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FACULDADES ANHANGUERA CAMPINAS

DIREITO
6º Semestre, turma 2018

DIREITO PENAL

Crimes Sexuais - Análise de Julgados


Resumo:
O Presente trabalho apresenta a análise de processos que tratam de
crimes sexuais, previstos no Código Penal, analisados os artigos
incidentes, jurisprudências utilizadas nos recursos julgados pelo STF e
STJ.

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SUMÁRIO

Processo 1......................................................................................3

Processo 2....................................................................................11

Processo 3....................................................................................13

Conclusão.....................................................................................15

Bibliografia....................................................................................................16

2
Processo Nº1
Link: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/881896529/recurso-
especial-resp-1832392-sp-2019-0244625-3/decisao-monocratica-
881896547?ref=juris-tabs

Ementa:
RECURSO ESPECIAL Nº 1.832.392 - SP (2019/0244625-3) RELATOR :
MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECA RECORRENTE : A F DE
O J ADVOGADO : GUSTAVO DOS SANTOS CARVALHO E OUTRO(S) -
SP398188 RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO
PAULO DECISÃO Trata-se de recurso especial contra acórdão do Tribunal
de Justiça de São Paulo, mantendo a sentença que condenou A. F. de O. J.
por infração ao art. 216-A, caput, e §2º, do Código Penal, reduzindo-lhe,
todavia, a pena para 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de detenção, em regime
aberto, substituída a privativa de liberdade por restritivas de direitos. Nas
razões do especial, fulcrado na alínea "c" do permissivo constitucional,
alega divergência jurisprudencial em relação ao decidido na Apelação n.
97927-65.2015.8.09.0049/GO. Pretendendo a absolvição, aduz, em síntese,
que o delito de assédio sexual pressupõe a prevalência do agente na
condição de superior hierárquico ou a ascendência em decorrência de
exercício de emprego, cargo ou função, inexistentes na hipótese, pois "o
fato não aconteceu na unidade escolar e nem em condições que
envolvessem a relação docente-discente, mas tão somente numa
comunicação online entre dois amigos, de igual paridade" (e-STJ fl. 263).
Argumenta que "o professor não é superior hierárquico ou ascendente
profissional do aluno, não havendo qualquer relação de superior-inferior,
subordinador-subordinado ou empregador-empregado bastante a ensejar a
ocorrência delitiva, ainda mais num fato ocorrido fora dos muros da unidade
escolar" (e-STJ fl. 263). Prossegue dizendo que os fatos poderiam
configurar a contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor (art. 61
do Decreto-lei n. 3688/1941), delito vigente à época e atualmente revogado,
o que ensejaria a extinção da punibilidade com fundamento na abolitio
criminis. Contra-arrazoado (e-STJ fls. 365/379) e admitido (e-STJ fl. 382),
manifestou-se o Ministério Público Federal, nesta instância, pelo

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desprovimento do recurso, em parecer assim ementado (e-STJ fl. 391):
RECURSO ESPECIAL. ASSÉDIO SEXUAL. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO OU
DESCLASSIFICAÇÃO DO DELITO. IMPOSSIBILIDADE. CONSISTÊNCIA
DAS PROVAS. NECESSÁRIO REEXAME DE FATOS E PROVAS.
SÚMULA 7/STJ. - A condenação do réu restou fundamentada em vasto
acervo fático-probatório, lastreado nas provas testemunhais e depoimento
da vítima. - Ao contrário do que sustentado pela defesa, verifica-se que o
réu se utilizou da sua superioridade hierárquica entre professor e aluna,
valendo-se de sua profissão, para obter vantagem sexual, o que caracteriza
o crime do art. 216-A, §2°, do CP. - Ademais, o afastamento das conclusões
a que o acórdão recorrido chegou acerca da materialidade e autoria
delitivas demandaria uma análise detalhada dos fatos e provas, o que seria
inadequado pela via do recurso especial, dado o óbice da Súmula n°
07/STJ. - Parecer pelo não provimento do recurso especial. É o relatório.
Decido. O recurso não comporta conhecimento. Veja o que consta do
acórdão recorrido (e-STJ fls. 250/251): Segundo se apurou o acusado,
professor na escola pública "Sylvia Bauer", iniciou conversa pela rede
Facebook com a ofendida L., quando enviou mensagens com conteúdo
sexual que envolviam L. e a adolescente J. Fê-lo com intenção de obter
vantagem ou favorecimento sexual dizendo "rapidamente tiro o pau de
dentro da buceta da J. Esporro em vcs duas ... lindas, peladas e
meladas...". Em seguida, o professor continuou a assediar a aluna
constrangendo-a, e escreveu para L. "acho que essa seria uma cena
legal"... "mas só uma fantasia"... "eu não agüento e começo a beijar sua
bunda linda"... "Jeniffer tira o que falta da roupa e, sentada no sofá, começa
a se acariciar olhando pra mim beijando seu corpo".. . "Eu olhi pra ela e digo
"você não quer me ajudar?" "Ela sorri vem..." Durante a conversa, o réu
ainda enviou para L. duas fotografias de conteúdo pornográfico, referindo-se
à prática de sexo entre duas pessoas do sexo feminino. Após, a conversa, o
professor passou aos alunos um trabalho, ocasião em que a ofendida
relatou os fatos a uma amiga e que se recusaria a conversar com o agente
sobre a atividade escolar por ele determinada, em razão do assédio
referido. O réu confirmou os fatos. Disse que nunca teve esse tipo de
conversa com nenhum outro aluno, não sabendo justificar sua atitude.

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Acrescentou que não estava em seu estado normal, sendo que dias após os
fatos, se afastou do trabalho por motivos de saúde. Alegou que cm nenhum
momento pensou ou tentou levar vantagem ou ter algum favorecimento
sexual em relação às alunas. A vítima L. confirmou os fatos e disse que
quando percebeu que as conversas estavam ficando mais pornográficas,
mostrou para N. E ambas foram reclamar na diretoria da escola. Salientou
que não pediu ao réu parar de mandar as mensagens, pois estava com
medo e muito nervosa. Alegou que a diretora mandou ele embora naquele
mesmo dia. Asseverou que foi namorada de J. anteriormente aos fatos e
acredita que ela foi quem contou ao réu sobre as duas pois ela era muito
próxima do professor, ora acusado. Contou que recebeu uma carta do
acusado, pedindo desculpas. A genitora de L. disse ter visto as mensagens
que o réu mandou a sua filha pelo Facebook. Disse que a menina é muito
quieta e pouco sai de casa. Estranhou que ela perdeu o ânimo de ir a
escola e à época ela tinha 17 anos de idade. Reprovou naquele ano o que
nunca havia ocorrido. Informou que ela não gosta mais de ir a escola, mas
insiste que a filha termine os estudos. Após os fatos o réu escreveu uma
carta desculpando-se. A testemunha P. vice-diretora da escola disse que
atendeu N. e L. no dia. Informou que N. foi quem mostrou o celular de L. a
ela, onde continha as mensagens do professor. Imediatamente chamou o
coordenador e pediu que ele permanecesse na sala. Com a anuência de L.
acessaram o Facebook dela no computador e fotografaram as telas
contendo as mensagens e as fotos totalmente impróprias, inadequadas e
inoportunas por se tratar de uma aluna e menor de idade. Tomou as
providencias necessárias ligando para a Diretora e instaurou-se processo
administrativo contra o acusado. Acrescentou que em outra oportunidade
recebeu reclamação dos pais de uma aluna porque o acusado havia dado
uma câmera para a filha daqueles pais, a fim de que ela tirasse fotos do seu
corpo. Informou que o acusado foi advertido sobre o seu comportamento
inadequado sendo enviada uma informação para Diretoria de Ensino. A
testemunha A., Coordenadora da escola, confirmou os fatos. Diante das
provas orais, da confissão do réu e do que consta às fls. 10/12, a
condenação é de rigor nos exatos termos da denúncia, restando
prejudicado o pedido de absolvição. Como se poder ver, inexiste

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manifestação do Tribunal a quo acerca do alegado no presente recurso
especial - se o tipo previsto no art. 216-A do Código Penal (assédio sexual)
tem incidência quando se tratar de relação professor-aluno. O
prequestionamento admitido por esta Corte se caracteriza quando o
Tribunal de origem emite juízo de valor sobre determinada questão,
englobando aspectos presentes na tese que embasam o pleito apresentado
no recurso especial. Assim, uma tese não refutada pelo Tribunal de origem
não pode ser conhecida no âmbito do recurso especial por ausência de
prequestionamento. No caso, em tela, o Tribunal a quo deixou de apreciar a
tese defensiva de atipicidade da ação - falta de prevalência de condição de
superior hierárquico ou ascendência profissional entre professor e aluno -,
sendo inviável, nesta oportunidade, a apreciação da matéria, por ausência
do indispensável requisito do prequestionamento. E a permanência da
omissão no acórdão recorrido, ainda que opostos embargos aclaratórios,
enseja a arguição de ofensa ao artigo 619 do CPP, o que não ocorreu na
espécie, atraindo a incidência das Súmulas 211/STJ, 282 e 356 do STF. A
propósito: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. PLEITO ABSOLUTÓRIO.
PROVAS DA MATERIALIDADE E AUTORIA PRODUZIDOS EM JUÍZO.
REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE. AGRAVO
REGIMENTAL IMPROVIDO. [...] PRETENDIDO AFASTAMENTO DA
CAUSA ESPECIAL DE AUMENTO PREVISTA NO INCISO I DO ART. 18
DA LEI N. 6.368/76 E DA AGRAVANTE DESCRITA NO ART. 62, INCISO I
DO CP. PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA N. 211/STJ. 1. Inviável, neste Sodalício, a apreciação das
matérias que não foram debatidas nas instâncias de origem, ante a
indispensabilidade de prequestionamento dos temas recursais e o óbice
previsto no Enunciado n. 211 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 2.
A permanência da omissão no acórdão recorrido, quando opostos embargos
aclaratórios com a finalidade de sanar eventual vício no julgado, requer à
defesa arguição da violação ao artigo 619 do CPP, de modo a acusar
negativa de prestação jurisdicional, o que não ocorreu na espécie. [...] 2.
Agravo a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 985.373/AM, Rel.
Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 28/05/2019, DJe

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06/06/2019) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. OFENSA O ART. 159, § § 3º E 4º, DO CP.
PREQUESTIONAMENTO. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE ALEGADA
VIOLAÇÃO AO ART. 619 DO CPP. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211 DO STJ.
AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. In casu, recorrente não prequestionou o tema
a contento, pois a discussão na instância a quo não chegou à exaustão. Em
que pese à oposição de embargos de declaração, estes foram rejeitados,
sem que o Tribunal de origem tenha se manifestado acerca do tema. 2.
Dessa forma, persistindo a omissão na decisão do recurso integrativo, o
recorrente deve interpor recurso especial com base na violação ao art. 619
do Código de Processo Penal, para que esta Corte Superior determine, ou
não, o retorno dos autos à origem, a fim de sanar eventual mácula, o que
não ocorreu nos autos. 3. Assim, incide na espécie o verbete da Súmula n.
211 do STJ, verbis: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a
despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo
Tribunal a quo" . 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp
1394595/RJ, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
21/03/2019, DJe 27/03/2019) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
ESPECIAL. ART. 639, I, DO CPP. PREQUESTIONAMENTO FICTO.
AUSÊNCIA. NÃO APONTADA A NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL NAS RAZÕES DO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO. 1. Entende esta Corte que o prequestionamento ficto é
possível até mesmo na esfera penal, desde que no recurso especial tenha o
recorrente apontado violação ao art. 619 do CPP (dispositivo do CPP
correspondente ao art. 1.022 do CPC), a fim de permitir que o órgão
julgador analise a (in)existência do vício assinalado e, acaso constatado,
passe desde então ao exame da questão suscitada, suprimindo a instância
inferior, se necessário, consoante preleciona o art. 1.025 do CPC.
Precedentes. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1669113/MG,
Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 19/04/2018,
DJe 11/05/2018) Ainda que assim não fosse, esta Corte, recentemente,
manifestou-se no sentido de reconhecer a relação de superioridade
hierárquica entre professor e aluna, nas hipótese em que aquele se vale da
sua profissão para obter vantagem sexual, a tipificar o crime de assédio

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sexual. Confira-se: RECURSO ESPECIAL. ASSÉDIO SEXUAL. ART. 216-A,
§ 2º, DO CP. SÚMULA N. 7 DO STJ. NÃO APLICAÇÃO. PALAVRA DA
VÍTIMA. HARMONIA COM DEMAIS PROVAS. RELAÇÃO PROFESSOR-
ALUNO. INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO
PROVIDO. 1. Não se aplica o enunciado sumular n. 7 do STJ nas hipóteses
em que os fatos são devidamente delineados no voto condutor do acórdão
recorrido e sobre eles não há controvérsia. Na espécie, o debate se resume
à aplicação jurídica do art. 216-A, § 2º, do CP aos casos de assédio sexual
por parte de professor contra aluna. 2. O depoimento de vítima de crime
sexual não se caracteriza como frágil, para comprovação do fato típico,
porquanto, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, a
palavra da ofendida, nos delitos sexuais, comumente praticados às ocultas,
possui especial relevância, desde que esteja em consonância com as
demais provas que instruem o feito, situação que ocorreu nos autos. 3.
Insere-se no tipo penal de assédio sexual a conduta de professor que, em
ambiente de sala de aula, aproxima-se de aluna e, com intuito de obter
vantagem ou favorecimento sexual, toca partes de seu corpo (barriga e
seios), por ser propósito do legislador penal punir aquele que se prevalece
de sua autoridade moral e intelectual - dado que o docente naturalmente
suscita reverência e vulnerabilidade e, não raro, alcança autoridade paternal
- para auferir a vantagem de natureza sexual, pois o vínculo de confiança e
admiração criado entre aluno e mestre implica inegável superioridade,
capaz de alterar o ânimo da pessoa constrangida. 4. É patente a aludida
"ascendência", em virtude da "função" desempenhada pelo recorrente -
também elemento normativo do tipo -, devido à atribuição que tem o
professor de interferir diretamente na avaliação e no desempenho
acadêmico do discente, contexto que lhe gera, inclusive, o receio da
reprovação. Logo, a "ascendência" constante do tipo penal objeto deste
recurso não deve se limitar à ideia de relação empregatícia entre as partes.
Interpretação teleológica que se dá ao texto legal. 5. Recurso especial
conhecido e não provido. (REsp 1759135/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO
REIS JÚNIOR, Rel. p/ Acórdão Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ,
SEXTA TURMA, julgado em 13/08/2019, DJe 01/10/2019) Diante do
exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 255, §4º, I, do RISTJ,

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não conheço do recurso especial. Intimem-se. Brasília, 16 de outubro de
2019. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA Relator

(STJ - REsp: 1832392 SP 2019/0244625-3, Relator: Ministro REYNALDO


SOARES DA FONSECA, Data de Publicação: DJ 18/10/2019)

Análise do caso:
Trata-se de um processo de assédio, previsto no art. 216-A, o qual acontece
consonante com o §2º, porém, em tal situação, é discutido se existe essa
relação hierárquica entre Professor/Aluno. Para alguns doutrinadores, tal
relação existe apenas no local de trabalho ou no caso de professor/aluno
quando estes em ambiente escolar, porém se analisarmos culturalmente o
valor da relação professor/aluno, não temos o professor como um superior
hierárquico apenas no ambiente escolar, professores são pessoas que
levamos como seres superiores para toda uma vida, assim, ainda mais
valorosa essa relação quando tratamos de menores de idade, tal qual no
processo citado acima.
Cita-se no recurso, levantado para o Tribunal Superior uma dissonância com
o artigo 619 do CPP, cuja redação: “Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais
de Apelação, câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos de
declaração, no prazo de dois dias contados da sua publicação, quando
houver na sentença ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão.”
Assim, pede a defesa, que não seja reconhecida a relação de superioridade
hierárquica do professor/aluno devido não haver relação laboral entre essas
pessoas, cita-se que "o professor não é superior hierárquico ou ascendente
profissional do aluno, não havendo qualquer relação de superior-inferior,
subordinador-subordinado ou empregador-empregado bastante a ensejar a
ocorrência delitiva, ainda mais num fato ocorrido fora dos muros da unidade
escolar" (e-STJ fl. 263). Prossegue dizendo que os fatos poderiam configurar
a contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor (art. 61 do Decreto-
lei n. 3688/1941), delito vigente à época e atualmente revogado, o que
ensejaria a extinção da punibilidade com fundamento na abolitio criminis.

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Não reconhecido o provimento do recurso em relação ao artigo 619, CPP,
continua o relator que sim, o professor no caso referido acima aproveita-se
da sua posição de professor para obter vantagem sexual, não importando se
o crime ocorreu no ambiente escolar ou fora do ambiente escolar, prova-se
que o professor goza de superioridade hierárquica na relação com os alunos,
reiterando, não apenas em ambiente escolar. Não restando dúvidas quanto a
incidência do Art. 216-A, §2º, CP, assim, não reconhecendo o recurso
mantém-se a condenação do acusado fixada em 1 (um) ano e 4 (quatro)
meses de detenção, em regime aberto, substituída a privativa de liberdade
por restritiva de direitos.
Assim decide o Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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Processo Nº 2
Link:
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/881896529/recurso-especial-
resp-1832392-sp-2019-0244625-3/decisao-monocratica-881896547?
ref=juris-tabs

Ementa:
AGRAVO REGIMENTAL. CRIME DE ESTUPRO. PALAVRA DA VÍTIMA.
ELEMENTO DE CONVICÇÃO DE MAIOR IMPORTÂNCIA. AUSÊNCIA DE
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO. SÚMULA 182/STJ.
ELEMENTAR DO TIPO COMPROVADA. AUTORIA E MATERIALIDADE
DELITIVA DEMONSTRADAS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA
7/STJ. DECISÃO MANTIDA POR SEU PRÓPRIO FUNDAMENTO. 1. Nos
termos do entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, deve
o agravo regimental impugnar especificamente os fundamentos da decisão
agravada, sob pena de não ser conhecido. 2. Não há como abrigar agravo
regimental que não logra desconstituir os fundamentos da decisão atacada.
3. Agravo regimental improvido. (STJ - AgRg no AREsp: 290137 MG
2013/0029318-4, Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Data de
Julgamento: 16/09/2014, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe
01/10/2014)

Analise o caso:

No recurso apresentado pedia-se prova material e não apenas a palavra da


vítima. Conforme analisado pela 6º Turma, a materialidade e autoria dos
fatos foram comprovadas pela prova oral colhida, principalmente pela palavra
uníssona, não se importando pela inconclusividade do laudo técnico.

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Dessa forma, a inversão do que ficou decidido, como pretendido pelo
recorrente, demanda o reexame do acervo fático-probatório constantes dos
autos, providência que contraria a sumula 7STJ.
Não obstante isso, o entendimento do STF é firme no sentido de que, nos
crimes de estupro, a palavra da vítima é elemento de convicção de maior
importância, justamente porque nestes delitos, não há testemunhas ou
vestígios.
A jurisprudência (HC n. 19.397/RJ, Ministro Hamilton Carvalhido, Sexta
Turma, DJ 21/6/2004) é sempre citada em casos de valoração da palavra da
vítima, e em sua grande maioria dos processos analisados deste tipo citavam
esse recurso.

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Processo Nº 3
Link: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/859242517/agravo-
regimental-no-habeas-corpus-agrg-no-hc-498203-sp-2019-0071210-
7/inteiro-teor-859242544?ref=juris-tabs

AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE


VULNERÁVEL. DOSIMETRIA. CONTINUIDADE DELITIVA. FRAÇÃO
APLICADA DE 2/3. VIOLÊNCIA QUE PERDUROU POR 3 ANOS.
FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. ESTUPRO COM VIOLÊNCIA PRESUMIDA.
CARÁTER HEDIONDO DO CRIME. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que
nos crimes sexuais envolvendo vulneráveis é adequada a fixação de
aumento referente à continuidade delitiva em patamar superior ao mínimo,
quando o delito foi perpetrado durante certo lapso temporal, sendo, nesse
contexto, desnecessário precisar exatamente quantas vezes ocorreu o
evento criminoso. 2. "Os delitos de estupro e de atentado violento ao pudor,
nas suas formas simples e qualificada, estão incluídos no rol de crimes
hediondos desde a edição da Lei n. 8.072/1990, não se exigindo a
ocorrência de morte ou lesão corporal grave da vítima para que seja
caracterizada a hediondez (AgRg no REsp 1187176/RS, Rel. Ministro
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, DJe 19/3/2012). 3. Agravo
regimental desprovido. (STJ - AgRg no HC: 498203 SP 2019/0071210-7,
Relator: Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 06/08/2019,
T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 15/08/2019)

Análise do caso:
Pedia a defesa do condenado a reanálise da pena aplicada, levantando a
tese de que a pena não poderia ser aumentada em 2/3 visto que não havia

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provas da quantidade ou da continuidade do abuso citado. Porém, conforme
jurisprudência verificada pela corte, quando não há uma quantidade precisa,
mas prova do reiterado e contínuo abuso, sempre fixa-se o aumento da pena
no máximo legal o possível, visto que entende-se que assim, a pena base
foi fixada no mínimo legal em 8 anos de reclusão.
Sendo a pena majorada em 1/2 por se tratar de ascendente da vítima e que
exercia autoridade sobre ela, cominando em 12 anos, ainda, quando
reconhecida a continuidade delitiva, nos termos do art. 71, CP, majora-se a
pena em 2/3, resultando em definitiva a 20 anos de reclusão, sendo os 2/3
com base no longo período da violência, seguindo a jurisprudência citada no
recurso: “Quanto ao aumento pela continuidade delitiva, o entendimento
deste Tribunal Superior estabeleceu-se no sentido de que "aplica-se a
fração de aumento de 1⁄6 pela prática de 2 infrações; 1⁄5, para 3 infrações;
1⁄4, para 4 infrações; 1⁄3, para 5 infrações; 1⁄2, para 6 infrações e 2⁄3, para 7
ou mais infrações" ( ut, AgRg no REsp 1.169.484⁄RS, Rel. Min. JORGE
MUSSI, QUINTA TURMA, DJe 16⁄11⁄2012); ou seja, reconhecida a
continuidade do crime e não sabendo-se a quantidade, presumiu-se que
sim, foram mais de 7 devido ao tempo de ocorrência do crime continuado.
A turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental.

14
Conclusão:
Apresentados os recursos, podemos ver que os crimes sexuais, ainda são
matéria de debate, devido ao amplo campo que apresentam suas matérias,
tais como: qual a influência hierárquica nesses crimes? Qual o peso da
palavra da vítima? Como majorar a pena de acordo com o tempo do delito
continuado? Que foram as matérias apresentadas nesse trabalho, ainda,
sobram dúvidas como, existe consentimento em menores de 14 anos? O
assédio da empregada doméstica, é matéria trabalhista ou penal? Enfim,
ainda existem temas para análise e debate, mas temos sim uma
jurisprudência a seguir em todas essas análises e, ainda que matéria de
debate, é o caminho mais assertivo a ser seguido.
Não deixamos de lembrar que os costumes e cultura são a base para esse
tipo de matéria e jurisprudência analisada, nos trazendo a importância de
estar sempre atento as mudanças dos dogmas da sociedade bem como dos
costumes a serem analisados quando olhamos esse tipo de conduta, crime e
suas consequências em um processo.

15
Bibliografia:
JESUS, Damásio de, Código Penal Anotado / Damásio de Jesus – 23. Ed.
Atualizada de acordo com a lei n. 13142/2015 – São Paulo : Saraiva, 2015.

Site utilizado para pesquisas:


1- https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/881896529/recurso-especial-
resp-1832392-sp-2019-0244625-3/decisao-monocratica-881896547?
ref=juris-tabs
2- https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/881896529/recurso-especial-
resp-1832392-sp-2019-0244625-3/decisao-monocratica-881896547?
ref=juris-tabs
3- https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/859242517/agravo-
regimental-no-habeas-corpus-agrg-no-hc-498203-sp-2019-0071210-
7/inteiro-teor-859242544?ref=juris-tabs

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