Você está na página 1de 4

TRABALHO DE BIBLIOLOGIA

INTRODUÇÃO

O povo de Deus tem uma tarefa a cumprir neste mundo e consequentemente


também apresenta a necessidade de conhecer cada vez mais a Bíblia, o seu mundo e a
sua origem. Através da história vemos que o povo teve as mais variadas lutas com os
mais diversos inimigos. Um estudo preliminar sobre à Bíblia nos capacitará melhor,
para as lutas diárias enfrentadas por todo cristão.

Os primeiros cristãos nos deixaram não só o testemunho da Fé que professavam,


mas também o registro dos eventos que compuseram a construção da Igreja após o
Ministério de Jesus Cristo.

Esses textos foram escritos com diversos objetivos, uns para relatar os feitos do
Cristo e seus ensinamentos na perspectiva do autor, outros para fazer o registro do
caminhar inicial da Igreja e outros ainda com orientações e ajustes dessa nova religião
que se firmava.

A Bíblia como livro escrito aparece tardiamente na História, porém como livro
oral é muito antigo. A forma oral foi utilizada como registro e transmissão de
mensagens e histórias muito usada pelos israelitas nos seus primeiros séculos de
existência como nação. A palavra falada era muito significativa e se tornaria
posteriormente no que chamamos de livro hoje. Com Moisés, se inicia a lei escrita,
porém a tradição oral, que já existia, ainda permaneceu.

INSPIRAÇÃO E CANONICIDADE

A História da Bíblia Sagrada é muito longa, pois compreende um período que


dura nada menos que 15 séculos, iniciando-se no tempo anterior a Moisés, por volta do
ano 1200 a.C., chegando até o final do primeiro século após o nascimento de Jesus
Cristo século I d.C. Observa-se que há um grande intervalo de tempo e foram muitos os
acontecimentos que sucederam - se para a formação da Palavra de Deus que temos
hoje em mãos.

Antes de mais nada precisamos entender o significado das palavra e conceitos:


BIBLIA, INSPIRAÇÃO E CANÔN .
A palavra Bíblia, vem do latim vulgar Bíblia, que por sua vez vem do grego
βιβλια que não é singular mas plural de “livro” (em grego: livros). Uma vez que o plural
grego de Bíblia foi adotado em latim, sua forma gramatical tanto pode ser um plural
neutro, como um singular feminino.
Inspiração é o conceito teológico segundo o qual obras e feitos de seres
humanos intimamente ligados a DEUS, sobretudo as Escrituras do Antigo e Novo
Testamentos, receberam uma supervisão especial do Espírito Santo, de tal sorte que as
palavras ali registradas expressam, de alguma maneira, a revelação de Deus.
Cânone bíblico ou cânone das Escrituras é a lista de textos (ou "livros")
religiosos que uma determinada comunidade aceita como sendo inspirados por Deus e
autoritativos. A palavra "cânone" vem do termo grego κανών ("régua" ou "vara de
medir"). Os cristãos foram os primeiros a utilizar o termo para fazer referência às suas
Escrituras.
Existe um relacionamento inegável entre a inspiração divina da Bíblia e a
formação do cânon. Historicamente a inspiração é afirmada entre judeus e cristãos como
a qualidade essencial, intrínseca da Escritura da qual sua autoridade se deriva.
Hermisten Maia quando afirma que “[...] a Bíblia é [simplesmente] o resultado
da vontade soberana de Deus, que se revelou e fez registrar fidedignamente essa
revelação”, está tratando exatamente desta temática.

A Bíblia possui duas divisões principais: O Velho Testamento e o Novo


Testamento. Este termo Testamento refere-se ao contexto principal dos diversos livros
da Escritura. O Antigo Testamento liga-se à idéia do pacto entre Deus e o homem,
iniciado com Noé, repetido com Abraão, renovado em Israel, com a libertação do Egito
e o simbolismo da Arca da Aliança. Já o Novo Testamento surge da predição do profeta
Jeremias ( Jer 31,31-34) que o autor da carta aos Hebreus declara realizar-se em Jesus
Cristo ( Heb 8,6-13;10,15-17). O termo “Novo Testamento” foi dito por Cristo na
última ceia ( Luc 22,20), e reivindicado por Paulo como parte do seu ministério (I
Cor 11,25; II Cor 3,6).

Com o passar do tempo o termo Antigo Testamento ficou designando as


Escrituras Judaicas ( II Cor 3,14), e o Novo Testamento, os novos escritos (primeiros
escritos apostólicos) que começavam a surgir. O termo hebraico berith que significa
aliança, foi traduzido no Velho Testamento grego, por uma palavra grega (δαθη×κη)
que possui uma dupla significação (1º - disposição, vontade ou testamento; 2º - aliança
ou pacto.). O texto da Vulgata Latina traz escrito Novum Testamentum, de onde vem a
tradução atual de Novo Testamento, conservando-se apenas um dos sentidos da
tradução grega da palavra hebraica.

O Antigo Testamento nos foi legado pelos Hebreus. Tínhamos no início do


Cristianismo duas versões: uma Palestina (Cânon restrito) composta por 39 livros que
foram escritos na Terra Santa, em hebraico, divididos em: A lei (Torá), Os profetas e os
Escritos (Hagiógrafa) e uma Alexandrina (Cânon completo), composta de 46 livros,
que é uma tradução grega, da versão Palestina, feita na cidade de Alexandria entre 250
a.C e 100 a.C, através de setenta sábios judeus (ou setenta e dois, segundo tradições),
fato este que originou o termo versão dos Setenta (LXX) ou Alexandrina. Os sete livros
que só figuram na versão dos Setenta ou Alexandrina são: Tobias, Judite, Sabedoria,
Baruc, Eclesiástico ou Sirácida, I e II Macabeus, além dos fragmentos de Ester 10,4-
16, 24, Daniel 3,24-20; e os capítulos 13 e 14.

No ano 100 d.C. (séc. I d.C.), época em que se difundia o Novo Testamento
com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos que surgiam, (que os judeus não
acreditavam nem aceitavam) os Doutores da Sinagoga (rabinos judeus) realizaram um
Sínodo (Conselho de Jâmnia) na cidade de Jâmnia (ou Jabnes), perto de Jafa, na
Palestina, para definir quais seriam os livros da Bíblia (somente o Antigo Testamento
em que eles acreditavam) e definiram como critério para isso os seguintes itens, como
foi registado pelo teólogo Felipe Aquino:

1. Deveria ter sido escrito na Terra Santa;

2. Escrito somente em hebraico, nem aramaico nem grego;

3. Escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

4. Sem Contradição com a Torá ou Lei de Moisés.

“Esses critérios eram racionalistas mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da
Babilônia. Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia Judaica da Palestina os livros que não constam
na Bíblia protestante”. (Escola da Fé II – A Sagrada Escritura. Lorena - SP. 2000, p.32)

Os protestantes após a “reforma luterana” começaram a rejeitar os sete livros


acima citados, da versão dos LXX e em meados dos séculos XIX os retiraram de suas
Bíblias, como afirma o teólogo Felipe Aquino:

“Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos)
na sua edição de 1534, e as Sociedades Bíblicas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros
nas edições da Bíblia” (Escola da Fé II – A Sagrada Escritura. Lorena - SP. 2000, p.34)

“Os protestantes só admitem como livros sagrados os 39 livros do cânon hebreu (de Jâmnia). O
primeiro que negou a canonicidade dos sete deuterocanônicos foi Carlostadio (1520), seguido de Lutero
(1534) e depois Calcino (1540)”. (Como a Bíblia foi escrita. A.C.I. Digital. 2004)
Historicamente se comprova que os primeiros cristãos utilizavam o Antigo
Testamento da versão dos LXX (Alexandrina), portanto com os sete livros rejeitados
pelos judeus e protestantes.

A Bíblia é o livro dos livros por excelência. Foi escrita por “inspiração do
Espírito Santo”, (ll Pe. 1.21) através do “theopneusto” (do grego, que significa :sopro
divino) por 40 (quarenta) autores, com as mais variadas origens e profissões, tais como:
Reis, Legisladores, Tribunos, Profetas, Estadistas, Pescadores, Médicos, Pecuaristas,
Pastores, etc. Talvez seja isso (sua inspiração e os seus escritos) que a torna tão
atraente e maravilhosa.

Você também pode gostar