Você está na página 1de 18
EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 348 ZONA ELEITORAL DA COMARCA DE CHAPADA DOS GUIMARAES - MT. THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA, brasileira, vitva, portadora do documento de Identidade n.° 0303000-8 SSP/MT portador do CPF n.° 171.785.171-15, com domicilio profissional na Rua Tiradentes, n° 166, Centro, Chapada dos Guimarées/MT e DIRETORIO MUNICIPAL DO PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA - PSDB DE CHAPADA DOS GUIMARAES/MT, inscrito no CNPJ sob o n° 01.339.466/0001-89, com sede na Avenida Rubens Paes de Barros Filho, n° 770, Altos do Mirante, Chapada dos GuimarSes/MT, através de sua advogada infra- assinada, com escritério profissional na Rua Fernando Correa, n. 432, Centro, Chapada dos Guimardes/MT, vem, respeitosamente & presenga de Vossa Exceléncia, propor REPRESENTAGAO PROPAGANDA ELEITORAL NEGATIVA EXTEMPORANEA C/C PEDIDO DE LIMINAR, contra PAULO ROBERTO BOMFIM DE JESUS, inscrito no CPF sob 0 n, 543.964.177-72 e IVANILZA MOREIRA, ambos residentes e domiciliados na Travessia Padre José do Sacramento, n. 39, site www.omatogrosso.com, endereco desconhecido, proprietdrio desconhecido, tel n. 3364- 7786, email: diretoria@omatogrosso.com, site www.paginadoenock.com.br, endereco —_desconhecido, representado por ENOCK CAVALCANTI, tel 65-99638-6107, email: enockcavalcanti@gmail.com, pelos motivos de fatos e de direito a seguir aduzidos: DOS FATOS O Representado, Sr. Paulo Bomfim, atuou na gesto a frente da Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimar3es como Secretdrio de Planejamento por um curto periodo. Passados um tempo apés ser exonerado, n3o se sabe exatamente por quais motivos, 0 Sr. Paulo Bomfim iniciou uma verdadeira campanha difamatoria e injuriosa contra a Representante, publicando diversas matérias com conteudo absolutamente ofensivos no blog Representado denominado de “paginadoenock”. Sem embargos de outras representacées por matérias j4 veiculadas com contetido caracterizadores de propaganda eleitoral extemporanea na sua forma negativa, 0 objeto da presente representacdo se refere a um artigo recentemente publicado que tem titulo “Em Chapada, verdadeira renovacao é desprezada descaradamente, 0 quadro eleitoral é terrivel." Tal matéria foi veiculado nao sé pelo blog paginadoenock.com.br (https://paginadoenock.com.br/paulo- bomfim-em-chapada-verdadeira-renovacao-e-desprezada- descaradamente-o-quadro-eleitoral-e-terrivel/), como tambem pelo site www.omatogrosso.com https://www.omatogrosso.com/filiados-do- ptb-deixam-a-sigla- e-aderem-a-candidatura-kalil-hazama/) e, ainda, nos grupos de whatsapp pelo Sr. Paulo Bonfim e no grupo de facebook “Acorda Chapada” pela companheira do Sr. Paulo Bomfim, Sra. Ivanilza Moreira. As contas de gestao do exercicio de 2017 sequer foram apreciadas pelo Tribunal de Contas, tendo em vista que, em primeiro julgamento foi reconhecido como contas nao prestadas, porém, acolhendo recurso interposto pela defesa da Representante o TCE voltou atras e determinou a analise das contas, 0 qual ainda nao foi apreciada pela corte de contas. Em seguida o Representado nao sé ofendeu a Representante, como também o juizo da 24 vara Civel da Comarca de Chapada dos Guimaraes, alegando que através de golpes, recursos esdruxulos e mentiras impediu a apreciacdo das contas pela Camara Municipal de Chapada dos Guimaraes: “recorrendo a golpes, de recursos esdrtixulos, ce in it judicidrio para impedir a Camara de Vereadores de julgar e as contas de 2019 indo pelo mesmo caminho da reprovacao, a prefeita Thelma de Oliveira - PSDB nao demonstra o menor arrependimento e age como a cidade de Chapada fosse a cidade melhor administrada do Mato Grosso.” Com todas as vénias, a Representante ingressou com recurso de reviséo do parecer do Tribunal de Contas relativo as contas, 0 qual ainda esté pendente de anilise, no entanto, mesmo ciente de tal recurso, a Camara Municipal insistiu no julgamento, fazendo com que a Representante ingressasse com Mandado de Seguranca distribuido a 2? Vara Civel desta Comarca que deferiu a liminar. Nao houve golpe, recurso esdruxulo ou mentiras. Em outras palavras é mentira que foi protocolado pedido de revisdo do parecer. Se assim o fosse a Representante tem “muito poder” perante o Judiciario, pois, a Camara Municipal ingressou com recurso ao Tribunal de Justica contra a liminar e o pedido de antecipacdo de tutela foi negado. Alias, 0 “golpe” também inclui o Ministério PUblico Estadual, pois, no Tribunal de Justiga o Procurador de Justiga que oficia no mencionado recurso deu parecer contrario ao seu acolhimento, cuja manifestacéo transcrevo alguns trechos: “Considerando a data de emissao do Parecer Prévio, em 18/12/2019, 0 seu recebimento pelo Poder Legislativo em 03/03/2020 e o protocolo do pedido de revisdo em 10/03/2020, em principio, nao ha falar em intempestividade do requerimento, tendo em vista a observancia ao prazo previsto no artigo 283-A e 283- B, do RITCE/MT. Conforme consignado pelo Juizo de 1° Grau, a Agravada formulou requerimento de suspenséo do julgamento das contas, em razéo do pedido de reviséo do parecer prévio, desde o dia 11/03/2020. Deste modo, considerando que tal informagéo consta do processo em tramite perante a casa de leis, nao pode o Presidente da Corte, ora Agravante, alegar desconhecimento de tal fato. De mesmo modo, o Conselheiro Interino Joao Batista de Camargo Junior, notificou o presidente da Camara Municipal, ora Agravante, acerca do protocolo do pedido de reviséo, recomendando a suspenséo do tramite do julgamento das contas anuais do governo, a fim de néo frustrar a eficdcia da reanalise pela Corte de Contas. Entretanto, o Presidente da Casa de Leis Municipal entendeu por bem prosseguir com a anélise do Processo. A fungéo da C&mara Municipal de julgar as contas da Prefeitura Municipal, é exercida, ap6s a elaboracao do parecer prévio do Tribunal de Contas. A atuacao da casa de leis ocorre apés encerrada a andlise do parecer prévio pela Corte de Contas. Destarte, diante da informacaéo de que as contas do Poder Executivo estéo sendo reanalisadas pelo Tribunal de Contas, existindo a possibilidade de elabora¢éo de um novo parecer prévio, até mesmo para se evitar a pratica de atos desprovidos do binémio necessidade e utilidade, mostra-se recomendével que a C4mara Municipal aguarde nova decisio a ser proferida pela Corte de Contas, seja pela procedéncia do requerimento ou pela manutencéo do parecer prévio emitido anteriormente..” (id. 45561450) Ante o exposto, sem mais delongas, o parecer é pelo desprovimento do recurso interposto, nos termos e raz6es alhures exaradas.” As ofensas contidas na “matéria” nao param por ai, o Representado menciona a existéncia de 08 (oito) candidatura e afirma que, quase todas, sdo de “meros vigaristas”, porém, como veremos o seu veneno sé foi direcionado a duas candidaturas: "Com as 8 candidaturas ao cargo de Prefeito/a, homologadas em respectivas convengées partidarias, concorrendo a prefeitura de Chapada dos Guimaraes com quase todas, destas candidaturas de meros vigaristas, sendo inconsistentes e envolvendo interesses umbilicais e inconfessaveis. Candidaturas sem verdadeiros compromissos com a verdade e para com a sociedade, fragmentando e dissolvendo-se o interesse de muitos, pela discusséo politica no municipio.” Se n&o bastasse todas essas ofensas direcionada a Representante e Poder Judicidrio, o que a Representante entendeu como mais grave, digno de repudio, diante das batalhas que sempre enfrentou pelo empoderamento da mulher, é que o cunho central de essas ofensas nao era a sé de atingir a Representante enquanto candidata e gestora, mas sim o seu carater absolutamente discriminatério. Isso porque, como bem reconhecido no artigo questionado, em Chapada dos Guimaraées/MT ha oito candidaturas, das quais apenas duas so encabecadas por mulheres, ou seja, a da Representante e a da candidata Michelle do Banco e, somente as duas foram duramente ofendidas pela matéria, a qual tenta de qualquer forma desconstruir as candidaturas de mulheres em Chapada dos Guimaraes/MT. Trata-se de um claro preconceito que via contra tudo 0 que essa Justica Eleitoral, em especial a de Mato Grosso, vem batalhando, que a incluséo das mulheres nas eleicdes democraticas. Ora, a Justica Eleitoral tem sido pioneira na inclusSo € no empoderamento da mulher, fazendo cumprir as leis que determinam a participacdo feminina nas eleicgdes, seja pela aplicagéo de sancdes por ndo observar a quota de género na propaganda partidaria ou até mesmo com a cassacdo de chapas inteiras por fraude na quotas de género. Justamente por isso a Justica Eleitoral n3o pode admitir que tais comportamentos agressivos, discriminatérios e criminosos venha a ser perpetrar nestas eleicdes. DO DIREITO Ao propalar e publicar matéria com cunho que ao mesmo é ofensivo, sabiamente inveridico, difamatério, injurioso, calunioso e discriminatério, os Representados praticaram propaganda eleitoral de cunho _negativo extemporaneamente, o que é vedado pela legislacao. Nesse passo, devemos ressaltar que a imagem e da honra das pessoas s&o direitos fundamentais, asseguradas pela Carta Magna de 1988, art. 5° inciso X, in verbis: “Art. 5.° Todos sao iguais perante a lei, sem distingaéo de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito 4 vida, a liberdade, 4 igualdade, 4 seguranca e 4 propriedade, nos termos seguintes: (od) X - S3o inviolaveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado 0 direito a indenizacao pelo dano material ou moral decorrente de sua violacao.” Assim, registra-se a importancia dada pela Constituic&o Republicana quanto a protecéo da imagem e honra das pessoas, elencando-as e ratificando-a por mais de uma vez entre os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. A propésito, oportuna a _ deciséo jurisprudencial sobre o tema, que assim preconiza: “LIBERDADE DE EXPRESSAO ~- _ PRINCIPIO CONSTITUCIONAL ~ INVIOLABILIDADE DA HONRA E DA IMAGEM - PRINCIPIO MAIOR - CENSURA - INEXISTENCIA. Nao constitui exercicio de censura a postura de um juiz que, j4 conhecendo publicacdo ofensiva 4 honra e 4 imagem profissional de uma pessoa, expede comando judicial impedindo que outras publicacées se facam, determinando, assim, a evidente e maior prevaléncia de principio constitucional que protege valor material, abstrato, em confronto com outro principio que apenas assegura a pratica de ato, revestindo-se, pois, de natureza material.” (Processo: 0361423-1; Agravo de Instrumento; Civel; Ano: 2002; Comarca: Janudria; Origem: Tribunal de Alcada do Estado de Minas Gerais; Orgdo Julgador Primeira Camara Civel; Relator: Juiz Moreira Diniz; Data Julgamento: 30/04/2002; Dados Publicados: RITAMG 47/p.57; Deciso: Undnime) Segundo leciona o professor Caio Mario da Silva Pereira, in “Responsabilidade Civil”, 42 ed., editora forense, p. 59: “E preciso entender que, a par do patriménio, como complexo de relacées juridicas de uma pessoa, economicamente aprecidvel. (Clovis Beviléqua, Teoria Geral do Direito Civil, paragrafo 29) o individuo é titular de direitos integrantes de sua personalidade, o bom conceito de que desfruta na sociedade, os sentimentos que exortam a sua consciéncia, os valores efetivos, merecedores, todos de integral protegéo da ordem juridica).” O Cédigo Eleitoral profbe qualquer forma de propaganda que possa caluniar, injuriar e difamar, assim como degradar candidato ou pretenso candidato, exatamente o que esta acontecendo no caso dos autos, verbis: “art. 243. No serd tolerada propaganda: III - de incitamento de atentado contra pessoa ou bens; § 1° O ofendido por caltinia, difamacao ou injuria, sem prejuizo e independentemente da agéo penal competente, poderé demandar, no Juizo Civil a reparac3o do dano moral respondendo por este o ofensor e, solidariamente, o partido politico deste, quando responsével por acéo ou omissao a quem que favorecido pelo crime, haja de qualquer modo contribuido para ele.” Logo depois o mesmo diploma legal define como sendo crime: “Art. 323. Divulgar, na propaganda, fatos que sabe inveridicos, em relagéo a partidos ou candidatos e capazes de exercerem influéncia perante o eleitorado: Pena - detencdo de dois meses a um ano, ou pagamento de 120 a 150 dias-multa. Parégrafo Unico. A pena é agravada se o crime é cometido pela imprensa, radio ou televisao. Art. 324. Caluniar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando fins de propaganda, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - deteng&o de seis meses a dois anos, e pagamento de 10 a 40 dias-multa. § 1° Nas mesmas penas incorre quem, sabendo falsa a imputacao, a propala ou divulga.” Em que pese a CF garantir o direito a livre manifestacio e opiniéo, a Justiga Eleitoral entende que a publicagéo de propaganda negativa em sites, blogs ou rede sociais ndo pode ser admitida na disputa, uma vez que causa desequilibrio no pleito, conforme deciséo do Tribunal Regional Eleitoral da Paraiba: ",.. A divulgacéo por meio de blogs de matéria que transmite propaganda eleitoral negativa em desfavor de candidatos e partidos politicos, foge a razoabilidade da livre manifestagéo de pensamento e da liberdade de imprensa, provocando desequilibrio na disputa.” (RP 762868, Deciséo n° 3 de 17/12/2010, Relator(a) MARCIO MURILO DA CUNHA RAMOS, Publicagéo 12.11..2011) Por outro lado, a Lei 9.504/97 nao obstante pregar a liberdade de manifestacao na internet dispde que tal liberdade n&o é absoluta e pode sofrer restric6es em casos em que haja extrapolamento, inclusive prevendo a aplicacéo de multa, verbis: “Art. 57-D. E livre a manifestagéo do pensamento, vedado 0 anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores - internet, assegurado o direito de resposta, nos termos das alineas a, b ec do inciso IV do § 30 do art. 58 e do 58- A, e por outros meios de comunicagao interpessoal mediante mensagem eletrénica. § 20 A violacgaéo do disposto neste artigo sujeitard o responsével pela divulgagéo da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficidrio 4 multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00 (trinta mil reais). § 30 Sem prejuizo das sangées civis e criminais aplicdveis ao responsavel, a Justica Eleitoral poderd determinar, por solicitagéo do ofendido, a retirada de publicag6es que contenham agress6es ou ataques a candidatos em sitios da internet, inclusive redes sociais.” Com efeito, a caracterizacéo da propaganda eleitoral negativa é evidente na medida em que, ao alegar fatos inveridicos, calunioso, injurioso, difamatério e discriminatério quem o produziu tende que o eleitorado deixe de votar no candidato da coligacao/requerente. Assim sendo, é pacifico na jurisprudéncia que “A divulgacao de fatos que levem o eleitor a nao votar em determinada pessoa, provavel candidato, pode ser considerada propaganda eleitoral antecipada negativa"(TSE - Recurso Especial n° 20.073, Rel. Min. Fernando Neves) E se a propaganda negativa é realizada fora do periodo em que é permitido a propaganda eleitoral ela é caracterizada como extemporanea, conforme posicionamento pacifico do Tribunal Superior Eleitoral: ..]. Propaganda eleitoral negativa extempordnea. Configuracéo. Multa. [...] 1. Consoante a jurisprudéncia do Tribunal Superior Eleitoral, a configuracéo da propaganda eleitoral extempordnea independe da escolha dos candidatos em convengéo partiddria. Precedente. 2. A divulgacéo de propaganda antes do periodo permitido pelo art. 36 da Lei 9.504/97 contendo imagem ofensiva 4 honra e 4 dignidade do governador do estado configura propaganda eleitoral negativa extemporanea. 3. O acérdéo recorrido esté em consonaéncia com a jurisprudéncia do Tribunal Superior Eleitoral, no sentido de que o pluralismo politico, a livre manifestagao do pensamento, a liberdade de imprensa e odireito de critica néo encerram direitos ou garantias de cardter absoluto, atraindo a san¢ao da lei eleitoral no caso de ofensa a outros direitos, tal como o de personalidade. Precedentes. 4. O pedido expresso de voto ndo & condicéo necessdria a configuragéo de propaganda, que, em sua forma dissimulada, pode ser reconhecida aferindo-se todo 0 contexto em que se deram os fatos. Precedentes. [...]” (Ac. de 17.3.2015 no AgR-REspe n° 20626, rel. Min. Jo&o Otavio de Noronha.) "[...] Propaganda eleitoral extempordnea negativa na internet. Caracterizada. Abuso do _ direito constitucional de livre manifestac¢ao de pensamento. Anonimato. Ofensa a honra. [...] 2. A moldura fatica delineada no acérdéo regional revela que o agravante, antes do periodo permitido para a realizagéo de propaganda eleitoral, utilizou-se de perfil andnimo e falso na rede social Facebook, denominado ‘Orlando Enrolando’, para criticar politicamente o recorrido - ‘ofendem a imagem, a honra e a dignidade do recorrido e como corolario induzem os eleitores a nao votar nele’[...] -, motivo pelo qual restou configurada a propaganda eleitoral antecipada negativa. 3. A livre manifestagéo de pensamento nao constitui direito de carater absoluto. Precedentes. 4. A divulgacdo de publicacgaéo, antes do periodo permitido, que ofende a honra’ de possivel futuro candidato constitui propaganda eleitoral_negativa — extemporanea. Precedentes. [...]” (Ac. de 29.08.2017 no AgR-AI n° 264, rel. Min.. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.) ..] Propaganda eleitoral antecipada. Propaganda negativa. Multa. [...] 3. No mérito, 0 Tribunal a quo manteve a condenacao, mas reduziu o valor da multa imposta na sentenca para R$ 5.000,00, tendo concluido pela configuragéo de propaganda eleitoral antecipada negativa, por ter o representado veiculado em sua pagina pessoal do Instagram noticias acerca da gestéo do entaéo pré-candidato a reeleicéo ao cargo de Governador do Estado. 4. No termos da jurisprudéncia do Tribunal Superior Eleitoral: ‘A divulga¢ao de publicagéo, antes do periodo permitido, que ofende a honra de possivel futuro candidato constitui propaganda eleitoral negativa extempordnea’ [...] 5. O TRE ao analisar o contexto no qual ocorreu a veiculagdo da mensagem postada, destacou que ‘mesmo considerando que a divulgacéo dos recorrentes digam respeito as vicissitudes na gestéo da sadde publica durante 0 governo do candidato do recorrido (atual Governador do Estado e candidato 4 reeleico), nao hd comprovacéo nos autos de que o mesmo [sic] desvia dinheiro da satide para a politica, e hé nitida comparacéo entre gestées, 0 que é suficiente para demonstrar o caréter eleitoreiro da postagem e a realizacéo de propaganda eleitoral antecipada negativa’ [...] Acresca-se que descabe potencializar somente o teor da mensagem veiculada, a fim de afastar a propaganda eleitoral antecipada negativa, diante das premissas expostas no acérdéo recorrido. [...]” (Ac. de 17.9.2019 no AgR-REspe n° 060009906, rel. Min. Sergio Banhos.) Portanto, Exceléncia, néo resta duvida que a propaganda divulgada pelos representados é totalmente ilegal e deve ser cessada imediatamente. DA LIMINAR O direito fundamental de liberdade de expressdo vem positivado na norma do artigo 50, IV, da Constituic&o Federal, segundo a qual é livre a manifestacgo do pensamento, vedado o anonimato, norma essa que deve ser, compulsoriamente, interpretada com o disposto no artigo So, IX, do mesmo texto, pelo qual é livre a expressdo da atividade intelectual, artistica, cientifica e de comunicacao, independentemente de censura ou licenca. Por certo que no ha direito fundamental de indole absoluta, tendo em vista a possibilidade de restricéo a qualquer direito fundamental prevista na Constituigéo Federal e no ordenamento infraconstitucional. Dai € que n&o se pode admitir a utilizagdo de um veiculo de comunicacgao social para favorecer determinado candidato em detrimento de outros. Essa restricéo vem positivada tanto na Lei n° 9.504/97, quanto na Lei Complementar n° 64/90. E certo também que o Tribunal Superior Eleitoral em diversas oportunidades ja manifestou que o direito a liberdade de manifestacao deve ser interpretado em consonancia com o principio da igualdade entre os candidatos, que é a maxima de um processo eleitoral, seno vejamos: NE: “(...) a liberdade de informagao e de expressio prevista no art. 220 da Constituic&o Federal deve ser interpretada em consondncia com o principio da igualdade entre os candidatos, necessdrio para resguardar o equilibrio entre eles no pleito, sob pena de ser maculada a livre vontade popular expressa por meio das urnas (...).” (Ementa nao transcrita por nao reproduzir a decisSo quanto ao tema.) (Ac. no 5.409, de 10.3.2005, rel. Min. Pecanha Martins.) Agravo regimental. Recurso especial. Caracterizagao infracéo a Lei das Elei¢es. Reexame. Impossibilidade. Agravo nao provido.” NE: “As normas contidas na Lei das Eleicdes no afetam a liberdade de expressao e informacéo, garantidas pela Constitui¢ao Federal. Esses pprincipios sao equivalentes, na ordem constitucional, aos da lisura do pleito e igualdade dos candidatos”. (Ac. no 21.885, de 8.9.2004, rel. Min. Luiz Carlos Madeira.) Recurso especial. Representagao. Programa de radio. Art. 45, incisos I, II e IV, da Lei no 9.504/97. (...) 1. A liberdade de manifestacao do pensamento garantida pela Constituicgéo Federal e a liberdade de imprensa so principios equivalentes, na ordem constitucional, aos da lisura e legitimidade dos pleitos e igualdade dos candidatos. Precedentes da Corte. Recurso conhecido e improvido.” (Ac. no 21.298, de 4.11.2003, rel. Min. Fernando Neves.) No caso, o Represente pretende obter provimento em sede de liminar para que os Representados se abstenham de veicular propaganda leitoral_negativa questionada no prazo de 24 (vinte e quatro) sob pena de pagamento de multa no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais) em caso de descumprimento. Presente a fumaca do bom direito, de forma inconteste, pois é claro e cristalino que os Representados de forma ardilosa e reprovavel veicularam propaganda eleitoral negativa de cunho calunioso, difamatério, injurioso e dsicriminatério. O perigo da demora reside exatamente na possibilidade de que seja dada continuidade ao ato questionado, © que trara evidente prejuizo ao Representante. Assim, uma vez demonstrado de forma irreparavel, a conduta ilicita, e capitulando 0 caso concreto em ilicitudes eleitorais e penais, é que autoriza a Urgéncia Urgentissima. Presente, portanto, o periculum in mora e 0 fumus boni iuris, condigdes sine qua non, a concess&o da liminar € antes de tudo um direito. Veja-se 0 que diz o respeitado doutrinador em matéria eleitoral Favila Ribeiro, sobre Processos de controle aplicaveis a propaganda: "Pertence a Justica Eleitoral a plenitude do controle a ser exercido em matéria de propaganda eleitoral, velando por sua propria iniciativa para que a campanha politica seja realizada em sintonia com os preceitos legais. No desempenho dessas atividades no ficam os érgaos da Justica Eleitoral a depender da provocacdo de interessados, cabendo-lhes tomar as precaugées compativeis com as circunstancias para manutengao de um clima de respeito e seguranca nas atividades de propaganda, em condic6es de abortar com aco fulminante qualquer perturbacaéo que possa irromper. Quase sempre uma intervencéo instantaénea constitui 0 antidoto para proteger candidatos e partidos dos efeitos de uma campanha desleal e inescrupulosa... Alias, nessas empreitadas ilicitas hd sempre a interposicéo de figuras inescrupulosas que atuam como instrumentos das torpezas, nado se podendo comprovar a participagéo dos auténticos responsaveis pela _urdidura criminosa que delas passam a se beneficiar definitiva e impunemente, colhendo proveito eleitoral imutaével. Na atividade de controle em matéria de propaganda, consta expressa ressalva no art. 249 do Cédigo Eleitoral ao poder de policia, a "ser exercido em beneficio da ordem publica” Ainda, o renomado jurista, agora discorrendo a respeito dos crimes lesivos aos padrées éticos e igualitarios na competicao eleitoral, sobre a protecdo moral assim diz: "Todos, indistintamente, séo credores de igual protecao moral, de respeito a sua dignidade. Mas a esse aspecto individual sobreleva a preocupacéo com 0 proprio decoro da campanha politica, a que se nao venha amesquinhar em desprimorosas retaliagdes. E a ordem publica que deixa refletida a prevaléncia de seu interesse, uma vez que a fase da campanha politica esta diretamente implicada com o funcionamento das instituicdes democréticas que comp6em a organizacao politica nacional.” DO REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, requer: I - a concessfo de liminar, a fim de que seja determinado a imediata retirada a matéria inveridica, de cunho injurioso, difamatério, calunioso e discriminatorio publicadas nos sites representados e qualquer midia social, entre elas, facebook e whatsapp, bem como se abstenham de reproduzi-la de qualquer forma, no prazo de 24 (vinte e quatroO horas, sob pena de pagamento de multa no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por dia de descumprimento; II - LIMINARMENTE, que seja determinado que os Representados facam uma retrataco nos mesmos meios de comunicacao social, onde foi publicada a materia, informando que as contas de campanha de 2017 nado foram julgadas e que nao a Representante nao praticou golpes ou utilizou recursos esdrixulos ou mentirosos para suspender o julgamento das contas perante a Camara Municipal; III - Encaminhamento dos autos para a Policia Federal para instaurar inquérito sobre o crime eleitoral praticado; IV - a notificacdo dos Representados para, querendo, apresentar Defesa no prazo legal; V - a intimagdo do representante do Ministério PUblico Eleitoral; VI - que a acao seja julgada procedente em todos os seus termos e pedidos, ratificando a liminar, e, determinando definitivamente a proibicdo da propaganda ora atacada, assim como aplicando aos representados a multa prevista no §2°, do art. 57-D, da Lei 9.504/97 c/c a multa do art. 2°, § 4° da Resolucdo TSE 23.610. Termos em que, Pede deferimento. Fabiana Napolis Costa OAB/MT 15569

Avaliar