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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

DEPARTAMENTO DE FÍSICA

CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

Estudante: Luiz Henrique de Carvalho Filho

Grupo: Luiz Henrique de Carvalho Filho

Ismael Saraiva Souza de Oliveira

Lei de Ohm

01 de Julho de 2013
1. Objetivos

Esta prática tem o objetivo de verificar a validade da Lei de Ohm para uma resistência
ôhmica. Também se objetiva estudar a relação Tensão-Corrente para um elemento de circuito
cujo comportamento é não ôhmico. Por fim, pretende-se estudar a associação de resistores.

2. Introdução Teórica

Quando uma diferença de potencial é aplicada em um objeto, estabelece-se uma


corrente elétrica. Vê-se experimentalmente que uns objetos permitem correntes elétricas
maiores que outros submetidos à mesma ddp, ou seja, resistem mais à corrente. A essa
propriedade de resistir à corrente elétrica dá-se o nome de Resistência elétrica.
Quantitativamente, define-se a resistência elétrica R pela razão

V
R= ,(1)
I

onde V é a diferença de potencial (ddp) aplicada, I a corrente que flui e R a resistência elétrica
do material. Nesta definição de resistência elétrica, R não é necessariamente constante.
Quando V é dado em Volts e I em Ampères, R tem como unidade de medida o Ohm (Ω).

Historicamente, temos que no início do estudo da eletricidade o físico Georg Simon

V
Ohm verificou experimentalmente que a razão se mantinha constante em um mesmo
I
dispositivo. Daí enunciou-se a lei de Ohm: “a corrente elétrica que atravessa um dispositivo é
proporcional à diferença de potencial aplicada ao dispositivo”. Posteriormente, verificou-se
que esta lei nem sempre é válida. Atualmente, existem vários dispositivos cuja razão V/I
assume as mais diversas formas. No entanto, a lei de Ohm continua útil para algumas
situações comuns. Nisto há a motivação para a definição de dispositivos ôhmicos e não
ôhmicos.

Em um circuito, um resistir é representado pelo símbolo . Dizemos que um


elemento do circuito obedece à Lei de Ohm (ou é ôhmico) quando a corrente que por ele flui é
diretamente proporcional à tensão elétrica (voltagem) aplicada aos seus terminais.
Matematicamente isto é representado por:

V =RI (2)

onde V é a diferença de potencial (ddp) aplicada, I a corrente que flui e R é a resistência


elétrica do material, neste caso uma constante. Se obtivermos diversos pares de valores (V, I)
medidos no laboratório, a relação linear expressa na equação 1 resultará numa linha reta se
representada graficamente na forma V versus I.

Para um elemento de circuito não ôhmico, como o próprio nome sugere, a relação
entre V e I não é linear, ou seja, não há um único valor de R. Em outras palavras, o gráfico V
versus I não será uma linha reta.

Em algumas configurações, podemos calcular a resistência equivalente de associações


de resistores, isto é, a resistência do resistor que causaria o mesmo efeito no circuito dos
resistores associados. Existem basicamente dois tipos de associação de resistores: em série e
em paralelo. Na figura abaixo temos uma associação em série.

Fig. 1: resistores em série

Temos três resistores com resistências R1, R2 e R3, cada um submetido a tensões U1, U2
e U3, respectivamente, e a mesma corrente i em todos os três. Olhando para os pontos inicial e
final, há uma tensão U=U1+U2+U3, e uma corrente i atravessando-os. Um resistor que causaria
este efeito deve ter a resistência

U U1 U2 U 3
R= = + + (3)
i i i i

Portanto, temos a fórmula para resistência equivalente para n resistores em série:


R=R 1+ R 2+ R 3+ …+ Rn .(4 )

Para resistores em paralelo, como na figura abaixo, temos outra configuração.

Fig. 2: resistores em paralelo

Como ilustrado, nos resistores com resistências R1, R2 e R3 temos as correntes i1, i2 e i3,
respectivamente. Nos pontos inferiores passa a corrente que se distribui para os três resistores.
Portanto a corrente que passa por esses pontos será i=i 1+ i2 +i 3, e a tensão a que estão
submetidos é a mesma que a dos três resistores. Assim, a resistência equivalente será

U U
R= = .(5)
i i 1+i 2 +i 3

Invertendo as frações em ambos os lados da igualdade, temos

1 i 1 +i 2+i 3
= ,(6 )
R U

Assim, temos a fórmula para resistência equivalente de resistores associados em


paralelo:

1 1 1 1
= + + + …(7)
R R1 R2 R3
3. Procedimento Experimental

Material utilizado:

 Multímetro;
 Fonte de tensão;
 Resistores;
 Lâmpada de bicicleta;
 Chave elétrica;

Procedimento Experimental

Para esta prática, tínhamos os equipamentos já preparados, bastando apenas fazer


algumas conexões para montar o circuito. Para cada circuito, foram medidos e anotados os
pares tensão-corrente.

Foram utilizados quatro circuitos:

Fig. 3: circuitos utilizados


No primeiro circuito, o resistor R1 é submetido à tensão da fonte. Entre a fonte e um dos
terminais do resistor há uma chave um amperímetro, e entre os terminais há um voltímetro.
Nesta análise, os equipamentos de medição não alteram no circuito.

No circuito 2, os resistores R1 e R2 são associados em série. O amperímetro está posto para


medir a corrente que passa por ambos os resistores, e o voltímetro mede a tensão fornecida
pela fonte, a que o conjunto de resistores é submetido.

O circuito 3 dispõe os resistores R1 e R2 numa associação em paralelo. O amperímetro mede


a corrente que sai da fonte. Esta corrente é dividida pelos dois resistores. O voltímetro mede a
tensão entre os terminais da fonte. Esta é a tensão a que ambos os resistores estão submetidos.

Por fim, no circuito 4 é usada uma lâmpada ao invés de m resistor. A disposição dos
equipamentos neste circuito é equivalente ao do circuito 1, com exceção de que a lâmpada
substitui o resistor, no circuito 4. Neste circuito espera-se um comportamento não ôhmico, já
que a lâmpada não obedece à lei de Ohm.
4. Resultados

Nos circuitos da figura 3, as resistências nominais e medidas dos resistores são:

R 1=4,7 KΩ (tensão medida de 4,68 KΩ)

R 2=1 KΩ (tensão medida de 0,99KΩ)

Os dados coletados são apresentados nas tabelas abaixo:

TABELA 1: Circuito 1
TENSÃO (V) CORRENTE (mA)
MEDIDA 1 1,26 1
MEDIDA 2 2,25 2
MEDIDA 3 3,15 3
MEDIDA 4 4,14 4
MEDIDA 5 5,19 5
MEDIDA 6 6,10 6
MEDIDA 7 7,09 7
MEDIDA 8 8,08 8
MEDIDA 9 9,07 9
MEDIDA 10 10,05 10
Tabela 1: circuito 1

TABELA 2: Circuito 2
TENSÃO (V) CORRENTE (mA)
MEDIDA 1 1,03 0,181
MEDIDA 2 2,02 0,356 Tabela 2: circuito 2
MEDIDA 3 3,10 0,547
MEDIDA 4 4,21 0,743
MEDIDA 5 5,06 0,892
MEDIDA 6 6,15 1,085
TABELA 3: Circuito 3
MEDIDA 7 7,10 1,256
TENSÃO (V) CORRENTE (mA)
MEDIDA 8 8,21 1,448
MEDIDA 1 1,09 1,33
MEDIDA 9 9,55 1,683
MEDIDA 2 2,09 2,55
MEDIDA 10 10,96 1,931
MEDIDA 3 3,17 3,87
MEDIDA 4 4,23 5,16
MEDIDA 5 5,16 6,30
MEDIDA 6 6,26 7,63
MEDIDA 7 7,40 9,02
MEDIDA 8 8,48 10,33
MEDIDA 9 9,62 11,73
MEDIDA 10 10,70 13,04
Tabela 3: circuito 3

TABELA 4: Circuito 4
TENSÃO (V) CORRENTE (mA)
MEDIDA 1 1,12 26,6
MEDIDA 2 2,36 39,7
MEDIDA 3 3,31 48,0
MEDIDA 4 4,37 56,4
MEDIDA 5 5,47 64,2
MEDIDA 6 6,53 71,0
MEDIDA 7 7,52 77,1
MEDIDA 8 8,71 83,9
MEDIDA 9 9,63 89,0
MEDIDA 10 11,27 97,9
Tabela 4: circuito 4

Análise dos resultados

Com base nos dados apresentados nas tabelas de 1 a 4, podemos traçar os gráficos
Tensão-Corrente para cada circuito. Estes gráficos são apresentados no anexo. Vale notar que
no caso dos resistores, a resistência R (ou resistência equivalente) é dada pela declividade da
reta. No caso de resistores associados, a resistência equivalente pode ser calculada pelas
equações 4 e 7 com base na resistência nominal. As retas que melhor representam a
distribuição experimental podem ser calculadas utilizando o método dos mínimos múltiplos
quadráticos, com o auxílio de um programa MMQ 1.2, feito em C para esta finalidade. As
inclinações dessas retas são mostradas na tabela abaixo.

Circuito Inclinação da reta (V/mA = KΩ)


1 4,64
2 5,62
3 0,82
Tabela 5: Inclinação das retas Tensão-Corrente
Agora, utilizando a equação 4 para calcular a resistência equivalente do circuito 2 com
base nas resistências especificadas nos resistores, temos:

RC 2=4,7 KΩ+ 1 KΩ=5,7 KΩ .(8)

E para calcular a resistência equivalente do circuito 3 com base nas resistências


nominais dos resistores, utiliza-se a equação 7 para resistores associados em paralelo:

1 1 1 57
= + = .
R C 3 4,7 KΩ 1 KΩ 47 KΩ

Portanto:

47
R C 3= KΩ=1,21 KΩ.( 9)
57

Também se pode utilizar o valor medido com multímetro das resistências dos
resistores. Neste caso, teremos:

R'2=5,67 KΩ(10)

R'3=0,82 KΩ .(11)

Como pode ser notado, realmente as inclinações das retas que mais se aproximam dos
pontos coletados estão satisfatoriamente próximas tanto dos valores nominais de resistência
dos resistores, quanto dos valores medidos, com um erro relativo da ordem de 10−3 . Nota-se
também uma coincidência maior com os valores medidos do que com os valores nominais. De
fato isto é previsível, pois o valor medido é mais representativo para a resistência do que o
valor nominal.

No caso da lâmpada, a curva Tensão-Corrente não é linear. O gráfico desse circuito


também é mostrado no anexo. No entanto, podemos utilizar a definição de resistência dada
pela equação 1 para calcular o valor da resistência como função da corrente ou da tensão.
Assim, para cada valor de I apresentado na tabela 6, temos o respectivo valor da resistência na
lâmpada utilizando a equação 1 e os dados da tabela 4.

Tensão (V) Corrente (mA) Resistência (Ω)


1,20 39,5 30,38
6,00 95,1 63,09
10,80 131,2 82,32
Tabela 6: Resistências da lâmpada para alguns valores de corrente
5. Conclusão

Com base nos resultados das medições nos circuitos 1, 2 e 3, apresentados nas tabelas
de 1 a 3, assim como nos respectivos gráficos tensão-corrente, constata-se que para os
resistores utilizados nesta prática a Lei de Ohm é satisfeita, isto é: há uma relação diretamente
proporcional entre a tensão e a corrente elétricas em um resistor. Para o caso do circuito 4,
onde foi usada uma lâmpada de bicicleta, que é um dispositivo não-ôhmico, pode ser
observado também o comportamento de um dispositivo deste tipo, e confirmado o
conhecimento disponível na bibliografia.

Os resultados obtidos foram satisfatórios para fins acadêmicos, especialmente nos


circuitos 1 a 3, onde fico aparente a linearidade do gráfico tensão-corrente. Os pequenos
desvios podem ser atribuídos às condições dos equipamentos de medição, assim como a erros
de execução.
6. Bibliografia

[1] HALLIDAY, David; RESNICK, Jearl Walker. Fundamentos de física, volume 3:


eletromagnetismo. 8 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009;

[2] <http://pt.wikipedia.org>

[3] NUSSENZVEIG, H Moysés. Curso de física básica, volume 3 – eletromagnetismo. 1 ed.


São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2001;