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MATEUS ANDRADE PEIXOTO

IOT E O IMPACTO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA

LAVRAS - MG
2018
RESUMO

O artigo proposto pela disciplina Metodologia Científica e Tecnológica teve como objetivo a
compreensão das partes que compõem genericamente um trabalho acadêmico desse tipo, bem como
o desenvolvimento e escrita de cada uma delas através de uma revisão de literatura sobre algum
tema relacionado ao contexto do curso de Engenharia de Controle e Automação. Para tal, foi feita
um levantamento bibliográfico para o embasamento teórico do assunto escolhido, abordando
conceitos como Indústria 4.0, Internet das Coisas e Big Data (banco de dados). Visando relacionar
esse referencial teórico com o atual cenário da indústria nacional, foram pesquisados dados
estatísticos para análise crítica de quanto nosso país avança do ponto de vista tecnológico em
relação a demais nações pioneiras nesse setor. Avalia-se que o trabalho proposto foi capaz de
proporcionar maior conhecimento sobre a Internet das Coisas, além de comprovar que essa
tecnologia caminha lentamente dentro da nossa realidade, apesar de algumas empresas já
empregarem em seus processos produtivos. Pode-se deduzir que é necessário difundir amplamente
essa ideia, bem como seus benefícios, aplicações e vantagens para que se expanda pelas demais
industriais brasileiras e seja um fator positivo para o crescimento econômico do país.
Palavras-chave: Internet das Coisas. Indústria Brasileira. Indústria 4.0.
1. INTRODUÇÃO

A IoT, Internet das Coisas, é uma forma de integrar dispositivos e objetos e proporcionar
uma conectividade mais rápida e dinâmica, promovendo a troca de dados e informações em tempo
real e uma ampla possibilidade de serviços a serem moldados a partir dessa tecnologia. Sua chegada
ao país é liderada por startups e empresas de grande porte interessadas em aperfeiçoar suas cadeias
de produção, expandir o seu mercado com o aumento da oferta de produtos e obter maior
produtividade.

Desde a Primeira Revolução Industrial, na qual iniciou-se o processo de transição da


manufatura para o sistema fabril, a humanidade busca por constantes inovações que prometem
aperfeiçoar o convívio em sociedade e melhorar as condições de vida das pessoas. Atualmente,
podemos perceber que esse processo é contínuo e se estende por diversas áreas como Computação,
Robótica e Automação, proporcionando avanços tecnológicos e colocando em discussão até onde
podemos crescer e desenvolver.

O Brasil tenta acompanhar o ritmo dessas revoluções ao trazer inovações para as indústrias,
comércios e residências de forma a se adequar ao mercado global, mas não na mesma intensidade
que as potências econômicas mundiais. Esse ‘’atraso” é explicado pelo economista Celso Furtado
através da teoria de que a economia brasileira se especializou na produção de mercadorias básicas,
por isso industrializou-se tardiamente.

Atualmente, um dos desafios para o estímulo e difusão plena das tecnologias e inovações no
cenário nacional é a falta de recursos e incentivos para a concretização desse avanço por parte do
governo e das iniciativas privadas, além da precarização do sistema educacional do país que não
possibilita uma formação profissional que atenda aos parâmetros desse desenvolvimento global, ou
seja, é um conjunto de fatores que colocam o Brasil fora da condição de protagonista em tal
contexto. É necessária uma mudança profunda para que o país alavanque nesse sentido e entre em
sincronismo com as tendências mundiais lideradas pelos países desenvolvidos.
1.1 PROBLEMA DE PESQUISA

A Quarta Revolução Industrial, conhecida como Indústria 4.0, promete intensificar a


chegada da tecnologia da informação nas linhas de produção e também acirrar a competitividade no
mercado. Nesse contexto, a Internet das Coisas (IoT) é uma aliada para garantir sistemas
inteligentes a partir da interligação entre dispositivos e uma conexão com rede, coletando e
transmitindo dados de forma eficiente e permitindo a tomada de decisões rápidas e certeiras por
parte das industrias.

Apesar do baixo investimento tecnológico que o país apresenta, de modo geral, as empresas
que não se modernizarem perderão espaço até mesmo no mercado interno, isso porque a crise
econômica forçou uma transformação no setor industrial para se adaptar ao cenário de
instabilidades e atender demandas cada vez mais específicas. Mediante a esse cenário, a indústria
brasileira se aproveita dos avanços na computação e da informatização para dinamizar as suas
linhas de montagem, garantindo rapidez e maior produtividade a partir da análise de dados em
tempo real e maior controle sobre a produção. O investimento em IIOT, a internet das coisas na
indústria em si, já faz parte da nossa realidade e vem crescendo nos últimos anos com o objetivo de
potencializar o mercado brasileiro para a concorrência externa.

A proposta do artigo é justamente debater quais os impactos que essa revolução terá em
nosso país e os desafios a serem encarados, além do seu andamento nos dias atuais, quem são os
pioneiros em aplicação e investimentos na área e as previsões para o futuro.
1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

1.2.1 OBJETIVO GERAL

 Destacar os benefícios que a IoT proporciona e o andamento de sua chegada no setor


industrial brasileiro.

1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Descrever a aplicabilidade e a funcionalidade dessa tecnologia.


 Identificar quais tipos de industrias estão se destacando na implementação da IIOT
(Industrial Internet of Things).
 Levantar dados estatísticos do número de dispositivos conectados, investimentos e lucros.
 Avaliar as vantagens que esse sistema proporciona nos meios de produção e os possíveis
ganhos para o mercado brasileiro.
 Expor o cenário nacional quanto ao desenvolvimento tecnológico e as limitações existentes.
1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O desenvolvimento do artigo iniciou-se na recapitulação de conceitos entrelaçados ao tema,


tais como redes de dados, controladores, indústria 4.0 e automação, e em uma análise superficial de
como esse assunto têm sido pauta em nosso país, seja por meio da mídia, da aplicação da IoT
(Internet of Things) por parte de indústrias ou como tem sido referência para outros estudos e
trabalhos acadêmicos.

Com o objetivo de obter referenciais teóricos, o primeiro procedimento foi a realização de


uma pesquisa bibliográfica que levou a reflexão de possíveis pontos a serem agregados no trabalho
e permitiu maior assimilação da temática a ser tratada. Para o levantamento de dados estatísticos,
foi realizada uma pesquisa documental juntamente com a análise das informações descritas pela
fonte da pesquisa a fim de quantificar aspectos relativos a essa tecnologia, como por exemplo
estimar o seu alcance, os investimentos envolvidos e comparações entre setores que a empregam.

Quanto a abordagem da pesquisa, ela pode ser classificada em qualitativa, por meio da qual,
segundo Rodrigues e Limena (2006), “o pesquisador tenta descrever a complexidade de uma
determinada hipótese, analisar a interação entre as variáveis e ainda interpretar os dados, fatos e
teorias”. E também possui uma abordagem quantitativa que, na perspectiva de Appolinário (2011),
é a modalidade em que “variáveis predeterminadas são mensuradas e expressas numericamente. Os
resultados também são analisados com o uso preponderante de métodos quantitativos, por exemplo,
estatístico”. Portanto, podemos classificá-la num movimento de pesquisa ‘quali-quanti’.

Quanto a natureza, ela se caracteriza por ser uma pesquisa básica que, segundo Appolinário
(2011), “tem como objetivo principal o avanço do conhecimento científico, sem nenhuma
preocupação com a aplicabilidade imediata dos resultados a serem colhidos”.

Quanto aos objetivos, ela pode ser definida como uma pesquisa exploratória que, de acordo
Severino (2007), “busca apenas levantar informações sobre um determinado objeto, delimitando
assim um campo de trabalho, mapeando as condições de manifestação desse objeto”. Na
perspectiva de Appolinário (2011), a pesquisa ou estudo exploratório tem por objetivo “aumentar a
compreensão de um fenômeno ainda pouco conhecido, ou de um problema de pesquisa ainda não
perfeitamente delineado”.

Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa bibliográfica é, segundo Marconi e Lakatos


(2010),

[...] um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados,


revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e
relevantes relacionados com o tema. [...] Sua finalidade é colocar o
pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre
determinado assunto [...].
Também citada como método utilizado, a pesquisa documental é entendida por Severino
(2007) como a consulta em

[...] documentos no sentido amplo, ou seja, não só de documentos


impressos, mas, sobretudo de outros tipos de documentos, tais como jornais,
fotos, filmes, gravações, documentos legais” [...] que podem servir como
fonte de informação para a pesquisa científica.
Em relação a técnica de pesquisa em si para mediação prática e demonstração das
informações obtidas, a documentação, que de acordo com Severino (2007), “é toda forma de
registro e sistematização de dados, informações, colocando-os em condições de análise por parte do
pesquisador” , é a técnica ser utilizada nessa pesquisa, tendo em vista a composição do artigo
através de uma revisão da literatura (ou revisão bibliográfica).

Mediante aos métodos citados, as classificações da pesquisa e as técnicas empregadas para a


sua realização, pretende-se ter um enfoque específico no tema bem como no seu desenvolvimento,
baseado em uma fundamentação teórica condizente com a proposta do artigo.
2. DESENVOLVIMENTO

2.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Internet das Coisas é um conceito que vem ganhando espaço na era digital e promete
revolucionar a integração de objetos e tecnologias através da internet, criando uma rede de dados
com atualização em tempo real e proporcionando maior dinamização das informações. Segundo
Tan e Wang (2010), é uma nova forma de tecnologia da informação e da comunicação que se difere
do habitual, onde pessoas se comunicam com outras pessoas pois agora as coisas também poderão
se comunicar com as pessoas e com outros dispositivos.

De acordo com Evans (2011), a IoT representa a primeira evolução real da Internet, tendo
um grande avanço na capacidade de coletar, analisar e distribuir dados. No contexto atual de
aumento significativo do número de tablets, smartphones, computadores e outros hardwares, essa
inovação permite a interligação e a tomada de decisões inteligentes com base nas análises de
tendência de um processo e no banco de dados (Big Data) associado.

O Big Data pode ser resumidamente definido como o “processamento (eficiente e escalável)
analítico de grandes volumes de dados complexos produzidos por (várias) aplicações”. (Marcos et
al 2012). Uma das possíveis aplicações desse conceito é, segundo Fernanda (2017), no chão-de-
fábrica, onde seria possível analisar os índices de eficiência de máquinas e operadores, na cadeia de
suprimentos como um todo, na qual embalagens e peças seriam rastreadas desde o momento que
deixam um cliente ou fornecedor.

Nesse ambiente, de acordo com Tan e Wang (2010), os objetos recebem três características:
inteligência, conectividade e interação. Durante a incorporação da inteligência esses objetos
desempenham tarefas automaticamente. A partir da conectividade com a internet propicia-se a
inteligência de fato, pois permite uma interação que não se dará apenas pela interconexão entre as
coisas. É necessário que as mesmas possam processar informações, autoconfigurar-se, realizar sua
automanutenção, seu autorreparo e obter decisões sozinhas. Desta forma elas poderão trocar
informações entre si.

Ao citar a IoT no setor industrial, criou-se um termo, IIoT – Internet Industrial das Coisas,
esta tem como enfoque o desenvolvimento de informações em toda a cadeia de suprimentos,
otimizando recursos e beneficiando os processos produtivos, onde, equipamentos, maquinários e
fornecedores estão conectados em rede, isto permite que os gestores percebam a perca de
produtividade e as falhas nos processos operacionais antecipadamente, tomando decisões de
produção, contingências, segurança e custos em tempo real, através de um modelo artificial
complementado pela IoT, por esse motivo, a mesma foi introduzida na Indústria 4.0. (Giovanna et
al., 2018).

Figura 1: Indústria 4.0.


INDÚSTRIA 4.0

Conhecida como “A Quarta Revolução Industrial”, é um conceito de indústria proposto


recentemente e que engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação,
controle e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura. [...] Baseia-se
basicamente na conectividade, integração da cadeia de suprimentos, sistemas ciberfísicos, capazes
de integrar o chão de fábrica (robôs, produtos e logística) e a aplicação de novas tecnologias.
(Fernanda, 2017).

Esse sistema, composto pela IoT e a integração com o Big Data, permite grande aquisição de
dados e aprende conforme o processo ocorre, criando uma eficiente estrutura de tomada de decisões
em tempo real e sem intermediários. Como diz Kagermann et al. (2013), “um dos pilares que
sustenta a Indústria 4.0 é o Internet of Things, que é capaz de conectar tanto o produto, quanto o
processo, por meio de sensores inteligentes”.

Figura 2: Indústrias Conectadas.


FONTE: Internet das Coisas: Um plano de ação para o Brasil (2017).
APLICAÇÕES E VANTAGENS

Nota-se que a Indústria 4.0 é fruto do aperfeiçoamento de diversas tecnologias que, em


conjunto, atuam na otimização das cadeias de produção e proporcionam inúmeras vantagens. O que
se almeja dentro desse contexto é a redução de custos, aumento da produtividade e ganhos em
escala, além da melhoria de produtos e abertura de mercados. (Giovanna et al., 2018).

Nesse contexto, a IoT possibilita uma nova fase da automação com a digitalização dos
processos de produção, aumentando a capacidade de monitoramento e controle das ferramentas e a
utilização dos dados coletados para melhorar a qualidade do sistema produtivo. Um exemplo prático
de aplicação é na manutenção preditiva, na qual envolve o uso de sensores para monitorar as
máquinas de forma contínua para evitar avarias e determinar quando a manutenção será necessária,
em vez de depender de rotinas de manutenção agendadas regularmente. (James Manyika et al.,
2015).

Além disso, as máquinas podem reproduzir diferentes modelos de um produto em sequência,


sem qualquer necessidade de parada para reconfiguração. “Tradicionalmente, a produção industrial
acontece em lotes muito grandes. Mas, com a digitalização, cada produto é único na linha de
produção”, afirma o professor Eduardo de Senzi Zancul, da Escola Politécnica da Universidade de
São Paulo (Poli-USP).
2.2 COLETA E ANÁLISE DE DADOS

Segundo dados da consultoria Gartner, funcionam hoje no mundo 8,4 bilhões de objetos
conectados, como smart TVs, automóveis, sistemas inteligentes de iluminação ou equipamentos
industriais, entre vários outros. O número é 31% maior do que o de 2016 e, segundo a Gartner, deve
crescer em 2020 para 20 bilhões de “coisas” ligadas à internet.

Figura 3: Gráfico do número de dispositivos de IoT por país.

Falta resolver questões como segurança e privacidade, mas sabe-se que a Internet das Coisas
pode tornar os governos mais eficientes, melhorando a gestão do transporte público, da saúde digital
e da energia. “Um aplicativo como o Uber é Internet das Coisas em estado puro. Automóveis e
passageiros se rastreiam por meio do celular e se encontram”, exemplifica Vinícius Garcia de
Oliveira, pesquisador da Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e
responsável pela vertente tecnológica do estudo.
PANORAMA NACIONAL

De acordo com a pesquisa da FAPESP (2017), entidades empresariais, o governo e agências


de fomento discutem estratégias para estimular e organizar a disseminação da manufatura avançada
no Brasil, um conjunto de tecnologias que sustentam processos industriais inteligentes. O desafio é
garantir competitividade à indústria brasileira frente a uma transformação que ganha corpo na
Europa e nos Estados Unidos, dando mais eficiência e flexibilidade as linhas de produção e
reduzindo custos. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) revela que apenas
2% das empresas nacionais atualmente adotam tecnologias da indústria 4.0. Em países como
Alemanha, Israel e Estados Unidos, o índice é de 15%. Ou seja, há muito o que caminhar para
alcançar o patamar de países desenvolvidos.

A partir desses dados, é dedutível que, historicamente, o Brasil enfrenta dificuldades para o
desenvolvimento tecnológico e não consegue acompanhar o mercado mundial no mesmo ritmo de
líderes mundiais no segmento. Crises políticas e econômicas, escassez de investimentos em
tecnologias e no campo científico para o desenvolvimento interno e a falta de recursos e ambição
nessa área comprometem a chegada da manufatura digital de fato e de outras inovações associadas.

Figura 4: Países destaques na produção científica relacionada a IoT.

Segundo o engenheiro Antônio Rossini, um dos fundadores da Nexxto, empresa de São


Paulo que oferece serviços em IoT para monitorar temperatura e umidade na cadeia de alimentos,
“um dos grandes obstáculos para a expansão de negócios em Internet das Coisas são as deficiências
da infraestrutura de telecomunicações”. Além disso, um grande desafio é a pequena quantidade de
profissionais capacitados a atuar nesse novo modelo de indústria, assim como a utilização de
equipamentos antigos e incapazes de se conectarem a redes IP. Nota-se que todos esses fatores
dificultam a expansão da IIoT no Brasil.

O mercado de Internet das Coisas (IoT) no Brasil movimentou US$ 1,35 bilhão em 2016,
sendo que a indústria automotiva e as verticais de manufatura foram as mais relevantes, de acordo
com estudo da Frost & Sullivan, empresa de consultoria de negócios sediada na Califórnia.

Dentre os projetos considerados 4.0, podemos destacar o da Ambev, que em 2015 adotou
um sistema de automação para melhorar o controle do processo de resfriamento da cerveja e reduzir
as variações de temperatura, evitando, assim, o desperdício de energia. Na Volkswagen Brasil,
todos os projetos nascem a partir de um modelo digital. Os produtos são simulados em ambiente
3D, o que acelera o processo, garante flexibilidade, otimiza o tempo de produção e ainda abre
postos de trabalho altamente qualificados. A Volkswagen tem investido em software, hardware e
treinamento para que os funcionários passem a lidar com essa nova realidade.

A partir do estudo “Internet das Coisas: Um plano de ação para o Brasil”, feito por um
consórcio de instituições sob encomenda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
(MCTIC), objetiva-se tornar a IoT um instrumento de desenvolvimento sustentável da sociedade
brasileira, capaz de aumentar a competitividade da economia, fortalecer as cadeias produtivas
nacionais e promover a melhoria da qualidade de vida.

De acordo com um levantamento realizado pela consultoria McKinsey, o potencial impacto


socioeconômico da IoT na produtividade da economia do Brasil foi avaliado em até US$ 200
bilhões por ano, considerando a utilização em diversos segmentos da economia descritos no plano
até 2025. Na indústria, a previsão é que a produtividade possa se elevar em até 40% com a melhoria
do controle de estoques e da logística, além de haver uma projeção de queda de 20% nos acidentes
de trabalho nas indústrias de base.

O avanço da manufatura avançada em diversas cadeias produtivas terá impacto crescente


sobre a indústria nacional, afirma o economista Rafael Moreira, assessor para Indústria 4.0 do
Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). “Será cada vez mais intensa a
pressão competitiva e as empresas brasileiras vão sentir a necessidade de se modernizar”, sugere
Moreira.
A percepção da importância e dos benefícios que a Internet das Coisas é capaz de fornecer
também é um fator a ser trabalhado para a expansão dessa tecnologia nas empresas nacionais. De
acordo com um estudo da consultoria Pyramid, um dos principais desafios para as companhias é
entender a Internet das Coisas como uma nova fonte de receita. Este fator foi mencionado por 32%
das empresas como o principal entrave para conseguir iniciar um projeto relacionado à IoT.

Figura 4: Desafios na implementação da IoT.


3. CONCLUSÃO

Mediante ao assunto abordado na pesquisa e nos dados quantitativos e qualitativos


referentes a chegada da Internet das Coisas no mercado brasileiro, especificamente no setor
industrial, vale ressaltar que essa é uma tecnologia de extrema significância para o desenvolvimento
e crescimento econômico do país, e o seu avanço, apesar do estágio inicial em que se encontra,
promete agitar o campo científico e tecnológico através da busca de novas aplicações e vantagens a
serem exploradas nos processos produtivos.

O Brasil, na sua condição de país emergente, demonstra sua inferioridade e poder de


inovação frente a países desenvolvidos por meio de sua ineficaz estrutura de incentivo ao
surgimento de tecnologias, bem como o aperfeiçoamento das existentes. O estudo “Internet das
Coisas: Um plano de ação para o Brasil”, é apenas um primeiro passo para grandes medidas a serem
tomadas nos próximos anos. A potencialidade da IoT, juntamente com a Indústria 4.0, é
comprovada através de índices de melhoria na produtividade e no surgimento de novos serviços e
produtos, ou seja, é um recurso que deve ser mais explorado de forma geral, mas que depende do
interesse de iniciativas privadas e do estímulo dos governos para que, de fato, esteja presente nas
cadeias de processos e proporcionem benefícios em maior escala.

Por fim, cabe destacar a importância de disseminar esse conhecimento para que empresários,
donos de grandes marcas e startups possam aderir e investir nessa tecnologia, assim como
reconhecer as inúmeras vantagens que ela proporciona. Por ser uma rede de dados complexa e
interligada, a questão da privacidade e segurança de informações é um tabu a ser superado, mas não
deve ser um empecilho para a implementação da IoT. Logo, com o engajamento nesse negócio, há a
possibilidade de aperfeiçoamento, expansão e facilidade de acesso por parte de demais industrias
que receiam ou desconhecem essa ferramenta, mas buscam uma forma de inovar e melhorar seus
resultados.
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