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GRACYELE FERREIRA DE OLIVEIRA

DIREITOS HUMANOS: UM OLHAR PARA A IDENTIDADE, ALTERIDADE E


NOVAS CONCEPÇÕES DE CULTURA
Os direitos humanos constituem uma das utopias mais intensas da modernidade.
Defini-los, porém, não é tarefa simples. Eles abrangem uma pluralidade de
significados, sentidos e interpretações. O único consenso entre seus defensores e
promotores é a ideia de universalidade. Por ela entende-se a proposição de que todas
as pessoas, independentemente de sua condição étnico-racial, econômica, social, de
gênero, criminal são sujeitas e detentoras dos direitos humanos. Os direitos humanos
são fundamentais e inalienáveis, pois eles comportam os pressupostos necessários
para que todos e todas possam ter uma vida digna.
A construção da cidadania no Brasil esteve constantemente atrelada aos projetos
e interesses das elites socioeconômicas e políticas; raramente vinculou-se a um
projeto coletivo com ampla participação social e inclusão. Dessa forma, os direitos,
de um modo geral, sempre foram pensados como concessões paternalistas ofertadas
pelos grupos dominantes ao restante da população. A cidadania plena é condição
indispensável para a realização dos direitos humanos, pois opera como uma espécie
de alicerce social no qual eles se constroem e se reproduzem. Tal condição não se
constata no Brasil. Os defensores dos direitos humanos deparam-se, nesse cenário,
com um árduo caminho para incorporá-los a vida política, cultural e social do país. No
que se refere à dimensão social e econômica, mesmo que significando um avanço
em relação ao passado, possui muitas limitações que não podem deixar de ser
pensadas como uma manutenção do status quo, marcando a divisão social que
caracteriza o país e a imposição dos interesses dominantes. É justamente nessa
dimensão que residem os principais obstáculos à construção e incorporação dos
direitos humanos na vida social brasileira. O quadro aprofundado de desigualdade
opera como um impeditivo estrutural para a consolidação dos direitos humanos, visto
que impossibilita para a maioria da população o acesso aos meios e aos conteúdos
sociais, culturais e políticos indispensáveis a uma convivência democrática. Por outro
lado, atualmente os direitos humanos no Brasil assumiram uma projeção
relativamente destacada, principalmente de maneira formal e teórica. No campo da
sociedade civil, diversos movimentos se articulam e se mobilizam para pressionar os
poderes públicos e a sociedade na defesa e promoção dos direitos humanos,
principalmente os relativos à questão rural, às relações étnico-raciais, de gênero,
diversidade sexual, pessoas vivendo com o vírus HIV, à questão socioambiental,
entre outras.
Discutir Direitos Humanos parece lugar comum na atualidade, fala-se muito do
tema e, em geral, não em uma perspectiva de titularidade. A impressão é a de que se
está sempre a falar de uma realidade que não é própria. Fala-se do empregado com
jornada exaustiva, da reeducanda presa que não tem condições salubres para manter
o filho próximo, dos adolescentes internados que não terão acesso à educação de
qualidade. São tantos os exemplos que seria impossível registrá-los, mas o que se
retira desse fato é que o discurso dos Direitos Humanos tem sido generalizado para
algo que não atinge o Eu, como se fosse sempre um Outro que deles necessita.
A responsabilidade entre o Eu e o Outro nasce antes mesmo do entendimento
sobre a existência do ser, e que essa, assim como a distância que separa o Eu do
Outro, é também infinita. Portanto, infinita deve ser tida a responsabilidade que se
opera do Eu para com o Outro. Entendendo o Outro como o cidadão e o Eu como
nacional foi possível concluir que, ao abrir-se para a empatia, o nacional passa a
exercer seu dever para com a humanidade e para consigo mesmo, ampliando suas
possibilidades enquanto humano. Em um país tão orgulhoso de suas raízes múltiplas
como o Brasil, de cerne contemplativo de tantos Outros, vê-se que a alteridade
apresenta belas oportunidades para o desenvolvimento e aplicação de uma ética que
honre as origens nacionais. Deve-se pretender que os olhares realmente
preocupados com o futuro dos seres humanos tenham a sua disposição a
possibilidade de desenvolver mecanismos de tutela sempre proporcionais ao
atendimento de um sistema que de fato apresente-se comprometido com os direitos
intrínsecos às dignidades das pessoas humanas

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