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Justiça Eleitoral

PJe - Processo Judicial Eletrônico

01/10/2020

Número: 0600163-13.2020.6.11.0034
Classe: REPRESENTAÇÃO
Órgão julgador: 034ª ZONA ELEITORAL DE CHAPADA DOS GUIMARÃES MT
Última distribuição : 23/09/2020
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Propaganda Política - Propaganda Eleitoral - Extemporânea/Antecipada
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA FABIANA NAPOLIS COSTA (ADVOGADO)
(REPRESENTANTE)
DIRETORIO MUNICIPAL PARTIDO DA SOCIAL FABIANA NAPOLIS COSTA (ADVOGADO)
DEMOCRACIA BRASILEIRA EM CHAPADA DOS
GUIMARAES MT (REPRESENTANTE)
PAULO ROBERTO BOMFIM DE JESUS (REPRESENTADO)
blog paginadoenock.com.br (REPRESENTADO)
www.paginadoestado.com.br (REPRESENTADO)
IVANILZA MOREIRA (REPRESENTADO)
PROMOTOR ELEITORAL DO ESTADO DO MATO GROSSO
(FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
11315 01/10/2020 17:10 RESPOSTA JUSTIÇA ELEITORAL - 0600163-13 Petição
243
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 034ª
ZONA DA JUSTIÇA ELEITORAL DA COMARCA DE CHAPADA DOS
GUIMARÃES DO ESTADO DE MATO GROSSO.

Referente ao processo eleitoral nº 0600163.13.2020.6.11.0034

PAULO ROBERTO BOMFIM JESUS, brasileiro,


divorciado, servidor público aposentado, residente e domiciliado na cidade de
Chapada dos Guimarães – Estado de Mato Grosso, na Rua Travessa Padre José
do Sacramento, nº 49, bairro Centro, portador da cédula de identidade nº
2538186-5 - SSP/MT, e do CPF/MF sob o nº. 543.964.177-72, IVANILZA
MOREIRA e BLOG PAGINADOENOCK.COM.BR, (através do seu
representante legal) vêm respeitosamente à digna e honrosa presença de Vossa
Excelência, por seu advogado que esta subscreve, causídico regularmente
inscrito na OAB/MT sob o nº 5.486, com escritório profissional localizado na
capital do Estado de Mato Grosso, na Av. Historiador Rubens de Mendonça,
1731, sala 406, Ed. Centro Empresarial Paiaguás – fone (65) 3642-5396 -
email: jrcorbelino@hotmail.com, local onde recebe as notificações e intimações
de estilo, apresentar, dentro do prazo legal, RESPOSTA, nos sobreditos autos da
REPRESENTAÇÃO COM PEDIDO DE LIMINAR ajuizada pela senhora
THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA E DIRETÓRIO
MUNICIPAL DO PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA - PSDB,
o fazendo nos seguintes termos:

Retorna a representante perante esse douto


juízo, alegando desta vez em sua peça inicial o seguinte:
“(...) Afirma que o primeiro representado passara a publicar diversas
matérias de cunho inverídico e ofensivo, em verdadeira campanha
difamatória contra a primeira representante.
Sugere que sem embargo de outras matérias, objeto desta representação diz
respeito a um artigo veiculado nos sítios eletrônicos dos representados acima
intitulado “Pistolagem eleitoral em Chapada dos Guimarães”.
Alega que o artigo o pretexto que o pré candidato Paulinho do Quero
Mais teria ameaçado a vida de outro pré-candidato em conluio com a atual
prefeita, ora representante.

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Av. Historiador Rubens de Mendonça n.º 1.731, Salas 406 - “Centro Empresarial Paiaguás”, Bairro Miguel Sutil - Cuiabá - Estado
de Mato Grosso – Fone: (65) 3642-5396 E-mail: jrcorbelino@hotmail.com

Assinado eletronicamente por: JOSE RICARDO COSTA MARQUES CORBELINO - 01/10/2020 17:10:06 Num. 11315243 - Pág. 1
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Número do documento: 20100117100597300000010807127
Menciona ainda, que além de tal insinuação ofensiva, primeiro representado,
com divulgação do artigo, teria direcionado ofensas e imagem da atual
prefeita.
Ao seu final, pede liminar para retirada da matéria dos sítios e das demais
plataformas de conteúdo digital, incluindo redes sociais, bem como sejam os
representados obrigados a se retratarem pelos mesmos meios (...)”.

Eis o singelo teor da inicial.

Douto Magistrado:

Em lamentável situação, retorna a ora


representante e chefe do executivo municipal senhora THELMA DE OLIVEIRA,
mais uma vez a abarrotar essa Vara da Justiça Eleitoral com a presente
representação.
Nunca é demais ressaltar, que a questão ora
trazida, assume indiscutível magnitude de ordem político-jurídica e mostra-se
impregnada de irrecusável densidade constitucional, notadamente em face de
seus claros lineamentos que, fundados na Constituição da República, foram
analisados, de modo efetivo, no julgamento da ADPF 130/DF, em cujo âmbito o
Supremo Tribunal Federal pôs em destaque, de maneira muito expressiva, uma
das mais relevantes franquias constitucionais: a liberdade de manifestação
do pensamento, que representa um dos fundamentos em que se
apóia a própria noção de Estado democrático de direito.

Excelência, conforme se pode aferir por uma


leitura atenta desse novo pleito, pode-se concluir, sem maiores esforços, que a
presente representação por propaganda eleitoral formulada de forma
extemporânea, todavia, não merece prosperar.

Na inicial, com a imprecisão da qual se


reveste, não logrou a representante, com a clareza indispensável, demonstrar
qual a ilegalidade do ato que teria sido praticado pelos ora defendentes, e, nem
mesmo, qual a lesividade que o pseudo ato praticado e que se busca invalidar,
teria ocasionado a representante, daí a manifesta temeridade de se admitir a sua
figuração como sujeito passivo na ação que ora se defende.

Com efeito, alongou-se a petição inicial na


descrição de fatos, sem uma seqüência lógica que encadeie a narração para a
conclusão. E, no tumulto estabelecido na descrição, reiterando tudo aquilo
que já havia descrito nos autos nº 0600117.24.2020.6.11.0034, não
conseguiu desta feita lograr êxito caracterizadores de ilegalidade lesiva que
pudesse ensejar verdadeira ofensa a honra e imagem da atual prefeita.

Atento aos fatos, isto porque se faziam


presentes os pressupostos legais a justificar a não concessão da medida,
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elementos estes que foram muito bem cotejados e responsavelmente aferidos e
sopesados por tão zeloso julgador monocrático, pelo que restou incensurável tão
proficiente justa e correta decisão, senão vejamos:

“(...) Diante do panorama normativo e jurisprudencial


exposto, não se evidencia na conduta dos
representados qualquer conduta irregular
repreensível aprioristicamente, em sede liminar,
porquanto a critica fora direcionada não apenas a
chefe do executivo local, como também a outros
pretensos candidatos e figuras políticas em tom
generalizado.
Com efeito, o representado teceu comentários
negativos sobre panorama político-eleitoral
deste município, em nítida expressão de sua
liberdade de opinião, sem violar, ao menos em
uma análise perfunctória, qualquer regra
processual eleitoral.
Mais e ainda, não se constata de plano a afirmação de
fato sabiamente inverídico

Por fim, as criticas fazem parte do processo


político eleitoral e não podem ser censuradas
pelo Poder Judiciário, a quem cabe a missão
de velar pela regularidade do jogo, sem
intervenções prematuras que inibam a
liberdade de expressão dos cidadãos.
Forte nos fundamentos acima, este juízo
INDEFERE a liminar vindicada (...)”

A par disso, cabe rememorar a digna representante


(atual prefeita), por relevante, a adoção, em 11/03/1994, pela Conferência
Hemisférica sobre liberdade de expressão, da Declaração de Chapultepec, que
consolidou valiosíssima Carta de Princípios fundada em postulados que, por
essenciais ao regime democrático, devem constituir objeto de permanente
observância e respeito por parte do Estado.

A Declaração de Chapultepec – ao enfatizar que uma


imprensa livre é condição fundamental para que as sociedades resolvam seus
conflitos, promovam o bem-estar e protejam sua liberdade, não devendo
existir, por isso mesmo, nenhuma lei ou ato de poder que restrinja a

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liberdade de expressão ou de imprensa, seja qual for o meio de
comunicação – proclamou, dentre outros postulados básicos, os que se seguem:

“I – Não há pessoas nem sociedades livres sem


liberdade de expressão e de imprensa. O exercício
dessa não é uma concessão das autoridades, é um
direito inalienável do povo. II – Toda pessoa tem o
direito de buscar e receber informação,
expressar opiniões e divulgá-las livremente.
Ninguém pode restringir ou negar esses
direitos.
.........................................................................................
.............. VI – Os meios de comunicação e os
jornalistas não devem ser objeto de discriminações ou
favores em função do que escrevam ou digam.

.........................................................................................
.............. X – Nenhum meio de comunicação ou
jornalista deve ser sancionado por difundir a
verdade, criticar ou fazer denúncias contra o
poder público.” (grifei)

Como se vê Excelência, com a propositura da


presente representação por parte da chefe do executivo municipal, revela-se que
nada há de mais nocivo, nada mais perigoso do que a pretensão do Estado de
regular a liberdade de expressão e pensamento (ou de ilegitimamente
interferir em seu exercício), pois o pensamento há de ser livre,
permanentemente livre, essencialmente livre!

Ninguém ignora que, no contexto de uma


sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão
estatal ao pensamento, ainda mais quando a crítica – por mais dura que
seja – revele-se inspirada pelo interesse coletivo e decorra da
prática legítima de uma liberdade pública de extração
eminentemente constitucional (CF, art. 5º, IV, c/c o art. 220)

Não se pode desconhecer que a liberdade de


imprensa, enquanto projeção da liberdade de manifestação de pensamento e de
comunicação reveste-se de conteúdo abrangente, por compreender, dentre
outras prerrogativas relevantes que lhe são inerentes, (a) o direito de
informar, (b) o direito de buscar a informação, (c) o direito de
opinar e (d) o direito de criticar.

É por tal razão que a ‘crítica’ que os meios de


comunicação social dirigem às pessoas públicas, por mais acerba, dura e
veemente que possa ser, deixa de sofrer, quanto ao seu concreto exercício, as
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limitações externas que ordinariamente resultam dos direitos de personalidade,
como bem realçou o ilustre Magistrado em sua decisão monocrática.

Portanto, é importante acentuar, bem por isso,


que não caracterizará hipótese de responsabilidade civil a publicação de matéria
jornalística cujo conteúdo divulgar observações em caráter mordaz ou irônico
ou, então, veicular opiniões em tom de crítica severa, dura ou, até, impiedosa,
ainda mais se a pessoa a quem tais observações forem dirigidas ostentar a
condição de figura pública, investida, ou não, de autoridade
governamental, pois, em tal contexto, a liberdade de crítica qualifica-se como
verdadeira excludente anímica apta a afastar o intuito doloso de ofender.

Com efeito, a exposição de fatos e a veiculação de


conceitos, utilizadas como elementos materializadores da prática concreta do
direito de crítica, descaracterizam o “animus injuriandi vel diffamandi”,
legitimando, assim, em plenitude, o exercício dessa particular
expressão da liberdade de imprensa.

Em razão disso, a existência de diversos


julgamentos, que, proferidos por Tribunais judiciários, referem-se à
legitimidade da atuação jornalística, considerada, para tanto, a necessidade do
permanente escrutínio social a que se acham sujeitos aqueles que, exercentes,
ou não, de cargos oficiais, qualificam-se como figuras públicas.

Daí, a premissa sob tal aspecto, a decisão


emanada do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, consubstanciada em
acórdão assim ementado:

“Os políticos estão sujeitos de forma especial às críticas


públicas, e é fundamental que se garanta não só ao povo em geral
larga margem de fiscalização e censura de suas atividades, mas,
sobretudo à imprensa, ante a relevante utilidade pública da mesma.” (JTJ
169/86, Rel. Des. MARCO CESAR)

Excelência, diante dessa visão pertinente à


plena legitimidade do direito de crítica, fundado na liberdade constitucional de
comunicação, é o julgamento, que, proferido pelo E. Superior Tribunal de
Justiça – e em tudo aplicável ao caso ora em exame –, está assim ementado:

“RECURSO ESPECIAL – RESPONSABILIDADE


CIVIL – DANO MORAL – (…) – DIREITO DE
INFORMAÇÃO –
‘ANIMUS NARRANDI’ – EXCESSO NÃO
CONFIGURADO (...).
.....................................................................................
.................. 3. No que pertine à honra, a
responsabilidade pelo dano cometido através da
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imprensa tem lugar tão-somente ante a ocorrência
deliberada de injúria, difamação e calúnia,
perfazendo-se imperioso demonstrar que o ofensor
agiu com o intuito específico de agredir
moralmente a vítima. Se a matéria jornalística
se ateve a tecer críticas prudentes (‘animus
criticandi’) ou a narrar fatos de interesse
coletivo (‘animus narrandi’), está sob o
pálio das ‘excludentes de ilicitude’ (...), não
se falando em responsabilização civil por
ofensa à honra, mas em exercício regular
do direito de informação.” (REsp 719.592/AL,
Rel. Min. JORGE SCARTEZZINI – grifei)

Nesse contexto, alicerçado no que mencionou


Vossa Excelência na brilhante decisão monocrática, a Lei nº 13.165/2015
(minirreforma eleitoral) traduziu a opção política de flexibilizar a promoção
pessoal e o proselitismo político dos pré-candidatos no período de pré-
campanha, restringindo bastante a caracterização de atos que configurem
propaganda eleitoral antecipada ilícita, consoante a nova redação do art. 36- A
da Lei nº 9.504/97, verbis:

Art. 36-A. Não configuram propaganda


eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a
menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-
candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de
comunicação social, inclusive via internet:

V - a divulgação de posicionamento pessoal


sobre questões políticas, inclusive nas redes sociais;

Nesse sentido, é o entendimento pretoriano:

“LIBERDADE DE IMPRENSA (CF, ART. 5º, IV, c/c O


ART. 220). JORNALISTAS. DIREITO DE CRÍTICA -
PRERROGATIVA CONSTITUCIONAL CUJO SUPORTE
LEGITIMADOR REPOUSA NO PLURALISMO
POLÍTICO (CF, ART. 1º, V), QUE REPRESENTA UM
DOS FUNDAMENTOS INERENTES AO REGIME
DEMOCRÁTICO. O EXERCÍCIO DO DIREITO DE
CRÍTICA INSPIRADO POR RAZÕES DE INTERESSE
PÚBLICO: UMA PRÁTICA INESTIMÁVEL DE
LIBERDADE A SER PRESERVADA CONTRA ENSAIOS
AUTORITÁRIOS DE REPRESSÃO PENAL. A CRÍTICA
JORNALÍSTICA E AS AUTORIDADES PÚBLICAS. A
ARENA POLÍTICA: UM ESPAÇO DE DISSENSO POR
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EXCELÊNCIA.” (RTJ 200/277, Rel. Min. CELSO DE
MELLO)

Ilustre Magistrado, não é menos exato afirmar-


se, de outro lado, que o direito de crítica encontra suporte legitimador no
pluralismo político, que representa um dos fundamentos em que se apóia,
constitucionalmente, o próprio Estado Democrático de Direito (CF, art. 1º, V).
Portanto, não assiste razão à representante senhora THELMA DE OLIVEIRA
postular pela censura de opiniões e criticas ao seu governo, isto porque, o
debate de assuntos públicos deve ser sem inibições, robusto, amplo,
e pode incluir ataques veementes, cáusticos e, algumas vezes,
desagradáveis ao governo e às autoridades governamentais, e como
bem disse Vossa Excelência, as ‘criticas’ foram também direcionadas em TOM
GENERALIZADO a outros 2 (dois) mais pré-candidatos.

Não obstante, é preciso lembrar e ressaltar a


nobre autoridade do executivo municipal, notadamente quando se busca
promover a repressão à crítica jornalística e pessoal, mediante este tipo de
medida judicial, que o Estado – inclusive o Judiciário – não dispõe de poder
algum sobre a palavra, sobre as idéias e sobre as convicções manifestadas nos
meios de comunicação social.

Assim sendo, essa garantia básica da


liberdade de expressão do pensamento, como precedentemente
assinalado, representa, em seu próprio e essencial significado, um dos
fundamentos em que repousa a ordem democrática.

Douto Magistrado, diferentemente do que se


pretende a representante (diga-se prefeita Thelma), nenhuma autoridade,
mesmo a autoridade judiciária, pode prescrever o que será ortodoxo em política,
ou em outras questões que envolvam temas de natureza filosófica, ideológica ou
confessional, nem estabelecer padrões de conduta cuja observância
implique restrição aos meios de divulgação do pensamento.

Isso vale lembrar, porque o direito de


pensar, falar e escrever livremente, sem censura, sem restrições ou
sem interferência governamental representa, conforme adverte HUGO
LAFAYETTE BLACK, que integrou a Suprema Corte dos Estados Unidos da
América, “o mais precioso privilégio dos cidadãos” (“Crença na Constituição”, p.
63, 1970, Forense).

A par disso, transcrevemos os ensinamentos


doutrinários:

JOSÉ AFONSO DA SILVA ao enfrentar o art. 220 da Magna Carta, a


saber: "A liberdade de informação jornalística de que fala a Constituição
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(art. 220, parágrafo 1º) não se resume mais na liberdade de imprensa, pois
esta está ligada à publicação de veículo impresso de comunicação. É
liberdade de alcança qualquer forma de difusão de notícias,
comentários e opiniões, por qualquer veículo de comunicação
social. Exatamente porque a imprensa escrita, falada e
televisada constitui poderoso instrumento de formação da
opinião pública (mormente com o desenvolvimento das máquinas
interplanetárias, destinadas a propiciar a ampla transmissão de
informações, noticias, idéias, doutrinas e até sensacionalismos) é que se
adota, hoje, a idéia que ela se desempenha uma função social consistente,
em primeiro lugar, em exprimir às autoridades constituídas o pensamento
e a vontade popular, colocando-se quase como um quarto Poder, ao lado do
Legislativo, do Executivo e do Jurisdicional. É que ela constitui uma
defesa contra todo excesso de poder e um forte controle sobre a
atividade político-administrativa e sobre não poucas
manifestações ou abusos de relevante importância para a
coletividade". (ob., cit. p. 845, M)

JOSÉ FRANCISCO CUNHA FERRAZ FILHO em comentário ao art. 5,


IV, da CF/88, assim se expressa: "Liberdade de expressão. O direito de
expressar o pensamento sobre qualquer tema é pressuposto da
vida democrática. Assim como a sociedade vive e se atualiza na
informação 0 escrita, falada ou gesticulada -, aquele que traz a informação
deve aparecer. O espaço púbico exige informação, mas ao mesmo tempo
exige transparência, sem a qual a interação se mostraria pobre e
desonesta. A transparência - falta de anonimato - e a informação -
viabilizada pela liberdade de expressão - são requisitos fundamentais
para a democracia e para a constituição da sociedade política. Na
esfera civil, o anonimato desqualifica qualquer informação e a torna
descartável, por mais verdadeira que pareça". (Constituição Federal
Interpretada, 2ª. Ed., Manole, p. 18, 2011)

Excelência, conforme se pode defluir de tudo isso


que foi exaustivamente dito, o que se observa, é que a representante e atual
Prefeita THELMA DE OLIVEIRA, divorciada de sua finalidade primordial de
estadista, distanciou dos princípios básicos da administração publica dado ao
inegável direito que assiste a população Chapadense de se manter informada
daqueles serviços essenciais que o Poder Público lhe coloca a disposição, optou,
pura e simplesmente, por intentar a presente ação, com o fito primordial de
amordaçar, censurar, reprimir, calar, impedir, aqueles que lhe opõe em tom
de crítica na verdadeira acepção da palavra, o que foi de plano rechaçado por
esse douto juízo com muita propriedade.

Ora, o objeto desta ação é a mesma que perseguiu


na anterior. Tanto isso é verdade que as duas petições iniciais são praticamente
idênticas, reproduzindo mutuamente os mesmos fatos articulados, com causa de
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pedir e pedidos semelhantes pelo simples capricho de não aceitar as críticas de
natureza política, isto porque, a Justiça eleitoral não estará a sua inteira
disposição, como extensão de seu gabinete!

DO PEDIDO FINAL:

Assim, por tudo o que restou aduzido e


demonstrado na presente RESPOSTA, vê-se de forma cristalina que esta não
merece prosperar diante dos argumentos que levaram à representante e o
Partido Político reproduzir a presente lide, diga-se de passagem, muito mau
posta e sem forma ou figura de juízo, daí a imperiosidade, com o devido
respeito de esse conspícuo juízo eleitoral ACOLHER os argumentos expostos,
extinguindo-o sem exame do seu mérito, e ao seu final, julgando-o
totalmente improcedente, como medida de direito e de inteira JUSTIÇA.

Na oportunidade, protestam pela produção de todos


os meios de provas admitidas em direito, por mais especiais que sejam,
notadamente a testemunhal, depoimento pessoal e juntada de novos
documentos acaso necessário.

Uma vez julgada improcedente a representação, que


seja a Autora condenada ao pagamento das cominações devidas e legais.

Por derradeiro, em face do que


prescreve textualmente o artigo 104 do NCPC, parágrafo primeiro,
postula pela posterior juntada do instrumento de procuração
dentro do prazo legal, assim como que todas as intimações e
notificações de estilo sejam direcionadas ao subscritor no email
declinado – jrcorbelino@hotmail.com.

Nesses termos,
Pede deferimento.

De Cuiabá, para Chapada dos Guimarães/MT, 01


de outubro de 2020.

José Ricardo Costa Marques Corbelino


OAB-MT 5.486

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