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Justiça Eleitoral

PJe - Processo Judicial Eletrônico

30/09/2020

Número: 0600117-24.2020.6.11.0034
Classe: REPRESENTAÇÃO
Órgão julgador: 034ª ZONA ELEITORAL DE CHAPADA DOS GUIMARÃES MT
Última distribuição : 21/09/2020
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Propaganda Política - Propaganda Eleitoral - Extemporânea/Antecipada
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA FABIANA NAPOLIS COSTA (ADVOGADO)
(REPRESENTANTE)
DIRETORIO MUNICIPAL PARTIDO DA SOCIAL FABIANA NAPOLIS COSTA (ADVOGADO)
DEMOCRACIA BRASILEIRA EM CHAPADA DOS
GUIMARAES MT (REPRESENTANTE)
PAULO ROBERTO BOMFIM DE JESUS (REPRESENTADO)
IVANILZA MOREIRA (REPRESENTADO)
site www.omatogrosso.com.br (REPRESENTADO)
blog paginadoenock.com.br (REPRESENTADO)
PROMOTOR ELEITORAL DO ESTADO DO MATO GROSSO
(FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
10938 30/09/2020 17:36 RESPOSTA JUSTIÇA ELEITORAL - 0600117-24 Petição
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 034ª ZONA
DA JUSTIÇA ELEITORAL DA COMARCA DE CHAPADA DOS
GUIMARÃES DO ESTADO DE MATO GROSSO.

Referente ao processo nº 0600117.24.2020.6.11.0034

Classe: Representação

PAULO ROBERTO BOMFIM JESUS,


brasileiro, divorciado, servidor público aposentado, residente e domiciliado na cidade
de Chapada dos Guimarães – Estado de Mato Grosso, na Rua Travessa Padre José do
Sacramento, nº 49, bairro Centro, portador da cédula de identidade nº 2538186-5 -
SSP/MT, e do CPF/MF sob o nº. 543.964.177-72, sua esposa IVANILZA MOREIRA e
BLOG PAGINADOENOCK.COM.BR, (através do seu representante legal) vêm
respeitosamente à digna e honrosa presença de Vossa Excelência, por seu advogado que
esta subscreve, causídico regularmente inscrito na OAB/MT sob o nº 5.486, com
escritório profissional localizado na capital do Estado de Mato Grosso, na Av.
Historiador Rubens de Mendonça, 1731, sala 406, Ed. Centro Empresarial Paiaguás –
fone (65) 3642-5396 - email: jrcorbelino@hotmail.com, local onde recebe as
notificações e intimações de estilo, apresentar RESPOSTA, nos sobreditos autos da
REPRESENTAÇÃO COM PEDIDO DE LIMINAR ajuizada pela senhora THELMA
PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA E DIRETÓRIO MUNICIPAL DO PARTIDO
DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA - PSDB, o fazendo nos seguintes termos:

Em apertada síntese, eis o que disse a representante


em sua peça inicial:
“(...) Afirma que o primeiro representado atuara como secretário de planejamento do
município por um período e, após sua exoneração, passara a publicar diversas
matérias de cunho inverídico e ofensivo, em verdadeira campanha difamatória
contra a primeira representante.
Diz que sem embargo de outras matérias, objeto desta representação diz respeito a
um artigo veiculado nos sítios eletrônicos dos representados acima e ainda divulgado
em grupos de whatsapp e facebook pelos representados.
E mais, menciona que o artigo o pretexto de traçar um panorama do quadro eleitoral
para a chefia do executivo, mas acaba por finalizar com afirmações caluniosas,
difamatórias e injuriosas em face da atual prefeita, ora representante.
Menciona ainda, que além de ofender a atual prefeita, o primeiro representado, com
divulgação do artigo, teria direcionado ofensas ao judiciário ao MP, aos demais
candidatos, entre todos.
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Av. Historiador Rubens de Mendonça n.º 1.731, Sala 406 - “Centro Empresarial Paiaguás”, Bairro Miguel Sutil - Cuiabá - Estado de
Mato Grosso - Fone: (65) 3642-5396 – e-mail: jrcorbelino@hotmail.com

Assinado eletronicamente por: JOSE RICARDO COSTA MARQUES CORBELINO - 30/09/2020 17:36:48 Num. 10938177 - Pág. 1
https://pje1g.tse.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=20093017364827300000010442684
Número do documento: 20093017364827300000010442684
Por derradeiro, pede liminar para retirada da matéria dos sítios e das demais
plataformas de conteúdo digital, incluindo redes sociais, bem como sejam os
representados obrigados a se retratarem pelos mesmos meios (...)”.

É o que merece destaque.

Douto Magistrado, a questão ora em exame, assume


indiscutível magnitude de ordem político-jurídica e mostra-se impregnada de
irrecusável densidade constitucional, notadamente em face de seus claros lineamentos
que, fundados na Constituição da República, foram analisados, de modo efetivo, no
julgamento da ADPF 130/DF, em cujo âmbito o Supremo Tribunal Federal pôs em
destaque, de maneira muito expressiva, uma das mais relevantes franquias
constitucionais: a liberdade de manifestação do pensamento, que representa
um dos fundamentos em que se apóia a própria noção de Estado
democrático de direito.

Excelência, conforme se pode aferir por uma leitura


atenta da peça madrugadora dos autos, pode-se concluir, sem maiores esforços, que a
presente representação por propaganda eleitoral formulada de forma extemporânea,
todavia, não merece prosperar.

Na inicial, com a imprecisão da qual se reveste, não


logrou a representante, com a clareza indispensável, demonstrar qual a ilegalidade do
ato que teria sido praticado pelos ora defendentes, e, nem mesmo, qual a lesividade que
o pseudo ato praticado e que se busca invalidar, teria ocasionado a representante, daí a
manifesta temeridade de se admitir a sua figuração como sujeito passivo na ação que
ora se defende.

Com efeito, alongou-se a petição inicial na descrição


de fatos, sem uma seqüência lógica que encadeie a narração para a conclusão.

E, no tumulto estabelecido na descrição, não


conseguiu a Autora representante realçar os fatos relevantes caracterizadores de
ilegalidade lesiva que pudesse ensejar verdadeira campanha difamatória em desfavor
da pessoa da atual chefe do executivo municipal, pelo que, com o devido respeito, cuja
mácula não poderá deixar de ser conhecida e declarada por esse douto juízo, tanto isso
é a realidade que Vossa Excelência com muita precisão e sapiência que lhe é peculiar
sobre o tema abordado, rechaçou de forma robusta o pleito de liminar, assente única e
tão somente na legislação vigente, senão vejamos:

“(...) Diante do panorama normativo e jurisprudencial


exposto, não se evidencia na conduta dos
representados qualquer conduta irregular
repreensível aprioristicamente, em sede liminar,
porquanto a critica fora direcionada não apenas a chefe
do executivo local, como também a outros pretensos
candidatos e figuras políticas em tom generalizado.

Com efeito, o representado teceu comentários


negativos sobre panorama político-eleitoral deste
município, em nítida expressão de sua liberdade

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de opinião, sem violar, ao menos em uma análise
perfunctória, qualquer regra processual eleitoral.

Mais e ainda, não se constata de plano a afirmação de fato


sabiamente inverídico, pois de fato as contas da atual
prefeita de chapada dos Guimarães referentes ao ano de
2017 foram rejeitadas, mesmo que saiba que estão em
processo de revisão e já conta com parecer pela
aprovação, fato é que o panorama da rejeição ainda não
se alterou junto ao TCE-MT (...)

Por fim, as criticas fazem parte do processo


político eleitoral e não podem ser censuradas pelo
Poder Judiciário, a quem cabe a missão de velar
pela regularidade do jogo, sem intervenções
prematuras que inibam a liberdade de expressão
dos cidadãos (...)”

Cabe rememorar a digna representante (atual prefeita),


por relevante, a adoção, em 11/03/1994, pela Conferência Hemisférica sobre liberdade
de expressão, da Declaração de Chapultepec, que consolidou valiosíssima Carta de
Princípios fundada em postulados que, por essenciais ao regime democrático, devem
constituir objeto de permanente observância e respeito por parte do Estado.

A Declaração de Chapultepec – ao enfatizar que uma


imprensa livre é condição fundamental para que as sociedades resolvam seus conflitos,
promovam o bem-estar e protejam sua liberdade, não devendo existir, por isso
mesmo, nenhuma lei ou ato de poder que restrinja a liberdade de
expressão ou de imprensa, seja qual for o meio de comunicação – proclamou,
dentre outros postulados básicos, os que se seguem:

“I – Não há pessoas nem sociedades livres sem liberdade


de expressão e de imprensa. O exercício dessa não é uma
concessão das autoridades, é um direito inalienável do
povo. II – Toda pessoa tem o direito de buscar e
receber informação, expressar opiniões e divulgá-
las livremente. Ninguém pode restringir ou negar
esses direitos.
.................................................................................................
...... VI – Os meios de comunicação e os jornalistas não
devem ser objeto de discriminações ou favores em função
do que escrevam ou digam.

.................................................................................................
...... X – Nenhum meio de comunicação ou
jornalista deve ser sancionado por difundir a
verdade, criticar ou fazer denúncias contra o
poder público.” (grifei)

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Como se vê Excelência, com a propositura da presente
representação por parte da chefe do executivo municipal, revela-se que nada há de mais
nocivo, nada mais perigoso do que a pretensão do Estado de regular a liberdade de
expressão e pensamento (ou de ilegitimamente interferir em seu exercício), pois o
pensamento há de ser livre, permanentemente livre, essencialmente livre!

Ninguém ignora que, no contexto de uma sociedade


fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão estatal ao
pensamento, ainda mais quando a crítica – por mais dura que seja – revele-se
inspirada pelo interesse coletivo e decorra da prática legítima de uma
liberdade pública de extração eminentemente constitucional (CF, art. 5º,
IV, c/c o art. 220)

Não se pode desconhecer que a liberdade de imprensa,


enquanto projeção da liberdade de manifestação de pensamento e de comunicação,
reveste-se de conteúdo abrangente, por compreender, dentre outras prerrogativas
relevantes que lhe são inerentes, (a) o direito de informar, (b) o direito de
buscar a informação, (c) o direito de opinar e (d) o direito de criticar.

A par de tudo isso, independentemente da crítica


realizada pelo ora primeiro representado sobre a possível reprovação das contas de
governo da prefeitura, vale consignar nesta oportunidade, que é fato de conhecimento
público e notório dessa cidade, que sequer, algumas das suas contas de governo –
2017/2019 foram efetivamente analisadas por parte do legislativo municipal, o que
leva a crer que o esse debate não é infundado como quis demonstrar de forma singela a
graciosa a representante.

É por tal razão que a ‘crítica’ que os meios de


comunicação social dirigem às pessoas públicas, por mais acerba, dura e veemente que
possa ser, deixa de sofrer, quanto ao seu concreto exercício, as limitações externas que
ordinariamente resultam dos direitos de personalidade.

Portanto, é importante acentuar, bem por isso, que não


caracterizará hipótese de responsabilidade civil a publicação de matéria jornalística
cujo conteúdo divulgar observações em caráter mordaz ou irônico ou, então, veicular
opiniões em tom de crítica severa, dura ou, até, impiedosa, ainda mais se a pessoa a
quem tais observações forem dirigidas ostentar a condição de figura pública,
investida, ou não, de autoridade governamental, pois, em tal contexto, a
liberdade de crítica qualifica-se como verdadeira excludente anímica apta a afastar o
intuito doloso de ofender.

Com efeito, a exposição de fatos e a veiculação de


conceitos, utilizadas como elementos materializadores da prática concreta do direito de
crítica, descaracterizam o “animus injuriandi vel diffamandi”, legitimando, assim,
em plenitude, o exercício dessa particular expressão da liberdade de
imprensa.

Daí a existência de diversos julgamentos, que,


proferidos por Tribunais judiciários, referem-se à legitimidade da atuação jornalística,
considerada, para tanto, a necessidade do permanente escrutínio social a que se acham

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sujeitos aqueles que, exercentes, ou não, de cargos oficiais, qualificam-se como figuras
públicas.

Daí, a premissa sob tal aspecto, a decisão emanada do


E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, consubstanciada em acórdão assim
ementado:

“Os políticos estão sujeitos de forma especial às críticas públicas, e


é fundamental que se garanta não só ao povo em geral larga margem de
fiscalização e censura de suas atividades, mas, sobretudo à imprensa, ante a
relevante utilidade pública da mesma.” (JTJ 169/86, Rel. Des. MARCO CESAR)

Excelência, diante dessa visão pertinente à plena


legitimidade do direito de crítica, fundado na liberdade constitucional de comunicação,
é o julgamento, que, proferido pelo E. Superior Tribunal de Justiça – e em tudo
aplicável ao caso ora em exame –, está assim ementado:

“RECURSO ESPECIAL – RESPONSABILIDADE CIVIL


– DANO MORAL – (…) – DIREITO DE INFORMAÇÃO

‘ANIMUS NARRANDI’ – EXCESSO NÃO
CONFIGURADO (...).
.............................................................................................
.......... 3. No que pertine à honra, a responsabilidade
pelo dano cometido através da imprensa tem lugar tão-
somente ante a ocorrência deliberada de injúria,
difamação e calúnia, perfazendo-se imperioso
demonstrar que o ofensor agiu com o intuito específico
de agredir moralmente a vítima. Se a matéria
jornalística se ateve a tecer críticas prudentes
(‘animus criticandi’) ou a narrar fatos de
interesse coletivo (‘animus narrandi’), está sob
o pálio das ‘excludentes de ilicitude’ (...), não se
falando em responsabilização civil por ofensa à
honra, mas em exercício regular do direito de
informação.” (REsp 719.592/AL, Rel. Min. JORGE
SCARTEZZINI – grifei)

Nesse contexto, alicerçado no que mencionou Vossa


Excelência na brilhante decisão monocrática, a Lei nº 13.165/2015 (minirreforma
eleitoral) traduziu a opção política de flexibilizar a promoção pessoal e o proselitismo
político dos pré-candidatos no período de pré-campanha, restringindo bastante a
caracterização de atos que configurem propaganda eleitoral antecipada ilícita,
consoante a nova redação do art. 36- A da Lei nº 9.504/97, verbis:

Art. 36-A. Não configuram propaganda eleitoral


antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa
candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes

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atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via
internet:

V - a divulgação de posicionamento pessoal sobre


questões políticas, inclusive nas redes sociais;

Nesse sentido, é o entendimento pretoriano:

“LIBERDADE DE IMPRENSA (CF, ART. 5º, IV, c/c O ART.


220). JORNALISTAS. DIREITO DE CRÍTICA -
PRERROGATIVA CONSTITUCIONAL CUJO SUPORTE
LEGITIMADOR REPOUSA NO PLURALISMO POLÍTICO
(CF, ART. 1º, V), QUE REPRESENTA UM DOS
FUNDAMENTOS INERENTES AO REGIME
DEMOCRÁTICO. O EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÍTICA
INSPIRADO POR RAZÕES DE INTERESSE PÚBLICO:
UMA PRÁTICA INESTIMÁVEL DE LIBERDADE A SER
PRESERVADA CONTRA ENSAIOS AUTORITÁRIOS DE
REPRESSÃO PENAL. A CRÍTICA JORNALÍSTICA E AS
AUTORIDADES PÚBLICAS. A ARENA POLÍTICA: UM
ESPAÇO DE DISSENSO POR EXCELÊNCIA.” (RTJ
200/277, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

Ilustre Magistrado, não é menos exato afirmar-se, de


outro lado, que o direito de crítica encontra suporte legitimador no pluralismo político,
que representa um dos fundamentos em que se apóia, constitucionalmente, o próprio
Estado Democrático de Direito (CF, art. 1º, V). Portanto, não assiste razão à
representante senhora THELMA DE OLIVEIRA postular pela censura de opiniões e
criticas ao seu governo, isto porque, o debate de assuntos públicos deve ser sem
inibições, robusto, amplo, e pode incluir ataques veementes, cáusticos e,
algumas vezes, desagradáveis ao governo e às autoridades
governamentais, e como bem disse Vossa Excelência, as ‘criticas’ foram também
direcionadas em TOM GENERALIZADO.

Não obstante, é preciso lembrar e ressaltar a nobre


autoridade do executivo municipal, notadamente quando se busca promover a
repressão à crítica jornalística e pessoal, mediante este tipo de medida judicial, que o
Estado – inclusive o Judiciário – não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as
idéias e sobre as convicções manifestadas nos meios de comunicação social.

Assim sendo, essa garantia básica da liberdade de


expressão do pensamento, como precedentemente assinalado, representa, em seu
próprio e essencial significado, um dos fundamentos em que repousa a ordem
democrática.

Douto Magistrado, diferentemente do que se


pretende a representante (diga-se prefeita Thelma), nenhuma autoridade, mesmo a
autoridade judiciária, pode prescrever o que será ortodoxo em política, ou em outras
questões que envolvam temas de natureza filosófica, ideológica ou confessional, nem

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estabelecer padrões de conduta cuja observância implique restrição aos meios
de divulgação do pensamento.

Isso vale lembrar, porque o direito de pensar,


falar e escrever livremente, sem censura, sem restrições ou sem
interferência governamental representa, conforme adverte HUGO LAFAYETTE
BLACK, que integrou a Suprema Corte dos Estados Unidos da América, “o mais
precioso privilégio dos cidadãos” (“Crença na Constituição”, p. 63, 1970, Forense).

Sobre esses ensinamentos transcrevemos:

JOSÉ AFONSO DA SILVA ao enfrentar o art. 220 da


Magna Carta, a saber: "A liberdade de informação
jornalística de que fala a Constituição (art. 220,
parágrafo 1º) não se resume mais na liberdade de
imprensa, pois esta está ligada à publicação de veículo
impresso de comunicação. É liberdade de alcança
qualquer forma de difusão de notícias,
comentários e opiniões, por qualquer veículo
de comunicação social. Exatamente porque a
imprensa escrita, falada e televisada constitui
poderoso instrumento de formação da opinião
pública (mormente com o desenvolvimento das
máquinas interplanetárias, destinadas a propiciar a
ampla transmissão de informações, noticias, idéias,
doutrinas e até sensacionalismos) é que se adota, hoje,
a idéia que ela se desempenha uma função social
consistente, em primeiro lugar, em exprimir às
autoridades constituídas o pensamento e a vontade
popular, colocando-se quase como um quarto Poder,
ao lado do Legislativo, do Executivo e do
Jurisdicional. É que ela constitui uma defesa
contra todo excesso de poder e um forte
controle sobre a atividade político-
administrativa e sobre não poucas
manifestações ou abusos de relevante
importância para a coletividade". (ob., cit. p. 845,
M)

JOSÉ FRANCISCO CUNHA FERRAZ FILHO em


comentário ao art. 5, IV, da CF/88, assim se expressa:
"Liberdade de expressão. O direito de expressar o
pensamento sobre qualquer tema é
pressuposto da vida democrática. Assim como a
sociedade vive e se atualiza na informação 0 escrita,
falada ou gesticulada -, aquele que traz a informação
deve aparecer. O espaço púbico exige informação, mas
ao mesmo tempo exige transparência, sem a qual a
interação se mostraria pobre e desonesta. A
transparência - falta de anonimato - e a informação -

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viabilizada pela liberdade de expressão - são
requisitos fundamentais para a democracia e
para a constituição da sociedade política. Na esfera
civil, o anonimato desqualifica qualquer informação e
a torna descartável, por mais verdadeira que
pareça". (Constituição Federal Interpretada, 2ª. Ed.,
Manole, p. 18, 2011)

Bem analisando os autos, para que houvesse


caracterizado propaganda eleitoral antecipada negativa por parte dos representados,
essa ‘possível crítica’ como quis fazer crer a autora, teria que ao menos ultrapassar o
limite da liberdade de expressão, o que de fato sequer ocorreu, não havendo o que se
falar em matéria ofensiva e de cunho difamatório em desfavor da senhora Prefeita, que
se valeu desta demanda única e tão somente ‘amordaçar’ aqueles que possivelmente
contrariam, opinam e avaliam a forma e maneira do seu governo.

DO PEDIDO FINAL:

Por tudo o que restou aduzido e demonstrado na presente


resposta, vê-se de forma cristalina que esta não merece prosperar diante dos
argumentos que levaram a representante da ação produzir, diga-se de passagem, muito
mau posta e sem forma ou figura de juízo, daí a imperiosidade, com o devido respeito
desse conspícuo juízo eleitoral acolher os argumentos expostos, extinguindo-se o
processo, julgando-a totalmente improcedente, como medida de direito e de
inteira JUSTIÇA.

Na oportunidade, protestam pela produção de todos os


meios de provas admitidas em direito, por mais especiais que sejam, notadamente a
testemunhal, depoimento pessoal e juntada de novos documentos acaso necessário.

Uma vez julgada improcedente a representação, que


seja a Autora condenada ao pagamento das cominações devidas e legais.

Igualmente, em face do que prescreve


textualmente o artigo 104 do NCPC, parágrafo primeiro, postula pela
posterior juntada do instrumento de procuração dentro do prazo legal,
assim como que todas as intimações e notificações de estilo sejam
direcionadas ao subscritor no email declinado.

Nesses termos,
Pede deferimento.

De Cuiabá, para Chapada dos Guimarães, 30 de


setembro de 2020.

José Ricardo Costa Marques Corbelino


OAB-MT 5.486

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