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Termodinâmica

Aplicada I

Prof. Dr. Alexandre Alves


TERMODINÂMICA APLICADA I

Ciclos de potência a gás


Objetivos

 Avaliar o desempenho dos ciclos de potência a gás para os quais o fluido de trabalho
permanece como um gás durante todo o ciclo;

 Desenvolver hipóteses simplificadoras que se aplicam aos ciclos de potência a gás;

 Estudar o funcionamento dos motores alternativos;

 Analisar os ciclos de potência a gás;

 Apresentar os ciclos Otto, Diesel, Stirling e Ericsson;

 Estudar o ciclo Brayton, o ciclo Brayton com resfriamento intermediário, reaquecimento e


regeneração;

 Analisar os ciclos de propulsão a jato;

 Identificar hipóteses simplificadas para a análise da segunda lei aplicada aos ciclos de
potência a gás;

 Realizar uma análise de segunda lei dos ciclos de potência a gás.


Considerações básicas na análise
dos ciclos de potência
 A maioria dos dispositivos que produzem potência opera em ciclos;
 Ciclo Ideal: Um ciclo que se parece muito com o ciclo real, mas que é formado
totalmente por processos internamente reversíveis;
 Ciclos Reversíveis como o Ciclo de Carnot têm a maior eficiência térmica de todas as
máquinas que operam entre os mesmos níveis de temperatura. Ao contrário dos ciclos
ideais, eles são totalmente reversíveis e inadequados como um modelo realista.

 Eficiência térmica:

A análise de
muitos
processos
complexos
pode ser
simplificada
com o uso de
A modelagem é uma ferramenta de algumas
engenharia poderosa que oferece idealizações
uma visão ampla e simples às custas
de uma certa perda de precisão.
As idealizações e simplificações na análise
dos ciclos de potência:
1. O ciclo não envolve qualquer atrito. Assim,
Em um diagrama T-s, a relação entre a o fluido de trabalho não sofre nenhuma
área interna à curva do ciclo e a área queda de pressão ao escoar em tubos ou
sob a curva do processo de dispositivos como os trocadores de calor;
fornecimento de calor representa a
eficiência térmica do ciclo. Toda 2. Todos os processos de expansão e
modificação que aumenta a razão entre compressão ocorrem de forma quase
essas duas áreas também aumentará a estática;
eficiência térmica do ciclo.
3. Os tubos que conectam os diversos
componentes de um sistema são bem
É preciso tomar cuidado com a interpretação isolados e a transferência de calor ao
dos resultados dos ciclos ideais
longo deles é desprezível.

Nos diagramas P-v e T-s, a área delimitada pela curva do


processo representa o trabalho líquido do ciclo.
O ciclo de Carnot e o seu
valor para a engenharia

 O ciclo de Carnot é composto por quatro processos


totalmente reversíveis: fornecimento isotérmico de calor,
expansão isentrópica, rejeição isotérmica de calor e
compressão isentrópica.

 Para os ciclos ideal e real: A eficiência térmica aumenta


com o aumento da temperatura média com a qual o calor
é fornecido ao sistema, ou com a diminuição da
temperatura média com a qual o calor é rejeitado pelo
sistema.

Diagramas P-v e T-s de um


Uma máquina de Carnot com escoamento em regime permanente ciclo de Carnot.
HIPÓTESES DO PADRÃO A AR

Hipóteses do padrão a ar:

1. O fluido de trabalho é o ar, o qual circula


continuamente em circuito fechado,
sempre se comportando como um gás
ideal;
2. Todos os processos que formam o ciclo são
internamente reversíveis;
3. O processo de combustão é substituído por
um processo de fornecimento de calor a
partir de uma fonte externa;
4. O processo de exaustão é substituído por
um processo de rejeição de calor que
restaura o fluido de trabalho ao seu estado
O processo de combustão é substituído inicial.
por um processo de fornecimento de
calor nos ciclos ideais.

Hipóteses do padrão a ar frio: Quando o fluido de trabalho é considerado como ar com


calores específicos constantes, determinados à temperatura ambiente (25°C).
Ciclo padrão ar: Um ciclo ao qual se aplicam as hipóteses do padrão a ar.
UMA VISÃO GERAL DOS
MOTORES ALTERNATIVOS
Taxa de compressão
do motor (r):
Pressão média
eficaz (PME):

• Motores de ignição por centelha


• Motores de ignição por compressão

Os volumes deslocado e morto


de um motor alternativo

O trabalho líquido de um ciclo é


Nomenclatura dos motores equivalente ao produto entre a pressão
alternativos média eficaz e o volume deslocado
CICLO OTTO: O CICLO IDEAL DOS MOTORES
DE IGNIÇÃO POR CENTELHA

Ciclo real e ideal dos motores de ignição por centelha e seus diagramas P-v.
CICLO OTTO: O CICLO IDEAL DOS MOTORES
DE IGNIÇÃO POR CENTELHA
Ciclo de quatro cursos Os motores de dois tempos em
1 ciclo = 4 cursos = 2 revoluções geral são menos eficientes do que
Ciclo de dois cursos os seus equivalentes de quatro
1 ciclo = 2 cursos = 1 revolução tempos, porém eles são
relativamente simples e baratos, e
1-2 Compressão isentrópica têm melhores relações potência-
2-3 Fornecimento de calor a volume constante peso e potência-volume.
3-4 Expansão isentrópica
4-1 Rejeição de calor a volume constante

Diagrama
T-s do
ciclo Esquema de um motor
Otto. alternativo de dois tempos.
Em motores
de ignição por
centelha, a
taxa de
compressão é
limitada pela
autoignição ou
“batida do
motor”.
A eficiência térmica do ciclo Otto ideal
A eficiência térmica do ciclo Otto ideal em aumenta com a razão dos calores
função da razão de compressão (para k = 1,4). específicos k do fluido de trabalho.
CICLO OTTO: O CICLO IDEAL DOS MOTORES
DE IGNIÇÃO POR CENTELHA

Um motor automotivo com a câmara de combustão visível


CICLO DIESEL: O CICLO IDEAL DOS MOTORES
DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO
Nos motores Diesel, somente o ar é comprimido durante o
curso de compressão, eliminando assim a possibilidade de
autoignição (batida do motor). Portanto, os motores Diesel
são projetados para operarem a taxas de compressão mais
altas do que a dos motores de ignição por centelha,
normalmente entre 12 e 24.

1-2 compressão
isentrópica
2-3 adição de
calor a pressão
constante
3-4 expansão
isentrópica
4-1 rejeição de
calor a volume
constante
volume.

Nos motores Diesel, a vela de Ignição é


substituída por um injetor de
combustível, e apenas o ar é comprimido
durante o processo de compressão. Diagramas T-s e P-v do ciclo Diesel ideal.
Taxa de
corte

Para a mesma taxa compressão

Eficiência
térmica do
ciclo Diesel
ideal em
função das
razões de
compressão e
de corte
Diagramas T-s e P-v do ciclo Diesel ideal. (k=1,4).
CICLO DIESEL: O CICLO IDEAL DOS MOTORES
DE IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO
Ciclo dual: Um modelo de ciclo ideal
mais realista para uma
representação motores modernos de
ignição por compressão de alta
velocidade.

Diagrama P-v de um ciclo dual ideal.


CICLOS STIRLING E ERICSSON
Os ciclos de Stirling e Ericsson são
totalmente reversíveis, assim como o ciclo
Os ciclos Stirling e Ericsson transmitem de Carnot, e portanto:
uma importante mensagem ao
engenheiros: A regeneração pode
aumentar a eficiência.
O ciclo Ericsson é muito parecido com o ciclo
Stirling, exceto pelos dois processos a volume
constante que são substituídos por dois
processos a pressão constante.

Um motor Ericsson operando com escoamento


A execução de um ciclo Stirling. em regime permanente.
CICLOS STIRLING E ERICSSON

 1-2 Expansão a T = constante (fornecimento de calor da fonte externa)


 2-3 Regeneração a v = constante (transferência de calor interna do fluido de trabalho para o
regenerador)
 3-4 Compressão a T = constante (rejeição de calor para o sumidouro externo)
 4-1 Regeneração a v = constante (transferência de calor interna do regenerador de volta para o
fluido de trabalho)

Um regenerador é um dispositivo que


toma emprestada a energia do fluido
de trabalho durante uma parte do
ciclo e a devolve (sem juros) durante
a outra parte do ciclo.
CICLO BRAYTON: O CICLO IDEAL DAS
TURBINAS A GÁS
O ciclo de turbinas a gás aberto pode ser modelado como um ciclo fechado, substituindo o
processo de combustão por um processo de fornecimento de calor a pressão constante a
partir de uma fonte externa, e processo de exaustão é substituído por um processo de
rejeição de calor a uma pressão constante ao ar ambiente.

1-2 Compressão isentrópica (em um compressor)


2-3 Fornecimento de calor a pressão constante Uma turbina a gás de ciclo fechado.
3-4 Expansão isentrópica (em uma turbina)
4-1 Rejeição de calor a pressão constante

Uma turbina a gás de ciclo aberto.


CICLO BRAYTON: O CICLO IDEAL DAS
TURBINAS A GÁS

Taxa de
compressão

Eficiência
térmica do Ciclo
Brayton ideal em
Diagramas T-s e P-v para o função da taxa
ciclo Brayton ideal. de compressão.
CICLO BRAYTON: O CICLO IDEAL DAS
TURBINAS A GÁS
As duas principais áreas de Desenho de uma turbina a gás de aplicação aeronáutica.
aplicação de turbinas a gás são a
propulsão aeronáutica e a
geração de energia elétrica.

Para valores fixos de Tmín e Tmáx, o trabalho


líquido do ciclo Brayton ideal primeiro
aumenta com a taxa de compressão, atinge Uma fração do trabalho gerado pela turbina é
um máximo para rp = (Tmáx/Tmín)k/[2(k - 1)] e, consumido pelo compressor para que o sistema
finalmente, diminui. entre ou mantenha sua autossustentação.
CICLO BRAYTON: O CICLO IDEAL DAS
TURBINAS A GÁS

 A maior temperatura no ciclo é limitada


pela máxima temperatura que as pás da
turbina podem suportar. Isso também
limita as taxas de compressão que podem
ser usadas no ciclo.

 O ar nas turbinas a gás realiza duas


funções importantes: fornecer à câmara
de combustão oxidante suficiente para
que as reações exotérmicas ocorram em
seu interior; atuar como fluido de
resfriamento para manter a temperatura
de diversos componentes dentro de
limites seguros.

 Em turbinas a gás, a razão ar-combustível


de 50 ou mais não é rara. Por esse
Pá do componente turbina (de alta pressão) com motivo, em uma análise de ciclo, tratar
fixação pela raiz no disco e resfriamento por os produtos de combustão como se
passagem de ar, o qual é obtido (“sangrado”) de fossem ar não implica em erros
um estágio intermediário do componente
compressor axial de uma turbina a gás.
consideráveis.
DESENVOLVIMENTO DE TURBINAS A GÁS

1. Aumento da temperatura de entrada no componente turbina;


2. Aumento das eficiências dos componentes das turbomáquinas (turbinas, compressores);
3. Adicionando modificações ao ciclo básico (resfriamento intermediário ou “intercooling”,
regeneração ou recuperação, e reaquecimento).

Diferenças entre ciclos de turbinas


a gás reais e idealizados
Razões: Irreversibilidades nos componentes turbina,
compressor, rolamentos ou mancais, câmara de
combustão; perda de pressão, perda de calor etc

Eficiência isentrópica do compressor e da turbina:

A diferença entre um ciclo Brayton ideal


e um real devido às irreversibilidades.
CICLO BRAYTON COM REGENERAÇÃO

 Em turbinas a gás a temperatura dos gases de exaustão que


saem do componente turbina é mais alta do que a
temperatura do ar que sai do compressor;

 Assim, o ar em alta pressão que sai do compressor pode ser


aquecido pelos gases quentes de exaustão em um trocador de
calor do tipo contracorrente (regenerador ou recuperador);

 A eficiência térmica do ciclo Brayton aumenta com a


utilização de regeneração, uma vez que diminui a quantidade
de calor que deve ser fornecida, e consequentemente
combustível, para o mesmo trabalho líquido produzido.

Diagrama T-s de um ciclo


Brayton com regeneração.

Uma turbina a gás com recuperador.


Efetividade do recuperador

Efetividade dentro das hipóteses do padrão


a ar frio

Eficiência térmica dentro as


hipóteses do padrão ar frio

Diagrama T-s de um ciclo


Brayton com regeneração.

 A eficiência térmica depende da razão


entre as temperaturas mínimas e
máximas, bem como da razão de
pressão; Eficiência
térmica
 Regeneração é mais eficaz a razões de do ciclo
pressão mais baixas e a baixas razões Brayton ideal
entre as temperaturas mínimas e com e sem
máximas. regeneração.
CICLO BRAYTON COM RESFRIAMENTO
INTERMEDIÁRIO, REAQUECIMENTO E
REGENERAÇÃO

Para minimizar o trabalho fornecido ao compressor


e maximizar o trabalho realizado pela turbina:

Uma turbina a gás com compressor de dois estágios com resfriamento intermediário, expansão de dois
estágios com reaquecimento e regeneração e seu diagrama T-s .
 Compressão de múltiplos estágios com resfriamento intermediário: O
trabalho necessário para comprimir o ar entre duas pressões especificadas
pode ser reduzido através da realização do processo de compressão em
estágios com o resfriamento do ar entre eles. Isso mantém o volume
específico o menor possível;
 Expansão de múltiplos estágios com reaquecimento: Mantém o volume
específico do fluido de trabalho o maior possível durante o processo de
expansão, maximizando, assim, o trabalho realizado pela turbina;

Comparação entre
as quantidades de
trabalho
fornecidas a um
compressor de um
único estágio
(1AC) e a um
compressor de À medida que o número de estágios de
dois estágios com compressão e expansão aumenta, o ciclo de
resfriamento turbina a gás com resfriamento
intermediário intermediário, reaquecimento e
(1ABD). regeneração se aproxima do ciclo Ericsson.
CICLOS DE PROPULSÃO A JATO IDEAIS

 Turbinas a gás são amplamente usados em aeronaves, porque são leves e compactos além
de terem uma alta relação potência-peso;
 As turbinas a gás das aeronaves operam em ciclo aberto chamado de ciclo de propulsão a
jato;
 O ciclo de propulsão a jato ideal difere do ciclo Brayton simples ideal, uma vez que os
gases não expandem até a pressão ambiente no interior da turbina. Em vez disso, eles
expandem até uma pressão na qual a potência produzida pela turbina é suficiente apenas
para acionar o compressor e os equipamentos auxiliares;
 O trabalho líquido produzido em um ciclo de propulsão a jato é zero. Os gases que deixam
a turbina a uma pressão relativamente alta são posteriormente acelerados em um bocal
para fornecer empuxo e mover a aeronave;
 Aeronaves são acionadas pela aceleração de um fluido na direção oposta ao movimento.
Isso é realizado pela ligeira aceleração de uma grande massa de fluido (motor a hélice)
ou pela forte aceleração de uma pequena massa de fluido (motor a jato ou turbojato) ou
ambos (motor turboélice).
Nos motores a jato,
os gases a alta
temperatura e
pressão que deixam a
turbina são
acelerados em um
bocal para produzir
empuxo.
CICLOS DE PROPULSÃO A JATO IDEAIS

Empuxo (força propulsiva)


Eficiência propulsiva

Potência propulsiva

A potência de propulsão
é o empuxo agindo
sobre o avião ao longo
de uma distância por
unidade de tempo.

Componentes básicos de um motor turbojato e o diagrama T-s do ciclo turbojato ideal.


MODIFICAÇÕES EM MOTORES TURBOJATOS

 Os primeiros aviões construídos eram movimentados


por hélices, acionadas por motores que,
essencialmente, eram idênticos aos motores de
automóveis;
 Os motores a hélice e os motores a jato têm suas
próprias vantagens e limitações e várias tentativas
foram feitas para combinar as características
positivas de ambos em um só motor;
 Duas dessas modificações são o motor turbofan e o A energia fornecida para uma aeronave
motor turboélice. (a partir da oxidação do combustível)
manifesta-se de várias formas.

O motor mais utilizado na


propulsão de aviões é o
turbofan, no qual um
grande ventilador movido
pela turbina força uma
quantidade considerável
de ar através de um duto
que envolve o motor.

Um motor turbofan.
Vários tipos de motores:
Turbofan, turboélice, Ramjet

Um motor moderno usado


para equipar a aeronave da
Boeing modelo 777. Este
motor é um turbofan
modelo PW4084 da
fabricante Pratt & Whitney
capaz de produzir 374 kN
de empuxo. Ele tem 4,87 m
de comprimento, ventilador
com 2,84 m de diâmetro e
peso de 6.800 kg.

Um motor ramjet gera empuxo até Mach 6


Um motor turboélice. (motor sem partes rotativas)
Scramjet (supersonic combustion ramjet)
teoricamente gera empuxo até Mach 24
Desenho ilustrativo do veículo com motor Scramjet
em desenvolvimento pela FAB – DCTA/IEAv.

Comparação entre o
funcionamento de
diferentes motores:
(a) Turbojato
(b) Ramjet
(c) Scramjet

Desenho
esquemático do
veículo com motor
Scramjet em
desenvolvimento
pela FAB – DCTA/IEAv.
Vários tipos de motores:
motor foguete a propelente sólido
Vários tipos de motores:
motor foguete a propelente líquido

Motor foguete a
propelente
líquido brasileiro
- L75 - capaz de
gerar 75 kN de
empuxo (vácuo).
Desenvolvido
pela FAB no
DCTA/IAE para
operar como
motor de
terceiro estágio,
ele é alimentado
com etanol e
oxigênio líquido.
Resumo
 O ciclo de Carnot e o seu valor para a engenharia

 Hipóteses do padrão a ar

 Uma visão geral dos motores alternativos

 Ciclo Otto: o ciclo ideal dos motores de ignição por centelha

 Ciclo Diesel: o ciclo ideal dos motores de ignição por compressão

 Ciclos Stirling e Ericsson

 Ciclo Brayton: o ciclo ideal das turbinas a gás

 Ciclo Brayton com regeneração

 Ciclo Brayton com resfriamento intermediário, reaquecimento e regeneração

 Ciclos de propulsão a jato ideais

 Modificações em motores turbojatos

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