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Parte I Biodiversidade e o desenvolvimento de fármacos e medicamentos

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Biodiversidade no Brasil
João Renato Stehmann, Marcos Sobral

Introdução 1 A grande preocupação da época decor-


Quantas espécies existem no planeta? 2 ria das discussões sobre extinções causadas
pelo homem e da necessidade de se docu-
Quantas espécies existem no Brasil? 3
mentar a vida na Terra, ainda incompleta-
Lacunas de conhecimento – o exemplo das mente conhecida. Extinções são processos
angiospermas 5 naturais, e o planeta já vivenciou pelo menos
Espécies ameaçadas de extinção 6 cinco eventos de grande magnitude – o últi-
Pontos-chave deste capítulo 7 mo no final do Cretáceo, há cerca de 65 mi-
Referências 8
lhões de anos, extinguindo, entre outros gru-
pos, os dinossauros. Centenas de milhares de
espécies já foram extintas e hoje são conhe-
cidas apenas por meio de registros fósseis.
Introdução Contudo, estimativas indicam que a perda
Biodiversidade é entendida como a “[...] de espécies resultante de ações humanas é,
variabilidade de organismos vivos de to- atualmente, de 100 a 1.000 vezes maior do
das as origens, incluindo, entre outros, os que a natural, já tendo causado a extinção
ecossistemas terrestres, marinhos e outros (silenciosa) de milhares delas.5
ecossistemas aquáticos, e os complexos Alguns cientistas acreditam que um sex-
ecológicos de que fazem parte; compreen- to evento de extinção esteja em curso no
dendo, ainda, a diversidade dentro de es- período denominado informalmente como
pécies, entre espécies e ecossistemas”. 1 Antropoceno, que corresponde ao período
O termo foi cunhado por Walter G. Rosen relacionado às atividades da nossa espécie,
quando organizou o Fórum Nacional so- Homo sapiens. Essa perda de Biodiversida-
bre Biodiversidade, ocorrido nos Estados de implica não somente o empobrecimento
Unidos em 1986. Seu uso consolidou-se genético, levando, em última consequência, à
anos mais tarde com a publicação do livro extinção de espécies, mas também apresenta
Biodiversity, que continha os resultados do uma dimensão muito maior, afetando dire-
evento.2 Um segundo volume denominado ta ou indiretamente a economia, a saúde e o
Biodiversity II foi publicado em seguida, bem-estar do ser humano.6
ampliando as abordagens sobre o tema.3 Nesse contexto, um marco importan-
A partir da utilização por diferentes áreas te foi a realização da Conferência das Na-
da ciência, a expressão adquiriu complexi- ções Unidas sobre o Meio Ambiente e o
dade e múltiplas dimensões.4 Desenvolvimento, também conhecida como

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Eco-92, realizada no Rio de Janeiro em na morfologia e batizadas pela nomenclatu-


1992. No evento, foi aprovada a Convenção ra lineana) aproximadamente 1,5 milhão de
sobre a Diversidade Biológica (CDB), ratifi- espécies de um total de cerca de 11 milhões
cada por 168 países, propondo regras para estimadas. Esse montante significa apenas
assegurar a conservação da Biodiversidade, 13% do conjunto de espécies com as quais
seu uso sustentável e a justa repartição dos compartilhamos a vida no planeta. As maio-
benefícios provenientes do uso econômico res lacunas entre os eucariontes (Eukaryota)
dos recursos genéticos, respeitada a sobera- encontram-se associadas aos fungos e aos
nia de cada nação sobre o patrimônio exis- animais, cujo número de espécies a ser des-
tente em seu território.1 Esse marco foi im- crito é ainda muito grande. Já em relação
portante devido à questão da Biodiversidade aos procariontes (Prokaryota), as estimativas
ter entrado, a partir dele, na agenda oficial atuais são totalmente inconsistentes, tendo
dos países signatários, responsáveis pela ges- em vista o grande número de taxa não des-
tão do patrimônio natural biológico presen- crito,9 além das incertezas quanto à validade
te em seus territórios. Metas são propostas da aplicabilidade do conceito de espécie uti-
a cada década na tentativa de assegurar o lizado para eucariontes no estudo do mundo
cumprimento da convenção e avançar efeti- microbiológico.10 Assim, discute-se a seguir a
vamente nas estratégias de conservação e uso diversidade centrada apenas nos fungos (Fun-
sustentável da Biodiversidade. O inventário gi), animais (Animalia) e plantas (Plantae),
das espécies ocorrentes no planeta é uma das principais representantes dos eucariontes.
metas assumidas na década passada e uma Os fungos são tradicionalmente estuda-
questão primordial ainda não respondida. dos pelos micologistas e englobam diversas
linhagens, algumas tratadas como perten-
centes a reinos distintos. Os cogumelos, re-
Quantas espécies existem presentantes dos Basidiomycota, são os mais
no planeta? bem estudados, enquanto os endofíticos e
os fungos liquenizados (Ascomycota) são
O primeiro problema a ser resolvido para se menos conhecidos (estes últimos associados
responder à pergunta de quantas espécies há a algas ou cianobactérias). As estimativas
no planeta está na classificação dos organis- de riqueza para fungos são muito díspares,
mos a ser utilizada. Atualmente, as classifica- variando de cerca de 600 mil até mais de 5
ções se norteiam pelas análises filogenéticas, milhões de espécies.11
hierarquizando os taxa de acordo com seu Para os animais, estimativas conserva-
parentesco. Ainda não há, contudo, uma ár- doras indicam a possível existência de qua-
vore filogenética completa que inclua todos se 10 milhões de espécies, das quais apenas
os organismos conhecidos, consolidando cerca de 10% já estariam catalogadas.12
uma classificação estável.7 Apesar de não ha- A maior riqueza é encontrada nos artrópodes
ver um consenso, utiliza-se aqui a proposta (Arthropoda), com quase 900 mil espécies
de reconhecimento de dois super-reinos: os descritas. Algumas projeções estimam que
procariontes e os eucariontes. O primeiro o grupo possa ter entre 2,4 e 20 milhões de
grupo abriga os reinos Archaea e Bacteria, espécies, o que indicaria que se conhece, na
ao passo que o segundo, os reinos Protozoa, melhor das hipóteses, apenas cerca de 37%
Chromista, Plantae, Animalia e Fungi.8 das espécies.13,14 Dentro dele, destacam-se
Para se ter uma dimensão do problema os insetos, que são extremamente diversifica-
de documentar a Biodiversidade, é necessário dos, sobretudo nas florestas das regiões tro-
pensar que hoje se conhece de forma elemen- picais. Os cordados (Chordata), que incluem,
tar (espécies descritas e catalogadas com base entre outros, os peixes, répteis, anfíbios, aves

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Capítulo 1 Biodiversidade no Brasil 3

e mamíferos, têm uma riqueza global catalo- fósseis. Restaram três ou quatro linhagens,
gada de 62 mil espécies, podendo ser consi- sendo o grupo das coníferas, que inclui os
derados um dos grupos mais bem estudados. pinheiros e os ciprestes, o mais diversificado,
Os peixes abarcam metade da diversidade do abarcando cerca de 600 espécies. As angios-
grupo, com mais de 31 mil espécies descri- permas têm como caracteres únicos flores e
tas, seguidos das aves, com 10 mil espécies. frutos, inovações evolutivas que ajudaram
Ainda em relação aos cordados, projeções a garantir o sucesso do grupo. Duas linha-
indicam que se conhece apenas um terço da gens, as eudicotiledôneas e as monocotiledô-
riqueza dos anfíbios, grupo que precisa ser neas, são as mais diversificadas e dominam
mais bem investigado.15 a cobertura vegetal terrestre. Em termos de
Para plantas (excluindo algas), há um riqueza, são destaques as famílias Asterace-
catálogo global que registra mais de um mi- ae (23.000 espécies), Orchidaceae (19.500
lhão de nomes e cerca de 350 mil espécies espécies), Fabaceae (18.000 espécies) e
aceitas, sendo a maior riqueza encontrada Poaceae (9.700 espécies). O último grupo,
nas angiospermas (304.000), seguida das também conhecido como gramíneas, é extre-
briófitas (20.000), pteridófitas (13.000) e gi- mamente importante na alimentação huma-
mnospermas (1.000).16 Parte da lista não foi na, pois está presente em 70% da superfície
ainda conferida por taxonomistas, podendo cultivada do planeta e fornece metade das
haver diversos sinônimos passíveis de serem calorias consumidas.18
excluídos. Entender como a Biodiversidade se dis-
As briófitas são plantas avasculares (i.e., tribui no planeta tem sido o objeto de estudo
sem tecidos vasculares condutores de líqui- da área da ciência chamada de Biogeografia.
dos e nutrientes) que costumam crescer em Sabe-se que a riqueza não se distribui uni-
locais úmidos e originadas provavelmente há formemente como consequência de padrões
mais de 400 milhões de anos, representando e processos evolutivos dos seres vivos e de
o grupo-irmão do restante das plantas terres- cada região. Também se sabe que a Biodi-
tres, do qual é provável que as linhagens de versidade terrestre é mais bem documentada
plantas vasculares derivaram. Três linhagens do que a marinha, que espécies maiores são
de briófitas são reconhecidas: os musgos, as
mais bem conhecidas do que as menores e
hepáticas e os antóceros, sendo os primeiros
que muitas das espécies novas descritas em
os mais ricos, com cerca de 12,7 mil espé-
geral possuem distribuição restrita (endêmi-
cies.17 Os demais grupos de plantas terres-
cas), “nascendo” já em risco de extinção.14
tres, as pteridófitas, gimnospermas e angios-
permas, diferem das briófitas pela presença
de tecidos vasculares em sua estrutura, sen- Quantas espécies existem
do chamados coletivamente de plantas vas- no Brasil?
culares. As pteridófitas têm duas linhagens
distintas: as licófitas e as monilófitas, estas O Brasil é considerado um país megadiverso,
últimas correspondendo em grande parte com uma biota estimada entre 170 e 210 mil
às samambaias, o grupo mais diversificado, espécies, o que corresponde a cerca de 13%
com cerca de 12 mil espécies. As pteridófitas da riqueza mundial.19 Esses números devem
não produzem sementes, o que as distingue ser analisados com cautela, tendo em vista a
primariamente das gimnospermas e angios- dimensão do território nacional (mais de 8,5
permas. milhões de quilômetros quadrados), a com-
As gimnospermas tiveram seu apogeu no plexidade dos ecossistemas e a desigual do-
passado, mas muitos grupos foram extintos e cumentação científica existente, concentrada
são conhecidos somente a partir de registros nas Regiões Sudeste e Sul.

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Com relação aos fungos ocorrentes no nhece-se a ocorrência de 34.916 espécies,


Brasil, foram catalogados até o momento sendo 19.187 (55%) endêmicas do Brasil
1.246 gêneros e 5.719 espécies, distribuídos (Quadro 1.1).24-26 Além disso, foram regis-
em 13 filos e 102 ordens, grandeza que está tradas 4.747 espécies de algas e cianobac-
longe da real diversidade existente e que térias (grupos modernamente incluídos em
foi estimada em 13 a 14 mil espécies.19,20 outros reinos) como esforço para inventário
Os grupos mais representativos foram os de grupos predominantemente associados a
Basidiomycota e os Ascomycota, com 2.741 ambientes aquáticos. A maior riqueza de es-
e 1.881 espécies, respectivamente. Recente- pécies está centrada nas angiospermas, com
mente foram descritas 75 novas espécies de cerca de 32 mil espécies, das quais 19 mil
fungos liquenizados (Ascomycota) somen- (57%) crescem de forma exclusiva no terri-
te para o estado de Rondônia, mostrando tório brasileiro. Em termos de riqueza, des-
a lacuna de conhecimento que representa a tacam-se as famílias Fabaceae, Orchidaceae,
Amazônia.21 Asteraceae, Rubiaceae, Melastomataceae,
O Catálogo Taxonômico da Fauna Brasi- Bromeliaceae, Poaceae, Myrtaceae, Euphor-
leira, uma iniciativa para reunir informações biaceae e Malvaceae, que, juntas, agregam
sobre a biota animal ocorrente no país e que quase metade da riqueza do conjunto das
contou com a participação de mais de 500 angiospermas.24
pesquisadores, registrou 116 mil espécies de O sucesso da família Fabaceae, também
animais, com a maior riqueza encontrada conhecida como Leguminosae, está asso-
nos artrópodes (com quase 94 mil espécies) e ciado à estratégia de fixação biológica de
cordados (com mais de 9 mil espécies). Entre nitrogênio, realizada nos nódulos presentes
os grupos de destaque, podem-se mencionar nas raízes. Isso permitiu que o grupo ocu-
os peixes ósseos (cerca de 4.400), os molus- passe e se diversificasse na região tropical,
cos (com quase 3.100 espécies), as aves (qua- em especial nas áreas com solos pobres e li-
se 3.000), os anelídeos (com cerca de 1.600 xiviados. No Brasil, é bem representada em
espécies) e os anfíbios (pouco mais de 1.000 praticamente todas as formações vegetais,
espécies).22 Em termos gerais, os dados coin- mas sobretudo na Amazônia e na Caatin-
cidem com as estimativas prévias de riqueza ga.  A  família Orchidaceae possui riqueza
realizadas para a fauna brasileira.17 centrada nas áreas florestais, onde é predo-
As plantas estão entre os grupos mais minantemente epifítica, com uma infinidade
bem estudados no Brasil, graças aos esfor- de espécies ornamentais. Suas estratégias
ços iniciados na última década para o seu reprodutivas e ecológicas permitiram uma
inventário que culminaram na produção grande diversificação, sobremaneira na
de listagens bastante completas.23-27 Reco- Mata Atlântica.28

Quadro 1.1 Número de espécies de plantas registradas para o Brasil, com indicação do
número e percentual de endêmicas e ameaçadas de extinção24-26
Grupos Espécies Espécies endêmicas Espécies ameaçadas
Briófitas 1.554 304 (19,6%) 17 (1,1%)
Licófitas e samambaias 1.253 460 (36,7%) 94 (7,5%)
Gimnospermas 23 2 (8,7%) 4 (17,4%)
Angiospermas 32.086 18.421 (57,4%) 1.998 (6,2%)
TOTAL 34.916 19.187 (55%) 2.113 (6,0%)

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Capítulo 1 Biodiversidade no Brasil 5

Lacunas de conhecimento – suficiência amostral, que são a relação entre


o número de coletas realizadas e a área estu-
o exemplo das angiospermas
dada. Há na literatura botânica referência a
Ainda que as plantas estejam entre os gru- dois índices de suficiência amostral: o índice
pos mais bem estudados no Brasil – ou talvez de Campbell30 e o de Shepherd.31
especialmente por isso –, há razões para se O índice de Campbell considera satisfa-
acreditar que, pelo menos no caso específico tório, para regiões tropicais, a existência de
das angiospermas, seu conhecimento ainda uma coleta por quilômetro quadrado; já o
tem lacunas importantes a serem destacadas. índice de Shepherd aumenta essa proporção
A condição mais básica para um ade- para três coletas por quilômetro quadrado.
quado conhecimento da Biodiversidade é O uso dos índices de suficiência permite o
uma amostragem satisfatória dela – isto é, diagnóstico de áreas escassamente explora-
a existência de boas coleções científicas dos das e a consequente elaboração de estraté-
organismos que são o objeto de estudo das gias para preencher essas lacunas de conhe-
ciências biológicas: os acervos de instituições cimento. Tal avaliação, porém, tem de ser
como museus, herbários, jardins botânicos e cuidadosa, pois, em certas situações, áreas
zoológicos. A qualidade desses acervos tem com elevados índices de coletas/km2 são o
consequências diretas sobre a qualidade do resultado de superamostragens extremamen-
conhecimento da diversidade biológica. te localizadas – como coletas feitas em estra-
Os acervos de plantas especificamente das planas que cruzam regiões montanhosas
utilizados na sua descrição nomenclatural – de acesso mais difícil – cujo índice de sufi-
como já dito, o primeiro passo para o conhe- ciência mascara o escasso conhecimento da
cimento de uma espécie – estão em museus diversidade local.
e herbários, que guardam amostras de plan- No caso do Brasil, os 6 milhões de
tas adequadamente desidratadas (chamadas amostras divididos pela área do país, de
tecnicamente de exsicatas) e organizadas de aproximadamente 8.516.000 km2, resultam
acordo com suas relações filogenéticas. Essas em um valor em torno de 0,7 coleta/km2, in-
coleções variam em tamanho e representati- ferior ao índice de Campbell.32 Para fins de
vidade; instituições antigas como o Museu comparação, é interessante confrontar esses
de História Natural de Paris, com amostras resultados com a quantidade planetária de
de plantas de diversos continentes, abrigam coletas.29 Os 350 milhões de amostras divi-
acervos de mais de 9 milhões de exsicatas. Em didos pela área dos continentes do planeta,
termos de comparação, o maior herbário do de cerca de 149.000.000 km2, resultam em
Brasil, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, uma quantidade de 2,3 coletas/km2, compa-
tem um acervo de pouco mais de 600 mil ex- rativamente mais elevada.33 Ainda que esse
sicatas. Existem hoje cerca de 3 mil coleções resultado deva ser considerado com reser-
científicas de plantas no mundo, guardando va, ele é sugestivo da escassez de coletas no
um total de 350 milhões de exsicatas reunidas Brasil. Independentemente da quantidade
ao longo de 400 anos de trabalho botânico.29 de coletas – já em si indicativa de lacunas
Como uma amostragem adequada da de conhecimento –, o trabalho de identifi-
Biodiversidade é fundamental para sua cor- cação botânica desse material levado a cabo
reta avaliação, instrumentos que possibilitem pela comunidade científica é também uma
a avaliação da qualidade dessa amostragem eloquente demonstração da ainda limitada
são ferramentas importantes. No que diz compreensão que se tem da Biodiversidade
respeito ao conhecimento botânico de uma brasileira, pelo menos no que diz respeito às
região, a quantidade de material ali coletada plantas com flores, exatamente o grupo com
pode ser avaliada pelos chamados índices de maior número de representantes.

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A identificação até o nível específi- do território brasileiro, e a Mata Atlântica,


co dos milhões de exsicatas guardadas nos 13%, a disparidade entre as descobertas nos
herbários brasileiros é uma tarefa lenta que dois biomas é evidente. Como é improvável
atualmente mobiliza algumas centenas de que a Mata Atlântica seja tão mais diversa
profissionais. Ao longo desse trabalho, não do que a Floresta Amazônica conforme es-
apenas a distribuição das diferentes espécies ses dados parecem sugerir, pode-se supor que
nos vários biomas brasileiros é mais bem co- essa diferença reflita a desigual amostragem
nhecida e mapeada, mas também são dadas de tais biomas. Dos 6 milhões de exsicatas
a conhecer numerosas espécies até então des- nos herbários brasileiros, em torno de 700
conhecidas para a ciência, as assim chama- mil coletas são provenientes dos estados da
das espécies novas (nova, não custa salientar, Região Norte do Brasil, o que equivale a
é um termo técnico referente ao advento de cerca de 0,17 coleta/km2.35 Considerando-
sua descrição – nova porque, até então, não -se essa escassez de material coletado, é
se sabia de sua existência, mas sem qualquer plausível imaginar que coletas intensivas na
tipo de alusão ao evento de especiação que a Amazônia aumentem consideravelmente as
originou). Nunca é demais ressaltar o gran- informações sobre a diversidade biológica
de valor dessas descobertas, que ampliam a na região.
compreensão que se tem dos ambientes onde Se, por um lado, esses resultados in-
foram encontradas e demonstram que sua dicam que há, no Brasil, imensas regiões
real diversidade biológica ainda não foi to- inexploradas, por outro lado mostram cla-
talmente apreendida. ramente que até mesmo áreas intensamente
No caso específico das angiospermas, há amostradas ainda estão longe de ser devida-
dados que mostram que, entre 1990 e 2006, mente conhecidas em sua diversidade. Ainda
foram descritas para o Brasil 2.875 novas que os dados apresentados sejam restritos às
espécies, ao ritmo aproximado de uma espé- angiospermas, não é descabido supor que a
cie nova dada a conhecer a cada dois dias.34 mesma situação se reflita nos outros grupos
Esses dados são significativos no que diz res- de plantas terrestres – em outras palavras, o
peito à extensão do conhecimento da flora conhecimento da Biodiversidade no Brasil
brasileira. Dados posteriores (Sobral & Steh- ainda é um trabalho que está longe de ser
mann, dados não publicados) revelam que, concluído.
no período entre 2007 e 2015, foram adi-
cionadas a essas mais de 1.900 outras novas
espécies, em um ritmo de produção equiva-
Espécies ameaçadas de extinção
lente àquele observado no período anterior. A biologia da conservação é uma disciplina
Uma análise da distribuição geográfica que estuda estratégias para conservação da
dessas espécies novas aponta lacunas inte- diversidade biológica, envolvendo diferentes
ressantes de conhecimento.34 O Brasil pos- atores, como pesquisadores, tomadores de
sui cinco biomas: Floresta Amazônica (ocu- decisão e comunidades. As iniciativas, em
pando 49% do território brasileiro), Mata geral, são focadas em áreas ou nas espécies.
Atlântica (13%), Caatinga (9%), Cerrado No caso de áreas, algumas têm busca-
(24%), Pampa (3%) e Pantanal (2%). Com- do reconhecer aquelas insubstituíveis para
parando-se os dois grandes biomas florestais conservação, como os chamados Hotspots
– a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica –, de Biodiversidade. Essas áreas possuem ele-
582 espécies (20% do total) foram descritas vada riqueza, endemismos e encontram-se
para a Floresta Amazônica e 1.194 (41%) extremamente ameaçadas, com mais de 70%
para a Mata Atlântica. Como a Floresta de sua cobertura original destruída. São re-
Amazônica ocupa aproximadamente 49% conhecidos hoje 34 Hotspots de Biodiversi-

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Capítulo 1 Biodiversidade no Brasil 7

dade, cobrindo apenas 2,5% da superfície rigo e 9 Extintas na Natureza (outras cinco
do planeta, mas contendo cerca de 50% das são consideradas extintas no território brasi-
espécies de plantas e 42% das de vertebra- leiro). O Livro Vermelho da Flora Brasileira
dos.36,37 São considerados Hotspots a Mata Ameaçada de Extinção, publicado em 2013,
Atlântica e o Cerrado, formações que estão inclui dados detalhados sobre cada espécie.43
distribuídas em sua maior parte no território A maioria das espécies ameaçadas encontra-
brasileiro. -se na Mata Atlântica (1.544), seguidas
No caso de espécies, elas são avaliadas pelo Cerrado (645), Caatinga (253), Pam-
e classificadas quanto ao grau de ameaça, pa (120), Amazônia (87) e Pantanal (21).
em geral seguindo critérios da União Inter- A maior riqueza de endemismos e de des-
nacional para a Conservação da Natureza truição ambiental a que foram submetidas as
(IUCN), podendo ser consideradas extintas duas primeiras formações explicam o núme-
(EW), ameaçadas [Criticamente em Perigo ro absoluto de espécies ameaçadas.
(CR), Em Perigo (EN) ou Vulnerável (VU)], Projeções de quantas espécies ameaçadas
quase ameaçadas ou não ameaçadas.38 As ainda estão para ser descobertas no Brasil
espécies ameaçadas fazem parte dos livros têm sido realizadas e indicam que o número
vermelhos, tendo restrições de uso e sen- de espécies de anfíbios ameaçadas pode cres-
do objeto de planos de ação que objetivam cer 15%, e o de plantas endêmicas, de 10 a
diminuir as pressões sobre as populações, 50%, dependendo da região.44 É importante
evitando, assim, o processo de extinção. As lembrar que esses dados estão longe de repre-
maiores ameaças à Biodiversidade global sentar efetivamente a Biodiversidade amea-
têm sido atribuídas a exploração excessiva çada, uma vez que não incluem indicadores
(37%), degradação e mudança do habitat de perda de diversidade genética ao nível po-
(31%), perda de habitat (13%), mudanças pulacional, sabidamente promotor de proces-
climáticas (7%), espécies invasoras (5%), sos silenciosos de extinção. Muitas espécies
poluição (4%) e doenças (2%). ainda não foram sequer descritas, e diversas
A Lista das Espécies da Fauna Brasileira possivelmente já devem ter sido extintas.
Ameaçada de Extinção vigente inclui 1.173 O século XXI tem sido caracterizado
espécies,39,40 sendo 110 mamíferos, 234 pelo acelerado desenvolvimento científico
aves, 80 répteis, 41 anfíbios, 353 peixes ós- e tecnológico, pelas mudanças globais que
seos, 55 peixes cartilaginosos, 1 peixe-bruxa afetam o planeta em diferentes escalas e pela
e 299 invertebrados. No total, são 448 espé- perda iminente de Biodiversidade. Nesse
cies Vulneráveis, 406 Em Perigo, 318 Criti- contexto, possuir uma das biotas mais ricas
camente em Perigo e 5 Extintas na Natureza do planeta é, antes de tudo, uma fonte de
(outras cinco são consideradas extintas no oportunidades para o Brasil, em especial na
território brasileiro). Ela é uma atualiza- pesquisa científica e tecnológica dos produ-
ção da lista apresentada no Livro Vermelho tos naturais. O grande desafio posto a cada
publicado em 2008.41 Para alguns grupos, nação é a gestão de seu patrimônio natural
como os artrópodes, a escassez de dados não mediante práticas sustentáveis que não acar-
permite que as espécies sejam adequadamen- retem perda de Biodiversidade, o que priva-
te avaliadas. ria as futuras gerações de conhecê-las.
Para plantas, a Lista das Espécies da
Flora Brasileira Ameaçada de Extinção inclui
2.113 espécies,42 sendo 1.998 angiospermas,
Pontos-chave deste capítulo
4 gimnospermas, 94 pteridófitas e 17 briófi- Biodiversidade é o conjunto de organismos
tas. Ao todo, são 495 espécies Vulneráveis, vivos de todas as origens, incluindo, entre
1.142 Em Perigo, 467 Criticamente em Pe- outros, os ecossistemas terrestres, marinhos

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8 Farmacognosia

e outros ecossistemas aquáticos, e os com- relação é de 0,17 coleta/km2, o que indica


plexos ecológicos de que fazem parte, com- uma imensa deficiência de dados.
preendendo ainda a diversidade dentro de São reconhecidas oficialmente 3.286 es-
espécies, entre espécies e ecossistemas. pécies ameaçadas de extinção para a biota
O número de espécies descritas é de brasileira, das quais 1.173 são animais e 2.113
aproximadamente 1,5 milhão dentro de um são plantas. Esses dados estão longe de repre-
universo estimado em cerca de 11 milhões, o sentar efetivamente a Biodiversidade amea-
que significa que se conhece apenas 13% do çada, uma vez que não incluem indicadores de
conjunto de espécies com as quais comparti- perda de diversidade genética ao nível popu-
lhamos a vida no planeta. Os eucariontes são lacional, sabidamente promotor de processos
mais bem conhecidos do que os procarion- silenciosos de extinção. Muitas espécies ainda
tes; entre os eucariontes, a maior riqueza é não foram sequer descritas, e diversas possi-
encontrada nos animais, seguidos pelas plan- velmente já devem ter sido extintas.
tas e fungos. Os grupos menos conhecidos de Possuir uma das biotas mais ricas do
animais são os insetos; de plantas, as angios- planeta é uma fonte de oportunidades para
permas; e de fungos, aqueles liquenizados e o Brasil, em especial na pesquisa científica e
endofíticos. tecnológica dos produtos naturais. O gran-
O Brasil é considerado um país megadi- de desafio é crescer economicamente tendo
verso, com uma biota estimada entre 170 e como pilares práticas sustentáveis que não
210 mil espécies, o que corresponde a cer- acarretem perda de Biodiversidade, o que
ca de 13,1% da riqueza mundial conhecida. privaria as futuras gerações do seu usufruto.
Para a fauna, foram registradas 116 mil es-
pécies, com a riqueza concentrada nos artró-
podes, com 94 mil espécies, seguidos pelos
Referências
cordados, com 9 mil espécies. Com relação 1. Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Con-
aos fungos, foram catalogadas 5.719 espé- venção sobre diversidade biológica [Internet].
cies, grandeza que está longe da real diver- Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente;
sidade existente, estimada em 13 a 14 mil 2000 [capturado em 30 mar. 2016]. Dispo-
nível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/
espécies. As plantas estão entre os grupos
sbf_chm_rbbio/_arquivos/cdbport_72.pdf.
mais bem estudados no Brasil, com 34.916
2. Wilson EO. Biodiversity. Washington: Natio-
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