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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................................................................... 8
ELEMENTOS DO ESTADO ............................................................................................................................... 8
NOÇÕES DO ESTADO BRASILEIRO ............................................................................................................. 8
FUNÇÕES DO ESTADO ................................................................................................................................... 8
FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS DOS PODERES ESTRUTURAIS ..................................................................... 8
SISTEMA DA JURISDIÇÃO UNA .................................................................................................................... 10
NATUREZA JURÍDICA DO DIREITO ADMINISTRATIVO. ................................................................................. 11
CONCEITO DO DIREITO ADMINISTRATIVO .................................................................................................. 11
FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO ...................................................................................................... 11
FONTE PRIMÁRIA OU PRINCIPAL ............................................................................................................. 12
FONTE SECUNDÁRIA OU INDIRETA.......................................................................................................... 12
O QUE É O COMMON LAW E CIVIL LAW.................................................................................................. 13
SENTIDOS DO VOCÁBULO “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA” ............................................................................ 13
ENTIDADES POLÍTICAS E ENTIDADES ADMINISTRATIVAS............................................................................ 14
ATIVIDADES PRECÍPUAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ............................................................................. 14
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................. 15
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ..................................................................................................... 20
CONCEITO .................................................................................................................................................... 20
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO .......................................................................................................... 21
PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO ............................................................................. 21
PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO .................................................................. 22
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO ADMINISTRATIVO .................................................................. 22
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE...................................................................................................................... 22
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE ............................................................................................................. 23
PRINCÍPIO DA MORALIDADE ................................................................................................................... 27
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE .................................................................................................................... 29
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ........................................................................................................................ 31
PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS (IMPLÍCITOS DA CF). ........................................................................ 32
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA .................................................................................................................... 32
PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO ..................................................................................................................... 34
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE................................................................................................................ 36
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE...................................................................................................... 36
PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA ...................................................................................................... 37
PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA ................................................................................................ 38
PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE ................................................................................................................. 39

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EXERCÍCIOS ...................................................................................................................................................... 40
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA. ............................................................................................. 51
CENTRALIZAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO, CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO .................................... 51
CENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA ......................................................................................................... 51
DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA .................................................................................................. 52
DESCONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA .................................................................................................. 53
CONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA ........................................................................................................ 53
ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA .................................................................................... 53
ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA ................................................................................. 56
FUNDAÇÕES PÚBLICAS ............................................................................................................................ 67
EMPRESA PÚBLICA................................................................................................................................... 70
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA .......................................................................................................... 72
DIFERENÇAS ENTRE A EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA .................................... 74
ÓRGÃOS PÚBLICOS ...................................................................................................................................... 74
AS RELAÇÕES DO ESTADO COM OS AGENTES PÚBLICOS E SUAS TEORIAS ............................................. 75
CLASSIFICAÇÃO DOS ORGÃOS PÚBLICOS ................................................................................................ 76
BENS PÚBLICOS............................................................................................................................................ 77
CONCEITO ................................................................................................................................................ 77
ESPÉCIES DE BENS PÚBLICOS ................................................................................................................... 79
CARACTERÍSTICAS DOS BENS PÚBLICOS .................................................................................................. 80
AGENTES PÚBLICOS ..................................................................................................................................... 81
CONCEITO DE AGENTE PÚBLICO.............................................................................................................. 81
CLASSIFICAÇÃO DE AGENTE PÚBLICO ..................................................................................................... 82
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................. 85
PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA......................................................................................................... 91
DEVERES DA ADMINISTRAÇÃO .................................................................................................................... 91
PODER-DEVER DE AGIR............................................................................................................................ 91
DEVER DE PROBIDADE ............................................................................................................................. 91
DEVER DE PRESTAR CONTAS ................................................................................................................... 91
DEVER DE EFICIÊNCIA .............................................................................................................................. 91
PODERES ADMINISTRATIVOS (INSTRUMENTAIS) ........................................................................................ 92
PODER VINCULADO ................................................................................................................................. 92
PODER DISCRICIONÁRIO .......................................................................................................................... 93
PODER HIERÁRQUICO .............................................................................................................................. 94
PODER DISCIPLINAR ................................................................................................................................. 96
PODER REGULAMENTAR ......................................................................................................................... 99
PODER NORMATIVO .............................................................................................................................. 100

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PODER DE POLÍCIA ................................................................................................................................. 101


EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 106
ATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................................................................................... 113
DIFERENÇA ENTRE ATO JURÍDICO E FATO JURÍDICO ................................................................................. 113
O QUE É FATO JURÍDICO? ...................................................................................................................... 113
CONCEITO DO ATO ADMINISTRATIVO................................................................................................... 115
ELEMENTOS OU REQUISITOS DE VALIDADE DO ATO ................................................................................ 115
COMPETÊNCIA (QUEM FAZ?) ................................................................................................................ 116
FINALIDADE (PARA QUE?) ..................................................................................................................... 116
FORMA (COMO?) ................................................................................................................................... 116
MOTIVO (O PORQUÊ) ............................................................................................................................ 117
OBJETO (O QUE?)................................................................................................................................... 117
ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO (CARACTERÍSTICAS) .................................................................... 118
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE (LEGALIDADE) ..................................................................................... 118
PRESUNÇÃO DE VERACIDADE ................................................................................................................ 119
AUTOEXECUTORIEDADE ........................................................................................................................ 119
TIPICIDADE ............................................................................................................................................. 121
IMPERATIVIDADE ................................................................................................................................... 121
EXTINÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO ....................................................................................................... 122
VÍCIOS NOS ELEMENTOS DO ATO.......................................................................................................... 124
VÍCIO DE COMPETÊNCIA ........................................................................................................................ 124
VÍCIO DE FINALIDADE ............................................................................................................................ 126
(DESVIO DE PODER OU DESVIO DE FINALIDADE) .................................................................................. 126
TREDESTINAÇÃO .................................................................................................................................... 127
VÍCIO NA FORMA ................................................................................................................................... 127
TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES.............................................................................................. 128
VÍCIO DE MOTIVO .................................................................................................................................. 128
VÍCIO DE OBJETO ................................................................................................................................... 128
VÍCIOS QUE ADMITEM CONVALIDAÇÃO ............................................................................................... 129
CONFIRMAÇÃO ...................................................................................................................................... 130
CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ........................................................................................................................ 130
QUANTO AO REGRAMENTO .................................................................................................................. 131
QUANTO AO OBJETO ............................................................................................................................. 131
QUANTO AO DESTINATÁRIO ................................................................................................................. 131
QUANTO AO ALCANCE........................................................................................................................... 131
QUANTO À FORMAÇÃO ......................................................................................................................... 132
QUANTO À EFICÁCIA.............................................................................................................................. 132

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QUANTO À EXEQUIBILIDADE ................................................................................................................. 132


QUANTO AOS EFEITOS........................................................................................................................... 133
DEFINIÇÕES DAS ESPÉCIES DOS ATOS ....................................................................................................... 133
PUNITIVOS ............................................................................................................................................. 133
ORDINÁRIOS .......................................................................................................................................... 134
NORMATIVOS ........................................................................................................................................ 134
NEGOCIAIS ............................................................................................................................................. 135
ENUNCIATIVOS ...................................................................................................................................... 135
EXERCÍCIO ...................................................................................................................................................... 136
LICITAÇÕES (LEI Nº 8.666) ............................................................................................................................. 144
CONCEITO .................................................................................................................................................. 144
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA...................................................................................................................... 145
OBRIGAÇÃO DE LICITAR ............................................................................................................................. 146
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS À LICITAÇÃO ........................................................................................................ 148
PRINCÍPIO DA ISONOMIA ...................................................................................................................... 148
PROPOSTA MAIS VANTAJOSA................................................................................................................ 150
PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL SUSTENTÁVEL ......................................................... 150
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.................................................................................................................... 151
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE ........................................................................................................... 151
PRINCÍPIO DA IGUALDADE..................................................................................................................... 151
PRINCÍPIO DA MORALIDADE E DA PROBIDADE ..................................................................................... 151
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE .................................................................................................................. 151
PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO ....................................................... 152
PRINCÍPIO DO JULGAMENTO OBJETIVO ................................................................................................ 152
PRINCÍPIO DA ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA ....................................................................................... 153
COMO FAZER AS LICITAÇÕES..................................................................................................................... 153
FASES DA LICITAÇÃO.............................................................................................................................. 153
OBJETO DA LICITAÇÃO ........................................................................................................................... 154
MODALIDADES DE LICITAÇÕES .................................................................................................................. 154
CONCORRÊNCIA..................................................................................................................................... 155
TOMADA DE PREÇOS ............................................................................................................................. 157
CONVITE................................................................................................................................................. 159
TABELA DE VALORES .............................................................................................................................. 160
CONCURSO ............................................................................................................................................ 161
LEILÃO .................................................................................................................................................... 162
PREGÃO ................................................................................................................................................. 163
INTERVALO MÍNIMO.................................................................................................................................. 164

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TIPOS DE LICITAÇÃO .................................................................................................................................. 166


EXCEÇÃO AO DEVER DE LICITAR ................................................................................................................ 166
LICITAÇÃO INEXIGÍVEL ........................................................................................................................... 167
LICITAÇÃO DISPENSADA ........................................................................................................................ 169
LICITAÇÃO DISPENSÁVEL ....................................................................................................................... 171
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 176
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................................................................... 186
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................................................................... 186
CONCEITO .............................................................................................................................................. 186
SUJEITOS DO CONTRATO ....................................................................................................................... 188
CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO ADMINISTRATIVO ........................................................................... 188
FORMALIZAÇÃO DOS CONTRATOS ........................................................................................................ 189
PUBLICAÇÃO DOS CONTRATOS ............................................................................................................. 190
PRESENÇA DE CLÁUSULAS EXORBITANTES................................................................................................ 191
FISCALIZAÇÃO ........................................................................................................................................ 191
OCUPAÇÃO PROVISÓRIA ....................................................................................................................... 194
RESCISÃO UNILATERAL DO CONTRATO ................................................................................................. 194
MODIFICAÇÃO UNILATERAL DOS CONTRATOS ..................................................................................... 196
APLICAÇÕES DE SANÇÕES CONTRATUAIS ............................................................................................. 197
RESTRIÇÃO AO USO DA EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO .................................................... 200
EXIGÊNCIA DE GARANTIA ...................................................................................................................... 201
DURAÇÃO DOS CONTRATOS...................................................................................................................... 202
EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO ..................................................................................................... 203
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 206
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.......................................................................................................... 212
EVOLUÇÃO HISTÓRICA .............................................................................................................................. 213
PERÍODO DA IRRESPONSABILIDADE ESTATAL ....................................................................................... 213
PERÍODO DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA .................................................................... 213
PERÍODO DE TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA....................................................................... 213
TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO......................................................................................................... 214
AÇÃO REGRESSIVA ................................................................................................................................. 216
DENUNCIAÇÃO DA LIDE ......................................................................................................................... 217
DO LITISCONSÓRCIO .............................................................................................................................. 218
CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE ................................................................................... 219
CAUSAS QUE ATENUAM A RESPONSABILIDADE.................................................................................... 222
(CULPA CONCORRENTE) ........................................................................................................................ 222
ESTADO GARANTIDOR ........................................................................................................................... 223

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PARTICULARIDADES DA CONDIÇÃO DO PRESO ..................................................................................... 223


TEORIA DO RISCO INTEGRAL ................................................................................................................. 224
TEORIA DA CULPA ANÔNIMA ................................................................................................................ 225
PRESCRIÇÃO ........................................................................................................................................... 227
RESPONSABILIDADE POR ATOS LEGISLATIVOS ...................................................................................... 228
RESPONSABILIDADE POR ATOS JUDICIAIS ............................................................................................. 229
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 230
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA .................................................................................................................. 236
SUJEITO PASSIVO DO ATO DE IMPROBIDADE ........................................................................................... 237
SUJEITO ATIVO DO ATO DE IMPROBIDADE ............................................................................................... 238
AGENTES PÚBLICOS E A LEI DE IMPROBIDADE...................................................................................... 240
SUCESSORES DE UM AGENTE ÍMPROBO ................................................................................................... 240
PRINCÍPIOS NA LEI DE IMPROBIDADE ....................................................................................................... 241
DESCRIÇÃO DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E SANÇÕES APLICÁVEIS ............................. 241
ATOS QUE IMPORTAM EM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO ........................................................................ 242
ATOS QUE CAUSAM PREJUÍZO AO ERÁRIO ........................................................................................... 243
APLICAÇÃO INDEVIDA DE BENEFÍCIO FINANCEIRO OU TRIBUTÁRIO .................................................... 245
QUE ATENTA CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ................................................. 246
PENALIDADES ............................................................................................................................................ 247
COMPETÊNCIA PARA JULGAR OS ATOS DE IMPROBIDADE ................................................................... 248
DECLARAÇÃO DE BENS .............................................................................................................................. 249
DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E DO PROCESSO JUDICIAL .......................................................... 250
DA PRESCRIÇÃO ......................................................................................................................................... 251
DAS DISPOSIÇÕES PENAIS.......................................................................................................................... 252
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 253
SERVIÇOS PÚBLICOS ...................................................................................................................................... 260
CONCEITO .................................................................................................................................................. 260
CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DO SERVIÇO PÚBLICO ...................................................................... 261
BASE CONSTITUCIONAL E LEGAL ............................................................................................................... 263
PRINCÍPIOS DO SERVIÇO PÚBLICO............................................................................................................. 264
PRINCÍPIO DA REGULARIDADE .............................................................................................................. 264
PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE .............................................................................................................. 264
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ...................................................................................................................... 265
PRINCÍPIO DA SEGURANÇA.................................................................................................................... 265
PRINCÍPIO DA ATUALIDADE ................................................................................................................... 265
PRINCÍPIO DA GENERALIDADE OU DA UNIVERSALIDADE ..................................................................... 267
PRINCÍPIO DA CORTESIA NA SUA PRESTAÇÃO ...................................................................................... 267

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PRINCÍPIO DA MODICIDADE DAS TARIFAS ............................................................................................ 267


CLASSIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS ................................................................................................ 268
SERVIÇOS PÚBLICOS UTI UNIVERSI E UTI SINGULI ................................................................................ 268
SERVIÇOS DELEGÁVEIS E SERVIÇOS INDELEGÁVEIS............................................................................... 269
SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS, SERVIÇOS SOCIAIS E SERVIÇOS ECONÔMICOS ..................................... 269
SERVIÇOS PRÓPRIOS E IMPRÓPRIOS DO ESTADO ................................................................................. 270
SERVIÇO COMPULSÓRIO E SERVIÇO FACULTATIVO .............................................................................. 270
TITULARIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO ....................................................................................................... 271
FORMAS DE PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO ....................................................................................... 271
PRESTAÇÃO DIRETA E PRESTAÇÃO INDIRETA........................................................................................ 271
PRESTAÇÃO CENTRALIZADA OU DESCENTRALIZADA ............................................................................ 271
FORMAS DE DELEGAÇÃO ........................................................................................................................... 272
AUTORIZAÇÃO (DOUTRINA MINORITÁRIA) ........................................................................................... 272
PERMISSÃO ............................................................................................................................................ 274
CONCESSÃO ........................................................................................................................................... 276
DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS USUÁRIOS ......................................................................................... 280
EXTINÇÃO DOS CONTRATOS DE ACORDO COM A LEI 8.987/95................................................................ 281
ADVENTO DO TERMO CONTRATUAL ..................................................................................................... 282
ENCAMPAÇÃO ....................................................................................................................................... 282
CADUCIDADE ......................................................................................................................................... 282
RESCISÃO ............................................................................................................................................... 284
ANULAÇÃO............................................................................................................................................. 284
FALÊNCIA OU EXTINÇÃO DA EMPRESA ................................................................................................. 284
EXERCÍCIOS .................................................................................................................................................... 285
GABARITO .................................................................................................................................................. 294

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INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO


ELEMENTOS DO ESTADO
O Estado é uma PESSOA JURÍDICA territorial, composta dos elementos POVO,
TERRITÓRIO E GOVERNO SOBERANO. Esses TRÊS elementos são indissociáveis e
indispensáveis para noção de um Estado independente: o povo dentro de um território,
organizado segundo sua soberana vontade.

NOÇÕES DO ESTADO BRASILEIRO


FORMA DE GOVERNO:
 REPÚBLICA: Caso a instituição do Poder seja dada por meio de ELEIÇÕES, e o
governante represente o povo por um determinado tempo, teremos então a
FORMA DE GOVERNO REPUBLICANA.
FORMAS DE ESTADO:
 FEDERATIVA (FE): Ocorre quando temos união de diferentes entidades políticas
autônomas distribuídas regionalmente (Brasil= União, Estado, Municípios e Distrito
Federal).
SISTEMA DE GOVERNO:
 PRESIDENCIALISMO (SI): É o Regime político em que a chefia do governo é
prerrogativa do Presidente da República.
REGIME POLÍTICO:
 DEMOCRACIA (REDE): Diz respeito à participação do povo nos processos de
poder.

FUNÇÕES DO ESTADO
FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS DOS PODERES ESTRUTURAIS
O BRASIL adotou a teoria da tripartição de poderes que fora proposto pelo famoso Barão
de La Brède e de Montesquieu, porém é importante saber a maneira como o país abraçou essa
teoria.

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No Brasil, dentro da visão da separação das atividades do Estado, NÃO EXISTE uma
separação ABSOLUTA entre os poderes, mas sim RELATIVA. Por isso cada um deles possui o
que se chama função TÍPICA (ou preponderante) e ATÍPICA.

PODER LEGISLATIVO:
 FUNÇÃO TÍPICA: Legislar e fiscalizar.

 FUNÇÃO ATÍPICA: Pode JULGAR o presidente por crime de responsabilidade (art.


86 da CRFB/88) e ADMINISTRAR quando realiza licitações ou quando promove
seus servidores.
PODER JUDICIÁRIO:
 FUNÇÃO TÍPICA: Julgar.
 FUNÇÃO ATÍPICA: pode LEGISLAR (elaboração dos regimentos internos dos
Tribunais) e pode ADMINISTRAR (realização de concurso público, processamento
e pagamento de precatório).
ATENÇÃO!
Súmula nº 311 do STJ: “os atos do presidente do tribunal que disponham
sobre o processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional”.
Súmula nº 733 do STF: “Não cabe recurso extraordinário contra decisão
proferida no processamento de precatórios”.

PODER EXECUTIVO:
 FUNÇÃO TÍPICA: Administrar.
 FUNÇÃO ATÍPICA: Pode LEGISLAR (edição de medidas provisórias ou leis
delegadas).
OBS.! Quanto ao EXECUTIVO, sobre a capacidade de julgamento, é necessário analisar as
questões de prova com cuidado, pois a doutrina majoritária entende que o poder executivo NÃO
TEM FUNÇÃO JURISDICIONAL. Quando um servidor é demitido no PAD, em que pese termos
um “julgamento” realizado pela autoridade competente, isso constitui atividade de natureza
administrativa pautada nos poderes hierárquico e disciplinar e não genuinamente
jurisdicional.

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“Quanto à FUNÇÃO JURISDICIONAL, o sistema constitucional pátrio


vigente não deu margem a que pudesse ser exercida pelo Executivo. A
função jurisdicional típica, assim considerada aquela por intermédio da
qual conflitos de interesses são resolvidos com o cunho de definitividade
(res iudicata), é praticamente monopolizada pelo Judiciário, e só em
casos excepcionais, como visto, e expressamente mencionados na
Constituição, é ela desempenhada pelo Legislativo".

(Manual de Direito Administrativo – 33ª edição (2019) - Jose dos Santos


Carvalho Filho; p. 77)
Contudo, é possível encontrar doutrinadores que afirmam que o poder executivo tem a
capacidade de julgar, como é o caso dos professores Vicente de Paulo e Marcelo Alexandrino,
e o grande docente Celso Antônio Bandeira de Melo.
“Finalmente, o Executivo e o Legislativo exercem, além de suas funções
próprias, a função atípica de julgamento: o Executivo, quando profere
decisões nos processos administrativos; o Legislativo, quando julga
autoridades nos crimes de responsabilidade”.
(Direito Administrativo Descomplicado - 2019 - Vicente de Paulo e Marcelo
Alexandrino; p. 18)

“É certo, ainda, que o Executivo também decide controvérsias. É o que


faz, e.g., nos processos que tramitem perante o Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (CADE) destinados a apurar e reprimir os
comportamentos empresariais incursos em "abuso de poder econômico”
ou nos processos de questionamento tributário submetidos aos
chamados "Conselhos de Contribuintes”.

(BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo,


2014; p. 34)
Também é importante dizer que isso não estabelece HIERARQUIA entre os poderes e sim
CONTROLE, por exemplo, nada impede que um servidor federal do poder executivo punido
injustamente pela Administração pública provoque o judiciário para tentar reaver seus
direitos.

SISTEMA DA JURISDIÇÃO UNA


“CRFB/88 artigo 5º XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito”.
O Brasil adotou o sistema de JURISDIÇÃO UNA, no qual ao Judiciário é dada a missão de
ser o aplicador da lei ao caso concreto independentemente do sujeito da relação conflituosa.
Pode ser causas que envolvam a Administração Pública ou podem ser as causas entre
particulares. Não há outro órgão com poder jurisdicional de dizer o direito ao fato concreto.
Definição de jurisdição una exposta pelo grande mestre Hely Lopes Meirelles:
“O sistema judiciário ou de jurisdição única, também conhecido por
sistema inglês e, modernamente, denominado sistema de controle
judicial, é aquele em que todos os litígios - de natureza administrativa
ou de interesses exclusivamente privados - são resolvidos
judicialmente pela Justiça Comum, ou seja, pelos juízes e tribunais do
Poder Judiciário. Tal sistema é originário da Inglaterra”.
(Direito Administrativo Brasileiro 2016; Hely Lopes Meirelles; p. 59)

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É importante saber que o BRASIL NÃO adotou o sistema do contencioso administrativo


também chamado de dualidade de jurisdição ou sistema dual. Qualquer opção de prova que
trouxer essa afirmativa como verdadeira deverá ser considera como errada.

SISTEMA DE SISTEMA NÃO DUALIDADE DE CONTENCIOSO


JURISDIÇÃO UNA CONTENCIOSO JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVO

NATUREZA JURÍDICA DO DIREITO ADMINISTRATIVO


O direito é dividido em dois grandes grupos:
 DIREITO PRIVADO: tem por objeto a regulação dos interesses particulares.
 DIREITO PÚBLICO: tem por objeto os interesses da sociedade como um todo.
Uma característica do DIREITO PÚBLICO é a chamada desigualdade das relações
jurídicas que é claramente marcada pela VERTICALIDADE, pois nele prevalece o interesse da
coletividade e não o do particular.
• Ex.: uma desapropriação de um imóvel (CRFB/88 art. 5º XXIV) e a requisição
administrativa (CRFB/88 art. 5º XXV).
No tocante ao DIREITO PRIVADO, observamos a igualdade jurídica entre as partes da
relação, caracterizando assim uma horizontalidade, em que, via de regra, não há subordinação,
mesmo quando o Estado integra uma dessas partes.
• Ex.: Celebração de um contrato de locação entre o particular e a Administração
Pública.

CONCEITO DO DIREITO ADMINISTRATIVO


PROFESSOR CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO
 “É o ramo do Direito Público que disciplina a função administrativa e os órgãos
que a exercem”.
PROFESSOR HELY LOPES MEIRELLES
 “É o conjunto harmônicos de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e
as atividades públicas administrativas”.
PROFESSORA MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO
 “É o ramo do Direito Público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas
jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade
jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução
de seus fins, de natureza pública”.
PROFESSOR JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO
 “É o conjunto de normas e princípios que, visando sempre ao interesse público,
regem as relações jurídicas entre as pessoas e órgãos do Estado e entre esse e as
coletividades a que devem servir”.

FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO


As fontes jurídicas do Direito administrativo são classificadas de duas formas: primárias
ou principais, e secundárias ou indiretas.

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Lembro-vos que nosso Direito Administrativo NÃO É CODIFICADO, ou seja, não tem uma
lei ou código que o defina por inteiro, por esse motivo temos como suas fontes as mais variadas
normas, por exemplo:
 Lei 8.112/90 (regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais);
 Lei 9.784/99 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração
Pública Federal);
 Lei 8.666/93 (normas sobre licitações e contratos administrativos);
 Lei 8987/95 (concessões e permissões de serviço público).
OBS.! Além das leis, temos também como fontes do direito administrativo a
jurisprudência, as súmulas, a doutrina e os costumes.

FONTE PRIMÁRIA OU PRINCIPAL


É a Lei em sentido amplo (engloba a Constituição, as Leis em geral e Atos Normativos
da administração pública).

”A lei é a fonte principal do direito administrativo brasileiro, haja vista


a importância do princípio da legalidade nesse campo. Quando se fala em
"lei" como fonte de direito administrativo, estão incluídos nesse
vocábulo a Constituição - sobretudo as regras e princípios
administrativos nela vazados -, os atos de natureza legislativa que
diretamente derivam da Constituição (leis, medidas provisórias,
decretos legislativos etc.) e os atos normativos infralegais, expedidos
pela administração pública nos termos e limites das leis, os quais são de
observância obrigatória pela própria administração”.

(Direito Administrativo Descomplicado - 2019 - Vicente de Paulo e


Marcelo Alexandrino; p. 6)
Chamo sua atenção para as SÚMULAS VINCULANTES, pois a Emenda Constitucional
45/2004 trouxe a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal editar súmulas de efeito
vinculante para a Administração. Isso quer dizer que depois da edição dessas súmulas o
administrador estará vinculado aos seus termos, devendo agir conforme o enunciado
proposto pelo STF.
SÚMULAS VINCULANTES
Art. 103-A, CF/1988. O Supremo Tribunal Federal poderá, de
ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos
seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria
constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em
relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou
cancelamento, na forma estabelecida em lei.
FONTE SECUNDÁRIA OU INDIRETA
São instrumentos complementares derivados de fontes primárias. A doutrina majoritária
apresenta como fontes indiretas a Jurisprudência, as Súmulas, a Doutrina e os Costumes.

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 Jurisprudência: são decisões reiteradas dos tribunais sobre determinado tema,


desprovida da força cogente de uma lei, mas servem de parâmetro para a atuação
administrativa.
 Súmulas: são proferidas pelos tribunais e nada mais são do que o resumo da
jurisprudência.
 Doutrina: é o conjunto de teses, formulações e construções teóricas acerca do
direito administrativo.
 Costumes: é uma prática reiterada ao longo de um período razoavelmente longo.
O QUE É O COMMON LAW E CIVIL LAW
COMMON LAW: é um sistema do Direito cuja aplicação de normas e regras não estão
escritas, mas sancionadas pelo costume ou pela jurisprudência. Nesse sistema o Direito é criado
ou aperfeiçoado pelos juízes, sendo a jurisprudência e o costume as principais fontes do Direito.
O Brasil não adotou esse sistema.
CIVIL LAW: é o sistema adotado pelo Brasil, sua principal caraterística é a utilização pelo
ordenamento jurídico de normas escritas por meio de um processo legislativo. A norma jurídica
constitui-se em um comando abstrato e geral, procurando abranger uma diversidade de casos
futuros.

SENTIDOS DO VOCÁBULO “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”


Temos dois sentidos para definir a Administração Pública: o primeiro seria o critério
formal, subjetivo e orgânico; e o segundo seria o critério objetivo, material e funcional.
O Critério formal, subjetivo e orgânico é o conjunto de agentes, órgãos e pessoas
jurídicas que sistema jurídico define como Administração Pública, e essa definição está
consagrada no artigo 4 º do Decreto-Lei 200/67 que diz:

“Art. 4° A Administração Federal compreende:


I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços
integrados na estrutura administrativa da Presidência da
República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes
categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica
própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista;
d) fundações públicas”.
Nesse sentido, não importa a atividade exercida por eles, se é atividade própria da
Administração ou exploração de atividade econômica. Sendo bem verdade que das pessoas
jurídicas acima, teríamos apenas as Empresas Públicas e as Sociedades de Economia Mista
como hipóteses de exploradoras de atividade econômica como é o caso do Petrobrás, por
exemplo. Mas mesmo assim, isso não as descaracterizaria como Administração Pública, pois o
Brasil adotou o critério formal, subjetivo e orgânico.
No sentido objetivo, material e funcional levamos em consideração o conjunto de
atividades que costumam ser consideradas próprias da função administrativa. Esse conceito
adota como relevante a atividade realizada, e não necessariamente quem a exerce, a exemplo
das concessionárias de serviços públicos e das organizações sociais que não são formalmente
Administração Pública, mas desempenham tarefas como próprias da função administrativa.

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Para fins de provas de concurso, é imprescindível que o candidato saiba diferenciar os


dois sentidos da expressão “Administração Pública”: segue o método para facilitar seus
estudos:
 SENTIDO FORMAL OU SUBJETIVO OU ORGÂNICO: são as ENTIDADES, ÓRGÃOS
E AGENTES que exercem a função administrativa. Atente-se para o fato de que nesse
sentido o alvo é “QUEM” está compondo o aparelho administrativo.
 SENTIDO MATERIAL OU OBJETIVO OU FUNCIONAL: esse sentido adota a
“ATIVIDADE”, ou seja, a própria função administrativa EM SI e não
obrigatoriamente que a exerce. Observe que aqui o alvo é “O QUE” está sendo feito.

ENTIDADES POLÍTICAS E ENTIDADES ADMINISTRATIVAS


Por hora, quero apenas apresentar a você as Pessoas Jurídicas que compõem a chamada
Administração Pública no Brasil, em breve vamos aprofundar nossos estudos sobre cada uma
delas.
 ENTIDADES POLÍTICAS: São pessoas jurídicas de DIREITO PÚBLICO que detém
autonomia político-administrativa e integram a Administração Pública DIRETA,
ou seja, podem se auto organizar por meio de leis que eles mesmos editam através
de seus respectivos órgãos legiferantes. São elas: (método mnemônico: MUDE)
• MUNICÍPIO;
• UNIÃO;
• DISTRITO FEDERAL;
• ESTADO.
 ENTIDADES ADMINISTRATIVAS: são pessoas jurídicas que integram a
Administração Pública INDIRETA e possuem autonomia administrativa, MAS NÃO
possui autonomia política, pois NÃO podem criar suas próprias leis. São elas:
(método mnemônico: FASE)
• FUNDAÇÃO PÚBLICA;
• AUTARQUIA;
• SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA;
• EMPRESA PÚBLICA.

IMPORTANTÍSSIMO!

Entre as pessoas jurídicas que compõem a Administração Direta e administração


indireta NÃO HÁ HIERARQUIA, pois como cada uma possui personalidade jurídica própria, ou
seja, responderão por seus próprios atos.
O que existe entre Administração Direta e a Indireta é conhecido pelos sinônimos:
 CONTROLE FINALÍSTICO;
 TUTELA; OU
 SUPERVISÃO MINISTERIAL.

ATIVIDADES PRECÍPUAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


A Administração pública possui atribuições que devem desempenhadas em prol da
sociedade. Ao passar do tempo, o número dessas atribuições foi crescendo e hoje, segundo a
doutrina majoritária, o Estado deverá desempenhar as chamadas ATIVIDADES PRECÍPUAS,
são elas:

MUDE SUA VIDA!


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 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO: é toda atividade concreta e imediata que a


Administração exerce, por si ou por meio de terceiros, com a finalidade de
satisfazer as mais variadas necessidades coletivas, sob regime exclusivo ou
preponderantemente de Direito Público.
Ex.: saúde, educação, saneamento, transporte, etc.
 POLÍCIA ADMINISTRATIVA: corresponde à atividade pela qual a Administração
impõe limitações e condicionamentos ao gozo de bens e ao exercício de
atividades e direitos individuais em prol do interesse coletivo.
Ex.: fiscalização, autorização para porte de arma, apreensão de bens, interdição de
estabelecimentos, etc.
 ATIVIDADE DE FOMENTO: consiste na atividade de incentivo à iniciativa
privada de interesse público.
Ex.: benefícios e privilégios fiscais, auxílios financeiros ou subvenções,
financiamentos a juros facilitados, recursos orçamentários, entre outros
instrumentos de estímulo.
 INTERVENÇÃO:
• NA PROPRIEDADE - baseia-se em atividades de intervenção na propriedade
privada, mediante atos concretos sobre destinatários específicos.
Ex.: desapropriação, servidão, ocupação temporária, tombamento, etc.
NO DOMÍNIO ECONÔMICO – baseia-se na regulamentação e fiscalização da
atividade econômica de natureza privada, é conhecida como intervenção indireta.
Temos também a atuação direta do Estado no domínio econômico quando
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo, por meio de empresas públicas, sociedades de economia mista e suas
subsidiárias (CRFB/88 ART. 173 E §1º).

EXERCÍCIOS
Banca: IDECAN. Cargo: Assistente em Administração Órgão: UNIVASF. Ano: 2019.
Assunto: Elementos Do Estado.
1. O Estado é uma instituição organizada, política, social e jurídica, o qual ocupa um
território definido e é regido por uma lei maior chamada de Constituição. É dirigido por
um governo soberano, que é responsável pela organização e controle social. Nesta
definição, destacam-se três elementos:

a) Povo, governo e território.


b) Executivo, legislativo e judiciário.
c) Cidadania, legalidade e direitos políticos.
d) Poder, soberania e cidadania.
e) Povo, poder e estado.

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GABARITO: A
SOLUÇÃO RÁPIDA
a) Povo, governo e território. (CERTA)
São conhecidos como elementos indissociáveis do estado o Povo, o Território
e o Governo Soberano.
b) Executivo, legislativo e judiciário. (Errado)
Aqui temos os Poderes Estruturais do estado e não os elementos como diz a
afirmativa, portanto errado.
c) Cidadania, legalidade e direitos políticos. (Errado)
Cidadania é qualidade ou condição de cidadão, legalidade é um princípio
constitucional expresso e direitos políticos direitos políticos é um conjunto de regras
referentes à participação popular no processo político, portanto errado.

d) Poder, soberania e cidadania. (Errado)


Poder é um atributo do Estado que emana do povo, soberania de fato é um dos
elementos e cidadania é qualidade ou condição de cidadão, portanto errado.
e) Povo, poder e estado. (Errado)
Povo é a população de um Estado, Poder é um atributo do Estado que emana
do povo e Estado é uma entidade política.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) Povo, governo e território.


Aqui temos os chamados elementos indissociáveis do estado: o Povo, o
Território e o Governo Soberano:
Povo: Conjunto de pessoas que fazem parte do Estado, o seu elemento
Humano, unido ao Estado pelo vínculo jurídico-político da nacionalidade.
Território: É o espaço no qual e sobre o qual o Estado afirma seus direitos de
soberania e governo.
Governo Soberano: É o exercício do poder supremo do Estado.
b) Executivo, legislativo e judiciário.
Aqui temos os três poderes Estruturais do Estado consagrados no artigo 2º da
nossa Constituição Federal. “Art. 2º São Poderes da União, independentes e
harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. ”

c) Cidadania, legalidade e direitos políticos.


Nesta opção temos vários conceitos sendo constitucionais apresentados para
tentar induzir o candidato ao erro, mas sem muita dificuldade conseguimos constatar
não se tratar do gabarito, segue a definição de cada item:
Cidadania: é a titularidade de direitos políticos, a capacidade de votar e ser
votado.
Legalidade: é um dos princípios constitucional expresso no artigo 37. Caput e
tem por definição exigir que a Administração Pública faça apenas aquilo que a lei
permite ou autorize.
Direitos políticos: são instrumentos por meio dos quais a Constituição Federal
garante o exercício da soberania popular, delegando poderes aos cidadãos para
interferirem na condução da coisa pública, seja direta, seja indiretamente.
d) Poder, soberania e cidadania.
Aqui temos mais uma salada de conceitos que não coadunam com o que o
enunciado busca do candidato, pois tais conceitos, apesar de existirem em nosso
ordenamento jurídico, não são os elementos do Estado. Pois “PODER” é uno,
indivisível e indelegável, um atributo do Estado que emana do povo.

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e) Povo, poder e estado.


A afirmativa não condiz com o enunciado. Mais uma alternativa sem muita
criatividade por parte da banca, segue a definição dos respectivos conceitos:
Povo: É a população do Estado considerada sob o aspecto puramente jurídico,
poder e estado.
Poder: Um atributo do Estado que emanado povo nos termos do artigo 1ª
parágrafo único da nossa carta maior. “Todo o poder emana do povo, que o exerce
por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Estado: Estado é uma sociedade política criada pela vontade de unificação e
desenvolvimento do homem, com intuito de regulamentar, preservar o interesse
público.

Banca: CESPE Cargo: Analista Legislativo Órgão: Câmara dos Deputados Ano: 2014
Assunto: Controle da administração pública.
2. No Brasil, o Poder Executivo exerce a função jurisdicional de forma atípica quando julga
seus próprios servidores por infrações cometidas no exercício do cargo. Esse exercício é
possível graças ao sistema de pesos e contrapesos adotado no país.

Certo ( ) Errado ( )

GABARITO: ERRADO
SOLUÇÃO RÁPIDA

A banca CESPE abordou nessa questão um assunto polêmico na doutrina


administrativista. Para a doutrina majoritária realmente o Poder Executivo não possui
a atividade jurisdicional. O julgamento realizado pelo poder executivo sobre seus
próprios servidores está pautado no poder disciplinar, neste caso derivado do poder
hierárquico.

SOLUÇÃO COMPLETA
A banca CESPE levou em consideração a doutrina majoritária ao cobrar esse
assunto em 2014. E para ela (doutrina majoritária) falta à decisão administrativa,
tomada em sede de processo administrativo disciplinar, uma das características
fundamentais contidas em uma autêntica decisão judicial que é o caráter de
definitividade que vem a ser justamente a possibilidade de a decisão vir a formar
coisa julgada material, ou seja imutável.

O melhor argumento apresentado pela doutrina para afirmar que o poder


executivo não exerce a função jurisdicional é apresentado pelo professor José dos
Santos Carvalho Filho:
“Quanto à função jurisdicional, o sistema constitucional pátrio vigente não deu
margem a que pudesse ser exercida pelo Executivo. 8 A função jurisdicional típica,
assim considerada aquela por intermédio da qual conflitos de interesses são
resolvidos com o cunho de definitividade (res iudicata), é praticamente monopolizada
pelo Judiciário, e só em casos excepcionais, como visto, e expressamente
mencionados na Constituição, é ela desempenhada pelo Legislativo”.

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(Manual de Direito Administrativo – 33ª edição - 2019 - Jose dos Santos


Carvalho Filho; p. 77)

Banca: CESPE Cargo: Agente de Polícia Federal Órgão: Polícia Federal Ano: 2018
Assunto: Conceito de administração pública.
Acerca da organização da administração pública brasileira, julgue o item subsequente.
3. Sob a perspectiva do critério formal adotado pelo Brasil, somente é administração
pública aquilo determinado como tal pelo ordenamento jurídico brasileiro,
independentemente da atividade exercida. Assim, a administração pública é composta
exclusivamente pelos órgãos integrantes da administração direta e pelas entidades da
administração indireta.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA
Na questão acima o candidato precisa conhecer qual é a perspectiva formal, ou
seja, o que a lei define como Administração Pública e de fato está correta a
afirmativa. Sua definição está no artigo 4º do decreto 200/67. Segundo a doutrina,
Administração Pública em sentido subjetivo, orgânico ou formal é o conjunto de
agentes, órgãos e entidades públicas que exercem a função administrativa.

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SOLUÇÃO COMPLETA
Temos dois sentidos para definir a Administração Pública, o primeiro seria o
critério formal, subjetivo e orgânico que é representado pelo conjunto de agentes,
órgãos e entidades públicas que exercem a função administrativa, e o segundo seria
o critério objetivo, material e funcional que representa a própria função
administrativa em si, não importando que a exerça.
O Critério formal, subjetivo e orgânico é o conjunto de órgãos, pessoas
jurídicas e agentes que sistema jurídico define como Administração Pública e essa
definição está consagrada no artigo 4 º do decreto 200/67 que diz:

“Art. 4° A Administração Federal compreende:


I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na
estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de
entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista;
d) fundações públicas”.

Nesse sentido não importa a atividade exercida por eles, sendo bem verdade
dizer que das pessoas jurídicas acima, teríamos apenas as Empresas Públicas e as
Sociedades de Economia Mista como hipóteses de exploradoras de atividade
econômica como é o caso do Petrobrás, por exemplo. Mas mesmo assim, isso não as
descaracterizaria como administração pública, pois o Brasil adotou o critério formal,
subjetivo e orgânico.

No sentido objetivo, material e funcional levamos em consideração o


conjunto de atividades que costumam ser consideradas próprias da função
administrativa. Esse conceito adota como relevante a atividade realizada e não
necessariamente quem a exerce, a exemplo das concessionárias de serviços públicos
e das organizações sociais que não são formalmente administração pública, mas
desempenham atividades como próprias da função administrativa.

Banca: CESPE Cargo: Analista Judiciário de Procuradoria Órgão: PGE-PE Ano: 2019
Assunto: fontes do direito administrativo.
4. No Brasil, assim como no sistema de common law, o costume é uma das fontes principais
do direito administrativo.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: ERRADO
SOLUÇÃO RÁPIDA
No Brasil, temos várias fontes do direito, elas se dividem em primárias e
secundárias, na questão cobrada pela banca CESPE afirma que o costume é uma
fonte principal, não podemos considerá-la como correta, pois a referida fonte se
encontra no plano secundário.

MUDE SUA VIDA!


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SOLUÇÃO COMPLETA

Precisamos ter em mente, de forma clara, quais são as fontes principais e quais
são complementares do Direito Administrativo. Questões desse tipo são frequentes
em prova, e na afirmativa em tela, a banca foi até além do que se espera para o
conteúdo de Direito Administrativo, exigindo do candidato o conhecimento do sistema
commow law. Vamos lá: fontes principais são as leis em sentido amplo, envolvendo
em seu bojo a própria constituição, as leis das mais diversas e também os atos de
caráter normativo. Enquanto no conjunto das fontes secundárias estão incluídas as
jurisprudências, as súmulas, a doutrina e não podemos nos esquecer dos costumes.
Vale a observação para a Súmula vinculante que só pode ser editada pelo
Supremo Tribunal Federal, nesse caso em especial, embora não haja consenso na
doutrina, pelo fato de a mesma possuir força cogente, a maioria dos doutrinadores
entendem se tratar de fonte primária do direito.

PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


CONCEITO
Para doutrina administrativista os PRINCÍPIOS SÃO REGRAS GERAIS, são fontes
basilares do Direito, eles representam mais do que uma simples orientação, sua observância é
cogente, ou seja, é de cumprimento obrigatório. São os alicerces do Direito Administrativo.
Eles são tão importantes que o professor Celso Antônio Bandeira De Mello afirma em uma
sua obra que:
“Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma. A
desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento
obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade
ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio violado, porque representa
insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais,
contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra".

OBS.! É um assunto muito cobrado em prova e deve ser analisado com muito carinho por
você candidato, pois, por ser um tópico que vem sendo explorado em concurso público pelas
bancas há muito tempo, devemos nos esforçar ao máximo para não errar nenhuma questão, por
isso estudaremos profundamente cada Princípio!

Neste momento apresento a você a definição de “Princípio” na visão dos grandes Mestres
do Direito Administrativo.

CONCEPÇÃO DE CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO


“Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema,
verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes
normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e
inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema
normativo, conferindo-lhes a tônica que lhe dá sentido harmônico”.

MUDE SUA VIDA!


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CONCEPÇÃO DE JOSE DOS SANTOS CARVALHO FILHO


“Princípios administrativos são os postulados fundamentais que inspiram todo
o modo de agir da Administração Pública. Representam cânones prénormativos,
norteando a conduta do Estado quando no exercício de atividades administrativas”.

CONCEPÇÃO DE JOSÉ CRETELLA JÚNIOR


“Princípios de uma ciência são as proposições básicas, fundamentais, típicas
que condicionam todas as estruturações subsequentes. Princípios, neste sentido, são
os alicerces da ciência”.

REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO


Regime jurídico administrativo é o conceito dado ao conjunto de prerrogativas e ao
conjunto de limitações que tipificam o Direito Administrativo, colocando a Administração
Pública numa posição privilegiada na relação jurídico-administrativa. Esse regime deriva,
respectivamente, do princípio da supremacia do interesse público e do princípio da
indisponibilidade do interesse público.

Resumidamente, pode-se afirmar que o Regime Administrativo se resume a duas


palavras: prerrogativas e sujeições.

PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO


Esse princípio tem por objetivo colocar a Administração Pública em uma situação de
superioridade, uma posição acima do particular. A professora Maria Sylvia Zanella di
Pietro afirma que a supremacia do interesse público é marcada pela “VERTICALIDADE” (tema
muito cobrado em prova, fique atento a isso, ok!?). O administrador público representa uma
coletividade, representa o interesse da maioria, por isso é necessário que ela tenha
prerrogativas para se colocar em prática o interesse de toda a coletividade.

Podemos citar como exemplo:


A desapropriação de imóveis para construção de uma escola pública ou até
mesmo hospital público.

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• E a requisição administrativa que é um ato administrativo unilateral e auto-


executório que consiste na utilização de bens ou de serviços particulares pela
Administração, para atender necessidades coletivas em caso de perigo público
iminente, mediante pagamento de indenização posterior, caso haja algum dano.

PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO


Significa que administrador, atuando em nome do interesse público, é um mero gestor
dos bens públicos, o qual não poderá exercer suas atribuições legais visando suas vontades
particulares. Ele deverá agir em busca, obrigatoriamente, do interesse público. Por isso
podemos afirmar que, enquanto o princípio da supremacia oferece prerrogativas ao agente
público, como contrapartida, para evitar excessos, o princípio da indisponibilidade do interesse
público impõe restrições à atuação administrativa.

As restrições impostas à atividade administrativa ocorrem exatamente pelo fato de a


administração não ser dona do bem público e sim mera gestora de bens e interesses públicos.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência...

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Sua definição é bem concisa, significa que a Administração Pública, seja ela direta ou
indireta, só pode praticar as condutas autorizadas em lei.

É interessante observar nesse princípio o fato de que no Brasil temos três poderes: o
EXECUTIVO que administra; o JUDICIÁRIO que julga e o LEGISLATIVO que exerce a chamada
função legiferante que é a de criar as leis. O LEGISLATIVO tem seus representantes eleitos pela
população, e como eles fazem as leis é possível afirmar que o princípio da legalidade existe para
dizer que a Administração Pública fará aquilo que o POVO quer. Pois, em suma, é o próprio povo
que elege o poder legislativo, sendo o mesmo o produtor de nossas leis.

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Durante um bom tempo a doutrina afirmava existir dois princípios da legalidade dentro
da constituição federal um estampado no artigo 5º inciso II e outro no artigo 37. Caput. Hoje a
doutrina moderna batizou o princípio legalidade do particular (artigo 5º inciso II) como
princípio da autonomia da vontade. Aconselho você, candidato, a ter um cuidado para não
confundir os conceitos em prova, pois o PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE quer dizer
que o particular pode fazer tudo aquilo desde que não haja uma lei proibitiva e o PRINCÍPIO
DA LEGALIDADE para a administração a obriga a fazer aquilo que está somente em lei.

ART. 5º, INCISO II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL,


“Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei”.

Extraímos o entendimento de que o particular diante de uma Lacuna legislativa pode


FAZER TUDO, diferente do que está disposto para Administração Pública que diante de uma
Lacuna legislativa NÃO PODERÁ ATUAR.
 REGRA PARA O PARTICULAR
• Pode fazer tudo que a lei não proíbe;
• Autonomia de vontade;
• Lacuna legislativa = PERMISSÃO.

 REGRA PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


• Só pode fazer o que a lei determinar;
• Subordinada a lei;
• Lacuna legislativa = PROIBIÇÃO.

Quero chamar sua atenção para algo relativamente novo na doutrina, mas que já tem sido
cobrado em prova que é o chamado Princípio da juridicidade ou bloco de legalidade.
Quando falamos em legalidade, a doutrina sempre perguntou se a Administração Pública
seria restrita ou ampla, ou seja, se a administração seria obrigada a observar somente a lei em
seu sentido estrito ou todo o arcabouço jurídico do País. O que esse princípio afirma é que se
deve dar observância a totalidade do ordenamento jurídico e não apenas a determinadas
normas.
Sendo assim, o agente público está vinculado não só a lei e os princípios jurídicos, mas
também aos atos administrativos gerais que sejam pertinentes àquela situação concreta com
que a própria administração se encontra, exigindo dela uma atuação ainda mais restrita!

Para corroborar essa visão, temos a lei 9.784/99 em seu artigo 2º Parágrafo único.
Inciso I que exige da Administração “uma atuação conforme a LEI e O DIREITO”.

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
O princípio da impessoalidade estabelece um dever de IMPARCIALIDADE, de
NEUTRALIDADE no exercício da função administrativa. Esse princípio impede
discriminações negativas e privilégios oferecidos a particulares quando no exercício da
função administrativa, pois a atuação pública deve ser objetiva e não subjetiva.

MUDE SUA VIDA!


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Para o professor Hely Lopes Meirelles, o princípio da impessoalidade é sinônimo de


princípio da finalidade.
“O princípio da impessoalidade, referido na Constituição/88 (art. 37,
caput), nada mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe
ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal. E o
fim legal é unicamente aquele que a norma de Direito indica expressa ou
virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal”.

(Direito Administrativo Brasileiro 2016; Hely Lopes Meirelles; p. 97)

Toda a atuação da Administração Pública deve ser caracterizada pela impessoalidade,


mas é possível observar sua plenitude em algumas atuações específicas como, por exemplo:

 LICITAÇÃO: procedimento formal realizado para escolher a proposta mais


vantajosa e casos de contratação para obras, serviços, compras e alienações.

 CONCURSO PÚBLICO: é um processo seletivo que permite o acesso


a emprego ou cargo público de modo amplo e democrático. É um procedimento
impessoal em que é assegurada igualdade de oportunidades a todos interessados
em concorrer para exercer as atribuições oferecidas pelo Estado, a quem incumbirá
identificar e selecionar os mais adequados mediante critérios objetivos.

A doutrina majoritária analisa esse princípio sob 3 VERTENTES (aspectos):

1º. Vedação a que o agente público se promova às custas da administração pública;

2º. Como determinante da FINALIDADE PÚBLICA de toda atuação administrativa;

3º. Teoria do órgão.

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 1º ASPECTO
Nos termos da Constituição Federal em seu art. 37, § 1º, pode-se dizer que o
princípio da impessoalidade veda a vinculação de atividades da administração à
pessoa dos administradores, evitando que os mesmos utilizem a propaganda
oficial para a promoção pessoal.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Art. 37 § 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social, dela NÃO PODENDO constar
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal
de autoridades ou servidores públicos.

Para reforçar ainda mais essa proibição, temos a Lei do Processo Administrativo (lei
9.784/99), em seu artigo 2º Parágrafo único. Inciso III que diz:

Art. 2o Parágrafo único. Nos processos administrativos serão


observados, entre outros, os critérios de:

III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a


promoção pessoal de agentes ou autoridades.

IMPORTANTÍSSIMO!
No artigo 37 da CRFB/88, a palavra “PUBLICIDADE” está sendo utilizada no
sentido de propaganda e sua violação atinge o princípio da impessoalidade. É
muito comum em provas de concurso as bancas quererem induzir o candidato a
marcar a opção que afirma que tal conduta tem nexo com o princípio da publicidade.
NÃO CAIA NESSA PEGADINHA!

 2º ASPECTO

A finalidade de todo e qualquer ato administrativo será sempre o INTERESSE PÚBLICO,


portanto, todo ato que se apartar desse objetivo será NULO por desvio de finalidade.

Mas o que é esse tal desvio de finalidade?


Resposta: Sua manifestação ocorre quando um ato é praticado por agente ou órgão
competente, porém é evidente na prática do ato que o mesmo não atingiu a verdadeira
finalidade pública a que a própria lei determina.

A lei de ação popular (lei 4.717/65) afirma em seu artigo 2º; parágrafo Único, alínea,
o seguinte:
e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o
ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou
implicitamente, na regra de competência.

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O desvio de finalidade é tão sério que é tido como vício insanável, não admitindo
convalidação (conserto do ato). O único caminho a ser tomado diante de sua constatação é a
anulação do ato.

 Exemplos reais de provas de concurso público de desvio de finalidade:


• Ato de remoção quando é aplicado no sentido não de remanejar o servidor
público e sim de o punir;

• Construção de uma estrada em um determinado trajeto somente para valorizar


fazendas do governador;

• Ordem de prisão executada durante o casamento de inimigo do delegado;

• Desapropriação de um imóvel de um inimigo político;

• Remoção de policial civil para delegacia no interior a fim de afastá-lo da


namorada, filha do governador.

3º ASPECTO

A TEORIA DO ÓRGÃO também chamada de TEORIA DA IMPUTAÇÃO VOLITIVA do


professor alemão Otto Gierke sustenta que o agente público atua em nome do Estado,
titularizando um órgão público, de modo que a atuação ou o comportamento do agente no
exercício da função pública é juridicamente atribuída, ou seja, imputada ao Estado.

Resumindo, os atos administrativos praticados pelo agente não são imputados a ele
mesmo e sim a ENTIDADE POLÍTICA (administração direta), ENTIDADE ADMINISTRATIVA
(administração indireta) ou até mesmo a ENTIDADES que atuam em COLABORAÇÃO com o
Estado nas quais ele atua.

OBS.! A nossa Constituição federal adotou essa teoria de forma expressa em seu artigo 37 § 6º.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Artigo 37 § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de
direito privado prestadoras de serviços públicos
RESPONDERÃO pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Nesse caso, a impessoalidade existe pelo fato de os atos, apesar de serem praticados
pelo agente, não é dele propriamente dito e sim da pessoa jurídica que ela integra.

Outra peculiaridade que advém da TEORIA DO ÓRGÃO ocorre quando uma pessoa é
investida em cargo público e não possui todos os requisitos necessários para tal. Nesse caso
sua investidura foi ilegal (temos o chamado agente de fato), mas seus atos serão considerados
VÁLIDOS, pois as ações não são deles e sim da instituição pública.

MUDE SUA VIDA!


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PRINCÍPIO DA MORALIDADE
Esse princípio exige uma atuação ética, proba, honesta dos agentes da administração
pública, tal atuação é conhecida como moralidade administrativa.
A moralidade administrativa é diferente da moral comum. O princípio da moralidade
administrativa NÃO IMPÕE o dever de atendimento conforme a moral comum conhecida pela
sociedade.
Ela exige respeito a padrões éticos, de boa-fé, decoro, lealdade, honestidade e
probidade incorporados pela prática diária ao conceito de boa administração.
Portanto, não se deve confundir a moral comum com a moral administrativa. Enquanto
aquela está pautada na noção do certo e errado para a sociedade, essa está intrinsecamente
ligada com a boa ou má administração. Para o Direito Administrativo, deve-se analisar a
moral administrativa.
Certas condutas, ainda que não obrigatórias pela lei, passam a fazer parte dos
comportamentos socialmente esperados de um bom administrador público, incorporando-se,
assim, ao conjunto de condutas que o Direito torna exigíveis.
Para a moralidade administrativa não basta o agente público cumprir formalmente a
lei, ele tem de observar tanto a letra como o objetivo da lei. Assim, aquilo que é legal se filiará
ao que é ético, por esse motivo a doutrina afirma que o princípio da moralidade complementa
o princípio da legalidade.

 NEM TUDO QUE É LÍCITO É MORAL


No âmbito do poder legislativo, os responsáveis pelo aumento do subsídio são os próprios
parlamentares. Caso eles queiram aumentar o valor de seus respectivos subsídios pode até ser
legal, mas se aumentarem acima do normal estariam indo de (contra) encontro ao princípio
da moralidade.

A Constituição Federal de 1988 levou tão a sério a moralidade administrativa na conduta


de seus agentes que impôs algumas penalidades a quem agir contra a mesma. E isso está
positivado no art. 37 §4º da nossa carta magna.

Como é um assunto muito abordado em provas, vamos memorizar: CRFB/88 art. 37 §4º
método mnemônico (Paris)

Os atos de improbidade administrativa importarão na:


• P erda da função pública;
• A ção penal cabível;
• R essarcimento ao erário;
• I ndisponibilidade dos bens
• S uspensão dos direitos políticos.

MUDE SUA VIDA!


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OBS.! Quero fazer duas observações:

 A primeira é de que qualquer questão de prova que disser que os atos de


improbidade importarão na cassação de direito políticos, você meu amigo e minha
amiga marcará como errada, pois a constituição proíbe tal medida:

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos...

 A segunda é a observância em relação à troca de afirmação que as bancas adoram


fazer quanto à suspensão dos direitos políticos e perda da função pública. É
muito comum as provas de concurso público inverterem os termos, por exemplo,
afirmarem que é possível a pena de perda dos direitos políticos e suspensão da
função pública.

ATENÇÃO PARA O CORRETO QUE É:


• SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS;
• PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA.

 SÚMULA VINCULANTE 13

O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao editar a referida súmula vinculante no ano de


2008 teve por objetivo VEDAR O NEPOTISMO que consiste na nomeação de cônjuge
companheiro, parentes em linha reta colateral e inclusive os por afinidade até o terceiro (3º)
grau, e também vedar as nomeações e designações recíprocas para cargos comissionados de
natureza administrativa. Essa proibição tem amparo jurídico nos princípios da moralidade
e impessoalidade!

QUEM SÃO OS PARENTES DE ATÉ 3º GRAU?


R: As Relações de Parentesco estão positivadas no código civil de 2002 em seu artigo 1.591 ao
1.595, para simplificar nossos estudos grave assim:

LINHA RETA

1º grau: pai, mãe e filho (a);

2º grau: avô, avó e neto (a);

3º grau: bisavô, bisavó e bisneto (a).

PARENTES COLATERAIS

2º grau: Irmão (a);

3º grau: Tio (a) e sobrinho (a);

4º grau: primo (a).

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OBS! NÃOOOO EXISTE PRIMO DE 1º GRAU!!!

PARENTES POR AFINIDADE

1º grau: Sogro (a);

2º grau: cunhado (a).

Conclusão: posso nomear meu primo (a) para um cargo comissionado de natureza
administrativa!
Mas professor, estou estudando Direito Administrativo porque preciso saber a linha de
parentesco do código Civil? Simples, porque temos a súmula vinculante nº 13.
O importante agora é saber quais são os tipos de cargos comissionados que nós temos
no ordenamento jurídico Brasileiro. Nós temos duas naturezas nos cargos comissionados, eles
podem ser de natureza política ou de natureza administrativa.

IMPORTANTÍSSIMO
A súmula vinculante nº 13 só atinge os cargos comissionados de natureza
administrativa, assim o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL referendou a possibilidade
de que QUALQUER PARENTE pode ser nomeado para cargos comissionados de
natureza política, como por exemplo cargos de ministros de estado e secretários
estaduais e municipais.

LEITURA DA SÚMULA VINCULANTE 13


A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou
por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor
da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento,
para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função
gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste
mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
O princípio da publicidade pode ser definido como o dever de divulgação oficial dos
atos administrativos. A Administração pública tem dever de informar à sociedade sobre a
prática dos atos administrativos, garantindo, assim, uma atuação transparente por parte do
Poder Público.

É por conta desse princípio que os atos administrativos são publicados em órgãos de
imprensa ou afixados em determinado local das repartições administrativas, ou, ainda, mais
modernamente, divulgados nos sites oficiais dos órgãos públicos na Internet.

MUDE SUA VIDA!


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IMPORTANTE
 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE NÃO É ABSOLUTO.
Ao ser indagado por uma questão de prova que afirma que TODOS OS ATOS são
publicados, o candidato deverá marcar tal opção como errada, pois o princípio da publicidade
não é absoluto! Podemos afirmar como exceção à regra, o sigilo das propostas exigido na lei
de licitações (Lei 8.666/93), podemos também falar do sigilo exigido no procedimento
administrativo conhecido como inquérito policial nos termos do código de processo Penal
vigente no país, esses são atos de natureza administrativa, porém serão sigilosos justamente
para garantir a eficácia dos mesmos. A própria Constituição Federal e a lei de processo
administrativo no âmbito federal respaldam essa exceção.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Art. 5º XXXIII “Todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo
ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”.
LEI 9.784/99
Art. 2o Parágrafo único. Nos processos administrativos serão
observados, entre outros, os critérios de:
V - Divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas
as hipóteses de sigilo previstas na Constituição.

A doutrina afirma também que o princípio da publicidade engloba dois subprincípios do


Direito Administrativo:

 Princípio da transparência: dever de prestar informações de interesse dos


cidadãos e de não praticar condutas sigilosas, via de regra;

 Princípio da divulgação oficial: exige a publicação do conteúdo dos atos


praticados, atentando-se para o meio de publicidade definido pelo ordenamento
ou consagrado pela prática administrativa.

• JURISPRUDÊNCIA DO STF: em relação ao programa “A Voz do Brasil” o


Supremo julgou que não se considera atendida a obrigação de publicidade com
a simples divulgação do ato administrativo no programa “A Voz do Brasil”.

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Para finalizarmos o estudo do princípio da publicidade ainda precisamos falar que o


mesmo possui duas vertentes no ordenamento jurídico, a primeira já estudamos que é de dar
TRANSPARÊNCIA aos atos da administração, e a segunda é a de dar EFICÁCIA aos atos
administrativos.
Podemos citar como exemplo a homologação de concurso público que, de acordo com
a Constituição Federal, é de até 2 anos o prazo de validade, podendo ser prorrogado por igual
período, mas lembre-se esse prazo começa a contar da homologação que é feita em Diário
Oficial.
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
Acrescentado no art. 37, caput, da CF pela Emenda n. 19/98, o princípio da eficiência foi
um dos pontos principais da Reforma Administrativa que teve por objetivo implementar o
modelo de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA “GERENCIAL”, voltada para alcançar melhores
resultados na atuação estatal. Antes da supracitada emenda nossa Administração Pública
possuía uma visão burocrática.
O princípio de eficiência traz a ideia de presteza, perfeição, rendimento funcional,
redução de desperdícios, qualidade, rapidez e produtividade.

A doutrina analisa esse princípio sob duas óticas:


1ª ÓTICA
 ATUAÇÃO DO AGENTE: O agente público no desempenho de sua função deve
buscar a satisfação do interesse da coletividade sempre com presteza, perfeição,
rendimento funcional.
• Pensando nessa obrigatoriedade, a Constituição Federal determinou a aprovação
na avaliação especial de desempenho que ocorre durante o estágio probatório
como requisito para ganhar a tão sonhada estabilidade que se dá após três anos
de efetivo exercício.

• Temos também a chamada avaliação periódica de desempenho a qual o


servidor será submetido após ganhar a sua estabilidade, caso esse não continue
sendo eficiente a Constituição Federal respalda ao respectivo órgão público a
possibilidade de exonerar tal servidor.

• Como regra, a Constituição Federal veda o acúmulo de cargos públicos, porém a


própria Carta Maior traz exceções quais sejam, para dois cargos de professor, a
de um cargo de professor com outro técnico ou científico e a de dois cargos
ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas, DESDE QUE haja compatibilidade de horário, justamente para
se manter a eficiência no desempenho das atribuições do cargo.

OBS.! É importantíssimo para provas que cobram jurisprudência, o atual


entendimento do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL sobre o acúmulo de horas que
é de 60 horas semanais, no tocante aos profissionais da área da saúde não
incide tal limitação.

MUDE SUA VIDA!


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RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA (RMS) 34608


“A Constituição Federal possibilita a acumulação de cargos na área de saúde
quando há compatibilidade de horários e que o inciso XVI do artigo 37 não faz
qualquer restrição à carga horária das atividades acumuláveis diante da
possibilidade de conciliação, nem exige que agentes públicos preencham
requisitos referentes a deslocamento, alimentação e repouso. O efetivo cumprimento
da jornada de trabalho respectiva – em cada um dos cargos acumulados – constitui
atribuição específica do setor de recursos humanos responsável”.

2ª ÓTICA
 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO: Para que o agente possa
desempenhar bem suas atribuições com presteza, perfeição, rendimento funcional,
a INSTITUIÇÃO precisa fornecer os meios adequados para que o servidor possa
alcançar melhores resultados na prestação de serviços públicos.

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Para finalizarmos o estudo desse princípio tão importante precisamos dizer a você que
ele está ligado diretamente como o princípio da economicidade (CF art. 70), em que se deve
buscar a prestação do serviço público de modo mais simples, mais rápido e mais econômico,
melhorando o conhecido: “melhor custo/benefícios” da atividade da administração.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária,


operacional e patrimonial da União e das entidades da
administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, ECONOMICIDADE, aplicação das subvenções e
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional,
mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno
de cada Poder.

PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS (IMPLÍCITOS DA CF)


PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA
Esse princípio tem uma incidência enorme em provas de concurso, ele se manifesta
quando a máquina pública tem a capacidade de rever os seus próprios atos. O mesmo
consagrará o controle interno que a Administração Pública exerce sobre seus próprios atos.
Reside no poder-dever de retirada de atos administrativos por meio da anulação e da
revogação. A anulação envolve problema de legalidade, a revogação trata de mérito do ato.

MUDE SUA VIDA!


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Tutelar é proteger, zelar. Quando o Direito outorga poder de autotutela é , em suma,


porque prescinde a obrigatoriedade de intervenção judicial para proteçã o de direitos. EÉ que
doutrina administrativista chama de autotutela administrativa.

Entendimento esse que se encontra estampado nas súmulas 346 e 473 do SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL.

SÚMULA 346

“A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”.

SÚMULA 473
“A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los,
por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos,
e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.

Para entendermos melhor esse princípio precisamos diferenciar dois questionamentos


relacionados ao estudo dos atos administrativos.

 1º QUESTIONAMENTO: Qual é a diferença de um ato vinculado e um ato


discricionário? Resposta:

• Os ATOS VINCULADOS são aqueles em que a lei estabelece condições e requisitos


legais para a sua realização, a Administração Pública atuará sem liberdade, mas
dentro dos limites legais impostos por lei.
Ex.: aposentadoria e licença para o particular.

• Os ATOS DISCRICIONÁRIOS são aqueles nos quais a Administração Pública tem


liberdade de ação. É ela que escolhe seu mérito, seu conteúdo, seus
destinatários no momento de sua conveniência e oportunidade e o modo de
sua realização.
Ex.: permissões e autorizações.

 2ª QUESTIONAMENTO. Qual é a diferença entre anulação e revogação? Resposta:


• A ANULAÇÃO é a declaração de invalidade de um ato administrativo ILEGÍTIMO
ou ILEGAL, feita pela ADMINISTRAÇÃO ou pelo PODER JUDICIÁRIO por motivo
de Ilegitimidade ou Ilegalidade.
Possui o chamado EFEITO EX TUNC, ou seja, retroage até o nascimento do Ato.
Pode ser feita pela própria ADMINISTRAÇÃO por meio do controle de
legalidade pautado no poder de autotutela do Estado. É uma justiça interna,
exercida para a defesa da instituição e da legalidade de seus atos.

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Também pode ser feita pelo PODER JUDICIÁRIO, por meio do controle de
legalidade, DESDE QUE haja provocação, ou seja, desde que sejam levados à sua
apreciação pelos meios processuais cabíveis. Aqui não existe a autotutela, pois o
ato está sendo anulado por outro Poder.

• A REVOGAÇÃO é a retirada de um ato administrativo legítimo e eficaz do mundo


fático, tem fundamento no poder discricionário de que dispõe a Administração
e que SOMENTE a própria ADMINISTRAÇÃO pode realizar, por motivo de sua
conveniência e oportunidade, sendo por isso PRIVATIVA da Administração.
Ou seja, o judiciário não pode revogar um ato praticado por outro poder, e seu
EFEITO é conhecido como EX NUNC.

Feitas as considerações acerca da anulação, revogação, vinculação e


discricionariedade do ato administrativo, podemos afirmar que Administração Pública
quando anula ou revoga seu ato administrativo (anulação quando um vício e a revogação por
motivo de conveniência e oportunidade), ela realiza tais atos pautada sempre no PRINCÍPIO DA
AUTOTUTELA.
Como consequência da sua independência funcional, a Administração não precisa
recorrer ao Judiciário para anular seus atos ilegais e revogar os atos inconvenientes que
pratica.

IMPORTANTE
Cuidado para não confundir o PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA com o princípio
da TUTELA, a Autotutela é a capacidade de rever os seus próprios atos e anulados
por motivo de ilegalidade ou revogá-los por razão de conveniência e oportunidade,
enquanto a TUTELA, também conhecida pela doutrina como supervisão
ministerial ou controle finalístico, faz menção ao vínculo jurídico que existe
entre a ADMINISTRAÇÃO DIRETA E A INDIRETA.

PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO
O princípio da motivação impõe à Administração Pública o dever de indicar os
pressupostos de fato e de direito que determinaram a prática do ato administrativo. Assim, a
validade do ato administrativo está condicionada à apresentação por escrito dos fundamentos
que justifiquem a decisão adotada.
Para simplificar o entendimento sobre o princípio da motivação é interessante que o
candidato troque a palavra motivação por justificativa. Pense que toda vez que a
Administração Pública precisar praticar algum ato administrativo ela precisa, via de regra,
justificar para a sociedade e para quem de direito, os motivos pelos quais ela está tomando
aquela devida atitude. Lembrando que, apesar desse princípio não estar expresso na
Constituição Federal, ele se encontra positivado na lei 9.784/99.

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LEI N. 9.784/99
Art. 2º, P. único.
VII- indicação dos pressupostos de fato e de direito que
determinarem a decisão;
DA MOTIVAÇÃO
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com
indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção
pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo
licitatório;
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou
discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de
ato administrativo.

Tal princípio é na verdade um mecanismo de controle sobre a legalidade e legitimidade


das decisões da Administração Pública.

 MOTIVAÇÃO DISPENSADA
É importante saber que a maioria dos atos administrativos ao serem praticados deverão
obedecer a necessidade de motivação, pois ela integra a forma do ato. A lei 9.784/99 em seu
artigo 50 afirma que os atos ao serem cometidos deverão ser motivados, porém o nosso
ordenamento jurídico dispensa essa motivação em alguns atos como, por exemplo, quando
estamos diante das nomeações e exonerações dos CARGOS COMISSIONADOS.
Por isso qualquer afirmativa de prova que disser que TODOS os atos serão motivados
estará consequentemente ERRADA por conta dessa exceção.

 TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES


Essa teoria vai nos dizer que a Administração Pública se vincula aos motivos apresentados
para a prática do ato, exigindo que os mesmos sejam verdadeiros. Claro que temos uma
evidente vinculação ao princípio da moralidade, pois tudo que Administração faz tem de ser
honesto, ético e probo. Se a mesma usar motivos falsos ao praticar um ato traz para esse
mesmo ato um defeito no elemento “MOTIVO”, um vício insanável, devendo ser anulado.
Portanto, partindo da premissa de que não preciso motivar a nomeação nem a
exoneração de alguém para um cargo comissionado, fico à vontade para motivá-la caso queira
sabendo que, se minha motivação for falsa, fará com que essa nomeação ou exoneração seja
nula, impossível de ser convalidada por consequência da TEORIA DOS MOTIVOS
DETERMINANTES.

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PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE
O princípio da razoabilidade exige a obrigação de os agentes públicos realizarem suas
funções com EQUILÍBRIO, COERÊNCIA E BOM SENSO. O agente público é um mero
administrador da coisa pública e por conta disso ele NÃO pode agir de forma arbitrária e
imoderada.
Comportamentos imoderados, abusivos, irracionais, desequilibrados, inadequados,
desmedidos, incoerentes ou desarrazoados não são compatíveis com o interesse público, pois
geram a possibilidade de invalidação administrativa ou judicial do ato deles resultante.

 EXEMPLO: quando um agente público aplica uma pena ao particular de uma


maneira não razoável ao caso concreto que se encontra em seu estabelecimento
comercial.

IMPORTANTE!
Uma observação muito importante é que quanto AO REGRAMENTO poderá ser
vinculado ou discricionário. Como já estudamos nos atos vinculados não há
margem de escolha, portanto a razoabilidade será um requisito intrínseco dos atos
discricionários, pois é neles que o agente poderá escolher a melhor decisão ao caso
concreto.
Então, ainda que esteja diante de um ato discricionário, o administrador deverá
selecionar a opção mais vantajosa à satisfação do interesse público, ou seja, o
princípio da razoabilidade é um dos limitadores da discricionariedade
administrativa.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
Segundo a doutrina dominante, a proporcionalidade é um aspecto da razoabilidade,
esse princípio está voltado à aferição DA JUSTA MEDIDA da reação administrativa diante da
situação concreta, ou seja, constitui vedação de excessos no exercício da função
administrativa tanto no âmbito interno quanto no âmbito externo.

 EXEMPLO: quando em um Processo Administrativo Disciplinar, o servidor for


punido com a pena demissão pelo simples fato de ele ter chegado atrasado ao seu
local de trabalho.

Podemos afirmar que deve haver uma ADEQUAÇÃO ENTRE OS MEIOS E OS FINS, sendo
vedado a adoção de medidas superiores ao que for estritamente necessário ao interesse
público.

Para finalizar o estudo sobre esse princípio, vale a pena apresentar o entendimento do
Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 466.343-1, que afirmou que a
proporcionalidade se subdivide em três subprincípios:
 ADEQUAÇÃO (análise do meio empregado);
 NECESSIDADE (observa se o meio utilizado foi o menos gravoso); e
 PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO (ponderação da intensidade da
medida adotada pela Administração).

MUDE SUA VIDA!


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ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


“O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas
interventivas adotadas se mostrem aptas a atingir os objetivos pretendidos. O
subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que
nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelar-se-ia igualmente eficaz na
consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário
se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele
a um só tempo adequada e menos onerosa (...)
(...) Um juízo definitivo sobre a proporcionalidade da medida há também de
resultar da rigorosa ponderação e do possível equilíbrio entre o significado da
intervenção para o atingido e os objetivos perseguidos pelo legislador
(proporcionalidade em sentido estrito)”.
(STF; RECURSO EXTRAORDINÁRIO 466.343-1 - SÃO PAULO)

PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA


O princípio da segurança jurídica existe para garantir a estabilidade e a previsibilidade
das ações praticadas pelo Poder Público, proibindo mudanças ABRUPTAS (imprevistas)
decorrentes de açõ es governamentais.
A segurança jurı́dica tem muita relaçã o com a ideia de respeito à boa-fé nas relaçõ es
jurı́dicas, por conta disso sua finalidade é proporcionar segurança e estabilidade no convı́vio
social.
Assim, ele constitui um elemento conservador posto na ordem normativa com o objetivo
de evitar que as pessoas sejam surpreendidas por modificações do direito positivo ou na
conduta do Estado, mesmo quando manifestadas em atos ilegais.
Na maioria das vezes que esse princípio é cobrado em provas de concurso, o principal alvo
das bancas é a exigência do conhecimento do artigo 2º; parágrafo único; XIII da lei 9.784/99
que diz:
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados,
entre outros, os critérios de:
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que
melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige,
VEDADA aplicação retroativa de nova interpretação.

ATENÇÃO!
NÃO existe proibição para a Administração Pública realizar alterações de suas
normas e interpretações, o que é vedado é a aplicação retroativa dessas
interpretações.

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A lição da professora Maria Silvia Zanella di Pietro (participante da Comissão de juristas


que elaborou o anteprojeto de que resultou na edição da lei 9.784/99) faz a seguinte observação
sobre esse princípio:
“O princípio se justifica pelo fato de ser comum, na esfera administrativa,
haver mudança de interpretação de determinadas normas legais, com
a consequente mudança de orientação, em caráter normativo, afetando
situações já reconhecidas e consolidadas na vigência de orientação
anterior. Essa possibilidade de mudança de orientação é inevitável,
porém gera insegurança jurídica, pois os interessados nunca sabem
quando a sua situação será passível de contestação pela própria
Administração Pública. Daí a regra que veda a aplicação retroativa”.

(Direito Administrativo 32º Ed.; Maria Sylvia Zanella Di Pietro; p. 245)

Se a Administração Pública, ao praticar determinados atos, adotar determinada


interpretação como a correta não pode depois anular tais atos, sob o pretexto de que os
mesmos foram praticados com base em interpretação errônea. Se o administrado teve o
determinado direito reconhecido com base em interpretação adotada em caráter uniforme
para toda a Administração, é claro que a sua boa-fé deve ser respeitada.

PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA


Estamos diante do um princípio que corresponde ao ASPECTO SUBJETIVO da segurança
jurídica. Ele leva em conta a boa-fé, a credibilidade e a confiança do cidadão, que acredita
que os atos praticados pelo Poder Público sejam lícitos e, nessa qualidade, serão mantidos e
respeitados pela própria Administração e por terceiros.
É com base nesse princípio que frequentemente os tribunais superiores vêm mantendo
os efeitos de um ato ainda que esse seja ilegal, isso ocorre para respeitar à boa-fé
depositada pelos particulares em relação às atuações estatais.
Em suma, o aspecto subjetivo do princípio da segurança jurídica analisa a visão dos
particulares, os quais não poderão ser prejudicados por novas interpretações administrativas.

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


“II – A recente jurisprudência consolidada do STF passou a se manifestar no
sentido de exigir que o TCU assegure a ampla defesa e o contraditório nos casos em
que o controle externo de legalidade exercido pela Corte de Contas, para registro
de aposentadorias e pensões, ultrapassar o prazo de cinco anos, sob pena de
ofensa AO PRINCÍPIO DA CONFIANÇA – face subjetiva do princípio da
segurança jurídica. Precedentes.

III – Nesses casos, conforme o entendimento fixado no presente julgado, o


prazo de 5 (cinco) anos deve ser contado a partir da data de chegada ao TCU
do processo administrativo de aposentadoria ou pensão encaminhado pelo
órgão de origem para julgamento da legalidade do ato concessivo de aposentadoria
ou pensão e posterior registro pela Corte de Contas”.

MUDE SUA VIDA!


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PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE
O princípio da especialidade decorre dos princípios da indisponibilidade e legalidade e
tem fundamento no fenômeno da DESCENTRALIZAÇÃO. A Administração Direta pode criar
pessoas jurídicas para que elas desempenhem as atividades estatais de uma forma
descentralizada.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Art. 37, XIX, CF/1988 – somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.

Após a criação da respectiva entidade administrativa, a mesma deverá ficar vinculada


aos objetivos institucionais que justificarão a sua concepção, não podendo seus recursos serem
utilizados para fins diversos.
 Exemplo: o INSS é um serviço descentralizado de previdência social do regime geral,
sua finalidade é prestar serviços e benefícios previdenciários. Se esse órgão começar
a exercer outras atividades que não sejam essas, estará a desviar de sua finalidade.

MUDE SUA VIDA!


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EXERCÍCIOS
ANO: 2017. BANCA: FCC ÓRGÃO: TRE-PR PROVA: Analista Judiciário - Área Judiciária.
5. Entre os princípios que regem a Administração pública, aplica-se aos servidores públicos,
no exercício de suas funções,

a) legalidade, como princípio vetor e orientador dos demais, tendo em vista que os todos
os atos dos servidores têm natureza vinculada, ou seja, devem estar previstos em lei,
assim como todas as infrações disciplinares e respectivas penalidades.

b) moralidade, que orienta todos os atos praticados pelos servidores públicos, mas cuja
violação não pode ser imputada à Administração pública enquanto pessoa jurídica,
porque sua natureza é incompatível com a subjetividade.

c) publicidade, que exige a publicação de todos os atos praticados pelos servidores,


vinculados ou discricionários, ainda que não dependam de motivação, não atingindo,
contudo, os atos que se refiram aos servidores propriamente ditos, que prescindem de
divulgação, porque surtem efeitos apenas internos.

d) eficiência, como finalidade precípua da atuação da Administração pública, obrigando


os servidores públicos a prezar pela sua aplicação em preferência aos demais princípios,
que a ela passaram a se subordinar após sua inclusão na Constituição Federal.

e) impessoalidade, tanto no que se refere à escolha dos servidores, quanto no exercício


da função pelos mesmos, que não pode favorecer, beneficiar ou perseguir outros
servidores e particulares que mantenham ou pretendam manter relações jurídicas com
a Administração pública.

GABARITO: LETRA E
SOLUÇÃO RÁPIDA
a) legalidade, como princípio vetor e orientador dos demais, tendo em
vista que os todos os atos dos servidores têm natureza vinculada, ou seja,
devem estar previstos em lei, assim como todas as infrações disciplinares e
respectivas penalidades. (ERRADA)
“Legalidade, como princípio vetor e orientador dos demais, tendo em vista que
todos os atos dos servidores têm natureza vinculada, ou seja, devem estar previstos
em lei, assim como todas as infrações disciplinares e respectivas penalidades”. Na
atuação administrativa temos atos de natureza vinculada e também temos atos de
natureza discricionária, e ambos são pautados no princípio da legalidade.

b) moralidade, que orienta todos os atos praticados pelos servidores


públicos, mas cuja violação não pode ser imputada à Administração pública
enquanto pessoa jurídica, porque sua natureza é incompatível com a
subjetividade. (ERRADA)
“Moralidade, que orienta todos os atos praticados pelos servidores públicos,
mas cuja violação não pode ser imputada à Administração pública enquanto pessoa
jurídica, porque sua natureza é incompatível com a subjetividade”, afirmação

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totalmente equivocada, pois caso um agente cause prejuízo a terceiros por meio de
um ato imoral quem responderá por esse agente é a pessoa jurídica a qual esse
agente está vinculado.

c) publicidade, que exige a publicação de todos os atos praticados pelos


servidores, vinculados ou discricionários, ainda que não dependam de
motivação, não atingindo, contudo, os atos que se refiram aos servidores
propriamente ditos, que prescindem de divulgação, porque surtem efeitos
apenas internos. (ERRADA)
“Publicidade, que exige a publicação de todos os atos praticados pelos
servidores”. É regra, de fato, que os atos administrativos sejam publicados, porém
nem todos os atos obedecem nossa regra, pois a própria constituição faz ressalva
dos atos de caráter sigilosos

d) eficiência, como finalidade precípua da atuação da Administração


pública, obrigando os servidores públicos a prezar pela sua aplicação em
preferência aos demais princípios, que a ela passaram a se subordinar após
sua inclusão na Constituição Federal. (ERRADA)
“Eficiência, como finalidade precípua da atuação da Administração pública,
obrigando os servidores públicos a prezar pela sua aplicação em preferência aos
demais princípios...”, não há preponderância na aplicação dos princípios, pois eles
devem ser observados em harmonia na atuação administrativa.

e) impessoalidade, tanto no que se refere à escolha dos servidores,


quanto no exercício da função pelos mesmos, que não pode favorecer,
beneficiar ou perseguir outros servidores e particulares que mantenham ou
pretendam manter relações jurídicas com a Administração pública. (CERTO)
SIM!!! De fato, a opção está totalmente correta, pois, de acordo com o princípio
da impessoalidade, existe um dever de imparcialidade do agente na atuação
administrativa.

SOLUÇÃO COMPLETA
a) legalidade, como princípio vetor e orientador dos demais, tendo em
vista que os todos os atos dos servidores têm natureza vinculada, ou seja,
devem estar previstos em lei, assim como todas as infrações disciplinares e
respectivas penalidades. (ERRADA)
O princípio da legalidade tem por conceito exigir que a máquina pública faça
tudo que está na lei, porém analisando os atos administrativos conseguimos enxergar
na classificação quanto ao seu regramento que os atos administrativos possuem
natureza vinculada e também discricionária. Os de natureza vinculada obrigam a
máquina pública a praticar sempre aquilo que está definido em lei sem margem de
conveniência e oportunidade, diferente dos atos discricionários em que a própria lei
define que o administrador poderá fazer a melhor escolha ao caso concreto, também
temos na doutrina atual a ideia dos conceitos jurídicos indeterminados em que há
uma certa discricionariedade, porém, mesmo agindo dentro dessa margem de
escolha o agente não viola a lei. A não ser que ele aja de forma arbitrária,
portanto a questão está errada ao dizer que todos os atos são de natureza
vinculada.

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b) moralidade, que orienta todos os atos praticados pelos servidores


públicos, mas cuja violação não pode ser imputada à Administração pública
enquanto pessoa jurídica, porque sua natureza é incompatível com a
subjetividade. (ERRADA)
De fato o princípio da moralidade deve orientar todos os atos praticados pelos
servidores, todavia a questão diz que sua violação não poderá ser imputada a
administração pública, o que faz com que a opção esteja errada, pois a própria
TEORIA DO ÓRGÃO OU TEORIA DA IMPUTAÇÃO VOLITIVA de Otto Gierk, aplicada
no Brasil, vai dizer que os atos praticados pelo agente não serão imputados a ele,
mas sim a PESSOA JURÍDICA na qual o mesmo está vinculado, inclusive essa teoria
está positivada no artigo 37, parágrafo 6º da Constituição Federal, que diz: “As
pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo
ou culpa”, portanto a questão está errada.
c) publicidade, que exige a publicação de todos os atos praticados pelos
servidores, vinculados ou discricionários, ainda que não dependam de
motivação, não atingindo, contudo, os atos que se refiram aos servidores
propriamente ditos, que prescindem de divulgação, porque surtem efeitos
apenas internos. (ERRADA)
A questão está equivocada por afirmar que todos os atos devem ser
publicados, o que não é verdade. O princípio da publicidade deve ser observado
sempre, todavia nem todos os atos praticados pelos servidores devem ser publicados,
tendo em vista que a própria CF assegura o sigilo em situações específicas, como nos
casos de proteção a segurança nacional e havendo relevante interesse coletivo. Além
disso, mesmo atos internos podem exigir algum tipo de publicação quando
ensejarem gastos públicos.

d) eficiência, como finalidade precípua da atuação da Administração


pública, obrigando os servidores públicos a prezar pela sua aplicação em
preferência aos demais princípios, que a ela passaram a se subordinar após
sua inclusão na Constituição Federal. (ERRADA)
O princípio da eficiência é, de fato, um princípio muito importante e sua
aplicação já era exigida mesmo antes de sua explicitação do texto constitucional por
meio da emenda 19/98, hoje expresso na carta magna tem seu conceito em exigir
que o servidor seja produtivo e eficaz, trazendo os melhores resultados possíveis
com os recursos que eles são fornecidos, porém não podemos falar que por conta
dessas exigências ele prevalecerá aos demais princípios, pois todos devem ser
observados de maneira harmoniosa.
e) impessoalidade, tanto no que se refere à escolha dos servidores,
quanto no exercício da função pelos mesmos, que não pode favorecer,
beneficiar ou perseguir outros servidores e particulares que mantenham ou
pretendam manter relações jurídicas com a Administração pública. (CERTO)
O princípio da impessoalidade estabelece um dever de IMPARCIALIDADE, de
NEUTRALIDADE no exercício da função administrativa. Esse princípio impede
DISCRIMINAÇÕES NEGATIVAS E PRIVILÉGIOS oferecidos a particulares quando no
exercício da função administrativa, pois a atuação pública deve ser objetiva e não

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subjetiva. Por conta desse princípio os atos dos servidores públicos deverão estar
em conformidade com o interesse público, e não próprio, ou de acordo com a vontade
de um grupo seleto.

ANO: 2019. BANCA: FGV ÓRGÃO: Prefeitura de Salvador – BA PROVA: Agente de Trânsito
e Transporte.
João, agente de trânsito e transporte do Município de Salvador, realizava blitz a fim de
verificar a regularidade dos sistemas de trânsito e de transporte.
Por coincidência, Mário, seu vizinho e antigo desafeto que conduzia um caminhão na área
urbana, foi parado na blitz para ser fiscalizado. Ainda que não tenha sido encontrada qualquer
irregularidade no veículo inspecionado, João lavrou auto de infração em desfavor de Mário,
exclusivamente por retaliação.
6. No caso em tela, João violou, frontal e diretamente, princípios constitucionais da
Administração Pública. Assinale a opção que os indica.

a) Legalidade e pessoalidade.

b) Segurança jurídica e autotutela.

c) Razoabilidade e publicidade.

d) Moralidade e impessoalidade.

e) Isonomia e competitividade.

GABARITO: LETRA D

SOLUÇÃO RÁPIDA
a) Legalidade e pessoalidade. (ERRADA)
“Legalidade e pessoalidade”. A questão fala sobre princípio da pessoalidade,
não existe tal fundamento, o que temos nos termos jurídico a princípio da
impessoalidade.
b) Segurança jurídica e autotutela. (ERRADA)
“Segurança jurídica e autotutela”. O conceito de segurança jurídica está
ligado à estabilidade nas relações jurídicas, e a autotutela é a capacidade de rever
os seus próprios atos, não temos uma aplicação direta com o enunciado da questão,
portanto errado.

c) Razoabilidade e publicidade. (ERRADA)


Razoabilidade e publicidade. O princípio da razoabilidade fala em adequação de
meios e fins; e o princípio da publicidade exige que os atos, em regra, devam ser
publicados. A conduta feita pelo agente público no enunciado é pautada em uma
conduta movida por um sentimento pessoal, portanto viola outros princípios.
d) Moralidade e impessoalidade. (CERTO)
Totalmente condizente com anunciado, temos na questão um agente de
trânsito punindo um particular por ter encontrado nele UMA RELAÇÃO PESSOAL DE
DESAFETOS, portanto o agente está sendo pessoal, o que é vedado, pois a
IMPESSOALIDADE exige condutas IMPARCIAIS por parte do agente e também viola

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MORALIDADE, que é o dever de BOA-FÉ, HONESTIDADE E PROBIDADE nas relações


jurídicas.
e) Isonomia e competitividade. (ERRADA)
“Isonomia e competitividade”. ISONOMIA é um princípio que diz que os iguais
devem ser tratados com igualdade, e os desiguais com desigualdade o que foge ao
escopo da questão; e COMPETITIVIDADE é um princípio aplicado na licitação quanto
à busca da melhor proposta, ou seja, a proposta mais vantajosa. A própria lei
8666/93 vai impedir que hajam exigências demasiadas que prejudiquem a
competitividade do certame.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) Legalidade e pessoalidade. (ERRADA)


O princípio da legalidade tem por definição exigir que a máquina pública faça
apenas aquilo que está na lei ou aquilo que a lei autoriza, portanto até podemos
encontrar sua violação diante da conduta do agente narrada no enunciado, pois o
mesmo está praticando uma conduta que É PROIBIDA POR LEI, porém logo na
sequência, a letra A trás o princípio da PESSOALIDADE, algo que não existe no nosso
ordenamento jurídico, o que nós temos é o chamado princípio da IMPESSOALIDADE
que vai exigir uma conta imparcial por parte dos seus agentes na atuação
administrativa, proibindo que o mesmo aja em favorecimento ou em prejuízo à
sociedade, movido por um sentimento pessoal.

b) Segurança jurídica e autotutela. (ERRADA)


O PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA existe para garantir a estabilidade e a
previsibilidade das ações praticadas pelo Poder Público, proibindo mudanças
ABRUPTAS (imprevistas) decorrentes de ações governamentais. A segurança jurídica
tem muita relação com a ideia de respeito à boa-fé nas relações jurídicas, por conta
disso sua finalidade é proporcionar segurança e estabilidade no convívio social. E o
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA afirma que a administração pública pode anular os seus
atos quando eivados de vícios, e revogar os seus atos quando legais e discricionários,
por motivos de conveniência e oportunidade, esse entendimento inclusive está
sumulado pelo supremo tribunal federal. Segue as súmulas:

SÚMULA 346: “A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus


próprios atos”.

SÚMULA 473: “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados
de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-
los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos,
e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.

c) Razoabilidade e publicidade. (ERRADA)


O PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE exige a obrigação de os agentes públicos
realizarem suas funções com EQUILÍBRIO, COERÊNCIA E BOM SENSO. O agente
público é um mero administrador da coisa pública e por conta disso ele NÃO pode
agir de forma arbitrária e imoderada. Comportamentos imoderados, abusivos,
irracionais, desequilibrados, inadequados, desmedidos, incoerentes ou
desarrazoados não são compatíveis com o interesse público, pois geram a

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possibilidade de invalidação administrativa ou judicial do ato deles resultante. E O


PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE pode ser definido como o dever de DIVULGAÇÃO
OFICIAL dos atos administrativos. A Administração pública tem dever de informar à
sociedade sobre a prática dos atos administrativos, garantindo, assim, uma atuação
transparente por parte do Poder Público.

d) Moralidade e impessoalidade. (CERTO)


A afirmativa está totalmente correta, pois o PRINCÍPIO DA MORALIDADE vai
dizer que a máquina pública ao atuar por meio de seus agentes deverá ter uma
conduta PROBA, ÉTICA, MORAL E PAUTADA NA BOA-FÉ das relações jurídicas, como
o enunciado da questão fala que o agente público está punindo O SEU DESAFETO
mesmo que o seu veículo automotor não tenha nenhuma irregularidade, podemos
observar que o agente de trânsito João NÃO FOI MORAL na aplicação da multa e
como podemos enxergar que houve uma conduta de natureza pessoal, desviando a
finalidade do ato administrativo, afirmando assim que o princípio da impessoalidade
também foi violado, pois o mesmo exige que o agente público ao atuar seja
IMPARCIAL EM SUAS CONDUTAS.

e) Isonomia e competitividade. (ERRADA)


O PRINCÍPIO DA ISONOMIA também pode ser chamado de princípio da
igualdade material. Enquanto na igualdade formal tratamos todos de igual forma, na
igualdade material ou isonomia buscamos a verdadeira igualdade que é tratar os
iguais com equidade e os desiguais com suas desigualdades. Assim alcançaremos a
verdadeira igualdade, essa é a lição do Grande mestre pensador Aristóteles. O
princípio da COMPETITIVIDADE está atrelado, em suma, ao processo licitatório em
que os fornecedores de bens e produtos serão tratados de forma objetiva e a própria
lei de licitações veda que a administração pública proíba a competitividade com
exigências meramente protelatórias, segue o texto da referida lei:

“Artigo 3º § 1o É VEDADO aos agentes públicos:


I - ADMITIR, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou
condições que comprometam, RESTRINJAM OU FRUSTREM O SEU CARÁTER
COMPETITIVO, inclusive nos casos de sociedades cooperativas, e estabeleçam
preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos
licitantes ou de qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante para o
específico objeto do contrato, ressalvado o disposto nos §§ 5o a 12 deste artigo e
no art. 3o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991”.

ANO: 2019. BANCA: FGV ÓRGÃO: Prefeitura de Salvador – BA PROVA: Especialista em


Políticas Públicas (ADAPTADA).
Prefeito de determinado município do Estado da Bahia nomeou sua esposa, médica de
notório conhecimento e atuação exemplar, para exercer o cargo de Secretária Municipal de
Saúde. No caso em tela, com as informações apresentadas acima, a princípio, de acordo com a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,
7. (...) não é possível afirmar que houve flagrante violação ao princípio da impessoalidade
pela prática de nepotismo, pois o cargo de secretário municipal possui natureza política.
CERTO ( ) ERRADO ( )

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GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA

(...) não é possível afirmar que houve flagrante violação ao princípio da


impessoalidade pela prática de nepotismo, pois o cargo de secretário
municipal possui natureza política. (CERTO)
Realmente podemos afirmar que não houve violação aos princípios da
moralidade e impessoalidade, pois a SÚMULA VINCULANTE Nº 13 só é aplicada aos
cargos comissionados de natureza administrativa, secretário municipal é cargo
comissionado de natureza política.

SOLUÇÃO COMPLETA

(...) não é possível afirmar que houve flagrante violação ao princípio da


impessoalidade pela prática de nepotismo, pois o cargo de secretário
municipal possui natureza política. (CERTO)
Estamos diante de uma questão que exigiu do candidato o conhecimento
aprofundado da aplicação da súmula vinculante nº 13, e segundo o próprio STF a
mesma súmula só atinge os cargos comissionados de NATUREZA ADMINISTRATIVA,
assim o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL referendou a possibilidade de que QUALQUER
PARENTE pode ser nomeado para cargos comissionados de natureza política como
por exemplo cargos de ministros de estado e secretários estaduais e municipais.
Como no caso concreto apresentado pela questão fala que o prefeito de determinado
município do Estado da Bahia NOMEOU SUA ESPOSA, médica de notório
conhecimento e atuação exemplar, para exercer o cargo de SECRETÁRIA MUNICIPAL
DE SAÚDE podemos afirmar que NÃO EXISTE NENHUMA IRREGULARIDADE. Pois o
referido cargo público, em que pese ser comissionado, É CONSIDERADO CARGO
POLÍTICO!

Segue o texto da referida súmula vinculante:


“A nomeação de CÔNJUGE, COMPANHEIRO OU PARENTE EM LINHA RETA,
COLATERAL OU POR AFINIDADE, ATÉ O TERCEIRO GRAU, inclusive, da autoridade
nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção,
chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança
ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição
Federal”.

Lembrando que os parentes em PRIMEIRO GRAU na LINHA RETA será o pai;


mãe e filhos; os DE SEGUNDO GRAU serão os avós e os netos; na LINHA COLATERAL
em segundo grau temos os irmãos; os de terceiro grau teremos os tios e os
sobrinhos; e para fechar, temos os de quarto grau que serão os primos.

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ANO: 2019. BANCA: FCC ÓRGÃO: SANASA Campinas PROVA: Analista Administrativo -
Serviços Jurídicos.
8. No que concerne aos princípios constitucionais, explícitos e implícitos na Constituição
Federal de 1988, aplicáveis à Administração pública, tem-se:

a) a prevalência do princípio da moralidade sobre todos os demais princípios, podendo


ser invocado para afastar, em situações de restrição de direitos individuais, os princípios
da razoabilidade e da legalidade estrita.

b) que o princípio da legalidade impede a edição de atos normativos pelo Poder Executivo,
salvo no estrito âmbito do poder regulamentar, apenas nos limites para fiel execução de
lei.

c) que o princípio da eficiência aplica-se, de forma autônoma, exclusivamente às entidades


sujeitas ao regime jurídico de direito privado, aplicando-se às entidades de direito público
apenas em caráter subsidiário.

d) como decorrência do princípio da razoabilidade, a possibilidade de afastamento do


princípio da legalidade quando presentes razões de interesse público, devidamente
comprovadas.

e) que a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade na prática de


atos discricionários pela Administração demanda a adequação entre meios e fins de forma
a evitar restrições desnecessárias a direitos individuais.

GABARITO: LETRA E

SOLUÇÃO RÁPIDA
a) a prevalência do princípio da moralidade sobre todos os demais
princípios, podendo ser invocado para afastar, em situações de restrição de
direitos individuais, os princípios da razoabilidade e da legalidade estrita.
(ERRADO)
“a prevalência do princípio da moralidade sobre todos os demais princípios,
podendo ser invocado para afastar, em situações de restrição de direitos
individuais..”. A questão está equivocada pelo fato de não existir tal prevalência, pois
os princípios sempre andarão lado a lado.
b) que o princípio da legalidade impede a edição de atos normativos
pelo Poder Executivo, salvo no estrito âmbito do poder regulamentar,
apenas nos limites para fiel execução de lei. (ERRADO)
“Que o princípio da legalidade impede a edição de atos normativos pelo Poder
Executivo, salvo no estrito âmbito do poder regulamentar, apenas nos limites para
fiel execução de lei. ”. A afirmativa não se sustenta porque a própria Constituição
Federal permite que ministros de estado editem atos de caráter normativo como
instruções normativas, decretos e regulamentos e quando esses o fazem usam poder
normativo e não regulamentar.
c) que o princípio da eficiência aplica-se, de forma autônoma,
exclusivamente às entidades sujeitas ao regime jurídico de direito privado,
aplicando-se às entidades de direito público apenas em caráter subsidiário.
(ERRADO)

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“Que o princípio da eficiência aplica-se, de forma autônoma, exclusivamente às


entidades sujeitas ao regime jurídico de direito privado”. Totalmente equivocado,
pois o princípio da eficiência deve ser observado de igual modo tanto pelas pessoas
jurídicas de direito público que integram a administração pública com as pessoas
jurídicas de direito privado.

d) como decorrência do princípio da razoabilidade, a possibilidade de


afastamento do princípio da legalidade quando presentes razões de
interesse público, devidamente comprovadas. (ERRADO)
“como decorrência do princípio da razoabilidade, a possibilidade de afastamento
do princípio da legalidade quando presentes razões de interesse público,
devidamente comprovadas”. Resposta equivocada pelo fato de que o princípio da
legalidade deve ser observado sempre pela Administração Pública, a razoabilidade e
a proporcionalidade existem nos atos discricionários que por sua vez também
precisam ser legais.

e) que a aplicação dos princípios da razoabilidade e da


proporcionalidade na prática de atos discricionários pela Administração
demanda a adequação entre meios e fins de forma a evitar restrições
desnecessárias a direitos individuais. (CERTO)
Temos uma aula sintetizada nesse gabarito que está totalmente correto, pois a
razoabilidade e proporcionalidade existem dentro da margem de conveniência, é uma
escolha do administrador ao praticar o ato administrativo, sendo que o gestor deve
ser razoável, deve ser equânime em suas condutas.

Solução completa

a) a prevalência do princípio da moralidade sobre todos os demais


princípios, podendo ser invocado para afastar, em situações de restrição de
direitos individuais, os princípios da razoabilidade e da legalidade estrita.
(ERRADO)
Dentro da sistemática princípio-lógica não há o que se falar em preponderância
de princípios, temos na Constituição Federal em seu artigo 37, os princípios da
legalidade; impessoalidade; moralidade; publicidade e eficiência (que se tornou
expresso a partir da emenda constitucional nº 19/98). A questão em tela fala sobre
a possibilidade de uma preponderância em relação ao princípio da moralidade o que
não é uma verdade, pois os princípios devem ser observados de maneira harmoniosa
quando a administração pública estiver atuando.
b) que o princípio da legalidade impede a edição de atos normativos
pelo Poder Executivo, salvo no estrito âmbito do poder regulamentar,
apenas nos limites para fiel execução de lei. (ERRADO)
A questão está equivocada em dizer que o princípio da legalidade impede a
edição de atos normativos pelo Poder Executivo, salvo no estrito âmbito do poder
regulamentar, é bem verdade que exercício do poder regulamentar que é privativo
do chefe do executivo (presidente, governador e prefeito), mas a própria Constituição
Federal no artigo 87 inciso II, permite que os MINISTROS editem atos normativos, e
quando os mesmos o fazem não estão pautados no poder regulamentar, e sim
pautados no PODER NORMATIVO, portanto gabarito errado.

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CRFB/88 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos entre brasileiros


maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos.
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições
estabelecidas nessa Constituição e na lei:
II - Expedir instruções para a execução das LEIS, DECRETOS E
REGULAMENTOS.

c) que o princípio da eficiência aplica-se, de forma autônoma,


exclusivamente às entidades sujeitas ao regime jurídico de direito privado,
aplicando-se às entidades de direito público apenas em caráter subsidiário.
(ERRADO)
Não há uma divisão em relação à administração pública direta e indireta no que
se diz respeito à observância dos princípios constitucionais, os princípios
infraconstitucionais ou até mesmo os princípios implícitos (reconhecidos). Tanto as
pessoas jurídicas da administração pública direta (que são regidas pelo direito
público) como as pessoas jurídicas da indireta (que podem ser regidas pelo direito
público ou direito privado) observarão em sua integridade todos os princípios. Segue
o texto constitucional.

“CRFB/88 ART. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer


dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

d) como decorrência do princípio da razoabilidade, a possibilidade de


afastamento do princípio da legalidade quando presentes razões de
interesse público, devidamente comprovadas. (ERRADO)
O princípio da razoabilidade exigirá dos agentes públicos uma conduta que seja
equilibrada, uma conduta que seja razoável na sua atuação. É bem verdade que sua
aplicação existe dentro dos atos discricionários que são aqueles que possuem
margem de conveniência e oportunidade, porém os atos discricionários não se
confundem com os atos arbitrários; enquanto aqueles significa dizer que há uma
margem de escolha dentro da lei, nesses eu faço o que eu quero e administração
pública não pode fazer o que ela quer, ela tem de fazer o que está na lei, princípio
da legalidade. Então até mesmo na razoabilidade preciso respeitar os limites
discricionários de um ato administrativo.

e) que a aplicação dos princípios da razoabilidade e da


proporcionalidade na prática de atos discricionários pela Administração
demanda a adequação entre meios e fins de forma a evitar restrições
desnecessárias a direitos individuais. (CERTO)
Vamos analisar porque essa afirmativa é a correta. O que diz o princípio da
razoabilidade? Esse princípio exige do agente público equilíbrio, bom senso e
coerência na atuação administrativa evitando que haja comportamentos imoderados,
desequilibradas, abusivos ou até mesmo irracionais, situação que poderia levar a
invalidação da atuação da administração pública. Enquanto a proporcionalidade, que
para doutrina majoritária é um aspecto da razoabilidade, vai definir uma aferição de

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justa medida, uma verdadeira adequação entre meios e fins, vedando a adoção de
medidas superiores aquela que será necessariamente usada para atingir o interesse
público.
“Lei 9.784/99
Art. 2º A Administração Pública obedecerá...
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações,
restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao
atendimento do interesse público”.

ANO: 2018. BANCA: CESPE ÓRGÃO: Polícia Federal PROVA: Agente de Polícia Federal
A administração pública, além de estar sujeita ao controle dos Poderes Legislativo e
Judiciário, exerce controle sobre seus próprios atos. Tendo como referência inicial essas
informações, julgue o item a seguir, acerca do controle da administração pública.
9. O poder de autotutela tem fundamento, preponderantemente, nos princípios da
legalidade e da preponderância do interesse público e pode ser exercido de ofício quando
a autoridade competente verificar ilegalidade em ato da própria administração.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RAPÍDA
Questão totalmente correta, pois o princípio da autotutela diz que a
administração pública pode rever os seus próprios atos de ofício ou a pedido, podendo
revogá-los por motivo de conveniência e oportunidade caso sejam legais e
discricionários e SE deparando com atos ilegais, em regra, serão anulados sem a
necessidade de provocação do poder judiciário para tal súmula 473 e 346 do supremo
tribunal federal.
SOLUÇÃO COMPLETA

O princípio da autotutela que consagrará o controle interno da administração


pública no controle sobre seus próprios atos, por certo tem fundamento no princípio
da legalidade que tem por conceito exigir da máquina pública uma atuação pautada
na lei e o interesse público que está de acordo com a própria finalidade pública a qual
a Administração não pode se desvincular como nos é apresentado pela lei 9.784/99
em seu artigo 53° que diz:
“A administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de
ilegalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos”.
Esse pensamento também está consagrado nas súmulas 346 e 473 do STF.
Súmula 346: “A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus
próprios atos”.
Súmula 473 do STF: ”A administração pode anular seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não originam direitos; ou
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.
O professor Alexandre Mazza faz o seguinte comentário sobre esse princípio:
“O princípio da autotutela consagra o controle interno que a Administração
Pública exerce sobre seus próprios atos. Como consequência da sua independência
funcional (art. 2º da CF), a Administração não precisa recorrer ao Judiciário para
anular seus atos ilegais e revogar os atos inconvenientes que pratica. Consiste no
poder-dever de retirada de atos administrativos por meio da anulação e da
revogação. A anulação envolve problema de legalidade, a revogação trata de mérito
do ato”.
(Manual De Direito Administrativo - Alexandre Mazza – 2019; p. 207)

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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA


Estudaremos a partir de agora uma das partes mais importantes do direito administrativo
porque é a partir do entendimento desse tópico que se desdobrará todo o estudo do direito
administrativo. Já estudamos a introdução e já estudamos os princípios, então pergunto a você:
A quem serão aplicados esses princípios? A quem serão aplicadas as leis administrativas? A
quem será dada a capacidade de executar os poderes administrativos? Quem terá a
responsabilidade civil objetiva? Quem exercerá ou sofrerá o controle? Quem terá de fazer
licitação?
Apresentarei a você, no estudo a seguir a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E
INDIRETA, suas técnicas administrativas, seus bens e seus agentes.

CENTRALIZAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO, CONCENTRAÇÃO E


DESCONCENTRAÇÃO
Bem, eu particularmente gosto de trabalhar esse tema dentro do assunto “Administração
Pública Direta e Indireta” e não na “introdução” como muitos livros de Direito Administrativo
fazem, justamente para que você tenha uma visão mais tranquila desses institutos que nada
mais são do que técnicas de aperfeiçoamento das atividades administrativas. Vamos lá!

CENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
A centralização administrativa acontece quando o poder público desempenha suas
atividades diretamente por meio dos agentes e órgãos da estrutura da União, do Estado, DF e
municípios. Quando as atribuições estão centralizadas nessas pessoas jurídicas, estamos diante
da técnica administrativa “centralização”.

 Podemos citar como exemplos órgãos de segurança como a polícia civil, polícia
militar, guarda municipal, bombeiros, órgãos de arrecadação como a secretaria da
receita federal secretaria de receitas estaduais e municipais.

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DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
De forma genérica, a descentralização administrativa ocorre quando uma atribuição é
deslocada da administração direta para outra pessoa jurídica. Pode ocorrer de duas formas,
são elas:
1ª FORMA - DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA: ocorre quando a Administração
Pública Direta por meio de uma lei ordinária específica cria uma pessoa jurídica da
administração indireta e transfere a titularidade e a execução de determinado serviço
público para ela.
 Você pode esbarrar com algumas questões de prova cobrando seu significado, são
eles:
• DESCENTRALIZAÇÃO TÉCNICA.
• DESCENTRALIZAÇÃO FUNCIONAL.
DESCENTRALIZAÇÃO POR SERVIÇOS.

2ª FORMA - DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO: ocorre quando a administração


pública direta passa apenas a execução de um serviço para particulares por meio de um contrato ou
ato unilateral.
 Você pode esbarrar com algumas questões de prova cobrando seu significado que é:
• DESCENTRALIZAÇÃO POR COLABORAÇÃO.

• Podemos citar como exemplo as empresas que prestam serviços de transportes


públicos, sejam eles ferroviários, aquaviários, aéreos, terrestres, e também os
pedágios que existem ao longo do Brasil.

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DESCONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA
É conhecida como uma técnica administrativa de distribuição de competências sempre
dentro de uma mesma pessoa jurídica.

 Exemplo: a criação de vários ministérios, de departamentos ou de secretarias.


 Uma pergunta que muitas pessoas se fazem é se é possível ter desconcentração
dentro da descentralização. Digo-te que é totalmente possível, imagine uma: o INSS
(autarquia: descentralização por outorga) querendo implementar novas agências
da previdência social ou a UFRJ (autarquia que atua na área de educação) abrindo o
departamento de matemática, língua estrangeira ou até mesmo de um português,
você consegue ver com clareza uma desconcentração dentro da descentralização.

CONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA
O que temos na concentração administrativa é justamente o oposto da desconcentração,
nesse crio novos departamentos, secretarias e ministérios, naquele esses mesmos
departamentos, secretarias e ministérios seriam extintos, reagrupando as competências que
foram distribuídas outrora.

 Exemplo: a extinção de um Ministério atrelando suas atribuições a um outro


Ministério.
• ACONTECEU NO BRASIL: no governo Dilma tínhamos 35 ministérios; no governo
Temer reduziram para 29; e agora no governo Bolsonaro o número de pastas
ministeriais reduziu para 22.

ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA


A base da divisão administrativa no Brasil está no decreto-lei nº 200 de 25 de fevereiro
de 1967, que dispõe sobre a organização da administração pública federal e as diretrizes da
reforma administrativa juntamente com a Constituição Federal De 1988.

Em relação à administração pública direta o que é pertinente sabermos é que ela se divide
por meio de uma DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA, estudo inclusive pertencente ao direito
constitucional, e segundo os constitucionalistas nossa descentralização política é conhecida
como centrífuga, ou seja, de dentro para fora, diferente da descentralização que houve nos
Estados Unidos conhecido como centralização centrípeta, ou seja, de fora para dentro.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988


Art. 37. A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:

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DECRETO-LEI Nº 200/1967
Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A ADMINISTRAÇÃO DIRETA, que se constitui dos serviços
integrados na estrutura administrativa da Presidência da
República e dos Ministérios.
É importante destacar também que dentro da União e dos Estados teremos atuação dos
poderes legislativo, judiciário e executivo, mas nos municípios teremos apenas o legislativo e o
executivo.
No tocante à função administrativa deve-se ter em mente que ela não é exclusiva do poder
executivo, ela será exercida principalmente pelo executivo e será utilizada pelo legislativo e
judiciário em suas funções atípicas, assunto estudado no tema “introdução ao direito
administrativo”. Então resumindo, quando falamos em Administração Pública Direta, estamos
diante dos órgãos que compõem a União, Estado, DF e Município que desempenham a atividade
administrativa.
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO
“A Administração Pública abrange as atividades exercidas pelas pessoas
jurídicas, órgãos e agentes incumbidos de atender concretamente às
necessidades coletivas; corresponde à função administrativa,
atribuída preferencialmente aos órgãos do Poder Executivo”.

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição –


PAG. 190)

Em relação aos órgãos que compõem a administração Pública direta vale a pena citar que
temos na União os ministérios como órgãos auxiliares diretos da Presidência. Nos Estados, DF
e nos municípios os órgãos auxiliares diretos são conhecidos como secretarias.

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DECRETO-LEI Nº 200/1967
Art. 1º O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da
República auxiliado pelos Ministros de Estado.
Vale a pena ressaltar as características pertinentes a essas pessoas que compõem a
administração pública direta, são elas:

 São independentes entre si, ou seja, não há hierarquia entre elas;


 Devem prestar contas dos seus gastos;
 Possuem autonomia “POLÍTICA”, pois têm a capacidade de se auto legislar; na União
enxergamos o congresso nacional; nos estados enxergamos a assembleia legislativa;
nos municípios enxergamos as câmaras de vereadores; e no distrito federal
enxergamos câmara legislativa. Fique atento, pois essa é uma das características
mais cobradas em concurso público, saiba que a administração pública indireta
não possui tal independência porque os integrantes não têm capacidade de se auto
legislar porque lhes falta um local apropriado para exercer a função legiferante.

Ah, não posso deixar de frisar algo muito importante: os ministérios, as secretarias, os
departamentos e as subprefeituras são órgãos, e como tais NÃO possuem personalidade
jurídica.

LEI 9.784/99
Art. 1o § 2o Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - Órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da
Administração direta e da estrutura da Administração indireta.
Eles serão partes dos entes políticos , pois são eles que possuem personalidade jurídica,
inclusive de direito público nos termos do código Civil em seu artigo 41, a União o Estado O Df
E Município.

LEI 10.406/2002 (CÓDIGO CIVIL)


Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - A União;
II - Os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;

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ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA


Sem sombra de dúvida a maior parte de questões de concurso público sobre esse tema
repousa sobre a administração pública indireta. Estudaremos, portanto, tudo sobre o referido
tema.

A administração indireta é composta por quatro Entidades Administrativas, sendo elas:


Fundações, Autarquias, Sociedade de economia mista e Empresa pública (mnemônico: FASE).

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Sua base legal está definida no Decreto-lei 200/67 em seu artigo 5º:

ART. 5º PARA OS FINS DESTA LEI, CONSIDERA-SE:

I - AUTARQUIA - o serviço autônomo, criado por lei, com


personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar
atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para
seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.

II - EMPRESA PÚBLICA - a entidade dotada de personalidade


jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital
exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade
econômica que o Governo seja levado a exercer por força de
contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-
se de qualquer das formas admitidas em direito.

III - SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA - a entidade dotada de


personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a
exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua
maioria à União ou a entidade da Administração Indireta.

IV - FUNDAÇÃO PÚBLICA - a entidade dotada de personalidade


jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude
de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que
não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público,
com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos
respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por
recursos da União e de outras fontes.

CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS DE CADA ENTIDADE DE


ADMINISTRAÇÃO INDIRETA
Antes de estudarmos as características que distinguem uma pessoa jurídica de outra
dentro da indireta é interessante, ainda que de forma superficial, conferir as características
comuns entre elas. Logo após estaremos estudando suas particularidades.

CARACTERÍSTICAS COMUNS ENTRE ELAS:


 Nascem de um processo de descentralização por outorga.

 Algumas possuem personalidade jurídica de direito público, outras personalidades


jurídicas de direito privado, mas o fato é que todas possuem tal personalidade.

 Ao serem criadas, sem exceção, ficam vinculadas à finalidade para qual nasceram.

 São sujeitas ao controle finalístico, também chamado de supervisão ministerial,


de fato lembremos que não há hierarquia entre a direta e indireta, mas o controle
é real.

 Seja de direito público ou seja de direito privado, todas precisam fazer concursos
públicos, também prestar contas aos tribunais de contas e fazer licitação, via de
regra.

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AUTARQUIAS
A doutrina fala que a autarquia é uma personificação de um serviço específico da
administração direta. A autarquia é sem sombra de dúvida a pessoa jurídica da administração
indireta que mais se assemelha as pessoas jurídicas da administração direta, tanto é que o
professor Hely Lopes Meirelles a batizou de longa Manus do Estado, ou seja, seu executor de
ordens. Sua definição, no nosso ordenamento jurídico, encontra-se na Constituição Federal no
artigo 37, XIX e no decreto lei 200/67 no artigo 5º I:

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 37; XIX – somente por lei específica poderá ser criada
AUTARQUIA e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;

DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967


Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

I- AUTARQUIA - o serviço autônomo, criado por lei, com


personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios,
para executar atividades típicas da Administração
Pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.

O professor JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO conceitua a autarquia da seguinte


forma:
“Como todas as categorias de pessoas jurídicas integrantes da
Administração Indireta, as autarquias têm sua própria fisionomia,
apresentando algumas particularidades que as distinguem das demais.
Basicamente, são elementos necessários à conceituação das autarquias
os relativos à personalidade jurídica, à forma de instituição e ao objeto,
os quais, pelo fato mesmo de integrarem o conceito, serão analisados
adiante em separado. À luz desses elementos, pode-se conceituar
autarquia como a pessoa jurídica de direito público, integrante da
Administração Indireta, criada por lei para desempenhar funções
que, despidas de caráter econômico, sejam próprias e típicas do
Estado”.
(Manual de Direito Administrativo – 33ª edição - Jose dos Santos
Carvalho Filho; p. 690)

 CRIAÇÃO
• Toda autarquia para nascer precisa de uma LEI ORDINÁRIA ESPECÍFICA, muito
cuidado com questões de prova que afirmar que a autarquia será criada por lei
complementar afirmativa, deverá ser assinalada como errada.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
“Artigo 37 XIX – somente por LEI ESPECÍFICA poderá ser criada
autarquia...”

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 EXTINÇÃO
• Segundo o Princípio da simetria das formas jurídicas também conhecido como
paralelismo das formas, a extinção de autarquias deve ser feita da mesma forma
que nasceu, ou seja, mediante a edição de lei específica.

 PERSONALIDADE JURÍDICA
• Será de direito público nos termos do inciso IV do artigo 41 do código Civil de
2002.
LEI 10.406/2002 (CÓDIGO CIVIL)
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
IV - As autarquias, inclusive as associações públicas
• Indo um pouco além em nossos estudos, quero destacar o seguinte: você deve se
atentar que toda pessoa jurídica que for criada por lei será obrigatoriamente de
direito público.

Por ser de DIREITO PÚBLICO, o ordenamento jurídico vai garantir as autarquias algumas
vantagens como por exemplo:

 Possuirão imunidade tributária no tocante aos IMPOSTOS que seriam gerados em


razão do patrimônio renda e serviços quando esses forem ligados às finalidades
essenciais.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios:
VI - Instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às
fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no
que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados
a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

ATENÇÃO!
Muito cuidado com essa informação, pois no Brasil nós temos cinco tipos de
tributo. Temos os impostos, as taxas, empréstimos compulsórios contribuições de
melhorias e contribuições sociais, o ordenamento jurídico brasileiro garante
imunidade quanto aos impostos e não a todo e qualquer tipo de tributo.

 Seus bens, por serem considerados públicos, serão imprescritíveis e


impenhoráveis, por isso não é possível que um particular ajuíze contra uma
autarquia, a chamada ação de usucapião. Uma das informações mais cobradas no
tocante às peculiaridades e garantias que são extensivas às autarquias é chamada
ação de usucapião que tem seu início no artigo 1238 do código Civil, qualquer
afirmativa de prova que disser ser possível usucapir um bem público de uma
autarquia deverá ser considerado como errado.

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art.183 § 3º Os imóveis públicos NÃO serão adquiridos por
usucapião.

LEI 10.406/2002 (CÓDIGO CIVIL)


Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.

 Pela própria natureza de direito público também será dado privilégios processuais
no tocante a qualquer tipo de processo, seja ele judicial ou administrativo. Hoje o
que temos é o privilégio de prazo em dobro para contestar, recorrer e responder
recursos. Muito cuidado porque, sob a égide do código passado, o prazo é em dobro
para recorrer, e quádruplo para contestar. Atenção, hoje não é mais assim!

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL


Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios
e suas RESPECTIVAS AUTARQUIAS e FUNDAÇÕES DE
DIREITO PÚBLICO gozarão de prazo EM DOBRO para todas
as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a
partir da intimação pessoal.
 ATIVIDADES DESEMPENHADAS
• Segundo o decreto-lei 200/65, só atividades típicas da Administração Pública.
Em relação às atividades desempenhadas, é muito importante que o candidato
saiba que as autarquias só podem desempenhar atividades típicas do estado,
qualquer afirmativa que trouxer em seu bojo informações de que uma autarquia
pode desempenhar atividades típicas ou atípicas deverá ser considerada como
errada. Mas Professor, o que seria atividades atípicas? Seriam para o Direito
Administrativo a exploração de atividade econômica, a qual dentro da
administração pública só pode ser desempenhada nos termos do artigo 173 da
Constituição Federal pelas empresas públicas e sociedades de economia mista, e
isso em caráter excepcional, por questões de Segurança nacional ou relevante
interesse público.
 REGIME JURÍDICO DE PESSOAL
• Por serem criadas por lei deverão ser regidas pelo direito público e quem tem
cargo público efetivo em uma pessoa jurídica de direito público se submete a um
estatuto, portanto quem trabalha lá será ESTATUTÁRIO.
 CAPITAL
• Totalmente PÚBLICO, formado a partir da transferência de BENS MÓVEIS E
IMÓVEIS do Ente Federado que a criou.
Dentro dos tipos de autarquia, temos algumas espécies, são elas:
 AGÊNCIAS EXECUTIVAS
• São autarquias que nasceram como simples, mas por buscar em uma atuação
mais eficiente celebram com seu Ente Instituidor um contrato de gestão. Após a
celebração desse contrato passam a serem denominadas de AGÊNCIA
EXECUTIVA, isso fará com que elas recebam mais verbas públicas e aumentem
sua autonomia, claro que será exigido dela resultados como contrapartida. Muita
atenção, pois, nesse caso não se tem uma nova autarquia, ela apenas tem um
status diferenciado.
A base jurídica para tal feito está no artigo 37, parágrafo 8º da Constituição
Federal.

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 37 § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira
dos órgãos e entidades da administração direta e indireta
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre
seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a
fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade,
cabendo à lei dispor sobre:
I - O prazo de duração do contrato;
II - Os controles e critérios de avaliação de desempenho,
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - A remuneração do pessoal’.

• Temos um raríssimo exemplo no ordenamento jurídico que é o INMETRO


(Instituto nacional de metrologia normalização e qualidade industrial).

 AGÊNCIAS REGULADORAS
• Figuras altamente importantes na nossa Administração Pública, principalmente
no que diz respeito à regulamentação e fiscalização de serviços privados de
interesse coletivo. As agências reguladoras nasceram com programa do Brasil
conhecido como desestatização que tem por objetivo reduzir os gastos do poder
público e aumentar a eficiência da prestação de serviço. Com o aumento da
delegação de serviço público por meio das concessões e permissões para os
particulares nasceu a responsabilidade do Estado de fiscalizar tais serviços.

Temos sua positivação na nossa constituição federal em seu artigo 21 incisos XI


E na lei nº 13.848, de 25 de junho de 2019 que dizem:
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 21. Compete à União:
XI – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão
ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da
lei, que disporá sobre a organização dos serviços, A CRIAÇÃO
DE UM ÓRGÃO REGULADOR e outros aspectos institucionais.
LEI Nº 13.848, DE 25 DE JUNHO DE 2019
Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora
é caracterizada pela ausência de tutela ou de subordinação
hierárquica, pela autonomia funcional, decisória,
administrativa e financeira e pela investidura a termo de seus
dirigentes e estabilidade durante os mandatos, bem como
pelas demais disposições constantes desta Lei ou de leis
específicas voltadas à sua implementação.

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Diferente das agências executivas que nascem autarquias simples e depois celebram
contrato de gestão, as autarquias conhecidas como agências reguladoras já nascem com essa
finalidade, já nascem instituída de maior independência e autonomia, por isso estudaremos
algumas das suas características peculiares.

• NOMEAÇÃO DE SEUS DIRIGENTES

Estamos diante de cargo comissionado de natureza especial, classificado como


um ato complexo, pois a nomeação de seus dirigentes ocorre por meio da escolha
do Presidente da República e fica condicionada à aprovação do senado federal.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição
pública, a escolha de:
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;

LEI NO 9.986, DE 18 DE JULHO DE 2000


Art. 5º O Presidente, Diretor-Presidente ou Diretor-Geral (CD I)
e os demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria
Colegiada (CD II) serão brasileiros, INDICADOS pelo
Presidente da República e por ele nomeados, APÓS
APROVAÇÃO PELO SENADO FEDERAL, nos termos da alínea
“f” do inciso III do art. 52 da Constituição Federal, entre
cidadãos de reputação ilibada e de notório conhecimento no
campo de sua especialidade, devendo ser atendidos 1 (um) dos
requisitos das alíneas “a”, “b” e “c” do inciso I e,
cumulativamente, o inciso II:
(Redação dada pela Lei nº 13.848, de 2019)
• MANDATOS FIXOS DE SEUS DIRIGENTES
Diferente das autarquias comuns em que temos apenas um cargo comissionado,
e pela própria natureza é de livre nomeação e de livre exoneração, aqui nas
agências reguladoras temos um cargo comissionado de natureza especial no qual
seus dirigentes hoje possuirão o que podemos denominar como uma
“estabilidade provisória”, que segundo a lei 3848/2019 é de cinco anos, a
própria lei 9986/2000 em seu artigo 9º pontua as situações em que seus
dirigentes poderão perder os seus cargos antes do prazo determinado de cinco
anos.

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LEI 9986/2000
Art. 6º O mandato dos membros do Conselho Diretor ou da
Diretoria Colegiada das agências reguladoras será de 5
(cinco) anos, vedada a recondução, ressalvada a hipótese do §
7º do art. 5º.

Art. 9º O membro do Conselho Diretor ou da Diretoria


Colegiada somente perderá o mandato:
I - Em caso de renúncia;
II - Em caso de condenação judicial transitada em julgado
ou de condenação em processo administrativo disciplinar;
III - por infringência de quaisquer das vedações previstas no
art. 8º-B desta Lei.

Art. 8º-B. Ao membro do Conselho Diretor ou da Diretoria


Colegiada é vedado:
I - Receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto,
honorários, percentagens ou custas;
II - Exercer qualquer outra atividade profissional,
ressalvado o exercício do magistério, havendo
compatibilidade de horários;
III - participar de sociedade simples ou empresária ou de
empresa de qualquer espécie, na forma de controlador,
diretor, administrador, gerente, membro de conselho de
administração ou conselho fiscal, preposto ou mandatário;
IV - Emitir parecer sobre matéria de sua especialização,
ainda que em tese, ou atuar como consultor de qualquer tipo de
empresa;
V - Exercer atividade sindical;
VI - Exercer atividade político-partidária;
VII - estar em situação de conflito de interesse, nos termos
da Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013.

• INSTITUTO DA QUARENTENA
Um ponto muito interessante a se falar sobre os dirigentes das agências
reguladoras é que após o prazo de seu mandato, esses continuarão vinculados às
respectivas agências reguladoras pelo prazo de 6 meses de acordo com a lei
13848 de 2019 em seu artigo 8º.
LEI 9986/2000
Art. 8º Os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria
Colegiada ficam impedidos de exercer atividade ou de prestar
qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por
período de 6 (seis) meses, contados da exoneração ou do
término de seu mandato, assegurada a remuneração
compensatória.
(Redação dada pela Lei nº 13.848, de 2019)

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Ou seja, após os 5 anos de mandato, os respectivos dirigentes não poderão


exercer suas atividades em empresas nas quais eles fiscalizavam pelo período de
6 meses e por conta disso a própria lei estabelece que eles continuarão sendo
remunerados pela respectiva agência reguladora, incluindo até os seus
benefícios.

LEI 9986/200
§ 2o Durante o impedimento, o ex-dirigente ficará vinculado à
agência, fazendo jus a remuneração compensatória
equivalente à do cargo de direção que exerceu e aos benefícios
a ele inerentes.

Exemplo de agências reguladoras:

• Agência Nacional de Águas (ANA), Lei 9.984/2000


• Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Lei 9.427/1996
• Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), Lei 9.472/1997
• Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Lei 11.182/2005
• Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Lei 10.233/2001
• Agência Nacional de Transporte Aquático (ANTAQ), Lei 10.233/2001

 AUTARQUIAS PROFISSIONAIS
• São as entidades que usualmente são conhecidas como conselhos de classe das
profissões regulamentadas, como por exemplo: o Conselho Regional de
Contabilidade (CRC), o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), e
o CRM (Conselho Regional de Medicina).

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Muito cuidado, pois para a lei essas entidades possuem personalidade jurídica de
direito privado. Mas para o Supremo Tribunal Federal, NÃO!
LEI 9.649/1998
Art. 58, § 2.º Os conselhos de fiscalização de profissões
regulamentadas, dotados de personalidade jurídica de
direito privado, não manterão com os órgãos da
Administração Pública qualquer vínculo funcional ou
hierárquico.

Mas no julgamento da ADIN 1717, o Supremo Tribunal Federal declarou a


inconstitucionalidade desse texto, sob o argumento de que se os conselhos profissionais
exercem poder de polícia devem possuir obrigatoriamente personalidade jurídica de direito
público, pois o exercício desse poder é indelegável a pessoas de direito privado.

JURISPRUDÊNCIA
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 58 E SEUS PARÁGRAFOS DA LEI FEDERAL Nº
9.649, DE 27.05.1998, QUE TRATAM DOS SERVIÇOS DE FISCALIZAÇÃO DE
PROFISSÕES REGULAMENTADAS. 1. Estando prejudicada a Ação, quanto ao § 3º do
art. 58 da Lei nº 9.649, de 27.05.1998, como já decidiu o Plenário, quando apreciou
o pedido de medida cautelar, a Ação Direta é julgada procedente, quanto ao mais,
declarando-se a inconstitucionalidade do ‘caput’ e dos § 1º, 2º, 4º, 5º, 6º, 7º e
8º do mesmo art. 58. 2. Isso porque a interpretação conjugada dos artigos 5º, XIII,
22, XVI, 21, XXIV, 70, parágrafo único, 149 e 175 da Constituição Federal, leva à
conclusão, no sentido da inelegibilidade, a uma entidade privada, de atividade típica
de Estado, que abrange até poder de polícia, de tributar e de punir, no que
concerne ao exercício de atividades profissionais regulamentadas, como ocorre com
os dispositivos impugnados. 3. Decisão unânime’ (ADI 1717-6/DF, Pleno do STF,
Relator Ministro Sydney Sanches, julgado em 7/11/2002, DJ de 28/03/2003, p. 61).
A declaração de inconstitucionalidade do art. 58 e §§ da Lei 9.649/1998 gera efeitos
‘ex tunc’ e ‘erga omnes’, o que implica o reconhecimento da vigência do art. 4º da
Lei 3.268/1957, citado anteriormente, que determinava a composição do CFM com
10 conselheiros.

ATENÇÃO
Segundo o STF, perante a Constituição Federal de 1988, a OAB perdeu o status
de autarquia. A OAB hoje é considerada como uma ENTIDADE SUI GENERIS.

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 AUTARQUIAS ADMINISTRATIVAS
• São as autarquias comuns, nascidas para desempar um serviço típico da
administração pública direta, por meio da descentralização com autônima
administrativa, financeira e patrimonial, podemos citar como exemplo o INSS.

 AUTARQUIAS TERRITORIAIS
• Para a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, os territórios seriam
considerados pessoas jurídicas de direito público, seria uma autarquia territorial,
elas serviriam para delimitar uma base com capacidade administrativa genérica,
no Brasil hoje nós não temos territórios, mas a constituição no artigo 18,
parágrafo segundo afirma que é possível.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 18 § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua
criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado
de origem serão reguladas em lei complementar.

MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


“DESCENTRALIZAÇÃO
Territorial Descentralização territorial ou geográfica é a que se verifica
quando uma entidade local, geograficamente delimitada, é dotada de
personalidade jurídica própria, de direito público, com capacidade
administrativa genérica”.
(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro - 32a edição –
2019; p. 937)

 AUTARQUIAS FUNDACIONAIS
• Em relação as autarquias fundacionais nada mais são do que fundações públicas
que são regidas pelo direito público, a doutrina também costuma chamar de
fundação autárquica. Então caso você encontre uma dessas duas nomenclaturas
em provas de concursos saiba que você está diante de uma fundação pública que
foi criada por lei, portanto seu regime jurídico é obrigatoriamente de direito
público, exemplo: FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
DO SUL.

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 AUTARQUIAS ASSOCIATIVAS
Foi introduzida em nosso ordenamento jurídico por meio da lei 11.107/2005, que nos
traz a figura dos consórcios públicos.
Para se constituir uma autarquia associativa basta a união de alguns entes públicos
formando uma nova pessoa jurídica de direito público, teremos aí a constituição de uma
AUTARQUIA ASSOCIATIVA que é na verdade um consórcio público, regido pelo direito
público. Lembramos que a referida lei também fala sobre os consórcios públicos regidos pelo
direito privado, tal instituto não se enquadra no conceito descrito acima.
Podemos dar como exemplo a união de alguns municípios unindo forças para realizar um
determinado serviço ou determinada obra, caso adotem a criação de um consórcio público
regido pelo Direito público, teremos uma AUTARQUIA ASSOCIATIVA.

LEI Nº 11.107, DE 6 DE ABRIL DE 2005.


Art. 6º O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:
I – De direito público, no caso de constituir associação pública,
mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo de
intenções;

§ 1º O consórcio público com personalidade jurídica de


direito público integra a administração indireta de TODOS
os entes da Federação consorciados.

IMPORTANTE
Uma informação que tem sido muito cobrada nos últimos anos em provas de
concurso público é se uma autarquia precisa arquivar os atos constitutivos nas
repartições competentes, ou seja, ir ao cartório de registro de pessoa jurídica. Tal
indagação deverá ser considerada como errada, pois por ser CRIADA POR LEI toda
autarquia PRESCINDE, ou seja, DISPENSA o arquivamento dos atos constitutivos
na repartição competente, a mesma só precisa da edição de uma LEI ORDINÁRIA
ESPECÍFICA para existir.

Exemplos de Autarquias: O Banco Central (BC), o Conselho Administrativo de Defesa


Econômica (CADE), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência de Seguros
Privados (SSP) e as agências reguladoras.
FUNDAÇÕES PÚBLICAS
São definidas pela doutrina como a personificação de um patrimônio ao qual é
atribuída uma finalidade específica não lucrativa, sempre na área social como, por exemplo,
educação, saúde, assistência social, pesquisa científica, proteção do meio ambiente.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 37; XIX – somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de FUNDAÇÃO, cabendo à lei
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;

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DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967


Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade


jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em
virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de
atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades
de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio
próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e
funcionamento custeado por recursos da União e de outras
fontes.

ATENÇÃO!
É importante frisar logo agora, no conceito, que uma fundação pública será um
PATRIMÔNIO PERSONIFICADO, não confunda com a palavra que é atribuída da
autarquia que é um SERVIÇO PERSONIFICADO.

Conceito da doutrinadora Maria Sylvia Di Pietro:


"pode-se definir a fundação instituída pelo poder público como o
patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de personalidade
jurídica, de direito público ou privado, e destinado, por lei, ao
desempenho de atividades do Estado na ordem social com capacidade
de autoadministração e mediante controle da administração pública,
nos limites da lei".

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição –


2019; p. 972)
 CRIAÇÃO E PERSONALIDADE JURÍDICA
Está aqui uma das brigas mais ferrenhas no tocante ao estudo da administração pública
indireta. Tentarei abordar nesse momento a maneira mais didática de se acertar as questões de
prova.
A Fundação pode ser de direito público ou de direito privado, tudo dependerá de como
ela veio a existir.
• Se for CRIADA POR LEI ORDINÁRIA ESPECÍFICA será de DIREITO PÚBLICO, e
como consequência nascerão apenas com a promulgação da lei, dispensando
assim a inscrição de seus atos constitutivos no registro civil de pessoas jurídicas.
São chamadas pela doutrina de fundações autárquicas ou autarquias
fundacionais. Seu pessoal se submeterá a um ESTATUTO que no âmbito federal
será a lei 8.112/90 e terão direito a um regime próprio de previdência social nos
termos do artigo 40 da Constituição Federal.
• Se for AUTORIZADA POR LEI será de DIREITO PRIVADO e como consequência
disso, além da lei autorizativa, precisarão arquivar seus atos constitutivos na
repartição competente, ou seja, no registro civil de pessoas jurídicas e por serem
de direito privado não terão estatuto, mas seu pessoal será submetido da CLT,
portanto não terão direito à estabilidade, e o regime de aposentadoria de seu
pessoal será o regime geral de previdência social nos termos do artigo 201 da
Constituição Federal.

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MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


“Colocamo-nos entre os que defendem a possibilidade de o Poder
Público, ao instituir fundação, atribuir-lhe personalidade de direito
público ou de direito privado. Isto porque nos parece incontestável a
viabilidade de aplicar-se, no direito público, a distinção que o Código Civil
de 1916 continha entre as duas modalidades de pessoas jurídicas
privadas: associação e sociedade, de um lado, e fundação, de outro; a
distinção se mantém no novo Código Civil”.
(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição –
2019; p. 970)

O próprio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL também entende que uma fundação pública
pode ser de direito público ou de direito privado.

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


Constitucional. Administrativo. Art. 28 da Constituição do Estado do Rio Grande
do Sul. Equiparação entre servidores de fundações instituídas ou mantidas pelo
Estado e servidores das fundações públicas: inconstitucionalidade. 1. A distinção
entre fundações públicas e privadas decorre da forma como foram criadas,
da opção legal pelo regime jurídico a que se submetem, da titularidade de
poderes e também da natureza dos serviços por elas prestados. 2. A norma
questionada aponta para a possibilidade de serem equiparados os servidores de toda
e qualquer fundação privada, instituída ou mantida pelo Estado, aos das fundações
públicas. 3. Sendo diversos os regimes jurídicos, diferentes são os direitos e os
deveres que se combinam e formam os fundamentos da relação empregatícia
firmada. 4. Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada procedente (STF,
ADI191/RS, TribunalPleno,29.11.2007).

 ATIVIDADES DESEMPENHADAS
• Como estudado, sua finalidade específica será sempre não lucrativa, de natureza
social, por isso, sua área de atuação será desempenhar atividades de natureza
social de interesse público.
Exemplo: Funai (Fundação Nacional do Índio), seu objetivo principal é promover
políticas de desenvolvimento sustentável das populações indígenas.

 CAPITAL
• A doutrina majoritária vai dizer que seu patrimônio pode ser inteiramente do
Poder Público ou semipública e semiprivada. Seu instituidor faz uma dotação
patrimonial, ou seja, separa um determinado conjunto de bens e direitos e lhes
confere personalidade jurídica.
Exemplo de Fundações Públicas: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a
Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

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EMPRESA PÚBLICA
Empresa pública é Pessoa Jurídica de DIREITO PRIVADO, constituída por capital
exclusivamente público para explorar atividade econômica ou prestar serviços públicos e
poderá ser constituída em qualquer uma das modalidades empresariais.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 37; XIX – somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de EMPRESA PÚBLICA,
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;
DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967
Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
II - EMPRESA PÚBLICA - a entidade dotada de personalidade
jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital
exclusivo da União, criado por lei para a exploração de
atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por
força de contingência ou de conveniência administrativa
podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em
direito.
 CRIAÇÃO E PERSONALIDADE JURÍDICA
• De maneira taxativa, afirmamos que as empresas públicas serão constituídas sob
regime de DIREITO PRIVADO. Tudo que estudamos no que se diz respeito à
consequência jurídica de ser autorizada por lei em relação à Fundação Pública
será aplicado tanto aqui na empresa pública como na sociedade de economia
mista.

Muita atenção, pois a doutrina vai dizer que a empresa pública terá sobre si um
regime jurídico híbrido, também chamado de misto que advém do fato de ela ser
propriamente de direito privado, mas se submete a regras de direito público
como por exemplo:
1- Se submete ao controle finalístico realizado pela administração direta.
2- Realização de concurso público.
3- Licitação, via de regra, para contratar.
4- Prestação de contas ao tribunal de contas.

 ATIVIDADES DESEMPENHADAS
• Podem prestar serviços públicos, como é o caso dos Correios que realizam o
serviço postal que é exclusivo da União. Como também podem desempenhar
atividade de natureza econômica, como é o caso do Caixa Econômica Federal.
ATENÇÃO
Cuidado para não confundir a afirmativa acima, ok!? O fato de uma empresa
pública poder explorar atividade econômica ou prestar serviços públicos NÃO alterará
o regime jurídico de sua constituição, pois ela será SEMPRE DE DIREITO PRIVADO.

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 REGIME JURÍDICO DE PESSOAL


• Como consequência de ser autorizada por lei, será regida pelo direito privado
que, por sua vez, destinará a seu pessoal o regime da CLT (consolidação das leis
trabalhistas). No tocante ao regime previdenciário, será o regime geral de
previdência social e serão chamados de empregados públicos e não servidores.

 FORO DE COMPETÊNCIA
• Segundo o Supremo Tribunal Federal, de acordo com a Constituição Federal, em
seu artigo 109, o foro competente para ajuizar uma ação contra uma empresa
pública federal será a justiça federal.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - As causas em que a União, entidade autárquica ou EMPRESA
PÚBLICA FEDERAL forem interessadas na condição de
autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as
de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à
Justiça do Trabalho;

 CAPITAL
Para fechar o nosso estudo sobre as empresas públicas, vale a pena dizer que seu
capital será sempre 100% público, ou seja, capital integralmente público, sem a
participação de particulares. Frise-se que podem participar do capital de uma
empresa pública os entes da administração indireta, ainda que possuam
personalidade de direito privado, como, por exemplo, uma sociedade de
economia mista. Ainda assim, seu capital será integralmente público, somente
não será admitido o investimento de particulares na formação do capital. Em
todos os casos, a maioria das ações devem pertencer a um ente da administração
Direta.

A lei 13.303/16 nos traz a seguinte redação em seu artigo 3º:


Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade
jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e
com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente
detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios.
Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante
permaneça em propriedade da União, do Estado, do Distrito
Federal ou do Município, SERÁ ADMITIDA, no capital da
empresa pública, a PARTICIPAÇÃO de outras pessoas jurídicas
de direito PÚBLICO INTERNO, BEM COMO de entidades da
administração indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.

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No Ano de 2017, a Banca CESPE cobrou a seguinte afirmativa na prova de


Procurador do Estado de Sergipe.

“É possível criar uma empresa pública com capital minoritário de


sociedade de economia mista, desde que a maioria do capital daquela
pertença ao ente federativo que a instituir”.

E O GABARITO OFICIAL FOI CERTO.

Uma outra informação que eu quero frisar é que ela pode ser constituída sob
qualquer modalidade empresarial. Nos termos do código Civil nós temos por
exemplo:
1- A empresa de responsabilidade limitada (LTDA).
2- Sociedade anônima (S.A ou CIA).
3- Sociedade em comandita.
4- Em 2012 entrou em vigor na data de lítico a chamada “EIRELI”, empresa
individual de responsabilidade limitada.

Exemplo de Empresa Pública = Caixa Econômica Federal (CEF), a Empresa Brasileira de


Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O: 65% da União e 35% do Estado. O que importa é que o capital seja público.
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA
A Sociedade economia mista será uma estatal que possuirá obrigatoriamente capital
misto, sendo que a maioria desse capital votante deverá obrigatoriamente pertencer a um ente
da administração pública. A constituição faz menção a ela em seu artigo 37, inciso XIX e seu
conceito está no decreto lei 220/75.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 37; XIX – somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA e de fundação, cabendo à
lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;

DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967


Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
III - SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA - É a entidade dotada
de personalidade jurídica de DIREITO PRIVADO, criada por lei
para a exploração de atividade econômica, sob a forma de
sociedade anônima (S.A), cujas ações com direito a voto
pertençam em sua maioria à União ou a entidade da
Administração Indireta.

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 CRIAÇÃO E PERSONALIDADE JURÍDICA


• De maneira TAXATIVA, afirmamos que as SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA
serão constituídas sob regime de DIREITO PRIVADO. Tudo que estudamos no
que se diz respeito à consequência jurídica de ser autorizada por lei em relação à
Fundação Pública e à empresa pública será aplicado aqui na sociedade de
economia mista.
Muita atenção, pois a doutrina vai dizer que a empresa pública terá sobre si um
regime jurídico híbrido, também chamado de misto que advém do fato de ela ser
propriamente de direito privado, mas se submete a regras de direito público
como por exemplo:
1- Se submete ao controle finalístico realizado pela administração direta.
2- Realização de concurso público.
3- Licitação, via de regra, para contratar.
4- Prestação de contas ao tribunal de contas.

IMPORTANTÍSSIMO
Por determinação legal, as sociedades de economia devem ter
obrigatoriamente a estrutura de Sociedade Anônima (S.A.).

 ATIVIDADES DESEMPENHADAS
• Podem prestar serviços públicos, como é o caso da Companhia Municipal de
Limpeza Urbana (COMLURB) na cidade do Rio de Janeiro que realizam coleta de
lixo. Também podem desempenhar atividade de natureza econômica, como é
o caso do BANCO DO BRASIL E A PRETROBRAS.
 REGIME JURÍDICO DE PESSOAL
• Como consequência de ser autorizada por lei, será regida pelo direito privado que
por sua vez destinará a seu pessoal o regime da CLT (consolidação das leis
trabalhistas). No tocante ao regime previdenciário será o regime geral de
previdência social, e serão chamados de empregados públicos e não servidores.
 FORO COMPETENTE
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
SÚMULA 556
É competente à Justiça Comum para julgar as causas em que é parte a
sociedade de economia mista.
OBS.! Temos uma exceção à regra para a sociedade de economia mista no que
se diz respeito ao foro processual:
SÚMULA 517
As sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal quando a
União intervém como assistente ou opoente.

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 CAPITAL
• A maioria do capital será sempre público. O capital votante em sua
composição deve ser pelo menos 50% mais uma das ações com direito a voto,
pertencer ao Estado. Porém se faz necessário a presença de capital votante
privado, sob pena de a entidade converter-se em empresa pública.
A lei 13.303/16 nos traz a seguinte redação em seu artigo 4º:
Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de
personalidade jurídica de direito privado, com criação
autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas
ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União,
aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade
da administração indireta.

DIFERENÇAS ENTRE A EMPRESA PÚBLICA E A SOCIEDADE DE


ECONOMIA MISTA
Por serem muito semelhantes, estudaremos suas principais diferenças para evitar
“pegadinhas em prova”.

EMPRESA PÚBLICA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA

Capital totalmente público. Maioria de capital votante é público.

Pode ser feita em qualquer Forma Forma obrigatória de S.A.


organizacional.

Os processos contra as da União têm Causas julgadas perante a Justiça Comum


causas julgadas perante a Justiça Estadual, súmula 556 (STF).
Federal (CF 109 I).
Exceção: Súmula 517= união no processo.

Exemplo de Sociedade de Economia Mista: O Banco do Brasil, a Petrobras, a Eletrobrás


e o Brasil Resseguros.

ÓRGÃOS PÚBLICOS
Os órgãos públicos são unidades de atuação destituídas de personalidade jurídica, sua
existência se dá em razão do poder hierárquico que existe sempre dentro de uma mesma pessoa
jurídica. Perguntas corriqueiras de concurso público tentam afirmar que órgãos públicos
possuem personalidade jurídica muita atenção ao ler o enunciado das afirmativas para não cair
nessa “pegadinha”.
LEI 9.784/99
§ 2o Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - ÓRGÃO - a unidade de atuação integrante da estrutura da
Administração direta e da estrutura da Administração
indireta;

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HELY LOPES MEIRELLES


“Os órgãos públicos são centros de competência, instituídos para o
desempenho de funções estatais, por meio de seus agentes, cuja autuação
é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. São unidades de ação com
atribuições específicas na organização estatal”.
(Direito Administrativo Brasileiro 2016; Hely Lopes Meirelles; p. 72)
AS RELAÇÕES DO ESTADO COM OS AGENTES PÚBLICOS E SUAS
TEORIAS
Com a evolução do Direito Administrativo ao longo do tempo, os pensadores do direito
tentaram classificar como seria a forma que o Estado se relacionava com os seus agentes,
surgiram então quatro teorias, são elas:

 TEORIA DA IDENTIDADE
• Essa teoria tinha como base afirmar que o órgão público era o próprio agente,
com passar do tempo foi percebido que o equívoco nessa teoria estava em
concluir que quando agente público morresse, o órgão também seria extinto.

 TEORIA DA REPRESENTAÇÃO
• Baseada no código civil, a teoria da representação defendia que o Estado era
incapaz, assim quando o agente público atuasse, estaria exercendo uma espécie
de curatela nos interesses do Estado por conta dessa incapacidade. Essa teoria
também foi superada, pois o Estado sendo incapaz, não teria como ele mesmo
nomear seu representante.
 TEORIA DO MANDATO
• O Fundamento dessa teoria está em dizer que o agente público celebraria um
contrato de representação com o Estado, sendo então mandatário das vontades
do próprio Estado. Essa teoria também caiu por terra principalmente por não
conseguir apontar qual é o momento e quem seria o autor do mandato.

 TEORIA DA IMPUTAÇÃO VOLITIVA OU TEORIA DO ÓRGÃO


• Esquematizada pelo famoso jurista alemão Otto Friedrich von Gierke (1841-
1921). A visão do notável jurista foi comparar o Estado ao corpo humano, o
Estado como uma pessoa possui a sua personalidade, e os órgãos que integram
esse Estado não seriam pessoas, mas partes integrantes dessa pessoa estatal.
A base dessa teoria é dizer que a pessoa jurídica se manifesta por meio dos seus
órgãos de modo que os atos praticados pelos agentes públicos não são deles, mas
sim da pessoa jurídica a qual eles estão vinculados.
Por exemplo: quando um policial federal atua não é ele, mas sim o Estado por
meio do policial federal. Quando o médico opera em um hospital público não é o
médico que está operando, mas é o Estado que está operando por meio do
médico. Quando o professor ensina numa escola pública não é o professor que
está ensinando, mas é o estado por meio do professor.
Essa teoria inclusive pauta responsabilidade civil objetiva do estado que está
estampada na Constituição Federal no artigo 37 parágrafos 6º que diz:

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“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado


prestadoras de serviços públicos RESPONDERÃO pelos danos
que seus agentes, NESSA QUALIDADE, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa”.
Como consequência da aplicação da TEORIA DO ÓRGÃO no Brasil (também chamada de
teoria da imputação volitiva), podemos citar como exemplos o impedimento da propositura
da ação indenizatória diretamente contra a pessoa física do agente, e também a impossibilidade
de responsabilidade civil do Estado se o dano foi causado pelo agente fora do exercício público
como, por exemplo, o policial na qualidade de particular que atinge o vizinho fora do seu
serviço.

ESQUEMATIZANDO AS CARACTERÍSTICAS DO ÓRGÃO PÚBLICO:

 Unidades integrantes da Adm. Direta e Indireta;

 Não possuem personalidade jurídica;

 Possuem cargos, agentes e funções;

 Em regra, não possuem capacidade processual por não terem personalidade


jurídica. Exceção: os órgãos do alto escalão do governo (Senado).

CLASSIFICAÇÃO DOS ORGÃOS PÚBLICOS


A doutrina vai classificar os órgãos públicos de várias maneiras, mas as questões mais
cobradas em provas adotam a classificação de Hely Lopes Meirelles. Abordarei aqui a doutrina
do respeitoso e saudoso mestre. Ele classifica os vários órgãos públicos a partir de três critérios
diferentes: quanto à POSIÇÃO HIERÁRQUICA, quanto à ESTRUTURA e quanto à ATUAÇÃO
FUNCIONAL.

 QUANTO À POSIÇÃO ESTATAL


• Órgão Independentes: são órgãos representativos dos poderes do Estado e que
possuem competências constitucionais, não estando subordinados a nenhum
outro órgão.
EX.: Câmara dos Deputados; Presidência da república, Tribunais, TCU e MP.

• Órgãos Autônomos: possuem autonomia administrativa e financeira, mas


estão subordinados à chefia de órgão independente na sua linha de hierarquia.
EX.: Ministérios de Estado, Secretarias de Estado e de Município.

• Órgãos Superiores: não possuem autonomia administrativa ou financeira, mas


possuem poder de decisão e comando órgão inferiores. Lembrando que estão
sujeitos ao controle hierárquico de uma chefia mais alta.
EX.: Departamentos, Coordenadorias, Divisões, Gabinetes.

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• Órgãos Subalternos: não possuem autonomia ou poder decisório, existindo


apenas para eles desempenho de atribuições de execução.
EX.: seção de almoxarifado, expediente, etc.

 QUANTO À ESTRUTURA
• Órgãos simples (unitários): são aqueles que possuem um único centro de
competência.

• Órgãos compostos: aqueles que possuem vários centros de competência.

 QUANTO À ATUAÇÃO FUNCIONAL


• Órgãos singulares (unipessoais): são aqueles cujo poder de decisão compete a
único agente.
EX.: Presidência Da República.

• Órgãos colegiados (pluripessoais): são aqueles cujo poder de decisão compete a


uma maioria de agentes.
EX.: Câmara Dos Deputados e STF.

BENS PÚBLICOS
CONCEITO
Não há muito segredo nesse tema, o importante para fins de provas de concursos públicos
é adotar a corrente majoritária embasada no Código Civil de 2002, em seu artigo 98 que diz:
“São PÚBLICOS OS BENS do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de DIREITO PÚBLICO INTERNO; todos os
outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem”.

Ao analisarmos o conceito trazido pelo código civil de 2002, fica claro que o ordenamento
jurídico resolveu excluir da categoria de bens públicos aqueles que são pertencentes às
empresas públicas, das sociedades de economia mista e as fundações públicas quando
autorizadas por lei justamente porque quando de sua instituição serão regidas pelo direito
privado.

Na doutrina administrativista temos três correntes que definem de quem seria os bens
públicos, são elas:

1) CORRENTE EXCLUSIVISTA:
 Os Bens públicos são aqueles pertencentes ao patrimônio de pessoas jurídicas de
direito público (administração pública direta, autarquias e fundações quando
criadas por lei) - CORRENTE MAJORITÁRIA.

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2) CORRENTE INCLUSIVISTA:
 Os Bens públicos são todos aqueles que pertencem à Administração Pública direta
e indireta, indistintamente. Entendimento do professor Hely Lopes Meirelles:

“Bens públicos, em sentido amplo, são todas as coisas, corpóreas ou


incorpóreas, imóveis, móveis e semoventes, créditos, direitos e ações,
que pertençam, a qualquer título, às entidades estatais, autárquicas,
fundacionais e empresas governamentais”.
(Direito Administrativo Brasileiro 2016; Hely Lopes Meirelles; p. 636)

3) CORRENTE MISTA:
 Bens públicos são todos os que pertencem a pessoas jurídicas de direito público,
bem como os que estejam afetados à prestação de um serviço público (autarquias,
fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, concessionárias e
permissionárias de serviços públicos). Entendimento do professor Celso Antônio
Bandeira de Melo:

“A noção de bem público, tal como qualquer outra noção em Direito, só


interessa se for correlata a um dado regime jurídico. Assim, todos os bens
que estiverem sujeitos ao mesmo regime público, deverão ser havidos
como bens públicos. Ora, bens particulares quando afetados a uma
atividade pública (enquanto o estiverem) ficam submissos ao mesmo
regime jurídico dos bens de propriedade pública. Logo, têm que estar
incluídos no conceito de bem público”.

(BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo;


32ª edição; p. 938)
A primeira corrente é a adotada majoritariamente no Brasil. Percebam que é a mais
restrita; a segunda, a intermediária; e a terceira, a mais ampla.

COMO TEM SIDO COBRADO EM PROVAS


No ano de 2013, o CESPE cobrou em uma prova de defensor público o seguinte
enunciado, e considerou o GABARITO COMO CERTO:

“Segundo o ordenamento jurídico vigente, são considerados públicos


os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito
público interno; sendo os demais considerados bens particulares, seja qual
for a pessoa a que pertencerem”.
No ano de 2014 a mesma banca cobrou em uma prova de analista legislativo
para a Câmara de deputados a seguinte afirmativa:
“Acerca do regime jurídico dos bens públicos, julgue o próximo item.
São públicos os bens pertencentes aos entes da administração direta e
indireta”.
A referida banca considerou como ERRADO mantendo entendimento
EXCLUSIVISTA de que os bens públicos são aqueles pertencentes a quem possui
regime jurídico de direito público.

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Mas muito cuidado com maneira que a banca pode cobrar tal assunto, pois o SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL entende da mesma forma que o professor Celso Antônio Bandeira de
Mello.
ADPF 387 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
“Arguição de descumprimento de preceito fundamental.

2. Ato lesivo fundado em decisões de primeiro e de segundo graus do Tribunal


Regional do Trabalho da 22ª Região que determinaram bloqueio, penhora e
liberação de valores oriundos da conta única do Estado do Piauí, para
pagamento de verbas trabalhistas de empregados da Empresa de Gestão de Recursos
do Estado do Piauí S/A (EMGERPI).

3. Conversão da análise do pedido de medida cautelar em julgamento de


mérito. Ação devidamente instruída. Possibilidade. Precedentes.

4. É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia


mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não
concorrencial”. 25-10-2017

Em 2016 foi feita a seguinte negação pela banca do ministério público estadual
de Santa Catarina, em uma prova de promotor de justiça da cidade de matutina:
“Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, as sociedades
de economia mista prestadoras de serviço público de atuação própria do
Estado e de natureza não concorrencial submetem-se ao regime de
precatório”.
E DE FATO O GABARITO FOI DADO COMO CERTO.

ESPÉCIES DE BENS PÚBLICOS


Em relação às espécies de serviço público também não será muito problema para você
meu amigo (a) candidato (a), pois o que deve ser levado em consideração são os artigos do
código Civil de 2002 que transcrevo nas linhas a seguir.

ART. 99. SÃO BENS PÚBLICOS:

 I - Os de USO COMUM do povo, tais como rios, MARES, ESTRADAS, RUAS E


PRAÇAS.
• Servem para o uso geral das pessoas, não possuindo uma finalidade específica
em sua utilização.

IMPORTANTE
Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído,
conforme for estabelecido legalmente pela entidade cuja administração pertencerem.

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 II - Os de USO ESPECIAL, tais como EDIFÍCIOS OU TERRENOS DESTINADOS A


SERVIÇO ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou
municipal, inclusive os de suas autarquias;
• Esse tipo de bem possui uma finalidade específica.

IMPORTANTE
Para a jurisprudências as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são
enquadradas como bens de uso especial em virtude da necessidade de preservação
da área.
A doutrina chama de bens de uso especial indireto.

 III - os DOMINICAIS, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito


público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
• Também conhecidos como DISPONÍVEIS, são aqueles pertencentes às pessoas
jurídicas de direito público QUE NÃO ESTÃO SENDO USADOS PARA NENHUMA
FINALIDADE, sejam genéricas ou específicas. Ou seja, que não possuem uma
utilidade pública.
Ex.: carros da polícia que não estejam mais em funcionamento.

CARACTERÍSTICAS DOS BENS PÚBLICOS

 IMPRESCRITIBILIDADE:
• Quer dizer que o Estado não perderá seu patrimônio pelo simples abandono e
decurso do tempo. Característica essa que proíbe que os bens públicos sejam
usucapidos.

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 IMPENHORABILIDADE:
Os bens públicos não estão sujeitos à penhora. O Poder Judiciário não poderá
ordenar a venda desses bens, ainda que a Fazenda Pública possua valores a pagar.

 NÃO ONERABILIDADE:
• Os particulares podem oferecer seus bens como garantia de pagamento de seus
débitos caso queiram, isso não ocorre quando o BEM é PÚBLICO. Não é possível
que um prédio público seja hipotecado como forma de garantir o pagamento de
dívidas estatais.

 ALIENABILIDADE CONDICIONADA
• Os bens públicos se dividem em três espécies como estudamos acima, são eles: os
bens comuns, os bens especiais e os bens dominicais. Sem sombra de dúvida,
podemos afirmar hoje que só podem ser alienados os bens que sejam
caracterizados COMO DOMINICAIS, ou seja, aqueles que não possuem uma
utilidade pública específica por estarem desafetados da mesma.

CÓDIGO CIVIL DE 2002


Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso
especial são INALIENÁVEIS, enquanto conservarem a sua
qualificação, na forma que a lei determinar.

Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados,


observadas as exigências da lei.

AGENTES PÚBLICOS
CONCEITO DE AGENTE PÚBLICO
O conceito de agentes públicos é bem tranquilo de ser definido e encontra-se em alguns
textos normativos como a lei 8.429/92 e também o próprio código penal.

Podemos conceituar os agentes públicos como todas as pessoas físicas que exercem a
função pública, de maneira temporária ou permanente, com ou sem remuneração, seja por
eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidora ou vínculo,
seja por mandato, emprego ou cargo.

LEI 8.429/92
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo
aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação
ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no
artigo anterior.

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FUNCIONÁRIO PÚBLICO
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos
penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração,
exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo,
emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha
para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada
para a execução de atividade típica da Administração Pública.

CLASSIFICAÇÃO DE AGENTE PÚBLICO

 AGENTES POLÍTICOS: são os integrantes dos mais altos escalões do poder


público, seu vínculo com a Administração Pública é de natureza política, são
aqueles que exercem o chamado “MUNUS PÚBLICO”, ou seja, atividade de governo.
Exemplos:
• Chefes do Poder Executivo (Presidente, Governadores e Prefeitos).

• Auxiliares imediatos do chefe do Poder Executivo (Ministros e Secretários


Estaduais ou Municipais).

• Membros das corporações legislativas (Senadores, Deputados e Vereadores).

 AGENTES ADMINISTRATIVOS: são aqueles que possuem um vínculo de natureza


profissional e remunerada, sujeitos à hierarquia funcional. São os ocupantes de
cargos públicos, de empregos públicos e de funções públicas nas Administrações
Direta e Indireta. Exemplos:
• Servidores Públicos (sentido estrito - estatutário), cargo público: efetivo ou
comissão.

• Empregados Públicos - emprego público (CLT).

• Temporários (Excepcional interesse público - função Pública).

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 AGENTES HONORÍFICOS: São cidadãos requisitados ou designados para,


temporariamente, colaborarem com o Estado mediante a prestação de serviços
específicos, por conta da sua honorabilidade. Não possuem vínculo profissional
com a Administração Pública (são considerados "funcionários públicos" para fins
penais) e usualmente atuam sem remuneração. Exemplos:
• Jurados;

• Mesários eleitorais.

 AGENTES DELEGADOS: são particulares que recebem a incumbência de exercer


determinada atividade, obra ou serviço público e o fazem em nome próprio, por sua
conta e risco, sob a permanente fiscalização do poder delegante. Exemplos:
• Os concessionários e permissionários de serviços públicos,

• Os leiloeiros, os tradutores públicos.

 AGENTES CREDENCIADOS: são aqueles que representam a Administração em


determinada ação ou praticam uma atividade específica após a celebração de um
convênio com o Poder Público.
• A professora Ana Claudia Campos cita como exemplo o caso dos médicos
particulares que atendem pelo SUS e são pagos pelo Estado.

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 AGENTE DE FATO: Em relação ao agente de fato, a doutrina vai decompor em duas


subdivisões, são elas:
• Agente Necessário: são aqueles que praticam atos e executam atividades em
situações excepcionais, como por exemplo, as de emergência em colaboração com

o poder Público.
Ex.: Moradores que ajudam em um momento de socorro nos casos de catástrofe.

• Agente Putativo: são os que desempenham atividade pública na presunção de


legitimidade, porém em caso que a investidura do agente não se deu dentro do
procedimento legalmente exigido.
Ex.: Agente que pratica inúmeros atos de administração, porém sem ter sido
previamente aprovado em concurso público.

Lembrando que os atos praticados pelo agente de fato são considerados válidos
por conta da teoria da aparência

 USURPADOR DE FUNÇÃO: ocorre quando uma pessoa se faz passar por agente
público, sem que, de qualquer modo, seja investido em cargo, emprego ou função
pública. Nesse caso, o infrator se faz passar por agente sem ter essa qualidade. A
doutrina considera seus atos como ato inexistente, ou seja, não chega a ser ato
administrativo.

• Ex.: multa de trânsito lavrada por particular.

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EXERCÍCIOS
ANO 2019. BANCA: CESPE ÓRGÃO: TJ-PA PROVA: Juiz de Direito Substituto.
10. Com relação à distinção entre empresa pública e sociedade de economia mista, assinale
a opção correta.

a) Empresa pública é uma entidade privada criada por lei com a finalidade de realizar um
serviço público, enquanto a sociedade de economia mista é criada de forma similar às
empresas privadas, com a finalidade de exercer atividade econômica.

b) Empresa pública possui personalidade jurídica de direito público, enquanto a


sociedade de economia mista possui personalidade jurídica de direito privado.

c) Na empresa pública, o capital é exclusivo das pessoas jurídicas de direito público; na


sociedade de economia mista, o poder público detém a maioria das ações com direito a
voto, mas pode haver participação privada no capital.

d) Na empresa pública, as ações com direito a voto são exclusivas do ente público que a
controla; na sociedade de economia mista, o ente público controla a maior parte do
capital, mas pode não possuir a maioria das ações com direito a voto.

e) Na empresa pública, o capital social é inteiramente público; na empresa de economia


mista, o poder público detém a maioria do capital social da empresa.
GABARITO: LETRA C
SOLUÇÃO RÁPIDA
a) Empresa pública é uma entidade privada criada por lei com a
finalidade de realizar um serviço público, enquanto a sociedade de economia
mista é criada de forma similar às empresas privadas, com a finalidade de
exercer atividade econômica. (Errada)
“Empresa pública é uma entidade privada criada por lei com a finalidade de
realizar um serviço público, enquanto a sociedade de economia mista é criada de
forma similar às empresas privadas, com a finalidade de exercer atividade
econômica”. É possível ter uma empresa pública ou uma sociedade de economia
mista tanto prestando serviço público, como também explorar atividade econômica.

b) Empresa pública possui personalidade jurídica de direito público,


enquanto a sociedade de economia mista possui personalidade jurídica de
direito privado. (Errada)
“Empresa pública possui personalidade jurídica de direito público, enquanto a
sociedade de economia mista possui personalidade jurídica de direito privado”. Uma
empresa pública nunca terá personalidade jurídica de direito público, sempre será
privado, pois é necessário, além da lei que autoriza a sua instituição, realizar o
arquivamento do seu estatuto no registro civil de pessoas jurídicas.

c) Na empresa pública, o capital é exclusivo das pessoas jurídicas de


direito público; na sociedade de economia mista, o poder público detém a
maioria das ações com direito a voto, mas pode haver participação privada
no capital. (Correta)
Afirmativa totalmente correta, pois, uma das principais diferenças entre a
empresa pública e a sociedade de economia mista é o seu capital. O capital da
empresa pública é exclusivo de uma pessoa jurídica de direito público; e na sociedade
de economia mista, como o próprio nome induz, teremos participação de capital
público e capital de direito privado.

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d) Na empresa pública, as ações com direito a voto são exclusivas do


ente público que a controla; na sociedade de economia mista, o ente público
controla a maior parte do capital, mas pode não possuir a maioria das ações
com direito a voto. (Errada)
“Na empresa pública, as ações com direito a voto são exclusivas do ente público
que a controla; na sociedade de economia mista, o ente público controla a maior
parte do capital, mas pode não possuir a maioria das ações com direito a voto”. Em
uma sociedade de economia mista é obrigatório que 50% mais uma ação sujeito a
voto pertença a uma pessoa jurídica de direito público.

e) Na empresa pública, o capital social é inteiramente público; na


empresa de economia mista, o poder público detém a maioria do capital
social da empresa. (Errada)
“Na empresa pública, o capital social é inteiramente público; na empresa de
economia mista, o poder público detém a maioria do capital social da empresa”. O
erro encontra-se em afirmar que a maioria do capital social é de direito público. Isso
porque o que se exige é que a MAIORIA DAS AÇÕES COM DIREITO A VOTO seja do
poder público, não implicando que a maioria do capital social seja público, porque
nem todas as ações dão direito a voto.
SOLUÇÃO COMPLETA

a) Empresa pública é uma entidade privada criada por lei com a


finalidade de realizar um serviço público, enquanto a sociedade de economia
mista é criada de forma similar às empresas privadas, com a finalidade de
exercer atividade econômica. (Errada)
Nos termos da Constituição Federal, as chamadas estatais que hoje englobam
as empresas públicas e as sociedades de economia mista podem possuir duas
finalidades (ambas possuem essa característica). Quando de sua criação que se dará
por meio do arquivamento do estatuto no registro de pessoa jurídica logo após uma
autorização legislativa poderá explorar atividade econômica ou poderá ter como
finalidade prestar serviços públicos. Temos, por exemplo, uma sociedade de
economia mista aqui no município do Rio de janeiro conhecida como COMLURB que
presta serviço público, e temos a PETROBRAS que é uma sociedade de economia
mista federal que explora atividade econômica. Temos a Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos (CORREIOS) que é uma empresa pública federal que presta
serviço público e temos a Caixa econômica federal que também é uma empresa
pública federal que explora atividade econômica, portanto opção errada.

b) Empresa pública possui personalidade jurídica de direito público,


enquanto a sociedade de economia mista possui personalidade jurídica de
direito privado. (Errada)
A Empresa pública nunca poderá ter personalidade jurídica de direito público.
Porque, primeiro, o código civil em seu artigo 41, lista as pessoas jurídicas brasileiras
que possuem personalidade jurídica de direito público interno e a empresa pública
não está incluída naquele rol. Segundo, o entendimento doutrinário é de que quando
tivermos uma pessoa jurídica criada por lei, ela será de direito público, e quando ela
for autorizada por lei, terá sobre si personalidade jurídica de direito privado, e nos
termos do artigo 37, inciso XIX, a empresa pública será autorizada por lei, temos
também o decreto-lei 200/67 e ainda a lei 13.303/16 que afirmam que a empresa
pública será de direito privado, portanto afirmativa errada.
“CRFB/88 art. 37. XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia
e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e
de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação”.
“Decreto-lei 200/67 art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

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II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito


privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a
exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de
contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das
formas admitidas em direito“.
“Lei 13.303/16 Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade
jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio,
cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios”.

c) Na empresa pública, o capital é exclusivo das pessoas jurídicas de


direito público; na sociedade de economia mista, o poder público detém a
maioria das ações com direito a voto, mas pode haver participação privada
no capital. (Correta)
Sinceramente, apesar de ter sido considerado como o gabarito, a questão é
passível de anulação, pois de acordo com a lei 13.303 de 2016, é possível que uma
pessoa jurídica de direito privado tem a participação no capital de uma empresa
pública. A empresa pública pode ser unipessoal ou pluripessoal, unipessoal quando
for de apenas um ente instituidor e pluripessoal quando houver o envolvimento de
mais de uma pessoa jurídica da administração pública, e nos termos do parágrafo
único do artigo 3º da lei 13.303/2016 é possível que pessoas jurídicas de direito
privado participem do capital de uma empresa pública, portanto o CESPE foi infeliz
em declarar esse gabarito.

“Lei 13.303/2016 Art. 3º. Empresa pública é a entidade dotada de


personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e com
patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente DETIDO pela União,
pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios”.
“Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante permaneça em
propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, será admitida,
no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas jurídicas de direito
público interno, BEM COMO de entidades da ADMINISTRAÇÃO INDIRETA da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”.
O próprio CESPE em 2017, em uma prova para procuradoria geral do Estado
do Sergipe, concurso para procurador, afirmou como gabarito o seguinte item:
“Com relação à administração indireta, assinale a opção correta.
b) é possível criar uma empresa pública com capital minoritário de
sociedade de economia mista, desde que a maioria do capital daquela
pertença ao ente federativo que a instituir. ”
E FOI O GABARITO OFICIAL DA BANCA!

Neste caso, aconselho você concurseiro analisar opção profissão e eliminar as


mais erradas e, nessa situação, assinar a menos equivocada.

d) Na empresa pública, as ações com direito a voto são exclusivas do


ente público que a controla; na sociedade de economia mista, o ente público
controla a maior parte do capital, mas pode não possuir a maioria das ações
com direito a voto. (Errada)
Nesta opção em particular o equívoco está em dizer o que o ente público não
pode possuir, a maioria das ações com direito a voto, pois o correto é justamente o
oposto. Lembrando que uma sociedade de economia mista só pode ser instituída sob
a modalidade empresarial S.A, ou seja, sociedade anônima, suas ações serão
disponibilizadas para venda na bolsa de valores, porém a maioria desse capital
votante deverá necessariamente pertencer ao ente público, informação que está
inclusive positivada na lei 13.303/2016. Lembrando que o capital do poder público
tem de ser pelo menos 50% mais uma ação com direito a voto.

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“Lei 13.303/2016 Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de


personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma
de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em SUA
MAIORIA à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da
administração indireta”.
e) Na empresa pública, o capital social é inteiramente público; na
empresa de economia mista, o poder público detém a maioria do capital
social da empresa. (Errada)
O erro dessa opção não é a menção à "empresa de economia mista", até porque
as sociedades de economia mista são empresas em sua essência, tanto é que
ordenamento jurídico obriga que sua criação seja necessariamente S.A que é uma
forma EMPRESARIAL. O erro encontra-se em afirmar que é maioria do capital social
é de direito público. Isso porque o que se exige é que a maioria do CAPITAL SOCIAL
COM DIREITO A VOTO SEJA DO PODER PÚBLICO, o que não implica que a
maioria do capital social seja público porque nem todas as ações dão direito a voto.
Por exemplo: se uma empresa possui 3 ações e só 1 delas dá direito a voto e é
titularizado pelo estado, o estado tem a maioria do capital votante, mas não do
capital social.

ANO: 2019. BANCA: Quadrix. ÓRGÃO: CREA-GO PROVA: Analista – Advogado.


Quanto às agências reguladoras, aos poderes da Administração, à responsabilidade civil
do Estado e ao controle jurisdicional dos atos administrativos, julgue o item.
11. Às agências reguladoras se aplica um regime jurídico especial, que é caracterizado,
em linhas gerais, pela ausência de subordinação hierárquica com a administração
direta e por sua autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira.
Certo( ) Errado( )
GABARITO: CERTO

SOLUÇÃO RAPIDA

Às agências reguladoras se aplica um regime jurídico especial, que é


caracterizado, em linhas gerais, pela ausência de subordinação
hierárquica com a administração direta e por sua autonomia funcional,
decisória, administrativa e financeira.
Afirmativa totalmente correta, as agências reguladoras são autarquias que
atuam em um regime especial, são criadas por lei e possuem objetivo de normatizar
fiscalizar e controlar as atividades praticadas pelos particulares em colaboração com
o poder público, podemos citar como exemplo a ANAEL, agência nacional de energia
elétrica; temos também a AVISA, agência nacional de vigilância sanitária; temos a
ANAC, agência nacional de aviação Civil; temos a MP, agência nacional de petróleo;
entre outras.

SOLUÇÃO COMPLETA

Às agências reguladoras se aplica um regime jurídico especial, que


é caracterizado, em linhas gerais, pela ausência de subordinação
hierárquica com a administração direta e por sua autonomia funcional,
decisória, administrativa e financeira.
Afirmativa totalmente correta, as agências reguladoras são autarquias que
atuam em regime especial, sua forma de criação está ligada à descentralização por

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outorga que caracteriza o rompimento do vínculo hierárquico com seu


instituidor. O que é mantido entre eles é chamado de vínculo jurídico denominado
de tutela, controle finalístico ou supervisão ministerial. Apesar de ser uma autarquia
propriamente dita, as agências reguladoras possuem maior autonomia, maior
independência, por exemplo, seus dirigentes possuem estabilidade provisória, hoje
de 5 anos, ao saírem dos seus respectivos mandatos, submetem-se ao que a doutrina
chama de quarentena, prazo também alterado em 2019 para 6 meses (antes era de
4 meses). Eles permanecem vinculados às respectivas agências reguladoras, e
recebem os seus subsídios, inclusive com seus benefícios, e ficam proibidos de atuar
em uma empresa com a própria agência reguladora que fiscalizavam.

“CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 21. Compete à União:


XI – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão,
os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização
dos serviços, A CRIAÇÃO DE UM ÓRGÃO REGULADOR e outros aspectos
institucionais”.

“LEI Nº 13.848, DE 25 DE JUNHO DE 2019


Art. 3º A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada pela
ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional,
decisória, administrativa e financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e
estabilidade durante os mandatos, bem como pelas demais disposições constantes
desta Lei ou de leis específicas voltadas à sua implementação”.

Lei 9986/2000

Art. 6º O mandato dos membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada


das agências reguladoras será de 5 (cinco) anos, vedada a recondução, ressalvada
a hipótese do § 7º do art. 5º”. (Redação dada pela Lei nº 13.848, de 2019)

Art. 8º Os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada ficam


impedidos de exercer atividade ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela
respectiva agência, por período de 6 (seis) meses, contados da exoneração ou do
término de seu mandato, assegurada a remuneração compensatória.
(Redação dada pela Lei nº 13.848, de 2019)

ANO: 2019. BANCA: CESPE. ÓRGÃO: Prefeitura de Boa Vista - RR PROVA: Procurador
Municipal.
A respeito de improbidade administrativa, processo administrativo e organização
administrativa, julgue o item seguinte.
12. A criação de empresa pública é um exemplo de descentralização de poder realizado por
meio de atos de direito privado, ainda que a instituição da empresa pública dependa de
autorização legislativa.

Certo ( )Errado ( )

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GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA

A criação de empresa pública é um exemplo de descentralização de


poder realizado por meio de atos de direito privado, ainda que a instituição
da empresa pública dependa de autorização legislativa.
Perfeito. A criação de entidades da Administração Indireta é denominada
descentralização por outorga. No caso de estatais, precisa de autorização legislativa.
As empresas, mesmo sendo públicas, devem ter seus estatutos registrados em
cartório ou na junta comercial no âmbito do Direito Civil/Empresarial. A lei apenas
autoriza a instituição da empresa pública, logo após seus atos constitutivos precisam
ser registrados em cartório, pois só com o registro dos atos constitutivos é que nasce
a personalidade jurídica de direito privado da empresa pública.

SOLUÇÃO COMPLETA

A criação de empresa pública é um exemplo de descentralização de


poder realizado por meio de atos de direito privado, ainda que a instituição
da empresa pública dependa de autorização legislativa.
Sim, com certeza a afirmativa está certa. A empresa pública é de fato um
exemplo de descentralização. Para ser mais preciso, essa descentralização é
conhecida como outorga, técnica, por serviços ou também chamada pela doutrina de
funcional. De fato, a criação dessa empresa pública ou da sociedade de economia
mista ou até mesmo da fundação pública de direito privado será por meio de atos de
direito privado, aqui há uma união de atos constitutivos. Primeiro preciso de uma
autorização legislativa ou lei autorizativa (são sinônimos, não estranhe se aparecer
em prova), depois dessa respectiva autorização, temos de fazer o registro do estatuto
da respectiva empresa no Registro Civil de Pessoa Jurídica ou na junta comercial, daí
podemos falar que teremos uma empresa pública realmente instituída, mas perceba
que a exigência desse ao cartório pertence ao direito civil, ou seja, direito privado.
Não posso deixar de fazer um comentário sobre Autarquia e Fundação Pública
de direito público, pois elas prescindem os atos constitutivos no registro civil de
pessoa jurídica, uma vez que seu nascimento se dá apenas com a lei. Portanto muita
atenção nas questões de concurso público. Se eu falo em uma autarquia ou uma
fundação de direito público preciso apenas de um ato constitutivo que é a lei ordinária
específica, agora se estou diante de uma fundação pública de direito privado, de uma
sociedade de economia mista ou de uma empresa pública, preciso de mais de um ato
constitutivo, a lei autorizativa e o arquivamento dos atos constitutivos na repartição
competente.

CRFB, art. 37. XIX - somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de
economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, nesse último
caso, definir as áreas de sua atuação.

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PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


DEVERES DA ADMINISTRAÇÃO
Por conta do princípio da SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO, podemos afirmar que
a Administração Pública possui prerrogativas, e elas existem para possibilitar a realização da
finalidade pública. Tais prerrogativas são chamadas de PODERES.

Por outro lado, em decorrência da INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO, o


administrador fica vinculado à constituição e à lei que lhe são impostas, essa obrigação é
chamada de DEVERES ADMINISTRATIVOS.

A DOUTRINA CLASSIFICA DE MODO GERAL OS SEGUINTES DEVERES:


PODER-DEVER DE AGIR
Significa que pela administração tem as competências que lhe são dadas para atender à
finalidade pública, ao mesmo tempo que possui PODER e DEVER DE AGIR, não podendo dispor
desse meio.

DEVER DE PROBIDADE
Exige que o administrador público ao desempenhar suas funções atue com ÉTICA,
HONESTIDADE E BOA-FÉ.

DEVER DE PRESTAR CONTAS


É um dever imposto a qualquer órgão ou agente que de algum modo seja RESPONSÁVEL
PELA GESTÃO E CONSERVAÇÃO DOS BENS PÚBLICOS, atingindo inclusive particulares que de
alguma forma sejam responsáveis por recursos públicos de qualquer espécie.

DEVER DE EFICIÊNCIA
Apresenta-nos a ideia de qualidade na prestação do serviço público, sua atuação deve ser
pautada pela celeridade, economicidade e perfeição técnica. Após a emenda constitucional nº
19, a administração pública passou a adotar o modelo denominado “ADMINISTRAÇÃO
GERENCIAL”, o que lhe possibilita adotar determinados requisitos de seus servidores como por
exemplo:
 Avaliação especial de desempenho;

 Exigência de participação de servidor em curso de aperfeiçoamento profissional


para a promoção na carreira;

 Possibilidade de perda do cargo do servidor Estado em razão de insuficiência de


desempenho.

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PODERES ADMINISTRATIVOS (INSTRUMENTAIS)


Agora estudaremos os poderes da administração pública propriamente ditos, chamo sua
atenção para nomenclatura que a doutrina traz para esses poderes, ok!? Não confunda os
poderes administrativos INSTRUMENTAIS com os poderes que o Estado tem conhecido como
poderes ESTRUTURAIS (PODER EXECUTIVO, JUDICIÁRIO E LEGISLATIVO), o que estudaremos
a seguir é conhecido como poderes instrumentais.

Antes de estudarmos gostaria de fazer uma analogia: imagine que você está agora em uma
rodovia e o pneu do seu carro furou, você precisará parar no acostamento para trocar o seu
pneu. Imagine se você não tivesse as ferramentas adequadas e um step para poder fazer essa
troca, você precisaria chamar um reboque e seria muito mais oneroso sair daquela situação
adversa. Assim como você precisa de ferramentas para fazer essa troca, a MÁQUINA PÚBLICA
também precisa de ferramentas para colocar em prática o interesse da coletividade, entram em
ação os chamados PODERES ADMINISTRATIVOS que nada mais são do que ferramentas que
colocaram a administração pública acima do particular para viabilizar a própria atuação do
estado em prol da coletividade. São eles:

 PODER VINCULADO.
 PODER DISCRICIONÁRIO.
 PODER HIERÁRQUICO.
 PODER DISCIPLINAR.
 PODER REGULAMENTAR.
 NORMATIVO.
 PODER DE POLÍCIA.

PODER VINCULADO
É o poder de praticar atos vinculados, nesse caso não existe a chamada liberdade de
atuação por parte do administrador, alguns doutrinadores entendem ser mais um dever do
que um poder propriamente dito. Porém, em que pese encontrarmos divergências na doutrina,
leve para as provas de concurso esse entendimento.
Em momento oportuno estudaremos os atos administrativos e suas classificações, no
tocante ao poder vinculado à doutrina vai dizer que sua atuação será marcada pela falta de
opção do administrador, quando o mesmo se encontrar diante de uma situação em que será
obrigado a praticar um determinado ato, estaremos diante da manifestação do poder
vinculado.

Imagine um determinado trabalhador que passou sua vida inteira na iniciativa privada
contribuindo para o regime geral de previdência social (INSS), pergunto a você: é aquela
referida empresa que terá poder para aposentar e pagar a aposentadoria mensalmente do
empregado? Respondo: NÃO. Ele contribuiu para o regime geral de previdência social que é
uma autarquia do Estado, e o próprio Estado é quem terá capacidade de aposentá-lo, portanto,
a aposentadoria que é um ato vinculado, não é dada pela iniciativa privada e sim pelo estado. E
por que ele faz? Porque ele tem esse PODER.

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Exemplos de atos vinculados: licenças para o particular, aposentadorias, homologação,


entre outros.

PODER DISCRICIONÁRIO
a manifestação do poder discricionário está intrinsecamente ligado à capacidade que a
máquina pública tem de praticar os atos COM MARGEM DE CONVENIÊNCIA DE
OPORTUNIDADE também chamado de MÉRITO, a própria Administração Pública é obrigada
a respeitar o princípio da Legalidade, sendo que dentro dos atos legais teremos aqueles que são
vinculados, estudados no tópico acima, e teremos aqueles em que a própria Administração
Pública terá a margem de escolha, claro, sempre pautado na razoabilidade e
proporcionalidade que são os princípios limitadores do poder discricionário.

Sua atuação está ligada aos elementos “MOTIVO” ou “OBJETO”, pois são os únicos
elementos do ato administrativo que podem ter discricionariedade.

ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO


 COM PETÊNCIA: elemento vinculado.

 FI NALIDADE: elemento vinculado.

 FOR MA: elemento vinculado.

 MO TIVO: elemento que pode ser vinculado OU DISCRICIONÁRIO.

 OB JETO: elemento que pode ser vinculado OU DISCRICIONÁRIO.

Vale a pena dizer que é o poder discricionário que será utilizado quando a administração
pública revogar um ato válido, até porque a revogação só pode acontecer em um ATO LEGAL
que tenha margem de conveniência e oportunidade, atos vinculados não podem ser
revogados.

Hoje, segundo a melhor doutrina, a discricionariedade ocorre em 2 aspectos:

 1º aspecto - Quando a lei expressamente concede liberdade para atuar dentro dos
limites da lei.
• Exemplo: Imagine você servidor estável como policial rodoviário federal depois
de 10 anos trabalhando, quer dar uma folga extensa, além do período das férias.

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Você pode solicitar uma licença para tratar de interesse particular nos termos
do artigo 91 da lei 8112/90 (estatuto do servidor federal), sendo que essa licença
pode ser de ATÉ TRÊS ANOS. Então você pode ter uma licença de 12, 18, 24, 30,
podendo chegar até 36 meses, ou seja, três anos, não podendo ultrapassar esse
prazo. Outra informação importante é o fato de que você solicitar não significa
que a administração é obrigada a conceder, até porque as primeiras palavras do
artigo é a “critério da administração”, denotando essa margem de escolha.
LEI 8.112/90
Art. 91. A critério da Administração, poderão ser concedidas
ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em
estágio probatório, licenças para o trato de assuntos
particulares pelo prazo de até três anos consecutivos, sem
remuneração.

 2º aspecto - Quando a lei dita conceitos indeterminados do motivo para a prática


de certo ato administrativo.
• A doutrina usa como exemplo uma das condutas que podem ensejar a penalidade
de demissão chamada de conduta escandalosa, pergunto a você o que
caracterizaria uma conduta escandalosa? Para alguns doutrinadores esse termo
seria um conceito jurídico indeterminado que deve ser avaliado ao caso
concreto trazendo então uma certa margem de discricionariedade para o ato de
demissão.

LEI 8.112/90
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
V - Incontinência pública e conduta escandalosa, na
repartição.

PODER HIERÁRQUICO
Esta pautado na existência de escalonamento das posições entre os ÓRGÃOS E
AGENTES sempre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Por ele é possível observamos a
relação hierárquica, ou seja, a relações entre superior e subordinado que são típicas na
organização administrativa.

Lembra o que estudamos na descentralização e desconcentração? Na descentralização,


por outorga, passamos a titularidade e execução do serviço público para uma pessoa jurídica
da Administração Indireta, mediante lei específica, e quando realizamos a técnica de
descentralização, por delegação ou colaboração passamos apenas a execução do serviço
público para um particular já existente, mediante contrato ou ato unilateral, e que a
desconcentração é uma divisão interna de competências para melhorar o atendimento
público, sempre dentro de uma mesma pessoa jurídica. É muito importante relembrar desse
estudo porque o poder hierárquico NÃO EXISTE na descentralização, ou seja, só temos o poder
hierárquico manifestado dentro de uma mesma pessoa jurídica (desconcentração).

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As prerrogativas pelas quais o superior pode dar ordem, fiscalizar controlar, aplicar
sanções, delegar e avocar competências decorrem do PODER HIERÁRQUICO.

Para materializar a visão do poder hierárquico na própria atuação da administração


pública podemos dar como exemplo a divisão que temos na União em relação ao Presidente da
República, Ministros, Secretários e órgãos subalternos. Você consegue analisar bem que há uma
hierarquia entre eles: o presidente pode dar ordem para os ministros que por sua vez podem
dar ordens para os seus subalternos. Isso é possível porque temos a manifestação do poder
hierárquico!

Muitas questões de prova, quando querem abordar esse poder, adentram em dois
institutos que estudaremos agora, conhecidos como delegação e avocação, descritos na lei
9784/99 (lei de processo administrativo federal).

 DELEGAÇÃO
• Delegar significa dividir PARTE da sua competência originária com outro órgão,
frise-se que eu não posso delegar a competência inteira, pois a própria lei
9.784/99 estabelece que a competência é irrenunciável, salvo nos casos e
delegação e avocação.
LEI 9.784/99
Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos
administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos
de delegação e avocação legalmente admitidos.

• A lei estabelece que a delegação pode ser feita entre órgãos de mesma
hierarquia ou entre órgãos subordinados, ou seja, não há de fato uma
necessidade de hierarquia, mas perguntando em prova de qual poder deriva a
delegação você deve marcar que deriva do poder hierárquico.

LEI 9.784/99
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não
houver impedimento legal, delegar parte da sua
competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes
não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for
conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica,
social, econômica, jurídica ou territorial.

• Outro detalhe importante é que o ato de delegação é revogável a qualquer tempo


pela autoridade delegante, e é que ela não pode ser por prazo indeterminado.

IMPORTANTÍSSIMO
Existem atos que não podem ser delegados, são eles: (mnemônico CENORA)

• Matérias de Competência Exclusiva do órgão ou autoridade;


• Edição de atos de caráter Normativo;
• Decisão de Recursos Administrativos;

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 AVOCAÇÃO
• A avocação seria o instituto pelo qual um superior hierárquico chama para si uma
competência originária de um órgão subalterno, ela transfere o exercício da
competência do órgão inferior para o órgão superior na cadeia hierárquica. Pela
própria natureza do instituto se faz necessário de fato a hierarquia.

• Podemos citar como exemplo o próprio governador avocando a competência de


um secretário de segurança ou de chefe de polícia, imagine você policial civil que
está abaixo do delegado na cadeia hierárquica, você não pode avocar uma
competência do delegado para fazer o inquérito policial, mas é possível que um
superior hierárquico do delegado avoque uma competência dele, desde que essa
competência não seja exclusiva.

IMPORTANTÍSSIMO
Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes
devidamente justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão
hierarquicamente inferior”.

PODER DISCIPLINAR
É o poder que se manifesta quando a Administração Pública aplica sanções a duas classes de
pessoas:
 1º classe de pessoas: quando a Administração pune INTERNAMENTE aos seus
servidores que cometem infrações funcionais, como por exemplo: advertência;
suspensão; demissão; destituição de função comissionada; destituição de cargo
comissionado; cassação de aposentadoria e a cassação disponibilidade.
• Ao analisarmos as sanções trazidas pelo ordenamento jurídico, observamos que
a competência para sua prática será dada sempre a quem está acima na escala
hierárquica, por isso é costumeiramente afirmado pela doutrina que quando um
servidor é punido nós temos a manifestação IMEDIATA (direta) do poder
disciplinar e a manifestação MEDIATA (indireta) do poder hierárquico, ou seja,
só posso punir porque estão acima.

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IMPORTANTÍSSIMO
 2º classe de pessoas: Quando a Administração pune os particulares que com ela
possuam UM VÍNCULO JURÍDICO ESPECÍFICO, podemos trazer os seguintes
exemplos:
• ESTUDANTES DE ESCOLA PÚBLICA.
• PACIENTES DE HOSPITAL PÚBLICO.
• PRESIDIÁRIOS.
• CONCESSIONÁRIOS.
• PERMISSIONÁRIOS.
• AUTORIZATÁRIOS DE SERVIÇO PÚBLICO.

Em relação aos que celebram contratos para fornecimento de obras e serviços, temos o
artigo 87 da lei 8666/93 que vai trazer quatro sanções as quais o poder público pode aplicar
aos particulares que em conjunto possui um vínculo contratual, são elas:

Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a


Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao
contratado as seguintes sanções:
I - Advertência;
II - Multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou
no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e
impedimento de contratar com a Administração, por prazo não
superior a 2 (dois) anos;
IV - Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar
com a Administração Pública enquanto perdurarem os motivos
determinantes da punição ou até que seja promovida a
reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a
penalidade, que será concedida sempre que o contratado
ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e após
decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso
anterior.

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A BANCA QUADRIX CONSIDEROU ERRADA A SEGUINTE AFIRMATIVA:


ANO:2019. ÓRGÃO: CRA-PA PROVA: Técnico em Administração.
O poder disciplinar alcança não apenas agentes submetidos ao regime
administrativo, mas também particulares a ele estranhos.
A afirmativa está errada justamente pela explicação estudada acima, quando a
questão fala que “particulares a ele estranhou estão sujeitos ao poder disciplinar”
tornou a afirmativa errada. Volto a frisar: o particular precisa ter um vínculo jurídico
específico para que o poder disciplinar possa alcançá-lo.

 O PODER DISCIPLINAR NÃO É JUS PUNIENDI


• O poder disciplinar não se confunde com o IUS PUNIENDI do Estado. Muito
cuidado com algumas questões de provas de concurso público, qualquer
afirmativa que disser que aquele que comete algum tipo de crime ao ser punido
pelo Estado terá a manifestação do poder disciplinar estará errada, pois o Poder
Disciplinar só capacita Administração Pública a aplicar sanções na via
administrativa.

 O PODER DISCIPLINAR, VIA DE REGRA, É DISCRICIONÁRIO


• Para as questões de concurso público, como regra geral, o candidato deverá
considerar que o poder disciplinar é dotado de discricionariedade a respeito
de aplicação de penalidades, mas CUIDADO, não há discricionariedade quanto ao
dever de punir o servidor que tenha praticado uma infração disciplinar. Ela se
encontra na gradação da penalidade

• Exemplo: a suspensão do servidor na esfera federal poderá ser de ATÉ 90 dias e


ela ainda poderá ser convertida em uma multa de 50% por dia de vencimento
ou remuneração caso seja conveniente para a Administração Pública.
LEI 8.112/90
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência
das faltas punidas com advertência e de violação das demais
proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de
demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.

§ 2o Quando houver conveniência para o serviço, a


penalidade de suspensão poderá ser convertida em multa, na
base de 50% (cinquenta por cento) por dia de vencimento ou
remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em
serviço.
IMPORTANTE!
O excesso que as autoridades administrativas cometerem na aplicação de
sanções podem ser invalidados pelo Poder Judiciários, mas nessas situações não
estaremos diante de análise de conveniência e oportunidade, mas sim de legalidade
e legitimidade da sanção”.

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PODER REGULAMENTAR
É aquele que se manifesta por meio do chefe do poder executivo para editar decretos
que regulamentam as leis, seu objetivo é dar fiel execução a mesma. Na esfera federal temos o
Presidente; na esfera estadual temos o governador; e na esfera municipal temos o Prefeito.

Ele não possui caráter originário, mas sim derivado, portanto, o referido poder não tem a
capacidade de inovar no mundo do direito, ou seja, ele não pode criar novos direitos e novas
obrigações. Sua atuação deve se restringir a completar, complementar e explicar aquilo que
uma lei já trouxe ao mundo jurídico. Os atos administrativos normativos devem possuir
determinações gerais e abstratas.

JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO


Sob o enfoque de que os atos podem ser originários e derivados, o poder
regulamentar é de natureza derivada (ou secundária): somente é
exercido à luz de lei preexistente. Já as leis constituem atos de natureza
originária (ou primária), emanando diretamente da Constituição. Nesse
aspecto, é importante observar que só se considera poder regulamentar
típico a atuação administrativa de complementação de leis, ou atos
análogos a elas. Daí seu caráter derivado.

(Manual de Direito Administrativo – 33ª edição - José dos Santos


Carvalho Filho; p. 146)

MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


O poder regulamentar como uma das formas pelas quais se expressa a
função normativa do Poder Executivo pode ser definido como o que cabe
ao Chefe do Poder Executivo da União, dos Estados e dos Municípios,
de editar normas complementares à lei, para sua fiel execução.

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.


256)

Para doutrina, sua base jurídica se encontra no artigo 84, da constituição federal de 1988,
que nos diz o seguinte:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - Sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como
expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.

IMPORTANTÍSSIMO
Segundo a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, o ordenamento jurídico apresenta
dois decretos: o decreto regulamentar; e o decreto independente ou também mais chamado
de autônomo. O primeiro complementa a lei e não pode estabelecer situações contra legem ou
ultra legem, ou seja, como dito acima, não pode criar novos direitos, obrigações e proibições.

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Agora o uso do DECRETO AUTÔNOMO pelo Presidente Da República decorre da própria


Constituição federal e por isso é considerado pela doutrina como fonte primária, não sendo
decorrência do poder regulamentar.
Qualquer afirmativa de prova que disser que o Decreto Autônomo decorre do poder
regulamentar deverá ser marcada como errada.
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO
O regulamento autônomo ou independente inova na ordem jurídica,
porque estabelece normas sobre matérias não disciplinadas em lei; ele
não completa nem desenvolve nenhuma lei prévia.

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.


256)
VICENTE DE PAULO E MARCELO ALEXANDRINO
Portanto, hoje, a Constituição Federal expressamente prevê a
possibilidade de serem editados decretos como atos primários, isto é,
atos que decorrem diretamente do texto constitucional, decretos que não
são expedidos em função de alguma lei ou de algum outro ato
infraconstitucional.

(Direito Administrativo Descomplicado – 26ª edição - Vicente de Paulo e


Marcelo Alexandrino; p. 285)
Segue o texto constitucional:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI – Dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal,
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou
extinção de ÓRGÃOS PÚBLICOS;
b) extinção de funções ou cargos públicos, QUANDO VAGOS.
PODER NORMATIVO
A doutrina afirma que o poder normativo é mais genérico, ele é mais abrangente. Sua
manifestação está na possibilidade que outras autoridades possam editar atos normativos,
enquanto o poder regulamentar é exclusivo do chefe do poder executivo, o poder normativo é
aquele utilizado por outras autoridades da administração pública.

Cite-se por exemplo, o presidente do Senado ou o presidente do Supremo Tribunal


Federal. É inegável que tais figuras públicas são autoridades, mas não são chefes do poder
executivo, portanto quando editarem atos normativos estarão fazendo uso do referido poder
normativo.
O texto constitucional em seu artigo 87 é utilizado pela doutrina para apresentar o poder
o poder normativo. Segue o que diz nossa constituição federal:
art. 87. Compete ao Ministro de Estado:
II - Expedir instruções para a execução das leis, decretos e
regulamentos.

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PODER DE POLÍCIA
Sua base legal se encontra no artigo 78 do código tributário nacional, e sua existência
serve para o pagamento de um tributo chamado de TAXA.
Art.78. Considera-se poder de polícia a atividade da
administração pública que, limitando ou disciplinando
direito, interesse ou Liberdade, regula a prática do ato ou
abstenção do fato em razão do interesse público concernente à
segurança à higiene à ordem aos costumes à disciplina da
proteção e do mercado ao exercício das atividades econômicas
dependentes de concessão ou autorização do poder público a
tranquila pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos
individuais e coletivos.

CONCEITO HELY LOPES MEIRELLES


“Poder de polícia e a faculdade de que dispõe a administração pública
para CONDICIONAR E RESTRINGIR O USO de gozo de bens atividades e
direitos individuais em benefício da coletividade ou do próprio Estado”.

(Direito Administrativo Brasileiro 2016; Hely Lopes Meirelles; p. 152)

Bem, aqui está, sem sombra de dúvida, o poder mais cobrado em provas de concurso
público, estamos enfim diante do poder de polícia. Em poucas palavras posso resumir um
conceito que fará com que você não tenha dúvida em perguntas genéricas sobre sua atuação.
CONCEITO

O poder de polícia é aquele que serve para condicionar, limitar e restringir o


uso, gozo e fruição de direitos individuais e bens de natureza particular em prol da
coletividade.

Antes de estudarmos o poder de polícia e suas particularidades doutrinárias, gostaria de


trazer os exemplos de sua atuação no dia a dia para que você consiga enxergar esse conceito na
prática.

 Imagine que você queira abrir um estabelecimento comercial, você não pode
realizar esse feito sem antes solicitar a administração pública uma licença de
funcionamento, temos aí a atuação do poder de polícia.

 Caso você esteja em uma via que tenha radares e ultrapassar os limites estabelecidos
pela administração pública, com certeza você será notificado por essa infração,
depois do prazo para o exercício do contraditório e ampla defesa, aquela notificação
se transformará em uma multa. Essa multa é a manifestação do poder de polícia.

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 Ao andar pelas ruas da cidade, caso você se depare com estabelecimento comercial
principalmente atrelado à alimentação que esteja interditado pela vigilância
sanitária, você também estará diante da manifestação do poder de polícia

 Um carro estacionado de forma irregular permite que a administração pública possa


rebocá-lo, isso também é atuação do poder de polícia administrativo.

Agora que te apresentei vários exemplos da atuação do poder de polícia, fica mais fácil
estudar as peculiaridades do referido poder.

 SENTIDO AMPLO E SENTIDO ESTRITO DO PODER DE POLÍCIA


• Sentido Amplo: Bem tranquilo de ser visualizado, vai abranger tanto a atuação
do poder legislativo quando o mesmo criar leis, como a atuação administrativa
que ficará responsável por regular e executar as referidas leis feitas pelo
legislativo, pensando na limitação e condicionamento dos bens de natureza
particular em prol da coletividade.

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• Sentido Estrito: já no sentido restrito vemos o poder de polícia somente na


atuação administrativa em que teremos os órgãos que apresentarão competência
de executar aquilo que a lei traz como atuação de polícia. Esse é o sentido adotado
de forma geral em provas de concurso público.

 POLÍCIA ADMINISTRATIVA E POLÍCIA JUDICIÁRIA


Segundo a Constituição Federal em seu artigo 144, as funções de polícia judiciárias serão
exercidas pela polícia civil e a polícia federal, elas ficam destinadas a auxiliar o judiciário na
persecução criminal, portanto ficam fora da atuação do poder de polícia administrativa.

Artigo 144 § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de


polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da
União, as funções de polícia judiciária e a apuração de
infrações penais, exceto os militares.
A polícia administrativa atuará na limitação das atividades do particular, abrangido os
ilícitos de natureza civil, assim para que possa ser afirmado qual é o poder que está atuando, se
é o da polícia judiciária ou da polícia administrativa temos de analisar o caso concreto, se foram
ilícitos de natureza penal pertencerá ao âmbito da polícia judiciária, se ilícitos de natureza
administrativa fica a cargo dos órgãos responsáveis pelo seu exercício, como por exemplo: a
polícia militar, órgãos de vigilância sanitária, a agência reguladora Anvisa, as guardas
municipais, entre outros.

 FORMA PREVENTIVA E REPRESSIVA DO PODER DE POLÍCIA

Na atuação desse Poder podemos afirmar que a Administração pública atuará de duas
formas, a saber:
• Forma preventiva, tentando evitar o dano à coletividade, exemplos:
1. Autorização (ato discricionário).
2. Fiscalização.
3. Licença (ato vinculado).
4. Vistoria.

• Forma repressiva, para dar um fim na atividade lesiva, exemplos:

1. Internação de pessoas com doença contagiosa.


2. Dissolução de reunião.
3. Apreensão de mercadorias deterioradas.

 PODER DE POLÍCIA ORIGINÁRIO E DELEGADO


• Poder de polícia originário: É aquele exercido pela Administração direta, ou
seja, pelos entes políticos (União, Estados, DF e Municípios).

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• Poder de polícia delegado: É aquele exercido por algumas pessoas da


administração indireta, lembrando que estudamos que dentro da indireta temos
pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de direito privado, o poder
de polícia delegado é aquele que será utilizado apenas por pessoas jurídicas de
direito público da administração indireta, ou seja, as autarquias e as fundações
quando forem criadas por lei.

Tema muito recorrente em prova é a indagação se poder de polícia pode ser delegado.
Como vimos acima ele pode ser sim delegado, mas apenas para pessoas jurídicas de direito
público, qualquer questão de prova que afirmar que o poder de polícia pode ser delegado em
sua integridade para pessoas jurídicas de direito privado estará errada.

Porém, segundo o superior tribunal de justiça, o poder de polícia pode ser dividido em
quatro ciclos ou fases, e por meio dessa divisão o mesmo tribunal permitiu que algumas fases
ou ciclos de polícia possam vir a ser delegados a pessoas jurídicas de direito privado. Vamos
ao estudo desses ciclos:

 CICLO DE POLÍCIA
1. ORDEM DE POLÍCIA: corresponde a legislação que estabelece os limites e
condicionamentos ao exercício das atividades, o uso de bens.

2. CONSENTIMENTO DE POLÍCIA: consiste na prévia anuência da administração


e se materializa com as licenças e autorizações.

3. FISCALIZAÇÃO DE POLÍCIA: é a atividade pela qual a administração verifica


se está havendo o adequado cumprimento das ordens de polícia pelo particular.

4. SANÇÃO DE POLÍCIA: é atuação coercitiva pela qual a administração aplica ao


infrator uma medida repressiva prevista em lei.

IMPORTANTÍSSIMO
Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, algumas fases do
ciclo de polícia podem ser delegadas a pessoas jurídicas de direito privado, sendo
elas: o consentimento de polícia e de fiscalização de polícia.

 ATRIBUTOS DO PODER DE POLÍCIA

A doutrina, de forma pacífica, atribuir três características ao poder de polícia, vamos


estudar nesse momento: (método mnemônico: DICA)
• DISCRICIONARIEDADE: significa que a Administração terá certa liberdade de
atuação do poder de polícia, podendo valorar a oportunidade e conveniência da
prática do ato e da graduação das sanções aplicáveis. Atenção! Nem sempre o
poder de polícia será discricionário, mas, em regra, possui essa
discricionariedade.

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• COERCIBILIDADE: caracteriza-se pela imposição coativa das medidas adotadas


pela Administração, que, diante de eventuais resistências dos administrados,
pode se valer, inclusive, da força pública para garantir o seu cumprimento.

• AUTOEXECUTORIEDADE: a Administração Pública possui a prerrogativa de


decidir e executar sua decisão por seus próprios meios, sem necessidade de
intervenção judicial.

IMPORTANTÍSSIMO
A autoexecutoriedade jamais afasta a apreciação judicial do ato, apenas
dispensa a administração de obter ordem judicial prévia para poder praticá-lo.
Afirmamos que nesses casos o CONTRADITÓRIO, que é uma garantia constitucional,
será exercido: (são sinônimos)
A posteriori
De forma diferida
De forma protraída
Postergado

 PRESCRIÇÃO
A Lei 9.873/1999 estabeleceu o prazo prescricional das ações punitivas decorrentes do
exercício do poder de polícia DE 5 ANOS.

“Art. 1o Prescreve EM CINCO ANOS a ação punitiva da


Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício
do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação
em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de
infração permanente ou continuada, do dia em que tiver
cessado”.

Para finalizar o estudo do poder de polícia, é interessante fazer a ressalva de que ele
possui dois princípios que serão limitadores de sua atuação, são conhecidos como
razoabilidade e proporcionalidade.
 A razoabilidade vai requerer do agente público uma conduta que seja equilibrada
pautada em bom senso; e

 A proporcionalidade vai requerer do agente público uma adequação entre meios e


fins.

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EXERCÍCIOS
ANO: 2019. Banca: FGV Órgão: MPE-RJ PROVA: Técnico do Ministério Público –
Administrativa.
O Procurador-Geral de Justiça do MPRJ, em conformidade com o que consta no art. 2º,
XVII, da Lei Complementar Estadual nº 106/2003, editou a Resolução GPGJ nº 2.245/2018,
instituindo e dispondo sobre o Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público do Estado do Rio
de Janeiro como instrumento oficial de disponibilização e publicação dos seus atos
administrativos, processuais e de comunicação em geral.
13. A conduta do chefe do parquet estadual no caso concreto está calcada em seu poder:

a) regulamentar de editar lei em sentido formal para disciplinar matéria de interesse da


instituição, assegurando o exercício da autonomia administrativa ministerial;

b) hierárquico, pois na qualidade de autoridade máxima administrativa da instituição


tem a prerrogativa de inovar no ordenamento jurídico em matéria de interesse
institucional;

c) disciplinar, haja vista que os desatendimentos às normas concretas editadas por meio
da resolução geram aplicação de penalidade disciplinar ao servidor pelo Procurador-
Geral;

d) normativo de expedir norma geral e abstrata que facilita a execução da lei orgânica do
MPRJ na matéria, minudenciando seus termos;

e) discricionário para editar normas concretas e específicas que extrapolem os limites da


lei orgânica do MPRJ, no regular exercício da independência funcional da chefia
institucional.

GABARITO: LETRA D

SOLUÇÃO RÁPIDA

a) regulamentar de editar lei em sentido formal para disciplinar


matéria de interesse da instituição, assegurando o exercício da autonomia
administrativa ministerial; (Errado)
“Regulamentar de editar lei em sentido formal para disciplinar matéria de
interesse da instituição, assegurando o exercício da autonomia administrativa
ministerial”. A questão fala sobre edição de uma Resolução pelo procurador-geral, o
mesmo é uma alta autoridade, mas não é chefe do executivo, portanto não pode usar
o referido poder.

b) hierárquico, pois na qualidade de autoridade máxima administrativa


da instituição tem a prerrogativa de inovar no ordenamento jurídico em
matéria de interesse institucional; (Errado)
“Hierárquico, pois na qualidade de autoridade máxima administrativa da
instituição tem a prerrogativa de inovar no ordenamento jurídico em matéria de
interesse institucional”. O primeiro erro é que a edição de atos normativos pelo

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Procurador-Geral de Justiça não é pautada no poder hierárquico, e o segundo erro é


que o mesmo não pode inovar na ordem jurídica por meio de seus atos normativos.

c) disciplinar, haja vista que os desatendimentos às normas concretas


editadas por meio da resolução geram aplicação de penalidade disciplinar
ao servidor pelo Procurador-Geral; (Errado)
“Disciplinar, haja vista que os desatendimentos às normas concretas editadas
por meio da resolução geram aplicação de penalidade disciplinar ao servidor pelo
Procurador-Geral”. Essa opção tenta levar o candidato ao erro por falar em
penalidades do servidor pelo Procurador Geral do MP, sendo que poder disciplinar só
atuará se houver uma penalidade, o enunciado da questão fala em edição de uma
Resolução, o poder manifestado é o normativo e não disciplinar.
d) normativo de expedir norma geral e abstrata que facilita a execução
da lei orgânica do MPRJ na matéria, minudenciando seus termos; (Certo)
Item totalmente correto, pois a doutrina afirma que o poder normativo é mais
genérico, ele é mais abrangente do que o regulamentar. Sua manifestação está na
possibilidade que outras autoridades possam editar atos normativos como é o caso
narrado na questão.
e) discricionário para editar normas concretas e específicas que
extrapolem os limites da lei orgânica do MPRJ, no regular exercício da
independência funcional da chefia institucional. (Errado)
“Discricionário para editar normas concretas e específicas que extrapolem os
limites da lei orgânica do MPRJ, no regular exercício da independência funcional da
chefia institucional”. Opção tranquila de ser analisada, já contendo o erro dizendo
que o procurador-geral pode extrapolar os limites estabelecidos pela lei e mesmo na
atuação do poder discricionário, o respectivo procurador-geral deve atuar dentro da
legalidade, portanto gabarito errado.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) regulamentar de editar lei em sentido formal para disciplinar


matéria de interesse da instituição, assegurando o exercício da autonomia
administrativa ministerial; (Errado)
Sem sombra de dúvida a opção mais capciosa dessa questão ao falar que é a
atuação do poder regulamentar. Lembremos o que diz esse poder: ele é de uso
exclusivo do chefe do executivo, portanto a questão deveria narrar a atuação do
Presidente da República, do governador do Estado ou de um prefeito de um município
editando um decreto. Como a questão fala em uma resolução editada pelo
procurador-geral do ministério público do Rio de Janeiro, é inviável considerar essa
opção como correta, pois aqui temos a manifestação do poder normativo que é tido
pela doutrina como um poder mais genérico, capacitando outras autoridades a editar
atos de caráter normativo gerais e abstratos.

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b) hierárquico, pois na qualidade de autoridade máxima administrativa


da instituição tem a prerrogativa de inovar no ordenamento jurídico em
matéria de interesse institucional; (Errado)
Opção totalmente equivocada, vamos analisar o que diz o poder hierárquico:
sua atuação permitirá o escalonamento de funções, permitirá a distribuição de
competência dentro de uma mesma pessoa jurídica, não tendo muito nexo com o
enunciado da questão, o erro crucial dessa opção é dizer que o procurador-geral do
ministério público do Rio de Janeiro poderia inovar no ordenamento jurídico em
matéria de interesse institucional, o que é inaceitável em nosso ordenamento
jurídico, pois apenas o poder legislativo e com apenas algumas ressalvas, os outros
poderes poderão inovar no mundo do direito.

c) disciplinar, haja vista que os desatendimentos às normas concretas


editadas por meio da resolução geram aplicação de penalidade disciplinar
ao servidor pelo Procurador-Geral; (Errado)
De fato, o poder disciplinar é aquele que permite a aplicação de sanções a
servidores por parte do superior hierárquico, e também permite a aplicação de
sanções a particulares que possuem com o estado vínculo jurídico específico, porém
em nenhum momento o enunciado da questão fala em condutas irregulares por
partes de algum servidor, fala apenas na edição de uma resolução por parte do
procurador geral do ministério público do Rio de Janeiro para atender os interesses
da instituição, tornando assim a opção equivocada.

d) normativo de expedir norma geral e abstrata que facilita a execução


da lei orgânica do MPRJ na matéria, minudenciando seus termos; (Certo)
Gabarito dado pela banca como correto e totalmente coerente com o que afirma
a doutrina, pois o poder normativo é mais genérico, ele é mais abrangente. Sua
manifestação está na possibilidade que outras autoridades possam editar atos
normativos, enquanto o poder regulamentar é exclusivo do chefe do poder executivo,
o poder normativo é aquele utilizado por outras autoridades da administração
pública.

Cite-se, por exemplo, o presidente do Senado ou o presidente do Supremo


Tribunal Federal, é inegável que tais figuras públicas são autoridades, mas não são
chefes do poder executivo, portanto quando editarem atos normativos estarão
fazendo uso do referido poder normativo. No caso concreto, temos o chefe do
ministério público do Rio de Janeiro que é uma autoridade, mas por não ser chefe do
poder executivo não há de se falar em manifestação do poder regulamentar, mas sim
manifestação do poder normativo.

Lembrando que assim como o poder regulamenta, ele não possui caráter
originário, mas sim derivado, portanto o referido poder não tem a capacidade de
inovar no mundo do direito, ou seja, ele não pode criar novos direitos e novas
obrigações. Sua atuação deve se restringir a completar, complementar e explicar
aquilo que uma lei já trouxe ao mundo jurídico. Os atos administrativos normativos
devem possuir determinações gerais e abstratas.

MUDE SUA VIDA!


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e) discricionário para editar normas concretas e específicas que


extrapolem os limites da lei orgânica do MPRJ, no regular exercício da
independência funcional da chefia institucional. (Errado)
Questão totalmente equivocada, pois o poder discricionário é pautado na
capacidade de se praticar atos administrativos, com uma certa margem de escolha
ou como a doutrina gosta de afirmar, praticar atos administrativos pautados na
conveniência e na oportunidade, mas isso não significa violação à lei, até porque
seria uma afronta ao princípio da legalidade, quando a opção afirma que no exercício
regular da função, o procurador-geral da República do Ministério Público poderia
extrapolar a lei, faz com que o item esteja errado.

ANO: 2019. Banca: FGV Órgão: MPE-RJ Prova: Técnico do Ministério Público –
Administrativa.
João estacionou seu carro em plena via pública, em local onde era proibido parar e
estacionar. Horas depois, quando retornou ao local, foi informado de que agentes públicos
guincharam seu veículo, que foi levado ao depósito público, haja vista que estava impedindo a
regular circulação de outros carros, inclusive de ambulâncias que por ali precisam passar para
chegar a hospital próximo.
14. No caso em tela, o atributo do ato administrativo que autoriza os agentes públicos a
praticarem o ato com aplicação de meio direto para sua concretização, na hipótese em
que os meios indiretos de coerção não atenderiam ao interesse público, é a:

a) exigibilidade, sem necessidade de prévio processo administrativo ou de contraditório


diferido pelo administrado;

b) coercibilidade, com necessidade de prévio processo administrativo sumário com


contraditório e ampla defesa ao administrado;

c) autoexecutoriedade, sem necessidade de prévia intervenção do Poder Judiciário, mas


se admitindo o contraditório diferido pelo administrado;

d) imperatividade, com necessidade de prévio processo administrativo ou judicial, para


atendimento ao princípio do devido processo legal;

e) discricionariedade, sem necessidade de prévia intervenção do Poder Judiciário, mas


com prévio processo administrativo sumário.

GABARITO: LETRA C
SOLUÇÃO RÁPIDA
a) exigibilidade, sem necessidade de prévio processo administrativo ou
de contraditório diferido pelo administrado; (Errado)
“Exigibilidade, sem necessidade de prévio processo administrativo ou de
contraditório diferido pelo administrado. ”. No caso em tela não temos uma
exigibilidade, pois a doutrina fala que a exigibilidade é meio indireto de coerção, e
diante do enunciado podemos analisar que o que aconteceu foi um meio direto de
coerção, portanto manifestação da executoriedade.

MUDE SUA VIDA!


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b) coercibilidade, com necessidade de prévio processo administrativo


sumário com contraditório e ampla defesa ao administrado; (Errado)
“Coercibilidade, com necessidade de prévio processo administrativo sumário
com contraditório e ampla defesa ao administrado”. Nos atos repressivos de polícia,
via de regra, não se faz necessário um prévio processo administrativo para garantir
o contraditório e a ampla defesa, pois o mesmo é deslocado para após a prática do
ato.
c) autoexecutoriedade, sem necessidade de prévia intervenção do
Poder Judiciário, mas se admitindo o contraditório diferido pelo
administrado; (Certo)
“Autoexecutoriedade, sem necessidade de prévia intervenção do Poder
Judiciário, mas se admitindo o contraditório diferido pelo administrado. ” Gabarito da
questão, pois no caso em tela é possível perceber a atuação direta da administração
pública agindo para sanar aquela irregularidade, possibilitando, todavia, o
contraditório do particular após a prática do ato, isso é o que a doutrina chama de
contraditório postergado.

d) imperatividade, com necessidade de prévio processo administrativo


ou judicial, para atendimento ao princípio do devido processo legal; (Errado)
“Imperatividade, com necessidade de prévio processo administrativo ou
judicial, para atendimento ao princípio do devido processo legal”. É até possível
analisar a imperatividade agindo nessa conduta, porém a questão peca em dizer que
é necessário prévio processo administrativo judicial, pois, via de regra, os atos de
polícia são dotados de autoexecutoriedade, o que dispensam prévia ordem judicial.

e) discricionariedade, sem necessidade de prévia intervenção do Poder


Judiciário, mas com prévio processo administrativo sumário. (Errado)
“Discricionariedade, sem necessidade de prévia intervenção do Poder Judiciário,
mas com prévio processo administrativo sumário. ”. Via de regra, o poder de polícia
é discricionário para que o agente analise o caso concreto e tome as devidas
providências dentro da razoabilidade e da proporcionalidade, e não se faz necessário
um processo administrativo sumário, peca a questão em afirmar isso.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) exigibilidade, sem necessidade de prévio processo administrativo ou


de contraditório diferido pelo administrado; (Errado)
O conceito de autoexecutoriedade vai nos dizer que um ato administrativo pode
ser praticado sem prévia ordem judicial. Para alguns doutrinadores a
autoexecutoriedade se divide em executoriedade, sendo um meio direto de
coerção e exigibilidade, que seria o meio indireto de coerção (muitos
doutrinadores afirmam ser existentes na multa), não sendo o caso do enunciado. A
questão também é equivocada ao dizer que o contraditório diferido do administrado
não é necessário, o que não se tem é um contraditório realizado no momento do ato,
pois ele será deslocado no tempo para depois.

b) coercibilidade, com necessidade de prévio processo administrativo


sumário com contraditório e ampla defesa ao administrado; (Errado)

MUDE SUA VIDA!


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Coercibilidade, o atributo do poder de polícia que vai nos dizer que é possível o
uso da força moderada. Mais uma vez o enunciado da questão tenta buscar o
candidato que estudou a fundo a possibilidade do contraditório ser ou não ser
realizado dentro dos atos de polícia, nessa opção em particular a questão erra em
dizer que é necessário prévio procedimento administrativo para garantir o
contraditório e a ampla defesa, pois o mesmo será concedido ao particular após a
prática do ato de polícia, chamado pela doutrina de contraditório diferido, postergado,
a posteriori ou feito de forma protraída.

c) autoexecutoriedade, sem necessidade de prévia intervenção do


Poder Judiciário, mas se admitindo o contraditório diferido pelo
administrado; (Certo)
Autoexecutoriedade é um dos atributos mais cobrados em provas de concurso
público seu conceito é dizer que a administração pública poderá praticar atos
administrativos sem prévia ordem judicial. O que a doutrina se pergunta é como seria
feita a garantia do contraditório e ampla defesa que é um direito fundamental da
sociedade, os doutrinadores de forma pacífica entendem que por se tratar de
interesse da coletividade para garantir a segurança e o interesse público, é possível
que haja atos praticados sem prévia ordem judicial, mas o contraditório será
deslocado para após a prática do ato, estando assim o item totalmente correto

d) imperatividade, com necessidade de prévio processo administrativo


ou judicial, para atendimento ao princípio do devido processo legal; (Errado)
A imperatividade é atributo do ato administrativo que diz que o Estado tem a
capacidade de impor obrigações aos particulares, mesmo que esses não concordem.
A doutrina vai dizer que ele decorre do chamado poder extroverso, que é a
capacidade de sair da sua esfera jurídica e adentrar na esfera do particular, e até
possível vislumbrar a aplicação desse atributo de forma indireta (já que a aplicação
direta é a do atributo da autoexecutoriedade) nessa questão, porém a questão peca
ao dizer que é necessário prévio procedimento administrativo ou judicial, justamente
pelo atributo da autoexecutoriedade, o que faz com que a administração pública
possa praticar atos pautados em uma coerção direta, deslocando o contraditório para
depois.

e) discricionariedade, sem necessidade de prévia intervenção do Poder


Judiciário, mas com prévio processo administrativo sumário. (Errado)
A discricionariedade, também presente nos atos de polícia, tem seu sentido
bem Pacífico na doutrina, que é quando a máquina pública possui margem de
conveniente oportunidade para atuar. Como as condutas irregulares da sociedade
seriam as mais diversas, seria impossível que o legislador colocasse uma sanção para
cada irregularidade, portanto, em regra, o poder de polícia é discricionário. Na
atuação discricionária do poder de polícia é sempre bom lembrar que devemos
obedecer aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, e mais uma vez
temos uma opção falha ao dizer que é necessário o prévio procedimento
administrativo para garantir o contraditório e a ampla defesa do administrado, pois
o mesmo será realizado após a prática do ato de polícia.

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ANO: 2019. BANCA: Quadrix. ÓRGÃO: CRO-GO PROVA: Fiscal Regional (+ provas).
No que se refere aos poderes e deveres do administrador público, julgue o item:
15. Se, diante de certas situações, a lei possibilita que o administrador público defina algum
aspecto do conteúdo ou do objeto do ato administrativo, há o exercício do poder
discricionário.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
Solução rápida
Se, diante de certas situações, a lei possibilita que o administrador público
defina algum aspecto do conteúdo ou do objeto o ato administrativo, há o exercício
do poder discricionário.
A questão está correta, pois a mesma traz as palavras-chave sobre o que
caracteriza o poder discricionário, que é a possibilidade de se ter margem de
conveniente oportunidade no objeto ou no motivo do ato administrativo.

SOLUÇÃO COMPLETA

A manifestação do poder discricionário está intrinsecamente ligado à


capacidade que a máquina pública tem de praticar os atos COM MARGEM DE
CONVENIÊNCIA OPORTUNIDADE também chamado de MÉRITO, a própria
Administração Pública é obrigada a respeitar o princípio da Legalidade, sendo que
dentro dos atos legais teremos aqueles que são vinculados, estudados no tópico
acima, e teremos aqueles em que a própria Administração Pública terá a margem de
escolha, claro, sempre pautado na razoabilidade e proporcionalidade que são os
princípios limitadores do poder discricionário.

Sua atuação está ligada aos elementos “MOTIVO” ou “OBJETO”, pois são os
únicos elementos do ato administrativo que podem ter discricionariedade.

Elementos do ato administrativo:

COM PETÊNCIA: elemento vinculado.


FI NALIDADE: elemento vinculado.
FOR MA: elemento vinculado.
MO TIVO: elemento que pode ser vinculado OU DISCRICIONÁRIO.
OB JETO: elemento que pode ser vinculado OU DISCRICIONÁRIO.

Vale a pena dizer que é o poder discricionário que será utilizado quando a
administração pública revogar um ato válido, até porque a revogação só pode
acontecer em um ATO LEGAL que tenha margem de conveniência e oportunidade,
atos vinculados não podem ser revogados.

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ATOS ADMINISTRATIVOS
DIFERENÇA ENTRE ATO JURÍDICO E FATO JURÍDICO
Olá! Bem-vindo ao estudo dos Atos Administrativos. Antes de aprofundarmos o estudo
sobre o referido tema, primeiro precisamos discernir a diferença entre ATO JURÍDICO E FATO
JURÍDICO.
O QUE É FATO JURÍDICO?
A doutrina civilista afirma que TUDO aquilo que interessa ao DIREITO, ou seja, todos os
eventos, NATURAIS OU HUMANOS, que geram consequências jurídicas integram os
denominados FATOS JURÍDICOS EM SENTIDO AMPLO.

 FATOS JURÍDICOS EM SENTIDO ESTRITO: são eventos da natureza dos quais


resultam consequências jurídicas.
• Ex.: terremoto, chuva, nascimento, morte, etc.:

 ATOS JURÍDICOS: são todas as manifestações unilaterais humanas voluntárias


que tenham a finalidade imediata (direta) de produzir determinada alteração no
mundo jurídico.
• EX.: promessa de recompensa, oferta de ações de uma sociedade anônima,
assinatura de uma nota promissória, etc.

Após entendermos essa diferença crucial, podemos afirmar que os atos da


administração são espécies do gênero do "ATO JURÍDICO", pois são manifestações
humanas voluntárias e unilaterais de vontade, e não fenômenos da natureza.

MUDE SUA VIDA!


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O que especifica os atos da administração no gênero dos "ATOS JURÍDICOS" é


justamente o fato de serem manifestações ou declarações unilaterais da Administração
Pública.

A expressão “ato da administração” tem sentido mais amplo do que a expressão “ato
administrativo”. Temos como exemplos de atos da Administração, os seguintes:

 Os atos de direito privado (doação, permuta, compra e venda, locação);

 Os atos políticos (iniciativa de leis, sanção ou veto a projetos de lei, celebração de


tratados internacionais, decretação do estado de sítio);

 Os contratos (de forma mais específica é um ato bilateral);

 Os atos administrativos (serão marcados pelo regime jurídico de direito público);


IMPORTANTE!
A doutrina afirma que os atos materiais também são conhecidos como fatos
administrativos, eles envolvem apenas execução, neles não há manifestação
unilateral de vontade. Como regra, eles são eventos que decorrem de um ato
administrativo e como lhes faltam manifestação unilateral de vontade não fazem
parte dos atos jurídicos, mas sim dos fatos jurídicos em sentido estrito.

EX.: a demolição de uma casa, a apreensão de mercadoria, a realização de um


serviço.

O importante para as provas de concurso é saber que nem todo Ato Jurídico é
propriamente um Ato da Administração e que nem todo Ato da Administração é
necessariamente um Ato Administrativo: esquematizando:

 ATO JURÍDICO: qualquer manifestação unilateral humana voluntária.

 ATO DA ADMINISTRAÇÃO: qualquer manifestação unilateral voluntária da


Administração Pública.

 ATO ADMINISTRATIVO: qualquer manifestação unilateral da Administração


Pública voluntária obrigatoriamente regida pelo DIREITO PÚBLICO.

MUDE SUA VIDA!


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CONCEITO DA ATO ADMINISTRATIVO


Apresentarei a você nesse momento os conceitos de atos administrativos dos
doutrinadores clássicos, tenho observado nos últimos concursos públicos uma incidência maior
na exigência do conhecimento do conceito da professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro que
diz:
• É A DECLARAÇÃO DO ESTADO OU DE QUEM O REPRESENTE;

• QUE PRODUZ EFEITOS JURÍDICOS IMEDIATOS SOB A OBSERVÂNCIA DA LEI E


REGIME JURÍDICO DE DIREITO PÚBLICO; E

• É PASSÍVEL DE CONTROLE PELO PODER JUDICIÁRIO.

Não posso deixar de citar também o conceito do grande mestre Hely Lopes Meirelles,
segundo conceito mais cobrado em concursos públicos. Segue o referido conceito: (mnemônico:
DI MARTE)
• É a manifestação UNILATERAL da Administração Pública que agindo nessa
qualidade tem por fim imediato:

D eclarar

OS DIREITOS OU Impor
M odificar OBRIGAÇÕES DE SEUS
ADMINISTRADOS OU
A dquirir DE SI PRÓPRIA

R esguardar

T ransferir

E xtinguir

ELEMENTOS OU REQUISITOS DE VALIDADE DO ATO


Os atos administrativos possuem CINCO ELEMENTOS também conhecidos como
requisitos de validade, pois o ato praticado em desacordo com o que a lei estabeleça para cada
requisito será, em regra, UM ATO NULO. São eles: (mnemônico: COMFIFORMOOB)

 COM PETÊNCIA: elemento vinculado.

 FI NALIDADE: elemento vinculado.

 FOR MA: elemento vinculado.

 MO TIVO: elemento que pode ser vinculado OU Discricionário.

 OB JETO: elemento que pode ser vinculado OU Discricionário.

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COMPETÊNCIA (QUEM FAZ?)


É o poder atribuído ao agente da administração delimitando suas atribuições para
praticar o ato administrativo. Por exemplo, o Código de Processo Penal em seu artigo 17 afirma
que o titular do inquérito policial é o delegado de polícia, então se um oficial de cartório tentar
baixar uma portaria para iniciar o inquérito policial, teremos um ato viciado na competência,
justamente pela falta de atribuição legal. Lembrando que é um elemento vinculado.
OBS.! A professora Maria Silvia Zanella Di Pietro chama de SUJEITO COMPETENTE.
 CARACTERÍSTICAS DA COMPETÊNCIA
• IRRENUNCIÁVEL: Lei 9784 Art.11- A competência é irrenunciável e se exerce
pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de
delegação e avocação legalmente admitidos.

O QUE SERIA DELEGAÇÃO? Resposta: nada mais é do que uma divisão de parte
da competência originária com outro órgão de igual hierarquia ou inferior (não
exige hierarquia).

O QUE SERIA AVOCAÇÃO? Resposta: não mais é do que um chamamento de


atribuição de órgão inferior por um órgão superior (exige sempre hierarquia).

OBS.! NÃO PODEM SER OBJETO DE DELEGAÇÃO: (mnemônico: EDEMA)


E dição de atos de caráter normativo;
DE cisão de recursos administrativos;
MA térias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.
 IMODIFICÁVEL: como a competência é instituída pela lei, o administrador não
poderá por sua simples vontade tentar modificá-la.

 IMPRESCRITÍVEL: ainda que o agente público passe um bom tempo sem usar de
sua competência, não perderá a titularidade de sua competência.

 IMPRORROGÁVEL: em processos judiciais, quando a competência é relativa


(territorial e em razão do valor da causa) e as partes não questionam a atuação do
juiz incompetente naquele respectivo processo, teremos o instituto da prorrogação
da competência, aqui nos procedimentos administrativos isso não, ou seja, não se
transfere a um agente incompetente pelo simples fato de não ter havido
contestações.
FINALIDADE (PARA QUE?)
É o resultado que se quer alcançar com a prática do ato, e está ligada intrinsecamente ao
interesse público. Enquanto motivo antecede o ato, a finalidade o sucede, ou seja, está ligado a
ideia de futuro.
Para tentar simplificar farei uma pequena analogia: pense em você que está se preparando
para seu concurso público. Pode-se dizer que você já passou na prova? De fato, ainda não, pois
a própria prova ainda não chegou, e passar nela é sua FINALIDADE! É a mesma coisa com o ato
administrativo, quando a Administração Pública praticar um ato, o mesmo tem de ter uma
finalidade pública.
Uma informação imprescindível é saber que a finalidade do ato possui o chamado EFEITO
MEDIATO.

MUDE SUA VIDA!


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FORMA (COMO?)
É o modo de exteriorização do ato, é a maneira como a administração se manifesta. Mais
uma vez farei uma analogia. Imagine que você encontrou o amor de sua vida, mas você não se
expressa, não declara seus sentimentos. Pergunto, como é que essa pessoa vai saber descobrir
seu amor? Você precisa externar isso de alguma FORMA!
É EXATAMENTE o que ocorre com o ato administrativo e, em regra, eles deverão observar
a FORMA ESCRITA, admitindo-se excepcionalmente:
 ATOS GESTUAIS;

 VERBAIS OU;

 EXPEDIDOS VISUALMENTE POR MÁQUINAS (semáforos, especialmente em casos


de urgência e transitoriedade da manifestação).

MOTIVO (O PORQUÊ)
É o pressuposto de fato e de direito que SERVE DE FUNDAMENTO para o ato
administrativo, É O PORQUÊ, a razão da prática do ato.
 De Fato: corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de
características que levam a administração pública a praticar o ato.
 De Direito: é o dispositivo legal em que se baseia o ato.

Lembre-se da música do grande Tim Maia que diz:


“...Me dê MOTIVO pra ir embora
Estou vendo a hora de te perder...”

Quando a administração pública praticar um ato administrativo, não pode praticar do


nada, sem fundamento. Pense no ato de demissão que é um ato punitivo, para que o mesmo
possa ser exarado, o servidor tem de dar um MOTIVO para que a própria administração possa
praticá-lo, se o fizer sem um motivo teremos um ato viciado por inexistência de motivo.
CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR

MOTIVO é diferente de MOTIVAÇÃO.

MOTIVO é o pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento para


o ato administrativo. Enquanto a MOTIVAÇÃO (justificativa) é a exposição dos
motivos, ela exige que a Administração Pública indique, apresente os fundamentos
de fato e de direito de suas decisões.

OBJETO (O QUE?)
É o conteúdo do ato, ou seja, é o efeito jurídico IMEDIATO que o ato produz. A ordem por
ele determinada, ou o resultado prático pretendido ao se expedi-lo.
Lembre-se que todo ato administrativo é uma espécie de ato jurídico, então o mesmo
precisa produzir efeito jurídico, ou seja, quando por sua prática nascer, modificar, alterar
extinguir um determinado direito.

MUDE SUA VIDA!


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Esse determinado efeito jurídico é o que a doutrina denomina de OBJETO ou CONTEÚDO


do ato.
Ex.: em um decreto de desapropriação, o objeto é a própria desapropriação, em uma
nomeação de concurso o objeto é a própria nomeação.

ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO (CARACTERÍSTICAS)


Já apresentamos a você o conceito e os elementos dos atos administrativos, neste
momento estudaremos os atributos do mesmo.

Os atributos do ato são conhecidos também pela doutrina como características, são elas
que traçam os contornos do mesmo. Nosso objetivo é orientá-lo a identificar nas questões de
provas de forma individualizada cada umas dessas características. Vamos lá! (mnemônico:
PATI)
 P resunção de legitimidade e veracidade;

 A utoexecutoriedade (exigibilidade e executividade);

 T ipicidade (Di Pietro);

 I mperatividade.

PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE (LEGALIDADE)


Por conta desse atributo presume-se que todo ato administrativo praticado pela
administração ou por quem a esteja representando está em consonância (de acordo) com a
lei.
Muita atenção! É frequente o questionamento em questões de prova sobre a natureza
dessa presunção, se ela é ABSOLUTA OU RELATIVA. O que você deverá assinalar como correto
é que temos uma presunção de legitimidade RELATIVA, o que chamamos de presunção “IURIS
TANTUM”, que significa que cabe prova em contrário.
Imagine que um servidor em uma atuaçã o impecá vel esteja sendo perseguindo e venha a
ser demitido em um PAD indevido, o servidor prejudicado posteriormente poderá pleitear a
anulaçã o desse ato de demissã o ilegal?
Resposta: Claro que sim! Justamente por termos nesse ato apenas uma PRESUNÇÃO de
legitimidade.

A doutrina afirma que a presunção de legitimidade inverte o ônus da prova, não cabendo
ao agente público demonstrar que o ato por ele praticado é válido, e sim ao particular
incumbe a prova da ilegalidade caso o ato praticado seja ilegal.

MUDE SUA VIDA!


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IMPORTANTÍSSIMO!

 É UM ATRIBUTO PRESENTE EM TODOS OS ATOS ADMINISTRATIVOS!

 ENQUANTO NÃO FOR DECLARADA A NULIDADE DO ATO ELA PRODUZIRÁ


EFEITOS!
• Exemplo: Imagine um servidor que tenha sido demitido por em sua demissão
injusta, pautada em uma inverdade. Mesmo sendo ilegal, tal demissão produzirá
efeitos até que a própria Administração anule o ato de demissão, de ofício ou
provocado, ou o servidor prejudicado provoque o judiciário para que o mesmo
possa anular tal erro cometido pela administração, mas podemos afirmar com
certeza que o tempo em que a demissão surtiu efeito foi por conta do atributo da
presunção de legalidade.

PRESUNÇÃO DE VERACIDADE
Enquanto na presunção de legitimidade observamos a legalidade do ato, na presunção de
veracidade afirmamos que são verdadeiros os fatos narrados no respectivo ato
administrativo.

Veja, um candidato que quer prestar um concurso para área da segurança pública precisa
apresentar uma certidão de ANTECEDENTES CRIMINAIS, quem vai conceder essa certidão
(ato enunciativo) é o PODER PÚBLICO, e por conta do atributo da PRESUNÇÃO DE
VERACIDADE, podemos presumir que as informações contidas nesse ato são verdadeiras.

AUTOEXECUTORIEDADE
A autoexecutoriedade consiste em atributos pelo qual o ato administrativo pode ser posto
em execução pela própria administração pública sem necessidade de intervenção do Poder
Judiciário.

OBS.! A autoexecutoriedade jamais afasta a apreciação judicial do ato, apenas dispensa


a administração de obter ordem judicial prévia para poder praticá-lo. Afirmamos que nesses
casos o CONTRADITÓRIO, que é uma garantia constitucional, será exercido:

 A posteriori;
 De forma diferida;
 De forma protraída;
 Postergado.

MUDE SUA VIDA!


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A doutrina majoritária vai nos apresentar um desdobramento na Autoexecutoriedade em


DOIS NÍVEIS, são eles:

 EXIGIBILIDADE (multa)
• É o privilégio pelo qual a administração utiliza MEIOS INDIRETOS para
constranger o administrado a adotar determinada conduta, diz-se que a
imposição administrativa é EXIGÍVEL, mas não é EXECUTÓRIA.
EX.: A Administração deve multar o particular em casos de infração às leis de
trânsito, esse ato é exigível, mas não é executório. Pois, se o particular não
efetuar o pagamento da respectiva multa, a própria administração não poderá
por meios próprios retirar do particular bens para quitar o débito, nesse caso ELA
terá de ir ao Poder Judiciário e ajuizar uma ação de execução fiscal para ter a
obrigação satisfeita.

 EXECUTORIEDADE
• É o atributo que permite à Administração executar diretamente a sua decisão
pelo uso da força SEM ir antes a juízo e SEM necessitar do poder judiciário.
Nesse caso a administraçã o emprega MEIOS DIRETOS DE COERÇÃO, obrigando
materialmente o administrado a fazer algo, utilizando-se inclusive da força.
EX.: Quando a Administraçã o por meio de seus agentes apreende de mercadorias
com prazo de validade vencido ou vendidas em local proibido, e reboca carros em
estacionados em locais proibidos.

MUDE SUA VIDA!


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TIPICIDADE
É o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas
previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados. A TIPICIDADE diz
respeito à necessidade de respeitar-se a finalidade específica definida na lei para cada
espécie de ato administrativo, proibindo que a mesma venha a praticar ATOS INOMINADOS!

EX.: a tipicidade proíbe que a regulamentação de determinada lei seja feita por meio de
uma portaria, pois tal situação cabe por força da própria lei a outra categoria de ato
administrativo que é o decreto.

OBS.! A Prof. Maria Silvia Zanella Di Pietro afirma que a tipicidade não se encontra nos
Contratos Administrativos, pois esses são formados a partir de uma bilateralidade de
vontades.
IMPERATIVIDADE
É o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a terceiros,
independentemente de sua concordância.

É a prerrogativa do poder público de, por meios de atos unilaterais, impor obrigações a
terceiros.

A IMPERATIVIDADE decorre do denominado poder EXTROVERSO DO ESTADO. Essa


expressão é utilizada para representar a prerrogativa a qual o poder público tem para praticar
atos que extravasam sua própria esfera jurídica e adentram a esfera jurídica alheia,
alterando-a, independentemente da anuência prévia de qualquer pessoa.

MUITO CUIDADO!
Ao contrário da presunção de legitimidade, a imperatividade é atributo da maioria dos
atos administrativos, mas não estando presente nos:

ATOS ENUNCIATIVOS ATOS NEGOCIAIS


(capa) (Phalava)
C ERTIDOÕ ES P ERMISSOÕ ES DE USO
A TESTADOS H OMOLOGAÇAÃO

P ARECERES A UTORIZAÇAÃO
L ICENÇA
A POSTILAS
A PROVAÇAÃO
V ISTO
A DMISSAÃO

MUDE SUA VIDA!


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EXTINÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO


Segundo o professor CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, um ato administrativo
extingue-se pelas seguintes MODALIDADES:
 1ª - DESAPARECIMENTO DO SUJEITO OU DO OBJETO;

 2ª - CUMPRIMENTO DE SEUS EFEITOS:


• Esgotamento do conteúdo jurídico; por exemplo, o gozo de férias de um
funcionário;
• Execução material; por exemplo, a ordem, executada, de demolição de uma casa;
• Implemento de condição resolutiva ou termo final.

 3ª - RETIRADA DO ATO ADMINISTRATIVO

• CADUCIDADE: é a retirada do ato em razão de nova norma jurídica que tornou


inadmissível a situação que antes era permitida.
Ex.: caducidade de permissão para explorar parque de diversões em local que,
em face da nova lei de zoneamento, tornou-se incompatível.

• CONTRAPOSIÇÃO OU DERRUBADA: é a retirada do ato administrativo pela


edição de um outro ato administrativo, expedido com base em competência
diferente e com efeitos incompatíveis, impedindo a continuidade da sua eficácia.
Os efeitos do primeiro ficam inibidos pelo do segundo.
Ex.: Os efeitos da demissão impedem os efeitos da nomeação.
• CASSAÇÃO: é a retirada do ato administrativo por ter o seu beneficiário
descumprido condição indispensável para a manutenção do ato.
Ex.: Cassação do alvará de funcionamento do pasteleiro por não atingir condições
de higiene.
• RENÚNCIA: é a retirada do ato administrativo eficaz por seu beneficiário não
mais desejar a continuidade dos seus efeitos. A renúncia só se destina aos atos
ampliativos (atos que trazem privilégios), pois seria impensável no particular
renunciando um ato punitivo.
Ex.: Alguém que tem uma permissão de uso de bem público não a quer mais.

• ANULAÇÃO: é a declaração de invalidade de um ato administrativo ILEGÍTIMO


ou ILEGAL, feita pela Administração ou pelo PODER JUDICIÁRIO por motivo de
Ilegitimidade ou Ilegalidade.

Possui o chamado EFEITO EX TUNC, ou seja, retroage até o nascimento do Ato.

Pode ser feita pela própria ADMINISTRAÇÃO por meio do controle de legalidade
pautado no poder de autotutela do Estado. É uma justiça interna, exercida para a
defesa da instituição e da legalidade de seus atos.

Também pode ser feita pelo PODER JUDICIÁRIO, por meio do controle de
legalidade, DESDE QUE haja provocação, ou seja, desde que sejam levados à sua
apreciação pelos meios processuais cabíveis. Aqui não existe a autotutela, pois o
ato está sendo anulado por outro Poder.

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ATOS QUE NÃO PODEM SER ANULADOS


ATO ILEGAL de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários APÓS EM
5 ANOS, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
Por conta da aplicação do Princípio da segurança jurídica.

• REVOGAÇÃO: é a retirada de um ato administrativo legítimo e eficaz, tem seu


fundamento no poder discricionário e somente a própria Administração pode
realizar, por motivo de sua conveniência e oportunidade, sendo por isso
PRIVATIVA da Administração. Possuindo o EFEITO conhecido como EX NUNC.

ATOS QUE NÃO PODEM SER REVOGADOS


1º - Atos consumados (atos que exauriram os seus efeitos).

2º - Atos vinculados (precisamente porque nesses não há os aspectos


concernentes à oportunidade e conveniência).

3º - Meros atos administrativos (como certidões, atestados, votos, porque os


efeitos deles decorrentes são estabelecidos pela lei).

4º - Atos que integram um procedimento, pois a cada novo ato ocorre a


preclusão com relação ao ato anterior.

5º - Atos que já geraram direito adquiridos, segundo entendimento do Supremo


Tribunal Federal.
SÚMULA 473 DO STF
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo
de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

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REPRISTINAÇÃO

Na revogação não ocorre a chamada repristinação automática do ato


administrativo. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno
da REPRISTINAÇÃO, salvo se a nova lei expressamente assim se pronunciar.
Temos um primeiro ato que foi revogado por um segundo ato, logo após vem
um terceiro ato e revoga o segundo. A revogação do segundo não vai trazer
o primeiro ato de volta. A não ser que o terceiro ato traga essa vontade de forma
expressa e inquestionável.

REVOGAÇÃO E DEVER DE INDENIZAR


Já estudamos que só é possível revogar um ato que seja legal e discricionário. Nos atos
discricionários temos também a figura da precariedade, ou seja, neles, via de regra, não há
direito adquirido, porém, a doutrina tem admitido a possibilidade de indenização aos
particulares prejudicados pela revogação, desde que tenha ocorrido a extinção antes do
prazo eventualmente fixado para permanência da vantagem
VÍCIOS NOS ELEMENTOS DO ATO
O vício nos elementos do ato administrativo tem por base a lei 4717/1965 que é a lei de
ação popular, muitas questões de prova cobram apenas os artigos, mas vamos aprofundar os
estudos nos vícios de cada um dos elementos.
VÍCIO DE COMPETÊNCIA
LEI 4717/65
Art. 2º parágrafo único, a) a incompetência fica caracterizada
quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente
que o praticou;

Costumeiramente a doutrina apresenta três. São eles:

1º - EXCESSO DE PODER.
2º- USURPAÇÃO DE FUNÇÃO.
3º - FUNÇÃO “DE FATO”.

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 EXCESSO DE PODER: Ocorre quando o agente público excede os limites de sua


competência atuando FORA OU ALÉM de sua esfera de atribuições estabelecida em
lei.
• Exemplo 1: nos termos do artigo 17 do código de processo penal, a autoridade
policial é quem deve presidir o inquérito policial e a autoridade policial é o
Delegado de Polícia, se um inspetor ou investigador da polícia Civil baixar uma
portaria para iniciar um inquérito policial teremos um ato viciado na
competência por excesso de poder, justamente pelo fato desse servidor não
possuir tal competência em seu rol de atribuições.

• Exemplo 2: no que se refere ao decreto autônomo sabemos que nos termos do


artigo 84, inciso VI da constituição federal quem deve utilizá-lo é o Presidente da
República, mas o próprio parágrafo único do referido artigo permite sua
delegação para os ministros de estado, advogado-geral da união e para o
procurador-geral da República, se algum desses agentes praticarem um decreto
autônomo sem a referida delegação, teremos um decreto autônomo viciado na
competência por excesso de poder.

 USURPAÇÃO DE FUNÇÃO: Positivado em nosso código penal em seu artigo 328,


usurpador de função é aquela pessoa que de nenhuma forma teve algum tipo de
vínculo com a administração pública, determinado sujeito ativo da conduta
delituosa criminal se passa por um agente público, praticando atos administrativos
como se fosse um agente de verdade.
• Exemplo: seria o caso de uma pessoa que, embora não tenha sido investida no
cargo de delegado de polícia, começa a praticar atos privativos desse cargo.
MUITO CUIDADO!
Caso seja indagado em prova se os atos praticados pelo usurpador de função
deverão ser anulados ou já nascem nulos, você, candidato deverá considerar a
questão equivocada, pois para doutrina os atos praticados por tal usurpador de
função SÃO INEXISTENTES!

 FUNÇÃO DE FATO: para que possamos dizer que uma pessoa é detentora de um
cargo público sem nenhuma irregularidade, dizemos que ele é um servidor de fato
e de direito. A função de fato nasce quando determinada pessoa não detém o direito
de estar naquele cargo público, porém o está de fato. Para a doutrina seriam aqueles
casos em que a pessoa não possui os requisitos necessários para investidura no
cargo público.

• Exemplo: Candidato de concurso público que toma posse em cargo de delegado


de polícia sem o respectivo diploma de direito, que é uma exigência trazida pela
própria lei do cargo.
MUITO CUIDADO!
As questões de prova que afirmarem que os atos praticados pelo agente de fato
serão nulos ou anuláveis ou até mesmo inexistentes, tais afirmativas deverão ser
assinaladas como errada, pois temos a aplicação de uma teoria no ordenamento
jurídico brasileiro que validará os atos praticados por tais agentes, é a denominada
teoria da aparência. Por meio dela os atos praticados pelo agente de fato serão
considerados válidos.

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VÍCIO DE FINALIDADE
(DESVIO DE PODER OU DESVIO DE FINALIDADE)

LEI 4717/65
Art. 2º parágrafo único e) o desvio de finalidade se verifica
quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele
previsto, explícita ou implicitamente, na regra de
competência.

A finalidade será maculada quando determinado agente público no exercício de suas


atribuições exercer um ato administrativo, procurando alcançar uma finalidade diferente
proposta nas regras de competência.
O agente público pode até deter determinada competência, sendo que, por conta do
princípio da impessoalidade, ele não pode fazer o que quiser, ou seja, não pode agir de forma
pessoal. Todo ato administrativo precisa alcançar a finalidade pública para qual foi praticado,
se o agente, ao atuar, estiver agindo de forma pessoal, mesmo que ele tenha competência para
praticá-lo, violará finalidade do ato.
Exemplos muito comuns em provas de concurso é a remoção no intuito de punir o
servidor, sabemos que a remoção é um ato que está inserido dentro do ordenamento jurídico
brasileiro e serve para deslocamento do servidor, muitas vezes de ofício, por interesse da
administração, outras vezes a pedido do servidor, por motivos particulares. Sendo praticado
dessas formas, será um ato lı́cito, poré m se a autoridade competente, ao remover o servidor,
praticar tal ato com o intuito de puni-lo, teremos um ato maculado em sua FINALIDADE.
Outro exemplo trazido pela doutrina é quando o chefe do poder executivo ao editar um
decreto de desapropriaçã o, desapropria um imó vel de um desafio é tico-polı́tico. Sabemos que
a desapropriaçã o de imó veis para atender a finalidade pú blica como construir um viaduto, uma
escola pú blica ou um hospital atende o interesse da coletividade, mas quando o administrador
desapropria a casa de um inimigo, ele está agindo de forma pessoal. Portanto maculando o
princı́pio da impessoalidade que, por sua vez, viola o elemento finalidade do ato administrativo.

IMPORTANTE
Estudaremos a convalidação um pouco mais à frente, mas já para adiantar, o
vício na finalidade não pode ser convalidado, portanto caso haja um vício nesse
elemento o mesmo deverá ser anulado, ele é impossível de ser convalidado.

ESQUEMATIZANDO

ABUSO DE PODEER

EXCESSO DE PODER DESVIO DE PODER

VÍCIO NA VÍCIO NA
COMPETÊNCIA FINALIDADE

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TREDESTINAÇÃO
Muito cuidado com algumas questões de provas sobre a tredestinação. Temos a
tredestinação simples que sempre violará a finalidade do ato administrativo, porém se
cobrarem prova do instituto da tredestinação lícita, você meu amigo, minha amiga, deverá
marcar que ela é aceita pelos nossos tribunais.
A Tredestinação ocorre quando determinado administrador desapropria um bem imóvel
e não cumpre a finalidade pública especificada no decreto de desapropriação. Porém é possível
que motivos supervenientes façam um administrador ter a intenção de trocar a finalidade
específica para a qual fora desapropriada aquele referido imóvel.
Exemplo: um imóvel foi desapropriado para fazer uma escola e com o passar do tempo,
antes do início das obras, o administrador teve, porém, o intento de fazer no terreno daquele
móvel um hospital público, porque a saúde daquele determinado lugar estava indo pior do que
educação. Quando nos deparamos com essa situação teremos uma TREDESTINAÇÃO LÍCITA,
justamente porque a finalidade específica não foi atendida, mas a finalidade pública geral sim,
devendo o ato ser preservado.
VÍCIO NA FORMA
LEI 4717/65
Art. 2º parágrafo único b) o vício de forma consiste na omissão
ou na observância incompleta ou irregular de formalidades
indispensáveis à existência ou seriedade do ato.

Em relação ao vício na forma, deve-se ter em mente que ele consistirá numa omissão ou na
observância incompleta ou irregular às formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato.
Quando a lei determinar a maneira como o ato será praticado, o administrador deverá obedecer essas
formalidades, se não o fizer ou fizer de forma incompleta, teremos vício elemento OBJETO.
Exemplo: a lei 9.784/99 em seu artigo 50 diz que os atos a serem praticados deverão ser
motivados, então, via de regra, quando um agente público deixar de motivar um ato, teremos o vício na
forma, porque a própria lei estabelece que o ato, ao ser praticado, precisa ser motivado.

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com


indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:
I - Neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;

II - Imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;

III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção


pública;

IV - Dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo


licitatório;

V - Decidam recursos administrativos;

VI - Decorram de reexame de ofício;

VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão


ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios
oficiais;

VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou


convalidação de ato administrativo.

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TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES


Essa teoria nos informa que os fundamentos de fato de um ato administrativo indicados
pela motivação, depende da veracidade dos motivos alegados, vinculando a Administração
Pública aos motivos apresentados na prática do respectivo ato administrativo.
Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja
expressamente imposto a obrigação de enunciá-los, o ato será válido se esses realmente
ocorreram e o justificavam.
Cite-se, por exemplo, nomeação e exoneração para cargos comissionados, o
ordenamento jurídico brasileiro não nos obriga a motivar tais atos, mas se uma autoridade
competente nomear ou exonerar alguém de um cargo comissionado, e ao fazê-lo motivar a
prática do ato, essa motivação precisa ser verdadeira, se o que ele usou para motivar for falso,
teremos um ato viciado por conta da teoria dos motivos determinantes.
IMPORTANTÍSSIMO!
Quando houver AUSÊNCIA de motivação (declaração escrita dos motivos que
ensejaram a prática do ato) nos atos nos quais ela for obrigatória, acarretará a
nulidade do ato, por VÍCIO DE FORMA. Mas quando se é apresentado um motivo e
o mesmo é falso, então o vício estará no MOTIVO do ato.

VÍCIO DE MOTIVO
LEI 4717/65
Art. 2º parágrafo único d) a inexistência dos motivos se verifica
quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta
o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente
inadequada ao resultado obtido.

Ocorre quando a matéria de fato ou de direito em que se fundamenta o ato é


materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido.
O motivo é elemento do ato que está relacionado ao pressuposto de fato e de direito
para a prática do mesmo, então se a administração pública precisa de um motivo para praticar
um ato, encontrarei o vício no motivo quando ela pratica um ato e não tiver um motivo, ou
quando o motivo apresentado for ilegítimo ou juridicamente na adequado.
Exemplo: o servidor público para alcançar a estabilidade precisa, a partir do exercício, esperar
um prazo de 3 anos, período esse em que o servidor estará sujeito ao estágio probatório e nesse estágio
ele será avaliado por alguns critérios que segundo a lei 8.112/90 serão os seguintes: assiduidade,
disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade. Caso o servidor seja totalmente
eficiente deverá por consequência ganhar estabilidade, caso venha receber como surpresa uma
exoneração por inassiduidade, por exemplo. Será possível dizer que exoneração está viciada no motivo
justamente pela inexistência de inassiduidade.

VÍCIO DE OBJETO
LEI 4717/65
Art. 2º parágrafo único c) a ilegalidade do objeto ocorre
quando o resultado do ato importa em violação de lei,
regulamento ou outro ato normativo.

Ocorre quando o RESULTADO DO ATO importar VIOLAÇÃO de lei, regulamento ou


outro ato normativo.

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Para enxergar o vício no objeto, faz-se necessário relembrar o que ele é. Segundo a
doutrina majoritária, o objeto é o conteúdo do ato, ou seja, o efeito jurídico imediato que ele
produz, exemplo: ao interditar um estabelecimento comercial, o objeto interdição é a suspensão
das atividades por determinado período ou até mesmo a sua supressão total. Quando um
servidor é demitido, o efeito (objeto ou conteúdo) dessa demissão é a punição e a consequência
vacância do cargo.
Caso a Administração pratique um o ato, buscando um conteúdo ilegal ou buscando
conteúdo juridicamente impossível, estaria violando objeto. Pois pautado com o que o código
civil estabelece em seu artigo 104, o OBJETO deve ser:

 LÍCITO;
 POSSÍVEL;
 DETERMINADO; ou
 DETERMINÁVEL.
Exemplos de vícios e objetos trazidos pela professora MARIA SYLVIA ZANELLA DI
PIETRO:
 Ilícito: um Município que desaproprie bem imóvel da União;

 Impossível: a nomeação para um cargo inexistente;

 Imoral: Parecer emitido sob encomenda, apesar de contrário ao entendimento de


quem o profere;

 Incerto em relação aos destinatários, às coisas, ao tempo, ao lugar:


desapropriação de bem não definido com precisão.
VÍCIOS QUE ADMITEM CONVALIDAÇÃO
Convalidação ou saneamento é a eliminação do vício existente em um ato ilegal, com
efeitos retroativos (EX TUNC) à data em que esse foi praticado.
Os vı́cios relativos à COMPETEÊ NCIA e à FORMA (mnemô nico: FOCO) podem ser
convalidados. Os outros elementos, se estiverem viciados, geram nulidade absoluta, ou seja,
nã o permitem a convalidaçã o do ato.
LEI 9.784/99
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão
ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que
apresentarem DEFEITOS SANÁVEIS poderão SER
CONVALIDADOS pela própria Administração.
É bem verdade que 80% das questões de prova que fala sobre convalidação você
conseguirá acertar tendo em vista que os elementos que podem ser convalidados serão FORMA
E COMPETÊNCIA, porém para o professor José dos Santos Carvalho Filho, é possível que
haja uma convalidação no elemento “objeto” caso ele seja “plúrimo”. Levando em
consideração as questões de concursos que adotam a doutrina do prestigiado professor,
transcrevo abaixo as formas de convalidação trazidas pelo ilustre mestre, são elas:

RATIFICAÇÃO: “é o ato administrativo pelo qual o órgão competente


decide sanar um ato inválido anteriormente praticado, suprindo a
ilegalidade que o vicia”. A autoridade que deve ratificar pode ser a
mesma que praticou o ato anterior ou um superior hierárquico.

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REFORMA: ocorre quando um novo ato suprime a parte inválida do


ato anterior, mantendo sua parte válida. Ex.: ato anterior concedia
licença e férias a um servidor; se verifica depois que não tinha direito à
licença, pratica-se novo ato, retirando essa parte do ato anterior, e se
ratifica a parte relativa às férias.

CONVERSÃO: ocorre quando a Administração, depois de retirar a


parte inválida do ato anterior, processa a sua substituição por uma
nova parte, de modo que o novo ato passa a conter a parte válida
anterior e uma nova, nascida com o ato de aproveitamento. Ex.: um ato
promoveu A e B por merecimento e antiguidade, respectivamente;
verificando após que não deveria ser B, mas C o promovido por
antiguidade, a Administração pratica novo ato, mantendo a promoção de
A (que não teve vício) e insere a de C, retirando a de B, por ser essa
inválida.

(Manual de Direito Administrativo – 33ª edição - Jose dos Santos


Carvalho Filho; p. 275)
CONFIRMAÇÃO
A CONFIRMAÇÃO NÃO é forma de CONVALIDAÇÃO porque ela não corrige o vício do ato,
ela o mantém tal como foi praticado. A própria administração pode deixar de fazê-lo por razões
de interesse público quando a anulação possa causar prejuízo maior do que a manutenção
do ato.

Outra hipótese de CONFIRMAÇÃO é a que ocorre em decorrência da decadência do


direito de anular o ato. Seria uma confirmação tácita, ou seja, uma confirmação pelo decurso do
tempo.
Aqui não há propriamente renúncia da Administração, mas impossibilidade
decorrente da prescrição.

LEI 9784/99
“Art. 54. O direito da Administração de anular os atos
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os
destinatários decai em 5 anos, contados da data em que foram
praticados, salvo comprovada má-fé”.

CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS


Em relação à classificação dos atos administrativos, fiz um compilado dos doutrinadores
clássicos HELY LOPES MEIRELLES e MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, pois são os mais
cobrados em prova. Acerca da classificação dos atos, cada doutrinador gosta de trabalhar a sua
maneira, como nosso alvo é preparar você para as bancas tradicionais de concurso público,
preferimos adotar esse método de estudo.

Segue a lição dos grandes mestres!

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QUANTO AO REGRAMENTO
 ATOS VINCULADOS
• São atos regrados em que a lei estabelece condições e requisitos legais para a sua
realização, a Administração Pública atuará sem liberdade, mas dentro dos limites
legais impostos por lei.

 ATOS DISCRICIONÁRIOS
• A Administração Pública tem liberdade de ação. É ela que escolhe seu motivo, seu
conteúdo, seus destinatários no momento de sua conveniência, oportunidade e
modo de sua realização.
QUANTO AO OBJETO
 GESTÃO
• São atos praticados SEM USAR A SUPREMACIA sobre os destinatários. São
sempre atos da administração. Ocorrem nos atos Negociais – (PALAVAH) – de
bens e serviços públicos.

 EXPEDIENTE
• São sempre atos internos que dão ANDAMENTO AOS PROCESSOS NAS
REPARTIÇÕES.

 IMPÉRIO
• Esses atos USAM A SUPREMACIA SOBRE O ADMINISTRADO OU SERVIDOR. São
atos obrigatórios, unilaterais, revogáveis e modificáveis a critério da
administração.
QUANTO AO DESTINATÁRIO
 ATOS INDIVIDUAIS
• Sempre tem destinatário certo, específico. Também são chamados de atos
especiais.

 ATOS GERAIS
• Sem destinatários (atingem a todos que se encontram na mesma situação) com
fim normativo ou ordinatório, eles prevalecem sobre os atos individuais que vem
da mesma autoridade. Esses atos dependem de publicação em órgão oficial
quando visam ter efeitos externos.
QUANTO AO ALCANCE
 ATOS EXTERNOS
• Alcançam os administrados, os contratados e os servidores, incidindo sobre seus
direitos e obrigações. Só vigoram após publicação EM ÓRGÃO OFICIAL pois tem
interesse público.

 ATOS INTERNOS
• Ocorre somente no interior das repartições. Não produz efeito a estranho. NÃO
DEPENDEM DE PUBLICAÇÃO. Incidem sobre os órgãos e agentes da
administração que os expediu.
Podem ser: gerais normativos, ordinatório, punitivo, etc.

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QUANTO À FORMAÇÃO
Sem sombra de dúvida temos aqui a classificação mais cobrada em concurso público, o
candidato tem de ter em mente que em relação ao critério de formação o que deve ser analisado
é a manifestação. Se ela for de um órgão, o ato será simples; se for uma manifestação de um
órgão, mas que precisa da ratificação de outro órgão, será um ato composto; se temos a
manifestação de dois órgãos para praticar apenas um ato, então teremos um ato complexo.
 COMPLEXO
• É o que se forma pela conjugação da vontade de mais de um órgão. É o concurso
de vontades de órgãos diferentes para a formação de um único ato.
Ex.: aposentadoria do servidor e nomeação para os ministros do Supremo
Tribunal Federal.

 COMPOSTO
• É o que resulta da vontade de um único órgão, mas depende da verificação e
ratificação por parte de outro órgão para se tornar possível de ser executado.
Ex.: um ato de autorização sujeito a outro ato para confirmá-lo.

 SIMPLES
• É o que resulta da manifestação de vontade de um único órgão unipessoal ou
colegiado. O que importa é a vontade unitária que expressam.
Ex.: Unitário (O despacho de um chefe de seção é ato simples). Colegiado (A
decisão de conselho de contribuintes).
QUANTO À EFICÁCIA
 VÁLIDO
• É o que provém de autoridade competente para praticá-lo e contém todos os
requisitos necessários à sua eficiência.

 INEXISTENTE
• É o que apenas tem aparência de manifestação da administração. Não chega a se
aperfeiçoar como ato administrativo.
Ex.: Usurpação de ato público praticado por quem não era competente.

 NULO
• É o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou defeito substancial em
seus elementos constitutivos.
QUANTO À EXEQUIBILIDADE
 PERFEITO
• É aquele que está em condições de produzir efeitos jurídicos, porque já
completou todo o seu ciclo de formação.

 PENDENTE
• É aquele, embora perfeito, não produz seus efeitos por não ter sido verificado o
termo ou a condição de que depende sua execução ou operabilidade.
 IMPERFEITO
• É o que se apresenta incompleto na sua formação ou carente de um ato
complementar (que ratifica ou aprova) para se tornar exequível ou operante.

 CONSUMADO
• É o que produziu todos os seus efeitos, tornando-se por isso mesmo, irretratável
ou imodificável por lhe faltar objeto.

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QUANTO AOS EFEITOS


 CONSTITUTIVOS
• É aquele pelo qual a Administração cria, modifica ou extingue um direito ou uma
situação do administrado. É o caso da permissão, autorização, dispensa, aplicação
de penalidade, revogação.

 ENUNCIATIVOS
• É aquele pelo qual a Administração apenas atesta ou reconhece determinada
situação de fato ou de direito. Alguns autores acham, com razão, que esses atos
não são atos administrativos propriamente ditos, porque não produzem efeitos
jurídicos.

 DECLARATÓRIOS
• É aquele em que a Administração apenas reconhece um direito que já existia
antes do ato. Como exemplo, podem ser citadas a admissão, licença, homologação,
isenção, anulação.

DEFINIÇÕES DAS ESPÉCIES DOS ATOS


P UNITIVOS - O RDINÁRIOS - N ORMATIVOS - N EGOCIAIS - E NUNCIATIVOS

PUNITIVOS
 MULTA – Multa Administrativa é toda imposição pecuniária que se sujeita o
administrado a título de compensação do dano causado pela infração; nessa
modalidade constam as multas fiscais do direito tributário.

 INTERDIÇÃO DE ATIVIDADE – É o ato pelo qual a Administração veda a alguém a


prática de atos sujeitos a seu controle ou que incidam sobre os seus bens.

 DESTRUIÇÃO DE COISA – É o ato pelo qual se inutilizam alimentos, substâncias,


objetos ou instrumentos nocivos ao consumo ou de uso proibido por lei.

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ORDINÁRIOS
 CIRCULARES – São ordens uniformes expedidas a determinados funcionários
incumbidos de certas tarefas ou atribuições em circunstâncias especiais.

 OFÍCIOS – São comunicações escritas que as autoridades fazem entre si, entre
subalternos e superiores e entre a Administração e o particular.

 PORTARIAS – São atos internos pelos quais os chefes dos órgãos das repartições ou
serviços expedem determinações gerais ou especiais aos seus subordinados.

 AVISOS – São atos emanados dos Ministros de Estado a respeito de assuntos


referentes aos seus ministérios.

 DESPACHOS – São decisões que as autoridades executivas ou legislativas e judiciárias,


em função administrativa, proferem em papéis, em requerimentos e em processos
que estiveram sujeitos à sua apreciação.

 ORDENS DE SERVIÇO – São determinações especiais dirigidas aos responsáveis por


obras ou serviços públicos, autorizando seu início ou contendo imposições ou
especificações sobre o modo e a forma de sua realização.

 INSTRUÇÕES – São ordens escritas e gerais a respeito do modo e forma de execução


de determinado serviço público expedida pelo superior hierárquico para orientar os
subalternos em suas atribuições.

NORMATIVOS
 DECRETOS – São atos de competência exclusiva do chefe do poder executivo
destinados a prover situações gerais ou individuais. Ele é normativo ou geral. Ele
está sempre em situação inferior a lei.

 DELIBERAÇÕES – São atos emanados de órgãos colegiados.

 RESOLUÇÕES – São atos expedidos pelas altas autoridades do poder executivo que
servem para disciplinar matérias de sua competência.

 REGULAMENTOS – Servem para especificar a lei ou prover situações ainda não


disciplinadas por lei.

 REGIMENTO – São atos de atuação interna que se destinam a reger o funcionamento


de órgãos colegiados e corporações legislativas.

 INSTRUÇÕES NORMATIVAS - são atos administrativos expedidos pelos Ministros de


Estado para a execução das leis, decretos e regulamentos.

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NEGOCIAIS
 PERMISSÕES – É o ato discricionário e precário pelo qual o poder público permite
ao particular “a execução de serviços de interesse coletivo” ou “o uso especial de
bens públicos”, podendo ser gratuito ou remunerado a critério da administração.

 AUTORIZAÇÕES – É ato discricionário e precatório pelo qual o poder público torna


possível ao pretendente de certa atividade e serviços ou utilização de determinados
bens particulares ou públicos.

 LICENÇA – É ato vinculado e definitivo pelo qual o poder público faculta algo
interessado que atendeu a todas as exigências, o desempenho de atividades ou
realização de fatos materiais antes vedados ao particular.

 APROVAÇÃO – É o ato pelo qual o poder verifica a legalidade e o mérito de outro ato e
de realizações materiais de seus próprios órgãos, de outras entidades ou de
particulares.

 VISTO – É ato pelo qual o poder público controla outro ato da própria administração,
dando-lhe legitimidade formal para poder ser executado.

 ADMISSÃO – É ato vinculado pelo qual o poder público defere determinada situação
jurídica de seu exclusivo interesse como ocorre no concurso de habilitação.

 HOMOLOGAÇÃO – É ato de controle pelo qual a autoridade superior examina a


legalidade e a conveniência de um ato anterior praticado pela própria
administração, por outra entidade ou por particular para dar-lhe eficácia.
ENUNCIATIVOS
 CERTIDÕES – Certidões Administrativas são cópias fiéis e autenticadas de atos ou
fatos que constam em processos, livros ou documentos das repartições públicas.

 ATESTADOS – Atestados Administrativos são atos pelos quais a Administração


Pública comprova o fato ou situação de que tenha conhecimento por órgãos
competentes.

 APOSTILA – São atos enunciativos ou declaratórios de uma situação anterior criada


por lei. Apostilar significa averbar, contar, registrar. Ex.: averbação de tempo de
serviço.

 PARECERES – Pareceres Administrativos são manifestações de caráter meramente


opinativos feitos por órgãos técnicos sobre assuntos submetidos à sua
consideração

LIÇÃO DO MESTRE OSWALDO ARANHA BANDEIRA DE MELLO


(Grifos nossos)
“O PARECER pode ser de três espécies:

O parecer é facultativo quando fica a critério da Administração solicitá-


lo ou não, além de não ser vinculante para quem o solicitou. Se foi
indicado como fundamento da decisão, passará a integrá-la, por
corresponder à própria motivação do ato.

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O parecer é obrigatório quando a lei o exige como pressuposto para a


prática final do ato. A obrigatoriedade diz respeito à solicitação do
parecer (o que não lhe imprime caráter vinculante). Por exemplo, uma
lei que exija parecer jurídico sobre todos os recursos encaminhados ao
Chefe do Executivo; embora haja obrigatoriedade de ser emitido o
parecer sob pena de ilegalidade do ato final, ele não perde seu caráter
opinativo. Mas a autoridade que não o acolhe deverá motivar a sua
decisão.

O parecer é vinculante quando a Administração é obrigada a solicitá-


lo e a acatar sua conclusão”.

EXERCÍCIO
ANO: 2020. BANCA: IBFC ÓRGÃO: TRE-PA PROVA: Analista Judiciário – Administrativa.
16. No que diz respeito aos atos da Administração e aos atos administrativos, analise as
afirmativas abaixo:

I. A expressão "ato da Administração" tem sentido mais amplo do que a expressão "ato
administrativo", que abrange apenas determinada categoria de atos praticados no
exercício da função administrativa.

II. Os atos de direito privados exercidos pela Administração Pública são espécies dos
chamados "atos da Administração".

III. É possível definir ato administrativo como a declaração do Estado ou de quem o


represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime
jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário.

Assinale a alternativa correta.

a) As afirmativas I, II e III estão corretas.

b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.

c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.

d) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.

GABARITO: LETRA A
SOLUÇÃO RAPIDA
I. A expressão "ato da Administração" tem sentido mais amplo do que
a expressão "ato administrativo", que abrange apenas determinada
categoria de atos praticados no exercício da função administrativa.
(Correta)

MUDE SUA VIDA!


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Afirmativa correta, pois falo que eu tenho um ato da administração, que eu


envolvo todo e qualquer ato praticado pela administração pública, seja ele regido
pelo Direito público seja ele regido pelo direito privado.

II. Os atos de direito privados exercidos pela Administração Pública são


espécies dos chamados "atos da Administração”. (Correta)
Afirmativa também correta, pois os atos que a administração pública prática no
seu cotidiano, que são necessariamente regidos pelo direito privado, não se
enquadram na categoria dos atos administrativos, mas sim atos da administração.

III. É possível definir ato administrativo como a declaração do Estado


ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com
observância da lei, sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle
pelo Poder Judiciário. (Correta)
Estamos diante do conceito da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro que
transcrevo abaixo:

“Pode-se definir o ato administrativo como a declaração do Estado ou de quem


o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob
regime jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário. ”

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p. 456)

SOLUÇÃO COMPLETA

I. A expressão "ato da Administração" tem sentido mais amplo do que


a expressão "ato administrativo", que abrange apenas determinada
categoria de atos praticados no exercício da função administrativa.
(Correta)
Para entender o que seria um ato administrativo primeiro temos que saber que
ele é uma espécie de ato jurídico. O ato jurídico é qualquer manifestação unilateral
de vontade do homem que terá consequências no mundo jurídico.

O ato da administração por sua vez é uma espécie de ato jurídico, pois podemos
defini-lo como uma manifestação unilateral de vontade praticado pela administração
pública para produzir efeitos jurídicos imediatos, sejam eles de direito público, sejam
eles de direito privado.

O ato administrativo por sua vez é uma espécie de ato da administração. Toda
manifestação unilateral de vontade da administração pública como já vimos é um ato
da administração, mas quando essa vontade unilateral é praticada
obrigatoriamente sob regime de direito público, aí temos de fato um ato
administrativo, portanto a afirmativa se encontra correta, pois o ato administrativo
abrange apenas alguns dos atos praticados pela administração pública, os demais
são considerados atos da administração.

Podemos dizer então que nem todo ato jurídico é propriamente um ato da
administração, e que nem todo ato da administração é necessariamente um ato
administrativo:

MUDE SUA VIDA!


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ESQUEMATIZANDO:
ATO JURÍDICO: qualquer manifestação unilateral humana voluntária.

ATO DA ADMINISTRAÇÃO: qualquer manifestação unilateral voluntária da


Administração Pública.

ATO ADMINISTRATIVO: qualquer manifestação unilateral da Administração


Pública voluntária obrigatoriamente regida pelo DIREITO PÚBLICO.

II. Os atos de direito privados exercidos pela Administração Pública são


espécies dos chamados "atos da Administração”. (Correta)
De fato, a afirmativa II também está correta, a professora Maria Sylvia Zanella
di Pietro afirma que todo e qualquer ato praticado pela administração pública em
condições de igualdade sem se valer das prerrogativas de direito público são
chamados de atos da administração. A própria mestra leciona que a expressão “ato
da administração” tem sentido mais amplo do que a expressão “ato administrativo”.

A prestigiada professora nos fornece os seguintes exemplos:

1-Os atos de direito privado (doação, permuta, compra e venda, locação);

2-Os atos políticos (iniciativa de leis, sanção ou veto a projetos de lei,


celebração de tratados internacionais, decretação do estado de sítio);

3-Os contratos (de forma mais específica é um ato bilateral);

4-Os atos administrativos (serão marcados pelo regime jurídico de direito


público).

III. É possível definir ato administrativo como a declaração do Estado


ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com
observância da lei, sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle
pelo Poder Judiciário. (Correta)
Estamos diante do conceito da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro que
transcrevo abaixo:

“Pode-se definir o ato administrativo como a declaração do Estado ou de quem


o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob
regime jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário. ”

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p. 456)

Analisando seu conceito, é possível perceber que o ato administrativo é uma


declaração praticada pelo Estado, mas também pelos delegatários, pois os mesmos
representam o estado na prestação do serviço público. Também é possível dizer que
um ato não pode ser praticado se não obedecer à lei por conta do princípio da
legalidade, e também excluir os atos de direito privado, os atos políticos e os atos
materiais do conceito de ato administrativo, já que ele (ato administrativo) será
necessariamente regido pelo DIREITO PÚBLICO. Uma outra lição que é possível
retirar do conceito da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro é que o poder judiciário

MUDE SUA VIDA!


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pode exercer o controle externo de legalidade sobre os atos administrativos, tal


controle tem a capacidade de anular os atos administrativos, caso estejam eivados
de vícios que os tornem inválidos.

ANO: 2019. BANCA: CESPE ÓRGÃO: TJ-PA PROVA: Juiz de Direito Substituto.
17. De acordo com a doutrina administrativista clássica e majoritária, são atributos dos atos
administrativos

a) o sujeito, o objeto e a tipicidade.

b) a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade.

c) a autoexecutoriedade, a tipicidade e a finalidade.

d) a imperatividade, a finalidade e a presunção de legitimidade.

e) a finalidade, o sujeito e o objeto.

GABARITO: LETRA B
SOLUÇÃO RÁPIDA
a) o sujeito, o objeto e a tipicidade.
“O sujeito, o objeto e a tipicidade”. A opção está equivocada, pois o sujeito e
objeto não fazem parte dos atributos, e sim dos elementos constitutivos do ato
administrativo.
b) a presunção de legitimidade, a imperatividade e a
autoexecutoriedade.
É o gabarito da questão, pois temos a presunção de legitimidade,
imperatividade e autoexecutoriedade, e a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro
também afirma existir com atributo dos atos atipicidade.
c) a autoexecutoriedade, a tipicidade e a finalidade.
“A autoexecutoriedade, a tipicidade e a finalidade”. A opção está incorreta, pois
apesar de a autoexecutoriedade e a tipicidade serem de fato atributos do ato, a
finalidade é um elemento ou requisito de validade.
d) a imperatividade, a finalidade e a presunção de legitimidade.
“À imperatividade, a finalidade e a presunção de legitimidade”. A letra D
mantém o mesmo erro da letra C, em que a finalidade foi colocada como um atributo
sendo que ela é um requisito.
e) a finalidade, o sujeito e o objeto.
“A finalidade, o sujeito e o objeto”. Está opção está totalmente equivocada, pois
os três elementos apresentados quais sejam, finalidade, sujeito e objeto não se
confundem com os atributos do ato.

MUDE SUA VIDA!


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Solução completa

a) o sujeito, o objeto e a tipicidade.


A opção está errada, pois o sujeito e objeto são elementos e não atributos. O
elemento sujeito competente tem por conceito a delimitação das competências
atribuídas a um órgão ou entidade, e o objeto tem por conceito o conteúdo do ato, é
o efeito jurídico imediato que ele produz. A questão cita a tipicidade, esse sim é um
atributo, e sua atuação existe em dizer que o ato administrativo deve corresponder
a figuras definidas previamente pela lei como aptas a produzir determinados
resultados. A TIPICIDADE diz respeito à necessidade de respeitar-se à finalidade
específica definida na lei para cada espécie de ato administrativo, proibindo que a
mesma venha a praticar ATOS INOMINADOS.

b) a presunção de legitimidade, a imperatividade e a


autoexecutoriedade.
É o gabarito da questão e, portanto, tecerei comentários acerca de cada
atributo.
A presunção de legitimidade é o atributo que afirma que os atos ao serem
praticados serão presumidamente legítimos, seu fundamento se encontra no princípio
da legalidade, pois tudo que a administração pública deve fazer precisa estar
tipificado em lei. Essa presunção é conhecida como de iuris tantum (relativa), pois
cabe prova em contrário, ele também tem a capacidade de fazer com que os atos
administrativos produzam efeitos mesmo sendo ilegais, e a doutrina fala que esse
atributo tem o poder de inverter o ônus da prova.
Na imperatividade temos a manifestação do poder extroverso pelo qual a
administração pública tem a capacidade de impor vontade aos particulares,
independente da anuência desses.
Na autoexecutoriedade temos a capacidade de administração pública praticar
atos administrativos sem prévia ordem judicial, muita atenção, pois esse atributo
não tem a capacidade de retirar o direito ao contraditório e a ampla defesa dos
particulares, mas sim possui a capacidade de deslocá-lo para depois. Chamado de
contraditório diferido, postergado ou feito a posteriori.

c) a autoexecutoriedade, a tipicidade e a finalidade.


A autoexecutoriedade consiste em atributos pelo qual o ato administrativo
pode ser posto em execução pela própria administração pública, sem necessidade de
intervenção do Poder Judiciário. A doutrina majoritária vai nos apresentar um
desdobramento na Autoexecutoriedade em DOIS NÍVEIS, são eles:
1º- EXIGIBILIDADE (multa):
• é o privilégio pelo qual a administração utiliza MEIOS INDIRETOS para
constranger o administrado a adotar determinada conduta, diz-se que a imposição
administrativa é EXIGÍVEL, mas não é EXECUTÓRIA.
2º- EXECUTORIEDADE:
• é o atributo que permite que a Administração execute diretamente a sua
decisão pelo uso da força SEM ir antes a juízo, e SEM necessitar do poder judiciário.

MUDE SUA VIDA!


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Nesse caso a administração emprega MEIOS DIRETOS DE COERÇÃO, obrigando


materialmente o administrado a fazer algo, utilizando-se inclusive da força.

A tipicidade é o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a


figuras definidas previamente pela lei como aptas a produzir determinados
resultados. A TIPICIDADE diz respeito à necessidade de respeitar a finalidade
específica definida na lei para cada espécie de ato administrativo, proibindo que a
mesma venha a praticar ATOS INOMINADOS!

EX.: a tipicidade proíbe que a regulamentação de determinada lei seja feita por
meio de uma portaria, pois tal situação cabe por força da própria lei a outra categoria
de ato administrativo que é o decreto.

OBS.! A Prof. Maria Silvia Zanella Di Pietro afirma que a tipicidade não se
encontra nos Contratos Administrativos, pois esses são formados a partir de uma
bilateralidade de vontades.

A finalidade é o resultado que se quer alcançar com a prática do ato, e está


ligada intrinsecamente ao interesse público. Enquanto o motivo antecede o ato, a
finalidade o sucede, ou seja, está ligada a ideia de futuro. Lembre-se que a finalidade
do ato deve ser sempre o interesse público.

d) a imperatividade, a finalidade e a presunção de legitimidade.


Opção errada, pois, a finalidade não é atributo, mas sim um elemento.
Na imperatividade temos a manifestação do poder extroverso pelo qual a
administração pública tem a capacidade de impor vontade aos particulares,
independente da anuência desses.

A finalidade é o resultado que se quer alcançar com a prática do ato, e está


ligada intrinsecamente ao interesse público. Enquanto o motivo antecede o ato, a
finalidade o sucede, ou seja, está ligada a ideia de futuro. Lembre-se que a finalidade
do ato deve ser sempre o interesse público.

A presunção de legitimidade quer dizer que se presume que todo ato


administrativo praticado pela administração ou por quem a esteja representando está
em consonância (de acordo) com a lei.
Muita atenção! É frequente o questionamento em questões de prova sobre a
natureza dessa presunção, se ela é ABSOLUTA OU RELATIVA. O que você deverá
assinalar como correto é que temos uma presunção de legitimidade RELATIVA, a qual
chamamos de presunção “IURIS TANTUM”, que significa que cabe prova em
contrário.
A doutrina afirma que a presunção de legitimidade inverte o ônus da prova, não
cabendo ao agente público demonstrar que o ato por ele praticado é válido, e sim ao
particular incumbe a prova da ilegalidade caso o ato praticado seja ilegal.

e) a finalidade, o sujeito e o objeto.


Esse item se encontra errado, pois estamos diante dos elementos e não
atributos do ato. Como elemento, a finalidade é o resultado que a administração quer
alcançar com a prática do ato, é MEDIATO, vem depois, tem ideia de futuro, ela
sucede o ato. Como elemento, o sujeito diz respeito à delimitação de competência

MUDE SUA VIDA!


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atribuída a órgão ou entidade, é a capacidade que a lei dá ao agente para praticar


determinados atos, e como elemento, o objeto é o conteúdo do ato, é o efeito
jurídico IMEDIATO que o ato produz.

ANO: 2020. BANCA: CESPE ÓRGÃO: SEFAZ-DF PROVA: Auditor Fiscal.


O próximo item apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada,
acerca de atos administrativos.
18. Em um único ato administrativo, foram concedidas férias e licença a um servidor público
da Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal. Na semana seguinte, publicou-
se outro ato, que ratificava as férias desse servidor e retirava-lhe a licença concedida, por
ter sido constatado que ele não fazia jus à licença. Nessa situação, realizou-se a
convalidação do ato administrativo, por meio de reforma.

Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RAPIDA

Em um único ato administrativo, foram concedidas férias e licença a um


servidor público da Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal. Na
semana seguinte, publicou-se outro ato, que ratificava as férias desse
servidor e retirava-lhe a licença concedida, por ter sido constatado que ele
não fazia jus à licença. Nessa situação, realizou-se a convalidação do ato
administrativo, por meio de reforma.
Gabarito correto. O CESPE adotou nessa questão a teoria de José dos Santos
Carvalho Filho e o Grande mestre afirma que há três formas de convalidação do
ato. A explorada nessa questão foi justamente a REFORMA, essa maneira de
aproveitamento admite que novo ato suprima a parte inválida do ato anterior,
mantendo sua parte válida. Exemplo: ato anterior concedia licença e férias a um
servidor; se verifica depois que não tinha direito à licença, pratica-se novo ato,
retirando essa parte do ato anterior, e se ratifica a parte relativa às férias.

SOLUÇÃO COMPLETA

Em um único ato administrativo, foram concedidas férias e licença a um


servidor público da Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal. Na
semana seguinte, publicou-se outro ato, que ratificava as férias desse
servidor e retirava-lhe a licença concedida, por ter sido constatado que ele
não fazia jus à licença. Nessa situação, realizou-se a convalidação do ato
administrativo, por meio de reforma.
Gabarito correto. O CESPE adotou nessa questão a teoria de José dos Santos
Carvalho Filho, e o Grande mestre afirma que há três formas de convalidação do
ato. A explorada nessa questão foi justamente a reforma, mas para cercarmos todas
as possibilidades de cobrança sobre esse conteúdo em provas, transcrevo abaixo
todas as três formas de convalidação do referido mestre.

“Há três formas de convalidação. A PRIMEIRA É A RATIFICAÇÃO. Na


definição de MARCELO CAETANO, ‘é o ato administrativo pelo qual o órgão

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competente decide sanar um ato inválido anteriormente praticado, suprindo a


ilegalidade que o vicia’. A autoridade que deve ratificar pode ser a mesma que
praticou o ato anterior ou um superior hierárquico, mas o importante é que a lei lhe
haja conferido essa competência específica. Exemplo: um ato com vício de forma
pode ser posteriormente ratificado com a adoção da forma legal. O mesmo se dá em
alguns casos de vício de competência. Segundo a maioria dos autores, a ratificação
é apropriada para convalidar atos inquinados de vícios extrínsecos, como a
competência e a forma, não se aplicando, contudo, ao motivo, ao objeto e à
finalidade”.

A SEGUNDA É A REFORMA. Essa forma de aproveitamento admite que novo


ato suprima a parte inválida do ato anterior, mantendo sua parte válida. Exemplo:
ato anterior concedia licença e férias a um servidor; se verifica depois que não tinha
direito à licença, pratica-se novo ato retirando essa parte do ato anterior, e se ratifica
a parte relativa às férias.

A ÚLTIMA É A CONVERSÃO, que se assemelha à reforma. Por meio dela a


Administração, depois de retirar a parte inválida do ato anterior, processa a sua
substituição por uma nova parte, de modo que o novo ato passa a conter a parte
válida anterior e uma nova parte, nascida essa com o ato de aproveitamento.
Exemplo: um ato promoveu A e B por merecimento e antiguidade, respectivamente;
verificando após que não deveria ser B, mas C, o promovido por antiguidade pratica
novo ato mantendo a promoção de A (que não teve vício) e insere a de C, retirando
a de B, por ser essa inválida.

(Manual de Direito Administrativo 33ª edição - José dos Santos Carvalho Filho;
p. 276)

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LICITAÇÕES (LEI Nº 8.666)


Olá meus amigos e amigas, neste momento estudaremos a lei 8666/93, em experiências
de sala de aula presencial vejo que a maioria dos alunos não gostam de estudar a referida lei,
porém é um assunto muito abordado em provas. Tentaremos abordar de maneira direta a
forma como as bancas cobram o referido assunto em concursos públicos, e durante o
desenvolvimento desse tema, espero que você encontre afinidade no estudo das licitações.

CONCEITO
A licitação é um PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FORMAL pelo qual a
administração pública busca encontrar a proposta mais vantajosa para o interesse público.
Muito cuidado com “pegadinhas” de prova que insistem em afirmar que tal procedimento busca
a proposta mais econômica, pois não é esse o alvo da licitação.
Imagine que você de posse de R$ 100.000,00 e totalmente disponíveis sai em busca de um
novo veículo. Pergunto, você adquirirá o veículo mais barato que encontrar? Acredito que sua
resposta é não! Você vai buscar o melhor veículo dentro desse valor disponível. A
administração pública age da mesma forma, buscando sempre a proposta mais vantajosa
Outra informação muito importante é que ele citar não é contratar a licitação, é uma
expectativa de contratação, tanto é que nem um contrato administrativo nascerá de uma
licitação, pois ao longo do estudo você verificará que há formas de contratação que dispensam
tal processo.

MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


“... o procedimento administrativo pelo qual um ente público, no
exercício da função administrativa, abre a todos os interessados, que se
sujeitem às condições fixadas no instrumento convocatório, a
possibilidade de formularem propostas entre as quais selecionará e
aceitará a mais conveniente para a celebração de contrato”.
(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.
755)

CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO


“Pode-se conceituar licitação da seguinte maneira: é o procedimento
administrativo pelo qual uma pessoa governamental, pretendendo
alienar, adquirir ou locar bens, realizar obras ou serviços, outorgar
concessões, permissões de obra, serviço ou de uso exclusivo de bem
público, segundo condições por ela estipuladas previamente, convoca
interessados na apresentação de propostas, a fim de selecionar a que se
revele mais conveniente em função de parâmetros antecipadamente
estabelecidos e divulgados”.
(BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo;
32ª edição; p. 538)

MUDE SUA VIDA!


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JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO

“É o procedimento administrativo vinculado por meio do qual os entes


da Administração Pública e aqueles por ela controlados selecionam a
melhor proposta entre as oferecidas pelos vários interessados, com dois
objetivos – a celebração de contrato, ou a obtenção do melhor trabalho
técnico, artístico ou científico”.
(Manual de Direito Administrativo 32ª ediçã o - José dos Santos Carvalho
Filho; p. 378)

HELY LOPES MEIRELLES


“Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a
Administração Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o
contrato de seu interesse, inclusive o da promoção do desenvolvimento
econômico sustentável e fortalecimento de cadeias produtivas de bens e
serviços domésticos”.
(Direito Administrativo Brasileiro 2016; Hely Lopes Meirelles; p. 310)

COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
A Constituição federal vai nos dizer que a competência para legislar sobre REGRAS
GERAIS de licitação é da União, por isso nada impede que os outros entes possam legislar
normais específicas sobre seus procedimentos licitatórios. A única ressalva é que ao legislar
sobre normas específicas observem as normas gerais estabelecidas na lei 8666/93.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XXVII – NORMAS GERAIS de licitação e contratação, em
todas as modalidades, para as administrações públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal
e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as
empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos
do art. 173, § 1°, III;

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
art. 37. XXI – “ressalvados os casos especificados na legislação,
AS OBRAS, SERVIÇOS, COMPRAS E ALIENAÇÕES serão
contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas
as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
somente permitirá as exigências de qualificação técnica e
econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações”.

MUDE SUA VIDA!


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Bom, definido a competência para legislar normas gerais e normas específicas, apresento
a seguir as leis mais importantes sobre a situação que temos no nosso ordenamento jurídico:
 Lei 8.666/1993 – Lei Geral de Licitação e Contratos.

 Lei 8.987/1995 – Lei das Concessões e Permissões.

 Lei 11.079/2004 – Lei das Parcerias Público-Privadas.

 Lei 10.520/2002 – Lei do Pregão.

 Decreto 5.450/2005 – Regulamenta o Pregão Eletrônico.

 Lei 12.462/2011 – Regime Diferenciado de Contratações Públicas.

 Decreto 7.892/2013 – Regulamenta o Sistema de Registro de Preços.

 Lei 13.303/2016 – Lei das Estatais (empresas públicas e sociedades de economia


mista).

OBRIGAÇÃO DE LICITAR
Podemos dizer que, por conta do princípio da obrigatoriedade da licitação, a
responsabilidade de observar o procedimento licitatório se estende a todos os entes e órgãos
pertencentes a administração pública, seja ela direta ou indireta. O que se extrai do artigo 37
da Constituição Federal, que diz:
“Art. 37. A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios OBEDECERÁ aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, AO SEGUINTE:

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,


serviços, compras e alienações SERÃO CONTRATADOS
MEDIANTE PROCESSO DE LICITAÇÃO PÚBLICA que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas
que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as
condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
somente permitirá as exigências de qualificação técnica e
econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações”.
Logo no início da lei 8666/93, vemos a preocupação do legislador em indefinir quem
estaria obrigado a observar o procedimento licitatório para contratação de compras, alienações
obras e serviços.
LEI 8666/93
Art. 1.º, parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta
Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos
especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas
públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, Estados,
Distrito Federal e Municípios.

MUDE SUA VIDA!


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O professor ALEXANDRE MAZZA sintetiza em seus ensinamentos quem está obrigado a


observar o princípio da obrigatoriedade da licitação:
PROFESSOR ALEXANDRE MAZZA
“Conclui-se que estão sujeitos ao dever de licitar:
a) Poder Legislativo: incluindo órgãos e entidades ligadas às casas
legislativas, como a Caixa de Assistência Parlamentar (CAP), antiga
autarquia federal vinculada ao Congresso Nacional;
b) Poder Judiciário;
c) Ministério Público;
d) Tribunais de Contas;
e) órgãos da Administração Pública direta;
f) autarquias e fundações públicas;
g) agências reguladoras e agências executivas;
h) associações públicas;
i) consórcios públicos;
j) fundações governamentais;
k) empresas públicas;
l) sociedades de economia mista;
m) fundos especiais: são dotações orçamentárias de valores ou acervos
de bens destituídos de personalidade jurídica autônoma. Exemplo:
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
n) fundações de apoio;
o) serviços sociais do sistema “S”;
p) conselhos de classe. Convém analisar agora a situação de algumas
entidades especiais cuja submissão ao dever de licitar desperta
controvérsia”.
(Manual de Direito Administrativo – 9ª edição - Alexandre Mazza; p. 842)
Em relação à entidade citada acima, vale uma observação para as entidades paraestatais,
que seriam os serviços sociais vinculados ao sistema “S” (SESC, SENAC, SENAR, SENAI, etc.), o
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL entendeu no julgamento do mandado de segurança
33.442/DF realizado no ano de 2018 que tais entidades não se submetem ao regramento
disciplinado pela lei 8.666/93, exigindo-se delas apenas um processo simplificado de licitação
prevista em regulamento próprio segue julgado.
ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Conclui-se que as entidades do “Sistema S” desenvolvem atividades privadas
incentivadas e fomentadas pelo Poder Público, não se submetendo ao regramento
disciplinado pela Lei 8.666/93. Tendo em vista a autonomia que lhes é conferida,
exige-se apenas a realização de um procedimento simplificado de licitação previsto
em regulamento próprio, o qual deve observar os princípios gerais que regem a
matéria.
AG. REG. EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 33.442/DF

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Ainda na mesma linha de raciocínio de quem está ou não obrigado a licitar, o Professor
Alexandre Mazza afirma que não se sujeitam a obrigação de licitar as seguintes entidades:
“a) empresas privadas;
b) concessionários de serviço público;
c) permissionários de serviço público;
d) organizações sociais, exceto para contratações com utilização direta
de verbas provenientes de repasses voluntários da União;
e) Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), exceto
para contratações com utilização direta de verbas provenientes de
repasses voluntários da União;
f) Ordem dos Advogados do Brasil”.
(Manual de Direito Administrativo – 9ª edição - Alexandre Mazza; p. 848)
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS À LICITAÇÃO
No que se diz respeito ao procedimento licitatório, como já observamos em seu conceito,
é que ele é um procedimento administrativo formal, portanto deverá obedecer aos
princípios que regem o direito administrativo por inteiro, como os princípios expressos
constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Todavia a
própria lei 8.666/93 traz princípios explícitos e específicos da licitação, e minha proposta é
fazer um breve comentário sobre aqueles princípios, e de fato aprofundaremos nossos estudos
nos princípios específicos da licitação, tomando sempre por base a obra dos grandes mestres
do direito administrativo. Dentro da lei de licitações os princípios se encontram no artigo 3º,
segue o texto:
“Art. 3o - A licitação destina-se a garantir a observância do
princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta
mais vantajosa para a administração e a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável e será processada e
julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da
igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da
vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento
objetivo e dos que lhes são correlatos”.
PRINCÍPIO DA ISONOMIA
É consequência do princípio da impessoalidade e tem seu significado em garantir a todos
que participam do procedimento licitatório igualdade de condições.
LEI 8.666/93
ART. 3º § 1o É vedado aos agentes públicos:
I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação,
cláusulas ou condições que comprometam, restrinjam ou
frustrem o seu caráter competitivo, inclusive nos casos de
sociedades cooperativas, e estabeleçam preferências ou
distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos
licitantes ou de qualquer outra circunstância impertinente ou
irrelevante para o específico objeto do contrato, ressalvado o
disposto nos §§ 5o a 12 deste artigo e no art. 3o da Lei no 8.248,
de 23 de outubro de 1991.

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IMPORTANTE!
Ao analisar a lei 8.666/93 em seu o artigo 3º do seu § 5º ao §12º, percebemos que esse princípio
comporta EXCEÇÕES, pois fala sobre situações em que poderá ser estabelecido no edital (muita
atenção precisa estar explicitada no edital ou na carta convite) a possibilidade de se ter um
tratamento diferenciado para as seguintes situações que transcrevo a seguir:
§ 5o Nos processos de licitação, PODERÁ SER ESTABELECIDA
MARGEM de preferência para:
I - Produtos manufaturados e para serviços nacionais que
atendam a normas técnicas brasileiras; e
II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas
que comprovem cumprimento de reserva de cargos prevista em
lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da
Previdência Social e que atendam às regras de
acessibilidade previstas na legislação.
§ 6o A margem de preferência de que trata o § 5o será
estabelecida com base em estudos revistos periodicamente,
em prazo não superior a 5 (cinco) anos, que levem em
consideração:
I - Geração de emprego e renda;
II - Efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais e
municipais;
III - desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no
País;
IV - Custo adicional dos produtos e serviços; e
V - Em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.
§ 7o Para os produtos manufaturados e serviços nacionais
resultantes de desenvolvimento e inovação tecnológica
realizados no País, poderá ser estabelecido MARGEM DE
PREFERÊNCIA ADICIONAL àquela prevista no § 5o.
§ 8o As margens de preferência por produto, serviço, grupo de
produtos ou grupo de serviços, a que se referem os §§ 5o e 7o,
serão definidas pelo Poder Executivo federal, não podendo a
soma delas ultrapassar o MONTANTE DE 25% (vinte e cinco
por cento) sobre o preço dos produtos manufaturados e
SERVIÇOS ESTRANGEIROS.
§ 10. A margem de preferência a que se refere o § 5o poderá
ser estendida, total ou parcialmente, aos bens e serviços
originários dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul -
Mercosul.
§ 12. Nas contratações destinadas à implantação, manutenção
e ao aperfeiçoamento dos sistemas de tecnologia de informação
e comunicação, considerados estratégicos em ato do Poder
Executivo federal, a licitação poderá ser restrita a bens e
serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidos
de acordo com o processo produtivo básico de que trata a Lei
no 10.176, de 11 de janeiro de 2001.

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A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro também cita como exceção à regra o § 2º do artigo 3º
da Lei nº 8.666/93 que diz:

§ 2o Em igualdade de condições, como CRITÉRIO DE DESEMPATE,


será assegurada preferência, sucessivamente, aos bens e serviços:
(Diferente da margem de preferência o critério desempate não
precisa estar no edital, pois decorre da lei)
• 1º- produzidos NO PAÍS;
• 2º- Produzidos ou prestados por EMPRESAS BRASILEIRAS;
• 3º- Produzidos ou prestados por empresas QUE INVISTAM em pesquisa e no
desenvolvimento de TECNOLOGIA NO PAÍS.
• 4º- Bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem
cumprimento de reserva de cargos para PESSOA COM DEFICIÊNCIA ou para reabilitado
da Previdência Social e que atendam ÀS REGRAS DE ACESSIBILIDADE.
• 5º- SORTEIO. (Art. 45 § 2º- No caso de empate entre duas ou mais propostas, e após
obedecido o CRITÉRIO DE DESEMPATE, a classificação se fará, obrigatoriamente, por
SORTEIO, em ato público, para o qual todos os licitantes serão convocados, vedado
qualquer outro processo.)
PROPOSTA MAIS VANTAJOSA
Como já fizemos a ressalva no início do tema, cuidado para não confundir proposta mais vantajosa
com proposta de menor preço, devemos observar qual é a proposta mais vantajosa sempre dentro dos
critérios objetivos apresentados no próprio edital ou carta-convite, pois são métodos concretos de
aferição da melhor proposta.
PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL SUSTENTÁVEL
Também conhecida como licitação Verde, o ordenamento jurídico brasileiro por meio desse
princípio pode exigir dos licitantes que sejam considerados alguns critérios sustentáveis para que
possam realizar um futuro contrato, temos por exemplo o decreto 7.746/2012 que traz a seguinte
informação:
DECRETO 7.746/2012
Art. 2º Na aquisição de bens e na contratação de serviços e obras,
a administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as
empresas estatais dependentes adotarão critérios e práticas
sustentáveis nos instrumentos convocatórios, observado o disposto
neste Decreto.

Art. 4º Para os fins do disposto no art. 2º, são considerados critérios


e práticas sustentáveis, entre outras:
I - Baixo impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo
e água;
II – Preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas de
origem local;
III – maior eficiência na utilização de recursos naturais como água e
energia;
IV – Maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra
local;
V – Maior vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra;
VI - uso de inovações que reduzam a pressão sobre recursos
naturais;
VII - origem sustentável dos recursos naturais utilizados nos bens, nos
serviços e nas obras; e
VIII - utilização de produtos florestais madeireiros e não madeireiros
originários de manejo florestal sustentável ou de reflorestamento.

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Nada além do que um desdobramento do princípio da legalidade do artigo 37 da
Constituição Federal. Aqui seu sentido está em dizer que a máquina pública ao realizar um
procedimento licitatório precisa respeitar tudo que está na lei. Aproveitando o ensejo quero a
lição do Grande mestre Hely Lopes Meirelles que diz que o edital ou a carta-convite será a lei
interna da licitação.

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
Todos os licitantes devem ser tratados igualmente, em termos de direitos e obrigações,
sem levar em consideração as condições pessoais do licitante ou as vantagens por ele
oferecidas, salvo as expressamente previstas na lei ou no instrumento convocatório.

PRINCÍPIO DA IGUALDADE
Tem por objetivo, além de permitir à Administração a escolha da melhor proposta,
assegurar igualdade de direitos a todos os interessados em contratar.

PRINCÍPIO DA MORALIDADE E DA PROBIDADE


Exige que a Administração ao licitar haja estritamente obediente aos critérios da boa-fé,
da ética, da honestidade e da probidade.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
A publicidade diz respeito não apenas à divulgação do procedimento para conhecimento
de todos os interessados, como também aos atos da Administração praticados nas várias fases
do procedimento, que podem e devem ser abertas aos interessados, para assegurar a todos a
possibilidade de fiscalizar sua legalidade.
Muita atenção porque as bancas adoram perguntar se o princípio da publicidade no
tocante ao procedimento licitatório se dá em todas as fases. Você deverá marcar como errada
tal afirmativa, pois temos como regra a publicidade na licitação, mas a própria lei 8.666/93
exige sigilo das propostas até o momento oportuno em que as mesmas serão abertas, e a própria
lei afirma que caso os respectivos visitantes sejam reprovados por falta de atendimento aos
requisitos técnicos para realizar o objeto licitado os envelopes contendo os valores das
propostas serão devolvidos lacrados.
LEI 8.666/93
“Art. 43. A licitação será processada e julgada com observância
dos seguintes procedimentos:
II - Devolução dos envelopes fechados aos concorrentes
inabilitados, contendo as respectivas propostas, desde que não
tenha havido recurso ou após sua denegação ”.

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PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO


Esse princípio consagra o que diz o Grande mestre Hely Lopes Meirelles: o instrumento
convocatório que pode se manifestar por meio de edital ou carta-convite será a lei interna do
edital, ou seja, ele vinculará TANTO a administração pública QUANTO os licitantes ao que está
descrito como direitos e obrigações no instrumento convocatório.

LEI 8.666/93
Art. 41: A Administração NÃO PODE descumprir as normas e
condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada.

ATENÇÃO!
Muitas questões de concurso público tentam levar o candidato a achar que só
os licitantes se vinculam ao edital por conta de que a administração é regida pela
supremacia do interesse público, entre outras afirmações. NÃO CAIA NESSA
“PEGADINHA”.

PRINCÍPIO DO JULGAMENTO OBJETIVO


Esse princípio está ligado aos CRITÉRIOS OBJETIVOS de julgamento que devem ser
realizados para escolha da melhor proposta. Pelo fato de termos critérios objetivos, a licitação
alcança também a sua transparência e a sua licitude, pois o próprio administrador poderá
apresentar aos demais licitantes quais foram as formas que foram adotadas para se demonstrar
que o licitante vencedor foi de fato merecedor da vitória.
LEI 8.666/93
Art. 40. O edital CONTERÁ no preâmbulo o número de ordem
em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor,
a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a
menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para
recebimento da documentação e proposta, bem como para
início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente,
o seguinte:
VII - critério para julgamento, com disposições claras e
parâmetros OBJETIVOS;

Art. 45. O julgamento das propostas SERÁ OBJETIVO;

A própria lei 8666/93 traz os TIPOS DE LICITAÇÃO que são os critérios de julgamento,
são quatro:

Art. 45 § 1º. Constituem TIPOS de licitação, EXCETO na modalidade CONCURSO:


 DE MENOR PREÇO;
 DE MELHOR TÉCNICA;
 DE TÉCNICA E PREÇO;
 DE MAIOR LANCE OU OFERTA (Nos casos de alienação de bens ou concessão de
direito real de uso).

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PRINCÍPIO DA ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA


Esse é o que eu particularmente mais gosto de explicar, o princípio da adjudicação
compulsória: é aquele que vai dizer que a Administração Pública ao terminar um procedimento
licitatório se vincula ao vencedor da licitação. Cuidado! O fato de dizer que a Administração está
vinculada ao vencedor não significa dizer que ela é obrigada a realizar o contrato, pois
adjudicar não significa contratar, apenas tem por significado “ESTABELECER VÍNCULO”.
Significa que a Administração não pode, concluído o procedimento, atribuir o objeto da
licitação a outro senão o vencedor”.

 Significado da palavra ADJUDICAÇÃO: está na iminência de ocorrer, porém não é


direito adquirido, mas mera expectativa; pode ou não ocorrer.

Lembre-se da música “Nosso Sonho” de Claudinho e Buchecha:


“...Nosso sonho não vai terminar
Desse jeito que você faz!
Se o destino ADJUDICAR
Esse amor poderá ser capaz, gatinha
Nosso sonho não vai terminar
Desse jeito que você faz
E depois que o baile acabar
Vamos nos encontrar logo mais... ”

COMO FAZER AS LICITAÇÕES


FASES DA LICITAÇÃO
O procedimento tem início com o planejamento e avança até a assinatura do respectivo
contrato ou a emissão de documento correspondente, EM 2 FASES DISTINTAS:

 FASE INTERNA OU PREPARATÓRIA: É importante que você, candidato, saiba que


a licitação não começa com a publicação do EDITAL (O que é afirmado
corriqueiramente em provas de concurso público de forma equivocada), tem
de ter em mente que para se fazer um edital de licitação é preciso saber antes qual
é a necessidade interna, qual é o objeto que será licitado e a quantidade daquele
objeto. Tudo isso é realizado na fase interna, que é o início, que é a preparação para
a fase externa licitação.

 FASE EXTERNA OU EXECUTÓRIA: essa fase se inicia com a publicação do edital ou


com a entrega da carta convite, e a partir de então teremos o desenrolar do
procedimento licitatório entre administração e os licitantes justamente nessa fase,
as etapas descritas pela doutrina que compõem a fase externa são:
• 1º ABERTURA
• 2º HABILITAÇÃO
• 3º CLASSIFICAÇÃO
• 4º HOMOLOGAÇÃO
• 5º ADJUDICAÇÃO

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LEI 8.666/93
Art. 43. A licitação será processada e julgada com observância dos
SEGUINTES PROCEDIMENTOS:
1. Abertura dos envelopes contendo a documentação relativa à
habilitação dos concorrentes, e sua apreciação;
2. Devolução dos envelopes fechados aos concorrentes
inabilitados, contendo as respectivas propostas, desde que não
tenha havido recurso ou após sua denegação;
3. Abertura dos envelopes contendo as propostas dos concorrentes
habilitados, desde que transcorrido o prazo sem interposição de
recurso, ou tenha havido desistência expressa, ou após o julgamento
dos recursos interpostos;
4. Verificação da conformidade de cada proposta com os requisitos
do edital;
5. Julgamento e classificação das propostas de acordo com os
critérios de avaliação constantes do edital;
6. Deliberação da autoridade competente quanto à homologação e
adjudicação do objeto da licitação.

OBJETO DA LICITAÇÃO
Cobrado poucas vezes em concurso público, mas você, candidato, irá esbarrar com alguma
dessas questões. A banca CESPE é que adora fazer tal indagação, muito tranquilo de ser
analisado, sistematizei para que você não sofra:

 OBJETO IMEDIATO
• Busca da proposta mais vantajosa.

 OBJETO MEDIATO
• Aquilo que a Adm. pretende contratar.

MODALIDADES DE LICITAÇÕES
Cuidado para não confundir tipos (menor preço, melhor técnica, técnica e preço ou maior
lance ou oferta) com as modalidades de licitação, aquelas que dizem respeito ao critério de
julgamento, essas por sua vez estão ligadas à maneira como o procedimento licitatório irá se
desenrolar. Em relação aos fatores de escolha para o método a ser utilizado na licitação, será
levado em consideração O VALOR OU A NATUREZA DO OBJETO (Mnemônico das
modalidades: COLEI O COTOCO COM PREGO).
 CO NCORRÊNCIA
 LEI LÃO
 CO NVITE
 TO MADA DE PREÇOS
 CO NCURSO
 PREG ÃO (lei 10.520)

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Para fins de prova de concurso público, analisaremos de maneira técnica como as bancas
gostam de cobrar o assunto “modalidade”. Desde já faço um pedido para você me ajudar a te
ajudar: grave as palavras sublinhadas e em negrito no conceito de cada modalidade, isso já fará
você acertar cerca de 80% das questões.
CONCORRÊNCIA
 CONCEITO: É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, NA FASE
INICIAL DE HABILITAÇÃO PRELIMINAR, comprovem possuir os requisitos
mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto (Lei
8.666/93; artigo 22; §1º).
• Simplificando o conceito: imagine que eu possuo uma empresa de obra civil, com
poucos funcionários e ferramentas escassas, nunca fiz uma obra de grande porte,
sempre pequenas reformas. Posso participar de um procedimento licitatório na
modalidade concorrência? Resposta: SIM, porque o conceito diz que é para
“qualquer interessado”. Mas eu ficaria habilitado na fase preliminar?
Obviamente que não, pois eu preciso demonstrar logo na “fase inicial
preliminar” que tenho capacidade para cumprir o objeto da licitação (a
Construção de um hospital por exemplo).
Agora que vimos seu conceito, temos algumas peculiaridades para estudar nessa
modalidade. A concorrência será usada, via de regra, em obras de valores econômicos
grandiosos, até por isso ela é mais complexa. Como regra, será utilizada levando em
consideração o valor envolvido no procedimento licitatório, mas em pouquíssimos casos
poderá ser feito em relação à natureza do objeto.
Como é o caso da aquisição e alienação de imóveis lá do artigo 19, inciso III, da lei
8.666/93 que diz:
Art. 19. Os bens imóveis da Administração Pública, cuja
aquisição haja derivado de procedimentos judiciais ou de
dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da
autoridade competente, observadas as seguintes regras:
III - adoção do procedimento licitatório, sob a modalidade de
CONCORRÊNCIA ou leilão.
 VALORES
Temos de observar o que o examinador nos questionará ao realizar as questões de provas,
pois há três observações que preciso te apresentar:
• 1 ª – OBSERVAÇÃO: se estivermos diante da intenção de contratação para
OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA, o valor, via de regra, para uso da
concorrência será ACIMA DE R$ 3.300.000,00.
• 2 ª – OBSERVAÇÃO: se estivermos diante da intenção de contratação para
COMPRAS E OUTROS SERVIÇOS, o valor, via de regra, para uso da concorrência
será ACIMA DE R$ 1.430.000,00.
• 3 ª – OBSERVAÇÃO: no tocante ao uso da concorrência, o administrador terá na
verdade liberdade para usar a concorrência independentemente do valor da
licitação, pois em relação aos valores das modalidades deve ter em mente que
“QUEM PODE MAIS PODE MENOS”, a lei vai dizer que a concorrência, via de
regra, será utilizada quando estivermos diante de situações com a tabela de
valores acima, porém nada impede que seja feita com valores abaixo do que fora
apresentado.

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Outra particularidade que deve ser observada em relação à concorrência é o que está no
artigo 17 do mesmo diploma legal que vai afirmar que quando a Administração Pública quiser
alienar seus bens precisará, entre outras observações, realizar essa alienação por meio de uma
licitação na modalidade concorrência, segue o texto:

LEI 8.666/93
“Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública,
subordinada à existência de interesse público devidamente
justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às
seguintes normas:
I - QUANDO IMÓVEIS, dependerá de autorização legislativa
para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e
fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais,
dependerá de avaliação prévia e de LICITAÇÃO NA
MODALIDADE DE CONCORRÊNCIA.

A REGRA É FAZER LICITAÇÃO NA ALIENAÇÃO

I - Quando se tratar de IMÓVEIS, todas as entidades que compõem a


administração precisam de:
1- Avaliação prévia.

2- Licitação na Modalidade CONCORRÊNCIA.

3- Autorização legislativa (Exceto para a empresa pública e sociedade economia


mista).

Ainda dentro do artigo 17 em seu parágrafo 6º, também falando de alienação, sendo que
agora de bens móveis com valor superior a R$ 1.430.000,00:

O instrumento que a lei nos traz como regra para venda de bens móveis será como leilão,
porém se o valor deles for acima de R$ 1.430.000,00 deverá ser utilizada a MODALIDADE
CONCORRÊNCIA, segue o texto da lei
LEI 8.666/93
“Artigo 17 § 6o Para a venda de bens móveis avaliados,
isolada ou globalmente, em quantia não superior ao limite
previsto no art. 23, inciso II, alínea "b" desta Lei, a
Administração poderá permitir o LEILÃO”.

Para fechar as particularidades mais cobradas em provas sobre a concorrência, temos


ainda a CONCESSÃO, tema estudado em serviços públicos lei 8.987/95 e lei 11.079/04, aqui só
para não deixar passar, qualquer concessão de serviço público deverá ser precedida da
modalidade concorrência.

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LEI 8.987/1995
Art. 2.º: Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:
II –Concessão de serviço público: a delegação de sua
prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na
modalidade de CONCORRÊNCIA, à pessoa jurídica ou consórcio
de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho,
por sua conta e risco e por prazo determinado.

A exceção para o caso acima é o serviço a ser delegado que esteja previsto no Programa
Nacional de Desestatização, pois nela a concessão poderá ser dada por meio de leilão.
LEI 9.074/1995
Art. 29. A modalidade de LEILÃO poderá ser adotada nas
licitações relativas à outorga de nova concessão com a
finalidade de promover a transferência de serviço público
prestado por pessoas jurídicas, a que se refere o art. 27,
incluídas, para os fins e efeitos da Lei no 8.031, de 1990, no
Programa Nacional de Desestatização, ainda que não haja a
alienação das quotas ou ações representativas de seu controle
societário.

TOMADA DE PREÇOS
 CONCEITO: é a modalidade de licitação entre interessados devidamente
cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento
ATÉ O 3º DIA anterior à data do recebimento das propostas, observada a
necessária qualificação (Lei 8.666/93; artigo 22; §2º).

A tomada de preços será utilizada nas contratações de valores médios, a peculiaridade


dessa modalidade é saber que ela é oferecida a quem está devidamente cadastrado. Até o
próprio conceito abre a possibilidade para os interessados se cadastrarem ATÉ O TERCEIRO
DIA antes do recebimento das propostas, no fim das contas temos de saber que ela é só para
quem está devidamente cadastrado.

A intenção desse cadastramento é dar celeridade ao processo licitatório, pois os referidos


interessados após a entrega de suas respectivas documentações serão cadastrados no órgão
que quer realizar a licitação, esse feito dispensará uma prévia habilitação como é realizado
na concorrência.

BIZU DE PROVA
Para tentar te ajudar, vou te contar um ‘Bizu’ que trabalho em salas de aulas
presenciais, um método ‘um tanto quanto engraçado’, mas que funciona. Se você
não lembrar quantos dias são permitidos para o cadastramento, pense em uma
“TOMADA” dessas de energia elétrica residenciais, onde há um tempo atrás
tínhamos apenas duas entradas, hoje são três entradas! Pense que com o passar
do tempo nossas tomadas ganharam a “TERCEIRA ENTRADA”. Faça uma ligação
entre as palavras tomadas e acerte a questão de prova.

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 VALORES
Temos de observar o que o examinador nos questionará ao realizar as questões de provas,
pois há três observações que preciso te apresentar:

• 1ª – OBSERVAÇÃO: se estivermos diante da intenção de contratação para OBRAS


E SERVIÇOS DE ENGENHARIA, o valor, via de regra, para uso da tomada de
preços será de ATÉ R$ 3.300.000,00.

• 2ª – OBSERVAÇÃO: se estivermos diante da intenção de contratação para


COMPRAS E OUTROS SERVIÇOS, o valor, via de regra, para uso da tomada de
preços será de ATÉ R$ 1.430.000,00.

• 3 ª – OBSERVAÇÃO: No tocante ao uso da tomada de preço, devemos lembrar


daquela regrinha da concorrência só com uma pequena diferença, aqui também
temos aquele Bizu de “QUEM PODE MAIS PODE MENOS”, porém haverá o limite
para tomada de preço que será a tabela de valores apresentados acima. Então se
forem valores abaixo do que apresentei nas duas observações acima também
poderá ser feito uma tomada de preço, por exemplo: para uma contratação para
obras de engenharia no valor de R$ 100.000,00.
 LICITAÇÃO INTERNACIONAL
Via de regra, uma licitação em que seja permitido pessoas jurídicas internacionais
participarem será realizada por meio de concorrência, mas a própria lei 8.666/93 permite que
haja uma licitação feita por meio da modalidade tomada de preço quando o órgão ou entidade
dispuser de um cadastro internacional de fornecedores, e desde que respeitem os limites
apresentados acima.
LEI 8.666/93
Art. 23. § 3º A concorrência é a modalidade de licitação
cabível, qualquer que seja o valor de seu objeto, tanto na
compra ou alienação de bens imóveis, ressalvado o disposto no
art. 19, como nas concessões de direito real de uso e nas
licitações internacionais, admitindo-se neste último caso,
observados os limites deste artigo, A TOMADA DE PREÇOS,
quando o órgão ou entidade dispuser de cadastro
internacional de fornecedores ou o convite, quando não
houver fornecedor do bem ou serviço no País.

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CONVITE
 CONCEITO: é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao
seu objeto, CADASTRADOS OU NÃO, escolhidos e convidados em número mínimo
de 3 pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do
instrumento convocatório, e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente
especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de ATÉ 24 HORAS
da apresentação das propostas (Lei 8.666/93; artigo 22; §3º).

O convite é uma modalidade de licitação que tem peculiaridades as quais devem ser
observadas em prova, a primeira é que ela não é feita por meio de edital e sim diante de uma
carta convite que será enviada a, via de regra, no mínimo três licitantes cadastrados no
respectivo órgão que sejam fornecedores do objeto que a administração quer licitar.
Cuidado para não confundir o número de “três interessados” com a informação de que a
tomada de preço pode ter pessoas cadastradas até o “terceiro dia”.
Outra particularidade importante em relação ao convite é que a própria carta convite
deverá ser afixada no local da repartição pública para que os demais cadastrados naquela
correspondente especialidade possam manifestar seu desejo de participar daquela licitação
com um prazo de ANTECEDÊNCIA DE ATÉ 24 HORAS, ou seja, eles irão se auto convidar.
Costumo brincar que para memorizar essa modalidade, em vez de falar convite você pode
chamar de “CONVINTE” para fazer uma ligação com o prazo de 24 horas.
Outra peculiaridade do convite é que ele pode ser feito em caso excepcional para dois
interessados. Segue a lição dos professores Marcelo alexandrino e Vicente de Paula, e o
respectivo artigo da lei que permite tal feito.

MARCELO ALEXANDRINO E VICENTE DE PAULA


“Excepcionalmente, a carta-convite poderá ser enviada a menos e três
interessados, desde que por limitações do mercado ou manifesto
desinteresse dos convidados, seja impossível a obtenção do número
mínimo de licitantes. Essas circunstâncias deverão ser devidamente
justificadas no processo sob pena de repetição do convite (art.
22, § 7. °).
(Direito Administrativo Descomplicado. 24ª. edição.: ALEXANDRINO,
Marcelo; PAULO, Vicente. p. 729)”.

LEI 8.666/93
Art. 22 § 7o Quando, por limitações do mercado ou manifesto
desinteresse dos convidados, for impossível a obtenção do
número mínimo de licitantes exigidos no § 3o deste artigo
(convite, essas circunstâncias deverão ser devidamente
justificadas no processo, sob pena de repetição do convite.

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 VALORES
Temos de observar o que o examinador nos questionará ao realizar as questões de provas,
pois há três observações que preciso te apresentar:

• 1ª – OBSERVAÇÃO: se estivermos diante da intenção de contratação para OBRAS


E SERVIÇOS DE ENGENHARIA, o valor, via de regra, para uso da Convite será de
ATÉ R$ 330.000,00.

• 2ª – OBSERVAÇÃO: se estivermos diante da intenção de contratação para


COMPRAS E OUTROS SERVIÇOS, o valor, via de regra, para uso da Convite será
de ATÉ R$ 176.000,00.

• 3ª – OBSERVAÇÃO: Em relação ao convite por ser a licitação de menor


complexidade será utilizada também nas obras de engenharia ou compras de
outros serviços de menores valores, então aqui não teremos a regrinha do quem
“pode mais pode menos”, até porque da capacidade de valores, essa é a mais
fraca.

 LICITAÇÃO INTERNACIONAL
Para fechar o assunto, temos a licitação internacional que poderá ser feita por meio do
convite quando não houver fornecedor de bens ou serviços no país e desde que respeite
também os valores que são propostos pela lei como limitadores no convite.

LEI 8.666/93
Art. 23. § 3º A concorrência é a modalidade de licitação
cabível, qualquer que seja o valor de seu objeto, tanto na
compra ou alienação de bens imóveis, ressalvado o disposto no
art. 19, como nas concessões de direito real de uso e nas
licitações internacionais, admitindo-se neste último caso,
observados os limites deste artigo, a tomada de preços, quando
o órgão ou entidade dispuser de cadastro internacional de
fornecedores ou o CONVITE, quando não houver fornecedor
do bem ou serviço no País.

TABELA DE VALORES
Como é um assunto corriqueiro em questões de prova de concurso, esquematizei abaixo
a tabela de valores que podem ser cobrados de você em relação às modalidades que estudamos
acima. SEMPRE lembrando que quem “PODE MAIS PODE MENOS”.

LEI 8.666/93
Art. 23. As modalidades de licitação de concorrência,
tomada de preço e convite serão determinadas em função dos
seguintes limites, tendo em vista o valor estimado da
contratação:

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PARA MODALIDADE VALOR

CONVITE ATÉ R$ 330.000,00


OBRAS E SERVIÇOS DE
TOMADA DE PREÇO ATÉ R$ 3.300.000,00
ENGENHARIA

CONCORRÊNCIA ACIMA DE R$ 3.300.000,00

COMPRAS E OUTROS CONVITE ATÉ R$ 176.000,00


SERVIÇOS

TOMADA DE PREÇOS ATÉ R$ 1.430.000,00

CONCORRÊNCIA ACIMA DE R$ 1.430.000,00

IMPORTANTE
Em relação a valores temos também a possibilidade de que eles sejam
dobrados ou triplicados. Quando tivermos ATÉ TRÊS entes se reunindo por meio
de um consórcio público para realizar determinada contratação, esses valores
DOBRARÃO, porém se tivermos MAIS DE TRÊS entes se reunindo para realizar
determinada contratação, esses valores TRIPLICARÃO!

LEI 8.666/93
Art. 23 § 8º No caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o
dobro dos valores mencionados no caput deste artigo quando
formado por até 3 (três) entes da Federação, e o triplo,
quando formado por maior número.
CONCURSO
 CONCEITO: é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para ESCOLHA
de trabalho TÉCNICO, CIENTÍFICO ou ARTÍSTICO, mediante a instituição de prêmios
ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado
na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 dias (Lei 8.666/93; artigo 22;
§4º).

Primeira informação importantíssima é que o concurso é uma modalidade licitatória que


NÃO será utilizada nenhum “TIPO DE LICITAÇÃO” em sua realização, e depois as palavras que
devemos gravar para acertar a maioria das questões de prova é que ela será utilizada quando
houver o desejo de se contratar um trabalho TÉCNICO, CIENTÍFICO OU ARTÍSTICO.
Outra coisa muito peculiar do concurso é que o valor a ser pago já é previamente
estipulado, pois o vencedor será contemplado com prêmio ou uma remuneração estabelecida
no edital.

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Interessante dizer que no caso do concurso, a lei 8.666/93 não estabeleceu um


regramento próprio, apenas criou a modalidade de forma geral, a própria lei estabelece que
essa modalidade deverá ser precedida em regulamento próprio. Segue os artigos mais
importantes sobre o concurso no referido diploma legal:

LEI 8.666/93
“Art. 51 5º No caso de concurso, o julgamento será feito por uma
comissão especial integrada por pessoas de reputação ilibada e
reconhecido conhecimento da matéria em exame, servidores
públicos ou não.
Art. 52. O concurso a que se refere o § 4º do art. 22 desta Lei deve
ser precedido de regulamento próprio, a ser obtido pelos
interessados no local indicado no edital.
§ 1º O regulamento deverá indicar:
I - A qualificação exigida dos participantes;
II - as diretrizes E a forma de apresentação do trabalho;
III - as condições de realização do concurso e os prêmios a serem
concedidos.
§ 2º Em se tratando de projeto, o vencedor deverá autorizar a
Administração a executá-lo quando julgar conveniente.
Art. 111. A Administração só poderá contratar, pagar, premiar ou
receber projeto ou serviço técnico especializado desde que o autor
ceda os direitos patrimoniais a ele relativos e a Administração possa
utilizá-lo de acordo com o previsto no regulamento de concurso
ou no ajuste para sua elaboração”.

LEILÃO
 CONCEITO: é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda
de bens móveis INSERVÍVEIS para a administração ou de produtos legalmente
apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens, a quem oferecer o maior
lance, igual ou superior ao valor da avaliação (Lei 8.666/93; artigo 22; §5º).

Em relação ao leilão, talvez seja a modalidade que mais o brasileiro conhece, a máquina
pública realizara essa modalidade licitatória quando desejar ALIENAR OS SEUS BENS, e outra
coisa interessante é que no tocante ao tipo de licitação será sempre “MAIOR LANCE”, pois a
administração está se desfazendo dos seus bens.

Muito cuidado para não confundir a obrigação que a lei traz para utilizar o leilão por meio
do TIPO DE MAIOR LANCE com o conceito de leilão, pois a Administração poderá alienar os
bens móveis inservíveis ou aqueles que foram apreendidos ou penhorados de forma legal por
um lance IGUAL OU SUPERIOR ao valor da avaliação. Uma coisa é o tipo de licitação de MAIOR
LANCE, outra coisa é o bem ser arrematado por um valor de igual ou superior importância ao
da avaliação.
Imagine, por exemplo, que no respectivo edital do leilão diga que o lance mínimo para um
determinado produto seja R$ 10.000,00. Pergunto a você: ele poderá ser arrematado por R$
10.000,00? Sim, caso tenhamos apenas uma proposta no valor de R$ 10.000,00.

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 BENS IMÓVEIS NO LEILÃO


Falaremos agora sobre a possibilidade de ele ser realizado em licitação para a venda de
bens IMÓVEIS, seu dispositivo está no artigo 19; III da lei 8.666/93.
LEI 8.666/93
Art. 19. Os BENS IMÓVEIS da Administração Pública, cuja aquisição
haja derivado de procedimentos judiciais ou de dação em
pagamento, poderão ser alienados por ato da autoridade
competente, observadas as seguintes regras:
III - adoção do procedimento licitatório, sob a modalidade de
concorrência OU LEILÃO.

Para finalizarmos o leilão, transcrevo abaixo os artigos da lei 8.666/93 que podem querer
te derrubar na prova por serem pouco comentados, não queremos isso!
Art. 53. O leilão pode ser cometido a leiloeiro oficial OU a
servidor designado pela Administração, procedendo-se na
forma da legislação pertinente
§ 1o Todo bem a ser leiloado será previamente avaliado pela
Administração para fixação do preço mínimo de arrematação.
§ 2o Os bens arrematados serão pagos à vista ou no percentual
estabelecido no edital, não inferior a 5% (cinco por cento) e,
após a assinatura da respectiva ata lavrada no local do leilão,
imediatamente entregues ao arrematante, o qual se obrigará
ao pagamento do restante no prazo estipulado no edital de
convocação, sob pena de perder em favor da Administração
o valor já recolhido.

PREGÃO
 CONCEITO: (lei 10.520) = é uma modalidade de licitação do TIPO MENOR PREÇO,
para aquisição de BENS E DE SERVIÇOS COMUNS, qualquer que seja o valor
estimado, e a disputa é feita por propostas e lances sucessivos, em sessão pública,
presencial ou eletrônica. Bens e serviços comuns são aqueles rotineiros, usuais, sem
maior complexidade e cuja especificação é facilmente reconhecida pelo mercado.

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Apesar de não estar na 8.666/93 e sim na lei 10520/2002, abordaremos aqui o conceito
de pregão para não ter surpresas em sua prova. A finalidade do pregão não será vender, mas
sim adquirir produtos pelos menores preços possíveis, tanto é que a doutrina chama o pregão
de leilão às avessas, pois enquanto no leilão eu quero vender pelo maior valor, no pregão eu
quero comprar pelo menor preço. Por essa razão na modalidade pregão teremos sempre que
usar o tipo de licitação menor preço, seu objetivo será adquirir serviços e produtos comuns
que possam ser avaliados de forma objetiva no edital independente de seus valores, ou seja, o
pregão não é uma modalidade que será escolhida pelo valor e sim em razão do objeto.

 INVERSÃO NAS FASES NATURAIS


Outra informação importantíssima que não posso deixar de falar é que no pregão temos
também a alteração das fases.
A característica fundamental do procedimento do pregão é a inversão nas fases naturais
da licitação. Isso porque o julgamento das propostas antecede a habilitação dos licitantes.
Além disso, ao contrário do que ocorre com as demais modalidades, no pregão a homologação
é realizada após a adjudicação.

ESQUEMATIZANDO

ETAPAS DAS DEMAIS MODALIDADES ETAPAS DO PREGÃO

1º Abertura (edital) 1º Abertura (edital)

2º Habilitação 2º Julgamento

3º Classificação 3º Habilitação

4º Homologação 4º Adjudicação

5º Adjudicação 5º Homologação

INTERVALO MÍNIMO
A própria lei 8666/93 vai trazer a exigência de se respeitar um prazo mínimo para o
recebimento das propostas ou para a realização do próprio evento. O que se deve ter em mente
aqui é que quanto mais complexo for o procedimento licitatório, maior deve ser o prazo
concedido aos participantes para que os mesmos possam analisar com cautela qual será o valor
por eles cobrados, se eles realmente querem participar do procedimento licitatório, entre
outras coisas. Abaixo esquematizei os respectivos prazos que devem ser obedecidos e espero
que facilite o seu entendimento.
LEI 8.666/93
Art. 21. § 2º O PRAZO MÍNIMO até o recebimento das
propostas ou da realização do evento SERÁ:

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PRAZOS MODALIDADES TIPOS DE LICITAÇÃO

MELHOR TÉCNICA

CONCURSO TÉCNICA E PREÇO


45 DIAS
CONCORRÊNCIA
REGIME DE EMPREITADA
INTEGRAL
(Não é modalidade)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

DEMAIS CASOS
CONCORRÊNCIA
30
DIAS
TOMADA DE MELHOR TÉCNICA
PREÇO
TÉCNICA E PREÇO

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
TOMADA DE DEMAIS CASOS
PREÇO
15 DIAS

LEILÃO

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

05 DIAS ÚTEIS CONVITE

NÃO INFERIOR 08 PREGÃO CONTADO A PARTIR


DIAS ÚTEIS DA PUBLICAÇÃO DO
AVISO

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TIPOS DE LICITAÇÃO
Quando me refiro aos tipos de licitação estou querendo dizer que terei critérios
objetivos para o julgamento, não se esqueça dessa informação. Na lei 8.666/93 temos o
conhecimento de que são quatro em seu total, uma informação muito importante que quero
frisar é que na modalidade concurso não se utilizará nenhum desses quatro tipos.

Art. 45 § 1º. Constituem TIPOS DE LICITAÇÃO, EXCETO na modalidade CONCURSO:


 DE MENOR PREÇO;
 DE MELHOR TÉCNICA;
 DE TÉCNICA E PREÇO;
 DE MAIOR LANCE OU OFERTA (Nos casos de alienação de bens ou concessão de
direito real de uso).

A lei de licitação vai nos dizer que para contratação de BENS E SERVIÇOS DE
INFORMÁTICA deverá ser obrigatoriamente adotado o tipo de licitação "TÉCNICA E PREÇO",
permitido o emprego de outro tipo de licitação nos casos indicados em decreto do Poder
Executivo.
E que os tipos de licitação "MELHOR TÉCNICA" OU "TÉCNICA E PREÇO" serão utilizados
exclusivamente para serviços de natureza predominantemente INTELECTUAL, em especial
na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e gerenciamento e de engenharia
consultiva em geral e, em particular, para a elaboração de estudos técnicos preliminares e
projetos básicos e executivos.
Nas licitações do tipo "MELHOR TÉCNICA" será adotado o procedimento claramente
explicitado no instrumento convocatório, o qual fixará o preço máximo que a Administração
se propõe a pagar.
E nas licitações do tipo "TÉCNICA E PREÇO", a classificação dos proponentes serão feitas
de acordo com a MÉDIA PONDERADA das valorizações das propostas técnicas e de preço, de
acordo com os pesos preestabelecidos no instrumento convocatório.

EXCEÇÃO AO DEVER DE LICITAR


Tema extremamente cobrado em prova, temos de lembrar que nos termos da Constituição
Federal quando a Administração Pública quiser contratar compras, obras, serviços e alienações,
via de regra, deverá licitar, porém o próprio texto constitucional traz no início do artigo 37;
inciso XXI a seguinte informação: “ressalvados os casos especificados na legislação”. Isso
significa que haverá possibilidade de contratação sem de fato ter havido um procedimento
licitatório, ela pode ser:
 INEXIGÍVEL;
 DISPENSADA; OU
 DISPENSÁVEL;

VAMOS AO ESTUDO DOS TRÊS DAS TRÊS FORMAS DE CONTRATAÇÃO.

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LICITAÇÃO INEXIGÍVEL
Bem, em relação à licitação inexigível, o que se deve ter em mente é que ela ocorrerá
quando houver uma inviabilidade de competição.
LEI 8.666/93
Art. 25. É INEXIGÍVEL a licitação quando houver
INVIABILIDADE de competição, em especial:
A lei de licitações traz três exemplos muito cobrados em prova, apesar de ser um rol
exemplificativo, as bancas sempre cobram esses três exemplos, portanto memorize-os e seja
feliz com as questões que cobram esse assunto, abaixo esquematizei essas possibilidades de
inexigibilidade de licitação, são elas:
 Para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser
fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial EXCLUSIVO,
vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser
feita por meio de atestado fornecido:
• Pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a
obra ou o serviço;
• Pelo Sindicato;
• Federação; ou
• Confederação Patronal;
• Ou, ainda, pelas entidades equivalentes.
Nessa hipótese em especial o que deve ter em mente é que como só temos
UMA empresa que fabrica tal produto ou que fornece tal serviço, não tem como ter
licitação. Cuidado porque aqui temos uma proibição à preferência de marca.

 Para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 dessa Lei, de


natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, é
VEDADA a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação;
LEI 8.666/93
Art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços
técnicos profissionais especializados os trabalhos
relativos a:
I - Estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou
executivos;
II - pareceres, perícias E avaliações em geral;
III - assessorias ou consultorias técnicas e auditorias
financeiras;
III - assessorias ou consultorias técnicas e auditorias
financeiras ou tributárias;
IV - Fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou
serviços;
V - Patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
VI - treinamento E aperfeiçoamento de pessoal;
VII - restauração de obras de arte e bens de valor histórico.

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• OBS.! Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo


conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior,
estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica,
ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o
seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena
satisfação do objeto do contrato.
Muita atenção com essa hipótese de inexigibilidade de licitação, aqui as
palavras-chave serão “serviço de natureza singular” realizado por “um
profissional de notória especialização”. Também temos uma vedação que é em
relação a serviços de publicidade e divulgação.

 Para contratação de profissional de qualquer SETOR ARTÍSTICO, diretamente ou


por meio de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada
OU pela opinião pública.

Nesse caso em específico você pode pensar nas comemorações realizadas pela
administração que ocorrem ao longo do Brasil como por exemplo, em aniversários
dos municípios, inauguração ou reinauguração de determinados serviços à sociedade
que geralmente são marcados por shows em que os artistas mais conhecidos da
mídia ou não tão conhecidos estão presentes. A contratação desses respectivos
artistas é feita por meio da inexigibilidade, pois seria impensável imaginar como se
faria tal licitação, quais seriam os critérios adotados selecionar os vencedores?
Lembrando que aqui existe a necessidade de a contratação ser direta ou no
máximo por empresário exclusivo, e que ainda tem uma outra condicional, pois esse
artista deve ser consagrado pela crítica especializada ou pela opinião do povo.

IMPORTANTÍSSIMO
Na hipótese desse artigo e em qualquer dos casos de dispensa, se comprovado
superfaturamento, respondem solidariamente pelo dano causado à Fazenda
Pública o fornecedor ou o prestador de serviços e o agente público
responsável, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis.

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LICITAÇÃO DISPENSADA
Nesta exceção ao dever de licitar o que deve ser levado em consideração é que temos a
possibilidade de ter a licitação, mas a própria lei veda tal probabilidade. Temos de sopesar
que a alienação de bens por parte da Administração Pública é possível, lembre-se dos estudos
dos bens públicos. Nós temos os bens comuns, os bens especiais e os bens dominicais, esses
últimos podem ser alienados, sendo que a própria lei 8666/93 exige algumas condições para
que tal feito seja realizado, vamos estudá-los:

Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública,


subordinada à existência de interesse público devidamente
justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às
seguintes normas:
I - QUANDO IMÓVEIS, dependerá de AUTORIZAÇÃO
LEGISLATIVA para órgãos da administração direta e entidades
autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as
entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de
licitação na modalidade de concorrência, DISPENSADA ESTÁ
NOS SEGUINTES CASOS:

Perceba que no artigo 17, caput e inciso I, a regra na alienação é FAZER LICITAÇÃO.

 I - Quando se tratar de IMÓVEIS, todas as entidades que compõem a administração


precisam de:
• Autorização legislativa (Exceto para a empresa pública e sociedade economia
mista).
• Avaliação prévia;
• Licitação na Modalidade concorrência.

 Quando se tratar de móveis, todas as entidades que compõem a administração


precisam de:
• Avaliação prévia; e
• Licitação concorrência ou leilão.

Mas a exceção está no final do inciso I e II do artigo 17 que diz: “DISPENSADA ESTÁ NOS
SEGUINTES CASOS”.
Ou seja, todas as alíneas que transcreverei abaixo são situações em que a Administração
Pública poderia até fazer licitação, mas a própria lei diz que não se fará.
 CASOS EM QUE A LICITAÇÃO É DISPENSADA PARA BENS IMÓVEIS:
• a) doação em pagamento;

• b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da


administração pública, de qualquer esfera de governo, ressalvado o disposto nas
alíneas f, h e i;

MUDE SUA VIDA!


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• c) permuta, por outro imóvel que atenda aos requisitos constantes do inciso X
do art. 24 desta Lei;

• d) investidura;

• e) venda a outro órgão ou entidade da administração pública, de qualquer esfera


de governo;

• f) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso,


locação ou permissão de uso de bens imóveis residenciais construídos,
destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de programas habitacionais ou
de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou
entidades da administração pública;

• g) procedimentos de legitimação de posse;

• h) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso,


locação ou permissão de uso de bens imóveis de uso comercial de âmbito local
com área de até 250 m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) e inseridos no
âmbito de programas de regularização fundiária de interesse social
desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública;

• i) alienação e concessão de direito real de uso, gratuita ou onerosa, de terras


públicas rurais da União e do Incra.

 CASOS EM QUE A LICITAÇÃO É DISPENSADA PARA BENS MÓVEIS:


• a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de interesse social, após
avaliação de sua oportunidade e conveniência socioeconômica, relativamente à
escolha de outra forma de alienação;

• b) permuta, permitida exclusivamente entre órgãos ou entidades da


Administração Pública;

• c) venda de ações, que poderão ser negociadas em bolsa, observada a legislação


específica;

• d) venda de títulos, na forma da legislação pertinente;

• e) venda de bens produzidos ou comercializados por órgãos ou entidades da


Administração Pública, em virtude de suas finalidades;

• f) venda de materiais e equipamentos para outros órgãos ou entidades da


Administração Pública, sem utilização previsível por quem deles dispõe.

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LICITAÇÃO DISPENSÁVEL
Nesse último caso de exceção ao dever de licitar que estudaremos nesse material, deve-se
frisar que há uma discricionariedade (faculdade) para a Administração Pública. Aqui a regra
é que posso ou não fazer, ou seja, caso a Administração queira fazer a licitação ela pode, mas se
a mesma optar em não fazer, não haverá nenhuma punição por parte da lei, pois a mesma
fornece ao administrador público 35 hipóteses em que ele pode escolher fazer ou não licitação.
As questões de prova não costumam aprofundar o referido tema, por isso transcrevi
abaixo todos os incisos e vou lhe fazer uma requisição: leia com atenção todos eles, pois sua
incidência em prova não é pouca.
 ART. 24. É DISPENSÁVEL A LICITAÇÃO:
I - Para obras e serviços de engenharia de valor até 10% (R$ 33.000,00) DESDE QUE
não se refiram a parcelas de uma mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da
mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e
concomitantemente;

II - Para outros serviços e compras de valor até 10% (R$ 17.600,00) e para alienações,
nos casos previstos nesta Lei, DESDE QUE não se refiram a parcelas de um mesmo serviço,
compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez;

III - nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem;

IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência


de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de
pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para
os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas
de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias consecutivos e
ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, VEDADA a prorrogação
dos respectivos contratos;
V - Quando NÃO ACUDIREM interessados à licitação anterior e essa, justificadamente,
não puder ser repetida sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, todas as
condições preestabelecidas. (DESERTA)
OBS.: NÃO CONFUNDIR COM LICITAÇÃO FRACASSADA!
MARCELO ALEXANDRINO E VICENTE DE PAULA
“Temos licitação fracassada quando aparecem interessados, mas
nenhum é selecionado, em decorrência de inabilitação ou de
desclassificação das propostas. COMO REGRA GERAL, a licitação
fracassada NÃO É hipótese de licitação dispensável, e sim de aplicação
do disposto no art. 48, §. 3.º, da Lei 8.666/1993, a saber:

ARTIGO 48 § 3º - Quando todos os licitantes forem inabilitados


ou todas as propostas forem desclassificadas, a administração
poderá fixar aos licitantes o prazo de oito dias úteis para a
apresentação de nova documentação ou de outras propostas
escoimadas das causas referidas neste artigo, facultada, no
caso de convite, a redução deste prazo para três dias úteis”.
(Direito Administrativo descomplicado 26ª edição; Marcelo Alexandrino
E Vicente De Paula; p. 764)

MUDE SUA VIDA!


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CONCATENANDO O ASSUNTO

Uma licitação deserta é aquela em que não aparece ninguém. Muito cuidado
porque só pode ser dispensável se ficar comprovado que ao repetir o procedimento
licitatório, a administração pública terá prejuízos. Outra coisa: ao dispensar a
licitação por conta dessa hipótese, deve-se realizar uma contratação mantendo todas
as condições preestabelecidas no edital passado, não pode haver alterações
justamente para se evitar corrupção no procedimento licitatório.
Na LICITAÇÃO FRACASSADA na verdade nós temos interessados, o que
ocorre é que por irregularidades os mesmos não conseguem chegar ao final do
procedimento licitatório. Nesse caso a lei permite que seja dado um prazo de oito
dias úteis para que haja apresentação de uma nova documentação, e na situação
do convite, esse prazo pode ser reduzido para três dias úteis. Perceba que a
licitação não é dispensável, é apenas um prazo para se regularizar na mesma licitação
alguns documentos.
A Banca CESPE em 2018 cobrou esse assunto na prova do TCE-MG para o cargo
de Analista de Controle Externo.
“Caso não compareça interessado em certame licitatório na
modalidade tomada de preços, a administração pública poderá firmar
contratação direta, desde que motivadamente demonstre o potencial de
prejuízo para a realização de nova licitação e desde que sejam mantidas as
condições constantes do instrumento convocatório”.
Essa situação retrata a licitação:
a) fracassada.
b) dispensada.
c) dispensável. (Foi o gabarito oficial)
d) inexigível.
e) proibida.

VI - Quando a União tiver que intervir no domínio econômico para regular preços ou
normalizar o abastecimento;

VII - quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente


superiores aos praticados no mercado nacional, ou forem incompatíveis com os fixados
pelos órgãos oficiais competentes, casos em que, observado o parágrafo único do art. 48 desta
Lei e, persistindo a situação, será admitida a adjudicação direta dos bens ou serviços, por
valor não superior ao constante do registro de preços, ou dos serviços.

MARCELO ALEXANDRINO E VICENTE DE PAULA


“O inciso VII do art. 24 trata de uma específica hipótese de licitação
fracassada que poderá resultar em uma situação de licitação
dispensável (foi essa a razão de termos afirmado, anteriormente, que a
licitação fracassada, "como regra geral'', não configura hipótese de
licitação dispensável).
Deveras, resulta do inciso em questão, combinado com o supratranscrito
§ 3.º do art. 48, que, se todos os licitantes forem desclassificados porque
suas propostas continham preços manifestamente superiores aos
praticados no mercado nacional, ou incompatíveis com os preços fixados

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pelos órgãos oficiais competentes, a administração poderá fixar aos


licitantes o prazo de oito dias úteis para a apresentação de novas
propostas (facultada, na modalidade convite, a redução desse prazo para
três dias úteis). Caso as novas propostas apresentadas incorram no
mesmo problema - preços manifestamente superiores aos praticados no
mercado nacional, ou incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais
competentes -, poderá, então, ser feita pela administração a
adjudicação direta dos bens ou serviços, por valor não superior ao
constante do registro de preços, ou dos serviços”.
(Direito Administrativo descomplicado 26ª edição; Marcelo Alexandrino
E Vicente De Paula; p. 764)

VIII - para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens
produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre a Administração Pública
e que tenha sido criado para esse fim específico em data anterior à vigência desta Lei, desde
que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado;

IX - Quando houver possibilidade de comprometimento da segurança nacional, nos


casos estabelecidos em decreto do Presidente da República, ouvido o Conselho de Defesa
Nacional;

X - Para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades


precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem a sua
escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo avaliação
prévia;

XI - na contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento, em


consequência de rescisão contratual, desde que atendida a ordem de classificação da licitação
anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao
preço, devidamente corrigido;

XII - nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros perecíveis, no tempo


necessário para a realização dos processos licitatórios correspondentes, realizadas
diretamente com base no preço do dia;

XIII - na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente


da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à
recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação
ético-profissional e NÃO tenha fins lucrativos;

XIV - para a aquisição de bens ou serviços nos termos de acordo internacional


específico aprovado pelo Congresso Nacional, quando as condições ofertadas forem
manifestamente vantajosas para o Poder Público;

XV - Para a aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos, de


autenticidade certificada, DESDE QUE COMPATÍVEIS OU INERENTES às finalidades do órgão
ou entidade.

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Muito cuidado para não confundir essa hipótese de licitação dispensável com a
inexigibilidade em relação à restauração de obras realizada por profissional de notória
especialização. Aqui para que seja uma hipótese de licitação dispensável na
realização de uma compra, ou até mesmo a restauração de uma obra de arte, ou
objeto histórico, tais obras ou objetos tem de ser compatíveis ou inerentes às
finalidades do órgão, entidade, como por exemplo, um objeto histórico em um
museu.

XVI - para a impressão dos diários oficiais, de formulários padronizados de uso da


administração, e de edições técnicas oficiais, bem como para prestação de serviços de
informática a pessoa jurídica de direito público interno, por órgãos ou entidades que integrem
a Administração Pública, criados para esse fim específico;

XVII - para a aquisição de componentes ou peças de origem nacional ou estrangeira,


necessários à manutenção de equipamentos durante o período de garantia técnica, junto
ao fornecedor original desses equipamentos, quando tal condição de exclusividade for
indispensável para a vigência da garantia;

XVIII - nas compras ou contratações de serviços para o abastecimento de navios,


embarcações, unidades aéreas ou tropas e seus meios de deslocamento quando em estada
eventual de curta duração em portos, aeroportos ou localidades diferentes de suas sedes, por
motivo de movimentação operacional ou de adestramento, quando a exiguidade dos prazos
legais puder comprometer a normalidade e os propósitos das operações e desde que seu valor
NÃO EXCEDA o do convite para compras (176.000,00.);

XIX - para as compras de material de uso pelas Forças Armadas, com exceção de
materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver necessidade de manter a
padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e
terrestres, mediante parecer de comissão instituída por decreto;

XX - Na contratação de associação de portadores de deficiência física, sem fins


lucrativos e de comprovada idoneidade, por órgãos ou entidades da Administração Pública,
para a prestação de serviços ou fornecimento de mão-de-obra, desde que o preço contratado
seja compatível com o praticado no mercado;

XXI - para a aquisição ou contratação de produto para pesquisa e desenvolvimento,


limitada, no caso de obras e serviços de engenharia, a 20% da tomada de preço para obras de
engenharia (R$ 660.000,00);

XXII - na contratação de fornecimento ou suprimento de energia elétrica e gás natural


com concessionário, permissionário ou autorizado, segundo as normas da legislação
específica;

XXIII - na contratação realizada por empresa pública ou sociedade de economia mista


com suas subsidiárias e controladas, para a aquisição ou alienação de bens, prestação ou
obtenção de serviços, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no
mercado;

MUDE SUA VIDA!


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XXIV - para a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações


sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades
contempladas no contrato de gestão;

XXV - na contratação realizada por Instituição Científica e Tecnológica - ICT ou por agência
de fomento para a transferência de tecnologia e para o licenciamento de direito de uso ou de
exploração de criação protegida;

XXVI – na celebração de contrato de programa com ente da Federação ou com entidade


de sua administração indireta, para a prestação de serviços públicos de forma associada nos
termos do autorizado em contrato de consórcio público ou em convênio de cooperação;

XXVII - na contratação da coleta, processamento e comercialização de resíduos sólidos


urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo,
efetuados por associações ou cooperativas formadas exclusivamente por pessoas físicas de
baixa renda reconhecidas pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, com o
uso de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública;

XXVIII – para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou prestados no País, que


envolvam, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante
parecer de comissão especialmente designada pela autoridade máxima do órgão;

XXIX – na aquisição de bens e contratação de serviços para atender aos contingentes


militares das Forças Singulares brasileiras empregadas em operações de paz no exterior,
necessariamente justificadas quanto ao preço e à escolha do fornecedor ou executante e
ratificadas pelo Comandante da Força;

XXX - na contratação de instituição ou organização, pública ou privada, COM OU SEM


fins lucrativos, para a prestação de serviços de assistência técnica e extensão rural no âmbito
do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e
na Reforma Agrária, instituído por lei federal;

XXXII - na contratação em que houver transferência de tecnologia de produtos


estratégicos para o Sistema Único de Saúde – SUS;

XXXIII - na contratação de entidades privadas SEM FINS lucrativos, para a


implementação de cisternas ou outras tecnologias sociais de acesso à água para consumo
humano e produção de alimentos, para beneficiar as famílias rurais de baixa renda atingidas
pela seca ou falta regular de água;

XXXIV - para a aquisição por pessoa jurídica de direito público interno de insumos
estratégicos para a saúde produzidos ou distribuídos por fundação que, regimental ou
estatutariamente, tenha por finalidade apoiar órgão da administração pública direta, sua
autarquia ou fundação em projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento
institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação;

XXXV - para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento de


estabelecimentos penais, desde que configurada situação de grave e iminente risco à
segurança pública.

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EXERCÍCIOS
ANO: 2020. BANCA: IBFC ÓRGÃO: TRE-PA PROVA: Técnico Judiciário – Administrativa.
19. A respeito das modalidades, limites e dispensa de licitação pública, considere as
disposições expressas na Lei nº 8.666 de 1993 e assinale a alternativa correta.

a) os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de


procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da
autoridade competente, desde que adotado o procedimento licitatório sob a modalidade
de concorrência ou tomada de preços.

b) nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a tomada de


preços e, em qualquer caso, a concorrência.

c) é dispensável a licitação para contratação de profissional de qualquer setor artístico,


diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica
especializada ou pela opinião pública.

d) Convite é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou


que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia
anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.
GABARITO: LETRA B

SOLUÇÃO RÁPIDA
a) os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja
derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão
ser alienados por ato da autoridade competente, desde que adotado o
procedimento licitatório sob a modalidade de concorrência ou tomada de
preços. (Errado)
“Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de
procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por ato
da autoridade competente, desde que adotado o procedimento licitatório sob a
modalidade de concorrência ou tomada de preços”. Nos termos do artigo 19, inciso
III da lei 8.666/93, as modalidades que podem ser utilizadas serão o leilão ou a
concorrência, portanto, item errado.
b) nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a
tomada de preços e, em qualquer caso, a concorrência. (Correta)
Gabarito da questão, pois o convite, a tomada de preços e a concorrência serão
modalidades estipuladas em razão do valor do objeto. O convite é a modalidade
menos complexa e será utilizada em licitações de menor valor, A tomada de preço
tem uma média complexidade, então são utilizadas em obras de vultos medianos, e
a concorrência em obras de grande vulto, porém nossa regrinha é “QUEM PODE
MAIS PODE MENOS”. Nada impede que seja feito uma concorrência com um valor
baixo, basta que o administrador assim o deseje.
c) é dispensável a licitação para contratação de profissional de
qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo,

MUDE SUA VIDA!


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desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.


(Errado)
“É dispensável a licitação para contratação de profissional de qualquer setor
artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado
pela crítica especializada ou pela opinião pública”. Não estamos diante de um caso
de licitação dispensável, e sim de inexigibilidade nos termos do artigo 25, inciso III
da lei 8.666/93, portanto, opção equivocada.

d) Convite é a modalidade de licitação entre interessados devidamente


cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para
cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das
propostas, observada a necessária qualificação. (Errado)
“Convite é a modalidade de licitação entre interessados devidamente
cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento
até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a
necessária qualificação”. O conceito apresentado é o da tomada de preço, o convite
é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto,
CADASTRADOS OU NÃO, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 pela
unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento
convocatório e o estenderá aos demais cadastrados, na correspondente especialidade
que manifestarem seu interesse com antecedência de ATÉ 24 HORAS da
apresentação das propostas.

SOLUÇÃO COMPLETA
a) os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja
derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão
ser alienados por ato da autoridade competente, desde que adotado o
procedimento licitatório sob a modalidade de concorrência ou tomada de
preços. (Errado)
Nesta opção que está errada, deve-se ter atenção no que se diz respeito ao
fato de que a Administração Pública pode fazer uma alienação por meio da
modalidade “CONCORRÊNCIA”, no caso do artigo 17, e também no artigo 19, inciso
III. Agora a modalidade “TOMADA DE PREÇO” nunca será utilizada para venda de
bens e sim para compras, portanto, o gabarito está equivocado. O correto seria
afirmar que teríamos a concorrência e o LEILÃO.

Lei 8666/93:
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à
existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação
e obedecerá às seguintes normas:

I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da


administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive
as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de LICITAÇÃO NA
MODALIDADE DE CONCORRÊNCIA, dispensada essa nos seguintes casos:

MUDE SUA VIDA!


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Art. 19. Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado
de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por
ato da autoridade competente, observadas as seguintes regras:
I - Avaliação dos bens alienáveis;
II - Comprovação da necessidade ou utilidade da alienação;
III - Adoção do procedimento licitatório, SOB A MODALIDADE DE
CONCORRÊNCIA OU LEILÃO.

b) nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a


tomada de preços e, em qualquer caso, a concorrência. (Correta)
A lei 8.666/93 estabelece uma tabela de valores para se utilizar o convite, a
tomada de preço e a concorrência. No caso de obras de engenharia posso usar o
convite até R$ 330.000,00 (trezentos e trinta mil reais); se for a tomada de preço
até R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e a concorrência, em regra,
acima de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais). No caso de outras
compras e serviços, posso fazer o convite até R$ 176.000,00 (cento e setenta e seis
mil reais; a tomada de preço até R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta
mil reais); e a concorrência acima de R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e
trinta mil reais). Todavia o artigo 23, parágrafo 4º diz que em qualquer situação
posso utilizar a concorrência, e nos valores estabelecidos para o convite posso usar
também a tomada de preço.

Art. 23. § 4º. Nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar
a tomada de preços e, em qualquer caso, a concorrência.

c) é dispensável a licitação para contratação de profissional de


qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo,
desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.
(Errado)
É muito comum em prova o examinador querer te confundir, como é o caso
dessa opção. Aqui não temos uma situação de licitação dispensável, e sim inexigível.
Abaixo transcrevo as três hipóteses de inexigibilidade para tentar facilitar nosso
estudo, aconselho a memorizar as três:

Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição,


em especial:

1ª - Para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser


fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial EXCLUSIVO,
vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser
feita por meio de atestado fornecido:
Pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou
a obra ou o serviço;
Pelo Sindicato;
Federação; ou
Confederação Patronal;
Ou, ainda, pelas entidades equivalentes.

MUDE SUA VIDA!


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Nessa hipótese em especial, o que deve ter em mente é que como só temos
UMA empresa que fabrica tal produto ou que fornece tal serviço, não tem como ter
licitação. Cuidado porque aqui temos uma proibição à preferência de marca.

2ª- Para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 dessa Lei,


de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória
especialização, VEDADA a inexigibilidade para serviços de publicidade e
divulgação;
Lei 8.666/93
Art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços técnicos
profissionais especializados os trabalhos relativos a:
I - Estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
II - pareceres, perícias E avaliações em geral;
III - assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras;
III - assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou
tributárias;
IV - Fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
V - Patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
VI - treinamento E aperfeiçoamento de pessoal;
VII - restauração de obras de arte e bens de valor histórico.

OBS! Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo


conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior,
estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou
de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu
trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do
objeto do contrato.

Muita atenção com essa hipótese de inexigibilidade de licitação. Aqui as


palavras-chave serão “serviço de natureza singular” realizado por “um
profissional de notória especialização”. Também temos uma vedação que é em
relação a serviços de publicidade e divulgação.
3ª- Para contratação de profissional de qualquer SETOR ARTÍSTICO,
diretamente ou por meio de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica
especializada OU pela opinião pública.

Nesse caso em específico você pode pensar nas comemorações realizadas pela
administração que ocorrem ao longo do Brasil como por exemplo, em aniversários
dos municípios, inauguração ou reinauguração de determinados serviços à sociedade,
que geralmente são marcados por shows em que os artistas mais conhecidos da
mídia ou não tão conhecidos estão presentes. A contratação desses respectivos
artistas é feita por meio da inexigibilidade, pois seria impensável imaginar como se
faria tal licitação, quais seriam os critérios adotados para selecionar os vencedores?
Lembrando que aqui existe a necessidade de a contratação ser direta ou no
máximo por empresário exclusivo, e que ainda tem uma outra condicional, pois esse
artista deve ser consagrado pela crítica especializada ou pela opinião do povo.

MUDE SUA VIDA!


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d) Convite é a modalidade de licitação entre interessados devidamente


cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para
cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das
propostas, observada a necessária qualificação. (Errado)
Neste caso temos um conceito que não se encaixa na modalidade descrita. Aqui
temos o “convite” enquadrado no conceito da modalidade “tomada de preço”,
portanto a questão está equivocada, o certo seria afirmar uma das duas formas que
transcrevo a seguir:

Art. 22. § 2º. TOMADA DE PREÇOS é a modalidade de licitação entre


interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições
exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das
propostas, observada a necessária qualificação.

OU

Art. 22. § 3º. CONVITE é a modalidade de licitação entre interessados do ramo


pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número
mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado,
cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na
correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de
até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.

ANO: 2020. BANCA: IBFC ÓRGÃO: TRE-PA PROVA: Técnico Judiciário – Administrativa.
20. As normas para licitações e contratos da Administração Pública encontram-se,
sobretudo, disciplinadas na Lei nº 8.666 de 1993. Todavia, sua leitura deve ser
acompanhada dos documentos normativos que alteraram o seu conteúdo. Sobre o tema,
assinale a alternativa correta.

a) é dispensável a licitação para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento


de estabelecimentos penais, desde que configurada situação de grave e iminente risco à
segurança pública.

b) é dever das unidades administrativas utilizarem-se de registros cadastrais de outros


órgãos ou entidades da Administração Pública.

c) considerando o valor estimado da contratação, a modalidade licitatória para obras e


serviços de engenharia será: convite até R$ 150.000,00; tomada de preços até R$
1.500.000,00; e concorrência acima de R$ 1.500.000,00.

d) é dispensável a licitação para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que


só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo,
vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita por
meio de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se
realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação
Patronal, ou ainda, pelas entidades equivalentes.

MUDE SUA VIDA!


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GABARITO: LETRA A
SOLUÇÃO RAPÍDA

a) é dispensável a licitação para a construção, a ampliação, a reforma


e o aprimoramento de estabelecimentos penais, desde que configurada
situação de grave e iminente risco à segurança pública. (Correta)
Item certo de acordo com o artigo 24 que diz: “É dispensável a licitação: XXXV
- para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento de estabelecimentos
penais, desde que configurada situação de grave e iminente risco à segurança
pública”.

b) é dever das unidades administrativas utilizarem-se de registros


cadastrais de outros órgãos ou entidades da Administração Pública. (Errado)
“É dever das unidades administrativas utilizarem-se de registros cadastrais de
outros órgãos ou entidades da Administração Pública”. Não estamos diante de um
dever, e sim de uma faculdade nos termos do artigo Art. 34. § 2º da lei 8.666/93.

c) considerando o valor estimado da contratação, a modalidade


licitatória para obras e serviços de engenharia será: convite até R$
150.000,00; tomada de preços até R$ 1.500.000,00; e concorrência acima
de R$ 1.500.000,00. (Errado)
“Considerando o valor estimado da contratação, a modalidade licitatória para
obras e serviços de engenharia será: convite até R$ 150.000,00; tomada de preços
até R$ 1.500.000,00; e concorrência acima de R$ 1.500.000,00“. A opção está errada
porque foi baseada na literalidade da lei 8.666/93, essa tabela de valores foi
atualizada por meio do decreto nº 9.412, de 18 de junho de 2018, tendo em vista o
disposto no art. 120 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

d) é dispensável a licitação para aquisição de materiais, equipamentos,


ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou
representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo
a comprovação de exclusividade ser feita por meio de atestado fornecido
pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação
ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal,
ou ainda, pelas entidades equivalentes. (Errado)
“É dispensável a licitação para aquisição de materiais, equipamentos, ou
gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de
exclusividade ser feita por meio de atestado fornecido pelo órgão de registro do
comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo
Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou ainda, pelas entidades
equivalentes”. Não é caso de licitação dispensável, mas sim de licitação inexigível
nos termos do artigo 25, inciso I.

SOLUÇÃO COMPLETA
a) é dispensável a licitação para a construção, a ampliação, a reforma
e o aprimoramento de estabelecimentos penais, desde que configurada
situação de grave e iminente risco à segurança pública. (Correta)

MUDE SUA VIDA!


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Item certo de acordo com o artigo 24 que diz: “É dispensável a licitação: XXXV
- para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento de estabelecimentos
penais, desde que configurada situação de grave e iminente risco à segurança
pública”.

b) é dever das unidades administrativas utilizarem-se de registros


cadastrais de outros órgãos ou entidades da Administração Pública. (Errado)

c) considerando o valor estimado da contratação, a modalidade


licitatória para obras e serviços de engenharia será: convite até R$
150.000,00; tomada de preços até R$ 1.500.000,00; e concorrência acima
de R$ 1.500.000,00. (Errado)
A opção está errada porque foi baseada na literalidade da lei 8.666/93, essa
tabela de valores foi atualizada por meio do decreto nº 9.412, de 18 de junho de
2018, tendo em vista o disposto no art. 120 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.
Hoje o que temos estabelecido é:

OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA

A) Convite: até 330.000,00.


B) Tomada de preços: até 3.300.000,00.
C) Concorrência: acima 3.300.000,00.

COMPRAS E SERVIÇOS

A) Convite: até 176.000,00.


B) Tomada de preços: até 1.430.000,00.
C) Concorrência: acima 1.430.000,00.

Em relação a valores, temos também a possibilidade de que eles sejam


dobrados ou triplicados. Quando tivermos ATÉ TRÊS entes se reunindo por meio
de um consórcio público para realizar determinada contratação, esses valores
DOBRARÃO, porém se tivermos MAIS DE TRÊS entes se reunindo para realizar
determinada contratação, esses valores TRIPLICARÃO!

Lei 8.666/93

Artigo 23 § 8º. No caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o dobro dos


valores mencionados no caput desse artigo quando formado por até 3 (três) entes
da Federação, e o triplo, quando formado por maior número.

d) é dispensável a licitação para aquisição de materiais, equipamentos,


ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou
representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo
a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo
órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a
obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou
ainda, pelas entidades equivalentes. (Errado)

MUDE SUA VIDA!


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Essa forma de afirmativa é muito corriqueira em provas que cobram licitação,


então aconselho você a gravar as três situações em que teremos a inexigibilidade de
licitação, e em segundo plano tente memorizar os casos de dispensa, pois esses são
bem mais numerosos. Abaixo transcrevo as três possibilidades de inexigibilidade.

“Lei 8.666/93

Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição,


em especial:

I - Para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser


fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada
a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através
de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria
a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação
Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;

II - Para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta


Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória
especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação;

III - para contratação de profissional de qualquer setor artístico,


diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela
crítica especializada ou pela opinião pública”.

ANO: 2020. BANCA: Quadrix ÓRGÃO: CREFONO-5° Região PROVA: Assistente


Administrativo.
Acerca das licitações e dos contratos da Administração Pública, julgue o item.
21. O estabelecimento de preferência para bens e serviços produzidos no País ou produzidos
ou prestados por empresas brasileiras é considerado como exceção que não entra em
conflito com o princípio da isonomia.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA

O estabelecimento de preferência para bens e serviços produzidos no


País ou produzidos ou prestados por empresas brasileiras é considerado
como exceção que não entra em conflito com o princípio da isonomia.
Afirmativa correta. O princípio da isonomia é consequência do princípio da
impessoalidade, e tem seu significado em garantir a todos que participam do
procedimento licitatório igualdade de condições. Ele exige que no procedimento
licitatório haja um tratamento igual para todos, na lei 8.666/93 em seu artigo 3º
parágrafo 1º inciso II descreve as condutas proibidas aos agentes públicos como por
exemplo, estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal,
trabalhista, previdenciária ou qualquer outro entre empresas brasileiras e
estrangeiras, inclusive no tocante à moeda, modalidade e local de pagamento.
Porém o próprio final do artigo apresenta ressalvas, como o estabelecimento
de preferência para bens e serviços produzidos no País, ou produzidos, ou
prestados por empresas brasileiras.

MUDE SUA VIDA!


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SOLUÇÃO COMPLETA

O estabelecimento de preferência para bens e serviços produzidos no


País ou produzidos ou prestados por empresas brasileiras é considerado
como exceção que não entra em conflito com o princípio da isonomia.
Afirmativa correta. O princípio da isonomia é consequência do princípio da
impessoalidade e tem seu significado em proibir o estabelecimento de condições que
impliquem preferência em favor de determinados licitantes em detrimento dos
demais. Ele exige que no procedimento licitatório haja um tratamento igual para
todos, na lei 8.666/93 em seu artigo 3º parágrafo 1º inciso II descreve as condutas
proibidas aos agentes públicos como, por exemplo, estabelecer tratamento
diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista, previdenciária ou qualquer
outro entre empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive no tocante à moeda,
modalidade e local de pagamento. Porém o próprio final do artigo apresenta
ressalvas, são elas:
§ 5o Nos processos de licitação, PODERÁ SER ESTABELECIDA MARGEM de
preferência para:

I - Produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a


normas técnicas brasileiras; e

II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem


cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou
para reabilitado da Previdência Social e que atendam às regras de
acessibilidade previstas na legislação.

§ 6o A margem de preferência de que trata o § 5o será estabelecida com base


em estudos revistos periodicamente, em prazo não superior a 5 (cinco) anos, que
levem em consideração:

I - Geração de emprego e renda;

II - Efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais;

III - desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País;

IV - Custo adicional dos produtos e serviços; e

V - Em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.

§ 7o Para os produtos manufaturados e serviços nacionais resultantes de


desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País, poderá ser
estabelecido MARGEM DE PREFERÊNCIA ADICIONAL àquela prevista no §
5o.

§ 8o As margens de preferência por produto, serviço, grupo de produtos ou


grupo de serviços, a que se referem os §§ 5o e 7o, serão definidas pelo Poder
Executivo federal, não podendo a soma delas ultrapassar o MONTANTE DE 25%
(vinte e cinco por cento) sobre o preço dos produtos manufaturados e SERVIÇOS
ESTRANGEIROS.

MUDE SUA VIDA!


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§ 10. A margem de preferência a que se refere o § 5o poderá ser estendida,


total ou parcialmente, aos bens e serviços originários dos Estados Partes do
Mercado Comum do Sul - Mercosul.

§ 12. Nas contratações destinadas à implantação, manutenção e ao


aperfeiçoamento dos sistemas de tecnologia de informação e comunicação,
considerados estratégicos em ato do Poder Executivo federal, a licitação poderá
ser restrita a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e
produzidos de acordo com o processo produtivo básico de que trata a Lei no 10.176,
de 11 de janeiro de 2001.

A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro também cita como exceção à


regra o § 2º do artigo 3º da Lei nº 8.666/93 que diz:

§ 2o Em igualdade de condições, como CRITÉRIO DE DESEMPATE, será


assegurada preferência, sucessivamente, aos bens e serviços: (Diferente da
margem de preferência o critério desempate não precisa estar no edital pois
decorre da lei)

1º- produzidos NO PAÍS;

2º- Produzidos ou prestados por EMPRESAS BRASILEIRAS;

3º- Produzidos ou prestados por empresas QUE INVISTAM em pesquisa e no


desenvolvimento de TECNOLOGIA NO PAÍS;

4º- Bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem


cumprimento de reserva de cargos para PESSOA COM DEFICIÊNCIA ou para
reabilitado da Previdência Social e que atendam ÀS REGRAS DE ACESSIBILIDADE;

5º- SORTEIO. (Art. 45 § 2º- No caso de empate entre duas ou mais propostas,
e após obedecido o CRITÉRIO DE DESEMPATE, a classificação se fará,
obrigatoriamente, por SORTEIO, em ato público, para o qual todos os licitantes serão
convocados, vedado qualquer outro processo)

Além disso, a Lei Complementar nº 123, de 14-12-06, veio conceder benefícios


às microempresas e empresas de pequeno porte, estendidos às cooperativas pela Lei
nº 11.488/07

“Art. 44. Nas licitações será assegurada, como critério de desempate,


preferência de contratação para as microempresas e empresas de pequeno
porte.
§ 1o Entende-se por empate aquelas situações em que as propostas
apresentadas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sejam iguais ou
até 10% (dez por cento) superiores à proposta mais bem classificada.
§ 2o Na modalidade de pregão, o intervalo percentual estabelecido no §
1o deste artigo será de até 5% (cinco por cento) superior ao melhor preço”.

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CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
CONCEITO
Olá! Agora começaremos a estudar os contratos administrativos, mas antes disso
precisamos fazer uma dicotomia entre os contratos administrativos e os contratos da
administração.
Assim como nos atos administrativos e atos da administração, a diferença crucial será o
regime jurídico pelo qual foram praticados, aqui seguirá a mesma lógica. Se o contrato for
regido pelo DIREITO PRIVADO, será o contrato da administração, porém se for um contrato
regido pelo DIREITO PÚBLICO praticado pela Administração Pública, aí sim teremos então um
CONTRATO ADMINISTRATIVO!
Mas atenção com a peculiaridade da segunda parte do artigo 54 da lei 8.666/93, pois a
teoria geral dos contratos de que dispõe o código civil, ou seja, o direito privado também se
aplica aos contratos administrativos, mas apenas de forma subsidiária, segue o texto da lei:

LEI 8.666/93
Art. 54. “Os contratos administrativos de que trata esta Lei
regulam-se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de DIREITO
PÚBLICO, aplicando-se lhes, SUPLETIVAMENTE (que serve
para completar), os princípios da teoria geral dos contratos
e as disposições de direito privado”.

A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que os contratos em que a


administração está presente praticados sob regime de direito privado são marcados pela
horizontalidade, ou seja, a Administração não poderá se valer de sua imperatividade.
Diferente dos contratos administrativos em que a Administração atua sob regime de direito
Público, pois nesse caso o que teremos nessas relações contratuais é a marca da verticalidade.
Podemos citar, por exemplo, o fato de a Administração Pública realizar um contrato de
locação, um contrato de doação. Os professores Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo
também trazem o exemplo de abertura de conta em um banco que pertence ao governo. São
alguns exemplos de contratos que são despidos da imperatividade, portanto não podem ser
chamados de contratos administrativos, restando a eles a nomenclatura DE CONTRATOS DA
ADMINISTRAÇÃO.

ESQUEMATIZANDO

Contratos privados da administração Contratos administrativos


(semipúblicos)
• Regime jurídico de direito público
• Regime de direito privado
• Verticalidade
• Horizontalidade
• Contrato chamados de típicos
• Contrato chamados de atípicos

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Acabamos de ver que nem todo contrato que a administração realiza é propriamente um
ato administrativo, pegadinhas como tais tenho certeza que você não errará. Estudaremos a
partir de agora o contrato administrativo propriamente dito, apresento a seguir o conceito de
contrato administrativo dos grandes mestres.

JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO


“De forma simples, porém, pode-se conceituar o contrato administrativo
como o ajuste firmado entre a Administração Pública e um particular,
regulado basicamente pelo direito público, e tendo por objeto uma
atividade que, de alguma forma, traduza interesse público”.
(Manual de Direito Administrativo – 33ª edição - Jose dos Santos
Carvalho Filho; p. 297)

MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


“A expressão contrato administrativo é reservada para designar tão
somente os ajustes que a Administração, nessa qualidade, celebra com
pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, para a consecução de
fins públicos, segundo regime jurídico de direito público”.
(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.
755)

HELY LOPES MEIRELLES


“É o ajuste que a Administração Pública, agindo nessa qualidade, firma
com particulares ou outra entidade administrativa para a consecução de
objetivos de interesse público, nas condições estabelecidas pela própria
Administração”.
(Direito Administrativo Brasileiro; 42ª edição; Hely Lopes Meirelles; p.
239)

ALEZANDRE MAZZA
“Podemos conceituar contrato administrativo como o ajuste
estabelecido entre a Administração Pública, agindo nessa qualidade, e
terceiros, ou somente entre entidades administrativas, submetido ao
regime jurídico-administrativo para a consecução de objetivos de
interesse público”.
(Manual de Direito Administrativo – 9ª edição - Alexandre Mazza; p. 657)

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SUJEITOS DO CONTRATO
Para uma questão de conceituar quem está nessa relação contratual, e também pela
importância de ler que eles possuem tipificação na lei 8.666/93.

Art. 6o Para os fins desta Lei, considera-se:


XIV - Contratante - é o órgão ou entidade signatária do
instrumento contratual;
XV - Contratado - a pessoa física ou jurídica signatária de
contrato com a Administração Pública.

CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO ADMINISTRATIVO


A doutrina vai analisar e definir características que são comuns aos contratos
administrativos. Dos doutrinadores clássicos, o professor Matheus Carvalho é quem aborda
de maneira mais aprofundada tal assunto, transcrevo abaixo a lição do Grande mestre: (grifos
nossos)

“Além da característica comum a todos os contratos administrativos,


qual seja a busca incessante pelo interesse público, outras características
estão presentes nas avenças celebradas pelo Poder Público, consoante se
analisará.

Dessa forma, pode-se dizer que todo contrato administrativo será:

I. Comutativo: aquele que gera direitos e deveres previamente


estabelecidos para ambas as partes, não havendo a submissão a álea
por parte dos contratantes. Não há contratos sujeitos a risco no Direito
Administrativo. Sendo assim, diferentemente do direito civil, que
permite a celebração de contratos aleatórios, com indefinição de
obrigações para uma das partes do acordo, esta característica não pode
estar presente nos contratos públicos.

II. Consensual: o simples consenso das partes já formaliza o contrato.


Não se faz necessária a transferência do bem para ele se tornar perfeito.
Nestes casos, a transferência do bem é simples consequência do contrato.
Ressalte-se que, em direito civil, é possível a celebração de contrato real,
aquele cuja perfeição depende da entrega da coisa, objeto do contrato.

No Direito administrativo, o consenso do particular manifestar-se-á no


momento da abertura dos envelopes de documentação. Por sua vez, o
consenso da Administração depende da celebração do contrato.

III. De Adesão: aqueles que não admitem a rediscussão de cláusulas


contratuais. As cláusulas são impostas por uma das partes (poder
público) e à outra parte (particular) cabe apenas aderir ou não à avença.
Nesses contratos, a Administração Pública não pode modificar cláusulas
contratuais por vontade ou sugestão do particular a ser contratado.

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IV. Oneroso: como regra, não são admitidos contratos gratuitos


firmados com o poder público, devendo o particular ser remunerado
pela execução da atividade ou entrega do bem objeto do acordo firmado.

V. Sinalagmático: as obrigações das partes são recíprocas, ou seja, a


execução da atividade de uma das partes enseja o adimplemento
contratual pela outra.

VI. Personalíssimo: os contratos administrativos devem ser


celebrados com o vencedor do procedimento licitatório, não podendo
ser transferido a terceiro. Nesse sentido, o contrato tem natureza intuito
personae e a possibilidade de subcontratação do objeto do acordo fica
limitada às hipóteses legalmente admitidas.

VII. Formal: todo contrato administrativo tem uma forma definida na


lei, indispensável à sua regularidade”.
(CARVALHO, Matheus. Manual de Direito Administrativo. 4ª Ed.
Salvador: Juspodivm, 2017, p. 541.)

CUIDADO!
Temos uma exceção ao formalismo do contrato que é o contrato administrativo
verbal de compra de pequeno valor e pronto pagamento quando não for superior
a 5% do limite estabelecido para o convite em relação a compras, ou seja, R$
8.800,00.
Art. 60 Parágrafo único “É nulo e de nenhum efeito o contrato VERBAL com a
Administração, SALVO o de pequenas compras de pronto pagamento, assim
entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite do
convite para compras”.

FORMALIZAÇÃO DOS CONTRATOS


No tocante a esse tópico o que deve ser levado em consideração os para estudos é que na
maioria das questões o que se cobra é a literalidade da lei, portanto, esquematizei para facilitar
nosso entendimento.

Art. 62. O instrumento de contrato é OBRIGATÓRIO nos casos de


CONCORRÊNCIA E DE TOMADA DE PREÇOS, BEM COMO NAS
DISPENSAS E INEXIGIBILIDADES cujos preços estejam
compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação, e
FACULTATIVO nos demais em que a Administração puder substituí-
lo por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de
empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução
de serviço.

O que pode ser extraído do artigo 62, da lei 8666/93, é que o instrumento do contrato a
rigor será obrigatório na concorrência e na tomada de preço, assim como nas dispensas e
inexigibilidades que estejam compreendidos nos valores da concorrência tomada de preço, em
casos em que os valores forem menores é possível a substituição por documentos substitutivos.

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A lei de licitações também vai trazer a obrigatoriedade de informações que TODO CONTRATO
DEVE MENCIONAR, são elas:

 Os nomes das partes e os de seus representantes;


 A finalidade;
 O ato que autorizou a sua lavratura;
 O número do processo da licitação;
 Da dispensa ou da inexigibilidade;
 A sujeição dos contratantes às normas desta Lei e às cláusulas contratuais.

PUBLICAÇÃO DOS CONTRATOS


A lei de licitações vai trazer como exigência para eficácia de todo contrato sua publicação.
O texto da lei é um tanto quanto confuso, mas vamos tentar esquematizar para você não ter
problemas em prova. Apresentarei o entendimento da doutrina majoritária a qual afirma que a
Administração deverá providenciar a publicação dentro do um prazo de 20 dias, a contar do 5.º
dia útil do mês seguinte ao da celebração.

LEI 8.666/93
 ART. 61 PARÁGRAFO ÚNICO
• A PUBLICAÇÃO resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na
imprensa oficial, QUE É CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL PARA SUA EFICÁCIA;
• Será providenciada pela Administração ATÉ O 5º DIA ÚTIL DO MÊS SEGUINTE
ao de sua assinatura;
• Para ocorrer no PRAZO DE 20 DIAS daquela data;
• QUALQUER QUE SEJA O SEU VALOR, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto
no art. 26 dessa Lei.
ESQUEMATIZANDO
Contrato 5º dia útil 20 dias
assinado em Prazo que a administração tem para fazer a publicação do
contrato

FEVEREIRO
JANEIRO

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PRESENÇA DE CLÁUSULAS EXORBITANTES


Sem sombra de dúvida, no tocante aos contratos administrativos, a maior incidência de
questões de concurso público repousa sobre as cláusulas exorbitantes, então aprofundaremos
os nossos estudos em cada uma delas.
Mas o que são essas cláusulas exorbitantes? Elas são ferramentas que colocarão a
Administração Pública acima do particular durante a realização do contrato. Por mais que
pareça ser desleal, devemos ter em mente que a realização dos contratos por parte dos
contratados será para atender a finalidade de todos, ou seja, o interesse público e o mesmo
sempre estará acima do interesse do particular, por isso é imprescindível que existam tais
cláusulas contratuais de privilégio para a administração pública.
O Artigo 58 da lei 8.666 confere administração pública prerrogativas especiais em
relação ao contratado. (Método mnemônico: FORMAR EXIGE GARANTIA)

 F ISCALIZAÇÃO
 O CUPAR PROVISORIAMENTE OS BENS
 R ESCINDIR UNILATERALMENTE O CONTRATO
 M ODIFICAR UNILATERALMENTE O CONTRATO
 A PLICAR SANÇÕES
 R ESTRIÇÃO AO USO DA EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO
 EXIGÊNCIA DE GARANTIA
LEI 8.666/93
Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos
instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a
eles, a PRERROGATIVA de:
I - Modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às
finalidades de interesse público, respeitados os direitos do
contratado;
II - Rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no
inciso I do art. 79 desta Lei;
III - Fiscalizar-lhes a execução;
IV - Aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou
parcial do ajuste;
V - Nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente
bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do
contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração
administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem
como na hipótese de rescisão do contrato administrativo.

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FISCALIZAÇÃO
LEI 8.666/93
Art. 67. “A execução do contrato deverá ser acompanhada e
fiscalizada por um representante da Administração
especialmente designado, permitida a contratação de terceiros
para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa
atribuição. ”
Nasce junto com a celebração do contrato a necessidade de
acompanhar a execução do mesmo. A fiscalização é
contemporânea ao contrato e é desempenhada por um “fiscal
de contrato”, segundo a lei existe a possibilidade da
contratação de um terceiro para fiscalizar.

Art. 69. “O contratado é obrigado a reparar, corrigir,


remover, reconstruir ou substituir, às suas custas, no total ou
em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios,
defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais
empregados”.

A cláusula de privilégio de fiscalização permite que a Administração Pública fiscalize a


execução contratual de forma concomitante, muita atenção pois já me deparei com questões
de prova que dizia que essa fiscalização poderia ser a posteriori, tal afirmativa deve ser
considerada como errada.
Há também uma particularidade no dispositivo legal que deve sempre ser observada em
provas que é a permissão de contratação de um terceiro para assistir e subsidiar nas
informações que serão fundamentais para o acompanhamento eficiente da execução do
contrato.
A Professora Ana Claudia Campos entende que mais do que uma cláusula exorbitante, essa
fiscalização é um dever para Administração Pública até porque a execução do contrato de
forma sadia diz respeito ao interesse público.
Segundo o TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, a Administração Pública poderá
responder de forma subsidiária caso seja evidenciada sua conduta culposa no cumprimento
das obrigações da Lei n.º 8.666/1993. Segue a súmula:

SÚMULA Nº 331 DO TST


CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do
item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Res. 174/2011, DEJT divulgado em
27, 30 e31.05.2011.
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador,
implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas
obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do
título executivo judicial.
V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem
subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua
conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de
21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações

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contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida


responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas
assumidas pela empresa regularmente contratada.
RESPONSABILIDADE CIVIL DO CONTRATADO

LEI 8.666/93
Art. 70. “O contratado é responsável pelos danos causados
diretamente à Administração ou a terceiros, DECORRENTES
DE SUA CULPA OU DOLO na execução do contrato, não
excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou
o acompanhamento pelo órgão interessado”.
Muito detalhe com o artigo 70 que transcrevi acima, pois nele você encontrará uma
particularidade no tocante ao assunto responsabilidade civil. Quando uma empresa fecha o
contrato com a Administração Pública para prestar um serviço público essa responsabilidade
será objetiva, ou seja, vai dispensar a comprovação de dolo ou culpa nos termos do artigo 37
§ 6º da Constituição Federal que diz o seguinte:
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.

As CONCESSIONÁRIAS e PERMISSIONÁRIAS entram no conceito acima, mas aqui na


8666/93 que vai falar dos contratos em que a Administração Pública vai adquirir algo para si
mesma, como por exemplo a compra de cadeiras para uma escola pública ou a reforma de uma
câmara de vereadores, veja que a reforma do prédio e a compra de cadeiras não é uma
prestação de serviço, e sim uma aquisição de bens ou a manutenção de um bem público.
Nesses casos a responsabilidade do contratado SERÁ SUBJETIVA nos termos do artigo
70. Imagine o seguinte, sua empresa foi contratada pela Administração Pública para reformar
um hospital, e nessa reforma lá do quinto andar caiu um tijolo na cabeça de um transeunte,
pergunto: sua responsabilidade é objetiva ou subjetiva? Resposta: sem sombra de dúvida, é
subjetiva, pois a pessoa ferida terá de comprovar o nexo causal, o dano, a conduta e o dolo ou
menos a culpa nos termos do artigo 70, pois a reforma de um hospital público não é a rigor
uma prestação de serviço público em sentido estrito.

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OCUPAÇÃO PROVISÓRIA
LEI 8.666/93
Art. 58; V - Nos casos de serviços essenciais, ocupar
provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços
vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade
de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais
pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do
contrato administrativo.
Art. 80. A rescisão de que trata o inciso I do artigo anterior
acarreta as seguintes consequências, sem prejuízo das sanções
previstas nesta Lei:
II - OCUPAÇÃO e utilização do local, instalações,
equipamentos, material e pessoal empregados na execução do
contrato, necessários à sua continuidade, na forma do inciso V
do art. 58 desta Lei;

Essa cláusula exorbitante está ligada ao princípio da continuidade do serviço público,


assim a Administração Pública vai ter a capacidade de ocupar provisoriamente bens móveis,
imóveis, até mesmo pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, justamente para que
seja garantido a continuidade da prestação de um serviço que seja considerado essencial.
Atenção ao fato de que existe algumas exigências legais para que seja utilizada essa
Cláusula exorbitante, são elas:
 Necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo
contratado.
 Rescisão do contrato administrativo.

RESCISÃO UNILATERAL DO CONTRATO


LEI 8.666/93
Art. 77. A Inexecução TOTAL OU PARCIAL do contrato enseja
a sua RESCISÃO, com as consequências contratuais e as
previstas em lei ou regulamento.
ART. 79. A rescisão do contrato poderá ser:
I - Determinada por ato unilateral e escrito da
Administração, nos casos enumerados nos incisos I a XII e XVII
do artigo anterior.

Nessa cláusula exorbitante pode-se perceber a aplicação da SUPREMACIA DO INTERESSE


PÚBLICO nos contratos, pois a rescisão se dará de forma unilateral, ela pode ser com culpa
ou sem culpa do contratado. Abaixo transcrevo os artigos do artigo 78 que fala sobre a
possibilidade de rescisão contratual de forma unilateral pela Administração Pública.

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Art. 78. CONSTITUEM MOTIVO PARA RESCISÃO DO


CONTRATO:
I - o não cumprimento de cláusulas contratuais,
especificações, projetos ou prazos;
II - o cumprimento irregular de cláusulas contratuais,
especificações, projetos e prazos;
III - a lentidão do seu cumprimento, levando a Administração
a comprovar a impossibilidade da conclusão da obra, do serviço
ou do fornecimento, nos prazos estipulados;
IV - o atraso injustificado no início da obra, serviço ou
fornecimento;

V - a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento, sem


justa causa e prévia comunicação à Administração;
VI - a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a
associação do contratado com outrem, a cessão ou
transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou
incorporação, não admitidas no edital e no contrato;
VII - o desatendimento das determinações regulares da
autoridade designada para acompanhar e fiscalizar a sua
execução, assim como as de seus superiores;
VIII - o cometimento reiterado de faltas na sua execução,
anotadas na forma do § 1o do art. 67 desta Lei;
IX - a decretação de falência ou a instauração de insolvência
civil;
X - a dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado;
XI - a alteração social ou a modificação da finalidade ou da
estrutura da empresa, que prejudique a execução do contrato;
XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo
conhecimento, justificadas e determinadas pela máxima
autoridade da esfera administrativa a que está subordinado o
contratante e exaradas no processo administrativo a que se
refere o contrato;
XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior,
regularmente comprovada, impeditiva da execução do
contrato.
IMPORTANTE
Ao ler com atenção os dispositivos acima você perceberá que na maioria das
vezes haverá culpa por parte do contratado, porém há alguns casos em que não
existe tal culpa, existe apenas aplicação de interesse público. É muito comum em
provas de concurso o examinador afirmar que a rescisão unilateral do contrato pode
se dar apenas com culpa do contratado, tal afirmativa deverá ser assinalada como
errada, pois a rescisão unilateral do contrato pode acontecer com culpa ou sem

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culpa do administrado, como é o caso do inciso XVII que fala sobre caso fortuito e
força maior.
OBS.! Só administração pode rescindir o contrato de maneira unilateral, o
contratado não tem essa prerrogativa. Porém a rescisão deve ser motivada e
assegurar o contraditório e a ampla defesa.

MODIFICAÇÃO UNILATERAL DOS CONTRATOS

LEI 8.666/93
Art. 65 Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados,
com as devidas justificativas, nos seguintes casos:

I - UNILATERALMENTE pela Administração:


a) quando houver modificação do projeto ou das especificações,
para melhor adequação técnica aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em
decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu
objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
§ 1o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas
condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se
fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% do valor
inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma
de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% para os
seus acréscimos.

A meu ver, é a cláusula exorbitante mais cobrada em concurso público justamente porque
envolve porcentagens, aqui não há segredo! Você deverá memorizar que a Administração pode
modificar o contrato de forma unilateral e essa alteração pode se dar por uma melhor
adequação técnica, ou pode se dar pelo acréscimo ou diminuição na quantidade do objeto.

O que mais cai em prova é a modificação em relação à quantidade de objetos, abaixo


esquematizei o artigo que transcrevi acima, memorize a tabela e seja feliz em prova de concurso
público.

ESQUEMATIZADO

CASOS COMUNS CASO DE REFORMA DE EDIFÍCIO OU


EQUIPAMENTOS

Acréscimo de Até 25% Acréscimo de ATÉ 50%

Supressão de Até 25% Supressão de Até 25%

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Exemplo: uma empresa foi contratada para construir mil casas populares, depois,
segundo o intento da administração, a produção aumenta para 1200 por motivo de
necessidades diversas. O aumento foi de 20% na quantidade, esse acréscimo é válido por
expressa disposição legal.

APLICAÇÕES DE SANÇÕES CONTRATUAIS


LEI 8.666/93
Art. 87. Pela inexecução TOTAL OU PARCIAL do contrato a
Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao
contratado as seguintes sanções:
I - ADVERTÊNCIA;
II - MULTA, na forma prevista no instrumento convocatório ou
no contrato;
III - SUSPENSÃO TEMPORÁRIA de participação em licitação e
impedimento de contratar com a ADMINISTRAÇÃO, por prazo
NÃO superior a 2 anos;
IV - DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE para licitar ou
contratar com a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA enquanto
perdurarem os motivos determinantes da punição OU até que
seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade
que aplicou a penalidade, que será concedida SEMPRE que o
contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos
resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com
base no inciso anterior (2 ANOS).
Também muito cobrada em provas, essa cláusula exorbitante vai nos trazer quatro
penalidades que devem ser observadas com cautela. A primeira informação importante é que a
“MULTA” pode ser aplicada em conjunto com qualquer outra penalidade, mas cuidado, apenas
ela tem essa peculiaridade. Por exemplo, caso um determinado contratado seja suspenso
temporariamente (pode ser até 2 anos) de participar de um procedimento licitatório, a
Administração não poderá cumular essa suspensão com uma declaração de inidoneidade,
senão estaria incorrendo em “Bis In Idem”.

As maiores “pegadinhas” de prova vão tentar confundir você nas peculiaridades da


suspensão e da declaração de inidoneidade, esquematizarei abaixo as particularidades de
cada uma:

 SUSPENSÃO TEMPORÁRIA
• Não pode ULTRAPASSAR dois anos;

• Cabe recurso no prazo de cinco dias úteis;

• Sua decretação só atingirá o órgão ou entidade que decretou tal penalidade, pois
quando o artigo 87; inciso III fala em “ADMINISTRAÇÃO” apenas fazem remissão
a artigo 6º inciso XII o qual afirma que a Administração é apenas o órgão ou
entidade pela qual a Administração Pública opera e atua concretamente, dando
uma ideia mais restrita, mais específica.

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LEI 8.666/93
Art. 6º Para os fins desta Lei, considera-se:
XII - ADMINISTRAÇÃO - órgão, entidade ou unidade
administrativa pela qual a Administração Pública opera e atua
concretamente;

Art. 87. III - SUSPENSÃO TEMPORÁRIA de participação em


licitação e impedimento de contratar com a ADMINISTRAÇÃO,
por prazo não superior a 2 anos.

Contudo NÃO HÁ UNANIMIDADE quanto aos seus efeitos e abrangência SUSPENSÃO


TEMPORÁRIA.
 Para o TCU, enquanto a suspensão de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração incide apenas em relação ao Ente que aplicou a
sanção (efeitos restritivos), a declaração de inidoneidade produz efeitos em todo o
território nacional (efeitos extensivos).

 Já para o STJ, as sanções possuem efeitos extensivos e podem ser invocadas por
todos os Entes federados, pois, se uma empresa foi punida em razão do cometimento
de faltas graves, a sua contratação pelos demais Entes colocaria em risco o interesse
público.

ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL DA CONTAS DA UNIÃO – TCU

“9.3.2. a jurisprudência deste Tribunal tem se sedimentado no sentido de que


a penalidade de suspensão temporária e de impedimento de contratar prevista no
artigo 87, inciso III, da lei 8.666/1993 incide SOMENTE EM RELAÇÃO AO ÓRGÃO
OU À ENTIDADE CONTRATANTE, a exemplo dos Acórdãos 3.243/2012,
3.439/2012 e 1.064/2013, todos do Plenário”.
(Acórdão nº 2.962/2015 – TCU/Plenário; Processo nº 019.168/2015-2; Ministro
Relator Benjamim Zymler).

(Fonte: Migalhas
https://www.migalhas.com.br/depeso/241312/aspenalidades administrativas-de-
acordo-com-a-lei-de-licitacoes)

ENTENDIMENTO DO STJ
ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – LICITAÇÃO – SUSPENSÃO
TEMPORÁRIA – DISTINÇÃO ENTRE ADMINISTRAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA -
INEXISTÊNCIA – IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DE LICITAÇÃO PÚBLICA –
LEGALIDADE – LEI 8.666/93, ART. 87, INC. III.
- É irrelevante a distinção entre os termos Administração Pública e
Administração, por isso que ambas as figuras (suspensão temporária de participar
em licitação (inc. III) e declaração de inidoneidade (inc. IV) acarretam ao licitante a
não-participação em licitações e contratações futuras.

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- A Administração Pública é una, sendo descentralizadas as suas funções, para


melhor atender ao bem comum.
- A limitação dos efeitos da “suspensão de participação de licitação”
não pode ficar restrita a um órgão do poder público, pois os efeitos do desvio
de conduta que inabilita o sujeito para contratar com a Administração se
estendem a qualquer órgão da Administração Pública.
- Recurso especial não conhecido.
(Resp. 151.567/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA
TURMA, julgado em 25/02/2003, DJ 14/04/2003, p. 208)

 DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE

• Sua decretação proibirá O PUNIDO de contratar COM TODOS órgãos e entes da


Administração, pois quando a lei de licitação em seu artigo 87; o inciso IV fala em
“Administração Pública” e faz remissão ao artigo 6º inciso XI que transcrevo
abaixo. A doutrina vai dizer que o motivo pelo qual é adotado essa nomenclatura
é porque quer se dar mais amplitude, abrangendo todas as entidades e órgãos
da Administração Pública.
LEI 8.666/93
Art. 6º Para os fins desta Lei, considera-se:
XI - Administração Pública - a administração direta e indireta
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
abrangendo inclusive as entidades com personalidade jurídica
de direito privado sob controle do poder público e das
fundações por ele instituídas ou mantidas;

Art. 87; IV - DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE para licitar ou


contratar com a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA enquanto
perdurarem os motivos determinantes da punição OU até que
seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade
que aplicou a penalidade.

• Sua aplicação é de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário


Estadual ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no
respectivo processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista.

• Para que essa pena seja retirada é necessário que haja o ressarcimento de todo
o prejuízo.

• Sua reabilitação só pode ser requerida após 2 (dois) anos contados da


aplicação.

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MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


“Enquanto a pena de suspensão não pode ultrapassar dois anos, a de
declaração de inidoneidade não tem um limite preciso definido na lei.
Apesar da má redação do inciso IV do artigo 87, deduz-se que o limite
mínimo é de dois anos, já que a lei, na parte final do dispositivo,
emprega a expressão após decorrido o prazo da sanção aplicada com
base no inciso anterior; o limite máximo é a data em que ocorrer a
reabilitação, ou seja, quando, após decorridos dois anos, o interessado
ressarcir os prejuízos causados à Administração (art. 87, § 3º)”.
(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.
588)
Para fechar, temos essa cláusula exorbitante, temos o artigo 88 da lei de licitação que vai
dizer que a suspensão ou a declaração de modalidade também poderão ser aplicados às
empresas ou aos profissionais que em razão dos contratos regidos por essa Lei:
 Tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por meios dolosos, fraude
fiscal no recolhimento de quaisquer tributos;
 Tenham praticado atos ilícitos visando frustrar os objetivos da licitação;
 Demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a Administração em
virtude de atos ilícitos praticados.
RESTRIÇÃO AO USO DA EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO
LEI 8.666/93
Art. 78. Constituem motivo para rescisão DO CONTRATO:
XV - O ATRASO SUPERIOR A 90 dias dos pagamentos devidos
pela Administração decorrentes de obras, serviços ou
fornecimento, ou parcelas destes já recebidos ou executados,
SALVO em caso de calamidade pública, grave perturbação
da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o
direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas
obrigações até que seja normalizada a situação.
Quanto aos contratos que são regidos pelo Direito Civil, ou seja, pelo direito privado, é
possível que um dos contratantes suspendam a execução da sua parte do contrato quando o
outro não cumprir a dele, essa suspensão da execução do contrato pela parte que está
prejudicada com o não pagamento ou não execução tem o nome de exceção do contrato não
cumprido.
Antigamente, a doutrina administrativista defendia que não seria possível ao particular
interromper a execução da obra ou prestação de serviço, mesmo que a própria Administração
Pública não estivesse efetuando o pagamento devido, por conta do princípio da continuidade
do serviço público que logicamente decorre da supremacia do interesse público sobre o
particular.
Mas hoje a lei de licitação relativizou de certa forma a possibilidade de a Administração
Pública exigir a prestação de serviço ou a realização da obra, mesmo que ela própria não esteja
efetuando o pagamento. O que se deve ter em mente nas questões de prova é que o particular
pode invocar a exceção do contrato, não cumprido apenas após o prazo de 90 dias de
inadimplência por parte da Administração pública, ou seja, em uma interpretação a contrário
sensu durante 90 dias a Administração pode utilizar a cláusula exorbitante da restrição ao uso
da exceção do contrato não cumprido.

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EXIGÊNCIA DE GARANTIA
LEI 8.666/93
Art. 56. “ A critério da autoridade competente, em cada caso, e
desde que prevista no instrumento convocatório, poderá
ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras,
serviços e compras”.

Nessa cláusula exorbitante, chamo sua atenção para o fato de que quem exige a garantia
é a Administração Pública que deve estar prevista no instrumento convocatório, mas quem
escolherá a forma de prestar essa garantia é o contratado, temos na lei de licitações as
seguintes hipóteses de escolha:
 CAUÇÃO EM DINHEIRO;
 TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA;
 SEGURO GARANTIA PRESTADO POR UMA SEGURADORA;
 FIANÇA BANCÁRIA PRESTADO POR UM BANCO.

Vale a pena também frisar a informação de que tal garantia não poderá exceder a 5%
do valor do contrato, porém temos também a possibilidade de que essa porcentagem seja
aumentada para até 10% do valor do contrato caso as obras serviços e fornecimentos sejam
considerados de grande vulto e envolvam alta complexidade técnica e riscos financeiros
consideráveis.
Mas pergunto a você, qual seria o valor para ser considerado um grande vulto? Resposta:
R$ 82.500.000,00.
LEI 8.666/93
V - Obras, serviços E compras de grande vulto - aquelas cujo valor
estimado seja superior a 25 (vinte e cinco) vezes o limite
estabelecido na alínea "c" do inciso I do art. 23 desta Lei;
Art. 23. I - Para obras e serviços de engenharia:
c) concorrência: acima de R$ 3.300.000,00

R$ 3.300.000,00 x 25 = R$ 82.500.000,00 (oitenta e dois milhões e quinhentos mil)

Para finalizar o estudo das cláusulas exorbitantes, tem também circulando nas redes
sociais esse método mnemônico, como nosso intuito é sempre unir forças, resolvi colocar aqui
também. (FARAÓ)

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DURAÇÃO DOS CONTRATOS


Nesse tópico, vale a pena observar logo de cara que toda questão de prova que trouxer a
afirmação de que um contrato administrativo pode possuir vigência por prazo indeterminado
estará errada por própria força legal.
LEI 8.666/93
Art. 57. § 3o É vedado o contrato com prazo de vigência
indeterminado.
E além disso, temos também uma limitação temporal estampada no próprio artigo 57 da
lei 8.666/93.
Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará
adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários,
exceto quanto aos relativos.
Mas professor, que prazo seria esse? Pois a lei não é muito clara! Simples, os créditos
orçamentários iniciam-se em 1º de janeiro e terminam no dia 31 de dezembro. Por isso, de um
modo geral, os contratos que serão regidos pela lei de licitação possuem uma duração restrita
que é o período do ano civil.
LEI FEDERAL Nº 4.320/64:
Do Exercício Financeiro
Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.
Todavia o artigo 57 também traz exceções que podem ultrapassar esse ano civil nos seus
respectivos incisos, e quando eles caem em prova costumam ser em suas literalidades, são elas:
 I - Aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no
Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da
Administração e desde que isso tenha sido previsto no ato convocatório.
• PODE SER DE ATÉ 4 ANOS.
 II - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter
a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de
preços e condições mais vantajosas para a administração, limitada a sessenta
meses.
Art.57, § 4º Em caráter excepcional, devidamente justificado e mediante
autorização da autoridade superior, o prazo de que trata o inciso II do caput deste
artigo (sessenta meses) poderá ser prorrogado por até doze meses.

• PODE SER DE 60 MESES + 12 MESES


 IV - Ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática,
podendo a duração estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses após
o início da vigência do contrato.
• PODE SER DE ATÉ 48 MESES
 V - Às hipóteses previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24 (Contrato para
a segurança nacional), cujos contratos poderão ter vigência por até 120 (cento e
vinte) meses, caso haja interesse da administração.
• PODE SER DE ATÉ 120 MESES

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EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO

A Constituição Federal, na parte final do artigo 37, inciso XXI, traz a obrigação de que na
realização de obras, compras, serviços e alienações sejam estabelecidas cláusulas de obrigação
de pagamento em que sejam mantidas as condições efetivas das propostas, esse termo
trouxe a obrigação de preservação da margem de lucro para o contratado. O que denominamos
de “equilíbrio econômico-financeiro”.
A manutenção desse equilíbrio financeiro é um direito positivado na própria Constituição
e decorre do princípio da boa-fé nas relações jurídicas, tem como fundamento a cláusula rebus
sic stantibus e a teoria da imprevisão.
Para ser mais preciso, essa garantia de equilíbrio econômico-financeiro vai permitir com
que o poder público altere a remuneração do contratado sempre que estivermos diante de
situações excepcionais que sejam capazes de tornar onerosa a execução do respectivo
contrato.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 37; XXI - ressalvados os casos especificados na legislação,
as obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure igualdade
de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que
estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as
condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
somente permitirá as exigências de qualificação técnica e
econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações.
LEI 8.666/93
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser
alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos:
II - Por acordo das partes:
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram
inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da
administração para a justa remuneração da obra, serviço ou
fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio
econômico-financeiro inicial do contrato, na hipótese de
sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de
consequências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da
execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso
fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica
extraordinária e extracontratual.
De acordo com a doutrina majoritária, são as situações que exponho a seguir:

 CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR: Durante um bom tempo, discutiu-se a diferença


entre caso fortuito e força maior, hoje para nossa jurisprudência não há o que se
falar em grandes divergências. Em suma decorrente de fatos humanos ou eventos
naturais como, por exemplo, um terremoto que venha a destruir parte de um prédio
público que estava sendo construído por uma construtora contratada pela
administração.

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 FATO IMPREVISTO: Neste caso temos algo pré-existente à assinatura do contrato,


porém completamente desconhecido pelas partes. A professora Ana Claudia Campos
dá o seguinte exemplo:
“Também denominada sujeição imprevista, decorre de um fato preexiste
à assinatura do contrato que, entretanto, era completamente
desconhecido. Podemos citar o caso de um sítio arqueológico que só
é descoberto após o início da execução de uma obra”.
(Direito Administrativo Facilitado; Ana Claudia Campos; p. 947)

 FATO DO PRÍNCIPE: Nesse caso, em particular, temos a Administração Pública


agindo de uma forma GERAL, ABSTRATA E EXTERNA, porém tal atuação acaba
resvalando no contrato administrativo. A doutrina geralmente traz o exemplo de um
contrato assinado entre o Ente público e uma respectiva empresa que logo após se
vê prejudicada pelo aumento de um determinado “IMPOSTO” que é cobrado
justamente pelo mesmo Ente que celebrou com ela o contrato, desestabilizando
financeiramente sua realização por motivo externo ao contrato. Perceba que, nessa
situação, há uma atuação extracontratual (Álea administrativa).

A doutrina não é pacífica no que diz respeito à sua aplicação. Di Pietro, Alexandre Mazza
e o Tribunal de Contas da União defendem que se ocorrer alteração extracontratual por conta
de um ente público diferente do que celebrou o contrato, estaremos diante da teoria da
imprevisão e não fato do príncipe.

ALEXANDRE MAZZA
“Fato do príncipe: é todo acontecimento externo ao contrato e de
natureza geral (abrange toda a coletividade) provocado pela entidade
contratante, “sob titulação jurídica diversa da contratual”. Exemplos:
criação de benefício tarifário não previsto, aumento de tributo
promovido pela entidade contratante. Se a majoração de tributo for
realizada por outra esfera federativa, aplica-se a teoria da imprevisão,
e não o fato do príncipe”.
(Manual de Direito Administrativo – 9ª edição - Alexandre Mazza; p.
1066)

MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO


“No direito brasileiro, de regime federativo, a teoria do fato do príncipe
somente se aplica se a autoridade responsável pelo fato do príncipe for
da mesma esfera de governo em que se celebrou o contrato (União,
Estados e Municípios); se for de outra esfera, aplica-se a teoria da
imprevisão”.
(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.
600)

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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO


“A doutrina define “fato do príncipe” como medidas de ordem geral que
repercutem no contrato, mas que não estão com ele diretamente relacionadas,
provocando desequilíbrio econômico-financeiro em detrimento do contratado.
Entretanto, no direito brasileiro, a teoria do fato do príncipe somente se aplica se a
autoridade responsável pela medida de ordem geral for da mesma esfera federativa
daquela que celebrou o contrato [DIPIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 9. Ed.
São Paulo: Atlas, 2006. p. 284]. Não é o caso da hipótese dos autos, na qual, segundo
a recorrente, a alteração contratual teria sido motivada por mudança na política
urbana do município de Santos. Dessa forma, seria necessário aplicar a teoria
da imprevisão”.
TC 012.194/2002-1 Apensos: TC021.417/2003-6, TC 005.891/2003-6, TC
029.028/2011-6.

Há doutrinadores que não concordam com a posição do respeitado professor e da


prestigiada mestra, como é o caso do professor José Dos Santos Carvalho Filho.
“O fato do príncipe se caracteriza por ser imprevisível, extracontratual
e extraordinário, provocando neste último caso funda alteração na
equação econômico-financeira do contrato. Parte da doutrina entende
que o fato deve emanar da mesma pessoa jurídica que celebrou o
ajuste. Com a devida vênia, entendemos que o “príncipe” é o Estado ou
qualquer de suas manifestações internas, de modo que nos parece
aplicável a teoria se, por exemplo, um ato oriundo da União Federal
atingir um particular que tenha contratado com um Estado membro”.
(Manual de Direito Administrativo 32ª edição - José dos Santos Carvalho
Filho; p. 343)
 FATO DA ADMINISTRAÇÃO: O fato do príncipe, como estudamos, ocorre por uma
razão externa e geral. Aqui no fato da administração o que temos é uma situação
diretamente ligada à realização do contrato em que a própria Administração
dificulta a realização do mesmo. Por exemplo, imagine que ao realizar um contrato
o poder público firmou o compromisso de desapropriar vários imóveis para que o
contratado pudesse realizar uma obra pública fixando prazo para isso, e que
chegando tal prazo, os imóveis não se encontram desapropriados, impedindo assim
a realização da obra por culpa da própria Administração em uma situação que está
claramente envolvida no contrato.
Em 2019, a banca FGV, na prova para técnico superior jurídico da defensoria pública do
Rio de janeiro fez o seguinte questionamento:
A Administração Pública contratou a sociedade empresária Alfa para a
construção de um edifício em determinado terreno. Apesar disso, por
desorganização interna, atrasou em 1 (um) ano a liberação do respectivo
local, o que impediu o início das obras durante todo esse período.
Considerando a sistemática vigente, o referido atraso configura:
a) fato do príncipe;
b) alteração unilateral;
c) fato da Administração; (GABARITO OFICIAL DA BANCA)
d) álea econômica;
e) álea ordinária.

Perceba que o enunciado deixou claro que a Administração Pública, por uma
desorganização própria, prejudicou a respectiva empresa contratada para a realização de uma
determinada obra, exemplo clássico de fato da administração.

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EXERCÍCIOS
ANO: 2020. BANCA: CESPE. ÓRGÃO: TJ-PA PROVA: Analista Judiciário - Área
Administrativa.
22. O contrato administrativo firmado com a administração pública deve sempre buscar a
proteção de um interesse coletivo e, justamente por isso, se sujeita à aplicação do regime
público com características próprias, dentre as quais se pode destacar a reciprocidade de
obrigações. Essa característica é própria do contrato administrativo

a) oneroso.

b) consensual.

c) cumulativo.

d) personalíssimo.

e) sinalagmático.
GABARITO: LETRA E
SOLUÇÃO RÁPIDA

a) oneroso. (Errado)
“Oneroso”. O contrato deve ser remunerado na forma convencionada.

b) consensual. (Errado)
“Consensual”. Quer dizer que o contrato será acordo de vontades, e não um
ato unilateral e impositivo da Administração.

c) cumulativo. (Errado)
“Cumulativo”. As obrigações das partes contratantes serão ambas previamente
conhecidas.

d) personalíssimo. (Errado)
“Personalíssimo”. O contrato deve ser executado pelo próprio contratado, sendo
proibidas, em regra, a sua substituição por outro, ou a transferência de ajuste.

e) Sinalagmático. (Correta)
“Sinalagmático”. Deve existir reciprocidade e uma implicação mútua
(equivalência) entre as obrigações das partes contratantes.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) oneroso. (Errado)
Essa opção fala em onerosidade, o que não está em consonância com o
enunciado, pois de acordo com o Matheus Carvalho Filho, a onerosidade nos

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contratos diz que, como regra, não são admitidos contratos gratuitos firmados
com o poder público, devendo o particular ser remunerado pela execução da
atividade ou entrega do bem objeto do acordo firmado.
b) consensual. (Errado)
Esse item fala em consensualidade e seu conceito não se coaduna com o que
está disposto no enunciado. De acordo com o Matheus Carvalho, a consensualidade
nos contratos administrativos em ligado ao simples consenso das partes já formaliza
o contrato. Não se faz necessária a transferência do bem para ele se tornar perfeito.
Nesses casos, a transferência do bem é simples consequência do contrato. Ressalte-
se que, em direito civil, é possível a celebração de contrato real, aquele cuja perfeição
depende da entrega da coisa, objeto do contrato.
c) cumulativo. (Errado)
O enunciado da questão não traz a ideia de comutatividade, pois de acordo com
Matheus Carvalho, o contrato comutativo é aquele que gera direitos e deveres
previamente estabelecidos para ambas as partes, não havendo a submissão por parte
dos contratantes. Não há contratos sujeitos a risco no Direito Administrativo. Sendo
assim, diferentemente do direito civil, que permite a celebração de contratos
aleatórios, com indefinição de obrigações para uma das partes do acordo, essa
característica não pode estar presente nos contratos públicos.

d) personalíssimo. (Errado)
Esse item, apesar de se referir a uma característica do contrato, não tem nexo
com o enunciado, pois de acordo com Mateus Carvalho, o contrato personalíssimo
quer dizer que, no caso dos contratos administrativos, esses devem ser celebrados
com o vencedor do procedimento licitatório, não podendo ser transferido a terceiro.
Nesse sentido, o contrato tem natureza intuito personae e a possibilidade de
subcontratação do objeto do acordo fica limitada às hipóteses legalmente admitidas.

Não se esqueça de que há uma EXCEÇÃO na lei 8.666/93 sobre essa


característica, que é o contrato administrativo verbal de compra de pequeno valor e
pronto pagamento quando não for superior a 5% do limite estabelecido para o convite
em relação a compras, ou seja, R$ 8.800,00.

“Art. 60 Parágrafo único “É nulo e de nenhum efeito o contrato VERBAL com a


Administração, SALVO o de pequenas compras de pronto pagamento, assim
entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite do
convite para compras”.
e) Sinalagmático. (Correta)
Estamos diante do gabarito da questão, porque, de fato, o enunciado quando
diz: “O contrato administrativo firmado com a administração pública deve sempre
buscar a proteção de um interesse coletivo e, justamente por isso, se sujeita à
aplicação do regime público com características próprias, DENTRE AS QUAIS SE
PODE DESTACAR A RECIPROCIDADE DE OBRIGAÇÕES”, relaciona-se com o
SINALAGMA do contrato (em grego: συνάλλαγμα significa "troca mútua").
Para o professor Matheus Carvalho, as obrigações das partes são recíprocas, ou
seja, a execução da atividade de uma das partes enseja o adimplemento contratual
pela outra.

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ANO: 2018. BANCA: CESPE. ÓRGÃO: MPE-PI PROVA: Analista Ministerial - Área
Processual.
Acerca de atos administrativos, licitações e contratos da administração pública, julgue o
item a seguir.
23. Situação hipotética: O Ministério Público de determinado estado da Federação, visando
reformar seu edifício sede, firmou contrato administrativo. Iniciada a execução do
contrato, a administração resolveu modificar unilateralmente o contrato em decorrência
de acréscimo quantitativo do objeto contratado. Assertiva: Nessa situação, o contratado
é obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos realizados até o
limite de 50% do valor inicial atualizado do contrato.

Certo ( ) Errado( )

GABARITO: CERTO
SOLUÇÃO RÁPIDA

Situação hipotética: O Ministério Público de determinado estado da


Federação, visando reformar seu edifício sede, firmou contrato
administrativo. Iniciada a execução do contrato, a administração resolveu
modificar unilateralmente o contrato em decorrência de acréscimo
quantitativo do objeto contratado. Assertiva: Nessa situação, o contratado
é obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos
realizados até o limite de 50% do valor inicial atualizado do contrato.
A questão está correta e ela versa sobre a cláusula exorbitante “ALTERAÇÃO
DOS CONTRATOS”, que traz a possibilidade de ocorrer mudanças na realização dos
contratos de maneira UNILATERAL.

A REGRA dessa cláusula é que o CONTRATADO fica obrigado a aceitar


Acréscimos e Diminuições de até 25% do valor atualizado.

A EXCEÇÃO se encontra no caso de REFORMA DE EDIFÍCIO OU


EQUIPAMENTO, o limite será de até 50% para acréscimos.

SOLUÇÃO COMPLETA

Situação hipotética: O Ministério Público de determinado estado da


Federação, visando reformar seu edifício sede, firmou contrato
administrativo. Iniciada a execução do contrato, a administração resolveu
modificar unilateralmente o contrato em decorrência de acréscimo
quantitativo do objeto contratado. Assertiva: Nessa situação, o contratado
é obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos
realizados até o limite de 50% do valor inicial atualizado do contrato.
A afirmativa está correta e versa acerca de caso hipotético da reforma de
edifício, no caso em tela temos a possibilidade de enxergar a cláusula exorbitante
“alteração unilateral do contrato” sendo utilizada, pois de acordo com a lei
8.666/93 a Administração pode modificar o contrato de forma unilateral, e essa
alteração pode se dar por uma melhor adequação técnica, ou pode se dar pelo
acréscimo ou diminuição na quantidade do objeto.

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SEGUE A TABELA ESQUEMATIZADA

CASOS COMUNS REFORMA DE EDIFÍCIO OU EQUIPAMENTOS


Acréscimo de Até 25% Acréscimo de ATÉ 50%
Supressão de Até 25% Supressão de Até 25%

“Lei 8.666/93
Art. 65 Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as
devidas justificativas, nos seguintes casos:

I - UNILATERALMENTE pela Administração:


a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor
adequação técnica aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de
acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por
esta Lei;
§ 1o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais,
os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até
25% do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de
edifício ou de equipamento, até o limite de 50% para os seus acréscimos”.

24. ANO: 2020. BANCA: CESPE. ÓRGÃO: TJ-PA PROVA: Analista Judiciário - Área
Administrativa.

Em caso de inexecução total ou parcial de um contrato celebrado com tribunal de justiça


estadual, será de competência exclusiva de ministro de Estado ou de secretário estadual
ou municipal aplicar à contratada a sanção de

a) suspensão temporária de participação em licitação.

b) impedimento de contratar com a administração.

c) multa, conforme previsto no contrato.

d) declaração de inidoneidade.

e) advertência.
GABARITO: LETRA D
SOLUÇÃO RÁPIDA

a) suspensão temporária de participação em licitação. (Errado)


“Suspensão temporária de participação em licitação”. Não é de competência
exclusiva do ministro de Estado ou do secretário estadual ou municipal aplicar à
contratada tal sanção.

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b) impedimento de contratar com a administração. (Errado)


“Impedimento de contratar com a administração. ”. Não é de competência
exclusiva de ministro do Estado ou do secretário estadual ou municipal aplicar à
contratada tal sanção.

c) multa, conforme previsto no contrato. (Errado)


“Multa, conforme previsto no contrato”. Não é de competência exclusiva do
ministro de Estado ou do secretário estadual ou municipal aplicar à contratada tal
sanção.

d) declaração de inidoneidade. (Correta)


Afirmativa correta baseada na lei 8.666/93, artigo 87 em seu § 3º diz: “A
sanção estabelecida no inciso IV (DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE) desse artigo
é de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou
Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser
requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação”.

e) advertência. (Errado)
“Advertência”. Não é de competência exclusiva de ministro de Estado ou de
secretário estadual ou municipal aplicar à contratada tal sanção.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) suspensão temporária de participação em licitação. (Errado)

De acordo com a lei 8.666/93, há quatro penalidades pelo descumprimento dos


contratos administrativos, são elas:
I- Advertência;
II- Multa;
III- Suspensão de licitar ou contratar com o poder público por até 2 anos;
IV- Declaração de inidoneidade;

E o artigo 87 §3º afirma que a penalidades "DECLARAÇÃO DE


INIDONEIDADE", só pode ser aplicada (de forma EXCLUSIVA): em âmbito federal,
pelo ministro de estado; se for estadual, pelo secretário de estado; se municipal, pelo
secretário de município.

“§ 3o A sanção estabelecida no inciso IV (DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE)


deste artigo é de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual
ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser
requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação”.

Portanto de acordo com a literalidade da lei, essa opção está errada.


b) impedimento de contratar com a administração. (Errado)
De acordo com a lei 8.666/93, há quatro penalidades pelo descumprimento dos
contratos administrativos, são elas:
I- Advertência;

MUDE SUA VIDA!


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II- Multa;
III- Suspensão de licitar ou contratar com o poder público por até 2 anos;
IV- Declaração de inidoneidade.

E o artigo 87 §3º afirma que a penalidade "DECLARAÇÃO DE


INIDONEIDADE" só pode ser aplicada (de forma EXCLUSIVA): em âmbito federal,
pelo ministro de estado; se for estadual, pelo secretário de estado; se municipal, pelo
secretário de município.

“§ 3o A sanção estabelecida no inciso IV (DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE)


deste artigo é de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual
ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser
requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação”.

Portanto, de acordo com a literalidade da lei, essa opção está errada.

c) multa, conforme previsto no contrato. (Errado)


De acordo com a lei 8.666/93, há quatro penalidades pelo descumprimento dos
contratos administrativos, são elas:
I- Advertência;
II- Multa;
III- Suspensão de licitar ou contratar com o poder público por até 2 anos;
IV- Declaração de inidoneidade.
E o artigo 87 §3º afirma que a penalidades "DECLARAÇÃO DE
INIDONEIDADE", só pode ser aplicada (de forma EXCLUSIVA): em âmbito federal,
pelo ministro de estado; se for estadual, pelo secretário de estado; se municipal, pelo
secretário de município

“§ 3o A sanção estabelecida no inciso IV (DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE)


deste artigo é de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual
ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser
requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação”.

Portanto de acordo com a literalidade da lei esta opção está errada.


d) declaração de inidoneidade. (Correta)
De fato, temos aqui nosso gabarito, senão vejamos o que diz a lei 8.666/93
sobre a referida penalidade:
Art. 87 da Lei 8.666/93. Pela inexecução total ou parcial do contrato a
Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes
sanções:
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
Administração Pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição
ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a
penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração
pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no
inciso anterior.

MUDE SUA VIDA!


211
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§ 3o A sanção estabelecida no inciso IV deste artigo é de competência


exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou Municipal,
conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo processo, no prazo
de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser requerida após 2
(dois) anos de sua aplicação.
Observações importantes
Para as penalidades de suspensão, advertência ou de multa, o prazo
para recurso é de cinco dias úteis contados da data da intimação do interessado,
caso a licitação tenha se dado por meio da modalidade convite, tal prazo será de dois
dias úteis.

Art. 109. Dos atos da Administração decorrentes da aplicação desta Lei cabem:
I - Recurso, no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar da intimação do ato
ou da lavratura da ata, nos casos de:
f) aplicação das penas de advertência, suspensão temporária ou de multa;
Para a declaração de idoneidade temos o prazo para a defesa de 10 dias dentro
do processo e mais 10 dias uteis para o pedido de reconsideração nos termos do
artigo 109, III.
art. 87 § 3o. A sanção estabelecida no inciso IV deste artigo é de competência
exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou Municipal, conforme o
caso, facultada a defesa do interessado no respectivo processo, no prazo de
10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser requerida após 2
(dois) anos de sua aplicação.
III - pedido de reconsideração, de decisão de Ministro de Estado, ou
Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso, na hipótese do § 3o do art. 87
desta Lei, no prazo de 10 (dez) dias úteis da intimação do ato.
e) advertência. (Errado)
De acordo com a lei 8.666/93, há quatro penalidades pelo descumprimento dos
contratos administrativos, são elas:
I- Advertência;
II- Multa;
III- Suspensão de licitar ou contratar com o poder público por até 2 anos;
IV- Declaração de inidoneidade.
E o artigo 87 §3º afirma que a penalidades "DECLARAÇÃO DE
INIDONEIDADE", só pode ser aplicada (de forma EXCLUSIVA): em âmbito federal,
pelo ministro de estado; se for estadual, pelo secretário de estado; se municipal, pelo
secretário de município.

“§ 3o A sanção estabelecida no inciso IV (DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE)


deste artigo é de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual
ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser
requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação”.

Portanto de acordo com a literalidade da lei esta opção está errada.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

MUDE SUA VIDA!


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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Antes de estudarmos a responsabilidade objetiva do Estado como é aplicada hoje, vale a
pena analisarmos sua evolução histórica.
Os três grandes períodos no tempo relacionados à responsabilidade do Estado que
ocorreram com o passar do tempo foram:
 Período da irresponsabilidade estatal.
 Período da teoria da responsabilidade subjetiva.
 E atualmente, via de regra, período de teoria da responsabilidade objetiva.

PERÍODO DA IRRESPONSABILIDADE ESTATAL


Foi a teoria adotada na época dos Estados Absolutistas, nos quais se seguia uma
concepção de que Estado e Igreja eram considerados uma coisa só. O rei era considerado o
representante do próprio Deus, e, como Deus não erra, o rei também não poderia errar.
Chamado também de “the king can do no wrong”.
Tal período começou a ser enfraquecido início do ano de 1800, por meio de alguns
movimentos na França, e o principal caso que pôs fim a esse período ficou conhecido como
Aresto Blanco.
Esse foi o primeiro caso de responsabilização do Estado e ocorreu na França. Nesse caso,
uma menina, Agnès Blanco, enquanto brincava nas ruas da cidade foi atropelada por um vagão
da Companhia Nacional de Manufatura e Fumo e acabou falecendo. Seu pai ingressou com uma
ação de indenização alegando que o Estado era sim responsável pelo incidente. Em 8 de
fevereiro de 1873, foi proferida decisão favorável ao pai da criança, gerando, dessa forma, a
responsabilização do Estado.
PERÍODO DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA
O período da responsabilidade subjetiva que começou a vigorar logo após o abandono da
teoria de irresponsabilidade total, o que se tentou adotar aos atos do Estado foi a lógica do
direito civil imputando a ele a responsabilidade pelos atos embasados na noção dolo ou de
culpa, por isso a época era necessária a comprovação de quatro requisitos:
 ATO
 DANO
 NEXO CAUSAL
 O DOLO OU A CULPA

PERÍODO DE TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA


Bem mais acertada com Direito Administrativo atual, a nossa Constituição Federal acabou
por adotar, via de regra, a teoria que afasta a obrigação de comprovação de dolo ou culpa na
atuação da agente público que representa o Estado.
Aqui no Brasil, com base no dispositivo constitucional acima temos, a depender da
situação, a aplicação de 3 teorias dentro da Responsabilidade Civil Do Estado, são elas:
 TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO;

 TEORIA DO RISCO INTEGRAL;

MUDE SUA VIDA!


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 TEORIA DA CULPA ANÔNIMA.

ESTUDAREMOS AS PARTICULARIDADES DE CADA UMA A PARTIR DE AGORA.

TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO


RESPONSABILIDADE ESTATAL NA CONSTITUIÇÃO DE 1988
CRFB/88 Art. 37 § 6º - As pessoas jurídicas de DIREITO
PÚBLICO e as de DIREITO PRIVADO prestadoras de serviços
públicos RESPONDERÃO pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Consiste na possibilidade que o particular tem de requerer do Estado indenização por


danos MATERIAIS, MORAIS E ESTÉTICOS, prescindido (dispensando) a comprovação de
DOLO ou CULPA por parte do agente que praticou o ato antijurídico (podendo ser licito ou
ilícito).

ATO ANTIJURÍDICO
O Ato antijurídico NÃO pode ser entendido, para esse fim, COMO ATO
ILÍCITO, pois é evidente que a licitude ou ilicitude do ato é irrelevante
para fins de responsabilidade objetiva; caso contrário, danos
decorrentes de obra pública, por exemplo, AINDA QUE LICITAMENTE
REALIZADA, não seriam indenizados pelo Estado. Somente se pode
aceitar como pressuposto da responsabilidade objetiva a prática de ato
antijurídico se este, MESMO SENDO LÍCITO, for entendido como ato
causador de DANO ANORMAL E ESPECÍFICO a determinadas pessoas,
rompendo o princípio da igualdade de todos perante os encargos sociais.
Por outras palavras, ATO ANTIJURÍDICO, para fins de
responsabilidade objetiva do Estado, É O ATO ILÍCITO E O ATO
LÍCITO QUE CAUSE DANO ANORMAL E ESPECÍFICO.

(Direito Administrativo - Maria Sylvia Zanella Di Pietro – 32ª edição – p.


1466)
Na TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO, adotada de forma ordinária no Brasil, vigora a
responsabilidade OBJETIVA. Isso significa que quando o particular se sentir prejudicado por
uma conduta do Estado poderá pleitear indenização, precisando provar apenas TRÊS
ELEMENTOS:
 CONDUTA;
 DANO;
 NEXO CAUSAL.

IMPORTANTÍSSIMO

MUDE SUA VIDA!


214
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Na responsabilidade civil do estado é PRESCINDÍVEL (DISPENSÁVEL) a


comprovação de conduta dolosa ou culposa por parte do agente público ou do
Estado.

Devemos nos alertar para o fato de que na responsabilidade objetiva a conduta


deve ter sido praticada de forma COMISSIVA, ou seja, por uma AÇÃO do
administrador. Se o dano for causado por OMISSÃO, a responsabilidade estatal será,
como regra, SUBJETIVA pautada na teoria da culpa anônima que será estudada a
frente.

QUAIS SÃO AS PESSOAS QUE SE SUBMETEM A RESPONSABILIDADE OBJETIVA?

Resposta:
 PESSOAS REGIDAS PELO DIREITO PÚBLICO
• União;
• Estados;
• Distrito Federal;
• Municípios;
• Autarquias;
• Fundações Públicas (quando criadas por lei).

 PESSOAS REGIDAS PELO DIREITO PRIVADO


• Fundação Pública (quando autorizadas por lei);
• Empresa Pública (prestadoras de SERVIÇO PÚBLICO);
• Sociedade de Economia Mista (prestadoras de SERVIÇO PÚBLICO);
• Concessionárias;
• Permissionárias.

OBS.! Ao analisar as pessoas de direito privado, temos de fazer uma distinção,


pois APENAS responderão de maneira OBJETIVA aquelas que sejam PRESTADORAS
DE SERVIÇOS PÚBLICOS. Portanto as Empresas Públicas e as Sociedades de
Economia Mista que se dediquem à exploração da atividade econômica estarão
sujeitas à responsabilidade SUBJETIVA comum do Direito Civil.

Em relação às concessionárias e permissionárias (pessoas jurídicas de direito privado)


que desempenham determinado serviço público mediante delegação do Poder Público,
conforme estabelece o Art. 175, CF/1988, que diz:

MUDE SUA VIDA!


215
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“Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob


regime de concessão ou permissão, sempre através de
licitação, a prestação de serviços públicos”.

Sua responsabilidade também será OBJETIVA, imagine o seguinte exemplo:


A empresa “ABC”, ao realizar um contrato de concessão com o Estado, começou a prestar o
serviço público de transporte coletivo de passageiros. Porém, no cumprimento das atividades,
o motorista da concessionária causou um enorme acidente de trânsito, gerando danos tanto a
passageiros do ônibus quanto a pedestres que estavam atravessando a rua.

 1ª pergunta: Quem responde diretamente pelos danos causados, o motorista, a


Concessionária ou o Estado?
• Resposta: A Concessionária!

 2ª pergunta: Qual é a responsabilidade, subjetiva ou objetiva?


• Resposta: Objetiva! Ou seja, não precisa comprovar o dolo ou a culpa por parte
do motorista.

 3ª pergunta: O Estado pode vir a ser responsabilizado?


• Resposta: Até pode, mas de forma SUBSIDIÁRIA e NUNCA de forma SOLIDÁRIA
com a concessionária, pois a Concessionária possui a responsabilidade objetiva
e direta enquanto o Estado a tem de forma objetiva e subsidiária.

 4ª pergunta: Os pedestres que naquele momento não eram os usuários diretos do


serviço público também serão indenizados?
• Resposta: SIM, esse é o posicionamento do STJ e do STF nos dias atuais, segue o
entendimento do STJ sobre o tema:
“A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras
de serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e NÃO usuários do
serviço, segundo decorre do art. 37, § 6.º, da Constituição Federal. (STJ, 4.ª Turma,
AgInt nos EDcl no AREsp 1115349/SP, 07.12.2017)”.

AÇÃO REGRESSIVA
A ação regressiva é proposta pelo Estado contra o agente público causador do dano, nos
casos de culpa ou dolo (art. 37, § 6º, da CF). Sua finalidade é a apuração da responsabilidade
pessoal do agente público. Tendo como exigência já ter sido o Estado condenado na ação
indenizatória proposta pela vítima. Entretanto, o agente público só ressarcirá o Estado se
possuir pelo menos culpa no ato, logo, sua responsabilidade será do tipo SUBJETIVA, ou seja,
reunião dos requisitos: ato, dano, nexo e culpa/dolo.
EXEMPLO 1: LUCAS, servidor público do Estado de RJ, estava em serviço dirigindo um carro
oficial quando esse, por defeito de fabricação, ficou completamente sem freios. O servidor
tentou de tudo para evitar acidentes, entretanto não teve como impedir o atropelamento de

MUDE SUA VIDA!


216
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Maria.

EU PERGUNTO A VOCÊ: LUCAS PODERÁ SER RESPONSABILIZADO?


RESPOSTA: NÃO, porque o respectivo servidor não agiu como dolo ou culpa.

EXEMPLO 2: BRANDINO, Policial Federal, estava em serviço dirigindo um carro oficial quando
então recebe um telefone de sua mulher LUÍZA, distraído ao telefone BRANDINO colide com
um carro de um particular.

EU PERGUNTO A VOCÊ: BRANDINO PODERÁ SER RESPONSABILIZADO?

RESPOSTA: SIM, porque nesse caso BRANDINO agiu com culpa pela imprudência ao dirigir
falando ao telefone.

OBS.! Em razão do princípio da indisponibilidade, a propositura da ação


regressiva, quando cabível, é um DEVER à Administração, e não uma simples
faculdade.

DENUNCIAÇÃO DA LIDE

CPC/2015 Art. 125. É admissível a denunciação da lide,


promovida por qualquer das partes:
II - Àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a
indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido
no processo.

O QUE SERIA ESSA TAL DENUNCIAÇÃO?


É o ato de chamar o futuro responsável para integrar o processo original, evitando-se,
com isso, que posteriormente se tenha de ingressar com uma ação regressiva. Sua razão de
existir é pautada no princípio da celeridade processual e duração razoável do processo.

Apesar de processualistas civis afirmarem que a denunciação da lide pode acontecer na


pratica processual, como é o caso professor Humberto Theodoro júnior, aqui no Direito
Administrativo, segundo a doutrina majoritária, nas ações relativas à responsabilidade civil
do Estado, o Estado NÃO poderá fazer a denunciação da lide em face do agente público!

Essa negativa ocorre com base na diferenciação entre os tipos de responsabilidade.

MUDE SUA VIDA!


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DO LITISCONSÓRCIO
CPC/2015 Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no
mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente.

O QUE SERIA LITISCONSÓRCIO?


Resposta: É um fenômeno processual caracterizado pela pluralidade de sujeitos no
polo ATIVO, polo PASSIVO ou até mesmo em AMBOS os polos de um processo judicial.

Segundo a doutrina majoritária, NÃO poderá ser aplicado nas ações relativas à
responsabilidade civil do Estado, pois segundo a TEORIA DA DUPLA GARANTIA (STF), o
Particular deve acionar o Estado e depois o MESMO, caso perca a ação e ainda que a mesma
transite em julgado, poderá entrar com ação regressiva contra o servidor público, isso se houver
dolo ou culpa na conduta do agente.

Portanto, NÃO será cabível o litisconsórcio passivo entre o Estado e o agente na ação
indenizatória.

“Agora, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL considera que a AÇÃO


REGRESSIVA do Estado contra o agente público CONSTITUI DUPLA
GARANTIA: UMA, em favor do particular, possibilitando-lhe ação
indenizatória contra a pessoa jurídica de direito público, ou de direito
privado que preste serviço público, dado que bem maior, praticamente
certa, a possibilidade de pagamento do dano objetivamente sofrido.
OUTRA GARANTIA, no entanto, em prol do servidor estatal, que somente
responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo
quadro funcional se vincular ”.

(Manual de Direito Administrativo (2018) - Alexandre Mazza p. 485)

MUDE SUA VIDA!


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Reforçando a ideia de que não há litisconsórcio na ação de indenização contra o estado


e o agente, temos o informativo 947 da semana 12 a 16 de agosto 2019.

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


STF REPERCUSSÃO GERAL

DIREITO ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Danos causados por agente público: ação de indenização e legitimidade passiva

“A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal (CF), a ação por
danos causados por agente público DEVE SER AJUIZADA contra o Estado ou a
pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, SENDO PARTE
ILEGÍTIMA para a ação o AUTOR DO ATO, assegurado o direito de regresso contra
o responsável nos casos de dolo ou culpa”.

CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE


Diante do que estudamos até agora, podemos afirmar que SEMPRE que o particular
mover uma ação contra o Estado pautada em responsabilidade civil por uma conduta do agente
público, deverá o mesmo ser obrigado a indenizar?

Resposta: NÃOOOOOOO! Pois em algumas situações o Poder Público poderá EXCLUIR a


sua responsabilidade e, por consequência, se livrar da obrigação indenizatória. Nesses casos,
dizemos que existe uma EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE.

Sendo a existência do nexo de causalidade o fundamento da responsabilidade civil do


Estado, essa deixará de existir ou incidirá de forma atenuada quando o serviço público não for
a causa do dano. Segundo a doutrina majoritária, são três:

 CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA;


 CASO FORTUITO/FORÇA MAIOR;
 ATO DE TERCEIRO.

 CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA


Ocorre quando o prejuízo é consequência de um ato do próprio prejudicado, são os casos
em que a vítima da causa ao ato gerador do prejuízo como ocorre quando o particular dirigindo
de forma irregular colide no carro na polícia.

MUDE SUA VIDA!


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Exemplos dados pela doutrina: suicídio em estação do Metrô; pessoa que


se joga na frente de viatura para ser atropelada.

 CASO FORTUITO/FORÇA MAIOR


Para efeito de provas de concurso, esses casos são usados como sinônimos. Podemos
explicá-los como o fato imprevisível, inevitável e estranho à vontade das partes não
correlacionado a uma ação estatal.

Exemplos: eventos naturais, tais como um raio, enchente, terremoto,


tsunami, entre outros.

COMENTÁRIO IMPORTANTÍSSIMO SOBRE O TEMA


“CASO FORTUITO/FORÇA MAIOR”
É um assunto que não há um consenso por parte da doutrina, a PROF. MARIA SILVIA
ZANELLA DI PIETRO entende o seguinte:
“Existe toda uma controvérsia sobre as diferenças entre força maior e
caso fortuito... força maior é acontecimento imprevisível, inevitável e
estranho à vontade das partes, como uma tempestade, um
terremoto, um raio. Não sendo imputável à Administração, não pode
incidir a responsabilidade do Estado; já o caso fortuito – que não
constitui causa excludente da responsabilidade do Estado – ocorre nos
casos em que o dano seja decorrente de ato humano ou de falha da
Administração; quando se rompe, por exemplo, uma adutora ou um
cabo elétrico, causando danos a terceiros, não se pode falar em força
maior, de modo a excluir a responsabilidade do Estado”.

(Direito Administrativo 32ª edição; Maria Silvia Zanella Di Pietro; p.


1469)
Na mesma linha de pensamento temos o entendimento do PROF. ALEXANDRE MAZZA com
sua explicação:

“Força maior: é um acontecimento involuntário, imprevisível e


incontrolável que rompe o nexo de causalidade entre a ação estatal e o
prejuízo sofrido pelo particular. Exemplo: erupção de vulcão que destrói
vila de casas. Já no caso fortuito, o dano é decorrente de ato humano ou
de falha da Administração. Exemplo: rompimento de adutora. O caso
fortuito não exclui a responsabilidade estatal”.

(Manual De Direito Administrativo 8ª edição; Alexandre Mazza; p. 476-


477)

MUDE SUA VIDA!


220
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Porém os professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo abordam o assunto de uma


forma mais realista e menos acadêmica, e coadunam sua visão de acordo com o entendimento
do próprio STF.
“A noção de caso fortuito costumava ser associada à imprevisibilidade
(fortuito significa “inesperado”) ao passo que a força maior eventos
avassaladores a cujo desenrolar não se poderia opor resistência eficaz.

De fato, diante de uma situação de força maior (irresistível) não existe


a possibilidade de evitar o resultado ainda que saibamos com
antecedência que ele ocorrerá, já na hipótese de caso fortuito
(imprevisível) não há como antever o resultado. Em ambas as
circunstâncias, portanto o resultado é inevitável”.

(Direito Administrativo Descomplicado – 26ª edição - Vicente de Paulo e


Marcelo Alexandrino; p. 931)

JURISPRUDÊNCIA DO STF
JURISPRUDÊNCIA DO STF (A G.Reg. No recurso extraordinário com agravo
1.046.474 rio de janeiro; 25/08/2017)

“É certo, no entanto, que o princípio da responsabilidade objetiva não se


reveste de caráter absoluto, eis que admite abrandamento e, até mesmo,
exclusão da própria responsabilidade civil do Estado nas hipóteses excepcionais
configuradoras de situações liberatórias – como o caso fortuito e a força maior –
ou evidenciadoras de culpa atribuível à própria vítima”.

Ainda dentro do assunto “caso fortuito” temos a diferenciação trazida pela doutrina e
jurisprudência do STJ entre caso fortuito interno e externo. O caso fortuito interno incide
durante o processo de elaboração ou execução do serviço, não eximindo a responsabilidade
civil. Já o caso fortuito externo é alheio ou estranho ao processo de elaboração ou execução do
serviço, excluindo a responsabilidade civil.

O STJ firmou entendimento segundo o qual assalto em transporte coletivo é hipótese de


fortuito externo, excluindo a responsabilidade do transportador. Vejamos:

“PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS,


ESTÉTICOS E MATERIAL. ASSALTO À MÃO ARMADA NO INTERIOR DE ÔNIBUS
COLETIVO. CASO FORTUITO EXTERNO. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DA
TRANSPORTADORA.
1. A Segunda Seção desta Corte já proclamou o entendimento de que o fato
inteiramente estranho ao transporte em si (assalto à mão armada no interior de
ônibus coletivo) constitui caso fortuito, excludente de responsabilidade da
empresa transportadora.
2. Recurso conhecido e provido”. (STJ, Resp. 726.371/RJ, Rel. Ministro Hélio
Quaglia Barbosa, DJ 05/02/2007)

MUDE SUA VIDA!


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 ATO DE TERCEIRO

Ocorre quando o particular é lesado por um terceiro e não pelo Estado, o particular
prejudicado deverá processá-lo e não acionar o Estado, pois o mesmo não teve nexo no ato.

Exemplo: situação de uma pessoa que empurra outra para que essa seja
atropelada por um veículo de transporte público. Por certo, o processo deverá ter
como sujeito passivo quem efetuou o ato e não o Poder Público.

ATENÇÃO!
Como exemplo de atos de terceiros, é muito cobrado em provas de concursos públicos os
“ATOS DE MULTIDÕES” e podemos dizer que tais atos não geram responsabilidade civil do
Estado, tendo em vista a falta do nexo de causalidade, pois tais eventos são praticados por
terceiros.
TODAVIA, cuidado com eventuais pegadinhas em prova, porque o Estado pode ser
responsabilizado por atos de multidões de FORMA SUBJETIVA quando o particular lesado
comprovar uma notória omissão por parte da Administração.
IMPORTANTÍSSIMO!
O Superior Tribunal de Justiça entende que o Estado pode responder civilmente pelos
danos causados por seus agentes, AINDA QUE esses estejam amparados por causa
EXCLUDENTE DE ILICITUDE PENAL.
“Civil e administrativo. Recurso especial. Ação ordinária. Responsabilidade civil
do estado. Disparos de arma de fogo provocados por policiais militares.
Legítima defesa putativa reconhecida na esfera penal. Falecimento da vítima.
Danos morais suportados pelo cônjuge supérstite. Responsabilidade objetiva do
estado pelos danos civis.
1. Segundo a orientação jurisprudencial do STJ, a Administração Pública pode
ser condenada ao pagamento de indenização pelos danos cíveis causados por uma
ação de seus agentes, mesmo que consequentes de causa excludente de
ilicitude penal”.
(Resp. 884.198/RO, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 23.4.2007;
Resp. 111.843/PR, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 9-6-1997)

CAUSAS QUE ATENUAM A RESPONSABILIDADE


(CULPA CONCORRENTE)
Nessa modalidade a obrigação de indenizar da administração será proporcionalmente
atenuada (diminuída) por conta de que o particular também contribuiu para a ocorrência do
ato danoso. Trata-se de situação de culpa concorrente entre a vítima e o agente público.
Nesses casos, mesmo que não seja possível a exclusão da responsabilidade do Estado por
completo, haverá redução do valor indenizatório a ser pago pelo Estado.
É conhecida também como por CULPA RECÍPROCA, pois a vítima e o agente público
provocam a ocorrência do prejuízo.
Exemplo: acidente de trânsito causado porque a viatura e o carro do particular
invadem ao mesmo tempo a pista alheia.

MUDE SUA VIDA!


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ATENÇÃO!
Na CULPA CONCORRENTE, a questão se resolve com a produção de
provas periciais para determinar o maior culpado. Da maior culpa,
desconta-se a menor, realizando um processo denominado compensação
de culpas. A CULPA CONCORRENTE NÃO É EXCLUDENTE DA
RESPONSABILIDADE ESTATAL, como ocorre com a culpa exclusiva da
vítima. Na verdade, a culpa concorrente é fator de mitigação.

(Manual de Direito Administrativo; 9ª edição - Alexandre Mazza, p. 476)


ESTADO GARANTIDOR
Na própria realização da prestação de serviços públicos é possível verificar que em
algumas situações o Estado agirá na qualidade de GARANTIDOR DA VIDA e da INTEGRIDADE
FÍSICA de determinadas pessoas, como é a situação do aluno de uma escola pública que
enquanto estiver no ambiente escolar, estará sob a custódia do Poder Público caso ele venha a
sofrer um dano proveniente de omissão estatal, deverá receber uma indenização como forma
de compensar a lesão sofrida.

Em regra, nos eventos de omissão a responsabilidade do Estado será tida como


SUBJETIVA. Porém, quando o Poder Público atua como garantidor, sua responsabilidade,
mesmo nos casos de omissão, será OBJETIVA, ou seja, aquele que sofre um dano não
precisará comprovar dolo ou culpa por parte da conduta danosa do Estado.

Os exemplos mais comuns de prova são:


 O preso morto na cadeia por outro detento;
 A criança vítima de briga dentro de escola pública;
 Bens privados danificados em galpão da Receita Federal.

OBS.! Vale lembrar que a responsabilidade estatal é OBJETIVA na modalidade


do RISCO ADMINISTRATIVO, razão pela qual é possível que existam as causas
excludentes de responsabilidade.

Exemplo: o preso assassinado na cadeia por outros detentos durante rebelião


gera dever de o Estado indenizar a família. Contudo, se a morte for por consequências
naturais que é considera pela doutrina como força maior, não há dever de
indenizar.

PARTICULARIDADES DA CONDIÇÃO DO PRESO

CRFB/88 art. 5º, XLIX “é assegurado aos presos o respeito à


integridade física e moral”.
O preso encontra-se vinculado ao Estado por relação jurídica de sujeição especial,
exigindo do Poder Público um dever de cuidado para com a vida do recluso e por conta desse
dever, mesmo no caso de dano causado por terceiros como na morte provocada por outro
preso, a doutrina e jurisprudência entendem que haverá responsabilidade do Estado e será
também OBJETIVA.

MUDE SUA VIDA!


223
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Em relação aos casos de SUICÍDIO de preso dentro da cadeia, o SUPERIOR TRIBUNAL DE


JUSTIÇA entende que enseja responsabilidade objetiva do Estado em razão de violação do
“dever estatal de zelar pela integridade física e moral do preso sob sua custódia protegendo os
presos até contra eles mesmos” (STF: ARE 700.927).
JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
“Trata-se de pedido de indenização por dano material e moral contra o Estado
de São Paulo em decorrência de suposto suicídio de detento por auto
enforcamento, ocorrido em cela da Delegacia de Investigações Gerais da cidade de
Marília/SP. 2. O Superior Tribunal de Justiça sedimentou o entendimento de que a
responsabilidade civil do Estado pela morte de detento em delegacia, presídio ou
cadeia pública É OBJETIVA, pois é dever do estado prestar vigilância e segurança
aos presos sob sua custódia”. (STJ, 2.ª Turma, REsp1671569/ SP,27.06.2017)

Em relação a superlotação carcerária, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL também se


manifestou dizendo que o Estado deveria indenizar preso em situação degradante e vítima de
SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA, por danos morais em razão do desleixo dos órgãos e
agentes públicos.

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

TESES DE REPERCUSSÃO GERAL

RE 580252 – “Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema


normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de humanidade previstos
no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º
da Constituição (responsabilidade objetiva), a obrigação de ressarcir os danos,
inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta
ou insuficiência das condições legais de encarceramento”.

TEORIA DO RISCO INTEGRAL


A regra adotada no Brasil é de forma geral a da teoria do risco administrativo, MAS em
situações excepcionais adota-se a TEORIA DO RISCO INTEGRAL. Nela o Estado transforma-se
em garantidor universal, ou seja, aconteça o que acontecer, o Poder Público sempre será
responsabilizado e obrigado a indenizar a quem se encontrar nas situações enquadradas nessa
teoria SEM QUALQUER EXCLUDENTE. Segundo a doutrina majoritária, seriam três situações:

 DANO NUCLEAR

Art. 21, XXIII, CF/1988. Compete à União – explorar os serviços e instalações nucleares de
qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e
reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados,
atendidos os seguintes princípios e condições:
• a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa.

MUDE SUA VIDA!


224
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 ATENTADO TERRORISTA OU ATOS DE GUERRA EM AERONAVE

Lei 10.309/2001 Art. 1.º Fica a União autorizada a assumir as


responsabilidades civis perante terceiros no caso de danos a
bens e pessoas no solo, provocados por atentados terroristas
ou atos de guerra contra aeronaves de empresas aéreas
brasileiras no Brasil ou no exterior.

Lei 10.744/2003 Art. 1.º Fica a União autorizada, na forma e


critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, a assumir
despesas de responsabilidades civis perante terceiros na
hipótese da ocorrência de danos a bens e pessoas, passageiros
ou não, provocados por atentados terroristas, atos de
guerra ou eventos correlatos, ocorridos no Brasil ou no
exterior, contra aeronaves de matrícula brasileira operadas
por empresas brasileiras de transporte aéreo público,
excluídas as empresas de táxi aéreo.
 DANO AMBIENTAL
A doutrina e a jurisprudência reconhecem ter sido adotada no Brasil a responsabilidade
civil baseada no risco integral.

É importante frisar que o "risco integral" que caracteriza a responsabilidade por danos
ambientais aplica-se de forma absolutamente igual para todos, sem peculiaridades no que
toca aos danos ocasionados pela administração pública. Por isso, não se trata de matéria
estudada no direito administrativo, e sim na seara do direito ambiental.
INFORMATIVO 507 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
“A responsabilidade por dano ambiental é objetiva e pautada no risco
integral, não se admitindo a aplicação de excludentes de responsabilidade.
... a responsabilidade por dano ambiental, fundamentada na teoria do risco
integral...
Pressupõe, ainda, o dano ou risco de dano e o nexo de causalidade entre a
atividade e o resultado, efetivo ou potencial, não cabendo invocar a aplicação de
excludentes de responsabilidade.
Precedente citado: Resp. 1.114.398-PR, Dje 16/2/2012 (REPETITIVO). Resp.
1.346.430-PR, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, julgado em 18/10/2012”.

TEORIA DA CULPA ANÔNIMA


Na Teoria da culpa anônima, adota-se a responsabilidade SUBJETIVA, que faz com que
o Estado possa ser responsabilizado pelos atos danosos de seus agentes. A base dessa teoria é
a ideia de dolo ou culpa:
 DOLO: a pessoa atua com vontade de praticar o ato danoso ou, pelo menos, aceita o
risco de sua conduta.

 CULPA: o agente não tem a intenção de causar o dano, mas é negligente,


imprudente ou imperito.

MUDE SUA VIDA!


225
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Dentro da responsabilidade SUBJETIVA que é adotada na TEORIA DA CULPA ANÔNIMA


é imprescindível a soma de quatro elementos:
 Conduta;
 Dano;
 Nexo causal;
 Comprovação de dolo ou ao menos culpa.

OBS.! Não há necessidade de demonstrar a culpa de um AGENTE


ESPECÍFICO, bastando, para tanto, a comprovação de que o serviço NÃO
FUNCIONOU, FUNCIONOU MAL OU FOI EXECUTADO DE FORMA ATRASADA.

HOJE, essa teoria é aplicada do Brasil quando ocorre uma OMISSÃO ESTATAL nas
situações em que o serviço público:
 Não funcione quando deveria funcionar;
 Funcione atrasado; ou
 Funcione mal.

“A omissão configura a culpa in omittendo ou in vigilando. São casos de


inércia, casos de não atos. Se cruza os braços ou se não vigia, quando
deveria agir, o agente público omite-se, empenhando a responsabilidade
do Estado por inércia ou incúria do agente. Devendo agir, não agiu. Foi
negligente, às vezes, imprudente ou até imperito. Negligente, se a solércia
o dominou; imprudente, se confiou na sorte; imperito, se não previu a
possibilidade de concretização do evento. Em todos os casos, culpa,
ligada à ideia de inação, física ou mental”.

(Manual de Direito Administrativo José Cretella Júnior; 1970, v. 8, p. 210)

JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


“Fica configurada a RESPONSABILIDADE SUBJETIVA por omissão da
concessionária decorrente de falha do dever de efetiva vigilância do reservatório de
água, quando nele foi encontrado um cadáver humano. 2. De outro lado,
também, ficou caracterizada a falha na prestação do serviço, indenizável por dano
moral, quando a COPASA não garantiu a qualidade da água distribuída à população.
(STJ, 2.ª Turma, AgRg no REsp 1562277/MG,24.11.2015)”.

Muito cuidado com questões de prova que possam tentar levar o candidato ao erro sobre
um assunto já estudado na RESPONSABILIDADE OBJETIVA, teremos a capacidade de
ajuizamento de uma ação pautada em uma indenização por dano material, moral e estético, seja
por atos lícitos ou ilícitos.
Porém, na RESPONSABILIDADE SUBJETIVA do Estado pautada na teoria da culpa
anônima que tem a sua base em uma omissão estatal que é caracterizada pela falta do serviço,
atrasado ou serviço mal prestado, NÃO TEREMOS a incidência de ATOS LÍCITOS, somente atos
ilícitos ensejarão a responsabilidade subjetiva do Estado.

MUDE SUA VIDA!


226
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A responsabilidade é SUBJETIVA, porque exige o dever de agir por parte


do Estado e a possibilidade de agir; a culpa está embutida na ideia de
omissão; enquanto a responsabilidade objetiva pode decorrer de ato
lícito, a omissão tem que ser ilícita.

(Direito Administrativo; Maria Sylvia Zanella Di Pietro; 32ª edição; p.


1498)
PERGUNTA: QUALQUER OMISSÃO DO ESTADO VAI RESULTAR NA RESPONSABILIZAÇÃO DO
ESTADO?
 1º Exemplo: por conta de chuvas fortíssimas que ocorreram de maneira
completamente anormal e desproporcional em uma determinada região, alguns
moradores tiveram as suas casas alagadas e a consequente perda de vários bens
pessoais.

 2º Exemplo: Alguns moradores solicitaram reiteradamente à Administração


pública a colocação de uma barreira que se encontrava perto de suas residências. O
pedido foi efetuado pela chegada do período de chuvas e no risco eminente de
desabamento daquela encosta. Porém, mesmo após diversos requerimentos, o
Estado nada fez para proteger aqueles moradores.

EM QUAL DOS CASOS ACIMA O ESTADO SERÁ RESPONSABILIZADO?


RESPOSTA: No segundo, CLARO! Pois houve evidentemente uma omissão estatal.

PRESCRIÇÃO
O fenômeno da prescrição deve ser analisado sob duas óticas:

 O prazo para o PARTICULAR ingressar com a ação de indenização;

 O prazo para a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA entrar com a ação regressiva contra o


agente público.
• PARA O PARTICULAR INGRESSAR COM A AÇÃO DE INDENIZAÇÃO
Tendo como base legal o Decreto 20.910/1932, as provas de concurso público
têm adotado o prazo prescricional de 5 anos para que o indivíduo lesado possa
ingressar com ação contra o Estado pedindo indenização. Mas friso, não existe
consenso doutrinário,

MUDE SUA VIDA!


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“Decreto 20.910/193 Art. 1.º As dívidas passivas da União,


dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito
ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja
qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos contados da
data do ato ou fato do qual se originarem”.
• PRAZO PARA A ADM. PÚBLICA ENTRAR COM A AÇÃO REGRESSIVA CONTRA
O AGENTE
No tocante à ação regressiva, durante muito tempo o entendimento era pela
imprescritibilidade, porém o posicionamento é de que apenas serão
imprescritíveis as ações de RESSARCIMENTO AO ERÁRIO decorrentes de atos
de improbidade administrativa nos casos de DOLO.
As ações que forem pautadas em ilícitos civis serão PRESCRITÍVEIS.

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


É PRESCRITÍVEL a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente
de ilícito civil. Dito de outro modo, se o Poder Público sofreu um dano ao erário
decorrente de um ilícito civil e deseja ser ressarcido, ele deverá ajuizar a ação no
prazo prescricional previsto em lei.
(STF, Tribunal Pleno, RE 669069 ED/MG, 16.06.2016)

Se há prescrição para a Administração Pública exercer seu direito de ação regressiva, qual
seria o prazo?
Resposta: temos um posicionamento por parte do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Desde
23/5/2012 a referida corte passou a sustentar pela aplicação do PRAZO DE 5 ANOS para ações
indenizatórias propostas contra o Estado, previsto no Decreto n. 20.910/32, aos argumentos
de que:

1º: Sendo o Código Civil uma lei de direito privado, não poderia ser aplicada a
relações jurídicas de direito público;

2º: Pelo critério da especialidade, a regra prevista no Decreto n. 20.910/32


derroga o prazo trienal do Código Civil.
(AgRg/ER Esp 1.200.764/AC)

RESPONSABILIDADE POR ATOS LEGISLATIVOS


No Brasil, por conta da atuação tripartite, a doutrina indagou por um bom tempo se era
possível a responsabilidade do Estado dentro da atuação legiferante. Hoje é pacífico na
doutrina, jurisprudência e em provas de concursos que existem algumas possibilidades, entre
elas temos A LEI DE EFEITO CONCRETO, LEIS INCONSTITUCIONAIS E OMISSÃO DO
LEGISLADOR
 LEI DE EFEITO CONCRETO (também chamadas de leis materialmente
administrativas): Trata-se de lei apenas no sentido formal. Entretanto,
materialmente, aproxima-se das características de um ato administrativo, pois
possui objeto determinado e destinatários certos. Em outras palavras, existe o
formato de uma lei, mas faltam-lhe generalidade e abstração.

MUDE SUA VIDA!


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 LEIS INCONSTITUCIONAIS: A responsabilidade estatal por danos causados por leis


inconstitucionais foi admitida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do
RE 153.464, desde que a vítima demonstre especial e anormal prejuízo decorrente
da norma inválida. Exige-se, ainda, como pressuposto da condenação a declaração
formal de inconstitucionalidade da lei pelo próprio Supremo Tribunal Federal.
“Estado responde civilmente por danos causados aos particulares pelo
desempenho inconstitucional da função de legislar”.
(STF, RE153.464,02.09.1992)

 OMISSÃO DO LEGISLADOR: o STF, no julgamento do Mandado de Injunção 283-DF,


determinou que a omissão da norma pode ensejar a responsabilidade por perdas e
danos. O referido julgado tinha como objeto a omissão do Congresso Nacional em
disciplinar a matéria do art. 8º do ADCT. A decisão foi no sentido de reconhecer a
responsabilidade do Congresso Nacional (ou seja, da União) pelos danos
decorrentes da omissão legislativa.
CRFB/88 ADCT Art. 8º. É concedida anistia aos que, no
período de 18 de setembro de 1946 até a data da promulgação
da Constituição, foram atingidos, em decorrência de motivação
exclusivamente política, por atos de exceção, institucionais ou
complementares, aos que foram abrangidos pelo Decreto
Legislativo nº 18, de 15 de dezembro de 1961, e aos atingidos
pelo Decreto-Lei nº 864, de 12 de setembro de 1969,
asseguradas as promoções, na inatividade, ao cargo, emprego,
posto ou graduação a que teriam direito se estivessem em
serviço ativo, obedecidos os prazos de permanência em
atividade previstos nas leis e regulamentos vigentes,
respeitadas as características e peculiaridades das carreiras
dos servidores públicos civis e militares e observados os
respectivos regimes jurídicos.

RESPONSABILIDADE POR ATOS JUDICIAIS


Como regra não teremos responsabilidade objetiva do Estado quando estivermos diante
de condutas judiciais, porém a própria CONSTITUIÇÃO FEDERAL em seu artigo 5º afirmará no
inciso LXXV que o Estado pode vir a responder por erro no que diz respeito a matéria penal.
CRFB/88 Art. 5.º, LXXV – o Estado indenizará o condenado
por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do
tempo fixado na sentença.

MUDE SUA VIDA!


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EXERCÍCIOS
ANO: 2017. BANCA: CESPE ÓRGÃO: TRE-BA PROVA: Técnico Judiciário – Área
Administrativa.
João, servidor público federal, no exercício do cargo de motorista, colidiu com veículo de
Pedro, particular, causando a este grave abalo pessoal e danos materiais. Após a investigação
do ocorrido, foi verificada a culpa de João, que dirigia em alta velocidade no momento do evento.
25. Nessa situação hipotética,

a) o Estado deverá indenizar o particular pelos danos materiais, e o servidor deverá arcar
com os danos morais.

b) o servidor responderá objetivamente pela reparação dos danos materiais e morais.

c) o Estado, caso seja condenado judicialmente ao pagamento de indenização, poderá,


mediante ação de regresso, reaver do servidor o quanto tiver de pagar ao particular.

d) o direito do particular à reparação dos prejuízos sofridos será imprescritível.

e) a reparação dos danos sofridos pelo particular só poderá ser realizada por via judicial.

GABARITO: LETRA C

SOLUÇÃO RÁPIDA
a) o Estado deverá indenizar o particular pelos danos materiais, e o
servidor deverá arcar com os danos morais. (ERRADO)
“O Estado deverá indenizar o particular pelos danos materiais, e o servidor
deverá arcar com os danos morais”. Errado, pois nesse caso, o Estado indenizará o
particular tanto pelos danos materiais como pelos morais.

b) o servidor responderá objetivamente pela reparação dos danos


materiais e morais. (ERRADO)
“O servidor responderá objetivamente”. Errado, pois o servidor sempre
responderá subjetivamente.

c) o Estado, caso seja condenado judicialmente ao pagamento de


indenização, poderá, mediante ação de regresso, reaver do servidor o
quanto tiver de pagar ao particular. (CERTO)
A questão está totalmente coerente com o que estabelece a teoria da
responsabilidade objetiva do estado pautada no risco administrativo, pois primeiro
Estado terá que ser condenado na via judicial para depois poder ingressar com ação
contra o agente, caso esse tenha agido com dolo ou culpa na conduta caberá a
chamada ação de regresso.

d) o direito do particular à reparação dos prejuízos sofridos será


imprescritível. (ERRADO)
“O direito do particular à reparação dos prejuízos sofridos será imprescritível”.

MUDE SUA VIDA!


230
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Errado, pois o prazo para o particular entrar com a ação contra o Estado é de
cinco anos, e a ação regressiva contra João é prescritível (cinco anos da data do ato
ou fato), haja vista ser de natureza civil.

e) a reparação dos danos sofridos pelo particular só poderá ser


realizada por via judicial. (ERRADO)
“A reparação dos danos sofridos pelo particular só poderá ser realizada por via
judicial.”. Errado, pois pode estar na via judicial e também pode se dar na
administrativa.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) o Estado deverá indenizar o particular pelos danos materiais, e o


servidor deverá arcar com os danos morais. (ERRADO)
A questão está errada por afirmar que o Estado SÓ vai responder pelos danos
materiais, o que não deve prosperar, pois arcará também com os danos morais e até
mesmo estéticos. O servidor só poderá arcar com os danos caso tenha agido com
dolo ou culpa e isso em uma ação de regresso promovida pelo Estado.

b) o servidor responderá objetivamente pela reparação dos danos


materiais e morais. (ERRADO)
A responsabilidade de servidor nunca será objetiva, sempre será subjetiva, ou
seja, o Estado vai ter de provar que o agente agiu com dolo ou culpa na conduta,
sem esse elemento é impossível que o servidor arque com os prejuízos causados à
vítima.

c) o Estado, caso seja condenado judicialmente ao pagamento de


indenização, poderá, mediante ação de regresso, reaver do servidor o
quanto tiver de pagar ao particular. (CERTO)
A questão está pautada na responsabilidade objetiva do Estado positivada na
Constituição Federal de 1988 em seu artigo 37 parágrafos 6º que diz:

“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de


serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa”.

Com a leitura da segunda parte do dispositivo constitucional, podemos afirmar


que é possível que o agente responda por sua conduta, mas lembrando sempre de
forma subjetiva. Durante um tempo o STJ afirmava ser possível que o particular
prejudicado pudesse escolher ingressar com ação contra a administração pública ou
contra o agente público, nos casos que tivesse ele condições financeiras para arcar
com prejuízo e que fosse evidente o dolo ou a culpa em sua conduta, entendimento
esse superado informativo 947 Do Supremo Tribunal Federal de agosto de 2019,
hoje é inviável ingressar com uma ação contra o agente.

JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


DIREITO ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Danos causados por agente público: ação de indenização e legitimidade passiva

MUDE SUA VIDA!


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“A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal (CF), a ação por
danos causados por agente público DEVE SER AJUIZADA contra o Estado ou a pessoa
jurídica de direito privado prestadora de serviço público, SENDO PARTE ILEGÍTIMA
para a ação o AUTOR DO ATO, assegurado o direito de regresso contra o responsável
nos casos de dolo ou culpa”.

d) o direito do particular à reparação dos prejuízos sofridos será


imprescritível. (ERRADO)
O prazo prescricional que se aplica à ação do particular para reaver com o poder
pública tem um prazo de 5 anos, tendo como base legal o Decreto 20.910/1932.

“Decreto 20.910/193 Art. 1.º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos
Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal,
estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos contados
da data do ato ou fato do qual se originarem”.

e) a reparação dos danos sofridos pelo particular só poderá ser


realizada por via judicial. (ERRADO)
Estamos diante de uma afirmativa errada, pois, de acordo com o professor
Ricardo Alexandre, o particular lesado tem duas opções para obter a reparação do
dano:
1.ª - amigável que se dá na esfera administrativa, mediante a celebração de
um acordo com o Estado; ou

2.ª - litigiosa que será na esfera judicial, mediante a propositura de uma ação
indenizatória.

ANO: 2020. BANCA: CESPE ÓRGÃO: TJ-PA PROVA: Oficial de Justiça – Avaliador.
26. Quanto à responsabilidade civil por danos causados por seus agentes a terceiros, uma
entidade da administração indireta, dotada de personalidade jurídica de direito privado
e exploradora de atividade econômica estará sujeita:

a) Ao regime da responsabilidade civil objetiva do Estado.

b) Ao regime jurídico da responsabilidade civil privada.

c) À teoria do risco administrativo.

d) À teoria da falta do serviço.

e) À teoria do risco integral.

Gabarito: letra C
Solução rápida

a) ao regime da responsabilidade civil objetiva do Estado. (ERRADO)

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“Ao regime da responsabilidade civil objetiva”. Esse regime é aplicável às


pessoas jurídicas de direito público e às de direito privado, prestadoras de serviço
público e não exploradoras de atividade econômica.

b) ao regime jurídico da responsabilidade civil privada. (CERTO)


As sociedades de economia mista e as empresas públicas, conhecidas como
empresas estatais, quando atuarem como exploradoras de atividade econômica,
serão regulamentadas pelas normas do direito privado, portanto é o nosso gabarito.

c) à teoria do risco administrativo. (ERRADO)


“À teoria do risco administrativo”. Pautada na teoria do órgão, essa teoria
responsabiliza o ente público e as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de
serviço público de forma objetiva pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.

d) à teoria da falta do serviço. (ERRADO)


“À teoria da falta do serviço”. Essa teoria pauta a responsabilização do estado
em condutas omissivas, a vítima apenas deve comprovar que o serviço foi mal
prestado ou feito de forma ineficiente ou ainda com atraso, sem necessariamente
apontar o agente causador. Não se baseia na culpa do agente, mas do serviço como
um todo, também conhecida como culpa anônima.

e) à teoria do risco integral. (ERRADO)


“À teoria do risco integral”. Essa teoria pauta a responsabilização do estado
pela simples existência do dano e do nexo causal, sendo suficiente para que surja o
dever de indenizar para a administração pública, pois ela não admite nenhuma
excludente de responsabilidade.

SOLUÇÃO COMPLETA

a) ao regime da responsabilidade civil objetiva do Estado. (ERRADO)


Nesse caso não pode ser a responsabilidade civil objetiva do Estado por que
estamos diante de pessoas jurídicas de direito privado que exploram atividade
econômica, e segundo a Constituição Federal não estão inseridas dentro da
responsabilidade objetiva as pessoas jurídicas que exerçam tais atividades.

b) ao regime jurídico da responsabilidade civil privada. (CERTO)


A Constituição Federal de 1988 consagrou a responsabilidade civil objetiva do
Estado em seu art. 37, §6º, que diz:
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa”.
Então o alcance da responsabilização objetiva fica restrito às pessoas jurídicas
de direito público e às de direito privado prestadoras de serviço público, como é o
caso das sociedades de economia mista e empresas públicas (quando prestarem
serviços públicos), assim como das concessionárias e permissionárias de serviço
público.

MUDE SUA VIDA!


233
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Já a responsabilidade civil das empresas públicas e sociedades de economia


mista que exploram atividade econômica (exemplo: PETROBRAS) é regulada pelo
direito privado, estando excluídas do art. 37, §6º, da CF.
c) à teoria do risco administrativo. (ERRADO)
Nessa opção nada mais temos do que a própria responsabilidade objetiva, hoje
adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro de forma ordinária que é aquela em que
se exclui a exigência do dolo ou culpa na conduta do agente, devendo a vítima
comprovar apenas a conduta, o dano e o nexo causal.
d) à teoria da falta do serviço. (ERRADO)
Essa teoria está ligada às consequências negativas das omissões do Estado as
quais ocorrem da falta do serviço, de um serviço mal prestado ou até mesmo de
serviço atrasado. Segundo doutrina majoritária o Estado, neste caso, seria até capaz
de responder por algum erro, porém teria que se comprovar a conduta, o dano, o
nexo causal ou dolo e a culpa do Estado, dispensando apenas, nesse sentido, a
identificação do agente que causou o dano.
e) à teoria do risco integral. (ERRADO)
Essa teoria não encaixa no enunciado da questão, pois a mesma é aplicada de
forma muito restrita em nosso ordenamento jurídico pátrio, segundo a própria
Constituição Federal é possível utilizá-la em casos de dano nuclear, também temos
a positivação legal da teoria de risco integral em danos causados em aeronaves
brasileiras de voo comercial por ataque aéreo ou por atos de guerra em qualquer
lugar do mundo, e para o direito ambiental teríamos também a ideia de risco integral
ligado a dano de natureza ambiental enunciado 507 do STJ.
DANO NUCLEAR
“Art. 21, XXIII, CF/1988. Compete à União – explorar os serviços e instalações
nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra,
o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios
nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de
culpa”.
ATENTADO TERRORISTA OU ATOS DE GUERRA EM AERONAVE

“Lei 10.309/2001 Art. 1.º Fica a União autorizada a assumir as


responsabilidades civis perante terceiros no caso de danos a bens e pessoas no solo,
provocados por atentados terroristas ou atos de guerra contra aeronaves de
empresas aéreas brasileiras no Brasil ou no exterior”.
INFORMATIVO 507 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA:
“A responsabilidade por dano ambiental é objetiva e pautada no risco integral,
não se admitindo a aplicação de excludentes de responsabilidade.
... a responsabilidade por dano ambiental, fundamentada na teoria do risco
integral...
Pressupõe, ainda, o dano ou risco de dano e o nexo de causalidade entre a
atividade e o resultado, efetivo ou potencial, não cabendo invocar a aplicação de
excludentes de responsabilidade”.

MUDE SUA VIDA!


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ANO: 2019. BANCA: Quadrix ÓRGÃO: CONRERP 2ª Região PROVA: Assistente


Administrativo.
No que diz respeito à responsabilidade civil do Estado, julgue o item.
27. Via de regra, os danos provocados por atos de multidões não ensejam responsabilidade
civil do Estado, a não ser que se evidencie notória omissão por parte da Administração.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: certo
Solução rápida
A afirmativa está correta, pois de acordo com a doutrina uníssona e também o
entendimento dos nossos tribunais, o ato de multidões vão romper o nexo de
causalidade entre a Administração Pública e o participar, excluindo assim a
responsabilização do Estado, porém se for comprovado que o Estado foi omisso no
dever de segurança, é possível que haja a responsabilidade pautada na
responsabilidade subjetiva do Estado.
Solução completa
Para doutrina clássica, os atos causados por multidões não geram
responsabilidade civil do Estado, tendo em vista a inexistência do nexo de
causalidade, pois tais eventos são praticados por terceiros e de maneira imprevisível
ou inevitável. Não há ação ou omissão do Estado causadora do dano.
Segue o entendimento do professor José Do Santos Carvalho Filho:
“A regra, aceita no direito moderno, é a de que os danos causados ao indivíduo
em decorrência exclusivamente de tais atos não acarretam a responsabilidade civil
do Estado, já que, na verdade, são tidos como atos praticados por terceiros. Sequer
existem os pressupostos da responsabilidade objetiva do Estado, seja pela ausência
da conduta administrativa, seja por falta de nexo causal entre atos estatais e o dano.
Pelo inusitado ou pela rapidez com que os fatos ocorrem, não se pode atribuir os
seus efeitos a qualquer ação ou omissão do Poder Público”.
(Manual de Direito Administrativo 32ª edição - José dos Santos Carvalho Filho,
p. 826)
Mas ocorre que, excepcionalmente, o Estado poderá ser responsabilizado de
forma subjetiva nos casos em que comprovadas a ciência prévia da manifestação
coletiva e a possibilidade de evitar a ocorrência de danos, justamente pela falta de
serviço, serviço atrasado ou serviço não prestado.
Segue mais uma parte do comentário do supracitado professor:
“Ocorre, porém, que, em certas situações, se torna notória a omissão do
Poder Público, porque teria ele a possibilidade de garantir o patrimônio das pessoas
e evitar os danos provocados pela multidão. Nesse caso, é claro que existe uma
conduta omissiva do Estado, assim como é indiscutível o reconhecimento do nexo
de causalidade entre a conduta e o dano, configurando-se, então, a responsabilidade
civil do Estado. Trata-se, pois, de situação em que fica cumpridamente provada a
omissão culposa do Poder Público”.
(Manual de Direito Administrativo 32ª edição - José dos Santos Carvalho Filho,
p. 826)

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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Estudaremos a partir de agora o assunto “improbidade administrativa”, o que está
descrito na lei 8.429/92, apesar de há muito ter sido publicada, considero atual e as bancas
também, pois o assunto é extremamente cobrado em provas de concurso público, portanto
adotarei nesse material a leitura concomitante da lei com comentários sobre os artigos mais
importantes e jurisprudências frequentes em prova a fim de preparar você da melhor forma
possível. VAMOS LÁ!

A Constituição Federal de 1988 levou tão a sério a moralidade administrativa na conduta


de seus agentes que impôs algumas penalidades a quem agir contra a mesma, e isso está
positivado no art. 37 §4º da nossa carta magna.

Como é um assunto muito abordado em provas, vamos memorizar: CRFB/88 art. 37 §4º
método mnemônico (Paris)

 Os atos de improbidade administrativa importarão na:


• P erda da função pública;
• A ção penal cabível;
• R essarcimento ao erário;
• I ndisponibilidade dos bens;
• S uspensão dos direitos políticos.

OBS.! Quero fazer duas observações:


 A primeira é de que qualquer questão de prova que disser que os atos de
improbidade importarão na cassação de direito políticos, você, meu amigo e
minha amiga, marcará como errada, pois a constituição proíbe tal medida:

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos...
 A segunda é a observância em relação à troca de afirmação que as bancas adoram
fazer quanto à suspensão dos direitos políticos e à perda da função pública. É
muito comum as provas de concurso público inverterem os termos, por exemplo,
afirmarem que é possível a pena de perda dos direitos políticos e suspensão da
função pública.

ATENÇÃO PARA O CORRETO QUE É:

• SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS;


• PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA.
Após analisarmos a base constitucional da improbidade, vale a pena ressaltar o que o
referido artigo trata de uma norma de eficácia limitada, cabendo então a lei estipular quais
atos seriam esses, em 1992 tivemos a edição da lei 8.429 e a sua aplicabilidade não é federal e
sim nacional, ou seja, tem aplicabilidade na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos
Municípios.

MUDE SUA VIDA!


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SUJEITO PASSIVO DO ATO DE IMPROBIDADE


Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente
público, servidor ou não, CONTRA a Administração Direta,
Indireta ou Fundacional de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de
Território, de Empresa incorporada ao patrimônio público ou
de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta
lei.

Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta


lei os atos de improbidade praticados CONTRA o PATRIMÔNIO
de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal
ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja
criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com
menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita
anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à
repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres
públicos.

O primeiro artigo e seu parágrafo único vai nos dizer quem são as pessoas que podem
SOFRER os atos de improbidade, portanto esquematizei abaixo para que você não perca
nenhuma questão sobre o assunto, cuidado pois aqui estão sujeitos passivos dos atos de
improbidade.
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA (MUNICÍPIO, UNIÃO, DISTRITO FEDERAL,
ESTADO).

 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA (FUNDAÇÃO PÚBLICA, AUTARQUIA,


SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA, EMPRESA PÚBLICA).

 EMPRESAS INCORPORADAS ao patrimônio público ou de entidade cuja criação ou


custeio o erário haja concorrido ou concorra com MAIS DE 50% do patrimônio ou
da receita anual; (A segunda parte desse artigo tenta se basear na lei 4.717/65 que
é a lei de ação popular, portanto sua redação para o dia de hoje é um tanto quanto
mal escrito, mas na verdade ela só estava afirmando que as empresas públicas e as
sociedades de economia mistas que são as estatais poderão sofrer atos de
improbidade).
 O PATRIMÔNIO DE ENTIDADE que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal
ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o
erário haja concorrido ou concorra com MENOS DE 50% do patrimônio ou da
receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do
ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.
No parágrafo único, encontra-se incluído o patrimônio de entidades que não compõe a
administração pública, seja direta ou indireta, são entidades privadas que o Estado se relaciona
por meio da sua função de fomento. A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro diz que podem
ser incluídas nessas o sistema “S”, chamados serviços sociais autônomos com Sesi, Senai, Sesc,
temos também as organizações sociais de interesse público e as organizações sociais. Porém

MUDE SUA VIDA!


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temos de ter cuidado, pois no caso da ocorrência de um ato de improbidade contra o patrimônio
das entidades não teremos as sanções aplicadas em sua integridade, o texto normativo afirma
que a repercussão do ilícito recairá somente sobre o patrimônio público que se encontra
nessas entidades. A prestigiada professora diz que: “O que ultrapassar o montante da
contribuição dos cofres públicos, a entidade terá que pleitear por outra via que não a ação
de que trata a lei de improbidade administrativa”.

SUJEITO ATIVO DO ATO DE IMPROBIDADE


Sujeito ativo é a agente público que pratica o ato de improbidade administrativa e, para
efeitos dessa lei, será considerado como agente público todo aquele que exercer, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função.
Exemplos: Um auditor fiscal, um policial rodoviário federal, o empregado público, o
mesário o jurado, até mesmo um estagiário vinculado as pessoas jurídicas citadas o tópico
anterior, ou seja, agente público aqui deve ser enxergado no seu sentido amplo.
JURISPRUDÊNCIA DO STJ
Administrativo. Processual civil. Agravo interno no recurso especial. Improbidade
administrativa. Inteligência do art. 2.º da Lei n.º 8.429/92. ESTAGIÁRIA da Caixa
Econômica Federal. Enquadramento no conceito de agente público. Legitimidade para figurar
no polo passivo da subjacente ação civil pública. Agravo desprovido. 1. O art. 2.º da Lei n.º
8.429/92 dispõe: “Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce,
ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou
função nas entidades mencionadas no artigo anterior” (entidades essas integrantes da
“administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio
público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja contribuído ou concorra com
mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual” – art. 1.º do mencionado
diploma). 2. Como já teve o ensejo de consignar esta Corte, “o alcance conferido pelo
legislador quanto à expressão ‘agente público’ possui expressivo elastério, o que faz
com que os sujeitos ativos dos atos de improbidade administrativa não sejam apenas
os servidores públicos, mas, também, quaisquer outras pessoas que estejam de
algum modo vinculadas ao Poder Público”.
(REsp1.081.098/DF, 1.ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 03.09.2009)

E não para por aí, pois essa lei também será aplicada ao PARTICULAR, no que couber,
àquele que, mesmo NÃO sendo agente público:
 Induzem o agente à pratica do ato;
 Concorrem para o ato;
 Figuram como beneficiários do ato.

O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA entende que o termo “PARTICULAR” engloba tanto


uma pessoa física quanto jurídica.

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JURISPRUDÊNCIA DO STJ
Processual civil e administrativo. Recurso especial. Ação civil pública por ato de
improbidade. Violação ao artigo 535 do CPC inocorrente. Pessoa jurídica de direito
privado. Legitimidade passiva.1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o
acórdão, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos
trazidos pelo recorrente, adota fundamentação suficiente para decidir de modo
integral a controvérsia, apenas não adotando a tese defendida pelo recorrente,
manifestando-se, de maneira clara e fundamentada, acerca de todas as questões
relevantes para a solução da controvérsia, inclusive em relação às quais o recorrente
alega contradição e omissão. 2. Considerando que as PESSOAS JURÍDICAS
podem ser BENEFICIADAS E CONDENADAS por atos ímprobos, é de se
concluir que, de forma correlata, podem figurar no polo passivo de uma
demanda de improbidade, ainda que desacompanhada de seus sócios.
3.Recurso especial não provido.
(STJ, 1. Turma, Resp. 970393/CE,21.06.2012)

ATENÇÃOOOO!
Lembre-se, o particular NUNCA responderá por ato de improbidade se não
estiver envolvido com alguém que é agente público. Para que ele seja réu em um
processo por uma conduta improba é condição obrigatória que ele haja em conluio
com alguém que é agente público.

JURISPRUDÊNCIA DO STJ
Jurisprudência Processual civil. Administrativo. Réu particular. Ausência de
participação conjunta de agente público no polo passivo da ação de improbidade
administrativa. Impossibilidade.1. Os arts. 1.º e 3.º da Lei 8.429/92 são expressos
ao prever a responsabilização de todos, agentes públicos ou não, que induzam ou
concorram para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficiem sob qualquer
forma, direta ou indireta. 2. Não figurando no polo passivo qualquer agente
público, NÃO HÁ COMO O PARTICULAR figurar sozinho como réu em Ação de
Improbidade Administrativa. 3. Nesse quadro legal, não se abre ao Parquet a via
da Lei da Improbidade Administrativa. Resta-lhe, diante dos fortes indícios de fraude
nos negócios jurídicos da empresa com a Administração Federal, ingressar com Ação
Civil Pública comum, visando ao ressarcimento dos eventuais prejuízos causados ao
patrimônio público, tanto mais porque o STJ tem jurisprudência pacífica sobre a
imprescritibilidade desse tipo de dano. 4. Recurso especial não provido.
(STJ, 2.ªTurma, REsp1155992/PA,23.03.2010)

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AGENTES PÚBLICOS E A LEI DE IMPROBIDADE


Assunto também cobrado em prova, não com muita incidência, mas vale a pena o
comentário. Em relação aos agentes públicos detentores de cargos eletivos (agentes políticos)
como por exemplo: governadores, vereadores, senadores, deputados, etc. Todos responderão
sim pela lei 8.429/92 pelos atos de improbidade que cometerem. Muita atenção! Pois quando
esse assunto é abordado em prova, é muito comum a pergunta sobre se o Presidente da
República também responde pela lei de improbidade. Sua resposta deverá ser negativa, pois
nos termos da jurisprudência do STJ e também do Supremo Tribunal Federal o Presidente da
República quando comete ato de improbidade, pratica crime de responsabilidade e vai
responder perante o Senado e não no judiciário que é o local onde tramita um processo de
improbidade.

JURISPRUDÊNCIA DO STJ
Constitucional. Competência. Ação de improbidade contra Governador de
Estado. Duplo regime sancionatório dos agentes políticos: legitimidade. Foro por
prerrogativa de função: reconhecimento. Usurpação de competência do STJ.
Procedência parcial da reclamação. 1. EXCETUADA a hipótese de atos de
improbidade praticados pelo PRESIDENTE DA REPÚBLICA (art. 85, V), cujo
julgamento se dá em regime especial pelo Senado Federal (art. 86), não há norma
constitucional alguma que imunize os agentes políticos, sujeitos a crime de
responsabilidade, de qualquer das sanções por ato de improbidade previstas no art.
37, § 4.º. Seria incompatível com a Constituição eventual preceito normativo
infraconstitucional que impusesse imunidade dessa natureza.
(STJ,CorteEspecial,Rcl2790/SC,04.03.2010)

JURISPRUDÊNCIA DO STF
Os agentes políticos, com EXCEÇÃO do Presidente da República,
encontram-se sujeitos a duplo regime sancionatório, de modo que se submetem
tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa quanto à
responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade. O foro
especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às
infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa.
(STF, Tribunal Pleno, Pet3240 AgR/DF,10.05.2018)

SUCESSORES DE UM AGENTE ÍMPROBO


Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio
público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às
cominações desta lei até o limite do valor da herança.
Apesar de pequeno, é um artigo muito cobrado em provas, lembre-se que o particular
pode sim responder por atos de improbidade, desde que se beneficie, concorra ou induza à
prática do ato de improbidade. Em relação ao sucessor, o que temos é a possibilidade de que
esse, mesmo não tendo conhecimento de que sua herança é fruto de um ato ímprobo, venha a
sofrer a perda da mesma caso ela seja fruto de um ato de improbidade. Mas lembre-se, ele não
poderá ser prejudicado em seu patrimônio próprio, pois só perderá o que recebeu de
herança.

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PRINCÍPIOS NA LEI DE IMPROBIDADE


Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita
observância dos princípios de:
 L EGALIDADE;
 I MPESSOALIDADE;
 M ORALIDADE;
 P UBLICIDADE.

OBS.! O princípio da EFICIÊNCIA NÃO está explícito na lei 8429/92, mas isso não quer
dizer que o mesmo não é aplicado até porque, a partir da Emenda Constitucional 19/98, o
referido princípio se tornou expresso no texto constitucional.
Caso ocorra lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do
agente ou de terceiros, DAR-SE-Á O INTEGRAL ressarcimento do dano.
Na situação de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário
os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio.
Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar
enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito
representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado. Aqui
temos uma medida cautelar para assegurar que ao final do processo haja bem insuficientes para
ressarcir ao erário pois é possível que o indiciado queira se desfazer dos seus bens justamente
para após a condenação não ter como quitar o referido débito.
OBS.! A indisponibilidade de bens recairá sobre bens que assegurem o integral
ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento
ilícito.

DESCRIÇÃO DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E


SANÇÕES APLICÁVEIS
Agora começaremos a estudar, sem sombra de dúvida, uma das partes da lei mais
cobradas em concursos públicos, chamo sua atenção para o fato de que esses dispositivos caem
muitas vezes em sua literalidade, então você já sabe: é crucial a leitura contínua dos respectivos
dispositivos!
A Lei 8.429/1992 classifica os atos de improbidade administrativa em 4 grupos: SÃO
ELES (método mnemônico: quem comete ato de improbidade “PECA”).

 P rejuízo ao erário (art.10);


 E nriquecimento ilícito (art. 9.º);
 C oncessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (10-A);
 A tentam contra os princípios da Administração Pública (art.11).

MUDE SUA VIDA!


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JURISPRUDÊNCIA DO STJ
É inadmissível a responsabilidade objetiva na aplicação da Lei
8.429/1992, exigindo-se a presença de DOLO nos casos dos artigos 9º e
11 (que coíbem o enriquecimento ilícito e o atentado aos princípios administrativos,
respectivamente) e ao menos de CULPA nos termos do artigo 10, que censura
os atos de improbidade por danos ao Erário.

Comentado a jurisprudência: você, candidato, deve se preocupar em


diferenciar quais são os atos que serão imputados ao agente só por DOLO, e o
momento em que o mesmo poderá responder quando a conduta for praticada tanto
com o DOLO quanto com a CULPA, para ficar mais fácil, o BIZU é: somente o ato
de PREJUÍZO AO ERÁRIO poderá haver improbidade por DOLO ou CULPA, os
demais atos de improbidade SÓ se houver DOLO NA CONDUTA.

ATOS QUE IMPORTAM EM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO


O que deve ser levado em consideração para analisar as questões que falem sobre
enriquecimento ilícito é que sua tipificação se dará quando o agente público auferir qualquer
tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do cargo, mandato ou função. Seja essa
vantagem em dinheiro ou em utilidades como, por exemplo, o agente público usando no final
de semana o carro da repartição pública em seu momento de lazer, ele não está de fato
recebendo um dinheiro, mas está auferindo uma vantagem indevida de forma indireta.

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando ENRIQUECIMENTO


ILÍCITO auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de
cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° dessa lei,
e notadamente:

 I - Receber, para si ou para outrem, dinheiro ou qualquer outra vantagem


econômica, por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;

 II - Perceber vantagem econômica para facilitar a aquisição, permuta ou locação


de bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços;

 III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação,


permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal
por preço inferior ao valor de mercado;

 IV - Utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou


material de qualquer natureza, da administração bem como o trabalho de
servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por essas entidades;

 V - Receber vantagem econômica para tolerar a exploração ou a prática de jogos


de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer outra
atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem;

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 VI - Receber vantagem econômica para fazer declaração falsa sobre medição ou


avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso,
medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos;

 VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego


ou função pública, bens de cujo valor seja desproporcional à evolução do
patrimônio ou à renda do agente público;

 VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou


assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser
atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente
público, durante a atividade;

 IX - Perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação


de verba pública de qualquer natureza;

 X - Receber vantagem econômica para omitir ato de ofício, providência ou


declaração a que esteja obrigado;

 XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou


valores integrantes do acervo patrimonial da Administração;

 XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do


acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° dessa lei.

ATOS QUE CAUSAM PREJUÍZO AO ERÁRIO


Nesse ato de improbidade o agente público não visa ganhar alguma vantagem
patrimonial. Aqui nós temos uma conduta do agente a qual pode ser dolosa ou culposa, que
vai ocasionar um prejuízo à Administração Pública.

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, DOLOSA ou CULPOSA, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no
art. 1º dessa lei, e notadamente:
 I - Facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao
patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º
desta lei;

 II - Permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize


bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades;

 III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda
que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do
patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem
observância das formalidades legais;

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 IV - Permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do


patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a
prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado;

 V - Permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por


preço superior ao de mercado;

 VI - Realizar operação financeira sem observância das normas legais ou aceitar


garantia insuficiente ou inidônea;

 VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das


formalidades legais;

 VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para


celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los
indevidamente;

 IX - Ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou


regulamento;

 X - Agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que


diz respeito à conservação do patrimônio público;

 XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou


influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular;

 XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça


ilicitamente;

 XIII - PERMITIR que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos,


máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à
disposição .... o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados;

 XIV – celebrar contrato ou outro instrumento .... sem observar as formalidades


previstas na lei;

 XV – Celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia


dotação orçamentária;

 XVI - facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a incorporação, ao


patrimônio particular de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores
públicos transferidos pela administração pública a entidades privadas;

 XVII - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize
bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a
entidade privada mediante celebração de parcerias, sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;

 XVIII - celebrar parcerias da administração pública com entidades privadas sem


observar as formalidades legais;

MUDE SUA VIDA!


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 XIX - agir negligentemente na celebração, fiscalização e análise das prestações de


contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades
privadas;

 XX - Liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com


entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir
de qualquer forma para a sua aplicação irregular.

APLICAÇÃO INDEVIDA DE BENEFÍCIO FINANCEIRO OU TRIBUTÁRIO


A lei complementar 157/2016 foi quem introduziu esse novo ato de improbidade na Lia.
Sua aplicação é bem restrita, pois seu texto faz remissão a uma lei que trata de um tributo
municipal conhecido como o ISS (imposto sobre serviço) e a referida lei diz que a tal alíquota
deve ser cobrada em 2% ou mais, nunca podendo ser inferior à essa porcentagem. Caso um
agente público na aplicação do ISS cobre menos de 2% será responsabilizado por um ato de
improbidade tipificado no artigo 10 a da lei 8429/92.

Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para
conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem
o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003.

LEI COMPLEMENTAR Nº 116


Art. 8.º-A. A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços de
Qualquer Natureza é de 2% (dois por cento).
§ 1.º O imposto não será objeto de concessão de isenções,
incentivos ou benefícios tributários ou financeiros, inclusive de
redução de base de cálculo ou de crédito presumido ou
outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, direta ou
indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da
aplicação da alíquota mínima estabelecida no caput, exceto
para os serviços a que se referem os subitens 7.02, 7.05 e 16.01
da lista anexa a esta Lei Complementar.

Muito cuidado, pois no artigo 10 (prejuízo ao erário) também fala sobre cobrança
indevida de tributos, então, qual é o entendimento da doutrina hoje?
Resposta: é o seguinte, se podemos cobrar a alíquota do ISS menos do que o estipulado
por lei como esse ato de improbidade, e se for uma cobrança indevida em qualquer outro tributo
será prejuízo ao erário.
Art.10 X - agir negligentemente na arrecadação de tributo
ou renda, bem como no que diz respeito à conservação do
patrimônio público.

MUDE SUA VIDA!


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QUE ATENTA CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Neste ato em particular o que temos será a conduta de agente que não visa enriquecer de
forma indevida e que não causam prejuízo ao erário, mas que em uma conduta dolosa acaba
por violar um princípio constitucional ou infraconstitucional.

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

 I - Praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele


previsto, na regra de competência;

 II - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

 III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e
que deva permanecer em segredo;

 IV - Negar publicidade aos atos oficiais;

 V - Frustrar a licitude de concurso público;

 VI - Deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

 VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da


respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de
afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço;

 VIII - descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de


contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades
privadas;

 IX - Deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na


legislação.

Um assunto já cobrado em prova sobre atentado aos princípios que não se encontra na lei
(até por que todos os atos de improbidade descritos na LIA são tidos como um rol
exemplificativo) que vale a pena comentar é sobre a tortura feita por policiais aos presos. Para
o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA tal ato viola os princípios da dignidade da pessoa humana
e aos direitos humanos.
JURISPRUDÊNCIA DO STJ
Policiais civis. Tortura. Ofensa aos princípios administrativos. Precedente.
Recurso especial provido. Histórico da demanda1. Cuida-se, na origem, de Ação de
Improbidade Administrativa proposta pelo Ministério Público estadual contra o ora
recorrido, policial, pela prática de supostos atos de tortura. [...] 4. Injustificável
pretender que os atos mais gravosos à dignidade da pessoa humana e aos
direitos humanos, entre os quais se incluem a tortura, praticados por servidor
público, quanto mais policial armado, sejam punidos apenas no âmbito disciplinar,
civil e penal, afastando-se a aplicação da Lei da Improbidade Administrativa.

MUDE SUA VIDA!


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5. Conforme orientação jurisprudencial do STJ, eventual punição administrativa do


servidor faltoso não impede a aplicação das penas da Lei de Improbidade
Administrativa, porque os escopos de ambas as esferas são diversos; e as
penalidades dispostas na Lei 8.429/1992, mais amplas. [...] 7. A detida análise da
Lei 8.429/1992 demonstra que o legislador não determinou expressamente quais
seriam as vítimas mediatas ou imediatas da atividade ímproba para fins de
configuração do ato ilícito. Impôs, sim, que o agente público respeite o sistema
jurídico em vigor, pressuposto da boa e correta Administração Pública. Essa ausência
de menção explícita certamente decorre da compreensão de que o ato ímprobo é,
muitas vezes, fenômeno pluriofensivo, de tal modo que pode atingir bens jurídicos e
pessoas diversos de maneira concomitante. [...]11. O legislador, ao prever, no
art.11 da Lei 8.429/1992, que constitui ato de improbidade administrativa
que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou
omissão que viole os deveres de lealdade às instituições, findou por tornar de
interesse público, e da própria Administração, a proteção da legitimidade social, da
imagem e das atribuições dos entes/entidades estatais. Daí 3.4 resulta que atividade
que atente gravemente contra esses bens imateriais tem a potencialidade de ser
considerada improbidade administrativa. 12. A tortura perpetrada por policiais
contra presos mantidos sob a sua custódia tem ainda outro reflexo jurídico
imediato, que é o de gerar obrigação indenizatória ao Estado, nos termos do
art.37, § 6.º, da Constituição Federal. Há aí, como consequência, interesse direto da
Administração Pública. Uso ilegal de Bens e Prédios Públicos. 13. Na hipótese dos
autos, o ato ímprobo se caracteriza quando se constata que as vítimas foram
torturadas, em instalações públicas, ou melhor, na Delegacia de Polícia. O V.
Acórdão recorrido afirma: “[...] terem submetido alguns presos que se encontravam
custodiados na delegacia local a espancamentos, asfixia e graves ameaças, para
confessarem a prática de crimes” (fls.122-123, grifo acrescentado). Conclusão:
violência policial arbitrária é ato que viola frontalmente os mais elementares
princípios da Administração Pública [...].
(STJ, 1.ª Seção, REsp1177910/SE,26.08.2015)

PENALIDADES
A lei 8.429/92 traz em seu artigo 12, as sanções que serão aplicadas a quem cometer atos
de improbidade que foram estudados acima, perceba uma coisa, tais penalidades não serão
sanções criminais, mas serão sanções por ilícitos civis e administrativas. O professor Alexandre
Mazza afirma se tratar de uma esfera política.
Art. 12 Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta
lei O JUIZ levará em conta a extensão do dano causado, assim
como o proveito patrimonial obtido pelo agente.

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JURISPRUDÊNCIA DO STJ
A alegação da parte recorrente acerca da violação aos referidos dispositivos não
tem o condão de infirmar a fundamentação sustentada no acórdão recorrido acerca
da aplicabilidade do art. 20 da Lei n. º 8.429/92 e da natureza cível da ação de
improbidade. Portanto, não pode ser conhecido o recurso que deixa de impugnar
de forma clara e articulada os fundamentos da decisão atacada. Incidência da Súmula
284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 4. Ademais, improbidade
administrativa não é crime. A Lei de Improbidade Administrativa é uma lei
de natureza cível, onde as condutas e as sanções não têm natureza penal,
não estando sujeitas às normas de Direito Penal. 5. Agravo regimental não
provido.
(STJ, 2.ª Turma, AgRg no AREsp205536/RS)

COMPETÊNCIA PARA JULGAR OS ATOS DE IMPROBIDADE


Não existe no ordenamento jurídico foro por prerrogativa de função no tocante aos
processos de improbidade, por isso independente de quem esteja atuando no polo passivo da
lide o processo iniciará perante juízo de primeiro grau entendimento do STJ:

PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.


DEPUTADO FEDERAL QUE RETORNA AO CARGO DE PREFEITO. ART. 462 DO CPC.
FATO SUPERVENIENTE. RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PRERROGATIVA DE
FORO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Na hipótese, o Tribunal de origem, em
questão de ordem no julgamento de agravo de instrumento, declarou a
incompetência do juízo de primeiro grau para julgamento de agente público
diplomado deputado federal. 2. Nos embargos de declaração, o Ministério Público
apontou fato novo passível de modificar tal entendimento, qual seja: a posse do
recorrido no cargo de Prefeito de Nova Iguaçu em 1º de janeiro de 2013. Todavia,
os aclaratórios foram rejeitados. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui orientação
no sentido de que, nos termos do art. 462 do Código de Processo Civil, o fato
superveniente que possa influir na solução do litígio, deve ser considerado pelo
Tribunal competente ao julgar a lide. 4. Não existe prerrogativa de foro no
âmbito da ação de improbidade. Precedentes. Recurso especial provido.

EXCEÇÃO
A única observação que quero fazer a você é que o SUPREMO DO TRIBUNAL FEDERAL
entende que no caso específico de ser um dos seus membros a cometer o ato de improbidade
será o próprio supremo a julgá-lo.
Questão de ordem. Ação civil pública. Ato de improbidade administrativa.
Ministro do Supremo Tribunal Federal. Impossibilidade. Competência da Corte
para processar e julgar seus membros apenas nas infrações penais comuns. 1.
Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar ação de improbidade contra
seus membros. 2. Arquivamento da ação quanto ao Ministro da Suprema Corte e
remessadosautosaoJuízode1.ºgraude jurisdição no tocante aos demais. (STF,
Tribunal Pleno,Pet3211/DF,13.03.2008)

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QUADRO ESQUEMATIZADO
Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação
específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que
podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:

Tipo de Suspensão Multa Proibição de


conduta dos direitos contratar com a
políticos ADM

ATÉ 3 VEZES o
Enriquecimento Dolosa 8 a 10 anos valor acrescido
ilícito 10 anos
ao patrimônio

Dolosa
Prejuízo ao 5 a 8 anos Até 2 VEZES o
erário Ou 5 anos
valor do dano
culposa

Concessão ou Até 3 VEZES o


Aplicação valor do
(A lei é 5 a 8 anos
Indevida de benefício
omissa)
Benefício financeiro ou
Financeiro ou tributário
Tributário concedido

Atos que
atentem contra Até 100 VEZES o
Dolosa 3 a 5 anos 3 anos
os princípios da valor da
administração remuneração
pública

Só um pequeno Bizu para gravar as penalidades em relação ao reconhecimento


ilícito e prejuízo ao erário, perceba que o enriquecimento ilícito possui três letras
“E”, portanto sua multa será de até 3 vezes. No tocante ao prejuízo ao erário possui
duas letras “E”, portanto teremos uma multa de até 2 vezes.

DECLARAÇÃO DE BENS
A POSSE E O EXERCÍCIO de agente público ficam condicionados à apresentação de
declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado.
A declaração compreenderá imóveis, móveis, semoventes, dinheiro e títulos localizados
no País ou no exterior, e abrangerá os bens e valores do cônjuge ou companheiro, dos filhos e
de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante, excluídos apenas
os objetos e utensílios de uso doméstico.
A declaração de bens será ANUALMENTE atualizada e na DATA em que o agente público
DEIXAR o EXERCÍCIO do mandato, cargo, emprego ou função.

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Será punido com a pena de DEMISSÃO, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras
sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do
prazo determinado, ou que a prestar falsa.
O declarante, a seu critério, poderá entregar cópia da declaração anual de bens
apresentada à Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre
a Renda e proventos de qualquer natureza, com as necessárias atualizações, para suprir a
exigência da declaração de bens.

DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E DO PROCESSO JUDICIAL


Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que
seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade.
A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá:
 A qualificação do representante;
 As informações sobre o fato e sua autoria; e
 A indicação das provas de que tenha conhecimento.

A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho fundamentado, se


essa não contiver as formalidades exigidas acima.

OBS.! A rejeição não impede a representação ao Ministério Público.

A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou


Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de
ato de improbidade.

O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento, designar


representante para acompanhar o procedimento administrativo.

Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão representará ao


Ministério Público ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a
decretação do sequestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido
ilicitamente ou causado danos ao patrimônio público.

A AÇÃO JUDICIAL PRINCIPAL, que terá o rito ORDINÁRIO, será proposta pelo
Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de 30 dias da efetivação da
medida cautelar.
IMPORTANTÍSSIMO
Art. 17 § 1º As ações de que trata este artigo admitem a
celebração de acordo de não persecução cível, nos termos desta
Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Muito cuidado com essa alteração que tivemos no final de 2019, pois até então
era proibido (vedado) realizar acordou ou qualquer tipo de transação na lei que
versava sobre improbidade administrativa, AGORA É POSSÍVEL SIM QUE HAJA A
CELEBRAÇÃO DE ACORDO!

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Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de 30 dias, em decisão fundamentada,


REJEITARÁ A AÇÃO, se convencido da inexistência do ato de improbidade, da
improcedência da ação ou da inadequação da via eleita.

Recebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar contestação. E da decisão que
receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento.

IMPORTANTÍSSIMO
Art. 17 § 10-A. Havendo a possibilidade de solução consensual,
poderão as partes requerer ao juiz a interrupção do prazo para
a contestação, por prazo NÃO SUPERIOR A 90 (noventa)
dias. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

A contestação é a peça de defesa para o sujeito ativo do ato de improbidade,


agora com a lei anticrime publicada em dezembro de 2019, temos a possibilidade de
acordo nas ações de improbidade, portanto, na realização de acordo é possível que
as partes solicitem o juiz a interrupção do prazo para contestação, mas, lembre-se,
esse prazo não pode ser superior a 90 dias.

O Ministério Público está vinculado obrigatoriamente às ações de improbidade justo por


versar contra a moralidade administrativa que é um direito difuso, se ele não intervir como
parte, deverá atuar como fiscal da lei se não ocorrer o processo deverá ser decretado nulo.

A autoridade judicial ou administrativa competente PODERÁ determinar o


afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual.

A aplicação das sanções previstas nessa lei INDEPENDE:


 Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de
ressarcimento;

 Da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal
ou Conselho de Contas.

DA PRESCRIÇÃO
As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nessa lei podem ser propostas:
 Até 5 Anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de
função de confiança.

ENTENDIMENTO DO STJ
“No caso de agentes políticos reeleitos, o termo inicial do prazo prescricional
nas ações de improbidade administrativa deve ser contado a partir do término do
último mandato”.

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 Dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares


puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo
efetivo ou emprego.

 Até 5 anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas


final pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1o dessa Lei.

ATENÇÃO!
1º OBS.! No dia 8 de agosto de 2018, nosso STF no julgamento do Recurso
Extraordinário (RE) 852475 fixou a seguinte tese para fins de repercussão geral:

"São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática


de ATO DOLOSO tipificado na lei de improbidade administrativa".

Ou seja, agora quaisquer ações destinadas ao ressarcimento de valores aos


cofres públicos advindas de ATO DOLOSO, contidos na lei 8.429/92 não serão
alcançadas pelo instituto da prescrição.

2º OBS.! Súmula 634 STJ - Ao PARTICULAR aplica-se o MESMO regime


prescricional previsto na Lei de Improbidade Administrativa para o agente
público.

DAS DISPOSIÇÕES PENAIS


Constitui CRIME a representação por ato de improbidade contra agente público ou
terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia O SABE INOCENTE.
 Pena: DETENÇÃO de 6 a 10 meses e multa.

 OBS.! Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado


pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado.

Nos termos do artigo 20 da Lia, as penas da perda da função pública e a suspensão dos
políticos só poderão ser efetivadas após o trânsito em julgado de uma sentença condenatória,
ou seja, aquela decisão que não cabe mais recursos ou quando o próprio condenado não recorre
no prazo para o recurso.
Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos
políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença
condenatória.

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EXERCÍCIOS
ANO: 2020. BANCA: IBFC. ÓRGÃO: TRE-PA PROVA: Analista Judiciário – Administrativa.
28. Acerca do procedimento administrativo e do processo judicial (improbidade
administrativa lei n