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E.M.E.F.NOSSA SRª.

DO AMPARO – AVALIAÇÃO BIMESTRAL O gosto


DE ED. FÍSICA – PRFª. Ândria DATA: ___/09/16 SÉRIE: 8º É uma faculdade autônoma do sentimento cuja atribuição
Aluno(a):___________________________________nº.:____ básica é o exercício contínuo da atividade estética. Pode-se,
portanto, dizer que através do gosto exercitamos o juízo
ESTÉTICA estético. É justamente o gosto que nos predispõe a julgar os
objetos do sentimento, mediante a capacidade que eles têm
Estética é um ramo da filosofia que se ocupa das questões de nos causar satisfação.
tradicionalmente ligadas à capacidade humana de perceber É muito importante salientar que a problemática relativa ao
o mundo, tais como o belo, o feio, o gosto, a arte, os estilos, gosto não pode, simplesmente, ser reduzida a uma opção
as tendências, a criação e a interpretação artística. A estética arbitrária e imperativa de nossa subjetividade, dado que
adquiriu autonomia como área filosófica, com Alexander pressupõe a integração do conjunto de estruturas subjetivas
Baumgarten, no século XVIII, quando ele publicou a obra que operam sobre dados objetivos. Se fecharmos a questão
Aesthetica. A palavra estética vem do grego aisthetikós (ou nessa perspectiva arbitrária, o gosto passa a ter caráter
aisthésis) e pode ser traduzida como percepção, faculdade irrevogável, monolítico e estático. Assim não há margem
de sentir, compreensão pelos sentidos etc. para a evolução, para a aprendizagem criativa, para a
Durante a Antiguidade, a estética era conjugada com as educação ou mesmo reeducação da sensibilidade, o que gera
demais áreas da filosofia. Hoje está claro que essa disciplina a estagnação.
ocupa-se da capacidade de julgar as emoções e os Para o aprimoramento, para a educação ou reeducação do
sentimentos estéticos, ou seja, ocupa-se de nosso senso gosto frente à potencialidade estética da realidade que nos
estético, como se desenvolve, se pode ou não ser cerca, nossas faculdades subjetivas precisam estar abertas,
condicionado, se é inato, se é adquirido e tem de ser prontas para acolher e interessadas mais em conhecer do
cultivado etc. que em preferir. Assim evitamos os descartes e as adesões a
Em síntese, a estética reflete racionalmente sobre a priori da pluralidade do real, permitir que ele fale,
capacidade humana de julgar o belo o feio, assim como a estabelecendo, assim, um diálogo e não um monólogo.
gama de sentimentos que nos invadem quando exercemos Portanto, o gosto é a capacidade de emitir julgamentos
tal capacidade diante de algo. Por isso, em nosso dia-a-dia, estéticos sim, mas sem preconceitos ou posições
na linguagem coloquial, empregamos o termo estética para tendenciosas. O contato direto com a realidade e com as
fazer alusão à aparência das coisas. O estudo reflexivo da obras deve formar nosso gosto, modificá-lo, educá-lo,
capacidade humana de julgamento do belo e do feio e da destruí-lo, reconstruí-lo etc. Caso nos limitemos a nossos
percepção que temos do real é muito importante, pois tudo portos seguros, ou seja, àquilo que conhecemos e já
o que consumimos, de alimentos a roupas, de bicicletas a sabemos que gostamos dele, não crescemos.
carros, de livros a aparelhos eletroeletrônicos, envolve a
estética. A Arte
É uma das formas mais poderosas de expressão humana. Ela
OBJETOS DE ESTUDO é capaz de materializar crenças, convicções, ideologias. É
capaz de formar consciência e opinião, mas também é capaz
O belo de obscurecer as mentes e anular as opiniões. É capaz de
O belo é o resultado de uma espécie de juízo que exercemos libertar, emancipar, mas pode servir como instrumento de
sobre a realidade. Consideramos belo todo objeto ou pessoa opressão e alienação. O maravilhoso e complexo universo
que nos suscita determinado prazer estético por meio de sua artístico é agora objeto de nossa reflexão.
contemplação. Esse sentimento estético desinteressado A arte é uma possibilidade de conhecimento do mundo, pois
pode ser provocado pelas coisas da natureza (pessoas, o conhecimento deste não se limita às ciências, à filosofia e
animais, paisagens etc) ou pelo fruto do engenho humano ao mito. A arte não segue o itinerário das outras
(arquitetura, arte). modalidades de conhecimento, trata-se de um
Pensemos um pouco sobre a beleza. Será que existem conhecimento intuitivo do real em que estamos inseridos.
padrões universais que apontam para modelos de beleza ou Toda a pluralidade do real pode ser objeto da arte.
trata-se de algo relativo, que está sujeito às variantes
históricas e sociais? Visto o problema de outra forma: A
beleza é algo que podemos mensurar? Trata-se de algo
objetivo, ou seja, está nos objetos? Depende de elementos
subjetivos? Se assim for, o conceito de beleza pode mudar de
pessoa para pessoa. As respostas a essas perguntas variam
no decorrer da história da filosofia.

O feio
O problema do feio está intimamente ligado às questões
relativas ao belo, ou melhor, está contido na problemática
do belo. Por conclusão lógica, derivada do próprio conceito
de belo, o feio seria o que nos provoca sentimento não
agradável mediante sua contemplação. A contemplação do
feio não é algo gratuito, algo aprazível àquele que o
contempla, ao contrário, causa estranheza a este, que faz de
tudo para abreviar o contato com o que foi julgado feio. Aqui
são pertinentes as mesmas questões propostas em relação
ao belo, relativas à subjetividade da feiúra.
REFLEXÕES COM BASE NO TEXTO – REPONDA NO VERSO DA
FOLHA

1ª) De acordo com o texto o que é estética? Quem a


ingressou no ramo da Filosofia?
R: É um ramo da filosofia que se ocupa das questões
tradicionalmente ligadas à capacidade humana de
perceber o mundo, tais como o belo, o feio, o gosto, a
arte, os estilos, as tendências, a criação e a
interpretação artística. Quem a ingressou no ramo da
filosofia foi Alexander Baumgarten.

2ª) Por que em nosso dia-a-dia, na linguagem coloquial,


empregamos o termo estética para fazer alusão à
aparência das coisas?
R: Porque a estética reflete racionalmente sobre a
capacidade humana de julgar o belo o feio, assim como
a gama de sentimentos que nos invadem quando
exercemos tal capacidade diante de algo.

3ª) De acordo com a leitura do texto o que você


entendeu sobre o conceito de belo e feio? Ambos
podem ser mensurados?
R: O belo é o resultado de uma espécie de juízo que
exercemos sobre a realidade e o feio seria o que nos
provoca sentimento não agradável mediante sua
contemplação. Ambos não podem ser mensurados, são
avaliados subjetivamente.

4ª) De acordo com o texto o que é o gosto?


R: É uma faculdade autônoma do sentimento cuja
atribuição básica é o exercício contínuo da atividade
estética.

5ª) Por que gosto não pode, simplesmente, ser


reduzida a uma opção arbitrária e imperativa de nossa
subjetividade?
R: Porque pressupõe a integração do conjunto de
estruturas subjetivas que operam sobre dados
objetivos.

6ª) Explique a seguinte afirmação do texto “Caso nos


limitemos a nossos portos seguros, ou seja, àquilo que
conhecemos e já sabemos que gostamos dele, não
crescemos.”
R: O contato direto com a realidade e com as obras
deve formar nosso gosto, modificá-lo, educá-lo,
destruí-lo, reconstruí-lo etc.

7ª) O que é a Arte? Por que ela é uma possibilidade de


conhecimento do mundo?
R: É uma das formas mais poderosas de expressão
humana. Porque o conhecimento deste não se limita às
ciências, à filosofia e ao mito.
consideração aspectos morais e os fins almejados), a
arte é encarada de maneira estética.

CONCEPÇÕES ESTÉTICAS

PLATÃO: uma visão negativa da arte

A famosa teoria platônica das ideias, que divide o


universo em mundo sensível (material e inferior) e o
mundo inteligível (espiritual, imaterial e superior), é a
chave de compreensão da teoria estética de Platão.
Segundo essa teoria, nossa grande missão é, por meio
de várias vidas, libertarmo-nos das amarras do mundo
sensível, pois ele não passa de uma cópia do mundo das
ideias. Como faríamos isso? Ora, teríamos de buscar o
conhecimento verdadeiro (episteme), o conhecimento
do mundo ideal. O alcance do conhecimento verdadeiro
aconteceria pela reminiscência (lembrança) do que
Funções da arte nossas almas, outrora presentes no mundo ideal,
presenciaram nele. Não podemos, portanto, iludir-nos
Função Mimética (relativo a mímese, reprodução, cópia com o mundo das cópias, das sombras e das aparências,
fiel etc.) – diz-se que arte que realiza sua função isto é, com o mundo sensível. Para Platão, a arte era
mimética busca reproduzir de maneira fiel a realidade, essencialmente mímese (mímesis), então, reproduzia o
quando imita a vida e a natureza. A arte, como mímese, mundo sensível. Reflitamos: se o mundo sensível já é
é testemunha fiel da complexidade do real. No entanto, uma cópia do mundo ideal, então a arte é uma cópia da
mesmo para reproduzir é preciso ler, desconfiar, cópia.
interpretar. Assim, a arte em sua função mimética Dessa maneira, a arte em nada nos ajuda a alcançar o
desempenha papel importante na compreensão do conhecimento verdadeiro, ao contrário, afasta-nos dele,
mundo em que estamos inseridos. Tal posição uma vez que nos distancia do mundo ideal. Do ponto de
sustentou-se, aproximadamente, do século V a. C. ao XIX vista gnosiológico (conhecimento), a arte é
d. C., até o aparecimento da fotografia, o que levou a infinitamente inferior à ciência, e deve ser evitada.
uma revisão e reestruturação do papel da arte, Quando Platão fala que a arte está voltada para as
especialmente da pintura. partes irracionais da alma (concupiscível e irascível), ele
cria resistência à arte também com relação à questão da
Função criadora da arte moral, pois, atuando diretamente sobre nossos sentidos,
a arte acaba nos cegando, faz com que percamos a
A obra de arte abre horizontes novos e inusitados. Por noção do bem e do mal, do certo e do errado.
ela podemos não somente vislumbrar como a realidade Com relação à música, Platão tem visão extremamente
é, mas como poderia ser. Em outras palavras, junto e otimista, é muito importante salientar que ele não
por meio dela, a realidade revela-se a nossos olhos considera a música exatamente uma arte. Na trilha de
como algo sempre novo, como se jamais a tivéssemos Pitágoras, o filósofo ateniense julga que a música é uma
experienciado. Trata-se de uma espécie de espécie de harmonia divina. Além disso, Platão coloca a
transfiguração, quase uma revelação, do existente numa música em quarto lugar entre as ciências propedêuticas,
outra realidade, no mundo da obra, que, muitas vezes, atrás da aritmética, geometria plana e sólida e
tem a capacidade de ir além de onde o artista quis astronomia.
chegar, e revela coisas que independem da vontade e
intenção de quem produziu a obra. Trata-se, portanto, ARISTÓTELES: uma visão positiva da arte
de outro paradigma de realidade, em que a própria obra
se constitui em real. Também na estética o discípulo gradualmente se
distancia do mestre. Mesmo compartilhando com Platão
Função utilitária o pensamento de que a arte é essencialmente mímese,
há entre Aristóteles e Platão diferenças marcantes.
Essa função diz respeito à tentativa de utilização da arte Enquanto para Platão a mímese é alienadora, mentirosa
para alcance de fins não artísticos. Aqui a produção e nada tem a acrescentar, para Aristóteles, a mímese é
artística é avaliada e medida a partir do alcance dos fins um momento único de intercâmbio, em que o artista
exteriores a que se propõe. São muitos os fins não tem a chance e o poder de acrescentar algo ao real. Por
artísticos que fazem da arte um simples meio para isso, nesse novo contexto, a mímese não é pura
atingi-los. Os fins podem ser religiosos, políticos imitação, mas criação que envolve iniciativa e
econômicos etc. desta perspectiva, em nenhum criatividade. Mediante sua capacidade criativa, o artista
momento, nem em sua avaliação (que leva em pode transpor os limites da natureza.
No que diz respeito à tragédia, ela é a mímese de uma momento histórico. Em outras palavras, a arte não é
ação, de um acontecimento, e não das paixões. É um apenas fruição, mas tem como função mostrar, de modo
processo ativo de seleção de partes para apresentação. sensível, a evolução espiritual dos homens ao longo da
Não é passivo, cópia automática, como supunha Platão. história.
Aristóteles traz de volta a necessidade da habilidade
para fazer poesia: o poeta é um compositor-criador de KANT: o juízo estético, o belo e sublime
tramas, e não de versos. Embora a poesia não seja
mímese do universal, Aristóteles sustenta que, mesmo Todos os seres humanos emitem juízos estéticos! Essa é
que os objetos da mímese não sejam universais, eles a construção que dá início ao itinerário percorrido por
podem resultar em um processo que apresente Kant para resolver o problema da objetividade ou
universais, porque a tragédia não trata de assuntos subjetividade da estética. É evidente, em Kant, a
banais. preferência pela segunda opção. “Aquilo que é
puramente subjetivo na representação de um objeto,
ESTÉTICA MEDIEVAL isto é, o que constitui a sua relação ao sujeito, e não ao
objeto, é a sua qualidade estética”.
Durante a Idade Média, as artes não eram muito Diante da existência inconteste dos juízos estéticos, o
valorizadas, a não ser como instrumento da filósofo prussiano levanta duas questões de capital
catequização e de culto. A influência da Igreja Católica importância: O que é o belo manifestado no juízo
era enorme. A busca pelo belo era identificada pelo estético? Qual é a estrutura, o fundamento que
cristianismo predominantemente como a busca do possibilita o juízo estético?
espírito humano por Deus. Dessa forma, o cristianismo Em resposta à primeira questão, Kant atesta que o belo
contribuiu para edificar e difundir uma nova concepção não existe de maneira objetiva nas coisas, mas é fruto da
da beleza, cujo fundamento era a identificação de Deus relação entre sujeito e objeto. Respondendo a segunda
com a beleza, o bem e a verdade. questão, Kant diz que o juízo estético é fruto do livre
Nesse contexto, apesar de, como sabemos, ser um jogo das estruturas cognitivas e da imaginação (o que
representante da Antiguidade tardia, Santo Agostinho confere ao juízo status de universal), capaz de produzir
concebeu a beleza como um todo harmonioso, isto é, um prazer desinteressado, de nos direcionar para uma
comunidade, número, igualdade, proporção e ordem, “finalidade sem fim e de nos fazer compreender a
reflexo da perfeição e beleza do Todo-poderoso e de sua escrita cifrada por meio da qual a natureza fala conosco
obra. Assim, Deus, de onde tudo emana e pelo qual em suas belas formas”.
todas as coisas adquirem sentido, é a fonte inesgotável Segundo Kant, o belo e o sublime têm em comum a
de toda beleza e perfeição. característica de agradar por si mesmos, de maneira
São Tomás de Aquino identificou a beleza com o bem. desinteressada, universal e necessária, uma vez que são
Como em Santo Agostinho, a beleza perfeita identifica- por excelência subjetivos. A diferença está no fato de
se com Deus. As coisas belas têm três características ou que o belo diz respeito à particularidade do objeto em
condições fundamentais, e as coisas feias são seus sua relação com o sujeito, e essa condição torna-o
opostos. realmente limitado, ao passo que o sublime também diz
Vejamos: Integridade ou perfeição (o inacabado ou respeito ao supra-sensível, que é informe e que, como
fragmentário é feio); A proporção ou harmonia (a tal, implica a representação do ilimitado.
assimetria e a desarmonia são feias); A claridade ou Dessa forma, o objeto não é sublime, mas desperta o
luminosidade (a escuridão é feia). sentimento do sublime, ou seja, somos induzidos a
projetar no objeto a ideia de sublime que ele fez
CONCEPÇÃO EMPIRISTA E IDEALISTA despertar em nós. O sublime não é de forma alguma
objetivo, diz respeito ao sujeito. É pela experiência do
Os filósofos empiristas, como David Hume (século XVIII), sublime que tomamos consciência de que podemos
relativizam a beleza, reduzindo-a ao gosto de cada um. ultrapassar as barreiras sensoriais. “O sublime é pois
Aquilo que depende do gosto e da opinião pessoal não essencialmente espírito; o sentimento do sublime nos
pode ser discutido racionalmente, donde o ditado: enleva deste mundo e nos abre, por assim dizer, as
“Gosto não se discute”. O belo, nessa perspectiva, não portas do supra-sensível” (Pascal).
está mais no objeto, mas nas condições de recepção do
sujeito. Texto extraído de: GARCIA, José Roberto & VELOSO,
Hegel (século XIX) foi um filósofo que trabalhou a Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos
questão da beleza numa perspectiva histórica. Para ele, reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.
o relativo consenso acerca de quais são as coisas belas Texto elaborado pela professora de filosofia do Colégio
mostra apenas que o entendimento do que é belo Batista Daniel de La Touche Rute Amorim
depende do momento histórico e do desenvolvimento
cultural. (...) Por isso, em Hegel, a beleza artística não diz Questões
respeito apenas à sensação de prazer que determinada 1ª) De acordo com o texto o que é estética? Quem a
obra possa proporcionar, mas à capacidade que ela tem ingressou no ramo da Filosofia?
de sintetizar um dado conteúdo cultural de um
2ª) Por que em nosso dia-a-dia, na linguagem coloquial,
empregamos o termo estética para fazer alusão à
aparência das coisas?
3ª) De acordo com a leitura do texto o que você
entendeu sobre o conceito de belo e feio? Ambos
podem ser mensurados?
4ª) De acordo com o texto o que é o gosto?
5ª) Por que gosto não pode, simplesmente, ser reduzida
a uma opção arbitrária e imperativa de nossa
subjetividade?
6ª) Explique a seguinte afirmação do texto “Caso nos
limitemos a nossos portos seguros, ou seja, àquilo que
conhecemos e já sabemos que gostamos dele, não
crescemos.”
7ª) O que é a Arte? Por que ela é uma possibilidade de
conhecimento do mundo?

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