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CENTRO UNIVERSITÁRIO

ANA THEREZA CASTRILLON CARON CASSOU


MARIANA BACCULE BRANDÃO

RELATÓRIO FINAL
Sniffy

CURITIBA
SETEMBRO 2020
RELATÓRIO FINAL
Sniffy

Trabalho de graduação apresentado


à disciplina de Análise Experimental
do Comportamento, referente a
reprodução dos experimentos de
comportamento operante na Caixa de
Skinner. Orientadora: Prof.a Inaê
Benchaya

CURITIBA
SETEMBRO 2020

1
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO……………………………………………………………….……03

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................... 04

2.1. BEHAVIORISMO RADICAL....................................................................... 04

2.1.1. Contexto Histórico e Definição................................................................ 04

2.1.2. Bases Filosóficas do Behaviorismo Radical............................................. 06

2.1.3. Seleção pelas Consequências ……………............................................. 07

2.2. PESQUISAS EXPERIMENTAIS E CUIDADOS ÉTICOS NO LABORATÓRIO


...........................................................................................................................08
3. OBJETIVOS: GERAL E ESPECÍFICO..........................................................10

4. DESENVOLVIMENTO………………...…………………….……………………10

4.1. MÉTODO………………………………………………….…….……………….10

4.2. SUJEITO………………………………………………………..………….…….11

4.3. PROGRAMA UTILIZADO…...………………………………..………….…….12

4.4. PROCEDIMENTOS………….……………………………………..…….…….12

4.4.1. Preparação para a coleta..……………………………………..…..….…….12

4.4.2. Coleta de dados..…………………………………………...…..…..….……..13

4.4.3. Análise de dados..………………………………..……………..…..….…….13

5. RESULTADO………………………………......................................................16

5.1. NÍVEL OPERANTE………………...…………………….…….……………….16

5.2. REFORÇO MANUAL E RESPOSTA DE PRESSÃO À BARRA..….....…….16

6. DISCUSSÃO………………………………...………………………….…………18

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................18

REFERÊNCIAS.................................................................................................20

APÊNDICES .....................................................................................................21

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1. INTRODUÇÃO
O presente relatório busca descrever o conhecido experimento da caixa
de Skinner, que utiliza ratos em ambientes controlados para o teste e descrição
do comportamento do animal. O objetivo principal é comprovar as teses de
Burrhus Frederic Skinner experimentalmente, a fim de compreender a
construção teórica do behaviorismo radical.
Inicialmente, são apresentados os conceitos teóricos do behaviorismo
radical, bem como as suas bases filosóficas, e o conceito de seleção pelas
consequências. Em seguida, levanta-se o questionamento da importância da
reprodução do experimento pela via laboratorial, mas ressalvando o problema
ético da utilização de animais vivos em experimentos replicados.
O relatório continua com a descrição da reprodução do experimento de
Skinner com ratos realizado em sala de aula pelas alunas Ana Thereza C. C.
Cassou e Mariana B. Brandão. Inicialmente, explica-se a metodologia adotada,
por meio do delineamento experimental. Ademais, são apresentados gráficos e
tabelas para exemplificar os resultados obtidos pelas acadêmicas.
Por fim, levanta-se a discussão sobre as principais conclusões obtidas
após o experimento, fazendo uma conexão com os conceitos anteriormente
expostos do behaviorismo radical. Por se tratar de um primeiro teste das alunas
com a “caixa de Skinner”, pontua-se que eventuais equívocos no relatório devem
ser desconsiderados.

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. BEHAVIORISMO RADICAL
Para a compreensão do famigerado experimento com ratos de B. F.
Skinner (1904-1990) é necessário, antes de mais nada, debruçar-se sobre o que
foi o behaviorismo radical, bem como as suas bases filosóficas, a fim de entender
seus principais conceitos e o seu objeto de estudo. Ressalta-se que o foco
principal não é esgotar a temática, tampouco enaltecer essa abordagem da
ciência psicológica em detrimento das outras. Apenas busca-se compreender a
importância do experimento de Skinner para o desenvolvimento do behaviorismo
e da Psicologia enquanto ciência.

2.1.1. Contexto Histórico e Definição


Skinner foi, sem sombra de dúvida, o maior defensor do behaviorismo,
mas está longe de ser o pioneiro. Em 1890, Willian James esboça as teorias do
behaviorismo em “Os princípios da Psicologia”, seguido por Ivan Pavlov que, em
1890, desenvolveu o conceito de estímulo e resposta condicionada. Já em 1924,
John B. Watson constrói as bases do behaviorismo moderno, tornando a
Psicologia um ramo puramente objetivo e experimental das ciências naturais.
Contudo, Skinner foi além de todos esses: ele submeteu as teorias behavioristas
a um rigoroso escrutínio experimental, mediante uma rigorosa metodologia
científica, elevando as ideias de seus antecessores a outro patamar. Ademais,
importante ressaltar que:

O termo Radical vem de raiz (parte não diretamente observável de uma


planta) e serve para distingui-lo de outros modelos behavioristas que
não consideravam os eventos privados (parte não diretamente
observável do comportamento humano) como objeto de estudo da
Psicologia. (DE-FARIAS, 2010, p. 31)

O behaviorismo “insere a Psicologia entre as ciências que estudam a


vida ou, mais precisamente, os organismos vivos [...], indicando as dimensões
de seu objeto de estudo e de onde os psicólogos deveriam partir” (SERIO, 2015,
p. 248). Assim, a privacidade, que é o contato de cada indivíduo com a parte do
universo contida dentro da sua própria pele, corresponde às atividades de
pesquisadores do comportamento e nada mais é do que um fenômeno físico e
material para a concepção behaviorista. Quanto aos desafios metodológicos,

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o operacionismo apresenta-se como um procedimento para garantir
que os cientistas fundamentem todo o conhecimento produzido em
fenômenos diretamente mensuráveis, de forma a evitar problemas
ocasionados pela inclusão, nas descrições e explicações científicas, de
conceitos que envolvem elementos não fundamentados em
observações, conceitos que não têm uma base empírica. (SERIO,
2015, p. 250)

Percebe-se, portanto, a preocupação do behaviorismo de superar os


problemas decorrentes de concepções mentalistas, sem retirar o fenômeno
humano do âmbito de estudo da Psicologia. Inclusive, estes devem ser
estudados em sua totalidade e complexidade, sem pressupor a existência de
uma dimensão especial do mundo - que não é parte do mundo material. (SÉRIO,
2005, p. 249)
Ademais, o behaviorismo radical vem em contraposição à causalidade
do comportamento humano. Isso porque os pesquisadores, historicamente,
foram direcionados a buscar as causas do comportamento por razões práticas,
a fim de antecipar e se preparar, controlando outros indivíduos para que ajam de
determinada maneira (SERIO, 2015, p. 253). Contudo, a Psicologia não visa, em
um primeiro momento, as finalidades utilitaristas do comportamento, mas sim a
sua compreensão e explicação.

A origem primitiva da pergunta sobre as causas faz com que o


estudioso do comportamento procure suas causas naquilo que
acontece imediatamente antes do comportamento comprometendo-se,
assim, com uma noção de causalidade genericamente chamada de
mecanicista. Supostamente, em função de um conjunto variado de
razões (entre elas, a existência de relações mecânicas entre
determinados eventos), as relações entre eventos imediatamente
antecedentes (vistos como as causas) e o comportamento (visto como
o efeito) foram mais facilmente identificáveis e, posteriormente,
manipuláveis. (Ibidem, p. 254)

Em resumo, o behaviorismo radical recusou as concepções tradicionais


que marcaram o início da Psicologia, como o dualismo e o mentalismo, mas sem
fundamentar a sua recusa em razões metodológicas. “As razões do
behaviorismo radical estão relacionadas à concepção de comportamento
proposta: [...] interação entre o organismo e o ambiente” (SERIO, 2015, p. 258).
Skinner, portanto, acreditava que a Psicologia deveria se interessar
apenas pelo estudo das respostas físicas a condições e situações existentes,
apesar de não negar a existência dos processos de pensamento e estados
mentais. Distancia-se do behaviorismo metodológico, portanto, por levar em

5
consideração os desejos culturais e internos dos indivíduos, mas sempre com
um enfoque sobre o comportamento.

2.1.2. Bases filosóficas do Behaviorismo Radical


A base filosófica do behaviorismo radical, assim, pode ser resumida em
sete correntes principais: monismo, materialismo, determinismo, interacionismo,
contextualismo/funcionalismo, externalismo e selecionismo.
Primeiramente, o monismo é entendido como uma não separação do
corpo e da alma, pois ambos são uma coisa só (matéria). “Tanto o
comportamento público quanto o comportamento privado ocorrem na mesma
dimensão natural” (DE-FARIAS, 2010, p. 32). Isso, consequentemente, leva à
concepção materialista, em que, por sermos uma coisa só, todas as emoções
são passíveis de serem quantificadas e estão no mundo material. Ademais, os
próprios comportamentos privados só podem ser acessados diretamente pelo
próprio indivíduo.
O determinismo, por sua vez, entende que um evento não ocorre ao
acaso, mas em decorrência de um ou mais fenômenos anteriores - sendo que
quem determina, pelo behaviorismo, é o próprio ambiente, por meio da interação
que o organismo humano tem com ele. “Se a natureza é determinada, e se o ser
humano é parte integrante dela, então ele também deve ser interpretado a partir
de uma visão determinista” (DE-FARIAS, 2010, p. 33). Isso nos leva ao
interacionismo, em que os indivíduos interagem continuamente com o ambiente,
de maneira bidirecional. Logo, “a definição de comportamento como interação
desfaz a ideia de um organismo passivo em relação ao ambiente” (DE-FARIAS,
2010, p. 35).
O contextualismo traz a ideia de que precisamos avaliar o contexto de
cada comportamento, definido tanto historicamente quanto situacionalmente,
buscando sempre o resultado das ações humanas (funcionalismo). “O
comportamento é também um fenômeno histórico, não é algo que possa ser
isolado, guardado” (DE-FARIAS, 2010, p. 35). E é por isso que, ao tentar
entender o comportamento, o behaviorismo busca sempre o que está fora do
indivíduo, uma vez que é o ambiente que determina o comportamento
(externalismo). Um behaviorista radical vai dizer
6
que o que importa não é o que “tem dentro” da pessoa, mas o que
determina o que “tem dentro”. É o ambiente que determina o
comportamento, seja ele privado ou não. Por ambiente, entende-se o
que é externo ao comportamento a ser analisado. (DE-FARIAS, 2010,
p.37)

Por fim, o selecionismo refere-se às complexas interações entre as ações


dos organismos e o ambiente. Influenciada pela teoria evolucionista de Charles
Darwin, na seleção natural, membros de uma espécie com características mais
adaptativas ao ambiente em que vivem têm mais chances de sobreviver e de
passar suas características aos seus descendentes. Contudo,

O modelo selecionista não recorre à exclusivas condições genéticas


como determinantes do comportamento e nem a um raciocínio
mecânico ou linear, como quando se afirma que suas atitudes são
determinadas pela sua personalidade, self, consciência ou alguma
força interior. (DE-FARIAS, 2010, p.40)

Logo, de extrema relevância se faz as complexas interações entre as


ações dos organismos e o ambiente, pela lógica das bases filosóficas que
estruturaram o behaviorismo radical. Cumpre ressaltar também que Skinner,
graças a essas bases - em especial, ao selecionismo - pode desenvolver o
modelo de seleção pelas consequências.

2.1.3. Seleção pelas Consequências


Uma das grandes contribuições de Skinner foi em descrever e explicar o
comportamento humano por meio do modelo causal da seleção pelas
consequências, o qual estabelece que “características biológicas e
comportamentais são modeladas por processos seletivos” (MELO, 2004, p. 10).
A divisão proposta pelo cientista é de três níveis básicos. O primeiro nível é o da
filogênese, o qual se caracteriza por ser o campo da seleção natural das
espécies. Em seguida temos o nível da ontogênese, em que

A suscetibilidade dos organismos às contingências do reforço permitiu


a evolução do segundo nível de seleção pelas consequências: é o
campo da ontogênese, em que ocorre a história de aprendizagem
individual através do processo de condicionamento operante. Através
desse processo o meio ambiente modela o nosso repertório básico e
mudanças ambientais podem levar a ajustes comportamentais rápidos,
com a aquisição de novas respostas, a extinção de antigas ou o
aumento da eficiência de alguns comportamentos. (MELO, 2004, p. 10)

Por fim, temos como terceiro nível o da cultura, que é o campo das
contingências especiais de reforço mantidas por um grupo. “Portanto, no terceiro
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nível de seleção o ‘valor de sobrevivência’ está na transmissão de práticas
culturais que aumentam as chances de que a cultura sobreviva” (MELO, 2004,
p. 13). Resumidamente, esses são os três níveis que nos permitem entender o
referido modelo, mas não serão amplamente abordados aqui.
Conclui-se que, no modelo de seleção pelas consequências
especificamente não se está mais interessado apenas no estímulo e na resposta,
já que o foco vai para a complexidade do comportamento. Cada indivíduo é único
e cria relações específicas, sendo que o que forma o ser humano são as suas
interações com o ambiente, mas também o que está dentro de si.

A seleção por consequência invariavelmente implica história. Ao longo


do tempo, resultados bem-sucedidos (reforço) tornam algumas
atividades mais prováveis, e resultados malsucedidos (não reforço ou
punição) tornam outras atividades menos prováveis. Gradualmente, o
comportamento que ocorre nessas circunstâncias vai sendo modelado
- transformado e elaborado. Embora os neurofisiólogos conheçam
pouco do mecanismo por meio do qual o acúmulo de êxitos e fracassos
altera o comportamento, os analistas do comportamento estudam a
dependência que o comportamento tem desse acúmulo. (BAUM, 2019,
capítulo 5)

Durante o experimento com o rato que será mais a frente descrito, verifica-
se como que resultados bem-sucedidos tornam determinadas atitudes mais
prováveis de acontecer. É a tríplice contingente (estímulo - resposta -
consequência) explicada na prática experimental em laboratório, reforçando as
explicações sobre filogênese, ontogênese e cultura levantadas por Skinner.

2.2. PESQUISAS EXPERIMENTAIS E CUIDADOS ÉTICOS NO LABORATÓRIO


Quando falamos de experimentos laboratoriais, é necessário ter em
mente o funcionamento da pesquisa e os cuidados éticos para com os animais
utilizados. Logo, explica-se aqui a importância das experiências laboratoriais
para a análise experimental do comportamento, mas pontuando a ressalva ética
para o uso de animais na réplica dos experimentos.
Uma teoria serve para explicar determinado fenômeno que se apresenta
na natureza. Ela é composta por várias hipóteses e, por vezes, por diversas
correntes de pensamento que procuram desvendar casos naturais e, na melhor
das hipóteses, chegar a uma resposta válida. Contudo, a teoria por si só não
comprova muita coisa, sendo inevitável o uso do teste empírico para colocá-la a
prova, a fim de se reproduzir um padrão. Quando várias hipóteses científicas são
8
colocadas a prova e testadas, temos como consequência a criação de um
paradigma. Quando temos uma resposta ao fenômeno,

todas as teorias se calam, e os dados obtidos através da


experimentação, da prática, falam mais alto. É por esse motivo que a
ciência deve recorrer ao teste empírico e, sempre que possível, a uma
situação controlada: o laboratório. É nesse sentido que dizemos que a
psicologia deve ser científica. (MOREIRA; MEDEIROS, 2007, p. 165)

Dessa maneira, inegável a contribuição da experiência laboratorial no


estudo do comportamento. Ademais, para o experimento clássico nos moldes da
caixa de Skinner, são utilizados ratos albinos vivos da raça Wistar
experimentalmente ingênuos, antecipadamente privados de água e de alimento.
O objetivo de estudar o comportamento dos ratos é obter “insights sobre o
comportamento humano, isto é, surgem ideias interessantes que nos ajudam a
compreender melhor o comportamento humano” (MOREIRA; MEDEIROS, 2007,
p. 166).
Entretanto, continuar utilizando animais vivos para um experimento já
repetido inúmeras vezes ao longo da história acadêmica da Psicologia traz à
tona o questionamento ético. Por consequência, “as atividades que se utilizam
de animais para fins única e exclusivamente de demonstração de conceitos são
candidatas a serem substituídas pelo uso de métodos alternativos à
experimentação animal” (MIRANDA; MIRANDA & CIRINO, 2011, p. 203). Assim,

Sugere-se que um novo modelo do laboratório didático de Análise do


Comportamento deve voltar-se fundamentalmente para seus objetivos
didáticos, em detrimento de sua tradição. Abrir mão do uso de animais
como sujeitos primordiais para a experimentação pode potencializar os
objetivos desse laboratório, ou seja, abarcar a demonstração de
conceitos e permitir também o estudo de comportamentos mais
complexos, mais próximos do objeto de trabalho do psicólogo.
(MIRANDA; MIRANDA & CIRINO, 2011, p. 209)

Muito embora a ideia de se utilizar pessoas nos experimentos em


laboratórios seja facilmente refutável, devemos levar em consideração o bem-
estar dos animais quando os escolhemos em substituição. A conclusão é nítida:
a tradição de utilização de ratos vivos nos testes laboratoriais deve ser
substituída, em prol da saúde desses animais, a fim de enriquecer a qualidade
no ensino da Psicologia (MIRANDA; MIRANDA & CIRINO, 2011, p. 209).
Ademais, salienta-se que a substituição por ratos virtuais em nada afeta o
objetivo final do experimento, bem como suas conclusões.

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3. OBJETIVOS: GERAL E ESPECÍFICO
A pesquisa científica é o meio mais eficaz para responder questões
sobre o comportamento humano. O cientista tem como objetivo a descrição do
comportamento, a sua predição, a determinação das causas e, por fim, a sua
explicação.
Assim, o objetivo geral do referido experimento é tornar o aluno capaz
de analisar o comportamento dos organismos. Quanto aos objetivos específicos,
o aluno deve descrever comportamentos de indivíduos humanos e não
humanos; inferir a função dos eventos antecedentes e consequentes ao
comportamento; identificar as relações entre os eventos ambientais e
comportamentais em situação de laboratório; e usar adequadamente os termos
técnicos da Análise Experimental do Comportamento.
Especificamente, essa atividade busca reproduzir o experimento de B.
F. Skinner, a fim de que os alunos cheguem às mesmas conclusões que o
psicólogo obteve quando realizou os testes em sua época. Procura-se, portanto,
comprovar, laboratorialmente, as teses do behaviorismo radical, que levaram à
elaboração de termos como, por exemplo, reforço positivo e reforço negativo.
Tudo isso será destrinchado logo adiante.

4. DESENVOLVIMENTO
4.1. MÉTODO
Foi utilizado o método experimental para esse trabalho acadêmico, dado
os conhecimentos obtidos durante a disciplina de análise comportamental. O
experimento foi registrado pelas referidas alunas Ana Thereza e Mariana, as
quais observaram o sujeito em estudo - o rato de laboratório virtual.
O ambiente do caso foi realizado de maneira virtual por programa de
computador que imita a caixa do experimento original, tendo nela paredes altas
para o rato não conseguir sair, entrada para alimento, barra para estímulos,
bebedouro e também barras no chão para estimular choques (o qual não foi
utilizado nesse procedimento de estudo).
Inicialmente, as alunas foram instruídas com os conceitos básicos que
embasam os estudos de Skinner. Dessa maneira, foi possível reproduzir o
10
experimento clássico de virtual, respeito os valores éticos da pesquisa
acadêmica. Durante um período de 30 minutos, foram registrados todos os
comportamentos adotados pelo sujeito experimental, tanto à nível operante,
quanto após o reforço positivo realizado pela professora orientadora.
O método experimental tem como procedimento a manipulação da
variável independente (VI) pelo experimentador, que vai dispor as condições nas
quais o sujeito estudado irá se comportar (variável dependente - VD). O
resultado, por fim, refere-se ao comportamento estável, altamente provável de
acontecer.
Em suma, tem-se como objetivo a obtenção de uma linha base do
comportamento do sujeito experimental, inicialmente, à nível operante. Por
consequência, é necessário compreender como o sujeito experimental se
comporta antes da intervenção, pois só assim ter-se-á uma base de verificação
da mudança (ou não) do comportamento.
Inicialmente será verificado o comportamento a nível operante, que nada
mais é do que “a forma com que o sujeito opera (age) sobre o ambiente antes
de qualquer intervenção experimental” (MOREIRA; MEDEIROS, 2007, p. 169).
Em seguida, o objetivo será ensinar o rato um novo comportamento, o qual seria
pressionar a barra que está no interior da caixa de condicionamento operante.
Logo, o pesquisador deverá utilizar-se do reforço manual - no presente caso, a
liberação da comida - para analisar a mudança do comportamento. Salienta-se
que a variável independente, no presente experimento, será a comida oferecida
ao rato.
Por fim, procuramos fortalecer o comportamento no sujeito experimental,
a fim de que a frequência do comportamento aprendido se estabilize, sem a
necessidade do reforço manual contínuo. Assim, ao final ter-se-á um
comparativo entre o comportamento de reforço contínuo e a nível operante.

4.2 SUJEITO
Encontrava-se um rato albino, saudável, em sua idade adulta,
graficamente representado em formato virtual, com capacidade de simular com
exatidão os comportamentos e os resultados do experimento tradicional. Além
do sujeito experimental, participaram desse estudo as alunas do curso de
11
psicologia da FAE, Ana Thereza C. C. Cassou e Mariana B. Brandão, sob
orientação da Profª Inaê Benchaya.

4.3. PROGRAMA UTILIZADO


Utilizou-se o programa simulador de operação Sniffy Pro 2.0 para os
experimentos. Assim, a gaiola originalmente desenvolvida por B. F. Skinner foi
graficamente reproduzida, nas mesmas condições que a original, a fim de
permitir a reprodução dos comportamentos do sujeito experimental vivo.
Também se utilizou uma planilha em formato Excel elaborada por um ex-aluno
do curso, que automaticamente realiza a contabilização dos dados.

4.4. PROCEDIMENTOS
Local: Modo online, acompanhado por compartilhamento de tela por via
Google Meet.
Data: 07/09/2020 (sete de setembro de dois mil e vinte)
Tempo de exercício: 30 minutos
Método: a observação efetuada no experimento foi de modo online, os
registros ficaram salvos em uma planilha que era preenchida no momento da
análise do experimento, delineamento de sujeito único.

4.4.1. Preparação para a coleta


Primeiramente foi feita a apresentação do programa que se utilizaria
para a análise. A orientadora do experimento instruiu as alunas dos
comportamentos que seriam observados.
Em seguida, a dupla dividiu as tarefas para a análise, sendo que uma
ficou responsável pela observação do sujeito e controle do tempo e a outra, pela
transcrição dos resultados na tabela. De modo topográfico, as alunas deveriam
descrever minuto a minuto o comportamento do rato dentro da caixa.
De início, o rato ficaria sem novos estímulos do ambiente, apenas se
comportando pelo que habitualmente fazia. Em seguida, a orientadora realizaria
uma série de reforços manuais para o rato, por meio da liberação de comida.

12
Os comportamentos totais possíveis, basicamente, consistiam em:
limpar (ato em que o rato limpa o rosto com as duas patas); andar (ato em que
o rato desloca-se dentro da caixa com as quatro patas no chão); erguer (ato em
que o rato se impulsiona para cima com as patas fronteiras sem tocar no chão);
farejar (ato de usar o focinho para cheirar o ambiente); resposta de pressão à
barra (ato aprendido de toque na barra com as duas patas frontais para receber
alimento); beber (ato de colocar a boca no bebedouro para tomar água); comer
(Ato de se alimentar pela boca a comida deixada na caixa); reforço manual (ato
feito pelo experimentador de liberar o alimento).

4.4.2. Coleta de dados


Foram utilizados, além do programa simulador operacional Sniffy Pro
2.0, um cronômetro para sinalizar a mudança dos minutos e uma planilha em
formato Excel. Durante 30 minutos, as alunas observaram e anotaram cada
comportamento do rato, sendo que uma coordenava o tempo e observava os
comportamentos e a outra, colocava as siglas nas linhas da planilha do Excel
correspondentes aos minutos do experimento.

4.4.3. Análise de dados


Foram constatados ao total os seguintes comportamentos: limpar (L) 240
vezes; andar (A) 269 vezes; erguer (E) 277 vezes; farejar (F) 129 vezes; resposta
de pressão à barra (RPB) 18 vezes; beber (B) 0 vezes; comer (C) 35 vezes;
reforço manual (RM) 23 vezes.
Ressalta-se que tocar a barra (T), beber (B) e farejar comedouro (FC)
foram excluídos do experimento.
A tabela final com os comportamentos analisados (tabela 1) restou da
seguinte maneira:
total comportamento
L 240
A 269
E 277
F 129
T 0
RPB 18
13
B 0
C 35
RM 23
FC 0

Quanto ao reforço manual, ao todo foram realizados 23 reforços, durante


30 minutos. A frequência máxima foi de 5 reforços manuais ao minuto 21,
seguido de uma queda na frequência simples do comportamento, conforme a
seguinte tabela (tabela 2):
freq. acumulada (Reforço
Manual)
1 0 0
2 0 0
3 0 0
4 0 0
5 0 0
6 0 0
7 0 0
8 0 0
9 0 0
10 0 0
11 0 0
12 0 0
13 0 0
14 0 0
15 0 0
16 0 0
17 0 0
18 0 0
19 0 0
20 0 0
21 5 5
22 4 9
23 3 12
24 3 15
25 2 17
26 2 19
27 2 21
28 1 22
29 1 23

14
30 0 23

Por sua vez, ao que se refere à resposta de pressão à barra, ao minuto


17 temos uma manifestação, mas a sua frequência passa a cresceu de maneira
expressiva apenas ao minuto 23. Ao todo, foram 18 RPBs, conforme disposto na
seguinte tabela (tabela 3):
freq. acumulada (Pressionou barra - RPB)
1 0 0
2 0 0
3 0 0
4 0 0
5 0 0
6 0 0
7 0 0
8 0 0
9 0 0
10 0 0
11 0 0
12 0 0
13 0 0
14 0 0
15 0 0
16 0 0
17 1 1
18 0 1
19 0 1
20 0 1
21 0 1
22 0 1
23 3 4
24 1 5
25 0 5
26 0 5
27 3 8
28 3 11
29 3 14
30 4 18

15
Assim, houve a redução do reformo manual (RM) a partir do minuto 22,
mas a frequência acumulada de resposta de pressão à barra (RPB), continuou
aumentando até o final do experimento.

5. RESULTADO
5.1 NÍVEL OPERANTE

Numa análise linear do total de comportamento observados, tem-se o


seguinte gráfico (gráfico 1):

Em um total de 30 minutos de experimento, de acordo com a tabela total


do experimento (apêndice nº1), nos primeiros 20 minutos, observou-se o rato à
nível operante. Como resultado, constatou-se que ele apenas emitia
comportamentos indiscriminados de limpar, andar, erguer e farejar.

5.2. REFORÇO MANUAL E RESPOSTA DE PRESSÃO À BARRA


Após o período inicial de nível operante, no minuto seguinte (21) iniciou-
se o processo de reforço manual da variável independente - a comida. A sua
frequência se manteve em alta apenas no início, sendo que, logo em seguida,
parou de crescer gradativamente, chegando a nenhum reforço manual no último
minuto, conforme a tabela 2. O gráfico final da frequência do reforço manual
resultou em:

16
Ao que se refere a resposta de pressão à barra (RPB), muito embora
tenha ocorrido uma manifestação ao minuto 17, ela só vai apresentar um
crescimento contínuo após o minuto 23, conforme a tabela 3. Isso resultou no
seguinte gráfico de frequência acumulada de RPB:

Assim, a resposta de pressão à barra só vai acontecer após o surgimento


do reforço manual pelo experimentador. Entretanto, após um número
considerável de reforços manuais e a sua posterior diminuição, a resposta de
pressão à barra continua crescendo, aumentando sua frequência mesmo sem o
reforço positivo.
Pode-se concluir, portanto, que o rato, que inicialmente era um ingênuo
experimental e só realizava comportamentos aleatórios, aprendeu um novo

17
comportamento após ser exposto ao reforço manual. Muito embora tenha
ocorrido uma resposta de pressão à barra antes mesmo do reforço manual, ela
pode ser ignorada, já que não ocorreu em uma frequência relevante até ser
iniciado o reforço manual.
Ao final do experimento, o rato não precisou mais do reforço manual para
entender que, ao pressionar a barra, a comida era liberada. Pressionar a barra
foi o seu comportamento aprendido.

6. DISCUSSÃO

Verifica-se ao longo do experimento que, quanto mais reforços manuais


o sujeito experimental recebia, e, consequentemente, mais alimento, maior foi o
estímulo para que ele pressionasse a barra por si só. Logo, o rato acabou
aprendendo um novo comportamento, por meio do reforço manual.
De maneira autônoma, o rato começou a pressionar a barra e a se
alimentar sozinho. Foi uma mudança no ambiente que influenciou o
comportamento deste referido animal. Portanto, ocorreu uma interação entre o
ambiente e o indivíduo, capaz de geral um novo comportamento.
Logo, as teses do behaviorismo radical restaram comprovadas
experimentalmente, ainda que o sujeito tenha sido um rato. Obviamente que
reproduzir tal tese aos humanos, apenas com essas conclusões, trata-se de uma
conclusão ingênua e precipitada - a qual não se pretende fazer agora.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a simulação virtual do experimento com ratos da caixa de Sniff,
constatou-se na prática a contribuição do behaviorismo radical para a construção
da ciência psicológica. Por meio de suas bases filosóficas, que se afastaram o
mentalismo e as explicações metafísicas para as ações humanas, Skinner foi
capaz de criar uma teoria capaz de explicar o comportamento, por meio da
observação e de um relatório topográfico de seu experimento.

Por questões éticas, durante a reprodução do experimento em sala de


aula foi utilizado um simulador virtual em substituição aos tradicionais ratos
albinos dos laboratórios experimentais da Psicologia. Muito embora a
experiência laboratorial não seja da mesma proporção do que quando se utiliza
18
animais de verdade, as conclusões obtidas por esse experimento apenas
demonstram que replicar resultados que já foram testados inúmeras vezes em
ratos reais transforma-se apenas em uma futilidade acadêmica. Colocar animais
em condições de estresse apenas para quantificar resultados está longe de ser
um dos objetivos da Psicologia.

Contudo, a experiência empírica para a construção do conhecimento é


mais do que necessária durante a graduação. Observar e executar um criterioso
método científico para a obtenção de resultados torna o processo de
aprendizagem mais fluido e palpável, pois apenas dizer que o ambiente
influencia o processo de aprendizagem do sujeito não é a mesma coisa que se
comprovar, via experimentos em laboratório.

Assim, constatou-se empiricamente que o reforço manual e a resposta de


pressão à barra são diretamente interligados no processo de aprendizagem de
um novo comportamento pelo rato. A seleção pelas consequências, trazida por
Skinner, nada mais é do que a conclusão de que resultados bem-sucedidos
tornam determinadas atitudes mais prováveis de acontecer. Logo, se o rato
percebe que ao pressionar a barra provoca a liberação da comida, maiores são
as chances de reprodução desse comportamento e, consequentemente, da sua
aprendizagem.

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REFERÊNCIAS:

BAUM, William M. Compreender o behaviorismo : comportamento, cultura e


evolução [recurso eletrônico] / William M. Baum ; tradução : Daniel Bueno ;
revisão técnica : Fernando Albregard Cassas. -3. ed.- Porto Alegre : Artmed,
2019.

DE-FARIAS, A.K. (2010). Análise do Comportamento Clínica. Porto Alegre:


Ed. Artmed.

SERIO, Tereza Maria de Azevedo Pires. O behaviorismo radical e a psicologia


como ciência. Rev. bras. ter. comport. cogn., São Paulo , v. 7, n. 2, p. 247-
262, dez. 2005 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
55452005000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 13 set. 2020.

MELO, Camila Muchon de. A concepção de Homem no Behaviorismo Radical


de Skinner: um compromisso com o bem da cultura.. 2004. 106 f.
Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de São
Carlos, São Carlos, 2004. Disponível em <
https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/4877>. Acesso em 03 out. 2020.

MIRANDA, J. J., Gonçalves, A. L., MIRANDA, R. L. & CIRINO, S. D. 2011. Ética


em experimentação animal: reflexões sobre o laboratório didático de Análise do
Comportamento. Revista Psicologia: Teoria e Prática, 13, 198-212.

MOREIRA, M.B.; MEDEIROS, C.A. Princípios básicos de análise do


comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007

20
APÊNDICES:

TABELA 1:

21