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UCSAL - Universidade Católica do Salvador

ENG137 - Fundações e Obras de Terra


Prof. Paulo Burgos
M.Sc. Geotecnia

CAPACIDADE DE CARGA
FUNDAÇÕES SUPERFICIAIS
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

• Denomina-se capacidade de carga de uma fundação a carga


máxima que pode ser aplicada sobre ela para causar ruptura do
solo ou provocar recalques além de limites aceitáveis.

• Os mecanismos de ruptura do maciço de solo foram inicialmente


estudados por Terzaghi (1943), sendo apresentados o modo de
ruptura geral e o modo de ruptura local.

• Vesic (1975) considera três modos de ruptura do maciço de solo,


sendo esses, modo de ruptura geral, modo de ruptura local e o
modo de ruptura por puncionamento, portanto, acrescenta um
terceiro modo de ruptura aqueles inicialmente definidos por
Terzaghi.
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

a) Ruptura Geral (Solo é compacto ou rijo, ruptura bem definida)

b) Ruptura Local (Solo é fofo ou mole, ruptura não é bem definida)

c) Ruptura por Puncionamento (Difícil de ser observada, o elemento estrutural de


fundação tende a afundar)
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Teoria de Terzaghi

Terzaghi (1943) desenvolveu uma teoria para o cálculo da


capacidade de carga de um sistema sapata-solo, considerando as
seguinte hipóteses básicas:

 Sapata é corrida, isto é, o comprimento L é bem maior do que a


largura B (L/B > 5), o que constitui um problema bidimensional;

 A profundidade de assentamento é inferior à largura da sapata, o que


permite desprezar a resistência ao cisalhamento da camada de solo
situada acima da cota de apoio da sapata. Implica, assim, em se
utilizar uma camada de sobrecarga (q = gh);

 O maciço de solo situado sob a base da sapata apresenta-se no caso


típico de ruptura geral.
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Teoria de Terzaghi (1943)

NT

C C

EP EP

Superfície potencial de ruptura do maciço de solo ORST


(Composta pelos trechos retilíneos OR e ST e por uma espiral logarítmica RS, formando
três zonas distintas I, II e II)
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Considere uma sapata retangular, com largura B e comprimento L,


assentada à profundidade h em relação a superfície do terreno. Ao
aumentar progressivamente a carga P aplicada à sapata e,
consequentemente, a tensão média transmitida ao solo (s = P/BL),
será atingida a tensão de ruptura (sr), ou seja, a capacidade de
carga do sistema sapata-solo.

NOTA: h = Df
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Teoria de Terzaghi – Equação Geral

sr = C Nc Sc + ½ g B Ng Sg + g Df Nq Sq

sr: Tensão de ruptura


C: Coesão do solo situado abaixo da base da fundação
g: Peso específico do solo correspondente a parcela de base e a parcela de
sobrecarga
B: Largura (menor dimensão) da fundação Em fundações só há o interesse
para finalidade de cálculo pelo
Df: Profundidade de assentamento da fundação peso específico efetivo
Sc, Sg e Sq: Fatores de forma (Tabela)
Nc, Ng e Nq : Fatores de capacidade de carga de Terzaghi. Esses fatores são
função, exclusivamente do ângulo de atrito do solo, situado sob a base da
fundação (Tabela)
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais
Tabelas - Fatores de Capacidade de Carga
(Vesic, 1975)
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Tabela - Fatores de Forma (De Beer, 1967)


Forma da Base Sc Sg Sq
Corrida 1,0 1,0 1,0
Retangular 1 + (B/L)(Nq/Nc) 1 - 0,4(B/L) 1 + (B/L)tgf
Circular e Quadrada 1 + (Nq/Nc) 0,60 1+ tgf

Nota: Para efeitos práticos, considera-se sapata corrida quando L/B > 5.
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais - Exercício

1. Calcular a capacidade de carga de ruptura (sr) empregando a Teoria de


Terzaghi para uma sapata corrida (2 x 12 m), conforme ilustração a seguir:

NT
0m
c´ = 30 kPa g = 16 kN/m3 Argila Siltosa

1,5 m
f´= 320

2m Areia Média
c´= 0 kPa g = 20 kN/m3
25,0 m f´=350

Rocha Sã

Como se trata de sapata corrida (L/B>5), temos: Sc=Sg=Sq=1

f=350, logo: Nc=46,12 Ng=48,03 Nq=33,30 Nq/Nc=0,72 tgf=0,70

sr = 0 + ½*20*2*48,03*1 + 16*1,5*33,30*1

sr = 1759,8 kPa (1,76 MPa)


Capacidade de Carga de Fundações Superficiais - Exercício

2. Calcular a capacidade de carga de ruptura (sr) empregando a Teoria de


Terzaghi para uma sapata corrida (2 x 12 m), conforme ilustração a seguir:

NT=NA
0m
c´= 26 kPa gsat= 18 kN/m3 Argila Siltosa

1,5 m
f´ = 280

2m Areia Média
c´= 0 kPa gsat= 22 kN/m3
25,0 m f´=350

Rocha Sã

Como se trata de sapata corrida (L/B>5), temos: Sc=Sg=Sq=1

f=350, logo: Nc=46,12 Ng=48,03 Nq=33,30 Nq/Nc=0,72 tgf=0,70

Nota: g´ = gsat - gw
sr = 0 + ½*12*2*48,03*1 + 8*1,5*33,30*1

sr = 976 kPa (0,98 MPa)


Capacidade de Carga de Fundações Superficiais - Exercício

3. Calcular a capacidade de carga de ruptura (sr) empregando a Teoria de


Terzaghi para uma sapata (1x1 m), conforme ilustração a seguir:

NT
0m
c´= 20 kPa g = 17 kN/m3 Argila Arenosa
f´= 300
1m

1m
c´ = 25 kPa g = 19 kN/m3 Argila Arenosa
18 m f´= 320
Rocha Sã

Como se trata de sapata quadrada, temos: Sc=1,65 Sg=0,60 Sq=1,62

f=320, logo: Nc=35,49 Ng=30,22 Nq=23,18 Nq/Nc=0,65 tgf=0,62

sr = 25*35,49*1,65 + ½*19*1*30,22*0,60 + 17*1*23,18*1,62

sr = 2274,6 kPa (2,27 MPa)


Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Parâmetros de Resistência e Peso Específico

Coesão.
Quando não se dispõe de resultados de ensaios de laboratório, a
estimativa da coesão não drenada (Cu), pode ser obtida conforme
Teixeira e Godoy (1996):

Cu = 10*N (kPa)

Ângulo de Atrito.
Quando não se dispõe de resultados de ensaios de laboratório, a
estimativa do ângulo de atrito (F), pode ser obtido conforme Godoy
(1983):

F = 28º + 0,4*N
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Peso Específico de Solos Argilosos (Godoy, 1972).


N Consistência g (kN/m3)
≤2 Muito mole 13
3a5 Mole 15
6 a 10 Média 17
11 a 19 Rija 19
≥ 20 Dura 21
Capacidade de Carga de Fundações Superficiais

Peso Específico de Solos Arenosos (Godoy, 1972).


N Compacidade g (kN/m3)
SECO ÚMIDO SATURADO
<5 Fofa
5a8 Pouco compacta 16 18 19

9 a 18 Medianamente compacta 17 19 20
19 a 40 Compacta
> 40 Muito compacta 18 20 21

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