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Química Geral e

Inorgânica Aplicada
à Farmácia
Material Teórico
Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Fernando Perna

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Funções Inorgânicas;
Teorias Ácido-Base

• Introdução;
• Funções Inorgânicas;
• Outras Definições de Ácidos e Bases.

OBJETIVOS DE APRENDIZADO
• Reconhecer as funções inorgânicas e as suas características;
• Conhecer as principais teorias ácido-base.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de
aprendizagem.
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Introdução
São conhecidos milhões de substâncias químicas, que apresentam as mais diversas
características. Em toda essa variedade, é possível encontrar substâncias com proprie-
dades similares, denominadas propriedades funcionais. Famílias de substâncias que
possuem propriedades químicas semelhantes são denominadas funções. Em Química
Inorgânica, as funções mais importantes são os ácidos, as bases, os sais e os óxidos.

As similaridades nas propriedades químicas originam-se de semelhanças estrutu-


rais. Assim, substâncias que pertencem à mesma função química devem ter alguma
semelhança estrutural – um átomo ou conjunto de átomos em comum que lhes
confere as propriedades observadas.

Funções Inorgânicas
Ácidos
A palavra ácido deriva do latim acidus = azedo, em referência ao seu sabor.
Substâncias ácidas são conhecidas desde a Antiguidade, como o vinagre, o leite
coalhado e o suco de limão; provavelmente a mais antiga delas seja o ácido acético.

Os ácidos são substâncias facilmente encontradas no dia a dia. Por exemplo, po-
dem ser encontradas no vinagre (ácido acético), sucos de frutas (uva – ácido tartárico,
maçã – ácido málico, laranja – ácido cítrico), refrigerantes (ácido carbônico e, às vezes,
ácido fosfórico), alguns medicamentos (ácido acetilsalicílico – Aspirina®, ácido hialurô-
nico), no suco gástrico (ácido clorídrico) e baterias de automóveis (ácido sulfúrico).

Você Sabia? Importante!

Os ácidos são substâncias muito importantes, com uma grande variedade de aplicações
industriais. O volume de produção de ácido sulfúrico é um indicador do nível de atividade
econômica de um país.

O químico francês Nicolas Lémery foi um dos primei-


ros a desenvolver uma teoria sobre os ácidos, em 1680,
afirmou que a acidez de uma substância seria causada
pelo fato de os ácidos serem constituídos por “corpúscu-
los pontiagudos” (Figura 1).

Lavoisier acreditava que os ácidos se originassem da Figura 1 – Concepção de


Lémery de uma partícula de
mistura entre óxidos de não-metais e água. Em 1776,
uma substância ácida; as partes
afirmou que todos os ácidos deveriam conter oxigênio
pontiagudas seriam responsáveis
em suas estruturas; embora errada, essa foi a primeira pelo sabor picante característico
tentativa de caracterizar os ácidos quimicamente. Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

8
Por volta de 1810, o químico britânico Humphry Davy demonstrou que o
ácido clorídrico (HCl) é constituído apenas por hidrogênio e cloro, contrariando
a afirmação de Lavoisier de que todos os ácidos deveriam conter oxigênio; fez a
mesma observação para os ácidos sulfídrico (H2S) e telurídrico (H2Te) e sobre os
demais ácidos de halogenídricos1 então conhecidos. Contudo, Davy não formu-
lou uma teoria ácido-base, acreditando que a acidez não dependesse de nenhum
elemento específico.

Você Sabia? Importante!

O ácido clorídrico foi produzido pela primeira vez em torno do ano 800 pelo alquimista
árabe Jābir Ibn Hayyān, conhecido como o pai da Química árabe, ao reagir o cloreto de
sódio com ácido sulfúrico:
2 NaCl + H2SO4 → Na2SO4 + 2 HCl

Com base em trabalhos sobre a composição química de ácidos orgânicos, o


cientista alemão Justus Freiherr von Liebig propôs, em torno de 1838, que um
ácido seria uma substância contendo hidrogênio que poderia ser substituído por
um metal, numa alusão à reação característica de ácidos (dissolução de metais).
A definição de Liebig, completamente empírica, permaneceu em uso por quase
50 anos.

O conceito de que o hidrogênio era o responsável pelo comportamento ácido


foi amplamente aceito, mas a existência de substâncias hidrogenadas não ácidas,
como o amoníaco (NH3) e o metano (CH4), não era explicada. Apenas no final do
século XIX, o sueco Svante August Arrhenius apresentou a primeira explicação
satisfatória para o comportamento dos ácidos.

Definição
Durante a elaboração da sua tese de doutorado, o cientista sueco Svante Au-
gust Arrhenius realizou diversas experiências com substâncias em meio aquoso e
atribuiu as propriedades de acidez à presença do íon H+. Disso, originou-se a sua
definição de ácido (1887):

Ácido de Arrhenius: “ácido é toda substância que em solução aquosa sofre


ionização, produzindo como cátion exclusivamente o íon H+”.

Exemplos:

HCl + H2O → H3O+ + Cl–

CH3CO2H + H2O → H3O+ + CH3CO2–

1
Ácidos de halogênios – HF, HCl, HBr e HI.

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9
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Você Sabia? Importante!

As teorias de Arrhenius enfrentaram grande resistência. A sua tese de doutorado sobre


a dissociação iônica, apresentada em 1884 na Universidade de Uppsala (Suécia), que o
levou à sua definição de ácidos e bases, quase foi rejeitada, sendo aprovada com a nota
mínima. Entretanto, extensões desse trabalho lhe valeram o Prêmio Nobel de Química
de 1903.

Como o cátion H+ é um próton (núcleo de hidrogênio), ele não é estável em


solução; assim, o próton associa-se a uma molécula de água, formando o íon H3O+
(hidrônio ou hidroxônio):

H+ + H2O → H3O+

Por simplicidade, costuma-se escrever H+ no lugar de H3O+:

HO
HCl(g) 
2
 H+(aq) + Cl–(aq)
HO
CH3CO2H(l) 
2
 H+(aq) + CH3CO2–(aq)

Propriedades
Os ácidos possuem as seguintes características:
• têm sabor azedo;
• podem ser sólidos, líquidos ou gasosos (Figura 2);

Figura 2 – O ácido benzóico é um sólido cristalino (esquerda); o ácido sulfúrico 98% é um líquido incolor
(centro); enquanto que uma solução concentrada de ácido clorídrico libera vapores da molécula (direita)
Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons

• as suas soluções aquosas são condutoras de corrente elétrica;


• atuam sobre a coloração de indicadores ácido-base;

10
• reagem com metais, liberando H2;
• reagem com bases, formando sal e água.

Indicadores ácido-base são substâncias que apresentam diferentes colorações quando em


Explor

solução, dependendo da acidez do meio. Existe uma grande variedade de indicadores, que
exibem diferentes cores que se alteram em diferentes graus de acidez (pH).

Formulação e nomenclatura
A formulação de ácidos é feita combinando o cátion H+ com o ânion adequado.
Para se obter o nome do ácido a partir do ânion, utiliza-se o conjunto de termina-
ções da Tabela 1.

Tabela 1 – Nomenclatura de ácidos


nome do ânion nome do ácido
. . . ito . . . oso
. . . ato . . . ico
. . . eto . . . ídrico

Exemplos:
• ânion: nitrito ⇒ ácido: nitroso
ácido nitroso ⇒ H+ e NO2− ⇒ HNO2
• ânion: carbonato ⇒ ácido: carbônico as moléculas dos ácidos
são espécies químicas
ácido carbônico ⇒ H+ e CO32− ⇒ H2CO3 eletricamente neutras
• ânion: sulfeto ⇒ ácido: sulfídrico
ácido sulfídrico ⇒ H+ e S2− ⇒ H2S

A nomenclatura de ácidos formados a partir de ânions oxigenados de enxofre e


de fósforo foge um pouco da regra (Tabela 2).

Tabela 2 – Nomenclatura de oxiácidos de fósforo e enxofre


ânion ácido
fórmula nome fórmula nome
H2PO2 –
hipofosfito H3PO2 hipofosforoso
HPO3 2–
fosfito H3PO3 fosforoso
PO4 3–
fosfato H3PO4 fosfórico
SO32– sulfito H2SO3 sulfuroso
SO42– sulfato H2SO4 sulfúrico
S2O3 2–
tiossulfato H2S2O3 tiossulfúrico

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11
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Explor
A rigor, a palavra “ácido” só deve ser usada após a formação dos íons; na forma pura, usa-se
a nomenclatura de um derivado de hidrogênio. Por exemplo, em solução aquosa refere-se
a HCl e HNO3 como ácido clorídrico e ácido nítrico, porém, quando puros, são denominados
cloreto de hidrogênio e nitrato de hidrogênio. Contudo, essa distinção normalmente não é
feita e, a substância é chamada de “ácido” estando ionizada ou não.

Classificação
Os ácidos podem ser classificados segundo diferentes critérios, que levam em
conta diferentes aspectos das moléculas.

Número de hidrogênios ionizáveis


O átomo de hidrogênio ionizável de um ácido é aquele que forma o íon H+ quan-
do a substância é colocada em meio aquoso:

HO
HA 
2
 H+(aq) + A–(aq)

Em oxiácidos, o átomo de hidrogênio ionizável é necessariamente aquele ligado ao átomo


Explor

de oxigênio.

• monoácidos ou monopróticos: possuem 1 hidrogênio ionizável

HCl, HCN, HNO2

• diácidos ou dipróticos: possuem 2 hidrogênios ionizáveis

H2CO3, H2SO4, H2Se

• triácidos ou tripróticos: possuem 3 hidrogênios ionizáveis

H3BO3, H3PO4, H3AsO4

• tetrácidos ou tetrapróticos: possuem 4 hidrogênios ionizáveis

H4B2O5, H4P2O7, H4SiO4

Importante! Importante!

ácido hipofosforoso ⇒ H3PO2 ⇒ monoácido


ácido fosforoso ⇒ H3PO3 ⇒ diácido

12
O O

H P OH H P OH

H OH
ácido hipofosforoso ácido fosforoso
2 átomos de hidrogênio 1 átomo de hidrogênio
não ionizáveis não ionizável
Figura 3

Presença de oxigênio
A presença de átomos de oxigênio é um critério muito importante para a classi-
ficação dos ácidos; podem ser:
• hidrácidos ou não oxigenados

HF, H2S, HN3

• oxiácidos ou oxigenados

HBrO, H3PO4, H2C2O4

Presença de carbono
Considerando a presença de átomos de carbono, os ácidos podem ser divididos
em duas categorias:
• orgânicos: apresentam carbono e na estrutura existe pelo menos um grupo
O
carboxila ( C , também representado por –COOH ou –CO2H)2
O –

CH3CO2H, C6H5CO2H, HO2CCH2CO2H

• inorgânicos: não apresentam carbono na sua estrutura ou o carbono não


forma nenhuma carboxila

HNO3, H2SeO4, HCN

Grau de ionização (força)


Todos os ácidos são compostos covalentes; porém, uma vez em água, formam-
-se os íons H+ e o ânion correspondente ao restante da molécula. O processo de
formação de íons onde eles não existiam previamente é chamado ionização
(Figura 4).

2
Existem outras classes de compostos orgânicos que também são ácidos, como os ácidos sulfônicos (RSO3H), os
ácidos sulfínicos (RSO2H) e os ácidos fosfônicos [RP(O)(OH)2], porém, os ácidos carboxílicos (RCO2H) são os mais
importantes (R representa uma cadeia carbônica qualquer).

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UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Figura 4 – ionização de moléculas de HCl em água; não existem íons antes da adição à água
Fonte: adaptado de socratic.org

A ionização de um ácido é um processo reversível:

H–A ⇌ H+ + A–

A forma de medir o quanto um ácido sofreu ionização é feita através do grau de


ionização (α):

nº de mols ionizados
α=
nº de mols dissolvidos

O grau de ionização de um ácido pode variar da seguinte maneira:

0 < α < 1   ou, percentualmente   0 < % de ionização < 100

Com base nesse critério, os ácidos são classificados em:


• fracos: α < 0,05

HCN: α = 0,00035 ou α = 0,035%; HClO: α = 0,0024 ou α = 0,24%3

• moderados: 0,05 ≤ α < 0,5

HCO2H: α = 0,17 ou α = 17%; HF: α = 0,31 ou α = 31%3

• fortes: α ≥ 0,5

H2SO4: α = 0,61 ou α = 61%; HCl: α = 0,92 ou α = 92%

3
Calculado, considerando soluções 0,05 mol/L a 25 °C.

14
Explor
A mistura dos ácidos nítrico (HNO3) e clorídrico (HCl) concentrados na proporção molar de
1:3 forma um líquido altamente corrosivo chamado água régia (do latim aqua regia = água
real). Recebe esse nome porque pode dissolver os metais nobres ouro e platina (embora nem
todos os metais).
A mistura de volumes iguais dos ácidos sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3) concentrados é de-
nominada mistura sulfonítrica. Corrosiva e oxidante, é utilizada em sínteses orgânicas e na
limpeza de vidraria de laboratório.

Para ácidos fracos, o grau de ionização varia com a temperatura e com a con-
centração da solução:

aumento da temperatura
⇒ aumento do grau de ionização
diminuição da concentração

Importante! Importante!

Quanto mais forte for um ácido, maior será a quantidade de íons H+ formada e, conse-
quentemente, maior será o seu grau de ionização.

Na ausência de informações sobre o grau de ionização, existem regras empíricas


simples que indicam a força de um ácido:
• hidrácidos:
» fortes: HCl, HBr e HI
» moderado ou semiforte: HF
» fracos: os demais (HCN, HN3, H2S, H2Se)
• oxiácidos: considere um oxiácido com a fórmula geral no formato

HxEOy

em que “y – x” representa o número de átomos de hidrogênio ionizáveis; assim:


» y – x = 0: ácido fraco (HBrO, H3BO3)
» y – x = 1: ácido moderado (HNO2, H3PO4)
» y – x = 2: ácido forte (HIO3, H2SO4)
» y – x = 3: ácido muito forte (HClO4, H4P2O7)

H2SO4 ⇒ y – x = 2 ⇒ ácido forte

H3PO4 ⇒ y – x = 1 ⇒ ácido moderado

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UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Importante! Importante!

H2CO3
y – x = 1  ⇒  porém, são ácidos fracos
H2SO3
(são instáveis, sofrem decomposição)
H2S2O3
〈H2CO3〉 → H2O + CO2
〈H2SO3〉 → H2O + SO2
〈H2S2O3〉 → H2O + SO2 + S

A representação de substâncias entre colchetes, como feito acima, indica que elas são instá-
Explor

veis, decompondo-se pouco tempo depois de formadas.

Ácidos fracos têm associados a si uma constante de ionização (Ka); quanto mais
favorável for a ionização, mais forte será o ácido e maior será o valor de Ka.

Ionização de ácidos polipróticos


Quando em água, ácidos polipróticos ionizam-se em etapas, liberando um íon
H por vez. O processo é reversível, sendo descrito por uma constante de equilí-
+

brio Ka:

H3PO4 ⇌ H+ + H2PO4–  Ka1 = 7,1 × 10–3


a ionização torna-se
H2PO4– ⇌ H+ + HPO42–  Ka2 = 6,3 × 10–8 ⇒
cada vez mais difícil
HPO42– ⇌ H+ + PO43–  Ka3 = 5,5 × 10–13

Bases
O termo base foi utilizado pela primeira vez em 1717 pelo químico francês Lou-
is Lémery como sinônimo do conceito alquímico de “matriz”4. O seu significado
moderno é atribuído ao químico francês Guillaume-François Rouelle, o qual, em
um texto de 1754 sobre sais, mencionava substâncias que formavam uma base
não-volátil para a fixação de ácidos voláteis5, cancelando os seus efeitos corrosivos.
A propriedade das bases como opostas aos ácidos havia sido postulada no século
XVII pelo alquimista alemão Otto Tachenius.

4
Postulado da Alquimia sobre a mulher, que seria o sagrado feminino com a responsabilidade de procriar – termo
relacionado ao processo criativo em geral, não apenas à geração de filhos.
5
A maioria dos ácidos conhecidos no século XVIII eram líquidos voláteis ou “espíritos”, capazes de destilação.

16
Em extensão à sua teoria sobre ácidos de 1680, Lémery afirmou que substâncias
básicas seriam formadas por “corpúsculos” contendo poros de diferentes dimen-
sões (Figura 5).

Figura 5 – Concepção de Lémery de uma partícula


de uma substância básica, caracterizada pela
presença de poros de diferentes tamanhos
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

Lavoisier afirmava que bases resultavam da mistura de óxidos metálicos com


água. Contudo, a primeira definição moderna de bases em termos estruturais foi
concebida por Arrhenius.

A exemplo de o que ocorre com os ácidos, as bases também podem ser encon-
tradas no dia a dia: algumas frutas (banana, caju e caqui, que “amarram” na boca
por diminuírem a salivação), antiácidos [Mg(OH)2 e Al(OH)3], produtos de limpeza,
sabões, sabonetes e água de cal [Ca(OH)2].

O termo álcali, sinônimo de substância básica, foi criado no século VIII por Jābir Ibn-Hayyān.
Explor

A palavra deriva do árabe al qalīy = cinzas, numa alusão à tradicional fonte de substâncias
básicas (o extrato aquoso de cinzas de vegetais queimadas, chamado potassa, é composto
principalmente por carbonato de potássio, que é moderadamente básico).

Definição
As mesmas experiências que fundamentaram a definição de ácidos também
levaram Arrhenius à definição de bases (1887):

Base de Arrhenius: “base é toda substância que em solução aquosa sofre disso-
ciação iônica, produzindo como ânion exclusivamente o íon OH–”.

Exemplos:

HO
NaOH(s) 
2
 Na+(aq) + OH–(aq)

HO
Ca(OH)2(s) 
2
 Ca2+(aq) + 2 OH–(aq)

As bases são formadas por cátions metálicos simples e pelo ânion hidroxila
(OH−); a única base importante formada por um cátion não-metálico é o hidróxido
de amônio (NH4OH).

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UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Propriedades
As bases possuem as seguintes características:
• têm sabor adstringente;6
• podem ser coloridas; quando isso acontece, a cor deve-se à presença de cá-
tions de metais de transição (link abaixo);

Tubos de ensaio contendo hidróxido de ferro(II) (esquerda), hidróxido de ferro(III) (centro) e


Explor

hidróxido de cobre(II) (direita): http://bit.ly/2JDJBOA

• as suas soluções aquosas são condutoras de corrente elétrica;


• atuam sobre a coloração de indicadores ácido-base;
• reagem com ácidos, formando sal e água.

Formulação e nomenclatura
Para escrever a fórmula de uma base, usa-se o ânion OH− combinado com o
cátion adequado:

M(OH)x ⇒ hidróxido de . . . . . . . . . . .
nome de M

Exemplos:
• cátion: potássio ⇒ base: hidróxido de potássio
K+ e OH− ⇒ KOH

• cátion: alumínio ⇒ base: hidróxido de alumínio as bases são


espécies químicas
Al3+ e OH− ⇒ Al(OH)3
eletricamente neutras
• cátion: cobre(II) ⇒ base: hidróxido de cobre(II)
Cu2+ e OH− ⇒ Cu(OH)2

Obs.: se o cátion metálico puder apresentar diferentes números de oxidação (ex.,


Cr+2+ e Cr3+, Fe2+ e Fe3+), esses devem ser indicados com algarismos romanos no
nome da base; ex.: hidróxido de crômio(III).

Classificação
As bases podem ser classificadas segundo diferentes critérios:

6
Que aperta, contrai; que causa uma sensação de aperto da mucosa bucal.

18
Número de íons hidroxila
• monobases: possuem 1 hidroxila

LiOH, NH4OH, AuOH

• dibases: possuem 2 hidroxilas

Sr(OH)2, Co(OH)2, Cd(OH)2

• tribases: possuem 3 hidroxilas

Bi(OH)3, Fe(OH)3, Ni(OH)3

• tetrabases: possuem 4 hidroxilas

Mn(OH)4, Sn(OH)4, Ti(OH)4

Solubilidade em água
A solubilidade em água é uma propriedade importante das bases, pois é a partir
dela que os íons OH–, que definem uma base, são liberados; podem ser:
• muito solúveis: de metais alcalinos e de amônio

LiOH, RbOH, NH4OH

• pouco solúveis: de metais alcalino-terrosos, exceto Mg(OH)2

Ca(OH)2, Sr(OH)2, Ba(OH)2

• insolúveis: as demais, incluindo Mg(OH)2

Mg(OH)2, Bi(OH)3, Pb(OH)4

Grau de dissociação (força)


À exceção do hidróxido de amônio (NH4OH),
todas as bases são compostos iônicos, forma-
das por um cátion metálico e pelo ânion OH–.
Como observado por Arrhenius, ao se dissolve-
rem em água, liberam os seus íons no solvente.
O processo de separação de íons já existentes
é chamado dissociação (Figura 6).

A forma de medir o quanto uma base se dis-


sociou é feita através do grau de dissociação (α): Figura 6 – Dissociação de um cristal
de KOH em água; os íons K+ e OH– existem
α=
nº de mols dissociados antes da adição em água
nº de mols dissolvidos Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons e socratic.org

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UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

O grau de dissociação de uma base pode variar da seguinte maneira:

0 < α < 1   ou, percentualmente   0 < % de dissociação < 100

Com base nesse critério, as bases são classificadas em:


• fortes: α ≥ 0,5 ⇒ bases solúveis [metais alcalinos e alcalino-terrosos, ex-
ceto Mg(OH)2]

NaOH, KOH, Ca(OH)2, Ba(OH)2

A solução hidroalcoólica concentrada de hidróxido de potássio (KOH) é denominada potassa


Explor

alcoólica. Extremamente tóxica e corrosiva, é usada em sínteses orgânicas, na fabricação de sa-


bões e fertilizantes e na remoção de restos de detergente e gorduras de vidraria de laboratório.

• fracas: α < 0,5 ⇒ bases insolúveis [demais bases, incluindo Mg(OH)2]


TlOH, Mg(OH)2, Cr(OH)3, Ti(OH)4; principal base fraca: NH4OH

Importante! Importante!

O NH4OH é a única base inorgânica que é solúvel em água e é fraca.


Quanto mais forte for uma base, maior será a quantidade de íons OH– formada e, conse-
quentemente, maior será o seu grau de dissociação.

Sais
A humanidade faz uso de sais desde os seus primórdios: o principal deles é o clo-
reto de sódio (NaCl), usado no Império Romano para salgar e conservar alimentos,
e até como forma de pagamento. Outros sais também eram de grande importância:
no Antigo Egito, usava-se o natrão (mistura de Na2CO3, NaHCO3 e Na2SO4) no
processo de mumificação e o sal amoníaco (NH4Cl) em rituais ao deus Amon; na
Roma Antiga, usava-se o acetato de chumbo [(CH3CO2)2Pb] para adoçar vinho e
frutas; na Idade Média, uma grande variedade de sais [KHCO3, PbCrO4, Bi(NO3)3,
acetatos (cobre, chumbo), carbonatos (cálcio, cobre, chumbo, potássio, zinco), clore-
tos (amônio, estanho, mercúrio), sulfatos (amônio, bário, cálcio, cobalto, cobre, fer-
ro, sódio, zinco), sulfetos (bário, cobre, estanho, mercúrio, zinco) etc. era usada em
diversos processos alquímicos; e, mais modernamente (até a 1a Guerra Mundial), o
salitre (KNO3) era usado na produção de fertilizantes e explosivos.

Você Sabia? Importante!

A palavra salário deriva do latim salarium, que significa “pagamento de sal” ou “pelo sal”.
O termo vem do antigo Império Romano, pelo fato de que o sal (cloreto de sódio) tinha
grande valor, pois era uma das poucas maneiras conhecidas de preservar a carne. Nesse
contexto, era dado a soldados como parte do pagamento pelos seus serviços.

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Muitos sais são (ou foram, em algum momento passado) usados como pigmen-
tos, como o amarelo (BiVO4 e PbCrO4), violeta [Co3(PO4)2], verde (CoZnO2), ver-
melho (HgS) etc.

Sais têm grande importância no dia-a-dia, encontrando aplicações em diversas


áreas: culinária (NaCl e NaHCO3), produção de fertilizantes (KCl e sais de amônio –
nitrato, sulfato e fosfato), medicina (BaSO4, como contraste para raio-X; diversos
medicamentos na forma de sais de sódio e de potássio, principalmente), tratamen-
to de água (Al2(SO4)3, como agente coagulante; NaF ou Na2SiF6, na fluoretação;
Ca(ClO)2, como desinfetante; Na2CO3, como corretor de acidez), em diversos pro-
cessos industriais etc.

Sais são compostos iônicos. Em sua tese de 1884, Arrhenius afirmou que, quan-
do dissolvidos, os sais se dissociariam em partículas carregadas, em parte do traba-
lho pelo qual ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1903.

Definição
De acordo com Arrhenius, sal é um composto cujos íons subsistem após a rea-
ção entre um ácido e uma base.

Sal: “sal é toda substância que em solução aquosa sofre dissociação iônica, li-
berando pelo menos um cátion diferente de H+ e, pelo menos, um ânion diferente
de OH–”.

Exemplos:

NaHCO3(s) 
HO
2
 Na+(aq) + H+(aq) + CO32–(aq)

FeBr3(s) H2O
  Fe (aq) + 3 Br (aq)
3+ –

Propriedades
Os sais possuem as seguintes características:
• apresentam todos os sabores básicos: doce (acetato de chumbo), salgado (clo-
reto de sódio), amargo (sulfato de magnésio) e azedo (bitartarato de potássio);
salgado e amargo são os sabores mais comuns;
• são sólidos cristalinos, com elevados pontos de fusão;
• podem ser coloridos; quando isso acontece, a cor se deve à presença de metais
de transição tanto do cátion, quanto do ânion (Figura 7);

21
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UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Figura 7 – Acima, coloração por conta do cátion: cloreto de cobalto(II) (vermelho)


e sulfato de ferro(II) (verde-azulado); abaixo, coloração por conta do ânion:
dicromato de amônio (laranja) e permanganato de potássio (violeta escuro)
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

• as suas soluções aquosas são condutoras de corrente elétrica;


• dependendo dos íons que os formam, podem alterar o pH da água.

Formação – reação de neutralização


Sais são o produto da reação entre ácidos e bases, denominada reação de
neutralização.

ácido + base → sal + H2O

Você Sabia? Importante!

A reação de neutralização recebe esse nome porque, quando ácido forte e base forte
reagem em quantidades estequiométricas, todos os íons H+ reagem com todos os íons
OH– para formar água. Como ambos os íons são totalmente consumidos, a solução final
é neutra (pH = 7,0).

De acordo com Lémery (1680), “corpúsculos” ácidos e básicos se uniriam pelo


bloqueio geométrico entre os pontos de partículas ácidas e os poros de partículas
básicas, formando uma molécula (Figura 8).

Figura 8 – Concepção de Lémery para a reação entre uma substância ácida


(partícula pontiaguda; esquerda) e uma substância básica (partícula porosa;
centro), formando um produto pelo encaixe entre as partículas
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons

Modernamente, uma reação ácido-base é entendida como a reação entre o cá-


tion H+ do ácido e o ânion OH– da base para formar água; os íons remanescentes
compõem o sal (Esquema 1).

22
H+ + A– + C+ + OH– → C+ + A– + H2O
ácido base sal
ionizado dissociada dissociado
Esquema 1 – Reação de neutralização entre ácido forte e base forte

Dependendo das quantidades de ácido e de base usadas, as reações podem ser:


• neutralização total: as quantidades de íons H+ provenientes do ácido e de
íons OH– provenientes da base são iguais; não há excesso de nenhum dos
dois reagentes

HClO2 + NH4OH → NH4ClO2 + H2O

2 H3AsO4 + 3 Sr(OH)2 → Sr3(AsO4)2 + 6 H2O

• neutralização parcial: as quantidades de íons H+ provenientes do ácido e


de íons OH– provenientes da base não são iguais, havendo excesso de um
dos reagentes
» excesso de ácido: H2S + RbOH → RbHS + H2O ⇒ forma-se um sal ácido
» excesso de base: HBr + Ca(OH)2 → Ca(OH)Br + 6 H2O ⇒ forma-se um
sal básico

Formulação e nomenclatura
Para escrever a fórmula de um sal, combina-se o ânion com o cátion:

CxAy ⇒ . . . . . . . . . . . de . . . . . . . . . . .
nome de A nome de C

Exemplos:
• cátion: lítio; ânion: cloreto ⇒ sal: cloreto de lítio

Li+ e F− ⇒ LiF
os sais
• cátion: bismuto; ânion: nitrato ⇒ sal: nitrato de bismuto são espécies
químicas
Bi3+ e NO3− ⇒ Bi(NO3)3 eletricamente
neutras
• cátion: ferro(II); ânion: fosfato ⇒ sal: fosfato de ferro(II)

Fe2+ e PO43− ⇒ Fe3(PO4)2

Obs.: se o cátion metálico puder apresentar diferentes números de oxidação (ex.,


Cu+ e Cu2+, Ni2+ e Ni3+), esses devem ser indicados com algarismos romanos no
nome do sal; ex.: fostato de cobre(II).

23
23
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Classificação
Os sais podem ser classificados segundo diferentes critérios.

Presença de carbono
Considerando a presença de átomos de carbono, os sais podem ser divididos em
duas categorias:
• orgânicos: apresentam carbono e na estrutura existe pelo menos:
O
»» um ânion carboxilato ( C , também representado por –COO– ou –CO2–)7
O –

CH3CO2NH4, C6H5CO2K, NaO2CCH2CO2Na

»» um cátion derivado de um composto orgânico, normalmente de uma amina


(NR4+)8

(CH3)3NHCl, C6H5NH3HSO4, BrNH3CH2CH2CH2CH2NH3Br

• inorgânicos: não apresentam carbono na sua estrutura ou o carbono não


forma nenhum íon carboxilato

MgS, Cr(NO2)3, LiCN

Natureza ou tipo dos íons


• neutros ou normais: possuem apenas um cátion e um ânion

Cd(NO3)2, PbCrO4

• ácidos ou hidrogenossais: apresentam dois cátions, sendo um deles o H+

NaHCO3, Ca(H2PO4)2

• básicos ou hidroxissais: apresentam dois ânions, sendo um deles o OH–

Mg(OH)F, Bi(OH)2I

• duplos ou mistos: apresentam dois cátions diferentes de H+ ou dois ânions


diferentes de OH–

AgFeBO3, Zn(NO3)CN

7
Outras classes de ácidos orgânicos também podem formar sais, como os sulfonatos (RSO3–), os sulfinatos (RSO2–)
e os fosfonatos (RPO32–), porém, os carboxilatos (RCO2–) são os mais importantes (R representa uma cadeia carbô-
nica qualquer).
8
Outras classes de compostos orgânicos também podem formar cátions estáveis, como os cátions sulfônio (R3S+) e
fosfônio (R4P+), porém, os cátions amônio (R4N+) são os mais importantes (R representa um átomo de hidrogênio
ou uma cadeia carbônica qualquer).

24
Presença de água
Alguns sais podem incorporar moléculas de água em seus retículos cristalinos,
chamada água de cristalização. Essas moléculas não estão ligadas quimicamente
aos íons.
• hidratados ou hidratos: apresentam moléculas de água de cristalização na
sua estrutura cristalina

CrBr3.4H2O, CoCl2.6H2O

• anidros: não possuem moléculas de água de cristalização na sua estrutura


cristalina

CuCrO4, Hg(ONC)2

A água de cristalização pode ser removida mediante aquecimento:


CuSO4.5H2O(s) → CuSO4(s) + 5 H2O(g)

Figura 9 – Estruturas cristalinas do sulfato de cobre hidratado (esquerda) e anidro (direita)


Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons

Solubilidade em água
A solubilidade em água é uma propriedade importante dos sais; podem ser:
• solúveis: apresentam boa capacidade de se dissolverem em água, formando
uma mistura homogênea

LiBr, AgNO3, FeSO4

• insolúveis: apresentam capacidade muito baixa de se dissolverem em água,


formando uma mistura heterogênea

AgCl, BaSO4, NiS

25
25
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

O comportamento de solubilidade dos sais pode ser resumido na Tabela 3.

Tabela 3 – Solubilidade de sais


íons comportamento geral principais exceções
1Aa, NH4+ solúveis Li3PO4, KClO4, NH4ClO4
NO3–, ClO3– solúveis ——
ClO4– solúveis K+, NH4+
NO2–, CH3CO2– solúveis Ag+, Hg22+
F– solúveis 2Ab, Cu+, Pb2+, Hg22+
Cl–, Br– solúveis Ag+, Cu+, Pb2+, Hg22+
I– solúveis Ag+, Cu+, Pb2+, Hg22+, Hg2+
SO42– solúveis 2A (exceto Mg2+), Ag+, Pb2+, Hg22+
S2– insolúveis 1A, 2A, NH4+
CO32–, PO43– insolúveis 1A (exceto Li+), NH4+
demais insolúveis 1A, NH4+
a
1A: metais alcalinos; b 2A: metais alcalino-terrosos

Condutividade elétrica
A capacidade de uma solução de sal em conduzir corrente elétrica é uma pro-
priedade muito importante. Substâncias que se dissolvem em água fornecendo íons
à solução, e assim tornando-a condutora de eletricidade, são denominadas eletró-
litos. Os eletrólitos podem ser:
• eletrólitos fortes: as soluções aquosas são boas condutoras de eletricidade –
formadas por sais solúveis em água

KNO3, NH4Cl

• eletrólitos fracos: as solução aquosas são más condutoras de eletricidade –


formadas por sais insolúveis ou pouco solúveis em água

PbI2, HgCrO4

Pela sua definição, o conceito de eletrólito aplica-se também a ácidos e a bases, que igual-
Explor

mente liberam íons quando em solução aquosa.

Óxidos
Os óxidos são o produto da reação de diferentes elementos com o oxigênio; na
natureza, esse oxigênio provém da atmosfera.

26
Você Sabia? Importante!

O oxigênio livre era quase inexistente na Terra até o surgimento das primeiras bactérias
fotossintéticas, há cerca de 3,5 bilhões de anos. O oxigênio assim formado combinou-se
inicialmente com o ferro dissolvido nos oceanos, acumulando-se em quantidades signi-
ficativas na atmosfera apenas muito tempo depois, entre 3,0 e 2,3 bilhões de anos atrás.

Os óxidos estão ampla e abundantemente distribuídos no meio ambiente, sendo


substâncias de grande importância: a água (H2O), o líquido da vida, é um óxido,
bem como o gás carbônico (CO2), essencial para a fotossíntese. Diversos minérios,
como a hematita (Fe2O3), a bauxita (Al2O3), a cassiterita (SnO2), a pirolusita (MnO2),
o rutilo (TiO2) e a pechblenda (UO2) são óxidos. Por outro lado, o monóxido de
carbono (CO) é um gás extremamente tóxico, mas muito importante na indústria
siderúrgica, e óxidos de enxofre (SO2 e SO3) e de nitrogênio (NO2) são responsáveis
pela chuva ácida. A maior parte da crosta terrestre é constituída por óxidos – sílica
(SiO2) e alumina (Al2O3).

Óxidos são usados pela Humanidade desde os seus primórdios. Os pigmentos


da família do ocre (diferentes formas de óxido de ferro – ferro em diferentes graus
de oxidação, puro, hidratado ou combinado com outras substâncias), com tons que
variam do amarelo ao marrom escuro, foram usados na elaboração de pinturas
rupestres (Figura 10), surgidas há 40 mil anos, no final do período Paleolítico9.

Figura 10 – Acima, pigmentos da família do ocre (óxidos de ferro); abaixo, detalhe de pintura rupestre
encontrada no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), produzida entre 25 e 17 mil anos atrás
Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons

Na Idade Média, óxidos de diversos elementos (de antimônio, arsênio, cálcio,


chumbo, cobalto, crômio, ferro, mercúrio, prata, zinco) eram usados na Alquimia.
Muitos outros pigmentos também são óxidos, como o branco (TiO2), verde (Cr2O3),
vermelho (Pb3O4) e azul (CoO).

9
O período Paleolítico (do grego palaiós = pedra e lithos = pedra), popularmente conhecido como idade da pedra
lascada, é um período da pré-história caracterizado pelo desenvolvimento de ferramentas de pedra.

27
27
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Algumas gemas, como a safira e o rubi, são formas modificadas de alumina


(Al2O3), contendo impureza de ferro e crômio, respectivamente, enquanto a opala
é uma forma hidratada de sílica (SiO2) (Figura 11).

Figura 11 – Safira (esquerda) e rubi (centro) são formas de óxido de alumínio (Al2O3) contendo impurezas
que lhes conferem cores características; a opala (direita) é uma forma hidratada de sílica (SiO2)
Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons

Definição
À exceção da maioria dos gases nobres (He, Ne, Ar e Kr), o oxigênio forma pelo
menos um composto binário com cada elemento químico. Contudo, nem todos os
compostos contendo oxigênio são classificados como óxidos.

Óxido: “óxido é um composto binário10 em que o oxigênio é o elemento mais


eletronegativo”.

Exemplos:

Na2O Al2O3 SiO2 Cl2O7

Por essa definição, OF2 não é um óxido, sendo classificado como um fluoreto
(Figura 12).

Figura 12 – H2O é um óxido, mas OF2


Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons

Propriedades
Os óxidos possuem as seguintes características:
• normalmente são sólidos ou gases e, menos frequentemente, líquidos (link
a seguir);
10
Substância formada por dois elementos químicos diferentes.

28
O dióxido de titânio é sólido: http://bit.ly/2Ljhfg2, a água é um líquido: http://bit.ly/2Lg8N13
Explor

enquanto o dióxido de nitrogênio é um gás: http://bit.ly/2LiJ1Jh

• podem ser coloridos; quando isso acontece, normalmente (mas nem sempre),
a cor se deve à presença de metais de transição (Figura 13);

Figura 13 – Acima, óxido de crômio(III) (verde) e óxido de ferro(III) (marrom);


abaixo, óxido de bismuto (amarelo) e óxido de mercúrio(II) (vermelho)
Fontes: Adaptado de Wikimedia Commons

• em sua maioria, reagem com ácidos e/ou bases e água.

Formulação e nomenclatura
A formulação e a nomenclatura de óxidos dependem do elemento ao qual o
átomo de oxigênio está ligado:
• óxidos de não-metais: combina-se o átomo –O– com elemento adequado E

ExOy ⇒ . . . . . . . . . . . óxido de . . . . . . . . . . .
prefixo prefixo
+ nome de E
multiplicador multiplicador

Exemplos: CO2: dióxido de carbono (o prexixo mono pode ser omitido);


N2O5: pentóxido de dinitrogênio.

Obs.: se E apresentar diferentes números de oxidação, esses devem ser indica-


dos com algarismos romanos no nome do óxido:

N2O3: trióxido de dinitrogênio ou óxido de nitrogênio(III);

N2O5: pentóxido de dinitrogênio ou óxido de nitrogênio(V).


• óxidos de metais: combina-se o ânion O2− com o cátion adequado

MxOy ⇒ óxido de . . . . . . . . . . .
nome de M

29
29
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Exemplos:
• cátion: lítio; ânion: óxido ⇒ óxido: óxido de lítio
os óxidos
Li+ e O2− ⇒ Li2O são espécies
químicas
• cátion: alumínio; ânion: óxido ⇒ óxido: óxido de alumínio eletricamente
neutras
Al3+ e O2− ⇒ Al2O3

Obs.: se o cátion metálico puder apresentar diferentes números de oxidação (ex.,


Co2+ e Co3+, Ti2+ e Ti4+), esses devem ser indicados com algarismos romanos no
nome do óxido; ex.: óxido de titânio(IV).

Classificação
Os óxidos podem ser classificados segundo diferentes critérios.

Tipo de ligação
Considerando a forma como o átomo de oxigênio se liga ao outro elemento, os
óxidos podem ser divididos em duas categorias:
• iônicos: possuem o íon O2–, que está ligado a um cátion metálico por uma li-
gação iônica; existe grande diferença de eletronegatividade entre os elementos

CuO, Ag2O, Al2O3

• covalentes: o átomo de oxigênio está ligado covalentemente a um não-metal;


a diferença de eletronegatividade entre os átomos envolvidos não é grande

H2O, CO2, N2O3

Comportamento químico
A natureza do elemento que compõe o óxido é determinante no seu comporta-
mento químico:
• ácidos: formados por ametais, reagem com água, produzindo um ácido, e com
bases, formando sal e água

P2O5, SO3, Cl2O

reações: Cl2O + H2O → 2 HClO


SO3 + 2 NaOH → Na2SO4 + H2O

Óxidos ácidos também são denominados anidridos, pois, formalmente, resultam da desi-
Explor

dratação de moléculas de ácidos.

30
• básicos: formados por metais, reagem com água produzindo uma base e com
ácidos formando sal e água

K2O, CaO, CuO

reações: Na2O + H2O → 2 NaOH


CaO + 2 HCl → CaCl2 + H2O
• anfóteros: podem reagir tanto com ácidos quanto com bases: na presença de
um ácido, comportam-se como um óxido básico; na presença de uma base,
comportam-se como um óxido ácido

ZnO, Al2O3 (principais), SnO, SnO2, PbO, PbO2, As2O3, As2O5, Sb2O3 e Sb2O5

reações: ZnO + 2 HCl → ZnCl2 + H2O


ZnO + 2 NaOH → Na2ZnO2 + H2O
• mistos: comportam-se como se fossem resultado da combinação de dois óxidos
de um mesmo elemento químico; se forem metálicos, têm fórmula geral M3O4

Fe3O4 (FeO + Fe2O3), Pb3O4 (2 PbO + PbO2),


N2O4 (N2O3 + N2O5), Cl2O6 (Cl2O5 + Cl2O7)

reações: Fe3O4 + 4 H2O → Fe(OH)2 + 2 Fe(OH)3


Fe3O4 + 8 HCl → FeCl2 + 2 FeCl3 + 4 H2O
Fe3O4 + 4 CO2 → FeCO3 + Fe2(CO3)3
N2O4 + H2O → HNO2 + HNO3
N2O4 + 2 KOH → KNO2 + KNO3 + 2 H2O
N2O4 + Li2O → LiNO2 + LiNO3
• neutros: não reagem com água, ácidos, bases ou outros óxidos (mas sofrem
outros tipos de reações)

CO, NO, N2O

Importante! Importante!

O fato de serem classificados como óxidos neutros não significa que CO, NO e N2O sejam
inertes: CO reage com O2 e outros óxidos (ex., Fe2O3) para formar CO2; NO reage pron-
tamente com Cl2 e com o O2 do ar, formando NO2; N2O é usado como comburente em
motores de combustão interna e de foguetes, além de atacar a camada de ozônio.

• peróxidos: apresentam em sua estrutura o íon peróxido (O22−); a reação com


água ou com ácidos diluídos produz água oxigenada (H2O2)

Li2O2, Na2O2, K2O2, MgO2, CaO2 e BaO2

31
31
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Nota: H2O2 é o único peróxido inorgânico covalente


reações: CaO2 + 2 H2O → Ca(OH)2 + H2O2
CaO2 + 2 HCl → CaCl2 + H2O2

Outras Definições de Ácidos e Bases


Limitações da teoria de Arrhenius
A teoria ácido-base de Arrhenius é de fácil compreensão, explicando com suces-
so a maioria dos fenômenos do dia a dia. No entanto, tem importantes limitações,
havendo casos em que os conceitos de Arrhenius não se aplicam:
• aplica-se apenas a soluções aquosas;
• depende da presença de íons H+ e OH–;
• não explica por que alguns compostos, que não possuem átomos de hidrogê-
nio, produzem soluções aquosas ácidas (ex., CO2 e ZnCl2);
• não explica por que alguns compostos, que não possuem hidroxilas, produzem
soluções aquosas básicas (ex., Na2CO3 e NH3);

Essas limitações mostraram ser necessário ampliar os conceitos de ácido e base.

Teoria ácido-base de Brönsted-Lowry


Em 1923, o químico dinamarquês Johannes Nicolaus Brönsted e o químico
inglês Thomas Martin Lowry sugeriram, independentemente, uma nova definição
para ácidos e bases:

Ácido de Brönsted-Lowry: “ácido é toda substância que, ao reagir, doa íons H+”.

Base de Brönsted-Lowry: “base é toda substância que, ao reagir, recebe


íons H+”.

A definição de Brönsted-Lowry11 para ácidos não difere apreciavelmente da de-


finição de Arrhenius, mas elimina a limitação de solvente: a reação ácido-base
de Brönsted é uma reação de transferência de prótons que pode acontecer em
qualquer solvente:

HCl + H2O → H3O+ + Cl–

HNO3 + H2SO4 → H2NO3+ + HSO4–

CH3CO2H + CH3O– → CH3CO2– + CH3OH

11
É muito comum referir-se a essa teoria apenas por teoria de Brönsted.

32
Ocorrida a reação, a substância que perdeu o próton é capaz de recebê-lo de vol-
ta, tornando-se assim uma base; similarmente, a substância que recebeu o próton
pode vir a perdê-lo, constituindo-se assim em um ácido (Esquema 2).

H2SO4 + NH3 NH4 + HSO4-


ácido base ácido base

Esquema 2 – Reação ácido-base de Brönsted-Lowry mostrando a transferência


de próton; uma vez que isso acontece, o ácido é convertido em uma base, e vice-versa

O processo envolve a reação entre um ácido e uma base fortes, que, ao trans-
ferirem o próton entre si, produzem, respectivamente, a base e o ácido fracos cor-
respondentes. Cada par de ácido/base na reação de Brönsted é chamado de par
conjugado (Esquema 3).

A1 + B2 → A2 + B1

A1/B1: par conjugado 1 A2/B2: par conjugado 2

HC≡CH + NH2– → HC≡C– + NH3

ácido base base ácido


forte forte fraca fraco

HC≡CH/HC≡C–
⇒ pares conjugados ácido/base
NH3/NH2–
Esquema 3 – Segundo a teoria de Brönted-Lowry, a transferência de um próton ocorre
entre ácido e base fortes, formando a base e o ácido fracos correspondentes;
o ácido e a base correspondente são chamados de par conjugado

O conceito de sal não existe na teoria de Brönsted-Lowry; todas as reações envolvem apenas
Explor

ácidos e bases.

Algumas substâncias podem agir tanto como ácidos quanto como bases, depen-
dendo da reação da qual participam; tais substâncias são denominadas anfipróti-
cas (Esquema 4).

H2O + C2H5O– → OH– + C2H5OH ⇒ a água atua como ácido

H2O + HCl → H3O+ + Cl– ⇒ a água atua como base


Esquema 4 – Exemplo de substância anfiprótica – a água pode tanto doar quanto receber um próton;
o seu comportamento depende da força ácida ou básica relativa da substância com a qual reage

33
33
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Na teoria ácido-base de Brönsted, a força de um ácido corresponde à sua tendên-


cia em doar H+, enquanto a força de uma base corresponde à sua tendência em rece-
ber H+; quanto mais forte for o ácido, mais fraca será a sua base conjugada (Tabela 4).

Tabela 4 – Forças relativas de ácidos e bases de Brönsted


ácido conjugado base conjugada
mais forte HClO4 ClO4− mais fraca
H2SO4 HSO4 −

HCl Cl−
HNO3 NO3−
H3O+ H2O
H2SO3 HSO3−
HSO4− SO42−
HF F−
CH3COOH CH3COO −
H2 S HS−
HSO3− SO32−
H2O OH−
HS− S2−
mais fraco OH− O2− mais forte
Fonte: Adaptado de Russell, 1981

Além de eliminar a limitação de solvente da teoria de Arrhrenius, a teoria de


Brönsted-Lowry também explica as propriedades ácidas e básicas de substâncias
que não possuem íons H+ nem OH–, por exemplo:

Zn2+ + H2O → [Zn(OH)]+ + H+

NH3 + H2O → NH4+ + OH–

Apesar desse sucesso, sendo muito útil para a análise de sistemas não aquosos,
a teoria aplica-se apenas a reações que envolvem transferência de prótons (íons H+).

Teoria ácido-base de Lewis


Também em 1923, o químico norte-americano Gilbert Newton Lewis propôs
uma definição mais abrangente de ácidos e bases, em termos de comportamento
eletrônico:

Ácido de Lewis: “ácido é toda espécie química capaz de receber um par de


elétrons”. Para que isso aconteça, a substância ácida deve possuir um átomo com
orbitais vazios, que acomodarão os elétrons recebidos.

Base de Lewis: “base é toda espécie química capaz de doar um par de elé-
trons”. Isso implica em que uma espécie básica deve possuir pelo menos um par de
elétrons não-compartilhado, que será doado ao ácido.

Pela sua natureza, a reação ácido-base de Lewis consiste na formação de uma


ligação covalente (Esquema 5).

34
Esquema 5 – Em uma reação ácido-base, segundo a teoria de Lewis, o orbital vazio do ácido
(A) acomoda o par de elétrons recebido da base (B), formando uma ligação covalente

Exemplos:

BF3 + NH3 → F3BNH3

AlCl3 + Cl– → [AlCl4]–

Em ambas as reações, as bases (o átomo de nitrogênio de NH3 e o ânion Cl–)


possuem pares de elétrons não compartilhados, que são doados aos ácidos (acomo-
dados pelos orbitais vazios de B e Al) para fazer a ligação covalente.

Comparação entre as teorias ácido-base


Segundo Arrhenius, a adição de um ácido à água produz o íon H+, que não exis-
te livre em solução, associando-se a uma molécula de água:

HA + H2O → H3O+ + A–

Essa mesma reação pode ser interpretada como sendo a transferência de H+ da


molécula de HA para a água, ou seja, trata-se de uma reação ácido-base de Bröns-
ted. Como todos os ácidos de Arrhenius comportam-se como HA, pode-se concluir
que os ácidos de Arrhenius também se comportam como ácidos de Brönsted. É
importante ressaltar que o oposto não é verdadeiro: existem ácidos de Brönsted que
não são ácidos de Arrhenius, como o acetileno (HC≡CH).

O íon H+ corresponde a um átomo de hidrogênio ionizado; portanto, possui um


orbital s vazio que pode acomodar o par de elétrons da água (Esquema 6).

Esquema 6 – Transferência de um par de elétrons não-compartilhado


do átomo de oxigênio da água para o orbital vazio do íon H+

Essa é a descrição de uma reação ácido-base de Lewis. Todas as reações de


Brönsted implicam na transferência de H+ de uma substância para outra, portanto,
conclui-se que todos os ácidos de Brönsted também são ácidos de Lewis. A exem-
plo de o que acontece com a teoria de Arrhenius, o inverso não é verdadeiro: nem
todos os ácidos de Lewis são ácidos de Brönsted, como é o caso do BF3.

35
35
UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Raciocínio análogo pode ser feito com relação às bases: bases de Arrhenius tam-
bém são bases de Brönsted, bases de Brönsted também são bases de Lewis, mas
o oposto nem sempre é verdade. Essas correlações podem ser representadas pelo
diagrama da Figura 14.

Figura 14 – Correlação entre as teorias ácido-base: ácidos e bases de Arrhenius


também são ácidos e bases de Brönsted, e ácidos e bases de Brönsted também são
ácidos e bases de Lewis; contudo, o inverso não é necessariamente verdade
Fonte: Acervo do conteudista

Existem outras teorias ácido-base, que se baseiam princípios diferentes dos já discutidos:
Explor

a definição pelo sistema solvente analisa a influência do soluto na concentração dos íons
provenientes da autoionização do solvente; a teoria de Lux-Flood envolve a reação de trans-
ferência do íon óxido (O2−), de modo análogo à transferência de H+ na teoria de Brönsted-
-Lowry; a teoria de Usanovich trata da transferência de espécies com carga elétrica; a teoria
de Pearson baseia-se na polarizabilidade das espécies químicas.

As três teorias ácido-base discutidas nesta unidade são usadas, aplicando-se


aquela mais apropriada ao sistema que estiver sendo analisado.

36
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Calistry – Degree of Dissociation & pKa of Weak Acid
Este site calcula o grau de ionização de um ácido fraco a partir da sua constante de
ionização e da sua concentração em mol/L; é possível verificar o efeito sobre o grau
de ionização de um ácido variando a sua concentração (em inglês).
http://bit.ly/2OIV9G6

Vídeos
Aqueous Acids in Action
Animação que compara, de forma simplificada, os comportamentos de alguns ácidos
de Arrhenius em água (em inglês; é possível acionar legendas com tradução automática
para o português).
https://youtu.be/kcPjY9cQpWs
Base in Water
Animação que compara, de forma simplificada, os comportamentos de algumas bases
de Arrhenius em água (em inglês; é possível acionar legendas com tradução automática
para o português).
https://youtu.be/jq1xrJCXH-k
Animation Neutralization Reaction
Animação que mostra, em um nível microscópico, a ocorrência de uma reação de
neutralização (em inglês; é possível acionar legendas com tradução automática para
o português).
https://youtu.be/uXJ-DfJkJhA
Videum – Health and Wellness Videos – Lewis Acid-Base Theory
Animação que mostra, em um nível microscópico e de forma bastante didática, reações
ácido-base sob o ponto de vista das teorias de Brönsted-Lowry e de Lewis (em inglês).
http://bit.ly/2OWl8tZ

Leitura
Basicidade e Acidez, da Pré-História aos Dias Atuais
Revista Virtual de Química, v. 7, n. 3. 2015 – Basicidade e Acidez, da Pré-História
aos Dias Atuais. O artigo apresenta alguns aspectos históricos sobre os conceitos de
acidez e basicidade.
http://bit.ly/2OFpS6O
Teorias Ácido-Base no Século XX
Química Nova na Escola, n. 9, maio. 1999 – Teorias Ácido-Base no Século XX.
O artigo apresenta as diferentes teorias ácido-base propostas durante o século XX,
mostrando como evoluem e como estão relacionadas entre si.
http://bit.ly/2OG6JBU

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UNIDADE Funções Inorgânicas; Teorias Ácido-Base

Referências
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