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O CLUBE DE CIÊNCIAS AUGUSTO RUSCHI E SUAS AÇÕES PARA

PROMOVER A CIÊNCIA NO MUNICÍPIO DE ARAUCÁRIA, PARANÁ

HEYSE, Halina Linzmeier1 - SMED-Araucária

CHAVES, Thais Jannuzzi2 - SMED-Araucária

Grupo de Trabalho - Educação e Meio Ambiente


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

O Clube de Ciências Augusto Ruschi (CCAR) localizado no município de Araucária desde


1991 vem desenvolvendo atividades científicas voltadas à comunidade com a finalidade de
instigar o interesse pela ciência através da construção de um pensamento crítico e o
desenvolvimento do aprendizado. Durante o ano de 2012 as atividades realizadas foram uma
palestra itinerante (tema: Higiene e Prevenção de Doenças), cursos de aprofundamento
(Microscopia Básica, Biologia Celular e Genética; Botânica; Zoologia e Física e Química
Experimental) e a participação no Projeto Biotecnologia para a Sustentabilidade vai à Escola
em parceria com a empresa Novozymes. A palestra itinerante atendeu 23 escolas atuando de
forma sensibilizadora na exposição de conteúdos acerca da higiene tanto pessoal quanto
ambiental e de doenças. Acreditamos que através das aulas práticas dos cursos e também do
projeto, os estudantes puderam construir o conhecimento e perceber a natureza complexa e
dinâmica da ciência. Além disso, os professores do município também puderam contar com o
auxílio em seus planejamentos, aulas e atividades práticas aprimorando-as e fazendo
atualizações em seus conteúdos. O CCAR se tornou um centro de referência na pesquisa e
extensão das áreas de Ciências Naturais, Educação Ambiental, Química e Física, motivando
os educadores a inserirem práticas diferenciadas em suas aulas, e também promovendo
inúmeros projetos, atividades e eventos voltados à comunidade escolar. Os estudantes
atendidos pelo CCAR desenvolveram uma postura crítica frente aos fenômenos científicos
buscando sempre desenvolver um conhecimento baseado na observação, formulação de
hipóteses e experimentação. Portanto, o CCAR cumpriu sua meta de modificar os conceitos
prévios sobre a realidade vivida colocando os estudantes como agentes transformadores de
seu meio.

Palavras-chave: Ensino de Ciências. Experimentação. Educação Ambiental.

1
Mestre em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal do Paraná. Professora na Secretaria Municipal
de Educação de Curitiba e na Secretaria Municipal de Educação de Araucária. Em 2012 atuou como professora
junto ao Clube de Ciências Augusto Ruschi em Araucária, Paraná. E-mail: haliheyse@gmail.com.
2
Mestre em Genética pela Universidade Federal do Paraná. Professora na Secretaria Municipal de Educação de
Araucária. Desde 2011 atuando na Coordenação da Disciplina de Ciências na Secretaria Municipal de Educação
de Araucária, Paraná. E-mail: thaischaves@hotmail.com.
Introdução

Em meados de 1990, professores da disciplina de Ciências da Rede Municipal de


Ensino de Araucária reuniram-se com o objetivo de elaborar um projeto que atendesse às
expectativas do grupo em despertar o interesse dos alunos pela ciência, promovendo uma
consciência crítica e a apropriação do saber científico pelos mesmos. Assim, foi inaugurado
em 23 de maio de 1991 o Clube de Ciências Augusto Ruschi (CCAR), vinculado e mantido
pela Secretaria Municipal de Educação de Araucária.
O projeto é oficialmente legalizado em 1997 de acordo com a Lei Municipal
nº1101/97 (ARAUCÁRIA, 1997). A atualização deu-se com o Decreto nº. 18.235/04
(ARAUCÁRIA, 2004) e com a Lei Municipal nº. 1547/05 que aprova o Regimento Interno da
Prefeitura, o funcionamento das Secretarias e órgãos da Administração Direta do Município
de Araucária (ARAUCÁRIA, 2005).
O nome Clube de Ciências Augusto Ruschi foi escolhido em homenagem ao cientista,
agrônomo, ecologista e naturalista brasileiro, considerado o Patrono da Ecologia no Brasil
devido à sua grande atuação em defesa do meio ambiente.
De acordo com o projeto inicial, o CCAR era composto por um coordenador geral,
responsável pela parte administrativa e organizacional do local e um coordenador de área
responsável pelos projetos que seriam desenvolvidos pelo Clube em contra turno, atendendo
assim aos interesses e a participação dos alunos. Os trabalhos realizados eram orientados pelo
coordenador de área, nos períodos da manhã e tarde, com um número máximo de 20 alunos
por turma. Os atendimentos eram inicialmente destinados à comunidade escolar e aos alunos
do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e organizados de acordo com o interesse destes nas
áreas de Biologia, Química e Física.
Ainda em 1997, o Clube foi reestruturado através da assessoria do Professor Paulo
Marques da Universidade Federal do Paraná – UFPR, com novas linhas de ação estabelecidas
até o ano 2000. A equipe técnica era constituída pelo coordenador geral; pelo Coordenador de
Área, ambos professores concursados e efetivados pela Prefeitura Municipal de Araucária; um
Auxiliar Técnico em Museologia, também contratado pela prefeitura; Professor Consultor;
um Auxiliar Administrativo (estagiário), Servente e Guardião.
As Linhas de Ação no período de 1997 – 2000 foram: expedições Científicas
Estudantis, Museu Escolar, Jornal, Prevenção ao abuso de álcool e outras drogas, Cursos de
Capacitação, Extensão e Difusão Cultural, Intercâmbio Institucional e Feira de Ciências.
No ano de 2001, o CCAR desenvolveu projetos nas áreas de Biologia, Química, Física
e Educação Ambiental, conforme o Plano de Ação deste ano, através de práticas em:
Mecatrônica, Microscopia, Química e Física Experimental, Fotografia em Lata, Vídeo-Jornal,
Biomas Brasileiros e Clube da Árvore. Algumas ações deste ano foram: Projeto Clube de
Ciências vai à Escola, para alunos do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos
(EJA); Visitas Orientadas ao CCAR: Alunos com deficiência participam, nestas visitas, de
palestras, oficinas e aulas práticas especiais; Clube Vai à Comunidade: realização de
exposições itinerantes em pontos estratégicos para a comunidade; Expedições Científicas:
Realizadas semestralmente; Participação do CCAR em eventos: Nacionais e Estaduais como
SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, FEBRACE – Feira Brasileira de
Ciências e Engenharia e Educação COMCIÊNCIA/SEED, com a divulgação de trabalhos de
alunos e professores do município.
Em 2009, o CCAR desenvolveu o projeto Clube de Ciências nas escolas, com o
objetivo de participar mais efetivamente nas práticas escolares, desenvolvendo este projeto
em parceria com os professores de Ciências do Ensino Fundamental. As práticas eram
elaboradas e desenvolvidas conforme as necessidades e os conteúdos trabalhados pelos
professores e eram desenvolvidas nas escolas nos horários de aulas, contribuindo com o
ensino da disciplina de Ciências. O Projeto atendeu 14 Escolas Municipais no total. O Projeto
estendeu-se também com Palestras solicitadas em 17 escolas pelas escolas dos seguintes
temas: Água, Necessidade e Cuidados e Educação Sexual. Neste mesmo ano foram
desenvolvidos os cursos no Clube de Mecatrônica Básica Experimental e Química.
Ainda em 2009 o Clube participou de alguns eventos: Semana de Prevenção à Dengue
em parceria com O Centro de Combate às Zoonoses, da Secretaria Municipal de Saúde; 1ª
Mostra Infanto Juvenil Águas de Araucária, em parceria com a Secretaria Municipal do Meio
Ambiente e Projeto Biotecnologia para a Sustentabilidade, participando das reuniões para a
elaboração e execução da aula inaugural na escola Nadir N. A. Pinto.
Em 2010, o CCAR desenvolveu os cursos de: Reciclagem e Educação Ambiental;
Mecatrônica Básica e Avançada; Física Experimental; Práticas Biológicas e Reciclagem
Artística. Também foram realizadas palestras sobre Água e sua importância e cuidados e
Gripe H1N1 abordando suas características e cuidados. Em maio deste ano, foi realizada no
Clube a Exposição de Animais Vertebrados Taxidermizados, em parceria com o Museu de
História Natural da UFPR, aberta à comunidade escolar, a Primeira Mostra de Iniciação à
Ciência, através da exposição de trabalhos dos alunos e do acervo do CCAR na Praça Central
de Araucária, sendo aberto à toda comunidade e Feira de Ciências: realizada com a exposição
dos trabalhos das escolas no Paço Municipal.
No ano de 2011 foi realizada a continuação do Projeto Biotecnologia para a
Sustentabilidade vai à Escola, onde no seu terceiro ano de funcionamento do Projeto, em
parceira com a empresa Novozymes, o Clube de Ciências deu total apoiou no planejamento,
logística de empréstimo de materiais e montagem de aulas práticas para as oito escolas
participantes, favorecendo os sete professores responsáveis.
O espaço extracurricular da Disciplina de Ciências no Município de Araucária
identificado como Clube de Ciências Augusto Ruschi durante os anos de 1991 a 2010 estava
localizado na Rua Lourenço Jasiocha n°2052 - Centro, onde desenvolveu diversos trabalhos
científicos, oficinas, cursos, feiras, visitas técnicas e participação de eventos científicos
nacionais com o público escolar.
No ano de 2011 o espaço do Clube foi transferido provisoriamente para o Núcleo
Pedagógico da Oficina de Artes localizado na Rua Major Sezino Pereira de Souza, n°931 -
Centro, onde permaneceu alguns meses para a aquisição de um novo espaço pedagógico mais
estruturado.
No segundo semestre de 2012 o Clube mudou-se para o Complexo Pedagógico Lucy
Moreira Machado onde atualmente se encontram dois professores especialistas e um
estagiário, acadêmico de Ciências Biológicas, atuando nos cursos internos de acordo com o
Estudo da Reestruturação do Projeto Pedagógico do Clube de Ciências (ARAUCÁRIA,
2012a). Também funcionam neste prédio a Oficina de Artes, Biblioteca da Secretaria
Municipal de Educação e o Conselho Municipal de Educação.
O objetivo deste trabalho é elencar as ações do Clube de Ciências Augusto Ruschi
(CCAR) no ano de 2012 e demonstrar a importância para a comunidade escolar das ações
internas desenvolvidas e a abrangência dos cursos ministrados com enfoque científico de
forma interdisciplinar que visaram incentivar o “Gosto pela Ciência”, Experimentação
Didática e o princípio do Método Científico.
Desenvolvimento

Durante o ano de 2012 as atividades desenvolvidas no CCAR foram: palestra


itinerante, cursos oferecidos aos alunos no contra turno e participação no Projeto
Biotecnologia para a Sustentabilidade vai à Escola em parceria com a empresa Novozymes.

Palestra itinerante

Inicialmente a palestra com o tema “Higiene e Prevenção de Doenças” ocorreu durante


a III Semana de Prevenção ao Uso de Drogas prevista no calendário escolar no município.
Devido à grande procura e interesse por parte das escolas, a palestra foi ofertada durante o
segundo semestre totalizando 23 escolas atendidas. O público-alvo foi composto pelos alunos
dos 5ºs e 6ºs anos e a realização da palestra ocorreu mediante agendamento prévio das
escolas. Inicialmente foi abordado o conceito de higiene e suas modificações ao longo do
tempo para então estabelecer a questão: e você, pratica a higiene? Vários aspectos da higiene
pessoal foram exemplificados como, por exemplo, a maneira correta de se lavar as mãos.
Também foi discutida a questão da limpeza e organização dos ambientes frequentados pelos
alunos, tendo como foco a sala de aula. Além disso, algumas doenças foram explicitadas
como a coqueluche, tuberculose, dengue, gripe comum e gripe H1N1; sendo abordados seus
agentes causadores, formas de contágio, prevenção e tratamento.

Cursos

Foram quatro cursos (Microscopia Básica, Biologia Celular e Genética; Botânica,


Zoologia e Física e Química Experimental) desenvolvidos e fundamentados de acordo com as
Diretrizes Municipais de Educação (ARAUCÁRIA, 2012b). Para cada curso foram
disponibilizadas 20 vagas mediante inscrição prévia para as faixas etárias de oito e 14 anos.
As aulas ocorreram durante os períodos da manhã e da tarde nas terças e quintas-feiras com
duração de quatro horas cada uma. No decorrer dos cursos os alunos foram instigados a
desenvolver uma postura científica baseada na observação, experimentação e levantamento de
questões acerca dos temas trabalhados. Em cada aula os estudantes receberam roteiros
práticos que continham introdução, objetivos, materiais utilizados, descrição dos
procedimentos e questões avaliativas. Desta forma, ao final de cada curso foi desenvolvido
um portfólio individual que poderia ser usado como consulta e material de apoio para as
atividades da disciplina de ciências na escola. Em uma cerimônia de encerramento cada
estudante recebeu os certificados referentes a cada curso frequentado.
O curso de Microscopia Básica, Biologia Celular e Genética foi composto por 12
aulas, totalizando 48 horas. Primeiramente foram abordadas as normas de conduta e
apresentados os materiais e equipamentos de uso do laboratório, além dos tipos de
preservação de material biológico, visto que o clube apresenta um acervo considerável de
amostras. Para instigar os alunos e iniciá-los no manuseio da vidraria e demais equipamentos,
foi realizada uma prática de extração de pigmentos e preparação de corantes naturais com a
utilização de beterraba, couve e cenoura. Foi apresentado o microscópio óptico com suas
partes e funções e os estudantes então, procederam à preparação de lâminas utilizando letras
de jornais e cortiça e desenvolveram a focalização de imagens. Posteriormente houve o
preparo de lâminas com materiais biológicos como casca de cebola, células da mucosa bucal e
microalgas; e também a utilização de corantes. As estruturas e organelas celulares foram
evidenciadas e, com o auxílio de vídeos e imagens, os alunos puderam conhecer e
compreender esta organização da célula animal e vegetal. Através da extração de DNA de
células do morango, cebola e kiwi, foi introduzido o conteúdo referente à genética. Além da
estrutura do DNA, também foi explicitado sucintamente as questões referentes às
características hereditárias através de uma atividade de recorte e colagem, além de montagem
de um cariótipo. Ao final do curso os alunos já dominavam a utilização do microscópio óptico
e eram capazes de identificar células animais e vegetais, suas organelas e perceber a
importância do material genético na determinação de características.
O curso de Botânica contou com seis aulas, totalizando 24 horas. Devido à carga
horária, foi abordada a anatomia vegetal, visto que este é um dos conteúdos previstos pelas
Diretrizes Municipais de Educação (ARAUCÁRIA, 2012b). Porém, sempre que possível
foram citados e discutidos aspectos ecológicos, culturais e curiosidades relacionados ao tema
das aulas. No decorrer do curso os alunos acompanharam a germinação de diferentes grãos
através de registros diários que continham descrições e desenhos. Ao final do experimento os
estudantes puderam perceber os fatores responsáveis por este processo e discutir as diferenças
encontradas entre as amostras. A estrutura e funcionamento dos estômatos foram observados
através da confecção de lâminas. Também foram abordados os órgãos vegetativos e
reprodutivos das plantas através de análise de material biológico e vídeos. Além disso, houve
uma visita ao Parque Cachoeira, sob orientação e supervisão da Secretaria Municipal de Meio
Ambiente, onde foram desenvolvidas atividades de percepção ambiental e observação na
natureza das características vegetais discutidas no curso. Os estudantes tornaram-se aptos a
reconhecer as partes de um vegetal e perceber sua importância e funções no meio ambiente.
O curso de Zoologia foi desenvolvido durante seis aulas, com a carga horária de 24
horas. Inicialmente foi discutida a diferença entre invertebrados e vertebrados. De maneira
sucinta foram apresentados os diferentes grupos animais abordando a diversidade entre eles e
suas principais características diagnósticas e ecológicas através da observação de espécimes
fixados, imagens e vídeos. Entre os filos de invertebrados foram tratados os poríferos,
cnidários, platelmintos, nematódeos, anelídeos, moluscos e artrópodes; entre os vertebrados
os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Também sob orientação e supervisão da
Secretaria Municipal de Meio Ambiente foi realizada uma visita orientada ao Parque
Cachoeira, onde foram ressaltados os aspectos ecológicos da fauna associada à Floresta de
Araucárias e também as metodologias de estudos da fauna em ambiente natural. No
laboratório os alunos testaram uma destas metodologias através da confecção de moldes de
gesso para a coleta de rastros ou pegadas de animais. Com este curso os alunos tiveram uma
noção básica da diversidade faunística, além de perceber a importância da fauna na
manutenção do equilíbrio natural.
O curso de Física e Química Experimental ocorreu durante seis aulas, totalizando 24
horas. Os experimentos demonstraram a utilização de indicadores de pH tanto naturais
(repolho roxo) quanto artificiais (fenolftaleína e azul de bromotimol); técnicas de
cromatografia com confeitos de chocolate; conceitos de mistura e reações químicas através do
complexo iodo-amido e a reação entre bicarbonato de sódio e vinagre. Também foram
trabalhados os conceitos de tensão superficial dos líquidos, pressão, força, densidade e
eletricidade. Na tensão superficial os alunos puderam perceber a ação de detergentes no
rompimento das pontes de hidrogênio da água através do movimento de objetos no líquido,
como a purpurina e pedaços de papel. Os conceitos de pressão e força foram trabalhados com
os experimentos do ovo na garrafa, da vela que “levanta” a água e da construção de uma cama
de faquir utilizando palitos de dente e balões. As questões referentes à densidade foram
observadas utilizando ovos crus e cozidos em água, também através da mistura entre água
quente e água fria evidenciada pela utilização de corantes distintos e pela construção de uma
torre de diferentes líquidos. A eletricidade foi abordada por meio do atrito de canudinho
plástico. Ao final deste curso os estudantes obtiveram noções básicas destas disciplinas, uma
vez que a maioria dos participantes não havia estudado este assunto anteriormente, através de
experimentos simples e divertidos.

Projeto Biotecnologia para a Sustentabilidade vai à Escola

O “Projeto Biotecnologia para a Sustentabilidade vai à escola” foi uma parceira entre a
Secretaria Municipal de Educação de Araucária e a empresa Novozymes Latin American Ltda
que teve como objetivo difundir os conceitos da biotecnologia para a sustentabilidade no
ambiente escolar de todas as Escolas que atendem aos processos de escolarização do Ensino
Fundamental. Com isto promoveu o desenvolvimento e a formação dos alunos e dos
professores ampliando sua formação na área da Biotecnologia de acordo com o Projeto
Biotecnologia para a Sustentabilidade vai à Escola (NOVOZYMES, 2012).
O projeto teve a duração de 4 anos iniciando em 16 de setembro de 2009 com a
divulgação aos Diretores das Escolas, Pedagogos e Professores. A empresa participou das
Formações dos professores, subsidiou materiais didáticos e de laboratório, fez a demonstração
de experimentos e realizou as Mostras de Ciências nas Escolas.
Durante os três primeiros anos o projeto ocorreu com os alunos dos Anos Finais,
sendo em 2009 com uma escola (Projeto Piloto – 9º ano do Ensino Fundamental), em 2010
com 7 escolas (8º ano do Ensino Fundamental) e em 2011 com 8 escolas (7º, 8º e 9º anos do
Ensino Fundamental).
No ano de 2012, o público alvo foi modificado para os alunos dos Anos Iniciais (5º
ano do Ensino Fundamental) sendo que 15 escolas participaram com o apoio de 28
professores totalizando cerca de 790 alunos envolvidos.
O clube de Ciências participou subsidiando os professores na distribuição dos
materiais de laboratório, no ensino do manuseio de equipamentos, empréstimos de modelos
didáticos, na realização de um curso preparatório sobre “Cultivo de Bactérias” para os
professores participantes e auxílios na organização das Mostras de Ciências nas escolas
participantes.

Considerações Finais

O Clube de Ciências Augusto Ruschi (CCAR) objetiva um novo conceito de educação


integrada para a comunidade escolar com adequação pedagógica nas Diretrizes Municipais de
Educação (ARAUCÁRIA, 2012b) proposta pelo Município de Araucária. Ao longo destes
anos, tornou-se um centro de pesquisa e extensão nas áreas de Ciências Naturais, Educação
Ambiental, Química e Física, sempre auxiliando professores em seus planejamentos,
motivando-os a inserirem práticas diferenciadas em suas aulas, bem como participando e
promovendo inúmeros projetos, atividades e eventos.
No ano de 2012 diversas atividades foram desenvolvidas pelo CCAR, tanto nas
dependências do Complexo Pedagógico Lucy Moreira Machado, quanto de forma itinerante
nas escolas do município. Em relação à palestra itinerante, foi interessante o grande
envolvimento e interesse por parte das escolas, o que foi visível devido à grande procura e
muitas vezes da existência da lista de espera para a realização da atividade. Os alunos
atendidos realizaram associações com os conteúdos estudados e muitas vezes ficaram
espantados com a grande possibilidade da ocorrência das doenças nos espaços em que
frequentam. Desta forma, acreditamos que a palestra foi sensibilizadora e auxiliou na
construção de um conhecimento que poderá ser transmitido aos familiares e à comunidade
envolvida.
Conforme cita Bachelard (1996, p. 23) “as atividades experimentais capacitam os
alunos a modificar a cultura experimental imposta pelo dia a dia e não simplesmente
estabelecer um conhecimento estático”. Os estudantes que participaram dos cursos puderam
construir seus saberes através da manipulação experimental e desenvolvimento da
curiosidade. Desta forma, o aluno é capaz de realizar reflexões sobre o conhecimento
construído estabelecendo relações com sua realidade vivida e elaborando um novo referencial
interpretativo (ARAUCÁRIA, 2012a). Os conteúdos de ciências abordados nas aulas práticas
devem promover nos estudantes o entendimento da transformação do fato observado
(comum) em fato científico realizando a promoção do conhecimento científico como
instrumento de transformação social, contribuindo para o desenvolvimento crítico do aluno
(ARAUCÁRIA, 2012a).
Os estudantes então perceberam a natureza dinâmica e complexa da ciência. Durante
os experimentos realizados houve sempre a preocupação de que os alunos realmente
entendessem os fenômenos observados e não somente os considerassem divertidos ou
interessantes. Tentamos evitar assim, a ocorrência de “falsos centros de interesse”
(BACHELARD, 1996).
Em cada curso as turmas eram compostas por alunos de diferentes faixas etárias, o que
restringiu o desenvolvimento de alguns temas devido às discrepâncias dos conteúdos trazidos
pelos estudantes. Uma medida a ser tomada nos cursos subsequentes seria a divisão das
turmas de acordo com suas faixas etárias para assim aperfeiçoar a transmissão de
conhecimentos e possibilitar um maior avanço nos conteúdos. Contudo, mesmo com este
obstáculo relacionado à idade dos estudantes, as aulas práticas do clube cumpriram com seu
papel de posicionar os alunos como agentes transformadores de seu meio e construtores de
um saber científico baseado na observação, formulação de hipóteses e experimentação. Vale
ressaltar que durante os cursos os alunos foram avaliados com base nos critérios de avaliação
propostos pelas Diretrizes Municipais de Educação de Araucária (ARAUCÁRIA, 2012b).
Também cabe evidenciar a importância da articulação do CCAR com os professores,
seja em projetos, auxílios pedagógicos, aulas ou formações continuadas. A consolidação deste
espaço como referência na educação científica continua acontecendo e, atualmente há amparo
de uma estrutura física e pedagógica adequadas.
Portanto, o CCAR vem cumprindo seu objetivo de despertar o interesse dos alunos às
questões científicas. Ademais, ao expandir suas ações para além de seus muros, como ocorre
com as palestras e projetos, o conhecimento é difundido e os conceitos prévios podem ser
modificados através da sistematização da ciência. Os estudantes então atuam como agentes
transformadores de seu meio contribuindo para a construção dos saberes científicos.

REFERÊNCIAS

ARAUCÁRIA. Lei nº 1.101, de 4 de dezembro de 1997. Diário Oficial do Município,


Araucária, 4 dez. 1997. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/603194/lei-
1101-97-araucaria-0>. Acesso em: 17 maio 2013.

______. Decreto nº 18.235, de 1 de abril de 2004. Diário Oficial do Município, Araucária, 1


abr. 2004. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/856158/decreto-18235-04-
araucaria-0>. Acesso em: 20 maio 2013.

______. Lei nº 1.547, de 14 de janeiro de 2005. Diário Oficial do Município, Araucária, 14


jan. 2005. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/600130/lei-1547-05-
araucaria-pr>. Acesso em: 19 maio 2013.

______. Secretaria Municipal de Educação. Reestruturação do projeto pedagógico do


Clube de Ciências Augusto Ruschi. Araucária: Secretaria Municipal de Educação, 2012a.
______. Secretaria Municipal de Educação. Diretrizes municipais de educação. Araucária:
Secretaria Municipal de Educação, 2012b.

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma


psicanálise do conhecimento. Tradução de Estela dos Santos Abreu. 5. ed. Rio de Janeiro:
Contraponto, 1996.

NOVOZYMES. Projeto Biotecnologia para a Sustentabilidade vai à Escola. Araucária,


2012.

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