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01000-RH/FA-216

Superintendência de Recursos Humanos

ELETROTÉCNICA – MÓDULO IV
CIRCUITO TRIFÁSICO

Treinamento &
Desenvolvimento

Gerência do Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional


Sete Lagoas – fevereiro/ 2004
01000-RH/FA-216

Superintendência de Recursos Humanos

ELETROTÉCNICA – MÓDULO IV
CIRCUITO TRIFÁSICO

Treinamento &
Desenvolvimento

Elaborado por: Roberto Horta Maia – Instrutor Técnico / EFAP (CEMIG)

Gerência do Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional


Sete Lagoas – fevereiro/ 2004
SUMÁRIO

1 SISTEMAS TRIFÁSICOS ........................................................................................ 4


1.1 Características do sistema trifásico ....................................................................... 4
1.2 Geração de Tensão Trifásica ................................................................................ 4
1.3 Tensão de fase e tensão de linha ......................................................................... 8
1.4 Relação entre a tensão de linha e de fase ............................................................ 9
1.4 Relação entre a tensão de linha e de fase .......................................................... 10
1.5 Como instalar as cargas em uma rede trifásica .................................................. 10

2 CIRCUITO ESTRELA ............................................................................................ 11


2.1 Circuito estrela equilibrado .................................................................................. 11
2.2 Circuito estrela desequilibrado ............................................................................ 14

3 CIRCUITO TRIÂNGULO ........................................................................................ 19


3.1 Circuito triângulo equilibrado ............................................................................... 19
3.2 Circuito triângulo desequilibrado ......................................................................... 23

4 POTÊNCIA EM CIRCUITOS ESTRELA ................................................................ 27


4.1 Potência monofásica (1ø) num circuito estrela equilibrado ou desequilibrado .... 28
4.2 Potência trifásica (3ø) num circuito estrela equilibrado ....................................... 28
4.3 Potência trifásica ( 3ø ) num circuito estrela desequilibrado .............................. 29
4.4 Fator de potência monofásico ou trifásico (3ø) num circuito estrela equilibrado ou
desequilibrado ........................................................................................................... 30

5 POTÊNCIA EM CIRCUITOS TRIÂNGULO............................................................ 30


5.1 Potência monofásica (1ø) num circuito triângulo equilibrado ou desequilibrado . 31
5.2 Potência trifásica (3ø) num circuito triângulo equilibrado .................................... 31
5.3 Potência trifásica ( 3ø ) num circuito triângulo desequilibrado ............................ 32
5.4 Fator de potência monofásico ou trifásico (3ø) num circuito estrela equilibrado ou
desequilibrado ........................................................................................................... 33

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 34


Escola de Formação e Aperfeiçoamento Profissional – EFAP

1 SISTEMAS TRIFÁSICOS

1.1 Características do sistema trifásico

Um sistema trifásico (3Ø) é uma combinação de três sistemas monofásicos (1Ø).

Num sistema (3Ø) equilibrado, a potência é fornecida por um gerador CA que produz
três tensões iguais em módulo, mas defasadas entre si de 120º.

Embora os circuitos monofásicos sejam amplamente usados em sistemas elétricos,


a maior parte da geração e distribuição da corrente alternada é trifásica.

⇒ Vantagens da Utilização de Circuitos Trifásicos:

• Os motores, geradores e transformadores trifásicos têm menores dimensões, são


mais leves e mais eficientes do que seus equivalentes monofásicos.
• Para determinado peso e custo, uma linha de transmissão trifásica é capaz de
transmitir mais potência do que uma linha monofásica.
• Os circuitos trifásicos permitem maior flexibilidade na escolha das tensões e
podem ser usados na alimentação de cargas trifásicas ou monofásicas.

1.2 Geração de Tensão Trifásica

Na figura 1, está representado um alternador trifásico que tem um estator e um rotor.

Os três conjuntos de enrolamentos (enrolamentos de fase) da armadura estão


fisicamente distribuídos a cada 120º da periferia interna do estator.

São nesses conjuntos de enrolamentos, também chamados de induzido, que as três


tensões senoidais são geradas.

No rotor do gerador está o enrolamento de campo denominado por indutor, que


alimentado por uma fonte de corrente contínua produz um campo magnético. Como
o rotor é girante, seu campo magnético corta os enrolamentos da armadura,
induzindo neles as tensões senoidais mostradas na figura 2.

Essas tensões têm um valor de pico separado de um terço do período, ou separados


de 120º, em virtude da disposição espacial de 120º dos enrolamentos da armadura.

Como resultado, o alternador produz três tensões de mesmo valor eficaz (rms), e de
mesma freqüência (60Hz), mas defasadas de um ângulo de fase de 120º.

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0º 90º 180º 270º 360º


Fase Fase Fase
V A A VB
V VBC C

+
t

120° 240°
0
0º 120º 240º

Enrolamento Fig.1 Enrolamento


da armadura de campo Fig.2
ou induzido ou indutor
(Estator) (Rotor)

Os terminais dos enrolamentos de fase de mesmo índice numérico são terminais de


mesma polaridade, A1, B1 e C1, assim como A2, B2 e C2. Os terminais A1 e A2
pertencem ao grupo de enrolamentos da fase A, Os terminais B1 e B2 pertencem ao
grupo de enrolamentos da fase B e Os terminais C1 e C2 pertencem ao grupo de
enrolamentos da fase C.

Para melhor visualizar o defasamento físico das bobinas, na figura 3 representamos


seus enrolamentos concentrados, em três pontos eqüidistantes no estator.

Fig.3

5
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Em seguida, as três fases do gerador são interligadas para a operação trifásica.


Ligando-se os terminais de mesma polaridade dos três enrolamentos de fase entre
si, obtém-se um condutor comum, chamado neutro (N), conforme se verifica na
figura 4.

Diz-se que em tais condições o gerador está ligado em estrela ( Υ ).

Desta maneira é disponibilizado para o sistema elétrico três condutores de fases


distintas, ØA, ØB e ØC. Deve existir uma linha conectada ao terminal do neutro,
como mostrado, nos casos em que existem quatro linhas ou condutores. Se
nenhuma linha é conectada ao neutro, o circuito é um circuito a três condutores.

0º 90º 180º 270º

V
+

FA
t

A1
0º 90º 180º 270º
A2
V
B1 FB +
12

B2

C2
FC 0º 90º 180º 270º
C1 V
+
240°
N
Aterramento
t
Fig.4

As tensões de fase VA, VB e VC podem ser representadas através de um diagrama


fasorial. Na figura 5, os três fasores estão defasados entre si de 120º, e as tensões
estão representadas pelo seu valor eficaz (rms).

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fig.5

Como o gerador está ligado em estrela, as tensões em, cada fase correspondem às
tensões entre fase e neutro deste sistema, e a origem da circunferência representa o
ponto comum da ligação dos enrolamentos, sendo este ponto comum o neutro (N).

Assim, obtemos as três tensões entre fase e neutro da rede, VAN, VBN e VCN, figura 6.

VC

VCN

VAN
N VA

VBN

VB
fig.6

As tensões mostradas na figura 5 são determinadas em qualquer instante de tempo,


pode-se observar que a soma das tensões é zero. Esse zero como resultado pode
também ser verificado pela adição vetorial gráfica dos fasores correspondentes a
tais tensões conforme a figura 7.

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Esses três fasores são somados na figura 7 conectando o início de VBN, a ponta de
VAN e o início de VCN, a ponta de VBN. Sendo que a ponta de VCN toca o inicio de VAN,
a soma é zero.

E, como a soma dos fasores de tensão é zero, a soma dos valores instantâneos de
tensão correspondentes é zero para qualquer instante.

De uma forma geral, três senóides têm uma soma zero se elas têm a mesma
freqüência, mesmo valor de pico e são defasadas de 120º. Em particular, isto é
verdadeiro para correntes.

VAN + VBN + VCN = 0


VAN

VCN VBN

fig.7

1.3 Tensão de fase e tensão de linha

Num sistema elétrico alimentado por uma rede trifásica a quatro fios, temos três
condutores de fase que são, fase A, B e C, e um condutor de neutro (N).

ØN
ØA
ØB
ØC

No sistema elétrico a tensão de fase (VF) ou tensão simples (v) é a tensão medida
entre cada fase e o neutro, que para rede trifásica são três, VAN, VBN e VCN.

A tensão de linha (VL) ou tensão composta (V) é a tensão medida entre duas fases
distintas, que para rede trifásica são três, VAB, VBC e VCA.

Como a tensão de linha é a diferença de potencial entre duas fases que se


encontram defasadas entre si de 120º, estas tensões correspondem À diferença
vetorial entre duas tensões de fase, assim:

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VAB = VAN + (- VBN)

VBC = VBN + (- VCN)

VCA = VCN + (- VAN)


O fasor resultante da diferença vetorial entre duas tensões de fase, é um fasor que
une as extremidades de dois fasores de fases distintas, como se verifica na figura 1.

Fig.1

No diagrama fasorial da figura 2, estão representadas as tensões de linha com a


origem de cada fasor deslocado para a origem da circunferência. Desta forma se
verifica que as tensões de linha se encontram defasadas entre si de 120º, e que o
defasamento existente entre a tensão de linha e de fase é de 30º, com a tensão de
linha adiantada em relação à de fase.

VCN
VCA
VAB

30º
30º
VAN

30º

VBN
fig.5

VBC
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1.4 Relação entre a tensão de linha e de fase

A relação entre as tensões de linha (VL) e de fase (VF) num sistema trifásico
simétrico, com as tensões deslocadas entre si de um ângulo de fase de 120º e de
mesmo valor eficaz (rms), é igual a 3 , conforme a figura 1

VF

VL/2
VF
30º

VL/2 VL

VL
3 VL 1
cos 30º = 2 ⇒ = ×
VF 2 2 VF
VL
⇒ 3=
VF

fig.1

1.5 Como instalar as cargas em uma rede trifásica

As cargas podem ser instaladas:

• Entre condutor de fase e condutor de neutro, figura 1.


• Entre dois condutores de fase, figura 2.

A escolha da instalação depende da tensão nominal das cargas e das tensões da


rede.

• Se a tensão nominal das cargas corresponde à tensão de fase da rede, as


cargas serão instaladas entre condutores de fase e condutor neutro.
• Se a tensão nominal das cargas corresponde à tensão de linha da rede, as
cargas serão instaladas entre condutores de fase.

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ØA ØA

ØB
Z1
ØC Z3
ØB
Z2
Z1 Z2 Z3
ØC

N N
Esta montagem é Esta montagem é
chamada ligação estrela ( chamada ligação triângulo
Υ) (∆)
Fig.2
Fig.1

É extremamente desejável operar sistemas de potência em estado de equilíbrio ou


bem próximo do equilíbrio. As linhas de transmissão são também propriamente
equilibradas. Por outro lado, os circuitos de distribuição são desequilibrados,
resultantes da aplicação de cargas monofásicas separadas.

A ligação estrela ou triângulo é obtida pela ligação de cargas trifásicas, ou pelo


agrupamento de cargas monofásicas instaladas na rede trifásica.

2 CIRCUITO ESTRELA

2.1 Circuito estrela equilibrado

Na figura 1, está representado um circuito que tem uma carga trifásica equilibrada
ligada em estrela, ou um grupo de cargas monofásicas equilibradas distribuídas
igualmente entre as fases da rede trifásica formando uma ligação estrela.

Essas cargas são alimentadas por uma fonte com os enrolamentos conectados em
estrela. Essa fonte pode ser um gerador, ou o secundário de um transformador
trifásico.

A linha de neutro conecta os dois nós neutros.

⇒ Para que um circuito seja estrela equilibrado, ele terá que atender às
condições de equilíbrio, que são:

• Impedâncias idênticas nas fases


• Mesmo Ângulo de defasagem entre tensão e corrente nas fases
• Cargas de natureza iguais nas fases

A corrente que atravessa cada linha ( IL ) de alimentação de um circuito alimentando


cargas ligadas em estrela é a mesma que percorre a carga ligada a cada uma das
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fases. A corrente de carga é também denominada por corrente de fase ( IF ), sendo


assim:
ILA = IF1 ; ILB = IF2 ; ILC = IF3.

Secundário em estrela de um
transformador trifásico
ILA

VAB
A B
IL IF IF
ØA ØB
Z1 Z2
VCA N
VAN N VBN IN IN = I1 + I2 +

VBC IF Z3
VCN
Figura 1
IL
C
Ø
C

⇒ Conseqüências do equilíbrio:

• As correntes de linha ou correntes de fase são iguais:

IF1 = IF2 = IF3 ou ILA = ILB = ILC

• Não existe corrente circulando no neutro, pois a soma vetorial das correntes de
fase é zero:

IN = IF1 + IF2 + IF3 = 0

⇒ Determinação das correntes de fase:

A correntes de fase podem ser encontradas a partir de:

VA N VB N VC N
IF1 = ; IF2 = ; IF 3 =
Z1 Z2 Z3

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Como o circuito é equilibrado, as correntes de fase IF1, IF2 e IF3 possuem o mesmo
módulo, mas defasadas entre si de 120º, conforme determinado pela seqüência de
fase visto na figura 1.

Como já foi verificado, não existe corrente na linha de neutro para um circuito estrela
equilibrado, conforme se verifica na figura 1. A não existência da corrente de neutro
é devido às correntes de fase possuírem o mesmo módulo e uma diferença de fase
de 120º, portanto a soma vetorial destas correntes é igual a zero.

Como exemplo para representação fasorial das correntes de fase, na figura 1, foram
consideradas as cargas sendo puramente resistivas, e assim, o ângulo ( ϕ ) de
defasagem entre corrente e tensão em cada fase é igual a zero.

Representação Fasorial das correntes de fase

ω
VCN =
V
VCA VAB
IF
IN = IF1 + IF2 + IF3 =
30º 120º 0
30º IF1 IF1
120º VAN = VAO
60º

IF3 IF2 IF3 IF2


30º

IF2

VBN =
Fig.1
V
VB

⇒ Rompimento do condutor neutro

Pelo fato de o condutor do neutro não conduzir corrente, ele pode ser eliminado para
transformar o circuito de quatro condutores em um circuito de três condutores.

A mais importante conseqüência da corrente zero no neutro é que os dois nos


neutros estão no mesmo potencial, mesmo na ausência do condutor neutro da rede.

O neutro obtido no ponto comum da ligação estrela é também denominado de neutro


artificial ou flutuante, sendo representado pela letra O para diferenciá-lo do neutro da
rede, apesar de estarem os dois nos neutros em mesmo potencial, VN = VO e
VON = 0.

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As tensões aplicadas às cargas após o rompimento do neutro da rede serão VAO,


VBO e VCO, sendo que estas tensões são iguais em módulo e com o mesmo ângulo
de fase das tensões VAN, VBN e VCN, assim:

VAO = VAN ; VBO = VBN ; VCO = VCN

Na prática, entretanto, é conveniente a presença de um condutor de neutro para


assegurar o equilíbrio das tensões nas fases no caso de as impedâncias de carga
não serem exatamente iguais. Em um circuito estrela equilibrado mesmo com o
neutro da rede rompido, o ângulo de defasagem entre os fasores representativos
das tensões de linha e de fase permanecem em 30º figura 1, e desta forma a relação
entre tensão de linha e de fase permanece igual a 3 como por exemplo:

VAB V V
= BC = CA = 3
VAO VBO VCO

2.2 Circuito estrela desequilibrado

Para que um circuito seja estrela desequilibrado, ele terá que atender a uma das
condições para desequilíbrio ou todas ao mesmo instante que são:

• Impedâncias diferentes nas fases


• Ângulo de defasagem entre tensão e corrente diferentes nas fases
• Cargas de natureza diferentes nas fases

⇒ Conseqüências do equilíbrio:

• As correntes de linha ou de fase podem ser diferentes em módulo, e os ângulos


de defasagem entre as correntes podem ser diferentes de 120º, dependendo da
natureza das cargas e do ângulo de defasagem entre tensão e corrente em cada
uma das fases.
• Existe corrente circulando no neutro por ser esta corrente a soma vetorial de IF1,
IF2 e IF3, como se verifica na figura 1. Pelo fato do condutor de neutro conduzir
corrente, ele não pode ser eliminado.

IN = IF1 + IF2 + IF3 ≠ 0

⇒ Determinação das correntes de fase:

As correntes de fase podem ser encontradas a partir de:

VA N VB N VC N
IF1 = ; IF2 = ; IF 3 =
Z1 Z2 Z3

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Na figura 1, foi representado um circuito estrela com desequilíbrio entre as três


fases, sendo que a impedância nas três fases é de natureza resistiva, e o ângulo (φ)
de defasagem entre tensão e corrente em cada fase é de 0º.

Sendo a tensão de fase igual a 127V e as impedâncias das cargas, Z1 = 100Ω, Z2 =


50 Ω e Z3 = 25 Ω, os módulos das correntes de fase ou linha serão iguais a:

VAN 127 V
IF1 = ⇒ IF1 = ⇒ IF1 = 1,27 A
Z1 100Ω
VBN 127 V
IF 2 = ⇒ IF 2 = ⇒ IF2 = 2,54 A
Z2 50Ω
VCN 127 V
IF 3 = ⇒ IF 3 = ⇒ IF3 = 5,08 A
Z3 25Ω
Equação 1.6.2 a

Como o circuito é desequilibrado, a soma vetorial das correntes das fases é diferente
de zero: IF1 + IF2 + IF3 ≠ 0 , no caso do exemplo acima citado:

IN = IF1 + IF2 + IF3 = 3,15 A

Desta forma, verifica-se que existe corrente circulando no neutro por ser esta
corrente a soma vetorial de I F1 , I F2 e I F3 , como se verifica na figura 2.

ILA = 1,27 A

VAB
ILB = 2,54 A B
A IF IF
Ø ØB
A
Z1 N Z2
VCA
VAN N VBN
IN IN
IN

IN = IF1 + IF2 + IF3 =


VB IF Z3
VCN
ILC = 5,08 A

C
ØC
Fig. 1

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Representação Fasorial das correntes de fase e corrente do neutro

VCN ω

VCA IF3 VAB

IN IN = IF1 + IF2 + IF3 = 3,15 A

IF1
IF1
IF3 VAN
IF3
IF2 IF2
IF2

VBN Fig.2
VBC

⇒ Rompimento do condutor neutro

Pelo fato de o condutor de neutro conduzir corrente, ele não pode ser eliminado.

A mais importante conseqüência da circulação de corrente no neutro é que, caso o


neutro da rede venha a ser suprimido, os dois nós neutros não estarão no mesmo
potencial figura 3.
ILA

VAB
ILB A B
IF1 IF2
A B
Condutor neutro Z1 Z2
VCA interrompido O
VAN N VBN
I F1 + I F2 + I F3 = 0

VBC VON Z3
VCN IF3
ILC
B
C Fig.3
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Através da figura 4, verifica-se que o neutro (N) da rede está representado na origem
da circunferência, e que o neutro artificial (O) está deslocado em relação a esta
origem, e desta forma, existe uma diferença de potencial entre o neutro da rede e o
artificial denominado por VON, que, para os valores representados na figura 1, tem
valor de:
VON = 44,97 V
O deslocamento do neutro artificial em relação ao neutro da rede é provocado pela
condição de que a soma vetorial das correntes de fase tem que ser,
obrigatoriamente, igual a zero (IF1 + IF2 + IF3 = 0), uma vez que não existe o
condutor de neutro para que ocorra o retorno da corrente de desequilíbrio.

Desta forma, como não existe a possibilidade de variação das impedâncias das
cargas, ocorrerá o deslocamento do neutro artificial em relação ao neutro da rede, o
que irá provocar sobretensão na fase de menor carga e subtensão na fase mais
carregada.

Em conseqüência da variação das tensões nas cargas, os módulos e os ângulos das


correntes de fase irão variar para que seja atendida a condição imposta, IF1 + IF2 + IF3
= 0. Apesar das variações das tensões de fase (VAO , VBO e VCO), o módulo e o
ângulo das tensões de linha (VAB ,VBC e VCA ) permanecem inalterados.

Com o neutro da rede rompido, o ângulo de defasagem entre os fasores


representativos das tensões de linha e de fase (VAO , VBO e VCO) são diferentes de
30º e, desta forma, a relação entre tensão de linha e de fase é diferente de 3 ,
como por exemplo:
VAB V V
ou BC ou CA ≠ 3
VAO VBO VCO

Tensão entre o
ponto comum da
estrela e a fase
VCN
ω

Neutro artificial
VCO
deslocado em
relação ao neutro
da rede. VAO
O
VAN
VON
N
Diferença de
potencial entre o VBO Fig. 4
neutro da rede e o
neutro artificial (VON)

VBN
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Os valores das sobretensões e subtensões nas fases após o rompimento do neutro,


para os valores de impedância de carga e corrente de neutro representado na figura
1, serão iguais:

VAO = 165,43 V ; VBO = 139,23 ; VCO = 87,75

As correntes nas fases após o rompimento do condutor neutro terão os seguintes


valores:

V AO 165,43 V
IF1 = ⇒ IF1 = ⇒ IF1 = 1,65 A
Z1 100Ω
VBO 139,23 V
IF 2 = ⇒ IF 2 = ⇒ IF 2 = 2,78 A
Z2 50Ω

VCO 87,75 V
IF 3 = ⇒ IF 3 = ⇒ IF3 = 3,51 A
Z3 25Ω

ILA = 1,65
A

VAB
ILB = 2,78 A A B
IF1 IF2
A B

VCA
Z1 Z2
VBN O
VAN N

VBC VON IF3 Z3


VCN
ILC = 3,51 A
B
C

Fig.3

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3 CIRCUITO TRIÂNGULO

3.1 Circuito triângulo equilibrado

Na figura 1, está representado um circuito que tem uma carga trifásica equilibrada
ligada em triângulo, ou um grupo de cargas monofásicas distribuídas igualmente
entre as fases da rede trifásica formando uma ligação triângulo equilibrado.

Estas cargas são alimentadas por uma fonte com os enrolamentos conectados em
estrela(Y). Esta fonte pode ser um gerador, ou o secundário de um transformador
trifásico conectado em Y. Não existe, é claro , um condutor de neutro, porque uma
carga ∆ tem apenas três terminais de fase.

ILA
A

IF1
ØA ØB
VA VC

Z1 Z3
N
ILB IF2 Z2 IF3

B C
ILC VB

ØC

Fig. 1

⇒ Para que um circuito seja triângulo equilibrado ele terá que atender às
condições de equilíbrio, que são:

• Impedâncias idênticas nas fases


• Mesmo Ângulo de defasagem entre tensão e corrente nas fases
• Cargas de natureza iguais nas fases

A corrente de cada linha ( IL ) de alimentação de um circuito que esteja alimentando


cargas ligadas em triângulo é diferente da corrente que percorre a carga. A corrente
de carga é também denominada por corrente de fase ( IF ), sendo assim têm-se três
correntes de fase e três correntes de linha que são:

Correntes de fase: IF1 , IF2 e IF3

Correntes de linha: ILA , ILB e ILC

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⇒ Conseqüências do equilíbrio:

• As correntes de linha são iguais:

ILA = ILB = ILC

• As correntes de fase são iguais:

IF1 = IF2 = IF3

⇒ Determinação das correntes de fase:

A correntes de fase podem ser encontradas a partir de:

VA B VB C VC A
IF1 = IF 2 = ; IF3 =
Z1 ; Z2 Z3

Como o circuito é equilibrado as correntes de fase IF1, IF2 e IF3 possuem o mesmo
módulo, mas defasadas entre si de 120º, então para encontrar as correntes de fase,
basta encontrar a corrente em uma das fases e usá-la com a seqüência de fase para
encontrar as outras duas.

Como exemplo para representação fasorial das correntes de fase, na figura 2, foram
consideradas as cargas sendo, puramente, resistivas, e assim o ângulo ( ϕ ) de
defasagem entre corrente e tensão em cada fase é igual a zero. Verificamos, então,
que IF1 está em fase VAB, IF2 com VBC e IF3 com VCA.

Representação Fasorial das correntes de fase

VAB ω

IF1

120º 120º

IF3 IF2
120º
Figura 17.10 a
VCA VBC

Fig.2
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Sendo a tensão de fase igual a 220V, e as impedâncias das cargas, Z1 = 100 Ω, Z2 =


100 Ω e Z3 = 100 Ω, os módulos das correntes de fase serão iguais a:

VAB 220 V
IF1 = ⇒ IF1 = ⇒ IF1 = 2,2 A
Z1 100Ω
VBC 220 V
IF 2 = ⇒ IF 2 = ⇒ IF 2 = 2,2 A
Z2 100Ω
VCA 220 V
IF3 = ⇒ IF3 = ⇒ IF3 = 2,2 A
Z3 100Ω

⇒ Determinação das correntes de linha:

A corrente em cada uma das linhas de alimentação é a composição vetorial de duas


correntes de fase em sentido contrário, o que se verifica na figura 3, e como as
correntes de fase são equilibradas, as correntes de linha também serão. As
correntes de linha são determinadas vetorialmente pela expressão:

ILA = IF1 + (- IF3) ; ILB = IF2 + (- IF1) ; ILC = IF3 + (- IF2)

IF1
I

ILA IF1
ØA ØB
VA VC

Z1 Z3
N
IF2 IF1 IF2 Z2 IF3

B C
ILB
VB
IF3 IF2
ØC
ILC

Fig.3

Para análise vetorial das correntes de linha, foi considerado o circuito resistivo e as
correntes de fase com valores já mencionados anteriormente, IF1 = 2,2 A, IF2 = 2,2 A
e IF3= 2,2 A.

Em relação aos valores das correntes de fase descritos, as correntes de linha terão
seus módulos iguais a:
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ILA = IF1 + (- IF3) ⇒ ILA = 3,81 A ; ILB = IF2 + (- IF1) ⇒ ILB = 3,81 A

ILC = IF3 + (- IF2) ⇒ ILC = 3,81 A

Conforme se verifica no diagrama fasorial da figura 4, o ângulo de defasagem entre


a corrente de cada uma das linhas e a respectiva corrente de fase para o circuito
triângulo equilibrado é igual a 30º, e a corrente de fase está adiantada da de linha
desde que seja acompanhada a seqüência de fase positiva A,B e C. Este ângulo de
defasagem de 30º entre as correntes independe do módulo e do ângulo da
impedância de carga. As correntes de linha ILA , ILB e ILC estão defasadas entre si
em 120º e com a mesma seqüência de fase das correntes de fase.

VCN ω

VCA ILC VAB


-IF2

30º IF1
120º
IF3 -IF3
30º
120º VAN
120º
ILA

30º
IF2
ILB
-IF1

VBN
Fig.4
VBC

⇒ Relação entre corrente de linha e de carga

Em função do defasamento de 30º entre a corrente de linha IL e de carga IF para um


circuito ∆ equilibrado, o módulo da corrente de linha é 3 vezes o módulo da
corrente de fase :

IL
= 3 ⇒ IL = IF . 3
IF

Para valores de corrente de fase exemplificados anteriormente, a corrente de linha é


igual a :
IL = 2,2 A . 3 ⇒ IL = 3,81A
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Vetorialmente, podemos verificar a relação 3 entre a corrente de linha e a de fase.

VCN ω

VCA ILC VAB VAB


-IF2

30º IF1
120º
IF3 -IF3
30º
120º VAN
ILA IF IF
120º
30º
30º
IF2
IL IL
ILB
-IF1 2 2
IL
VBN

VB IL
3 IL 1 IL
cos 30º = 2 ⇒ = . ⇒ 3=
IF 2 2 IF IF

3.2 Circuito triângulo desequilibrado

Na figura 1, está representado um circuito que tem uma carga trifásica


desequilibrada ligada em triângulo, ou um grupo de cargas monofásicas distribuídas
entre as fases da rede trifásica formando uma ligação triângulo desequilibrado.

Estas cargas são alimentadas por uma fonte com os enrolamentos conectados em
estrela(Y). Esta fonte pode ser um gerador, ou o secundário de um transformador
trifásico conectado em Y. Não existe, é claro , um condutor de neutro, porque uma
carga ligada em triângulo tem apenas três terminais de fase.

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ILA
A

IF1
ØA ØB
VA VC

Z1 Z3
VAN N VBN
ILB IF2 Z2 IF3

VCN B C
ILC VB

ØC
Fig. 1

⇒ Para que um circuito seja triângulo desequilibrado, basta atender a uma das
condições de desequilíbrio, que são:

• Impedâncias diferentes nas fases


• Ângulo de defasagem entre tensão e corrente diferentes nas fases
• Cargas de natureza diferentes nas fases

⇒ Conseqüências do desequilíbrio:

• As correntes de linha são diferentes:


• As correntes de fase são diferentes:

As correntes de fase podem ser diferentes em módulo, e os ângulos de defasagem


entre as correntes podem se diferenciar de 120º, dependendo da natureza das
cargas e do ângulo de defasagem entre tensão e corrente em cada uma das fases.

O mesmo acontece com as correntes de linha, por serem a composição de correntes


de fase desequilibradas.

⇒ Determinação das correntes de fase:

Como o circuito é desequilibrado, as correntes de fase terão que ser calculadas


individualmente e podem ser encontradas a partir de:

VA B VB C VC A
IF1 = IF 2 = ; IF3 =
Z1 ; Z2 Z3

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Como exemplo para representação fasorial das correntes de fase, na figura 2, foram
consideradas as cargas sendo puramente resistivas, e com os valores das
impedâncias diferentes nas três fases. Assim, as correntes possuem módulos
diferentes, mas o ângulo (ϕ) de defasagem entre corrente e tensão em cada fase é
igual a zero. Verificamos então que IF1 está em fase VAB, IF2 com VBC e IF3 com VCA.

Representação Fasorial das correntes de fase

VAB ω

IF1

120º 120º

IF3 IF2
120º

Figura 17.10 a
VCA VBC

Fig.2

Na figura 3, foi representado um circuito triângulo alimentado por uma fonte trifásica
de 220V / 127V - 60Hz, com desequilíbrio entre as três fases, sendo que as cargas
são de natureza resistiva, mas com valores de impedâncias diferentes nas fases. As
impedâncias das fases são:

Z1 = 100Ω ; Z2 = 50 Ω ; Z3 = 150 Ω

As correntes de fase serão iguais a:

VAB 220 V
IF1 = ⇒ IF1 = ⇒ IF1 = 2,2 A
Z1 100Ω
VBC 220 V
IF 2 = ⇒ IF 2 = ⇒ IF2 = 4,4 A
Z2 50Ω
VCA 220 V
IF3 = ⇒ IF3 = ⇒ IF3 = 1,47 A
Z3 150Ω

Figura 17.11 a

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⇒ Determinação das correntes de linha:

A corrente em cada uma das linhas de alimentação é a composição vetorial de duas


correntes de fase em sentidos contrários, o que se verifica na figura 3, e como as
correntes de fase são desequilibradas, as correntes de linha também serão. As
correntes de linha são determinadas, vetorialmente, pela expressão:

ILA = IF1 + (- IF3) ; ILB = IF2 + (- IF1) ; ILC = IF3 + (- IF2)

Para análise vetorial das correntes de linha foi considerado o circuito resistivo e as
correntes de fase com valores já mencionados anteriormente, IF1 = 2,2 A, IF2 = 4,4 A
e IF3 = 1,47 A.

Em relação aos valores das correntes de fase descritos, as correntes de linha terão
seus módulos iguais a:

ILA = IF1 + (- IF3) ⇒ ILA = 3,2 A ; ILB = IF2 + (- IF1) ⇒ ILB = 5,82 A

ILC = IF3 + (- IF2) ⇒ ILC = 4,28 A

IF1 =2,2A IF3 =1,47A


A

ILA = 3,2 A IF1=2,2A


ØA ØB
VA VC

Z1 Z3
VAN N VBN
IF2 =4,4A IF1=2,2A IF2 Z2
IF3=1,47A
=4,4A
VCN B C
ILB = 5,82 A VB
IF3 =1,47A IF2 =4,4A
ØC
ILC = 4,28 Fig. 3
A

No diagrama fasorial da figura 4, estão representadas as correntes de linha


determinadas através da composição vetorial das correntes de fase, verifica-se pelo
diagrama fasorial que o ângulo de defasagem entre a corrente de cada uma das
linhas e a respectiva corrente de fase para o circuito triângulo desequilibrado é
diferente de 30º.

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-IF2
VCN ILC
VCA VAB

30º
IF1
-IF3
30º
IF3
ILA VAN

30º

VBN IF2
ILB
-IF1 Fig.4

VBC

⇒ Relação entre corrente de linha e de carga

Em função do defasamento entre a corrente de linha IL e de carga If ser diferente


de 30º para um circuito triângulo desequilibrado, o módulo da corrente de linha
é diferente de 3 vezes o módulo da corrente de fase :

IL ≠ 3 . If

4 POTÊNCIA EM CIRCUITOS ESTRELA

Num circuito estrela equilibrado ou desequilibrado, a tensão na carga é a tensão de


fase (VF) da rede, e a corrente na carga (IF) é igual a corrente na linha (IL).

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IL = IF
ØA

VL VF = VAN

N
VF = VCN
VF = VBN
VL

ØB

VL = VF . 3
ØC

Para se calcular a potência em um circuito estrela deve proceder da seguinte forma:

4.1 Potência monofásica (1ø) num circuito estrela equilibrado ou


desequilibrado

Quando está se calculando as potências por fase, as expressões abaixo são usadas
tanto para o circuito estrela equilibrado, quanto para o desequilibrado.

⇒ Potência aparente monofásica:

S1Ø = VF . IL (VA)

⇒ Potência ativa monofásica:

P1Ø = VF . IL . cos ϕ (W)

⇒ Potência reativa monofásica:

Q1Ø = VF . IL . sen ϕ (var)

4.2 Potência trifásica (3ø) num circuito estrela equilibrado

As expressões para cálculo das potências trifásicas em circuito estrela equilibrado


não podem ser utilizadas para o circuito estrela desequilibrado.

28
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⇒ Potência aparente trifásica:

S3Ø = VF . IL . 3 (VA)

VL
Como VF = , teremos
3

VL VL 3 VL . IL . 3 . 3
S 3Ø = . IL . 3 ⇒ S 3Ø = . IL . 3 . ⇒ S 3Ø =
3 3 3 9
VL . IL . 3 . 3
⇒ S 3Ø =
3

⇒ S 3Ø = VL . IL . 3 ( VA )

⇒ Potência ativa trifásica:

P3Ø = S1Ø . cos ϕ . 3 ⇒ P3Ø = VF . IL . 3 . cos ϕ (W) ou ,

P3Ø = S3Ø . cos ϕ ⇒ P3Ø = VL . IL . 3 . cos ϕ (W)

⇒ Potência reativa trifásica:

Q3Ø = S1Ø . sen ϕ . 3 ⇒ Q3Ø = VF . IL . 3 . sen ϕ (var) ou ,

Q3Ø = S3Ø. sen ϕ ⇒ Q 3Ø = VL . IL . 3 . senϕ (var)

4.3 Potência trifásica ( 3ø ) num circuito estrela desequilibrado

Num circuito estrela equilibrado ou desequilibrado, as potências ativa de cada fase


podem ser somadas, algebricamente, para se determinar a potência ativa trifásica
(P3Ø), o mesmo acontece com as potências reativas por fase que podem ser
somadas para se determinar a potência reativa trifásica (Q3Ø). Porém a potência
aparente trifásica (S3Ø) para um circuito estrela desequilibrado só pode ser
determinada através do teorema de Pitágoras.

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⇒ Potência ativa trifásica :

P3Ø = PØA + PØB + PØC (W)

⇒ Potência reativa trifásica :

Q3Ø = QØA + QØB + QØC (var)

⇒ Potência aparente trifásica :

P3Ø + Q 3Ø
2 2
S3Ø =

4.4 Fator de potência monofásico ou trifásico (3ø) num circuito estrela


equilibrado ou desequilibrado

⇒ Fator de potência monofásico:

P1Ø
FP1Ø =
S 1Ø

⇒ Fator de potência trifásico:

P3Ø
FP3Ø =
S 3Ø

5 POTÊNCIA EM CIRCUITOS TRIÂNGULO

Em um circuito triângulo equilibrado ou desequilibrado, a tensão na carga (VF)


corresponde a tensão de linha (VL) da rede.

Num circuito triângulo equilibrado, a corrente na linha de alimentação (IL) é √3 vezes


maior que a corrente na carga (IF). Porém, para os circuitos triângulo desequilibrado
a relação entre a corrente de linha (IL) e a de fase (IF) é diferente de √3.

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ILA
A
ØA
IF1

VF = VL VF = VL
VL = VAB
Z1 Z3
VL = VAC
ILB IF2 IF3
Z2
ØB
B C
VL = VBC VF = VL
ILC
ØC

Para se calcular a potência em um circuito triângulo deve proceder da seguinte


forma:

5.1 Potência monofásica (1ø) num circuito triângulo equilibrado ou


desequilibrado

Quando está se calculando as potências por fase, as expressões abaixo são usadas
tanto para o circuito triângulo equilibrado quanto para o desequilibrado. Devemos,
porém, observar que a corrente na carga é chamada de corrente de fase (IF), e que
a tensão na carga corresponde à tensão de linha (VL) da rede.

⇒ Potência aparente monofásica:

S1Ø = VL . IF (VA)

⇒ Potência ativa monofásica:

P1Ø = VL . IF . cos ϕ (W)

⇒ Potência reativa monofásica:

Q1Ø = VL . IF . sen ϕ (var)

5.2 Potência trifásica (3ø) num circuito triângulo equilibrado

As expressões para cálculo das potências trifásicas em um circuito triângulo


equilibrado não podem ser utilizadas para o circuito triângulo desequilibrado.

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⇒ Potência aparente trifásica:

S3Ø = VL . IF . 3 (VA)

IL
Como IF = , teremos:
3

IL IL 3 VL . IL . 3 . 3
S 3Ø = VL . .3 ⇒ S 3Ø = VL . .3. ⇒ S 3Ø =
3 3 3 9
VL . IL . 3 . 3
⇒ S 3Ø =
3

⇒ S 3Ø = VL . IL . 3 ( VA )

⇒ Potência ativa trifásica:

P3Ø = S1Ø . cos ϕ . 3 ⇒ P3Ø = VL . IF . 3 . cos ϕ (W) ou ,

P3Ø = S3Ø. cos ϕ ⇒ P3Ø = VL . IL . 3 . cos ϕ (W)

⇒ Potência reativa trifásica:

Q3Ø = S1Ø . sen ϕ . 3 ⇒ Q3Ø = VL . IF . 3 . sen ϕ (var) ou ,

Q3Ø = S3Ø. sen ϕ ⇒ Q 3Ø = VL . IL . 3 . senϕ (var)

5.3 Potência trifásica ( 3ø ) num circuito triângulo desequilibrado

Num circuito triângulo equilibrado ou desequilibrado, as potências ativas de cada


fase podem ser somadas, algebricamente, para se determinar a potência ativa
trifásica (P3Ø), o mesmo acontece com as potências reativas por fase que podem ser
somadas para se determinar a potência reativa trifásica (Q3Ø). Porém a potência

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aparente trifásica (S3Ø) para um circuito triângulo desequilibrado só pode ser


determinada através do teorema de Pitágoras.

⇒ Potência ativa trifásica:

P3Ø = PØA + PØB + PØC (W)

⇒ Potência reativa trifásica:


Q3Ø = QØA + QØB + QØC (var)

⇒ Potência aparente trifásica:

P3Ø + Q 3Ø
2 2
S3Ø =

5.4 Fator de potência monofásico ou trifásico (3ø) num circuito estrela


equilibrado ou desequilibrado

⇒ Fator de potência monofásico:

P1Ø
FP1Ø =
S 1Ø

⇒ Fator de potência trifásico:

P3Ø
FP3Ø =
S 3Ø

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6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O’ Malley John. Análise de Circuitos 2ª Edição

Gussow Millton. Eletricidade Básica

Kerchner & Corcoran. Circuitos de Corrente Alternada

Say M.G. Manual do Engenheiro Eletricista

Martignoni Alfonso. Eletrotécnica

Halliday & Resnick. Física

Valkenburgh Van, Nooger & Neville Inc. Eletricidade Básica

Apostilas de Eletrotécnica I, II e III - EFAP / CEMIG.

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