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Jung & Corpo - nº 20

O MITO DA MATERNIDADE COMPULSÓRIA


– UMA VISÃO JUNGUIANA

THE MYTH OF COMPULSORY MATERNITY – A JUNGIAN VIEW

Priscilla Melão Decloedt1

Resumo
O presente trabalho discute a questão da opção das mulheres por não ter filhos sob a ótica de Carl Gustav
Jung e autores pós-junguianos, não deixando de observar um viés da psicologia social.
Palavras chave: Maternidade; psicologia; Jung e corpo.

Abstract
This paper discusses a question of the option of women for not have children from the perspective of Carl
Gustav Jung and post-Jungian authors, while observing a bias in social psychology.
Keywords: Motherhood; psychology; Jung and body.

1  Psicóloga com Pós Graduação em Gestão de Pessoas pela Universidade São Marcos e psicoterapeuta
com Especialização em Psicoterapia Analítica e Abordagem Corporal pelo Instituto Sedes Sapientiae/SP,
email: priscillapsicologa@hotmail.com

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Introdução

Este trabalho problematiza a maternidade como questão de gênero. A sociedade e os


meios de comunicação de massa atuam para apresentar a maternidade como fenôme-
no natural e desejável da condição de ser mulher, mobilizando motivos ideológicos que
barram a autonomia das mulheres nesse processo de definição sobre se desejam ou não
ser mãe.
Constatamos, ainda hoje, que a escolha da não maternidade provoca estranhamento
e até absoluta reprovação. O conhecimento médico destinado a socorrer mulheres com
dificuldades para engravidar tem sido cada vez mais aperfeiçoado. Os recursos médicos
estão disponíveis e o destaque é para a valorização do esforço para ser mãe. Os meios
de comunicação de massas contribuem para reafirmar os valores dominantes de exalta-
ção à maternidade e a maioria da sociedade brasileira ainda não aceita a autonomia das
mulheres no exercício dos direitos sexuais e reprodutivos.
Kusnetzoff (1988), médico psiquiatra e psicanalista, reflete que todas as teorias, pre-
dominantes em todas as épocas, a respeito da mulher foram formuladas por homens e
não é de se estranhar, portanto, que se tenha considerado em vários contextos históri-
cos e sociais a mulher como inferior, com pouca força física e carência de níveis abstra-
tos de pensamento. Muitas mulheres acabam acreditando piamente em tudo isso, com
graves danos para a sua posição social e o seu desenvolvimento pessoal.
Essas teorias, muito mais míticas do que científicas, reduziram as mulheres a seres re-
legados ao espaço da casa, da procriação e dos filhos, ausentes da vida pública e política,
discriminadas para estudar e para crescer profissionalmente.
O conceito de mito, neste trabalho, refere-se a um fato ou particularidade que não
existe, mas se supõe como real, ou a algo que só é possível por hipótese, conforme defi-
nições encontradas no Dicionário Priberam (s/d).
O fato de ser capaz de ter filhos faz supor, por extensão, o desejo de tê-los, suposição
reforçada pela a criação do conceito de “instinto materno”. Deduz-se então que, se uma
mulher não deseja ter filhos por opção pessoal, sofre de problemas psicológicos. O pró-
prio Jung cita que:

Um casamento que se mantém artificialmente sem filhos é sempre algo problemático, pois
os filhos são a massa que segura quando nada mais segura. E é o cuidado dos filhos comuns
que, em inúmeros casamentos, mantém vivo o sentimento de companheirismo, tão impor-
tante para a constância do matrimônio. Quando não há filhos, o interesse dos parceiros se
volta um para o outro, o que em si é bom; mas na prática esta mútua preocupação nem
sempre é amorosa. Os esposos despejam um sobre o outro a insatisfação que sentem. [...]
(p. 215).
Cabe dizer que esta afirmação é marcada por preconceitos de gênero de uma época

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diferente da que vivemos atualmente, e que transmitem a falsa ideia de que os filhos
têm poder de manter um casamento vivo e que um casamento sem filhos é “artificial e
problemático”.

Aspectos psicossociais relacionados à maternidade

Stearns (2007) afirmou:

À medida que as civilizações se desenvolveram, a partir dos contatos e das limitações das
trocas, os sistemas de gênero – relações entre homens e mulheres, determinação de papéis
e definições dos atributos de cada sexo – foram tomando forma também. Por fim, essa
evolução haveria de entrelaçar com a das civilizações. O deslocamento da caça e coleta
para a agricultura pôs fim gradualmente a um sistema de considerável igualdade entre ho-
mens e mulheres. Na caça e na coleta, ambos os sexos, trabalhando separados, contribuí-
am com bens econômicos importantes. As taxas de natalidade eram relativamente baixas e
mantidas assim em parte pelo aleitamento prolongado. Em consequência disso, o trabalho
das mulheres de juntar grãos e nozes era facilitado, pois nascimentos muito frequentes e
cuidados com crianças pequenas seriam uma sobrecarga. A agricultura estabelecida, nos
locais em que se espalhou, mudou isso, beneficiando o domínio masculino. À medida que os
sistemas culturais, incluindo religiões politeístas, apontavam para a importância de deusas,
como geradoras de forças criativas associadas com fecundidade e, portanto, vitais para a
agricultura, a nova economia promovia uma hierarquia de gênero maior. Os homens agora
eram responsáveis, em geral, pela plantação; a assistência feminina era vital, mas cabia aos
homens suprir a maior parte dos alimentos. A taxa de natalidade subiu, em parte porque os
suprimentos de alimentos se tornaram um pouco mais seguros, em parte porque havia mais
condições de aproveitar o trabalho das crianças. Essa foi provavelmente a razão principal de
os homens assumirem a maior parte das funções agrícolas, já que a maternidade consumia
mais tempo. Dessa forma, as vidas das mulheres passaram a ser definidas mais em termos
de gravidez e cuidados de crianças. Era o cenário para um novo e penetrante patriarcalismo.
(STEARNS, 2007, p. 31-32)

Percebemos assim as origens do pensamento patriarcal, no sentido de definir o que


as mulheres devem fazer com base em seu papel de procriar e cuidar de crianças.
E, dando um salto na história, Faria (2016) apontou o contrário: que o desejo maior
das mulheres nas décadas de 1960 e 1970 era o de poder se educar, ter uma profissão e
ter uma vida que fugisse dos estereótipos de dona de casa, mãe e mulher do lar. Muitas
mães da geração que nasceu nos anos de 1940 e 1950 foram educadas sob os princípios
da Igreja Católica e muito presas aos pais, que, em geral, não permitiam sua entrada no
mundo da cultura e do trabalho. A maioria das mulheres estudava até o primeiro grau
(hoje Ensino Fundamental), pois o ideal cultural girava em torno de ter um bom casa-
mento, criação e educação dos filhos. Tinham também que ser protegidas e amparadas
pelo provedor, um pouco como filhas do pater familiae.
Hoje, podemos verificar que a família mudou, dando origem a outras configurações
além da nuclear, como a reconstituída, monoparental, homossexual, etc. e estamos na

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era da consagração da diversidade, embora isto seja mais uma meta do que uma realiza-
ção propriamente dita. Podemos verificar o que aponta Lima (2013):

As configurações familiares ditas contemporâneas – famílias homo parentais, monoparen-


tais, reconstituídas, casais sem filhos por opção, entre outras, ganharam lugar, obtendo le-
gitimidade no imaginário social e no aparato jurídico do Estado. Fatores determinantes para
isso foram: a entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho; o surgimento de méto-
dos contraceptivos, em especial a pílula anticoncepcional; a possibilidade de dissolução le-
gal do vínculo conjugal, com a generalização das leis do divórcio; a profunda transformação
trazida pelas novas técnicas de fertilização, nas quais se vislumbra a desarticulação entre
sexualidade e reprodução; a discussão que emergiu, na metade do século XX, em torno da
questão de gênero, com notáveis mudanças tanto naquilo que se considera socialmente
aceito quanto na legislação sobre o tema, incluindo a diminuição da polaridade masculino/
feminino e a emergência de práticas e subjetividades anteriormente impensáveis, como a
questão da adoção por casais homo afetivos. A isso acrescenta-se a perda, no imaginário
social, do lugar emblemático que tinha o casal, na sociedade moderna, bem como a redução
na taxa de natalidade, nos países desenvolvidos. (LIMA, 2013, p. 24-25)

Podemos constatar a evolução pela qual passaram os papéis masculino e feminino


atrelados à paternidade e maternidade, bem como a ampliação da consciência das mu-
lheres e dos homens no sentido de optarem por ter filhos ou não.

Aspectos psicodinâmicos da maternidade na perspectiva junguiana

Jung (1960) apud Faria (2016) refere que achava muito difícil falar sobre a mulher,
pois o que conhecia, a não ser teoricamente sobre ela? seria uma ousadia... Porém,
comenta nos “Seminários das Visões” (1960, p.12-47) sobre os diversos aspectos do ar-
quétipo da Grande Mãe, tanto positivos quanto negativos, ao analisar a evolução clínica
de um caso que atendia, chegando a observar que, enquanto nos considerarmos como
seres que priorizam um único sexo, estaremos presos a uma perspectiva unilateral, po-
dendo projetar tudo no nosso vis-à-vis. Tratando-se de uma mulher, ela projeta tudo
o que considera ligado ao homem (animus) em um homem, julgando-o inteiramente
masculino e identificando-se inteiramente com o feminino. Ela não tem absolutamente
qualquer introvisão ao fato de não ser exclusivamente mulher. E o homem projeta sua
anima em uma mulher, nunca duvidando de que esta é a mulher real. Uma mulher que
não pode escapar da gravidez e de ter filhos, depara-se com o “fogo do inferno”, e toda
a sua criatividade começa a queimar dentro de si. E um homem pode encontrar um obs-
táculo na sua carreira e ser incapaz de criar e construir; quando então, sua criatividade
começa a lhe devorar, como um fogo, situação em que descobre que não é um homem
apenas, mas bastante curioso, também uma mulher. Do mesmo modo, a mulher desco-
bre que não é apenas mulher, mas também um homem.
Podemos amplificar este tema ainda por meio de Wolff (1888-1953) apud Sanford
(2004), que descreveu quatro tipos de mulheres: a mãe, a hetaira, a amazona e a me-

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dium. A autora afirma que, embora toda mulher encarne um destes quatro tipos em si
mesma, um ou mais deles tendem a adquirir importância primordial e essa identificação
primordial confere a sua personalidade uma forma específica.
De maneira bastante sintética, a mulher que se identifica mais com a mãe, encontra
sua identidade e realização máximas em alimentar a vida. Geralmente, se sente satisfei-
ta criando e educando os filhos e é para essa tarefa que se inclinará primordialmente;
quando se casa, os filhos tenderão a ser mais importantes para ela do que o marido. Já,
a hetaira, refere-se a uma classe de mulheres da Grécia Antiga especialmente educadas
para serem companheiras psicológicas para os homens. A mulher hetaira encontra a sua
identidade e a sua realização máxima em fazer relacionamentos com os homens, o que
pode ou não incluir, o amor sexual, mas certamente incluirá o relacionamento psicoló-
gico em todos os níveis. A mulher do tipo amazona é a que encontra a sua identidade
e realização máximas no mundo exterior, o que em nossa sociedade geralmente ocorre
em determinados tipos de carreiras. Ela faz o que os homens fazem, demonstrando ser
capaz, criativa, inteligente e dando importantes contribuições sociais por meio do seu
trabalho. Por sua vez, o tipo medium refere-se às mulheres que encontram sua identi-
dade e realização primordiais por intermédio de um relacionamento com o inconsciente
coletivo, sendo uma espécie de ponte entre o mundo do inconsciente e a comunidade
humana. Geralmente, a encaramos com a mesma desconfiança com a qual olhamos o
inconsciente e, em nossa cultura, há pouco espaço para elas.
Como bem se sabe, as amazonas eram mulheres misteriosas que não davam impor-
tância ao casamento, em geral, nem aos homens e filhos, em particular. Ártemis de Tau-
ros, caçadora divina, não escondia sua própria condição de amazona, em que o aspecto
virginal e de irmã assume o primeiro plano, conforme citado por Hillman (1980):

Ela se mostra maternal e ternamente preocupada, mas de modo diverso do que o de uma
proteção à prole. Sob este aspecto ela é a guardiã de todo “vir-a-ser”, de todos os desen-
volvimentos futuros: ela está do lado de quem dá à luz; ensina os filhos e educa-os; protege
os jovens em crescimento. Entretanto, o aspecto virginal e de irmã do seu caráter inclui
também sua modéstia, dureza e crueldade (p. 74).

A outra forma de “ser-uma-virgem” surge na mulher autossuficiente, seja ela esposa,


mãe ou o que for. É uma pessoa “em harmonia consigo mesma”, como define Hillman
(1980) apud Harding (1985). Isto é a essência de Ártemis, simbolicamente compreen-
dida. Ela não é exatamente a contraparte feminina de uma divindade masculina: sua
divindade pertence a ela mesma. No nível da psicologia feminina pessoal, essa forma
de virgindade é a atitude que torna uma mulher independente em relação aos “seus
deveres”, àquelas crenças e práticas convencionais a que seu ponto de vista não acede. A
força motivadora por trás dessa atitude independente não é pessoal; é direcionada para
um objetivo transpessoal, para uma relação com a Deusa.

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Hillman (1980) apud Harding (1985) observa que nossa época se mostra aparente-
mente disposta de modo favorável ao que acima foi descrito resumidamente como tipo
feminino de Ártemis. Só que esse tipo não tem um modelo pronto à mão, e as mulhe-
res de hoje, influenciadas por Ártemis, em muitos casos estão apenas possuídas pelo
animus, o que pode ser também um estágio transitório, cujo propósito é estimular o
consciente, criando uma desarmonia necessária no interior de uma atitude passiva. O
protótipo persistente e auto afirmativo da nossa cultura continua sendo o da gestante e
mãe. Ao lado desta ideé force, todas as outras esmaecem ou se mostram, a um exame
mais atento, simples aproximação do espírito patriarcal. Por isso, as mulheres a quem a
maternidade seria uma segunda opção, tonam-se de algum modo mães como escolha
principal, apenas porque maternidade e feminidade ainda se equivalem. Para essas mu-
lheres, seria altamente vantajoso compreender a noção de que elas poderiam se colocar
na realidade sob a estrela da deusa da caça; aceitar esse aspecto da personalidade trans-
cendente é para elas uma precondição para a posterior experiência do eros afrodítico.
Ártemis não é mãe no sentido de dar à luz, mas sim de proteger a planta nova, a coisa
nova que mal começa a se desenvolver. Isto é verdade tanto no sentido concreto como
no espiritual.
Whitmont (2010) também destaca a importância de se discutir detalhadamente a
diferenciação dos arquétipos femininos descritos por Wolff (1888 – 1953):

É importante discutir detalhadamente a diferenciação dos arquétipos femininos devido à


visão geral de nossa cultura – apesar de muitas notáveis evidências em contrário – de que
uma mulher só pode ser mulher se encontrar pelo menos um marido e criar pelo menos
dois ou três filhos. O papel da mãe é uma manifestação da feminilidade numa forma per-
feitamente válida, essencial e vital; é uma forma coletiva que tem seu lugar, mas que não
é absolutamente o único canal de expressão e realização do feminino. A mulher que opera
principalmente como Mãe encontrará dificuldades primeiro com o relacionamento indivi-
dual – consigo mesma e também com os outros; esse domínio individual pertence ao seu
oposto, Hetaira. Para a Mãe, o marido é, em primeiro lugar, o pater famílias, o cabeça da
família; as crianças são as crianças – ninguém é fundamentalmente uma pessoa. Eles só são
importantes como elementos da família e nessa atitude reside o problema da maternidade
excessiva; as crianças podem encontrar dificuldade para tornar-se indivíduos independen-
tes, como é seu direito.

A mulher que funciona exclusivamente em termos de Hetaira, isto é, em termos de relacio-


namento individual acima de tudo, pode ser destrutivamente negligente com as exigências
e necessidades da coletividade e da vida em família. Para ela, as exigências de um relaciona-
mento individual ou de seu próprio crescimento individual tendem a substituir as preocupa-
ções sociais, como, por exemplo, no caso em que é casada e tem filhos. Com essa orientação
básica, ela pode ter dificuldades em ser uma mãe adequada. Compreender essa fraqueza
significa que ela pode dar à maternidade atenção extra ou renunciar a ela de uma vez por
todas. Por outro lado, também é essencial para ela compreender que a maternidade não é
sua principal via de funcionamento. Se tentar em demasia forçar a si mesma a representar
o papel que lhe é atribuído pela coletividade, pode negligenciar sua verdadeira natureza.
Se ela se identificar com seu tipo dominante, pode deixar de lado as necessidades sociais
e as necessidades do relacionamento; por exemplo, assim que seus sentimentos pessoais

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arrefecerem ela pode estar pronta para abandonar um relacionamento, sem levar em conta
as necessidades dos filhos.

A mulher constitucionalmente estruturada pelo arquétipo da Amazona mostra-se propensa


a ser eficiente numa carreira, mas talvez venha a encontrar dificuldades devido à sua sen-
sibilidade ao intangível; ela pode tentar compensar essa falha com uma máscara de perso-
na e representar a bem-amada, meiga e indefesa ou inspiradora de homens. Devido à sua
receptividade inadaptada (não disponível à consciência) é provável que, sob sua pretensa
máscara, ela seja um dragão que solta fumaça, insensível ou exageradamente sugestivo.

Por outro lado, a mulher que, como Medium, é por demais sensível às coisas intangíveis da
atmosfera, não será facilmente bem-sucedida ao obrigar-se a ter uma atividade externa. Ela
pode oferecer aos outros aquelas coisas que eles próprios não percebem, pode ser a femme
inspiratrice, mas não é provável que seja bem-sucedida no mundo dos negócios. Seu peri-
go está na propensão para a exploração não-crítica de seu poder indefinível (WHITMONT,
2010, p. 162).

O autor mostra a multiplicidade de facetas que uma mulher pode ter, e o quanto
não há uma única via e sim uma mistura de várias características que podem estar em
constante movimento no sentido de se poder vivenciar uma experiência ou várias como
mulher a cada etapa ou momento da vida.
Lembrando também o desenvolvimento do ego e as fases da vida Whitmont explica:

a evolução do ego é a evolução daquele aspecto do Self que se manifesta no tempo e no es-
paço; desse modo, uma evolução contínua avança como interação entre uma personalidade
realizada centrada no ego e uma inteireza potencial centrada no Self. As formas característi-
cas dessa interação variam nas diferentes fases da vida. (Ibidem p. 235)

Jung (1960) apud Whitmont (2010) diz que:

A vida é (a) história da autorrealização do inconsciente. Tudo o que há no inconsciente


procura a manifestação exterior e a personalidade também deseja expandir-se para fora de
suas condições inconscientes a fim de se vivenciar como um todo. O termo “self” pareceu-
-me adequado para designar esse substrato inconsciente, cujo expoente real na consciência
é o ego. O ego está para o Self como o que é movido está para o que move, ou como o ob-
jeto está para o sujeito, porque os fatores determinantes que se irradiam do Self circundam
o ego de todos os lados e são, portanto, supra ordenados em relação a ele. Assim como o
inconsciente, o Self é um existente a priori a partir do qual o ego se expande. Ele é... uma
prefiguração inconsciente do ego. Não sou eu que crio a mim mesmo, mas sim aconteço
para mim mesmo. (p. 235)

Feitas estas considerações, é importante destacar que qualquer mulher pode satisfa-
zer uma parte de si mesma e, mais tarde, ser mobilizada pelo Self no sentido de realizar
outra parte. Assim, uma mulher pode realizar-se primeiro como mãe, depois descobrir a
hetaira ou a amazona emergindo em si, reclamando igual realização. A tensão entre uma
ou mais destas formas estruturais, que evidentemente podem entrar em conflito entre
si, é capaz de complicar muitíssimo a sua situação psicológica e social.

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O arquétipo da grande mãe e suas influências na maternidade

Para Jung (1875-1961): “os instintos são formas típicas de comportamento, e toda
vez que nos deparamos com formas de reação que se repetem de maneira uniforme e
regular, trata-se de um instinto, quer esteja associado a um motivo consciente ou não”
(p.270).
Ainda, segundo ele:

Uma discussão do problema do instinto sem levar em conta o conceito do inconsciente seria
incompleta, porque são precisamente os processos instintivos que pressupõe o conceito
complementar de inconsciente. Eu defino o inconsciente como a totalidade de todos os
fenômenos psíquicos em que falta a qualidade da consciência. (JUNG, 2011, p.270)

A partir daí, define que:

O inconsciente é o receptáculo de todas as lembranças perdidas e de todos aqueles conte-


údos que ainda são muito débeis para se tornarem conscientes. Estes conteúdos são pro-
duzidos pela atividade associativa inconsciente que dá origem também aos sonhos. Além
destes conteúdos, devemos considerar também todas aquelas repressões mais ou menos
intencionais de pensamentos e impressões incômodas. À soma de todos estes conteúdos
dou o nome de inconsciente pessoal. Mas afora esses, no inconsciente encontramos tam-
bém as qualidades que não foram adquiridas individualmente, mas são herdadas, ou seja, os
instintos enquanto impulsos destinados a produzir ações que resultam de uma necessidade
interior, sem uma motivação consciente (JUNG, 2011, p. 270).

Apesar destas informações de Jung podemos lembrar que existe um livre arbítrio que
permite escolhas e questionamentos a respeito dos referidos instintos, como comenta:

O instinto como fator extra psíquico desempenharia o papel de mero estímulo. O instinto
como fenômeno psíquico seria, pelo contrário, uma assimilação do estímulo a uma estrutu-
ra psíquica complexa que eu chamo de psiquificação. Assim, o que chamo simplesmente de
instinto seria um dado já psiquificado de origem extra psíquica (JUNG, 2011, p. 234).

Ou seja, embora exista um “instinto maternal”, é possível para o ser humano desviar-
-se do instinto por escolha própria, usando o seu livre arbítrio?
A imagem arquetípica da Grande Mãe tem raízes no instinto maternal, na função
geradora de vida e condutora das relações familiares. “A Grande Mãe é uma imagem
feminina universal que mostra a mulher como eterno ventre e eterna provedora” (RAN-
DAZZO, 1997, p. 103). O arquétipo da Donzela, Virgem ou Musa representa o lado da
Grande mãe que é dotado de uma beleza etérea, pueril e fascinante. O oposto deste
arquétipo é a Prostituta ou Tentadora. A Prostituta/Tentadora traz a sexualidade não do-
mesticada que enfeitiça os homens e ameaça a ordem da estrutura familiar. O arquétipo
da Guerreira ou Heroína traz elementos ligados à coragem, bravura, luta e persistência.

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É um arquétipo, associado ao do Herói, extremamente utilizado no universo masculino,


sendo que uma das conquistas do feminismo foi justamente fazer a mulher experimen-
tar a condição de Guerreira e, recentemente, fazer o homem assumir algumas caracte-
rísticas dos arquétipos femininos (RANDAZZO, 1997, p. 122-124). A expressão máxima
da Guerreira é a Amazona, cuja lenda conta histórias de mulheres que abandonavam os
lares para guerrear, causando fúria e encanto com seu comportamento independente,
pois os homens, para elas, eram meros objetos sexuais.
Nas propagandas dos anos 1960, a imagem arquetípica da Grande Mãe era a mais
utilizada. Os anúncios da época valorizavam as noivas, os produtos feitos em casa, a
importância do reconhecimento dos outros ante os dotes culinários e a casa impecável
e todo o público feminino era tratado como “dona de casa”. A mulher dos anos 1970, ao
menos para a publicidade, era a própria Grande Mãe, onde seu pequeno grande mundo
é a casa, onde passa a maior parte da vida, cuidando dos filhos e zelando pelo bem-
-estar de toda família. A partir da década de 1970, a quantidade de anúncios utilizando
o estereótipo de mulher “dona de casa” diminuiu. A mulher queria menos trabalho e
mais praticidade. A Grande Mãe da década de 1980 celebra a tecnologia que permite
fazer tudo mais rápido, visto que esta década trouxe a imagem da Grande Mãe que tra-
balha fora e tem pouco tempo para cuidar dos assuntos do lar, mas nem por isso deixa
de fazer o melhor por ele. A imagem arquetípica da Grande Mãe chegou aos anos 1990
muito mais completa. Os valores da nova família já estavam arraigados na nossa cultura
e não se discutia com veemência a validade do trabalho fora de casa, como na década de
1970. Se os anos 1980 buscaram a consolidação das conquistas femininas, os anos1990
trataram do assunto com toda a naturalidade. O paradoxo entre o orgulho, por ser mais
independente, e a culpa, por estar mais distante da família, é constatado através do
acúmulo de tarefas da mulher no início da década de 1990 e, ao longo desta década, a
“Supermulher” começa a partir para a divisão das responsabilidades. Gradativamente,
a mãe deixou de ser somente “a dona de casa” e assumiu outras responsabilidades. Por
conseguinte, alterou-se o desempenho dos papéis masculino e feminino dentro de casa,
e o papel atrelado ao arquétipo da Grande Mãe deixou de ser somente dela. O pensa-
mento em relação ao casamento transformou-se de uma relação de dependência e re-
lativa subordinação para uma relação de equivalência e parceria. Atualmente, a imagem
arquetípica da Grande Mãe exerce a divisão das tarefas tentando eleger prioridades,
sendo que algumas se voltam para a casa, outras investem fundo na carreira e outras
buscam trabalhos que permitam estar mais com a família (DEL-VECHIO, 2004, p. 4-7).
Devido à importância fundamental dos arquétipos da Grande Mãe e do Pai, conforme
formulado por Neumann para compreender a formação da Consciência, Byington no-
meia-os Arquétipos Regentes da elaboração simbólica (BYINGTON, 2004). Segundo ele:

O processo de individuação na modernidade vem demonstrando que os papéis históricos


atribuídos ao homem e à mulher não coincidem necessariamente com a natureza de cada

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pessoa. Assim, os adjetivos masculino e feminino passam a ser a fonte de grande confu-
são semântica para descrever a individuação. Ao perceber que o Arquétipo da Grande Mãe
existe também na personalidade do homem e o Arquétipo do Pai, na da mulher, mudei sua
denominação para incluir os dois gêneros. Passei a chamá-los de Arquétipo Matriarcal para
designar o arquétipo da sensualidade, e o Arquétipo Patriarcal para nomear o arquétipo
da organização, ambos presentes na personalidade do homem e da mulher e em todas
as culturas em combinações variáveis. Este passo mostrou-se importante para vincular o
desenvolvimento arquetípico às neurociências, pois o Arquétipo Matriarcal, como o arqué-
tipo dominante da sensualidade, da imagem e do desejo, pode ser associado ao hemisfério
cerebral direito, ao sistema límbico e ao sistema neuroendócrino-vegetativo, enquanto que
o Arquétipo Patriarcal, como o arquétipo dominante da organização, do poder e da abstra-
ção, pode ser relacionado ao hemisfério cerebral esquerdo e aos sistemas volitivo sensório-
-motor e associativo cortical. (BYINGTON, 2006, p. 12-13)

Posteriormente, Byington (2006) descreve mais dois arquétipos regentes, acrescen-


tados aos arquétipos Matriarcal e Patriarcal para, juntos, coordenarem toda e qualquer
elaboração simbólica: os arquétipos da Alteridade e da Totalidade, em que a elaboração
simbólica é invariavelmente feita pelo Arquétipo Central e pelos quatro arquétipos re-
gentes e, circunstancialmente, pelos demais arquétipos. A descrição das cinco posições
Ego-Outro na elaboração simbólica completa a relação da Consciência com o Arqué-
tipo Central e com os quatro arquétipos regentes, formando a moldura simbólica do
desenvolvimento. A elaboração simbólica principia pela posição Ego-outro, intensamen-
te indiferenciada quando um símbolo é constelado (posição indiferenciada – Arquétipo
Central). Segue-se a “posição insular”, correspondente ao Arquétipo Matriarcal, onde o
Ego e o Outro reúnem-se intimamente em ilhas na Consciência em função do desejo, da
sensualidade e da fertilidade:

Forma-se uma relação didática, empática, simbiótica, de causalidade mágica, chamada par-
ticipação mística, por Levy-Brühl, ou de processo primário do desejo e do inconsciente, pela
Psicanálise. Esta posição é binária porque o Ego se relaciona dominantemente com um só
polo de uma polaridade em cada ilha da Consciência. Numa pode manifestar agressividade,
e logo depois, noutra ilha, afetividade com a mesma pessoa, sem que isso signifique um
Split. A passagem de uma ilha para outra ocorre exclusivamente pelo desejo de satisfação
ou pela frustração do momento. A intimidade da polaridade Ego-Outro aproxima muito os
polos consciente-inconsciente, em função do prazer e da sensualidade, das funções do sen-
timento, da intuição e da sensação, dentro de uma mentalidade habitualmente pré-verbal,
imagética e característica do hemisfério cerebral direito. (BYINGTON, 2006, p. 15-16)

Segue-se a posição polarizada, correspondente ao Arquétipo Patriarcal, onde a Cons-


ciência opera de maneira ternária, pois o Ego relaciona-se simultaneamente com ambos
os polos das polaridades. O que é certo ou errado, bonito ou feio, etc., está relacionado
a esta posição que expressa, basicamente, a organização e causalidade reflexiva, ligada
à tarefa, poder, perfeccionismo, culpa e repúdio ao erro ou fracasso. Exercida pelo he-
misfério cerebral esquerdo e circuitos cerebrais conscientes, subordina as funções da
sensação, da intuição e do sentimento ao pensamento.
Byington (2006) destaca ainda que, apesar de o Arquétipo Matriarcal preceder o Ar-
quétipo Patriarcal na elaboração simbólica, eles são inseparáveis e permanecem sempre

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juntos, mesmo quando um ou outro se torna dominante, e descreve a quarta posição


- dialética, correspondente ao Arquétipo da Alteridade:

(...) propiciadora do relacionamento simétrico do Ego e do Outro, cada um é incentivado a


expressar o mais profundo e verdadeiro de si mesmo. Ela é quaternária porque o Ego, tanto
quanto o Outro, pode reivindicar o certo, mas pode igualmente reconhecer seu erro. Trata-
-se de uma relação difícil de se apreender só racionalmente, pois sua essência é o princípio
da sincronicidade, que relaciona as polaridades não pelo desejo ou pela causalidade, mas
pela imprevisibilidade da vida. No sistema nervoso, está em toda circuitaria que reúne pola-
ridades como, por exemplo, na decussação das pirâmides, no quiasma ótico, na adenoneu-
rohipófise e no corpo caloso com sua função intermediadora dos hemisférios cerebrais. Seu
funcionamento na matéria viva foi descrito por von Bertalanffy no princípio de múltiplo re-
torno, que relaciona dialeticamente os opostos, como, por exemplo, no sistema neuroendó-
crino. Esta posição da Consciência é inerente ao princípio da sincronicidade e aos conceitos
de psicóide e de unus mundus formulados por Jung, e é a essência da mensagem simbólica
da sua obra. A posição dialética do Arquétipo da Alteridade, por ser quaternária, favorece
maior produtividade da elaboração simbólica, capaz da criatividade mais profunda, como na
arte, na ciência, na sociopolítica, na religiosidade e no amor. (pp. 17-18)

A última posição da elaboração simbólica, descrita por Byington (2006), é a contem-


plativa, correspondente ao Arquétipo da Totalidade, onde o Ego e o Outro se reapro-
ximam e esmaecem outra vez na unidade, para a Consciência vivenciar o Todo. Esta
posição encerra a elaboração simbólica, quando o conteúdo simbólico se integra à Cons-
ciência e participa da sua noção de verdade e realidade.

Conclusão

Tendo em vista que o objetivo do trabalho é analisar as influências psicossociais e


arquetípicas que impactam sobre o processo de definição da forma de vivenciar a mater-
nidade, focalizamos o estudo sobre o desejo de não ser mãe no mundo contemporâneo,
bem como a existência de modelos arquetípicos de realização feminina sem materni-
dade, suficientes para modificar o comportamento das mulheres contemporâneas e os
possíveis fatores sociais que interferem neste processo.
Por meio da Psicologia Analítica e do estudo do Arquétipo da Grande Mãe em suas
múltiplas facetas, visitamos os conceitos de individuação e sua relação com a necessida-
de de as mulheres exercerem o papel materno como uma obrigatoriedade para impul-
sionar o seu desenvolvimento.
Observando que a sociedade e os meios de comunicação de massa atuam para apre-
sentar a maternidade como fenômeno natural e desejável da condição de ser mulher,
mobilizando motivos ideológicos que barram a autonomia da mulher no processo de de-
finir se desejam ou não ser mães, constatamos, ainda hoje, que a escolha da não mater-
nidade provoca estranhamento e até absoluta reprovação no contexto contemporâneo.

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Temos verificado que recentemente algumas mulheres vêm expondo com mais co-
ragem seus pontos de vista sobre não serem totalmente felizes com a maternidade, ou
mesmo, questionando-se sobre o instinto materno, posicionando-se de maneira incisiva
em relação à maternidade como escolha e não como um papel a ser cumprido pela mu-
lher na sociedade.
O desenvolvimento, chamado por Jung de individuação, é como uma semente que
guarda a vida inteira, mas que não tem como ser puxada para fora à força. Ela tem que
emergir, não há outro caminho, e por isso o processo, a vivência, é tão importante e
valorizado na teoria junguiana.
Tudo o que podemos fazer é propiciar o terreno para que as vivências ocorram e a
liberdade de escolha seja o caminho mais fértil para que cada mulher possa se desenvol-
ver e se encontrar: com o mundo, com o outro, consigo mesma e com o seu caminho ou
chamado. Não existe nada pronto, perguntas e respostas vão surgindo e sendo respon-
didas, mas as imposições do patriarcado e dos costumes sociais existem e a pressionam
por caminhos já conhecidos ou pré-definidos, como por exemplo o que aponta que toda
mulher tem que ser mãe para se sentir completa na vida, ou ficará frustrada.
Ou seja, se para a realização do “vir a ser” em nosso processo de individuação, cada
um deve ser verdadeiramente si mesmo, qual seria a razão para querermos seguir um
padrão pautado no externo, em normas sociais e contextos históricos não necessaria-
mente alinhados aos nossos objetivos inconscientes, para que possamos “acontecer
para nós mesmos”, segundo Jung descreveu?
Feitas essas considerações, é importante destacar que uma mulher pode satisfazer
uma parte de si mesma e, mais tarde, ser orientada no sentido de realizar outra parte.
Assim, uma mulher pode se realizar primeiro como mãe, depois descobrir a hetaira ou a
amazona emergindo dentro de si e reclamando igual realização. A tensão entre uma ou
mais destas formas estruturais, que evidentemente podem entrar em conflito entre si, é
capaz de complicar muitíssimo sua situação psicológica e social.
Vários estudos relacionados à maternidade estão sendo realizados atualmente e,
pensando na sociedade contemporânea e na educação vigente, tão focada na diversida-
de e baseada na expressão do indivíduo, é completamente incongruente pensar que o
caminho da maternidade é obrigatório a todas as mulheres e que não exista espaço livre
para outras possibilidades de realização além desta opção. Este tipo de imposição, base-
ada em relações de poder, não permite que haja livre expressão das particularidades de
cada pessoa e do exercício da maternagem em suas mais diversas formas.
Por isso, concluímos que cada um tem seu direito de escolha, considerando que esta
escolha poderá ser muito mais genuína, se levarmos em conta nossa sabedoria ou bússo-
la interna, que pode realmente nos guiar ao nosso propósito, o que Jung chamou de Self.

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