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Dossier Sobre Hipnose Clínica

Breves lucubrações sobre a fenomenologia hipnótica:

I. História da Hipnose

O emprego da hipnose como ferramenta terapêutica é tão antigo como


humanidade. Conforme se pode constatar existem registos da utilização da Hipnose
que datam de mais de 2000 anos a.C., sendo que o seu uso científico ocorreu a partir
de 1776 quando, em Viena, o Dr. Franz Anton Mesmer desenvolveu um procedimento
psicoterapêutico que denominou de magnetismo animal. Houve vários nomes
significativos da história da humanidade dados ao mesmo procedimento, até que
James Braid rotulou a fenomenologia do transe como Hipnotismo, de onde derivou a
palavra Hipnose que permaneceu até aos nossos dias (Barabasz & Watkins, 2005). Já
em pleno século XX, o pai da Psicanálise, o austríaco Sigmund Freud, usou a hipnose no
tratamento da histeria infelizmente não compreendeu o fenómeno hipnótico
abandonando-o em detrimento da sua própria hipnose: a Psicanálise; também
conhecida como: Livre Associação de Ideias (Neuber, 2005).

O resgate da hipnose só surgiu anos depois. Primeiro, impulsionando o seu uso


nas duas grandes guerras mundiais, como opção de analgesia durante cirurgias
realizadas nos campos de batalha, e depois pelo notável trabalho desenvolvido pelo
psiquiatra americano Milton Erickson. Este médico notável desenvolveu técnicas novas
passíveis de aplicação médico-clínica em contextos de saúde, demonstrando a sua
aplicação prática e de inestimável valor científico. Este autor ganhou o
reconhecimento da hipnose não só das principais organizações americanas, mas da
comunidade científica internacional. Milton Erickson foi justamente apelidado, pelos
vários autores que lhe seguiram os passos, como: pai da hipnose moderna (Carvalho,
1959; Melchior, 1998; Rossi, 1981; Yapko, 1992; Neubern, 2004; Roustang, 1991).
Erickson (citado em Neuber, 2004), ao considerar a hipnose um estado livre e
expansivo de consciência e como uma forma de transmitir ideias, entendia que a
relação entre o terapeuta e o cliente poderia constituir-se como um poderoso
instrumento de mudança, capaz de auxiliar na reconfiguração da experiência dolorosa
do problema deste último. Para ele, a reconstrução de sentidos proposta pela terapia
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não estaria limitada a um insight intelectual, mas a uma mudança efetiva na vivência
do patologia e nas próprias percepções corporais da pessoa (Gonzalez Rey, 2007;
Neubern, 2004).

Graças aos seus esforços a prática da hipnose foi reconhecida na área de saúde,
como campo de formação e como recurso técnico capaz de contribuir nas resoluções
de problemas físicos e psicológicos, tanto do ponto de vista terapêutico como de
recurso coadjuvante. O seu trabalho explica como a hipnose tem sido usada para alívio
da dor, produzindo anestesia ou analgesia; em diferentes setores da clínica e cirurgia,
notadamente em obstetrícia; para o alívio dos estados de ansiedade e depressão,
qualquer que seja a sua causa; sendo obviamente usada na psicoterapia e psiquiatria;
no controle de alguns hábitos, como o tabagismo; como método de pesquisa e
experimentalmente em qualquer pesquisa, no campo psicológico ou neurofisiológico.

II. Hipnose, a sua definição


A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que “a Hipnose é uma mais-valia
e um dos maiores avanços na psiquiatria, já atua no campo terapêutico e como auxiliar
de controlo de doenças.” (OMS, Outubro de 1974).

Por seu lado a British Medical Association (BMA), que recomenda o seu uso
desde 1954, define hipnose como um "estado temporário e alterado de atenção do
sujeito", que pode ser induzido por um operador, e que podem acontecer vários
fenómenos, tanto espontâneos ou como resposta a estímulos verbais ou de outra
natureza (BMA, 1953).

A American Psychological Association (APA) define a hipnose como “um


procedimento no qual um técnico de saúde mental ou um investigador sugere a um
cliente, paciente ou sujeito de uma investigação, mudanças nas sensações, percepções,
pensamentos e comportamentos” (Divisão "Society of Psychological Hypnosis", 2004)

Entre os fenómenos experimentados pelo sujeito surgem alterações da


consciência e da memória assim como uma aumentada susceptibilidade ampliada pela
sugestão, e a produção no sujeito de resposta e ideias que não lhe são familiares em
condições normais de vigília. São unânimes as referências dos técnicos que um estado

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hipnótico é um estado de intensa concentração focada, com diminuição da consciência
periférica, onde o sujeito em transe presta mais atenção aos construtos psicológicos
endógenos, em detrimento dos exógenos, que pode utilmente facilitar procedimentos
diagnósticos e terapêuticos em psicoterapia e na medicina.

Um estado de hipnose é uma reacção psico-fisiológica complexa, de percepção


alterada, que abrange tanto os fenómenos psicológicos quanto os somáticos. É um
estado de “diminuição da consciência”, da atenção e de reacção metabólicas. O transe
hipnótico parece ser um estado psicofisiológico que acontece espontaneamente ou
pode ser provocado. Contudo, não é o estado de vigília, nem de sono, nem de sonho e
embora o sujeito em hipnose apresenta a aparência do sono, da meditação, da
catalepsia, mas conserva a sua consciência, embora modificada.

A aplicação da hipnose e a utilização dos Estados Modificados de Consciência em


Psicoterapia tem nos seus pressupostos uma mudança do paradigma científico
habitual. Referem os seus praticantes que a sua utilização, tendo em conta os
resultados práticos existentes, mas sobretudo fundamentando-se nas mais recentes as
investigações, deve ser considerada como tão ou mais eficaz que os similares.

III. Hipnose Clínica


Associação Médica Americana (AMA) reconheceu as vantagens do uso da
hipnose em 1958. A AMA define a hipnose como um “estado passageiro de atenção
modificada no sujeito, estado que pode ser produzido por outra pessoa e no qual
diversos fenómenos podem aparecer espontaneamente ou em resposta a estímulos,
que podem ser verbais ou de outro tipo” (In: AMA, Setembro de 1958). Estes
fenómenos compreendem uma mudança na consciência e na memória, uma
susceptibilidade aumentada à sugestão e o aparecimento no sujeito de respostas e
ideias que não lhe são familiares no seu estado anímico habitual (M. Simões, 2004).

IV. A Hipnose e a Psicologia


A hipnose é um estado modificado de consciência (altered states of
consciousness) no sentido da Psicologia Transpessoal. (Ludwig, 1966; Ludwig e Levine,

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1965; Tart, 1969). Referem os principais autores que o estado hipnótico é, assim, um
estado expansivo da mente, também designado por alfa já que esta é a frequência em
que é medido pelos ritmos e padrões do EEG. Após o reconhecimento oficial dos
padrões e registos electroencefalográficos característicos do transe hipnótico, que são
distintos do sono biológico, comprovou-se oficialmente a possibilidade do uso da
hipnose como um instrumento médico-clínico. Verificou-se também que os registos
encefalográficos no EEG de um sujeito em transe hipnótico, onde predomina a
frequência alfa, é diferente da situação de vigília (frequência beta) e do sono profundo
(frequência teta)” (Leal, 2005).

V. A Hipnose, enquanto técnica clínica


Hipnose pode ser considerada uma técnica diagnóstica e principalmente clinico-
terapêutica. Após aturados estudos ela tem demonstrado ser muito eficaz em
inúmeras áreas, sendo uma técnica verificável segura e científica, se utilizada por
profissionais competentes designados de hipnoterapeutas, mas também por médicos,
psicólogos e dentistas na sua prática clínica. Um bom profissional de saúde, com uma
adequada preparação e formação, está apto a apender e a utilizar esta interessante
ferramenta. A sua relevância e sucesso na promoção da mudança de determinados
padrões de pensamento e de comportamento e da reprogramação inconsciente da
percepção da patologia (exemplo: no controlo da dor, nas adições, controlo e gestão
de stresse), revela-se de valor incontornável na abordagem terapêutica.

VI. Características Psicofisiológicas da hipnose

Geralmente, um sujeito hipnotizado apresenta as seguintes características


(Bauer, 2004):
a. Fisiológicas:
i. Hipotonia acentuada
ii. Peso nas pálpebras com tendência a fecharem
iii. Inibição de movimentos voluntários, mas conservando a faculdade
motora
iv. Inibição parcial da sensibilidade
v. Ritmo alfa no Electroencefalograma (EEG)

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vi. Pouco consumo de oxigénio, reflectido pela diminuição acentuada do
metabolismo e uma ligeira baixa da temperatura.
b. Psíquicas:
i. Experimenta preguiça mental ou ligeira “tonteira”
ii. Tendência para amnésias (sobretudo nos estados mais profundos),
perdendo a noção do sentido espaço-tempo
iii. Hiper sugestionabilidade que pode modificar o sentido do eu
iv. Inibição parcial da vontade, mas conserva o sentido moral
v. O subconsciente liberta-se
vi. A consciência segue o seu curso normal, após saída do transe.

VII. A sugestionabilidade hipnótica


Refere Cláudia Carvalho, no seu estudo para validação da versão portuguesa da
Scale of Hypnotic Susceptibility, em 2006, estima-se que, em condições benéficas e de
concordância com a técnica, cerca de 90% dos indivíduos de qualquer idade e condição
social possam ser hipnotizados em transe leves, moderados e profundos. Apenas perto
de 10%, devido a mecanismos psicológicos de defesas, são refractários a qualquer
indução hipnótica (Carvalho, C. et al., 2006)

VIII. A investigação e desenvolvimento da hipnose


Geralmente, as pesquisas sobre a hipnose partem de uma ótica quantitativa
sendo que a fenomenologia hipnótica possui uma dimensão subjectiva muito rica e
que pode também ser aferida através de modernas técnicas da neuro imagem. Não
obstante, uma vez que o transe hipnótico remete para uma construção processual,
subjetiva e complexa, as pesquisas ou a prática clínica aprofundada sobre ela não pode
se restringir meramente a respostas específicas. Pelo contrário, necessita de uma
abordagem mais abrangente, que permita dialogar com a riqueza dessas construções,
as quais obedecem sobretudo a processos qualitativos singulares e não a uma ordem
estatística. É por meio de um processo interpretativo, inseparável da relação
terapêutica, que o investigador integra informações aparentemente distintas e pode
conceber a complexidade da fenomenologia hipnótica.

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IX. Investigação científica sobre a hipnose promovida em Portugal

Nos últimos tempos a investigação científica e o estudo académico nacional têm


sido muito fértil, no que respeita à produção de artigos e publicação de estudos em
Portugal. Associações, universidades e hospitais públicos portugueses têm contribuído
com estudos e investigação para a validação e desmistificação da fenomenologia
hipnótica. Apraz-nos verificar que o desenvolvimento e divulgação da hipnose em
Portugal está assente na produção de inúmeros artigos científicos sobre os efeitos da
hipnose em contexto psicoterapêutico, mas também em ambiente médico clínico e no
controlo da dor em hospitais: (Teresa McIntire, 2001. Aplicação da hipnose clínica em
contextos de saúde. Bial); na validação de instrumentos e escalas de aferição
hipnóticas para a população portuguesa (versão portuguesa da escala de avaliação da
susceptibilidade hipnótica Waterloo-Stanford Group C (WSGC)); na investigação da
analgesia hipnótica (Alberto Lopes & Pedro Amorim, 2012. Efeito da Hipnose versus
Analgesia Opióide sobre a dor e potenciais evocados em voluntários. In Hospital Santo
António); na formação de pós-graduações em Hipnose Clínica (Renato Morais, 2012.
Curso de Introdução à Hipnose Clínica: Técnica e Aplicações. UFP Universidade
Fernando Pessoa); incluindo diversas teses de mestrado e doutoramentos (Maria
Aragão Freitas, 2009. Tese Doutoramento: Ansiedade nas avaliações escolares: uma
abordagem psicoterapêutica sob estados modificados de consciência num grupo de
alunos universitários. Universidade da Madeira).

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Referências Bibliográficas

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dor e potenciais evocados em voluntários. Porto: Hospital Geral de Santo António.
Barabasz, M., & Watkins, J. (2005). Hypnotherapuetic techniques. New York:
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Carraça, I. (1994). Omissão e partilha no acto médico (1ª edição ed.). Porto:
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psicoterapêutica sob estados modificados de consciência num grupo de alunos
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Faculdade de Medicina de Lisboa - Departamento de Educação Médica.
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Pearson prentice hall.
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Neubern, M. (2006). Hipnose, dor e subjectividade: Considerações Teóricas e
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Gonçalves, M., Simões, M., Almeida, L., & Machado, C. (2003). Avaliação
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Quarteto editora.
Gonzalez Rey, F. (2005). Subjetividade, complexidade e pesquisa em psicologia. São
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Simões, M. (2003). Parapsicologia - uma perspectiva crítica. In M. Simões, Resende,
M., & Gonçalves, S., (Ed.), Psicologia da consciência: pesquisa e reflexão em

psicologia transpessoal (pp. 233-245). Lisboa: Lidel, Edições Técnicas.

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Anexos

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Estudos e Investigações Publicados Recentemente em Portugal
Segue breve resenha de Resumos/Abstracts, dos últimos estudos científicos sobre
hipnose, publicados em Portugal.

Índice
Página 11: Lopes, A., Amorim, P. (2012). Efeito da Hipnose versus Analgesia Opióide
sobre a dor e potenciais evocados em voluntários. Porto: Hospital Geral de Santo
António. In Investigação realizado no âmbito das XXIV Jornadas de Terapêutica ICBAS.

Página 13: Freitas, A. (2009). Ansiedade nas avaliações escolares: uma abordagem
psicoterapêutica sob estados modificados de consciência num grupo de alunos
universitários. Tese de Doutoramento, Universidade da Madeira. Madeira.

Página 15: Carvalho, C., Mazzoni, G., Kirsch, I., & Leal, I. (2006). Apresentação da
versão portuguesa de uma escala de avaliação da susceptibilidade hipnótica. Lisboa.

Página 17: McIntire, T. (2001). Aplicação da hipnose clínica em contextos de saúde. In


T. McIntire, Maia, & C.F. Silva (Eds.), Hipnose clínica: Uma abordagem científica. Bial.

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Efeito da Hipnose versus Analgesia Opióide sobre a dor
e potenciais evocados em voluntários
Alberto Lopes; Pedro Amorim. Professor na faculdade de Ciências Biomédicas Abel
Salazar da Universidade do Porto (UP). HSA: In Investigação realizado no âmbito das
XXIV Jornadas de Terapêutica ICBAS.

Autores:
Mestre Alberto Lopes; Prof. Doutor Pedro Amorim e estudantes do quarto ano do
curso de medicina do ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da UP (Ana
Carvalho, Carina Pereira, Catarina Silva, Denny Rodrigues, Gonçalo Ferreira, Helena
Afonso, Isabel Sousa, Joana Braga, Nádia Santos, Nuno Babo, Pedro Barreira e Rui
Silva)

Resumo/Abstract
Estudo realizado no âmbito das XXIV Jornadas de Terapêutica ICBAS. Procurou-se
quantificar e comparar o efeito analgésico da hipnose e do Remifentanil, em resposta a
estímulos dolorosos, utilizando uma escala numérica da dor (END) e potenciais
evocados (PE).
Doze voluntários, criteriosamente seleccionados, foram submetidos a estimulação
eléctrica dolorosa no nervo mediano com intensidade variável, quantificando a dor
através de END e PE. Repetiu-se o procedimento submetendo os voluntários a doses
variáveis de Remifentanil e a duas técnicas de analgesia hipnótica.
Palavras-chave: Hipnose, dor, analgesia opioíde, potenciais evocados
somatossensoriais.

Discussão e Conclusões do Estudo:


Observou-se uma correlação significativa entre doses crescentes de Remifentanil e
atenuação da dor. A hipnose permitiu reduzir significativamente a dor e teve mais efeito
analgésico para a dor menos intensa. Não houve diferença entre as duas técnicas de
hipnose. Pode afirmar-se que a potência analgésica da hipnose tem relevância clínica, uma

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vez que foi equipotente a doses de Remifentanil que proporcionam analgesia clínica
relevante. Pela primeira vez foi possível quantificar o efeito analgésico da hipnose por
comparação com um analgésico padrão (Lopes, A., Amorim, P., 2012).

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Ansiedade nas avaliações escolares: uma abordagem psicoterapêutica
sob estados modificados de consciência num grupo de alunos
universitários

TESE DE DOUTORAMENTO: Apresentada na Universidade da Madeira para a obtenção


do grau de Doutor. Universidade da Madeira, 2009 (Nº ordem 05/D/2009)

Autor: Maria do Carmo Nunes de Aragão Freitas

Resumo/Abstract
Fez-se um estudo sobre stress e ansiedade com alunos do ensino superior. O objectivo
foi diminuir estes factores através da técnica Terapia por Reestruturação Vivencial e
Cognitiva (TRVC) que consiste na indução do Estado Modificado de Consciência (EMC)
através das técnicas de relaxamento e hipnose. O EMC facilita o acesso às memórias
inconscientes. Procurou-se fazer a ligação do stress e ansiedade com os eventos
traumáticos que estão na sua origem.
A intervenção foi composta por duas TRVC; a amostra foi constituída por estudantes
universitários portugueses da Universidade da Madeira (um grupo de 13 participantes,
10 femininos e 3 masculinos, com idades compreendidas entre 19 e 39 anos). No final
da intervenção observaram-se mudanças positivas na maioria dos participantes.

Conclusões do estudo
Embora se trate de um estudo preliminar, é já possível endereçar algumas conclusões,
nomeadamente: A aplicação da Terapia Regressiva sob Estado Modificado de
Consciência (E.M.C.) altera significativamente a ansiedade e o nível de stress, nas
avaliações formais nos estudantes universitários. A maioria do grupo entrou em estado
modificado de consciência, com excepção de um participante. Após duas sessões de
TRV-C, na percepção dos alunos houve uma diminuição significativa da ansiedade, do
stress e da perda de auto- controlo. Melhoraram a confiança e a memória da matéria
estudada. A maioria dos participantes melhorou o rendimento nos períodos de

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exames. Os E.M.C. facilitam os processos psicoterapêuticos, facilitam uma melhor
compreensão do psiquismo e abreviam a duração da psicoterapia. A utilização dos
EMC facilita o processo psicoterapêutico na medida em que permite desbloquear
situações e núcleos traumáticos da história de vida dos estudantes. O processo de
vinculação terapeuta-paciente é reforçado pela utilização da TRVC.

Os resultados obtidos no estudo permaneceram ao longo do tempo. No follow up


efectuado passados seis meses da intervenção verificou-se a permanência dos
resultados obtidos e, curiosamente, a lembrança da matéria estudada aumentou.
Quanto às mudanças do ponto de vista intrapsíquico, verificou-se que o acesso às
memórias traumáticas supostamente ligadas ao stress e à ansiedade (ab-reacção),
juntamente com a redecisão, originou uma mudança na atitude interior dos
participantes para uma atitude positiva perante a vida. Os temas das CT, “ Cenas
Traumáticas”, apresentaram uma maior percentagem de vivências relativas à escola
primária, com violência física e psicológica. Verificou-se, ainda, um elevado número de
temas relativos a conflitos familiares com 237 agressões, assim como mortes e doença
de parentes muito próximos. As rupturas amorosas encontraram-se em menor
número. A idade das vivências encontrou-se, na maioria dos participantes, entre os
sete e 11 anos (Freitas, A., 2009).

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APRESENTAÇÃO DA VERSÃO PORTUGUESA DE UMA
ESCALA DE AVALIAÇÃO DA SUSCEPTIBILIDADE HIPNÓTICA
Cláudia Carvalho*1, Giuliana Mazzoni2, Irving Kirsch2, & Isabel Leal1
1Instituto Superior de Psicologia Aplicada
2University of Plymouth

Resumo/Abstract
A hipnose é um procedimento pouco habitual em investigação em Portugal pelo que
são inexistentes instrumentos de avaliação do comportamento hipnótico devidamente
adaptados à língua portuguesa, que permitam ao investigador estabelecer parâmetros
de avaliação válidos e fiáveis. Neste artigo apresentamos a versão Portuguesa da
escala de avaliação da susceptibilidade hipnótica Waterloo-Stanford Group C (WSGC)
Scale of Hypnotic Susceptibility (Bowers, 1993, 1998). A versão original do instrumento
constituída por uma indução hipnótica de cerca de 20m seguida da apresentação de 12
sugestões hipnóticas foi sujeita a um processo de tradução e retroversão e a versão
portuguesa resultante foi administrada a uma amostra de 707 estudantes
universitários voluntários, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 17
e os 49 anos. Os resultados mostram valores médios da distribuição semelhantes aos
da amostra de referência, correlações com as amostras de referência altamente
significativas e um valor de Alpha de Cronbach (0,62) que embora inferior ao das
amostras de referência encontra-se numa zona de aceitabilidade para este tipo de
instrumento. A versão portuguesa da WSGC:C proposta revela ser um instrumento
com boas qualidades psicométricas passível de ser utilizado pelos investigadores
interessados em avaliar a susceptibilidade hipnótica de grupos de indivíduos.
Palavras chave: Escala, Grupo, Hipnose, Susceptibilidade hipnótica.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
A versão portuguesa da WSGC:C não apresenta diferenças significativas nas
características gerais da escala. Os valores da média e do desvio padrão das
pontuações são muito similares aos das amostras de referência. A distribuição das

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pontuações também é semelhante em quase todo espectro das pontuações. Existe
contudo uma discrepância na zona de susceptibilidade hipnótica elevada onde os
participantes portugueses se encontram em menor prevalência (11,8%) do que nas
amostras de referência (18,3% e 20,5%). Se estes dados numa primeira análise
parecem sugerir que os portugueses são menos susceptíveis à hipnose do que os
norte-americanos, é importante realçar que para a esmagadora maioria dos avaliados,
esta foi a sua primeira exposição à hipnose experimental num contexto não recreativo.
É pois possível que esta baixa prevalência traduza uma reacção de retracção a uma
experiência nova e olhada com desconfiança, mais do que uma efectiva baixa
susceptibilidade característica de uma população.
Quanto à fiabilidade e validade da escala, a escala apresenta um índice Alpha de
Cronbach de 0,62, que embora sendo menor do que os encontrados nas amostras de
referência (0,80 e 0,70), encontra-se ainda dentro dos valores considerados aceitáveis
em Ciências Humanas. Não existindo em português mais nenhuma escala de avaliação
da susceptibilidade hipnótica não se torna possível estabelecer a validade da versão
portuguesa em termos de um critério externo para esta amostra. Contudo a WSGC:C
original apresenta elevadas correlações relativamente à escala de onde esta deriva, a
SHSS:C e ainda uma outra escala igualmente bem estabelecida de avaliação da
susceptibilidade hipnótica, a Harvard Group Scale of Hypnotic Susceptibility (HGSHS de
Shor & Orne, 1962) (correlações de 0,85 e 0,77 respectivamente (Bowers, 1993), pelo
que a sua validade foi já bem estabelecida. Tratando-se da escala usada no presente
estudo de uma tradução e adaptação para português e não de uma nova escala, as
correlações altamente significativas entre a tradução portuguesa e a escala de
referencia original (0,93) e a amostra americana de referência (0,92) asseguram que
ambas as versões estão a medir o mesmo atributo. Em resumo os resultados indicam
que a versão portuguesa da WSGC:C apresenta boas qualidades psicométricas
podendo assumir-se como um instrumento útil para os investigadores interessados na
avaliação da susceptibilidade hipnótica em amostras portuguesas (Carvalho, C.,
Mazzoni, G., Kirsch, I., & Leal, I. 2006).

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