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Elisângela Aparecida Mai

Número do RA: 8099895

Trabalho apresentado ao curso de


Educação de Jovens e Adultos e
Psicologia do Desenvolvimento, Claretiano
Centro Universitário, para a disciplina
ministrada pela tutora Lilian Paula D.
Bérgamo.

SÃO PAULO
2019
Educação Infantil

Durante muitos anos, a educação infantil foi estudada por teóricos que hoje
são base para muitos psicólogos e pedagogos realizem seus trabalhos com
maestria, suas concepções não só contribuíram para desenvolvimento infantil, como
provou que muitos métodos utilizados antes do século XX estavam incompletos ou
errôneos, limitando o desenvolvimento da criança.
Em destaque temos dois teóricos importantes em nossa história que fizeram
e fazem ainda toda diferença sobre a concepção de desenvolvimento infantil e
aprendizagem, estes são: Piaget e Vygotsky. Apesar de apresentarem diferenças em
suas teorias e não serem concordantes em todos os aspectos, ambas se
completam, uma vez que a capacidade de conhecer e apreender são construídas
por meio das interações estabelecidas entre o sujeito e o meio, a criança é um ser
ativo, que tem atenção a tudo a sua volta e que cria hipóteses sobre o seu ambiente.
Piaget atribui o desenvolvimento infantil e aprendizagem a Epistemologia
Genética, onde o conhecimento se constrói através de uma interação do sujeito, na
interação do sujeito com o objeto e seu meio de forma espontânea, a partir de
estruturas já existentes, onde os fatores internos preponderam sobre os externos,
através de estágios em que ela esta se encontra. Esta teoria foi chamada de
construtivismo.
Já Vygotsky atribui o desenvolvimento infantil e aprendizagem ao ambiente
social, onde a cultura molda o psicológico, isto é, determina a maneira de pensar.
Além disso, a criança precisa sair do seu ambiente atual e interagir com o novo, e é
através dessa interação com adultos ou crianças mais experientes que ela irá se
desenvolver melhor e “sair do seu mundo individual”, a interação com o meio fará
com que ela se desenvolva e, esse desenvolvimento varia conforme a interação com
o meio ambiente, quanto mais aprendizagem, mais desenvolvimento.
Enfim, a diferença entre os dois teóricos é a maneira de conceber o
processo de desenvolvimento, mas ambas estimulam o conhecimento da criança e
facilitam sua aprendizagem, portanto, não se pode aceitar apenas uma única visão
e, por isso reafirmo que são complementares.
Para a concepção interacionista, o desenvolvimento humano e a construção
de conhecimentos ocorrem por meio da interação da criança com outras pessoas do
seu meio ambiente, especialmente as pessoas responsáveis por seus cuidados e
com as quais ela se relaciona afetivamente. Ambos autores possuem este tipo de
concepção, sendo Piaget interacionista e Vygotsky sociointeracionista (porque
entende que o desenvolvimento ocorre em função da mediação do meio social e
cultural).
Para Piaget o conhecimento se constrói na interação do sujeito com os objetos do
ambiente, seu corpo; a perspectiva é construtivista. E para Vygotsky, a
aprendizagem implica na interação da criança com o seu meio sociocultural.
Vygotsky enfatiza a mediação do outro e dos instrumentos culturais na interação da
criança com seu ambiente, ressaltando que o desenvolvimento está relacionado,
intrinsecamente, à aprendizagem. Isto é , conforme a criança aprende, ela se
desenvolve (desenvolvimento de funções psicológicas)
Porém, para Piaget, o ciclo de vida é divido em três fases, sendo a primeira
fase desdobrada em duas partes, na qual faz parte da educação infantil de zero a
cinco anos, tema abordado.
A segunda infância se inicia com dois anos quando a criança começa a
utilizar sua linguagem oral, para locomoção e sua representação mental,
encerrando-se aos seis ou sete anos, quando ingressa no primeiro ciclo do Ensino
Fundamental. Nesta fase a criança passa a conhecer suas habilidades
psicomotoras, conhecimento do corpo (olhos, nariz, etc) até os dois anos,
movimentos, lateralização e estruturação espaço-temporal (pessoas e objetos), após
os dois anos.
Nesta idade também inicia o processo de desenvolvimento da fala na fase
pré-escolar e, próximo aos cinco anos aprende o uso da voz passiva, a criança faz
uma transição do pensamento sensório-motor para o pensamento pré-operatório,
que tem como principais características: o egocentrismo, a centração e a aparência
tomada como realidade, abrangente até o sete anos de idade. Esta fase é marcada
pelo uso de símbolos para representar objetos e acontecimentos, mas ela também já
usa o raciocínio, embora entre os dois e quatro anos de idade sejam influenciados
mais por suas próprias vontades e desejos, mas é considerada também uma fase
crucial para a estruturação da personalidade, ou seja, a criança começa a imitar
modelos adultos, a interiorizar normas e valores e a identificá-las para resolver os
conflitos, e também se apoiam em ações concretas, tais como, achar que alguém é
seu amigo "porque" brincou com ela ou porque lhe deu presentes, mas também está
presente a formação da consciência moral, uma vez que começam a aparecer às
noções de comportamento correto ou incorreto, muito embora não compreendam o
conceito de intencionalidade.
Mediante a este cenário, e sendo uma fase de descobertas, as práticas
pedagógicas desenvolvidas nas instituições de educação infantil devem estar,
sobretudo, comprometidas com o reconhecimento da criança como sujeito de
direitos social e educacional, e embora esteja contemplada e garantida na
Constituição Federal de 1988 Art. 208, inciso IV - EMENDA CONSTITUCIONAL Nº
53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006, há muito trabalho ainda para se adequar aos
critérios para um atendimento em creches que respeite os Direitos Fundamentais
das Crianças, tais como em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
como orienta o Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica, uma vez
que é responsabilidade do Estado pela educação infantil em creches e em pré-
escolas para crianças de zero a cinco anos, e assegurar as famílias dos
trabalhadores assistência gratuita aos seus filhos e dependentes.
Mas, na prática, ainda temos muita defasagem neste atendimento, pois
alguns Estados por serem mais pobres estão desprovidos de recursos para se
adequarem as normas, principalmente no quesito de adaptação dos prédios,
deixando de atender as necessidades das crianças da educação infantil, tornando
um desafio para os profissionais da infância e para os seus familiares. Por este
motivo, o Estado passou a praticar uma política de atendimento baseada na parceria
com instituições privadas sem fins lucrativos, comunitárias, filantrópicas e
confessionais, especialmente no atendimento às crianças de zero a três anos, muito
embora esteja claro na Constituição (1988) e na LDBEN (1996) que a obrigação seja
“dele” por meio da expansão da rede pública, esta é uma realidade em muito
Estados brasileiros e, muitas vezes estas parcerias também deixam de atender aos
critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica,
uma vez que também dependem de verbas para se adequar, e como não há uma
fiscalização mais incisiva por parte do Estado, elas acabaram deixando de cumprir
itens básicos como: espaço para as crianças tomarem Sol, tornando o atendimento
em muitos casos, mais assistencialista do que educacional.
Há também outro ponto bem relevante que contribui para a defasagem deste
atendimento, a contratação de diretores e/ou coordenadores pedagógico, através
cargos políticos e não por concursos públicos como deveria ser, pois através dessa
contratação, eles acabam perdendo a voz ativa, passando a ser um funcionário
passivo perante seus superiores, ou seja, não lutam por qualquer melhoria das
condições de atendimento às crianças e nem por melhores condições de trabalho
para seus colaboradores, por medo de perderem respectivos cargos/empregos,
tornando um grande problema para o avanço da qualidade na educação infantil.
Diante deste cenário ainda preocupante, há muito que se fazer pela
educação infantil em nosso país, uma vez que muito se evoluiu nos fundamentos da
educação, mas pouco se fez pela qualidade proposta de ensino. O Estado ainda
está mais focado no assistencialismo, ou seja, promover um espaço apenas para as
crianças ficarem por um determinado tempo enquanto seus familiares trabalham,
deixando como secundário a educação em si, a qualidade da alimentação, saúde e
segurança com condições materiais e humanas que tragam benefícios sociais e
culturais, mesmo que todos esses direitos estejam prescritos em Lei, mas que ainda
não estão sendo colocados totalmente em prática.

Referências

ANDRADE, L. B. P.; Souza T. N. Fundamentos da Educação Infantil. Batatais:


Claretiano, 2013. 201 p;
 CAMPOS, J. A. P. P.; BACARJI, K. M. G. D’AVILA; SOUZA, T. N.;
PARREIRA, V. L. C. Psicologia da Educação. Batatais: Claretiano, 2013;
 KRAMER S. O papel social da educação infantil;
 ANDRADE, L.; SOUZA, T. N. Fundamentos da Educação Infantil. Batatais:
Claretiano, 2013;
 CONSTITUIÇÃO 1988 - Art. 208, inciso IV - EMENDA CONSTITUCIONAL Nº
53, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006;
 Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica - Critérios para um
Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das
Crianças;

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