticas mais conhecidas dos Estados
Unidos, julgamentos sobre corpo, beleza e aparência são frequentes. Mesmo não
trabalhando com a própria imagem, as mulheres continuam sendo alvos de opiniões
alheias que tentam separá-las em atraentes ou não. Disponível:
https://www.dailymotion.com/video/x21rp15 /trailer:
http://gnt.globo.com/programas/gntdoc/videos/2249431.htm. Acesso em Canal GNT
Documentário, 05 de junho de 2015).

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Produced & Directed Francis Whately. BBC Current Affairs Production, London.
Globosat Programadora, exibido GNT.doc. 2016. Depoimentos de Hillary Clinton,
Madeleine Albright e Condoleezza Rice, três mulheres que ocuparam o cargo de
Secretária do Estado americano, um dos mais importantes do mundo. Em 1995, a atual
pré-candidata à presidência dos Estados Unidos pelo partido democrata participou de
uma conferência histórica em Pequim, na China, para falar sobre os direitos das
mulheres. Agora, 20 anos depois, será que muita coisa mudou? O documentário vai
mostrar os desafios enfrentados por essas líderes para tentar mudar a vida de mulheres
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