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Copyright ©2012 tradução portuguesa, Derek Prince Portugal

Originalmente publicado com o título: “God's Remedy for Rejection”


Copyright ©1993 Derek Prince Ministries–International

Reeditado em Português pela:


Editora Um Êxodo Unipessoal Lda
Caminho Novo Lote X, Feteria
9700-360 Angra do Heroísmo
e-mail: umexodo@gmail.com

Autor: Derek Prince


Título original: God’s Remedy for Rejection
Tradutora: Maria João Santos
Redação: Christina van Hamersveld
Desenho da Capa: Nova Gráfica, Lda.

ISBN: 978-989-8501-20-2

Endereço para contato:


Derek Prince Portugal
Caminho Novo Lote X, Feteira
9700-360 Angra do Heroísmo
Telf.: 295 663738 / 927992157

E-mail: derekprinceportugal@gmail.com
Blog: www.derekprinceportugal.blogspot.pt

A versão bíblica usada neste livro: Almeida Corrigida e Revisada Fiel.


ÍNDICE

1. A Natureza da Rejeição................................................. 5
2. As Causas da Rejeição................................................ 15
3. Traição e Vergonha...................................................... 23
4. As Consequências da Rejeição................................... 29
5. A Derradeira Rejeição................................................. 37
6. Como Aplicar o Remédio............................................ 55
7. Aceitação na Família de Deus..................................... 67
8. O Fluir do Amor Divino.............................................. 75

Sobre Derek Prince 1915 - 2003........................................ 91


Derek Prince Ministries Portugal........................................ 93
Outros livros por Derek Prince (em Português).................. 95
1
A Natureza
da Rejeição
DEREK PRINCE

A maioria de nós experimentou rejeição numa ou


noutra altura, mas muitos não entendemos a sua origem
ou os seus efeitos. A rejeição pode ter sido algo relativa-
mente pequeno - ou pode ter sido tão devastador que
afectou toda a sua vida e todos os seus relacionamentos.
Aqui estão alguns exemplos comuns: não foi esco-
lhido para jogar na equipa desportiva da escola; o seu
primeiro namorado faltou a um compromisso impor-
tante e nunca lhe apresentou desculpas; não foi aceite na
universidade que escolhera; foi dispensado do seu tra-
balho sem qualquer razão aparente - disseram que era
“dispensável.”
Pior que estes exemplos é sem dúvida a dor que surge
por nunca ter sentido amor do seu pai, por se ter aperce-
bido que a sua mãe não o queria, ou porque o seu casa-
mento acabou em divórcio.
Experiências como estas deixam marcas permanen-
tes, quer se aperceba delas ou não. Mas tenho boas notí-
cias para si! Deus pode curá-lo das feridas deixadas pela
rejeição, ajudá-lo a aceitar-se a si próprio, e capacitá-lo a
mostrar o Seu amor a outros. No entanto, antes de poder
receber a Sua ajuda, tem que reconhecer a natureza do
seu problema.
Rejeição pode ser definida como o sentimento de ser
indesejado. Deseja que as pessoas o amem, e no entanto
crê que elas não o fazem. Quer fazer parte de um grupo,

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O Remédio de Deus para a Rejeição

mas sente-se excluído. De alguma forma sente sempre


que está do lado de fora a olhar para dentro.
Fortemente relacionadas com a rejeição estão as feri-
das da traição e da vergonha. Todas produzem respostas
semelhantes na pessoa ferida: o sentimento de não ser
desejado ou aceite.
Por vezes, a rejeição produz feridas tão profundas e
dolorosas que a mente recusa focar-se nelas. No entanto,
sente que algo está lá - mesmo sendo mais profundo que
a mente, mais profundo do que a razão alcança, mais
profundo do que a memória. Está no seu espírito. O li-
vro de Provérbios descreve isto.

O coração alegre aformoseia o rosto, mas


pela dor do coração o espírito se abate.
(Provérbios 15:13)

O escritor também nos diz como um espírito abatido


irá afectar uma pessoa:

O espírito do homem susterá a sua enfer-


midade, mas ao espírito abatido, quem o
suportará?
(Provérbios 18:14)

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DEREK PRINCE

Um espírito energético ajuda uma pessoa através das


maiores dificuldades, mas um espírito abatido tem um
efeito doentio em todas as áreas da vida.
A nossa sociedade hoje em dia está a sofrer um co-
lapso progressivo nos relacionamentos interpessoais.
É muito possível que tenha sido apanhado nesse fogo
cruzado, e que o resultado tenha sido uma ferida de re-
jeição. Deixe-me sugerir, no entanto, que deve procurar
um raio de luz através dessa nuvem negra.
Eu creio que o Diabo tem alguma presciência. Ele
sabe que Deus quer usá-lo e desferiu o primeiro golpe.
De certa forma, é uma espécie de elogio torcido. Signi-
fica que Satanás tem medo do que você se pode tornar
em Cristo. Por isso, não fique desencorajado. Na minha
experiência tenho descoberto que as pessoas que foram
as menores muitas vezes acabam por ser as maiores. As
Escrituras dizem-nos, “...e qualquer que a si mesmo se
humilha será exaltado.” (Lucas 18:14).
Há um versículo em Mateus que eu creio descrever
como Jesus se sente em relação a si:

E, vendo as multidões, teve grande compai-


xão delas,...
(Mateus 9:36)

A palavra grega traduzida por “compaixão” é extre-


mamente poderosa. Implica uma reação física muito

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O Remédio de Deus para a Rejeição

forte na área abdominal do corpo. É uma reação tão for-


te que exige uma resposta. Uma pessoa que é “movida
por compaixão” não consegue apenas ficar a observar.
Tem que fazer algo. Porque é que Jesus foi tão tocado?

...porque andavam cansadas e desgarradas,


como ovelhas que não têm pastor.
(Mateus 9:36)

Talvez se sinta assim: perdido, abandonado, frustra-


do, perplexo, temeroso, ansioso, esgotado. Jesus está a
vê-lo, tal como viu a multidão. Ele tem compaixão de si.
Ele deseja curá-lo onde a ferida dói mais.
Primeiro tem que entender a verdadeira natureza da
rejeição. Como ocorre a rejeição? O que provoca o feri-
mento? Quando respondermos a estas perguntas, então
podemos questionar, “Como podem ser tratadas as feri-
das da rejeição?”
Por volta de 1964, ministrei muitas vezes a pessoas
que se encontravam viciadas em substâncias tais como
nicotina ou álcool. No entanto, rapidamente descobri
que vícios como estes são apenas pequenos galhos pro-
venientes de um ramo maior. Normalmente o ramo que
os sustém é algum tipo de frustração. Então, a solução
mais prática é lidarmos com o ramo. Quando o ramo da
frustração é cortado, lidar com o galho do vício é relati-
vamente fácil.

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DEREK PRINCE

À medida que continuei a lutar com os problemas


pessoais dos indivíduos, comecei a descer gradualmente
pelo tronco da árvore até que cheguei à parte que está
abaixo da superfície - isto é, as raízes. É aqui que Deus
procura trabalhar nas nossas vidas.

E também agora está posto o machado à


raiz das árvores; toda a árvore pois que não
produz bom fruto, é cortada e lançada no
fogo.
(Mateus 3:10)

Por onde é cortada a árvore? Pelas raízes. Quando


entrei abaixo da superfície, fiz uma descoberta que a
princípio me surpreendeu. Uma das raízes mais comuns
dos problemas pessoais é a rejeição.

Uma das raízes mais comuns


dos problemas pessoais é a rejeição.

Cheguei a esta conclusão, não como sociólogo ou


psicólogo, mas como pregador e ensinador bíblico.
Já alguma vez viu uma criança pequena nos braços
do seu pai? Uma mão pequenina segura a gola do casaco
do seu pai enquanto a sua cabeça se encosta firmemente
ao seu peito forte e protector. À volta podem existir todo

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O Remédio de Deus para a Rejeição

o tipo de pressões e tensões, mas a criança não se sen-


te ameaçada. A sua face demonstra segurança total. Ele
está onde pertence - nos braços do seu Paizinho.
Deus planeou a natureza humana de forma que to-
dos os bebés nascidos no mundo pudessem desfrutar
deste tipo de segurança. Uma criança nunca pode estar
totalmente satisfeita, realizada, ou segura sem o amor
paternal, especialmente o amor de um pai.
Qualquer pessoa que tenha sido privada deste tipo de
amor é inevitavelmente exposta à raiz de rejeição. Qua-
se toda uma geração de pais americanos desapontou os
seus filhos. Como resultado, temos uma geração de jo-
vens cujo maior e mais profundo problema é a rejeição.
Perante este quadro de relacionamentos desfeitos en-
tre pais e filhos, temos que acrescentar as estatísticas de
casamentos falhados. Hoje em dia isso perfaz metade de
todos os casamentos. Quase sempre, uma ou ambas as
partes saem com uma ferida de rejeição. Muitas vezes, é
acrescentada a dor da confiança traída.
Ao considerarmos as pressões da sociedade de hoje
em dia, particularmente a rotura da vida familiar, a mi-
nha convicção é que pelo menos metade das pessoas dos
Estados Unidos sofrem de algum tipo de rejeição. Sem
dúvida Deus anteviu esta crise de relacionamentos des-
feitos no fim dos tempos, quando deu esta promessa a
Malaquias:

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DEREK PRINCE

Eis que eu vos enviarei o profeta Elias,


antes que venha o grande e terrível dia do
SENHOR; E ele converterá o coração dos
pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus
pais; para que eu não venha e fira a terra
com maldição.
(Malaquias 4:5-6)

O resultado final da rejeição causado por relacio-


namentos desfeitos é uma maldição. No entanto, para
aqueles que se voltarem para Deus através de Jesus, Ele
providenciou cura para esta maldição.
Que forma terá esta cura? Qual é o oposto de rejei-
ção? Aceitação, claro. Isto é precisamente o que Deus lhe
oferece quando se chegar a Ele através de Jesus. “... nos
fez agradáveis a Si no Amado.” (Efésios 1:6) - isto é, em
Jesus.
A palavra original grega traduzida aqui por “agradá-
veis” é muito poderosa. O seu significado vai mais além
do que a mera aprovação. Na nova versão King James
em Lucas 1:28, a mesma palavra grega foi traduzida por
“grandemente favorecido”.
Quando se chega a Deus através de Jesus, você é acei-
te e grandemente favorecido tal como o próprio Jesus o
é. Por mais espantoso que pareça, Deus ama-o da mes-
ma forma que ama Jesus. Tornou-se um membro da Sua
própria família.

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O Remédio de Deus para a Rejeição

Quando chegas a Deus através de Jesus,


Deus ama-te da mesma forma que ama Jesus.

O primeiro passo para se ultrapassar a rejeição é re-


conhecer o problema. Uma vez que reconheça o proble-
ma, já pode lidar com ele. Não está só; Deus vai ajudá-lo
a identificar o problema.
Deixe-me dar-lhe uma ilustração prática. Durante a
II Guerra Mundial, quando fui destacado como assis-
tente médico para o deserto do Norte de África, estive
a trabalhar com um homem que era um excelente mé-
dico. Um avião inimigo lançou uma bomba que caiu al-
gures perto de nós. Um dos nossos soldados foi atingido
por um estilhaço. Ele chegou ao posto médico com um
pequeno buraco preto no seu ombro. Então assisti-o
prontamente, limpando a sua ferida, tentando proceder
da melhor forma, quando perguntei ao médico, “Faço
um penso?”
O médico disse, “Não, dá-me a sonda.” Então dei-lhe
o pequeno instrumento prateado, e ele pô-lo na ferida
e girou-o. Nada aconteceu durante uns momentos. De
repente, a sonda tocou o pequeno pedaço de granada e o
paciente soltou um grito. O médico sabia ter encontrado
o problema.
Quando voltei a perguntar se devia trazer o penso,
o médico respondeu, “não, traz-me os fórceps.” Ele in-

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DEREK PRINCE

troduziu os fórceps e removeu o pedaço de estilhaço. Só


então é que ele quis fazer o penso.
Você pode estar a pôr um pequeno penso de religião
sobre uma ferida que não pode ser curada porque há
algo lá dentro que faz com que ela infecte. No entanto,
se abrir o seu coração ao Espírito Santo, Ele revelará a
fonte do problema. Se a sonda do Espírito Santo tocar
um pedaço de granada, grite se quiser, mas não resista!
Peça-lhe que use os seus fórceps para remover o proble-
ma. Então Deus poderá aplicar algo que vai na realidade
curá-lo.
À medida que prosseguir a leitura, irá descobrir
como pode passar da rejeição para a aceitação. Ao longo
do caminho, também irá aprender a lidar com a traição
e a vergonha. Após isso, mostrar-lhe-ei como deixar o
divino amor de Deus fluir através de si para os outros.
Lidei com muitas, muitas pessoas que com sucesso
reconheceram e recuperaram das feridas de rejeição.
Pela graça de Deus você pode ser uma dessas pessoas.

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2
AS CAUSAS
DA REJEIÇÃO
DEREK PRINCE

Todos os relacionamentos humanos estão sujeitos à


rejeição. Por vezes a rejeição surge durante os anos de
escola. Talvez tivesse usado roupas em segunda mão,
ou fosse de raça diferente, ou tivesse um defeito físico
que o fizesse ser posto de parte ou ridicularizado na sua
escola. Muitas pessoas sentem-se perturbadas por aque-
les que são diferentes. Se não sabem como se identificar
consigo, então rejeitam-no.
A forma mais destruidora de rejeição surge quando
uma criança sente rejeição da parte dos pais. Existem
talvez três situações principais que podem causar esta
ferida. Primeiro, a criança talvez não tenha sido deseja-
da durante a gravidez. A mãe pode trazer no seu ventre
uma criança que ela, de facto, não desejou. Ela pode não
dizer nada, mas a atitude está no seu coração. A crian-
ça pode ter sido concebida fora do casamento. Ela pode
detestar esta coisa que se está a intrometer na sua vida e
que lhe vai trazer todo o tipo de problemas. Esta criança
pode nascer com um espírito de rejeição.
Descobri um fenómeno espantoso ao ministrar às
pessoas nos Estados Unidos. Era comum encontrar
pessoas de uma certa faixa etária que tinham este senti-
mento de rejeição desde muito cedo. Remontei à origem
deste sentimento, descobri que todos tinham nascido
durante a época da Grande Depressão. Cheguei à con-
clusão de que nessa altura, uma mãe com muitas bocas
para alimentar mal podia aguentar o pensamento de

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O Remédio de Deus para a Rejeição

ter que cuidar de mais uma criança. A sua atitude fe-


riu aquela criança mesmo antes de esta ter saído do seu
ventre.
A segunda situação é quando os pais não mostram,
de uma forma física, amor pelos seus filhos. Houve uns
autocolantes com a seguinte pergunta, “Já abraçou o seu
filho hoje?” Essa é uma boa pergunta. Uma criança que
recebe pouco afecto ou contacto físico, tem tendência a
tornar-se uma criança rejeitada.
Mesmo que os pais amem o seu filho, podem não
saber expressar o seu amor. Recentemente falei com
pessoas que me disseram, “Suponho que o meu pai me
amava, mas nunca soube demonstrá-lo. Durante toda a
sua vida ele nunca me sentou no colo; nunca fez nada
que demonstrasse que me amava.” Pode acontecer tam-
bém a criança sentir rejeição da parte da mãe, mas em
qualquer dos casos a criança pensa, “Não sou desejada.”
Se falar com muitas crianças hoje em dia que são
amargas e rebeldes para com os seus pais, elas irão dizer-
lhe o seguinte: “Os nossos pais deram-nos roupas, edu-
cação, um carro e uma piscina, mas nunca nos deram
tempo. Nunca se deram a si próprios.”
A meu ver, esta é uma das razões para a reação amar-
ga e rebelde dos jovens dos anos 60 para com as gerações
mais velhas. Foi uma reação contra o materialismo des-
provido de amor. Muitos desses jovens que se tornaram
tão amargos e rebeldes, provinham de lares privilegia-

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DEREK PRINCE

dos financeiramente. Tinha-lhes sido dado tudo menos


amor, que era o que eles mais queriam e precisavam.
Este tipo de rejeição também pode afectar uma
criança cujos pais se tenham divorciado. Normalmente
é a mãe quem tem que cuidar da criança sozinha. Uma
criança que provenha desse divórcio, pode ter tido um
relacionamento caloroso e amoroso com o seu pai, mas
de repente o pai já não se encontra ali. A sua saída cria
uma profunda dor no coração da criança.
Se o pai se foi embora com outra mulher, a reação da
criança é dupla: amargura contra o pai e ódio contra a
outra mulher. O que a criança tem agora é uma profun-
da ferida de rejeição, algo que diz, “A pessoa que eu mais
amava e confiava abandonou-me. De agora em diante
não posso confiar em mais ninguém.”
Muitas vezes, a mãe também, devido às muitas res-
ponsabilidades que passam a pesar sobre ela, pode não
ser capaz de dar à criança o afeto a que esta estava ha-
bituada. Neste caso a criança experimenta uma dupla
rejeição: do pai e da mãe.
Uma terceira circunstância que produz rejeição
ocorre quando irmãos sentem diferença no afeto por
parte dos pais, quer seja intencional ou não. Reparei que
numa família com três filhos o primeiro pode ser uma
criança esperta e que sabe todas as respostas. Como pri-
meiro filho, goza de uma prioridade natural. O segun-
do filho nasce e não é tão brilhante. O terceiro filho é

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O Remédio de Deus para a Rejeição

muito engraçado e inteligente. O segundo filho sente-se


constantemente inferior em relação aos outros. De algu-
ma forma os pais estão constantemente a elogiar o filho
mais velho ou o mais novo, mas pouco dizem acerca do
filho do meio. Em muitos casos essa criança sente-se re-
jeitada e não desejada. Ele ou ela pensa, “Os meus pais
amam o meu irmão mais velho e a minha irmã mais
nova, mas não me amam a mim.”
Por outro lado, em vez de uma criança na família ex-
perimentar rejeição, por vezes recebe uma injusta me-
dida de amor e atenção em relação aos seus irmãos. As
outras crianças, só por se compararem com essa criança
mais favorecida, sentem-se rejeitadas.
Lembro-me de uma história sobre uma mãe que ti-
nha várias filhas mas favorecia uma acima das outras.
Um dia ela ouviu um som noutro quarto. Pensando que
era a filha que ela amava particularmente, disse, “És tu
querida?” Em resposta ouviu-se a voz de desencoraja-
mento de outra filha, “Não, sou apenas eu.”
Então a mãe apercebeu-se do impacto que o seu
favoritismo por aquela filha tinha sobre as outras. Ela
arrependeu-se e empenhou-se em reparar os relaciona-
mentos destruídos com todos os seus filhos.
Deixe-me dar-lhe um outro exemplo de como a re-
jeição pode surgir muito cedo, e do impacto espiritu-
al que ela pode ter sobre uma criança. Há muitos anos
atrás eu estava a dirigir algumas reuniões numa igreja

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DEREK PRINCE

em Miami. Enquanto visitava um dos paroquianos em


sua casa algumas noites antes, tinha feito algo que rara-
mente faço. Eu disse à senhora, “Irmã, se não estou em
erro, você tem um espírito de morte.”
Ela tinha todas as razões para ser feliz, mas nunca o
fora. Tinha um bom marido e filhos, no entanto era raro
sorrir ou sentir-se feliz. Ela era como uma pessoa que
estava constantemente de luto. Embora raramente faça
esse tipo de afirmação em relação a alguém, senti que
tinha que lhe dizer algo nessa noite.
Então disse, “Sexta-feira à noite vou pregar em Mia-
mi. Se vier eu vou orar por si.”
No início da reunião, reparei nela sentada na fila da
frente. Mais uma vez fiz algo que normalmente não faço.
A certa altura da reunião, dirigi-me a ela e disse, “Espí-
rito de morte, em nome de Jesus, eu ordeno-te que me
respondas agora. Quando entraste nesta mulher?”
E o espírito, não a mulher, respondeu claramente,
“Quando tinha dois anos de idade.”
Eu perguntei, “Como entraste?”
Mais uma vez, foi o espírito que respondeu, “Ela sen-
tiu-se rejeitada; sentiu-se indesejada; sentiu-se sozinha.”
Mais tarde nessa noite, a mulher foi liberta do espíri-
to de morte, mas durante vários dias não parei de pen-
sar naquele incidente. Deu-me um novo entendimento
sobre o efeito que a rejeição pode ter na vida de uma
pessoa. Não é apenas má em si, mas também abre a por-

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O Remédio de Deus para a Rejeição

ta para várias outras forças negativas e destrutivas entra-


rem e gradualmente controlarem a vida de uma pessoa.
Rejeição é, sem dúvida, uma raiz da qual pode brotar
tudo o que é prejudicial.

Rejeição não é apenas má em si, mas também


abre a porta para várias outras forças negativas
e destrutivas entrarem e gradualmente
controlarem a vida de uma pessoa.

Desde essa altura lidei com várias centenas de pes-


soas que precisavam e receberam libertação dos efeitos
espirituais causados pela rejeição.
A mulher do exemplo que dei, estava visivelmente
perturbada, mas nem sempre a rejeição é visível exte-
riormente. Rejeição pode ser uma atitude interior es-
condida que arrastamos connosco. O problema reside
na área do espírito. Aprendi por experiência que toda a
emoção, reação e atitude negativas têm associadas a si
um espírito. Por trás do medo está um espírito de medo;
por trás da inveja está um espírito de inveja; por trás do
ódio está um espírito de ódio.
Isto não significa que cada pessoa que experimenta
medo, por exemplo, tenha um espírito de medo. No en-
tanto, uma pessoa que não tem auto controle e habitu-
almente ou sem restrição cede ao medo, provavelmente

21
DEREK PRINCE

irá abrir caminho para que um espírito de medo entre.


Depois disso a pessoa já não está no pleno controlo de
si própria.
Isto também se aplica a outras emoções como a in-
veja ou o ódio. Em muitos casos a rejeição abre o cami-
nho que os outros espíritos negativos seguem. Como já
referi, rejeição é uma raiz da qual podem brotar muitas
emoções e atitudes destrutivas.
Aqui está um exemplo de como tudo se pode desen-
rolar. Uma jovem sente-se rejeitada pelo seu pai e odeia-
o por ele ser crítico e nada amoroso. Este ódio chega a
um ponto em que ela já não se consegue abstrair dele.
Quando ela se torna adulta, casa e tem os seus pró-
prios filhos. A seu tempo, começa a sentir ódio por um
dos seus filhos. O seu ódio é constante e inexplicável,
mas ela não o consegue controlar. Isto é um espírito de
ódio. Quando o pai já não se encontra presente, o ódio é
dirigido a um outro membro da família.
Outro efeito do espírito de ódio; pode fazer com que
ela odeie todos os homens. Ela pode mesmo tornar-se
lésbica e evitar qualquer contacto normal com homens.
No próximo capítulo, vamos abordar outro tipo de
rejeição que muitas pessoas experimentaram em rela-
cionamentos muito próximos e profundos: confiança
traída. Também falo de como a vergonha muitas vezes
acompanha este tipo de experiência.

22
3
TRAIÇÃO
E VERGONHA
DEREK PRINCE

Já discutimos algumas das causas primárias da rejei-


ção na primeira infância. À medida que crescemos, ex-
pomo-nos à possibilidade de mais rejeição quando estão
a ser formados laços de relacionamentos mais íntimos.
Se somos rejeitados num destes relacionamentos, espe-
cialmente pelo cônjuge, a dor é agravada porque envolve
a confiança que foi quebrada, e assim se torna traição.
Tal como a maioria de outros ministros, inúmeras
vezes tenho aconselhado esposas que sentem ter perdi-
do tudo. Elas confiavam nos seus maridos e entregaram-
se sem reservas. Então os seus maridos deixaram-nas,
elas sentiram-se traídas. Também tenho falado com ma-
ridos que foram traídos pelas suas esposas. Tenho tam-
bém visto muitas outras formas de traição.
Já alguma vez foi traído? Como é que reagiu?
Quando alguém o trai, talvez diga, “Nunca mais me
vou abrir com ninguém. Nunca mais alguém terá opor-
tunidade de me magoar assim.” Isso é uma reação na-
tural, mas também muito perigosa. Vai expô-lo a um
segundo problema, estar na defensiva, que é a reação de
alguém que foi magoado demasiadas vezes. A defensiva
diz, “Está bem, vou continuar a minha vida, mas nunca
mais vou deixar alguém aproximar-se o suficiente para
me magoar assim outra vez. Vou manter sempre uma
parede entre mim e a outra pessoa.”
Sabe quem é que sofre? Você. A sua personalida-
de definha, tornando-se incompleta. Vai crescer como

24
O Remédio de Deus para a Rejeição

crescem as árvores quando o seu tronco principal é cor-


tado duma forma distorcida.
Em Isaías encontramos um quadro vívido de como é
a traição. O Senhor estava a confortar o Seu povo Israel
através de Isaías. Deus descreveu-lhes um quadro da sua
condição tal como Ele via: Comparou-os a uma esposa
que fora rejeitada pelo seu marido. Esta mesma situa-
ção é devastadora e demasiado familiar para milhões de
mulheres nos dias de hoje, mas o Senhor ainda fala com
estas mesmas palavras confortantes:

Não temas, porque não serás envergonha-


da; e não te envergonhes, porque não serás
humilhada; antes te esquecerás da vergonha
da tua mocidade, e não te lembrarás mais
do opróbrio da tua viuvez.
Porque o teu Criador é o teu marido; o
SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o
Santo de Israel é o teu Redentor; que é cha-
mado o Deus de toda a terra.
Porque o SENHOR te chamou como a mu-
lher desamparada e triste de espírito; como
a mulher da mocidade, que fora despreza-
da, diz o teu Deus.
(Isaías 54:4-6)

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DEREK PRINCE

A ilustração atinge o seu auge no último versículo


com a imagem de “uma mulher desamparada e triste de
espírito; como a mulher da mocidade que fora despre-
zada.” Muitas de vós poderão saber o que é sentir isto.
Por vezes, passa-se o contrário; por vezes, a esposa
rejeita o seu marido. Embora vejamos os homens como
sendo, de alguma forma, mais fortes que as mulheres,
sei pelos muitos casos com que lidei, que um homem
que se sente rejeitado pela sua esposa pode sofrer uma
agonia profunda. Ele pode sentir que falhou como ho-
mem. De alguma forma, talvez seja mais difícil para o
homem experimentar esse tipo de dor, porque se sente
envergonhado por isso. A nossa sociedade espera que os
homens não sejam atingidos pela dor emocional.
Este quadro vívido em Isaías realça duas coisas que
estão comummente associadas à traição no casamen-
to. Através de Isaías o Senhor diz, “Não serás envergo-
nhada...Não serás humilhada.” Ter-se entregue a outra
pessoa sem reservas, ter derramado o seu amor sobre o
outro, ter-se disponibilizado para ele, e depois descobrir
que ele a rejeitou - a soma de tudo isto pode trazer ver-
gonha e humilhação.
Você está a sofrer de vergonha se de alguma forma
sente que não está em condições de estar com outras
pessoas, ou se não consegue olhar ninguém nos olhos.
As pessoas que sofrem de vergonha irão muitas ve-
zes desviar o olhar quando alguém se aproxima delas.

26
O Remédio de Deus para a Rejeição

Vergonha debilita-nos e impede-nos de funcionarmos


como seres humanos saudáveis.
Para além da traição que surge pelo divórcio, há duas
outras formas comuns pelas quais a vergonha afeta o es-
pírito de uma pessoa, através da humilhação pública e
do abuso infantil.
A humilhação pública acontece muitas vezes numa
sala de aula. Por exemplo, a minha esposa e eu conhecía-
mos um jovem e simpático rapaz judeu - vamos chamar-
lhe Max - que tinha aceite o Messias mas ainda tinha
alguns problemas. Ao falarmos com ele certa ocasião,
detetei uma certa vergonha nele. Quando lhe pergun-
támos acerca disso, lembrou-se logo da sua passagem
pelo liceu. No fim do ano escolar, o diretor anunciara
em frente de todos os outros que o Max tinha sido o
único que reprovara e teria que repetir as aulas no pró-
ximo ano.
A partir dessa altura, o Max nunca chegou a ser a
pessoa que deveria ter sido. Ele tentou ocultar o que sen-
tia. Tornou-se muito ativo e agressivo para tentar mos-
trar que era o melhor. No entanto, se tivermos que estar
sempre a lutar para provar que somos tão bons como os
outros algo está errado. O Max precisava de reconhecer
que a vergonha operava na sua vida.
Outra forma pela qual traição e vergonha surgem é
através do abuso físico ou sexual na infância. Ambos são
extremamente comuns na nossa sociedade. Uma crian-

27
DEREK PRINCE

ça pode não se sentir à vontade para falar a alguém so-


bre isso. Muitas vezes, o responsável pelo abuso é um
dos pais, avós, ou outro parente. A criança abusada nun-
ca sabe se pode ou não voltar a confiar nesse parente.
Consequentemente, a pessoa debate-se continuamente
com uma mistura de sentimentos: por um lado, falta de
confiança; por outro, a obrigação de mostrar respeito.
Como é que uma criança pode honrar um pai que abu-
sou dela?
Uma pessoa pode continuar pela vida fora sem nun-
ca resolver essa tensão. Permanece um segredo vergo-
nhoso. No entanto, pode sempre abrir-se com o Senhor
e dizer-Lhe todos os seus segredos escondidos. Nunca
vai chocá-Lo ou embaraçá-Lo, e Ele nunca o vai rejeitar.
Pode dizer-Lhe a pior coisa que alguma vez lhe acon-
teceu, e Ele vai responder, “Eu sempre o soube, e ainda
assim amo-te.”
Embora Deus nos ofereça plena aceitação, a nossa
perceção do Seu amor é muitas vezes bloqueada pelas
muitas consequências da rejeição, traição e vergonha,
que irei descrever no próximo capítulo.

28
O Remédio de Deus para a Rejeição


As
consequências
DA REJEIÇÃO

29
DEREK PRINCE

Creio que um dos principais efeitos da rejeição é a


incapacidade de receber ou comunicar amor.

Um dos principais efeitos da rejeição é a


incapacidade de receber ou comunicar amor.

Uma pessoa que nunca experimentou ser amada não


pode transmitir amor. As escrituras expressam esta ver-
dade da seguinte forma:

Nós O amamos a Ele (Deus) porque Ele nos


amou primeiro.
(I João 4:19)

É o amor de Deus que estimula o nosso amor por Ele


como resposta. O amor permanece adormecido até ser
estimulado por outra pessoa. Sem essa interação, o amor
nunca desperta.
Por este motivo, se uma pessoa não conhece o amor
de Deus ou dos seus pais, uma incapacidade de amar
pode ser passada de geração em geração. Por exemplo,
uma menina nasce no seio de uma família onde nun-
ca experimenta amor. Ela tem uma raiz de rejeição, por
isso não pode comunicar amor. Ela cresce, casa, torna-
se mãe, e tem uma filha. Como não consegue comuni-
car amor à sua filha, esta tem o mesmo problema. Desta

30
O Remédio de Deus para a Rejeição

forma, este problema terrível é perpetuado de geração


em geração.
Ao ministrar a tais pessoas, muitas vezes tenho dito,
“Alguma vez isto tem que parar. Porque não deixar que
aconteça agora para que não continue a transmitir re-
jeição à próxima geração? A rejeição é aquilo que quer
deixar para os seus filhos?”
Deus falou através de Ezequiel que as crianças não
deveriam ser obrigadas a sofrer pelo mal feito pelos seus
antecessores:

E veio a mim a palavra do SENHOR, di-


zendo: Que pensais, vós, os que usais esta
parábola sobre a terra de Israel, dizendo:
Os pais comeram uvas verdes, e os dentes
dos filhos se embotaram?
Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca
mais direis esta parábola em Israel.
Eis que todas as almas são minhas; como
o é a alma do pai, assim também a alma
do filho é minha: a alma que pecar, essa
morrerá.
Andando nos meus estatutos, e guardando
os meus juízos, e procedendo segundo a
verdade, o tal justo certamente viverá, diz o
Senhor DEUS.
(Ezequiel 18:1-4, 9)

31
DEREK PRINCE

Por isso, mesmo que os seus pais nunca lhe tenham


mostrado amor, Deus não quer que você ou os seus fi-
lhos sofram devido aos erros deles. Ao aceitar a provi-
são de Deus, pode arrancar de uma vez por todas essa
herança maligna.
Além da incapacidade de mostrar amor, existem ou-
tros efeitos secundários da rejeição. Eu diria que a re-
jeição produz três tipos de pessoas: a pessoa que cede, a
que aguenta, e a que luta contra isso.
Primeiro vamos analisar a pessoa que cede. Este tipo
de pessoa pensa, “Não consigo aguentar isto. É demasia-
do para mim. Não há nada a fazer.”
Pela experiência que tenho adquirido ao trabalhar
com este tipo de pessoas, aprendi que a rejeição abre um
caminho descendente para uma série de emoções ou ati-
tudes negativas que se processa da seguinte forma:

rejeição
solidão
auto-piedade
miséria
depressão
desespero ou falta de esperança
morte ou suicídio

32
O Remédio de Deus para a Rejeição

O resultado final é trágico. Muitos, param a tempo,


mas este é no entanto, o resultado lógico do processo
que é desencadeado pela rejeição. Tomar a forma de
morte ou de suicídio vai apenas depender da constitui-
ção emocional de cada pessoa. Alguém cujas reações são
essencialmente passivas irá eventualmente sucumbir à
morte. A rejeição é, de facto, um factor que contribui
para muitas mortes que são atribuídas a meras causas
naturais.
A pessoa que segue o caminho que leva à morte tem
dentro de si um desejo de morrer. Já alguma vez disse
algo semelhante a isto: “Mais valia morrer,” ou “Para que
vale viver?” Esta é uma forma muito perigosa de se falar.
É um convite ao espírito de morte.
Por outro lado, uma pessoa com uma atitude mais
agressiva irá optar pelo suicídio como uma solução radi-
cal. Tais pessoas podem também perguntar a si mesmas,
“Para que vale viver?” No entanto acrescentarão, “Posso
muito bem acabar com tudo.”
Muitas vezes, a pessoa mais agressiva vê o suicídio
como uma forma de magoar aqueles que lhe causaram
dor. O padrão de pensamento assemelha-se a: “Vou-me
vingar deles. Agora vão sofrer como eu sofri!”
As estatísticas mais recentes sobre suicídios entre os
jovens na América são assustadoras. Mais de cinco mil
jovens com idades compreendidas entre os cinco e os

33
DEREK PRINCE

vinte e quatro anos cometeram suicídio em 1990, segun-


do as estatísticas do Centro Nacional de Saúde.
Na maioria dos casos, a raiz não diagnosticada e cau-
sadora destes suicídios foi a rejeição. Provavelmente não
o conseguiam expressar por palavras, mas no seu íntimo
estes jovens sentiam-se indesejados e sem importância.
Está a começar a aperceber-se que tem alguns dos
sintomas que eu descrevi? Se acha que está a perder o
controle sobre as suas reações, é possível que não esteja
somente a lutar contra as suas atitudes negativas. Pode
existir uma força demoníaca em operação explorando
essas atitudes.
Não ignore esta possibilidade. Reconhecer o seu
problema pode ser um grande passo para o ultrapassar.
Num próximo capítulo, irei mostrar-lhe como orar con-
tra este tipo de influência maligna.
O segundo padrão de personalidade produzida pela
rejeição é o tipo de pessoa que se recusa a ceder e cria
algum tipo de defesa. Isto é, na realidade, uma fachada,
algo que encobre a luta e agonia interiores.
Alguém que está a construir uma defesa para si pró-
prio normalmente desenvolve um tipo de felicidade su-
perficial. A pessoa parece sair-se bem e é provavelmente
faladora, mas a voz soa a oco, com um som metálico.
Uma mulher com este tipo de fachada normalmente
exagera na maquilhagem. Os seus gestos são exagera-
dos. A sua voz é um pouco elevada de mais. Ela procura

34
O Remédio de Deus para a Rejeição

desesperadamente parecer feliz, como se não estivesse


magoada, como se nada lá dentro estivesse mal, como
se a sua vida fosse perfeita. O que na realidade ela está
a pensar é: “Fui tão magoada que nunca mais vou dar a
ninguém a oportunidade de me magoar assim. Não vou
deixar que ninguém se aproxime o suficiente para me
magoar.”
Este tipo de reação é normalmente a resposta à trai-
ção, tal como mencionei anteriormente. Existem muitos
milhares de pessoas assim na sociedade americana de
hoje.
O terceiro tipo de pessoa torna-se um lutador - aque-
le que luta contra tudo. A ordem pela qual as suas rea-
ções à rejeição se desenvolvem é normalmente a seguin-
te: primeiro, ressentimento; depois, ódio; e finalmente,
rebelião. Rebelião e feitiçaria são gémeas, de acordo com
as Escrituras.

Porque a rebelião é como o pecado da feiti-


çaria.
(I Samuel 15:23)

O pecado da feitiçaria significa participar no oculto,


ou seja, a procura de falsas experiências espirituais. O
oculto engloba coisas como mesas de Ouija, horósco-
pos, leitura da sina, sessões espíritas, drogas - toda essa
área. Este pecado é, de facto, a expressão da rebelião. É

35
DEREK PRINCE

afastarmo-nos do verdadeiro Deus e virarmo-nos para


um falso. É o quebrar do primeiro mandamento, “Não
terás outros deuses além de mim” (Êxodo 20:3).
Basicamente, a geração de jovens que cresceram nos
anos sessenta seguiu o caminho do ressentimento, ódio,
rebelião e, muitas vezes, do oculto. Tal como mencionei
anteriormente, não foi por lhes terem sido negadas as
coisas materiais. Antes, foi porque não se sentiram ama-
dos, que era aquilo que mais queriam.
A seguir, vamos descobrir o que Jesus fez para sarar
as feridas da rejeição.

36
O Remédio de Deus para a Rejeição

5
A DERRADEIRA
REJEIÇÃO

37
DEREK PRINCE

Tudo o que Deus providência no Evangelho é basea-


do em factos. Isto pode resumir-se progressivamente em
três palavras - factos, fé e sentimentos.

Tudo o que Deus providência no Evangelho


é baseado em factos.

O Evangelho é baseado em três simples factos: Cristo


morreu pelos nossos pecados de acordo com as Escri-
turas, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. I Co-
ríntios 15:3-4 mostra-nos que estes factos são a base de
todo o Evangelho. Estes são os factos.
A fé apropria-se destes factos. A fé começa com os
factos; ela aceita, crê e age com base neles. Depois, após
os factos e a fé, vêm os sentimentos.
Na sua vida, fará uma grande diferença se a sua fé
for baseada em factos ou em sentimentos. Se estiver ba-
seada em sentimentos você vai ser uma pessoa muito
instável e inconsistente. Os seus sentimentos podem
mudar à medida que as circunstâncias mudam, mas os
factos nunca mudam. Como Cristãos, se queremos fazer
progressos, temos que aprender a crer nos factos, mes-
mo quando os nossos sentimentos nos levam a duvidar
deles.
Para receber a provisão de Deus para a rejeição, exis-
tem dois factores básicos que é necessário entender. Pri-

38
O Remédio de Deus para a Rejeição

meiro que tudo, Deus não criou uma grande diversidade


de provisões para cada uma das várias necessidades da
humanidade. Em vez disso, Ele providenciou algo que
inclui tudo o que cobre cada uma das necessidades de
todas as pessoas: a morte sacrificial de Jesus na cruz.
Segundo, o que teve lugar na cruz foi uma troca que
o próprio Deus tinha planeado. Todas as consequências
terríveis dos nossos pecados vieram sobre Jesus para
que, em troca, todos os benefícios da obediência sem
pecado de Jesus ficassem à nossa disposição.

Todas as consequências terríveis dos nossos


pecados vieram sobre Jesus para que, em troca,
todos os benefícios da obediência sem
pecado de Jesus ficassem à nossa disposição.

Pela nossa parte, não fizemos nada para merecermos


isto, e não temos qualquer mérito ou direito ao qual pos-
samos apelar. Foi algo que procedeu unicamente do im-
perscrutável amor de Deus.
Por isso, é fútil aproximarmo-nos de Deus com base
em algum mérito ou virtude que imaginemos possuir.
Nada do que possamos oferecer de nós próprios pode
ser comparado com o mérito do sacrifício que Jesus ofe-
receu em nosso favor. Em contraste com o santo e puro
Filho de Deus, que morreu pelos nossos pecados, “todas

39
DEREK PRINCE

as nossas justiças são como trapos de imundícia” (Isaías


64:6).
Esta revelação maravilhosa foi resumida numa sim-
ples estrofe:

Quão soberano, maravilhoso, e perdoador.


É o amor de Deus por mim pecador!

À medida que lê os versículos seguintes, irá desco-


brir vários aspectos da troca que teve lugar na cruz.

Cristo nos resgatou da maldição da lei,


fazendo-se maldição por nós; porque está
escrito: Maldito todo aquele que for pendu-
rado no madeiro;
Para que a bênção de Abraão chegasse aos
gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé
nós recebamos a promessa do Espírito.
(Gálatas 3:13-14)

Àquele que não conheceu pecado, o fez pe-


cado por nós; para que nele fôssemos feitos
justiça de Deus.
(II Coríntios 5:21)

Porque já sabeis a graça de nosso Senhor


Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de

40
O Remédio de Deus para a Rejeição

vós se fez pobre; para que pela Sua pobreza


enriquecêsseis.
(II Coríntios 8:9)

...Jesus que fora feito um pouco menor do


que os anjos, por causa da paixão da mor-
te, para que, pela graça de Deus, provasse a
morte por todos.
(Hebreus 2:9)

Consegue ver a troca? Cristo tomou a nossa maldi-


ção para que pudéssemos receber a Sua bênção. Ele le-
vou o nosso pecado para que pudéssemos ter a Sua jus-
tiça. Ele tomou a nossa pobreza para que pudéssemos
ter a sua abastança. Ele tomou a nossa morte para que
pudéssemos receber a Sua vida. Não é maravilhoso?
Esta troca também tem implicações para nós no que
diz respeito à vergonha e rejeição. O escritor de Hebreus
disse:

Olhando para Jesus, autor e consumador


da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe estava
proposto suportou a cruz, desprezando a
afronta.
(Hebreus 12:2)

41
DEREK PRINCE

Jesus estava perfeitamente consciente da afronta e


humilhação pública que iria experimentar na cruz. De
facto, um dos principais objetivos da crucificação era
humilhar a pessoa. Esta era pendurada nua na cruz,
enquanto espectadores passavam e faziam comentários
depreciativos, por vezes fazendo mesmo coisas obsce-
nas, as quais não descreverei aqui.
Numa visão profética, Isaías vislumbrou os sofri-
mentos de Jesus séculos antes destes acontecerem:

As minhas costas ofereci aos que me fe-


riam, e a minha face aos que me arranca-
vam os cabelos; não escondi a minha face
dos que me afrontavam e me cuspiam.
(Isaías 50:6)

Jesus suportou voluntariamente na cruz toda a afron-


ta por nossa causa. O que é que Deus nos oferece em vez
disso? Mais uma vez, voltamos a Isaías.

Em lugar da vossa vergonha tereis dupla


honra; e em lugar da afronta exultareis na
vossa parte; por isso na sua terra possuirão
o dobro, e terão perpétua alegria.
(Isaías 61:7)

42
O Remédio de Deus para a Rejeição

Assim, em vez de vergonha, embaraço e humilhação,


Deus oferece-nos honra e alegria. Em Hebreus 2:10, le-
mos que através do sofrimento e morte de Jesus, Deus
tinha o propósito de trazer “muitos filhos à glória”.
Alegria, honra, glória - tudo nos é oferecido em lugar
de vergonha e humilhação. Agora chegamos à mais pro-
funda das feridas - rejeição. Jesus suportou uma dupla
rejeição: primeiro pelos homens e depois pelo próprio
Deus.
Isaías retratou claramente a rejeição que Jesus sofreu
da parte dos seus conterrâneos:

Era desprezado e o mais indigno entre os


homens, homem de dores e experimentado
nos trabalhos: e, como um de quem os ho-
mens escondiam o rosto, era desprezado, e
não fizemos dele caso algum.
(Isaías 53:3, ênfase dada pelo autor)

Mas ainda estavam para acontecer coisas piores ao


nosso Salvador. Os últimos momentos de Jesus na cruz
são descritos em Mateus:

E desde a hora sexta, houve trevas sobre


toda a terra, até à hora nona.
E perto da hora nona exclamou Jesus em
alta voz, dizendo: “Eli, Eli, lama sabactâ-

43
DEREK PRINCE

ni?”, isto é, “Deus meu, Deus meu, porque


me desamparaste?” (abandonaste NVI)
Alguns daqueles que estavam presentes,
ouvindo isto, disseram: Ele chama por
Elias. No mesmo instante um deles correu,
tomou uma esponja, ensopou-a em vinagre
e, pondo-a numa cana, deu-lhe de beber.
Mas os outros disseram: Deixa, vejamos se
Elias vem salvá-lo.
De novo dando Jesus um alto brado, expi-
rou.
O véu do santuário rasgou-se em duas par-
tes de alto a baixo,
(Mateus 27:45-51)

Pela primeira vez na história do universo, o Filho de


Deus orou, mas o Pai não lhe respondeu. Deus desviou
os Seus olhos do Seu Filho. Deus tapou os Seus ouvidos
perante o Seu clamor. Porquê? Porque naquela altura foi
identificado com o nosso pecado. A atitude de Deus o
Pai para com Jesus tinha que ser a atitude da santidade
de Deus para com o nosso pecado - recusa de qualquer
comunhão e absoluta rejeição. Jesus não suportou isso
para o Seu próprio bem, mas antes para fazer da Sua
alma uma oferta pelo nosso pecado.
Para mim tem muito significado o facto de Jesus ter
falado em Aramaico naquele momento agonizante na

44
O Remédio de Deus para a Rejeição

cruz. Tenho presenciado este tipo de comportamento


ao visitar pessoas no hospital. Quando as pessoas estão
debaixo de grande pressão, desesperadamente doentes,
possivelmente às portas da morte, muitas vezes usam
a língua que primeiramente aprenderam na sua infân-
cia. Tenho observado isto muitas vezes, mas lembro-me
muito claramente como foi com a minha primeira es-
posa, Lydia. No seu último fôlego, sussurrou, “Tak for
blodet; tak for blodet,” que significa “Obrigado pelo san-
gue” em dinamarquês, a sua língua materna.
Esta passagem dá-nos uma imagem muito clara da
humanidade de Jesus: ao sofrer intensa dor e agonia, a
Sua mente relembrou a língua que Ele falara na Sua terra
natal. Ele clamou em Aramaico.
Pense nessa terrível escuridão. Pense na solidão, o
sentimento de ser completamente abandonado - pri-
meiro pelos homens, depois por Deus. Você e eu talvez
tenhamos experimentado alguma medida de rejeição,
mas nunca desta forma. Jesus bebeu o cálice da rejeição
em toda a sua amargura. Ele deveria ter permanecido
vivo durante mais algumas horas na cruz, mas morreu
com um coração quebrado. O que é que partiu o Seu
coração? A rejeição máxima.
Veja então a consequência, tão dramática, tão ime-
diata:

45
DEREK PRINCE

O véu do santuário rasgou-se em duas par-


tes de alto a baixo,
(Mateus 27:51)

O que é que isso significa? Simplesmente que a bar-


reira entre Deus e o homem tinha sido removida. O ca-
minho estava aberto para que o homem se chegasse a
Deus sem vergonha, sem culpa, sem medo. Jesus tomou
a nossa rejeição para que pudéssemos experimentar a
Sua aceitação. Esse é o significado da cortina rasgada. A
rejeição por parte do Seu Pai foi mais do que o que Jesus
podia suportar. Mas, graças a Deus, para nós significa
acesso direto a Deus.
Veja agora como Deus planeou tudo e completou a
nossa aceitação:

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus


Cristo, que nos abençoou com toda a bên-
ção espiritual nas regiões celestes em Cristo,
assim como nos escolheu nele antes da
fundação do mundo para sermos santos e
sem defeito perante ele, e em amor nos pre-
destinou para sermos adotados como filhos
por Jesus Cristo para si mesmo, conforme o
beneplácito da sua vontade,

46
O Remédio de Deus para a Rejeição

para o louvor da glória da sua graça, a qual


nos deu gratuitamente no Amado,
(Efésios 1:3-6)

Qual era o propósito eterno de Deus, mesmo antes


da criação? Que fôssemos Seus filhos e filhas. Isso só po-
deria ser alcançado através da morte redentora de Jesus
na cruz. Quando Jesus suportou os nossos pecados e so-
freu a nossa rejeição, Ele abriu o caminho para a nossa
aceitação. Apenas naquele momento, Jesus perdeu o seu
estatuto de Filho de Deus, para que pudéssemos ganhar
a posição de filhos e filhas de Deus.
Esta passagem ilustra isso perfeitamente: “Para lou-
vor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a
Si no Amado” (v.6). Este é o remédio para a rejeição - o
entendimento de que Jesus suportou a sua rejeição para
que pudesse ter a Sua aceitação.
Pense na profundidade desta revelação! Somos o ob-
jeto do amor cuidadoso e atenção particular de Deus.
Somos o número um na Sua lista de coisas a cuidar em
todo o universo.

Somos o objeto do amor cuidadoso e atenção parti-


cular de Deus. Somos o número um na Sua lista de
coisas a cuidar em todo o universo.

47
DEREK PRINCE

Ele não nos encosta a um canto e diz, “Espera aí. Es-


tou ocupado. Agora não tenho tempo para ti.”
E nunca nenhum anjo diz, “Não faças barulho. O
Paizinho está a dormir.”
Deus diz, “Entra. És bem-vindo. Estou interessado
em ti. Eu amo-te e quero estar contigo. Estou há muito
tempo à tua espera.”
Na parábola do filho pródigo em Lucas 15:11-32, o
coração de Deus por nós é representado pelo pai, que
ansiava tanto pela volta do seu filho que estava lá fora
à espreita. Ninguém teve que lhe ir dizer, “O teu filho
regressou a casa”. O primeiro a saber foi o pai. A atitude
de Deus para connosco em Jesus é como a daquele pai.
Não somos rejeitados; não somos cidadãos secundários;
não somos escravos.
Quando o filho pródigo regressou, ele estava dispos-
to a ser um servo. Ele queria dizer, “Pai,... faz-me como a
um dos teus jornaleiros” (Lucas 15:18, 19). Mas, ao con-
fessar os seus pecados, o seu pai interrompeu-o e nunca
o deixou dizer, “Faz-me como um dos teus jornaleiros”.
Ao contrário, o pai disse, “Tragam a melhor roupa.
Calcem-no, ponham-lhe um anel no dedo. Matem o me-
lhor bezerro! Vamos ter uma festa. Porque este meu filho
estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado” (v.
22,23, 24).
Toda a casa se moveu para acolher o filho pródigo no
seu regresso. Passa-se o mesmo no céu. Jesus disse, “Ha-

48
O Remédio de Deus para a Rejeição

verá mais alegria no céu por um pecador que se arrepen-


de, do que por noventa e nove justos que não necessitam
de arrependimento” (Lucas 15:7). É assim que Deus nos
recebe em Cristo.
Aqui estão então os dois factores que deve ter em
conta. Primeiro que tudo, Cristo levou a nossa rejeição
na cruz, junto com toda a vergonha e traição, agonia e
dor. De facto, Ele morreu porque o Seu coração foi que-
brado.
Segundo, somos aceites por causa da Sua rejeição.
Somos aceites no Amado. Foi uma troca. Jesus supor-
tou o mal para que pudéssemos receber todo o bem. Ele
suportou as nossas tristezas para que pudéssemos ter a
Sua alegria.
Às vezes, tudo o que é preciso é tomarmos pos-
se destes dois factos. Alguns anos atrás, numa grande
reunião campal, quando ia a caminho do sítio onde ia
pregar, literalmente esbarrei com uma senhora que es-
tava a andar rapidamente na direção contrária. Quase
sem fôlego ela disse, “Oh, irmão Prince, eu estava a orar
que se Deus quisesse que eu falasse consigo, nós iríamos
encontrar-nos.”
“Bem,” disse eu, “encontrámo-nos! Qual é o proble-
ma? Eu posso apenas dispensar dois minutos porque
vou pregar agora.” Ela começou a falar, mas cerca de
meio minuto depois interrompi-a. “Espere, eu sei qual é
o seu problema. Não preciso de ouvir mais nada,” disse

49
DEREK PRINCE

eu. “O seu problema é rejeição. Tenho a resposta. Oiça,


quero que repita comigo esta oração.”
Não lhe disse antecipadamente aquilo que iria orar.
Simplesmente orei de improviso, e ela seguiu-me, frase
a frase.

Deus Pai,
Agradeço-te porque me amas; porque deste
o Teu Filho Jesus, para morrer a meu favor;
porque Ele suportou o meu pecado; Ele
levou a minha rejeição; Ele pagou a minha
dívida. Porque eu venho a Ti através dele,
eu não sou rejeitada; eu não sou indese-
jada; eu não sou excluída. Tu amas-me
verdadeiramente. Sou realmente Tua filha.
Tu és verdadeiramente o meu Pai. Pertenço
à Tua família. Pertenço à melhor família
do universo. O céu é a minha casa. Eu real-
mente pertenço. Obrigado Deus, obrigado.

Depois de termos terminado eu disse, “Ámen, adeus,


tenho que me ir embora,” e fui.
Cerca de um mês mais tarde, recebi uma carta dessa
senhora. Após ter descrito o encontro ela disse, “Quero-
lhe dizer que aqueles dois minutos que passou comigo
e a oração que eu fiz mudaram completamente a minha
vida. Tenho sido uma pessoa diferente desde então.”

50
O Remédio de Deus para a Rejeição

Ao ler a sua carta, entendi o que lhe tinha acontecido


no momento da oração: ela tinha passado da rejeição
para a aceitação.
A família de Deus é a melhor. Não há família que
se compare com a família de Deus. Mesmo que a sua
verdadeira família não tenha cuidado de si, o seu pai o
tenha rejeitado, a sua mãe nunca tenha tido tempo para
si, ou o seu marido nunca lhe mostre amor, tenha sem-
pre em mente que Deus se interessa por si. Você é aceite;
é grandemente favorecido; você é objeto do Seu especial
carinho e afeição. Tudo o que Ele faz no universo gira à
sua volta.
Paulo disse aos Coríntios - que não eram propria-
mente cristãos de primeira classe - “Tudo isto é por amor
de vós” (II Coríntios 4:15). Tudo o que Deus faz, faz por
nós. Quando entender isto não se irá sentir convencido
ou vaidoso - pelo contrário, isto fará sentir-se humilde.
Não há lugar para vaidade quando vemos a graça de
Deus.

Não há lugar para vaidade quando vemos


a graça de Deus.

É muito significativo que, antes da Sua crucificação,


a última oração de Jesus com os seus discípulos tenha
sido por aqueles que o seguiam na altura assim como

51
DEREK PRINCE

por aqueles que o seguiriam posteriormente. (Ver João


17:20.) Essa oração dizia respeito ao nosso relaciona-
mento com Deus como nosso Pai e terminava assim:

Pai Justo, o mundo não te conheceu, mas


eu te conheci, e estes conheceram que tu me
enviaste a mim.
E eu lhes fiz conhecer o teu nome...
(João 17:25-26a)

Como é que Jesus nos fez conhecer Deus? Como


Pai. Os judeus tinham conhecido Deus como Yahweh
durante catorze séculos, mas a única Pessoa que podia
apresentá-Lo como Pai era o Seu Filho. Nesta oração pe-
los Seus discípulos, por seis vezes Jesus dirigiu-se a Deus
como Pai (v. 1, 5, 11, 21, 24, 25).
Quando Jesus orou, “...e (Eu) lho farei conhecer
mais...” (v.26b), Ele estava a dizer que iria continuar a
revelar Deus como Pai. Então chegamos ao propósito
desta revelação:

...para que o amor com que me tens amado


esteja neles, e eu neles esteja.
(João 17:26c)

Eu entendo que isto significa que, porque Jesus está


em nós, Deus tem exatamente o mesmo amor por nós

52
O Remédio de Deus para a Rejeição

como tem por Jesus. Nós somos tão queridos para Deus
como o próprio Jesus. No entanto existe um outro as-
pecto. Porque Jesus está em nós, podemos amar Deus da
mesma forma que Jesus O amou.

Porque Jesus está em nós, podemos amar


Deus da mesma forma que Jesus O amou.

Isto representa o propósito máximo do ministério


de Jesus na terra: trazer-nos ao mesmo relacionamen-
to de amor que existe entre o Pai e o Filho. Isto tem
dois aspectos: o Pai não somente tem o mesmo amor
por nós como tem por Jesus, mas também podemos ser
recíprocos nesse amor e amar o Pai como Jesus ama.
O Apóstolo Amado disse-nos, “No amor não há te-
mor. Antes o perfeito amor lança fora o temor” (I João
4:18). À medida que desenvolvemos este relacionamen-
to de amor com Deus, não é deixado lugar para a culpa,
insegurança ou rejeição.
Talvez tenha memórias desagradáveis do seu pai na-
tural. Deus pretendia que cada pai demonstrasse aquilo
que Ele próprio é, mas muitos pais falham. No entanto,
ainda tem um Pai celestial que o ama, que o entende,
que pensa o melhor acerca de si, e que tem os melhores
planos para si. Ele nunca o abandonará, nunca o inter-

53
DEREK PRINCE

pretará mal, nunca tomará outro partido, nem nunca o


rejeitará.
Para alguns, a simples declaração da aceitação de
Jesus e da Paternidade de Deus resolve o problema da
rejeição. Mas para outros, isso pode não ser o suficiente
para resolver a questão. Se sente que a sua situação ainda
não está resolvida, pode precisar de mais ajuda. Siga-me
no próximo capítulo, onde eu explico alguns passos prá-
ticos que pode dar para tornar a provisão de Deus eficaz
na sua vida.

54
6
COMO APLIcAR
O REMÉDIO
DEREK PRINCE

Nesta altura já permitiu ao Espírito Santo sondar a


sua ferida, e Ele expôs o que estava a causar a dor e a in-
fecção. Está disposto agora a aceitar o remédio de Deus?
Se sim, existem cinco passos sucessivos que deverá se-
guir.

1º Passo: Reconheça a natureza do seu problema e


chame-o pelo nome - rejeição. Deus tem que nos trazer
sempre ao momento da verdade, mesmo que nos pareça
devastador e extremamente doloroso, antes de poder-
mos receber a Sua ajuda.

2º Passo: Faça de Jesus o seu padrão.

Pois também Cristo padeceu por nós,


deixando-nos o exemplo, para que sigais as
suas pisadas.
(I Pedro 2:21)

Como é que Jesus conheceu rejeição? Durante três


anos e meio, Ele deu completamente a Sua vida para
fazer o bem, para perdoar os pecados, para libertar os
oprimidos pelo diabo, para curar enfermidades. No
fim desse tempo, o governador romano deu opção de
escolha ao próprio povo de Jesus, os judeus. Ele estava
disposto a libertar ou Jesus de Nazaré ou um criminoso

56
O Remédio de Deus para a Rejeição

chamado Barrabás, que era acusado de insurreição po-


lítica e assassínio.
Perante uma das mais espantosas e trágicas decisões
de toda a história da humanidade, o povo rejeitou Je-
sus e escolheu Barrabás. Então, a multidão gritou, “Fora
com Jesus! Crucifiquem-no! Não O queremos. Quere-
mos Barrabás, o rebelde e assassino.”
Em resposta, Jesus orou por aqueles que O tinham
crucificado:

Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que


fazem.
(Lucas 23:34)

O segundo passo é então perdoar. Isto não é fácil de


fazer. De facto, por si só, você é incapaz de o fazer. No
entanto, não está só. Ao ter chegado até aqui, o Espírito
Santo está aí mesmo consigo. Se depender Dele, Ele irá
dar-lhe a graça sobrenatural que precisa.
Pode dizer, “Mas a pessoa que me magoou está mor-
ta, por isso, porque é que eu preciso de lhe perdoar?”
Quer a pessoa esteja morta ou viva, não tem importân-
cia. É para seu bem que está a perdoar, não para o bem
da outra pessoa.
Conheço um jovem cristão, um bom homem, que
ouviu esta mensagem. Ele entendeu que durante anos
tinha carregado amargura, ressentimento, ira e rebe-

57
DEREK PRINCE

lião contra o seu pai, que já falecera. Ele levou a sua es-
posa numa viagem de centenas de quilómetros até ao
cemitério onde o seu pai estava enterrado. Deixando a
sua esposa no carro, foi sozinho à sepultura do seu pai.
Ajoelhou-se ali e durante as horas que se seguiram des-
pejou todas as suas atitudes envenenadas. Só se levantou
quando soube que tinha perdoado o seu pai. Quando
saiu daquele cemitério, ele era uma pessoa diferente. A
sua esposa testemunha hoje que tem um marido novo
em folha. O seu pai tinha morrido, mas o seu ressenti-
mento estava bem vivo.
Há algo muito importante no relacionamento entre
pais e filhos. E em especial os jovens têm que se lembrar
disto.
Dos Dez Mandamentos, o único que tem uma pro-
messa diretamente relacionada com o mesmo, é o se-
guinte:

Honra a teu pai e tua mãe como o SE-


NHOR Teu Deus te ordenou, para que se
prolonguem os teus dias, e para que te vá
bem na terra que te deu o SENHOR Teu
Deus.
(Deuteronômio 5:16)

Pode estar certo disto: se não honrar os seus pais, a


sua vida nunca irá bem; mas se o fizer, Deus vai favo-

58
O Remédio de Deus para a Rejeição

recê-lo com uma longa e abençoada vida. (ver Efésios


6:2-3.)
Pode dizer, “A minha mãe era uma prostituta; o meu
pai um alcoólico. Espera que eu os honre?” Sim, espero
- não como prostituta, não com alcoólico, mas como sua
mãe e como seu pai. É um requisito de Deus.
Quando eu era novo convertido e batizado no Espí-
rito Santo, pensava que sabia muito mais que os meus
pais. Mark Twain brincou com isso uma vez quando
voltou para casa, após ter passado alguns anos fora, ficou
surpreendido com o quanto os seus pais tinham apren-
dido durante esse tempo! Bem, eu era assim, mas um dia
Deus mostrou-me este princípio: se queres que tudo te
vá bem, tens que aprender a honrar os teus pais. Ambos
os meus pais já faleceram, mas dou graças a Deus por
realmente ter aprendido a dar-lhes honra. Penso ser essa
uma das razões pelas quais tudo me tem corrido bem.
Tenho visto os dois lados deste princípio. Tenho vis-
to pessoas que honram os seus pais e são abençoadas,
e tenho visto aqueles que recusam fazê-lo e cujas vidas
nunca foram realmente boas. As suas vidas nunca foram
totalmente abençoadas por Deus.
A falha em perdoar é um dos maiores impedimentos
para a bênção de Deus. Este princípio também se aplica
ao relacionamento entre maridos e esposas. Lembro-me
de falar com uma senhora que me tinha procurado para

59
DEREK PRINCE

receber oração e libertação. Eu disse-lhe, “Vai ter que


perdoar ao seu marido.”
Ela disse, “Depois de ter arruinado a minha vida du-
rante quinze anos e no fim ter fugido com outra mu-
lher?”
Eu disse, “Bem, quer que ele arruíne o resto da sua
vida? Se sim, continue com esse ressentimento porque
vai ser o suficiente.”
Lembre-se, não é aquele de quem temos ressenti-
mento que sofre mais, mas sim aquele que está ressen-
tido. É como o que alguém disse acerca de um homem
com uma úlcera: “o mal não é o que o homem come; é o
que o está a comer.”
Perdão não é uma emoção; é uma decisão. Não diga,
“Não consigo.” De facto está a dizer, “Não quero.” Se
consegue dizer, “Não quero,” também pode dizer, “Eu
quero.” A sua natureza carnal pode não ser capaz de
perdoar, mas pode escolher perdoar pedindo a Deus
que opere em si e através de si o Seu perdão. Quando o
Espírito Santo o capacita (e Ele vai fazê-lo), você pode
perdoar - se quiser.

3º Passo: Faça uma decisão consciente para se ver


livre do mau fruto que a rejeição tem produzido na sua
vida, tal como amargura, ressentimento, ódio e rebelião.
Lembre-se daquele jovem no cemitério! Estas coisas são
como veneno! Se as alimentar no seu coração, irão en-

60
O Remédio de Deus para a Rejeição

venenar toda a sua vida. Irão causar problemas emocio-


nais profundos e muito provavelmente também proble-
mas físicos. Diga como uma decisão da sua vontade: “Eu
renuncio à amargura, ressentimento, ódio, e rebelião.”
Os conselheiros dizem aos alcoólicos recuperados,
“Ressentimento é um luxo que já não podem ter.” Isto é
verdade para todos nós. Ninguém pode suportar o res-
sentimento. É demasiado caro.

4º Passo: Neste passo você apenas necessita de re-


ceber e acreditar naquilo que Deus já fez por si.

(Deus) nos fez agradáveis a Si no Amado.


(Efésios 1:6)

Quando vem a Deus através de Jesus, você descobre


que já é aceite. Deus não tem filhos secundários. Ele não
o tolera apenas. Ele ama-o. Está interessado em si. Ele
preocupa-se consigo. Veja estas palavras maravilhosas
em Efésios:

(Deus) nos elegeu nele (Jesus) antes da fun-


dação do mundo, para que fôssemos santos
e irrepreensíveis diante dele em amor, e
nos predestinou para filhos de adopção por
Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o be-
neplácito da Sua vontade,

61
DEREK PRINCE

Para louvor e glória da Sua graça, pela qual


nos fez agradáveis a Si no Amado.
(Efésios 1:4-6)

O propósito de Deus para a eternidade era tornar-


nos Seus filhos, o que Ele cumpriu através da morte de
Jesus por nós na cruz. A única coisa que precisa de fazer
é acreditar que Deus quer que você seja Seu filho. Quan-
do vem a Deus através de Jesus, Ele já o aceitou.

5º Passo: Aceite-se a si mesmo. Por vezes este é o


passo mais difícil de todos. Eu digo aos cristãos, “Nun-
ca se menosprezem a vós mesmos. Nunca se critiquem.
Não foram vocês que se fizeram a vocês mesmos. Deus
é que vos criou.”
Em Efésios 2:10 lemos, “Somos feitura Sua.” A pa-
lavra Grega traduzida aqui como “feitura” é poiema, da
qual deriva a palavra inglesa poema. O seu significado
sugere uma obra artística. Somos as obras-primas de
Deus.

Somos as obras-primas de Deus.

De tudo o que Deus criou, Ele dedicou-nos a maior


parte do Seu tempo e atenção.

62
O Remédio de Deus para a Rejeição

O mais espantoso é que Ele escolheu o Seu material


duma sucata! Você pode estar a olhar para trás para um
registo de falhas e falsas partidas - um casamento falha-
do, filhos que seguiram maus caminhos, desastre finan-
ceiro. Pode rotular-se a si mesmo como um falhado, mas
Deus chama-lhe, “Meu filho, Minha filha.” Pode aceitar-
se a si mesmo porque Deus o aceitou. Quando você vem
a Deus em Jesus, torna-se uma nova criação.

Quando você vem a Deus em Jesus,


torna-se uma nova criação.

Assim, se alguém está em Cristo, nova cria-


tura é: as coisas velhas já passaram; eis que
tudo se fez novo.
E tudo isto provém de Deus que nos recon-
ciliou consigo mesmo por Jesus Cristo.
(II Coríntios 5:17-18)

Não pode avaliar-se a si mesmo com base na for-


ma como vivia antes de vir a Jesus, porque desde então
tornou-se uma nova criatura. Agora, o seu único e ver-
dadeiro padrão de auto-avaliação é aquilo que Deus diz
acerca de quem se tem tornado em Cristo. À medida
que vai declarando quem você é em Cristo de acordo

63
DEREK PRINCE

com a Palavra de Deus, irá começar a não fazer caso da


velha e negativa conversa sobre si mesmo, e aprender a
aceitar-se.
Seguiu estes cinco passos? Se sim, chegou a altura de
reivindicar a sua libertação e fazer uma oração que irá
selar aquilo que aprendeu sobre a aceitação de Deus por
si.
Pode simplesmente orar nas suas próprias palavras.
Mas se não está certo daquilo que deve dizer, aqui está
uma oração como padrão que pode seguir:

Senhor Jesus Cristo,


Eu creio que Tu és o Filho de Deus e o único caminho
para Ele. Morreste na cruz pelos meus pecados, e ressus-
citaste dos mortos. Eu arrependo-me de todos os meus
pecados e perdoo a todos tal como Deus me perdoa. Per-
doo todos aqueles que me rejeitaram e me magoaram e
falharam em dar-me amor, Senhor, e confio que Tu me
vais perdoar.
Eu acredito Senhor que Tu me aceitas. Agora mesmo,
pelo que Tu fizeste por mim na cruz, eu sou aceite. Sou
grandemente favorecido. Sou alvo do teu cuidado espe-
cial. Tu realmente amas-me. Tu queres-me. O Teu Pai é o
meu Pai. O céu é o meu lar. Sou um membro da família de
Deus, a melhor família do universo. Sou aceite. Obrigado!
Obrigado!

64
O Remédio de Deus para a Rejeição

Mais uma coisa, Senhor. Eu aceito-me como Tu me


fizeste. Sou uma obra Tua e agradeço-te pelo que fizeste.
Acredito que começaste em mim uma boa obra e que a
vais completar até ao fim da minha vida.
Agora Senhor, eu proclamo a minha libertação de
qualquer espírito maligno das trevas, que tomou vanta-
gem devido às minhas feridas. Eu liberto o meu espírito
para me regozijar em Ti. No Teu nome precioso, Amén.

Este é o momento de ser liberto de qualquer espírito


maligno que o tem atormentado. Se sente alguma força
a lutar contra a oração que acabou de fazer, isso é um
espírito maligno. Muito possivelmente, vai formar-se
uma palavra na sua mente - rejeição, ressentimento, au-
to-piedade, ódio, morte, ou outros nomes semelhantes.
Isso é o Espírito Santo revelando-lhe a identidade do seu
inimigo. Renuncie-lhe pelo nome e depois liberte. Não
importa a forma como se manifeste, tem que o expulsar.
Respire fundo, soluce, ou grite - mas faça-o sair!
Este é o momento pelo qual tem esperado. Não se
preocupe agora com a sua dignidade! Aceite toda a aju-
da que o Espírito Santo lhe quer dar.
Ao experimentar a libertação, comece a louvar a
Deus em voz alta: “Senhor, eu Te agradeço. Senhor, eu
Te louvo. Senhor, eu amo-te! Obrigado pela libertação.
Obrigado por me libertares. Obrigado por tudo o que
tens feito por mim.”

65
DEREK PRINCE

Agradecer a Deus sela a sua libertação. Agora está


pronto para a sua nova vida de liberdade.

66
7
ACEITAÇÃO
NA FAMÍLIA
DE DEUS
DEREK PRINCE

Resta mais um passo importante a dar para se alcan-


çar a aceitação completa: encontrar a aceitação do povo
de Deus. Isto significa descobrir o seu lugar no Corpo de
Cristo. Como cristãos nunca somos indivíduos isolados.
Somos trazidos a um relacionamento com os nossos
companheiros cristãos. Esse relacionamento é uma das
formas pelas quais a nossa aceitação é moldada na nossa
vida diária. Aceitação pelo nosso Pai celestial é o pri-
meiro e o passo mais importante. No entanto aceitação
também tem que se refletir nos nossos relacionamentos
com os nossos companheiros cristãos. Coletivamente,
os cristãos constituem um corpo, sendo cada cristão um
membro desse corpo. Como Paulo escreveu:

Porque assim como em um corpo temos


muitos membros, e nem todos os membros
têm a mesma operação,
Assim nós, que somos muitos, somos um só
corpo em Cristo, mas individualmente so-
mos membros uns dos outros.
(Romanos 12:4-5)

Uma vez que somos membros de um corpo, e cada


um de nós pertence a todos os outros, nunca podemos
encontrar satisfação total, paz ou aceitação à parte dos
outros membros.

68
O Remédio de Deus para a Rejeição

Porque também o corpo não é um só mem-


bro, mas muitos.
Se o pé disser: Porque não sou mão, não
sou do corpo; não será por isso do corpo?
E se a orelha disser: porque não sou olho
não sou do corpo; não será por isso do cor-
po?
(I Coríntios 12:14-16)

Você faz parte do corpo. Pode ser um pé, uma mão,


um ouvido, ou um olho. No entanto, está incompleto
sem o resto do corpo, e o resto do corpo está incompleto
sem si. Por isso é tão importante encontrar o seu lugar
no corpo.

O olho não pode dizer à mão, “Não tenho


necessidade de ti: nem ainda a cabeça aos
pés: Não tenho necessidade de vós.
Antes, os membros do corpo que parecem
ser os mais fracos são necessários.
E os que reputamos serem menos honrosos
no corpo, a esses honramos muito mais; e
aos que em nós são menos decorosos damos
muito mais honra.
(I Coríntios 12:21-23)

69
DEREK PRINCE

Assim sendo, nenhum de nós pode dizer ao nosso


irmão crente, “Não preciso de ti.” Todos precisamos uns
dos outros. Deus criou o corpo de forma que todos os
membros sejam interdependentes. Nenhum deles pode
ser eficaz funcionando sozinho.

Deus criou o corpo de forma que todos os membros


sejam interdependentes. Nenhum deles
pode ser eficaz funcionando sozinho.

Isso aplica-se a cada um de nós. Isso aplica-se a si.


Você precisa dos outros membros e eles precisam de si.
Encontrar o seu lugar no corpo vai tornar a sua aceita-
ção uma experiência real e diária.
Outra imagem dos cristãos que o Novo Testamento
nos dá é a de uma unidade familiar. Somos todos mem-
bros de uma mesma família. A grande oração que Je-
sus ensinou aos Seus discípulos começa com estas duas
palavras extremamente significativas, “Pai Nosso.” Isto
diz-nos duas coisas. Primeiro, temos um Pai que é Deus.
Isso significa que verticalmente somos aceites por Deus.
Mas a palavra a seguir é, nosso, e não meu, o que nos
diz que somos membros de uma família, com muitos
outros filhos da mesma família. A nossa aceitação só
acontece horizontalmente quando encontramos e nos
encaixamos no nosso lugar na família. Então encontra-

70
O Remédio de Deus para a Rejeição

mos aceitação vertical com Deus e aceitação horizontal


na família de Deus.

Assim que já não sois estrangeiros, nem


forasteiros, mas concidadãos dos Santos e
da família de Deus.
(Efésios 2:19)

A alternativa é sermos estrangeiros e forasteiros. Não


gostamos dessas palavras, estrangeiros e forasteiros. Eu
imigrei para os Estados Unidos em 1963 e só me tornei
cidadão em 1970. Durante sete anos fui um forasteiro
neste país. A maioria das pessoas que se tornam cida-
dãos à nascença, não tem ideia do que é ser um foras-
teiro.
No princípio de cada ano tinha que preencher um
documento para o Departamento da Justiça, informan-
do-os do local da minha residência. Eles tinham que
saber onde me encontrar caso tivessem perguntas para
me fazer - ou caso me quisessem deportar. Também não
podia votar nas eleições.
Se eu saísse do país, ao regressar tinha que perma-
necer numa fila diferente da dos cidadãos americanos,
para verificação do passaporte. Depois, junto com o
meu passaporte, tinha que apresentar um pequeno car-
tão verde, declarando que era residente estrangeiro.

71
DEREK PRINCE

Existem distinções e diferenças entre cidadãos e es-


trangeiros. De facto você não pertence enquanto é foras-
teiro. No entanto, Deus diz, “Já não és mais forasteiro.
Tu pertences. Estás inserido. Fazes parte da Minha famí-
lia.” No entanto, isto apenas se torna real para si quando
encontrar o seu lugar na família. O salmista escreveu:

Deus faz que o solitário viva em família...


(Salmo 68:6a)

Você está só? Há milhões de pessoas que estão. Não


se aperceberam que Deus providência famílias para os
solitários.

...Ele liberta aqueles que estão presos em


grilhões; mas os rebeldes habitam em terra
seca.
(Salmo 68:6b)

O propósito de Deus é inseri-lo numa família. Ao


fazê-lo, Ele quebra os grilhões que o amarram e trá-lo
para a felicidade. Somente aqueles que recusam a lide-
rança de Deus têm que habitar numa terra seca.
Possivelmente, está a pensar como é que poderia fa-
zer parte da família de Deus. Pode juntar-se a grupos
com muitos nomes diferentes - igreja, comunhão, mis-
são, e por aí adiante. O nome não é importante. Mas

72
O Remédio de Deus para a Rejeição

nem sempre é fácil encontrar o tipo de grupo que o vai


fazer sentir-se totalmente aceite. No meu livro Um Ca-
samento de Aliança, fiz uma lista de nove perguntas que
cada pessoa que procura um desses grupos deve fazer
antes de se integrar:

1. Honram e exaltam o Senhor Jesus Cristo?


2. Respeitam a autoridade das Escrituras?
3. Dão lugar ao mover do Espírito Santo?
4. Têm uma atitude amável e acolhedora?
5. Procuram exercitar a sua fé diariamente de uma
forma prática?
6. Constroem relacionamentos interpessoais entre
eles que vão além da mera participação em reuni-
ões?
7. Providenciam cuidado pastoral que englobe as
suas necessidades?
8. Estão abertos para o relacionamento com outros
grupos cristãos?
9. Sente-se à vontade e em casa no meio deles?

Se a resposta a todas ou à maioria destas perguntas


for afirmativa, está a aproximar-se. No entanto, continue
a buscar Deus até receber direção definitiva Dele. Mas
lembre-se que provavelmente não irá encontrar o grupo
perfeito.

73
DEREK PRINCE

Agora conhece a forma de escapar da sua solidão e


do sentimento de estar de fora. Faça parte de um orga-
nismo vivo, um corpo. Encontre o seu lugar e função, e
irá experimentar satisfação.
No fim do livro Um Casamento de Aliança, sugiro
uma oração para ser feita por quem procura o seu lugar
entre o povo de Deus, a qual incluo aqui. Se ela expressa
a forma como se sente, leia-a e ponha-a nas suas pró-
prias palavras. Assim, ela será a sua própria oração.

Pai Celestial,
Tenho estado só e incompleto, e reconhe-
ço‑o. Anseio “habitar na Tua casa” (Salmo
84:4), fazer parte de uma família espiri-
tual de crentes comprometidos. Se existem
quaisquer barreiras em mim, peço‑Te que
as removas. Guia-me a um grupo onde este
meu desejo possa ser satisfeito, e ajuda‑me
a fazer com eles o compromisso necessário.
No nome de Jesus, Amén.

Se fez esta oração com sinceridade, prometo-lhe que


algo vai acontecer na sua vida. Deus vai mover-se. Ele
vai dar-lhe nova direção e novos relacionamentos. Ele
irá abrir novas portas para si. Ele irá tirá-lo dessa terra
seca e fazer de si um novo membro da Sua família e uma
parte do Seu corpo.

74
8
O FLUIR DO
AMOR DIVINO
DEREK PRINCE

Numa breve revisão de toda a informação que já co-


brimos, aprendemos que muitas pessoas sofrem de feri-
das espirituais de rejeição, traição e vergonha. Algumas
causas específicas incluem negligência por parte dos
pais, divórcio, humilhação pública e abuso infantil.
Jesus providenciou cura para os nossos espíritos feri-
dos através de uma série de trocas realizadas na cruz. Ele
foi rejeitado por Deus e pelo homem para que pudésse-
mos ser aceites por Deus e pela família de Deus. Ele ex-
perimentou vergonha para que pudéssemos partilhar da
Sua glória. Ele passou pela morte para que pudéssemos
receber a Sua vida.
Reconhecer o que Jesus fez pode ser suficiente para
trazer libertação a alguns; outros poderão ter que dar
mais alguns passos. Estes são:

1. Deixar o Espírito Santo ajudá-lo a identificar


como ou onde tem sido ferido pela rejeição.
2. Perdoar as pessoas que o magoaram.
3. Largar os frutos destrutivos da rejeição tais como
ressentimento, amargura, ódio e rebelião.
4. Aceitar que Deus o aceita em Cristo.
5. Aceitar-se a si mesmo.

O resultado principal da rejeição é a incapacidade de


receber e de comunicar amor a outros. É por isso que a

76
O Remédio de Deus para a Rejeição

rejeição é um dos maiores impedimentos para o amor


divino.

O resultado principal da rejeição é a incapacidade


de receber e de comunicar amor a outros.
É por isso que a rejeição é um dos maiores
impedimentos para o amor divino.

Deus trabalha nas nossas vidas para nos trazer ao


conhecimento do amor divino.
Aqui não me estou a referir ao amor que Deus mostra
por nós, mas à forma pela qual o amor de Deus primeiro
flui em nós e depois através de nós para o mundo à nos-
sa volta. Neste processo existem duas fases sucessivas:
primeiro, o amor de Deus é derramado; depois o amor
de Deus é trabalhado. A primeira fase é uma experiência
sobrenatural tremenda; a segunda é a formação gradual
e progressiva do carácter de Deus em nós.
É elucidativo comparar este tipo de amor com o sim-
ples amor humano. Na minha juventude eu admirava
em especial os escritos de William Shakespeare. Shakes-
peare preocupava-se com duas experiências humanas,
o amor e a morte. Ele esperava que, de alguma forma, o
amor provesse um escape para a morte.
Nos seus sonetos apareceu alguém que veio a ser co-
nhecida como a “dama de negro.” Aparentemente, ela

77
DEREK PRINCE

era o objeto da paixão de Shakespeare, mas não o cor-


respondendo na totalidade. Num dos seus sonetos ele
tentou convencê-la que embora ela pudesse envelhecer,
o seu amor através da sua poesia torná-la-ia imortal.

Que és um dia de v’rão, amor, não sei se diga:


tens mais suavidade e tens mais formosura.
Em Maio o vento agreste frágeis botões fustiga
E o prazo dum v’rão bem pouco tempo dura.
Às vezes abrasante do céu brilha a pupila
E quantas no seu ouro a escuridão avança,
Às vezes da beleza todo o belo vacila
Quer seja por acaso ou natural mudança.
Mas teu perene v’rão, amor, nunca feneça
Nem perca a formosura que só a ti pertence,
Nem a morte de errar-lhe na sombra se envaideça
Quem no canto imortal o próprio tempo vence,
Enquanto alguém respire ou olhos possam ver
E viva este meu verso e te faça viver.1

Isto era o melhor que o seu amor lhe podia ofere-


cer - a imortalidade da sua poesia. Com toda a certeza,
sobreviveu mais de quatrocentos anos, mas a senhora
morreu.
Shakespeare tinha uma expectativa muito alta em re-
lação ao amor, e posso dizer que muito provavelmente,

78
O Remédio de Deus para a Rejeição

ele foi desapontado. Tendo eu mesmo tomado esse ca-


minho, penso que entendo o seu desapontamento.
Durante vinte e cinco anos procurei algo permanen-
te e satisfatório na poesia, filosofia, e no mundo, com
todos os seus prazeres e desafios intelectuais. Quanto
mais eu procurava, menos satisfeito me sentia. Não fazia
ideia daquilo que procurava. No entanto, quando Deus
se revelou a Si mesmo a mim e me batizou no Seu Es-
pírito, eu soube imediatamente que era isso que eu pro-
curara durante todo esse tempo. Eu assistira a reuniões
de igrejas durante vinte anos, mas nunca ninguém me
tinha falado sobre aquilo. Deus derramou sobre o meu
coração um amor trasbordante, que finalmente me sa-
tisfez completamente.
Agora vamos ver o que acontece quando amamos
as pessoas com a versão do amor de Deus - não a de
Shakespeare, mas a de Deus. Em Romanos lemos esta
declaração tremenda:

E a esperança não traz confusão, porquanto


o amor de Deus está derramado nos nossos
corações pelo Espírito Santo que nos foi
dado.
(Romanos 5:5)

A esperança, ou o amor, nunca traz confusão quando


está fixa em Deus porque o amor de Deus foi derrama-

79
DEREK PRINCE

do em nossos corações - a totalidade do amor de Deus.


Deus não retém nada. Ele apenas vira o balde ao contrá-
rio e derrama tudo quando nos dá o Seu Espírito Santo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, quando servi
no exército britânico como ajudante de médico ou assis-
tente, estive no estrangeiro durante cerca de quatro anos
e meio, principalmente no Norte de África, e depois no
que na altura era a Palestina. Passei um ano no Sudão,
que é uma terra seca e desértica. Para a mente humana
natural, nenhuma perspetiva do Sudão ou do povo su-
danês é muito atrativa. No entanto eu tinha sido batiza-
do no Espírito Santo, e Deus mostrou-me que tinha um
destino para mim naquele lugar. Ele começou a dar-me
um amor sobrenatural pelo povo sudanês.
O exército posicionou-me durante algum tempo
numa junção de caminhos-de-ferro chamada Atbara,
no norte do Sudão. Eu estava encarregue de uma peque-
na estação que acolhia pacientes militares. Penso que ti-
nha três camas. Trabalhei em conjunto com um médico
civil da cidade, mas pela primeira vez na minha carreira
militar eu era o meu próprio patrão. Também pela pri-
meira vez, tinha uma cama para dormir. Adicionalmen-
te, entre o equipamento reunido nesta estação de acolhi-
mento encontravam-se várias camisas de noite, brancas
e compridas. Naquela altura eu tinha passado cerca de
três anos a dormir só com a minha roupa interior, e es-

80
O Remédio de Deus para a Rejeição

tava farto disso. Então, aproveitei a oportunidade, vesti


uma camisa de noite e dormi numa cama.
Uma noite, quando estava deitado na minha cama, o
Espírito de Deus veio sobre mim enquanto eu intercedia
em oração pelo povo do Sudão. A oração não tinha nada
a ver com os meus sentimentos por eles, mas não conse-
guia dormir. Era movido por uma urgência interior, que
eu sabia ser o mover do Espírito Santo. Dei por mim a
orar com um amor sobrenatural muito acima do nível
daquilo que eu alguma vez poderia alcançar pela minha
própria razão ou emoções.
A meio da noite levantei-me e comecei a andar pelo
quarto. De repente apercebi-me que a minha camisa
de noite estava a brilhar. Compreendi que por aqueles
breves momentos eu me tinha identificado com o nosso
grande Intercessor celestial, o Senhor Jesus.
Mais tarde o exército transferiu-me para um peque-
no hospital num lugar miserável nas montanhas do Mar
Vermelho, onde a tribo local se chamava Hadundawa.
Eles eram um povo selvagem e violento que não conhe-
cia outra religião se não o Islão. Cerca de cem anos an-
tes, tinham travado uma breve batalha contra os Ingle-
ses. Nessa época, os soldados Ingleses tinham apelidado
os Hadundawa de “fuzzy-wuzzies” porque os homens
fixavam o seu farto cabelo com gordura de carneiro, tor-
nando-o muito espesso de forma a ficar levantado cerca
de 20 centímetros acima das suas cabeças.

81
DEREK PRINCE

Todos os meus companheiros estavam descontentes,


mas eu passei 8 dos melhores meses da minha vida ali,
porque Deus me tinha dado amor por este povo. Como
resultado, tive o privilégio de ganhar para o Senhor o
primeiro membro da tribo Hadundawa, que nunca ti-
nha professado fé em Cristo. Quando parti, foi com o
coração despedaçado por ter de me despedir daquele
homem e daquele lugar.
Naquela época no Sudão, experimentei uma pe-
quena porção do amor de Deus derramado por aquele
povo. No entanto, mais tarde entendi que era necessário
completar isto através do amor de Deus desenvolvido no
meu carácter.
Cerca de um ano mais tarde na Palestina, quando co-
nheci a minha primeira esposa Lydia, e vi as meninas de
quem ela tomava conta, o Senhor mais uma vez encheu
o meu coração do Seu maravilhoso amor. Naquela épo-
ca, nem eu ou a Lydia tínhamos quaisquer pensamentos
em relação a casamento, mas acabámos por casar. Mais
uma vez, Deus tinha derramado no meu coração o Seu
amor sobrenatural, mas ainda assim não me tornou a
pessoa que eu deveria ser. Muitas vezes eu era egoísta,
irritadiço, impaciente, centrado em mim mesmo, e in-
sensível, em nada disto refletindo o carácter ou imagem
de Cristo.
Compreendi então que uma experiência do derra-
mamento do amor de Deus é maravilhosa, mas há muito

82
O Remédio de Deus para a Rejeição

mais a ser feito para formar o nosso carácter. Deus tem


que nos levar do derramamento sobrenatural de amor
para a formação de um carácter que consistentemente
expressa o Seu amor.

Deus tem que nos levar do derramamento


sobrenatural de amor para a formação
de um carácter que consistentemente
expressa o Seu amor.

Isso é um processo, um longo processo, que requer


a paciência de Deus para connosco durante todo o seu
percurso.
Neste processo de formação de carácter, a maravi-
lhosa Palavra de Deus tem um papel fundamental.

Aquele que diz: “Eu conheço-o”, e não guar-


da os seus mandamentos, é mentiroso e nele
não está a verdade.
Mas qualquer que guarda a sua Palavra,
o amor de Deus está nele verdadeiramente
aperfeiçoado: nisto conhecemos que esta-
mos nele.
Aquele que diz que está nele também deve
andar como ele andou.
(I João 2:4-6)

83
DEREK PRINCE

Repare como este versículo menciona a Palavra de


Deus, não o Espírito de Deus. Não estamos a falar de
uma experiência sobrenatural, mas da firme e constante
formação do carácter que se desenvolve através da obe-
diência consistente à Palavra de Deus. Se fielmente se-
guirmos a direção de Jesus, caminhando como Ele em
obediência às Escrituras, o amor de Deus será gradu-
almente conduzido à plenitude ou maturidade em nós.

Se fielmente seguirmos a direção de Jesus,


caminhando como Ele em obediência às Escrituras,
o amor de Deus será gradualmente conduzido
à plenitude ou maturidade em nós.

Este versículo é como as duas faces de uma moeda.


Por um lado, a prova do nosso amor para com Deus é
que obedeçamos à Sua Palavra. Em vão podemos di-
zer que amamos a Deus quando não obedecemos à Sua
Palavra. Por outro lado, ao obedecermos à Sua Palavra,
Deus trabalha o Seu amor nos nossos caracteres. Estes
dois aspectos não podem ser separados pois formam
um todo.
O processo da formação de carácter tem sete fases
sucessivas, segundo o apóstolo Pedro:

84
O Remédio de Deus para a Rejeição

E vós também, pondo nisto mesmo toda a


diligência, acrescentai à vossa fé a virtude,
e à virtude a ciência,
E à ciência a temperança, e à temperança,
paciência e à paciência piedade,
E à piedade amor fraternal; e ao amor fra-
ternal, caridade.
(II Pedro 1:5-7)

Começamos pelo fundamento. “Pondo nisto mesmo


toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude”. O pon-
to de partida a partir do qual Deus começa tudo é a fé.
Não existe outro lugar por onde começar. Mas depois
de Deus nos ter dado fé, tem de haver um processo de
desenvolvimento de carácter.

Depois de Deus nos ter dado fé, tem de haver um


processo de desenvolvimento de carácter.

Vamos seguir estes sete passos sucessivos para a


formação de carácter, tal como os encontramos em II
Pedro 1:5-7.
“Acrescentai à vossa fé a virtude.” Para a palavra vir-
tude, gosto da tradução alternativa de “excelência.” Ex-
celência é a marca de um cristão. Não seja desleixado
naquilo que fizer. Se era porteiro antes de ser salvo, seja

85
DEREK PRINCE

um porteiro ainda melhor depois. Se antes era professor,


seja um professor ainda melhor depois. Se era enfermei-
ra, seja uma enfermeira ainda melhor. Temos que acres-
centar excelência à nossa fé.
Durante cinco anos, fui diretor de um instituto supe-
rior para treinamento de professores no Quénia. O meu
objetivo principal era ganhar os meus alunos para Jesus.
Quando eles aceitavam Cristo e eram batizados no Espí-
rito Santo, muitas vezes diziam-me, “Agora pode ser um
pouco mais brando comigo,” ou “Agora não vai esperar
tanto de mim por eu ser um Cristão.”
Eu respondia, “Pelo contrário, agora espero muito
mais de vocês. Se conseguiam ser professores sem Cristo
e sem o batismo, devem ser duas vezes melhores profes-
sores quando têm Jesus e o batismo. Vou esperar mais,
não menos.”
Deus honrou o meu compromisso com a excelência.
No terceiro ano em que estive encarregue daquele ins-
tituto, a classe graduada era composta por cinquenta e
sete homens e mulheres bem treinados. Nos exames fi-
nais todos os alunos passaram em todas as disciplinas.
Um representante do departamento de educação do go-
verno do Quénia, que era responsável pelo treinamento
de professores, esteve presente. Ele felicitou-me pessoal-
mente e disse, “Em todos os nossos registos, nunca tive-
mos resultados assim.”

86
O Remédio de Deus para a Rejeição

Foi porque eu seguira o mandamento de excelência


dado nas Escrituras. Os resultados dos nossos exames
causaram maior impressão nas autoridades seculares do
que qualquer declaração doutrinal que pudéssemos ter
feito. Cristianismo não é desculpa para sermos desleixa-
dos. De facto, o cristão desleixado está a negar a sua fé.
“E à virtude a ciência.” Em primeiro lugar, isto sig-
nifica o conhecimento da vontade de Deus e o conhe-
cimento da Sua Palavra. O conhecimento secular, é por
vezes, muito importante de se adquirir, especialmente
no desenvolvimento das tarefas necessárias na sua vo-
cação. Mas mais importante ainda, é conhecer qual a
vontade de Deus para a sua vida em cada circunstância,
que pode ser descoberta estudando atentamente a Sua
Palavra.

“E à ciência (acrescentai) temperança.” Existe um


ponto para além do qual não conseguirá avançar no de-
senvolvimento do seu carácter se não aprender a contro-
lar-se a si mesmo, as suas emoções, as suas palavras, os
seus apetites, e todas as coisas que o motivam.

“À temperança (acrescentai) paciência.” Fique firme!


Mais uma vez, existe um ponto para além do qual nunca
irá avançar se não aprender a perseverar. Caso contrá-
rio, cada vez que estiver prestes a atingir o nível seguinte
de desenvolvimento acabará por desistir.

87
DEREK PRINCE

“À paciência (acrescentai) piedade.” A piedade ou


santidade, é desenvolvida ao permitir que o Espírito
Santo controle o seu temperamento e todos os aspectos
do seu ser.

“À piedade (acrescentai) amor fraternal.” Isto torna-


se o nosso testemunho corporativo para o mundo. Jesus
disse, “E por isto conhecerão que sois meus discípulos,
se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).

“Ao amor fraternal (acrescentai) amor (caridade)”—


divino, amor ágape. Este é o tipo de amor ideal, perfeito,
consumado, que Deus tem por nós. Começa quando o
Espírito Santo derrama o amor de Deus nos nossos cora-
ções. No entanto, culmina no desenvolvimento do nosso
carácter. A diferença entre amor fraternal e amor divino
é que no amor fraternal amamos o nosso irmão cristão
que nos ama; no amor divino amamos aqueles que nos
odeiam, que nos perseguem e que não têm amor, nem
são amáveis.
Isto traz-nos de volta à mesma questão da rejeição.
Qual é a prova de que está curado desta ferida? Será que
Deus lhe pode dar amor divino pela pessoa que o rejei-
tou? Pode voltar-se para um pai sem amor e dizer, “Eu
amo-te”? Consegue orar pelo seu ex-cônjuge e pedir a
bênção de Deus sobre ele ou ela? É a coisa menos na-

88
O Remédio de Deus para a Rejeição

tural do mundo, mas o amor de Deus é sobrenatural -


muito acima de qualquer coisa que proceda dos nossos
próprios esforços.
Esta é talvez uma das maiores bênçãos que acom-
panha a cura das feridas da rejeição, traição e vergo-
nha. Você pode tornar-se um vaso do amor de Deus
para outros que foram feridos tal como você foi.

89
O Remédio de Deus para a Rejeição

DEREK PRINCE
1 9 1 5 - 2 0 0 3

Derek Prince nasceu na Índia, filho de pais britâni-


cos. Teve formação escolar em Grego e Latim no Colégio
de Eton e na universidade de Cambridge, na Inglaterra.
Com 24 anos ele foi professor na Universidade Kings,
em Cambridge, onde ensinou filosofia moderna e clássi-
ca. Na segunda guerra mundial foi obrigado a entrar no
exército Britânico e foi colocado no norte de África. Le-
vou consigo a Bíblia como material de estudo filosófico,
a qual leu em alguns meses. Numa noite quando estava
sozinho numa barraca foi confrontado pela Palavra com
a realidade de Jesus Cristo.
Com este encontro com Jesus Cristo ele chegou a
duas conclusões:
• Primeiro: Jesus Cristo está vivo
• Segundo: a Bíblia é um livro que traz a verdade,
que é relevante e sempre atual.
Estas conclusões alteraram totalmente o curso da sua
vida.

91
DEREK PRINCE

Desde esta data dedicou a sua vida a estudar e ensinar


a Palavra de Deus. Entretanto adquiriu reconhecimento
internacional como um dos ensinadores da Bíblia mais
importantes desta época. O que faz o seu ministério ser
único não é a sua educação de alto nível nem a sua inte-
ligência mas o seu ensino direto, atual e simples. O Pro-
grama de rádio “Hoje com Derek Prince” é transmitido
diariamente em vários países (por exemplo em Chinês,
Espanhol, Russo, Mongoliano, Arábico e mais). Os estu-
dos dele, mais de 40 livros em mais de 100 línguas, 400
CD´s e 150 DVD´s tiveram grande influência nas vidas
de muitos líderes cristãos sobre todo mundo.
Em Setembro de 2003 depois duma vida longa e fru-
tífera, Derek Prince faleceu com a idade de 88 anos. De-
rek Prince Ministries, continuará a distribuir por todo o
mundo o ensino dele através dos diversos meios de que
dispõe, entre os quais: livros, cartas de ensino, cartões de
proclamação, áudio, vídeo, e conferências.
Existem no entanto, objetivos bem definidos no
DPM:
• Fazer chegar estes meios a locais onde ainda não
conhecem a Palavra de Deus.
• Contribuir para o fortalecimento da fé dos cristãos
em geral mas especialmente da fé dos que vivem em
comunidades cujo poder politico não permite a li-
berdade de expressão e circulação da Palavra Divina.

92
O Remédio de Deus para a Rejeição

DEREK PRINCE
P O R T U G A L

“Se não conseguires explicar um princípio duma


maneira simples e em poucas palavras, então tu pró-
prio ainda não o percebes suficientemente.”

Esta frase de Derek Prince caracteriza o seu ensino


bíblico. Estudos simples e claros que pretendem direcio-
nar o leitor para os princípios de Deus, tornando assim
possível uma maior abertura para reflexão e tomada de
posição perante a sua escolha.
Os estudos de Derek Prince têm ajudado milhões de
cristãos em todo mundo a conhecerem intimamente a
Deus e a porem em prática os princípios da Bíblia no
dia-a-dia das suas vidas.
DP Portugal deseja cooperar nesta edificação do
corpo de Cristo:

... com o fim de preparar os santos para o serviço


da comunidade, para a edificação do corpo de Cristo,
até que todos cheguemos a unidade da fé e ao pleno
conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à
medida completa da estatura de Cristo.
(Efésios 4: 12 e 13)

93
DEREK PRINCE

O nosso alvo é fortalecer a fé dos cristãos no Senhor


Jesus Cristo, através do ensino bíblico de Derek Prince,
com material (livros, cartas de ensino, cartões de pro-
clamação e mais tarde CD´s e DVD´s) na sua própria
língua!
Em mais de 100 países o DPM está ativo, dando a
conhecer o maravilhoso e libertador evangelho de Je-
sus Cristo. Esperamos que também se sinta envolvido e
encorajado na sua fé através do material por nós (DP
Portugal) fornecido.
A nossa principal atividade neste momento é tradu-
zir e disponibilizar trabalhos do Derek Prince em Portu-
guês. Como por exemplo:
Cartas de ensino: Distribuição gratuita 4 vezes por
ano de cartas de ensino orientadoras e edificadores so-
bre temas diversos da Bíblia.
Deseja saber mais sobre os materiais disponíveis e/
ou receber as cartas de ensino gratuitas? Informe-nos!
Ficamos à espera do seu contacto através de:

Derek Prince Portugal


Caminho Novo lote x, Feteira
9700-360 Angra do Heroísmo
Terceira, Açores.
Tel.: 295 663 738 • 927 992 157
Blog:www.derekprinceportugal.blogspot.pt
E-mail: derekprinceportugal@gmail.com

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O Remédio de Deus para a Rejeição

OUTROS LIVROS POR


DEREK PRINCE
(EM PORTUGUÊS)

• Como Passar da Maldição para Bênção


• Proteção contra o Engano
• Maridos e Pais
• Curso Bíblico autodidata

Novo:
• A Troca Divina
• O Poder da Proclamação
• Quem é o Espírito Santo?
• A Chave para um Casamento Duradouro.
• Graça ou Nada.
• O Fim da Vida Terrena… e AGORA?
• Os Dons do Espírito.
• Guerra Espíritual
• Os Alicerces da Fé Cristã
(uma série de três volumes)

Volume I – Os Alicerces da Fé
Arrependimento e Fé
Volume II – Do Jordão ao Pentecostes
O Propósito do Pentecostes
Volume III – Imposição de Mãos
Ressurreição dos Mortos
Julgamento Eterno

95
• Orando pelo Governo (nova edição)
• O Plano de Deus para o seu Dinheiro (nova edição)
• Bênção ou Maldição (nova edição)
• Expulsarão Demónios (nova edição)
• Arrependimento e Novo Nascimento
• A Redescoberta da Igreja de Deus
• O Destino de Israel e da Igreja
• A Cruz é Crucial

Cartões de Proclamação:

• A Troca Divina
• Digam-no os Remidos
• Somente o Sangue
• O Poder da Palavra de Deus
• O meu Deus Proverá
• O Espíríto Santo em mim
• Eu Obedeço à Palavra
• Emanuel, Deus Connosco
• Graça, a Imerecida Prenda