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02/10/2020 PERFIL丨Luiz Philippe de Orléans e Bragança: o “Príncipe Restaurador” – Esmeril

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Perfil Setembro 2020

PERFIL Luiz Philippe


de Orléans e Bragança:
o “Príncipe
Restaurador”
BY CLAUDIO DIRANI / ON 25 DE SETEMBRO DE 2020 / AT 22:03 / 3907 VIEWS

Conheça a história do primeiro integrante da Monarquia brasileira a ocupar um


cargo na República desde sua forçada proclamação em 1889

AL QUASR AL-KIBR, MARROCOS, 4 DE AGOSTO DE 1578:

E
m meio a um tórrido verão que somente locais norte-africanos são capazes de suportar, o Rei de
Portugal e Algarves Sebastião I tenta comandar suas tropas ao lado de seu aliado, o Sultão Abu
Abdalá Maomé Saadi II. ↑

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02/10/2020 PERFIL丨Luiz Philippe de Orléans e Bragança: o “Príncipe Restaurador” – Esmeril

A batalha é sangrenta.

Em menos de 24 horas, tanto o rei lusitano quanto Saadi II e seu adversário local, Abu Maruane Abdal Malique I
Saadi, estarão mortos. Apesar do revés, o lado de Malique sairia vitorioso. Suas tropas trataram de aniquilar
todos os rivais marroquinos e portugueses. Todos, menos um: o jovem Teodósio, que fora à guerra ao lado de
Sebastião I, seu tutor. Por sua vez, Malique, ferido em batalha, também não assistirá o sol nascer no Atlântico
Norte.

Teodósio II: a resistência dos

Bragança

Então com apenas 10 anos, o futuro Duque de Bragança simplesmente recusou-se a bater em retirada. O


resultado de sua teimosia foi a prisão. Impressionado com a bravura do gajo nativo de Vila Viçosa, a corte
marroquina o manteria em cativeiro, ao invés de executá-lo. O resultado da clemência demonstrada pós-Batalha
de Alcácer-Quibir seria recompensado com o perdão e retorno a Portugal um ano mais tarde.

(…)

JARDIM PAULISTA, SÃO PAULO, 14 DE SETEMBRO DE 2020

S
entado confortavelmente na sala de estar de seu apartamento em uma sexta-feira atipicamente
quente de inverno, o deputado federal e descendente do heroico Teodósio, Luiz Philippe de Orleans e
Bragança diverte-se, ao relembrar um momento peculiar em seu gabinete.

Distante de Brasília por motivos óbvios (a pandemia de COVID-19), o trineto da Redentora Princesa
Isabel conclui que poderia não estar neste momento conversando com a Revista Esmeril, caso Teodósio não
sobrevivesse à batalha no Marrocos no século XVI.

“Um embaixador do mundo Árabe entrou em meu gabinete e começou


a observar todas as referências cristãs que tenho ao meu redor e ficou
meio acanhado – para não dizer, assustado (achando que eu tivesse algo
contra o Islã). Então, decidi contar a ele essa história (do Teodósio) –
Pode ficar tranquilo – alertei – vocês protegeram o Teodósio (no
confronto em Marrocos). Devo minha existência a vocês”.

Ao afirmar e agradecer pela clemência prestada pelo Sultão, o embaixador sorriu e ficou mais aliviado.
Quebramos o gelo!”, brinca o fervoroso católico brasileiro.

Embora orgulhoso do infante Bragança, Luiz Philippe certamente concorda que Teodósio não traz consigo o
mesmo peso de algumas das figuras mais relevantes de nossa história – ou mesmo de Portugal – como D. Pedro I
e Dna Leopoldina. Porém, sua sobrevivência no teatro de guerra se transformaria em “um verdadeiro marco
existencial”. ↑

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“Ele (Teodósio) não segue uma linha mestra que conduz nossa existência. Ele é relevante, sim, porque manteve a
continuidade dos Bragança graças à sua honradez – e sobrevivência, claro”.

A seguir, você acompanha os capítulos passados e os projetos que Dom Luiz Philippe arquiteta, com honradez
semelhante a seu antepassado, para contribuir com o progresso da República que ele prometeu defender como
congressista, cidadão e pai de família.

(…)

C
ercado por artefatos históricos emoldurados na parede da sala de estar – itens herdados de seu pai,
Dom Eudes – como a espada pertencente ao tetravô Dom Pedro II (O Magnânimo a levou para o
front da Guerra do Paraguai) e a histórica pena usada pela trisavó princesa Isabel para assinar a Lei
Áurea, Luiz Philippe de Orleans e Bragança tenta buscar o equilíbrio entre o passado e o presente,
com o olhar atento ao incerto futuro do Brasil.

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Artefatos históricos: o amor pela história gloriosa da Monarquia

“Um Príncipe em movimento”


Pai de Maximillian, hoje com 8 anos, e casado com a odontologista Fernanda Hara Miguita, o deputado lembra
a Revista Esmeril que nossa entrevista precisará ser finalizada às 20h. “Tenho uma live marcada para este
horário” – alerta.

Os compromissos online, a propósito, têm sido frenéticos na rotina do carioca – e cidadão honorário de São
Paulo desde 1979. Com a já mencionada pandemia, todas as votações na câmara foram realizadas de forma
virtual desde março.

“Tem sido muito mais eficiente assim”, ressalta Luiz


Philippe. “Somente as pautas que requerem debates
profundos foram adiadas”.

A profundidade dos debates e seu olhar cuidadoso


para os próximos anos há tempos são uma espécie
de marca registrada do príncipe-parlamentar. Suas
ideias para restaurar a grande nação se destacam
entre seus pensamentos. Essa característica –
embora seja uma de suas grandes qualidades – é
uma pedra no caminho quando traçamos o perfil de
alguém com o pensamento voltado para a evolução.

Escrever sobre Luiz Philippe de Orleans e


Bragança é uma tarefa complexa. Ele está sempre
em movimento, pronto para desenvolver suas ideias
a fim de resolver os problemas de um país tomado
por burocracias que travam sua evolução desde 15
de novembro de 1889.

EPISÓDIO I – Queda & Ascensão da


monarquia
Revista Esmeril – Gostaria de começar nossa No escritório paulistano: preparação para mais um compromisso

conversa retornando a um passado não tão distante


de nosso país.  Em 1º de janeiro de 2019, o Brasil
voltou a honrar suas tradições monárquicas com o convite feito à família real pelo presidente eleito Jair Messias
Bolsonaro. Não há registros recentes de um presidente da república ter convidado representantes da monarquia
para as solenidades da cerimônia de posse.

 LUIZ PHILIPPE – Sim… foi ótimo. No caso, foi o meu tio (Dom Bertrand – terceiro dos doze filhos do Príncipe
Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança e bisneto da Princesa Isabel). Você trazer uma família que se porta
como instituição é muito bom para o país. Você honra toda uma tradição. São instituições da sociedade que
valem a pena serem reconhecidas.

Aliás, o início de tudo (não só do Brasil) foi isso. A constituição de Portugal… Então, entram em cena os
revisionistas que dizem “isso não é bom”. Na verdade, o fundamental é você olhar para frente com paz, e acima
de tudo com muito orgulho. Você não precisa fazer uma revolução cultural Maoísta para eliminar todo um
passado.

(Hoje se percebe) como a esquerda brasileira é arcaica. Já a esquerda moderna tem a ver com pautas globais, é
progressista e não quer fazer essa destruição histórica.

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Família Real volta a participar das decisões após 130 anos

Revista Esmeril – Você mencionou a “tradicional” esquerda brasileira – uma esquerda que não perdoa a queda
de João Goulart em 1964. Apesar disso, pouco se ouve desse lado ideológico que a proclamação da República foi
consolidada como um verdadeiro golpe militar.

 LUIZ PHILIPPE – Sim, com certeza. Foi um golpe militar. E mais acadêmico, impossível – além de cultural. Para
você justificar essa república que não era, de forma alguma, aclamada pelo povo nas ruas… Esse pessoal não
buscava evolução política, nem da sociedade. Essa é grande falácia. Ao contrário da república dos EUA, que veio
para revolucionar a questão política e do contexto social que viviam os americanos; uma república de alta
legitimidade.

Já no Brasil, muitas das chancelas de proteção social que existiam na monarquia foram colocadas de lado ou
eliminadas. Foi um início até tirânico, em que muitos brasileiros morreram. (Naquele momento) o congresso e
judiciário foram fechados. Sem qualquer participação popular. Como consequência, tivemos travamento do
comércio, de toda a economia. Temos uma situação de falência em todos os sentidos.

Revista Esmeril – Como especialista em mercado financeiro e cientista político, você avalia que a proclamação
da República e as medidas tomadas a partir de 1889 influenciam negativamente o Brasil até hoje?

LUIZ PHILIPPE – Apesar de muitos afirmarem que nossa dívida externa “nasceu” e permanece até hoje por
conta da monarquia, isso é uma falácia. Em algum momento da história, com a cobrança de juros, essa dívida foi
amortizada. Com a renegociação das dívidas e os juros (aplicados) fizeram com o que dinheiro retornasse aos
credores. As pessoas esquecem esse jogo financeiro.

Agora, com a república, você logo tem a falência de muitos negócios e da saúde fiscal da monarquia. Com o
rompimento feito pela república, tivemos que restabelecer tudo. A moeda, os gastos públicos…tudo perdeu o
controle em questão de meses. [Eles, os republicanos] aumentaram os salários… [com essas medidas], você tira o
freio do controle fiscal, algo natural de todas as monarquias. Por que? É uma questão que a escola austríaca (de
economia) explica.

Uma parte do estado é estável, e certamente vai ultrapassar vários governos em sua vida útil. (Na monarquia),
eles pensam: entrará um outro governo, e logo assumirá outro, mas o chefe de estado será o mesmo. Assim, eles
(na monarquia) não querem assumir essa dívida e são mais responsáveis.

EPISÓDIO II – Um príncipe brasileiro em além-mar

L
uiz Philippe de Orleans e Bragança nasceu no Rio de Janeiro em 3 de abril de 1969. Embora carioca,
não demorou para que o jovem príncipe, filho de Dom Eudes Maria Rainier Pedro José de Orléans
(falecido no último 13 de agosto) e Bragança, e da plebeia e descendente do presidente Prudente de
Moraes, Ana Maria Bárbara de Moraes Barros, se estabelecesse em São Paulo. Sua rotina nos
primeiros anos da infância se dividia entre os estudos e as brincadeiras na fazenda Santa Maria de Posse, dos
avós maternos Luiz Moraes de Barros e Maria do Carmo Cerqueira César, em Itupeva, a 75 quilômetros da
capital, na região de Jundiaí. Enquanto o avô tinha raízes comuns com o ex-presidente Prudente de Moraes, sua
avó não ficava atrás no quesito tradição.

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O
sobrenome Cerqueira César foi herdado de José Alves Cerqueira César, que presidiu o estado de
São Paulo entre 1891 e 1892 – ironicamente, nos dois anos seguintes à melancólica chegada da
república que destronou Dom Pedro II e levou sua família ao exílio na França.

Revista Esmeril – Você sempre destaca sua ligação mais próxima com o lado materno de sua família. Como foi
essa mudança do Rio de Janeiro para São Paulo e sua vida na cidade?

Dom Eudes: o pai de Luiz Philippe faleceu no último dia 13 de agosto

LUIZ PHILIPPE – Meu pai (Dom Eudes) era da marinha e precisou se adequar para trabalhar no mercado
financeiro. Por isso, deixou o Brasil por um tempo para se aprimorar. Eu era muito pequeno, e meus pais
precisaram me deixar com meus avós. Isso durou quase dois anos. Quando fui vê-los novamente, já até andava e
falava. Digo que os avós são como pais “mais experientes.” São os melhores pais que existem. Eles não erram
(risos).

Revista Esmeril – Ironicamente, para um herdeiro da família imperial, você também traz uma ligação sanguínea
com a república.

Ligação direta com o primeiro presidente civil brasileiro, Prudente de Moraes


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LUIZ PHILIPPE – Meu trisavô materno foi pai de Prudente Moraes (Prudente José Moraes de Barros foi
presidente do Brasil entre 1894-1898). Não sou descendente direto do ex-presidente. Sou descendente do
Nicolau, que era irmão dele (nota: na verdade, sobrinho).  Meu tio-trisavô é parente direto do presidente
Prudente de Moraes. Acho que é isso (risos).

Revista Esmeril – Tio-trisavô é uma nomenclatura complexa (risos).

LUIZ PHILIPPE – Certamente! (risos).

Revista Esmeril – Depois de uma infância feliz na fazenda de seus avós, como foi sua trajetória de estudos em
São Paulo até a partida para os Estados Unidos e Europa?

LUIZ PHILIPPE – Quando dei meus primeiros passos como profissional – felizmente – os adolescentes podiam
trabalhar. Nós tínhamos os office boys, que aprendiam tudo sobre a empresa. Depois, com minha experiência
como estagiário de analista de corretora de valores você vê [como funciona todo o mercado] e desenvolve toda a
parte do raciocínio financeiro.

Foi nesse momento, em um Brasil com hiperinflação e uma realidade limitada, que pensei em estudar fora. Na
era Collor, tudo foi travado.  Imagine, tínhamos apenas cerca de 15 mil estudantes universitários (no início da
década de 1990). A conclusão era a de que não havia gente qualificada no Brasil para comandar multinacionais.

Revista Esmeril – Foi nesse momento que sua mãe interveio? Ela, definitivamente, não aprovou no início sua
saída para estudar fora, apesar de nossa realidade econômica.

LUIZ PHILIPPE – É verdade. Para ela, eu poderia aproveitar meus estudos aqui. Já estudava em uma escola
americana (Graded, na Vila Andrade). Mas eu tinha poucos amigos que pensavam em se estabelecer no Brasil.
Eles não eram muito enraizados. Minha relutância fez com que minha mãe ficasse um tempão sem falar comigo.
Mas, para a alegria dela (risos), decidi ficar por aqui – e disse a ela que ficaria, com a condição de que fizesse um
mestrado (no exterior). Quando finalizei, decidi ficar nos Estados Unidos. Pensei comigo: gostaria muito de
poder ver como eram as indústrias e fábricas. O país (EUA) é hiper industrializado. Tinha passado por todas as
curvas da industrialização.

Depois disso, consegui arrumar um emprego numa multinacional (a francesa Saint-Gobain, responsável pelos
espelhos do Palácio de Versailles). Naquela época, a Saint-Gobain havia adquirido empresas de rodas de esmeril,
faziam mais de 150 mil produtos. Lá fiquei na área financeira.

Revista Esmeril – Gostei disso que você falou sobre “esmeril”…

LUIZ PHILLIPE – É verdade (risos). Foi nesse momento, que refleti: na minha família, a especialidade eram os
bancos, não a indústria. Seria uma experiência incrível.

Revista Esmeril – Foi também por isso que você optou pela ciência política?

LUIZ PHILLIPE – Na verdade, o primeiro mestrado que fiz em ciência política foi por causa do plebiscito de 1993
e eu não sabia nada (de política). Tinha 21 ou 22 anos. De administração e mercado, até que sabia alguma coisa.
Mas história aplicada, jogo político… como funciona? Entender as forças que agem sobre um governo, nada
disso eu sabia.  A mobilização da família sempre foi de um ponto de vista histórico.

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Com a diplomacia no sangue: em reunião com o Ministro das Relações Exteriores,

Ernesto Araújo

Depois do MBA na Califórnia, decidi esticar minha permanência nos Estados Unidos. Fiquei até dezembro de
1996, e depois parti para a França, onde fiquei até o final de 1997 e obtive outro MBA, no Institut européen
d’administration des affaires.

Revista Esmeril – Com o MBA francês, chegaria a oportunidade de poder trabalhar na Europa, uma região
totalmente diferente dos Estados Unidos.

LUIZ PHILIPPE – Com o final do curso, atravessei o canal e fui para Londres, trabalhar no JPMorgan. Mas não
fiquei muito tempo por lá. No mesmo ano, voltei para os EUA, onde atuei no banco de investimentos do Lázard
Freres.

Revista Esmeril – Você parecia estar com um espírito de navegador português… (risos)

LUIZ PHILLIPE – Olha… nessa época posso dizer que mudei para caramba! (risos). Não cheguei a comentar, mas
na época do MBA nos Estados Unidos, fui à Suíça, onde pude fazer um estágio em um banco. Depois, atravessei
os Estados Unidos de carro, onde cheguei a Boston, na costa leste. Lá tem um frio inóspito. Vou confessar: não
moraria em Boston de novo! É um inverno com nove meses de duração.

Enfim, as mudanças foram muitas. Deixei o mercado financeiro para ler Aristóteles e muito mais.

(…)

EPISÓDIO III – Retorno Real ao país do Real


Dom Pedro II – tetravô de Dom Luiz Philippe – foi um apaixonado pelo estudo da história e das culturas
diversas. De certa forma, o descendente do imperador, seguia no final da década de 1990 passos semelhantes do
Magnânimo. Poliglota, Luiz Philippe dominava com habilidade o inglês, o francês, além de ter conhecimentos
avançados de italiano e espanhol. Sem falar do português, a língua materna que o atraia a retornar ao Brasil
para dar sequência aos seus sonhos, desenvolvidos além-mar.

Revista Esmeril – Depois da experiência em Londres em 1998, você ainda demorou para retornar ao Brasil,
mesmo com a saudade de casa.

LUIZ PHILIPPE – Sim. Ainda não era a hora. Voltei para Nova York e fiquei por lá mais anos. Depois, segui para
Miami, onde fui contratado pela Time Warner que buscava por pessoas que sabiam fazer contratos de fusão e
aquisição. Na Time-Warner, trabalhei na AOL (America Online) por dois anos e meio. [O momento do retorno]
aconteceu quando a AOL me convocou para trabalhar na AOL Brasil, como executivo. Então, isso foi realmente
ótimo. Depois de 12 anos, voltei ao Brasil.

E a melhor coisa que fiz foi morar com meus avós. Ao invés de montar um apartamento, quis curtir a família.
Tinha muita saudade. Quando retornei, as raízes ficaram muito mais fortes. Gosto muito de interior… Ah…e o

que aproveitei aquela fazenda dos meus avós! Foi muito feliz minha volta.

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Esse período durou até 2010. [Nesse ínterim], comecei a trabalhar em minhas próprias empresas. Pensei comigo:
“Não vou ser mais funcionário de ninguém”.

(Luiz Philippe começou a empreender em 2005, com a abertura da empresa IKAT do Brasil, que atua no ramo de
distribuição de motopeças. Em seu segundo retorno do exterior, em 2012, após vender a IKAT, foi a vez de
fundar a ZAP Tech, uma incubadora de meios de pagamento para plataformas móveis)

(…)

Revista Esmeril – Você citou ter sentido muita saudade do Brasil, mas estava ciente dos problemas sérios
econômicos que enfrentávamos desde meados da década de 1986, com a hiperinflação – e depois com o então
presidente Fernando Collor de Mello confiscando a poupança dos cidadãos.

LUIZ PHILIPPE – Algumas coisas atuaram para me reforçar (o sentimento) como Brasileiro: minha mãe
querendo que eu ficasse aqui, ouvir do povo suíço que o Brasil era fenomenal… Também já havia o Plano
Real, agora, com os europeus vendo o Brasil como fiscalmente responsável. Foram essas experiências que me
fizeram mais zeloso. Você vê como tudo é frágil, o que a gente tem. E tudo poderia ter ido abaixo e essa realidade
se esfacelado.

Tive a visão a partir daí. Não só a independência do Brasil. Temos a língua… O sentimento de “saudade” – que é
uma palavra só nossa. O clima também. Tem uma história curiosa. Me lembro nitidamente de Londres. Saiu até
na capa do Financial Times: “Hoje é o primeiro dia de sol do ano”. Incomparável.

(…)

Revista Esmeril – Com sua permanência no Brasil, você decidiu atuar como ativista político. Algo bastante
inédito para um membro da monarquia. Depois do movimento Acorda Brasil, você escreveu e lançou (em 2017)
“Por que o Brasil é um país atrasado? – o que fazer para entrarmos de vez no século XXI” – um livro muito bem
recebido.

Ativismo político: a vontade de mudar o país na emblemática Avenida Paulista

LUIZ PHILIPPE – Na verdade, o maior prazer nesse processo político nem foi ter sido eleito (o primeiro membro
da monarquia a atuar no Congresso desde 15 de novembro de 1889). O que me deu mais prazer político foi ter
escrito esse livro. Fui educado para ser executivo, depois fui empreendedor… De repente, decidi escrever um
livro de ciência política? Veja o salto. Até então, eu havia feito apresentações, em Power Point. Decidi, então,
colocar no formato de um livro.

Revista Esmeril – No livro, destaca que a política brasileira é bem atrasada em relação aos EUA e Europa, onde
você tanto aprendera durante sua formação e atividades profissionais. 

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Entre os itens que você aborda temos nosso governo central minado pela invasão dos demais poderes – e que se
movimenta na direção oposta dos interesses do povo. Além, claro, de uma constituição federal facilmente
alterada pelo congresso.

LUIZ PHILIPPE – Sim, foi nesse momento que percebi que gostava de aspectos positivos da política. Ao menos,
para revelar minha consciência e compartilhar com mais gente. Quando fiz a análise do Brasil, olhei a questão
política eu pensei: tenho que “vender Brasil” – como se fosse um acionista. Comecei a fazer diversas
apresentações em público. Foi quando deu aquela luz. Eu analisava uma questão política com profundidade e as
pessoas que acompanhavam minhas apresentações voltavam várias vezes. Eles diziam que estava aprendendo.
Não eram seguidores.

Com o filho, Maximillian, em mais uma sessão de autógrafos de seu best-seller

As coisas, então, começaram a se encaixar e percebi: veja como estamos errados. Vi que havia gente que me
seguia, mas dizia que uma apresentação já era o suficiente. Eles me rebatiam dizendo que a cada apresentação
tinha uma coisa nova (risos). Notei que não ficaria satisfeito se só eu soubesse disso. Queria que as pessoas
pegassem as nuances de percepção e notassem se estamos ganhando ou perdendo. E hoje estamos perdendo.

EPISÓDIO IV – Um Príncipe no Congresso

Luiz Philippe de Orleans e Bragança também é um descendente dos Habsburgo, por parte, claro, da esposa de
Dom Pedro I, a imperatriz Leopoldina, de Viena. “Acho que a história dela precisa ser contada com mais
profundidade”, brada o pentaneto da austríaca. Leopoldina pertencia a uma família de alto respeito e “muito
orgânica”, segundo Luiz Philippe. “Se você comparar com os Bragança…Os Bragança são uma família
disfuncional. O Miguel (irmão de D. Pedro I), dizem as más línguas, que não era filho do D. João VI”, comenta.

No gabinete, em Brasília: a primeira reunião para a reforma política brasileira


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Além de se dedicar às ciências com afinco, Leopoldina provou ser uma das figuras centrais da Independência,
assumindo o cargo interino de chefe de estado e assinando a declaração que separaria o Brasil de Portugal
durante a ausência de Dom Pedro I, em viagem a São Paulo naquele fatídico 7 de setembro de 1822.  

(..)

Revista Esmeril – Sua família traz a política no sangue, nas mais diversas ramificações. Como tem sido a
experiência como deputado federal? (Luiz Philippe foi eleito em outubro de 2018 pelo PSL com 118.457 votos).
Você afirmou que o Brasil tem perdido muito desde 2014 na questão política.  Como exatamente?

LUIZ PHILIPPE – No legislativo. O que melhorou, desde 2014 (quando os movimentos saíram às ruas pelo
impeachment de Dilma Rousseff) foi a sociedade. Ela elegeu um legislativo que todo dia mostra ser contra o que
a sociedade está se mobilizando para ter. Isso que é preocupante. 

Precisamos de mais gente que queira reformar o sistema. A grande maturidade que atingimos é exatamente o
que você falou. A sociedade viu que não é só com a figura de um presidente que vai resolver tudo. Isso virou
uma maçã que caiu e virou uma sementinha para uma outra coisa. Precisamos eleger mais deputados com
pensamento de mudança.

Revista Esmeril – Você tem se destacado na câmara pela votação a favor de projetos que visam a
desregulamentar e desburocratizar o país, além de propostas como a criação de um quarto poder na figura de
um chefe de Estado, inversão da pirâmide dos gastos públicos do estado. Outros projetos incluem a adoção de
simplificação e redução de impostos e a participação de estados e municípios na tributação – hoje, uma
prerrogativa da União. Como você avalia suas atividades parlamentares?

LUIZ PHILIPPE – Na verdade, sou o maior crítico de mim mesmo, em comparação a qualquer outro. Você se
elege como deputado e tudo (o que faz no legislativo) depende do presidente da Câmara. Se ele não quiser votar,
esquece. Minha missão como legislador é a de criar os projetos. Porque, na verdade, nem isso é criado. Muitos
deputados querem apenas informar e aparecer. Eu não. Eu foco em criar uma legislação que vai ser a da
mudança. Nenhum de meus projetos é fácil. Algo como… vamos mudar o sistema eleitoral! (risos).

Revista Esmeril – Você pretende buscar a reeleição?

LUIZ PHILIPPE – Não sei. Isso tenho que refletir. Ainda fico com esse rigor de não poder arriscar (a boa herança
deixada pela monarquia). Mas estou sempre reavaliando isso. Estou em sintonia com quem me apoia e segue e
avalio.

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Com a comenda da Ordem de Rio Branco, conferida pelo Ministério das Relações

Exteriores

Revista Esmeril – E sobre a possibilidade de concorrer à prefeitura de São Paulo? O que aconteceu nos
bastidores?

LUIZ PHILIPPE – Não adiantou minha motivação. O partido (PSL) aqui já virou um apêndice do PSDB. Depois
que houve a mobilização, me coloquei à disposição do partido. Mas eles não quiseram. O Doria precisa de
amigos e eu não seria amigo do Doria de jeito nenhum (risos).

Revista Esmeril – Antes de concorrer a deputado, você foi cotado para ser vice-presidente na chapa de Jair
Bolsonaro. O que aconteceu?

LUIZ PHILIPPE – Na verdade, ninguém quer ser vice! (risos). Chegou a ser cogitado. Mas ninguém quer ser vice.
Nunca tive essa ambição. Não busquei ser vice. Vou lhe contar: estava esquiando em Bariloche quando essa
possibilidade foi levantada (risos). Nessa questão política, sempre medi… Por isso, fiz uma live para conversar
com o Olavo de Carvalho. Eu já sabia que ele seria contra minha ação política.

Isso ainda é uma verdade… Se eu fizer um mandato ruim, estarei tirando de uma herança que não é minha. Ela
(a herança da monarquia) não pode ser atingida por mim e tenho essa responsabilidade. Preciso honrar essa
história.

fim

Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

Luiz Philippe de Orléans e Bragança

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Mais de 20 anos de experiência em diversas áreas da comunicação, incluindo marketing, rádio


jornalismo e jornalismo esportivo, político e de variedades. Também é compositor e autor de
cinco publicações, incluindo "MASTERS: Paul McCartney em discos e canções."

By Claudio Dirani

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10 Comments

David Svaiter disse:


26 de setembro de 2020 às 00:21

Valeu! Gostei muito.

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Deusati Eliana Cardoso disse:


26 de setembro de 2020 às 10:35

Excelente matéria, muito bem conduzida, parabéns!

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Eclésio Correa de Oliveira disse:


27 de setembro de 2020 às 08:34

Dirani, parabéns pela entrevista. Ler o Luiz Philippe sempre é agregador, ainda mais quando
se tem um entrevistador do teu gabarito. Abraço

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https://revistaesmeril.com.br/perfil丨luiz-philippe-de-orleans-e-braganca-o-principe-restaurador/ 13/17
02/10/2020 PERFIL丨Luiz Philippe de Orléans e Bragança: o “Príncipe Restaurador” – Esmeril

Ronaldo Borges de Abreu disse:


27 de setembro de 2020 às 13:01

ronaldobabreu@gmail.com

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Ronaldo Borges de Abreu disse:


27 de setembro de 2020 às 13:02

ronaldobabreu@gmail.com
Sucesso.v

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Coremay disse:
27 de setembro de 2020 às 13:28

Orgulho de ter como deputado federal o senhor Dom Luiz !


Que o senhor te abençoe e te guarde nesse luta permanente pelo Brasil.

Responder

Ione Montibeller disse:


29 de setembro de 2020 às 20:00

Tudo pode ser mais belo, mais justo, mais sábio quando temos um Príncipe, Luiz Philippe de Orleans e
Bragança , ilustre, brilhante, generoso , empenhado em trabalhar ,agregando-se a muitas pessoas
destemidas, por um Brasil de volta aos brasileiros, livre dos grilhões que nos sufocam há tanto tempo.
Parabéns ao excelente entrevistador, à Revista Esmeril, à Bruna Torlay que nos presenteou com a
liberação dessa brilhante matéria aos não assinantes ainda, PARABÉNS AO PRÍNCIPE, DEPUTADO
FEDERAL para nosso imenso orgulho e que disponibilizou páginas maravilhosas de sua vida doando-se
ao Brasil mais uma vez com sua nobreza , seu exemplo. Gratíssima. Ione

Responder

Raimundo Porpino Lameira disse:


29 de setembro de 2020 às 22:29

Se a classe dominante de outrora tivesse investido em instrução e educação, não teria dominado até
hoje. Os tempos seriam outros. Talvez esse o grande motivo por que o brasileiro, acredito desde a
República, foi empurrado propositadamente para uma subclasse intelectual e desinformada. Para não
entender e, consequentemente, não raciocinar e buscar sair da armadilha e ficar dependente das “boas
intenções” dos governantes sabichões. ↑
Uma prova disso é a nossa classe política, formada desde há muito, salvando-se raríssimas exceções, por

https://revistaesmeril.com.br/perfil丨luiz-philippe-de-orleans-e-braganca-o-principe-restaurador/ 14/17
02/10/2020 PERFIL丨Luiz Philippe de Orléans e Bragança: o “Príncipe Restaurador” – Esmeril

espertalhões e aproveitadores da ignorância alheia, por meio de redes de informação e formação de


intrigas e conchavos privativos e bem controlados. Felizmente surgiu a internet, um poderoso farol em
meio a cegueira, que vasculha os mais escondidos e obscuros meios de propaganda controladora da
mente desavisada, que, sem freio, varre a hipocrisia militante e abre espaço para quem estiver disposto
a aprender o que está pulverizado e não somente o que está disponibilizado.
Não fosse a internet, dificilmente saberíamos da existência da Revista Esmeril, da Bruna e do próprio
Luiz Philippe, com suas mentes brilhantes e artigos muito além da compreensão da massa. Infelizmente!
Li em algum livro que no mundo há três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que
veem as coisas acontecendo e as que nem sabem o que aconteceu.

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Thiago Bernardes disse:


30 de setembro de 2020 às 08:14

muito bom esse conteúdo, obrigado Bruna por deixa-lo disponível.

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DIRCE MARIA HENSEL disse:


1 de outubro de 2020 às 19:41

UMA EXCELENTE MATÉRIA, PARABÉNS..;

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