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lipos de Poder
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lO iu uses

2. I. Bar~cellc)5. Lliust;avo.

m(::HCle!i para sistemático:

osdirewlS
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Nem a necessidade nern 0 desejo, mas 0 amor


pdo poder, é 0 demonio da humanidade.
Dê~se aos ho mens todo 0 possivel -saude, alimento,
abrigo, prazer- edes continuam infelizes e
caprichosos, porque 0 demonio está sempre
à espreita; e ele precisa ser satisfeito.
Tire,se dos homens tudo 0 maïs e satisfaça-se esse
demonio; entäo eles serào quase feHzcs - tao
felizes quanto podem ser homens e demànios.

- FRIEDRICH N IETZSCHE,
Aurora
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SUMÁRIO

PREFÁCIO de Gustavo Barcellos 9

ABERTURA 15

PARTE1: 0 HEROisMO MUTANTE DO PODER 37


Introduçao 39
Eficiência 44
Crescimento 55
Serviço 74
Manutençäo 90

P ARTE 2: ESTILOS DE PODER 99


A linguagem do poder 101
Controle 114
Cargo 120
Prestigio 123
Exibidonismo 127
Ambiçäo 132
Reputaçäo 136
Influência 141
Resistênda 143
Liderança 146
Concentraçäo 153
Autoridaoe 157
Pcrsuasüo 163
Carisrna 167
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Ascensào 170
DC'l'isäo ) 74
1.,ümida<;äo 178
Tiran\a I Hl
Vt'to lR8
Purismo J9)
Pod~r sutil 1

PARTE 3: MITOS 00 p{)DEn., PODER DOS MITOS 207

ENCERRAMENTO: PODER E PODERES 231


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PREFAcIO

J~l
faz alguns aoos que Jnmes t-lillman - 0 mais inovador,
pro\\_xante e imaginativo pensador e analista junguiano con-
tenl{X1ràneo, cuja extensa obra venho buscando apresentar, em
certa pareela, ao leitor brasileiro- se ocupa em levar a reflexäo
psicológica para além dos lin1ites dos consultórios dinicos. 0
entrelaçanlento de economia e a1ma, aqui apresentado, é urn bom
exen1plo dessa afirmaçäo.
Considero de fundamental importància 0 conjunto do tra-
balho de Jan1es Hillo1an, tanto que há algum tempo selecionei,
traduzi e publiquei uma série de artigos seus sobre 0 entrelaça,
mento de eidade e alma. Toda a psicanálise, como a conhecemos
e praticamos no século :xx a partir de Freud e Jung, nasceu em
cïdades, como Viena e ZuTique: uma atividade urbana para eida,
däos urbanos. Portanto, 0 enlace entre polis e psique já está dado
desde 0 infeio em nosso eampo.
Certamente 0 inconsciente näo está mais onde estava nas
épocas de Freud e Jung. Sabeu\Os que devenîos buscá~lo, via de
regra, onde nos sentimos mais oprimidos. Depois do devas~
samento de nossa esfera privada -na irrestrita e cada vez mais
aberta discussäo de seus aspectos emocionais) sexuais, morais e
existenciais mais complexos instaurada pe1a própria pskanálise
e, apartir dela, pela Hteratura, pelo cinema e pel a te1evisäo de
nosso tempo, atingindo niveis sofisticadissimos- é hoje nas cida,
des, na esfera publica, onde parece estarmos mais à nlostra em
nossa patologia coletiva e enl nossa necessidade de consciência.
Edi((cios catatónicos ou anoréxicos, consumo e lazer mania·
cos, desloeamentos compulsivan1ente facilitados, instituiçöes

9
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principnimente lá que ela está, a atma, mais do que nunca, repri,


midn e aprisionada, tornando~nos a todos reféns de suas metá·
foras. E é na munoo dos negócios que podemos, com 0 autor
deste livro, enxergar nlais claramente as idéias de poder que nos
engendram e nos moldam.
Portanto, é para 0 mundo dos negócios e sua administraçáo
que 0 analist a junguiano leva aqui urn othar psicológico, eert a'
n)ente unico, na tentativa de recuperaçäo de modelos mais saudá-
veis de relaç6es, e em busca de "descobrir como, de que modos
particulares e especificos as idéias de poder atuam em nossa psico-
logia diária".
Levando a ref1exäo de cunho psicológico agora para os domi>
nios da Economia e da Administraçäo, James Hillman mantém~
se, coma sempre, fiel à sua metáfora básica, a a1m3) tornando aque~
les mais diretamente envolvidos na universa das empresas, e dos
empreendimentos, mais conscientes das fantasias e desvios que
ton10U a idéia de poder nos se us diversos estilos de apresentaçäo.

GUSTAVO BARCELLOS
analista junguiana
Säo PauIa, dezembro de 2000

Gustavo Barcellos é psicö\ogo, mest re em Psicologia Clinica pela


Ncw School for Sod~ll Research, membro anaHsta da AJB-Asso-
ciaçáo Junguiana do Bmsil e da IAAP-Associaçào lnternadonal
de Pskologia Analftica. T mdutor de várias obras de ]ames HiHrnan,
e~creve e conduz semimirios no campo da Psicolo~ia Arquetfpica.
Autor de Jung (Editora Atka. Sào P"Hllo, lqql).

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liPos de roder
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AHERTURA

Este livro aborda a psicologia dos negócios. Coma escritar


de pskologia, estou me voltando para os negócios em atençäo ao
meu publico, porque é nessa área, acredito, que as mentes maïs
ousadas e desafiadas estào agindo e é nela que as questöes do
poder säo maïs centrais. A psicologia dos negócios nao interessa
apenas aos empresários e empresárias, àqueles envolvidos em in-
dustria, comérdo e economia. Para tod os nós, os negócios forne-
cern 0 principio organizador de cada dia e a principal razäo para
levantar de manha. Ocupar-se de seu dia é ocupar,se de seus
negócios. Os negócios proporcionam as idéias que moldam nossa
vida - seus sucessos, seus valores, suas ambiçöes. 0 drama dos
negócios, com suas lutas, desafios, vitórias ederrotas, forma 0
mito fundamental da nossa civilizaçao, a história que explica a
motÎvaçao implicita nos rituais do nosso comportamento. 0 que
vivemos na vida cotidiana sao as idéias básicas dos negócios -
ganhar, gastar, poupar, produzir, avaliar, possuir, vender... T alvez
gostemos de acreditar que 0 amor determina nosso destino ou que
os profundos sonhos e paixöes da alma, ou os avanços da ciência
tecnológica, säo os fafores formativos que dîrecio-
nam nossa vida. Na vida real, porém, somente as idéias ......_
.sc
dos negócÎOS estäo sempre conoseo, da garagem à
escrivaninha, cla aurora ao crepusculo.
Entre todas das, a que domina é a idêia do
"poder" . É eia 0 dClnónÎo invisivel que dá origem.
às nossas rnotivaçöes e escolhas. 0 poder está por
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trás do nledo da perda e do descjo Je (ootrolar; é dele que espe-


ramos os nlaiores prêmios. Sendo assirn. darei ao poder 0 espaço
mais amplo e me dcterei nde de vririas rnaneiras nos capftulos a
segUlr.
o {X-xIer nunca aparece despido: veste os disfarces da auto,
ridade, do controle, do prestfgio, da influência, da fama etc. Para
a.1cançar a natureza do poder cm sua totaJidade, precisamos pene~
tTar na verdadeiro signitlcado de seus vádos esrilos e descobrir
como, de que modos particulares e especificos as idéias de poder
atuam em nos..<;a psicologia diária. E embora as idéias sobre 0 {X)der
sejam 0 conteudo aparente das páginas a seguir, é 0 poder das
idéias que constitui seu conteudo latente. Pois, enquanto você e
eu cogitamos e meditamos, estamos 0 tempo todo comprometi,
dos näo com uma coisa ou fato chamado "poder" , mas com idéias.
Esta introduçäo tentará esdarecer por que, a meu ver, fazer essa
distinçäo é rao fundamental.
o
calendário pendurado na parcde, com seu poder amea-
çador, dernonstra para todos igualmente que estamos vivendo 0
momento final de urn século, de urn milênio, de uma era. En-
quanto isso, as revistas cientificas relatam uma imensa extinçäo
de espécîes bialógicas, comparável à da Era Glacial. 11igraçöes,
pragas, açäo predatória, envenenamento, mudanças geográficas,
genéticas e bioquimicas abalam profundamente a fé no curso da
continuidade histórica. Antigas esperanças se desorgani::am; 0
futura é incerto - as próprias idéias de lolpassado" e "futuro" estäo
sendo desconsrrufdas, pois já nao conseguimos diferenciar previ~
söes de fantasias ou registros, e lembranças de interpretaçöès.
Em que nos basear? Quais os bens verdadeiramente duráveis? 0
rnundo dos negócios, coma parte do rnunda C0010 UOl todo, sente
essas mudanças tectónicas em sua alma e tenta por escoras cm
suas idéias básicas. De que idéias os negócios retiranl a força neces,

16 Tros DE PODER
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s;lria para se nmnter na suprema posic,::io qut' ainda d{'ti'rn sohrc


nossa vida ao virar das p,iginas Jo calend:iriol
As idéias do lllundo dos negc)cios, tnis corno hen<;, trOGI 1

custo, mercado , demanda, lucro e propriedaJe, podern ter p;lrtido


originalmente de simples barganhas e acordos comerciais p;Jfr.J
tornar-se conceitos abstratos. Agora estäo enraizaJas como entj,
dades independentes, tomaram corpo e se transformaram cm urn
organislno rnuitissimo complicado chamado Economia, que abar~
ca 0 mundo todo, desenvolvido ou subdesenvolvido, de livre
mereado ou de economia centralizada, industrializado ou atcai-
co. A Economia, 0 deus da civilizaçäo mundial, fez até mesmo
uma operaçäo de fusäo, juntando nacionalismo com segurança
nacional. A empresa multinacional detém maïs "poder" do que
muitos governos, e seu poder se assent a em sua saude económÎca.
Os negócios, conforme definidos pelas idéias do capitalis-
mo ocidental, tornaram,se a força básica da sociedade humana e,
como todo monoteîsmo, proclamam uma fé fundamentalista em
seus dogmas. Os negócios venceram tudo 0 que havia em seu
caminho. Seus derradeiros iniffiigos säo os mesmos de seropre:
os remotos deuses da vingança sanguinária, do tribalismo terri-
torial, a estranhamente recorrente guerra mOTtal entre os sexos,
as divindades indomáveis da natureza - oceanos, desertos, 0
magma do nucIeo da Terra, os poderes da tempestade e da chuva.
Só eles restaram para desafiar e dilacerar 0 po der dos negócios.
Os campos de batalha do meio ambiente säo hoje 0 lugar onde se
travan1 as guerras religiosas, mostrando que os antigos deuses
pagäos da natureza náo (oram aincla sujeitados peios planos de
unificaçäo global desse deus chamado Economia.
A Economia difere de outros impérios mundiais, náo depen~
denclo de legiöes romanas ou encouraçados britänicos, de polfcia
secreta ou estoques de armas nucleares. Seu poder, assim conlO

ASERTURA 17
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o das rcHgiü("~. lnll'rlorizou-sc. Cîov('r na at ravés de nwios psicolö-


gicos. A Econnnlla tlctcrtnina qtWnl est;, indufdo e quem e'\t::i
marginali:ado, distrihuindo os prèu\ios eos castigos da ri(tl f'Z~J e
da pobreza. do privilégio e da exclus:lo. Por ser a jnterinriz~lÇ;iq
de Sllas idéias lUl) fenötneno Uio inquC'stionrivc1 e universal, é na
Economia que reside 0 inconsdente contcmporflnco e onJe a
análise psicológica se faz mais n.ecessária. Nossa viJa pessoal näo
é maïs 0 lugar da inconsciência - as sessöes de terapia, os grupo~
de ajuda ou de aconselhamento familiar, as nove1as e entrevistas
da televisao escancaram os armários das paixöes e das dores pri~
vadas. 0 inconsciente é exatamente 0 que a palavra diz: aquilo
que é roenos conscien~e por ser mais usual, familiar e cotidiano.
E essa é a ciranda diária dos negócios.
Por causa de seu domfnio universal, as idéias dos negócios,
em particular a que sustenta 0 seu poder -a própria idéia de
poder-, devem tornar,se 0 faco de interesse de toda e qualquer
psicologia que tente entender os membros da sociedade contem,
poränea. Os negócios nao säo urn mero fator, urn componente
entre os muitos que afetam nossa vida. Suas idéias fornecem a
trama e a urdidura básica inescapável na qual säo tecidos os
padröes do nosso comportamento. N ao podemos escapar da Eee--
nomia. Desconsiderar 0 desejo de lucro, a vontade de possuir, os
ideais de salário justo e justiça económica, ressentimento con ° B

tra os impostos, as fantasias sobre inflaçäo e depressäo, a seduçao


da poupança; ignorar as psicopatologias embutidas em negociar ~
acumular, consumir, vender , trabalhar e ainda assim fingir com'
preender a vida interior das pessoas na nossa sociedade, seria 0
utesmo que analisar camponeses, artesäos, dan1as e nobres da
sociedade medieval sem considerar a teologia cristä, C0010 se e1a
fosse mero episódio sem maiores conseqüências. A Econon1ia é
nossa teologia contemporänea, independentemente da nossa ma'

18 TIPOS DE PODER
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cia e almoços com podcrosos; Iivros sobee 0 poder e ataques de


prepotència; Ieme do poder e ferramentas do pocler; acessos de
roder e loucos pelo poder; até cançöes do poder e animais de
poder do xamanismo cla Nova Era. 0 poder, como idéia geral,
pede diferenciaçao t e essa é a segunda intençäo des te livro: distin ...
guir os grupos de idéias que comp6em a pa1avra "poder" e consti,
tuenl sua bagagem. Por exemplo: se você dissesse "quero mais
poder", 0 que estarÎa pedindo? Mais energia vital ou maïs oportu,
nîdades para dotninar situaçöes confusas? Muis reconhecimento
ou mais resistência para carregar seu {ardo? Você guer urn cargo
de maior prestigio ou quer ter mais voz ativa nas decisöes? Quer
liderar ou dar ordens? Quer ser amado pelo apoio que dá ou
respeitado peio temor que infunde? T odas essas idéias contam
quando se pretende distinguir e diferenciar. Em filosofia, diferen,
dar urn fen6meno, deixando que ele se mostTe sem preconceitos,
sem moralizar, advertir ou impor uma posiçäo sobre os demais, é
chalnado de método fenomenológico. Portanto, 0 que apresento
aqui é uma fenomenologia das idéias sobre 0 poder.
Diferenciar tipos eestilos leva a uma extensäo geral do po-
der pessoal. Esta é a terceira intençäo deste livro: ampliar a idéia
de poder, fazendo~a penetrar nas regiöes do sentimento, do inte-
lecto e do espfrito, que estäo além do exercicio do poder pela
vontade humana. Essa extensäo para aspectos normalmente näo
considerados no estudo do poder tem por objetivo oferecer maio--
res potenciais ao meu leitor. Bern, se este livro tem a intençäo de
"potencializar","" para que fazer 0 esforço de lê-Io? A "potenciali-

• Ainda näo exisre em português uma traduc;;áo eX<l{a para 0 inglès


tTnJ>ower (dar poder ou aLHoriJade a alguém) e seus derivado.s. Ado-
. ,. .. .. . I' ,...
tamos aqui os termos "potenLHtnZaç .\o • potenCia l:ar • potencta-
.
Hzado'" e 0 ne~ativo '\.icspotendalizar lll • (N.R.T.)

AI;\FRn:RA 23
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atenta considcraçäo da nossa fata. Freud deu continuidade a tal


ahordngcn1. Inicialmcnte, chamou sua psicanálise de "cura pe1a
{uIa". Para termos consciência de alguma coisa, precisamos pri,
mciro chcgnr às palavras certas, porque as palavras sao carregadas
de subentendidos. Coma numa sessäo de terapia ou num almoço
de n.cgócios, você e eu nos sentamos [rente a frente e usamos a
n1esn11ssÏlna palavra -"poder" , por exemplo-, e ainda assim
estan10S utilizando idéias radicalmente diferentes encerradas nessa
palavra.
Sem atençäo para as palavras, a pessoa se torna dumb nos
dois sentidos desse termo da lingua inglesa: emudecida e inlbecili,
zada. Essa "mudez" (e näo me refiro a problemas fisicos na laringe)
se traduz nas cegas e grosseiras exibiçöes de poder chamadas de
brutalidade policial~ gangsterisn1o, estupro, violêncîa cioméstica,
agressäo gratuita, embriaguez ao volante, torcida esportiva baru-
lhenta, poluiçao sonora, maus modos, armas em mäos de crian~
ças. A linguagen1 expressa todos os matizes da emoçao; dai, pre'
cisamente, a sua beleza - e 0 seu poder. Desprovidas do sentido
das palavras, nossas expressöes emoeionais tornam,se primitivas,
ffsicas e sem sentido.
Os chineses afirmaram durante séculos que as pessoas reeor-
relT} à violência ffsica porque suas palavras falharam. T alvez a
cura da violência se inicie com a cura pela fala, urn processo que
começa na escuta da potência das palavras.
o emudecimento e a imbecilidade nao aparecem apenas
na final violento do espectro cia mudez. Na outra ponta, encon,
tratnos 0 amargo esvaziamento de poder sentido por tanta gente
incapaz de encontrar palavras para expressar seu desespero além
de vagos resmungos sobre "potendalizaçäo". A palavra "potencia~
Huu" turnou,se a grande scnha para atraÎr as pessoas às tendas de
cura e auto·ajuda do carnaval terapêutico. Atualtnente, oluitas

ABERTIJRA 25
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dessas idéias. Tambérn näo podemos esperar que idéias tacanhas


ebaratas sejam tratadas por uma terapia das emoçóes. É impen-
sávd dcixar 0 cérebro ou seu hemisfério esquerdo de fora e espe . .
rnr discernimcnto critico sobre as distorçóes da nliclia e urn alto
nivel de inteligência nos debates nacionais. Nào importa corn
quanta sinceridade eu trabalhe meus sentimentos em relaçäo
<l0 poder, se minha mente ainda estÎver arrebatada por ansiosas

fantasias de crescimento e eficiência ou por idéias simplistas de


controle, autoridade, liderança e prestfgio, permanecerei amar~
rado em minhas lutas diárias contra as operaçóes do poder no
mundo concreto. A terapia precisa saeudir emudar as idéias e os
mitos que governam minha mente. Do contrário, meu corpo emo-
don al bem adaptado) eom bom nivel de auto,estima em seu
eampo de relaçöes humanas positivas, terá eapacidade de se comu-
nicar melhor, carrer mais e segurar 0 emprego, mas sempre conti-
nuará ansiando por "potendalizaçäo", pelo fato de eu ainda näo
ter percebido todas as complexidades do pader e, portanto, ser
incapaz de expressar 0 que realmente desejo.
Sim, nossos problemas estäo dentro de nossa vida. Mas
nossa vida é vivida dentro de eampos de poder, sob a influência
dos outros, de aeordo com a autoridade e sujeita a tiranias. Alérn
disso, vivemos dentro dos campos de poder que säo as cidades,
cam seus escritórÎos e automóveis, seus sistemas de trabalho e
suas montanhas de lixo. Esses elementos também säo poderes
impingidos à nossa alma. Quando 0 mundo inteiro se desarranja
e se angustia, 0 indivfduo sofre. Como ele näo é a causa do sofri,
mento do mundo, também näo pode ser sua cura. 0 fracasso
coletivo do poder na burocrada governamental, edueaçào, insti~
tuiçêes e empresas, a transmissäo ineficaz do poder de cima para
baixo aos exdufdos do voto, oprimidos e depauperados, eos gera'
dores que crepitam seu ealor acre sob as ruas das cidades exigem

ABERTURA 27
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ed
nossa CaS3. É

cnan

em mesmas.
nossas
ao

esse
sua

sua estrutura em
mos como
no mesmo

nos

28 DE
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da esposa eoestupro para afirmar 0 poder masculino. No entan ..


ra, quando se define poder como uma influència (conexàes,
nepotismo, criaçäo de redes), semelhante à das müfias da Itália e
Japäo, ou quando de é dcfinido pe1a nomeaçäo para urn cargo ou
funçäo, COH\O na antigo império austroAhungaro dos Hnbsburgos,
entäo 0 papel da {orça na sociedade é mitigado por outros estHos
de poder.
o
mesmo ocorria na tradicional sociedade britànica, onde
o poder era definido principalmente pela subordinaçào dentro
de urn sistema de classes opressivo. Os bobbies (policiais) londri#
nos näo portavam armas: sua voz e seus modos eram a força que
administrava a má conduta e mantinha os stiditos britànicos lino
devido lugar". T ambém quando 0 poder se define pelas relaçëes
com ancestrais, espiritos e poderes sobre-humanos, os tab us e as
iniciaçöes altamente elaboradas alteram 0 próprio significado da
força e controlarn a violência indiscriminada. Antes que nossa
sociedade possa limitar na prática os gastos com armamentos,
proteger os cidadäos em seus lares e nas ruas ou aprovar leis efe--
tivas sobre controle de armas, precisamos adquirir maior dareza
sobre nossas noçöes de poder.
o anseio por novas idéias e ferramentas intelectuais para
!idar com os efeitos coercitivos das idéias näo pensadas é u ma
profunda fome da alma, Foi 0 que descobri em meu ensino itine~
rante, em consultas particulares eretiros com pessoas de todo 0
pais. As re1açöes humanas consolam, os grupos de apoio nutrem e
o sucesso dá reake, mas as idéias "potenciaHzélll1" 0 espirito e
abrem seus olhos para vislumbrar possibilidades. Nào quero acre-
ditar que sejamos urn povo essenciabnente obcecado por segu ..
rança (cadeados, seguro, prisöes, proteçäo, leis de patente), nern
um povo escravÎzado aa consurno, cnfeitiçudo peln nlidia, r elo
cntrctenÏJnento e peIa cclebridadc, um povo dependente de rda·

A8ERTURA 2Q
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cionan1enh'\S. Ndo quero crcr quc sejamos lima socicJadc narci-


sistica, apaixonada por SU:l pröpria inf:tndn a ponto de neg.u as
t'ragédias
...
nadonais, incapaz de itnnginar urn futura signincativo .
Es,.--es diagnósticos observatn apenas os sintomas, scm ir à s{ndr()~
nle fundanlental~ da qualos sîntomas silo meras mnni(estaçàes
flutuantes, queshlo de nloda. A sfndrome mais profunda é a inér~
cia do espirito, uma passividade que näo encontra vocaçào e se
intirnida diante da vlsao inlaginativa, do pensamento aventuroso
e do esdarecimento intelectual. 0 fato de nos imaginarmos hoje
como uma naçäo de vitimas atesta UJn vazio no espirito nacional.
Esses sao sintomas da a1ma em busca de clareza. Clareza é 0

essencial.
A a1ma procura desesperadamente 0 poder da mente para
aplicá-lo à impotència que experimenta. Embora queiramos idéias,
ainda nao aprendemos a manejá~las. Nós as consumimos depressa
dernais. E como nos livramos delas? Colocando~as em prática.
Aparenternente, sabemos fazer uma unica coisa com as idéias:
aplicá-las, convertê-las em algo usável. Para nós, a "boa idéia" é
boa porque poupa tempo ou dinheiro ou facilita as coisas. A idéia
mOfre ali mesmo, na sua con.versäo em ato. Ela perde sua força
geradora de vida. Os estóicos gregos falavam de urn logos sperma#
tUws, a palavra geradora ou pensamento seminal. À medida que
essas idéias-sementes sao postas em prática e concretizadas, dei~
xam de gerar outras idéias na reino das idéias.
Quando a Dra. Joyce1yn Elders propöe a legalizaçáo das
drogas ou os Libertários sugerem a eliminaçao do imposto de renda
da pessoa ffsica, apressamo,nos a julgar, passando de irnediato a
argumentar sobre as conseqüências práticas ou a iInpraticabi J

lidade dessas icléias. A quem das beneficiarialn e a qucm. prejudi'


cadam, quanto custariam, coma seria adlninistraJa sua apliG1J
çäo? Que efeitos teriam sobre 0 orçan\cnto, os sistenulS Je

30 Tros DE PODER
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previdência e saûdc, a populaçäo pobre, as projeçöes de verbas


para a segurança nadonal? 0 dcbate enfoca "fatos" hipotéticos,
n10ddos de implcmentaçáo, tendências de opiniäo e posiçöes
polfticas, negligendando as plagas mais distantes do pensamento
e do sentimento. Isso porque as îdéias contidas nas sementes
lançadas pela Dra. Elders ou pelos Libertários fomentam ramifi,
caçöes no reino do pensamento - ramificaçöes que säo absoluta-
mente independentes dos "como" da prática. A legaHzaçäo das
drogas implica idéias de juventude, vfcio, remédios, bebidas,
liberdade, cidades e prazeres, enquanto impostos evocam os
probIernas complexos da ciência politica - natureza do gover-
na, relaçäo entre receita edespesa, e princfpios da tributaçäo coma
pagamento de dfzimo, como caridade, como penalidade, coma
distribuiçäo de renda e assim por diante. Paralisados pelo "corno"
e peIo "quem", evitamos brincar com 0 "0 quê" e revirá,lo em
nossa mente; evitamos a idéia como diversäo, a ideaçäo como
urn esporte que nos proporciona tante prazer e exercicio mental
quanto outras formas de jogo. Infelizmente, nao somos uma na ..
çäo que vara a noite discutindo idéias, porque estamos cansados
da luta para colocá,las em prática.
É por isso que, nas páginas adiante, nao elaborarei aplica,
ç6es diretas ou receitas para resolver os enigmas administrativos
de organizaçöes e empresas. Tenho receio de engaiolar os pássa-
ros cedo demais. Prirneiro, vamos refletir sobre 0 que nos vier à
mente, vamos senti·lo, ponderá,lo, pesá,lo. 0 método das próxi#
mas páginas nao consistirá em análises longas nern em coleta de
provas. Minha idéia sobre as idéias é que das prirneiro devem
ser entretidas. Depois, precisarn inflan1ar outras, melhores, em
nossa Jnente, capélZes de n1elhorar imprevisivelmente nossa vida.
Minha tátÎca é mais explodir do gue explicar; é manter as idéias
concisas, ftlpiJas, calnrosas e soltas, do Inodo que for possivel

ABERTURA 31
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de paradigma". Mais apropriado seria dizer "teoria da catástrofe".


A vitalidade de uma cultura depende menos de sua histófÎa e
esperanças do que da sua pronta capacidade para acolher a força
divina e daimänica* das idéias.

* 0 grego daimon (poder divino, destino. deus, espirito maligno,


divindade situada entte os deuses e os hurnanos) costurna ser usado
no sentido que lhe era atribufdo por Sócrates: espfrito guardiäo ou
espirito inspirador. (N .R.T.)

ABERTURA 35
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1
o Herolsmo mutunte do poder
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INTRODuçÄO

Muito da mabflia básica que ocupa 0 espaço mental do


OciJente contemporáneo fai pasta no lugar pelas vitarianos,
entre 1830 e 1890. Ela pertenee aos tempos heróicos do indus-
trialismo e do imperialismo; seu estilo se originou das máquinas
a vapor e da estrada de ferro, cujos trilhos se Iançavam para horiJ
zontes ilimitados; da eletricidacle barata que ilurnina locais escu..
ros a urn simples toque no interruptor e da rnäo-de~obra barata
que funciona ao toque de outro interruptor; da rigida hierarquia
de classes, das vitórias sobre a concorrência, dos megamonopólios
ede conquistas de todos os tipos - passanclo por cima de doenças,
obstáculos geográficos, pavos indfgenas e irracionalidades da alma.
Nossa mente ainda está cheia desses móveis, antigos armários
abarrotados de uniformes heróicos eretratos de patriotas cam
peito estufado, grandes inventores e engenheiros, generais e colo-
nizadores, compasitores e rOll1ancistas, todos de heróicas propor-
çöes e realizaçöes.
Os pa vos indfgenas da costa noroeste da América do Norte
costumavam entalhar totens gigantescos, representando seus
espiritos ancestrais e n1unindo a tribo com os kones do poder.
T ambém os negócÎos têm fantasmas heróicos, que
continuam a viver em suas idéias, e figuras ances~ ".sa
trais, que servem corno (onte de inspiraçäo e exen\~
plo de ~mhiçäo, pois esses gigantes tinham 0 poder
de (azer as coisas acontecerem. Eles nludaratn 0
rnunoo, assim corno os hcnîis legendürios: l-Iércules)
que (ksviou rl os Je seus Icitos para liulpar a sujeiru
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no os

e as

mesmo urn assaSSlno.

se resume numa
o

na
a

menores

na

uma

DE
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rável eficücia. Por eV(Kar imagens da natureza, coma árvores flori#


das, frutas anladureccndo, crianças sonhando crescer, Hear fortes
e assutnir responsabilidades, a palavra "crescimento" transmite a
n1cnsagem heróica muito rnelhor do que conceitos como "progres~
so» , " avanço" ou "cl esenvo 1Vlmento.
. "A cab and0 por se tornar urn
dos prindpais indicadores de poder, 0 crescÎmento virou tarn*
bénl seu sinónimo, uma vez que a capacidade de crescer supoe
urn potencial inato para sobreviver eveneer na selva competi,
tiva. "Crescer ou morrer" pendula come 0 relógio de urn avó
vitoriano que nos empurrasse para a frente 24 horas por dia.
Quando examinamos a idéia de cresdrnento, vemos que
está amarrada a uma companheira de igual importäncia: a idéia
de eficiência. Isoladamente, crescimento significa proliferaçäo
minuciosa e infrutffera, 0 alastrar de ervas daninhas asfixiantes, 0
enlaranhar de redes entrecruzadas, a expansäo sem rumo, redun,
däncia por todos os lados. Burocracia é simplesmente 0 cresci,
mento natural que se mudou para dentro de quatro paredes. 0
crescimento da natureza é desordenado, extravagante, pródigo;
por isso, é preciso eficiência para manter sua funcionalidade e
garantir a sobrevivência. Sobrevivência do mais adaptado trans~
forma,se, assim, em sobrevivêncîa do mais eficîente. Essa tradu'
çao acontece com a maior fadHdade) porque 0 darwinismo sodal
e suas metáforas biológicas tloresceram no mesmo periodo
vitoriano em que surgiratn 0 industrialismo e suas metáforas
mecánicas - entre elas, a de eficiência. Mas a eficiência também
näo acontece no vazio. Depende de cuidaclosa mediçao, de pen'
sar nos nÛlneros e nas decisóes que neles se baseiarn. É 0 que
chamamos hojc de "contabilidade de custos", "análise de custo/
bcneffcio", "bottom line". Esses süo os novos móveÎs do escritó-
rio rnoJerno, quc sc cncontram pregados no pisa da o1entalidade
das cmpresas e süo lnantidos no lugar por especialistas chaolauos
contadores.

INTRODUCÀO 41
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o em se

1.
e novos .
e manu . .
os novos. e

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e

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mo

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obra, no peso nlorto da tradiçao. Talvez 0 inimigo a ser derro,


tado repouse exatamente no coraçäo do próprio heroismo, sua
própria inércia; indolèncîa e resistência na confronto com 0 modo
heróÎco. Enquanto nüo encarar a si mesmo, 0 herolsmo perma~
ncee cm negaçao, incapaz de ver suas pröprias propens6es auto~
destrutivas, mesmo que redabre seus esfarços de açäo heróica.
Dado que 0 movimento do heroismo clássico é para a frente e
para citna, a tnais dificil de todas as tarefas da consciénCÎa heróica
é olhar para dentro, para 0 seu próprio fmpeto, 0 mito que a
impele na direçáo do seu firn cruel: I--Iércules enlouquecido, Jesus
crucificado, Édipo cego, Agamenon assassinado pela esposa,
Moisés morrendo antes de chegar à Terra Prametida. Poderäo
corporaçöes gigantescas como a OM, a IBM, 0 Kmart e naçöes
poderosas coma os Estados Unidos, que se alçaram ao topo por
meio da dedïcaçäo aas aspectos heróÎcos da expansäo e do melho-
ramento, despertar para as trágicas canseqüências do modelo que
täo bern já lhes serviu? Poderá 0 herofsmo mudar seu próprio
paradigma?
Se novos estilos de heroîsmo säo exigidos, entäo 0 serviço e
a manutençäo seräo mUlto valorizados, enquanto 0 crescimento
e a eficiência passaräo a ser imaginados de modo diferente. Caso
contrário, a inércia dos modos de pensamento do século XIX
dîrigirá as mäos da eletr6nica do século XXI. As máquinas mu-
daräo radicalmente, mas, a n1enos que a mente n10bilize se us
mitos, Hércules, Marduk e Moisés continuaräo ocupando a sufte
executiva. 0 exercicio inteligente do poder começa na mente
capaz de penetrar nas estruturas mais profundas de suas açöes.
Vamos observar a primeira das estruturas que tanto afetam nos-
sas noçöes de poder: a eficiência.

INTRODuçÀO 43
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impossivcl colctar hens c ouro; a execuçäo à beira das covas


requcria muitos soldados para atirar, sendo impraticáve1 manter
o sigilo; havin urn excesso de confusao, pois aIgurnas vitimas
fingiml1 estar nlortas para escapar, alguns soldados nao atiravam
ete. Eficiência, aqui, deve ser entendida apen as e täo~somente do
ponto de vista daquele que está no poder: 0 executor. Em outras
situaçöes, pode-se dcfinir uma execuçäo eficiente do ponto de
vista da vftima: morte rápida, indolor, comum, sem requintes de
crueldade.
Eis urn tree ho de uma das setenta entrevistas feitas por Gitta
Sereny com Franz Stangl:'"

"Quantas pessoas chegavam em cada carregamento?", per ..


gunt ei a Stangl. ,
"Em geral, cerca de cinco mil. Às vezes mais."
"0 senhor chegou a conversar cam alguma das pessoas que
desembarcavam?"
"Conversar? NLÜJ ... Geralmente, eu ficava no escrit6rio até as
onze ... havia muito trabalho com a papelada. Depois eu lazia
minha segunda ronda, começando pelo 4depósito' de mortos. A
essa altura, 0 trabalJw por lá estava hem adiantado ." (Ele quer
dizer que, a essa hora, as 5 mil ou 6 mil pessoas que haviam
chegado pela manhä já estavam mortas: 0 "trabalho" era dar
fim aos carpos, que tomava praticamente todo 0 resto do
dia e muitas vezes avançava noite adentro.) "Ah, por volta
dessa lwra da manhä, tuda estava quase tenninada no campo
de baixo. Normalmente bastavam duas ou três horas para dar

.. Gitta Sereny. Into Tlwt Darkness, R::mdom House/Vintage, Nova


Vork, J 983. CA rcfcrência a Himmler e as entreViS(~lS com Stangl, a
scguir, foram extraidus Jesse livro.)

EFlCIÈNCIA 45
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as idndes cambalcavam para fora dos vag6es, cegados pela luz do


dia ou dos hoJofotes, aterrorizados e confusos, semimortos por
(aha de arI desidratados, aturdidos, dcbilitados, histéricos, inca,
pa zes de entender as ardens. Se virassem à esquerda em vez de
virar à direita, se gaguejassem, näo ouvissem uma ordem, hesi ..
tassem~ fizessem uma pergunta, atrasarîam 0 procedimento -logo,
era01 açoitados para avançar ou baleados aH mesmo. Nada devia
interferir na eficiência dos procedimentos.

"0 sen hor näo poderia ter mudada isso?", perguntei. "Na
sua posiçäo, näo poderîa ter dada urn firn à nudez, aas açoi-
tes, ao horror dos vagöes de gado?"
ClNäo) näo, ndo. Esse era 0 sistema. Wirth 0 inventou. T udo
funcionava. E porque funcionava, era irreversivel. "

Mas
"trabalho" näo se encerrava com a morte. Era preci..
0
sa fazer a manutençäo do campo, consertar os fornos, repor os
estoques de óleo e gás letal, gerenciar 0 pessoal, manter 0 sigilo,
inventariar os objetos de valor, as roupas, 0 ouro, as pilhas de
cabelo h umano e, como disse Stangl, lid ar cam a papelada. E
"tu do funcionava", 0 domfnio absoluto da eficiência.

A primeira artîculaçao dara da idéia de eficiência no pen-


samento oeidental nao ocorreu com a formulaçao das leis mecä.~
nicas da ffsica nenl com as teorias da produtividade ecanönüca,
rnas na Ftsica e na Metafîsica de Aristóteles. Segundo Aristóteles,
a pergunta "por quêl" suscita respostas que ele dividiu en\ quatro
tjpos: causa forrrwl (a idéia ou princfpio arquetipico que governa
urn acontedmento), causa [inai (o propösito ou objetivo para 0
qualos acontccllncntos süo voltados), causa material (a substün~

EFICIÈNCIA 47
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bém às causas básicas. Quais säo os efeitos materiais de sua efi~


ciènda? 0 que você está fazendo à natureza material do mundo?
Qual é a essência do que você faz; qual principio formal a gover. .
na? E acima de tudo, qual é 0 seu propósito ou, nas palavras de
Aristóteles, "0 motivo pelo qual" suas açöes efidentes säo reali-
zadas?
Gitta Sereny pressionou Stangl para que revelasse a causa
flnal, 0 motivo pe10 qual 0 "rrabalho" em T reblinka tinha sido
levado a cabo. Em suas várias entrevistas, ele mendonOli 0 medo,
a necessidade de sobreviver e a inutilidade de protestar. Final,
mente, e1a lhe perguntou:

"Na sua opiniäo daquele tempo, qual era a razao para os


exterminios?" Sua resposta foi pronta: "Eles quenarTI 0 dinhei,
ra dos judeus. "
"0 sen hor nao pode estar falando sério!"
Ele Hcou aturdido com minha reaçäo de descrença. "É daro
que estou. A senhora näo faz idéia da quantidade fantástica de
dinheiro que estava envolvida. Poi assim que compraram 0 aço
na Suécia. "

A causa final de Stangl, seu plano nleticuloso e preciso para


as execuçöes que supervisionou de modo täo eficÏente~ era obter
"0 dinheiro dos judeus". Näo era 0 racÏsrno nern 0 extermfnio

dos indesejáveis. Nao era 0 nacÏonalislno e 0 ulelhoramento do


povo alernäo. Nao eram 0 ódio, 0 medo, a vingança. Ele nao fez
por lealdade a urn lider ou a Ull1a causa nenl por urn futura meI
Jhor. A causa final de Stangl era totalmente destituida de ideais e
paixöes; nenhurn outro objetivo senào 0 lucro.
Nenhum outro objetivo senao 0 lucro - Nietzsche teve
urn insight dessa cOlnbinaçào de hu:ro, poder I eficiênda fanática
e crîrninaHdaJe Cln 1881 , COnfOrIllC IClnos em Aurora:

EFICIÈNCIA 51
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CRESCIMENTO

Se a eficiência parece ser 0 caminha para 0 poder e 0 método


para n1anter seu controle, entäo 0 cresdmento se apresenta eomo
a prova do poder. No jargäo terapêutico, fala~se do "crescîmento
interior" que leva à maturidade psicológica e que se traduz coma
"estar no controle", tomando conta da própria vida, "potencia1i~
zado".
Contudo, quando a palavra "erescimento" aparece, vêm à
mente pelo menos seis noçöes distintas. Eis a lista:

1. Aumento de tamanho (expansäo ou fkar maior);


2. Evoluçäo de forma e de funçäo (diferenciaçäo ou Hear maïs
esperto);
3. Progresso (Inelhoralnento ou fkar mais apto);
4. Conjunçäo de partes (sintese, integraçäo, ampliaçäo de rede);
5. Sucessäo tempo ral em estágios (maturaçäo ou Hear mais sen~
sato);
6. Autogeraçäo (espontaneidade ou tornar~se criativo, indepen,
dente).

Essas idéias de crescimento bril ham eom a


esperança da melhora, embora saibamos que nem ".24
sempre fkar maior é n1elhor, que maturaçäo tam,
bém significa fcnecitncnto e tTIorte, que indepen#
di:ncÎa tamhétn traz soliJüo.
Entretanto, 0 crescÎinento pernHlnece carrega,
do de implica\'öes positivas, C0010 fertilidade, espe'
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inclicam monstruosidadcs , epidemias, feilira, futuras catástrofes,


extinçüo. 0 crescimento assumiu urn matiz cancerigeno. Usar
essa palavra agora é etnitir uma mensagem de perigo potencial,
seja em relaçäo à divida pûblica, à populaçao, ao subemprega,
aos sem-teto , à dimensào das cidades, ao tamanho da máquina
governamental, às particulas poluentes suspensas no ar, aas im~
postos, ao custo de vida, à taxa de colesterol e até aos nu.meros
mostrados pela balança do banheiro. Hoje, subir significa dec1inio.
o que antes era a medida do progresso tornou,se urn sinal de
problemas.
E nào há lugar em que isso esteja rnais daro do que na
reversào operada na idéia de desenvolvimento - uma das pala,
vras preferidas da economia urbana e da psicologia. Nesse caso, a
psicologia está urn pouco atrasada, porque ainda ensina e pro move
o desenvolvimento.
As liçöes básicas da psicologia do desenvolvimento provêm
dos arsenais vitorianos do darwinismo sodal e sua versäo do cres,
cimenta: seja grande, seja forte, seja urn vencedor. 0 progresso é
urn processo natural. Näo fique para trás; agarre sua vida com as
próprias maas e, coma urn heróÎ, supere os problemas. Essas idéias
ensinarn urn capitalisrno psicológico: como as inferioridades sao
superadas e as deficiências integradas oum ego que sempre cresce
e soma. Persanalidades desenvolvidas podem fazer tudo 0 que
quiserern; das cantralam seu destino.
Quanto a essa virada no valor da idéia de desenvolvimento,
a percepçäo da psicologia nao é maior do que a dos proprietários
de terra e corretores imobiliários. Pois, hoje, quando se espalha 0
boato de que as empreiteiras eos incorporadores estäo chegando,
os cidadäos se arrepiam e começarn a protestar. 0 "desbravador
de terras", a "companhia de 01e1horamentos", que anrigamente
promoviam a desenvolvimento, trans(ormaram,se também em

CRESC1MENTO 57
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da natureza, Gary Snyder declara que a melhor, talvez a ûnica


maneira de mlldar ti ma situaçäo é imaginar, ou mesmo declarar,
qUC você vai permanceer onde está, no seu lugar, pelo resto da

vitla.
o aprofundmnento obriga uma organizaçäo, come a casa-
mento, a mergulhar etn si mesma para chegar ao fundo de seus
probletnas. Ir até 0 funclo näo acaba na bott07n line, mas faz pene;
trar nos mitos e filosofias de apoio sobre os quais repousa a or ga,
nizaçáo - e também 0 casamento. 0 que ela vai sacrificar para
atingir seus objetivos e a que custo? Quais arestas está disposta a
aparar? Quais artiffcios pratica? Chegará a se sentir satisfeita, ou
ficará perpetuamente sob a pressäo de cresdmenta continuo,
chamada sucessa?
Por firn, 0 aprofundamento desce até 0 leito das idéias e dos
fundamentos morais que, coma 0 casarnento, vîabilizam a parce-
ria na organizaçäo. T erá essa organizaçäo princlpios que eu possa
compartilhar? Aspira às mesmas metas que eu? Praticamos prin-
cipÎos similares? Quais säo, de fata e de verdade, os principios
dela - e quais säo os meus? Estaremos juntos por dinheiro? Será
que nossa parceria é uma relaçäo utilitária - isto é, somos titeis
urn para 0 outro e eu, portanto, uso os negócios como eles me
usam? Quanto mais eu me aferrar a essas questöes e quanto mais
a organizaçäo permanecer con1 suas profundezas autoquestio'
nadoras, tanto mais estaremos crescendo juntos. Crescimento
no senrido de evoluçào e maturidade, que poderia ser chamado
de crescimento da alma.* Corno num jardim ou num casamento,

.. Para exposiçóes sobre colocar a alma na vida cotidiana, ver dois


livros de Thomas Moore: Care of the Soul (Cuide de sua alrna,
Siei lî:.I11o. S:ïn PiJla!o, 1(92) e Soul Matcs, ambos originalmente pu-
hlk:i:Hlos pela HarperCollins.

CRESClMENTO 61
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o aprofunJmnento rctira do solo coisas (das e retorcidas. É tra ba-


lhar con) a sujeira.

2. Intensificaçäo, eln economia, refere#se sobretudo aos


tipos de produçäo que usaln rnuitas maas, coma a agricultura
intensiva dos can1poneses em pequenas lavouras e terraços, cm
oposlçäo à cultura extensiva e mecanizada de milhares de hecta 4

res. Prefiro import ar a idéia de intensificaçäo näo da economia de


mäo~de,obra, mas do trabalho mental da poesia.
Na Alernanha, os poetas sao chamados Dichters e urn poe~
ma é urn Gedicht, urn Dichtung. Dicht significa espesso, denso, de
modo que 0 verbo verdichten quer dizer engrossar, candensar.
Aa acumular inómeras implicaçöes e referências na pequeno
espaço de uma palavra ou frase, a linguagem poética intensifica.
Urn poema minÎaturiza. É como urn chiP de computador ou uma
fibra óptica que transporta muitas mensagens ao mesmo tempo.
Assim sao as metáforas.
Porém, enquanto nao mudarmos a mentalidade infantili-
zada, continuaremos a nos impressionar muito mais pela expan-
säo. Nos Estados Unidos, gostamos da grandeza: a maior caver~
na, 0 canyon mais largo, 0 edificio mais alto. Uma das caracteristicas
do norte,americano é essa romàntica predileçäo pelo imenso. A
intensificaçäo vai contra a indole nacionaL Que tal fazer un1a con1~
paraçäo com a psique dos japoneses, dos quais se diz, e eles n1es'
mos dizem, pouco ter inventado? Apenas ditninuiran1 coisas que
já existianl; por exemplo) 0 leque, inventado na China, Inas
sanfonado e dobrado pela prinleira vez na ]apào.
As empresas intensincanl espremendo maior retorno de
cada hora de trabalho, espremendo cadu diIninuto espa\~o na TV,
cada centimetro de participaçäo no rnercado, cada dólar de capi~
tal investido. 0 objetivo é acunlular e cornprhnir 0 rnáxüno em

62 T!pos DE PODER
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uma só unidadc. De urn ponto de vista, isso é econörnico; de


outro, é poético.
Cortar gorduras, diminuir custos e dobrar tarefas erespon'
sabiIidades, inspirando-se numa filosofia rnesquinha "de enxuga-
mento", näo é 0 Olesmo que 0 processo de intensificaçäo na arte.
Se for arte, a intensificaçao há de ser medida por referenciais de
outro tipo - isto é, qualidade, em vez de eficiência. Valor durá l

vel, enl vez de lucro hnediato. Uma análise de custo/beneficîo


do trabalho artistico teria de declará,lo uma perda total- ou urn
produto com enonne valor agregado (aniagern, tampas de garrafa,
restos de flos e acrflico preto saidos das mäos de urn pintor que se
torna "eonceituado" no rnercado graças aos esforços de uma gale,
ria de Manhattan). Näo é nern 0 uso frugaI dos materiais nern a
aceleraçäo do tempo de produçäo que torna a ar te sintética.
Emhora os negócios e a arte usem a intensifieaçäo para
alcançar seus fins, suas filosofias diferem basicamente. Enquanto
nos negócios os cortes säo f~itos em busea de eficiência, as artes
usam procedîmentos similares em. prol da complexidade, do sig-
nificado e da be1eza. Será que os negócios poderiam continuar
empregando seus métodos de intensificaçáo, mas mudar a filo-
sofia a que seu método serve? Poderîamos imaginar uma empresa
espremendo e condensando para realçar a beleza de seu desem-
penho, oferecer uma complexidade mais interessante aos seus
empregados e clientes, dar urn sentido ao rnundo a que serve? A
abordagem estética oferece urn sentido mais sutil à idéia de cres-
cimento do que a sÎInples expansäo, sugerindo a incorporaçäo de
Outros valores alérn daqueles medidos pelo diretor financeiro da
companhia.
o que conta na intensidade da arte é a dedicaçäo, a paixäo,
o entusiusmo, os êxt:Jses e 0 suor do artista. l-Iü luna devoçào por
3quilo que você esld fazendo - unUl concentnwao intensa) que

CRESCllvtENTO 63
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um dcsses medos: "V á em frente." Coma seria perder 0 marido,


ser itnpotcnte, enlouquccer, ter cáncer? Siga esse medo mórbido,
a fantasia irracional. Assuma riscos imaginários; ou, como diz
Robert Jay Lifton, 0 etninente psicólogo que estudou os hola. .
caustos e as catástrofes, a tarefa é imaginar 0 real, ou imaginar 0
tunis realisticamente possfvel as conseqüêndas do despimento,
visitar nlentahnente os cenários cia catástrofe e abandonar todas
as estruturas de segurança, as identidades confortáveis, as reali~
zaçèes, os planejamentos. Veja 0 que resta, pais para 0 cresci. .
mento só se conta verdadeiramente cam 0 que restar.

4. Repetiçäo: há muito a repetiçäo vem sendo 0 bicho. .papào


da produçäo industrial em massa, que supostamente transforma
seres humanos em máquinas, como no filme Tempos modemos,
de Chaplin. Mas mesmo com todo 0 avanço da robótica nas fábri,
cas e da informática nos escritórios, ainda é 0 trabalho repetitivo
da linha de produçäo que faz os artigos consumidos pelas pessoas.
Basta pensar nas oficinas de montagem dos chineses e outros po . .
vos do Extremo Oriente ou nos avicultores e lavradores migrantes
que nos däo 0 pao nosso de cada dia.
o
cresdn1ento tem uma conotaçäo positiva porque é dinä~
mico e orgänico como uma árvore, enquanto a repetiçäo é consi~
derada negativa, por ser estática e inanimada como lima máqui,
na. T ambém Freud pos a repetiçäo no lado da morte, vendo a
compulsäo de repetir coma a atividade primária do instinto de
morte. Nossas noçèes COlnuns de repetiçäo säo täo assombradas
por fantasias horrfveis de máquinas mortiferas que, como no cine~
ma, visualizmnos a vida orgànica de besourosl formigas ebaratas
corno tipos de máquinas cuja caracterfstica Inais atemorizante säo
os movimcntos repctitîvos. (Para un1U análise nuüs sutil das nHl·
quinas, ti comcçar da pritneira delas -a estrutura sodal, politica

Cl\ESClMENTO 67
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e religiosa egípcia que construiu as pirâmides sem ter maquinário


ver o grandioso trabalho de Lewis Mumford, The myth of the
machine [O mito da máquinal.)
Vamos pensar na repetição sob um ângulo novo e menos
desagradável. A repetição é fundamental não apenas para as má-
quinas; ela é o método fundamental tanto do ritual quanto das
artes. Em vez de um impulso para a morte, a compulsão de repe-
tir é um instinto para a arte. Ela mostra o prazer da alma em
ensaiar, polir, tornar preciso.
Algo na natureza humana exige um desempenho igual e
repetido, como os rituais que saúdam o Sol ou aqueles que fazem
a criança dormir com a mesmahistória, contada com as mesmas
inflexões, noite após noite. É praticar a tacada de golfe ou o saque
— muitas e muitas vezes. Só nos tornamosartistas quando apren-
demos a gostar do ensaio tanto quanto da apresentação pública.
Antes disso, o que nosfascina são as luzes da ribalta, não a arte.
Não é o vernissage na galeria quefaz o pintor (embora possa fazer
sua carreira); são suas ações repetitivas no ateliê. Muitas e muitas
vezes, não para acertar nem em nome da perfeição, mas só para
fazer, fazer por fazer, livre da obrigação de fazer. A obra traba-
lhando por si mesma, de forma mecânica, repetitiva, impessoal.
Poderia essa idéia de repetição desinteressada —um dos mais
elevados objetivos do zen, da contemplação mística e da prática
religiosa, bem comodas artes e dos esportes— ser transferida para
a administração, as vendas, a produção, a contabilidade? Para
imaginar comotal transferência afetaria essas atividades, precisa-
mos, no mínimo, alimentar a idéia da repetição como a essência
do ofício. Por que não imaginartodas as ações repetitivas e Impro-
fícuas das chamadas de telemarketing e do preenchimento de
formulários como essenciais à arte dos negócios? Nãorotinas sem
dignidade, mas formas de atentar para uma precisão maior, sinais
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de uma vocaçáo. Assim, a repetiçào scria concebida nao coma uma


cotnp111süo. um fardo escravizador e desumanizador, mas coma
um modo de ernbelezar as coisas. Será que isso ajuda a entender
o entrosamento que os japoneses cdam entre seu estilo de traba-
lho repetitivo e mecanico e seu sentido de ritual e beleza e a quaH-
dade de seus produtos?

5. Esvaziamento: quero agora chamar sua atençäo para


uma noçäo bern diferente de crescimento, que parece quase 0

seu contrário. Acho que começou com Goethe, mas vejo para-
lelos também no pensamento budista. Ao investigar 0 crescÏmento
das folhas das plantas, Goethe confirmou 0 que havia intufdo: 0
formato da planta como urn todo era, de algum modo, determi,
nado pelo espaço negativo em volta do qual as folhas se desenvoI-
viam. Digamos que a folha nao se limita a abrir carninho até sua
expansao ideal e se arredondar I ocupando 0 maior espaço possi-
vel para absorver a luz solar. Se assim fosse, todas as folhas teriarn
o mesmo formato redondo. Nao. A folha toma a forma especifica
do carvalho, do bordo ou da bétula de folhas serrilhadas porque
argo no vazio circundante governa 0 modC? de ela se formar de
acordo com sua espécie. Nem tudo está na código genético; ou,
digamos, 0 código genético se desenvolve em resposta ao vazio.
As idéias de Goethe sobre as plantas, aceitas ou näo pela
botänica, chamam nossa atençäo para aquilo que ndo está pre-
sente. Indo ma is longe ainda: 0 que näo está presente caracteriza
a natureza particular de cada espécie de planta. Essa idéia sustenta
que 0 vazio tem urn poder invisive1 desempenhando urn papel
determinante naquilo que aparece. Os padröes surgem e cres~
cem a partir do vazio, tanto quanta 0 jarro do oleiro se forma cm
volta Ja presença ativa de uma cavidadc. Cada recipiente -pote,
vaso, canecal xfcara- é apenas a casca externa de urn vazio es. .

CRESCIMENTO 69
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_ , u-leclfnio de prognHuas dcsgastados, recuo dos postos avan~


soes,
çado s das esperanças ~~Inhicios~s e nprovisionamento ~os planos
de pensiio- sáo tnetaforas evtdcntes do avanço da ldade nos
horn cns e nas n1ulhcres. Muis do que isso, tais acontecÎmentos
podem ser itnaginados como gestalts que se abrem de suas estru~
(uras habituais para espaços novos e inexplorados. Uma expe-
riència está cm andatTIcnto. Aa Ier esses processos como sinais
de contraçäo e decadênda, esqueee~os as idéias mais antigas do
mundo, idéîas de eomo 0 próprio mundo "nasceu": creatio ex
nihilo, criaçäo a partir do nadat 0 que vem primeiro é ° nadat
Essa vÎsäo, como disse, se coaduna täo bern com certas filo ..
sofias orientais que somos levados de novo a perceber que as
idéias estäo a serviço de poderes arquetfpicos: a idéia ocidental
de crescimento, tal como apresentada na primeira lista no inieio
deste capitulo, combina com a criança, enquanto a de Goethe,
Dorfles e do budismo combina com 0 senex, 0 velho. Meu ponto
de vista é simples: nao conseguitnos ver coisa aIgu ma a nao ser
através da lente dos arquétipos. 0 que a "sabedoria oriental" vê
como creseimento parece decadência patológica para a visäo
arquetipica da criança em desenvolvünento. 0 que 0 naturalismo
otimista da criança vê como saudável expansäo das redes e maior
facilidade parece, para 0 octogenário, uma tola distraçäo e uma
desintegraçäo naquilo que a filosofia oriental chama de "as dez
mil coisas", uma metástase cancerosa de proliferaçäo.
o que estou chamando de "perspectiva arquetîpica da crÎ#
ança em desenvolviInento" está na raiz da idéia de erescimento
heró1cO, pois os heróis -Moisés, Jesus, Hércules, Perseu, Davi,
Édjpo- começam coma bebês ou crianças 31neaçadas, vulne-
f<iveis, abandon.aJas. "Maior = Mclhor" oferece U01a defesa
grändiosa gut' parece proteger contra a insegurança quc está no
nûcleo da força heröÎca, ou 1l1CSn\O suplantá-la.

CRESCtt>.tENTO 71
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preza r 0 crescimento cm favor de limites, pequenez e modelos de


crescimento zero. Nào acredito que esses cr!tieos tenham deba,
tida suficienten1ente a idéia em si e, por isso, seus repûdios näo
satisfaz em 0 profundo desejo humano que é simbolizado pelo ter,
n'\O "cresCÎlnento". Descartar a idéia só reprime esse desejo arque-
(ipico e deixa~o ainda envolto num simplismo infantilizado.
Estou tentando UIna abordagem diferente. Em vez de trod
car crescÎn1ento por näo~crescimento, fiz acréscÏmos à lista de
noçöes com que iniciei este capitulo. Procurei preencher a som-
bra dessas noçöes, levando a idéia de crescÏmento para regióes
mais profundas: intensificaçäo, repetiçäo, aprofundamento, despi-
mento e esvaziamento. Quando 0 crescÏmento passa a carregar
mais esses significados~ que escurecem sua inocência, ele deixa
de ser incompatfvel com as condiçóes demográficas, sociais e psi-
cológicas da realidade. E entäo nossos dificeis e até trágicos dile. .
mas individuais, empresariais e nadonais podem ser entendidos
coma necessários para perdermos 0 vido do otimismo e para 0
crescimento da a1ma. Epodemos encorajar a própria maturaçäo
do crescimento numa idéia maïs plenamente farmada e sutil,
mente diferendada, que chega munida de seus próprias Hmites
inibidores, mesmo permanecendo urn termo de inspiraçäo.

CRfSCIMENTO 73
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scn'u.\\ rsr:ravo. Serviço, tal como dcfjnido cm nossa cultura, rara,


mentc :lgregn podcr, só rcpresentando "potencializaçäo" para as
pcssn(\s C\p(lZCS de ordená-Io e para 0 sistema ao qual nos escravi,
zamos. Promessas polfticas de fazer 0 pais avançar näo serào cum,
pridas a rncnos que 0 setor de serviços preste urn bom serviço.
~1as 0 quc é urn bom serviçol Como pensar numa economia de
serviço se a idéia remete a uma economia escravagista?
Pelo que acabamos de ver em relaçäo à eficiência, fica daro
quc náo podemos melhorar 0 serviço meramente tornando-o mais
efidente - isto é, rápido, sem atrito e sem falha. Se isso bastasse,
o problema estaria resolvido com equipamento digital confiável,
fibras ópticas, satélites, robós e softwares -. em outras palavras,
mais sisternas de produçào impessoais (camaras de gás e fornos
crernatórios?). De fato, 0 fator pessoal seria mais e mais eliminado
- e quanta aos "empregos"?
Cabe ainda perguntar; será que os sistemas de prestaçáo de
serviço, com hardware e software melhores, seriam capazes de
sozinhos melhorar a qualidade do serviço? Quando 0 dono de
urn restaurante abre uma segunda porta ao lado da que liga 0

saläo à cozinha, possibilitando 0 tráfego em mao ûnica, ele prova~


ve1mente está tornando mais rápidas, e menos sujeitas a falhas e
atritos, a entrega das refeiçöes às mesas e a devoluçäo dos pratos
sujos. rv1as isso necessariamente melhora a qualidade das rela-
çöes entre 0 cliente e 0 garçom? No campo de concentraçäo de
StGingl, haYÎa grande rennamento tecnológico; utilizando as me-
tas da rapiJez, au~ênda de atritos e falhas , T reblinka ofereceu
urn serviço soherb(), A cngenhosiJade, a eficiência técnica e a
ohjetiYidadc impessoal mclhoram a prestuçäo dos serviços. mas
~.:r:l que esgotarn 0 quadro do bom serviço? Existem marcos de
rdertfîcîa? Exbtem rnoddos?

SERVIÇO 75
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EstOll contcstnndo csta abordagem cam toda vigor de 0

qUC sou capaz, delincando uma oposiçäo exagerada entre produ-


tividadc e serviço. PrecisHtTIOS manter uma dara distinçäo entre
des, porquc se originam de atitudes psicológicas fundamental-
tnente difcrentes e até de estilos de vida arquetipicamente dife,
rentes. Para nossas idéias habituais, serv ir está mais próximo de
se slIbtneter; produzir é mais coma conquistar. A produçáo domi-
na a matéria; 0 serviço a ela se submete. Na Hnguagem do mito,
nossas idéias de emprego produtivo indicam a influência que teve
o tità grego Prometeu sobre 0 ego do tipo "faça você mesmo", ou
a de Hefafstos t 0 artesäo e fabricante de armas do Olimpo; isso
porque a produçäo constrói. Já 0 emprego no setor de serviços,
porque protege, conserva e favorece, aponta mais para Héstia, a
deusa do fogo do lar. Ela é quase invisive1 em seu serviço, embora
essencîal para manter a rotina diária. Nossa idéia de serviço tam~
bérn poderia. ser mais hermética, no sentido de Hermes, deus e
mestre da comunicaçao e da mediaçao, porque 0 serviço troca,
comunîca e lida com as mensagens de modo impessoal, sem se
envoiver corn a mensagem em si.
A queixa principal de Gummesson é que, para pensar de
modo adequado sobre serviços, é indispensável que 0 tema seja
libertado do paradigma do produtivismo. Além disso, precisamos
primeiro reconhecer até que ponto estamos entrincheirados nos
paradigmas que vêm funcionando tao bern há tante tempo, mes ..
mo quando esses paradigmas "etnpurram." serviços para cima dos
clientes, que sentem tais inovaçöes como in1posiçao.
Refiro~me aqui ao serviço que antedpa as necessidades de
um produto, ou até rnesmo as inventa, induzindo 0 consumidor
a querer aquilo de ql1e näo necessita. Desse m.odo, urn bom ser-
viço dcfine,se COlno 0 forncdn1ento de produtos 'lue unem (ou
acorrentrun) 0 consulnidor às fontes de produçào e à superpro-
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do para esse modo de pensar chinês, à medida que 0 emprego se


tClrna tiio importante quanto a produtividade para 0 bern,estar
do paîs. E é no setor de serviços que estao os novos empregos,
rne~n'lo se 0 imaginürio do setor permanecer preso aas antigos
paradiglnas da produçäo.
Como 0 imaginário dos negócÎos e da industriaperrnanece
50b a influência do paradigma da produtividade, urn paradigma

que favorece 0 en1prego no moddo aha tecnologia/baixo cantato,


continuamos a desvalorizar 0 outro lado da moeda, tao neces.
sário nos serviços: alto contato/baixa tecnologia. E assirn a socÎe J

dade continua a fomentar uma força de trabalha subassalariada,


desrespeitada, ressentida e recalcitrante, que sonha em ganhar
na loteria para escapar da degradaçäo inerente à própria idéia de
trabalho. Enquanto bom serviço significar "eliminar 0 que näo
precisa ser feito" (a "forma segue a funçäo", teorÎa da arquitetura
modernista aplicada aos serviços humanos), teremos serviço es-
téril, feio, sem fantasia, que restringe opoder imaginativo das
°
pessoas que prestam. Urn bom serviço "va i além", "faz mais",
mostra variaçöes criativas, encontra modas precisos de agradar
a quem 0 presta. Requer imaginaçäo e fascina tanto a imaginaçäo
quanto os sentidos. É mais Barraco do que Bauhaus.
Para mudar nossas idéias sobre 0 serviço, precisamos elinü-
nar ° discurso usual que se concentra obsessivamente em forne~
cirnento, i01plelnentaçao, racionalizaçäo e desempenho, cam
modelos inspirados nos sistemas de pronto atendimento do Mc-
Donald's e da Federal Express. A reduçäo à uma idéia simpHsta
de prazer hUlnano em servir -cuidar, corrigir, atender, ensinar,
Ii mpar, responder, aj udar, consertar, saudar) conservar , facilitar!
alimentar, orientar- apenas corroolperia todas as nossas tenta-
tivas de tnclhorar a qualiJade, das quais depende a economia.

SERvrço 79
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Annal. 0 'lUC é "qualidade" scnüo mais 0 ato Je cheg~jr 0

pröxirno possivcl de UJn idcal? Qucro Jjzcr: a iJéia de quaHdade


preenche a lacuna entre um ncontedJnento matcrial real e uma
fonna perfcita idcatizaJa. Aa visar a pcrfciçäo, a qualidade traz
para a ahna a lernbrança da bclcza ideal. "Scrviço perfcito", dize~
mos. Ulua substäncia quCmica de qualidade, tentando ser 100%
pura, é a que oao foi degradada com substitutos. Uma ferramenta
mecanica de qualidade tolera somente imperfeiçöes microdimen~
sionais. Urn serviço de qualidade desperta expressöes elogiosas:
soberbo, gracioso, belo, divino, maravilhoso, admirável. Coma
um gesto estético, 0 bon1 serviço agrada tanto ao prestador quanta
ao beneficiário pela beleza do desempenho e, desse modo, realça
a vida e agrega valor a urn acontecimento que de outro modo
seria apenas n1aÎs uma transaçäo.
Essa idéia estética da qualidade oferece uma base diferente
para a reconhecida superioridade da qualidade japonesa. A rneu
ver, erramos ao atribuir tal superioridade apenas a urn conjunta
de fatores econ6micos e psicológicos: 0 conformismo de seus tra-
balhadores e a homogeneidade da populaçäo; a intensa pressao
da escola, assegurando hábitos de concentraçao e atençáo por
longes periodos de tempo; as equipes de trabalhadores-gerentes;
a disciplinada competitividade, comum a todos os escalöes, de
alto a baixo; as tradiç6es de obediência às regras (especificaçóes);
e mesmo a "cultura cia vergonha", na qua 1os erros se tornam psico-
logicamente intoleráveis.
. A esses fatores, que supostamente explicam a qualidade
)aponesa, eu acrescentaria sua sensibilidade estética, essenóa!
tanto ao decoro do cotidiano japonês quanto às complexidades
de sua linguagem im agenca.
,. D esd e 0 começo, a rnente j~lponCS:.l e'
colocada numa cultura que prest a devotada atençüo aos detalhes
sensoriais. A prática de artes refinadas como hobbics -arranjoS

80 TLPOS DE PODER
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t1 or "'I'" cerimonia do chá, caligrafia, armas e artes marciais, minia. .


u '"

turiznç:'lO, esmcrados trabalhos manuais, apreciaçáo de jardins,

• . da cotnida,
pre.::"'p'lro
dança traJicional- e a infinitesimal e sutil
varicdllde de gestos do teatro Nó revelam uma "consciência pre~
eisa" das qualidades estéticas seosoriais numa tentativa de atin-
gif 0 ideal. Essa consciência da precisao é 0 que charnarnos de
"controle de qua1idade".
Naturalrnente, es sa impessoalidade estética e objetiva pode
lev3r ao formalismo vazio e ao maneirismo rigido e idiotizante
que os norte,amcricanos costumam ver no procedimento dos
japoneses. Todo modelo lança sua sombra. Näo estou sugerindo
que imitemos 0 modelo japonés de serviços porque ele é melhor .
Sugiro apenas que observemos que a qualidade japonesa resulta
de uma consciência da precisäo, cujo fundamento é uma tradi,
çäo estética.
o serviço de qualidade, portanto, realça a vida mantendo
°
sempre olho no ideal, lutando pela pureza da perfeiçáo. Eviden,
temente, 0 ideal é inatingîvel, por ser essa a natureza do "ideal",
que explica por que urn ideal näo é simplesmente urn padräo de
referéncia. "Ideal" irnplica qualidades que estao além de qual-
quer descriçao preestabelecida. É apenas urn indicador de como
as coisas deveriam ser e, talvez, desejariam ser, como se algo em
cada momento da vida quisesse transeender a si mesmo. É pos-
sîvel que "rneIhorar" näo seja apenas uma aspiraçào hurnana. Tal-
vez 0 progresso rumo à perfeiçäo, à realizaçäo do ideal, seja ine-
rente à própria natureza das coisas - que 0 serviço reconheceria,
fazendo todo 0 possivel para apoiar esse desejo de reake e tiran'
do de cada coisa 0 melhor desempenho possîveL É esse impulso
espiritual que constitui a verdadcira raiz do serviço. 0 nosso ser~
viço na viJa e 0 nosso scrviço para a vida deveriam tentar recon-
duzir tudo 0 que fazenlos a UIl)U visäo utópica, 0 ideal divino,

SERVIÇO 81
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de urn lado, c rcssentitnento agressivo, de outro. Só uma santa


Ifll. ,de caridadc consegue prestar serviço personalizado sem ser
. \'"1
.
tPIHada pda hostiHJade reprimida que ernana dessa sombra.

É a tarefa que dcmanda 0 serviço; a objetividade da tarefa


tr~lns[onna 0 serviço numa atividade ritual. Logo, é preciso olhar
o St'fvi\-'o tn.cnos pela pessoa do que pela coisa. acontecimento ou
situaçïo; lnenos pela servidäo "despotencializadora" do que pelo
re<:lke; nlcnos pela gentileza subjetiva do que pelo ritual objetivo.
Exatarnente cotno se encera 0 chäo para realçar seu brilho ou se
areja a sala depois que os outros foram para a cama.
Por ritual objetivo, entendo 0 modo pelo qual uma enfer~
meira banha 0 paciente imobilizado, urn sacerdote diz a missa,
um intérprete traduz 0 texto, urn ator representa seu papel. Em
cada urn desses casos, 0 aspecto pessoal interfere no desempenho
objetivo do serviço e nas especificaçöes da tarefa. A demanda de
serviço näo se limita às pessoas; tarnbém os objetos precisam de
serviço - a troca de óleo do motor, a limpeza do videocassete, 0
conserto do secador, a transmissäo da mensagem. Cerimónias
do consertador. Os objetos tèm personalidade própria a exigir
atençäo, exatamente coma nos filmes publicitários: a louça sorri
de prazer com 0 navo detergente e a madeira gosta da nova tinta
que a protege da deterioraçäo. T ratar as coisas como se elas tives~
sem alma, cuidadosamente, com baas ulaneiras - isso é serviço
de q ualidade.

Acabamos de navegar, UH\ tanto sumariamente, pelas duas


linhas principais do discurso sobre serviço: uma, referente ao
desempenho do fornecedor (0 modelo high,tech de produçäo) e
a outra, ligada à s3tisfaçao do bencficiário (0 modelo de necessi#
dades personulizadas). Deixenlos de lado os argulnentos e mensu ..

SERV1ÇO 83
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apagando-se até n"lOffer. I)e.. ;p<Ht~n\O hcnigno - náo é i$-so que


temem aqueles que at~lGlnl 0 E$taJo do lx'n1·esrar social?
\'<..xè encontrar,-l outra granJe difcrença entre 0 que C"Stou
prop:JnJo aqui e a5- CritiG1S e tet.."ri3s habituais sohre 0 roder. 1\.j.o
in~-mos enfileirar os vário5 estilos numa linha sÎstemütica de teo·
ria. do maior para 0 menor, do mais forte para 0 m~lis fr;lco. do
rnais antigo rara 0 mats recente etc. Nao estamos expondo tipos
de teorias, mas tipos de poJer. Em vez de uma teona do poder, a
n~~ é uma fenomenologia do poder, até mesmo uma fenomeno--
log ia das fantasias sobre 0 poder. Phainomenon = 6I aqu iIo que se
apre:senta aos sentidos ou à mente'" . Como as coisas se mostram;
coma elas se iluminam (com raiz em Iu:ir, bril har , revelar).
Urna fenomenologia tambérn supöe que nao existe poder
per se. 0 poder näo é, ou, como disse Gerrrude Stein a propósito
de Oakland, /illá nao tem lá". Uma fenornenologia do poder näo
combina cam fronteiras ou margens que indiquem onde 0 poder
começa e onde ele termina, quando ele está presente e quando
nao está. Em vez de uma def-iniçao daTa, ternos uma fa milia de
sernelhanças (\Vittgenstein) entre noçöes e descriçöes intimamen-
te relacionadas. U ma fenomenologia do poder trata 0 tópico como
urn punhado de fantasias, de acontecimentos que se moyem arra-
vés da mente e do mundo, ambos indistinguiveis entre si, uma
mudança de forma, coma Proteu, exigindo muitos e muitos ter-
mos para apreender 0 feixe de noçöes que a nossa lingua enuncia
como sinais do poder.
Qualquer que seja 0 método utilizado -lógico, en'\piri('o.
fenomenalógico-, precisamos usar a linguagem. Urn nlétodo oOS
convence pela força de sua Hnguagem, de sua retórica, que se
define como "a afte da persuasäo", Portanto, se puderm.os cheg ar
às idéias embutidas na Hnguagem sobre opoder e deselnar:lnh~,r
as idéias persuasivas que afetam nosso pensarnento e comporta-

110 T IPOS DE PODER


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Cada uma das regiöes sob sen govcrno desafia a firmczn do


controle. Pantera e touro selvagetn, embriagucz, hissexualidade
teatral, olistério subterràneo, instabilidade vegetativa, populistn
democrático, criança terna e especiahnente seu ep(teto Sen hor
da Alma dificiltnente sao quaHdades que se coadunam com salas
de diretoria ou gabinetes governanlentais. A léln disso, DionisO I
que tirou seus seguidores da cîdade e os conduziu aos bosqucs,
jamais foi politicamente con"eto.
Mas vanlOS mudar de perspectiva. T entemos sondar, de
dentro para fora, a essência do poder que existe nessa configura ..
çäo, ao invés de tentar mantê-Io sob controle. Qual é a essênda
do poder dionisiaco? Qua1 0 fundalnento de sua atraçäo eperma ..
nência através dos séculos? Aparentemente, nunea adiantou ten,
tar controlar seu poder ou temer as conseqüências de seus exces~
sos. Nem no mundo antigo nem na psique contemporànea. Na
verdade, toda tentativa de controlar 0 incontrohivel só exacerba
os excessos. 0 assédio sexual na escritório corretmnente orde~
nado exemplifica 0 retorno exagerado da vitalidade dionisiaca
em situaçöes de pronunciado desespero n1cntal.
Na nos sa linguagem eorrente, a expressno que capta COln
mais simpliddade 0 n10do dionisfaco é: "Dcixa 1"ola1'''. Nüo ape-
oas seguir a maré, flutuar sem bussola ou porto, Inas fluir com os
movitnentos da psique, É como a dança -os dionisiacos costu~
mam ser mostrados dançando-, na qual se fundcln 0 conduzir e
o acompanhar; é a fusào da consciência individual cotn 0 cumpo,
onde as fronteiras se tornmn in)predsas. A pessou dcsenvol ve
uma sensibilidadc especial para as revcrbcrnçöes suhtcrrüne{ls,
de modo que sua vontade é abraçaJa peln grupo e r~presenw 0
grupo. (Dioniso aparece quase scmpre rodcu,lo por scu grupO,
seu thiasos.) 0 indivfduo incorpora a consdência do grupO e é
senhor (deus) de sua alma quando scnte eln si tudo 0 quc aeon'

118 T If'OS DE PODER


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tere na organizaçäo. Esta se tarna viva, cam crescimcnta, deca'


I.knda, pulsos e estaçöes vegetativos que lhe säo próprios. Dianiso
fni idcntifkado com a seiva da vinha, as gavinhas da planta, 0
kite nutritivo - os sucos criativos que säo a alma de todo siste--
ma. Nüo se pode controlar Dioniso, mas é possivel excreer con~
trole de utTI nl0do dionisiaeo, nao se separando da inexplicável
força "potendalizadora" que gera toda a organizaçäo e que, como
um ritnlo vital, é sua verdadeira bottom line. Afinal, as organi,
zaçöes, coma declara a própria palavra, säo orgànicas, assim como
as corporaçöes (de corpus) säo corpos vivos.
Parece bastante evidente, de uma perspectiva arquetfpica
ou nlitica, que nossas idéias sobre 0 controle e a força insana que
empregamos na esforço de assumir 0 controle, manter 0 controle
e oao perder 0 controle, tanto de nós mesmos quanta das organi,
zaçöes, derivam da tentativa de subjugar Dioniso. Se quisermos
aprender maïs sobre os dons e caminhos de Dionïso, ganhar mais
insight nos mistérios de seu culto"e no valor de sua natureza, tal,
vez devamos nos dedicar Ulenos à tentativa de obter 0 controle e
maïs à tentativa de realmente ganhar poder.

CONTROLE 119
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LIDERANÇA

As definiçoes de liderança usatn metáforas e mode1os ani,


D1ais. 0 111ais conhecido destes é 0 "animal-alfa", aquele enorme
bicho que lidera a nîanada em virtude de sua astûcia inata, seu
tamanho e sua força. 11as esse lfder, coma mostram quintais e
laboratórios de universidades, näo é necessariamente 0 animal
macho. Há galinhas que matam os galos. 0 modelo do animal-
alfa sustenta-se na idéia de poder como dominaçao, negligen,
ciando 0 fato de que existem dûzias de modos de (liderar" exem ..
plificados por animais fêmeas: a jovem fêmea do alce americano
dança para chamar a atençäo do macho e entrar em seu grupo; a
fêmea do crocodilo seledona seu parceiro recusando os avanços
dos outros; as leoas caçam e matam em conjunto; as vacas lide d

ram 0 rebanho para a pastagem de veräo nas encostas alpinas.


Portanto, para começar, vamos eliminar da idéia de liderança as
imagens do maior, do mais bravo e do mais musculoso.
No entanto, ao ver os filmes sobre natureza na TV, tende~
mos a associar 0 lider com 0 primeiro abutre que ataca a carniça
ou 0 grande lobo que derruba os jovens machos desafiadores.
Sob a magia das imagens, esquecemos que, além
de ver os animais, estamos sendo enredados numa
narrativa especffica que talvez se ajuste mais à filo~
sofia económica dos humanos que patrodnaro 0
espetáculo do que aos próprios animais mostrados.
Das fábulas de Esopo aos dcsenhos animados de
Disney, os animais facilmente se tornam exenlplos
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palavra gravita$ descenJe de urn tcrn)o sünscrito, hem mais anti~


go do que e1a e, contudo, muito tl1ais popular: guruh, pesado. 0
poder da autoridade vetn do abdotne; sua c1ireçäo é para a ten:},
corno a gravidade.
A autoridade surge, talvez, à medida que a alma suhmerge
gravenlente -grave, eln inglês, significa grave e também tûmulo---,
quando a pessoa se torna urn ancestral, uma figura que represen i

ta a sabedoria acunlulada da comunidade, uma representaçào e


näo uma personalidade. Sua autoridade, entao, vem menos cia
história pessoal e maïs das autoridades impessaais além do tumulo,
os mortos e seus ensinamentos. Será por isso que, nas crises ou
na velhice, nos voltamos para as biografias, tentando aprofundar
nossa personalidade individu al por meio de uma conexäo com 0
passado e os mortos, aquelas figuras que Emerson chamava de
Pessoas Representativas? T alvez seja por isso que a autoridade
fica maïs evidente com 0 avançar dos anos. Talvez ela seja auto'
rizada, cm tiltima instäncia, pelos deuses ct6nicos* do Mundo
das T revas, por Hades e pelos ancestrais que nossa cultura reeo ..
nhece apenas como História.

*' Ctönico (do grego chthon, terra) significa algo sombrio primitivO j

e misterioso. Refere.-se ao mundo subterräneo dos n\Ortos e aos seuS


deuses e espiritos. Para melhor compreensäo, ver 0 uso na geolog ia:
a tectónica, por exemplo. (N.R.T.)

162 TooS DE PODER


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talidade, mas que também.é .....te


[) de independênci.. at coragem,
integridade e ideais significativos. Litima nomeia e descrevea
voluntariosa força emocional que alimenta o processo de trans
formação em indivíduo. (...) Litima é ambíguo (...) tem dois lados,
À fonte de independência e altos ideais também pode sera fonte
da crueldade e brutalidade.”
A subida não é um poder focalizado; antes, é um nível inten-
sificado de energia e umaintensificadairritabilidade, um sentimento
de compressão, pronto para explodir sob a forma de uma cabeça
cheia de planos,coisas demais para fazer, a aceleração do corpo. A
essa emoção a psiquiatria dá o nome de humor submaniíaco,cujo
importante sinal para diagnóstico é ser “forte e incansável”, como
diz o texto chinês. Há um dragão no sangue.
Ora, o dragão é um animal mítico, um animal totalmente
imaginário. Ele solta fogo pelas ventas, tem brilho verde e muitas
cabeças, protege os tesouros e também devora os humanos,
sobretudo os belos, jovens e os que são ingenuamente heróicos.
Por ser um animal totalmente imaginário, ele nos fascina através
do nosso próprio poder animal de imaginação. Uma imaginação
que age em nós como umaforça animal, dando-nos estimulantes
experiências intelectuais, uma atrás da outra, incendiando nosso
ambiente imediato e fazendo-nos sentir que estamos envoltos,
bem protegidos, em torno de dádivas indescritíveis. Nossa natu-
reza humanaé devorada por uma força que impele a água pela
rocha. E, assim, somos dumb (mudos e estúpidos) demais para
perceber o que está acontecendo. Voamosnas asas do mito, mito
enquanto impulso instintivo que nos carrega em suas costas como

* Michael Meade, Men and the Water of Life (Harper San Francisco,
San Francisco, 1993), pp.233-234.
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DECISÄO

<IEle é incapaz de se decidir." "Näo sai de cima do muro."


"Está paralisado pela indecisäo." T odas essas condenaç6es expres--
sam com muita clareza a importància da capacidade de decisäo
para 0 exercido do poder. A decisäo libera poder; talvez, como
essência mesma da açao, a decisäo seja 0 poder. Uma decisäo da
Suprema Carte dos Estados Unidos suplanta uma ordem execu,
tiva do Presidente e uma lei passada pelo Congresso.
É tranqüilizador acreditar que as decisöes resultam da apre'
ensäo total dos fatos. Uma vez considerados todos os angulos e
previstas todas as possibilidades, a decisäo se seguiria. É como se
decidir fosse uma questäo de pesar os prós eos contras na balança
do julgamento. Essa idéia dá importancia excessiva à razäo. Ora,
as decis6es vêm das entranhas, de dados e boatos casuais, de
palpites intuitivos, daquela vozinha que em capitulo anterior cha l

mei de "0 anjo", tanto quanto de uma longa ponderaçäo sobre


uma sinopse bern escrita dos fatos.
A raiz da palavra decisäo (caedo, caedere) significa derrubar
cam urn golpe. Esse primeiro significado latino dificilmente é
racional. Exprime 0 poder bruto: "golpear, atacar,
bater" . 0 segundo significado liga caedo) caedere ao
S2. EI ato sexual, tal coma 0 vemos todos os dias quando
os pássaros se acasalam. Um terceiro significado é
"matar, assassinar; atacar, abater em sacriücio"; um
quarto é "arrebentar, esmagar, quebrar". Caedo, por
sua vez, remonta ao sänscrito khidati t "apertar, pres"
sionar" , e kheda, "martelo".
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Quando 0 martelo bate para encerrar 0 dia na Balsa, con. .


duif urn lciläo ou por urn térrnino aos tramites legais, há urn eco
de mor te sóbita, até violenta. SCO'\ retarno. Assim, náo é de sur ..
preender que haja tanta agonia nas nossas indecisöes, pais a deci ..
sáo póe a morte em eena, e a pessoa que tOffia uma decisäo -
eomo Kennedy, sozinho antes da Baia dos Poreos, ou Eisenhower,
sozinho antes do Dia D, decidindo se ordenava a invasào, apesar
do mau tempo-·- está na presença da morte, com a qual näo se
negocia, nao se faz acordos. Näo admira que na vida cotidiana,
mais comunl, seja taG dificil chcgar a uma decisäo consensual,
quer por parte de um jûri, uma legislatura, urn eorretor de imó~
veis ou urn vendedor.
A capacidade de tomar decisäes é necessária à criaçäo. 0
dicionário diz que urn dos significados de caedo é criar cortando.
Nas artes, 0 menor gesto requer decisäes: incluir ou excluir, mover
para cá ou para lá, selecionar es te e depois aquele. Cada filme
que vemos, cada livro que lemos é uma criaçäo a partir de cortes.
A decisäo sabe quando e onde parar, deixando que 0 rnomento
cia motte concIua 0 trabalho. Uma professora de pintura contou
a urn amigo meu que, para ela, a liçáo maïs importante era ensi,
nar quando parar de pintar, quando cortar, fechar , terminar.
A criatividade da decisäo mostra,se antes de tudo como a
capacidade de veneer a irresoluçäo e a ambivalência. Mas, na
mesmo instante em que liber amos a açäo por meio da decisäo,
também criamos inimigos. As decisöes dividem. Elas cortam em
dois. Decidir, dizdicionärio, significa "determinar a vitória de
0

um ou de outro ludo". Cada dedsäo deixa urn perdedor e cons-


trói sentimentos de son1bra numa organizaçäo. 0 lado derrotado
torna-se 0 lado ferido e procura compensar aquilo que sen te como
injustiças resultantes de uma dedsäo "errada" . Discórdia. Resis-
tência subversiva. A vingança se desenvolve nos corredores do

DEClSÀO 175
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endclTI os usos do tnedo para exdtnçäo e Humento Ja scnsihili~


dade e da percepçao ilnaginativa.
A nlenos que estejan10s dispostos a aceitar a idéia de que
causar me do dá prazer, nunca perceberemos a profunoidade
tot al do poder. Os casos de tortura documentados pel a Anistia
Internacional em todo 0 mundo atestam näo só a universalidade
da depravaçäo hll1nana~ mas tatnbétTI 0 prazer universaI de cau#
sar medo. l--Iolnens e lnulheres arnedrontam e torturam pessoas,
animais e coisas como parte do seu trabalho diário; a carreira do
medo deve dar alguma satisfaçäo além do cumprimento do
clever. Naturalmente, os filmes polidais e de terror capitalizam 0
medo associado ao poder. Cada voz alteada e olhar ameaçador,
cada revólver trovejante e troca de socos aumentam 0 ritmo car~
dfaco da platéia, de modo que) sentados ali na escuro, já näo
conseguimos dizer 0 que é autoridade legitüna, tirania despótica
ou me do puro esimpies. Em 05 Imperdodveis, citado entre os
vinte melhores filmes de todos os tempos, a distinçäo entre os
tipos de poder torna~se dara. Clint Eastwood e Gene Hackman
säo dois matadores impiedosos, mas Hackrnan, embora use a
insignia da autoridade, domina por n1eio da intimidaçäo, enquanto
Eastwood, urn criador de porcos falido, mostra 0 poder da autori,
dade.
o
fascfnio pela crueldade e pela intimidaçäo parece estar
alojado na essência do caráter humano, näo apenas dos nort~
americanos e näo só dos despossuidos e vitimas de abuso. As
crianças se arrepiam de prazer ouvindo histórÎas de torturas, con'
tando assustadoras narrativas de fantasmas e assistindo a ima#
gens horrfveis na televisäo. 0 nome dado pela psicologia médica
ao erotismo do medo (sadismo), que une vitima e violador -e
espectador-, deriva do Marquês de Sade, cuja obra literária

180 Tros DE PODER


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TIRANIA

Farei urn uso tiranico da palavra tirania. Nela, quero


indulr subjugaçao" despotismo, engrandecimento, dominaçäo e
exploraçao. John Locke, filósofo inglês do século XVII, dara ..
mente definiu tirania como poder absoluto e arbitrário que
"0

um homem tem sohre outro para tirar ..lhe a vida no momento


em que lhe agradar". Com isso, estamos voltando à nossa pre~
missa de abertura, a subordinaçao, agora em uma forma extrema.
As descriçöes de tirania costumam induir 0 exercfcio deliberado
da soberania absoluta; a justiça arhitrária ou ausente; 0 governo
cruel, severo e persecutório. A proibiçäo de "punÎçäo crue! e inco-
mum" na Oitava Emenda da Constituiçäo foi uma das precau'
ç6es tomadas pelos norte~americanos contra 0 retorno da tirania.
A palavra~chave nas definiçäes de tirania, desde seu uso
inicial pelos grcgos até hojc, é "absoluto", indicando que a tirania
nao depende tanto de urn unico monarca ou ditador) mas sobre~
tudo da uniformidade mental, literalizada como urn unico gover~
nante absoluto. A tirania governa por meiD de grupos como 0
Politburo, 0 DiretórÎo, uma ordem religiosa, uma fatnilia real ou
uma fmnilia da Máfia, desde que sens mernbros näo
tenham divergêndas quanta ao principio ou na
az.t'
implementaçäo desse prindpio. A supremada de
urn dogma e da meta especifica de uma linha partir
dária, 0 engrandecitnento da familia ou da junta
de coronéis, contam mais do que 0 filOdelo de tîra~
nia cm uma só pessoa. 0 absolutismo näo é um
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regente implacável, mas uma regra implacável- e isso nao é fácil


de lerobrar, porque nossa rnente se fixa nas figuras de czares e
grandes criminosos. Essas imagens servem para manter 0 perigo
da tirania projetado em Stálin, Gêngis Khan e Al Capone, pro ..
tegendo,nos do absolutismo que pode governar a psique sob 0
disfarce do fundamentalismo (na religiäo), da fixaçäo na bottom-
line (nos negócios) e do progresso (nas dências).
Aléln disso, projetar a titania sobre governantes temiveis
noS defende contra uma percepçáo ainda mais próxima: 0 absa,
lutismo governando nossa vida pessoal. Vivemos sob a tirania, e
nao percebemos. Urn ponto de vista, uma fé, urn modo est abele'
cido de fazet as coisas podem crescer e explorar todos os outros
aspectos da nossa natureza, até ficarmos sujeitos aregras abso-
lutas que logo agem de modo aut6nomo. A psicologia de Freud
chamou esses dorninantes de "ditames do superego". Muitos
sintomas ffsicos expressmn a tirania dessas regras fixas. Cäibras e
espasmos, pontadas e dores artrîticas, problemas circulatórios e
excretórios costumam estar ligados à obstinaçao de hábitos cr6,
nicos que näo conseguem se livrar das regras e se rendem a elas.
É como se a antiga figura mitológica de Saturno, a melancolia
rîgida e severa, se transformasse no governante absoluto da psi,
gue. Resignado senso de dever; envelhecimento precoce. En,
quanta isso, outros sintomas agudos, coma erupçöes, acidentes
e colapsos, seriam demonstraçöes do rebelde oprimido que de
repente se ergue para enfrentar 0 absolutismo da consciência
habitual.
A consciência habitual precisa suprimir para focalizar. Para
existir na nleio da avalanche de informaçao que nos assalta, sele-
donamos e reprimilnos. Aderinlos ao que funciona para nós. 0
qUt funciona torna-se 0 olodo preferido de fazer as coisas e logo

o unico modo de fazer as coisas. A nledida que ficnnl0S nluis

TlRANIA 183
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velhos, e maïs cegos, essa tirania da consciênda habituaJ tornapse


cada vez mais visfvel para os outros. 0 estudo de Daniel Goleman
sobre como SOtTIOS iludidos por nossa própria consciência hahi~
tuallnostra que a regra unilateral tiranica é a base do auto~enp
gano.
.
Esse tipo de poder, que nos torna mais eficazes e também
n1ais cegos, vai maïs fundo, näo se limitando a ditar nosso com,
portamento exterior. É a regra tirànica do estilo, nosso est ilo de
pensar, trabalhar e nos relacionar, 0 estilo das nossas palavras e
gestos; e, como tudo isso se reune para integrar a personalidade,
a consciência se torna tirànica. Bebemos para escapar desse tira,
no; pedimos 0 divórcio, nos apaixonamos, largamos 0 emprego,
mudamos de casa, falimos, descemos corredeiras, voarnos de asa,
delta, brigamos com os filhos - tudo para escapar da puniçäo
cruel e incomum infligida pelo absolutistno da regra bem..suce-
dida. T udo foi subordinado a urn unico padräo tirànico. Toda
alteridade"'* desapareceu. A pessoa se tornou totalrnente eia mes--
ma e agora sofre com a regra autoritária.
Na medida em que toda organizaçäo, incluindo aquele gru~
po de damas e vagabundos que compöe cada psique humana~ é
uma associaçáo multipla, a regra do um será sempre ameaçada
por outros sentimentos e outros pontos de vista. Quanto mais
insistirmos em palavras como "integraçäo", "unidade" e "centra..
mento"t e quanto mais imaginarmos que 0 poder vem de "pOr
tudo junto", tanto maior se~á a probabilidade de que 0 cresd..

.. Da~ielGoleman, Vital Lies, Simple Truths: The Psychology 0/ Self~


Deception (Simon & Schuster, Nova York, 1985) .
.. No jargäo junguiano; a alteridade é uma relaçáo que levs Te~ .
. ,. (N R.
conta também 0 "outrolt (alter, em Iattm) e nAo MJ 0 eu. .
~Ä 11 oJ
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garante liberdade em relaçüo à tirania politica, vale a pena


considerá-la por razöes psicolögicas.
o
panteäo era de tal modo estruturaJo quc Zeus/]tlpiter,
por exemplo, era apen as 0 prÎlneiro entre seus iguais (fJrimus inter
pares). Ele näo podia invadir os dom{nios dos outros Jeuses do
Olin1po. Essa restriçao extrapola a noçäo de monarquia limitada,
porque 0 absolutismo näo é refreado apenas partilhando 0 po(k"!
cam uma oligarquia. Nem é litnitado pela leL A tirania começa
subornando a lei ou dobrando~a a seus interesses. Com.o a idéîa
de um panteäo corresponde à estrutura interna da psique, cIa
oferece restriçao no ponto exato em que a tirania tem origem -
isto é, na mente com sua fantasia de ser 0 governante ûnico e
absoluto. A propósito, os dicionários definem "absoluto" como
incondicionado, sem limitaçäo ou obrigaçao; independente, dey
cOHl.prometido. 0 absoluto é dispensado de relaçöes - urn agente
sem grilhöes, com totalliberdade de movimento. A mente tira p

nica acredita no próprio poder; ela "faz a própria cabeça".


Mas a idéia de panteäo se recusa a deixar que a mente acre'
dite em si mesrna de n10do tao absoluto. Diz ela que a rnente,
como tudo no rnundo, é composta e sujeita a muitos poderes,
cada qual com diferentes mitos a exigir continua observaçäo. 0
ser humano é imaginado menos como urn agente central em quem
a tirania é, por definiçáo, sempre uma possibilidade, e mais con10
urn campo em fluxo no qual a fricçao entre as figuras exige rituais
de questionamento reflexivo.
É por isso que outras culturas estao senlpre consultando os
astros, nuvens de chuva, vfsceras dos animais, portentos e pres"
ságios, tanto quanta nós observamos as previsöes econon1icas
antes de darmos urn passo importante. Os que antes eram (e em
. cl sao
outras cu 1turas alfia -) a d·lVln
'hase augur
' e's, aqui sáo
. est;Jtis~
ticos, atuários, especialistas em gráficos e prognosticado res econó~

186 TIPOS DE PODER


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VETO

Este singular tipo de poder demonstra uma açäo totalmente


voltada para a negaçáo. Sua ûnica força está na capacidade de
frustrar a vontade dos llluitos. Etnbora concedida pelos muitos a
urn, pelo coletivo ao individuo como garantia protetora, 0 veto
afirma uma -igualdade entre 0 urn e 0 grupo. 0 fato de que a
vontade da maioria na Congresso po de ser anulada pelo veto de
urn unico Presidente aumenta 0 poder do urn, igualando~o ao
poder dos muitos. Daf ser parte integrante daquilo que 0 sistema
de governo constitucional norte-americano chama de "equilibria
dos poderes".
o
veto näo oferece alternativas positivas nern soluçöes de
comprornisso e niio está sujeîto a condiçöes. Só será anulado pelo
poder de uma maioria ainda mais ampla. Seu poder é totalmente
proibidor) como diz a própria palavra latina, que significa: "Eu
proibo" .
o fato de 0 veto ser inerente aas sistemas de governo no
mais alto nîvel-o Conselho de Segurança da ONU, a presidên,
cia dos Estados U nidos- mostra urn profundo reeonhecimento
da importäncia da negatividade e sugere que a
negaçäo é fundamental ao poder do poder.
MS."
Negaçäo; disse Freud, é repressäo: "Uni juizo
negativo é 0 substituto intelectual da repressäo; 0
'nao' que 0 exprin1e é a marca da repressáo." Que
Îlnenso poder reside na pequena palavra "näo"!
Rompe relaçöes, ree usa cooperaçäo e dednra rejd'
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çäo. Qualquer pessoa que receba urn "näo", por mais gentil que
seja, fica arrasada, seja numa reuniáo de negócios, num baile ou
na can1.a. Uma criança de dois anos, ao descobrir seu poder de
veto, pode usá 10 para contrarÎar a vontade de toda a familia e por
4

sua organizaçäo em violenta desordem. Essa unica silaba oferece


o controle ûltimo, reprimindo as Întençöes do grupo e detendo 0
giro das rodas.
Essa força espantosa num corpinho de dois anos evidencia
fontes além cia vontade humana e, portanto, a capacidade de
dizer "nào" pertence aos BOSSOS traços congênitos, urn dom &ou
instinto natural e inato em todos nós. "Antes mesmo de a criança
ver a luz, 0 principio da barba e dos cabelos grisalhos é inato.
Embora pequenas e escondidas, todas as funçóes do corpo intei. .
ro e de cada periodo sucessivo da vida nela estäo." Aqui, 0 escri,
tor e filósofo romano Sêneca está se referindo às influências
arquetipicas dos deuses, neste caso, 0 velho Saturno, 0 grande
frustrador, negador e senhor da repressao. Se 0 veto se refere a
maïs do que a vontade humana, 0 proibidor "näo" fala com a voz
de uma figura mftica imensa eeterna. E, de fato, ele dá ao indivi~
duo um peso que desequilibra a vontacle da maioria. Talvez por
causa da sua negatividade saturnina, muitos presidentes hesitam
em usar 0 veto COITIO medida ativa, prefe~indo desviar a força
negativa da decisäo por meio do "veto indireto".
opoder de veto aleija. 0 antigo parlamento polonês, por
exemplo, deu poder individu al de veto a todos os membros da
nobreza, permitindo que cad a urn deles, por razöes ou desrazöes
arbitrárias, bloqueasse por anos a fio as medidas do governo eleito.
Se a mais condensada noçäo de pader é "açäo que subor~
dina", entäo 0 veto constitui seu exemplo nlais nitido e daro.
Subordinar, ou pör sob a dependência, é precisanlente 0 que 0
veto (az muito hern. No entanto, 0 nlesrno "n.1o» quc proibe tanl~

VETO 189
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pronta e virtuosamente, coma instrlltllCntos do pröprio purismo


estatal, que procura manter 0 corpo polJtico imunc a infecçöes
espirituais estranhas.
Como os purist as do espfrito nao se sllbmctem ao senso
comUln da consciència dotninante, eles parecem ter idéias loucas
e C001portamentos demasiado intensos. Será por acreditarem que
realmente poderäo mudar mundo? A televisäo e a imprensa
0

popular (e existe itnprensa que näo seja popular?) os associam aos


se rial killers e aos solitários que cometem crimes hediondos con~
tra mulheres e crianças, e aos "excêntricos" que foram abduzidos
por extraterrestres. 0 status quo mobiHza todo 0 seu poder con~
vencional para perseguir, castrar, encarcerar e difamar 0 purismo,
a qualquer custo - corretamente ou injustamente.
Os puristas do espîrito, cujo lar fka parcialrnente fora deste
mundo, tornam,se inimigos do Estado porque seu estado mental
os c010ca à parte como Estados em si meslnos, assinl como
Solzhenitsyn se declarou urn Estado independente do governo
soviético. Solzhenitsyn, Prêmio Nobel de literatura, realmente
alimentou seu fogo na caverna da morte dos gulags eenfermarias
de cancerosos. Näo será 0 purismo, entäo, a mais supren1a forma
de poder? E esse tipo de poder, com toda sua tirania e absolu~
tismo autocentrado, näo estará também a serviço de urn tipo de
poder que bern pouco conhecernos, 0 poder dos espiritos?

194 Tros DE PODER


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PODER SUTIL

Vinte anos de foco feminista sobre poder mudaram 0

muitas das valêndas habituais. Hoje, a subordinaçäo parece uma


idéia fora de moda que pertenee à dominaçäo masculina numa
civilizaçäo patriarcal, como argumentam as feministas. Se seguir. .
mos 0 argumento feminista, muitas das idéias de poder até agora
descritas -intimidaçao, tirania, prestigio, controle e, é daro,
exibicionismo- refletem a "extinta civilizaçäo branca masculina"
e suas fossilizadas idéias de poder. Além disso, tais idéias cegam
ooihar para tipos maïs sutis de poder, que agem no cotidiano e
sustentam nosso ter e fazer, nossa açäo efetiva.
A açäo, en1 si, que é a definiçao mais abstrata ~ imparcial
do poder, restringiu-se na nossa civilizaçäo a um tipo estreito e
vigoroso de açäo moldada nos mitos do herói. Aquele muscu-
1080 soHtário que luta contra 0 mal e destrói os inimigos; mata

animais e devasta a terra, derrubando árvores e mudando 0


curso dos dos. Ele carrega a Terra nos ombros. Coma nossa
sociedade fica ansiosamente obcccada com a produtividade com,
petitiva, e nossa rneta é nos tornar mais magros e mais enxutos,
nossas idéias de poder foram moldadas para se
ajustar a essa ansiedade dominante. 0 poder pre~ _
- -•. 2a
eisa ser produtivo e a produtividade precisa ser
heróica.
Essas noçöes vigorosas, cotnpetitivas e atlé~
ticas do poder encontram apoio näo apenas nos
mitos ocidentais do heröi, Inas tiHnbérn no cristia~
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nisn10 ocidenta1. Antes dos nHJnges, antcs dos ercmitas e santos


contemplativos, an.tes dos frades compassivos, os prirnciros cris,
täos foraIn chatnados de uatletas" de Cristo. Foi competindo
cotn as outras seitas que 0 cristianismo cresceu até dominar a
costa oriental do Mediterräneo, ou, como hoje diriamos, até
conquistar 0 "lnercado religioso". Originalmente, a p~jlavra gre,
ga athletes significava aquele que disputa, que participa de jogos
competitivos e tan1bérn sofre as provaçóes e adversidades des~
sas disputas. Como "atletas", os primeiros cristaos eram zelosos
missionários, difundindo a Palavra, convertenda, lutando para
alcançar maior "penetraçäo na mercado". Os desafiös da com,
petiçáo aumentaram a força do cristianismo, assim como haje a
competiçäo se anuncia coma a maneira de manter produtiva
uma naçäo.
Seria possivel imaginar 0 poder produtivo de autra ma,
neira? Pense na deusa da colheita, Deméter/Ceres, cam sua
cornucópia cheia de delicias comestiveis. Pense. no poder do
banquete em muitas sociedades näo-ocidentais, nas quais a
marca do prestigia, da autoridade e da liderança, bern como 0
objetivo ambicionado, é dar a todos tuda 0 que possam con1er.*
"Magro e enxute" come principal meiD do poder produtivo,
desconsidera 0 objetivo ultimo da acumulaçäo de lucro na
história do capitalismo norte-amerÏcano. Names notáveis distri ..
buem tudo de volta: altruismo, caridade, dotaçöes, magnani'
midade. Os patronos das Fundaçäes tornaram,se täo importan ..
tes na histórÎa norte,americana quanto os Pais da Pátria. Será
que a generosidade deve fkar excluida até a firn e só aparecer

'" Lewis Hyde, The Gift: lmagination and the Erotic Life of Property
(Random House/Vintage. Nova York, 1979).

196 TIPOS DE PODER


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degrada 0 trabalho, reduzindo~o a escravidäo, e também degra-


da 0 prazer, vendo,o como ll)olecagcrn, fazendo~nos considerä~lo
urn parasita decadente ql1e exaure a força do poder.
En"! nenhu1l1 aspecto a oposiçüo entre trabalho e prazer se
torna tao evidente, e às vezes täo absurda, quanto na dcfesa do
Iocal de trabalho contra as Încursöes de Afrodite/Vênus sob 0
disfarce degradado do "assédio sexuaP'. Se imaginarmos que
essa deusa do prazer quer que a sensualidade e a alegria er6tica
encontrem urn lugar em tod os os espaços da vida, é lógico que
ela tentará entrar, por toclos os meios, em todos os lugares de
onde foi banida. Desse modo, a questao nao é mais impedir
quc 0 assédio sexual perturbe 0 ambiente de trabalho, esim:
por que a idéia de trabalho precisa ser tao separada do prazer?
Por que Eros, a beleza, a brincadeira, a frivolidade, a doçura, a
sensualidade, a seduçäo, 0 encanto eo flerte precisam estar mar,
ginalizados no singles bar e na cama para que 0 trabalho possa
ser administrado por uma ordem puritana de ternos escuros e
colarinhos brancos? Os mitos nos dizem que toda atividade,
como 0 trabalho de escritófÎo, que proîba a presença de Afrodite
é urn convite à sua vingança - e eia vive näo apenas nos tem,
plos do passado, mas também no tetnplo da a1ma, essa metáfora
filosófica para 0 corpo.
"Espero que goste" , diz a garçonete; por que 0 chefe nao
nos diz 0 mesmo quando nos sent amos para trabalhar ? N ao só
sentir prazer no trabalho, mas dar prazer, como urn amante. Näo
será esta uma capacidade tipica do poder, tanto quanto contro~
lar, liderar, influenciar?
Que tal considerar outro tipo de açäo? Con1o 0 ensino, como
a jardinagem. Ou a enfermagem pós~operatória. Os professores e
jardineiros exercem urn imenso poder em seus campos. Eles
dominam e controlam, sim, COln a caneta vermelha e a tesoura

198 TIPOS DE PODER


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outros. Tais corolários dcsnH~nten) a idéia (jrt discutida) de que a


matéria é in{erior e passiva. idéin essa que inspira nossas atitudes
hiperenergéticas de produtividnde e desempenho. Ao contrário
dessa idéia passiva tradicional, que diz que a matéria deve ser
n10vida pelo etnprego de força superior (0 que, na prática, signi#
fica a força de Uln superior na cadeia do comando), a cosmovisäo
da sustentabilidade afirma que existe urn potendal inato cm cada
pessoa, em cad a tarefa, etn cada criatura, animada ou inanimada.
Esse potencial nao é inerte; de está, coma diriam os marxistas,
em cadeias.
A a1ma em cadeias, ou aprisionada, pertence ao repertó-
rio das irnagens filosóficas acidentais que recuam a urn passado
distante. Antes da ciência moderna, a fiIosofia da natureza
insistia que havia cente1has de fogo, ou almas, encerradas den-
tro de todas as coisas. Essas centelhas poderiam ser liberadas
por várias artes, sobretudo pela alquimia. A idéia de uma ima,
gem animada presa dentro de um bloco de matéria inerte inspira
as artes desde Pigmaliäo, 0 escultor, cuja estátua tinha vida, e se
repete com Michelangelo, cujo einzel libertava a imagem ine~
rente no mármore e näo apenas impunha sua própria inlagem ao
mármore.
o alquimista concebia sua arte como uma operaçao com as
forças naturais, de tal modo que liberava os potenciais inatos apri~
sionados à espera de articulaçao. 0 ouro era 0 sünbolo desse trans~
formar-se de inaçäo inerte e deprimida em realizaçäü máxima do
potencial. T odas as coisas, se tratadas apropriadamente, transfor,
mavam,se etn ouro. Essa analogia alquimica permanece viável
nos dias de hoje. É só pensar na aplicaçao do poder como maneira
artistica de encorajar e liberar os poderes Înatos nos outroS,
maximizando por meio da discriçao e näo da direçäo.

200 Tros DE PODER


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Em paralelo à filosofia natural da alquimia, eînfIuenci,


ando .. a fortemente~ estäo as idéias do mistidsnlO judaica. Refi;
rü,tne à idéia cabalfstica do tzim tzum, reeuo, recolhimento. 0
argumento cabalfstico segue esta linha de raciocinio: como Deus
está em toda parte, "a existência do universo se torna possfvel
por meio de urn processo de encolhimento em Deus."* Para criar,
produzir) é necessário abrir espaço para coisas des te mundo.
Deus, täo onipresente, tao onipotente, ocupa todos os outros
tipos de existência. Portanto, de preeisa recuar para a criaçäo
poder vir à existência. É somente se retirando que Deus permite
o mundo. 0 princfpio governante no topo näo deve ser onipre-
sente (estar em todos os lugares) nern onisciente (saber todas as
coisas). A produtividade aeontece porque D'eus sai do caminho.
Ele ignora; torna..se urn Deus ignorante; governa por negligência
benigna. Ele se poe em exilia. Este dificilmente é 0 gerente que
está sempre aprendendo e aumentando suas habilidades. Estamas
bern longe da subordinaçao.
É possivel imaginar 0 tzim tzum acontecendo em nossa
nîve1 humano eotidiano, onde 0 reeuo nao parece tao "divino"'.
Ele pode oeorrer simplesmente como sentimentos de incapaci-
dade, impotência e exîlio. A impressäo de estar fora de contato,
afastado do controle. Contudo, se colocarmos esses momentos
contra 0 pano de fundo do tzim tzurn, ou criaçäo via reeuo,
essas experiências "despotencializadoras" sedam imaginadas nao
tanto como fraquezas, mas con10 momentos que exigem uma
força épica, semelhante à de Deus, a qual contrai nosso domî-
nio por meio da autoeontençao inteligente. Abandonarnos toda

----.""."#--~-,_# __... _-

* Gershom Scholem, Major Trends in ]ewüh M)'sticism (Thames &


Hudson, Londres, 1955), p.260.
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aquela fantasia de cotnandar 0 espctêicu]o; ahnndonamos os pla~


nos de centralizaçäo eficiente e controle supervisor. Em seu lugar,
solt amos as rédeas, os relatörios e a responsabilidade, permitindo
que os pötenciais da organizaçào saimn de seus escondcrijos. 0
paralelo COln as artes é bastante evidente. Pois 0 que 0 ator
pretende no palco é "sair do calninho" para que 0 personagem
possa aflorar em toda sua plenitude. 0 mesmo acontece com 0
escritor e 0 pintor; e1es precisam sair do caminho do fluxo da
obra para 0 papel e a tela. Paralelos com a organizaçäo da per~
sonalidade do individuo nem precisariam ser mencionados.
Temos de "sair do caluinho" para nossa fatnflia poder respirar,
para n05SOS sonhos permanecerem vivos quando acordamos.
Até onde podemos ir nesse "näo saber", na simples admissäo
de ignoräncia? Ela parece un1a abdicaçäo de todos os nOSS08
poderes. Os biógrafos dos grandes personagens às vezes usam a
expressäo "colapso criativo" para esses perfodos de tzim tzum na
vida humana.
Essas idéias sutis sobre 0 poder, ou idéias sobre 0 poder
°
sutil, nas quais se susten tam feminismo, as artes e 0 misticismo,
ainda nao esgotaram 0 alcance do nosso tema. Pois há poderes
além de tudo 0 que tentanlOS formular. Nós os alcançamos conl
gestos e ritos. Eles parecem muito distantes dos negócios, do
governo e até cla psicologia. Alguns ocorrem na mente, con10
sonhos que nos forçarn a ver realidades que preferiamos nao
conhecer; como insights chocantes que mudam os padröes da
nossa vida. Outros poderes passam pelos olhos, como 0 amor à
primeira vista. Outros ainda nós propidamos cern a prece ou
cern velas e pedrinhas no altar doméstico depois de uma estra~
nha coincidência ou de urn mau dia. E há os poderes ardmicos
que habitam 0 arnbiente e que, no final do século XX, foram

202 TIPOS DE PODER


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redescobertos de dois modos: pcla ecologia e pela toxicologia. A


pritneira afirma que a açäo humana depende do poder da biosfera,
à qual a existènda humana está subordinada. A segunda afirrna
que poderes insuspeitos residem na solo e na água, no alimento e
no ar, na mobflia, nas paredes e na maquinário high,tech cam 0
quat trabalhatnos. Poderes que causam doenças e morte. As idéias
de poder que começam cam a açäo humana capitulam ante esse
retorno do animistno. Säo os poderes lá fora, nas caisas, nos
lugares e nas mentes, que agora exigem atençäo e pedem uma
compreensäo maïs refinada do poder.
Indfcios das sutilezas do poder nos fazem voltar a uma sen~
saçäo tribal do ritual. Malidoma Some, brîlhante professor afri~
cano, escreve 0 seguinte sobre a açäo humana:

(. ..) ninguém consegue realizar coisa alguma se näo estiver em


alinhamento com os Deuses ou com um Deus (...) N äo de'mora
muito fazer uma pequena invocaçäo no inieio e no firn do dia
(... ) Colocando ritualmente nas mäos dos Deuses tudo 0 que
fazernos, permitirnos que as coisas sejam bem feitas, porque há
mais do que nós envolvidos no ato de fazê-las.*

Liderança) autoridade e ambiçäo que se movem apenas de


acordo corn sua própria visäo corrern urn riseo extra - 0 riseo de
ofender os poderes que tal visäo näo vê. "Porque há o1ais do que
nós envolvidos\ eoma diz Malidoma Same. Toda pessoa no
poder deve manter urn pé em cada mundo, respondendo a cada

• MaHdoma Somc, /?itual: Power, Healing and Conmumity (Swan &


Rc:lVen, Portlanul 1(93).

PODER SUTlL 203


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UITI segundo de exige, 0 instinto do qual depende a lidcr~nça


está ll1UÎtO próxÏtno da intuîç:'\o, daqudc faro para 0 quc está no
ar. 0 individuo na poder lida com as forças sutis quc estäo no ar
e eIas lidanl conl ele; eIe age coma utn negochldor coletivo dos
problemas provocados por espfritos perturbadores, sente,se aba~
lado por eles e é a eles vulnerável. Essa abertura, essa capacidade
de ser influenciado, mas também de resistir, coloca as pessoas
que estäo no poder a serviço da comunidade para 0 crescimento
e manutençäo de uma organizaçào. Os poderes sutis que você
reconhece 0 situam como Ulua vanguarda e tambérrl uma con~
fluência de várias forças. Você é cotno a semente individual de
urn espirito comunitário, dando voz a uma vontade maïs diferen-
dada e abrangente.

Tipos sutis de poder apareceram em todo este livro. No


entanto, 0 poder das definiçoes convencionais continua a subor~
dinar nosso pensamento a velhas e habituais noç6es como! 0
poder é basicamente uma força subordinadora; a açäo requer
esforço; para ter poder é preciso antes treinar a vontade. 0 que
vim sugerindo até agora, e que continuarei de modo tuais com..
pleto na Par te 3, é que 0 poder nao está apenas nas maas de agen d

tes humanos, nao impHca a dominaçao do Outro e cern toda a


certeza nao exclui as emanaçöes de poder que vêm das simples
atividades da vida cotidiana. 0 bom serviço~ as estruturas bem
mantidas, os escritófÎos em que nos sentamos, a linguagem que
lernos em relatórios e falamos em reuniöes - também essas coi..
sas sao tipos de poder, manifestando açào e conduzindo nossas
açöes em direçóes definidas. 0 po der emana de idéias, como as
de eficiência e crescimento. que conferem autoridade a progra"

204 TIPOS DE PODER


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mas de purismo e rnedo. Pois já vimos 0 poder sutil de idéias que


controlam, influenciam ou tiranizam 0 modo pe10 qual pensa'
moS e sentimos a respeito daquilo que fazernos. Em suma, já
reconhecemos as sutilezas do poder que reside nas idéias de
poder.

PODER SUl1L 205


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Esta Parte 3 tenta outra abordagem do poder. Se aParte 2


diferenciou idéias tfpicas assodadas ao poder, esta tentará mos-
trar maïs diretamente 0 poder dos mitos sobre as idéias. Na Parte
2, percebemos que urn impulso para 0 poder tem muitas faces e
que, enquanto uma pessoa percebe 0 poder como prestfgio, para
outra eIe será a autoridade ou a influência. Agora, ultrapassemos
as idéias tipicas e os estilos pessoais, movendo,nos de uma tipo~
logia para uma arquetipologia.
Estou aqui postulando padröes de po der na imaginaçao,
padróes anteriores às idéias e reve1ados nas idéias. Säo os archai,
palavra grega para os principios primeiros, as metáforas básicas
sobre as quais repousam tod as as coisas e que cansistentemente
däo farmas eestilos tipicos de expressao ao nosso modo de pensar ,
sentir e falar. As figuras dos mitos sao as que maïs bern mostram
esses padröes e, por isso, elas voltaram a ser, sobretudo nos ûlti-
mos anos, uma espécie de taxinomia taquigráfica para classifîcar
padröes de comportamento eestilos de personalidade segundo
liohas definidas. Essas grades sao mais coma mapas do contorno
do terreno da imaginaçao, permitindo que a mente
leia a si mesma de modo imaginativo; enquanto as.
'Wa .2a
explicaçóes sao mais coma Ináquinas de terrapla-
nagem que achatam 0 terreno num pensamento
plano, util para erigir constructos conceituais.
Podemos charnar essas linhas gravadas de
arquétipos, de graJes mîticas, de pessoas itnaginais
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ou de forn1as ideadonais; qualqucr quc scja SCll nomc, eIas dc~


VelTI ser diferenciadas das categorias qllC filósofos como Aristótdes
e Kant sustentmn ser as estruturas tncntais hilsicas, categorias
abstratas C01l10 espaço e tetnpo, movÎtncnto e nt1mero. As grades
n1iticas säo figurativas, personificaJas. E süo mais facilmente
encontradas nas artes (teatro, pintura, escultura, poesia, prosa).
Ren1anescentes dessa prática ainda adornam ediffcios publicos
con10 deusas da Justiça, da Razäo e da Liberdade. Havia em Roma
-e os romanos conheciam uma coisinha ou duas sobre 0 poder-
estátuas, santuários e oferendas em honra a todos os tipos de
poder que influenciavam as relaçöes pessoais, a gestiio do Estado
e as atitudes fi1entais. Santuários dedicados aos poderes lnfticos
também eram comuns na antiga Grécia. "Para citar SOlnente Ate..
nas, encontramos altares e santuários para Vitória, Fortuna,
Amizade, Modéstia, Misericórdia, Paz e muitos maïs." Feiura,
Insolência e Violênda também eram reconheddas. Elas eram
poderes reais aserem servidos, e näo "meros produtos da imagi;
naçäo".*
Acreditava-se que, enquanto deuses e deusas, essas pode,
rosas estruturas determinavam e qualificavam áreas importantes
da existência humana e cósmica. Por exemplo, 0 greco-romano
Ares/Marte (deus da fûria, da batalha raivosa e protetor da
cidade) tinha uma infinidade de locais, dias e fen6menos que lhe
"pertencîam", como 0 cavalo de guerra, a lança e 0 ferro. Coberto
e protegido pelo escudo, poucas coisas penetravam seu e1mo
resistente. As ramificaç6es simbólicas desse deus viril, de rasta
sangüfneo e hirsuto, expandiam seu reinado para incontáveis

* R. Hinks, Myth and Allegory in Ancient Art (Warburg Institute,


Londres, 1939).

210 TIPOS DE PODER


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aspectos da vida diária: alimentos picantes (pimentas, rabanetes);


pedras e flores vermelhas; doenças agudas (febres, erupçöes
cutàneas); ten1pOS e tons na musica, ritmes em staccato e cadên~
das galopantes na poesia; remédios de ervas; animaîs, como 0
falcäo e e pica.. pau; territórios quentes e seeos; e 0 estilo retórico
de Hnguagenl que é exortativo, rápido, apodftico. Tudo 0 que
havia nas pessoas, na natureza, na destino, na mundo sensorial
das coisas "pertencia" a uma ou outra figura mftica. 0 mundo era
um livro aberto, para ser lido de acordo cam as grades miticas da
imaginaçäo.
E é assim até hoje. Das bOlnbas sobre Bagdá e da gritaria do
basquete até as lutas de soeos e sangue, Marte ainda explode em
nossas salas saindo do altar luminoso das nossas telas de TV.
Anuncios de carros (geralmente vermelhos), perseguiçöes de car-
ros, corridas de earros, acidentes de carros, carros se chocando
em colunas de fogo. Cenas de catástrofes e acidentes - é como se
todos os telespeetadores estivessem atendendo aos chamados de
emergència nUlna ambuläncia. Marte governa näo apenas 0 con;
teddo e as imagens, mas s.obretudo a velocidade com que nos säo
entregues: as elipses que saltam os detalhes de uma notîda para
"transmiti~la" num átimo; os cortes, quebras e espantosas justa-
posiçöes da ediçäo de imagens; as falas rápidas e condsas; 0 aplauso
ruidoso; 0 volume ensurdecedor dos intervalos musicais e a
conversa todo 0 dia, toda a noîte - locutores como homens de
Marte. Veja os desenhos de pancadaria todas as manhäs; Marte
vendendo doces e brinquedos; a televisäo como minicampo de
treinarnento militar para crianças de dnco anos. Marte arna 0
estilo maniaco que näo tolera interrupçöes e avança rugindo em
ve10cïdade vertiginosa, enquanto nós, telespectadores, nos aco-
rnodélmos, passeando pelos canuis ou assist indo a dois ao n1esn10
tempo, graças às novas tecnologias.

Mllos DU POOFR PODER nos Mlros


j 211
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Esse senso mftico dos padröes que operam no mundo coti~


diana se mantém há séculos e foi fundamental à Renascença.
Como modo de compreensäo, as figuras mfticas parecem estar
retornando de seu longo exflio, surgindo nos conceitos da arte
decorativa, na astrologia popular e na tradiçäo fitoterápica. Vol,
tam com certa força näo só pelas mäos de pensadores acadêmicos
da psicologia, como David L. Miller, Thomas Moore e Ginette
Paris,'" mas também, surpreendentemente, no livro Gods of Man,
agement, de Charles Handy."'''' Handy descreve quatro diferentes
filosofias e práticas de gerenciamento, cada qual com 0 nome de
uma figura da mitologia grega - Zeus, Apolo, Atena e Dioniso.
Säo quatro diferentes culturas, dentro das quais opera 0 geren cia,
mento. Diz Handy:

Cada cultura, ou cada deus, conforme ficará daro, trabalha com


premissas bem diferentes sobre a base do poder e da influência,
sobre 0 que motiva as pessoas, como elas pensam e aprendem,
como as coisas podem ser mudadas. Essas prernissas resultam
em diferentes estilos de gerenciamento, estruturas, procedimen,
tos e sistemas de recompensa (... ) Diferentes culturas e deuses
silo necessários para diferentes tarefas. (p.ll)

'" Ver David L. Miller, The New Polytheism (Spring Publications~


Dallas, 1981); Thomas Moore , "Artemis and the Puer", em PUfT
Papers, J. Hillman (org.) (Spring Puhlications, Dallas, 1979) e Ginette
Paris, Pagan Meditations (Spring Publications, DaUas, 1986) .
•• Charles Handy t Gods of Management (pan Books, Londres, 1958
["Deuses da Administraçäo", Saraiva, Säo PauIo, 1994]). Ver tam~
bémJames Ogilvy, Many Dimensional Man (Oxford University Press,
Nova York, 1977) para urn estudo ainda mais antigo que emprega
os deuses dássico6 como metáforas estruturais.

-- - '" - - - -
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de supervisäo hierárquica fosse correto enquanto a individuali-


dade livre e en"ante do modo dianisiaco de Handy fosse errada,*
Ou, para usar outro par: coma se a dara ordem e 0 formalismo
distanciado de Apolo fossem corretos, enquanto a astudosa e
rápida tomada de decisäes de Hermes fosse impensada, precipi..
tada e irresponsável. Ginette Paris escreve (contrapondo Apolo a
Afrodite): "Cada urn deles é necessário à dvilizaçäo [ou gerenda . .
mento], e uma mentalidade politefsta nos ajuclaria a reconhecer a
ambos, sem procurar jogar urn contra 0 outro" (op. cit., p.17).
Thomas Moore leva seu principio politeista ainda maïs longe: "No
politefsmo genuino, 0 conflito jamais se reduz ao sirnples dualisrno,
à dialética ou ao dilema das alternativas. Urna perspectiva politefsta
sempre se abre para crescente complexidade e possibilidades adi-
cionais" (op. cit., p.199). Esses escritores contemporäneos seguem
urn antigo preceito do dramaturgo grego Eurfpedes: "eada deus
exige de nós algo que só podemos pagar com a moeda do deus -
este é urn fata inescapáveL"
Imaginar uma escolha entre as figuras já nos enreda nurn
pensamento antagonista, lançando um padräo contra 0 outro e
criando uma guerra -ou urn processo- entre os deuses. Ora, a
questäo näo é optar por urn ou outro estilo, mas apreciar sua
diversidade. eada situaçäo enfrentada pelo gerenciamento terá
uma configuraçäo diferente e fará su as exigências próprias e
peculiares, as quais só poderäo ser liquidadas na moeda da figura
mitica que molda a situaçäo em sua origem. A habilidade gerencial

... Sobre 0 estilo dionisiaco, ver também Mia Nijsmans, "A Dionysian
Way to Organizational Effectivenesstt, em Psyche at Work, Murray
Stein e John Hollwitz (orgs.) (Chiron Publications , Wilmette, IL,
1992), pp.136~55.
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tomando conta de si mesma (ressemeadura depois de incêndios


florestais) via negligência benigna; auto,regeneraçäo dos oceanOSj
redclagem e transformaçáo; fontes inesgotáveis de energia. 0
grande Ricorso de Vico, 0 Ewige Wiederkher de Nietzsche. 0 que
acontecer será igual ao que já aconteceu.

2. Depressäo e Destruiçao. Estagflaçao. Cresdmento zero.


Nivel permanentemente alto de desemprego. Bolo do rnesmo
tamanho com demanda crescente de fatias maiores; encolhimen-
to dos recursos; escassez; populaçáo ma is veIha consumindo 0
ganho da nlais jovem. Menos bebês saudáveis, mais mäes doen,
tes e mais crianças falnintas; mais fronteiriços e marginais
(mutantes genéticos, aleijados) disléxicos, analfabetos, vidados)
sem~teto, desempregados etc.). Violência rad al e étnica. Extinçäo
de espécies. Prolctariado submisso e indolente ou rebelde. Poder
poIicial mais rfgido, nos nloldes das ditaduras latinoraInericanas
das décadas de 1970-90; latinizaçao demográfica e econ6mica da
Amérîca do Norte, cam a elite em nichos protegidos, traficantes
e gangues governando territórios rivais, pobres em favelas e
declinio da classe média. Aun1ento das populaçöes carcerárias e
de guardas armados nas escolas. Corrupçäo nos governos. E,
pairando acima de tudo, a mortalha do inverno nuclear clou do
aquecimento globa1.

3 .. Esperança Renovada. A Nova Era de Aquário. Aldeia


global, autodeterminaçäo de sociedades étnicas coesas conlO a
Eslováquia e a Eslovênia. Novos modelos de resoluçào de confli,
t~. Reflorestamento, cam bilhoes de árvores parecendo n1ilhares
de pontos de luz; biotecnologia para "lirnpar" os desastres ambien-
tais. Igualdade racial e entre os sexos. AssistênLÎa cOlnunitáriu,
abrigos, centros de saüde anlbulatoriais, licença olaternidade e

MllOS DO PODER, Pl)DER DOS ~fITOS 217


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paternidade, escolas intcgradas, rcnnsdmento das artes cam


propósÎto espiritual e social. l)ividendos da paz. Eutan~îsÎa pcrmi~
tida, liberdade de opçào sexwll. Qucda de toJos os muros. Prosti"
tuiçäo legalizada, maconha lcgaHzada. Educaçáo criativa. Acesso
llniversal para deficientes e despossuîdos. Cuidados de saûoe e
distribuiçao da riqueza.

4. Catástrofe Apocaliptica. Erros nucleares, como Three


Mile Island e Chernobyl. Mutaçóes genéticas e viróticas irrever~
siveis. 0 problen1a dos resîduos tóxicos insolûveis que provo,
cam cäncer e morte epidêtuica de biossistemas. T erremotos.
Vulcöes em erupçao. A jihad (guerra santa islämica), 0 ultradirei,
tisn10 israelense de Meir Kahane e a extrema-direita cristä como
renascimento do nazismo. Fome no sul do Saara. Ruanda, Somá-
Ha, Haïti, Timor, Camboja. Novas pragas como a Aids. Sufocaçäo
por gases industriais. T errorismo nuclear. Buraco na camada de
ozónio --- populaçöes afogadas, envenenadas e queimadas em
calamidades ecológicas. Colapso epidêmico do sisten1a imunoló,
gico. Queda radical nas contagens de espermatozóides. Populaçáo
armada até os dentes; colapso do governo; cidades disfuncionais;
raptos; seqüestros em carros; guerrilheiros, assassinos, yakuzas e
militarizaçäo; dominio das máfias. Salvaçäo vinda do espaço cós~
mICO.

5. Racionalismo bern Administrado. Integraçäo econóJ


mica de toda a Europa e América do Narte. Novos acordos comer~
ciais e ecosferas de produçao, distribuiçäo e consumo racionais.
Dec1inio e controle da produçäo de armas. Desenvolvitnento cada
vez maior dos meios de transporte e comunicaçao; desenhos de
sistemas (estratégias) financeîros e tecnológicos para resolver as
crises de alimento, populaçao, clima, energia e recursos. Forças ..

218 TIPOS DE PODER


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tarefas, equipes cia SW AT, think tanks. Engenharia humana;


longevidade aun1entada; inovaçäo genética; avanços na imuno~
logiaj uso prático do espaço cósmÎco. Uso correto do Prozac.
Expectativas otimistas cam base em análises de dados estatisticos
com.plexas. T oleräncia religiosa ecumênica. Crescente integraçäo
sodal de mulheres, "minorias" e "deficientes". Novas demandas
de serviços criando nov os empregos. Uma filosofia sodal, e näo
só a ecoriomia de mercado, determinando as metas: educaçäo,
saude e qualidade de vida em vez de consumo, produçäo e expan~
säo. Reforma da midia para refletir a agenda sodal.

Esses dneo exemplos näo esgotam a gama de cenários. Além


disso, eada urn deles tem variaçöes e corölários que refinariam
essas projeçöes do futuro. De todo modo, os dneo exemplos
esclareceol n1inha idéia: há grades ao longo das quais a futura é
projetado. Os cenários sugerem autores e diretores agindo por
trás do pano (dentro da imaginaçao), orientando os desenhos e
moldando a linguagem que os futurologistas parecem "descobrir"
em suas evidências empiricas. É impossive1 pensar sem premissas
básicas eestas, como archai, provavelmente sao dadas com a
mente imaginativa.
Se colocarmos os dneo exen1plos nas grades miticas, vere-
mos que por trás de cada urn deles há urn diretor, uma direçáo
arquetfpica do pensamento que reline as evidêndas necessárias
e tira as conclusöes que projeta de acordo com sua visào de
mundo.

L 0 Retorno Ciclico sugere a Grande hr1ae do declînio,


da morte e da renovaçao. As estaçöes do ano, as fases da lua, 0
fluxo e refluxo das marés governam tod as as coisas. Tuda se

Mrros DO PODER~ PODER DOS Mrros 219


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repete e tu do piora antes de mdhorar. () ddo económico é uma


lei iu\utável, nssiln cotno as flutunçöcs de \Xl,lll Strcet: tuda a que
sobe deve deseer e vice-versa. Näo é tanto 0 contcüdo da previ~
säo que reflete essa perspectiva arquetfpica especffica, mas sim a
ênfase nas con1paraçöes com os padröes anteriores e sua inevi,
tável repetiçäa. A I-lipótese Gaia, 0 planeta como organismo vivo,
é apenas un13 das suas atuais manifestaçóes,

2. Depressäo e Destruiçäo. 0 ve1ho Saturno, senhor dos


proscritos, fracassados e aleijados; das mediçöes exatas e das
ciências rigorosas coma a n1atemática; criador da cunhagem de
moedas emantenedor da balsa; devora os próprios filhos, rege 0
°
inverno, luto e a persistência obstinada. Mr. Scrooge.

3. Esperança Renovada .. Talvez a eter na juventude (a puer


eternus do imaginário romano), a visäo adolescente da mudança
para melhor, os horizontes distantes, as asas do desejo, a e1eva-
çäo do belo, a solllçäo rápida. Peter Pan.

4. Catástrofe Apocalîptica. Este é


rnito por exceIência 0
da nossa cîvilizaçäo, pois 0 Novo Testamento termina com 0
Apocalipse e a aniquilaçäo completa de todas as coisas nas eha,
mas do holoeausto que prepara a Segunda Vinda de Cristo. A
teoria da eatástrofe ofereee uma forrnulaçäo abreviada desse mito
que está sempre à espreita no inconsciente desejo de morte da
civilizaçäo cristä.

5. Racionalismo hem administrado. Eis urn tnito que


talvez näo reflita urn de~s. mas a Deusa da Razäo do século XVIII.
Também podemos detectar nele os conselhos de Atena/Minerva,
bem urdidos e totalizadores, e 0 otimismo de seu pai, 0 jovial

220 TIPOS DE PODER


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DO DOS 1
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mado em fundamentaHstas ideativos, acreditando firmemente


numa idéia porque "é realmente a certa" . Os conflitos entre as
pessoas, na elnpresa e na casalnento, suo as guerras dos deuses,
cujo descomunal poder olhnpico dá às idéiHS essa convicçäo. 0
sentitnento de certeza deve vir de algum lugar abaixo ou além do
ego usual, e assÎ1n é a identificaçao cam 0 poder inerente da idéia
que dá a quen1 a prolTIulga 0 sentimento de certeza.
Os mitos explicam até mesmo esse sentimento de certeza.
T ambém ele vem dos deuses, diz a história de Cassandra, Apolo
a desejava e lhe deu 0 dom da visäo profética umedecendo seus
lábios com a lingua. Mas Cassandra näo se entregou ao deus e
ele entäo lhe lançou uma maldiçäo: ninguém acreditaria naquilo
que ela via com tanta certeza. Embora pudesse seguramente
prever 0 que estava por vit, seus avisos caîam em ouvidos desa~
tentos. Ela só dizia a verdade e era considerada louca por seus
concidadäos troianos.
o
sentimento de certeza nao depende da aceitaçäo dos
outros nern da confirmaçäo pelos acontecimentos. Ele vem de
outro lugar, como foi de Apolo para Cassandra. Essa é sua verda,
de e sua tragédia, e seu potencial para a insanidade paranóica.
Você viu como os mitos complicam as coisas - tornando a
men te cada vez mais cheia de duvidas, maïs sutil e sofisticada,
até mesmo em relaçäa à própria certeza?

Além das cinco visöes do futura esboçadas acima, preeisa ..


mos examinar uma figura mftica täo dominante nas nossas ativi~
dades presentes, que seu poder parece creseer aos saltos - uma
metáfora apropriada para Hermes/Mercurio, deus greco--roma .. °
no do caduceu mágico, dos pensamentos esvoaçantes e dos pés
alados.
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A pilha de pedras, remontando aos tempos pré-históricos e


representando simbolicamente esse deus, marca a beira, a fím-
bria, os limites. Ele estabeleceu as fronteiras — e também as ultra-
passou, construindo passagens entre o perto e o longe, o familiar
e o estranho, este mundo e os outros mundos, acima e abaixo.
Hermes/Mercúrio é, assim, o deus das mensagens, da comuni-
cação, das trocas comerciais, do mercado. É o deus de quem está
na estrada, entre o aqui e o ali, inconstante, volátil. É o deus da
linguagem, intérprete das invisibilidades, mentiroso atrevido,
hábil artesão e ladrão despreocupado, tendo uma relação espe-
cial com o mundo subterrâneo. Sua chegada é instantânea, um
lampejo de inspiração; inovador, astucioso, delicado nas repre-
sentações mas também fálico e seminal. Como senhor dos portões,
portas e estradas abertas, ele dá acesso e tece o milagre das redes
de comunicação.
Não é fato que vivemos num mundo dominado pelo tipo
mercuriano de poder? Não é fato que todos no mercado —e não
apenas os grandes investidores de Wall Streer— devem uma
moeda a Hermes/Mercúrio? Ele também pode ser imaginado em
outras áreas fronteiriças. À física de interação forte dos hádrons
invisíveis, os aceleradores de partículas, a supercondutividade
da transmissão sem fricção e o princípio da complementaridade
parecem ser governados por Hermese não pelas regras estáveis e
leis clássicas de Apolo, enquanto a relação com o mundonatural
pede menos a proteção reverente e piedosa de Ártemis do que a
inovadora astúcia mercurial, capaz de transformar genes e passar
a perna em germes, e inventar chamarizes sexuais e sementes
híbridas. Até o planejamento estratégico da guerra, esfera clás-
sica de Atena, e a fúria marciana no campo de batalha dependem
agora da sofisticação eletrônica e da comunicação instantânea (e

Miros DO PopEr, PODER DOS Mitos 223


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da visäo noturna - l-Iermcs conscguia nndar furtivamente no


escuro).
Embora eu viva a seis qui1ötnetros do fTlais próxi mo posto
de gasolina, banea de jornal e loja de convcniênda, mensagens
de todo tipo entratn na minha casa, mesmo enquanto durmo.
Fax, modeIn, cabo, secretária eletr6nica, chamada cm espera,
telefone no carro, Lexis/Nexus, internet, e-mail e videocassete
programável. Estou plugado a todo este imenso mundo e posso
desfrutar as call1pras eletr6nicas, 0 investimento eletr6nico, 0
aconselhamento eletr6nico eo sexo eletr6nico. Acesso ilimitado.
Minhas cantas de telefone e fax mostram que me comunico
todos os meses com vinte Estados do meu pais e uma duzia de
outros paises. No entanto, sou apenas urn morador da zona
rural, relativamente aposentado e tranqüilarnente laborioso. Meus
amigos e consultores profissionais, meus alunos e parentes espa-
lham-se por todos os Jados. Mas eu estendo a mäo e toco alguém
todo dia, invisivelmente, imediatatnente, eletronicamente. Isso é
Hermes/Mercurio. Minhas açóes säo rituais que reconhecem seu
poder e minha estaçäo eletronica de trabalho representa seu san~
tuário, diante do qual me "ajoelho" em n1inha cadeira.
Além dessas facilidades, estou envolvido em outras ativi-
dades herméticas/mercuriais. Minha mente interpreta 0 mundo
seIn cessar , procurando sinais e portentos, pesquisando significa-
dos simbólicos, empenhada na hermenêutica. Vivo no tempo dos
spin doctors e das realidades virtuais, que conseguem manipular
fatos, toreer e enfeitar as palavras e imagens a tal ponto que hca
impossîvel distinguir aparência e realidade, memórÎa e imagina,
çäo, ilustraçäo e ilusäo. Aprendi a linguagem secreta dos inicia 4

dos em software, bancos de dados, periféricos, disquetes t acrónÎ'


mos e abreviaturas que abrem janelas, permitindo a treca com
qualquer pessea. em qualquer Iugar, ou com nenhurna pessoa

224 TIPOS DE PODER


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definida e especffica. 0 Hermes francamente fálico envia obsce~


nas mensagens anónimas pel a internet, enquanto suspeitos hackers
adolescentes roubam meus pensamentos e violam minha priva-
ddade.
Se 0 futuro será assim, nao se sabe, mas assim é 0 presente,
e precisan10s reconhecer que a hipertrofia da comunicaçäo já se
tornou uma doença endêmica da cultura eletrónica. e.G. Jung
escreveu que "os deuses tornaram-se doenças". Eles nos afetam
através do nosso organismo, do nosso cornportamento e dos mis-
térios desconhecidos que af1îgem nossa vida. Essa hipertrofia da
comunicaçao é a doença forjada por Hermes/Mercurio. 0 po ..
tencial da doença existe em todos os deuses; qualquer grade se
torna urn sulco obsessivo quando uma visäo é vivida unilateral e
monoteisticamente, adorada acima de todas as outras.
No mundo grego, Hermes costumava fazer par com Héstia,·
deusa do lar e do fogo doméstico, primeira a ser honrada em
todas as cerimonias. Suas sacerdotisas romanas eram as guardiäs
do sal, que dá sabor ao cotidiano e captura os pássaros quando
jogado em sua cauda; preservaçäo, imutabilidade. Ela era simbo-
lizada apenas por uma pedra redonda no centro da casa, 0 lugar
do fogo. Héstia, a virgem autocontida; Hermes, invisivelmenre

'* Sobre as caracterfsticas de Hermes e Héstia, ver William G. Doty,


"Hermes' Heteronymous Appellations", e Barbara Kirskey, "Hestia
- A Background of Psychological Focussing n , em Facing the Gods, J.
Hillman (org.) (Spring Publications, Dallas, 1980 [Encarando os
Deuses, Säo Paulo, Editora Cultrixl); Paola Pignatelli, "The Dialectics
of Urban Architecture - Hestia and HermesU, Wolfgang Fauth,
"Hermes» e Stephunie Demetrakopoulos, "Hestia, Goddess of the
Hearthn em SI)ring: A Journalof Archetype and Culture (Spring
I

Publications, Dallas, 1985, 1988 e 1979 respectivamente).

MITOS DO PODER, PODER DOS MITOS 225


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cruzando fronteiras, transgredinJo os limites. Ela era 0 Iado {nti~


mo sen1pre presente, de era 0 exterior; cla, quictudc, cIe, todo
movÎlnento; ela, foco concentraJo (joc"us é a palavra latina para
lareira), de, participaçäo lnültipla em toJos os caminhos.
Assitn coma testelnunhalnos a poder de I-Ierrnes correndo
desenfreado nos circuitos da nossa rede psicológica, descobrimos
o poder complementar de Héstia, inspirando prirneiro a idéia de
terapia, e depois a idéia de liderança na serviço.
Centenas de milhares, talvez milhöes, de individuos envoI,
vidos na vida mercurial dos mercados, comunicaçöes, vendas,
viagens e difusäo da palavra estao ao mesmo tempo protegendo e
conservando 0 próprio fa go interior cam a quietude hestiana da
terapia. COl110 deusa da chama interna que mantém vivos 0 lar, a
cidade e cada pessoa, ela pede que os indivfduos cativados pelas
as as de Mercuria recordeln a outra metade do par, entrando na
terapia e nela permanecendo, para conservar urn foco, geralmente
chamado de "centramento" em meio à azáfama da vida mercurial.
Héstia lernbra a Hermes que, sozinho, ele nao tem foco em sua
visäo; é uma visäo periférica.
A liderança na serviço, teoria e prática inventada por Robert
Greenleaf (ex-diretor de pesquisa em gerenciamento da AT&T),
reinstaura 0 serviço coma a forma primária de poder mais ade-
quada ao século entrante. Aa enfatizar a escuta, a aceitaçäo e a
empatia, a liderança no serviço funciona de modo întrovertido
. por meio de conexoes internas, de a1ma para ahna. Ernbora a
linguagem e a idéia reflitam claramente as figuras de servo sofre,
dor representadas por Isafas e Jesus, 0 que Héstia oferece a essa
escola de liderança é 0 foco da atençao intima e profunda, 'näo a
exaltaçáo do sofrimento no modelo cristào. 0 serviço de FIéstia
nao é urn sofrimento. Ela nos faz sentir a vida imediatall'lente,
näo instantaneamente como Herrnes, rnas in1ediata coma no aquî

226 Tros DE PODER


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Quando vimos os — tipos de poder na Parte 2,|, diferenciamos


estilos e significados. Pareciam apenas nuanças de palavras dando
diferentes ênfases. Esses estilos também pareciam disponíveis à
razão. Uma pessoa certamente consegue separar tirania e domi-
nação de autoridade e influência. Naquele primeiro olhar, o
poder parecia algo passível de ser controlado pela razão.
Agora, este segundo olhar mostra outro tipo de poder, ou
em nível diferente. É um poder que governa nossa vida, domi-
nando nossas idéias sobre a vida. Essa perspectiva afirma que
nos comportamos de acordo com idéias arquetípicas ao longo
das linhas das grades míticas. Esse tipo de poder está fora das
nossas mãos e nos coloca nas mãos dos deuses e deusas que agem
dentro da psique por meio de complexos, sintomas, traços,ins-
tintos e fantasias.
Eurípedes, um dos maiores dramaturgos gregos, disse que
“todas ascoisas estão cheias de deuses”. Para mim,isso significa o
cão aos meus pés, a árvore no meu jardim, as pedras que susten-
tam minha casa — e também o ônibus que meleva ao trabalho e
a estação de trabalho diante de mim. Se “todas as coisas estão
cheias de deuses”, então também nós, humanos, nossos traba-
lhos interiores e nossas idéias estão cheios de deuses. Também
nós estamos sujeitos aos mitos, ainda que o principal deus do
nosso panteão pessoal, de quem conscientemente damos teste-
munho ao iniciar a maioria das nossas frases, seja aquele ego, o
“eu”. O “eu” não acredita que os mitos sejam reais; logo, os mitos
não têm poder. O “eu” tornou-se aquele deus monocêntrico que
cria o queé real declarando-o real, e assim modelando o mundo
de acordo com sua própria teologia.
Se a tese das grades míticas tiver alguma validade, então as
declarações de independência feitas pelo “eu” devem ser enten-
didas como protestos. O “eu” tem medo de partilhar o poder com

228 Tras ne Poner


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aque1es outros que de, pela negaçäo, faz desapareeer; mas que,
apesar de tudo, continuam a puxar os cordöes por trás da cena.
Citando mais uma vez 0 poeta Auden: "SOffiOS vividos por pode-
res que fingünos compreender".
Meu argumento, aqui, é psicológico, nada tendo de reli~
gioso no sentido usual de crença. 0 "eu" nào está sendo solici~
tado a acreditar. Urn senso psicológico dos poderes que enchem
nossa mente e nossas açöes, nos poröes e nas fîmbrias do reino
do "eu", nào exige prece, sacerdote ou escritura, näo pede confir-
maçäo ou testemunho, näo carrega culpa. Urn senso psicológico
desses poderes é apenas uma percepçao consciente, quase primi~
tiva e ingênua, de que, embora a vontade falhe e 0 coraçäo se
desespere, você nunca estará só, nunca ficará sem poder. Há algo
que sempre tem você em sua mente.

M ITOS DO PODER, PODER DOS Mrros 229


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ENCERRAMENTO: PODER E PODERES

U ma palavra ou duas antes de nos separarmos: ao longo


de toclas estas páginas houve unla agenda oculta, nma cosmovisäo
politeista. Ela afirma que os poderes mais básicos da imaginaçäo
sáo os mitos invisiveis que alinham nossos pensamentos e açöes
com os padröes universais. Na nossa cultura, esses poderes domi-
nantes têm nomes gregos e romanos, e seus paralelos sao facil-
mente encontrados em outras culturas - a egipcia, a esquimó, a
haitiana, a polinésia, a da África Oeidental, a dos indios norte'
americanos. Diferentes nuanças, sinl; os cleuses edeusas seropre
têm habitaçöes e nomes locais, embora suas faces sejam seme. .
lhantes. Para nma cultura predominantemente eurocêntrica, os
padröes greco-romanos säo os mais relevantes e diferenciaclos;
logo, os mais poderosos. Por poderosos, entenclo influentes,
autorizados, prestigiados, controladores e tiranicos. Mestno que
esses padröes imaginários que governam nosso pensamento e açao
sejam absolutamente patriarcais e, portanto~ condenados como
urn perigoso jogo COln a morte (coma urn despejadouro tóxico de
restos cotnbustiveis com 0 qual a civilizaçao viveu durante milê-
nios)~ eles säa as ralzes. Inescapáveis. 0 multi~
culturalismo näo pode pular fora do crisol que fai
"Di .ZW
fundido em branze na Grécia há séculos. Enquanto
esta cultura permanecer tradicional e oficialo1ente
comprometida cam a indo,européia (nas lfnguas e
instituiçóes de governo e educaçäo, nas estruturas
familiares e nos mooos de pensamento que definern
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e
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"
contestando e dizendo que 0 mundo é regido pelo amor; por isso
sempre ficamos chocados quando 0 poder reivindica 0 dominio.
No fundo do coraçäo, sentimos que 0 mundo nao é realmente
assim tao perverso e violento, e que 0 amor t embora näo mostre
suas cartas como faz 0 poder, ainda assim conduz todas as coisas,
intern as e ocultas, por se us pequenos caminhos invisîveis. 0
poder se exibe, ru ge e aprisiona, mas 0 amor torna os valores
pernlanentes. 0 amor a tudo conquista.
Essas vozes que insistem numa competiçäo entre 0 amor e
opoder säo ocidentais, setentrionais, cristäs eromanticas. Em
parte, elas se refletem numa divisäo sünplista da Biblia: 0 poder
no Antigo Testamento e 0 amor no Novo Testamento. 0 que
resulta dessa oposiçáo senäo 0 poder (sem amor) da tirania e do
controle, e urn aOlor (sem po der) que deseja mas näo impöe?
Anlor e poder nao sao oponentes; foram nossas idéias que assim
os construiram. Modificando nossas idéias, começamos a desco-
brir a benevolência oculta em noçöes de poder, antes sem amor,
taÎs coma a ambiçao, 0 exibicionismo, 0 prestigio, a resistência e
até 0 medo. Tambérn conseguio10s reconhecer como a persuasao,
o purismo, a tirania, 0 controle e a influência entram na prática
do amor, reforçam sua açäo e dao ao amor tanto poder de subor-
dinaçäo sobre a vida.
A soluçäo dessa cansativa disputa entre poder e amor exige
apenas urn unica passo, a simples passagem do singular para 0
plural. É só acrescentar urn "s'). 0 mundo nao é urn unico mundo,
o poder nao é uma idéia unica) e 0 amor, que se apresenta enl
mil variaçöes e etn disfarces ainda mais nurnerasos, é urn pro-
duto genérico, incapaz de ser reconhecido por luna unica defi-
niçäo.
Assirn tambénl con1 os negódosj basta acrescentar urn "s»
ao lucro -lucros nno só para sócîos e acîonÎstus. 0 m.onoteisnlo

ENCERRAMENTO: PODER E PûOERES 233


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do lucro pode ser afrouxado a fiJn de abrir espaço para outros


tipos de lucratividade: lucratividade para a continuidadc a longo
prazo da vida e das geraçöes futuras, lucratividnde para 0 prazer e
a beleza do ben1 comUlU, lucratividade para 0 espfrito. A dupla
bottom-line da responsabilidade sodal e ecológica só estende a
lucratividade por parte do canlinho. A própria idéia de lucro
precisa tornar .. se pluraL
Acrescentar 0 pequeno "s" foi 0 tema central deste livro.
Por isso este livro complicou deliberadamente 0 termo "poder'" ,
diferenciando seus significados com 0 intuito de sofisticar nossa
mente. Sugeri 0 tempo todo que as açöes de simplicidade limpa e
dara exigem uma mente consciente das complexidades. Para a
açäo ser direta e singular, 0 pensamento precisa ser diversificado
e pluralista. 0 pensamento é capaz de conter uma pluralidade de
opçöes, uma diversidade de implicaçóes contrastantes e de pre~
ver os tipos de conseqüências que decorrem das suas idéias.
Quando 0 pensamento é demasiado simples para conter ambi-
güidade, ele mergulha na açao coma ambivalência. 0 pensamento
preeisa fazer e duvidar, ambos; caso contrário, a açáo será desfei~
ta pel as hesitaç6es do "repensar 0 assunto", que confunde sen
ruma e mutila sua força.
o
mito desernpenha urn pape1 importante nessa sofistica-
çäo do pensarnento. Durante a Renascença européia, os mitos
antigos foram revividos, com deuses edeusas sendo restaurados
como dominantes da imaginaçäo e categorias de reflexäo. Essa
~essurreiçäo deu enorme complexidade ao pensamento renascen-
tista.. A mente unilateral fragmentou-se num panteäo de possibi,.
lidades. Os significados proliferaram. Mas a açäo, naquele perio-
do, fai espetacularmente decisiva e duradoura. A experünentaçäo
ciendfica, a exploraçäo do planeta, a inovaçäo financeira e areali ..

234 TlPOS DE PODER


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zaçäo artîstica avançararn cam audácia enquanto 0 paradoxo e a


alusào su til governavam 0 pensarnento.
A liçào que tiro da sutileza renascentista justifica as excur ..
söes miticas e as an1plificaçöes ideativas que você padentemente
absorveu enquanto percorria estas páginas. Recorrendo aas mi-
tos, às rafzes das palavras e às definiçäes de dicionário, reescrevi
sub'repticiamente urn dos slogans mais batidos do nosso tempo,
o preferido dos ambientalistas, "Pense globalmente, aja localmen,
te", que traduzo para "Pense sutilmente, aja simplesmente". Para
alcançar a sutileza, tentei expandir tod as as questöes mendona,
das neste livro, buscando conduzidlas para a diversidade de uma
visäo politeista. Como 0 poder näo é singular, ele näo será gover-
nado por qualquer idéia singular. Nassas tradiçöes judaicas e cris~
tas distinguelTI Ulna variedade de poderes: nos textas hebraicos e
gregos da Biblia, pelo Inenos 25 tennos diferentes -el, zeroa, chayil,
koach, izzuz, dynamis, arche, kratos ete. etc.- foram unificados por
nossas traduçöes em uma só palavra, "poder" .*
Em vez de poder, devemos falar de poderes e entäo já näo
conseguiremos colocar todos num só lugar, como açäo unica da
vontade humana. Além disso, há poderes no humano, coma a
devoçäo apaixonada e a tirania de tlma ideologia, dos quais a
própria vontade sofre e aos quais ela se rende. E há poderes total-
rnente além da açäo humana, que outras culturas reconhecen1
sacrificando uma galinha/'* acendendo Ulna vela, dando eSlnolas,

* Cf. Robert Young, Analytical Concordance to the Bible (Society for


Prornotion of Christian KnowIedge, Londres, sétima ediçào, s/d),
verbete uPower".
** Cf. Luis Mantlel Nüflez, Santer{a (Spring Publications, Dallas)
1992)j Scldon Rodman e Carole Cleaver, Spirits of the Night: The
Vaudun Gods of Haiti (Spring Publications, Dallas, 1992).

ENCERRAMENTO: PODER E PODERES 2,3 5


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fazendo sinais, clanças e gcstos. De acordo com 0 maior fenome~


nologista das rcligiöes, Gcrardus vnn der Leeuw,'" esses poderes
externos à nossa açäo constitllcm a fonte de tudo 0 que quere,
n10S dizer con1 a palavra "Deus~' e tudo 0 que fazemos quando
praticalnos a "religiao n • Neste livro, porém, näo segui a mesma
direçäo de Van der Leeuw, descendo avenidas de podcres sacer,
dotais, xamänicos e teológicos, nern levei 0 poder peIos caminhos
analisados por George Santayana (em urn de seus ultimos livros,
Dominations and Powers [Doluinaçöes e PoderesD, por Elias Canetti
(Crowds and Power [Massa e Poder)), por Normam Cousins (The
Pathology of Power [A Patologia do Poder)) ou pelas obras clássicas
de Karl Marx, Max Weber e Eric V oegelin.
T ampouco percorri uma terceira via~ mais familiar para mim:
a idéia de poderes que a psicologia profunda colocou na psique
inconsciente - instintos, complexos, impulsos, memórias, erno-
çöes. 1~ambém esses, como os poderes cia reHgiäo e do Estado,
estäo além da vontade individu aL
Em vez dessas abordagens, que teriatn acomodado nosso
exame nos campos mais restritos da religiäo, da politica ou da psi-
cologia, tentei rnostrar que os poderes alélu da vontade humana
afetam nossos negócios cotidianos. Vivemos constantelnente sob
sua aura. 0 que talvez tenha um efeito nlais poderoso do que 0
céu acima de nós, a intercessáo dos anjos e a magia dos demónÎ'
os, sao as idéias que habitam em nossa mente e passam desperce,
bidas em nossa conduta diária. De todas as grandes e pequenas
forças que suborclinam nossas açöes aos poderes superiores, säo
as idéias as que têm influência mais direta e imediata. Mais do

'* Gerardus van der Leeuw, Religion in Essence and Manifestation


(Harper Torchbooks. Nova York, 2 volumes, 1963).

236 Tros DE FODER


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que às figuras do mito, mais do que ao Estado politica, mais do


que aos complexos inconsdentes de emoçèes, estamos sujeitos
às idéias, através das quais filtramos os poderes da religiäo, da
politica e da psicologia, por meiD das quais moldamos esses pode·
res. Sim, 0 escritor do Holocausto estava certo: 0 mundo é regido
pelo poder, 0 poder das idéias.
Nada morre para sempre, diz 0 mito, mesmo aquilo que
julgamos errado e deixamos para trás como "História". Treblinka,
aquele apogeu do poder despótico, já existia na imaginaçao antes
de T reblinka ser construfda, e aincla está lá depois de T reblinka
ter sido arrasada. Tudo encontra seu caminho de volta para 0
circo da mente, nen) que seja apenas nos espetáculos laterais das
anomalias patológicas. As grades politeistas dos mitos mantêm
todos os cantos do picadeiro funcionando ao mesmo tempo, e
também proporcionando as redes de segurança e os cabos de
arrimo que impedem que 0 espetáculo todo venha abaixo. Quan-
do renunciamos à idéia obsessiva de urn centro ünico e à idéia de
ordem como unidade, as coisas nunca realmente vêm abaixo.
Elas simplesmente continuam desempenhando seus nûmeros de
variedades, cada uma de acordo cam sua espécie - malabaristas,
palhaços, tigres, cavalas e saltos mortaÎs na trapézio voador;
girando e girando, a mente incessantemente nutrindo idéias e
sendo nutrida pelas idéias.

ENCERRAMENTO: PODER E PODERES 237


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rir ça
ms

foi impresso em papel Pólen Soft 80 g/m” e a capa em cartão Supremo


250 g/m?, da CIA SUZANO,produzidos com recursos renováveis. Cada
árvore utilizada foi plantada para esse fim. A impressão, em off-set, foi feita
pela Gráfica Palas Athena para a Cultura Editores Associados e
Axis Mundi Editora em abril de 2001.
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o qu e defin e 0 pOD C.Il


de uw CXCt,U!i I' O; BW! capaödadE
de IidcMU'('U, S ~ I .I carilima, 0 C.Oll ·
<J, qll\'!lUl.lllo C 1reMur-
(rule que el.' exerC(>. sua ln1luëndD.,
ilL> ~ lIlÏ!J.l> quc ~=
SUft rel'Ulaçào? É u ca rgo Que Ihe
Dl<', lII<.",lI'mIikHIU!> ""Oll'
dá ~O O~ I ? OU dt' d.lI !J]J 0 l'U uE'
.""IlCJI c a~-!o) de ma-
por roeio do nuloridade. persua5áo,
Ilpre~ .. tI.J.C pn(02.,
inûutidnçAo . ûrani/, 1
~ cunII'u ~ pè . -
Il av. rá bole. U e<ilO noS$ll epoca
Ir~C&Ille..
de pOUGOS Ifd eres (. de nUlOri.dJl dc
LWJman IlIJ1liuz 0 tdlur
eUl dcclinio. (dgwu o qualJdadc mals
"n.t~ PIlr ''IIJle Upw dlfC'- ~,III\ 1'\1\,\ 11 U:-'II 1 ';lll.1(,~ 'l l
occessilrin do 'Iue Q POOEI\?
~ l'IlIlIU, taclwnd<t o:mHns
A mlli orin de mIs "t! u I'OUEII

,
lp:tl! fllZlllll lDIll'Ddoll .)u
Curuo LlITHl fot('a rllooülfUca, (:s.rna -
I~, 01Il10 car\5roll_ velu.
gnuul1I .ln aullgfvcl. Mos, CUm o n os
~<ir1 , ~ptlIaç.ao. !OU-
rnOSl r n J am• • I UUm üll, 0 pODEn
IC(JU!rQlc ~ IlIIIbiçful.
se mp l'l: sc ('o mpös lI e m llÏlos tol! -
lpr IMln$ f. IIbcrudur;
lo s, 8plldöc. e nUilll çllS.
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