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UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS

FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS

UBIRAJARA JAQUEIRA BISPO

DOURADOS - MS

JULHO/2018
UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS

FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS

UBIRAJARA JAQUEIRA BISPO

RELATÓRIO DO TEXTO “REVOLUÇÕES DE DIREITA NA


EUROPA DO ENTRE-GUERRAS: O FASCISMO E O NAZISMO.”

Relatório apresentado para a disciplina


Formação da Sociedade, no curso de
Ciências Sociais, na Universidade Federal
da Grande Dourados.

DOURADOS – MS

JULHO/2018
Rollemberg, Denise (2017), “Revoluções de direita na Europa do entre-guerras: o
fascismo e o nazismo”. Estudos Históricos Rio de Janeiro, vol. 30, no 61, p. 355-378,
maio-agosto 2017.

O texto discute a pertinência ou não do uso de conceito de revolução para


regimes e movimentos de direita ou de extrema direita, tendo como referência o
movimento nacional socialista na Alemanha e o fascismo na Itália.

Segundo a autora o conceito moderno de revolução surge com o advento da


Revolução Americana (1776) e Revolução Francesa (1789). O termo está ligado a uma
tomada de um novo rumo, uma nova história. Durante o século XX, estes movimentos à
esquerda deram a compreensão do que seria uma revolução.

Para Karl Marx, a revolução burguesa era uma etapa necessária para a revolução
socialista, tendo como objetivo chegar ao verdadeiro comunismo. A tese do
determinismo econômico, para Marx era fator explicativo da transformação social.

Durante a Guerra Civil Americana, Marx fez observações sobre as motivações


da guerra, para a autora é uma pena que os historiadores marxistas não tenham
percebido o potencial dele como analista politico.

Para os autores marxistas, o fascismo (1922) e o nazismo (1933) são


movimentos de contrarrevolução, regimes contrarrevolucionários, pois ambos os
movimentos foram apoiados pela burguesia do grande capital (grandes industriais e
banqueiros), e se opuseram às revoluções socialistas. Para autora, interpretar estes os
regimes supracitados como revolução, poderia indicar aprovação e legitimação.

Para Neumann, marxista da Escola de Frankfurt e ligado ao Partido Social


Democrata da Alemanha, o apoio do grande capital ao Estado nazista, desconstrói a
ideia de uma revolução nacional-socialista, que os próprios nazistas defenderam.
Mussolini, que era socialista, levou conceito de revolução e sua positividade
para o campo da direita. Por desta revolução a economia se modernizaria e se
reconheceria os direitos do povo na Itália. No fascismo o Estado controlaria qualquer
atividade pública ou privada, tornando-se um regime totalitário.

No totalitarismo, quem forma o cidadão é o Estado, a família, a escola e a


religião atuavam de forma secundária na formação. O Estado totalitário tentava
normatizar a s condutas individuais de foro íntimo, e das relações sexuais. A Lei de
Nuremberg, na Alemanha, proibia casamentos inter-raciais.

O nazismo, tratava o seu movimento político como uma revolução nacional


socialista. Adotou os símbolos da esquerda como a cor vermelha, o 1º de maio e etc…A
palavra revolução que por muito tempo foi monopólio dos socialistas e comunistas,
passa a fazer parte do vocabulário nazista para qualificar as transformações.

Para Dahrendof, o nazismo completou a revolução social na Alemanha pós


império e República de Weimar, provocando uma ruptura dos laços antiliberais. Sendo
assim, os nazistas trataram de apagar todo e quaisquer vestígios da ordem social, que
foram erguidos pelos governos autoritários e conservadores passados.

Para David Schoenbaum, o nazismo realizou duas revoluções: 1)


ideologicamente a revolução nacional socialista combatia a burguesia e a sociedade
industrial; e 2) na prática, se alinhou aos burguese para poder se manter no poder.

Robert Paxton, defende que: “os regimes fascistas funcionavam como um epóxi:
um amálgama de dois agentes muito diferentes entre si, o dinamismo fascista e a ordem
conservadora, compartilhada de destruir a qualquer preço os seus inimigos comuns”
(Paxton, 2007: 244, ambas as citações).

Johann Chapoutot, afirma que: “o nazismo não é nem projeção em direção à


utopia de um homem novo nem reação desejando o retorno a um estágio anterior da
história”
No Brasil, na década de 1930, surge o fascismo brasileiro, inspirado no modelo
italiano que se chamava Integralismo.

Por fim, chega-se a conclusão que os regimes totalitários fascista e nazista, não
foram revoluções de esquerda, pois não houve as mudanças substanciais defendidas pela
esquerda, como a retirada da burguesia do poder, e assunção dele por parte dos
trabalhadores. Tanto o fascismo, quanto o nazismo derrubaram governos autoritários, e
implantaram outro, com o apoio da burguesia., e usaram do terror para se manterem no
poder.