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ANAIS DO EVENTO

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PÓS-


GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS
FLORESTAIS

de 13/06/2018 até 15/06/2018

NATAL
ÍNDICE

CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

Composição E Diversidade Da Arborização Da Praça Floriano Peixoto Macapá - Ap - Brasil . . . .


................................................................... 1

Levantamento Florístico De Vegetação Na Caatinga Em Estágio Sucessional Intermediário . . . . . .


................................................................... 6

A Arborização Urbana E O Conforto Térmico No Semiárido Da Paraíba . . . . . . . . . . . . . . . 11

A Contribuição Da Comunidade De Entorno Do Parque Natural Municipal Das Nascentes Do


Mundaú À Elaboração Do Seu Plano De Manejo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

A Lei Brasileira N. 11.284, De 2006: Uma Discussão Sistêmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

Alometria De Uma População De Protium Heptaphyllum (aubl.) March Em Um Fragmento De


Mata Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

Análise De Percepção Ambiental Da Área De Preservação Ambiental Jenipabu, Em Extremoz/rn .


....................................................................... 31

Análise De Percepção Socioambiental Do Público Do Parque Estadual Dunas Do Natal 36

Análise De Solo Em Uma Floresta De Caatinga De Estágio Sucessional Intermediário 41

Análise Espacial Da Fragmentação Florestal Utilizando A Linguagem R . . . . . . . . . . . . . 46

Análise Estrutural Do Componente Arbóreo Em Fragmento De Floresta Atlântica, Pernambuco . . .


...................................................................... 51

Análise Morfométrica Da Bacia Hidrográfica Do Rio Capibaribe, Pe, Brasil . . . . . . . . 56

Análise Quali-quantitativa Da Arborização Urbana Do Bairro Laguinho, Macapá-amapá-brasil . . .


..................................................................... 62

Análise Quantitativa Da Arborização Da Praça Casa Forte Em Recife, Pe . . . . . . . . . . . 67

Análise Quantitativa Da Arborização Da Praça Euclides Da Cunha Em Recife, Pe . . . . 73

Aplicação Da Base De Dados Do Car Para O Monitoramento Da Conectividade Da Paisagem No


Entorno De Unidades De Conservação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

Arborização Do Campus Universitário Da Ufcg: A Percepção De Sua Comunidade . . . . . . 83

Arborização Em Um Ambiente Universitário Na Cidade De Patos, Pb . . . . . . . . . . . . . . . . . 88

As Transformações Da Paisagem Em Área De Caatinga Submetida A Ações Antrópicas No Sertão


De Pernambuco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

Aspectos Da Estrutura Da Vegetação Arbórea Em Uma Área Restaurada Com 15 Anos No


Arboretum Da Ufal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98

Aspectos Fenológicos De Manilkara Salzmannii (a. Dc.) H. J. Lam. Em Um Fragmento De Mata


II
Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

Assembleia De Coleópteros Edáficos (arthropoda; Hexapoda) Na Estação Ecológica Do Rio


Ronuro, Norte De Mato Grosso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109

Atributos Funcionais Relacionados À Folha Das Cinco Espécies De Maior Representatividade Em


Um Trecho De Floresta Estacional Decidual, Rs. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114

Avaliação Do Potencial Do Lodo De Esgoto Para Uso Na Recuperação De Áreas Degradadas . . . .


........................................................................ 120

Avaliação Do Risco De Incêndios Florestais No Município De Caicó-rn, Utilizando A Fórmula De


Monte Alegre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

Avaliação Dos Teores De Metais Pesados Em Lodo Do Tratamento De Resíduos Industriais Para
Uso Na Recuperação De Áreas Degradadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

Avaliação Florística E Fitossanitária Da Arborização Do Instituto Federal Farroupilha - Campus


Alegrete . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136

Avalição Dos Constituintes Químicos Do Solo Oriundos De Uma Floresta Da Caatinga Em


Avançado Estágio De Regeneração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141

Ações De Recuperação Na Boçoroca De Parede Em Reserva Do Cabaçal, Mato Grosso . . . 146

Capacidade De Carga Turística Em Trilhas Do Jardim Botânico Do Recife, Pernambuco . . . . . . . .


....................................................................... 151

Caracterização Climática De Áreas Com Ligustrum Lucidum W. T. Aiton A Nível Mundial . . . . .


........................................................................ 156

Caracterização Dendrométrica De Uma População De Swietenia Macrophylla King Em Fragmento


Urbano Da Cidade De Marabá/pa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161

Chuva De Sementes Em Duas Áreas Com Diferentes Níveis De Antropização. . . . . . . . . . . 167

Classificação Supervisionada Do Uso E Cobertura Do Solo Do Município De Garanhuns Pe,


Brasil, Utilizando Imagens Landsat 8 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172

Classificação Supervisionada Quanto À Vegetação No Município De Piranhas - Al . . . 177

Composição Florística E Estrutura Horizontal De Um Fragmento De Floresta Tropical Úmida


Urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182

Composição Florística E Fitossociologia Em Um Fragmento De Floresta Estacional Semidecidual


Na Amazônia Oriental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187

Composição Florística Em Um Fragmento De Floresta Ombrófila Na Amazônia Oriental 192

Conflitos De Uso E Ocupação Do Solo Em Áreas De Preservação Permanente Na Bacia


Hidrográfica Do Rio Pardinho, Es . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197

Decomposição Da Serapilheira Em Um Fragmento Da Caatinga Na Fazenda Experimental Rafael


Fernandes Em Mossoró-rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203

Dependência Espacial Do Carbono Estocado Em Unidade De Conservação No Bioma Mata


Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208

Diagnóstico Arbóreo E De Acessibilidade De Seis Praças Localizadas No Município De Jaboatão


III
Dos Guararapes Pe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213

Distribuição De Indivíduos Da Ordem Hymenoptera Em Um Fragmento De Mata Atlântica . . . . . .


......................................................................... 218

Distribuição Vertical De Indivíduos Da Ordem Diptera Em Fragmento Urbano De Mata Atlântica .


..................................................................... 223

Distribuição Vertical De Indivíduos Da Ordem Polydesmida Em Fragmento Urbano De Mata


Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228

Diversidade Arbórea Da Praça Veiga Cabral, No Município De Macapá, Amapá, Brasil 233

Diversidade Da Arborização Da Praça Nossa Senhora Da Conceição No Município De Macapá,


Amapá, Brasil. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 237

Eficácia Dos Poleiros Artificiais Na Restauração De Área Degradada No Semiárido Da Paraíba . . .


................................................................... 242

Espécies Arbóreas Utilizadas Na Arborização Dos Canteiros Centrais Das Avenidas Principais De
Dois Loteamentos No Bairro Jardins, São Gonçalo Do Amarante - Rn . . 247

Espécies Florestais Com Potencial De Uso Em Floresta Estacional Decidual Ripária, No Noroeste
Do Rio Grande Do Sul. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253

Estrutura Da Vegetação Em Três Trechos De Caatinga Sob Diferentes Condições No Município


De Girau Do Ponciano, Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259

Estrutura De Duas Comunidades Vegetais Da Caatinga Com Diferentes Níveis De Perturbação . . .


...................................................................... 264

Estrutura E Conservação De Espécies Florestais Nativas, Presentes Em Quintais Agroflorestais Na


Caatinga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269

Estrutura Fitossociológica Com Grupos Ecológicos Do Componente Arbóreo Em Um Fragmento


De Floresta Ombrófila Densa, Município De Moreno, Pernambuco. . . . . . . . . . . . . 274

Estágio Sucessional De Um Fragmento De Mata Atlântica Na Paraíba De Acordo Com A


Resolução Conama 391/2007 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280

Etnoconhecimento De Plantas Medicinais Em Uma Comunidade No Vale Do Rio Araguari,


Amazônia Oriental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285

Evolução Da Cobertura Florestal Da Bacia Do Rio São Francisco No Estado De Sergipe . . . . . . . .


...................................................................... 290

Fauna Epígea Como Bioindicadora Em Ambiente De Caixetal No Parque Natural Municipal De


Gericinó - Rj . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295

Fenologia Da Cobertura De Folhagem De Espécies Arbóreas Da Caatinga Em Diferentes Estágios


Sucessionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300

Fenologia Reprodutiva De Espécies Arbóreas Da Caatinga Em Diferentes Estágios Sucessionais . .


.................................................................... 305

Fenologia Reprodutiva E Vegetativa De Mimosa Tenuiflora Em Um Fragmento De Floresta


Estacional Decidual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 310

Fitossociologia Da Bacia Do Rio Gambá No Projeto De Assentamento Mata Verde, Espírito Santo-
IV
rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 315

Fitossociologia De Uma Floresta Ombrófila Aberta Como Subsídios À Conservação E Ao Manejo


Florestal Sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 320

Fitossociologia Do Estrato Arbóreo Em Remanescente De Floresta Ombrófila Mista No Oeste De


Santa Catarina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326

Fitossociologia E Diversidade De Espécies Arbóreas De Um Fragmento De Mata Atlântica Na


Rppn Santa Fé, Tanque Darca, Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 332

Fitossociologia Em Área De Serra Na Caatinga Em Patos, Pb. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337

Florística, Classificação Sucessional E Síndromes De Dispersão De Espécies Arbóreas Da Rppn


Santa Fé No Município De Tanque Darca, Al, Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . 343

Frações Da Matéria Orgânica Em Áreas De Caixetal No Parque Natural Municipal De Gericinó,


Rj . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349

Fungos Degradadores Da Madeira No Semiárido Brasileiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 354

Grau De Herbivoria Na Interação Das Árvores De Cecropia Spp. Com As Formigas Azteca Spp. . .
..................................................................... 360

Identificação Visual In Situ De Fungos Deterioradores De Madeiras Em Fragmento Florestal


Pernambucano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 365

Impactos Ambientais Causados Pela Extração De Material Mineral: O Caso Da Lagoa De Santa
Teresina, Russas-ce . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 370

Influência Do Sistema Radicial De Brugmansia Suaveolens (humb. & Bonpl. Ex Willd) Bercht. &
J. Presl Sobre A Proteção Catódica De Dutos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 375

Inventário E Análise Da Arborização Urbana Do Bairro Espinheiro, Recife/pe . . . . . . 380

Levantamento Etnobotânico De Plantas Medicinais Em Uma Comunidade Do Extremo Sul Do


Piauí . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 385

Levantamento Fitossociológico Do Componente Lenhoso Adulto Na Flona Assú, Rn . . . . 391

Levantamento Florístico Das Espécies Utilizadas Na Arborização De Praças Em Dois


Loteamentos No Bairro Jardins, São Gonçalo Do Amarante Rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 396

Levantamento Florístico De Espécies Arbóreas Em Uma Área De Regeneração Natural Da


Caatinga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 401

Levantamento Florístico De Uma Floresta Da Caatinga De Estágio Sucessional Tardio . . . . . . . . . .


..................................................................... 406

Levantamento Florístico De Áreas De Caatinga Com Diferentes Níveis De Perturbação . . . . . . . . .


...................................................................... 411

Levantamento Florístico E Acessibilidade De Uma Praça Localizada Em Uma Instituição De


Ensino Superior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 416

Levantamento Florístico E Fitossociológico Realizado Em Um Fragmento De Floresta Atlântica,


Localizado Em Recife, Pernambuco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 421

Mudanças Climáticas E Os Impactos Sobre Os Recursos Florestais No Semiárido . . . . . 426


V
Nutrientes Na Biomassa Aérea De Três Espécies Arbóreas Da Caatinga No Rio Grande Do Norte .
...................................................................... 431

Padronização De Metodologia Para Inventários Florestais Em Matas Ciliares No Estado Do Acre,


Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 436

Padrão Espaço-temporal De Ocorrências De Fogo Em Floresta Atlântica Brasileira . . 441

Percepção Ambiental Na Unidade De Conservação Parque Natural Municipal Dom Nivaldo Monte
........................................................................ 446

Poluição Atmosférica E Incêndios Florestais: Mapeamento Detalhado Das Condições Laborais De


Combatentes Em Relação Ao Monóxido De Carbono E Formas De Material Particulado . . . . . . . .
.............................................................. 451

Presença De Espécimes De Ixodida E Seu Papel Como Indicador De Equilíbrio Em Um


Fragmento Florestal Urbano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 456

Propagação Do Fogo Em Materiais Combustíveis De Diferentes Fitofisionomias Na Paraíba . . . . .


..................................................................... 461

Quantificação Da Arborização Das Vias Públicas Dos Municípios Do Rio Grande Do Norte . . . . .
....................................................................... 466

Regeneração Natural Da Vegetação Lenhosa Na Floresta Nacional De Assú, Rn . . . . . . . 471

Regeneração Natural De Um Fragmento De Caatinga No Sertão Paraibano, Semiárido Nordestino


....................................................................... 476

Relações Alométricas De Uma População De Eugenia Luschnathiana Em Região Transicional


Caatinga- Mata Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 481

Similaridade E Diversidade Em Área De Várzea No Amapá . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 486

Síndrome De Dispersão De Sementes De Espécies Arbustivo-arbóreas Em Um Fragmento Na


Caatinga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 491

Síndromes De Dispersão De Espécies Arbóreas Em Diferentes Estágios Sucessionais De Mata


Atlântica Na Usina São José, Igarassu, Pe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 496

Traços Reprodutivos Relacionados Às Síndromes De Polinização Da Rppn Placas, Paripueira,


Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 502

Técnica De Nucleação Para Regeneração Natural De Solo Degradado Da Região Do Seridó,


Currais Novos/rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 507

Técnicas Multivariadas Exploratórias No Estudo De Metadados Florísticos Em Florestas


Estacionais Deciduais No Nordeste Do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 512

Ziziphus Joazeiro Mart.: Floração Sincrônica Como Mecanismo Para O Sucesso Ecológico . . . . . .
...................................................................... 517

Área De Projeção Da Copa De Licania Tomentosa (benth.) Fritsch (chrysobalanaceae), Em Área


Urbana De São João Evangelista Mg . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 522

MANEJO FLORESTAL

VI
Ajuste De Modelos Matemáticos Para Estimativa Da Altura Comercial De Hovenia Dulcis Thunb.
Em Um Fragmento Florestal Localizado Em Dois Vizinhos-pr . . . . . . . . . . . . . 527

Ajuste De Modelos Volumétricos Para O Clone Eucalyptus Grandis X E. Camaldulensis Cultivado


No Mato Grosso Do Sul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 532

Alometria De Hancornia Speciosa Gomes Em Uma Vegetação De Tabuleiros Costeiros No


Nordeste Do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 537

Análise Da Relação Do Uso Da Terra Com A Cobertura Florestal Na Campanha Ocidental, Rs . . .


....................................................................... 542

Análise Da Sobrevivência Dos Componentes Arbóreos Que Integram Os Sistemas Agroflorestais


Instalados Na Rds Do Uatumã- Amazonas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 547

Análise Da Viabilidade Econômica Para Implantação De Um Plantio Puro De Cedro-austaliano


(toona Ciliata Var. Australis) No Noroeste Do Estado Do Mato Grosso . . . . 552

Análise De Estrutura Diamétrica E Hipsométrica Em Um Fragmento Floresta Urbana, Localizado


Em Recife, Pernambuco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 557

Análise De Estrutura Diamétrica E Hipsométrica Em Um Fragmento Florestal Da Região


Metropolitana De Pernambuco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 562

Análise Temporal Da Cultura Do Café Por Meio De Sensoriamento Remoto . . . . . . . . . . . . 567

Avaliação De Modelos De Afilamento Em Clones De Eucalyptus Spp., Na Chapada Do Araripe-


pe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 572

Caracterização Da Movimentação De Madeira Serrada De Origem Legal No Rio Grande Do Norte


Em 2016. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 578

Caracterização De Espécies Arbóreas Para Uso Sustentável Em Uma Floresta De Terra Firme Na
Amazônia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 583

Comparação Da Estimativa De Volume De Pinus Taeda L. Entre Equação Volumétrica E Fator De


Forma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 587

Concentração Da Exploração De Lenha No Cariri Ocidental, Paraíba . . . . . . . . . . . . . . . . 592

Continuidade Espacial Da Dominância De Espécies Arbóreas Em Uma Floresta Com Presença De


Bertholletia Excelsa Bonpl . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 597

Crescimento Em Área Basal De Um Fragmento De Floresta Tropical Seca Em Floresta,


Pernambuco, Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 602

Densidade De Árvores De Bertholletia Excelsa Bonpl. Em Uma Floresta No Sul Do Amapá . . . . .


........................................................................ 607

Densidade Volumétrica Por Classe De Diâmetro De Espécies Florestais Com Alto Valor
Econômico Em Uma Floresta De Terra Firme No Município De Macapá, Amapá-brasil. . . . . . . . .
....................................................................... 612

Densidade Volumétrica Por Classe De Diâmetro De Espécies Florestais Em Floresta De Terra


Firme No Amapá . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 617

Dimensionamento Da Área De Impacto Na Exploração Florestal Na Amazônia, A Partir Da


Fotogrametria Com Aeronaves Remotamente Pilotada (rpa), Classe Iii . . . . . . . . . . 622

VII
Disparidade Do Valor Bruto Da Produção Dos Produtos Madeireiros Nativos Nas Microrregiões
627
Da Paraíba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Distribuição Diamétrica De Carapa Guianensis Aubl., Mora Paraensis Ducke. E Virola


Surinamensis (rol) Warb. Em Uma Floresta De Várzea Do Estado Do Amapá . . . . . . . . 632

Diversidade E Estrutura Da Vegetação Arbórea Em Fragmento De Floresta Inequiânea No


Campus Da Ufrrj . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 637

Efeito Da Amplitude De Classe Diamétrica No Ajuste De Funções De Densidade De


Probabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. 643

Efeito Da Largura Do Eito De Corte Na Produtividade E Custo Do Harvester E Forwarder Em


Floresta De Eucalipto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 648

Emprego No Setor Florestal Entre 2012 E 2016: Evolução E Tendências . . . . . . . . . . . . . 653

Estimativa Volumétrica Para Pinus Taeda L. Por Meio Da Anatro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 658

Estoque De Carbono Arbustivo-arbóreo Em Área De Caatinga No Sertão Pernambucano . 663

Estratificação Por Grupo Ecológico Na Relação Hipsométrica Em Fragmento De Floresta


Inequiânea. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 668

Estrutura Diamétrica Do Fragmento Florestal Adjacente Ao Campus Da Ufra/parauapebas . . . . . . .


...................................................................... 673

Estrutura Diamétrica E De Altura De Indivíduos De Euterpe Edulis Martius Em Ocorrência


Natural Em Domínio De Mata Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 678

Funções De Distribuição Diamétrica Em Clones Experimentais Da Amcel, Em Porto Grande,


Amapá-ap . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 683

Influência Da Taxa Selic Na Produção, Exportação E Importação De Celulose No Brasil . . . . . . . .


..................................................................... 688

Influência Do Espaçamento Nas Variáveis Dendrométricas De Dois Clones De Eucalyptus Spp


Em Floresta Experimental No Estado De Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 693

Inserção De Variáveis Morfométricas Para Predição De Afilamento De Xylopia Brasiliensis . . . . .


.................................................................... 698

Inventário Florestal De Palmáceas Na Amazônia Com O Emprego De Aeronave Remotamente


Pilotada (rpa) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 703

Inverso Do Quadrado Da Distância E Krigagem Ordinária Na Espacialização Da Altura


Dominante Em Povoamentos De Eucalipto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 708

Modelagem Da Altura Por Variáveis Dendrométricas Da Espécie Adenanthera Pavonina L. No


Estado De Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 713

Modelagem Das Relações Forma-dimensão Para Árvores Individuais De Araucária Sob Diferentes
Condições De Crescimento No Sul Do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 719

Modelagem Do Volume De Casca De Clones De Eucalyptus Spp. No Polo Gesseiro Do Araripe-


pe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 724

Modelagem Estatística Do Volume De Madeira Serrada De Espécies Sob Manejo Florestal No


VIII
Amapá . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 729

Modelagem Volumétrica Em Povoamentos De Eucalyptus Sp. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 735

Método Alternativo De Definição Da Taxa Volumétrica Anual De Corte Via Regressão 740

O Uso Do Sensoriamento Remoto Para Caracterização Do Uso E Cobertura Da Terra Na


Microrregião Da Campanha Ocidental - Rs . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 745

Padrões Do Fator De Forma Médio De Espécies Nativas De Valor Comercial Em Área De


Concessão Florestal Na Amazônia Ocidental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 750

Planos De Manejo Florestal Sustentável Na Paraíba, Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 755

Potencial De Produção Madeireira Em Área De Manejo Na Flona Do Jamari, Rondônia . 760

Produção E Distribuição De Biomassa Em Clones De Eucalyptus Urophylla X Eucalyptus Grandis


Na Região Litorânea, Macaíba-rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 766

Quantificação Do Volume De Pinus Taeda L. A Partir De Dados De Sensoriamento Remoto . . . . .


....................................................................... 771

Quantitativo De Estoque De Carbono Em Sistemas Agroflorestais Instalados Na Rds Do Uatumã:


Uma Análise Preliminar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 776

Relação Hipsométrica De Espécies Arbóreas Em Fragmento De Floresta Ombrófila Densa No Rio


Grande Do Norte, Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 781

Relação Hipsométrica Em Floresta Estacional Semidecidual De Um Fragmento Florestal Em


Minas Gerais, Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 786

Relação Hipsométrica Em Um Remanescente De Transição Entre Floresta Ombrófila Mista E


Floresta Estacional Semidecidual No Município De Dois Vizinhos-pr . . . . . . . . . 791

Tamanho Da Amostra Para Avaliação Da Altura Total Em Eucalipto . . . . . . . . . . . . . . . . . . 796

Tamanho Da Amostra Para Avaliação Do Diâmetro Em Espécies De Eucalipto . . . . . . . . . . 801

Tamanho De Parcelas Circulares Na Análise Geoestatística Em Fragmento De Floresta Inequiânea


.................................................................... 806

Utilização De Ferramentas Da Qualidade Na Gestão De Cursos De Capacitação Em Manejo


Florestal Sustentável Um Estudo De Caso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 811

SILVICULTURA

Germinação De Sementes De Albizia Niopoides (benthan) Burkar, Em Diferentes Substratos E


Temperaturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 816

A Silvicultura Próxima Da Natureza Como Uma Silvicultura Adaptativa . . . . . . . . . . . . . 821

Adequação De Metodologia Para Envelhecimento Acelerado Em Sementes De Mimosa Scabrella


Benth. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 827

Adequação De Metodologia Para Teste De Condutividade Elétrica De Sementes De Butia


Eriospatha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 832

IX
Alterações Fisiológicas Induzidas Pelo Déficit Hídrico Em Mudas De Eucalyptus Spp. . . . . . . . . . . 837
....................................................................

Analise Morfológica De Clones De Eucalipto Submetidos A Estresse Hídrico . . . . . . . . 842

Análise Da Influência De Diferentes Espaçamentos De Um Clone De Eucalyptus Urophylla Nas


Variáveis Dendrométricas Dap E H . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 847

Análise Da Ocorrência De Nitidulidae Em Savana Florestada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 852

Análise De Diferentes Métodos Para Quebra Da Dormência De Adansonia Digitata L. 857

Avaliação De Crescimento De Moringa Oleifera Lam. Submetidas A Adubação Nitrogenada


Como Atenuante Do Estresse Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 862

Avaliação De Diferentes Concentrações De Hipoclorito De Sódio Na Redução De Fungos


Associados Às Sementes De Craibeira (tabebuia Aurea (manso) Benth. & Hook.) E Sabiá (mimosa
Caesalpiniaefolia Benth.) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 868

Avaliação Do Crescimento De Paubrasilia Echinata (lam.) E. Gagnon, H.c. Lima & G.p. Lewis
Em Área Degradada Por Mineração De Areia Na Escola Agrícola De Jundiaí, Macaíba-rn . . . . . . .
............................................................. 873

Avaliação Do Efeito De Diferentes Adubos No Desenvolvimento De Clones De Eucalyptus Spp.


Em Área Experimental Do Estado De Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 878

Avaliação Do Potencial De Germinação De Sementes De Lafoensia Nummularifolia A.st.hil. . . . .


.................................................................... 883

Avaliação Do Potencial De Propagação Vegetativa Da Espécie Arbustiva Lantana Camara L. . . . .


..................................................................... 888

Biometria De Frutos De Leucaena Leucocephala (lam.) De Wit. (fabaceae) Em Áreas Com


Distintas Taxas Pluviométricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 892

Biometria De Frutos De Ximenia Americana L. Por Meio De Processamento Digital De Imagens .


....................................................................... 897

Biometria De Frutos E Sementes De Apuleia Leiocarpa (vogel) J.f.macbr. Por Meio De


Processamento Digital De Imagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 902

Biometria De Semente De Handroanthus Caraiba (mart.) Mattos (bignoniaceae) . . . . . . 908

Biometria De Sementes De Leucaena Leucocephala (lam.) De Wit. Por Meio Da Análise De


Imagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 913

Biometria De Sementes De Myracrodruon Urundeuva Allemão Por Meio De Processamento


Digital De Imagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 918

Biometria De Sementes De Myracrodruon Urundeuva Fr. All. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 924

Biometria De Sementes De Pityrocarpa Moniliformis Por Meio Da Análise De Imagens 929

Biometria De Sementes De Pseudobombax Marginatum (malvaceae) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 934

Biometria Digital E Qualidade Fisiológica De Sementes De Leucaena Leucocephala Wit. Em


Função Da Sua Posição No Fruto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 939

Biometria Digital E Qualidade Fisiológica De Senna Siamea Lam. Em Função Do Estádio De


X
Maturação Dos Frutos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 944

Biometria Dos Frutos De Combretum Leprosum Mart. Provenientes Do Município De Umarizal-


rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 949

Caracterização Biométrica Das Sementes De Uma População Ribeirinha De Euterpe Oleracea


Mart. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 954

Caracterização Biométrica De Frutos E Sementes De Myrciaria Tenella (dc.) O.berg 959

Caracterização Físico-química Da Raiz Da (cnidoscolus Quercifolius Pohl.) Sob Diferentes


Temperaturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 964

Caracterização Morfológica De Plântulas De Brosimum Rubescens Taub. . . . . . . . . . . . . . 969

Caracterização Morfológica De Plântulas De Guarea Guidonia (l.) Sleumer . . . . . . . . 974

Caracterização Morfométrica De Sementes De Amburana Cearensis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 979

Clonagem De Eucalyptus Urograndis Via Miniestaquia Em Função Da Adubação De Base E


Comprimentos De Estacas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 984

Coeficiente De Repetibilidade Para Características Biométricas De Sementes De Mimosa


Scabrella Benth. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 989

Componentes Bioquímicos De Mudas De Aroeira (myracrodruon Urundeuva Fr. Allem.) Irrigadas


Com Água Salina Do Mar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 994

Comportamento Fisiológico De Mudas De Três Espécies Florestais Submetidas A Diferentes


Regimes Hídricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 999

Condicionamento Fisiológico Em Sementes De Cedrela Fissilis Vell. . . . . . . . . . . . . . . . 1004

Correlação Do Índice De Vegetação (ndvi) Com Atributos Do Solo Em Plantio Seminal De


Tectona Grandis L.f . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1009

Correlação Entre Parâmetros Não Destrutivos E Índice De Qualidade De Dickson Para Mudas De
Crataeva Tapia L. Produzidas Em Diferentes Níveis De Fósforo. . . . . . . . . 1014

Crescimento Inicial De Dipteryx Alata Vogel. Em Função Do Tipo De Preparo De Um Latossolo


Vermelho-amarelo Distrófico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1019

Crescimento De Duas Espécies Arbóreas Nativas Da Mata Atlântica Em Convivência Com


Urochloa Brizantha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1024

Crescimento De Mudas De Crataeva Tapia L. Sob Adubação Fosfatada . . . . . . . . . . . . . . . . 1029

Crescimento De Árvores Em Plantio Para Recomposição De Reserva Legal Na Transição Cerrado-


amazônia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1034

Crescimento Do Mogno Em Condições De Viveiro Em Cruzeiro Do Sul, Acre . . . . . . . . . . . 1039

Cultivo In Vitro De Moringa Oleífera Sob Estresse Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1044

Deficit Hídrico Induzido Por Cacl2 Na Germinação De Sementes De Adenanthera Pavoniva L. . . .


..................................................................... 1050

Deficit Hídrico Induzido Por Nacl Na Germinação De Sementes De Ormosia Paraensis Ducke . . .
...................................................................... 1055
XI
Deficit Hídrico Induzido Por Nacl Na Germinação De Sementes De Tabebuia Caraiba (mart.)
Bureau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1061

Descritores Morfológicos Mínimos Para Diferenciar Mudas Clonais De Tectona Grandis L.f. . . . .
................................................................... 1067

Desempenho De Espécies Nativas Para A Recuperação De Área Degradada . . . . . . . . . . . . . 1073

Desenvolvimento De Mudas De Moringa Oleifera Submetidas A Diferentes Substratos . . . . . . . . .


...................................................................... 1078

Desenvolvimento De Espécies Madeireiras Nativas Após Dez Anos De Plantio Na Região Central
Do Rio Grande Do Sul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1083

Desenvolvimento De Mudas De Pau-ferro (caesalpinialeiostachya(benth.) Ducke) Em Solos


Degradados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1088

Desenvolvimento De Mudas De Sabiá Inoculadas Com Fungos Micorrízicos E Diferentes Doses


De Fósforo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1094

Desenvolvimento De Plântulas Paubrasilia Echinata Lam. (pau-brasil) Resgatadas De Um Plantio


Na Floresta Nacional De Nísia Floresta, Nísia Floresta-rn . . . . . . . . . . 1099

Desenvolvimento Inicial De Mudas De Mofumbo (combretum Leprosum Mart.) Submetidas A


Diferentes Regimes Hídricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1105

Desinfestação E Introdução In Vitro De Segmentos Nodais De Sabiá (mimosa Caesalpiniaefolia) .


................................................................... 1111

Determinação De Área Foliar E Comprimento Médio Das Folhas De Cinco Espécies Nativas
Típicas Da Caatinga Paraibana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1116

Distribuição Do Sistema Radicular De Moringa Oleifera Lam. Em Função De Doses De Esterco


Bovino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1121

Diversidade Genética Entre Árvores Matrizes De Swietenia Macrophylla King Com Base Em
Caracteres Morfológicos De Sementes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1126

Efeito Da Aplicação De Estimulantes De Enraizamento Sobre A Qualidade De Agregação De


Raízes De Mudas De Eucalyptus Spp. Ao Substrato . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1131

Efeito Da Compactação Do Solo No Crescimento Radicular De Tabebuia Caraiba (mart.) Bur. . . .


..................................................................... 1136

Efeito Da Profundidade De Semeadura No Desenvolvimento Inicial De Plântulas De Senna Cana


(nees & Mart.) H.s. Irwin & Barneby, Mem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1141

Efeitos Alelopáticos De Extratos Aquosos De Eucalipto Sobre A Germinação E Vigor De


Sementes De Alface . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1146

Emergência De Mudas De Myracrodruon Urundeuva Irrigadas Com Água Salina Do Mar . . 1151

Emergência De Plântulas De Leucaena Leucocephala L. Provenientes De Sementes Tratadas Com


Ácido Salicílico Em Diferentes Substratos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1156

Emergência E Crescimento Inicial De Poincianela Pyramidalis (tul.) L. P. Queiroz Sob Estresse


Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1161

Emissão De Brotações Epicórmicas Em Cordia Trichotoma (vell.) Arrab. Ex Steud (louro-pardo)


XII
A Partir De Ramos Podados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1166

Enraizamento De Estacas De Sequoia Sempervirens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1171

Esforço Amostral Para Avaliação De Herbivoria Em Espécies Florestais No Enriquecimento De


Floresta Secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1176

Espessura Da Casca Ao Longo Do Fuste De Tectona Grandis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1181

Estabelecimento In Vitro De Cordia Trichotoma (vell.) Arrab. Ex Steud (louro-pardo) . . . . . . . . . .


................................................................... 1186

Estimativa De Solo Exposto Pós Controle De Gramíneas Invasoras Em Área Degradada De


Cerrado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1191

Estresse Salino Induzido Por Adições De Doses De Na+cl- No Processo Germinativo E Vigor De
Sementes De Adenathera Pavonina L. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1196

Estudo Da Correlação Existente Entre As Variáveis Diâmetro De Coleto E Agregação De


Substrato Segundo Os Padrões De Qualidade De Mudas Para Plantio De Eucalyptus Spp. . . . . . . .
................................................................. 1201

Fauna De Formigas Em Plantio De Acacia Mearnsii De Wild No Sul Do Estado Do Rio Grande
Do Sul. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1206

Fertilização Fosfatada No Crescimento De Plantas De Canavalia Ensiformis (feijão De Porco) E


Produção De Biomassa, Como Estratégia De Recuperação De Solos De Áreas Irrigadas . . . . . . . . .
.......................................................... 1211

Forma De Coleta E Secagem De Sementes De Platymiscium Trinitatis Benth . . . . . . . . . . 1217

Germinação De Sementes De Leucaena Leucocephala (lam.) De Wit. Sob Influência Do Extrato


Pirolenhoso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1222

Germinação De Sementes De Leucaena Leucocephala Tratadas Com Ácido Salicílico E


Submetidas Ao Estresse Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1227

Germinação De Sementes De Mimosa Casealpinaefolia Benth Tratadas Com Ácido Salicílico E


Submetidas Ao Estresse Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1233

Germinação De Sementes De Moringa Oleifera Lam. Tratadas Com Nitrato De Potássio E


Submetidas Ao Estresse Por Alumínio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1238

Germinação E Morfologia De Plântulas De Aspidosperma Pyrifolium Mart. . . . . . . . . . . . 1243

Germinação E Vigor De Sementes De Leucaena Leucocephala Condicionadas Com Kno3 E


Submetidas Ao Estresse Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1248

Germinação E Vigor De Sementes De Leucaena Leucocephala Condicionadas Com Kno3 E


Submetidas Ao Estresse Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1253

Germinação E Vigor De Sementes De Leucaena Leucocephala Tratadas Com Ácido Salicílico E


Submetidas Ao Estresse Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1258

Germinação E Vigor De Sementes De Mimosa Caesalpiniiaefolia B. Tratadas Com Nitrato De


Potássio E Submetidas Ao Estresse Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1263

Germinação E Vigor De Sementes De Mimosa Caesalpiniiaefolia B. Tratadas Com Ácido


Salicílico E Submetidas Ao Estresse Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1268
XIII
Germinação In Vitro De Mimosa Caesalpiniifolia Benth Em Diferentes Substratos. . . 1273

Incidência De Cochonilhas Em Copernicia Prunifera (miller) H.e. Moore Na Fase De Produção De


Mudas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1278

Incidência De Fungos Associados Às Sementes De Ipê Em Armazenamento. . . . . . . . . . . . 1283

Influência Da Salinidade No Desenvolvimento Inicial De Erythrina Velutina Willd. . . . . . . . . . . . .


................................................................... 1288

Influência Da Área Foliar Em Miniestacas De Azadirachta Indica A. Juss. . . . . . . . . . 1293

Influência De Diferentes Densidades De Plantio No Incremento Em Diâmetro Da Candeia


(eremanthus Erythropappus (dc.) Macleish) Em Uma Cascalheira, Diamantina Mg . . . . . . . . . . . .
................................................................... 1298

Influência De Diferentes Substratos Na Emergência De Sementes Myracrodruon Urundeuva


Allemão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1303

Influência De Doses De Esterco Bovino No Crescimento De Plantas De Moringa Oleífera Lam . . .


...................................................................... 1308

Influência Do Extrato Pirolenhoso Na Germinação De Sementes De Euterpe Oleracea (açaí) . . . . .


..................................................................... 1314

Influência Dos Efeitos Alelopáticos De Extratos Aquosos De Sementes De Anadenanthera


Colubrina (vell.)brenan Na Germinação De Sementes De Lactuca Sativa L. . . . . . 1319

Litter In Eucalyptus Dunnii Maiden Stands: Source Of N, P And K . . . . . . . . . . . . . . . . . 1324

Marcadores Moleculares Issr Para Estudos Genéticos De Handroanthus Heptaphyllus (vell.)


Mattos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1329

Massa Seca De Clones De Eucalipto Submetidos A Estresse Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . . . 1334

Minijardim Clonal De Myracrodruon Urundeuva Allemão: 3º Ano De Avaliação. . . . . . . . 1339

Morfologia De Frutos, Sementes E Plântulas De Palheteira (clitoria Arborea Benth.) . . . . . . . . . . .


................................................................... 1344

Morfologia De Plântulas De Butia Eriospatha (martius Ex Drude) Beccari . . . . . . . . . . 1349

Morfologia De Plântulas De Mimosa Tenuiflora (willd.) Poir . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1354

Morfologia De Sementes De Brosimum Rubescens Taub. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1359

Morfologia E Biometria De Semente De Guarea Guidonia (l.) Sleumer . . . . . . . . . . . . . . . 1363

Morfometria De Clones De Teca Submetidos À Desrama Em Sistema Agrossilvipastoril 1367

Morfometria De Sementes De Moringa Oleifera Lam. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1372

Multiplicação Vegetativa De Eucalyptus Grandis Por Cultivo In Vitro De Plantas . . 1377

Parâmetros Fisiológicos De Clones De Eucalipto Em Condições Salinas . . . . . . . . . . . 1382

Plantio Em Núcleos Ou Em Linhas Alternadas? Avaliação Da Cobertura Do Solo E Dominância


Relativa De Espécies Da Caatinga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1386

XIV
Potencial Alelopático De Extratos Aquosos De Folha De Anadenanthera Colubrina (vell.) Brenan
1391
Sobre Germinação E Vigor De Sementes De Alface . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Potencial Alelopático Do Extrato Aquoso De Folhas De Eucalyptus Citriodora Na Germinação De


Sementes De Moringa Oleifera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1396

Potencial Da Pastagem Apícola Para A Produção Sustentável De Florestas . . . . . . . . . . 1402

Potencial Germinativo De Amburana Cearensis E Pseudobombax Marginatum . . . . . . . . . . . 1407

Produção De Desbaste Aos Quinze Anos De Idade De Povoamento De Teca Regenerado Por Alto
Fuste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1412

Produção De Fitomassa Fresca De Moringa Oleifera Lam. Submetidas A Adubação Nitrogenada


Como Atenuante Do Estresse Salino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1417

Produção De Mudas De Anadenanthera Peregrina Em Diferentes Recipientes E Sistemas De


Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1423

Produção De Mudas De Hymenaea Courbaril L. Com Micro-organismos Promotores De


Crescimento Vegetal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1428

Produção De Mudas De Pau-ferro Inoculadas Com Fungos Micorrízicos E Diferentes Doses De


Fósforo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1433

Produção De Serapilheira Em Pinus Taeda, No Sul Do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1438

Propagação Clonal Por Miniestaquia Da Variedade Variegada Da Espécie Ficus Benjamina L. . . .


...................................................................... 1443

Qualidade Fisiológica De Sementes De Anadenanthera Colubrina Tratadas Com Nitrato De


Potássio E Submetidas Ao Estresse Salino E Submetidas Ao Estresse Salino . . . 1448

Relação De Massa De Madeira E Casca De Nim Indiano (azadirachta Indica A. Juss) Em Função
Da Idade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1453

Resistência Ao Arranquio De Cinco Espécies Reófitas Utilizadas Em Obras De Engenharia


Natural E Recuperação De Áreas Degradadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1458

Seleção De Iniciadores Issr Para Mimosa Tenuiflora (willd.) Poiret . . . . . . . . . . . . . . 1463

Sobrevivência De Plântulas De Handroanthus Impetiginosus (mart. Ex Dc.) Mattos (ipê Roxo) Em


Diferentes Substratos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1469

Superação Da Dormência Em Sementes De Plathymenia Reticulata Benth. . . . . . . . . . . . . . 1474

Tamanho De Sementes Na Emergência De Plântulas De Palheteira (clitoria Arborea Benth.) . . . . .


..................................................................... 1479

Teor De Clorofilas E Índice De Spad Em Mudas De Mimosa Caesalpiniifolia Benth. Submetidas


A Estresse Hídrico E Posterior Reirrigação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1484

Teste De Sanidade De Sementes De Anadenanthera Colubrina (vell) (angico Branco) . 1489

Tiorredoxinas Típicas Codificadas Pelo Genoma De Eucalyptus Grandis . . . . . . . . . . . . . 1494

Tratamentos Pré-germinativos Para Superação Da Dormência De Sementes De Mimosa Tenuiflora


(willd.) Poir. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1499

XV
Trocas Gasosas De Clones De Eucalipto Submetidos A Salinidade No Solo . . . . . . . . . . . 1504

Variabilidade Genética Em Progênies De Parkia Platycephala Benth. . . . . . . . . . . . . . . . 1509

Variabilidade Genética Estimada Com Marcadores Issr Em Uma População Natural De Copernicia
Prunifera (miller) H. E. Moore (arecaceae) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1514

Variação No Crescimento De Mudas De Paricá (schizolobium Amazonicum Huber Ex. Ducke)


Em Diferentes Níveis De Sombreamento Em Viveiro Florestal . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1519

Viabilidade De Germinação De Sementes Das Espécies, Tabebuia Roseo-alba, Handroanthus


Impetiginosus, Handroanthus Albus, Tabebuia Heptaphylla Em Diferentes Formas De
Armazenamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1524

Weed Control In A Hybrid Of Eucalyptus Grandis X Eucalyptus Urophylla, In Southern Brazil:


Biomass Production . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1529

Área Basal De Distintos Genótipos De Eucalyptus Sob Diferentes Espaçamentos Na Região


Litorânea, Macaíba/rn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1534

Época De Desrama Em Plantios Jovens De Teca Clonal E Seminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1539

TECNOLOGIA DE PRODUTOS FLORESTAIS

Adesivo Tanino-formaldeído À Base De Cascas De Pinus Oocarpa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1545

Análise Colorimétrica De Cinco Espécies Florestais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1550

Análise Dos Rendimentos Gravimétricos Das Carbonizações Realizadas Em Um Mini Forno


Retangular Equipado Com Queimador Vertical De Fumaça . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1554

Atividade Antibacteriana Dos Óleos Essenciais De Duas Espécies De Eucalyptus . . . . 1559

Atividade Antifúngica Do Extrato Natural Da Aroeira À Fusarium Spp . . . . . . . . . . . . . 1564

Avaliação Colorimétrica Da Madeira De Jacaranda Copaia Após O Tratamento De Acetilação . . . .


...................................................................... 1569

Avaliação Da Deterioração De Quatro Madeiras Comerciais Expostas Em Condições De Campo . .


........................................................................ 1574

Avaliação Da Produção De Madeira, Cascas E Teor De Substâncias Tânicas Presentes Na Acácia


Mangium Willd . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1579

Avaliação Das Propriedades Físicas Da Madeira De Um Clone De Eucalyptus Urograndis . . . . . . .


....................................................................... 1584

Avaliação De Diferentes Metodologias De Análise De Carbono Orgânico Total Em Madeira De


Ziziphus Joazeiro Mart. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1589

Avaliação De Três Métodos Não Destrutivos Para Classificação De Lamelas De Tauari (couratari
Oblongifolia Ducke Et R. Knuth) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1594

Avaliação Físico Química E Mecânica Dos Briquetes Produzidos A Partir Da Coroa Do Abacaxi .
...................................................................... 1599

Caracterização Anatômica Do Lenho De Três Espécies De Eucalipto . . . . . . . . . . . . . . . . 1604


XVI
Caracterização Dos Frutos Da Pachira Aquatica Aubl Para Aplicação Como Biomassa Em
Processos Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1609

Caracterização E Potencial De Aplicação Da Cinza Do Bagaço Da Cana . . . . . . . . . . . . . . 1614

Caracterização Física De 04 Espécies Alternativas Ocorrentes No Estado Do Acre . . 1619

Caracterização Química Da Madeira De Salix Humboldtiana Willd. . . . . . . . . . . . . . . . . . 1624

Caracterização Química Das Espécies Pau Branco (cordia Oncocalyx Allemão), Pereiro
(aspidosperma Pyrifolium Mart. & Zucc) E Eucalipto (eucalyptus Urograndis) . . . 1628

Caracterização Química De Extrativos Solúveis Em Água De Casca De Cajueiro Por


Espectroscopia No Infravermelho Próximo (nir) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1633

Caracterização Tecnológica Da Madeira De Lecythis Lurida (miers.) S. A. Mori Proveniente Do


Estado De Rondônia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1638

Colorimetria Da Madeira De Cinco Espécies Tropicais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1643

Colorimetria Da Madeira De Eucalyptus Grandis Termorretificada Em Diferentes Condições De


Umidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1648

Colorimetria E Rugosidade Das Madeiras De Sete Espécies Da Caatinga, Frente Ao Uso De Dois
Tipos De Verniz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1653

Comercialização De Produtos Madeireiros Por Empresas Situadas No Município De Cáceres,


Mato Grosso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1658

Composição Química Da Madeira De Eucalyptus Urograndis Cultivado Em Sistema Ilpf Na


Região Norte Do Estado De Mato Grosso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1663

Condutividade Hidráulica Potencial Em Árvores Da Floresta Ombrófila Mista Alto-montana, Em


Urubici, Santa Catarina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1668

Densidade Básica Da Madeira Do Clone Híbrido De Eucalyptus Urophylla X Eucalyptus


Tereticornis Sob Efeito De Diferentes Espaçamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1673

Desenvolvimento Do Canavalia Ensiformis (l.) Dc Em Diferentes Concentrações De Biochar. . . . .


..................................................................... 1677

Deterioração De Amostras De Quatro Espécies Florestais Em Campo De Apodrecimento . . . . . . . .


....................................................................... 1682

Determinação Da Composição Química Elementar De Resíduos De Madeira Da Espécie Dinizia


Excelsa Ducke Para Uso Energético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1687

Determinação De Carbono Em Amostra Vegetal Pelo Método Volumétrico Com Diferentes


Volumes De Ácido Sulfúrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1692

Determinação Do Potencial De Ataque Fúngico Na Madeira Para O Município De Patos-paraíba . .


...................................................................... 1697

Efeito Da Circulação De Ar Na Elaboração Do Programa De Secagem Da Madeira . . . . . . 1702

Efeito Da Lignina E Das Cinzas No Poder Calorífico Superior De Diferentes Biomassas


Lignocelulósicas De Alagoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1707

Efeito Da Modificação Térmica E Da Impregnação De Nanopartículas De Óxido De Zinco Na


XVII
Deterioração Da Madeira De Pinus Exposta Em Condições De Campo . . . . . . . . . . . . 1712

Efeito Da Temperatura Termorretificação Da Madeira De Eucalyptus Urophylla X Euclyptus


Grandis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1717

Efeito Da Umidade E Da Espécie Na Resistência Ao Embutimento Normal . . . . . . . . . . . . . 1721

Efeito Do Intemperismo Acelerado Na Cor Da Madeira De Eucalyptus Cloeziana Termorrefiticada


Em Óleo Reutilizado Com Aplicação De Verniz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1726

Efeito Do Intemperismo Natural Na Colorimetria De Três Madeiras Tropicais Tratadas


Termicamente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1731

Efeito Do Preparo Do Solo Nas Dimensões Das Fibras De Eucalyptus Sp Implantados Em Área
De Relevo Acidentado No Município De Maceió Al . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1736

Efeito Do Teor Da Umidade E Da Posição Radial Na Resistência Mecânica Da Madeira Da


Espécie Pinus Caribae Var. Caribaea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1741

Efeito Do Tratamento Térmico Na Cor E Dureza De Madeiras De Nove Espécies De Ocorrência


Amazônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1746

Efeito Do Tratamento Térmico Nas Propriedades Tecnológicas Das Madeiras De Angelim-saia E


Itaúba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1751

Estabilidade Dimensional Da Madeira De Clones De Eucalipto Cultivados Na Região Norte De


Mato Grosso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1756

Estabilidade Dimensional Da Madeira De Trattinickia Rhoifolia Willd. Termicamente Tratada


Com Óleo De Soja . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1761

Estudo Da Produtividade Energética Da Madeira Em Área Sob Manejo Florestal No Estado Do


Rio Grande Do Norte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1765

Impermeabilização De Papel Com Uso De Aditivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1770

Influência Da Velocidade De Carbonização Nos Rendimentos Gravimétricos De Carvão, Extrato


Pirolenhoso E Gases Não Condensáveis De Jurema Preta (mimosa Tenuiflora [willd.] Poir.) . . . . .
.......................................................... 1775

Influência Do Espaçamento Na Densidade Básica Da Madeira Do Híbrido Eucalyptus Urophylla .


....................................................................... 1780

Influência Do Tratamento De Solo Na Quantidade De Taninos Presentes Na Casca Da Acacia


Mangium Willd . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1785

O Potencial Da Oiticica (licania Rigida Benth (chrysobalanaceae)) Como Produto Florestal Não
Madeireiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1790

Potencial De Deterioração De Fungos Apodrecedores De Madeira Em Ensaio De Laboratório . . . .


...................................................................... 1795

Potencial Energético De Coprodutos Do Desbaste Mecanizado Em Povoamentos De Pinus Taeda


L. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1800

Potencialidades Para O Uso De Parkinsonia Aculeata L. Em Sistemas Agroflorestais No Semiárido


................................................................... 1805

Produção De Casca De Quatro Espécies Do Gênero Eucalyptus Spp. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1810


XVIII
Propriedades Físicas Da Madeira De Eucalipto Submetida A Diferentes Tratamentos Térmicos . . .
..................................................................... 1815

Propriedades Físicas De Três Espécies De Madeiras Da Caatinga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1820

Prospecção De Patentes Das Espécies Canela (cryptocarya Subcorymbosa), Manjericão (ocimum


Gratissimum L.), Cidreira (lippia Alba (mill.) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1825

Prospecção Fitoquímica Do Tegumento Da Semente De Araucaria Angustifolia . . . . . . . . 1829

Qualidade Da Madeira De Um Clone De Eucalyptus Camaldulensis Cultivado Na Região Norte


De Mato Grosso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1834

Quantificação De Extrativos Na Madeira De Calliandra Brevipes Benth. . . . . . . . . . . . 1840

Relação Entre Carga De Álcali Efetivo E Os Ácidos Hexenurôricos Das Polpas De Eucalyptus Sp.
.................................................................... 1845

Relação Entre Massa De Madeira, Casca E O Teor De Substâncias Tânicas Presentes No Sabiá
(mimosa Caesalpiniifolia Benth.) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1850

Remoção De Metais Pesados Em Solução Aquosa Utilizando Carvão De Eucalyptus Urograndis


Ativado Com H2o2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1855

Rendimento Gravimétrico E Caracterização Do Carvão Vegetal De Espécies Da Caatinga. . . . . . . .


...................................................................... 1860

Secagem Das Toras De Clones De Eucalyptus Urograndis Em Estufa Solar No Nordeste


Brasileiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1865

Teores De Fósforo Em Amostra Vegetal Pelo Método Colorimétrico Do Molibdo-vanadatoa Partir


De Diferentes Digestões E Extrações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1870

Técnicas Não Destrutivas Para A Avaliação Da Madeira De Pinus Sp. . . . . . . . . . . . . . . . 1875

Uso Da Constante Dielétrica Para Estimar Teores De Umidade Da Madeira De Três Espécies Da
Caatinga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1880

Uso De Sementes De Moringa Na Sedimentação De Resíduos Em Água De Construção . . . . 1885

Uso De Técnicas Não Destrutivas (ndt) Na Estimativa Da Resistência E Rigidez Da Madeira Do


Clone De Eucalipto H13 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1890

Uso De Veículo Aéreo Não Tripulado Na Obtenção De Ortomosaicos De Alta Resolução Espacial
....................................................................... 1896

Variação Da Densidade Básica Da Madeira De Três Espécies Florestais De Acordo Com O


Método De Cultivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1901

Variação Da Massa Específica De Cinco Espécies Florestais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1906

Viabilidade Técnica E Econômica Do Aproveitamento De Resíduos De Biomassa Florestal Na


Cura Do Tabaco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1910

Volumetria E Porcentagem De Casca De Plantas De Tectona Grandis L.f. Em Plantio


Experimental No Município De Cáceres, Mato Grosso, Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1915

XIX
Organização

Coordenador(es) do Comitê de Programa


MAURO VASCONCELOS PACHECO

Coordenador(es) Adjunto(s) do Comitê de Programa


TATIANE KELLY BARBOSA DE AZEVEDO CARNAVAL

Comitê de Programa
ALYNE CRISTINE GOMES DO EGITO
ANA CAROLINA DE CARVALHO
ANDERSON AURELIO DE AZEVEDO CARNAVAL
CYNTHIA PATRÍCIA DE SOUSA SANTOS
EDUARDO LUIZ VOIGT
ELIAS COSTA DE SOUZA
FABIO DE ALMEIDA VIEIRA
FERNANDA MOURA FONSECA LUCAS
FRANCIVAL CARDOSO FELIX
JOÃO GILBERTO MEZA UCELLA FILHO
JOSENILDA APRIGIO DANTAS DE MEDEIROS
KYVIA PONTES TEIXEIRA DAS CHAGAS
MAURO VASCONCELOS PACHECO
TATIANE KELLY BARBOSA DE AZEVEDO CARNAVAL
VITORIA REGIA ALVES CAVALCANTE

XX
Composição e diversidade da arborização da Praça Floriano Peixoto –
Macapá - AP - Brasil

Pedro Cássio da Silva Pantoja 1, Paulo Adller Alves de Araújo 2, Yara Soares Sales de Barros 1,
Camila de Oliveira e Silva 4; Luzimar Rebello Azevedo 5 e Breno Marques da Silva e Silva6
1
Universidade do Estado do Amapá (spedrocassio@gmail.com), 2Universidade do Estado do Amapá
(pauloadller19@gmail.com), 3Universidade do Estado do Amapá (yarasoaresb@gmail.com), 4Universidade do
Estado do Amapá (Kamilaoliveira@gmail.com), 5Universidade do Estado do Amapá
(luzimarazevedo@yahoo.com.br), 6Universidade do Estado do Amapá (silvabms@hotmail.com.br).

RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo determinar a diversidade e a


composição de espécies arbóreas-arbustivas utilizadas na arborização da Praça
Floriano Peixoto no município de Macapá, AP, Brasil. O censo da arborização incluiu
todos os indivíduos arbóreos-arbustivas com CAP ≥ 10 cm e com altura ≥ 1,3 m e a
identificação das espécies foi realizada por comparação com materiais já depositados
na Coleção Didática da Universidade do Estado do Amapá e por meio de consulta a
literatura. Foram encontrados 141 indivíduos de 22 espécies e 10 famílias. As famílias
com maior riqueza de espécies foram a Arecaceae (7 espécies) e Fabaceae (4 espécies),
e as com maior número de indivíduos foram Arecaceae (42 indivíduos), Fabaceae (39
indivíduos) e Anacardiaceae (27 indivíduos). A espécie mais frequente foi Mangifera
indica L. (16,31%). A maioria das espécies identificadas e o maior número de indivíduos
é de origem nativa, correspondendo a 54,55% e 62,41%, do total, respectivamente, o que
visa uma maior valorização da flora local na arborização da praça, tendo em vista que a
realização do presente estudo serve como base para a elaboração de políticas
ambientais na cidade.

Palavras-chave: diversidade, composição, arborização, praça, Mangifera indica L.

1 Introdução
A vegetação urbana, imprescindível às cidades, é responsável por uma série de
benefícios ambientais, sociais e econômicos capazes de melhorar a qualidade de vida nas
cidades e a saúde física e mental da população (Santos et al., 2016).
De acordo com Nucci & Cavalheiro (1999), as áreas verdes em ambientes urbanos
devem satisfazer três objetivos fundamentais, tais como: o ecológico-ambiental, auxiliando
na diminuição dos impactos da urbanização, ou seja, estabilizar o solo, criar obstáculos
para o vento, manter a qualidade da água e do ar, fornecer alimento, entre outros; o
objetivo estético relaciona-se a organização e composição de espaços no desenvolvimento
das atividades humanas, valorização visual e ornamental, e quebra da monotonia das
cidades e o terceiro objetivo, caracteriza-se pelas áreas verdes urbanas servirem

1
principalmente à recreação e lazer da população.
Os inventários quali-quantitativos da arborização de praças, logradouros e vias
públicas, apresentam-se como uma excelente ferramenta para o planejamento urbano,
devendo, portanto, estar inserido nós programas, planos e projetos de gestão urbana, sendo
essencial para que os planejadores tenham o conhecimento do comportamento de cada
espécie que será utilizada no projeto de arborização dos espaços públicos e os resultados
obtidos auxiliam em seu planejamento e em possíveis intervenções (Assunção et al., 2014).
Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo determinar a diversidade e
composição de espécies arbóreos-arbustivas utilizadas na arborização da Praça Floriano
Peixoto no município de Macapá, AP, Brasil.

2 Material e Métodos
Para coleta dos dados foi utilizado o censo da arborização da praça, mensurando
todos os indivíduos arbóreos-arbustivas com perímetro na altura do peito (medido a 1,3 m
de altura do solo) igual ou maior a 10 cm, presentes na arborização da Praça Floriano
Peixoto, Macapá, AP, Brasil.
A partir da identificação das espécies, realizada por meio de comparação com
materiais já depositados na Coleção Didática da Universidade do Estado do Amapá e por
meio de consulta a literatura, foi classificado se elas são nativas ou exóticas da região. Em
seguida foram calculados o número de espécies por famílias e as frequências absolutas e
relativas (Santos-Júnior & Costa, 2014).

3 Resultados e Discussão
Na Praça Floriano Peixoto foram inventariados 141 indivíduos, pertencentes a 22
espécies, distribuídos em 10 famílias botânicas. As famílias com maior riqueza de espécies
foram a Arecaceae (7 espécies) e Fabaceae (4 espécies), e as com maior número de
indivíduos foram Arecaceae (42 indivíduos), Fabaceae (39 indivíduos) e Anacardiaceae
(27 indivíduos). A família Arecaceae é composta pelas palmeiras que apresentam
importância na alimentação, construção civil e como plantas ornamentais, sendo utilizadas
no paisagismo de praças e jardins públicos (Lima et al., 2015). Na arborização urbana de
Sorocaba entre as famílias que apresentaram maior número de espécies estão Fabaceae e
Arecaceae (Cardoso-Leite, 2014) (Tabela 1).

2
TABELA 1. Espécies e famílias das árvores que compõem a praça Floriano Peixoto, Macapá, Amapá, Brasil.
Família Espécie N. V. Orig. Ind. FR
Mangifera indica L. Mangueira E 23 16,31
Anacardiaceae
Anacardium occidentale L. Cajueiro N 4 2,84

Euterpe oleracea Mart. Açaízeiro N 20 14,18

Cocos nucifera L. Coqueiro E 7 4,96

Oenocarpus bacaba Mart. Bacabeira N 7 4,96

Mauritia flexuosa L. f. Miriti N 4 2,84

Arecaceae Palmeira
Roystonea oleracea (Jacq.) O.F. Cook E 2 1,42
imperial

Palmeira
Veitchia merrillii (Becc.) H.E. Moore E 1 0,71
francesa
Palmeira
Wodyetia bifurcata A.K. Irvine rabo de E 1 0,71
raposa

Bignoniaceae Handroanthus serratifolius (Vahl) S.O. Grose Ipê amarelo N 11 7,80

Chrysobalanaceae Licania tomentosa (Benth.) Fritsch Oiti N 3 2,13

Combretaceae Terminalia catappa L. Castanheira E 4 2,84

Andira inermis (W. Wright) Kunth ex DC. Alvineira N 17 12,60


Fabaceae
Clitoria fairchildiana R.A. Howard Faveira N 14 9,93

Cassia grandis L. f. Cássia-rosa N 5 3,55

Delonix regia (Bojer ex Hook.) Raf Flamboyant E 4 2,84

Malpighiaceae Byrsonima crassifolia (L.) Kunth Murici N 1 0,71

Ficus benjamina L. Fícus E 2 1,42


Moraceae
Ficus glabra Vell. Gameleira N 1 0,71

Jambo-
Syzygium malaccense (L.) Merr. & L.M. Perry E 6 4,26
Myrtaceae vermelho

Syzygium cumini (L.) Skeels Ameixeira E 3 2,13

Rubiaceae Genipa americana L. Jenipapo N 1 0,71

N.V.=Nome vulgar, Orig.=Origem, E=Exótica, N=Nativa, Ind.=Número de indivíduos, FR=Frequência


Relativa.

3
A espécie mais frequente foi a Mangifera indica (16,31%), seguida da Euterpe
oleracea (14,18%), Andira inermis (12,06%), Clitoria fairchildiana (9,93%) e
Handroanthus serratifolius (7,80%). A espécie Mangifera indica, também ocorre na Praça
Nossa Senhora da Conceição em Macapá como espécie de maior frequência relativa,
representando 36,66% dos indivíduos encontrados (Gomes et al., 2016). Essa espécie é
muito utilizada na arborização urbana devido sua adaptabilidade a diferentes ecossistemas e
aceitação da população (Lima et al., 2015).
Dantas et al. (2016) encontraram valores e espécies semelhantes para a praça
Floriano Peixoto. No entanto, Tabebuia aurea e Andira parvifolia, correspondem a
Handroanthus serratifolius e Andira inermis, respectivamente.
Foi verificado que a maioria das espécies identificadas, bem como o maior número
de indivíduos, é de origem nativa, correspondendo a 54,55% e 62,41%, respectivamente. De
forma semelhante, Gomes et al. (2016) constatou a predominância de espécies nativas na
Praça Nossa Senhora da Conceição.

4 Conclusões
A maioria das espécies que compõem a arborização da Praça Floriano Peixoto é de
origem nativa, indicando representatividade. Entretanto, Mangifera indica é a espécie com
maior número de indivíduos.
Das 10 famílias botânicas, a Arecaceae apresentou maior riqueza, porém a maioria
das espécies desta família é de origem exótica. Duas famílias apresentaram somente um
indivíduo (Malpighiaceae e Rubiaceae), e por serem ambos de espécies nativas poderiam
ser mais exploradas na arborização, em virtude dos benefícios que a utilização de espécies
locais proporciona.

5 Literatura Citada

Assunção, K.C.; Luz, P.B. Neves, L.G.; Sobrinho S.P. Levantamento quantitativo da
arborização de praças da cidade de Cáceres/MT. Revista da Sociedade Brasileira de
Arborização Urbana, v. 9, p. 123-132, 2014.

Cardoso-Leite, E.; Faria, L.C.; Capelo, F.F.M.; Tonello, K.C.; Castello, A.C.D.
Composição florística da arborização urbana de Sorocaba/SP, Brasil. Revista da Sociedade

4
Brasileira de Arborização Urbana, v. 9, n. 1, p. 133-150, 2014.

Dantas, A.R.; Gomes, E.M.C.; Pinheiro, A.P. Diagnóstico florístico da Praça Floriano
Peixoto na cidade de Macapá, Amapá. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização
Urbana, Piracicaba, v.11, n.4, p. 32-46, 2016.

Gomes, E.M.C.; Rodrigues, D.M.S.; Santos, J.T.; Barbosa, E.J. Análise Quali-Quantitativa
da Arborização de Uma Praça Urbana do Norte do Brasil. Nativa, v. 4, p. 179-186, 2016.

Lima, J.P.; Kreutz, C.; Pereira, O.R. Levantamento florístico das espécies utilizadas na
arborização de praças no município de Nova Xavantina – MT. Revista da Sociedade
Brasileira de Arborização Urbana, v. 10, n. 3, p. 60-72, 2015.

Nucci, J.C.; Cavalheiro, F., Cobertura vegetal em áreas urbanas: conceito e método.
GEOUSP, no. 6, pp. 29-36. 1999. http://dx.doi.org/10.11606/issn.2179-
0892.geousp.1999.123361.

Santos, L.J.S.; Cordeiro, K.A.; Silva, G.P.; Cunha, D.V.P.; Fernandes, L.D.C.C. Inventário
da arborização de ruas do bairro Bateias da cidade de Vitória da Conquista, Bahia. Revista
Biociências, v. 22, n. 1, p. 110-122, 2016. Disponível em: http://periodicos.unitau.br/ojs-
2.2/index.php/biociencias/article/viewFile/2223/1626. Acesso em: 2 de maio. 2018.

Santos-Junior, A.; Costa, L.M. Espécies empregadas na arborização urbana do bairro


Santiago, JI-Paraná/RO. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 9, n. 1,
p. 78-91, 2014.

5
Levantamento florístico de vegetação na caatinga em estágio
sucessional intermediário
Luana Thayná Dantas de Souza1, Bruna Rafaella Ferreira da Silva1, Nathally Stephany Silva
Mousinho1, Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo1
1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (luanathaynaflorestal@gmail.com),
(brunarafaellaf@hotmail.com), (nathallymousinho@gmail.com),
(tatianekellyengenheira@gmail.com)

RESUMO: A caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e apresenta uma flora


com grande diversidade, porém, a literatura destaca a carência de estudos
vegetacionais. Baseado nisso, este estudo teve como objetivo, realizar o levantamento
florístico em uma vegetação de estagio sucessional intermediário na caatinga. O
experimento teve duração de 13 meses e foi conduzido na Fazenda Tamanduá, no
município de Santa Terezinha – PB. Foram alocadas 3 (três) parcelas de 60m x 30m e
dentro destas, sub-parcelas de 50m x 20m realizando assim o levantamento nas sub-
parcelas a uma distância de 5m para ambos os lados de cada extremidade, com o
objetivo de minimizar os danos a vegetação. A espécie de maior ocorrência no estagio
sucessional intermediário foi a Mimosa tenuiflora sendo encontrada em grande
quantidade, comparada as outras 7 (sete) espécies ocorrentes nesse estágio. Concluiu-
se que as parcelas analisadas apresentaram boa variedade de espécies mesmo
encontrando-se em estagio sucessional intermediário.
Palavras-chave: Floresta xerófila, identificação de espécies, variedade de espécies

1. Introdução
A caatinga é um dos biomas brasileiros que possui características peculiares
como fisionomia xerófila e florística variada, alta capacidade adaptativa, apresenta
elevado grau de endemismo o que não propicia uma boa definição da vegetação, devido
sua heterogeneidade (Rodal et. Al.,1992; Prado, 2003; Dias e Kiill, 2008).
Segundo Trindade et al. (2007), os levantamentos florísticos contribuem para a
indicação dos estádios sucessionais e para melhor avaliação das influências de fatores
como clima, solo e ação antrópica nas comunidades vegetais.
Baseado nisso, este estudo teve como objetivo, realizar o levantamento florístico
em uma vegetação de estagio sucessional intermediário na caatinga.

6
2. Material e métodos
O experimento teve duração de 13 meses (dezembro de 2007 a dezembro de
2008) e foi conduzido na Fazenda Tamanduá, no município de Santa Terezinha – PB.
De acordo com a classificação de Köppen, o clima da região é do tipo BSh, ou seja,
quente e seco.
As 3 parcelas foram alocadas (30mx 60m) e cercadas, e no interior das mesmas
foi delimitada uma sub-parcela de 20m x 50m (Figura 1), com o objetivo de manter uma
área (10m de largura) para a movimentação do pessoal técnico na coleta de dados,
causando o mínimo de dano à vegetação. Por esta razão, o levantamento florístico foi
realizado nas laterais das sub-parcelas a uma distância de 5m para ambos os lados de
cada extremidade, totalizando assim uma distância de 10m por laterais.

FIGURA 1. Parcelas alocadas com 60m x 30m e sub-parcela com 50m x 20m.

Foi realizado o levantamento florístico, onde partes das espécies vegetais foram
coletadas (folhas, flores e frutos), preferencialmente, em estado de reprodução, sendo
um representante de cada espécie encontrada nas bordas das parcelas amostradas, e
armazenada em Herbário localizado na UFCG, campus de Patos-PB. E identificou-se
taxonomicamente conforme o sistema proposto por APG IV (Byng et al., 2016).
.
3. Resultados e discussões

7
No levantamento florístico do estagio sucessional intermediário foi encontrado
espécies com DAP de até 5cm. Nas parcelas foram identificados 8 (oito) indivíduos
participantes desse estagio, como pode-se perceber na figura 2, sendo a Mimosa
tenuiflora a que mais se destacou das espécies.

FIGURA 2. Gráfico representativo da quantidade de espécies ocorrentes no estagio sucessional


intermediário.

1%
Espécies
2% 1% Mimosa tenuiflora

1% Piptadenia stipulacea
7% Caesalpinia pyramidalis
Aspidosperma pyrifolium
50%
Capparis flexuosa
37% Jatropha mollissima
Cnidoscolus quercifolius
Bauhinia cheilantha
1%

Os dados de famílias, espécies, frequência absoluta (FA) e a frequência relativa


(FR) do levantamento florístico em estagio sucessional intermediário, podem ser
observados na Tabela 1. A família Fabaceae foi a que predominou, sendo encontrada 4
espécies, dentre elas a Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. se destacou com 107 indivíduos
e possuindo uma frequência relativa de 49,77% em relação as outras.
A família Euphorbiaceae apresentou 2 (duas) espécies, a que teve mais
ocorrência foi a Jatropha mollissima Muell. Arg. com 4 (quatro) indivíduos e uma
frequência relativa de 1,86% comparada ao todo.
Já as outras 3 (três) espécies cada uma apresentou família distinta, destacando-se
a Capparis flexuosa L. com 16 indivíduos e uma frequência relativa 7,44% diante do
todo.

8
TABELA 1. Lista de famílias e espécies, frequência absoluta (FA) e a frequência relativa (FR) do
levantamento florístico em estagio sucessional intermediário.
Espécie Nome Vulgar Família FA (%) FR (%)
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Jurema Preta Fabaceae 10700 49,76744
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke. Jurema branca Fabaceae 200 0,930233
Caesalpinia pyramidalis (Tul.) Catingueira Fabaceae 7900 36,74419
Aspidosperma pyrifolium (Mart.) Pereiro Apocynaceae 300 1,395349
Capparis flexuosa (L.) Feijão bravo Brassicaceae 1600 7,44186
Jatropha mollissima (Muell.) Arg. Pinhão bravo Euphorbiaceae 400 1,860465
Cnidoscolus quercifolius (Mart). Pax et Hott. Faveleira Euphorbiaceae 100 0,465116
Bauhinia cheilantha (Bong.) Stend. Mororó Fabaceae 300 1,395349
Total 215 21500 100

Segundo Forzza et al. (2010) e Sarmiento (1975), as famílias Fabaceae,


Euphorbiaceae e Cactaceae ocupam o papel de destaque nas formações xerófilas na
América do Sul, sendo a Fabaceae e Euphobiaceae as mais representativas nos
diferentes domínios fitogeográficos brasileiros. Diante disso explica-se a maior
ocorrência das espécies dessas famílias no presente levantamento florístico.

4. Conclusões
Concluiu-se que as parcelas analisadas apresentaram boa variedade de espécies
mesmo encontrando-se em estagio sucessional intermediário.

5. Literatura citada

Byng, J, W. et al. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the
orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean
Society, v. 181, n. 1, p. 1-20, 2016.

Dias, C. T. de V. Kiill, L. H. P. Levantamento florístico da reserva legal do Projeto


Salitre, Juazeiro-BA. Petrolina, PE: Embrapa Semiárido, 2008.

9
Forzza, R. G.; Baumgratz, J. F.; Costa, A.; Hopkins, M.; Leitman, P. M.; Lohmann, L.
G.; Martinelli, G.; Morin, M. P.; Coelho, M. A. N.; Peixoto, A. L.; Pirani, J. R.;
Queiroz, L. P.; Stehmann, R.; Walter, B. M. T.; Zappi, D. As angiospermas do Brasil.
In: Forzza, R. C.; Baumgratz, J. F. A.; Bicudo, C. E. M.; Carvalho Jr., A. A.; Costa, A.;
Costa, D. P.; Hopkins, M.; Leitman, P. M.; Lohmann, L. G.; Maia, L. C.; Martinelli, G.;
Menezes, M.; Morim, M. P.; Coelho, M. A. N.; Peixoto, A. L.; Pirani, J. R.; Prado, J.;
Queiroz, L. P.; Souza, V. C.; Stehmann, J. R.; Sylvestre, L. S.; Walter, B. M. T.; Zappi,
D. (Eds.). Catálogo de plantas e fungos do Brasil. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas
Jardim Botânico, 2010. v. 1. p. 78-88.

Sarmiento, G. The dry plant formations of South America and their forest connections.
Journal of Biogeography, v. 2, p. 233-251, 1975.

Prado, D. E. As caatingas da América do Sul. In: Ecologia e Conservação da Caatinga.


Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2003. 822 p.

Rodal, M. J. N. Manual sobre métodos de estudos florístico e fitossociológicos –


ecossistema caatinga. Sociedade botânica do Brasil. Janeiro: 1992. 23 p.

Trindade M. J. S.; Andrade C. R.; Souza l. A. L. Florística e Fitossociologia da Reserva


do Utinga, Belém, Pará, Brasil. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5,
n.2, p. 234-236, 2007.

10
A arborização urbana e o conforto térmico no semiárido da Paraíba
Álvaro Renan Vieira Nunes1, César Henrique Alves Borges2, Felipe Silva de Medeiros1, Luanna
Alertsea Rodrigues Cintra1, Jacob Silva Souto1, Patrícia Carneiro Souto1
1
Universidade Federal de Campina Grande (engalvarorenan@gmail.com,
fsmedeiros.eng@gmail.com, luannaalertsea@gmail.com, jacob_souto@yahoo.com.br,
carneirosouto@yahoo.com.br), 2Universidade Federal Rural de Pernambuco
(cesarhenrique27@yahoo.com.br)

RESUMO: O crescimento das cidades tem levado a devastação da vegetação local,


alterando as condições microclimáticas nessas áreas. O presente estudo objetivou estimar
o índice de conforto térmico em áreas arborizadas e sem arborização na cidade de Catolé
do Rocha-PB. Para avaliar as condições de conforto térmico na cidade foram
selecionadas as seguintes áreas amostrais: Ruas arborizadas (3), Ruas sem arborização
(3) e Áreas verdes (3 praças), sendo para isso utilizado o índice de temperatura e umidade
(ITU). As variáveis meteorológicas temperatura do ar (ºC) e umidade relativa do ar (%)
foram coletadas in loco utilizando termohigrômetros. A temperatura foi menor nas praças
do que nas ruas com e sem arborização, registrando uma diferença de até 2,1ºC. Os
valores elevados do Índice de Temperatura e Umidade (ITU), tanto nas áreas arborizadas
como nas sem arborização permitem concluir que a cidade de Catolé do Rocha-PB
apresenta microclima extremamente desconfortável.

Palavras-chave: silvicultura urbana, índice de conforto térmico, áreas verdes

1. Introdução
A arborização urbana é considerada o método mais natural para a mitigação das
consequências nocivas da intensa radiação solar à saúde humana. Ao planejar a
arborização urbana deve-se levar em conta diferentes critérios, como forma e disposição
das raízes, altura da árvore adulta, estética e outros. Contudo, praticamente não se tem
considerado o conforto térmico urbano como parte dessa análise (Ferreira & Herrman,
2016).
O conforto ambiental consiste no conjunto de fatores que incluem o conforto
térmico, e os outros componentes como qualidade do ar, a luminosidade e ruídos. Esta é
uma área de investigação muito importante, onde se busca entender de que forma são
influenciadas as condições do meio, sejam elas positivas ou negativamente diante da
percepção do conforto humano (Gonçalves et al., 2007).
Os benefícios promovidos pela arborização urbana ao equilíbrio local têm
contribuindo com a conservação do meio ambiente. Estudos específicos sobre a
importância da arborização e suas características individuais sobre diferentes ambientes

11
são relevantes, a fim de esclarecer determinadas funções que o ambiente arborizado pode
proporcionar a população.
O presente estudo objetivou estimar o índice de conforto térmico em áreas
arborizadas e sem arborização na cidade de Catolé do Rocha-PB.

2. Material e Métodos
A pesquisa foi realizada na cidade de Catolé do Rocha-PB, localizada na
mesorregião Sertão Paraibano, a 277 m de altitude. O clima da região segundo a
classificação de Köppen (Álvares et al., 2014), é o BSh semiárido, quente com chuvas de
verão. De acordo com dados do IBGE (2010) a cidade apresenta uma área total de 552,11
km², com uma população de 28.759 habitantes, distribuída em 20 bairros.
Para avaliar as condições de conforto térmico na cidade foram selecionadas, através
de imagens por drone, as seguintes áreas amostrais: Ruas arborizadas (3), Ruas sem
arborização (3) e Áreas verdes (3 praças principais), totalizando nove áreas amostrais. Na
escolha das ruas com arborização e sem arborização procurou-se seguir como critério de
seleção a disposição das ruas no mesmo sentido geográfico de modo a diminuir as
interferências urbanas. A área amostral das ruas com e sem arborização foram delimitadas
com comprimento de 100 m.
Para estimar o conforto térmico nas áreas selecionadas através dos índices de
temperatura e umidade (ITU) foram medidas in loco as variáveis meteorológicas,
temperatura do ar (ºC) e a umidade relativa do ar (%), sendo para isso utilizado termo
higrômetros que foram instalados numa base de madeira à altura de 1,5 m da superfície do
solo, na parte central da área delimitada nas ruas (100m) e na área central das praças.
O índice de Temperatura e Umidade (ITU), devido a sua praticidade é comumente
usado nos trópicos, segundo Barbirato et al. (2007), permitindo quantificar o “stress” no
ambiente urbano, sendo para isso utilizada a seguinte equação: ITU =0,8 * Tar + [( UR * T

ar) / 500], onde: ITU= índice de temperatura e umidade; Tar= temperatura do ar (°C);
UR=umidade relativa (%).

12
De posse dos resultados obtidos do ITU, foram usados os critérios de classificação
para o índice, conforme Nóbrega e Lemos (2011), e que consta na Tabela 1. A comparação
das médias dos resultados de temperatura ambiente foi feita pelo teste de Tukey (p < 0,05).

Tabela 1 – Critérios de classificação do Índice de Temperatura e Umidade (ITU).


NÍVEL DE CONFORTO ITU (°C)
Confortável 21 < ITU < 24
Levemente Desconfortável 24 < ITU < 26

Extremamente Desconfortável ITU > 26

3. Resultados e Discussão
Na Tabela 2 são apresentadas as médias das variáveis microclimáticas para cada
ambiente. Nas praças a temperatura foi menor do que nas ruas com e sem arborização,
registrando uma diferença de até 2,1ºC em uma das praças para uma das ruas sem
arborização, e 1,3ºC de uma das praças para uma das ruas com arborização.

Tabela 2 - Médias de temperatura e umidade relativa do ar, dos ambientes estudados.


Local Temperatura Média (ºC) UR Média (%)
Praça José Sérgio Maia 31,5 43
Praça Sérgio Maia 31,9 38
Praça Jerônimo Rosado 31,7 43
Rua Arborizada Marechal Deodoro da Fonseca 32,4 43
Rua Arborizada Manoel Pedro 32,8 40
Rua Arborizada Barão do Rio Branco 32,2 40
Rua não Arborizada Marechal Deodoro da Fonseca 33,6 39
Rua não Arborizada Bevenuto Gonçalves 32,8 38
Rua não Arborizada Cel. Francisco Maia 33,2 36

Observando as médias da Umidade Relativa (UR) do ar por ambientes, constata-se


que o ambiente com menor umidade foi às ruas desprovidas de arborização, cuja diferença
pode chegar até a 7% em relação aos demais ambientes.
Ao analisar a influência microclimática da arborização das praças na cidade de
Patos-PB, Zea-Camaño (2016) constatou uma diminuição de 0,83 °C da temperatura média
fora da copa das árvores de Azadirachta indica, sendo a maior amplitude térmica (1,30 °C)

13
registrada às 14:00 horas, e a mínima (0,05 °C) às 17:15 horas. O mesmo ocorreu com a
espécie Tabebuia aurea onde registrou uma diferença de 1,09 °C em relação à temperatura
média obtida fora da influência da copa das árvores, e a maior a amplitude térmica (1,48
°C) foi registrada às 14:30, horas e a mínima (0,15 °C) às 17:30 horas. Diante dos
resultados o autor afirma que as espécies estudadas têm uma função importante na
diminuição da temperatura em nível microclimático nos ambientes onde estão inseridas
Em todos os ambientes avaliados os valores do ITU se encontra na última categoria
sendo classificado como extremamente desconfortável (Figura 1), com os maiores valores
registrados na rua não arborizada Marechal Deodoro da Fonseca, sendo esta rua que
apresentou a maior média de temperatura e a menor média percentual de umidade relativa
do ar (Tabela 2), obtida durante todas as coletas realizadas.

Figura 1 — Índice de Temperatura e Umidade (ITU) das áreas arborizadas e sem arborização na cidade de
Catolé do Rocha-PB.

De um modo geral, os valores obtidos no índice indicam um extremo desconforto


térmico na cidade de Catolé do Rocha, podendo isso ser atribuído ao clima quente e seco
da região semiárida da Paraíba, e que é intensificado pelo número insuficiente de áreas
verdes, criando ilhas de calor na cidade.

4. Conclusão
Os valores elevados do Índice de Temperatura e Umidade (ITU), tanto nas áreas
arborizadas como nas sem arborização classifica a cidade de Catolé do Rocha com
microclima extremamente desconfortável.

14
Ambientes com aglomerados de indivíduos arbóreos como as praças são mais
eficientes na redução da temperatura ambiente e aumento na umidade relativa do ar,
proporcionando uma condição de conforto térmico à população.
A distribuição mais densa e estratificada nas praças da cidade, principalmente da
Praça Sérgio Maia que é a maior e mais diversificada, interfere positivamente na
interceptação da radiação solar e na redução da temperatura do ar, alterando a sensação
térmica da população que indica menor desconforto com o calor nesses ambientes.

5. Literatura Citada
Álvares, C.A.; Stape, J.L.; Sentelhas, P.C.; Moraes, J.L.; Gonçalves, J.L.M.; Gerd
Sparovek. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v.
22, n. 6, p.711 – 728, 2014. http://dx.doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507.
Barbirato, G.M.; Souza, L.C.L.; Torres, S.C. Clima e cidade: a abordagem climática como
subsídio para estudos urbanos. Maceió: EDUFAL, 2007. 164 p.
Ferreira, R.C.; Herrman, C.R.A. Influência de espécies arbóreas no microclima e conforto
térmico de seu entorno imediato sob condições climáticas do cerrado goiano. Revista da
Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v.11, n.1, p. 14-33, 2016.
http://www.revsbau.esalq.usp.br/pt-br/volume11numero12016.html.
Gonçalves, W.; Stringheta, A.C.O.; Coelho, L.L. Análise de árvores urbanas para fins de
supressão. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v.2, n.4, dez. 2007, p.
1-19. http://www.revsbau.esalq.usp.br/volume2numero42007/artigos_cientificos.php.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sinopse do censo demográfico.
Nóbrega, R.S.; Lemos, T.V.S. O microclima e o (des)conforto térmico em ambientes
abertos na cidade de Recife. Revista de Geografia, v.28, n.1, 2011.
https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistageografia/issue/view/2101/showToc
Zea-Camaño, J.D. Serviços ecossistêmicos de regulação climática e da qualidade do ar
pela arborização em Patos-PB. 2016. 79f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) –
Universidade Federal de Campina Grande. Patos-PB, 2016.

15
A contribuição da comunidade de entorno do Parque Natural Municipal
das Nascentes do Mundaú à elaboração do seu plano de manejo

Lorena de Moura Melo1, Marcos Renato Franzosi Mattos 2, Walter Filho de Almeida Leal2, Géssyca
Fernanda de Sena Oliveira 1, Mayara Fernandes Costa Pedrosa 1
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco - Campus Recife (lorem.moura@gmail.com;
eng.gessycasena@gmail.com; maynandes202@gmail.com), 2Universidade Federal Rural de
Pernambuco – Unidade Acadêmica de Garanhuns (mrfmattos75@gmail.com;
walteralmeidaleal@gmail.com)

RESUMO: As unidades de conservação são áreas destinadas à proteção dos


recursos naturais. Estas UC s, para melhor gestão dos seus atributos, carecem
de um plano de manejo, sendo necessária a participação social durante a
elaboração desse documento técnico. Um exemplo de UC em que a
participação social ocorreu de forma ativa, durante a elaboração do seu
plano de manejo, foi o Parque Natural Municipal das Nascentes do Mundaú,
que está situado no município de Garanhuns-PE. A comunidade de entorno,
do parque supracitado, foi integrada no processo de elaboração do plano, o
que favoreceu com que os indivíduos apresentassem um sentimento de
pertencimento ao meio, contribuíssem com informações sobre a localidade e
cooperassem com a conservação da UC.

Palavras-chave: unidade de conservação, integração, comunidade

1. Introdução

A Lei Federal nº 9.985/2000 define Unidade de Conservação (UC) como espaço


territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características
naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de
conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam
garantias adequadas de proteção (Brasil, 2000). Após ser estabelecida uma UC, é
necessário que haja a elaboração do seu plano de manejo (PM). Este documento técnico é
embasado nos objetivos gerais de uma UC e estabelece o seu zoneamento e as normas da
unidade, que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a
implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade (Brasil, 2011).
Em relação à elaboração de um PM, esta é realizada a partir de informações já
disponíveis e com base em levantamentos primários de informações sobre a UC e sua Zona
de Amortecimento (ZA). Inicialmente, deve-se efetuar um levantamento preliminar de
informações disponíveis, visando identificar as deficiências no conhecimento da unidade e,

16
a partir de então, efetuar a tomada de decisão sobre as necessidades (Brasil, 2009). Além
dos aspectos supracitados, ressalta-se a importância da participação social efetiva na gestão
das áreas protegidas. Uma forma de consolidar a participação social nos processos de
gestão de UCs, é por meio da própria construção (e implantação) do PM (Brasil, 2015).
Um exemplo de PM que contou com a significativa participação da comunidade em
sua elaboração foi o plano elaborado para o Parque Natural Municipal das Nascentes do
Mundaú (PNMNM). Esta UC, criada por Decreto Municipal em 2011, está situada na Zona
Rural de Garanhuns-PE, limítrofe ao bairro Várzea e próximo ao bairro Manoel Xéu.
Dentro da comunidade integralizada no processo de elaboração do plano está esta
população de entorno do parque, que, em muitas vezes, é marginalizada por sua posição
social, mas que contribuiu significativamente com informações para o PM (Econordeste,
2015; Mattos et al., 2017). Assim, este trabalho visa expor como a comunidade de entorno
da UC foi uma aliada no processo de elaboração do documento técnico citado.

2. Material e Métodos

O plano de manejo do PNMNM foi elaborado de forma participativa por centenas


de pessoas que deram a sua contribuição nas diversas reuniões e visitas de campo
realizadas, em audiência pública, nas dezenas de palestras, oficinas e rodas de discussão
(Figura 1) que foram efetuadas, pelos estudos de fauna, flora, socioeconômicos e por meio
das centenas de entrevistas realizadas.

FIGURA 1. Oficina de discussão sobre o plano de manejo e educação ambiental inclusiva do PNMNM
(1A). Dia de campo junto à comunidade da UC (1B). Econordeste (2017)

Foram obtidas assim contribuições técnicas de atores ligados a diversas instituições


públicas, privadas e instituições que representavam o coletivo, mas também a contribuição

17
individual da comunidade de entorno, que colaboraram com seus conhecimentos de
vivência, com suas memórias e com suas experiências (Mattos, 2017).
3. Resultados e Discussão

Através das ações expostas anteriormente a comunidade contribuiu de forma


significativa para a elaboração do PM, sobretudo com suas experiências e com a singular
visão do humilde, do simples, que muitas vezes enxerga mais longe do que os olhos de
profissionais capacitados e pós-graduados. Através da interação entre diferentes
profissionais e os habitantes da localidade, foi possível obter informações históricas e
ambientais da área. Alguns destes colaboradores rememoraram dados bastante antigos,
alguns desde o ano 1923, contribuindo significativamente com informações históricas das
quais, muitas, foram comprovadas por dados oficiais e outras preencheram lacunas da
história do uso da área e da história ambiental da região (Mattos, 2017). Além do exposto,
os representantes da comunidade também apresentaram suas posições quanto aos agravos
da localidade, como: falta de segurança e de oportunidades de emprego, usos inadequados
da UC, entre outros aspectos. Ademais, como forma de mitigar as problemáticas
econômicas da comunidade de entorno, no processo de elaboração do PM foi previsto que
os moradores seriam os responsáveis pela visitação turística como guias, assim como nas
atividades de educação ambiental existentes na ZA, por exemplo, no Jardim Sensorial.
De forma geral, as populações em maior vulnerabilidade social ainda enfrentam
dificuldades de participação nos processos de decisão envolvendo os destinos das UCs
(Brasil, 2015). A comunidade do entorno do PNMNM possui baixos Índices de
Desenvolvimento Humano, abaixo da média nordestina e pernambucana (IBGE, 2017).
Essa população representa a maior área de população excluída e de baixa renda de
Garanhuns, apresentando baixa escolaridade e elevados índices de gravidez precoce,
analfabetismo, consumo de entorpecentes, desemprego, alcoolismo, além de outras
mazelas resultantes e retroalimentadoras da exclusão social. Ademais, a ocupação e
geração de renda na própria comunidade são muito baixas, resultante de pequenos
comércios e serviços aos habitantes locais. Assim, ao serem considerados os dados sociais
acima, a UC emerge como uma alternativa de ganhos sociais, econômicos e culturais desta
população, através da qual deverá haver integração desta comunidade excluída no uso,

18
conservação e benefícios gerados através do PNMNM, o que contribui para que se tornem
atores ativos na UC e, assim, retirando-os da situação de exclusão destes processos que
acontecem no entorno de onde residem (Mattos et al., 2017)
Vale ressaltar que o uso hoje não regulamentado pelos moradores na ZA para
produção de alimentos de forma tradicional, também foi considerado sustentável e possível
de continuidade pelo PM, o que está em acordo com a premissa de que, assim como o meio
ambiente é um bem público, as UCs devem ser enxergadas também como espaços públicos
em que a participação social deve ser garantida (Silva, 2013). Assim como na Área de
Proteção Ambiental (APA) Baleia Franca (Brasil, 2015), foi percebido durante o estudo
que a inclusão da população do entorno no processo de conservação da UC, sobretudo
destes moradores que utilizam a área de forma sustentável, gerou maior comprometimento
dos mesmos na preservação dos recursos naturais, por exemplo, agindo em muitas vezes
como verdadeiros “guardas florestais” contra ações degradantes ao PNMNM.

4. Conclusão

Ter a comunidade de entorno como verdadeira aliada, no processo de criação,


planejamento e gestão de uma unidade de conservação é um aspecto relevante, pois a partir
desta premissa, os habitantes do entorno da UC apresentarão o sentimento de
pertencimento ao meio, e assim, contribuindo de forma significativa à conservação. Em
síntese, se forem aliados ajudam, mas se forem excluídos poderão promover a exploração
não sustentável, com queima de vegetação, ocupação irregular, entre outros, ocasionando
danos aos recursos bióticos e abióticos de uma determinada área.

5. Literatura Citada

Brasil. Lei Nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, parágrafo 1º, incisos I,
II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza - SNUC. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Senado Federal, Brasília, DF, 19 de jul. 2000.
Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade. Série educação ambiental e comunicação em unidades de conservação: A

19
participação social e a ação pedagógica na implementação da unidade de conservação.
ICMBio: Brasília, 2015.
Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade. Roteiro Metodológico para Elaboração de Planos de Manejo de Florestas
Nacionais. ICMBio: Brasília, 2009.
Brasil. Ministério do Meio Ambiente. SNUC – Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza: Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000; Decreto nº 4.340, de 22 de
agosto de 2002; Decreto nº 5.746, de 5 de abril de 2006. Plano Estratégico Nacional de
Áreas Protegidas: Decreto nº 5.758, de 13 de abril de 2006. Brasília: MMA, 2011.
Econordeste. Parque Natural Municipal das Nascentes do Mundaú: plano de manejo e
educação ambiental inclusiva. Projeto submetido ao Edital 01/2015 da Fundação Pró-SOS
Mata Atlântica. Econordeste: Garanhuns, 2015.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2017. Informações sobre as cidades.
Garanhuns – PE. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br>. Acesso em 16/03/2017.
Mattos, M. R. F. Melo, L. M.; Lopes, A. S.; Oliveira, I. V. S. Aspectos socioeconômicos
da comunidade do entorno. In: Pernambuco. Garanhuns. Econordeste. Parque Natural
Municipal das Nascentes do Mundaú: Plano de Manejo e Educação Ambiental Inclusiva.
Garanhuns-PE: Econordeste, 2017.
Mattos, M. R. F. Introdução e aspectos metodológicos. In: Pernambuco. Garanhuns.
Econordeste. Parque Natural Municipal das Nascentes do Mundaú: Plano de Manejo e
Educação Ambiental Inclusiva. Garanhuns-PE: Econordeste, 2017.
Silva, P. A. Instrumentos de participação da sociedade civil nas unidades de conservação
no Brasil: a criação de conselhos consultivos e os planos de manejo. In: Encontro
Fluminense - Uso Público em Unidades de Conservação: Gestão e Responsabilidades.
Niterói. Anais do Encontro Fluminense - Uso Público em Unidades de Conservação:
Gestão e Responsabilidades, v. 1. p. 1-12, 2013.

20
A Lei brasileira n. 11.284, de 2006: Uma discussão sistêmica

Ervandil Corrêa Costa¹, Cláudia Florencia Valls2


1
Universidade Federal de Santa Maria, Av. Roraima, nº 1000, Cep: 97105-900, Santa Maria, RS
ervandilc@gmail.com
²Universidad Del Museo Social Argentino, Av. Corrientes, nº 1723, CABA, Buenos Aires, AR.
vallscf@gmail.com

RESUMO: Na pós-modernidade é necessário refletir sobre a inserção do


homem no ambiente, de forma harmoniosa. Não se pode mais pensar em
avançar tecnicamente apenas para atender a determinados reclamos , que
talvez sejam importantes, porém, devem estar respaldados pela tutela
ambiental, particularmente na área florestal . Nesse sentido a legislação
brasileira é bastante complexa quanto ao tema “ proteção florestal”,
incluindo florestas plantadas, com espécies nativas e/ou exóticas, e florestas
nativas que se encontram extremamente fragilizadas. E, para regrar o uso das
florestas Nacionais brasileiras foi promulgada a Lei n. 11.284 de 2006 pelo
Poder Executivo, apesar de apresentar, no texto, uma escancarada
inconstitucionalidade.

Palavras-chave: florestas nacionais, legislação florestal, processo licitatório

1. Introdução

Um novo rumo está sendo tomado pelas empresas florestais frente à vigência da Lei
n. 11.284, de 2 de março de 2006, denominada também de “Gestão verde”, que trata
especificamente da Gestão de Florestas Públicas que viabilizada a exploração, através de
concessões, por processos licitatórios. A lei foi criada determinando a preservação de áreas
já ocupadas pelas comunidades locais (art. 6°) propiciando, nessa vertente um “manejo
sustentável”. Todavia deixa transparecer, de forma explícita a possibilidade da exploração
de grandes áreas por oligopólios nacionais e empresas transnacionais viabilizadas através
de concessões por processos de ordem legal.
Quanto ao manejo florestal sustentado é apenas uma justificativa, porém pífia, pois
essa afirmativa está amparada no entendimento de Grassi (2011, p. 354) quando aborda a
questão da extração de madeira na Amazônia sem ferir o princípio do desenvolvimento
sustentado é na ordem de “cinco a seis árvores por hectare – e isso a cada 30 anos”. Pelo
visto não é o suficiente que as florestas brasileiras estejam legalmente protegidas por uma

21
vasta legislação florestal, a destruição continua célere, “não mais pelo fogo ou pelo
machado”, pois hoje o processo de corte é extremamente tecnificado.
Propõe-se, neste trabalho, uma abordagem crítica da lei n.11.284 demonstrando
determinados pontos de estrangulamento que de uma forma explicita demonstram
inconstitucionalidade e, apesar disso ela prosperou.

2. Material e Métodos

O procedimento utilizado foi o monográfico partindo de uma análise investigativa


dos dados levantados com base na doutrina, normas constitucionais e infraconstitucionais.
A metodologia de estudo fundamentou-se na observação, análise, síntese, indução e a
dedução que possibilitaram conjuntamente a execução deste trabalho.

3. Resultados e Discussão

A Lei vigente n.11.284 que se refere à “unidade de manejo licitada” não especifica
a área da unidade a ser licitada, porque o Poder Executivo vetou o § 4° do art. 10, do
Projeto de Lei aprovado pelo Congresso Nacional, o qual determinava que, cada lote a ser
licitado, fosse de 2.500 ha ferindo, dessa forma o inc. XVII, do art. 49 da Constituição
Federal. Assim, devido ao veto abriu-se uma brecha na lei, ficando muito fácil aumentar a
área de cada lote a ser licitada porque não há mais razão legal impeditiva. A Constituição
dispõe, em seu art. 49, caput: “É da competência exclusiva do Congresso Nacional” e o
inciso XVII conclui a questão de forma pontual: “aprovar, previamente, a alienação ou
concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares”. Esse fato
gerou a inconstitucionalidade da Lei n. 11.284.
Prevaleceu nesse caso, de forma cristalina, interesses políticos e econômicos,
tomando os direitos da sociedade apenas como uma cortina de fumaça ficando assim,
marginalizado o direito do ambiente. Frente a esses fatos se pergunta: qual a importância e
a finalidade da Constituição de um país? A quem cabe o direito e o dever de exigir o
cumprimento da Lei Maior de um país que é a sua Constituição? Nesse mundo de
incertezas chega-se então a conclusão de que, o veto de um parágrafo, de lei (nesse caso),
pelo Executivo de uma Nação é o suficiente para rasgar uma página da Constituição
elaborada pelo Legislativo considerando ainda que, este veto repousa na
inconstitucionalidade.

22
Nesse contexto o processo da exploração do ambiente, na busca da obtenção de
commodities madeireiras para fortalecer o PIB nacional propicia uma redução quali-
quantitativa e gradativa na linha do tempo, no que tange aos bens ambientais. A
Constituição brasileira de 1988, vem na contramão dessa colocação. É o que se conclui
pela leitura do artigo 225, caput (vida digna); art. 5º, caput, parte final e inciso XXII
(direito à propriedade); art. 170, inciso III (função social) e em um terceiro momento o
parágrafo único desse mesmo artigo dispõe: “livre exercício de qualquer atividade
econômica”.
Nessa discussão cabe ressaltar que o procedimento adotado pelo modelo eletivo de
extração madeireira provoca uma desestruturação tanto no aspecto econômico (em curto
prazo) quanto na biodiversidade porque os animais possuem também um valor econômico-
ambiental que, na verdade, não é valorado quando da aplicação dos estudos de impactos
ambientais em razão de que, os animais, na sua grande maioria, não apresentam valor de
mercado. A questão está devidamente colocada, pois, a cada exploração que se sucede o
rendimento do produto florestal/ha e a biodiversidade, teoricamente, tendem a decrescer.
Uma exploração sob a égide da Lei n. 11.284 definida em seu art. 3º, inc. VI, é um
procedimento legal (conforme a lei), porém um simples processo licitatório autoriza a
“destruição” de milhares de hectares de floresta nativa primária anualmente. Portanto, a lei
ampara o procedimento, mas jamais terá condições ou força para recriar uma natureza
autorregulada, como numa situação particularizada de resiliência ou de autopoiese.
Essa lei, quanto ao aspecto ambiental jamais seria promulgada por tratar-se apenas
de interesse político e econômico compartilhado com oligopólios nacionais e
internacionais. Para certificar-se dessa afirmativa, basta tomar conhecimento da Lei n.
11.284, aprovada pelo Executivo da Nação brasileira e conferir o que diz o inc. XVll, do
art. 49 da Constituição Nacional de 1988. Nesse caso, a aprovação da nova lei teve como
justificativa legal, no fundo, o art. 6º (para manter protegidos povos em minoria: índios,
quilombolas, pequenos agricultores...), e escancarou-se a inconstitucionalidade frente ao
veto do § 4º, do art. 10 da nova lei.
Não se percebe uma justificativa plausível, fundamentada em medidas ditas legais
(considerando as normas constitucionais ou mesmo a legislação infraconstitucional) para a
exploração de Florestas Nacionais em qualquer município ou estado sob qualquer hipótese.

23
Muitas das normas postas em prática foram criadas ao arrepio da racionalidade humana
(trata-se, particularmente da Lei n. 11.284 denominada de “Lei de Gestão Ambiental”).
Desfragmentando essa questão, há que se registrar que, dos biótipos que sofrem a ação
antrópica, a maioria das espécies se encontra, invariavelmente, na copa das árvores
(artrópodes, aves, pequenos mamíferos...). É importante esse registro em razão de que,
mais de 50% das espécies de animais existentes estão relacionadas, direta ou
indiretamente, somente a esse biótipo, conforme Nadkarni (1997).
De qualquer forma, os procedimentos retro citados vêm de encontro ao que a
Constituição brasileira preceitua no inciso VII, § 1º, do art. 225: “proteger a flora e a fauna,
vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica,
provoquem a extinção de espécies” além dos incs. VI e VII, do art. 23. Nesse viés, é
importante mencionar que ocorre, inclusive, uma conotação com o inciso II, do § 1º,
quando o legislador postula pontualmente: “preservar a diversidade e a integridade do
patrimônio genético”. O fato é que se a “Lei de Gestão Ambiental” simplesmente foi
ignorada pelo executivo sobre o que determina a Constituição brasileira enveredando, pois,
por caminhos obscuros servindo apenas de palco de manobras de interesses políticos e
econômicos.
As ações praticadas (embora protegidas por lei em vigor) estão inseridas em um
paradigma teórico que, paradoxalmente é uma realidade em decorrência do
antropocentrismo corroborado de forma passiva pelo Estado. Há que se questionar a
redação do art. 225, caput, primeira parte, quando dispõe que: “todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado”. Nesse caso, o constituinte deu a entender
implicitamente que o homem é, verdadeiramente, egocêntrico. Partindo dessa premissa, a
questão pode ter várias interpretações, portanto, a colocação constitucional é subjetiva e,
quanto à decisão tomada, também será no campo “subjetivo” amparado pela
discricionariedade, podendo ser estabelecido, a partir dessa decisão, o caos. Não há como
não se admitir que ocorram ranhuras profundas no ambiente com procedimentos dessa
natureza e que, o ambiente não permanecerá “ecologicamente equilibrado” inserido na
matriz estabelecida pelo art. 225, caput, da Carta Magna brasileira.

4. Considerações finais

24
Com esse procedimento globalizante, a sociedade, estribada no campo político,
social, econômico e cultural (exceto o ambiental), estará contribuindo, consciente ou
inconscientemente, para a aceleração de um colapso ambiental, quer pelo esgotamento de
suas reservas naturais quer pela degradação e poluição ambiental em decorrência do mau
uso dos vetores ambientais. No entanto, foi atribuído, constitucionalmente, ao cidadão o
direito de retirar seu sustento da natureza ou desenvolver atividades econômicas, é o que
dispõe o art. 170 da Constituição brasileira. Deve-se mencionar também que existe um
gargalo entre o art. 250, caput, determinando a qualidade do ambiente: “ambiente
ecologicamente equilibrado” e o art. 170, que libera, constitucionalmente, o homem a tirar
seu sustento da terra e, ainda, sem degradar o ambiente.

5. Literatura Citada
Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de
1988. São Paulo: Saraiva, 2005.

Brasil. Lei n. 11.284, de 2 de março de 2006. Dispõe sobre a gestão de florestas públicas
para a produção sustentável; institui, na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, o
Serviço Florestal Brasileiro – SFB; cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal –
FNDF; altera as Leis n. 10.683, de 28 de maio de 2003, 5.868, de 12 de dezembro de 1972,
9.605, de 12 de fevereiro de 1988, 4.771, de 15 de dezembro de 1965, 6.938, de 31 de
agosto de 1981, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973; e dá outras providências. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 03 mar. 2006. Disponível em:
<http:/www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/Lei/LI>. Acesso em: 20 abr. 2017.

Grassi, R. Oficina 9: Amazônia, Cerrado e Desenvolvimento. In: Hauschild, M.L.; Guedes,


J.C.; Rodrigues Junior, O.L. Conclusões do II Congresso Brasileiro das Carreiras Jurídicas
de Estado. Brasília: IP Editora. 2011. p. 353-357

Nadkarni, N. Proclamation of forests canopy week. Whats up? The Newsletter of the
international Canopy Network, v. 3, n. 3, p.1, 1997.

25
Alometria de uma população de Protium heptaphyllum (Aubl.) March em
um fragmento de Mata Atlântica

Ageu da Silva Monteiro Freire 1, Kyvia Pontes Teixeira das Chagas 1, Fernanda Moura Fonseca
Lucas1, Luciana Gomes Pinheiro1, Fábio de Almeida Vieira 1
¹Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mails: ageufreire@hotmail.com,
kyviapontes@gmail.com, fernanda-fonseca@hotmail.com, luciana.gpinheiro@yahoo.com,
vieirafa@gmail.com

RESUMO: Objetivou-se caracterizar a alometria de uma população de Protium


heptaphyllum. Mensurou-se a altura total (m), altura do fuste (m), circunferência a altura
do peito – CAP (cm) e área da copa (m²) de 15 indivíduos. Foi feita a estatística
descritiva, o teste de normalidade de Lilliefors e a correlação de Pearson. A população
apresentou altura total média de 9,53 metros e a área da copa foi a que mais teve
variação. A altura do fuste demonstrou predominância de indivíduos de maiores
dimensões, e as demais prevaleceram as com menores dimensões. O DAP obteve dados
concentrados ao redor da média, onde as demais variáveis mostraram maior amplitude na
distribuição das dimensões. O DAP possui uma relação com a área da copa, e a área da
copa tem relação com altura total. As correlações entre DAP x Altura, DAP x Área de
copa, e Altura total x Área de copa foram positivas. As correlações negativas foram
observadas entre o DAP x Altura do fuste, Altura total x Altura do fuste, e Altura do fuste x
Área de copa. Os resultados forneceram informações ecológicas importantes sobre a
estrutura arbórea de P. heptaphyllum em ambiente natural fragmentado, que devem ser
consideradas nas ações de conservação.

Palavras-chave: conservação, Burseraceae, características alométricas, dimensões

1. Introdução
A alometria é um recurso usado para medir a biomassa arbórea, tendo o objetivo de
observar os padrões de crescimento dos seres vivos e as dimensões entre razões específicas ou
relativas de crescimento (Tito et.al., 2009). Na Mata Atlântica as práticas silviculturais em
espécies nativas são importantes para gerarem informações sobre as mesmas, como
características do crescimento em diâmetro, altura e volume, efetivando a conservação do
bioma por meio de técnicas sustentáveis (Mendonça et al., 2017).
Protium heptaphyllum (Aubl.) March é uma espécie nativa e não endêmica do Brasil,
que pertence à família Burseraceae, apresentando ampla distribuição no Brasil e situando-se
nos domínios fitogeográficos Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica (Daly, 2015).
Possui importância na medicina tradicional, tendo em suas estruturas componentes com
propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas, inseticidas, analgésicas e cicatrizantes
(Carvalho et al., 2017; Carvalho et al., 2015; Mobin et al., 2016), sendo de interesse para a

26
pesquisa (Martinelli & Moraes, 2013), principalmente em estudos ecológicos, onde ainda há
carência de informações para a espécie.
Diante disto, o objetivo do estudo foi caracterizar a alometria de uma população de
Protium heptaphyllum (Aubl.) March em um fragmento de Mata Atlântica.

2. Material e Métodos
Foram selecionados 15 indivíduos adultos de P. heptaphyllum em um fragmento de
Mata Atlântica no município de Macaíba, RN. O fragmento está localizado nas coordenadas
5°53”30’ S e 35°21”30 W em altitude média de 50 m, possuindo vegetação classificada como
Floresta Estacional Semidecidual de Terras Baixas (IBGE, 1992). O clima no local é uma
transição entre os tipos As’ e BSh’, conforme a classificação de Köppen, apresentando
temperaturas elevadas ao longo de todo o ano e estação chuvosa de outono a inverno (Cestaro,
2002), com precipitação média anual de 1.086,1 mm (Emparn, 2017).
Em cada indivíduo foi mensurado a altura total (m), altura do fuste (m), circunferência
a altura do peito – CAP (cm) e área da copa (m²). A altura total foi determinada pela distância
entre a superfície do solo e a última estrutura viva da planta. Já a altura do fuste correspondeu
à distância entre a superfície do solo e a base da primeira ramificação.
A CAP foi aferida com o auxílio de uma fita métrica, em que foram contabilizados
todos os CAPs, determinando-os por meio da equação Ct= √(𝑐1² + 𝑐2² + ⋯ 𝑐𝑖n), conforme
Scolforo & Mello (1997), onde “Ct”é a circunferência total e “𝑐𝑖” as medidas dos CAPs
aferidas em campo (a 1,30 m do solo). Depois, converteu-se o valor de “Ct” no valor de DAP
por meio da fórmula: DAP= 𝐶𝑡/𝜋. Já a área da copa foi delimitada com o uso da medida de
uma fita métrica em forma perpendicular entre os limites de sua projeção, em que o produto
das medições gerou a área da copa em metros quadrados.
Os dados coletados foram analisados por meio do programa estatístico BIOESTAT
versão 5.3 (Ayres, 2007), obtendo-se a estatística descritiva com as medidas de posição e
medidas de dispersão. Por meio do teste de normalidade de Lilliefors verificou-se a
distribuição normal das variáveis da alometria, sendo então aplicada a correlação de Pearson
para dados paramétricos.

27
3. Resultados e Discussão
A população apresentou altura total média de 9,53 metros (Tabela 1). Conforme o
coeficiente de variação, a área da copa foi a que mais teve variação, seguida do DAP,
mostrando que elas possuem maior variabilidade com relação a altura total e do fuste. Com
relação a assimetria (S), somente a altura do fuste apresentou valor negativo, indicando que há
predominância de indivíduos com maiores dimensões para esta variável. As demais variáveis
apresentaram S positivo, sugerindo que prevaleceram plantas com menores dimensões para o
DAP, altura e área de copa.
TABELA 1. Estatística descritiva das características de alometria de uma população de Protium heptaphyllum.
N: número de indivíduos amostrados; Máx: máximo; Mín: Mínimo; EP: Erro Padrão; DP: Desvio padrão; CV:
Coeficiente de variação; S: assimetria e K: curtose.

Variáveis CV
N Máx. Mín. Média ± EP DP S K
Alométricas (%)
DAP (cm) 15 35,01 8,28 17,42 ± 2,09 8,09 46,42 0,8644 0,0916
Altura (m) 15 14 5,5 9,53 ± 0,64 2,46 25,88 0,1926 -0,8087
Altura do Fuste (m) 15 6,2 1 3,59 ± 0,40 1,54 42,73 -0,0156 -0,7162
Área de Copa (m²) 15 63,33 9,9 31,34 ± 4,00 15,48 49,40 0,9630 -0,7491
Os resultados da curtose (K) mostraram que o DAP foi a única variável em que os
dados foram concentrados ao redor da média (K > 0), indicando distribuição de frequência
leptocúrtica. As demais variáveis apresentaram distribuição platicúrtica, com maior amplitude
na distribuição das dimensões (K < 0).
De acordo com o nível de significância (p < 0,05) referentes à correlação de Pearson,
as correlações entre DAP x Altura, DAP x Área de copa, e Altura total x Área de copa foram
positivas e significativas (Tabela 2), mostrando que essas características proporcionam
alterações umas nas outras, onde um aumento ou diminuição dimensional de uma
característica ocasionará o mesmo na outra, sendo benéfico ou prejudicial.

TABELA 2 – Análise de correlação de Pearson para os dados de alometria de uma população de Protium
heptaphyllum. p: nível de significância e rp: correlação de Pearson.
Correlação Pearson
Relação
rp p
DAP x Altura 0,5832 0,0224
DAP x Altura do fuste -0,2634 0,3428
DAP x Área de copa 0,5410 0,0372
Altura total x Altura do fuste -0,0461 0,8703
Altura total x Área de copa 0,5692 0,0267
Altura do fuste x Área de copa -0,2727 0,3254

28
As correlações negativas e não significativas foram observadas entre o DAP x Altura
do fuste, Altura total x Altura do fuste, e Altura do fuste x Área de copa. Ademais, isso mostra
a importância de estimar a biomassa florestal pelo método indireto, não precisando destruir as
plantas (Pessoa & Martins, 2012).

4. Conclusão

Os resultados permitiram compreender a estrutura arbórea de P. heptaphyllum em


ambiente natural. As relações entre as variáveis alométricas forneceram informações
ecológicas importantes sobre o desenvolvimento da espécie, sendo observado que o DAP
influencia positivamente na altura e na área da copa. Além disso, o incremento em altura
total é determinante para a maior área de copa.

5. Agradecimentos
À Fundação de Apoio à Pesquisa no Rio Grande do Norte/Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Fapern/Capes), pelo auxílio financeiro.

6. Literatura Citada
Ayres, M.; Ayres júnior, M.; Ayres, D. L.; Santos, A. S. 2007. BioEstat: aplicações
estatísticas nas áreas de ciências biométricas. Versão 5.0. Belém: Sociedade Civil
Mamirauá, MCT-CNPq.
Daly, D.C. 2015. Burseraceae in lista de espécies da flora do Brasil. Jardim Botânico do
Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB68>.
Acesso em: 30 Ago. 2017.
Carvalho, K. M. M. B.; Marinho filho, J. D. B.; Melo, T. S.; Araújo, A. J.; Quetz, J. S.;
Cunha, M. P. S. S.; Melo, K. M.; Silva, A. A. C. A.; Tomé, A. R.; Havt, A.; Fonseca, S. G.
C.; Brito, G. A. C.; Chaves, M. H.; Rao, V. S.; Santos, F. A. The resin from Protium
heptaphyllum prevents high-fat diet-induced obesity in mice: scientific evidence and
potential mechanisms. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. v. 2015,
p. 1-13, 2015.
Carvalho, K. M. M. B.; Melo, T. S.; Melo, K. M.; Quinderé, A. L. G.; Oliveira, F. T. B.;
Viana, A. F. S. C.; Nunes, P. I. G.; Quetz, J. S.; Viana, D. A.; Silva, A. A. C. A.; Havt, A.;
Fonseca, S. G. C.; Chaves, M. H.; Rao, V. S.; Santos, F. A. Amyrins from Protium

29
heptaphyllum reduce high-fat diet-induced obesity in mice via modulation of enzymatic,
hormonal and inflammatory responses. Planta Medica, v. 83, p. 285-291, 2017.
Cestaro, L. A. Fragmentos de Florestas Atlânticas no Rio Grande do Norte: relações
estruturais, florísticas e fitogeográficas. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos,
2002. 164 p. Tese Doutorado.
EMPARN. Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte. Disponível em:
<www.emparn.rn.gov.br>. Acesso em: 31 jul. 2017.
IBGE. Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de Janeiro: IBGE. 1992. 91 p. (Manuais
técnicos em Geociências, 1).
Martinelli, G.; Moraes, M. A. Livro vermelho da flora do Brasil. 1. ed. - Rio de Janeiro.
2013. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 1102p.
Mendonça, G. C.; Chichorro, J. F.; Mendonça, A. R.; Guimarães, L. A. O. P. Avaliação
silvicultural de dez espécies nativas da Mata Atlântica. Ciência Florestal, v. 27, p. 277-290,
2017.
Mobin, M.; Lima, S. G.; Almeida, L. T. G.; Takahashi, J. P.; Teles, J. B.; Szeszs, M. W.;
Martins, M. A.; Carvalho, A. A.; Melhem, M. S. C. MDGC-MS analysis of essential oils
from Protium heptaphyllum (Aubl.) and their antifungal activity against Candida specie.
Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 18, p. 531-538, 2016.
Pessoa, S. G.; Martins, M. A. Sequestro de carbono em região de Cerrado em Mato
Grosso: contribuição para o equilíbrio do clima. Connection line, v. 12, p. 1-16, 2015.
Tito, M. R.; León, M., C.; Porro, R. Manual Técnico 11. Guia para Determinação de
Carbono em Pequenas Propriedades Rurais. ICRAF/ Consórcio Iniciativa Amazônica (IA)
Belém, PA: Alves. ISBN: 978-92-9059-248-8. 2009, 81p.

30
Análise de percepção ambiental da Área de Preservação Ambiental
Jenipabu, em Extremoz/RN

Alex Nascimento de Sousa1, Allyson Gomes da Silva², Caio Matos Rosa³, Lucas Matias de Souza
Frutuoso4, Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo Carnaval 5
1-2-4-5
Universidade Federal do Rio Grande do Norte ¹(alexndsousa@gmail.com), ²(allyson-
gomes@hotmail.com), 4(lucasmatias.77@live.com),
5
(tatianekellyengenheira@hotmail.com);³Universidade Federal de Santa Catarina
³(caiomatosrosa@gmail.com)

RESUMO: As Unidades de Conservação (UC) são regiões que por Lei, precisam ser
tratadas de forma especial. Dentro deste grupo encontram-se as de Uso Sustentável sendo
a Área de Proteção Ambiental pertencente a esta categoria. Na tentativa de criar um
diálogo com a população foi realizado um estudo de percepção, que respondam questões
acerca de preservação e concepção ambiental. De acordo com isso o objetivo do trabalho
é avaliar a percepção ambiental da população que visita a Área de Preservação
Ambiental Jenipabu. A metodologia que orientou este trabalho envolveu pesquisas
bibliográficas, e a aplicação de um roteiro semiestruturado em forma de questionário.
Dispunha de 16 perguntas, sendo 15 objetivas e 1 aberta. Foi visto que 100% dos
entrevistados consideram que é importante conservar e preservar as áreas naturais
protegidas e que quase 1/3 não sabem o que é uma APA. Mais da metade dos
entrevistados não viram nenhuma placa de sinalização. Porém, foi visto que é difícil essa
conscientização devido aos vários anos de estabelecimento do comércio e pela falta de
fiscalização.

Palavras-chave: turismo, fiscalização, área protegida

1. Introdução

As Unidades de Conservação (UC) são regiões que merecem e precisam ser


tratadas de forma especial, quando se diz respeito à proteção e manejo adequados de seus
atributos físicos, biológicos, de beleza cênica ou capacidade recreativa. Dentro do grupo
das Unidades de Conservação (UC) de Uso Sustentável temos a Área de Proteção
Ambiental. Esta categoria são espaços de planejamento e gestão ambiental de extensas
áreas que possuem ecossistemas de importância regional. Nelas podem coexistir áreas
urbanas e rurais, consequentemente, atividades socioeconômicas e culturais (Silva & Aché,
2004).

De acordo com a Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000, estabelece que a


APA possua certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos,

31
estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das
populações humanas. Deste modo, as Unidades de Conservação têm sido decisivas na
formulação da estratégia de proteção da biodiversidade, do meio natural e arquitetônico e
de interesses socioambientais globais e locais (Andrade e Iadanza, 2016).

A partir deste conhecimento teórico, é visto que muitas áreas protegidas são
desconhecidas pela população que acaba influenciando na gestão e no controle da
conservação. Deste modo, a percepção ambiental pode subsidiar um importante
diagnóstico da situação de uma comunidade em relação ao meio, avaliando o valor dado
aos diversos recursos naturais e serviços ecossistêmicos (Munari et al., 2016)

Por estes motivos, o trabalho objetiva avaliar a percepção ambiental da população


que visita uma Área de Preservação Ambiental, localizada no estado do Rio Grande do
Norte, que possui o turismo como prática de atividade econômica.

2. Material e Métodos
A Área de Proteção Ambiental Jenipabu foi criada através do Decreto Estadual N°
12.620 de 17 de Maio de 1995, onde fica delimitado que a região situada nos municípios
de Extremoz e Natal, seria uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável. A área
possui um conselho gestor, criado pelo Decreto Estadual N° 19.139 de 05 de Junho de
2006.

A metodologia que orientou este trabalho envolveu pesquisas bibliográficas, e a


aplicação de um roteiro semiestruturado em forma de questionário, para as análises
qualitativas. As entrevistas foram realizadas em dois dias de uma semana de baixa
temporada, sendo: um deles em um dia útil e o outro no final de semana.

Os questionários estavam organizados de forma a facilitar a sua aplicação, e foram


escritos voltados para quem estava na APA a passeio, e não as pessoas que estavam no
local a trabalho, por este motivo a área escolhida para aplicar os questionários foi o
próximo as barracas, a duna e o mar. Dispunham de 16 perguntas, sendo 15 objetivas e 1
aberta. As perguntas visavam descobrir sobre o entrevistado: a faixa etária, o grau de
escolaridade, a cidade de origem, o que entende por meio ambiente, a opinião sobre o
estado atual do meio ambiente brasileiro, o conhecimento sobre Área de Proteção

32
Ambiental, se considera importante conservar e preservar Áreas Naturais Protegidas e o
motivo disso (aberta), se sabe que aquela área pertence à uma APA, se visualizou alguma
placa de sinalização sobre a APA, se considera que a área está ambientalmente
conservada, se subiu as dunas no local sinalizado como proibido, e se caso houvesse mais
sinalização pararia de subir nas dunas.

FIGURA 1. Limite da Área de Proteção Ambiental Jenipabu (APAJ), localizada em Extremoz/RN.

3. Resultados e Discussão
Foi visto que a faixa etária dos entrevistados variava em 18-25 (30,8%), 26-30
(19,2%) e cima de 40 anos (19,2%). A escolaridade também variou, sendo o maior
resultado os entrevistados com ensino médio completo (38,5%) e menor quantidade com
fundamental incompleto (3,9%) e doutorado incompleto (3,9%).

Na tabela 1 estão expressos os resultados em porcentagem da avaliação dos


entrevistados. Onde 100% dos perguntados consideram importante conservar e preservar
áreas naturais protegidas, porém, 30,8% não sabe o que são essas áreas. Quando
questionados se possuíam a ciência da região ser uma Área de Proteção Ambiental (APA)

33
57,7% afirmaram que sim, e para 73,1% dos mesmos não consideram a localidade bem
conservada. De acordo com Oliveira (2017) verificou-se que as comunidades do entorno
tem conhecimento de que o local que moram faz parte de uma APA, mas que para tal
entendimento foi necessário bastante tempo.

TABELA 1. Valores dos questionários correspondentes às avaliações do entrevistado

%
Quesitos da avaliação da Área de Proteção Ambiental
Sim Não
Considera importante conserva e preservar áreas naturais protegidas. 100 0
Sabem o que é uma área de proteção ambiental. 69,2 30,8
Ciência que essa é uma área de proteção ambiental. 57,7 42,3
Visualizou alguma placa sinalizando que essa área é uma APA 30,8 69,2
Consideram ambientalmente conservadas. 26,9 73,1
Já escalaram pelo no mínimo uma vez as dunas 46,2 53,8

Se houvesse sinalização clara informando que se trata de uma APA, e por isso, não se pode
61,5 38,5
subir nas dunas pararia ou evitaria com a prática.

De acordo com a tabela 1 ainda se pode observar que 69,2% dos entrevistados não
conseguiram visualizar nenhuma placa informativa sobre a APA, demonstrando que a
unidade de conservação não é bem sinalizada. Quando perguntados se teriam escalado
alguma vez as dunas 46,2% afirmaram que sim. Porém, na ocasião em que se foi
questionado se pararia e/ou evitaria a prática de escalar as dunas com sinalização clara
sobre a restrição 38,5% dos interrogados afirmaram que continuariam com o ato incorreto.
Oliveira (2017) afirma que no decorrer do tempo a região foi sofrendo alterações, e que a
fiscalização precisa melhorar, para que a conservação seja realizada já que essa é uma área
vulnerável a impactos.

Quando colocado á pergunta referente à avaliação para as questões relativas ao


meio ambiente brasileiro, 7,7% consideram bom, 26,9% estável e 64,5% considera ruim e
péssimo.

Com o presente estudo constatamos que 100% dos entrevistados consideram que é
importante conservar e preservar as áreas naturais protegidas e que quase 1/3 não sabem o
que é uma APA. De acordo com Ryland & Brandon (2005) Unidades de Conservação são

34
a chave para conservar o que ainda resta.

4. Conclusão
A partir dos resultados encontrados com a aplicação dos questionários, conclui-se que
é perceptível verificar que existe um resultado positivo na percepção ambiental da
população que frequenta a região da Área de Preservação Ambiental Jenipabu.
Demonstrando que a população possui conhecimento sobre sustentabilidade, e que deve
preservar a área.

5. Literatura citada
Munari, A. B.; Assunção, V. K.; Menezes, C. T. B. A Memória e A Percepção Ambiental
Como Instrumentos de Educação Ambiental: Estudo de Casos da Lagoa das Capivaras –
Garopaba – Sc, 2016.
Andrade, M. P.; Iadanza, E. E. S. Unidades de Conservação no Brasil: Algumas
Considerações e Desafios. Revista de Extensão e Estudos Rurais, Viçosa, v. 5, n. 1, p.81-
96, 2016.
Oliveira, W. A.. Turismo, Unidades de Conservação e Inclusão Social: Uma análise da
Área de Proteção Ambiental Recifes de Corais (APARC) e Área de Proteção Ambiental
Jenipabu (APAJ), RN. 2017. 121 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Turismo,
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/rn, 2017.

Rylands, A. B.; Brandon, K. (2005). Unidades de conservação brasileiras.


Megadiversidade, 1(1). Recuperado em 2012 ,
http://www.conservacao.org/publicacoes/files/06_rylands_brandon.pdf

Silva, I. X.; Aché, L. M. A gestão das Apas: áreas de proteção ambiental no Estado de São
Paulo. In: Congresso Brasileiro De Geógrafos “Setenta Anos da AGB: As Transformações
do Espaço e a Geografia no Século XXI”, 6, 2004, Caderno de Resumos: Gioânia: UFG,
2004.

35
Análise de percepção socioambiental do público do Parque Estadual
Dunas do Natal

Cyntia Suellen de Araújo Alves 1, Túlio Brenner Freitas da Silva2, Marcela Cristina Pereira dos
Santos3, Vital Caetano Barbosa Junior4, Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo Carnaval5

1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (cyntia.sull@hotmail.com),
2
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (tuliobrenner29@gmail.com)
3
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (marcelacpsantos@hotmail.com)
4
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (vital.caetano_uf@outlook.com)
5
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (tatianekellyengenheira@hotmail.com)

RESUMO: A unidade de conservação Parque das Dunas tem papel fundamental na


qualidade de vida da população, pois é bastante utilizada como área de lazer com suas
trilhas, atividades culturais e esportivas, além de proporcionar ambientes de diversão
familiar. É nesse sentido que o presente trabalho teve como objetivo analisar e comparar a
percepção socioambiental do público frequentador do parque com suas relações de uso. A
metodologia utilizada foi estruturada em questionários com perguntas objetivas afim de
diagnosticar o público frequentador, forma de utilização do parque e qual o nível de
conhecimento social sobre a importância de uma Unidade de Conservação. Foram
entrevistadas 30 pessoas de modo aleatório, sem distinção de gênero, sexo ou idade. Os
resultados mostram uma variedade social do público frequentador e todos mostraram-se
preocupados com a integridade do espaço, porem foi possível concluir que o público
frequentador ainda possui uma percepção socioambiental sobre a importância do parque
como Unidade de Conservação muito frágil.

Palavras-chave: unidade de conservação, diversidade, flora, fauna, proteção

1. Introdução

Com criação no ano de 1977 e o título de primeira Unidade de Conservação do


Rio Grande do Norte, o Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves" está
localizado na área urbana do município, com extensão de 1.172 hectares. É considerado o
maior parque urbano sobre dunas no Brasil e possui uma rica diversidade de espécies,
exercendo um papel fundamental na qualidade de vida da população, pois é bastante
utilizado como área de lazer com suas trilhas, atividades culturais e esportivas, além de
proporcionar ambientes de diversão familiar (BRYCKAERT, 2015).

A lei 9.985 do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC,

36
2000) configura Unidades de Conservação (UCs) como sendo um espaço territorial e seus
recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais
relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e
limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias
adequadas de proteção.

No Brasil, a implementação de áreas protegidas é a única maneira legal de


preservar e conservar áreas naturais. Os parques fazem parte da categoria de Proteção
Integral das Unidades de Conservação e prevê “a preservação de ecossistemas naturais de
grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas
científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, de recreação em contato com a
natureza e de turismo ecológico” (SNUC, 2000).

Nesse sentido o presente trabalho tem como objetivo analisar a percepção


socioambiental dos frequentadores do Parque Estadual Dunas do Natal de acordo com seu
conhecimento de vida e, consequentemente, qual a responsabilidade enquanto sociedade
civil, no intuito de contribuir para o debate das reflexões teóricas e metodológicas acerca
das relações homem-natureza.

2. Materiais e Métodos
Levando em consideração que um bom instrumento de coleta de informações deve
responder às perguntas da avaliação, mostrando como satisfatório na obtenção dos
resultados a metodologia seguiu duas etapas complementares: a primeira parte foi a
discussão e elaboração de questionários dos alunos em sala, identificando o foco da
pesquisa, e o segundo foi por meio da aplicação dos questionários de “avaliação do Parque
pelo visitante”, coletando informações e opiniões do público que possam ser utilizadas
para avaliar possíveis mudanças internas afim de melhorar a estrutura do Parque.
Foram elaborados um total de 30 questionários às pessoas que visitaram o local em
dias de semana e fim de semana, sem distinção de gênero, idade ou formação, escolhidos
de forma aleatória no período de 12 a 15 de abril de 2018. Posteriormente a esta etapa, os
dados foram compilados e inseridos em planilhas para cálculo da frequência das respostas
obtidas.

37
3. Resultado e discussão
Na análise dos dados contidos nos formulários aplicados em entrevista aos
visitantes do Parque Dunas do Natal, os entrevistados consideraram o espaço de
fundamental importância para garantir a preservação ambiental na cidade, assim como
também proporcionar um local alternativo de lazer e prática desportiva.
Segundo Castro et al. (2007), a preservação de ambientes urbanos é de grande
importância, uma vez que serve de aproximação da população local a sentir-se cercado
pela natureza, tratando a natureza com respeito, aprender sobre a conservação da natureza
Do total de entrevistados 56,66% eram mulheres e 43,33% homens, como mostra o
Gráfico 1, com idade média de 21 a mais de 35 anos, Gráfico 2. Destes, 33,33% com
ensino médio completo, 46,67% com ensino superior completo e 20% com ensino superior
incompleto, Gráfico 3.

GRÁFICO 1. Gênero dos entrevistados GRÁFICO 2. Faixa etária dos entrevistados

GRÁFICO 3. Nível de escolaridade dos entrevistados

38
No tocante à frequência no parque, a maior parte dos entrevistados o visitaram mais
de uma vez e na maioria das vezes com intuitos diferentes, como encontros religiosos,
esporte e principalmente o lazer. Entretanto, o papel ambiental do Parque ainda é
esquecido pela população, pois algumas pessoas não sabiam que se tratava de uma
Unidade de Conservação.
Foi constatado, como mostra o Gráfico 4, que 93% do público nunca assistiu às
palestras educacionais oferecidas pelo Parque, assim como 33% não tinham o
conhecimento da existência dessas palestras, mesmo a educação ambiental (E.A) sendo
classificada como atividade mais importante do parque pelos entrevistados, seguido pela
proteção à fauna e flora local, participação social e fiscalização.

GRÁFICO 4. Atividade mais importante relatada pelos entrevistados.

Com relação a estrutura física do parque todos os entrevistados enfatizaram a falta


de banheiros e poucas placas indicando sua direção, do mesmo modo em que o público
reclamou da falta de iluminação, falta de aulas interativas e educativas, e apresentações
culturais, além da divulgação das atividades realizadas no local.
Outro ponto a ser mencionado é de a população desconhecer a responsabilidade da
administração e conservação do Parque, uma vez que o dever é da gestão administrativa,
enquanto a conservação é uma obrigação de colaboração coletiva em todas as esferas da
sociedade, sendo nós os responsáveis tanto em denunciar irregularidades por elas

39
presenciadas, quanto dos órgãos responsáveis em manter, gerir e prestar manutenção as
Unidades de Conservação. É preciso construir políticas e ações de sensibilização coletiva
acerca dos espaços verdes urbanos, a exemplo do parque, para que se consolide mentes
conscientes e fiscalizadoras das irregularidades ambientais e sociais.

4. Conclusão
A partir da realização do trabalho conclui-se que o público frequentador ainda
possui uma percepção socioambiental sobre a importância do parque como Unidade de
Conservação muito frágil. A consciência sobre o espaço ainda é individual e perceptível
apenas no que se relaciona com a forma como cada um utiliza o espaço. Existe um
consenso sobre a riqueza do município em possuir um espaço verde, porem no tocante a
fiscalização e cuidado, as responsabilidades enquanto sociedade civil são inteiramente
desconhecidas.

5. Literatura Citada
Bryckaert, l. m. c. As condições de parques urbanos para atender a atividade turística:
um estudo sobre o Parque das Dunas - Natal/Rn. 2015. 87 F. Tcc (Graduação) - Curso de
Turismo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2015

Castro, j. f.; Faria, h. h.; Pires, a. s.; Silva, f. a. s. O perfil dos visitantes do Parque Estadual
do Morro do Diabo (PEMD – SP). I seminário de iniciação científica do instituto florestal.
Pg. 1-4, 2007.

Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC; Lei 9.985 de 18 de julho de 2000;


Ministério do Meio Ambiente. Aceso em 25 de abril de 2018.

Tuan, y. Topofilia.: Um estudo da percepção. Atitudes e valores do meio ambiente. Eduel,


2012. 342 p.

Whyte, l. l. The Unconscious Before Freud. Palgrave Macmillan, 1979.

40
Análise de solo em uma floresta de caatinga de estágio sucessional
intermediário

Isabel Sousa da Fonseca e Silva1, Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo2, Jacob Silva Souto3
1-2
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 3Universidade Federal de Campina Grande.
(isaaou@gmail.com1), (tatianekellyengenheira@hotmail.com2), (jacob_souto@yahoo.com.br3)

RESUMO: A constituição química dos solos, atrelado a presença de água é um dos


fatores essenciais para o bom desenvolvimento de plântulas. O presente estudo teve como
objetivo analisar a composição química do solo, de uma floresta em estágio sucessional
intermediário, em diferentes posições. Esse experimento foi conduzido no período de
dezembro de 2007 a dezembro de 2008 na Fazenda Tamanduá, município de Santa
Terezinha – PB. Ao final do período chuvoso na região a coleta foi realiza, em agosto de
2008, utilizando-se trado a uma profundidade de 0 - 20 cm. A fim de avaliar o estágio
sucessional intermediário de vegetação, quanto à disponibilidade de nutrientes no solo, foi
coletado dentro das subparcelas três amostras de solos, sendo elas: abaixo da copa (A.C.),
na borda da copa (B.C.), e fora da copa (F.C.) em três árvores dentro de cada parcela,
escolhidas aleatoriamente, totalizando vinte e sete coletas de solos. Durante a análise
verificou-se baixos teores de fósforo no solo. Em virtude dos teores elevados de Ca, Mg e
K, tem-se uma elevada saturação em bases (V%), sendo os solos classificados como
eutróficos. Concluiu-se que não há diferença na qualidade química do solo nas diferentes
situações analisadas.

Palavras-chave: floresta seca, química do solo, solos eutróficos

1. Introdução
O Brasil é um país de grande extensão territorial o que faz com que sua diversidade
seja extremamente rica. Por esses motivos possui seis grandes biomas e um deles a
caatinga. Este é um bioma exclusivamente brasileiro, se localiza prioritariamente no
nordeste, mas possui uma pequena parcela no sudeste (norte do estado de Minas Gerais).
As chuvas são irregularmente distribuídas ao longo do ano (de três a cinco meses) com a
precipitação anual variando de 300 a 800 mm, havendo déficit hídrico durante a maior
parte dos meses (Machado et al., 2003). Sua extensão é de aproximadamente 10% do
território nacional, totalizando 734 mil km2 (Silva et al., 2004).
De acordo com Becerra et al. (2015) a sazonalidade climática da região,
especialmente a precipitação, influencia diretamente na sazonalidade da vegetação e seu
ciclo de crescimento. Já alterações causadas devido ao desmatamento em toda caatinga a

41
fazem ser o terceiro bioma brasileiro mais degradado, perdendo apenas para a Floresta
Atlântica e o Cerrado (Myers et al., 2000). Por fim, esse trabalho teve como objetivo
avaliar a fertilidade do solo de uma floresta em estágio sucessional intermediário, em
diferentes posições.

2. Material e Métodos
2.1 Área experimental
O experimento foi conduzido no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2008
na Fazenda Tamanduá, município de Santa Terezinha – PB, nas coordenadas geográficas
de 07 ° 00 ' 00 " S e 37 ° 23 ' 00 " W. O clima da região, de acordo com a classificação de
Köppen, é do tipo BSh, ou seja, quente e seco. A altitude média da área experimental é de
200 m.

2.2 Parcelas amostradas e suas respectivas descrições


As parcelas foram cercadas, e no interior das mesmas foi delimitada uma
subparcela de 20m x 50m, com o objetivo de manter uma área (10m de largura) para a
movimentação do pessoal técnico na coleta de dados, causando o mínimo de dano à
vegetação.

2.3 Estágio sucessional intermediário


Ao consultar histórico da área viu-se que ela foi utilizada como pastagem para o
gado ou para fins agrícolas, protegidas contra o fogo e cercadas para manter o gado no
exterior ocasionando na regeneração natural para os últimos 10 a 15 anos. Estas áreas
contêm principalmente arbustos e árvores com DAP (diâmetro a altura do peito) de até 5
cm e c altura em relação a superfície de 1,30m

2.4 Coleta de Solo, delineamento e análises estatísticas


Ao final do período chuvoso na região, a coleta foi realiza, em agosto de 2008,
utilizando-se trado a uma profundidade de 0 - 20 cm. A fim de avaliar o estágio sucessional
intermediário de vegetação, quanto à disponibilidade de nutrientes no solo, foi coletado

42
dentro das subparcelas três amostras de solos abaixo da copa (A.C.), na borda da copa
(B.C.), e fora da copa (F.C.), em três árvores escolhidas aleatoriamente no interior de cada
parcela, totalizando vinte e sete coletas de solos. Todas as amostras coletadas na mesma
posição, A.C., B.C. e F.C. foram homogeneizadas, a fim de representar toda a parcela e
suas respectivas posições.
Após a coleta, o solo foi misturado, identificado e posto para secar por um período
de 72h ao ar livre, até a total perda de umidade; e depois peneirado, em seguida foram
acondicionados em sacos plásticos e encaminhados para o Laboratório de Análises do Solo
e Água CSTR/UFCG, onde foram analisados: pH, fósforo (P), cálcio (Ca), magnésio
(Mg), potássio (K), sódio (Na), hidrogênio + alumínio (H + Al), SB (Soma de bases), CTC
(capacidade de trocas catiônicas) e V% seguindo metodologia descrita em EMBRAPA
(2007).
Em seguida, os dados foram submetidos à análise de variância e posteriormente, a
uma análise de regressão, o software utilizado foi a SAS.

3. Resultados e Discussão
As análises químicas das camadas de solo (0 - 20 cm) (Tabela 1) destaca-se que não
houve diferença significativa entre as variáveis analisadas (posições de coleta). Os níveis
de P foram considerados muito baixos, valores superiores a estes foram encontrados por
Souto (2006) na RPPN da Fazenda Tamanduá, área esta próxima as parcelas onde foi
conduzido o presente estudo.
No Brasil, assim como na maioria das regiões tropicais, os solos sofrem com a falta
de macronutrientes, principalmente o fósforo, ocorre assim, a exigência da reposição desse
nutriente por adubação fosfatada (Pinheiro et al., 2014), para tornar as áreas produtivas.
Sua presença no solo é indispensável para o crescimento e produção vegetal, pois contribui
para o crescimento prematuro das raízes, qualidade de frutas, verduras, grãos e formação
das sementes.

43
Os teores de K encontrados são considerados altos (> 30 cmc.dm-3). No que se
refere aos teores de Ca e Mg, os quais estão estreitamente relacionados com o pH do solo,
verifica-se que os teores destes nutrientes podem ser considerados altos.

TABELA 1. Valores médios dos atributos químicos dos solos no estágio sucessional intermediário em três
posições (abaixo da copa, na borda da copa e fora da copa).

ANÁLISE QUÍMICA
pH P Ca Mg K Na H+Al SB CTC V
Local
(CaCl2) (mg.dm- ----------------------- cmolc.dm-3---------------------------- %
3
)
A.C. 5,8a 3,1a 5,20a 1,87a 0,48a 0,31a 2,40a 7,85a 10,3a 76,10a
B.C. 6,1a 3,7a 4,46a 1,90a 0,47a 0,32a 2,40a 7,16a 9,56a 73,90a
F.C. 5,7a 2,9a 4,50a 1,76a 0,42a 0,28a 2,10a 6,94a 9,06a 74,60a

Em virtude dos teores elevados de Ca, Mg e K, tem-se uma elevada saturação em


bases (V%), conforme constatado na tabela 1, sendo os solos classificados como
eutróficos.

4. Conclusão
Não há diferença na qualidade química do solo nas diferentes situações analisadas.

5. Agradecimentos
À Capes/CNPQ, pelo auxílio financeiro.

6. Literatura Citada

Becerra J. A. B.; Carvalho, S.; Ometto, J. P. H. B. Relação das sazonalidades da


precipitação e da vegetação no bioma Caatinga: abordagem multitemporal. Anais XVII
Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, João Pessoa-PB, Brasil, INPE, 25
a 29 de abril de 2015.

44
Braga, D. F.; Oliveira, F. H. T.; Santos, H. C.; Araújo, A. P.; Zonta, E. Nitrogen and
phosphorus fertilization of sunflower crop in alkaline Cambisol. Rev. bras. eng. agríc.
ambient., Campina Grande , v. 22, n. 2, p. 101-106, Feb. 2018.
Machado, I. C.; Lopes, A. V. Recursos Florais e Sistemas De Polinização e Sexuais Em
Caatinga. Ecologia e conservação da caatinga, Recife: Ed. Universitária da UFPE, p.515-
564, 2003.
Myers, N; Mittermeier, R. A; Mittermeier, C. G; Fonseca, G. A. B; Kent, J. Biodiversity
hotspots for conservation priorities. Nature, n 403, p.853-859, 2000.
Pinheiro, D. P.; Lima E. V.; Fernandes, A. R.; Santos, W. M.; Leitão-Lima, O. S. (2014)
Productivity of Marandu grass as a function of liming and phosphate fertilization in a
Typic Hapludult from Amazonia. Revista de Ciências Agrárias/Amazonian. Journal of
Agricultural and Environmental Sciences, [S.l.], v.57, n.1, p.49-56, fev.2014.
Silva, J. M. C.; Tabarelli, M.; Fonseca, M. T.; Lins, L. V. (org). Biodiversidade da
Caatinga: áreas e ações prioritárias para a conservação. Brasília (DF):
MMA/UFPE/Conservation International – Biodiversitas – Embrapa Semi-árido, 382p,
2004.
Souto, P. C. Acumulação e decomposição de serapilheira e distribuição de organismos
edáficos em área de caatinga na Paraíba, Brasil. Tese (Doutorado em Agronomia) –
Universidade Federal da Paraíba, p.150, 2006.
Souto, P. C.; Souto, J. S.; Santos, R. V.; Bakke, I. A.; Sales, F. C. V.; Souza, B. V. Taxa de
decomposição da serapilheira e atividade microbiana em área de Caatinga. CERNE,
v.19, n.4, p. 559-565, dez. 2013. https://dx.doi.org/10.1590/S0104-77602013000400005
Souza, B. I.; Artigas, R. C.; Lima, E. R. V. Caatinga e Desertificação. Mercator, Fortaleza,
v.14, n.1, p.131-150, jan./abr. 2015. http://dx.doi.org/10.4215/RM2015.1401. 0009
Teixeira, S. O.; Teixeira, R. O.; Santos, V. B.; Carvalho, M. A. C.; Yamashita, O. M..
Doses de fósforo e nitrogênio na produção de Brachiaria híbrida cv. Mulato II. Rev. Ceres,
Viçosa, v.65, n.1, p.28-34, fev. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/0034-
737x201865010005.

45
Análise espacial da fragmentação florestal utilizando a linguagem R

Juliana Marchesan 1, Elisiane Alba1, Rudiney Soares Pereira1


1
Universidade Federal de Santa Maria. E-mails: marchesan.ju@gmail.com,
elisianealba@gmail.com, rudiney.s.pereira@gmail.com

RESUMO: Numerosas tecnologias de processamento de imagens em sensoriamento


remoto produzem informações que permitem diagnosticar a real situação do uso e
cobertura da terra. Os procedimentos utilizados na classificação das imagens permitem
apresentar espacialmente as classes temáticas, no entanto, quando se necessita estudar
alguns parâmetros associados à estrutura da paisagem como forma, tamanho, distância,
conexões, bordas, vizinhanças, entre outros, os aplicativos de processamento de imagens
têm limitações técnicas de solução. Neste contexto, o trabalho teve por objetivo
desenvolver um pacote em linguagem R para análise da fragmentação florestal por meio
do cálculo de métricas de ecologia da paisagem. O pacote foi denominado de Landscape
Metrics e utilizou como base de desenvolvimento os pacotes igraph, raster, rgdal, rgeos,
devtools, roxigen2 e Rtools. O banco de dados para a aplicação do pacote Landscape
Metrics originou-se de dados de imagens do sensor REIS, satélite RapidEye com a
definição de duas classes de uso e cobertura da terra, floresta nativa e outros usos. Os
fragmentos florestais existentes na área totalizaram 1.995 os quais abrangeram uma área
de 14.099,89 ha. Entre outras conclusões, o desenvolvimento do pacote R chamado
Landscape Metrics provou ser uma ferramenta eficiente e promissora para a análise
espacial de dados obtidos de sistemas de sensoriamento remoto.

Palavras-chave: métricas de ecologia da paisagem, remanescentes florestais, software R,


RapidEye

1. Introdução
Por diversos anos os desmatamentos vêm ocasionando a destruição dos recursos
naturais devido ao processo de antropização. Com isso, a floresta nativa foi cedendo
espaço para outros usos acarretando na fragmentação dos maciços florestais gerando
diversos impactos negativos no meio ambiente. Entre estes, a extinção de espécies da fauna
e da flora, erosão dos solos, assoreamento dos cursos de água e mudanças climáticas locais
(Rudolpho et al., 2013), além de causar isolamento de espécies, perda de habitat, efeitos de
borda, diminuição da biodiversidade e invasão de espécies exóticas (Calegari et al., 2010).
Desse modo, é visível a necessidade de estudos que caracterizem espacialmente a
distribuição dos fragmentos florestais com o intuito de desenvolver estratégias de
conservação dos mesmos (Pirovani, 2010). Neste âmbito insere-se as métricas de ecologia
da paisagem que auxiliam no entendimento da estrutura da paisagem.

46
De modo a contribuir com os estudos da paisagem, diferentes softwares fornecem
métodos para analisar a estrutura da paisagem baseados em imagens de satélite e técnicas
de sensoriamento remoto (Zaragozí et al., 2012). Contudo, os autores relatam que entre os
quesitos mais importantes de um software é ser de código aberto, uma vez que promovem
melhor interação entre projetos futuros ou já existentes. Neste contexto, o R possui
diversas vantagens que o torna uma ferramenta promissora, pois é flexível no tipo de dado
para análise, é livre e permite que os usuários alterem as funções (Muenchen, 2011).
Contudo, funções em linguagem R para o cálculo de métricas de ecologia da
paisagem são incipientes, assim, é necessário a implementação de funções para suprir esta
necessidade. Com isso, o presente estudo teve por objetivo desenvolver um pacote em
linguagem R para análise da fragmentação florestal, por meio do cálculo de métricas de
ecologia da paisagem.

2. Material e Métodos
As funções compreenderam métricas que não fossem redundantes com o intuito de
englobar diferentes grupos. Dessa forma, as métricas abrangeram os seguintes grupos:
métricas de área e densidade, forma, borda, área central e de proximidade, conforme a
Tabela 1. O cálculo das métricas baseou-se nas fórmulas descritas por McGarigal & Marks
(1994).
Para o desenvolvimento das funções necessitou-se dos pacotes raster (Hijmans,
2017) versão 2.6-7, rgdal (Bivand et al., 2017) versão1.2-16, rgeos (Bivand & Rundel,
2017) versão 0.3-26 e igraph (Csardi& Nepusz, 2006) versão 1.0.1. Utilizou-se o ambiente
de desenvolvimento integrado a linguagem R versão 3.4.3 (R Development Core Team,
2017). Posteriormente as funções foram compiladas em um pacote, o qual foi denominado
Landscape Metrics, empregando-se os pacotes devtools, roxigen2 and Rtools.
De modo a obter maior confiabilidade nos dados gerados, cada função foi
desenvolvida e utilizada em uma área conhecida que permitisse a realização dos cálculos
manualmente. Posteriormente, as funções foram aplicadas a uma imagem do sensor Reis,
satélite RapidEye, obtidas através de um projeto entre a Universidade Federal de Santa
Maria e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SINDITABACO). A imagem foi
classificada usando o algoritmo de Bhattacharyya com 99% de aceitação e duas classes de

47
uso e cobertura do solo foram definidas como floresta nativa e outros usos.

TABELA 1. Métricas utilizadas no desenvolvimento das funções em linguagem R.


Grupo Métrica Sigla Unidade
Área da classe CA ha
densidade

Número de fragmentos NP -
Área e

Tamanho médio dos fragmentos MPS ha


Desvio padrão do tamanho do fragmentos PSSD ha
Variância do tamanho do fragmento PSCOV %
Borda total TE m
Borda

Densidade de borda ED m/ha-1

Índice de forma da paisagem LSI -


Índice de forma médio MSI -
Forma

Índice de forma de área média ponderada AWMSI -


Dimensão fractal do fragmento médio MPFD -
Razão Perímetro-Área Média MPAR m/ha-1
Área central total TCA ha
central
Área

Número de áreas centrais NCA -


Área central média MCA ha
Índice de área central total TCAI %
midade
Proxi-

Distância Média do Vizinho Mais Próximo MNN m

Fonte: McGarigal& Marks (1994).

3. Resultados e Discussão

Com o intuito de tornar as funções de fácil utilização, procurou-se o seu


desenvolvimento de tal forma que necessitasse de poucos parâmetros de entrada. Dessa
forma, as funções precisam apenas do arquivo raster (contendo a classe temática que se
deseja calcular as métricas), com exceção da densidade de borda que requer ainda o valor
total da área de estudo, em hectares. Cada função tem uma sigla específica, sendo
necessária sua digitação para obter a métrica correspondente, conforme exposto na Tabela
1.
Para que seja possível calcular as métricas desejadas em um primeiro momento
deve-se importar o arquivo raster, lembrando que este deve conter a classe temática que se
pretende obter os resultados. Para a importação da imagem utiliza-se o seguinte comando:

48
Em que “Class.tif” correspondente à nomenclatura da imagem importada em
formato .tif.Como exemplo tem-se o cálculo do número de fragmentos (NP), o qual deve-
se proceder da seguinte forma:

Assim, o valor gerado para o NP é o número de fragmentos existentes na área.


Outro exemplo é a obtenção da densidade de borda (ED), para a qual se deve proceder de
forma distinta das demais métricas, uma vez que necessita informar a área total de estudo
juntamente com o nome do arquivo raster, conforme o comando a seguir:

Desse modo, com os exemplos expostos é possível perceber a facilidade da


obtenção de cada métrica, tendo como parâmetro de entrada apenas o arquivo raster
contendo a classe temática na qual se pretende calcular.

4. Conclusão

Com o desenvolvimento do presente trabalho notou-se que a linguagem R é


promissora para análise espacial de dados provenientes do sensoriamento remoto, a qual
permitiu gerar resultados confiáveis. O pacote desenvolvido é de fácil utilização, na qual as
funções necessitam apenas do arquivo raster como parâmetro de entrada, sendo possível
calcular diversas métricas de ecologia da paisagem.

5. Literatura Citada

Bivand, R.S.; Keitt, T.; Rowlingson, B. rgdal: Bindings for the Geospatial Data
Abstraction Library. R package v. 1.2-16.2017. https://CRAN.R-
project.org/package=rgdal.16 jan. 2018.
Bivand R.S.; Rundel, C. rgeos: Interface to Geometry Engine - Open Source (GEOS). R
package, v. 0.3-26. 2017. https://CRAN.R-project.org/package=rgeos. 16 jan. 2016.
Calegari, L.; Martins, S. V.; Cleriani, J.M., Silva, E.; Busato, L.C. 2010. Dinâmica de
fragmentos florestais no município de Carandaí, MG, para fins de restauração florestal.
Revista Árvore, v. 34, n. 5, p. 871-880, 2010.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-67622010000500012. 07
fev. 2018.

49
Csardi G., Nepusz T. The igraph software package for complex network research.
InterJournal, Complex Systems 1695. 2006. http://igraph.org.16 jan. 2016.
Hijmans, R.J. raster: Geographic Data Analysis and Modeling. R package v. 2.6-7. 2017.
https://CRAN.R-project.org/package=raster.16 jan. 2016.
McGarigal, K.; Marks, B.J. Fragstats: Spatial pattern analysis program for quantifying
landscape structure. Reference manual. 60 p.1994. Forest Science Department Oregon
State University. Corvallis Oregon.
http://www.umass.edu/landeco/pubs/mcgarigal.marks.1995.pdf. 14 fev. 2018.
Muenchen, R.A. R for SAS and SPSS Users. Springer: New York, ed.3, 2011. 685p.
Pirovani, D.B. Fragmentação florestal, dinâmica e ecologia da paisagem nabacia
hidrográfica do Rio Itapemirim, ES. 2010. 121 p. Tese (Doutorado em Ciências Florestais)
- Universidade Federal do Espírito Santo, Jerônimo Monteiro, ES, 2010.
R Development Core Team. R: A Language and Environment for Statistical Computing.
Vienna: R Foundation for Statistical Computing. 2017.
Rudolpho, L.S.; Braghirolli, G.; Refosco, J.C.; Santiago, A.G.; Saboya, R.T. Aplicação de
técnicas de geoprocessamento e métricas dapaisagem na análise temporal da cobertura
florestal da Bacia do Ribeirão Fortaleza emBlumenau/SC. In: SIMPOSIO BRASILEIRO
DE SENSORIAMENTO REMOTO, 16., 2013, Foz do Iguaçu, PR. Anais eletrônicos....
Foz do Iguaçu: INPE,2013.p. 1742-
1749.https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/101007. 04 fev. 2018.
Zaragozí, B.; Belda, A.; Linares, J.; Martínez-Pérez, J.E.; Navarro, J.T.; Esparza, J. A free
and open source programming library for landscape metrics calculations. Environmental
Modelling & Software. v. 31, p. 131 – 141,
2012.https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364815211002209. 07 fev. 2018.

50
Análise estrutural do componente arbóreo em fragmento de Floresta
Atlântica, Pernambuco

Weydson Nyllys Cavalcante Raulino 1, Yana Souza Lopes2, César Henrique Alves Borges 3, Uaine
Maria Felix dos Santos4, Lucidalva Ferreira Sobrinho 5, Ana Lícia Patriota Feliciano6
1
UFRPE (weydsoncavalcante@gmail.com), 2UFRPE (yanalopes0618@gmail.com), 3UFRPE
(cesarhenrique27@yahoo.com.br), 4UFRPE (uaine83@yahoo.com.br), 5UFRPE
(lucidalva.engflorestal@gmail.com), 6UFRPE (ana.feliciano@ufrpe.br)

RESUMO: A Mata Atlântica é considerada uma das áreas mais ricas em


biodiversidade do planeta. Contudo, vem sendo continuadamente ameaçada,
devendo receber estratégias que visem sua restauração e conservação. Deste
modo, o objetivo deste trabal ho foi avaliar a estrutura diamétrica e
hipsométrica de um fragmento localizado no município de Goiana,
Pernambuco. Para isso, foram alocadas 10 parcelas de 10m x 25m, em que os
indivíduos com altura maior ou igual a 5,0 m e circunferência a altura do
peito (CAP) igual ou maior que 15cm foram amostrados. Com a análise
diamétrica e hipsométrica realizada, pode -se observar que os indivíduos se
concentraram principalmente nas primeiras classes de diâmetro e altura,
sugerindo que a área, atualmente, é composta por indivíduos que atingiram a
maturidade em tempo recente.

Palavras-chave: Mata Atlântica, estrutura diamétrica, estrutura hipsométrica

1. Introdução
A Mata Atlântica é considerada um dos hotspots mundiais, visto que contempla
uma das mais ricas biodiversidades da Terra, que vem sendo, porém, severamente e
progressivamente ameaçada em virtude de séculos de ocupação e encontra-se altamente
fragmentada. Boa parte de sua cobertura original desapareceu, restando aproximadamente
11,73% de florestas (Ribeiro et al., 2009; SFB, 2013). Deste modo, o entendimento dos
processos ecológicos e dinâmicos das populações vegetais são requisitos que visam
desenvolver estratégias de conservação e manejo para proteger os recursos naturais e a
diversidade remanescente nesses ambientes.
O estudo do diagnóstico da estrutura horizontal de uma floresta é importante para
perceber o seu estágio de desenvolvimento e conservação, podendo ser realizado através da
análise de distribuição diamétrica, que é um recurso utilizado em muitos trabalhos,
independentemente da região e do tipo de florestas, para alcance de diferentes objetivos

51
(Lima & Leão, 2013). A avaliação da estrutura vertical também se destaca, visto que pode
fornecer informações importantes que auxiliem no manejo florestal (Souza et al., 2003).
Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi analisar a estrutura diamétrica e
hipsométrica de um fragmento de mata atlântica localizado no município de Goiana, PE.

2. Material e Métodos
O presente estudo foi desenvolvido em um fragmento de mata atlântica de
aproximadamente 51,32 hectares. A área está localizada na Estação Experimental de
Itapirema, pertencente ao Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Goiana, PE.
Para possibilitar a identificação e classificação das espécies foram alocadas
aleatoriamente 10 parcelas de 10m x 25m, em que os indivíduos com altura maior ou igual
a 5,0 m e circunferência a altura do peito (CAP) igual ou maior que 15cm foram
amostrados.
A avaliação estrutural hipsométrica do fragmento ocorreu dividindo a vegetação em
três classes, representando 0-50%, 50-80% e 80-100% da altura total máxima,
respectivamente e a estrutura diamétrica foi distribuída em 7 classes com intervalos de 5
cm entre elas.

3. Resultados e Discussão
Em termos de estrutura diamétrica, para este estudo foram encontradas sete classes,
a primeira classe abrangeu os indivíduos de 3 a 8 cm e a última classe ≥ 35,5 cm. Como
pode-se perceber na Figura 1, a curva seguiu uma distribuição em “J invertido”, padrão de
florestas nativas, seguindo uma tendência progressiva decrescente, como descrito por
(Lima & Leão, 2013; Longhi et al., 2017).
Resultados semelhantes a este foram encontrados por Alves et al. (2013) em uma
área na fazenda Alto da Cruz, município de Bom Jesus Piauí e por Batista et al. (2012) em
um fragmento de floresta atlântica no município de Moreno, em Pernambuco. Vieira et al.
(2014), descreve que é o comportamento típico de muitas florestas.
Estes resultados indicam que o fragmento é composto por indivíduos que atingiram
a maturidade em tempo recente. De acordo com Eisfeld et al. (2014), este tipo de
distribuição da floresta é o mais desejável, de maneira que permite que os indivíduos
continuem participando da dinâmica natural.

52
FIGURA 1. Distribuição diamétrica dos indivíduos arbóreos amostrados em fragmento de floresta
atlântica Goiana, Pernambuco 2017.

Para melhor compreensão da dinâmica das florestas tropicais em relação à sua


estrutura, é necessário conhecer a comunidade que as compõem (Marangon et al., 2008).
Desta forma foram analisadas as dez espécies com maior VI.
Das dez espécies selecionadas, a maior parte apresentou resultados semelhantes à
disposição geral, apenas Tapirira guianensis, Lecythis pisonis e Clusia nemorosa não
seguiram a distribuição em J-invertido.
Em relação à estrutura hipsométrica, realizou-se a distribuição em três classes, em
que a primeira contemplou indivíduos com altura ≤ 11,5, a segunda indivíduos de 11,5 a
18,4 cm e a terceira indivíduos com altura entre 18,4 e 23,1 cm. Deste modo, observou-se
que a maioria dos indivíduos (69,62%) estão concentrados na primeira classe, 27,75% na
segunda e 2,63% na terceira classe (Figura 2). Estes resultados coincidem com os
normalmente encontrados em florestas tropicais, que apresentam o maior número de
indivíduos nos estrados inferiores, caracterizando uma distribuição exponencial negativa
(Turchetto et al., 2015), corroborando também com os resultados encontrados por Batista
et al. (2012).
Assim como para a distribuição diamétrica, realizou-se também a análise
hipsométrica para as dez espécies de maior VI. Deste modo, observou-se que a maioria das
espécies encontram-se nas primeiras classes, com exceção de Tapirira guianensis e Clusia
nemorosa, com concentração maior na classe dois, demostrando que a maior parte dos
indivíduos da classe dois encontram-se em um estágio mais avançado de sucessão quando
comparado aos demais.

53
FIGURA 2. Distribuição hipsométrica dos indivíduos arbóreos amostrados em fragmento de floresta atlântica
Goiana, Pernambuco 2017.

Apenas Eschweilera ovata, Licythis pisonis e Cocooloba mollis apresentaram


representantes na classe três. Isto mostra que tais espécies possuem mais indivíduos que
atingiram a maturidade. Lambrecht et al. (2016) descreve que, a baixa representatividade
das outras espécies na maior classe de altura pode indicar uma maior exigência nutricional
ou luminosidade.

4. Considerações Finais
Na análise estrutural realizada no fragmento de mata atlântica, tem-se que, a maior
parte dos indivíduos encontram-se distribuídos nas primeiras classes de diâmetro e altura,
levando a indicar que o fragmento é composto, principalmente, por indivíduos que
atingiram a maturidade recentemente. Este tipo de distribuição da floresta é desejável por
permitir que os indivíduos florestais continuem participando da dinâmica natural no
sistema florestal.

5. Literatura Citada

Alves. A. R.; Ribeiro, I. B.; Sousa, J. R. L.; Barros, S. S.; Sousa, P. S. Análise da
estrutura vegetacional em uma área de caatinga no Município de Bom Jesus, Piauí.
Revista Caatinga, v. 26, n. 4, p. 99 – 106, 2013.

Batista, A. P. B.; Marangon, L. C.; Lima, R. B. L.; Santos, R. C. Baracho Júnior, E.


Estrutura fitossociológica, diamétrica e hipsométrica da comunidade arbórea de um
fragmento de floresta atlântica no Município de Moreno, Pernambuco, Brasil. Revista
Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v. 7, n. 5, p, 114 -120, 2012.

54
Floresta do Brasil em Resumo – 2013: dados de 2007 – 2012. SFB – Serviço Florestal
Brasileiro. Brasília, 188p. 2013.

Lambrecht, F. R.; Dallabrida, J. P.; Trautenmuller, J. W.; Carli, L.; Burgin, M. R. B.;
Fortes, F. DE O. Florística e estrutura em área de floresta estacional decidual na
região do Alto Uruguais, RS. Brazilian Journal of Biosystems Engineering. v. 10, n.
2, p. 198-209, 2016.

Lima, J. P. C.; Leão, J. R. A. Dinâmica de crescimento e distribuição diamétrica de


fragmentos de florestas nativa e plantada na Amazônia Sul Ocidental. Revista Floresta e
Ambiente, v. 20, n. 1, p. 70 – 79, 2013.
Longhi, R. V.; Schneider, P. R.; Lira, D. F. S.; Lisboa, G. S. Projeção da distribuição
diamétrica em floresta com araucária explorada seletivamente no Sul do Brasil. Revista
Agrária, v. 12, n. 2, p. 210 – 219, 2017.

Marangon, L. C.; Feliciano, A. L. P.; Brandão, C. F. L. S.; Alves Júnior, F. T. Relações


florísticas, estrutura diamétrica e hipsométrica de um fragmento de floresta estacional
semidecidual em Viçosa (MG). Floresta, v. 38, n. 4, p. 699-709, 2008.

Ribeiro, M. C.; Metzger, J. P.; Martensen, A. C.; Ponzoni, F. J.; Hirota, M. M. The
Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed?
Implications for conservation. Biological Conservation, v. 142, p. 1141-1153, 2009.

Souza, D. R.; Souza, A. L.; Gama, J. R. V.; Leite, H. G. Emprego de análise multivariada
para estratificação vertical de florestas inequiâneas. Revista Árvore, v. 27, n.1, p. 59-63,
2003.
Turchetto, F.; Callegaro, R. M.; Conte, B.; Pertuzzatti, A.; Griebeler, A. M. Estrutura de
um fragmento de Floresta Estacional Decidual na região do Alto-Uruguai, RS. Revista
Brasileira de Ciências Agrárias, v. 10, n. 2, p. 280-285, 2015.

Vieira, D. S.; Gama, J. R. V.; Ribeiro, R. B. S.; Ximenes, L. C.; Corrêa, V. V.; Alves, A. F.
Comparação estrutural entre floresta manejada e não manejada na comunidade Santo
Antônio, estado do Pará. Revista Ciência Florestal, v. 24, n. 4, p. 1067 - 1074, 2014.

55
Análise morfométrica da bacia hidrográfica do rio Capibaribe, PE,
Brasil

Giselle Lemos Moreira1, José Antônio Aleixo da Silva1, Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira¹, Flavio
Cipriano de Assis do Carmo2, Emmanoella Costa Guaraná Araujo1; Luan Henrique Barbosa de
Araujo1
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (celly_eng.florestal@hotmail.com,
jaaleixo@gmail.com, rinaldo.ferreira@ufrpe.com, manuguarana.engflorestal@gmail.com,
araujo.lhb@gmail.com), 2Universidade Federal de Campina Grande (flaviocipriano@hotmail.com)

RESUMO: Objetivou-se com esta pesquisa delimitar a bacia hidrográfica do rio


Capibaribe, PE e analisar suas características morfométricas. A delimitação da bacia foi
realizada com o auxílio do ArcGIS 10.3®, a partir da extensão ArcHydro Tools e em
seguida, foram estimados os parâmetros morfométricos para a caracterização da área de
estudo. A bacia hidrográfica do rio Capibaribe apresenta forma alongada e estreita, não
sendo propicia a enchentes; o padrão de drenagem dendrítico proporciona a atenuação da
erosão, corroborando com o resultado encontrado pelo índice de rugosidade; a densidade
de drenagem indicou que a bacia apresenta um sistema de drenagem pouco desenvolvido e
a predominância do relevo forte ondulado, o que favorece o escoamento superficial. O
baixo percentual de vegetação nativa remanescente pode contribuir para o processo de
erosão e assoreamento de rios.

Palavras-chave:enchentes, escoamento superficial, manejo de bacias

1. Introdução
As alterações do meio ambiente oriundas de ações antrópicas, tais como a alteração
da cobertura vegetal e da topografia do terreno, associadas a outros fatores, podem
desestabilizar os serviços hidrológicos fornecidos pelos ecossistemas e ocasionar, em
alguns casos, desastres naturais como as enchentes (Qiu & Turner, 2015; Moreira et al.,
2017).
Para compreender os processos que ocorrem na superfície terrestre, a bacia
hidrográfica se torna a unidade apropriada para diversos estudos, sendo considerada ideal
para gestão sustentável dos recursos naturais (Farhan et al., 2015).
Além das mudanças antrópicas, a geração da inundação também é ocasionada por
fatores relacionados tanto à precipitação, como intensidade, duração e distribuição da
chuva, assim como às características morfométricas da própria bacia, tais como, área,
forma e comprimento.
Os parâmetros morfométricos são aspectos físicos, geográficos e topográficos da

56
bacia hidrográfica e que contribuem para o entendimento do comportamento hidrológico
local e regional da bacia, bem como, auxiliam na tomada de decisão de gestores
ambientais.
Neste contexto, objetivou-se com esta pesquisa delimitar automaticamente a bacia
hidrográfica do rio Capibaribe, PE, bem como, analisar suas características morfométricas.

2. Material e Métodos
A bacia hidrográfica do rio Capibaribe (BHRC) está localizada na porção nordeste
do Estado de Pernambuco, entre as coordenadas geográficas 07º 41’20” e 08º 19’30” de
latitude Sul, e 34º 51’ 00” e 36º 41’ 58” de longitude Oeste, contemplando 42 municípios e
uma área de 7.454,88 km² que representa 7,58% da área do Estado (APAC, 2018) (Figura
1).
A BHRC contempla as regiões Agreste, Mata e Litoral do Estado de Pernambuco,
onde é possível observar um ambiente complexo, percorrendo uma grande variedade de
solos, relevo, clima e vegetação (Caatinga e Mata Atlântica). O rio Capibaribe apresenta
um regime fluvial intermitente nos seus alto e médio cursos, tornando-se perene somente a
partir do município de Limoeiro, no seu baixo curso (APAC, 2018).
A manipulação dos dados, a delimitação da bacia do rio Capibaribe e o cálculo dos
parâmetros morfométricos foram realizadas no software ArcGIS 10.3®, licença student e
com auxílio da extensão ArcHydro Tools, disponível no site da ESRI.
Para a delimitação automática da bacia em estudo, foram utilizados os produtos
ASTER GDEM (Global Digital Elevation Model), que constituem informações
altimétricas, com resolução espacial de 30 metros, derivada do satélite TERRA – EOS e
que são disponibilizadas gratuitamente no site do Serviço Geológico dos Estados Unidos
(USGS).
Após a delimitação da BHRC, foram estimados os seguintes parâmetros
morfométricos para a caracterização da bacia: área de drenagem, perímetro, coeficiente de
compacidade, fator de forma, índice de circularidade, padrão de drenagem, comprimento
dos cursos d’água, densidade de drenagem, índice de rugosidade, ordem dos cursos d’água,
altitude e declividade.

3. Resultados e Discussão

57
A BHRC, resultante da delimitação automática, obteve uma área de 7454,3099 Km², com
perímetro de 657,5180 Km (Figura 1, Tabela 1).

FIGURA 1. Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe, PE.

Pernambuco

7°40'0"S
7454,3099 Km²

Ü
Declividade (% ) % de área

0-3 Plano 8,30


3-8 Suave
31,01
Ondulado

8°0'0"S
8-20 Ondulado 40,82
Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe
20-45 Forte
17,89
Ondulado
45-75
1,89 0 12,5 25 km
Montanhoso

8°20'0"S
>75 Escarpado 0,09 Datum: SIRGAS 2000

36°30'0"O 36°0'0"O 35°30'0"O 35°0'0"O

Por meio da Figura 1, pode-se observar que a área obtida pela delimitação
automática da bacia é bem similar à área relatada pela APAC (2018), o que demonstra,
neste caso, que a utilização conjunta do SIG e sensoriamento remoto para auxiliar na
gestão e análise ambiental é eficiente.
TABELA 1. Parâmetros Morfométricos da Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe, PE.
Parâmetros morfométricos
Área de drenagem total (A) 7454,3099 Km²
Perímetro total (P) 657,5180 Km
Coeficiente de compacidade (Kc) 2,1324
Fator de forma (Kf) 0,0916
Índice de circularidade (IC) 0,2167
Padrão de drenagem Dendrítico
Densidade de drenagem (Dd) 1,7293 Km/Km²
Índice de rugosidade (Ct) 1,8763
Comprimento do curso d’água principal (L) 285,2981 Km
Comprimento do talvegue (Lt) 198,1527 Km
Comprimento total dos cursos d’água (Ltotal) 12890,8259 Km
Ordem dos cursos d’água 7ª
Altitude máxima 1085 m
Altitude mínima 0m
Amplitude altimétrica (Hm) 1085 m
Declividade média 7,4167 °
Declividade máxima 89,9515 °
Declividade mínima 0°

58
Os valores encontrados para os parâmetros Kc, Kf e IC, demonstram que a BHRC
possui formato alongado e estreito, ou seja, é pouco suscetível a grandes inundações, pois
menor será a possibilidade da ocorrência de chuvas em toda a sua extensão. Este formato
alongado também favorece o processo de escoamento superficial.
Observa-se ainda que a BHRC apresenta um padrão de drenagem dendrítico, com
grau 7 de ramificação, sendo considerada bem ramificada. Isto indica que a erosão
ocasional é bem distribuída, não havendo concentração em nenhuma área específica, de
forma que minimiza a ocorrência de erosão intensa, como as voçorocas. Em relação ao Ct,
o mesmo foi considerado baixo e pouco representativo, indicando que a BHRC possui
baixa propensão à erosão, corroborando com os resultados encontrados pelos parâmetros
anteriores.
Entretanto, segundo classificação proposta por Christofoletti (1980), o parâmetro Dd
foi considerado baixo, o que indica que a bacia apresenta um sistema de drenagem pouco
desenvolvido, comprometendo a eficiência da drenagem da bacia. Este parâmetro é
considerado importante na análise da bacia, uma vez que reflete a influência conjunta do
clima, da vegetação, do relevo, do tipo de solo, entre outros fatores, no sistema de
drenagem, e está relacionado com o tempo que leva para a saída do escoamento superficial
da bacia.
Observa-se ainda na Figura 1 que aproximadamente 41% da área possui relevo
ondulado, o que reflete diretamente na velocidade do escoamento superficial, de forma a
acelerar o a chegada da água da chuva aos leitos fluviais que compõem a rede de
drenagem, bem como, pode contribuir no processo de erosão em locais sem cobertura
vegetal.
Com base nesta análise, pode-se observar que a BHRC não é propensa a ocorrência
de inundações. Entretanto, problemas identificados na avaliação ambiental de algumas
regiões da bacia, contribuem para a inversão do quadro. A cidade do Recife por exemplo,
sofre com inundações de forma recorrente. Isto se deve, em grande parte, pela falta de
planejamento no decorrer do crescimento urbano, uma vez que, rios e regiões de mangues
deram espaço aos aterros, nos quais, inúmeras formas de construções foram erguidas,
obstruindo o fluxo de drenagem das águas pluviais.

59
Outro fator importante a se considerar é que na BHRC áreas com vegetação nativa
são escassas e hoje as unidades de conservação (UC) reúnem menos de 0,1% da área de
bacia (Pernambuco, 2018). Desta forma, com o baixo percentual de vegetação nativa, é
necessário que os órgãos competentes intensifiquem a fiscalização ambiental para
minimizar o desmatamento em desacordo com a legislação florestal brasileira e promovam
campanhas e projetos de reflorestamento, principalmente das Áreas de Preservação
Permanentes, visando aumentar o percentual de áreas florestal na BHRC que possam
contribuir para a regularização do regime de rios e melhoria na qualidade da água.

4. Conclusão

A BHRC possui forma alongada, não sendo propensa a inundações. O padrão de


drenagem dendrítico proporciona a atenuação de erosões mais severa. O sistema de
drenagem apresentou grau 7 de ramificação, contudo, o valor obtido para o parâmetro
densidade de drenagem indica que a bacia apresenta um sistema de drenagem pouco
desenvolvido. A predominância do relevo ondulado favorece o escoamento superficial na
maior parte da bacia, entretanto o baixo percentual de vegetação nativa conservada pode
contribuir para a erosão e assoreamento de rios.

5. Literatura Citada

Agência Pernambucana de Águas e Clima – APAC. Bacia do Rio Capibaribe. 2018.


http://www.apac.pe.gov.br/pagina.php?page_id=5&subpage_id=14. 10 fev. 2018.
Christofoletti, A. Geomorfologia. Edgard Blucher Ltda: São Paulo, ed.2, 1980. 188p.
Farhan, Y.; Anbar, A.; Enaba, O.; Al-Shaikh, N. Quantitative analysis of geomorphometric
parameters of Wadi Kerak, Jordan, using remote sensing and GIS. Journal of Water
Resource and Protection. v. 7, p. 456-475, 2015.
Moreira, G.L.; Araújo, E.A.; Andrade, M.S.S.; Lima, M.C.D.; Oliveira, F.R. Análise
morfométrica da bacia hidrográfica do rio Alegre, ES, Brasil. Agropecuária Científica no
Semiárido, v.12, n.4, p.403-409, 2017.
Pernambuco. Bacia Capibaribe. 2018. http://www.sirh.srh.pe.gov.br/hidroambiental/bacia_
capibaribe/index.php/tomo2/cobertura_vegetal. 10 fev. 2018.

60
Qiu, J., Turner, M.G. Importance of landscape heterogeneity in sustaining hydrologic
ecosystem services in an agricultural watershed. Ecosphere, v.6, n.11, p.1-19, 2015.

61
Análise quali-quantitativa da arborização urbana do Bairro
Laguinho, Macapá-Amapá-Brasil

Patrícia dos Santos Chaves1, Cyntia Leiliane Neves das graças 1, Camila de
Oliveira e Silva1, Sebastião Chaves Favacho², Breno Marques da silva e Silva 1

¹UEAP (patyscfavacho@gmail.com), 1UEAP (cyntia.anny@gmail.com),


1
UEAP (kamilaoliveira@gmail.com), ²UNIFAP (favachosc@gmail.com),
1
UEAP (breno.silva@ueap.edu.br)

RESUMO: Este trabalho teve como objetivo realizar análise quali -


quantitativa da arborização urbana do Bairro Laguinho, Macapá -AP, por
meio do inventário 100%. Para tanto, as variáveis avaliadas foram:
frequência do número de árvores, diâmetro a altura do peito (DA P), altura
total e copa das espécies. Foram identificados 272 indivíduos, distribuídos
em 22 espécies, com a predominância de 6 espécies, correspondendo a um
percentual de 85% destas, sendo a espécie Mangifera indica L. a mais
representativa. Os indivíduos apresentaram DAP maior que 10 cm,
destacando-se os centros de classes 23,33 e 56,33 cm. As classes de altura
do bairro do Laguinho mostraram que existem duas alturas dominantes que
variam de 5,8 e 8,0 m. Os dados deste estudo mostraram que o maior
comprimento de copa está na classe de 4,92 m, isso significa que as
árvores com maior concentração de copa nesses valores podem influenciar
nos problemas como: visibilidad e de semáforos, dificultam o tráfego, o
visual das fachadas das casas e prédios e na fiação elétrica. Portanto, o
Bairro Laguinho é predominantemente arborizado pela espécie de nome
científico Mangifera indica L. representando 45,9% do total de plantas.

Palavras-chave: inventário, planejamento urbano, Mangifera indica L.

1. Introdução
A arborização urbana é um quesito importante para proporcionar um ambiente
físico saudável e está relacionada com a presença de espécies vegetais em espaços
públicos como parques, ruas, avenidas, jardins e praças. Atua sobre o conforto humano
no ambiente por meio das características naturais das espécies, sendo desta maneira, um
tema que vem se destacando nas discussões sobre os problemas das cidades, na busca de
maior qualidade de vida para a população (Westphal, 2000).

As prefeituras em sua maioria,deixam de realizar planejamento adequado da


arborização urbana, além da escassez de estudos sobre a diversidade de espécies

62
1
vegetais em áreas urbanas, o que resulta na dificuldade de comparações entre as mesmas
e para a própria população, muitas vezes, se encarregarem de fazer o plantio árvores em
vias públicas, tornando a arborização irregular, descontínua e inadequada na maioria
dos municípios, além de apresentarem problemas de espaço com fiações elétricas,
encanamentos, calhas, calçamentos, muros, postes de iluminação; são muito comuns de
serem visualizados e provocam, na grande maioria das vezes, um manejo inadequado e
prejudicial às árvores ocorrendo em muitos casos o plantio de espécies exóticas (Santos
et al., 2013).

O inventário quanti-qualitativo da arborização urbana é um instrumento muito


útil para que se conheça a variedade e a situação dos indivíduos arbóreos de um
determinado local, e consiste na observação em campo de vários parâmetros
relacionados às árvores e ao meio físico, tais como o porte da árvore; fitossanidade;
necessidades de manejo; conflitos com as redes aéreas, construções e outras estruturas
urbanas; espaço físico disponível para plantio (Mazioli, 2012).

Tendo em vista a carência de estudos de arborização na cidade de Macapá, o


presente trabalho teve como objetivo analisar quali-quantitativamente a arborização do
bairro do Laguinho – Macapá – AP mostrando o perfil da arborização urbana por meio
de estudo de percepção.

2. Materiais e Métodos
O estudo foi realizado no Bairro Laguinho, no município de Macapá, capital do
Estado do Amapá, Brasil. A coleta de dados foi realizada por meio de visitas aos locais, no
mês de Outubro de 2017 à Fevereiro de 2018. Os registros das informações foram feitos
com auxílio de máquina fotográfica, anotações, GPS, fita métrica e planilhas. O modelo da
planilha foi igual para todos os locais. As espécies foram identificadas com consultas a
literatura. Após a coleta dos dados, os mesmos foram processados no programa Microsoft
Excel® versão 2010 para a realização da análise descritiva.
3. Resultados e Discussão

63
2
No inventário quali-quantitativo constatou-se 272 indivíduos, distribuídos em 22
espécies, com a predominância de 6 espécies, correspondendo a um percentual de 85%
destas, como mostra a Figura 1. Sendo que apenas 15% das árvores estão distribuídas
entre os outros 272 indivíduos.

FIGURA 1. Frequência do número de árvores do Bairro Laguinho

Fonte: FAVACHO, S. C.
Os indivíduos apresentaram DAP maior que 10 cm, demonstrados nos centros de
classe descritos na Figura 2, destacando-se os centros de classes 23,33 e 56,33 cm. Um
estudo realizado em Lavras da Mangabeira/CE constatou que o maior número de
árvores presentes foi abaixo de 10 cm indicando uma recente arborização (Calixto
Júnior et al 2009).
FIGURA 2. Classe de diâmetro de árvores do Bairro Laguinho

64
3
Fonte: GRAÇAS, C.L.N, FAVACHO, S. C

Os dados demostram que a arborização do bairro do Laguinho é antiga, e podem causar


diversos danos, tais como: rachaduras nas vias públicas, que se torna um inconveniente
para a trafegabilidade e podem impedir na sinalização de trânsito.

As classes de altura do bairro do Laguinho mostraram que existem duas alturas


dominantes que variam de 5,8 e 8,0 m Figura 3 e 4. Alturas acima de 6 e inferior a 11
metros podem compromete diretamente a rede de fiação elétrica (Rocha et al., 2004). O
comprimento das copas das árvores também influenciam na visibilidade de semáforos,
dificultam o trafego, o visual das fachadas das casas e prédios e na fiação elétrica. Os
dados deste estudo mostraram que o maior comprimento de copa está na classe de 4,92
m Figura 4), isso significa que no bairro do Laguinho as árvores com maior
concentração de copa nesses valores podem influenciar nos problemas citados acima.

FIGURA 3A e 3B. Classe de altura e classe de copa das arvores do bairro Laguinho

Fonte: GRAÇAS, C.L.N, FAVACHO, S. C

Com as características encontradas foi possível observar, que devido o diâmetro


e altura mais representativos muitas calçadas encontram-se estragadas e possuem
conflito com a fiação elétrica.

4. Considerações Finais
O bairro do Laguinho é predominantemente arborizado pela espécie de nome
científico Mangifera indica L. conhecida popularmente por Mangueira, a mesma

65
4
apresentou o maior número com 125 árvores, representando 45,9% do total de plantas
analisadas. A arborização do Bairro Laguinho é antiga e ocorreu a falta do planejamento
para a realização da mesma o que evidencia a necessidade de novos planejamentos para
a cidade de Macapá, em especial para o Bairro Laguinho.

5. Literatura Citada

Andreatta, T. R.; Backes, F. A. A. L.; Bellé, R. A.; Neuhaus, M.; Girardi, L. B.;
Schwab, N. T.; Brandão, B. S. Análise da arborização no contexto urbano de avenidas
de Santa Maria, RS. REVSBAU, v.6, n.1, p.36-50, 2011.

Calixto Júnior, J.A; Santana, G. M; Lira Filho, J. A. Análise quantitativa da arborização


urbana de Lavras da Mangabeira, CE, Nordeste do Brasil. Revista da Sociedade
Brasileira de Arborização Urbana, v. 4, p. 99 citation_lastpage109, 2009.

Dantas I.C. & Souza, C.M.C. Arborização urbana na cidade de Campina Grande- PB:
Inventário e suas espécies. Revista de Biologia e Ciências da Terra. v.4, n.2, 2004.

Lacerda, M. A., Soares, S. F., Costa, J. P. M., Medeiros, S. R., de Medeiros, E. N., de
Carvalho, J. A., & da Silva, Z. L. Levantamento florístico da arborização urbana nas
principais vias públicas do município de Boa Ventura–PB. Revista Brasileira de Gestão
Ambiental, v. 7, n. 4, p. 12-16, 2014.

Mazioli, B. C. Inventário e diagnóstico da arborização urbana de dois bairros da cidade


de Cachoeiro do Itapemirim, ES. 2012. 53f. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Engenharia Florestais) – Universidade Federal do Espírito Santo,
Jerônimo Monteiro, 2012.

Santos, E. M.; Silveira, B. D.; Souza, A. C.; Schmitz, V.; Silva, A. C.; Higuchi, P.
Análise quali-quantitativa da arborização urbana em Lages, SC. Revista de Ciências
Agroveterinárias, v. 12, n. 1, p. 59-67, 2013.

Westphal, M. F. o movimento cidades/municípios saudáveis: um compromisso com a


qualidade de vida. Ciência e saúde coletiva, v.5, n.1, p.39-51, 2000.

66
5
Análise quantitativa da arborização da Praça Casa Forte em Recife, PE

Camila Costa da Nóbrega1, Luan Henrique Barbosa de Araújo 2, César Henrique Alves Borges 2,
Lyanne dos Santos Alencar 2
1
Universidade Federal da Paraíba – UFPB. E-mail: camila_cnobrega@hotmail.com, 2 Universidade
Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. E-mails: araujo.lhb@gmail.com,
cesarhenrique27@yahoo.com.br, lyanne.florestal@hotmail.com

RESUMO: Objetivou-se analisar quantitativamente a vegetação arbórea presente na


Praça Casa Forte localizada na cidade de Recife-PE, a fim de fornecer subsídios para o
manejo de áreas verdes da cidade. Procedeu-se a identificação e mensuração do diâmetro
médio, altura e a área das copas de todos os indivíduos com CAP ≥ 15 cm. Em seguida,
calculou-se o percentual de cobertura vegetal e classificou-se a vegetação quanto à
origem e quanto ao porte arbóreo. Foram catalogados 120 indivíduos distribuídos em 27
espécies, pertencentes a 12 famílias botânicas. 44,3% das espécies encontradas na praça
são nativas. 48,2% exóticas e o restante (7,5%) espécies não identificadas. As espécies
Filicium decipiens e Delonix regia apresentaram maior proporção de indivíduos. O
percentual de cobertura vegetal da praça corresponde a 75,1%, apresentando alta
qualidade ambiental. A maior parte dos indivíduos foram classificados como de grande
porte.

Palavras-chave: áreas verdes urbanas, qualidade ambiental, levantamento florístico

1. Introdução
A carência de áreas verdes nos grandes centros urbanos provoca aumento das
temperaturas e reduz a umidade do ar, problemas que podem ser solucionados com
arborização (Souza et al., 2017). Praças, parques e outros tipos de vegetação presente em
uma cidade, com a finalidade de gerar benefícios ao homem e ao ambiente, podem ser
considerados áreas verdes (Nóbrega et al., 2014). A arborização urbana, exerce diversas
funções como a melhoria no microclima, diminuição de poluição do ar, sonora e visual,
abrigo para a fauna, entre outras (Basso & Corrêa, 2014). Objetivou-se analisar
quantitativamente a vegetação arbórea presente na Praça de Casa Forte localizada na zona
urbana da cidade de Recife-PE, a fim de fornecer subsídios para o manejo de áreas verdes
da cidade.

2. Material e Métodos
O estudo foi realizado na Praça de Casa Forte, localizada nas coordenadas
8°02’06.95''S e 34°55'10.04''O, com elevação de 12 m, no município de Recife, PE. O

67
clima da cidade é classificado como tropical úmido, com precipitação média anual em
torno de 1.804,0 mm e temperatura média de 27,6°C, com 74% de umidade relativa do ar.
Foram realizadas visitas semanais ao local de estudo entre os meses de novembro e
dezembro de 2017, onde para a avaliação quantitativa e qualitativa dos indivíduos
arbóreos, catalogaram-se aqueles que apresentaram Circunferência na Altura do Peito
(CAP) ≥ 15 cm. Esses tiveram os comprimentos do caule mensurados com auxílio de fita
métrica e a altura total das árvores (H) foi estimada com auxílio hipsômetro de Christen.
Após as circunferências totais obtidas, esses valores foram transformados em
diâmetro (DAP) para obtenção das classes diamétricas e representação gráfica nos
histogramas dos indivíduos com DAP ≥ 4,78 cm, onde as distribuições dos indivíduos por
classes de diâmetro e o intervalo de classe de amplitude foi determinado com o auxílio do
software Biostat 5.3. A mensuração da área das copas foi determinada a partir da medição
do diâmetro da copa (DC), sendo duas medições, uma no sentido norte-sul e outra no
sentido leste-oeste, com intuito de obter o índice de cobertura arbórea da praça. Em
seguida, foi calculado o Percentual de Cobertura Vegetal (PCV) de acordo com a Equação
sugerida por Abreu et al. (2012). Conforme a metodologia utilizada por Alencar et al.
(2014), os indivíduos arbóreos foram classificados de acordo com o porte em relação à
altura, sendo indivíduos de pequeno porte (até 4 m), médio (de 4 a 7 m) e grande porte
(maior que 7 m).

3. Resultados e Discussão
Foram catalogados 120 indivíduos, em que, 113 são espécies arbóreas e sete são
palmeiras. Esses 120 indivíduos estão distribuídos por 27 espécies, das quais, cinco não
foram identificadas. As 22 espécies identificadas são pertencentes a 12 famílias botânicas.
Entre as árvores, as espécies Filicium decipiens e Delonix regia tiveram maior frequência
relativa na arborização, sendo a primeira responsável por 24,2% do total de indivíduos e a
segunda por 14,2%, excedendo o limite de 10,0% do total de indivíduos da população
arbórea da praça, sugerido por Milano & Dalcin (2000) como uma condição para um
planejamento urbano desejável. Observou-se que a família Fabaceae apresentou a maior
quantidade de espécies, sendo representada por 33,3% das espécies arbóreas presentes na
praça, respectivamente, ultrapassando o valor de 30,0% sugerido por Santamour Júnior

68
(2002), como um valor limite recomendado para espécies da mesma família para um bom
planejamento urbano e com diversidade, valores necessários para garantir a proteção
dessas espécies contra pragas e doenças.

TABELA 1. Espécies registradas na Praça Casa Forte, Recife-PE, 2017.


Nome popular Nome científico Família ni* Freq. (%) Origem
Abricó de Macaco Couroupita guianensis Aubl. Lecythidaceae 4 3,3 Nativa
Cássia-rosa-gigante Cassia grandis L.f. Fabaceae 6 5,0 Nativa
Tabebuia aurea (Silva Manso)
Craibeira Bignoniaceae 3 2,5 Nativa
Benth. & Hook.f. ex S.Moore
Filicium decipiens (Wight &
Felício Sapindaceae 29 24,2 Exótica
Arn.) Thwaites
Flamboyant Delonix regia (Hook.) Raf. Fabaceae 17 14,2 Exótica
Gameleira Ficus elliotiana S. Moore Moraceae 3 2,5 Nativa
Handroanthus albus (Cham.)
Ipê amarelo Bignoniaceae 2 1,7 Nativa
Mattos
Handroanthus impetiginosus
Ipê roxo Bignoniaceae 2 1,7 Nativa
(Mart. ex DC.) Mattos
Syzygium malaccense (L.) Merr.
Jambo vermelho Myrtaceae 1 0,8 Exótica
& L. M. Perry
Lagerstroemia speciosa (L.)
Lagestroemia Lythraceae 4 3,3 Exótica
Pers.
Mangueira Mangifera indica L. Anacardiaceae 1 0,8 Exótica
Palmeira Africana Borassus aethiopum Mart. Arecaceae 3 2,5 Exótica
Roystonea oleracea (Jacq.) O. F.
Palmeira Imperial Arecaceae 1 0,8 Exótica
Cook
Palmeira Rabo de peixe Caryota urens L. Arecaceae 1 0,8 Exótica
Palmeira-macaúba Acrocomia intumescens Drude Arecaceae 2 1,7 Nativa
Paubrasilia echinata (Lam.)
Pau Brasil Fabaceae 2 1,7 Nativa
Gagnon, H.C.Lima & G.P.Lewis
Calycophyllum spruceanum
Pau mulato Rubiaceae 8 6,7 Nativa
(Benth.) K.Schum.
Basiloxylon brasiliensis (All.)
Pau rei Malvaceae 6 5,0 Nativa
K.Schum.
Poincianella pluviosa var.
Sibipiruna peltophoroides (Benth.) Fabaceae 9 7,5 Nativa
L.P.Queiroz
Clitoria fairchildiana R. A.
Sombreiro Fabaceae 5 4,2 Nativa
Howard
Tamarindo Tamarindus indica L. Fabaceae 1 0,8 Exótica
Trapiá Crateva tapia L. Capparaceae 1 0,8 Nativa
Não identificada 1 1 0,8
Não identificada 2 1 0,8
Não identificada 3 1 0,8
Não identificada 4 5 4,2
Não identificada 5 1 0,8
Total 120 100.00
*ni (número de indivíduos)
Constatou-se que 44,3% dos indivíduos presentes na praça são nativas e 48,2%
exóticas, sendo o restante (7,5%) espécies não identificadas, Araújo et al. (2015),

69
encontraram resultados semelhantes, os autores constataram um relativo equilíbrio na
distribuição entre espécies exóticas e nativas. Vale salientar que o uso de plantas exóticas
em grande quantidade, pode causar danos ao meio, ocasionando perda da biodiversidade de
fauna e flora (Sousa Júnior et al., 2015).
3.1 Intervalos de DAP
No estudo realizado, a média aritmética do diâmetro dos indivíduos da praça foi de
44,47 cm, com variação diamétrica entre 6,37 cm (Cassia grandis) 155,97 cm (Ficus
elliotiana). A distribuição de frequência diamétrica destaca uma elevada proporção de
indivíduos com DAP inferior a 64,56 cm, representando 83,33% dos indivíduos (Figura 1).

FIGURA 1. Distribuição dos indivíduos por classe de diâmetro, das espécies registradas na Praça Casa Forte,
Recife-PE, 2017.

40
Porcentagem (%)

30
20
10
0
4.55 |— 24.55 44.55 64.56 84.56 104.57 124.57 144.58
24.55 |— |— |— |— |— |— |—
44.55 64.56 84.56 104.57 124.57 144.58 164.58
Intervalo de diâmetro (cm)

3.2 Porte arbóreo


A média aritmética da altura dos indivíduos na praça foi de 11,5 m, com variação
entre 2,5 e 22,50 m. As espécies que apresentaram menor e maior altura foram a espécie
não identificada 4 e Basiloxylon brasiliensis, respectivamente. Em relação ao porte, 2,5%
dos indivíduos identificados foram classificados em pequeno porte; 13,3% classificados
em médio porte e 84,2% dos indivíduos em grande porte.
3.3 Área da Copa e Percentual de Cobertura Vegetal (PCV)
A média geral encontrada para o diâmetro de copa (DC) foi de 9,72 m, sendo que a
espécie Calycophyllum spruceanum apresentou o menor DC com 1,45 m e 1,65 m² de área
da copa. Já a Mangifera indica apresentou maior diâmetro com 22,00 m e área da copa de
380,13 m2. A área de cobertura vegetal total ocupada pelas copas das árvores atingiu
10.363,94 m², o que corresponde a 75,10% (PCV) da área da praça. De acordo com Borges
et al. (2010), a qualidade ambiental baseada na taxa de cobertura vegetal proporcionada
pelas árvores pode ser classificada em baixa (PCV ≤ 5%), média (10% > PCV < 25%) e

70
alta (PCV > 30%). Baseando-se nessa classificação, a praça é considerada de alta
qualidade ambiental.

4. Conclusão
A praça apresentou boa divisão entre espécies nativas e exóticas, salientando -
se a importância do uso de mais espécies nativas e apresentando alta qualidade
ambiental. A maior parte dos indivíduos foram classificados como de grande porte.

5. Literatura Citada
Abreu, E.L.; Moura, H.F.N.; Lopes, D.S.; Brito, J.S. Análise dos índices de cobertura
vegetal arbórea e sub-arbórea das praças do centro de Teresina-PI. In: 3º Congresso
Brasileiro de Gestão Ambiental, Anais...Goiânia: Ibeas, p.1-11, 2012.
Alencar, L.S.; Souto, P.C.; Moreira, F.T.A.; Souto, J.S.; Borges, C.H.A. Inventário quali-
quantitativo da arborização urbana em São João do Rio do Peixe – PB. Agropecuária
Científica no Semiárido, v. 10, n.2, p.117-124, 2014.
http://revistas.ufcg.edu.br/acsa/index.php/ACSA/article/view/554/pdf. 04 Abr. 2018.
Araújo, L.H.B.; Nóbrega, C.C.; Silva, A.C.F.; Vieira, F.A. Análise quali-quantitativa da
arborização da Praça Pedro Velho, Natal, RN. Agropecuária Científica no Semi-Árido, v.
11, n. 1, p. 65-71, 2015.
Basso, J.M.; Corrêa, R.S. Arborização urbana e qualificação da paisagem. Paisagem e
Ambiente: ENSAIOS, n.34, p.129-148, 2014.
https://www.revistas.usp.br/paam/article/view/97145/96206. 04 Abr. 2018.
Borges, C.A.R.F.; Marim, G.C.; Rodrigues, J.E.C. Análise da cobertura vegetal como
indicador de qualidade ambiental em áreas urbanas: Um estudo de caso do bairro da
Pedreira – Belém/PA. In: 6º Seminário Latino Americano de Geografia Física, ACTAS.
Coimbra: Universidade de Coimbra, p.1-13, 2010.
Milano, M.; Dalcin, E. Arborização de vias públicas. Rio de Janeiro: LIGHT, 2000. 226 p.
Nóbrega, C.C.; Souto, P.C.; Araújo, L.H.B.; Silva, A.C.; Pinto, M.G.C. Análise quanti-
qualitativa das espécies arbóreas presentes no Parque Religioso Cruz da Menina, Patos/PB.
Enciclopédia Biosfera, v.10, n.18, p.299-307, 2014.
Santamour Júnior, F.S. Trees for urban planting: diversity uniformity, and common sense.
Washington: U.S. National Arboretum, Agriculture Research Service, U.S. Department of
Agriculture Washington, D.C. p.57-66, 2002.
Sousa Júnior, E.J.S.; Silva, W.G.; Oliveira Júnior, W.M.; Araújo, C.T.D.; Machado, AV.M.
Diagnóstico quali-quantitativo da arborização urbana no bairro sobradinho em Patos de
Minas – MG. Revistas Congressos UNIPAM, v.1, n.1, p.1-4, 2015.
http://revistas.unipam.edu.br/index.php/cenar/article/view/115/60. 12 Abr. 2018.
Souza, M.G.S.; Goulart, L.R.; Oliveira, E.S.; Agostino, T.H.; Rocha, K.G. Influência da
arborização urbana no microclima de São José do Rio Preto-SP. Revista eletrônica

71
engenharia estudos e debates, v.1, n.1, p.1-10, 2017.
http://www.reeed.com.br/index.php/reeed/article/view/19/23. 04 Abr. 2018.

72
Análise quantitativa da arborização da Praça Euclides da Cunha em
Recife, PE

Camila Costa da Nóbrega1, Luan Henrique Barbosa de Araújo 2, César Henrique Alves Borges 2,
Lyanne dos Santos Alencar 2
1
Universidade Federal da Paraíba - UFPB. E-mail: camila_cnobrega@hotmail.com, 2Universidade
Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. E-mails: araujo.lhb@gmail.com,
cesarhenrique27@yahoo.com.br, lyanne.florestal@hotmail.com

RESUMO: Objetivou-se analisar quantitativamente a vegetação arbórea presente na


Praça Euclides da Cunha localizada na cidade de Recife-PE, a fim de fornecer subsídios
para o manejo de áreas verdes da cidade. Procedeu-se a identificação e mensuração do
diâmetro médio, altura e a área das copas de todos os indivíduos com CAP ≥ 15 cm. Em
seguida, calculou-se o percentual de cobertura vegetal e classificou-se a vegetação quanto
à origem e quanto ao porte arbóreo. Foram catalogados 71 indivíduos distribuídos por 14
espécies, pertencentes a 8 famílias botânicas. 90,15% das espécies encontradas na praça
são nativas e 9,85% são espécies exóticas, sendo Handroanthus impetiginosus,
Poincianella pyramidalis, Libidibia ferrea e Tabebuia aurea as que apresentaram maior
proporção de indivíduos. O percentual de cobertura vegetal da praça corresponde a
67,7%. A maior parte dos indivíduos são espécies nativas e foram classificada como de
pequeno porte, apresentando alta qualidade ambiental de acordo com o seu percentual de
cobertura vegetal.

Palavras-chave: áreas verdes urbanas, qualidade ambiental, levantamento florístico

1. Introdução
O aumento da população urbana levou ao uso excessivo do solo, gerando alterações
no ambiente e formando ilhas de calor, caracterizadas pelas altas temperaturas e baixa
umidade relativa do ar (Souza et al., 2017). A introdução de vegetação no espaço urbano
possibilita a criação de microclimas diferenciados através do sombreamento, redução da
velocidade do vento, redução da temperatura e aumento da umidade (Basso & Corrêa,
2014). Objetivou-se analisar quantitativamente a vegetação arbórea presente na Praça
Euclides da Cunha localizada na zona urbana da cidade de Recife-PE, a fim de fornecer
subsídios para o manejo de áreas verdes da cidade.

2. Material e Métodos
O estudo foi realizado na Praça Euclides da Cunha, localizada nas coordenadas
8°03’32.21''S e 34°54'12.51''O, com elevação de 3 m, no município de Recife, PE. O clima
da cidade é classificado como tropical úmido, com precipitação média anual em torno de

73
1.804,0 mm e temperatura média de 27,6°C, com 74% de umidade relativa do ar.
Foram realizadas visitas semanais ao local de estudo entre os meses de novembro e
dezembro de 2017, onde para a avaliação quantitativa e qualitativa dos indivíduos
arbóreos, catalogaram-se, por meio do censo, todos os indivíduos que apresentaram
Circunferência na Altura do Peito (CAP) ≥ 15 cm. Esses tiveram os comprimentos do
caule mensurados com auxílio de fita métrica e a altura total das árvores (H) foi estimada
com auxílio hipsômetro de Christen.
Após as circunferências totais obtidas, esses valores foram transformados em
diâmetro (DAP) para obtenção das classes diamétricas e representação gráfica nos
histogramas dos indivíduos com DAP ≥ 4,78 cm, onde as distribuições dos indivíduos por
classes de diâmetro e o intervalo de classe de amplitude foi determinado com o auxílio do
software Biostat 5.3. A mensuração da área das copas foi determinada a partir da medição
do diâmetro da copa (DC), sendo duas medições, uma no sentido norte-sul e outra no
sentido leste-oeste, com intuito de obter o índice de cobertura arbórea da praça. Em
seguida, foi calculado o Percentual de Cobertura Vegetal (PCV) de acordo com a Equação
sugerida por Abreu et al. (2012).
Conforme a metodologia utilizada por Alencar et al. (2014), os indivíduos arbóreos
foram classificados de acordo com o porte em relação à altura, sendo indivíduos de
pequeno porte (até 4 m), médio (de 4 a 7 m) e grande porte (maior que 7 m).

3. Resultados e Discussão
Foram catalogados 71 indivíduos distribuídos por 14 espécies, pertencentes a 8
famílias botânicas, sendo 68 representados por espécies arbóreas e 3 por palmeiras. Entre
as árvores, as espécies Handroanthus impetiginosus, Poincianella pyramidalis, Libidibia
ferrea e Tabebuia aurea tiveram maior frequência relativa na arborização, sendo a
primeira responsável por 28,17% do total de indivíduos, a segunda e terceira por 16,90% e
a quarta por 12,68%, enquanto as palmeiras representaram juntas 4,23% (Tabela 1).
Observou-se que as famílias Bignoniaceae e Fabaceae apresentaram a maior
quantidade de espécies, sendo representadas por 40,8% e 38,0% das espécies arbóreas
presentes na praça, respectivamente, ultrapassando o valor de 30,0% sugerido por
Santamour Júnior (2002), como um valor limite recomendado para espécies da mesma

74
família para um bom planejamento urbano e com diversidade, valores necessários para
garantir a proteção dessas espécies contra pragas e doenças.

TABELA 1. Espécies registradas na praça Euclides da Cunha, Recife-PE, 2017.


Nome popular Nome científico Família ni* Freq. (%) Origem
Carambola Averrhoa carambola L. Oxalidaceae 1 1.41 Exótica
Poincianella pyramidalis (Tul.)
Catingueira Fabaceae 12 16.90 Nativa
L.P.Queiroz
Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth.
Craibeira Bignoniaceae 9 12.68 Nativa
& Hook.f. ex S.Moore
Handroanthus impetiginosus (Mart. ex
Ipê-roxo Bignoniaceae 20 28.17 Nativa
DC.) Mattos
Juazeiro Ziziphus joazeiro Mart. Rhamnaceae 3 4.23 Nativa
Mangueira Mangifera indica L. Anacardiaceae 4 5.63 Exótica
Mulungu Erythrina velutina Willd. Fabaceae 1 1.41 Nativa
Paineira Ceiba speciosa (A.St.-Hil.) Ravenna Malvaceae 2 2.82 Nativa
Palmeira ImperialRoystonea oleracea (Jacq.) O. F. Cook Arecaceae 1 1.41 Exótica
Pritchardia pacifica Seem. & H.
Palmeira leque Arecaceae 1 1.41 Exótica
Wendl.
Palmeira-macaúba Acrocomia intumescens Drude Arecaceae 1 1.41 Nativa
Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.)
Pau Ferro Fabaceae 12 16.90 Nativa
L.P.Queiroz var.
Enterolobium contortisiliquum (Vell.)
Tamboril Mimosaceae 2 2.82 Nativa
Morong
Tataré Chloroleucon tortum (Mart.) Pittier Fabaceae 2 2.82 Nativa
Total 71 100.00
*ni (número de indivíduos)

As espécies Handroanthus impetiginosus, Poincianella pyramidalis, Libidibia


ferrea e Tabebuia aurea excederam o limite de 10,0 a 15,0% do total de indivíduos da
população arbórea da praça, sugerido por Milano & Dalcin (2000) como uma condição
para um planejamento urbano desejável. Constatou-se também que 90,15% dos indivíduos
presentes na praça são nativas e apenas 9,85% exóticas, sendo bom indicativo de
qualidade, visto que o uso de plantas exóticas em grande quantidade, pode causar danos ao
meio, ocasionando perda da biodiversidade de fauna e flora (Sousa Júnior et al., 2015). É
comum encontrar trabalhos em que o uso de espécies exóticas na arborização seja superior
as espécies nativas, como verificado por Nóbrega et al. (2014) e Camaño et al. (2015).
3.1 Intervalos de DAP
No estudo realizado, a média aritmética do diâmetro dos indivíduos da praça foi de
27,37 cm, com variação diamétrica entre 4,88 cm (Libidibia ferrea) 138,15 cm
(Enterolobium contortisiliquum). A distribuição de frequência diamétrica destaca uma

75
elevada proporção de indivíduos com menores diâmetros, em que 63,38% obtiveram
variação do DAP inferiores a 24,89 cm (Figura 1), evidenciando que classes de menores
diâmetros concentram uma maior quantidade de indivíduos.

FIGURA 1. Distribuição dos indivíduos por classe de diâmetro, das espécies registradas na praça Euclides da
Cunha, Recife-PE, 2017.

80
Porcentagem (%)

60
40
20
0
4,88 |— 24,89 44,90 64,91 84,92 104,93 124,94
24,89 |— |— |— |— |— |—
44,90 64,91 84,92 104,93 124,94 144,95
Intervalo de Diâmetro (cm)

3.2 Porte arbóreo


A média aritmética da altura dos indivíduos na praça foi de 8,4 m, com variação
entre 2,5 e 18,0 m. As espécies que apresentaram menor e maior altura foram Libidibia
ferrea e Roystonea oleracea, respectivamente. Em relação ao porte, 19,7% dos indivíduos
identificados foram classificados em pequeno porte; 26,8% classificados em médio porte e
53,5% dos indivíduos em grande porte.
3.3 Área da Copa e Percentual de Cobertura Vegetal (PCV)
A média geral encontrada para o diâmetro de copa (DC) foi de 7,61 m, sendo que a
espécie Handroanthus impetiginosus apresentou o menor DC com 2,55 m e 5,1 m² de área
da copa. Já a Enterolobium contortisiliquum apresentou maior diâmetro com 19,5 m e área
da copa de 298,6 m2. A área de cobertura vegetal total ocupada pelas copas das árvores
atingiu 3.836,41 m², o que corresponde a 67,70% (PCV) da área da praça. De acordo com
Borges et al. (2010), a qualidade ambiental baseada na taxa de cobertura vegetal
proporcionada pelas árvores pode ser classificada em baixa (PCV ≤ 5%), média (10% >
PCV < 25%) e alta (PCV > 30%). Baseando-se nessa classificação, a praça é considerada
de alta qualidade ambiental.

4. Conclusão

A maior parte dos indivíduos são espécies nativas e foram classificada como
de pequeno porte, apresentando alta qualidade ambiental.

76
5. Literatura Citada

Abreu, E.L.; Moura, H.F.N.; Lopes, D.S.; Brito, J.S. Análise dos índices de cobertura
vegetal arbórea e sub-arbórea das praças do centro de Teresina-PI. In: 3º Congresso
Brasileiro de Gestão Ambiental, Anais...Goiânia: Ibeas, p.1-11, 2012.
Alencar, L.S.; Souto, P.C.; Moreira, F.T.A.; Souto, J.S.; Borges, C.H.A. Inventário quali-
quantitativo da arborização urbana em São João do Rio do Peixe – PB. Agropecuária
Científica no Semiárido, v. 10, n.2, p.117-124, 2014.
http://revistas.ufcg.edu.br/acsa/index.php/ACSA/article/view/554/pdf. 04 Abr. 2018.

Basso, J.M.; Corrêa, R.S. Arborização urbana e qualificação da paisagem. Paisagem e


Ambiente: ENSAIOS, n.34, p.129-148, 2014.
https://www.revistas.usp.br/paam/article/view/97145/96206. 04 Abr. 2018.

Borges, C.A.R.F.; Marim, G.C.; Rodrigues, J.E.C. Análise da cobertura vegetal como
indicador de qualidade ambiental em áreas urbanas: Um estudo de caso do bairro da
Pedreira – Belém/PA. In: 6º Seminário Latino Americano de Geografia Física, ACTAS.
Coimbra: Universidade de Coimbra, p.1-13, 2010.

Camaño, J.D.Z. Barroso, R.F.; Souto, P.C.; Souto, J.S. Levantamento e diversidade da
arborização urbana de Santa Helena, no semiárido da Paraíba. Agropecuária Científica no
Semiárido, v.11, n.4, p.54-62, 2015. http://dx.doi.org/10.30969/acsa.v11i4.705. 28 Mai.
2018.

Milano, M.; Dalcin, E. Arborização de vias públicas. Rio de Janeiro: LIGHT, 2000. 226 p.

Nóbrega, C.C.; Souto, P.C.; Araújo, L.H.B.; Silva, A.C.; Pinto, M.G.C. Análise quanti-
qualitativa das espécies arbóreas presentes no Parque Religioso Cruz da Menina, Patos/PB.
Enciclopédia Biosfera, v.10, n.18, p.299-307, 2014.

Santamour Júnior, F.S. Trees for urban planting: diversity uniformity, and common sense.
Washington: U.S. National Arboretum, Agriculture Research Service, U.S. Department of
Agriculture Washington, D.C. p.57-66, 2002.

Sousa Júnior, E.J.S.; Silva, W.G.; Oliveira Júnior, W.M.; Araújo, C.T.D.; Machado, AV.M.
Diagnóstico quali-quantitativo da arborização urbana no bairro sobradinho em Patos de
Minas – MG. Revistas Congressos UNIPAM, v.1, n.1, p.1-4, 2015.
http://revistas.unipam.edu.br/index.php/cenar/article/view/115/60. 12 Abr. 2018.

Souza, M.G.S.; Goulart, L.R.; Oliveira, E.S.; Agostino, T.H.; Rocha, K.G. Influência da
arborização urbana no microclima de São José do Rio Preto-SP. Revista eletrônica
engenharia estudos e debates, v.1, n.1, p.1-10, 2017.
http://www.reeed.com.br/index.php/reeed/article/view/19/23. 04 Abr. 2018.

77
Aplicação da base de dados do CAR para o monitoramento da
conectividade da paisagem no entorno de Unidades de Conservação

Samantha Ramos Gomes¹, Luis Marcelo Tavares de Carvalho², Lizandra Maria Silva Araújo³,
Isabela Braga Belchior4
¹Universidade Federal de Lavras (samanthargomes@gmail.com), ²Universidade Federal de Lavras
(passarinho@dcf.ufla.br), ³Universidade Federal de Lavras (lizaengflorestal@gmail.com),
4
Universidade Federal de Lavras (isabela_bbelchior@hotmail.com)

RESUMO: O crescimento das atividades antropogênicas tem intensificado as pressões


sobre áreas com vegetação natural. O mapeamento da cobertura e do uso da terra com o
uso de técnicas de sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas (SIG), é
um importante instrumento para o planejamento e administração da ocupação do meio
físico. A classificação do uso e ocupação do solo gerada pelo cadastro ambiental rural
(CAR), fornece insumos que permitem analisar as intervenções antropogênicas na
paisagem. Dessa forma objetivou-se com este trabalho, através do uso da base de dados
do CAR, obter um diagnóstico multitemporal e uma análise da conectividade estrutural da
paisagem fragmentada do entorno do Parque Estadual da Serra de Caldas Nova
(PESCaN). As métricas da paisagem mostram uma fragmentação gradual do entorno do
PESCaN, o que pode comprometer a preservação da biodiversidade. O resultado
corrobora a importância do CAR como um instrumento de políticas públicas.

Palavras-chave: Cadastro ambiental rural (CAR), uso e ocupação dos solos, ecologia de
paisagens

1. Introdução
O crescimento das atividades antropogênicas tem intensificado as pressões sobre
áreas com vegetação natural que, normalmente, não resistem à rápida ampliação da
fronteira agrícola e de projetos urbanos. As preocupações quanto ao balanço entre áreas
vegetadas e áreas intensamente povoadas têm aumentado, o que contribui para a
implementação de Unidades de Conservação (UCs) (Kurasz et al., 2008).
As estratégias para a conservação e manutenção da diversidade deve ultrapassar os
limites das UCs e considerar as características das áreas vizinhas. No entanto, muitas delas
são pressionadas pelas atividades antropogênicas e/ou apresentam falhas na gestão pela
falta de um planejamento integrado com cenário ambiental (Silva & Souza, 2014; Saito et
al., 2016).
Com a implementação do cadastro ambiental rural (CAR) em 2013, passou a ser
possível identificar a intensidade das atividades antropogênicas nas propriedades rurais

78
vizinhas às UCs e traçar estratégias de conservação mais adequadas. O CAR, uma parceria
entre o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA), é
uma das principais ferramentas para garantir a regularização ambiental das propriedades
rurais de acordo com o novo código florestal, lei número 12.651 de 2012. No CAR estão
reunidas todas as informações ambientais das propriedades e posses rurais, com acesso
público pela internet.
Um dos componentes do CAR é o monitoramento anual, entre 2011 e 2016 dos
remanescentes de vegetação nativa de todas as propriedades cadastradas. Dentre as
diversas aplicações da base de dados do CAR, encontra-se o monitoramento da dinâmica
da paisagem, como a variação do montante de vegetação, num dado local e num
determinado intervalo de tempo. A criação dessa base de dados para o território nacional é
um instrumento essencial para criação e execução políticas públicas eficientes.
Neste trabalho, será demonstrado o potencial dos dados advindos do CAR, usando
como estudo de caso o crescimento acelerado dos municípios de Caldas Novas e Rio
Quente, consequência do processo de urbanização onde áreas de vegetação nativas foram
convertidas para outros usos. Nestes municípios encontra-se o Parque Estadual da Serra de
Caldas Nova (PESCaN), criado em 25 de setembro de 1970 pela lei número 7.282.
Dessa forma, objetivou-se com este trabalho utilizar a base de dados do CAR para
obter um diagnóstico multitemporal e uma análise da conectividade estrutural da paisagem
fragmentada do entorno do PESCaN.

2. Material e Métodos
2.1 Área de estudo
O PESCaN está localizado nos municípios de Rio Quente e Caldas Novas, a 167
km de Goiânia. A pluviosidade média anual da região é de 1.500 mm, a temperatura média
anual da região é da ordem de 23 graus Celsius. Na área domina a vegetação de cerrado
aberto e cerrado denso, respectivamente também denominados de savana arborizada e
savana florestada e, em ambos casos, com florestas-de-galeria. O parque possui 12.159,03
ha. Para o presente estudo foi considerada uma área de amortecimento de 10 km no
entorno do perímetro do parque.
2.2 Base de dados

79
A base temática da cobertura e uso da terra e sua dinâmica de desmatamento foi
gerada para os anos de 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016, realizada a partir do
processamento e classificação digital das imagens do satélite RapidEye, Sentinel-2 e
Landsat-8, respectivamente com 5 metros, 10 metros e 30 metros de resolução espacial.
Para a classificação do uso e cobertura do solo aplicou-se uma metodologia de
processamento baseada em objetos, utilizando algoritmos de aprendizagem de máquina,
são eles: o Suport Vector Machine (SVM), BAYES e o Randon Forest (RF); além de
atributos espectrais (UFLA, dados não publicados).

2.3 Análise dos dados


A Ecologia de Paisagem e o Sistema de Informação Geográfica (SIG) têm se
tornado um alicerce conceitual para o planejamento ambiental (Herrmann, 2011). O
comportamento das métricas, enriquecido pelo uso de ferramentas de SIG, permitem o
grau de fragmentação e as mudanças ambientais (Luppi et al., 2015; Saito et al., 2016;
Valle et al., 2016).
Nesse estudo foram calculadas medidas de agregação/fragmentação da paisagem.
As métricas foram calculadas usando o software FRAGSTATS (McGarigal et al., 2002), e
estão descritas na tabela 1.

TABELA 1. Métricas da paisagem utilizadas para a quantificação da estrutura da paisagem.


Índices Sigla e intervalo Definição
(unidade)
Número de manchas (NP) NP≥1 É uma medida simples do grau de
(adimensional) fragmentação. Maiores valores indicam um
maior grau de fragmentação, valores menores
indicam uma maior união dos fragmentos.
Índice de conectividade 0<COHESION<100 É uma medida da estrutura física do ambiente.
estrutural (COHESION) (%) Valores maiores indicam maior ligação
estrutural dos fragmentos.

3. Resultados e discussão
O número de manchas (NP) aumentou com o passar dos anos, isso indica que
houve um processo de fragmentação do ambiente, dividindo os maiores fragmentos em
pedaços menores aumentando seu número absoluto. Reynolds et al., 2016, em um estudo
no Mato Grosso do Sul constatou que a vegetação nativa remanescente no estado se
encontra intensamente fragmentada, e que as maiores manchas de vegetação nativa estão
localizadas em áreas de proteção integral e reservas indígenas. Os mesmos autores

80
destacam que o aumento do número de manchas de vegetação com áreas pequenas pode
ser ameaçador para a espécie de tatu Priodontes maximus, que requer habitats mais
extensos. No processo de fragmentação, os remanescentes nativos ficam menores e mais
isolados em uma matriz que pode ser imprópria para a permanência de algumas espécies
(Haddad et al., 2015).
O índice de conectividade estrutural (COHESION) obteve valores altos para todos
os anos de referência, é um resultado positivo indicando que a área de estudo está
fisicamente bem conectada. Porém, há uma diminuição gradativa desse índice, o que pode
trazer sérios riscos ao ecossistema, principalmente para a unidade de conservação em
questão, já que ainda não foi delimitada a sua zona de amortecimento. Os valores para as
métricas de paisagem calculadas estão dispostos na tabela 2.

TABELA 2. Métricas da paisagem calculadas para o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN).
NP = número de manchas; COHESION = índice de conectividade estrutural.
Ano NP COHESION (%)
2011 1714 99.7604
2012 1753 99.7526
2013 1802 99.7496
2014 1845 99.7461
2015 1856 99.7446
2016 1892 99.7442

Para conciliar a conservação da natureza com as demandas sociais, Herrmann


(2011) e Saito et al. (2016) destacam que os corredores ecológicos e os stepping stones
permitem a conexão dos fragmentos de habitat com áreas que abrangem os ambientes
modificados, de modo a garantir o uso sustentável do território. Dessa forma, dados do uso
e ocupação do solo são importantes insumos para manutenção e conservação do ambiente.
4. Conclusões
Os índices de paisagem mostram uma fragmentação gradual do entorno do
PESCaN. Para a manutenção e conservação da biodiversidade do parque são necessárias
políticas públicas que evitem a fragmentação do ecossistema. As ferramentas SIG possuem
um papel fundamental nesse contexto, permitindo o planejamento das atividades
econômicas integrado com cenário ambiental.
Foi demonstrado, ainda, o potencial da base de dados do CAR, em fornecer aos

81
órgãos governamentais insumos para a análise da situação atual e para a elaboração de
planos e medidas de conservação e manutenção das UCs do país.

5. Literatura Citada
Haddad, N. M.; Brudvig, A.; Clobert, J.; Davies, K. F.; Gonzalez, A.; Holt.; R. D.; Lovejoy, T. E.;
Sexton, J. O.; Austin, M. P.; Collins, C. D.; Cook, W. M.; Damschen, E. I.; Ewers, R. M.; Foster, B.
L.; Jenkis, A. J.; King, A. J.; Laurance, W. F.; Levey, D. J.; Margules, C. R.; Mebourne, B. A.;
Nicholls, A. O.; Orrock, J. L.; Song, D. X.; Townshend, J. R. Habitat fragmentation and its lasting
impact on Earth’s ecosystems. Science Advances, v. 1, n. 2, p.1-9, 2015.

Herrmann, G. Incorporando a teoria ao planejamento regional da conservação: a experiência do


corredor ecológico da Mantiqueira. Valor Natural: Belo Horizonte, ed.1, 2011. 228p.

Kurasz G; Rosot N.C.; Oliveira Y.M.M.; Rosot, M.A.D. Caracterização do entorno da reserva
florestal EMBRAPA/EPAGRI de Caçador (SC) usando imagem Ikonos. Floresta, v.38, n.4, p.641-
649, 2008. http://dx.doi.org/10.5380/rf.v38i4.13159.

Luppi, A. S. L.; Santos, A. S.; Eugênio, F. C.; Feitosa, L. S. A. Utilização de Geotecnologias para
Mapeamento de Áreas de Preservação Permanente no município de João Neiva, ES. Floresta
Ambient. [online], v.22, n.1, pp.13-22, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.0027.

McGarigal, K; Cushman, S.A.; Neel, M.C.; Ene, E. FRAGSTATS: Spatial pattern analysis program
for categorical maps. Computer software program produced by the authors at the University of
Massachusetts, Amherst, 2002. www.umass.edu/landeco/research/fragstats/fragstats.html. 04 Abr.
2018.

Reynolds, J.; Wesson, K.; Desbiez, A.L.J; Ochoa-Quintero, J.M.; Leimgruber, P. Using Remote
Sensing and Random Forest to Assess the Conservation Status of Critical Cerrado Habitats in Mato
Grosso do Sul, Brazil. Land, v.5, n.2, 12, 2016. https://doi.org/10.3390/land5020012

Saito, N. S.; Moreira, M. A.; Santos, A. R.; Eugênio, F. C.; Figueiredo, A. C. Geotecnologia e
Ecologia da Paisagem no Monitoramento da Fragmentação Florestal. Floresta e Ambiente, v. 23, n.
2, p.201-210, 2016. http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.119814.

Silva, M. S. F. & Souza, R. M. Padrões Espaciais de Fragmentação Florestal na FLONA do Ibura –


Sergipe. Mercator, v. 13, n. 3, p.121-137, 2014.

Valle, I. C.; Francelino, M. R.; Pinheiro, H. S. K. Mapeamento da Fragilidade Ambiental na Bacia


do Rio Aldeia Velha, RJ. Floresta e Ambiente, v. 23, n. 2, p.295-308, 2016.
http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.107714.

82
Arborização do Campus universitário da UFCG: a percepção de sua
comunidade

Josias Divino Silva de Lucena 1, Josinalda Ferreira Garrido 2, César Henrique Alves Borges 3, Jacob
Silva Souto4, Patrícia Carneiro Souto5
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (josiaslucenaeng@gmail.com), 2Pessoa Física
(josyferreira06@hotmail.com), 3Universidade Federal Rural de Pernambuco
(cesarhenrique27@yahoo.com.br), 4Universidade Federal de Campina Grande
(jacob_souto@yahoo.com.br), 5Universidade Federal de Campina Grande
(pcarneirosouto@yahoo.com.br)

RESUMO: A arborização presente nas instituições de ensino propicia benefícios


ambientais como melhoria do microclima e embelezamento local e, avaliar a percepção da
comunidade sobre o meio ambiente é uma ferramenta eficaz para o planejamento e gestão.
O objetivo da pesquisa foi realizar um diagnóstico da percepção ambiental da comunidade
universitária em relação à arborização do Campus da Universidade Federal de Campina
Grande em Patos-PB. Para isso, foram utilizados questionários adaptados com perguntas
relativas à percepção da comunidade acadêmica sobre a arborização do Campus. A
pesquisa totalizou uma amostragem de 100 entrevistados, composta por discentes,
docentes e funcionários, com distribuição dos questionários de forma aleatória. A
arborização do Campus foi considerada razoável por 77,7% dos entrevistados, porém eles
relataram que há necessidade de enriquecer com a introdução de novos indivíduos
arbóreos. Conclui-se que os principais impactos positivos apontados pelos entrevistados
estão relacionados à melhoria da qualidade do ar, seguida por sombra. Há necessidade de
melhorias na arborização como, por exemplo, o enriquecimento por meio da inserção de
espécies nativas.

Palavras-chave: percepção ambiental, áreas verdes, comunidade universitária

1. Introdução
Os estudos sobre a percepção do ambiente no requisito da arborização em cidades
criam um encorajamento na população fazendo com que ela construa uma boa relação com
esse habitat, participando do desenvolvimento e do planejamento da região em que se
convive (Rodrigues et al. 2010). Informações obtidas por meio de pesquisas sobre a
percepção da comunidade permitem um maior conhecimento do panorama institucional e o
perfil comportamental da mesma quanto à atuação socioambiental (Almeida et al., 2017).
Estudar a percepção ambiental auxilia de forma significativa os cientistas e
pesquisadores a entenderem como e o porquê de algumas pessoas terem comportamentos
tão ariscos ou tão apropriados para com o meio ambiente. Na busca de explicações sobre
essa situação, Guimarães (2004) descreve que a percepção ambiental é construída por meio

83
de interpretações mediadas por estímulos sensoriais e pela cultura que auxilia na
compreensão das inter-relações entre ser humano e meio ambiente.
No Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina
Grande, em Patos-PB, é perceptível a presença de áreas arborizadas, porém, observa-se que
essas áreas poderiam ser planejadas de modo a deixar o ambiente mais agradável e usando
alguns dos espaços existentes para uma possível ampliação da qualidade ambiental.
Assim, o objetivo da pesquisa foi realizar um diagnóstico da percepção ambiental
dos atores da comunidade universitária (professores, alunos e funcionários) em relação à
arborização do campus da Universidade Federal de Campina Grande em Patos- PB.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi conduzida no Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade


Federal de Campina Grande (CSTR/UFCG), situada no município de Patos-PB,
mesorregião Sertão Paraibano, localizado nas coordenadas geográficas de 7º13‟08” S, 35º
54‟05” W, distante 307 km de João Pessoa e a 250 m de altitude.
Atualmente o campus de Patos conta com quatro cursos de graduação (Engenharia
Florestal, Medicina Veterinária, Ciências Biológicas e Odontologia) e três cursos de pós-
graduação (Medicina Veterinária em Ruminantes e Equídeos - mestrado e doutorado;
Ciências Florestais e Zootecnia – mestrado) e um corpo docente qualificado.
A população que circula diariamente nas dependências do CSTR é de
aproximadamente 1.602 pessoas, entre discentes, docentes e funcionários. A Tabela 1
apresenta a distribuição da comunidade universitária de acordo com cada setor.

TABELA 1. Quadro de atividades das pessoas que compõem o Campus da UFCG, Patos-PB.
Cursos Alunos Professores Func. Func.
Efetivo Terceirizado
Medicina Veterinária 422 37
Odontologia 378 33
Ciências Biológicas 281 22
98 111
Engenharia Florestal 125 27
Pós-Graduação em Zootecnia 30 9
Pós-Graduação em Eng. Florestal 23 6
TOTAL 1.259 134 209

84
A metodologia utilizada para a realização da pesquisa consistiu na aplicação de um
questionário adaptado contendo 10 questões objetivas relativas à percepção ambiental da
população acadêmica em relação à arborização do Campus Universitário. Foram aplicados
100 questionários para alunos dos diferentes cursos de graduação e pós-graduação,
professores e funcionários, os quais foram escolhidos de forma aleatória. Os dados obtidos
foram inseridos em planilha Excel para posteriores análises das frequências de respostas.

3. Resultados e Discussão

A população de entrevistados foi constituída por 74% de discentes dos cursos de


Ciências Biológicas, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária e Odontologia, 7% de
professores, 9% de funcionários efetivos e 10% de funcionários terceirizados. Quando
abordados sobre as vantagens da arborização do Campus (Figura 1), os maiores
percentuais de resposta foram para a melhoria da qualidade do ar com 36,17%, seguida
pela opção sombra (26,14%).

FIGURA 1. Percepção dos entrevistados sobre as vantagens da arborização Campus da UFCG, Patos-PB.

De acordo com as vantagens relatadas no presente estudo, Tudini (2006) reforça os


aspectos benéficos do paisagismo e da arborização referentes à melhoria da qualidade de
vida da população que circula em ambientes bem projetados. A arborização é responsável
pela purificação do ar, melhoria no microclima do ambiente, ações sobre o bem estar físico
e psíquico do homem. As respostas significam que as pessoas da comunidade acadêmica
conseguem enxergar os múltiplos benefícios que a arborização pode oferecer.

85
Quanto às desvantagens da arborização do Campus, 39,9% dos entrevistados
indicaram a falta de planejamento e 34,13% relataram que a arborização causa sujeira no
local (Figura 2). Esses resultados indicam que os entrevistados reconhecem a importância
de se ter um lugar arborizado e, ao mesmo tempo, que é preciso de todos os cuidados
necessários para sua manutenção e para com a limpeza das áreas.

FIGURA 2. Percepção dos entrevistados sobre as desvantagens da arborização do Campus da UFCG em


Patos-PB.

Um lugar bem arborizado e sombreado traz uma sensação de bem estar, pois as
pessoas conseguem sentir o frescor do ar atmosférico que circula nesses lugares, o qual é
mais puro e traz conforto para quem os transita e os frequenta.

FIGURA 3. Percepção dos entrevistados sobre atribuição da responsabilidade pela arborização no Campus da
UFCG, em Patos-PB.

86
Na Figura 3 (acima) observa-se a indicação dos entrevistados em relação à
atribuição da responsabilidade pela arborização do Campus universitário. Segundo 44,8%
dos entrevistados, o curso de Engenharia Florestal deveria ser o maior responsável pela
arborização e 41,4% atribuíram a responsabilidade da arborização a todos. Os resultados
obtidos nesse questionamento reforçam a necessidade da intervenção técnica na
implantação e manutenção de maciços florestais que compõem os espaços internos das
instituições de ensino.
4. Conclusão
Os principais impactos positivos apontados pelos entrevistados estão relacionados à
melhoria da qualidade do ar, seguidos por sombra.
Há necessidade de melhorias na arborização com o enriquecimento de espécies
nativas de modo a destacar mais a presença desses indivíduos, apesar de ser maioria na
arborização do Campus de Patos-PB.
5. Literatura Citada

Almeida, R.; Scatena, L. M.; Luz, M. S. Percepção ambiental e políticas públicas –


dicotomia e desafios no desenvolvimento da cultura de sustentabilidade. Ambiente &
Sociedade, v.20, n.1, p.43-64, 2017. http://dx.doi.org/10.1590/1809-
4422asoc20150004r1v2012017.

Guimarães, S. T. L.. Dimensões da Percepção e Interpretação do Meio Ambiente:


vislumbres e sensibilidades das vivências na natureza. Ciência & Tecnologia, v.4, n.1,
p.46-64, 2004. http://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=185. 30 Abr. 2018.

Rodrigues, T. D.; Malafaia G.; Queiroz, S. É. E. Rodrigues, A. S. L. Percepção sobre


arborização urbana de moradores em três áreas de Pires do Rio-Goiás. Revista de estudos
ambientais, v.12, n.2, p. 47-61, 2010. http://dx.doi.org/10.7867/1983-1501.2010v12n2p47-61

Tudini, O. G. A arborização de acompanhamento viário e a verticalização na zona 7 de


Maringá-PR. 2006. 74 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Estadual de
Maringá, Maringá-PR.

87
Arborização em um ambiente universitário na cidade de Patos, PB

Josias Divino Silva de Lucena 1, Adriel Lucena de Azevedo2, Jefferson Martins Gonçalves³, Lúcia
dos Santos Rodrigues4, César Henrique Alves Borges 5, Patrícia Carneiro Souto6
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (josiaslucenaeng@gmail.com), 2Universidade Federal
de Campina Grande (adengflo@gmail.com), 3Pessoa Física (jeffersonmartins_jp@hotmail.com),
4
Universidade Federal Rural de Pernambuco (lucia.ufal@gmail.com), 5Universidade Federal Rural
de Pernambuco (cesarhenrique27@yahoo.com.br), 6Universidade Federal de Campina Grande
(pcarneirosouto@yahoo.com.br)

RESUMO: As plantas fornecem inúmeros benefícios à população, além de amenizar a


paisagem nos ambientes universitários. Este estudo objetivou realizar o levantamento da
composição florística da arborização em um ambiente universitário na cidade de Patos,
PB. Os dados foram coletados no Hospital Veterinário pertencente à Universidade
Federal de Campina Grande, que possui uma área de aproximada de 1 ha, sendo um
local com presença constante de pessoas e animais. Na avaliação quantitativa da
arborização, foi realizado um inventário do tipo censo. Percorreu-se o perímetro do
ambiente, observando todas as árvores presentes, com o registro de dados em formulário.
A arborização do hospital veterinário foi representada por um total de 261 indivíduos, 26
espécies e 13 famílias botânicas. Dentre as espécies, 64% eram exóticas e 36% nativas do
Brasil. A composição florística da arborização do hospital veterinário foi caracterizada
pela predominância de espécies exóticas. As espécies Prosopis julifora e Azadirachta
indica foram as mais ocorrentes, revelando a baixa diversidade e a carência de
planejamento na fase de implantação da arborização.

Palavras-chave: semiárido, silvicultura urbana, campus universitário

1 Introdução
A qualidade ambiental em áreas urbanas deve ser uma preocupação da gestão
urbana e é importante considerar a arborização como um dos componentes essenciais para
se atingir esse objetivo.
Nos ambientes urbanos, as árvores desempenham um fator de atributo ambiental ao
melhorar a qualidade do ar, da água, dos solos e do clima, amenizando o calor decorrente
do aquecimento do asfalto e elevando a umidade do ar devido à evapotranspiração
(Oliveira et al., 2013).
As instituições acadêmicas estão inseridas na arborização urbana como um espaço
que tem muito a contribuir com um planejamento adequado, pois detêm capacidade para
produzir ciência e subsidiar a elaboração de projetos florísticos que considerem os diversos

88
aspectos relacionados à utilização coerente de espécies vegetais (Eisenlohr et al., 2008).
Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi realizar o levantamento da composição
florística em um ambiente universitário na cidade de Patos-PB.

2 Material e Métodos

O estudo foi realizado no Hospital Veterinário (HV) do Centro de Saúde e


Tecnologia Rural, pertencente à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG),
localizado na cidade de Patos-PB (7° 4'3,41"S e 37°16'51,75"O). O município de Patos
está localizado a 320 km da capital João Pessoa, inserido na mesorregião Sertão Paraibano.
O clima, segundo a classificação de Köppen (Álvares et al., 2014), é do tipo BSh,
semiárido, caracterizado por ser quente e seco, com chuvas concentradas em poucos meses
do ano e que totalizam uma precipitação média em torno de 500 mm.
O HV possui uma área aproximada de 1 ha, sendo um local em que há a presença
constante de pessoas, tais como estudantes do curso de Medicina Veterinária e a população
que é beneficiada com os serviços de consulta médica aos seus animais, além dos próprios
animais que ficam confinados numa área mais interna do ambiente.
Para o estudo quantitativo da arborização, foi realizado um inventário do tipo censo
em que se percorreu o perímetro do ambiente observando todas as árvores presentes, sem
distinção de tamanho e, procedeu-se o registro de dados em formulário contendo os
seguintes campos: número do indivíduo, nome da espécie e sua origem.
Preliminarmente, as espécies foram identificadas pelo nome comum e, quando
necessário, realizava-se a coleta de material botânico para identificação por especialistas e
por comparação com literatura especializada. Quanto à origem, as espécies foram
classificadas em nativas da flora do Brasil e, em exóticas, quando originárias de outros
países. A grafia dos nomes científicos e autoria das espécies foram atualizadas com base na
Lista de Espécies da Flora do Brasil e, para as espécies exóticas, por meio do site
http://www.theplantlist.org/.
Os dados foram analisados quanto ao número de indivíduos por espécie, por família
e quanto à origem. Calculou-se a frequência relativa de cada família e espécie para
representar a proporção do seu número de indivíduos em relação ao total.

89
3 Resultados e Discussão

A arborização do HV é composta por um total de 261 indivíduos, sendo


distribuídos em 26 espécies e 13 famílias botânicas. A família com a maior riqueza de
espécies foi a Fabaceae, representada por 12 espécies. Anacardiaceae e Bignoniaceae
apresentaram duas espécies cada e outras oito famílias foram representadas por uma única
espécie.
Ao analisar a representatividade em número de indivíduos, 74,33% dos espécimes
levantados pertenciam à família Fabaceae e 14,56% eram representantes de Meliaceae,
resultando num total de 88,89% dos indivíduos concentrados nestas duas famílias. As duas
espécies mais abundantes eram exóticas e compreenderam 70,1% do total de indivíduos,
sendo: Prosopis juliflora e Azadirachta indica (Tabela 1).

Das 25 espécies identificadas, 16 eram exóticas, correspondendo a 64% do total e 9


nativas do Brasil, representando os 36% restantes. Esse percentual considerável de
utilização de espécies exóticas é comum na arborização das cidades do semiárido, devido
ao rápido crescimento e copa frondosa que propicia sombra aos ambientes, além de
suportarem podas sucessivas e, muitas vezes, drásticas.
Em Santa Helena, cidade localizada a Oeste do Estado da Paraíba, também na
mesorregião Sertão, a arborização da cidade foi diagnosticada com 66,7% das espécies de
origem exótica e 33,3% nativas (Zea-camaño et al., 2015), corroborando com os resultados
do presente estudo.
Em outros ambientes universitários, a situação em questão também é recorrente. Na
arborização do campus da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul
Cabreira & Canto-Dorow (2016), também apontam a predominância de espécies exóticas
(61,8%) em relação às nativas (38,2%), resultados semelhantes aos verificados para o
hospital veterinário da UFCG.
De acordo com os resultados é possível inferir que existiu uma falta de
planejamento em relação à arborização dos ambientes no HV, onde a presença de alguns
indivíduos é resultante da dispersão das sementes, como exemplo a Prosopis juliflora, que
é uma espécie exótica registrada com elevada frequência na área. Os dados obtidos
evidenciam a necessidade de um projeto de enriquecimento na arborização do HV com a

90
TABELA 1. Composição florística da arborização do hospital veterinário da UFCG, Patos-PB. Listagem em
ordem decrescente pelo número de indivíduos por família e espécie. N – número de indivíduos; FR –
frequência relativa.
Família/Nome científico Nome comum Origem N FR%
Fabaceae 194 74,33
Prosopis juliflora (Sw.) DC. Algaroba Exótica 145 55,56
Senna siamea (Lam.) H.S. Irwin & R.C. Barneby Cassia Exótica 19 7,28
Pithecellobium dulce (Roxb.) Benth. Mata fome Exótica 8 3,07
Poincianella pluviosa var. peltophoroides (Benth.) L.P.Queiroz Sibipiruna Nativa 7 2,68
Albizia lebbeck (L.) Benth. Esponjinha Exótica 3 1,15
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Jurema preta Nativa 3 1,15
Poincianella pyramidalis (Tul.) L.P.Queiroz Catingueira Nativa 3 1,15
Clitoria fairchildiana R.A. Howard Sombreiro Exótica 2 0,77
Leucaena leucocephala (Lam.) R. de Wit Leucena Exótica 2 0,77
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan Angico Nativa 1 0,38
Delonix regia (Hook.) Raf. Flamboyant mirim Exótica 1 0,38
Fabaceae sp. - - 1 0,38
Meliaceae 38 14,56
Azadirachta indica A. Juss Nim Exótica 38 14,56
Bignoniaceae 10 3,83
Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & H. f. ex S. Moore Craibeira Nativa 6 2,30
Tecoma stans (L.) Juss. ex Kunth Ipezinho Exótica 4 1,53
Arecaceae 3 1,15
Cocos nucifera L. Coqueiro Nativa 3 1,15
Boraginaceae 3 1,15
Cordia myxa L. Cola Exótica 3 1,15
Anacardiaceae 2 0,77
Mangifera indica L. Mangueira Exótica 1 0,38
Spondias dulcis Parkinson Cajarana Exótica 1 0,38
Annonaceae 2 0,77
Annona squamosa L. Pinha Exótica 2 0,77
Euphorbiaceae 2 0,77
Cnidoscolus quercifolius Pohl Faveleira Nativa 2 0,77
Rutaceae 2 0,77
Citrus limon (L.) Osbeck Limoeiro Exótica 2 0,77
Apocynaceae 1 0,38
Thevetia thevetioides (Kunth) K.Schum. Chapéu de Napoleão Exótica 1 0,38
Caricaceae 1 0,38
Carica papaya L. Mamão Exótica 1 0,38
Chrysobalanaceae 1 0,38
Licania tomentosa (Benth.) Fritsch Oiti Nativa 1 0,38
Rhamnaceae 1 0,38
Ziziphus joazeiro Mart Juazeiro Nativa 1 0,38

91
introdução de espécies nativas, resultando na recomposição do ambiente e ampliação de
áreas verdes.

4 Conclusão

A arborização do hospital veterinário da Universidade Federal de Campina Grande,


em Patos-PB apresenta baixa heterogeneidade com predomínio de espécies exóticas.
As espécies Prosopis julifora e Azadirachta indica são as mais ocorrentes na
arborização do hospital veterinário, revelando a carência de planejamento na fase de
implantação.
O banco de dados gerado pelo levantamento poderá auxiliar na implantação
tecnicamente correta de novos indivíduos arbóreos, resultando em melhorias ambientais.

5 Literatura Citada

Álvares, C. A.; Stape, J. L.; Sentelhas, P. C.; Moraes, J. L.; Gonçalves, J. L. M.; Gerd
Sparovek. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift,
Stuttgart – GER, v. 22, n. 6, p.711 – 728, 2014. doi 10.1127/0941-2948/2013/0507.

Cabreira, T.N.; Canto-Dorow, T.S. Florística dos componentes arbóreo e arbustivo do


campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS. Ciência e
Natura, v.38 n.1, p.09-23, 2016. doi:10.5902/2179-460X19022.

Eisenlohr, P.V.; Carvalho-Okano, R.M.; Vieira, M.F.; Leone, F.R.; Stringheta, A.C.O.
Flora fanerogâmica do campus da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais.
Ceres, v.55, n.4, p.317-326, 2008. http://www.ceres.ufv.br/ojs/index.php/ceres
article/view/3332. 18 Abr. 2018.
Oliveira, A.S.; Sanches, L.; Musis, C.R.; Nogueira, M.C.J.A. Benefícios da arborização em
praças urbanas - o caso de Cuiabá/MT. Rev. Elet. em Gestão, Educação e Tecnologia
Ambiental, Santa Maria, v.9, n.9, p.1900-1915, 2013.
http://dx.doi.org/10.5902/223611707695.
Zea-Camaño, J.D.; Barroso, R.F.; Souto, P.C.; Souto, J.S. Levantamento e diversidade da
arborização urbana de Santa Helena, no semiárido da Paraíba. Agropecuária Científica no
Semiárido, v.11, n.4, p.54-62, 2015.
http://revistas.ufcg.edu.br/acsa/index.php/ACSA/article/view/705. 27 Abr. 2018.

92
As transformações da paisagem em área de caatinga submetida a ações
antrópicas no sertão de Pernambuco

Sandra Teresa Borba Porfírio1, Jessé Moura dos Santos1, Cinthia Pereira de Oliveira1, Mayara Maria
de Lima Pessoa1, Anderson Francisco da Silva 1, Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira1
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco. E-mails: sandraborbap@gmail.com,
jmoura96@outlook.com, cinthia.florestal@gmail.com, maypessoa@gmail.com,
anderson.florestal@hotmail.com, rinaldo@dcfl.ufrpe.br

RESUMO: Este trabalho objetivou compreender a influência das ações antrópicas sobre
as transformações da paisagem numa área de Caatinga por meio da análise espaço-
temporal de mapas de uso e ocupação do solo. A pesquisa foi realizada na Fazenda
Itapemirim, localizada no município de Floresta, PE. Foram elaborados mapas de uso e
ocupação do solo para os anos de 2007 e 2016 da área incorporada à de um buffer
circular com raio de 3 km gerado no entorno de seus limites. Este processo foi realizado
no software Spring 5.4.3 e as áreas foram classificadas em vegetação rala e densa, solo
exposto e água. Observou-se na transição entre os mapas de 2007 e 2016 uma dinâmica
no comportamento da cobertura vegetal densa, que decaiu 24%, substituída pela
vegetação rala, que aumentou 23,9%. Destacando-se a substituição das áreas de
vegetação densa por vegetação rala, classe que inclui tanto cobertura natural de menor
porte como também a agricultura/pastagem. Os principais fatores causadores deste
processo são, possivelmente, as atividades antrópicas de exploração florestal e
agropecuária e as condições climáticas desfavoráveis. Sendo necessária a análise
estrutural desta composição por meio do estudo da ecologia da paisagem com fins de
obter informações mais detalhadas.

Palavras-chave: dinâmica, semiárido, sensoriamento remoto, manejo florestal

1. Introdução

A Caatinga, por suprir grande parte da demanda por recursos florestais em


Pernambuco, vem sofrendo com a pressão antrópica ao ser explorada de forma
desordenada devido à atividade agropecuária, demanda energética e a expansão urbana.
Assim, a exploração acelerada e desordenada dessas áreas indica a necessidade de estudos
voltados à sua gestão e seu ordenamento (Oliveira, 2015).
Na área da presente pesquisa, desde o ano de 2008 diversos estudos sobre estrutura
da vegetação vêm sendo realizados fornecendo informações para elaboração de ações
voltadas ao manejo e conservação da vegetação (Alves Júnior et al., 2013). No entanto,
pesquisas além dos limites da área de estudo, ainda são escassos, tornando-se necessários
na compreensão dos efeitos decorrentes do uso e ocupação das terras e até que ponto eles

93
podem comprometer a conservação e manutenção das funções ecológicas e de proteção à
biodiversidade na área em questão.
Sendo assim, com a premissa de que ao longo do tempo, as transformações da
paisagem podem comprometer a conservação da biodiversidade, este trabalho objetivou
analisar no tempo e espaço, as mudanças da paisagem numa área de caatinga, a fim de
compreender como estas alterações podem influenciar na conservação da área de estudo,
no município de Floresta, PE.

2. Material e Métodos

A pesquisa realizou-se na Fazenda Itapemirim, localizada no município de Floresta,


PE com 5.695,65 ha, situada a 8°30’49’’ Latitude Sul e 37°57’44’’ Longitude Oeste. O
município está inserido na mesorregião do São Francisco Pernambucano e microrregião de
Itaparica, com uma área de 3.675 Km². Parte da área de estudo sofreu limpeza por
correntão em 1987, porém foi abandonada e se encontra em processo de regeneração
(Melo, 2016).
Foram elaborados os mapas de uso e ocupação do solo para os anos de 2007 e 2016
por meio da classificação da área da fazenda incorporada à de um buffer circular com raio
de 3 Km gerado no entorno de seus limites, o que estendeu a área de estudo até o
município vizinho de Betânia, PE. Utilizaram-se imagens orbitais oriundas do satélite
LANDSAT 8, sensor OLI 5, órbita/ponto 222/76, com resolução espacial de 30 m,
empregando a composição colorida 6R, 5G, 4B.
Para a preparação das imagens foi procedida a segmentação automática das bandas
espectrais e os valores de similaridade espectral e área adotados foram 10 e 25,
respectivamente. Este processo foi realizado no software Spring 5.4.3 por meio de
classificação supervisionada com uso do classificador Bhattacharya. O limiar de aceitação
adotado foi de 99%.
Separou-se a ocupação da área em quatro classes temáticas: Vegetação rala – Áreas
de solo com cobertura arbustiva, herbácea ou arbórea espaçada; Vegetação densa – Áreas
com cobertura arbóreo-arbustiva densa; Solo exposto – Áreas com imperceptível presença
de vegetação e afloramentos rochosos; Água – Áreas com presença de corpos hídricos
naturais ou artificiais. A validação dos dados foi realizada a partir do índice de Kappa. Os

94
mapas de localização da área e de uso e ocupação do solo foram confeccionados no
software ArcGIS 10.2.

3. Resultados e Discussão

O índice Kappa apresentou valor de 99,24% (0,99), enquadrando-se como


excelente conforme níveis de aceitação proposto por Congalton & Green (1998). Os
valores correspondentes às áreas relativas de cada classe analisada para cada ano estudado
encontram-se na Tabela 1.
TABELA 1. Classes de uso e ocupação do solo e respectivas áreas ocupadas reais e relativas nos anos de
2007 e 2016 em área da fazenda Itapemirim, Floresta, PE.
2007 2016
CLASSES
ha % ha %
Água 58,14 0,3 144,4 0,7
Solo exposto 1979,4 9,6 1917,3 9,3
Vegetação densa 13761,7 66,6 8823,1 42,6
Vegetação rala 4851,6 23,5 9821,4 47,4
Total 20650,9 100 20706,2 100

Entre os anos de 2007 e 2016 (Figura 1) houve diminuição da cobertura vegetal


densa, que decaiu 24%, substituída pela vegetação rala, que aumentou 23,9%. É importante
salientar que neste estudo as áreas agrícolas e de pastagem estão contidas dentro da classe
“Vegetação Rala”, pois não foram diferenciadas no processo de amostragem da
classificação. A junção destes dois tipos de cobertura, porém, manteve-se estável,
dominando em ambos os anos 90% da área, o que demonstra o processo de fragmentação e
redução das áreas densas associadas diretamente à ocupação por agricultura/pastagem e
não só à exploração da floresta abandonada pós-corte. Se as áreas fossem somente
exploradas e abandonadas, certamente a classe solo exposto aumentaria, pois, como
comprovado por Alves Junior et al. (2013), diversas espécies da região necessitam do
acompanhamento silvicultural para perpetuar a regeneração.
Historicamente, na região Nordeste há uma grande dependência das populações
mais carentes quanto ao uso da madeira como fonte de energia, tanto no consumo
doméstico quanto para fins econômicos (Travassos & Souza, 2014). Por este motivo e,
também pela pecuária extensiva, a vegetação de Caatinga vem sendo explorada há muitos
séculos, mas a dinâmica da vegetação também foi diretamente afetada pelo prolongado

95
período de estiagem (Melo, 2016).
A substituição do solo exposto, pela classe vegetação rala, também merece
destaque neste estudo, o que indica que estes locais sofreram intervenções agropecuárias,
bem como o ingresso de poucos indivíduos regenerantes, em razão da abertura de novas
áreas. No ano de 2016, a classe “Água” aumentou significativamente seu território, devido
ao corpo d’água artificial implantado por meio da obra de transposição do rio São
Francisco do eixo leste, que vai de Floresta (PE) a Monteiro (PB), fato que também
favoreceu à expansão da agropecuária local. A presença da pecuária neste espaço,
evidenciada pela alta incidência de caprinos e bovinos nos pontos visitados, reafirmados
por Melo (2016) e Lana (2017), também pode interferir sobre o alto índice de mortalidade
da vegetação densa.
FIGURA 1. Mapas de uso e cobertura do solo na área de fazenda Itapemirim, Floresta, PE e sua paisagem,
nos anos de 2007 e 2016.

4. Conclusão

As classes de uso e ocupação do solo estudadas passaram por uma transição entre
os anos de 2007 e 2016, destacando-se a substituição das áreas de vegetação densa por
vegetação rala, classe que inclui tanto cobertura natural de menor porte como também a
agricultura/pastagem.
Os principais fatores causadores deste processo possivelmente são as atividades

96
antrópicas de exploração florestal, a agropecuária e as condições climáticas desfavoráveis.
Faz-se necessária a análise estrutural desta composição por meio do estudo da
ecologia da paisagem, com fins de obter informações mais detalhadas sobre o processo de
fragmentação florestal, bem como como a influência do entorno sobre o comportamento da
vegetação remanescente, sobretudo os indivíduos regenerantes.

5. Literatura Citada

Alves Junior, F. T; Ferreira, R. L. C; Silva, J. A. A. da; Marangon, L. C.; Cespedes, G. H.


G. Regeneração natural de uma área de caatinga no sertão Pernambucano, nordeste do
Brasil. Cerne, Lavras, v. 19, n. 2, p. 229-235, 2013. https://doi.org/10.1590/S0104-
77602013000200006.
Congalton, R. G; Green, K. Assessing the accuracy of remotely sensed data:
principles and practices. New York: Lewis Publishers, 1998. 137 p.
Lana, M. D. Carbono em vegetação lenhosa da caatinga e viabilidade
econômica de manejo. 2017. 141 p. Tese (Doutorado em Ciências Florestais) –
Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2017.
http://www.ppgcf.ufrpe.br/sites/www.ppgcf.ufrpe.br/files/documentos/mayara_dalla_lana.
pdf. 27 Abr. 2018.
Melo, C. L. S. M. S. de. Dinâmica da vegetação arbustivo-arbórea no semiárido de
pernambucano. 2016. 105 f. Tese (Doutorado em Ciências Florestais) – Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2016.
http://www.ppgcf.ufrpe.br/sites/www.ppgcf.ufrpe.br/files/documentos/tese_cybelle_souto_
maior_sem_assinatura.pdf. 26 Abr. 2018.
Oliveira, C. P. de. Modelagem dinâmica da cobertura florestal do município de
Floresta-PE. 2015. 99 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) – Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2015.
http://www.ppgcf.ufrpe.br/sites/www.ppgcf.ufrpe.br/files/documentos/cinthia_pereira_de_
oliveira.pdf. 26 Abr. 2018.
Travassos, I. S; Souza, B. I. Os negócios da lenha: indústria, desmatamento e
desertificação no Cariri paraibano. GEOUSP – Espaço e Tempo (Online), São Paulo, v. 18,
n. 2, p.329-340, 2014. http://www.revistas.usp.br/geousp/article/view/84536. 26 Abr. 2018.

97
Aspectos da estrutura da vegetação arbórea em uma área restaurada
com 15 anos no Arboretum da UFAL

Anderson A. L. dos Santos 1*, Nivandilmo L. da Silva 1, Regis V. Longhi1, Tamires L. de Lima 2
1
Universidade Federal de Alagoas (anderson_arthur_salles@hotmail.com;
nivandilmosilva@hotmail.com; regis.longhi@icbs.ufal.br), 2Instituto de Desenvolvimento
Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (tamires_leal22@hotmail.com)

RESUMO: O monitoramento de áreas restauradas com vegetação nativa é importante


para verificar o seu desenvolvimento, perturbações e a consequente necessidade de
interferência por meio de manejo ou replantios. O objetivo do presente estudo foi
caracterizar a estrutura da vegetação arbórea após 15 anos da restauração florestal de
uma área com histórico de uso agrícola e depósito de lixo, situada no Arboretum da
UFAL, região metropolitana de Maceió. Um total de 21 unidades amostrais com dimensão
de 20x20 metros foram instaladas na área, sendo mensurados todos os indivíduos com
diâmetro à altura do peito (DAP) ≥ 5 cm, além de serem identificados botanicamente.
Foram encontradas 71 espécies arbóreas, pertencentes a 59 gêneros e 27 famílias
botânicas, das quais Fabaceaae e Bignoneaceae contribuíram com maior número de
espécies. A alta diversidade de espécies também foi constatada pelo índice de diversidade
de Shannon (H’) de 3,78 nats.ind-1. A estrutura diamétrica da população apresentou
configuração semelhante a um “J-invertido”, típica de florestas naturais, apesar da área
ser proveniente de plantio há 15 anos. Essa constatação indica uma intensa dinâmica
ocorrendo na área, onde o processo natural de sucessão está sendo garantido pelo
ingresso no estrato arbóreo de indivíduos que se encontram na regeneração natural.

Palavras-chave: fitossociologia, área degradada, mata atlântica

1. Introdução
A avaliação e o monitoramento de áreas em processo de restauração são
importantes para verificar o seu desenvolvimento, a identificação de perturbações e a
consequente necessidade de interferência por meio de manejo ou replantios (Silva et al.,
2016), sendo relevante o conhecimento da dinâmica e da estrutura do componente arbóreo
para entendimento e elaboração de métodos que visam promover ações conservacionistas e
de reconstituição de fragmentos florestais (Souza, 2017).
Para tanto, levantamentos florísticos e fitossociológicos são amplamente utilizados
para o monitoramento das espécies plantadas e da regeneração natural, podendo-se
quantificar as espécies que melhor se adaptam a área restaurada ou as espécies que
constituirão o estrato arbóreo no futuro.
Diante do exposto, a presente pesquisa partiu do princípio que no método de

98
implantação do Arboretum da UFAL, localizado no Campus A. C. Simões em uma antiga
área com histórico agrícola e de depósito constante de lixo, com o plantio de mudas com
alta diversidade de espécies, pode ser considerado como um modelo de restauração
florestal possível de ser implantado em outras áreas com histórico de degradação
semelhante. Assim, objetivou-se realizar a caracterização da estrutura horizontal e
diamétrica dessa vegetação após 15 anos do plantio das mudas, visando fornecer
informações fundamentais sobre o comportamento das espécies implantadas e de sua
regeneração natural na sucessão natural da floresta formada.

2. Material e Métodos
O estudo foi desenvolvido no Arboretum de Alagoas, situado no interior do
Campus A.C. Simões da UFAL, sob a coordenada central 09º33’13,80” S e 35º46’07,80”
O, estando inserida na região Metropolitana de Maceió - tabuleiros costeiros de Alagoas. O
Arboretum abrange uma área de aproximadamente 4,2 hectares, em que foram lançadas de
forma aleatória 21 parcelas de 20 x 20 m (400 m²) cada, perfazendo uma área amostral de
0,84 ha. O critério de inclusão dos indivíduos arbóreos usado foi o Diâmetro à Altura do
Peito (DAP) ≥ 5cm. Os indivíduos presentes em cada parcela tiveram medidos o DAP e
identificados botanicamente com base nos levantamentos anteriores e bibliografia
especializada.
A estrutura horizontal da população foi avaliada considerando-se os seguintes
parâmetros fitossociológicos: Densidade Absoluta e Relativa (DA e DR), Dominância
Absoluta e Relativa (DoA e DoR), além do Valor de Importância (VI%) dado pelo
somatório da densidade, frequência e dominância relativa. Para a estrutura diamétrica, os
indivíduos foram dispostos em classes de diâmetro com intervalo de 10 cm. A diversidade
florística foi estimada pelo índice de diversidade de Shannon (H’). Os dados foram
processados com auxílio do software Mata Nativa 2 e planilha eletrônica do Microsoft
Excel 2010 ®.

3. Resultados e Discussão
3.1 Riqueza e diversidade de espécies
Na amostragem foram contabilizados 566 indivíduos arbóreos, sendo distribuídos em
71 espécies, pertencentes a 59 gêneros e 27 famílias botânicas. As famílias que apresentaram

99
maior diversidade foram a Fabaceae (29 espécies), Bignoneaceae (8 espécies), Malvaceae (5
espécies) e Anacardiaceae (4). Estas famílias constituíram 64,8% do total de espécies
amostradas.
A alta diversidade de espécies encontrada no Arboretum da UFAL, dado pelo Índice
de Shannon de 3,78 nats.ind-1, mostra-se semelhante a muitos trabalhos desenvolvidos em
regiões de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil. Nascimento et al. (2014), em seu trabalho
de levantamento comparativo, relativo à riqueza e diversidade de espécies de alguns
fragmentos de Floresta Atlântica no estado de Pernambuco, verificaram que o Índice de
diversidade de Shannon (H’) apontou alta diversidade de espécies entre os trabalhos
analisados, variando de 3,41 a 3,91 nats.ind-1, corroborando com os resultados do presente
trabalho.

3.3 Estrutura horizontal e diamétrica


De acordo com a Estrutura Horizontal (Tabela 1), as cinco espécies destaques
foram: Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong (6,53%); Inga edulis Mart. (6%);
Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos (5,35%); Cecropia pachystachya
Trécul (4,9%) e Bowdichia virgilioides Kunth (4,72%), conferindo-lhes maior grau de
ocupação na área em estudo. A densidade total foi estimada em 674 ind.ha-1,
correspondendo a uma área basal de 18,42 m².ha-1, fato que comprova o rápido
desenvolvimento dessa vegetação formada há apenas 15 anos.
Nota-se que a espécie Tabebuia cassinoides, apesar de ser a maior em DR e FR
(juntamente com mais quatro espécies), não ocupou posição de destaque em VI, por obter
baixo valor de DoR, sendo este o parâmetro fitossociológico que influenciou
consideravelmente não só no resultado dessa espécie como também em Enterolobium
contortisiliquum que alcançou maior DoR e, consequentemente, maior VI.

TABELA 1. Parâmetros da Estrutura Horizontal dos indivíduos ocorrentes no Arboretum da UFAL,


considerando espécies com VI > 2%.

DA DR FA FR DoA DoR VI
Nome Científico
(nº/ha) (%) (%) (%) (m²/ha) (%) (%)
Enterolobium contortisiliquum 19,05 2,83 38,10 2,45 2,64 14,30 6,53
Inga edulis 29,76 4,42 28,57 1,84 2,16 11,73 6,00
Handroanthus impetiginosus 39,29 5,83 52,38 3,37 1,26 6,85 5,35
Cecropia pachystachya 35,71 5,30 66,67 4,29 0,94 5,09 4,90

100
Bowdichia virgilioides 33,33 4,95 66,67 4,29 0,91 4,92 4,72
Tabebuia cassinoides 50,00 7,42 66,67 4,29 0,37 1,98 4,56
Tabebuia aurea 33,33 4,95 66,67 4,29 0,53 2,87 4,04
Apeiba tibourbou 16,67 2,47 38,10 2,45 1,10 5,99 3,64
Handroanthus heptaphyllus 29,76 4,42 66,67 4,29 0,29 1,57 3,43
Genipa americana 23,81 3,53 42,86 2,76 0,22 1,18 2,49
Tapirira guianensis 16,67 2,47 38,10 2,45 0,43 2,33 2,42
Syzygium cumini 11,91 1,77 28,57 1,84 0,66 3,60 2,40
Xylopia frutescens 21,43 3,18 47,62 3,07 0,13 0,71 2,32
Schinus terebinthifolia 15,48 2,30 33,33 2,15 0,44 2,37 2,27
Paubrasilia echinata 17,86 2,65 38,10 2,45 0,17 0,90 2,00
Demais espécies (56) 279,75 41,56 833,31 53,73 6,19 33,61 42,91
Total 673,8 100 1552,4 100 18,42 100 100

Pode-se observar que o Arboretum da UFAL apesar ser uma área de restauração
florestal com apenas 15 anos de implantação, apresenta uma característica marcante de
floresta natural, caracterizado pela distribuição diamétrica decrescente, semelhante a um
“J-invertido” (Figura 1), isso porque indivíduos de classes com diâmetro menores estão em
maior quantidade, diminuindo exponencialmente com o aumento no tamanho das classes
diamétricas. Essa constatação pode ser atribuída ao elevado número de indivíduos que já se
encontram em regeneração natural e estão ingressando no estrato arbóreo, fazendo com
que essa área já apresente características de uma floresta inequiânea. Tal estrutura também
foi observada em outros trabalhos como o de Souza (2017); Batista (2014); Imaña-Encinas
et al. (2013); Brandão (2013) e outros.

FIGURA 1. Gráfico da distribuição diamétrica do Arboretum da UFAL, indivíduos dispostos em classes de


diâmetro com intervalo de 10 cm.

500
400
Nº Ind./ha

300 Y=exp6,7382-0,0883*ccDAP
200 R²=0,97
100
0
10 20 30 40 50 60 70 80
Centro de Classe diamétrica (cm)

Freq. Obs. Freq. Est.

101
4. Conclusão
O Arboretum da UFAL apresentou estrutura diamétrica com traços marcantes de
floresta natural, apesar de ser uma área implantada há apenas 15 anos. A alta diversidade
de espécies, comprovada pelo índice de Shannon de 3,78 nats.ind-1, pode ter contribuído
para o sucesso de restauração dessa área, a qual já apresenta sucessão natural assegurada
pela elevada presença de indivíduos jovens ingressando no estrato arbóreo.

5. Literatura citada

Batista, A. P. B. Dinâmica e predição da estrutura diamétrica de dois fragmentos de floresta


atlântica no nordeste do Brasil. 2014. 76 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) –
Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2014.

Brandão, C. F. L. S. Estrutura do componente arbóreo e da regeneração natural em


fragmentos de floresta atlântica de diferentes tamanhos, em Sirinhaém, Pernambuco. 2013.
108 f. Tese (Doutorado em Ciências Florestais) –Universidade Federal Rural de
Pernambuco, Recife, 2013.
Imaña-Encinas, J.; Conceição, C. A.; Santana, O. A.; Imaña, C. R.; Paula, J. E. Distribuição
diamétrica de um fragmento de Floresta Atlântica no município de Santa Maria de Jetibá,
ES. Floresta, Curitiba, v. 43, n. 3, p. 385-394, jul./set. 2013.
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/floresta/article/view/24894/21083.
Nascimento I. S.; Leite, M. J. H.; Lima, T. L.; Silva, A. C. B. L. Riqueza e Diversidade de
Espécies de Fragmentos de Floresta Ombrófila Densa no Estado de Pernambuco. VIII
Simpósio Brasileiro de Pós-Graduação em Ciências Florestais, UFRPE. Out., 2014.
http://www.simposfloresta.pro.br/sistema/ocs-
2.3.5/index.php/viiisimposfloresta/viiispcf/paper/viewFile/46/225.
Queiroz, W. T.; Silva, M. L.; Jardim, F. C. S.; Vale, R.; Valente, M. D. R.; Pinheiro, J.
Índice de valor de importância de espécies arbóreas da floresta nacional do tapajós via
análises de componentes principais e de fatores. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 27, n. 1,
p. 47-59, jan.-mar., 2017. http://dx.doi.org/10.5902/1980509826446.

Silva, K. A.; Martins, S. V.; Neto, A. M.; Demolinari, R. A.; Lopes, A. T. Restauração
Florestal de uma Mina de Bauxita: Avaliação do Desenvolvimento das Espécies Arbóreas
Plantadas. Floresta e Ambiente, v. 23, n. 3, p. 309-319, 2016.

102
Souza, R. N. Dinâmica e distribuição diamétrica de espécies arbóreas em fragmento
florestal, São Lourenço da Mata – PE. 2017. 72 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais, Recife,
BR-PE, 2017.

103
Aspectos fenológicos de Manilkara salzmannii (A. DC.) H. J. Lam. em um
fragmento de Mata Atlântica

Ageu da Silva Monteiro Freire 1, Kyvia Pontes Teixeira das Chagas 1, Fábio de Almeida Vieira1
1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mails: ageufreire@hotmail.com,
kyviapontes@gmail.com, vieirafa@gmail.com

RESUMO: Objetivou-se avaliar os aspectos fenológicos de Manilkara salzmannii. Foram


selecionados 19 indivíduos no município de Macaíba, RN. Coletou-se os dados
quinzenalmente, com observações de agosto de 2015 a julho de 2017. Foram registradas
as fenofases desfolhamento, enfolhamento, botão floral, floração, fruto imaturo e fruto
maduro, utilizando na quantificação os índices de atividade e o de intensidade de
Fournier. O desfolhamento foi frequente em todas as avaliações, com maior pico de
intensidade nos meses de novembro a dezembro de 2016. O enfolhamento teve grande pico
de intensidade em junho de 2016, e apresentou grande variação ao longo do período
avaliado. Os eventos reprodutivos de botões florais e floração tiveram maior intensidade
entre agosto e dezembro de 2015. Houve grande produção de frutos imaturos nos últimos
meses de 2015 aos primeiros meses de 2016, com redução na taxa de frutificação no
decorrer de 2016. Já a taxa de produção de frutos maduros foi maior nos primeiros meses
de 2016, e assim como a produção de frutos imaturos, houve redução e ausência de
produção de frutos maduros em 2017. Os resultados mostraram a época e intensidade das
fenofases de M. salzmannii, contribuindo para novos estudos referentes a ecologia e
conservação da espécie.

Palavras-chave: Sapotaceae, fenologia, fenofases, conservação

1. Introdução
Manilkara salzmannii (A. DC.) H. J. Lam. é uma espécie endêmica e nativa do
Brasil que pertence à família Sapotaceae, situando-se nos domínios fitogeográficos da
Caatinga e Mata Atlântica (Almeida Jr. 2015). A espécie apresenta madeira de qualidade
(Almeida Jr. et al., 2010) e pode ser usada na arborização e reflorestamento de áreas a
serem preservadas (Lorenzi, 1992).
Estudos fenológicos subsidiam estratégias de conservação e manejo por meio das
informações que são geradas sobre os aspectos vegetativos e reprodutivos das plantas por
meio da análise das suas fases de vida (Camilo et al., 2013), contribuindo para a
compreensão das relações entre as fases e as variáveis climáticas das espécies florestais
nativas (Ferrera et al., 2017). Devido aos efeitos antrópicos que podem ocasionar a
diminuição de populações de espécies florestais (Monticelli & Morais, 2015), há a
necessidade de estudos fenológicos que forneçam informações sobre a dinâmica

104
reprodutiva nas populações naturais (Freire et al., 2013).
Diante disto, o objetivo do estudo foi avaliar os aspectos fenológicos vegetativos e
reprodutivos de M. salzmannii.

2. Material e Métodos
Selecionou-se 19 indivíduos adultos de M. salzmannii em um fragmento de Mata
Atlântica no município de Macaíba, RN. Adquiriu-se os dados quinzenalmente, com
observações de agosto de 2015 a julho de 2017, totalizando 52 observações. Registrou-se
duas fenofases vegetativas: desfolhamento e enfolhamento; e quatro fenofases
reprodutivas: botão floral, floração, fruto imaturo e fruto maduro.
Para quantificar os eventos foram utilizados o índice de atividade, que é a presença
ou ausência da fenofase específica, e o índice de intensidade de Fournier, que compreende
uma escala intervalar semiquantitativa de cinco categorias (0 a 4), com intervalo de 25%
entre cada categoria: zero= ausência, 1 = magnitude entre 1 a 25%, 2 = magnitude entre
26% a 50%, 3 = magnitude entre 51% a 75% e 4= magnitude entre 76% a 100%.
Os valores obtidos quinzenalmente foram somados e divididos pelo valor máximo
possível (número de indivíduos multiplicado por quatro), onde depois multiplicou-se por
100, para transformá-los em valor porcentual (D´eça-neves & Morellato, 2004).

3. Resultados e Discussão
O desfolhamento foi frequente em todas as avaliações (Figura 1A), com maior pico de
intensidade nos meses de novembro a dezembro de 2016, sendo observado que a menor
intensidade ocorreu no período de inverno. Estudos explanam que o aumento do
desfolhamento em regiões tropicais ocorre nos períodos de maior déficit hídrico (Talora &
Morellato, 2000), o que não aconteceu neste estudo, onde a perda de folhas pode ter sido
determinada pelo genótipo dos indivíduos e não pelas variáveis ambientais (Morellato, 1991).

O enfolhamento apresentou grande variação ao longo do período avaliado (Figura 1


B), o que pode ser decorrente das variações ambientais na região. O local apresenta alta
incidência de radiação e temperatura ao longo de quase todo ano, onde espécies arbóreas
demonstram influência positiva dessas variáveis no enfolhamento (Ferrera et al., 2017).

105
FIGURA 1. Porcentagem de desfolhamento (A) e enfolhamento (B) em uma população natural de M.
salzmannii em Macaíba, RN.

Os eventos reprodutivos de botões florais e floração tiveram maior intensidade


em agosto a dezembro de 2015 (Figura 2A) (Figura 2B), onde foi observado pouca
emissão de botões florais e flores nas avaliações de 2016 e 2017. Esses eventos
podem ser explicados pela escassez de chuvas na região durante o período avaliado.
Houve grande produção de frutos imaturos dos últimos meses de 2015 aos
primeiros meses de 2016 (Figura 2C), onde a taxa foi diminuindo no decorrer de 2016
e sem nenhuma produção em 2017. Já a taxa de produção de frutos maduros foi
grande nos primeiros meses de 2016 (Figura 2D), e assim como a fenofase de frutos
imaturos, ela foi diminuindo, não ocorrendo produção de frutos maduros em 2017.

106
FIGURA 2. Porcentagem de botões florais (A), floração (B), frutos imaturos (C) e frutos maduros (D) em
uma população natural de M. salzmannii em Macaíba, RN.

A baixa taxa de produção de frutos pode ser explicada pela baixa precipitação
no período avaliado, onde Rocha et al. (2015) em estudo de fenologia da palmeira
Copernicia prunifera no munícipio do referido estudo, notaram que houve menor
frutificação no período que ocorreu baixa precipitação. Isso evidencia o estresse
provocado nas plantas pelas variações climáticas, podendo alterar seus eventos
reprodutivos.
4. Conclusão
Os resultados mostram a época e intensidade das fenofases vegetativas e
reprodutivas da M. salzmannii, com possível influência das variáveis ambientais nos
eventos. O estudo demonstra que há necessidade de pesquisas mais detalhadas sobre a
relação das variáveis climáticas com as fenofases. Isso inclui estudos que avaliam a
polinização, maturação e dispersão dos frutos, com o intuito de subsidiar estratégias de
conservação e manejo da espécie.

5. Agradecimentos

À FAPERN/CAPES, pelo auxílio financeiro.

107
6. Literatura Citada

Almeida jr., E.B. 2015. Manilkara in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico
do Rio de Janeiro. Disponível em:
<http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB14482>. 30 mar. 2018.
Almeida jr., E.B.; Lima, L.F.; Lima, P.B.; Zickel, C.S. Descrição morfológica de frutos e
sementes de Manilkara salzmannii (A.DC.) Lam (Sapotaceae). Floresta, v. 40, p. 535-540,
2010.
Camilo, Y.M.V.; Souza, E.R.B.; Vera, R.; Naves, R.V. Fenologia, produção e precocidade
de plantas de Eugenia dysenterica visando melhoramento genético. Revista de Ciências
Agrárias, v. 36, n. 2, p. 192-198, 2013.
Ferrera, T.S.; Pelissaro, T.M.; Eisinger, S.M.; Righi, E.Z.; Buriol, G.A. Fenologia de
espécies nativas arbóreas na região central do estado do Rio Grande do Sul. Ciência
Florestal, v. 27, n. 3, p. 753-766, 2017.
Freire, J.M.; Azevedo, M.C.; Cunha, C.F.; Silva, T.F.; Resende, A.S. Fenologia reprodutiva
de espécies arbóreas em área fragmentada de Mata Atlântica em Itaborai, RJ. Pesquisa
Florestal Brasileira, v. 33, n. 75, p. 243-252, 2013.
Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas
nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. v. 1.
Monticelli, C.; Morais, L.H. Impactos antrópicos sobre uma população de Alouatta
clamitans (Cabrera, 1940) em um fragmento de Mata Atlântica no estado de São Paulo:
apontamento de medidas mitigatórias. Revista Biociências, v. 21, p. 14-26, 2015.
Morellato, L. P. C. Estudo da fenologia de árvores, arbustos e lianas de uma floresta
semidecídua no sudeste do Brasil. Tese de Doutorado, Universidade de Campinas,
Campinas, São Paulo. 1991.
Rocha, T.G.F.; Silva, R.A.R.; Dantas, E.X.; Vieira, F.A. Fenologia da Copernicia prunifera
(Arecaceae) em uma área de Caatinga do Rio Grande do Norte. Cerne, v. 21, p. 673-681,
2015.
Talora, D. C.; Morellato, L. P. C. Fenologia de espécies arbóreas em floresta de planície
litorânea do Sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Botânica, São Paulo, v. 23, n.1, p. 13-
26, 2000.

108
Assembléia de coleópteros edáficos (Arthropoda; Hexapoda) na Estação
Ecológica do Rio Ronuro, norte de Mato Grosso

Ana Claudia Troleis Urnhani1, Juliane Dambros1, Leandro Dênis Battirola1


1
Instituto de Ciências Naturais, Humanas e Sociais, Universidade Federal de Mato Grosso. E-
mail:aurnhani@hotmail.com;julianedambros84@gmail.com; ldbattirola@uol.com.br³

RESUMO: Cerca de 70% de todas as espécies de animais conhecidas são representadas


por insetos, destacando-se os Coleoptera, representando cerca de 40% do total de insetos
(358.900 espécies), estes insetos são responsáveis por diversos processos que estruturam
os ecossistemas terrestres, exercem papel fundamental decompondo material vegetal no
solo, na ciclagem de nutrientes e regulação indireta dos processos biológicos do solo, esse
estudo objetivou avaliar a composição da assembléia de coleópteros edáficos em uma área
de transição Cerrado-Amazônia na Estação Ecológica do Rio Ronuro, em Nova Ubiratã,
Mato Grosso, foram amostrados nos meses de outubro/novembro de 2016 e
fevereiro/março de 2017 com armadilhas pitfall um total de 418 indivíduos,
correspondendo a 14 famílias. Staphylinidae (220 ind.; 52,6%) foi predominante, seguida
por Histeridae (89 ind.; 21,2%), Colydiidae (31 ind.; 7,4%), Nitidulidae (31 ind.; 7,4%),
Curculionidae (13 ind.; 3,1%), Lathridiidae (7 ind.; 1,6%), Chrysomelidae (5 ind.; 1,1%),
Carabidae (4 ind.; 0,95%), Cucujidae (4 ind.; 0,95%), Elateridae (4 ind.; 0,95%),
Corylophidae (3 ind.; 0,7%), Scarabaeidae (3 ind.; 0,7%), Scydmaenidae (2 ind.; 0,4%) e
Tenebrionidae (2 ind.; 0,4%), com relação às guildas tróficas observou-se a dominância
de predadores (353 ind.; 84,4%), seguidos por herbívoros (25 ind.; 5,9%), saprófagos (33
ind.; 7,89%) e fungívoros (7 ind.; 1,67%).

Palavras-chave: Amazônia Meridional, ambiente edáfico, biodiversidade

1. Introdução
Os insetos constituem um dos mais diversos grupos de fauna do planeta,
representando cerca de 70% de todas as espécies animais conhecidas. Dentre os
representantes da Classe Hexapoda pode-se destacar a Ordem Coleoptera, que contém em
torno de 358.900 espécies, representando 40% do número total de insetos descritos
(Lawrence & Britton, 1991; Triplehorn & Johnson, 2005).
Os invertebrados edáficos, incluindo os Coleoptera, são importantes para os
processos que estruturam os ecossistemas terrestres, especialmente nos trópicos (Wilson,
1987), pois exercem um papel fundamental na decomposição de material vegetal do solo,
na ciclagem de nutrientes e na regulação indireta dos processos biológicos nesse habitat,

109
estabelecendo interações em diferentes níveis com os microrganismos, que são
fundamentais para a manutenção da fertilidade e produtividade do ecossistema (Correia &
Oliveira, 2005). Assim, esse estudo objetiva avaliar a composição da assembléia de
coleópteros edáficos coletados na Estação Ecológica do Rio Ronuro, evidenciando a
biodiversidade da região norte de Mato Grosso, especificamente na transição entre Cerrado
e Amazônia.

2. Material e Métodos

Este estudo foi realizado na Estação Ecológica do Rio Ronuro, no município de


Nova Ubiratã, localizada na porção médio norte do Estado do Mato Grosso, denominada
Chapada dos Parecis. O clima da região é equatorial quente e úmido, com quatro meses de
seca (maio a agosto), com precipitação média de 2.250 mm, com temperatura média anual
de 24 ºC. A vegetação do município se constitui uma zona de transição entre o Cerrado
(70%) e a Amazônia (30%) (IBGE, 2016).
Os Coleoptera foram amostrados nas áreas de amortização da Estação Ecológica do
Rio Ronuro, durante os meses de outubro/novembro de 2016, e fevereiro/março de 2017.
Foram utilizadas armadilhas de solo tipo pitfall, que consistem em um frasco de plástico
com 10 cm de altura e abertura circular de 12 cm, contendo 250 mL de água com gotas de
detergente, protegidas por coberturas de plástico (20 x 20 cm) para impedir que folhas,
galhos e chuva interferissem na amostragem. Para as amostragens foram demarcados 20
transectos de 200 m. Um total de 10 armadilhas foram instaladas em cada transecto,
equidistantes 20 m. Estas armadilhas permaneceram em campo por 48 horas.Todo o
material coletado foi acondicionado em frascos contendo álcool a 92% e transportado para
a Coleção de Arachnida e Myriapoda do Acervo Biológico da Amazônia Meridional
(ABAM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Universitário de
Sinop, onde o material foi triado, quantificado e identificado em nível de família.
Os indivíduos adultos de Coleoptera foram identificados seguindo-se a
classificação proposta por Lawrence et al. (2000). A análise de agrupamentos em guildas
tróficas foi baseada em Arnett (1963), Erwin (1983) e Hammond et al. (1996). A coleção
referência de Coleoptera ficará disponível no Acervo Biológico da Amazônia Meridional

110
(ABAM).

3. Resultados e Discussão

Os 418 coleópteros amostrados na Estação Ecológica do Rio Ronuro


corresponderam a 14 famílias. Staphylinidae foi dominante (220 ind.; 52,6%), seguida por
Histeridae (89 ind.; 21,2%), Colydiidae (31 ind.; 7,4%), Nitidulidae (31 ind.; 7,4%),
Curculionidae (13 ind.; 3,1%), Lathridiidae (7 ind.; 1,6%), Chrysomelidae (5 ind.; 1,1%),
Carabidae (4 ind.; 0,95%), Cucujidae (4 ind.; 0,95%), Elateridae (4 ind.; 0,95%),
Corylophidae (3 ind.; 0,7%), Scarabaeidae (3 ind.; 0,7%), Scydmaenidae (2 ind.; 0,4%) e
Tenebrionidae (2 ind.; 0,4%) foram as famílias amostradas (Tabela 1). Com relação às
guildas tróficas observou-se predomínio de predadores (353 ind.; 84,4%), seguidos por
herbívoros (25 ind.; 5,9%), saprófagos (33 ind.; 7,89%) e fungívoros (7 ind.; 1,67%).
As guildas são conjuntos de indivíduos que apresentam hábito alimentar igual ou
semelhante. Em nosso estudo os predadores que se alimentam de outros insetos ou
pequenos invertebrados foram representados especificamente por Carabidae,
Corylophidae, Cucujidae, Histeridae, Scydmaenidae, Staphylinidae. Os principais
hervívoros foram Chrysomelidae, Curculionidae, Elateridae, Scarabaeidae. Os fungívoros
foram representados por Lathridiidae, enquanto os saprófagos corresponderam a
Nitidulidae e Tenebrionidae.
A biodiversidade da Amazônia mato-grossense ainda é pouco conhecida, porém
estudos descritivos sobre a composição e estrutura das comunidades biológicas,
principalmente de invertebrados são importantes para estabelecimento de práticas de
gestão e conservação, bem como para o delineamento e definição de áreas prioritárias à
conservação da diversidade biológica. Tal relevância se deve, essencialmente, à intensa
pressão antrópica sofrida pela exploração dos recursos naturais e avanço das fronteiras
agrícola e pecuária (e.g. Fearnside, 2005; Battirola et al., 2015, 2016).
A fauna de insetos tropicais é extremamente rica em espécies nos diversos taxa,
com algumas exceções (Wolda & Chandler, 1996). Essa diversidade varia entre áreas e
depende, entre outras coisas, do tipo de habitat, história de perturbação e altitude (Wolda,
1987). Dentre esses os mais utilizados em diferentes ecossistemas, estão os besouros

111
(Coleoptera) que constituem o maior grupo de insetos, distribuídos em mais de cem
famílias que ocupam praticamente todos os ambientes, os quais podem ocorrer
alimentando-se das mais variadas fontes de alimento (Audino et al., 2007). A composição
de Coleoptera no nível de famílias foi similar a outros estudos envolvendo fauna de solo.
As famílias mais abundantes foram Staphylinidae, Histeridae, Colydiidae, Nitidulidae e
Curculionidae.

4. Conclusão

Os resultados obtidos neste estudo sobre os coleópteros edáficos indicam que o


ESEC do Rio Ronuro apresenta uma ampla variedade de famílias, evidenciando sua
importância como área destinada à conservação da biodiversidade da Amazônia
Meridional. Estudos mais aprofundados devem ser realizados sobre as diferentes famílias
ocorrentes nessa área mostrando a composição e riqueza da assembleia de coleópteros
edáficos e suas correspondentes guildas tróficas, evidenciando a biodiversidade da região
norte de Mato Grosso e corroborando à sua conservação.

5. Literatura Citada

Arnett, R. H. JR. 1963. The beetles of the United States. Washington, D.C.,The Catholic
University of America Press, xi +1112 p.Audino, L. D.; Nogueira, J. M.; Silva, P. G.;
Neske, M. Z.; Ramos, A. H. B.; Moraes, L. P.; Borba, M. F. S. 2007. Identificação dos
coleópteros (Insecta: Coleoptera) das regiões de Palmas (município de Bagé) e Santa
Barbinha (município de Caçapava do Sul), RS, Embrapa.Battirola, L.D.; Silva, L.S.;
Almeida, F.M.; Battistela, D.A. ; Pena-Barbosa, J.P.P.; Chagas Junior, A.; Brescovit,
A.D. 2015. Artrópodes de Solo. In: Rodrigues, D.J.; Noronha, J.C.; Vindica V. F.;
Barbosa, F. R. (Orgs.). Biodiversidade do Parque Estadual Cristalino. 1ed. São Paulo-SP:
Attema Editorial, 2016, p. 165-177.
Correia, M. E. F.; Oliveira, L. C. M. Importância da fauna para a ciclagem de nutrientes.
In: Aquino, A. M.; Assis, R. L. (Ed.). Processos biológicos no sistema solo-planta:
ferramentas para a agricultura sustentável. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica,
2005, p. 18-29.

112
Erwin, T. L. 1983. Beetles and other insects of tropical forest canopies at Manaus, Brazil,
sampled by insecticidal fogging, p. 59-75. In: Sutton S. L.; T. C. Whitmore & A. C.
Chadwick (eds.). Tropical rainforest: ecology and management. Blackwell Scientific
Publications. Oxford, 498 p. Fearnside, P. M. 2005. Desmatamento na Amazônia
brasileira: história, índices e conseqüências. Megadiversidade, 1:113-123.Hammond, P. M.;
R. L. Kitchung & N. E. Stork. 1996. The composition and richness of the tree-crown Coleoptera
assemblage in an Australian subtropical forest. Ecotropica 2: 99-108.IBGE, 2016. Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística
(https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/matogrosso/novaubirata.pdf). Accessed on
11/10/2017.Lawrence, J. F.; Britton. E B. Coleoptera. In: CSIRO The Insects of Australia.
v. 2 Cornell University Press, New York. 1991. p. 543-683.Lawrence, J. F.; A. M. Hastings; M.
J. Dallwitz; T. A. Paine & E. J. Zurcher. 2000. Beetles of the World. A key and information system
for families and subfamilies. Version 1.0 MS Windows. Melbourne, Australia. CSIRO
Publishing.Triplehorn, C. A.; Johnson. N. F. Borror and Delong’s Introdution to the Study
of Insects, 7 th edition. Thomson Brooks/Cole. P. 864. 2005.Wilson. E. O. The things that
run the world: the importance and conservation of invertebrates. Conservation Biology, v.
1, p. 344-346, 1987.
Wolda, H. & D. Chandler 1996. Diversity and seasonality of Tropical Pselaphidae and
Anthicidae (Coleoptera). Proc. Kon. Ned. Acad. Wetensch. C. 99: 313-333.Wolda, H.
1987. Altitude, habitat and tropical insect diversity. Biological Journal of the Linnean
Society 30: 313-323.

113
Atributos funcionais relacionados à folha das cinco espécies de maior
representatividade em um trecho de Floresta Estacional Decidual, RS.

Ana Claudia Bentancor Araújo¹, Francieli de Fátima Missio 2, Camila Andrzejewski², Solon Jonas
Longhi²
1
Instituto Federal Farroupilha (claudiaaraujo9@yahoo.com.br), 2Universidade Federal de Santa
Maria (franmissio@yahoo.com.br; ²Universidade Federal de Santa Maria (camila_
andrzejewski@hotmail.com), ²Universidade Federal de Santa Maria (longhi.solon@gmail.com)

RESUMO: O presente estudo teve como objetivo analisar os atributos funcionais,


tamanho da folha e área foliar específica, de cinco espécies arbóreas em Floresta
Estacional Decidual, RS. Para isso foi realizado um levantamento florístico e
fitossociológico do componente arbóreo, para posterior análise da estrutura horizontal e
obter o estimador relacionado ao valor de importância. Desse resultado foi selecionado as
cinco primeiras espécies e delas coletado 20 folhas de cada 10 indivíduo. Das mesmas
determinou-se a média da área foliar e área foliar específica e o desvio padrão de cada
atributo. Foi verificado que as espécies Guarea macrophylla e Cupania vernalis
apresentaram maiores variações no tamanho da folha, e Casearia sylvestris menor valor,
ao passo que Ocotea puberula apresentou maior área foliar específica, seguida de
Casearia sylvestris. Esses resultados demonstram a capacidade das espécies em adaptar-
se as condições do ambiente, principalmente na captação aos feixes de luminosidade, com
folhas mais membranáceas ou coriáceas, como característica no investimento em defesa e
taxa fotossintética. Por fim, se faz importante inserir na ecologia de comunidades o estudo
dos atributos funcionais, uma vez que os mesmos auxiliam na melhor compreensão de
como as espécies estão organizadas no ambiente, principalmente aqueles em que há
distúrbios ambientais.

Palavras-chave: área foliar; área foliar específica, valor de importância

1. Introdução
Atributos funcionais são assim definidos como as características morfológicas,
fisiológicas e fenológicas que influenciam no desempenho de cada espécie quanto ao
estabelecimento, reprodução e sobrevivência (Violle et al., 2007).
Considerar os atributos funcionais como aliados na caracterização e composição das
espécies frente às mudanças locais e temporais, tem-se tornado importante ferramenta na
ecologia de comunidades (Violle et al., 2007), principalmente, na compreensão das
estratégias que as mesmas desempenham em ambientes heterogêneos, bem como
identificar o padrão e dinâmica de montagem das comunidades de espécies florestais
(Swenson, 2013).
A área foliar e área foliar específica são consideradas importantes na análise da

114
performance das espécies, uma vez que representam a condição da planta em relação a
captação de luz, ao equilíbrio hídrico e trocas gasosas, ao crescimento relativo e
investimento em defesa.
Assim, o principal objetivo deste trabalho foi avaliar dois atributos funcionais
relacionados a folha, área foliar e área foliar específica, das cinco espécies arbóreas nativas
de maior importância em um trecho de vegetação secundária de Floresta Estacional
Decidual, a fim de verificar a variação dos mesmos entre as espécies selecionadas.

2. Material e Métodos
Este trabalho contempla como parte do banco de dados do projeto de doutorado da
segunda coautora, dados ainda não publicados, pelo programa de Pós-Graduação em
Engenharia Florestal, UFSM.
O estudo foi realizado em um trecho de vegetação secundária de Floresta Estacional
Decidual, nas coordenadas 29°35'29.73"S e 53°21'46.36"W, no município de Dona
Francisca, RS. Primeiramente foi realizado o levantamento florístico e fitossociológico, em
1ha de floresta, a partir da instalação de 50 parcelas permanentes de dimensões 10x210 m
(200m²). Todos os indivíduos arbóreos adultos com DAP≥5cm foram amostrados para
determinar a estrutura horizontal. Posteriormente, foram selecionadas, as cinco espécies
arbóreas nativas, com maior valor de importância, no respectivo trecho florestal, para a
análise dos atributos funcionais: área foliar e área foliar específica.
Para a quantificação dos atributos funcionais foram coletadas 20 folhas em cada 10
indivíduo por espécie, totalizando 1000 folhas. Dessas folhas foi determinado a área foliar
(AF em cm²), e, a área foliar específica que é dada pela razão entre massa seca das folhas e
a área foliar (AFE em g/cm²).
Para a análise dos dados foi calculado a média de cada atributo por espécie, bem
como o seu desvio padrão. Ainda, para melhor visualização dos dados foram elaborados
gráficos de barras no programa estatístico R (R Development Core Team, 2018).

3. Resultados e Discussão
As cinco espécies arbóreas de maior representatividade no trecho florestal foram:
Casearia sylvestris Sw., Nectandra lanceolata Nees, Cupania vernalis Cambess., Guarea
macrophylla Vahl e Ocotea puberula (Rich.) Ness.

115
Dentre essas espécies as que apresentaram folhas maiores (Figura 1), foram as de
folhas compostas Guarea macrophylla e Cupania vernalis. Folhas menores foi a espécie
Casearia sylvestris. Para essas mesmas espécies também foi verificado a maior e menor
dispersão dos valores em área foliar, representado pelo desvio padrão (Figura 2), isto é,
Cupania vernalis apresentou maior variação no tamanho das suas folhas e Casearia
sylvestris apresentou um padrão mais uniforme no atributo área foliar.

Figura 1-Média da área foliar (cm²), das cinco espécies arbóreas nativas de maior valor de
importância em um trecho de vegetação secundária, em Floresta Estacional Decidual, RS.

Figura 2-Desvio padrão dos valores de área foliar das cinco espécies de maior valor de
importância, amostradas em um trecho de vegetação secundária, em Floresta Estacional
Decidual, RS

Já quanto a área foliar específica e seu respectivo desvio padrão podem ser
observados na figura 3 e figura 4. A Ocotea puberula se destacou das demais, seguida de
Casearia sylvestris e Nectandra lanceolata, ou seja, com folhas mais membranáceas
quando comparado à Cupania vernalis e Guarea macrophylla de folhas mais coriáceas.

116
Figura 3-Média da área foliar específica (g/cm²), das cinco espécies arbóreas nativas de
maior valor de importância em um trecho de vegetação secundária, em Floresta Estacional
Decidual, RS.

Figura 4-Desvio padrão dos valores de área foliar específica das cinco espécies de maior
valor de importância, amostradas em um trecho de vegetação secundária, em Floresta
Estacional Decidual, RS

De um modo geral, a partir desses resultados, é possível verificar que as espécies


arbóreas, apresentam a plasticidade fenotípica como estratégia ecológica, para a maior
absorção dos feixes de luminosidade do dossel ao interior da floresta, uma vez que as
características das folhas variam de acordo com a captação de luz nos diferentes estratos
arbóreos (Gratani, 2014).
Espécies que apresentam alto valor em área foliar específica indicam menor
absorção de luz por unidade de biomassa (Poorter et al., 2009), sendo consideradas como
folhas menos longevas por apresentarem a taxa de retorno no investimento da folha

117
reduzido, ao contrário das de menor área foliar que investem na construção da folha e nos
mecanismos de defesa (Poorter et al., 2009).
Além disso, a variação dos atributos foliares podem refletir tanto na capacidade de
crescimento das espécies como pela capacidade na eficiência fotossintética, em áreas de
vegetação secundária, isto é, devido as perturbações ambientais na floresta, as mudanças
ocasionadas por este efeito causam alterações na taxa de luminosidade, tornando-o
ambiente, por exemplo, com maior número de clareiras, o que influencia na plasticidade
dessas espécies arbóreas quanto ao seu estabelecimento e desenvolvimento em condições
menos favoráveis à suas características morfológicas, resultando assim na capacidade de
resiliência das comunidades (Pillar et al., 2013).

4. Conclusão
As espécies arbóreas apresentaram variações em seus atributos foliares como já
esperado, demonstrando suas estratégias ecológicas em alocar os recursos disponíveis no
ambiente, principalmente os relacionados ao gradiente luz.

5. Literatura Citada
Gratani, L. Plant Phenotypic Plasticity in Response to Environmental Factors.
Advances in botany, p.1-17, 2014.
Pillar, V.D., Blanco, C.C., Müller, S.C., et al., 2013. Functional redundancy and
stability in plant communities. Journal Vegetation. Scienc, v.24, 2013.
Poorter, H.; Niinemets, U.; Poorter, L.; Wright, I. J.; Villar, R. Causes and
consequences of variation in leaf mass per area (LMA): a meta-analysis. New Phytologist,
v.182, p.565-588, 2009.
R Development Core Team. R: A language and environment for statistical
computing. R Foundation for Statistical Computing, 2018. Disponível em:
<(http://www.R-project.org).
Swenson, N.G. The assembly of tropical tree communities – the advances and
shortcomings of phylogenetic and functional trait analyses. Ecography, v.36, p. 264– 276,
2013.

118
Violle, C; Navas, M. L.; Vile, D.; Kazakou, E.; Fortunel, C.; Hummel, I.; Garnier,
E. Let the concept of trait be functional! Oikos, Copenhagem, v. 116, n. 5, p. 882-892,
2007.

119
Avaliação do potencial do lodo de esgoto para uso na recuperação de
áreas degradadas

Aline da Silva Veloso 1, William Ramos da Silva 1, Ygor Jaques Agra Bezerra 1, Clístenes Williams
Araújo do Nascimento1, Diogo Henrique Ximenes 1,Franklone Lima1

1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) (alineveloso888@gmail.com),
(williamramos_17@hotmail.com), (ygorufrpe@yahoo.com.br), (cwanascimento@hotmail.com),
(diogohenriqueximenes@gmail.com), (franklone@hotmail.com)

RESUMO: Uma alternativa promissora para destinação final do lodo de


esgoto tem sido o uso deste resíduo em áreas agrícolas, plantios florestais,
produção de mudas e na recuperação de áreas degradadas (RAD), sendo
considerada atualmente uma prática econômica, soci al e ambientalmente
mais aceita. O lodo fornece nutriente e possui altos teores de matéria
orgânica. Tendo conhecimento das recomendações para aplicação, e visando
os desafios em se recuperar uma área degradada, como o elevado custo, vem
sendo utilizadas combinações de técnicas que possam estabelecer um
ambiente propício para reposição vegetal, que está ligado às condições
nutricionais e de M.O no solo, esse trabalho tem como objetivo avaliar o
potencial da composição química do lodo como fonte de nutriente s e
condicionantes do solo para uso na RAD. As amostras de lodo foram
coletadas na empresa AFC Soluções Ambientais, sendo determinados os
seguintes parâmetros: pH em água (1:10); carbono orgânico; nitrogênio
total; teores totais de fósforo, potássio, sódio , cálcio e magnésio de acordo
com a resolução nº 375/2006 do CONAMA. As análises apresentaram
resultados satisfatórios, como fonte de nitrogênio e fósforo e altos teores de
carbono orgânico, nessas condições concluímos que o lodo de esgoto mostra -
se viável para uso na recuperação de áreas degradadas.

Palavras-chave: fertilizante orgânico, nitrogênio, fósforo, condicionante do solo

1. Introdução
No Brasil existe uma estimativa da produção de lodo de esgoto de mais de 200 mil
toneladas por ano. Este resíduo, oriundo das descargas domésticas e industriais contém em
média 99,9% de água e 0,1% de sólidos, dos quais 70% são de material orgânico (Moretti et
al., 2014). Coletados pelas estações de tratamento, depois de processados, geralmente,
destinado a aterros sanitários, gerando um elevado custo e potencial contaminação do meio
(Bai et al., 2017). Dessa forma a destinação segura e mais adequada para esse resíduo tem
sido uma das principais preocupações atuais (Singh & Agrawal 2008).

120
Uma alternativa promissora tem sido o uso deste resíduo em áreas agrícolas, plantios
florestais, produção de mudas e na recuperação de áreas degradadas, sendo considerada
atualmente uma prática econômica, social e ambientalmente mais aceita (Kirchmann et al.,
2017). Isso se torna possível por que o lodo pode ser utilizado no fornecimento de
nutrientes, principalmente de nitrogênio e fósforo, podendo suprir total ou parcialmente a
demanda das plantas por esses nutrientes o que favorece o desenvolvimento vegetal e
diminuir os custos com fertilizantes minerais (Teixeira et al., 2015;Yang et al.; 2016). Além
do fornecimento de nutrientes o alto teor de matéria orgânica contido neste resíduo pode
condicionar propriedades físicas e biológicas do solo (Kirchmann et al., 2017).

Tendo conhecimento das recomendações e visando os desafios em se recuperar


uma área degradada, como o elevado custo de implantação, vem sendo utilizadas
combinações de várias técnicas que possam estabelecer um ambiente propício para
reposição vegetal, que está diretamente ligado com as condições nutricionais e de matéria
orgânica no solo (Paez, 2011). Uma alternativa viável seria a utilização do lodo de esgoto
como fonte de nutrientes e no fornecimento de matéria orgânica ao solo. Dentro deste
contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar o potencial da composição química do lodo
do esgoto como fonte de nutrientes e condicionantes do solo para uso na recuperação de
áreas degradadas.

2. Material e Métodos
As amostras de lodo de esgoto foram obtidas em uma estação comercial de
tratamento de efluentes biodegradáveis, localizada no município do Cabo de Santo
Agostinho – PE. A empresa AFC soluções ambientais coletas efluentes industriais
provenientes do complexo de Suape, no município de Ipojuca – PE e sanitário oriundo da
Região Metropolitana do Recife. Esses efluentes são tratados física, química e
biologicamente, gerando como resíduo o lodo de esgoto. Nesta empresa são gerados
diariamente cerca de 10 t de lodo, e tem-se buscado uma destinação o mais segura possível
para este resíduo.
As amostras coletadas foram postar para secar ao ar e passadas em peneiras de
abertura de dois milímetros. Seguindo as exigências do CONAMA resolução nº

375/2006 foram analisados: O pH das amostras foi determinado em água na proporção de

121
1:10, N total extraído por digestão sulfúrica, com posterior destilação por arraste de
vapores pelo método de Kjedahl e titulado com HCl 1,0 mol– L-1 (EMBRAPA, 1999) e
carbono orgânico (CO) determinado pelo método de Walkley-Black modificado (Silva et
al., 1999).
Amostras pulverizadas em almofariz de ágata e passadas em peneira com abertura
de 0,3 mm foram digeridas utilizando o método 3051 A (USEPA, 1998), que consiste em
adicionar meio grama da amostra juntamente com 9 mL de HNO3 e 3 mL de HCl em tubos
de teflon. Em seguida as amostras foram digeridas em conjunto com sistema fechado no
forno microondas (Mars Xpress) por 15 min. em temperaturas de rampa e 4,5 min. após
atingir 175 ºC. Depois do resfriamento, as amostras foram filtradas através de papel de
filtro lento e transferidas para balão volumétrico de 50 mL, completando-se o volume com
água ultrapura. Para controle de qualidade foram feitas soluções multielementares de
referências (spikes) com concentrações conhecidas dos elementos e iguais ao ponto central
da curva de calibração a partir de soluções estoque de 1000 mg- L-1 (TITRISOL®, Merck).

A partir do extraído desta digestão foram determinados os teores de fósforo total


por fotocolorimetria; potássio total e sódio total por fotometria de chama e cálcio total e
magnésio total determinado por espectrometria de emissão óptica (ICP-OES/Optima 7000,
Perkin Elmer).

3. Resultados e Discussão
O lodo de esgoto gerado na estação de tratamento de efluentes biodegradáveis da
empresa AFC soluções ambientais apresentam altos teores de nutrientes para as plantas
(Tabela 1). Portanto, além de contribuir com a sustentabilidade ambiental por meio da
reciclagem dos nutrientes e da energia contida nesses resíduos (Romeiro, 2014; Saruhan,
2015), a utilização desse resíduo em áreas em que o estabelecimento vegetativo é
inviabilizado pela degradação do solo pode promover o condicionamento químico do solo
facilitando a recuperação de áreas degradas.

TABELA 1. Caracterização química do lodo da estação comercial de tratamento de efluentes


biodegradáveis
Amostra pH Ca Mg Na K P N C.O.

122
____________________________
1:2,5 g kg-1 _____________________________________

Lodo 6,48 32,03 0,89 0,259 0,092 10,31 19,1 372,6

O alto teor de carbono orgânico no logo de esgoto (372,6 g -kg-1) indica que a
disposição final desse material em solos de áreas degradadas também tem potencial para
melhorar as propriedades físicas e biológicas do solo. A incorporação do lodo no solo
permite uma melhor utilização dos nutrientes pelas plantas, uma vez que se encontram na
forma orgânica e são liberados gradualmente, fazendo com que as necessidades sejam
supridas de forma adequada durante todo o ciclo (Costa et al., 2014).

Contudo, a composição química do lodo varia de acordo com seu material de


origem, que depende de fatores externos, um deles é o comportamento da população que
utiliza a rede de esgoto, e outro e o processo de tratamento que resulta no lodo, o que pode
representar uma fonte potencial não apenas de carbono orgânico e de nutrientes para as
plantas, mas também de elementos potencialmente tóxicos, por exemplo, metais pesados.
O uso indiscriminado pode provocar danos ao ecossistema por meio de eutrofização devido
aos autos teores de N e P presentes neste resíduo (Vieira e Pazianotto, 2016). Nesse sentido,
se faz necessária a determinação dos teores de metais pesados no lodo de esgoto da estação
comercial de tratamento de efluentes biodegradáveis visando avaliar o potencial do lodo
em causar riscos à saúde pública e ao ambiente.

4. Conclusão
O lodo de esgoto gerado na estação de tratamento de efluentes biodegradáveis
apresenta altos teores de carbono orgânico e de nutrientes para as plantas, o que torna o
lodo uma fonte alternativa e promissora para o fornecimento de nutrientes e matéria
orgânica em áreas degradadas.

5. Literatura Citada

Bai, Y.; Zang, C.; Gu, M.; Gu, C.; Shou, H.; Guay, Y.; Wang, X.; Zhou, X.; Shana, Y.;
FENG, K. Sewage sludge as na initial fertility driver for rapid improvement of mudflat salt
soils. Science of the Total Environment, v.578, p.47-55, 2017.

123
Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Resolução n. 375, de 29 de agosto de
2006. Define critérios e procedimentos, para o uso agrícola de lodos de esgoto gerados em
estações de tratamento de esgoto sanitário e seus produtos derivados. Brasília, 2006.

Costa, V. L.; Maria, I. C.; Camargo, O. A.; Grego, C. R.; Melo, L. C. A. Distribuição
espacial de fósforo em Latossolo tratado com lodo de esgoto e adubação mineral. Revista
Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v.18, n.3, p.287–293, 2014.

Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Embrapa Solos, Embrapa


Informática Agropecuária. Manual de análises químicas de solos, plantas e fertilizantes.
Brasília: EMBRAPA, p. 370, 1999.

Kirchmann, H.; Borgesson, G.; Katterer, Y.; Cohen, Y. From agricultural use of sewage
sludge to nutrient extraction: A soil science Outlook. Ambio, v.46, p.143–154, 2017.

Moretti, S. M. L.; Bertoncini, E. I.; Abreu Junior, c. h. Decomposição de Lodo de Esgoto e


Composto de Lodo de Esgoto em Nitossolo Háplico. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
v.39, p.1796-1805, 2015.

Paez, D. R. M. Utilização do lodo de esgoto na produção de mudas e no cultivo de


eucalipto. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Engenharia
Florestal), 2011.

Romeiro, J. C. T.; Grassi Filho, H,; Moreira, L. L. Q. Absorção de N, P, K, Ca e Mg por


laranjeiras „pêra‟ fertilizadas com lodo de esgoto compostado em substituição à adubação
nitrogenada mineral. Irriga, v. 19, n. 1, p. 82-93, 2014.

Saruhan V.; Kusvuran, A.; Kokten, K. Effects of sewage sludge used as fertilizer on the
yield and chemical contents of common vetch (Vicia sativa L.) and soil. Legume Research,
v.38, n.4, p.488-495, 2015.

124
Silva, A. C.; Torrado, P. V.; Abreu Junior, J. S. Métodos de quantificação da matéria
orgânica do solo. R. Um. Alfenas, v.5, p.21-26, 1999.

Singh, R.P.; Agrawal, M. Potential benefits and risks of land application of sewage sludge.
Waste Management, v.28, p.347–358, 2008.

Usepa (United States Envirinmetal Protection Agency). Method 3051a – Microwavw


assisted acid digestion of sedments, sludges, soils, and oils, 1998.

Vieira, R. F. & Pazianotto, R. A. A. Microbial activities in soil cultivated with corn and
amended with sewage sludge. Springer Plus, v. 5, p.1844, 2016.

Yang, L.; Yang, Y.; Feng, Z.; Zheng, Y. Effect of maize sowing area changes onagricultural
water consumption from 2000 to 2010 in the West Liaohe Plain, China. Journal of
Integrative Agriculture, v.15, n.6, p. 1407–1416, 2016.

125
Avaliação do risco de incêndios florestais no município de Caicó-RN,
utilizando a Fórmula de Monte Alegre

Túlio Brenner Freitas da Silva¹, Fernanda Moura Fonseca Lucas¹, João Gilberto Meza Ucella Filho¹,
Débora de Melo Almeida¹, Arthur Antunes de Melo Rodrigues¹, José Augusto da Silva Santana¹.

¹Universidade Federal do Rio Grande do Norte (tuliobrenner29@gmail.com; fernanda-


fonseca@hotmail.com; 16joaoucella@gmail.com; debooraalmeida@gmail.com;
arthurmrodrigues7@gmail.com; augusto@ufrnet.br)

RESUMO: A ocorrência de incêndios florestais constitui-se numa ameaça frequente aos


municípios do semiárido brasileiro, cujos apresentam temperaturas elevadas e baixos índices
de umidade e precipitação. Ter o conhecimento e controle das informações que estão
relacionadas às ocorrências dos incêndios reflete grande importância quando se trata da
prevenção, podendo se utilizar índices de periculosidade, através das análises climáticas,
para conseguir determinar o período mais propício de sua ocorrência, além de estudar e
combater de forma mais eficaz os danos que podem ser causados. Este estudo objetiva
discutir o nível de perigo de ocorrência de incêndios florestais no município de Caicó-RN
durante o ano de 2017, através da Fórmula de Monte Alegre. Os dados foram obtidos através
do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e fornecidos pelo Banco de Dados
Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP). De acordo com os dados diários
analisados e também com outros estudos realizados na mesma área, o município de Caicó
apresenta geralmente índice de ocorrência de incêndios muito alto durante os meses de maio
a janeiro, devido às suas condições edafoclimáticas, pois habitualmente não ocorrem chuvas
na região neste período, à composição da cobertura vegetal que propicia o alastramento do
fogo e às consequências das diversas ações antrópicas.

Palavras-chave: Caatinga, fogo, precipitação, semiárido

1. Introdução

A ocorrência de incêndios florestais constitui-se numa ameaça frequente aos municípios


do semiárido brasileiro, pois se trata de ambientes secos, com temperatura elevada e baixos
índices de umidade e precipitação. Os danos causados após este incidente vão além das
barreiras ambientais, pois afeta também o homem do campo, desde sua subsistência, até sua
fonte de renda (Santos, 2015).
Há duas categorias de fatores que determinam o nível de periculosidade de incêndio: os
fatores considerados constantes e os que são variáveis. O primeiro está relacionado ao tipo de

126
floresta e o relevo, que determinam a qualidade do material combustível e a forma de
propagação do fogo. O segundo é referente à umidade do material combustível e às condições
climáticas, assim como a direção do vento, temperatura, umidade relativa, precipitação e
instabilidade atmosférica (Nunes, 2005). Estes fatores perturbam de maneira excessiva a
comunidade da Caatinga, pois é uma vegetação altamente inflamável e geralmente sem
nenhum recurso para impedir o alastramento do fogo, como por exemplo, a construção de
aceiros.
Segundo Diógenes (2018), ter o conhecimento e controle das informações que estão
relacionadas às ocorrências dos incêndios, reflete grande importância quando se trata da
prevenção, pois utiliza-se dos índices de periculosidade, através das análises climáticas, para
conseguir determinar o período mais propício para sua ocorrência, além de estudar e combater
de forma mais eficaz.
Nesse ponto de vista, este estudo objetiva determinar a taxa de periculosidade da
ocorrência de incêndios no município de Caicó, cujo apresenta uma cobertura vegetativa
típica da Caatinga e características edafoclimáticas específicas da região que propiciam a
ocorrência de incêndios.

2. Material e Métodos

O estudo iniciou-se a partir da coleta dos dados do município de Caicó, localizado na


região sudoeste do estado do Rio Grande do Norte. O clima da região é classificado de acordo
com Köppen como BSw’h’, caracterizado como um clima quente e semiárido, com estação
chuvosa no outono e um longo período seco que vai além dos 8 meses, com médias
pluviométricas anuais de 500 a 600 mm e temperaturas médias máximas de 35 ºC e mínimas
de 23 ºC (Almeida et al., 2014). A cobertura vegetal que predomina é definida como Savana
Estépica Arborizada, apresentando inúmeras cactáceas e bromeliáceas, enfatizando a
assiduidade de ocorrência dos gêneros Mimosa, Croton, Aspidosperma e Spodias (IBGE,
2004).
Os dados utilizados foram obtidos a partir da Estação Meteorológica do Seridó, no
município de Caicó durante o período do primeiro ao último dia do ano de 2017, cujos dados
estão computados no Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP) do
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As variáveis utilizadas neste trabalho foram

127
relacionadas à temperatura diária, além da precipitação e umidade relativa do ar.
Inicialmente, foi realizada a determinação do grau de perigo de incêndio através da
Fórmula de Monte Alegre (FMA), utilizando dados diários da umidade relativa do ar e
precipitação (Soares, 1998). A definição dos dados se dá de acordo com a soma diária do
resultado da FMA e o índice acumulado, realizando suas correções a partir dos valores da
precipitação diária. A equação básica da Fórmula de Monte Alegre é:
n
FMA = ∑ (100 / H)
n=1
Onde:
FMA = Fórmula de Monte Alegre;
H = umidade relativa do ar medida às 13 horas;
n = número de dias sem chuva.

O valor referente à precipitação diária reduz o valor do índice acumulado de acordo


com uma tabela de restrições, ou seja, se a precipitação for igual ou menor a 2,4 mm não há
alteração alguma no cálculo do índice acumulado. Porém, se chover de 2,5 a 4,9 mm deve ser
abatido 30% da FMA do dia anterior. Se a precipitação apresentar valores entre 5 e 9,9 mm
deve-se descontar 60% da FMA do dia anterior. Se os dados da precipitação diária resultarem
entre 10 e 12,9 mm, reduz-se a FMA do dia anterior em 80%. Caso o valor da precipitação for
acima de 12,9, o cálculo deve ser interrompido e a somatória dos índices deve ser recomeçada
no dia seguinte (Santana, 2011; Santos, 2015).

A partir dos valores resultantes da FMA corrigida, pôde-se realizar a caracterização do


grau crítico de periculosidade da ocorrência de incêndios na área, cujos dados dessa resultante
variaram entre nulo (0 a 1), pequeno (1,1 a 3), médio (3,1 a 8), alto (8,1 a 20) e muito alto
(acima de 20). A caracterização mensal do índice acumulativo do nível de periculosidade da
ocorrência de incêndio é determinada de acordo com o dado do último dia de cada mês, após
todas as variações diárias que ocorreram.

3. Resultados e Discussão

Foram analisados 352 dias, compreendendo o período do ano de 2017. Constatou-se


que aproximadamente 70% dos dias se enquadraram nas escalas “alto” a “muito alto” de risco
de ocorrência de incêndios. Santana (2011) constatou que, no município de Caicó durante os

128
anos de 1999 a 2004, o nível de periculosidade de incêndios que compreendem os meses de
maio a dezembro chegou à marca dos 87%. Os dias em que há risco médio de ocorrência se
configurou em 17%, enquanto as escalas nulo e pequeno atingiram 13%, o que também está
em conformidade com o mesmo estudo.
De acordo com os valores obtidos, não houve indicativo de incêndio nos meses de
fevereiro a abril, pois, durante esse período do ano, o nível pluviométrico do estado foi
consideravelmente elevado para a região. Os dados referentes à FMA dos índices acumulados
de periculosidade de incêndio desses meses ficaram entre pequeno e nulo. Foi constatado
nestes meses, uma precipitação que oscilou entre 209 a 130 mm, dado semelhante encontrado
por Diógenes (2018), onde a média diária de precipitação destes meses no município de Caicó
aproximou-se a 6 mm durante os anos de 2010 a 2014.
Porém nos meses seguintes, de maio a janeiro, o índice acumulativo de periculosidade
de incêndio oscilou entre alto e muito alto, devido à pouca umidade relativa do ar e baixos
índices pluviométricos, além das altas temperaturas. Com exceção do mês de maio que
apresentou 48 mm de precipitação, não foram constatadas chuvas nos meses seguintes, ou
seja, não ocorreram reduções da FMA calculada até o mês de janeiro. Durante estes meses, foi
constatado uma temperatura média de 30 ºC e umidade relativa oscilando em torno dos 49%,
sem ocorrência de chuvas, semelhante ao encontrado por Santos (2015) em estudos no Parque
Estadual Pico do Jabre na Paraíba e Cunningham (2017) analisando os motivos que
decretaram uma seca no estado do Acre e resultaram em vários incêndios.
No dia 4 de outubro, de acordo com os cálculos da FMA, o risco de incêndio era
considerado alto, e, efetivamente, ocorreu um incêndio de grande escala no município de
Caicó, dentro das dimensões do açude mais importante da região, o Itans, que estava seco até
o mês de fevereiro de 2018 (Tribuna do Norte, 2017). De acordo com o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE), o município de Caicó apresentou 30 focos de incêndio durante o
ano de 2017.

4. Conclusão

Pôde-se perceber que o município estudado apresenta alta vulnerabilidade à


ocorrência de incêndios, visto quando se trata dos fatores meteorológicos associados ao
pouco conhecimento da população rural, cujo grande maioria dos incêndios catalogados

129
são de origem antrópica. Os meses de maio a janeiro de 2017 apresentaram elevados
índices, ao passo em que não ocorreram chuvas durante este período. Durante fevereiro,
março e abril do mesmo ano, o valor referente à periculosidade de ocorrência de incêndios
mostrou ser baixo devido aos níveis pluviométricos consideráveis para a região, que
corrigiu a FMA com frequência, de acordo com a metodologia descrita.

5. Literatura Citada

Almeida, A.Q.; Mello A.A.; Dória Neto, A.L.; Ferraz, R.C. Relações empíricas entre
características dendrométricas da Caatinga brasileira e dados TM Lansat 5. Revista
Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 49, n. 4, p. 306-315, 2014.
Diógenes, F.E.G.; Guimarães, P.P.; Botrel, R.T. Ocorrência de incêndios florestais em Caicó
e Natal – RN. Revista Agropecuária Científica no Semiárido, Patos, v. 14, n. 1, p.80-84, mar.
2018.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mapa de vegetação do Brasil, 2004.
Acesso em: 15 de abril de 2018.
Incêndio queima vegetação do Açude Itans. Caicó, 04 out. 2017. Disponível em:
<http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/inca-ndio-queima-vegetaa-a-o-do-aa-ude-itans/
396399>. Acesso em: 18 abr. 2018.
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e
Pesquisa (BDMEP). Caicó, 2017. Disponível em: http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?
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Nunes, J.R.S. Um novo índice de perigo de incêndios florestais para o Estado do Paraná –
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Santana, J.A.S.; Araújo, I.M.M.; Sena, C.M.; Pimenta, A.S.; Fonseca, F.C.E.F.; Determinação
do perigo de incêndio na Estação Ecológica do Seridó, Serra Negra do Norte-RN, Utilizando
a Fórmula de Monte Alegre. Revista Caatinga, Mossoró, v. 24, n. 1, p.43-47, jan.-mar., 2011.
Santos, W.S.; Souto, P.C.; Souto, J.S.; Mendonça, I.F.C.; Souto, L.S.; Maracajá, P.B.
Estimativa dos riscos de ocorrência de incêndios florestais no Parque Estadual Pico do Jabre,
na Paraíba. Revista Agropecuária Científica no Semiárido, Campina Grande, v. 11, n. 1, p.80-
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Soares, R.V. Desempenho da Fórmula de Monte Alegre: Índice brasileiro de perigo de
incêndios florestais. Revista Cerne, v.4, n.1, p.87-99, 1998.

130
Avaliação dos teores de metais pesados em lodo do tratamento de resíduos
industriais para uso na recuperação de áreas degradadas

Aline da Silva Veloso 1, Ygor Jaques Agra Bezerra1, William Ramos da Silva 1, Clístenes Williams
Araújo do Nascimento1, Diogo Henrique Ximenes 1,Rayanna Jaques Agra Bezerra 1

1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) (alineveloso888@gmail.com),
(williamramos_17@hotmail.com), (ygorufrpe@yahoo.com.br), (cwanascimento@hotmail.com),
(diogohenriqueximenes@gmail.com), (rayannaufrpe@gmail.com)

RESUMO: O uso do lodo de esgoto na Recuperação de Áreas Degradadas


representam uma fonte de nutrientes às plantas e melhoram as condições do solo, mas
também podem conter elementos tóxicos como os metais pesados, que oferecer riscos ao
ambiental. Nesse sentido, esse trabalho objetiva determinar a composição química de
lodos quanto à presença de metais pesados (arsênio, bário, cádmio, chumbo, cobre,
cromo, mercúrio, molibdênio, níquel, selênio e zinco), visando sua adequação às
exigências da resolução Conama 375/2006. O lodo foi coletado na empresa AFC soluções
ambientais, em Pernambuco. As digestões dos lodos foram feitas usando o método 3051A
da USEPA. A determinação de metais pesados no lodo foi feita por espectrometria de
emissão óptica. Foram observados baixos teores de metais pesados nos lodos, crescendo
na seguinte ordem (mg kg-1): As e Se (não detectados) > Cd (0,3) > Hg (1,1) > Co (4,5) >
Mo (7,4) > Pb (28,8) > Ni (42,5) > Cr (53,7) > Ba (218) > Cu (106) > Mn (316) > Zn
(2670) > Fe (60833). O uso do lodo na recuperação de áreas degradadas é factível,
devido ao baixo risco de contaminação ambiental, além de incorporar aspectos
nutricionais as espécies florestais e ser econômicos viável.

Palavras-chave: contaminação do solo, elementos tóxicos, lodo de esgoto

1. Introdução
Em Pernambuco, a principal disposição final de lodos de tratamento de efluentes
ainda são aterros que, em sua imensa maioria, não atendem aos padrões ambientais de
qualidade. Mesmo os aterros sanitários que atendem aos critérios técnicos e ambientais,
podem não representar a melhor alternativa de disposição final de resíduos, pois sua
longevidade é restrita devido à grande quantidade de resíduos gerada.
A manutenção desses aterros é também onerosa, demandando grande investimento
por parte do poder público ou do setor privado. Esses aspectos estimulam a busca de
alternativas para destinação final desses resíduos, que tragam benefícios econômicos,
sociais e ambientais. Tendo em vista o potencial do lodo como fonte de Nitrogênio e

131
Fósforo, além de outros micronutrientes, e seus elevados teores de matéria orgânica que
atual como condicionante do solo, induzindo o uso desse resíduo orgânico como eficiente
insumo na recuperação de áreas degradadas.
O uso indiscriminado pode provocar danos ao ecossistema por meio de eutrofização
devido aos altos teores de Nitrogênio e Fósforo presentes neste resíduo (Vieira e
Pazianotto, 2016). Além de contaminantes químicos, como metais pesados, principalmente
no lodo proveniente do tratamento de efluentes industriais, devendo-se avaliar os teores
presentes antes de serem aplicados ao solo (Gomes et al.,2007), compostos orgânicos
sintéticos, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, dioxinas, furanos, pesticidas,
hormônios sintéticos e naturais (Nascimento et al., 2014), biológicos, uma vez que o lodo
pode conter ainda níveis consideráveis de organismos patogênicos, como bactérias,
protozoários e vírus. A aplicação segura do lodo de esgoto no intuito de evitar possíveis
contaminações segue a resolução do Conama nº 375/2006 que estabelece critérios antes de
serem incorporados ao solo.
Outra perspectiva relevante se compararmos o uso do lodo de esgoto para fins
agrícolas com o seu reúso para recuperação de áreas degradadas, seria a vantagem de que,
no segundo caso, sua aplicação ocorrerá apenas na implantação do projeto, ou seja, de
maneira pontual, não necessitando de uma periodicidade na adição do lodo de esgoto ao
solo como é o caso das culturas de ciclo curto.
Diante desse contexto, esse trabalho objetiva determinar a composição química de
lodos quanto à presença de metais pesados (arsênio, bário, cádmio, chumbo, cobre, cromo,
mercúrio, molibdênio, níquel, selênio e zinco), visando sua adequação às exigências da
resolução Conama 375/2006 para posterior uso na recuperação de áreas degradadas.
2. Material e Métodos
O lodo de esgoto foi coletado em uma estação comercial de tratamento de efluentes
biodegradáveis na empresa AFC soluções ambientais, que coletam efluentes industriais
provenientes do complexo de Suape, no município de Ipojuca – PE e sanitário oriundo da
Região Metropolitana do Recife. Esses efluentes passam por tratamentos físicos, químicos
e biológicos, obtendo como resíduo remanescente do processo de tratamento, o lodo de
esgoto. São gerados diariamente cerca de 10 toneladas de lodo, e tem-se buscado uma
destinação o mais segura possível para este resíduo.

132
Para determinação dos teores de metais pesados, as amostras de lodo foram secas
ao ar, destorroadas, pulverizadas em almofariz de ágata, homogeneizadas e peneiradas em
peneira de abertura de 0,3 mm (ABNT 50), de aço inoxidável para evitar contaminações.
As digestões das amostras de lodo de esgoto foram feitas utilizando o método 3051A
(USEPA, 1998), conforme recomendado pelo CONAMA (2006), consistindo em transferir
um grama das amostras pulverizadas para tubos de teflon, onde serão adicionados 9 mL de
HNO3 e 3 mL de HCl. As amostras foram mantidas em conjunto com sistema fechado, no
forno micro-ondas (Mars Xpesss), por 15 minutos na temperatura de rampa, tempo
necessário para que o equipamento atinja 175ºC, mantendo-se nesta temperatura por mais
4,5 minutos. Após resfriamento, as amostras foram transferidas para balões certificados
(NBR ISSO/IEC) e o volume dos balões completados com água ultra pura (Sistema Direct-
Q 3 Milipore).
As amostras foram digeridas em duplicata e, paralelamente, foram feitas provas em
branco. As curvas de calibração foram elaboradas a partir de padrões 1000 mg L-1
(TITRISOL, Merck), fazendo as diluições com água ultrapura, todas as curvas
apresentaram valores de r superiores a 0,99.

Os elementos Cd, Co, Mo, Pb, Ni, Cr, Ba, Cu, Mn, Zn e Fe foram determinados por
espectrometria de emissão ótica (ICP- OES/Optima 7000, Perkin Elmer) Arsênio, Hg e Se
serão determinados por espectrofotômetro de absorção atômica (AAnalyst 800 Perkin
Elmer) acoplado a um gerador de hidretos (FIAS 100/Flow Injection System/PerkinElmer).
A seleção desses elementos químicos foi baseada na exigência da resolução Nº 375/2006
do Conama (2006).

3. Resultados e Discussão

As concentrações de metais pesados no lodo é decorrente de sua origem, que vária


de acordo com os diferentes tipos de dejetos, domésticos e industriais, constituindo uma
das principais limitações do uso deste resíduo, sendo necessária a avaliação dos riscos
associados à sua aplicação. Como podemos observar na Tabela 1, foram constatados os
teores de metais pesados nos lodos da estação de tratamento de efluentes biodegradáveis,
crescendo na seguinte ordem (mg kg-1): As e Se (não detectados) > Cd (0,3) > Hg (1,1) >
Co (4,5) > Mo (7,4) > Pb (28,8) > Ni (42,5) > Cr (53,7) > Ba (218) > Cu (106) > Mn (316)

133
> Zn (2670) > Fe (60833).
Tabela 1. Teores de metais pesados em amostras de lodo do tratamento de resíduos industriais
biodegradáveis
As Ba Cd Co Cr Cu Fe Hg Mn Mo Ni Pb Se Zn
_____________________________________-
mg kg-1 _______________________________________________
0 218 0,3 4,5 53 106 60833 1,1 316 7,4 42 28 0 2670

Conforme os resultados obtidos, os teores de metais pesados não ultrapassaram os


limites máximos permitidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, estabelecidos em
sua Resolução Nº 375 de 2006. Essa constatação comprova os baixos riscos da aplicação
desse lodo de esgoto, na recuperação de áreas degradadas, principalmente, se
considerarmos o fato de que o aporte de lodo não será tão frequente como seria no uso
agrícola que apresenta uma rotatividade intensa pelo caráter de ciclo curto, o que favorece
o reúso desse resíduo para fins florestais.

4. Conclusão

O uso do lodo na recuperação de áreas degradadas é factível, devido ao baixo risco


de contaminação ambiental, Tendo a vantagem de incorporar aspectos nutricionais para as
espécies florestais além de ser um condicionante do solo, e sendo economicamente viável.

5. Literatura Citada

Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n. 375, de 29 de agosto de


2006. Brasília, DF, 2006.

Gomes, S. B. V.; Nascimento, C. W. A.; Bionde, C. M. Produtividade e composição


mineral de plantas de milho em solo adubado com lodo de esgoto. Revista Brasileira de
Engenharia Agrícola e Ambiental, v.11, n.5, p.459–465, 2007.

MATTANA, S.; PETROVICOVÁ,B.; LANDI, L.; GELSOMINO, A.; CORTÉS, P.;


ORTIZ, O.; RENELLA, G. Sewage sludge processing determines its impact on
soilmicrobial community structure and functionS. Applied Soil Ecology, v. 75, p. 150–

134
161, 2014.

Nascimento, A. L.; Sampaio, R. A.; Cruz, S. F.; Zuba Junior, G. R.; Barbosa, C. F.;
Fernandes, L. A. Metais pesados em girassol adubado com lodo de esgoto submetido a
diferentes processos de estabilização. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e
Ambiental, v.18, n.7, p.694–699, 2014.

United States Environmental Protection Agency - USEPA. Method 3051a – Microwave


assisted acid digestion of sediments, sludges, soils, and oils. 1998.

Vieira, R. F. & Pazianatto, R. A. A. Microbial activities in soil cultivated with corn and
amended with sewage sludge. Springer Plus, v. 5, p.1844, 2016

135
Avaliação florística e fitossanitária da arborização do Instituto Federal
Farroupilha - Campus Alegrete

Ana Claudia Bentancor Araujo 1, Edenir Luis Grimm 2, Yago Machado da Rosa3, Camila
Andrzejewski4, Francieli de Fátima Missio5, Solon Jonas Longhi6
1
Instituto Federal Farroupilha (ana.araujo@iffarroupilha.edu.br;
2
edenir.grimm@iffarroupilha.edu.br), 3Universidade Federal do rio Grande do Sul
(y.machadodarosa@gmail.com), 4,5,6Universidade Federal de Santa Maria
(camiandrzejewski@gmail.com; franmissio@yahoo.com.br; longhi.solon@gmail.com)

RESUMO: O objetivo do estudo foi determinar a florística e a fitossanidade das espécies


da arborização do Instituto Federal Farroupilha - Campus Alegrete (IFFar-CA). Foram
amostrados todos os indivíduos arbóreos vivos e mortos com DAP≥5cm. Os dados
coletados foram: DAP, espécie e estado fitossanitário. Foram inventariadas 895
indivíduos arbóreos vivos e 9 mortos. Identificaram-se 52 espécies diferentes, distribuídas
em 26 famílias, destacando-se a Fabaceae com 11 gêneros e 13 espécies, a Myrtaceae com
5 gêneros e 5 espécies, Bignoniaceae e Pinaceae com 1 gênero e 3 espécies. Quanto ao
número de indivíduos, destacam-se as famílias Fabaceae (35,42% indivíduos), seguida
pela Bignoniaceae (24,24% ind.), Cupressaceae (10,61% de ind.) e Meliaceae (7,04%
ind.), que representam juntas 77,31% do total de indivíduos. Dentre os indivíduos
destacam-se as espécies Peltophorum dubium (183 indivíduos) aparecendo em toda a
extensão do Campus, seguida pela Handroanthus chrysotrichus (114 ind.), Cupressus
sempervirens (95 ind.) Handroanthus heptaphyllus (64 ind.) e Melia azedarach (43 ind.). A
arborização apresentou alta percentagem de indivíduos nativos (60,55%) e baixa
percentagem de indivíduos exóticos (39,44%). Já o percentual de espécies nativas e
exóticas foi igualitário entre ambas. Foram encontrados 67,93% indivíduos em estado
fitossanitário ruim e 32,07% indivíduos em bom estado.

Palavras-chave: silvicultura urbana, pampa, áreas verdes.

1. Introdução
No decorrer da história, são observadas, diferentes percepções sobre as árvores e
suas funções no ambiente. Do extrativismo desordenado, nos últimos séculos, chegamos
aos dias atuais numa situação de grande carência por áreas verdes, também no meio rural,
mas principalmente no ambiente urbano (Brun & Brun, 2006). De acordo com os autores,
o desordenado crescimento das cidades causou problemas, como alta concentração de
poluentes no ar, formação de ilhas de calor, poluição visual e sonora, devido à falta de
planejamento neste crescimento.
Meira et al. (2004) ressalta que planejar a arborização é indispensável para não
acarretar prejuízos ao meio ambiente. Considerando que a arborização é um fator

136
fundamental na salubridade ambiental, por ter influência direta sobre o bem-estar do
homem em razão dos múltiplos benefícios que proporciona ao meio. Locais com grande
circulação de pessoas, quando bem arborizados, contam com a garantia de um ambiente
onde há benefícios ecológicos, sociais e econômicos (Pinheiro & Souza, 2017).
Considerando o valor da arborização e a necessidade de aumentar a consciência do
público sobre este assunto, o presente trabalho teve por objetivo realizar o levantamento
florístico e fitossanitário das espécies arbóreas do Instituto Federal Farroupilha/Campus
Alegrete (IFFar-CA).

2. Material e Métodos
O levantamento foi realizado no IFFar-CA, no município de Alegrete, Rio Grande
do Sul, região compreendida pelo bioma Pampa. O clima é do tipo Cfa segundo Köppen,
subtropical sem estação seca definida e verões quentes, com temperatura média no mês
mais frio maior que 10ºC e no mês mais quente maior ou igual a 22ºC (Peel, 2007).
O método de inventário utilizado no levantamento foi de caráter quali-quantitativo,
do tipo censo. Foram amostrados e identificados todos os indivíduos arbustivo-arbóreos
vivos e mortos com diâmetro à altura do peito (DAP) ≥ 5 cm. Os dados foram coletados
em formulário específico, com as seguintes informações: nome da espécie, DAP (Diâmetro
à Altura do Peito), origem da espécie e estado fitossanitário.
A origem das espécies foi obtida mediante pesquisa realizada em literaturas
científicas e o estado fitossanitário foi determinado pela presença de pragas ou doenças
visíveis por meio de danos nas diversas partes das árvores.

3. Resultados e Discussão
Foram amostradas 904 indivíduos arbóreo-arbustivos no IFFar-CA, incluindo 9
indivíduos mortos, o inventário identificou 52 espécies diferentes, distribuídas em 26
famílias, destacando-se entre elas: Fabaceae, com 11 gêneros e 13 espécies; Myrtaceae,
com 5 gêneros e 5 espécies, seguida pelas famílias Bignoniaceae e Pinaceae, com 1 gênero
e 3 espécies. Na composição florística da arborização do campus, estas famílias são as
mais importantes, estando representadas ao total por 17 gêneros e por 21 espécies (Tabela
1).

137
TABELA 1. Famílias, nome científico, nome popular, número de indivíduos (Nº) e origem (N=nativa e
E=exótica) das espécies amostradas na arborização do Instituto Federal Farroupilha – Campus Alegrete, RS,
Brasil.

Família Nome Científico Nome Popular Nº Origem

Myracrodruon balansae (Engl.) Santin Pau-ferro 1 N


Anacardiaceae Schinus molle L. Aroeira-salso 1 N
Schinus terebinthifolia Raddi Aroeira-vermelha 29 N
Annonaceae Annona cacans Warm. Ariticum 1 N
Apocinaceae Thevetia peruviana (Pers.) K.Schum Chapéu-de-napoleão 4 N
Araucariaceae Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze Araucaria 3 N
Handroanthus albus (Cham.) Mattos Ipê-da-serra 39 N
Handroanthus chrysotrichus (Mart. ex DC.) 11
Bignoniaceae Ipê-cascudo N
Mattos 4
Handroanthus heptaphyllus (Vell.) Mattos Ipê-roxo 64 N
Boraginaceae Patagonula americana L. Guajuvira 5 N
Cupressaceae Cupressus sempervirens L. Cipreste 95 E
Gymnanthes klotzschiana Müll. Arg. Branquilho 3 N
Euphorbiaceae
Sebastiania schottiana (Müll.Arg.) Müll.Arg. Sarandi 10 N
Acacia podalyriifolia A. Cunn. ex G. Don Acácia-mimosa 1 E
Acacia mangium Willd. Acácia-australiana 1 E
Bauhinia variegata L. Pata-de-vaca 12 E
Pata-de-vaca-
Bauhinia variegata var. candida Buch. Ham. 21 E
variegata
Adenanthera pavonina L. Falso-pau-brasil 2 E
Cassia leptophylla Vogel Falso-barbatimão 4 N
Fabaceae Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong Timbaúva 15 N
Erythrina speciosa Andrews Mulungu 2 N
Jacaranda mimosifolia D. Don. Jacaranda-mimoso 30 E
Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit Leucena 4 E
Paraptadenia rigida (Benth.) Brenan Angico-vermelho 10 N
Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. Canafistula 183 N
Tipuana tipu (Benth.) Kuntze Tipuana 32 E
Juglandaceae Carya illinoinensis K. Koch. Nóz-pecã 4 E
Lythraceae Lafoensia pacari A. St. – Hil. Dedaleiro 1 N
Malvaceae Luehea divaricata Mart. & Zucc. Açoita-cavalo 2 N
Magnoliaceae Magnolia grandiflora L. Magnólia 1 E
Melia azedarach L. Cinamono 43 E
Meliaceae
Cedrela fissilis Vell. Cedro 20 N
Callistemon viminalis (Sol.ex. Gaertn.) G. Don. Escova-de-garrafa 2 E
Myrtaceae
Eucalyptus sp. Eucalipto 2 E

138
Myrcianthes pungens (O.Berg) D.Legrand Guabiju 4 N
Psidium guajava L. Goiaba 3 E
Syzygium cumini (L.) Keels Jambolão 6 E
Ficus luschnathiana (Miq.) Miq. Figueira-mata-pau 7 N
Moraceae
Morus nigra L. Amora 5 E
Oleaceae Ligustrum japonicum Thunb. Ligustro 12 E
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman Jeriva 10 N
Palmaceae
Washingtonia robusta H. Wendel. Palmeira-leque 1 E
Paulowniaceae Paulownia imperialis Siebold & Zucc. Kiri 1 E
Pinus kesiya Royle ex Gordon Pinus 5 E
Pinaceae Pinus patula Schltdl. & Cham. Pinus 13 E
Pinus taeda L. Pinus 16 E
Phytolaccaceae Phytolacca dioica L. Umbu 2 N
Proteaceae Grevillea robusta A. Cunn. ex R. Br. Grevilha 2 E
Rhamnaceae Hovenia dulcis Thunb. Uva-do-japão 38 E
Rutaceae Zanthoxylum rhoifolium Lam. Mamica-de-cadela 3 N
Salicaceae Populus deltoides W. Bartram ex Marshall Álamo 1 E

Allophylus edulis (A.St.-Hil. et al.) Hieron. ex


Sapindaceae chal-chal 5 N
Niederl.
Morto - - 9 -

Dentre os indivíduos encontrados na arborização destacam-se as espécies


Peltophorum dubium com 183 indivíduos, aparecendo em toda a extensão do campus,
seguida pela Handroanthus chrysotrichus com 114 indivíduos, Cupressus sempervirens
com 95 indivíduos, Handroanthus heptaphyllus com 64 indivíduos e Melia azedarach com
43 indivíduos (Tabela 1). Para Santamour Júnior (2002), recomenda-se não exceder mais
que 10% da mesma espécie, 20% de algum gênero e 30% de uma família botânica, pois, a
maior diversidade de espécies de árvores na paisagem se faz necessária para garantir o
máximo de proteção contra pragas e doenças.
A arborização do campus apresentou um alto índice de indivíduos nativos com
percentual de 60,55%, enquanto que a percentagem de indivíduos exóticos foi de 39,44% e
o percentual de espécies nativas e exóticas foi igualitário para ambas.
No campus foram verificados 67,93% indivíduos com estado fitossanitário ruim e
32,07% indivíduos em bom estado fitossanitário. Dentre os indivíduos com estado
fitossanitário ruim destacam-se: Handroanthus chrysotrichus, Handroanthus albus e

139
Handroanthus heptaphyllus que se encontram infestadas de erva-de-passarinho
(Sthruthanthus flexicaulis).
Para Guia et al. (2008) alguns tipos de danos presentes nos vegetais iniciam-se com
podas mal executadas, deixando exposta a área de corte, foco de entrada e
desenvolvimento de pragas e doença.

4. Considerações Finais
Há necessidade de manejo, como o corte dos galhos infestados com plantas
parasitas, ainda na fase inicial, para evitar que futuramente tenha que se proceder com
podas mais drásticas.

5. Literatura Citada
BRUN, E. J. B.; BRUN, F. G. K. Arborização urbana & qualidade de vida. Revista
CREA-RS, Porto Alegre, n. 18, p. 27, 2006.
GUIA, G. H. de, ALBRETCH, J. M. F, SOARES, T. S., TITON, M. Avaliação qualitativa
das espécies arbóreas do Parque Antônio Pires de Campos em Cuiabá-MT. Revista SBAU,
Piracicaba, v.3, n.3, p. 36-43, 2008
MEIRA, G. R. N., TEIXEIRA, G. G. M., VENTURIN, P. R. F., GOTTSTEIN, P.,
CAXAMBU, M. G. Avaliação quali-quantitativa de espécies arbóreas no perímetro urbano
da cidade de Corumbataí do Sul –PR. Revista SBAU, Piracicaba – SP, v.10, n. 4, p. 36-49,
2015.

PEEL, M. C., FINLAYSON, B. L., MCMAHON, T. A. Updated world map of the


Köppen-Geiger climate classification. Hydrology and Earth System Sciences
Discussions, v. 4, n. 2, p.1633–1644, 2007.

PINHEIRO, C. R; SOUZA, D. D. A importância da arborização nas cidades e sua


influência no microclima. Revista gest. sust. ambient., Florianópolis, v. 6, n. 1, p. 67-82,
2017.

SANTAMOUR JÚNIOR, F.S. Trees for urban planting: diversity unifomuty, and common
sense. Washington: U.S. National Arboretum, Agriculture Research Service, 2002.

140
Avalição dos constituintes químicos do solo oriundos de uma floresta
da caatinga em avançado estágio de regeneração

Luan Cavalcanti da Silva¹, Tatiane Kelly Barbosa de Azevêdo2


Universidade Federal do Rio Grande do Norte (luan.cavalcanti@hotmail.com)¹
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (tatianekellyengenheira@hotmail.com)2

RESUMO: A Caatinga é formada por uma vegetação tropical xerófila exclusiva do


Brasil, caracterizada pela presença de uma grande quantidade de espécies decíduas. Os
solos são considerados jovens e rasos, porém sua composição química pode variar em
função de diversos fatores. O presente estudo teve como objetivo avaliar os constituintes
químicos do solo, e a influência da posição de coleta, presente em uma floresta de estágio
sucessional adulta. Para isso, foram alocadas três parcelas em estágio sucessional adulto,
escolhidas três árvores aleatoriamente e feita a coleta de três amostra do solo nas
seguintes posições: abaixo da copa (AC), na borda da copa (BC), e fora da copa (FC),
totalizando 27 coletas de solos. Após a coleta, o solo foi misturado em função de cada
posição, identificado e posto para secar por um período de 72h ao ar livre, em seguida
determinado seus constituintes químicos. As posições de coleta analisadas não diferiram
entre si, em nenhuma das variáveis analisadas. A quantidade de P disponível foi
considerada baixa, e Ca e Mg foram considerados elevados. Conclui-se que na área
analisada, os solos apresentaram boa fertilidade, porém não ouve variação nas posições
coletadas.
Palavras chaves: floresta seca, nutrientes do solo, CTC

1. Introdução
A Caatinga é uma vegetação tropical xerófila exclusiva do Brasil, caracterizada
pela presença de uma grande quantidade de espécies decíduas (Azevedo,2010). Constitui
um bom exemplo de floresta seca, tornando possível o monitoramento da influência das
variações climáticas sobre a dinâmica das populações (Araújo et al., 2007). A Caatinga é
composta de várias famílias botânicas com capacidade de persistir as condições semiáridas
do Nordeste, suportando baixas precipitações, além de fornecer biomassa como fonte de
energia aos animais (Souza, 2013). Em uma comunidade florestal existe uma interação
intensa entre a vegetação e o solo que ela ocupa, que se expressa no processo cíclico de
entrada e saída de matéria do solo: a ciclagem de nutrientes (Queiroz, 1999). A ciclagem
de nutrientes em florestas pode ser analisada através da compartimentação da biomassa
acumulada nos diferentes estratos e a quantificação das taxas de nutrientes que se

141
movimentam entre seus compartimentos, através da produção de serrapilheira, sua
decomposição, lixiviação e outros (Azevedo, 2010).
Os principais fatores que controlam os processos de transformação da matéria
orgânica no solo (MOS) são a quantidade e qualidade do material, o ambiente físico e
químico e os organismos decompositores (Toledo, 2003).
O semiárido trata-se de um território com um histórico social de organização de
espaço, associado aos problemas do meio ambiente (Teixeira, 2015). Em relação ao meio
ambiente no semiárido, algumas das linhas de pesquisa que devem ser priorizadas são
aquelas voltadas para um melhor conhecimento da interação vegetação-solo e do seu uso
pelas populações locais, o que deve se constituir na base de qualquer programa que vise o
desenvolvimento sustentável da região, isso se justifica pelo fato do semiárido apresentar
uma das biotas mais particulares do mundo, em composição e adaptações às condições do
meio (Azevedo, 2010).
Este estudo teve como objetivo avaliar os constituintes químicos do solo e a
influência da posição de coleta presente em uma floresta de estágio sucessional adulto.
2. Materiais e Métodos
2.1 Área Experimental
O experimento foi conduzido no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2008
na Fazenda Tamanduá, município de Santa Terezinha – PB, nas coordenadas geográficas
de 07 ° 00 ' 00 " S e 37 ° 23 ' 00 " W. O clima da região, de acordo com a classificação de
Köppen, é do tipo BSh, ou seja, quente e seco. A altitude média da área experimental é de
200 m.
2.2 Parcelas amostradas e suas respectivas descrições
As parcelas foram alocadas em um estágio sucessional adulto, foram cercadas, e no
interior das mesmas foi delimitada uma sub-parcela de 20 x 50 m, com o objetivo de
manter uma área (10 m de largura) para a movimentação do pessoal técnico na coleta de
dados e causando o mínimo de dano à vegetação.
2.3 Estágio sucessional adulto
Este estágio caracterizou-se por apresentar uma grande diversidade de espécies
arbóreas com DAP superior a 5 cm e grande quantidade de espécie/área.

142
2.4 Coleta de Solos
A coleta foi realizada em agosto de 2008, final de período chuvoso, utilizando-se
trado a uma profundidade de 0 – 20 cm. A fim de avaliar o estágio sucessional adulto
quanto à disponibilidade de nutrientes no solo, foi coletado dentro das sub-parcelas três
amostras de solos abaixo da copa (A.C.), na borda da copa (B.C.), e fora da copa (F.C.),
em três árvores escolhidas por parcela aleatoriamente totalizando vinte e sete coletas de
solos.
Todas as amostras coletadas na mesma posição, A.C., B.C. e F.C. foram
homogeneizadas, a fim de representar toda a parcela e suas respectivas posições. Após a
coleta, o solo foi misturado, identificado e posto para secar por um período de 72 h ao ar
livre, até a total perda de umidade; e depois peneirado, em seguida foram acondicionados
em sacos plásticos e encaminhados para o Laboratório de Análises do Solo e Água
CSTR/UFCG, onde foram analisados: pH, fósforo (P), cálcio (Ca), magnésio (Mg),
potássio (K), sódio (Na), hidrogênio + alumínio (H + Al), SB (Soma de bases), CTC
(capacidade de trocas catiônicas) e V% seguindo metodologia descrita em EMBRAPA
(2017).
2.5 Delineamento e análises estatísticas

Os dados foram submetidos à análise de variância e posteriormente, a uma análise de


regressão, o software utilizado foi a SAS.

3. Resultados e Discussão
3.1 Análise química do solo
As análises químicas das camadas de solo (0 – 20 cm) nos três estágios sucessionais
(Tabela 1) destacam níveis de P muito baixos, valores superiores a estes foram encontrados
por Souto (2006) na RPPN da Fazenda Tamanduá, área está próxima as parcelas onde foi
conduzido o presente estudo.

143
Os teores de K na vegetação de estágio sucessional adulto, foram baixos (< 30
cmc.dm-3). Isso se deve, em parte, a lavagem do K durante o período chuvoso, ao longo do
tempo, bem como da fertilidade natural alta do solo.
No que se refere aos teores de Ca e Mg, os quais estão estreitamente relacionados
com o pH do solo, verifica-se que os teores destes nutrientes podem ser considerados altos.

TABELA 1. Valores médios dos atributos químicos dos solos no estágio sucessional adulto, em três posições
(abaixo da copa, na borda da copa e fora da copa)
ANÁLISE QUÍMICA
Local pH P Ca Mg K Na H+Al SB CTC V
(CaCl2) (mg.dm-3) -3
----------------------- cmolc.dm ---------------------------- %
A.C. 6,1ª 4,2a 4,50a 1,80a 0,36a 0,27a 1,70a 6,96a 8,70a 80,10a
B.C. 6,0ª 4,1a 4,50a 2,06a 0,33a 0,26a 1,60a 7,18a 8,70a 81,16a
F.C. 6,3ª 3,6a 4,66a 1,86a 0,30a 0,25a 1,50a 7,09a 8,56a 82,00a

Em virtude dos teores elevados de Ca, Mg e K, tem-se uma elevada saturação em


bases (V%), conforme constatado na tabela 1, sendo os solos classificados como
eutróficos.

4. Conclusão
Não há diferença estatística entre os atributos químicos analisados nas diferentes
áreas de solo coletadas.

5. Literatura Citada
Araújo, E.L.; Castro, C.C.; Albuquerque, U.P. Dynamics of Brazilian Caatinga-A Review
Concerning the Plants, Environment and People. Functional Ecosystems and Communities.
v. 1, n. 1, p. 15-28, 2007.
http://www.globalsciencebooks.info/Online/GSBOnline/images/0706/FEC_1(1)/FEC_1(1)
15-28o.pdf. 17 Abr, 2018.
Azevêdo, T. K. B. Avaliação de áreas de caatinga em diferentes estágios sucessionais.
Patos:Paraíba, UFCG, 2010. p. 55 (Dissertação – Mestrado em Zootecnia).
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp136188.pdf. 18 Abr. 2018.
EMBRAPA - Empresa Brasileira De Pesquisa Agropecuária. Centro Nacional de Pesquisa
de Solos. Manual de métodos de análise de solo. 3.ed. Brasília, DF, 2017. 199-259p.

144
http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/171907/1/Manual-de-Metodos-de-
Analise-de-Solo-2017.pdf. 17 Abr. 2018.
Queiroz, A.F. Dinâmica da ciclagem de nutrientes contidos na serrapilheira em um
fragmento de mata ciliar no estado de são paulo. Revista Botucatu. (Dissertação –
Mestrado em Agronomia) – UNESP, p.93, 1999.
http://www.scielo.br/pdf/rbb/v26n2/a07v26n2.pdf. 18 Abr. 2018.
Souto, P. C. Acumulação e decomposição de serapilheira e distribuição de organismos
edáficos em área de caatinga na Paraíba, Brasil. Tese (Doutorado em Agronomia) –
Universidade Federal da Paraíba, p. 150, 2006.
http://livros01.livrosgratis.com.br/cp001248.pdf. 18 Abr. 2018.
Souza, C. et al. Disponibilidade e valor nutritivo da vegetação de caatinga no semiárido
norte rio-grandense do Brasil. Revista Holos, Apodi, v. 3, n. 29, p.196-204, jun. 2013.
http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/viewFile/1332/687. 20 Abr. 2018.
Teixeira, M. N. O sertão semiárido. Uma relação de sociedade e natureza numa dinâmica
de organização social do espaço. Revista Sociedade e Estado, Rio de Janeiro, v. 31, n. 3,
p.769-797, 25 mar. 2015. http://www.scielo.br/pdf/se/v31n3/0102-6992-se-31-03-
00769.pdf. 21 Abr. 2018.
Toledo; L. O. Aporte de serrapilheira, fauna edáfica e taxa de decomposição em área de
floresta secundária no município de Pinheiral, RJ. Rio de Janeiro, 2003, 80 f., (Dissertação
de mestrado), UFRJ, Instituto de Florestas.
http://www.ipef.br/servicos/teses/arquivos/toledo,lo-m.pdf. 19 Abr. 2018.

145
Ações de recuperação na boçoroca de Parede em Reserva do Cabaçal,
Mato Grosso

Leonora Stéfani de Assis Goes 1, Weslley Cândido de Oliveira 1, Matheus Marcos Xavier de Souza 1,
Isabela Maria da Silva Ormond 1, Letícia Thommen Lobo Paes de Barros 2
1
Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. E-mails: goesflorestal@gmail.com,
wcoflorestal@gmail.com, souza.mmx@gmail.com, isabelaormond@hotmail.com), 2Instituto de
Pesquisa Matogrossense – IPEM. E-mail: leticiatlpb@gmail.com

RESUMO: Tendo em vista o contexto erosivo de Neossolos Quartzarênicos presentes na


Reserva do Cabaçal, este estudo teve como objetivo desenvolver ações de recuperação na
boçoroca de Parede instalada na microbacia do córrego Queixada. Para tanto, foi
realizado o levantamento planialtimétrico da área de influência, construídas estruturas
retentoras e de dreno de fundo com pedras e troncos de coqueiros na base da boçoroca
para o disciplinamento das águas. Foi feito o taludeamento com paliçadas de bambu a fim
de diminuir a inclinação da boçoroca de Parede. Foi realizada a sangria de pipings de
maneira que fossem contidos com estruturas de dreno. Em seguida, para promover a
estabilidade dos taludes, semeadas diversas espécies de leguminosas, gramíneas nativas,
árvores frutíferas entre outras objetivando acelerar o processo de ciclagem de nutrientes.
Adicionalmente foram utilizadas também técnicas de nucleação. As ações implantadas
obtiveram sucesso e possibilitaram a contenção da erosão.

Palavras-chave: erosão, nucleação, neossolo quartzarênico, taludeamento

1. Introdução
Sistemas intensivos e inadequados de uso e manejo do solo podem influenciar em
seus atributos físicos, predispondo-os a degradação e causando prejuízos à sustentabilidade
dos mesmos (Cuiabano et al., 2017). Dessa forma, identificar o potencial erosivo solo e
avaliar a vulnerabilidade ambiental de determinado local é uma importante ferramenta na
implementação de técnicas adequadas para recuperação.
Objetivou-se no presente estudo realizar a recuperação da boçoroca de Parede na
microbacia do córrego Queixada situado na Alta Bacia do córrego Dracena, onde existe
uma condição de instabilidade natural por ser suscetível ao boçorocamento, evidenciado
pela ocorrência de fenômenos de pipings na cobertura pedológica.
Além disso, a boçoroca é palco de diversos fenômenos, tais como, erosão
superficial, erosão interna, solapamentos, desabamentos e escorregamentos, que se
conjugam dotando esta forma de erosão linear de elevado poder destrutivo.

146
2. Material e Métodos
A área objeto de estudo encontra-se situada na Alta Bacia do córrego Dracena, na
microbacia do córrego Queixada, em região de transição conhecida como serra do Cabaçal
no município de Reserva do Cabaçal, Mato Grosso. A variação altimétrica da bacia é de
290 a 670 m, com posicionamento das principais cabeceiras e alto curso do córrego
Dracena situados em superfície rampeada.
Esta é uma área degradada que consiste em um passivo ambiental resultante da
atividade de pecuária, pela remoção da vegetação nativa e implantação de pastagens para
criação de gado bovino. A área de superfície fortemente drenada pela instalação da
boçoroca de parede corresponde a 15,64 hectares, com 15 ramos que ocupam uma área de
4,30 hectares.
O solo da área de estudo é classificado como Neossolo Quartzarênico com
espessura média de 1,70m. Esse mesmo tipo de solo passa pontualmente para
Hidromórfico, isto é, com feições pedológicas condicionadas à acumulação e/ou saturação
por águas subsuperficiais, que anteriormente à instalação da boçoroca, associava-se aos
ambientes ribeirinhos do córrego Queixada.
Após a caracterização da degradação em 2009, o projeto iniciou-se em maio de
2010 e foi finalizado em junho de 2012, utilizando métodos e técnicas fundamentadas nas
concepções gerais de Rodrigues e Gandolfi (2000) para recuperação de ambientes
ribeirinhos.
A área foi isolada com arame farpado com o objetivo de impedir a entrada de
alheios, principalmente do gado bovino, evitando a continuação do processo de
degradação. A partir do levantamento planialtimétrico demarcado com estacas de bambu,
foram aproveitados troncos de árvores mortas distribuídos de acordo com as curvas de
nível, equidistantes em 1m, a fim de disciplinar o escoamento das águas superficiais onde
encontra-se a boçoroca.
Nos ramos primários da boçoroca foram implantadas paliçadas laterais e de fundo
feitas de bambu para reduzir a velocidade de escoamento da água e conter os sedimentos
advindos das áreas de montante. No interior dos ramos, as paliçadas foram utilizadas de
maneira disciplinada em formato de caixas com restos de poda para garantir a estabilização
da base.

147
O taludeamento lateral dos ramos primários foi realizado a partir da redução do
ângulo de inclinação e deposição do solo excedente no fundo dos ramos. Posteriormente,
foram instaladas paliçadas de bambu preenchidas com matéria orgânica, nas quais foram
plantadas gramíneas de rápido crescimento como bambu da região do gênero Guadua,
Pennisetum purpureum Schum. (capim-napier) e Urochloa spp. (braquiária) removidas em
tufos da manutenção das estradas vicinais.
Na montante dos ramos mais elevados foram inseridas mudas de leguminosas,
como Cajanus cajan Hunth., Mucuna pruriens Wall. ex Wight, entre outras, sob palhas de
folhas de coqueiro, assegurando a umidade e proteção das mesmas.
Adotou-se a estratégia de coletar materiais reprodutivos das espécies da
comunidade arbustivo-arbórea, que ocorrem em grande frequência na Floresta Ribeirinha
do córrego Queixada, para identificação e reprodução no viveiro de mudas. Foram
instalados poleiros de bambus em pontos estratégicos com frutas maduras como técnica de
nucleação para atrair principalmente a avifauna (Silveira et al., 2015), de maneira que
pudessem utilizar mais rotineiramente os poleiros, promovendo a dispersão de sementes
presentes nas fezes dessas aves.
Para o controle dos pipings situados na base do ramo primário junto à borda da
cabeceira principal realizou-se a sangria do mesmo, que consiste em abrir, expor e
acompanhar o duto subsuperficial até alcançar o local em que este se inicia.
Posteriormente, preencheu-se a valeta com pedras que passaram a funcionar como dreno.
Deu-se preferência por estabilizar a margem esquerda do leito principal da
boçoroca de Parede, uma vez que esta encontrava-se diretamente ligada ao remanescente
do sistema ribeirinho do córrego Queixada, onde muito provavelmente se tinha Neossolo
Quartzarênico Hidromórfico, o qual fora drenado pela instalação da boçoroca. Foi nessa
condição de base de taludes frágeis que foram construídas paliçadas de cortes e aterros, e
implantados drenos de fundo.
As mudas cultivadas em viveiro foram transferidas para os solos desnudos, bem
como realizada a semeadura das leguminosas Stizolobium aterrimum (mucuna-preta),
Canjanus cajan (feijão-guandu), Stylosanthes spp. (estilozante) e Crotalaria juncea
(crotalária), espécies nativas, pioneiras, espécies-chaves, samambaias e aráceas típicas da
região priorizando o setor de cabeceira principal para garantir estabilidade aos taludes.

148
3. Resultados e Discussão
As ações de restauração na boçoroca de Parede na Reserva do Cabaçal se
mostraram eficientes, especialmente na estabilização dos taludes como observado na
evolução dos processos desde o ano de 2010 até 2012 (Figura 1). Foi possível reproduzir e
simular o processo natural de ciclagem de nutrientes via decomposição pela deposição dos
restos de poda sobre as mudas e sementes, minimizando assim, os efeitos diretos da
radiação solar no desenvolvimento das plântulas.
Observou-se a reintegração de posse pelas espécies da fauna silvestre afugentadas
na instalação da boçoroca de Parede. Visualizou-se em campo a presença de tocas de tatu,
fezes, pegadas de mamíferos e pequenos roedores, além de movimentos de terras típicos de
pequenos furões. Isso demonstra a efetividade das ações de recuperação no que tange o
restabelecimento da conexão entre o ciclo de vida da fauna e a paisagem.
Foram encontradas várias espécies de basidiomicetos, fungos saprófitos, que
participam da decomposição de folhas, galhos, troncos e estipes. Estes desempenham papel
fundamental na ciclagem de nutrientes na natureza, tais como nitrogênio, fósforo e
potássio, principalmente no ciclo do carbono, por serem excelentes degradadores de
lignina.
É importante reiterar que os materiais utilizados nesse processo de recuperação da
boçoroca da Parede são alternativos, de diferentes tipologias e características, mas todos
são praticamente sem custo, levando-se em conta que grande parte são oriundos de podas
da sede municipal. Isso demonstra que é possível utilizar de técnicas assertivas e eficazes
na contenção de erosão em substratos sensíveis como é o caso do Neossolo Quartzarênico.

FIGURA 1. Evolução da efetividade das ações de recuperação desde 2010 a 2012 em diferentes pontos da
boçoroca de Parede, em Reserva do Cabaçal - MT.

149
4. Conclusão
Conclui-se que as ações de recuperação implementadas na boçoroca de parede na
Reserva do Cabaçal foram eficientes para conter a erosão.
5. Literatura Citada

Cuiabano, M.N.; Neves, S.M.A.S.; Nunes, M.C.M.; Serafim, M.E.; Neves, R.J.
Vulnerabilidade ambiental à erosão hídrica na sub-bacia do córrego do Guanabara/Reserva
do Cabaçal – MT, Brasil. Revista Geociências, v. 36, n. 3, p.543-556,
2017.http://www.revistageociencias.com.br/geociênciasarquivos/36/volume36_3_files/36-
3-artigo-10.pdf.

Rodrigues, R.R.; Gandolfi, S. Conceitos, tendências e ações para recuperação de florestas


ciliares. In: Rodrigues, R.R.; Leitão. Filho, H.F. (Ed.). Matas ciliares (conservação e
recuperação). São Paulo. EDUSP/FAPESP, 2000. p 235-247.

Silveira, L.P.; Souto, J.S.; Damasceno, M.M.; Mucida, D.P.; Pereira, I.M. Poleiros
artificiais e enleiramento de galhada na restauração de área degradada no semiárido da
Paraíba, Brasil. Revista Nativa, v. 3, n. 3, p. 164-170, 2015. Doi: 10.14583/2318-
7670.v03n03a03.

150
Capacidade de carga turística em trilhas do Jardim Botânico do Recife,
Pernambuco

Anderson Silva de Almeida 1, Gustavo Andrade Coelho 2, Adriano Castelo dos Santos 3,
Géssyca Fernanda de Sena Oliveira 1, Uilian do Nascimento Barbosa 2, Ana Lícia Patriota Feliciano1
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco. E-mails: andersonalmeida.asda@gmail.com,
eng.gessycasena@gmail.com, ana.feliciano@ufrpe.br, 2Jardim Botânico do Recife. E-mail:
gg_gustavo@live.com, uilianbarbosa@recife.pe.gov.br, 3Instituto Estadual de Florestas do Amapá.
E-mail: adrianocasteloeng@gmail.com.

RESUMO: No Jardim Botânico do Recife, em Pernambuco, anualmente são recebidos


cerca de 100 mil visitantes, o que pode estar gerando impactos consideráveis. Desta
forma, este estudo objetivou estudar a capacidade de carga turística em duas trilhas de
uso livre: Trilha Livre e Bosque da Fama com 120 m e 30 metros de comprimento,
respectivamente. Para a realização do estudo foi utilizada metodologia de Cifuentes. Para
o cálculo da capacidade de carga física (CCF) foram utilizados dados como superfície
ocupada por um visitante (SP), tempo aberto para visitação (Hv), tempo de visitação das
trilhas em horas (Tv). Em seguida foi calculada a capacidade de carga real, através da
seguinte fórmula: CCR= CCF x (Fator de correção1 x Fator de correção2 x ...). Os
fatores de correção selecionados foram: Erodibilidade (FCero); Alagamento (FCal);
Precipitação (FCprec); Fator de Fechamento Eventual (FCeven). Por último foi calculada
a capacidade de carga efetiva a partir da fórmula: CCE= CCR x CM, em que CM=
capacidade de manejo, convencionada a 75%. Os resultados finais demonstraram que a
capacidade de visitação turística para a trilha livre foi de 47 visitantes/dia e para o
Bosque da Fama 7 visitantes/dia.

Palavras-chave: Cifuentes, impacto de visitação, manejo de áreas protegidas.

1. Introdução
As civilizações durante séculos têm se afastado da natureza para viver em grandes
metrópoles por fatores diversos. Paralelamente a isso, no meio rural, as monoculturas
foram tomando espaço de áreas de vegetação nativa para suprir necessidades dos grandes
centros de consumo. Atualmente a humanidade vem buscando retomar o contato perdido
com a natureza, promovendo aumento do turismo em áreas naturais, sendo essas unidades,
importantes instrumentos de sensibilização ambiental (Oliveira et al., 2017).
Esse contato com ambientes naturais tem sido responsável pela diminuição do
estresse causado por poluição, trânsito e outros problemas das grandes cidades através de
atividades como caminhadas ecológicas e esportes radicais, entre outras vivências (Reis &
Queiroz, 2017).

151
Apesar da importância da conscientização durante a visitação a esses ambientes, é
necessário seguir determinações do plano de manejo, dentre elas, o respeito à capacidade
de visitação do espaço. Isso porque essas atividades de ecoturismo podem causar
degradação ao ambiente e até mesmo colocar em risco a sobrevivência de diversas formas
de vida (Teixeira & Oliveira, 2015).
Neste contexto, surge a necessidade de estabelecer estudos que abordem a
capacidade de carga que um determinado espaço pode receber. Este é um conceito comum
no turismo, onde se estabelece a relação entre visitante, espaço e tempo, isto é, o número
máximo que um local pode receber durante um período determinado de tempo, sem causar
danos (Souza, 2005)
Vários métodos são utilizados para estudos de capacidade de carga em ambientes
naturais, dentre eles, destaca-se o desenvolvido por Miguel Cifuentes. Esse método permite
calcular o número de visitantes que o espaço pode receber durante um dado período em
três níveis: capacidade de carda física (CCF), capacidade de carga efetiva (CCE) e
capacidade de carga real (CCR) (Cifuentes, 1992).
No Jardim Botânico do Recife, unidade ambiental protegida do município de
Recife, Pernambuco, de acordo com Nascimento, Martins & Barbosa (2017), a visitação
tem alcançado números acima dos 100 mil visitantes por ano. Com isso, várias de suas
trilhas tem tido problemas de compactação de solo, exposição de raízes e queda de árvores,
fatores que podem estar relacionados ao excesso de visitação no espaço. Dessa forma, este
estudo teve como objetivo calcular a capacidade de carga turística de duas trilhas da
unidade, de modo a proporcionar um plano de visitação sem riscos de provocar danos ao
espaço, bem como subsidiar informações para elaboração do plano de manejo.

2. Material e Métodos
2.1 Área de estudo

O estudo foi realizado no Jardim Botânico do Recife (JBR), criado pelo decreto
municipal 11.341 de 1º de agosto de 1979. A área está localizada em fragmento de Mata
Atlântica às margens da BR 232, km 7,5, bairro do Curado, em Recife (PE), entre as
coordenadas geográficas de 8º4' e 8º5'; 34º59' e 34º57'.

152
FIGURA 1. Mapa de localização do Jardim Botânico do Recife, Pernambuco.

Fonte: Barbosa (2016).

2.2 Método
O método utilizado para este estudo de capacidade de carga turística foi
desenvolvido por Cifuentes (1992). Foram selecionadas duas trilhas utilizadas livremente
pelos visitantes: Trilha Livre e Bosque da Fama, com 120 m e 30 m de comprimento,
respectivamente.
Primeiramente foi calculada a capacidade de carga física (CCF), a qual define o
máximo de visitantes que o espaço pode receber em um dado período. Para tanto, foi
medido o comprimento das trilhas em metros (S), superfície ocupada por um visitante
(SP), convencionada a 1m2; tempo aberto para visitação (Hv), 7 horas/dia para as trilhas;
tempo de visitação da trilha em horas (Tv), sendo respectivamente em média: 0,33h e
0,25h.
Em seguida, calculada a capacidade de carga real (CCR), pela fórmula: CCR=
CCF x (Fator de correção1 x Fator de correção2 x ...). Os fatores de correção selecionados
foram: Erodibilidade (FCero); Alagamento (FCal); Precipitação (FCprec); Fator de

153
Fechamento Eventual (FCeven). Os cálculos de cada fator foram efetuados a partir da
seguinte fórmula FC=1- (MI/Mt), em que: FC= fator de correção; MI= magnitude
limitante; Mt= magnitude total. Vale salientar que existem outros fatores que podem ser
considerados, mas para a realidade do local, esses foram os selecionados.
Por último, calculada a capacidade de carga efetiva (CCE), a qual demonstra o
máximo de visitação que o local pode receber por dia. Esse cálculo é efetuado a partir da
fórmula CCE=CCR x CM, em que: CCE= capacidade de carga efetiva; CCR= capacidade
de carga real; CM= capacidade de manejo. A capacidade de manejo leva em consideração
diversas questões de gestão que impossibilitam o funcionamento em 100% da capacidade,
tais como pessoal, infraestrutura e equipamentos, convencionada em 75%, dentro do limite
medianamente satisfatório estabelecido por Cifuentes (1999).

3. Resultados e Discussão

Os resultados com relação aos cálculos de fatores de correção selecionados bem


como a capacidade de carga para as trilhas podem ser visualizados na Tabela 1.

TABELA 1. Dados de fatores de correção e capacidade de carga em trilhas no Jardim Botânico do Recife
Pernambuco.

Fatores de CCR CCE


CCF Fatores de correção em (CCFxFatores
Trilhas S visitantes/dia correção comum de correção) (CCRx75%)

FCero=0,08 47
visitantes/dia
Livre 120 m 2.545 FCal=0,66 FC even=0,84 63 visitantes/dia

FCero=0,16 7
Bosque FCprec=0,56
da fama 30m 840 FCal= 0,16 10 visitantes/dia visitantes/dia

A análise da Tabela 1 demonstra que as trilhas Livre e Bosque da Fama apresentam


sérios problemas de gestão, diante da visitação ser de livre acesso ao público em ambas,
ocorrendo de terça à domingo. Provavelmente esteja ocorrendo excesso de visitação, o que
consequentemente tem causado impactos como a compactação de solo, aumento de
problemas com erosão e alagamento em vários trechos das trilhas e até mesmo a queda de
árvores, o que põe em risco a segurança dos frequentadores do espaço.

154
4. Conclusão
A metodologia adotada foi eficiente, tendo sido atingido o objetivo inicial na
obtenção do número máximo de visitantes por dia para as trilhas Livre (47 visitantes) e
Bosque da Fama (07 visitantes). Sugere-se que a gestão da unidade protegida reconsidere a
forma de utilização de seus espaços por visitantes, respeitando a capacidade de carga
turística, garantindo o direito de uso por futuras gerações.

5. Literatura Citada
Barbosa, U. N. Aspectos ecológicos e influência de Artocarpus heterophyllus Lam. na
estrutura do componente arbóreo de fragmento florestal urbano, Recife, PE. 2016. 79f.
(Dissertação) (Mestrado em Ciências Florestais) - Universidade Federal Rural de Pernambuco,
Recife.

Cifuentes, M. Determinación de Capacidad de Carga Turística em áreas protegidas. Centro


Agronômico Tropical de Investigación y Enseñanza – CATIE, Turrialba, Costa Rica. 1992.
23p.

Cifuentes et. al. Capacidad de carga turística de las áreas de uso público del Monumento
Nacional Guayabo, Costa Rica, 1999. 60p.
Nascimento, L. M.; Oliveira, A. M.; Barbosa, U. N. Aspectos históricos e de gestão do
Jardim Botânico do Recife, Pernambuco. Arrudea. v. 3, p. 51-75, 2017.
Oliveira, J.; Nóbrega, W. Sonaglio, K. Turismo e planejamento participativo em áreas
naturais protegidas: O caso do Parque Estadual dos Mangues do Potengi – RN. Revista
Turismo & Desenvolvimento. n. 27/28, p. 611-627, 2017.
Reis, A. F.; Queiroz, O. T. M. M. Visitação no parque estadual da Cantareira (PEC):
Reflexões sobre o uso recreativo de uma unidade de conservação (UC). Revista de
Turismo Contemporâneo. Natal, v. 5, n. 1, p. 42-60, jan/jun, 2017.
Souza, M. C. Ecoturismo de mínimo impacto. 2005. Especialização (Pós-graduação em
Ecoturismo: interpretação e planejamento de atividades em áreas naturais) - Universidade
Federal de Lavras, Lavras.

Teixeira, P. R.; Oliveira, L. T. O método de Cifuentes e a avaliação da capacidade de carga


na Trilha na "Serrinha", São João da Baliza, Roraima. Revista Rosa dos Ventos, v. 7, n. 1,
p. 120-132, jan-mar, 2015. http://dx.doi.org/10.18226/21789061.v7iss1p120

155
Caracterização climática de áreas com Ligustrum lucidum W. T. Aiton a nível
mundial

Jaqueline Beatriz Brixner Dreyer 1, Ana Carolina da Silva 1, Pedro Higuchi1


1
Universidade do Estado de Santa Catarina (jaqueline.bbdreyer@gmail.com; carol_sil4@yahoo.com.br;
higuchip@gmail.com)

RESUMO: O objetivo desse trabalho foi investigar climaticamente as áreas de ocorrência


natural e não natural da espécie invasora Ligustrum lucidum W. T. Aiton. Para isto, os pontos
de ocorrência mundial foram extraídos do banco de dados Global Biodiversity Information
Facility (GBIF) e a altitude e as variáveis climáticas do WorldClim. Realizou-se o agrupamento
das áreas por meio de dendrograma, com distância euclidiana e algoritmo de Ward como
método de ligação. Por meio de uma Análise de Componentes Principais, verificou-se as
variáveis climáticas mais explicativas para a formação dos grupos climáticos. Foi possível
concluir que a ocorrência da espécie está associada a três grupos distintos, sendo que a área de
ocorrência natural difere das invadidas por apresentar maior amplitude e sazonalidade da
temperatura anual, além de invernos mais secos. As áreas de ocorrência exótica foram
divididas em dois grupos relacionados, principalmente, à umidade e à amplitude térmica diária.

Palavras-chave: grupos climáticos, espécies exóticas invasoras, ligustro

1. Introdução
Nativo da porção sul-asiática, Ligustrum lucidum W. T. Aiton foi introduzido em
diversos continentes com a finalidade ornamental (Grin, 2017; Moser et al., 2017). Devido ao
seu rápido crescimento, grande número de sementes e tolerância a áreas tanto úmidas e
sombreadas, quanto secas e expostas ao sol (South Coast Weeds, 2017; Weber, 2017) foi capaz
de se estabelecer e expandir sua população, tornando-se altamente invasor ao redor do mundo.
A explicação dos padrões de distribuição das espécies faz parte dos paradigmas centrais
da ecologia (Pickett et al., 1994). Normalmente, a ocorrência das espécies está muito relacionada
ao clima e, de maneira geral, acredita-se que áreas mais semelhantes à original são locais mais
propícios para novas invasões (Richardson & Thuiller, 2007; Guisan et al., 2014). Devido a
importância de estudos climáticos para auxiliar a modelagem de predição de áreas potenciais de
invasão, o objetivo desse trabalho foi caracterizar climaticamente as áreas com ocorrência de
Ligustrum lucidum, a fim de verificar se as condições climáticas da área de ocorrência natural se
assemelham as das áreas invadidas.

156
2. Material e Métodos
2.1 Obtenção dos dados de ocorrência da espécie e dados climáticos
Os dados de distribuição de ocorrência de L. lucidum foram obtidos a partir de pontos
georreferenciados disponíveis no banco de dados on line Global Biodiversity Information
Facility. Já os dados climáticos foram extraídos do banco de dados WorldClim, na resolução de
10 minutos (~20 km). Foram utilizados a altitude e 19 variáveis climáticas (bio 1: temperatura
média anual; bio 2: média da amplitude térmica diária; bio 3: isotermalidade; bio 4: sazonalidade
térmica; bio 5: temperatura máxima no mês mais quente; bio 6: temperatura mínima no mês
mais frio; bio 7: amplitude térmica anual; bio 8: temperatura média no trimestre mais úmido; bio
9: temperatura média no trimestre mais seco; bio 10: temperatura média no trimestre mais
quente; bio 11: temperatura média no trimestre mais frio; bio 12: precipitação anual; bio 13:
precipitação no mês mais úmido; bio 14: precipitação no mês mais seco; bio 15: sazonalidade da
precipitação; bio 16: precipitação no trimestre mais úmido; bio 17: precipitação no trimestre
mais seco; bio 18: precipitação no trimestre mais quente; bio 19: precipitação no trimestre mais
frio).

2.2 Análise dos dados


As áreas de ocorrência natural da espécie, assim como as áreas onde L. lucidum é
encontrado como exótico, foram agrupadas segundo suas condições climáticas. Realizou-se o
agrupamento por meio de um dendrograma, com distância euclidiana e algoritmo de Ward como
método de ligação.
Para a definição das variáveis mais significativas para a formação dos grupos climáticos,
foi realizado uma Análises de Componentes Principais (ACP). Foram utilizadas as bibliotecas
rgbif, ggplot2, maptools, splancs, SDMTools e ape. Todas as análises foram realizadas no
ambiente de programação estatística R (R Development Core Team, 2018).

3. Resultados e Discussão
A ocorrência de Ligustrum lucidum foi associada a três grupos climáticos distintos, sendo
que, de forma geral, a área de ocorrência natural difere das áreas invadidas (Figura 1A). Foi
possível observar a distribuição cosmopolita da espécie, em quase todos os continentes (Figura
1B). Segundo Pier (2016), a espécie invade uma ampla gama de hábitats, desde florestas nativas,

157
pradarias, até locais próximos a cursos d'água.

FIGURA 1. Agrupamento das áreas de ocorrência natural (azul) e exótica (vermelho e verde) de Ligustrum lucidum,
em função das variáveis climáticas (A). Grupos climáticos em escala global (B).

A B

A ordenação das áreas com L. lucidum explicou 57,35% da variação total dos dados (eixo
1 = 31,74%; eixo 2 = 25,61%). As variáveis climáticas que apresentaram maior correlação com
o primeiro eixo foram bio 7, bio 4 e bio 19 e com eixo 2 bio 2, 12 e 16 (Figura 2).

FIGURA 2. Ordenação das áreas com L. Lucidum por meio de Análise de Componentes Principais, com a indicação
das variáveis climáticas e altitude para a formação dos agrupamentos (azul = predominantemente área em que L.
lucidum ocorre como nativa; vermelho e verde = área de ocorrência exótica).

158
Localizada predominantemente a esquerda da ordenação, a área de ocorrência natural se
caracteriza por apresentar maior amplitude e sazonalidade da temperatura anual, como também
invernos mais secos. As áreas invadidas apresentam: i) locais de maior precipitação e menor
amplitude da temperatura diária (principalmente Brasil, México e sudeste Australiano - litoral) e
ii) áreas menos úmidas e com maior amplitude da temperatura diária (especialmente Europa,
EUA e sudeste Australiano – interior).
Estudos de Aragón & Groom (2003) e Guilhermetti et al. (2013) confirmam que L.
lucidum, embora colonize, principalmente, ambientes úmidos e degradados, apresenta tolerância
ao sombreamento e às baixas temperaturas, como também facilidade na dispersão e alta taxa de
germinação de suas sementes, o que lhe confere facilidade de invasão nas mais variadas
condições.

4. Conclusão
Conclui-se que Ligustrum lucidum apresenta ocorrência em áreas climaticamente
diferentes. A eficiência da espécie em se estabelecer em novas condições refuta o conceito de
que as invasões ocorrem somente entre climas semelhantes.

5. Literatura Citada
Aragón, R.; Groom, M. Invasion by Ligustrum lucidum (Oleaceae) in NW Argentina: early stage
charactesistics in different habitat types. Revista Biología Tropical, v.51, n.1, p.59-70, 2003.

159
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http://www.ars-grin.gov 25 Abr de 2018.
Guilhermetti, G.C.; Vogel, G.F.; Martinkoski, L.; Mokochinski, F. M. Aspectos da distribuição
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Weber, E. Invasive plant species of the world: a reference guide to environmental weeds. CABI:
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160
Caracterização dendrométrica de uma população de Swietenia
macrophylla King em fragmento urbano da cidade de Marabá/PA

Maila Janaína Coêlho de Souza1, Renildo Medeiros da Silva2, Jaquelyne Rosa Silva2, Gleidson
Ribeiro da Silva2, Karem Santos da Silva 2, Fernanda da Silva Mendes 2
1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: mailajcsouza@gmail.com;
2
Universidade do Estado do Pará. E-mails: renildomedeiros14@hotmail.com,
jakyrosa19@gmail.com, gleidsonribeiro_1989@hotmail.com, karem_s.silva@hotmail.com,
mendes.fsm@gmail.com

RESUMO: O Brasil apresenta uma enorme diversidade em sua flora, tendo


como destaque as espécies florestais nativas exploradas, como o mogno
(Swietenia macrophylla King, Meliaceae), essa espécie é indicada para
regeneração natural e possui alto valor comercial devido as suas
características tecnológicas. O objetivo deste trabalho foi inventariar a
antiga Praça do Mogno, no município de Marabá -Pará, com ênfase na espécie
Swietenia macrophylla King. foram realizadas entrevista com o funcionário
do órgão fundador da praça e posteriormente foi feita a coleta dos dados
dendrométricos e fitossanitários dos indivíduos, como DAP (diâmetro a altura
do peito), altura da primeira bifurcação e altura total dos indivíduos, assim
como a presença de insetos no local. Os resultados obtidos mostram que são
indivíduos introduzidos em área aberta, que estão em um fragmento urbano,
sob condições diferentes das encontradas em uma floresta. Aos 40 anos de
idade, o povoamento apresentou um diâmetro médio de 55,29 cm, altura
média de 16,17 m, altura dominante de 16 m, área basal de 95,84 m² .ha -1 ,
sendo um povoamento jovem e de área aberta. A área estudada apresentou um
povoamento jovem da espécie S. macrophylla, com médias de alturas e diâmetros abaixo
dos esperados.

Palavras-chave: inventário, mogno, plantio

1. Introdução
No Brasil há uma infinidade de espécies florestais nativas exploradas em larga
escala, como o mogno (Swietenia macrophylla King, Meliaceae). Sua ocorrência estende-
se pelo México, América Central, Amazônia Brasileira e Boliviana (Barros & Veríssimo,
2002). De acordo com Meliaceae (2018), é uma árvore de substrato terrícola, nativa, porém
não é endêmica do Brasil, estando distribuídas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
É uma espécie intermediária na escala de sucessão (Teixeira et al., 2013), não reagem bem
em áreas sombreadas e com competição no nível radicular, se desenvolvendo melhor em
ambientes abertos, como áreas queimadas e clareiras sendo indicada para a regeneração

161
artificial (Costa et al., 2013).
O mogno apresenta um alto valor comercial em todo o mundo, cujo valor agregado
a madeira se dá devido as suas características estéticas e tecnológicas. Sua madeira é de
resistência moderada ao apodrecimento e alta resistência contra o ataque de cupins de
madeira seca, além de ser de fácil trabalhabilidade e possuir estabilidade dimensional
(Barros & Veríssimo, 2002; Carvalho, 2007; Souza et al., 2010).
Este estudo propõe-se inventariar a área referente à antiga Praça do Mogno, no
município de Marabá/PA, dando relevância aos indivíduos da espécie Swietenia
macrophylla presentes no local, fornecendo características dendrométricas e fitossanitárias
do povoamento.

2. Material e Métodos
O trabalho foi realizado na antiga Praça do Mogno, uma área de 4.000 m² no município de
Marabá-Pará. A praça foi fundada em 1972, mas os indivíduos de S. macrophylla só foram plantados
em 1974, a área foi desativada em 2001 e desde então a mesma não possui manutenção, somente
capinas esporádicas. O estudo foi realizado no ano de 2014, e primeiramente, foi realizada uma
entrevista com o funcionário Ismaelino Costa do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária), órgão responsável pela fundação da praça. Posteriormente foi realizado um censo
no local, onde se obteve dados em relação ao DAP, diâmetro a altura do peito, das árvores (1,30 m
acima do solo), altura da primeira bifurcação (Hb) e altura total dos indivíduos (HT), e presença de
insetos, principalmente Hypsipyla grandella Zeller. Os dados obtidos foram tabelados, calculadas as
médias para as variáveis referentes a área basal, altura e diâmetro médio, bem como os seus valores
máximos e mínimos e realizada a distribuição diamétrica dos indivíduos, com amplitude de classes
de 5 cm.

3. Resultados e Discussão
A partir do censo in loco realizado constatou-se que a área possui 38 indivíduos de
S. macrophylla, dos quais 23,68% apresentaram algum tipo de dano, podridão, presença de
cipós e /ou insetos. Também foram observadas bifurcações precoces de fuste em todos os
indivíduos.
A altura total média dos indivíduos é 16 m ± 1,88 (HTmínima= 9,5 m; HTmáxima= 19
m), diâmetro médio de 55,29 cm ± 12,59 (DAPmínimo= 24,51 cm; e DAPmáximo= 82,67 cm)

162
e área basal de 95,84 m².ha-1. A altura total da árvore pode alcançar em média de 30 a 40
metros, com circunferências de 3 a 4 m (Rastogi & Mehrotra, 1990), sendo a altura
encontrada considerada baixa. Além disso, a altura tende a não sofrer alterações
consideráveis dos valores, pois o plantio foi realizado em um fragmento urbano, em uma
área aberta, com espaçamento amplo que não proporcionava competição entre os
indivíduos, sem tratamentos silviculturais, além do ataque constante de insetos. A altura
média da primeira bifurcação dos indivíduos foi de 2,75 m ± 0,55 (Hbmínima= 1,8 m; e
Hbmáxima= 4,2 m), a bifurcação diminui o valor comercial da árvore e essa bifurcação pode
estar associada ao ataque da mariposa à gema apical das árvores.
Embora sejam desenvolvidas pesquisas constantes sobre a espécie, sua implantação
em plantios homogêneos não é viável devido a ataques da mariposa Hypsipyla grandella
(Lepidoptera: Pyralidae), originando uma barreira para o estabelecimento comercial de
plantios da espécie (Degen et al., 2013). Observou-se a ocorrência de mariposas na área,
sendo as características de altura e diâmetro supracitadas associadas também à incidência
da mesma, com o ataque da gema apical dos indivíduos, comprometendo o
desenvolvimento do vegetal, pois o ataque do inseto ocasiona bifurcações, nós,
tortuosidades prejudicando ainda o desenvolvimento completo da altura da árvore. O
ataque também pode ocorrer na raiz do vegetal, nesse caso podendo levar a morte (Castro
et al., 2016), o que não foi analisado no presente estudo.
Silva et al. (2013) defendem o consórcio entre espécies como forma de prevenção ao
ataque da H. grandella. O plantio da espécie Azadirachta indica A. Juss (Meliaceae),
popularmente conhecida como nim, no consórcio com S. macrophylla é sugerido, pois a
mesma possui barreiras naturais de proteção contra a mariposa. No referido estudo, a
barreira não foi capaz de evitar os ataques da H. grandella, entretanto não houve
ocorrências de ataques à S. macrophylla no primeiro ano de plantio. Logo, A. indica
retardou e consequentemente minimizou o ataque à plantação.
Quanto a distribuição diamétrica, na Figura 1 observa-se que 26,30% dos
indivíduos situam-se num intervalo de 50-55 cm de diâmetro e 42% dos indivíduos
apresentam diâmetro superior a 55 cm. O diâmetro do povoamento é baixo, pois a
população é jovem. A distribuição tende à normal, com variações que se devem à idade e
ao local de plantio, classificando a área como semelhante ao que ocorre em plantios

163
equiâneos.

FIGURA 1. Gráfico da distribuição por classe diamétrica dos indivíduos de S. macrophylla encontrados na
Praça do Mogno.

12

10
Frequência (nº)

Classes de diâmetro (cm)

4. Conclusão
A área estudada apresentou um povoamento jovem da espécie S. macrophylla, com
médias de alturas e diâmetros abaixo dos esperados. Foi identificada na maioria indivíduos
a danos causados por H. grandella, contribuindo para a bifurcação nas árvores. Além
disso, foram observados algum tipo de dano, podridão, presença e/ou insetos em pelo
menos 25% dos indivíduos analisados.
Os resultados quanto a distribuição diamétrica foram semelhantes ao observados
em plantios equiâneos. Os valores de área basal, altura média e variação diamétrica
denotaram um fragmento florestal em processo de estruturação.
O desenvolvimento do fragmento em área urbana aberta contribuiu para
estabilização em altura dos indivíduos.

5. Agradecimentos
À Fundação de Apoio à Pesquisa no Rio Grande do Norte/Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Fapern/Capes), pelo auxílio financeiro.

6. Literatura Citada

164
Barros, A.C.; Veríssimo, A. A expansão madeireira na Amazônia: impactos e perspectivas
para o desenvolvimento sustentável no Pará. Belém: Imazon, ed.2, 2002. 166p.
Carvalho, P.E.R. Mogno: Swietenia macrophylla, Embrapa, Circular Técnico, n.140, 2007.
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/313906/1/Circular140.pdf.
12 Mar. 2018.
Castro, M.T.; Montalvão, S.C.L.; Monnerat, R.G. Breeding and biology of Hypsipyla
grandella Zeller (Lepidoptera: Pyralidae) fed with mahogany seeds (Swietenia
macrophylla King). Journal of Asia-Pacific Entomology, v.19, n.1, p.217-221, 2016.
https://doi.org/10.1016/j.aspen.2016.01.008.
Costa, J.R.; Morais, R.R.; Campos, L.S. Cultivo e manejo do mogno (Swietenia
macrophylla King). Embrapa Amazônia Ocidental-Documentos (INFOTECA-E), 2013.
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/1007849/1/Doc114A5.pdf. 10 Mar.
2018.
Degen, B.; Ward, S.E.; Lemes, M.R.; Navarro, C.; Cavers, S.; Sebbenn, A. M. Verifying
the geographic origin of mahogany (Swietenia macrophylla King) with DNA-
fingerprints. Forensic Science International: Genetics, v.7, n.1, p.55-62, 2013.
https://doi.org/10.1016/j.fsigen.2012.06.003.
Meliaceae in: Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB23803. 17 Mar. 2018.
Rastogi, R.P.; Mehrotra, B. Compendium of Indian Medicinal Plants. Central Drug
Research Institute: New Delhi, India, 1990. 397p.
Silva, M.C.A.; Rosa, L.S.; Vieira, T.A. Eficiência do nim (Azadirachta indica A. Juss)
como barreira natural ao ataque de Hypsipyla grandella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae),
sobre o mogno (Swietenia macrophylla King). Acta Amazônica. v.43, n.1, p.19-24, 2013.
http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672013000100003.
Souza, C.A.S.; Tucci, C.A. F.; Silva, J.F.; Ribeiro, W. O. Exigências nutricionais e
crescimento de plantas de mogno (Swietenia macrophylla King.) Acta Amazonica, v.40,
n.3, p.515-522, 2010. http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672010000300010.
Teixeira, W.F.; Fagan, E.B.; Silva, J.O.; Silva, P.G.; Silva, F.H.; Sousa, M.C.; Canedo,
S.C. Atividade da enzima nitrato redutase e crescimento de Swietenia macrophylla King

165
sob efeito de sombreamento. Floresta e Ambiente, v.20, n.1, p.91-98, 2013.
http://dx.doi.org/10.4322/floram.2012.068.

166
Chuva de sementes em duas áreas com diferentes níveis de antropização

Janaína Costa Chaves Silva¹, Alisson de Santana Silva², Cassandra Mendonça de Oliveira³, Cilene
dos Santos4, Dêniver Dehuel Souza de Oliveira5, Milton Marques Fernandes6
¹Universidade Federal de Sergipe (nanna.ccs@gmail.com), ²Universidade Federal de Sergipe
(alisson.santanasilva@hotmail.com), ³Universidade Federal de Sergipe
(cassandramoliveira@gmail.com), 4Universidade Federal de Sergipe (ciforest@hotmail.com),
5
Universidade Federal de Sergipe (deniverddso@hotmail.com), 6Universidade Federal de Sergipe
(miltonmf@gmail.com)

RESUMO: Este trabalho teve como objetivo a caracterização da chuva de sementes de


duas áreas, com diferentes níveis de antropização como indicadores do status sucessional.
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
Sergipe (IFS), localizado no munícipio de São Cristóvão (SE). Foram alocados 10
coletores na área aberta (mais antropizada) e 10 coletores na área fechada (menos
antropizada) e coletadas as sementes por 12 meses. A área fechada obteve uma maior
produção de sementes e uma maior proporção de síndrome de dispersão zoocórica indicando um
status sucessional mais avançado que a área aberta que apresentou maior percentual de dispersão
anemocórica. Entretanto as duas áreas apresentam alto percentual de dispersão zoocórica,
demonstrando bom estado de conservação. A dispersão autocórica obteve um baixo percentual
nas duas áreas, sendo os percentuais próximos nas duas áreas.

Palavras-chave: síndrome de dispersão, status sucessional, restauração ecológica

1. Introdução
Em virtude do intenso desmatamento da Mata Atlântica, a mesma se encontra
dividida em fragmentos remanescentes. A fragmentação florestal é considerada uma das
razões predominantes das modificações na estrutura e paisagem das florestas, essa redução
na área original ocasiona a diminuição da biodiversidade, reduzindo a estabilidade e a
eficácia do ecossistema de restabelecer o equilíbrio diante de alguma perturbação (Sartori,
2010).
Uma das garantias do êxito para recuperar áreas de fragmentos degradados, como
os fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, é avaliar a chuva de sementes pois irá
permitir identificar em qual estágio de sucessão encontra-se a floresta e qual sua
capacidade de regeneração, sendo a mesma considerada um bioindicador quantitativo
vegetativo (Martins, 2013). Sendo assim, a chuva de sementes apresenta grande capacidade
para manter a regeneração das espécies florestais (Avila et al., 2013). Por meio da chuva de
sementes forma-se o banco de sementes no solo que coopera diretamente com a

167
restauração florestal através da avaliação de sementes viáveis no solo, visto que essas
sementes viáveis germinarão substituindo dessa forma as plantas que morrem ou são
derrubadas nos fragmentos florestais (Calegari et al., 2013).
Para a floresta apresentar boa regeneração natural a chuva de sementes deve possuir
um grande número de sementes de diferentes espécies e pertencentes aos grupos
ecológicos que fazem parte do início e também os que fazem parte do final da sucessão
(Martins, 2013). Diante disso, este trabalho teve como objetivo a caracterização da chuva
de sementes de duas áreas presentes em uma Floresta Ombrófila Semidecidual, com
diferentes níveis de antropização como indicadores do status sucessional.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e


Tecnologia de Sergipe (IFS), localizado no munícipio de São Cristóvão (SE) sob as
coordenadas geográficas de 10º55’ S e 37º07’ W em altitude de 20 metros, apresentando
uma área total de 200 hectares de uma Floresta Ombrófila Semidecidual (Semar, 2012).
Para a execução deste trabalho foram selecionadas duas áreas com diferentes níveis
de antropização inseridas no mesmo fragmento, a primeira área é uma floresta aberta e a
outra uma floresta fechada. A área aberta corresponde a uma área com corte seletivo de
madeira nos últimos 10 anos, com maior nível de intensidade luminosa no sub-bosque. Já a
área fechada não apresenta histórico de perturbação e retirada seletiva de madeira nos
últimos 25 anos, com menor nível de intensidade luminosa no sub-bosque.
Com a finalidade de estudar a composição e densidade da chuva de sementes foram
instalados aleatoriamente no polígono de cada área, delimitados por uma imagem de
satélite OLI Land Sat, coletores de madeira de 1 m² com revestimento de malha fina de
nylon (1 mm) apresentando 10 cm de profundidade estando 50 cm acima do solo, sendo a
distância de alocação entre os coletores de 50 m. As coletas foram realizadas mensalmente
durante 12 meses. Todos os materiais encontrados depositados sobre os coletores foram
acondicionados em sacolas de papel pardo e etiquetados para posterior identificação e
quantificação no Laboratório de Ecologia Florestal da Universidade Federal de Sergipe.
As identificações das sementes foram realizadas com auxílio de literatura
especializada e através de comparação com sementes do Herbário da Universidade Federal

168
de Sergipe (ASE). Os táxons foram classificados em nível de família, gênero e quando
possível espécie utilizando o sistema de classificação Angiosperm Phylogeny Group III
(APG III, 2009). Foram também classificadas de acordo com a síndrome de dispersão,
podendo ser caracterizadas em zoocóricas (dispersão por animais), anemocóricas
(dispersão pelo vento) e autocóricas (dispersão por explosão ou gravidade). Para isso, foi
utilizada a classificação de Leendert (1982).

3. Resultados e Discussão

No período avaliado foram contabilizadas na área fechada e área aberta,


respectivamente, 16.483 e 678 sementes, pertencentes a 44 espécies. Destas, 4 foram
identificadas apenas em nível de família e as demais (40) foram identificadas em nível de
espécie. Neste sentido, a área fechada apresenta uma produção de sementes muito superior
a área aberta, refletindo um ecossistema mais equilibrado e desenvolvido na área fechada.
Capellesso et al. (2015) avaliando a chuva de sementes em um fragmento florestal de uma
floresta decidual em avançado estagio sucessional contabilizou 2079 propágulos, sendo
portanto muito inferior ao observado neste estudo para área fechada.
Dentre as família que apresentaram maior número de espécies tem-se Rubiaceae (5
spp.), Fabaceae (2 spp.), Lamiaceae (2 spp.) Myrtaceae (4 spp.). Com relação a quantidade
de sementes as família que se destacaram foram Anacardiaceae (455), Sapindaceae (3242),
Moraceae (10.675). Em relação ao mecanismo de dispersão, na área fechada predominou a
zoocoria (72,37%), seguida da anemocoria (26,32%) e autocoria (1,31%). Na área aberta
predominou de forma semelhante a zoocoria (65,12%), posteriormente anemocoria
(32,56%) e autocoria (2,32%). (Figura 1)
Embora apresente uma pequena diferença quanto a dispersão zoocorica, a área
fechada apresentou maior percentual para a dispersão zoocorica em comparação a área
aberta. Isto indica que a área fechada apresenta um status sucessional mais avançado.
Almeida Junior & Barbosa (2015) observaram que a chuva de sementes na Mata Atlântica
na Serra da Cantareira, SP, apresentou um predomínio do mecanismo de dispersão
zoocorica demonstrando bom estado de conservação da vegetação. Segundo Lima et al.
(2016) quando a dispersão anemocórica se aproxima quantitativamente da dispersão
zoocórica significa áreas perturbadas, o que não ocorreu nas áreas abertas e fechadas.

169
Miranda Neto et al. (2014) também observaram maior proporção de zoocoria em um
reflorestamento com 40 anos, indicando avanço no processo sucessional.
A dispersão anemocórica apresentou maior percentual na área aberta em
comparação a área fechada, demonstrando que a área aberta apresenta um estágio
sucessional menos avançado que a área fechada. A dispersão autocórica obteve um baixo
percentual nas duas áreas, sendo os percentuais próximos nas duas áreas.
Figura 1. Síndromes de dispersão encontradas nas áreas de estudo.

4. Conclusão
A área fechada obteve uma maior produção de sementes e uma maior proporção de
síndrome de dispersão zoocorica que a área aberta, indicando um status sucessional mais avançado.
Entretanto as duas áreas apresentam alto percentual de dispersão zoocórica, demonstrando bom
estado de conservação.

5. Literatura Citada
Almeida Junior, P.A.; Barbosa, J.M. Chuva de sementes em fragmentos de mata atlântica
do Parque Estadual da Cantareira, Mairiporã (SP). Acta Biológica Catarinense, v.2, n.2,
p.73-86, 2015. http://dx.doi.org/10.21726/abc.v2i2.215.

APG III. An update of the Angiosperm phylogeny Group classification for the orders and
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p.105-121, 2009. https://doi.org/10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x.

Avila, A.L.D; Araujo, M.M.; Gasparin, E.; Longhi, S.J. Mecanismos de regeneração natura
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1-628, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-77602013000400012.

170
Calegari, L.; Martins, S.V.; Campos, L.C.; Silva, E.; Gleriani, J.M. Avaliação do banco de
sementes do solo para fins de restauração florestal em Carandaí, MG. Revista Árvore, v.37,
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Capellesso, E.S.; Santolin, S.F.; Zanin, E.M. Banco e chuva de sementes em área de
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171
Classificação supervisionada do uso e cobertura do solo do município de
Garanhuns – PE, Brasil, utilizando imagens Landsat – 8

José Jorge Monteiro Junior1, Joselane Príscila Gomes da Silva 2, Emanuel Araújo Silva3
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (josejorgemonteirojunior@gmail.com),
2
Universidade Federal Rural de Pernambuco (joselane.gomess@gmail.com),
3
Universidade Federal Rural de Pernambuco (emanuel.ufrpe@gmail.com)

RESUMO: Classificação supervisionada do uso e cobertura do solo faz parte do


desenvolvimento de uma estratégia de manejo que exige medição precisa dos parâmetros
de uso da terra e do solo para potencializar os conhecimentos sobre os processos
hidrológicos, edáficos, climatológicos e ecológicos que ocorrem em uma região. Este
estudo teve como objetivo caracterizar o uso e ocupação do solo do município de
Garanhuns – PE através de técnicas de segmentação de imagens e classificação por
região, utilizando imagem do satélite Landsat - 8/OLI, com o auxílio do software SPRING
5.1.4 para o ano de 2015. A região foi classificada nas classes temáticas: floresta, solo
exposto, vegetação rasteira, água e área urbana. Os mapas de uso/cobertura
demonstraram que as classes solo exposto e vegetação rasteira são as predominantes
devido à grande incidência da atividade agropecuária, e a classe floresta apresenta o
menor valor devido ao contexto histórico de extração madeireira tanto para a ocupação
urbana até a ampliação de áreas para o gado. Assim, é necessário um incremento de
estudos de uso e cobertura do solo e modelagem espacial dinâmica, com intuito de
auxiliar na gestão adequada da cidade, ou então recursos como a floresta nativa serão
perdidos em breve não podendo desempenhar seu papel no desenvolvimento
socioeconômico municipal.

Palavras-chave: agreste pernambucano, sensoriamento remoto, desmatamento

1. Introdução
A Classificação supervisionada do uso e cobertura do solo ou Classificação Digital
de Imagens - CDI, é utilizada para o mapeamento do uso e da cobertura da terra por
métodos de vetorização, que é quando se rotula um pixel da imagem, atribuindo a ele uma
classe, que identifica como aquela porção do território é usada (Almeida et al., 2018).
Mapas de uso do solo podem ser confeccionados, servindo como ferramenta
necessária, e, de vital importância na formulação de diversos zoneamentos como os
ambientais, agroflorestais e urbanos. E com o mapeamento da área, facilita-se a
identificação de diversas áreas, preservadas, ocupadas ou áreas exploradas de forma
inadequada e, com sua localização precisa, promove a tomada de decisões pelos órgãos
competentes encarregados da fiscalização (Batista, 2017).

172
Incrementando as informações que fomentam e garantem a manutenção ambiental e
ainda, pode monitorar os possíveis impactos ambientais proveniente de exploração ilegal e
crescimento urbano, ajudando na tomada de decisão, tanto em escala municipal, regional e
até mesmo global ( Santos Paz & Vieira, 2018).
O objetivo deste trabalho foi caracterizar o uso e ocupação do solo do município de
Garanhuns – PE através de técnicas de segmentação de imagens e classificação por região,
utilizando imagem do satélite Landsat - 8/OLI, com o auxílio do software SPRING 5.1.4.

2. Material e Métodos

A área de estudo consiste o município de Garanhuns localizado cerca de 230 km


da capital de Pernambuco - Brasil, situado nas coordenadas geográficas 8°52’58” S de
latitude e 36°29’48” W de longitude, ocupa uma área de 459,67km.
A vegetação do município é composta em parte por espécies da Caatinga, espécies
hiperxerófilas, e espécies da Mata Atlântica, constituída por árvores de médio e grande
porte, formada por floresta densa e fechada (Melo & Rodal, 2003).
Para análise da cobertura e uso do solo do município, utilizou-se imagem do
satélite Landsat-8 com sensor OLI emitida no dia 14 de novembro de 2015. Dados
vetoriais da área de estudo - limites municipais, foram adquiridos no site Instituto
Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) para análise dos dados e a confecção dos mapas.
O processamento das imagens foi realizado pelo software Spring 5.4.1. E o
software Google Earth versão online, com imagens do ano de 2016 da área de estudo para
auxiliar a interpretação da imagem durante o procedimento de classificação.
A classificação utilizada foi por regiões, e se baseia em informações espectrais e
espaciais da relação entre os pixels e seus vizinhos, sendo realizada pelo método
Bhattacharya, classificador disponibilizado pelo Spring 5.4.1 com índice de aceitação de
99%. As classes temáticas consideradas foram: florestal; solos expostos; vegetação
rasteira; água; e área urbana.

3. Resultados e Discussão

173
Por meio da análise da imagem de satélite LANDSAT – 8 /OLI, as classes
estabelecidas puderam ser classificadas, a figura 1 representa o mapa do uso e cobertura do
solo no município de Garanhuns.
FIGURA 1- Mapa de uso e classificação do solo no município de Garanhuns – PE, Brasil.

Verificou-se que as áreas classificadas como solo exposto juntamente com a classe
vegetação rasteira possuem os maiores valores de uso do solo no município em estudo
(Figura 2).
A área constituída de solo exposto está relacionada a regiões onde se tem
desenvolvido a pecuária e áreas agrícolas com os principais produtos de cultura
permanente: manga, café e abacate; e culturas temporárias destacam- se a mandioca, feijão
e o tomate, e ainda frutas e hortaliças de menor expressão na região que, no entanto, ocupa
vasta área do município através da atividade de policultura (IBGE, 2015).
FIGURA 2- Dados quantitativos (em hectares -ha) e sua respectiva representação pela imagem do satélite
Landsat – 8, para cada classe estabelecida

174
.

A baixa representatividade de áreas com floresta densa, está relacionada ao


processo histórico de ocupação da cidade, devido a extração ilegal da madeira, e áreas
desmatadas para o crescimento da monocultura do café, atualmente, esses remanescentes
estão sendo removidos para ceder espaço para zona de expansão urbana e ampliação de
áreas para pastagens e agricultura de subsistência (Melo, 2013). Os maiores corpos d’água
apresentados na imagem representam duas barragens localizadas no município enquanto
que os menores são pequenos açudes localizados em fazendas.

4. Conclusão
A classificação supervisionada do uso e cobertura do solo para o município de
Garanhuns e a metodologia adotada apresentou-se satisfatória com os dados reais na
classificação das classes temáticas apontadas, dessa forma, os resultados podem servir de
instrumento para estudos e futuros diagnósticos de impactos ambientais no município,
subsidiando a tomada de decisões na administração municipal.

5. Literatura Citada

175
Almeida, R.T.S. Moreira, A.N.H. Griebeler, N.P. Sousa, S.B. Influência dos dados e
métodos no mapeamento do uso e da cobertura da terra. Raega - O Espaço Geográfico em
Análise, v.43, p.7-22, 2018. https://revistas.ufpr.br/raega/article/view/48164 23 abr. 2018.

Batista, V.G.P. Uso e cobertura do solo na bacia do Alto Rio Preto: análise do mapeamento
histórico das mudanças nas áreas de Preservação Permanente em Unidade de Conservação
Ambiental, área de uso militar e urbano-rural entre 1970 a 2016. 2017.85 f., il. Dissertação
(Mestrado em Geografia)Universidade de Brasília, Brasília.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Garanhuns – PE. 2015.


http://www.cidades.ibge.gov.br/painel/painel.php?lang=&codmun=260600 23 abr. 2018.

Melo, F.P. Modelo de uso e ocupação da paisagem no município de Garanhuns-PE.


Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental. v.10, n.10, p. 2198-
2207, jan./abr. 2013. http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/reget. 15 fev.
2018.

Melo, J.I.M. Rodal, M.J.N. Levantamento florístico de um trecho de floresta serrana no


planalto de Garanhuns, Estado de Pernambuco. Acta Scientiarum: Biological Sciences,
v.25, n.1, p.173-178, 2003. http://dx.doi.org/10.4025/actascibiolsci.v25i1.2120. 13 jul.
2016.

Santos Paz, J.P.; Vieira, C.V. Evolução do uso e cobertura do solo no município de São
Francisco do Sul - Estado de Santa Catarina. Boletim Paranaense de Geociências, v. 74,
2018. doi:http://dx.doi.org/10.5380/geo.v74i1.50945. 15 abr. 2018.

176
Classificação supervisionada quanto à vegetação no município de
Piranhas – AL

Rayane Mireli Silva Gomes¹, Carlos Roberto de Lima², Isabelly Meg Freitas do Nascimento³,
Emanuel Araújo Silva4
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco – rayanems.gomes@gmail.com; ²Universidade Federal
Rural de Pernambuco – crlima00@gmail.com; 3Universidade Federal Rural de Pernambuco –
megengflorestal@gmail.com; 4Universidade Federal Rural de Pernambuco –
emanuel.ufrpe@gmail.com

RESUMO: O propósito deste estudo foi analisar, através de uma classificação


supervisionada, os tipos de vegetações (vegetação arbórea, vegetação rasteira e savana
estépica) encontradas no município de Piranhas – AL, quanto ao porte das plantas e sua
proporção em ocupação. Para isso, foi realizada uma classificação de imagens de
dezembro de 2014 e dezembro de 2017, no software QGIS 2.18.16. Após a realização da
classificação e cálculo estatístico das classes foi possível obter em porcentagem cada área
de interesse desse trabalho. Concluída essa etapa, observou-se que houve aumento das
áreas de vegetação arbórea, enquanto houve redução das áreas de vegetação rasteira e
savana estépica. Em observação as informações relacionadas aos índices de precipitação
do município, nos anos de 2014 e 2017 houveram um total de 406,9 mm e 452,8 mm de
precipitação anual respectivamente, além da prolongação do período de chuvas. Devido a
composição vegetativa da Caatinga, predominantemente de plantas adaptadas
morfológica e fisiologicamente para o clima seco, influenciaram nos resultados obtidos no
trabalho realizado.

Palavras-chave: Sensoriamento remoto, sertão alagoano, plantas xerófitas

Introdução
Segundo Lillesand e Kiefer (1994) o sensoriamento remoto é a ciência e a arte de
obter informação sobre um objeto (alvo), área ou fenômeno através da análise de dados
adquiridos por um dispositivo (sensor) que não está em contato direto com o objeto, área
ou fenômeno sob investigação. A obtenção desses dados depende de satélites, com
sensores específicos que ficam em órbita ao redor da Terra, que coletam imagens, onde é
possível fazer download e o processamento das imagens através de um SIG (Sistema de
Informação Geográfica, ou GIS, Geographic Information System).
A Caatinga é o bioma exclusivamente brasileiro. Localizada na região nordeste do
país, ocupa área de aproximadamente 845.000 km², o que representa cerca de 11% do
território nacional e se estende por grande parte da região Nordeste e Norte de Minas
Gerais (MMA 2009). Com índices pluviométricos baixos, entre 300 e 800 milímetros por

1
177
ano, a Caatinga apresenta uma variedade de paisagens únicas, onde se destacam as lagoas
ou áreas úmidas temporárias, os refúgios montanhosos e os rios permanentes como o São
Francisco. A savana estépica é um tipo de vegetação conhecida pela presença de cactáceas,
árvores baixas e arbustos que na maioria das espécies, perdem as folhas durante o período
seco (MMA, 2009).
Situado no sertão alagoano, banhado pelo Rio São Francisco, de acordo com a
classificação de Köppen e Geiger, Piranhas possui clima classificado como BSh, que é um
clima semiárido quente (EMBRAPA). Piranhas tem um grande potencial turístico, às
margens do Rio São Francisco que a separa do município de Canindé de São Francisco no
estado de Sergipe, a cidade possui muitos pontos turísticos, como museus, o centro
histórico, passeios para os Cânions do São Francisco, Rota do Cangaço, passeios de
helicópteros sobrevoando a região, a Usina Hidrelétrica de Xingó, entre outros (Silva, et al.
2012). O software utilizado para a realização deste trabalho foi o QGIS 2.18.16.
O objetivo deste presente trabalho foi fazer um levantamento referente às áreas de
vegetação (arbórea, herbácea e áreas de savana estépica).

2. Metodologia
2.1 Obtenção das imagens e software
Foram feitos downloads de duas imagens referentes aos anos de 2014 e 2017,
ambos referentes ao mês de dezembro, do site earthexplorer.usgs.gov/, do satélite LandSat
do sensor Collection 1 Level 1. O software utilizado foi o QGIS versão 2.18.16, baixado
gratuitamente.

2.2 Classificação supervisionada


A classificação supervisionada foi realizada utilizando as bandas 5, 6, 7 e 8, todas
carregadas no QGIS, colocadas em ordem para ser criada uma máscara com todas as
imagens em uma só, após isso, foi feito o recorte da cena, que representasse a área do
município para ser classificado. Aplicou-se o contraste e em seguida, utilizando o Semi-
Automatic Classification Plug-in (SCP), foram criadas classes, ondem foram selecionadas
várias amostras separadamente e classificadas de acordo com sua característica vegetação
(arbórea, herbácea e áreas de savana estépica). Feito isso, o arquivo foi transformado de
raster para vetor, onde foi criado um Shapefile, que possibilitou, através do plug-in

2
178
Estatística Por Zona e posterior plug-in Group Stats o cálculo da quantidade de pixels de
cada classe e o total de pixels do município, que possibilitou calcular em porcentagem
quanto cada classe representa do município

3. Resultados e Discussão
A partir da classificação supervisionada de Piranhas, foram obtidos valores em
porcentagem dos três tipos de vegetação: florestas, vegetação herbácea e savana estépica.
Os resultados encontram-se nas figuras 1 e 2 abaixo:

FIGURAS 1 e 2. Dados obtidos a partir da classificação supervisionada de Piranhas – AL em 2014 e 2017.

As figuras 3 e 4 representam de forma mais clara um mapa do município, onde é


possível identificar que houve aumento da vegetação arbórea e consequente redução das
demais.
FIGURAS 3 E 4: Classificação supervisionada do município de Piranhas, no ano de 2014, destacando-se as
áreas de Vegetação arbórea, vegetação rasteira e savana- estépica.

3
179
Com base nas informações citadas nos gráficos acima, é possível notar um
acréscimo de 15,44% de áreas de vegetação arbórea, enquanto que nas áreas de vegetação
rasteira e savana estépica ouve redução de 6,31% e 19,13%, respectivamente. Quando
analisados os dados pluviométricos de 2014 e 2017, nota-se que, além de 2017 ter sido um
ano com pluviosidade superior a de 2014 (406,9 mm em 2014 e 452,8 mm em 2017) as
chuvas foram melhores distribuídas, fator influenciador da alta da vegetação tipo floresta,
como representado na figura 5. Em azul a precipitação de 2017 e em laranja a de 2014.
FIGURA 5: Gráfico das precipitações de 2014 em laranja e 2017 em azul.

4. Conclusão
Baseando-se nos resultados obtidos com a classificação supervisionada do
município de Piranhas, conclui-se que o cenário, quanto à vegetação, pode mudar
significativamente de um período para outro, dependendo das condições climáticas da
região. Nos meses de novembro e dezembro de 2017 houve mais chuva na região do
que em 2014, além da estação chuvosa ser de maior volume em 2017 e melhor
distribuídas. Agosto, que é um dos meses mais secos, em 2017 houve precipitação de
42,3 mm e em setembro 80,5 mm prolongando a estação chuvosa, e resultando em
maior área de cobertura por espécies arbóreas ainda em dezembro.

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impactos ambientais no Sertão de Alagoas: Piranhas e Entremontes. Anais do VII CGB -
ISBN: 978-85-98539-04-1. 2014
SEMARH. A Perspectiva De Chuvas Abaixo Da Média Para O Leste Do Nordeste Do
Brasil Se Mantém, Incluindo Todo Estado De Alagoas. Boletim Informativo das condições
climáticas do Estado de Alagoas – Maceió, abril de 2017 – Ano I Nº 03.
Souza, R. B. Sensoriamento Remoto: Conceitos fundamentais e plataformas. IV CEOS
WGEdu Workshop. Santa Maria, RS, Brasil. March 29-31,2010

5
181
Composição florística e estrutura horizontal de um fragmento de
Floresta Tropical úmida urbana
Adão Batista de Araújo 1, Djailson Silva da Costa Júnior1, Yana Souza Lopes1, Paullyne Charllotte
Gonçalves Celestino1, Anália Carmem Silva de Almeida1, Lúcia de Fatima de Carvalho Chaves1

1
Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. E-mails: adao.b@hotmail.com,
djailson_junior@hotmail.com, yanalopes0618@gmail.com, paullyne89@hotmail.com,
analia.almeida@ufrpe.br, lucia.chaves@ufrpe.br

RESUMO: o objetivo deste trabalho foi avaliar a composição e estrutura das espécies
arbustivas e arbóreas de um fragmento de Floresta Tropical úmida urbana. O estudo foi
realizado no Jardim Botânico do Recife/PE. Por meio de amostragem inteiramente
aleatória, foram instaladas 10 parcelas, com dimensões 5 x 5 m, em que foram incluídos
na amostra todos os indivíduos com altura igual ou superior a 1,0 m e que apresentassem
circunferência a altura do peito menor ou igual a 15 cm, sendo posteriormente
identificados. Os indivíduos que atendessem aos critérios de inclusão tiveram medidas sua
circunferência ao nível da base (CAB) e a altura total. A composição florística foi
avaliada pela distribuição dos indivíduos em suas respectivas espécies e famílias, bem
como, por meio do índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’). Os parâmetros
fitossociológicos analisados foram a Densidade, Frequência, Dominância e o Valor de
Importância (VI). Foram contabilizados 312 indivíduos, pertencentes a 20 famílias e 40
espécies. As famílias que apresentaram a maior riqueza de espécies foram Fabaceae,
Moraceae, Rubiaceae e Sapindaceae. O índice de diversidade de Shannon (H’) foi de 2,90
nats.ind.-1.

Palavras-chave: ecologia, diversidade, regeneração

1. Introdução
Compreender a complexidade dos ecossistemas da Mata Atlântica é essencial para
que se possam subsidiar ações que visem o desenvolvimento de estratégias de conservação
e manejo desses ambientes (Lopes et al., 2016).
Levantamentos fitossociológicos são amplamente utilizados para o monitoramento
da regeneração natural, consistindo na obtenção de informações qualitativas e quantitativas
das espécies presentes na área e estratificação vegetal, de modo a fornecer subsídios para
estudos relacionados à preservação e recuperação de áreas (Chaves et al., 2013). Uma
maneira efetiva de se estimar o estado de conservação e manutenção de uma floresta é por
meio da caracterização de parâmetros estruturais, a fim de se representar toda a floresta
(Lopes, 2011).

182
Diante desta temática, o presente trabalho teve por objetivo avaliar a composição e
estrutura das espécies arbustivas e arbóreas, em unidades amostrais permanentes, alocadas
em um fragmento florestal urbano, localizado no município de Recife/PE.

2. Material e Métodos
O presente estudo foi realizado no Jardim Botânico do Recife (JBR), nas
coordenadas 08º04’34,57’’ S e 34º58’00,03’’ W, no ano de 2017. Por meio de
Amostragem Inteiramente Aleatória, foram instaladas 10 parcelas, com dimensões 5 x 5 m,
em que foram incluídos na amostra todos os indivíduos com altura igual ou superior a 1,0
m e que apresentassem circunferência a altura do peito menor ou igual a 15 cm, sendo
posteriormente identificados. Os indivíduos que atendessem aos critérios de inclusão
tiveram medidas sua circunferência ao nível da base (CAB) e a altura total.
Para a confirmação do nome científico das espécies, utilizou-se o site do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, tendo por base o sistema de classificação das angiospermas
APG IV (2016). A composição florística foi avaliada pela distribuição dos indivíduos em
suas respectivas espécies e famílias, bem como, por meio do índice de diversidade de
Shannon-Wiener (H’) (Magurran, 1988).
Os parâmetros fitossociológicos analisados foram a densidade, frequência,
dominância (valores absolutos e relativos) e o valor de importância (VI), conforme
propostos por Mueller-Dumbois & Ellenberg (1974). A tabulação, o processamento e a
análise dos dados foram realizados com auxílio dos programas Microsoft Excel e Mata
Nativa®, versão 4.

3. Resultados e Discussão
Foram contabilizados 312 indivíduos, pertencentes a 20 famílias e 40 espécies,
sendo sete identificadas apenas em nível de gênero (Tabela 1). As famílias que
apresentaram a maior riqueza de espécies foram Fabaceae, Moraceae, Rubiaceae e
Sapindaceae, em que juntas, representaram 54,5% dos indivíduos registrados. Em um
trabalho realizado em Floresta Tropical úmida em Pernambuco, Lopes et al. (2016) também
registraram, dentre outras famílias, Moraceae, Fabaceae e Sapindaceae como algumas das
que apresentaram maior riqueza de espécies. A família Fabaceae foi também relatada como
de maior riqueza de espécies por Cruz et al. (2013).

183
Tabela 1. Estrutura horizontal de uma área de Floresta Ombrófila Densa no jardim Botânico do Recife/PE, no
ano de 2017.

DR= densidade relativa (%);FR= frequência relativa (%); DoR = dominância relativa; VI = valor de
importância.

184
As famílias com maior número de indivíduos foram Moraceae, Burseraceae,
Euphorbiaceae e Fabaceae. Juntas, essas famílias formaram 73,4% do número total de
indivíduos. Apenas a família Moraceae contribuiu com 42,9% do número de indivíduos.
As espécies que apresentaram, em ordem decrescente, os maiores valores de
importância foram: Artocarpus heterophyllus, Helicostylis tomentosa, Protium giganteum,
Brosimum guianense, Protium heptaphyllum, Mabea occidentalis, Siparuna guianensis,
Eschweilera ovata, Sorocea hilarii, Dialium guianense. Oliveira et al. (2013) encontraram
resultados semelhantes, onde, entre as espécies com valores de importância mais
significativos destacaram-se Eschweilera ovata, Protium heptaphyllum e Siparuna
guianensis.
O índice de diversidade de Shannon (H’) foi de 2,90 nats.ind.-1. Oliveira et al.
(2013), estudando a regeneração natural em Floresta Ombrófila Densa, encontraram um
índice de diversidade de Shannon-Wiener de 3,45 nats.ind.-1 para o componente regenerante
da Mata da Onça/PE. Lima et al. (2013), também em Pernambuco, encontraram um índice
de diversidade de Shannon-Wiener de 3,20 nats.ind.-1.

4. Conclusão
A composição florística do fragmento estudado sugere a presença de poucas espécies
com grande número de indivíduos e muitas espécies com poucos indivíduos, levando a uma
baixa diversidade. Possivelmente, um aumento no número de unidades amostrais seria
interessante para confirmar a diversidade da área.

5. Literatura Citada

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185
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abr./jun, 2013. http://dx.doi.org/10.5039/agraria.v8i2a2369.

Lopes, I.S.; Feliciano, A.L.P.; Marangon, L.C.; Alencar, A.L. Dinâmica da regeneração
natural no sub-bosque de Pinus caribeae Morelet. var. caribaeae na Reserva Biológica de
Saltinho, Tamandaré – PE. Ciência Florestal, Santa Maria, v.26, n.1, p.95-107, jan./mar.,
2016. http://dx.doi.org/10.5902/1980509821094.

Lopes, C.G.R. Regeneração natural em uma área de campo de agricultura abandonada em


ambiente Semiárido. 2011. 141 f. Tese (Doutorado em Botânica) - Universidade Federal
Rural de Pernambuco, Recife, PE, 2011.

Magurran, A.E. Ecological diversity and its measurement. New Jersey: Princeton
University Press, 1988. 179 p.

Mueller-Dumbois, D.; Ellenberg, H. Aims and methods vegetation ecology. New York:
John Wiley e Sons, 1974. 547 p.

Oliveira, L.S.B.; Marangon, L.C.; Feliciano, A.L.P.; Cardoso, M.O.; Lima, A.S.;
Albuquerque, M.J.B. Fitossociologia da regeneração natural de uma Floresta Ombrófila
densa em Moreno, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, Recife, v.
8, n.1, p. 119-124, 2013. http://dx.doi.org/10.5039/agraria.v8i1a2097.

186
Composição Florística e Fitossociologia em um fragmento de floresta
estacional semidecidual na Amazônia

Matheus Marcos Xavier de Souza¹, Isabela Maria da Silva Ormond², Weslley Candido de Oliveira 3,
Leonora Stefani de Assis Goes4.
Universidade Federal de Mato Grosso (¹souza.mmx@gmail.com
²isabelaormond@hotmail.com, ³wcoflorestal@gmail.com,
4
goesflorestal@gmail.com).

RESUMO: O estudo das florestas tropicais é de extrema importância na conservação e


ainda viabilizar práticas de manejo. Dessa forma o presente estudo teve por objetivo
avaliar a composição florística e a estrutura fitossociológica do componente arbóreo em
um fragmento localizado no município de Tabaporã, Mato Grosso. Foram utilizadas 21
parcelas com 0,25 ha cada, somando uma área amostral de 5,25 ha. Foi realizado o
levantamento dendrométrico dos indivíduos com DAP ≥ 10 cm. Em seguida foi
determinado a composição florística e a estrutura fitossociológica horizontal. A área
revelou um total de 1649 indivíduos distribuídos em 92 espécies, 79 gêneros e 32 famílias.
As famílias que apresentaram maior número de indivíduos em ordem decrescente foram:
Fabaceae (193), Lauraceae (165), Rutaceae (155), Humiriaceae (123) ne Sapotaceae (99),
que juntas somam 44,58% do número total de indivíduos. As três espécies que
apresentaram maior valor de importância (VI) foram: Sloanea grandis (15,95) Esenbeckia
febrifuga (12,97) e Vantanea guianensis (12,69).

Palavras-chave: Composição florística, Fitossociologia, Amazônia

1. Introdução
O levantamento fitossociológico fornece o conhecimento para a caracterização da
diversidade biológica e estrutura das espécies em uma determinada comunidade. A
fitossociologia descreve a estrutura da comunidade de uma determinada área, possíveis
afinidades entre espécies ou grupos de espécies e acrescenta dados quantitativos a respeito
da vegetação (Carvalho et al., 2016).
Os estudos relacionados à composição florística e à estrutura fitossociológica de
populações florestais são importantes, pois oferecem elementos para a compreensão da
estrutura e da dinâmica destas formações, parâmetros essenciais para o manejo e
regeneração dos distintos grupos de vegetais (Chaves et al., 2013).
Nesse contexto, o presente estudo teve por objetivo caracterizar o componente
arbóreo de uma área de manejo florestal localizada no município de Tabaporã, MT.

187
2. Materiais de Métodos
O diagnóstico florestal foi realizado em uma área de manejo florestal com 684,92
ha, em uma propriedade privada denominada Fazenda Sintonia II no município de
Tabaporã, Mato Grosso, nas coordenadas 56°34’46” W – 11°14’39” S, UTM Sirgas 2000.
A propriedade encontra-se a 20 km das terras indígenas da tribo Erikpatsa. A área em
questão está inclusa no bioma Amazônico com ocorrência de Floresta Estacional
Semidecidual Submontana com dossel emergente, na bacia Amazônica sub bacia do rio
Juruena-Telespires.
Foram aplicadas sete unidades amostrais com extensão de 10 x 250 m totalizando
0,25 ha sendo 5,25 ha ao todo. Foram inventariados todos os indivíduos
arbustivos/arbóreos vivos, com circunferência a altura do peito (CAP a 1,30 m do solo) ≥
10 cm, sendo registrados e identificados com auxílio de uma fita diamétrica. As alturas
totais dos indivíduos foram medidas com uma régua telescópica de 15 m de altura.
Foram realizados as analises fitossociológicas de estrutura horizontal e composição
florística para a vegetação adulta. Para a análise foi utilizado o programa Excel do pacote
Microssoft Office, os cálculos foram baseados no livro Florestas Nativas, estrutura
dinâmica e manejo (Souza & Soares, 2013).

3. Resultados e Discussão
3.1. Composição florística e diversidade
A área amostrada nas 21 parcelas permanentes (5,25 ha) revelou um total de 1649
indivíduos arbóreos, distribuídos em 92 espécies, 79 gêneros e 32 famílias. Dos indivíduos
amostrados 196 (11,82%) não foram identificados e 107 (6,49%) foram identificados
apenas a nível de gênero o restante foi identificado a nível específico. O índice de Shannon
(H’) foi igual a 3,76. De acordo com Saporetti et al. (2003), valores acima de 3,11 para o
índice de Shannon indicam formações vegetais bem conservadas, definição que se
enquadra na área em estudo.
As famílias que apresentaram maior número de indivíduos foram: Fabaceae (193),
Lauraceae (165), Rutaceae (155), Humiriaceae (123) ne Sapotaceae (99), que juntas
somam 44,58% do número total de indivíduos. As 27 famílias restantes somas 55,43% do
total o que indica que nessa floresta há uma grande concentração de indivíduos arbóreos

188
em poucas famílias botânicas.
Com relação à riqueza florística, houve uma certa discrepância na distribuição das
espécies dentro das famílias. A família Fabaceae foi representada por 25 espécies, que
representa 27,18% do número total de espécies, as demais apresentaram representação
muito inferior, dentre elas Moraceae e Lauraceae com sete espécies, Malvaceae com seis e
Rutaceae com quatro, essas cinto famílias somaram 53,27% das espécies levantadas.
Outros estudos realizados em florestas na região amazônica, também encontraram baixa
riqueza florística, isto é, a diversidade concentrada em poucas famílias botânicas (Almeida
et al., 2012; Silva et al., 2008).
A família Fabaceae foi a mais representativa por apresentar um maior número de
espécies, Condé & Tonini (2013) e Dionisio et al. (2016), também identificaram as espécies
da família Fabaceae as mais representativas na região amazônica. Há uma grande
importância ecológica e econômica dessa família justamente pela grande diversidade de
espécies que ela apresenta e por estarem muito bem distribuídas, sendo considerado a
família botânica mais evoluída em questões de adaptações morfológicas e mecanismos de
dispersão, são muito utilizadas na fixação de nitrogênio no solo, além de fornecer madeira
de boa qualidade (Silva, 2011).
FIGURA 1. Percentual de espécies das famílias mais representativas levantadas na área.

30

25

20

% 15

10

0
Fabaceae Moraceae Lauraceae Malvaceae Rutaceae

3.2. Parâmetros fitossociológicos da estrutura horizontal


A densidade estimada foi de 314,10 indivíduos.ha-¹. A figura 2 apresenta as
espécies com maiores valores de importância.

189
FIGURA 2. Espécies que apresentaram maior Valor de Importância no estudo Fitossociológico.

Valor de Importância
Cecropia hololeuca Miq.
Qualea dinizii Ducke.
Ocotea neesiana Aubl.
Micropholis venulosa Aubl.
Trattinnickia burseraefolia Mart.
Sclerolobium paraense Huber.
Amaioua guianensis Aubl.
Vantanea guianensis Aubl.
Esenbeckia febrifuga (A. St.-Hil.) ex Mart.
Sloanea grandis Ducke.
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

O valor de importância VI estimado para espécies florestais pode ser utilizado


como indicador da importância ecológica em planos de manejo, pela influência das
espécies dominantes no processo de equilíbrio entre as populações e na manutenção da
fauna (Vieira et al., 2015).
No presente estudo as espécies as espécies que apresentaram maior VI foram,
Sloanea grandis (15,95) Esenbeckia febrifuga (12,97) e Vantanea guianensis (12,69), as
demais espécies apresentaram VI inferior a oito.

4. Conclusão
Foi observado uma diversidade de famílias botânicas na área em questão, entretanto
ouve predominância em número de indivíduos das famílias Fabaceae, Lauraceae,
Rutaceae, Humiriaceae e Sapotaceae (55,43 % do número total de indivíduos), quanto ao
número de espécies as famílias mais representativas foram Fabaceae, Moraceae,
Lauraceae, Malvaceae e Rutaceae (53,27 % do número total de espécies). As três espécies
de maior valor de importância foram Sloanea grandis (15,95) Esenbeckia febrifuga
(12,97) e Vantanea guianensis (12,69). Houve uma predominância de determinados
grupos na área em questão o que sugere práticas de manejo que favoreça as espécies
menos encontradas favorecendo a riqueza florística da área.

5. Literatura Citada
Almeida, L. S.; Gama, J. R. V.; Oliveira, A. S.; Carvalho, J. O. P.; Gonçalves, D. C. M.;
Araújo, G. C. Fitossociologia e uso múltiplo de espécies arbóreas em floresta manejada,

190
comunidade Santo Antônio, município de Santarém, estado do Pará. Acta Amazônica,
Manaus, v. 42, n. 2, p. 185-194, 2012.
Carvalho, M. A. F.; Bittar, P. A.; Souza, P. B.; Ferreira, R. Q. S. Florística, fitossociologia
e estrutura diamétrica de um remanescente florestal no município de Gurupi, Tocantins.
Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v.11, n.4, p.59- 66, 2016.
Condé, T. M.; Tonini, H. Fitossociologia de uma Floresta Ombrófila Densa na Amazônia
Setentrional, Roraima, Brasil. Acta volumetria registrados estão dentro do Amazônica, v.
43, p. 247-259, 2013.
Chaves, A. D. C. G. A. Importância dos levantamentos florístico e fitossociológico para a
conservação e preservação das florestas. ACSA – Agropecuária Científica no Semiárido, 9,
43-48. 2013.
Dionisio, L. F.; Bomfim, O. S.; Crivelli, B. R. S.; Gomes, J. P.; Oliveira, M. H. S.;
Carvalho, J. O. P. Importância de um Fragmento de Floresta Ombrófila Densa no Estado
de Roraima, Brasil. Revista Agro@mbiente. Centro de Ciências Agrárias – Universidade
Federal de Roraima, Boa Vista, RR. v. 10, n. 3, p. 243-252, 2016.
Saporetti, JR, A.; Meira. N, J.A.; Almado, R.P. Fitossociologia de cerrado sensu stricto no
município de Abaeté, MG. Árvore, 27(3): 413-419. 2003.
Silva, P. E. S. Atividade antimicrobiana de Derris negrensis Benth (Fabaceae). Dissertação
(Mestrado em Biotecnologia e Recursos Naturais) – Universidade do Estado do Amazonas,
Manaus, 70 p. 2011.
Silva, K. E.; Matos, F. D. A.; Ferreira, M. M. Composição florística e fitossociologia de
espécies arbóreas do Parque Fenológico da Embrapa Amazônia Ocidental. Acta
Amazonica, Manaus, v. 38, p. 213-222, 2008.
Souza, A. L. de; Soares, C. P. B. Florestas Nativas: estrutura, dinâmica e manejo. 322p.
Viçosa, MG: UFV, 2013.
Vieira, D. S.; Gama, J. R. V.; Oliveira, M. L. R.; Ribeiro, R. B. S. Análise estrutural e uso
múltiplo de espécies arbóreas em florestas manejadas no médio vale do rio Curuá-Una,
Pará. Revista Floresta, Curitiba, v. 45, n. 3, p. 465 – 476, 2015.

191
Composição florística em um fragmento de Floresta Ombrófila na
Amazônia Oriental

Isabela Maria da Silva Ormond 1, Matheus Marcos Xavier de Souza², Weslley Candido de
Oliveira3, Leonora Stefani de Assis Goes 4.
Universidade Federal de Mato Grosso (¹isabelaormond@hotmail.com,
²souza.mmx@gmail.com, ³wcoflorestal@gmail.com, 4goesflorestal@gmail.com).

RESUMO: O estudo da estrutura da Floresta Amazônica é importante para a conservação


e preservação, assim como para viabilizar práticas de manejo. Dessa forma, esse trabalho
teve como objetivo avaliar a composição florística e fitossociológica de espécies arbóreas
em uma área de manejo florestal na Fazenda Gloria, Mato Grosso. Foram utilizadas 7
parcelas permanentes (0,25 ha cada). Foi realizado um levantamento de variáveis
dendrometrias de todos os indivíduos com diâmetro a altura do peito (CAP ≥ 10 cm).
Determinou-se a composição florística e os parâmetros fitossociológicos da estrutura
horizontal. A área amostrada revelou uma densidade de 334,28 indivíduos por ha,
totalizando 585 indivíduos, pertencentes a 84 espécies,71 gêneros e 29 famílias. Em ordem
decrescente, as cinco espécies com maior valor de importância (VI) foram: Eschweilera
coriacea (11,27%), Protium heptaphyllum (10,48%), Sclerolobium paraense (10,23%),
Pouteria caimito (8,14%) e Simarouba amara (7,71%). A floresta em estudo apresenta-se
bem diversificada, com Fabaceae, Lecythidaceae e Sapotaceae compondo as famílias com
os maiores números de indivíduos. A espécie Eschweilera coriacea é a mais importante na
composição florística do ambiente florestal avaliado. Deve-se atentar, porém, para o
planejamento e estabelecimento de sistemas de manejo e condução da floresta com práticas
silviculturais adequadas, voltando principalmente para as espécies que não se destacaram
na composição florística da Fazenda Gloria.

Palavras-chave: manejo florestal, diversidade florística, valor de importância

1. Introdução
Estudos sobre a conservação da comunidade vegetal, os levantamentos florísticos e
fitossociológicos são ferramentas para a determinação da riqueza e diversidade locais e regionais
(Carvalho et al., 2016). Além disso, pesquisa dessa natureza, fornecem subsídios para posteriores
estudos de dinâmica, recuperação de áreas degradadas e delimitação de unidades de conservação,
bem como para estudos fitogeográficos, essenciais na determinação de estratégias de manejo
(Chaves et al., 2013).
Conforme Valério et al. (2008), trabalhos fitossociológicos fornecem uma base de estudo
com relação ao potencial de cada espécie, bem como características e peculiaridades em cada
ambiente, sendo assim, possibilita uma intervenção de forma correta no sistema ecológico.
Desse modo, o presente trabalho teve como objetivo determinar a composição florística

192
do componente arbóreo em uma área de Floresta Ombrófila localizada na Fazenda Glória no
município de Colniza/ MT, fornecendo assim subsídios para o manejo florestal sustentável.

2. Material e Métodos
O diagnóstico florestal foi realizado em uma área de manejo florestal com 1.029,93 ha, em
uma propriedade privada denominada Fazenda Glória no município de Colniza/ MT (coordenadas
09°31’31,61” S e 59°31’32,61” W), UTM Sirgas (2000). A propriedade encontra-se dentro da zona
de amortecimento das terras indígenas da tribo Arara do Rio Branco. A área em questão está inclusa
no bioma Amazônico com ocorrência de Floresta Ombrófila Aberta Submontana com presença de
palmeiras, na bacia Amazônica sub bacia do rio Aripuanã.
Foram aplicadas sete unidades amostrais com extensão de 10 x 250 m, totalizando 0,25 ha,
sendo 1,75 ha ao todo. Sendo assim, foi inventariado todos os indivíduos arbustivos/arbóreos vivos,
com circunferência a altura do peito (CAP a 1,30 m do solo) ≥ 10 cm, sendo registrados e
identificados com auxílio de uma fita diamétrica. As alturas totais dos indivíduos foram medidas com
uma régua telescópica de 15 m de altura.
Realizando as análises fitossociológicas de estrutura horizontal e composição florística para a
vegetação adulta. Para a análise foi utilizado o programa Excel do pacote Microsoft Office, os
cálculos foram baseados no livro Florestas Nativas, estrutura dinâmica e manejo (Souza & Soares,
2013).
3. Resultados e Discussão
A área amostrada nas 7 parcelas permanentes (1,75 ha) revelou um total 585 indivíduos
arbóreos (DAP ≥ 10 cm) distribuídos em 84 espécies, 71 gêneros e 29 famílias botânicas. Entre as 84
espécies amostradas, 83 (98,80%) foram identificadas em nível de espécie e 1 (1,2%) não foi possível
identificar. O índice de Shannon (H’) para florestas tropicais normalmente varia de 3,83 a 5,85
comparado a outros tipos de floresta (Knight, 1975). Neste estudo, o índice de Shannom foi de 3,76,
ou seja, um pouco abaixo do esperado para florestas tropicais.
As famílias que apresentaram maior número de indivíduos foram: Fabaceae (140),
Lecythidaceae (45), Sapotaceae (43), Arecaceae (39) e Burceraceae (36) (Figura 1). Juntas, essas
cinco famílias representam 51,79% do total de indivíduos amostrados.

193
FIGURA 1. Número de indivíduos das principais famílias amostradas nas parcelas permanentes.

300
Numero de Individuos

250

200

150

100

50

Família
A família Fabaceae apresentou uma densidade estimada foi de 334,28 indivíduos.ha-1 (CAP
≥ 10 cm) sendo a família mais representativa, o que já é esperado, uma vez que essa família é
característica dessa formação florestal, resultados semelhantes foram encontrados por Condé e Tonini
(2013), Dionisio et al. (2016), Jesus et al. (2016). A grande ocupação dessa família se da justamente
pela abundância de espécie e por serem muito bem adaptadas aos diferentes ecossistemas,
consequentemente é o grupo com representantes de grande importância ecológica, medicinal e
econômica (Silva, 2011).
FIGURA 2. Espécies com maiores valores de importância

Xylopia emarginata Mart.

Simarouba amara

Pouteria caimito

Sclerolobium paraense

Protium heptaphyllum

Eschweilera coriacea

0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00

valor de importancia (VI)

As espécies que apresentaram maior Valor de Importância foram Eschweilera


coriácea (DC.) S.A. Mori, Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand e Sclerolobium

194
paraense Huber, que são as espécies responsável pela estrutura da floresta as demais pela
composição e diversidade.
Oliveira & Amaral (2004) apontaram que o (VI) estimado para as espécies vegetais
pode ser utilizado como indicador da importância ecologia em planos de manejo, devido à
influência das espécies mais frequentes e dominantes nos processos de equilíbrio da flora e
manutenção da fauna. A espécie Eschweilera coriacea se destacou por apresentar valor de
importância maior, também se encontra entre as cinco espécies com maiores valores de
densidade 4,27% e dominância 2,90%.
4. Conclusão
A floresta de estudo apresenta bem diversificada em Fabaceae, Lecythidaceae,
Sapotaceae, Arecaceae e Burceraceae. As espécies Eschweilera coriácea, Protium
heptaphyllum e Sclerolobium paraense são as mais importantes na composição florística
do ambiente avaliado. Deve-se atentar, porém, para o planejamento estabelecido de sistema
de manejo e condução da floresta com práticas silviculturas adequadas, voltando
principalmente, para as espécies que não se destacaram na composição florística da
Fazenda Gloria.
5. Literatura Citada
Carvalho, M. A. F.; Bittar, P. A.; Souza, P. B.; Ferreira, R. Q. S. Florística, fitossociologia
e estrutura diamétrica de um remanescente florestal no município de Gurupi, Tocantins.
Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v.11, n.4, p.59- 66, 2016.
Chaves, A. D. C. G. A. Importância dos levantamentos florístico e fitossociológico para a
conservação e preservação das florestas. ACSA – Agropecuária Científica no Semiárido, 9,
43-48. 2013.
Condé, T. M.; Tonini, H. Fitossociologia de uma Floresta Ombrófila Densa na Amazônia
Setentrional, Roraima, Brasil. Acta volumetria registrados estão dentro do Amazônica, v.
43, p. 247-259, 2013.
Dionisio, L. F.; Bomfim, O. S.; Crivelli, B. R. S.; Gomes, J. P.; Oliveira, M. H. S.;
Carvalho, J. O. P. Importância de um Fragmento de Floresta Ombrófila Densa no Estado
de Roraima, Brasil. Revista Agro@mbiente. Centro de Ciências Agrárias – Universidade
Federal de Roraima, Boa Vista, RR. v. 10, n. 3, p. 243-252, 2016.
Jesus, E. N.; Santos, T. S.; Ribeiro, G. T.; Orge, M. D. R.; Amorim, V. O.; Batista, R. C.

195
R. C. Regeneração natural de espécies vegetais em jazidas revegetadas. Floresta e
Ambiente, Seropédica, v.23, n.2, p.191-200, 2016.
Knight, D. H. A phytosociological analysis of species-rich tropical forest on Barro
Colorado Island, Panama. Ecological Monographs, v.45, n.3, p.259-28, 1975.
Lopes, I. S.; Feliciano, A. L. P.; Marangon, L. C.; Alencar, A. L. Dinâmica da regeneração
natural no sub-bosque de Pinus caribaea Morelet. var. caribaea na Reserva Biológica de
Saltinho, Tamandaré-PE. Ciência Florestal, v.26, n.1, p.95-107, 2016.
Oliveira, A. N.; Amaral, I. L. Florística e fitossociologia de uma floresta de vertente na
Amazônia Central, Amazonas, Brasil. Acta Amazonica, Manaus, v.34, n.1, p.21-34, 2004.
Souza, A. L. de; Soares, C. P. B. Florestas Nativas: estrutura, dinâmica e manejo. 322p.
Viçosa, MG: UFV, 2013.
Silva, K. E.; Matos, F. D. A.; Ferreira, M. M. Composição florística e fitossociologia de
espécies arbóreas do Parque Fenológico da Embrapa Amazônia Ocidental. Acta
Amazonica, Manaus, v. 38, p. 213-222, 2008.
Valério, A. F.; Watzlawick, L. F.; Saueressig, D.; Puton V.; Pimentel, A. Análise da
composição florística e da estrutura horizontal de uma Floresta Ombrófila Mista Montana,
Município de Irati, PR – Brasil. Rev. Acad. Ciênc. Agrár. Ambient., v.6, n.2, p.137-147,
2008.

196
Conflitos de uso e ocupação do solo em áreas de preservação permanente
na bacia hidrográfica do rio Pardinho, ES

Giselle Lemos Moreira1, José Antônio Aleixo da Silva1, Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira¹,
Emmanoella Costa Guaraná Araujo1, Luan Henrique Barbosa de Araujo1, Pedro Nicó de Medeiros
Neto²
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (celly_eng.florestal@hotmail.com,
jaaleixo@gmail.com, rinaldo.ferreira@ufrpe.br, manuguarana.engflorestal@gmail.com,
araujo.lhb@gmail.com), 2Universidade Federal de Campina Grande (pedroflorestal@gmail.com)

RESUMO: Objetivou-se com este trabalho mapear as classes de uso e ocupação do


solo e seus respectivos conflitos nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) na bacia
hidrográfica do rio Pardinho (BHRC), ES. A delimitação da bacia e os mapeamentos do
uso e ocupação do solo e das APPs foram realizados no aplicativo computacional ArcGIS
10.3®, licença student. A partir dos resultados se pode observar que as classes de uso e
ocupação predominantes na BHRP são café e pastagem. As APPs representam 34,60% da
área total de estudo, entretanto, constatou-se, que as APPs da bacia não estão totalmente
preservadas conforme legislação vigente e que essas vêm sendo ocupadas principalmente
por práticas agropecuárias.

Palavras-chave: conservação, manejo de bacias, mapeamento

1. Introdução
As florestas naturais apresentaram, ao longo dos anos, perda progressiva da sua
cobertura original. A Mata Atlântica, uma das florestas mais ricas em biodiversidade do
mundo, teve sua vegetação nativa reduzida a cerca de 22% (MMA, 2017; SOS Mata
Atlântica, 2017), o que acentua sua fragilidade.
Várias são as causas desse desmatamento, sendo as mais recorrentes a conversão
das terras para as práticas agrícolas e pecuárias, a exploração da madeira sem devido
manejo adequado, a urbanização e a criação de infraestruturas como pontes, estradas e
barragens.
Com o intuito de disciplinar o uso da terra, minimizar os impactos antrópicos ao
meio ambiente e monitorar a exploração dos recursos naturais, o Código Florestal
Brasileiro (Lei nº 12 651, de 25 de maio de 2012/ Lei nº 12.727, de 17 de outubro de
2012), institui as regras gerais sobre a proteção da vegetação no território brasileiro
(BRASIL, 2012).
A implementação das APPs, obrigatórias segundo o Código Florestal, apresentam

197
um papel importante no ecossistema, uma vez que desempenham diversos serviços
ambientais como: abrigo para fauna, proteção das nascentes, fluxo gênico faunístico e
florístico, abastecimento do lençol freático e minimização das transformações provocadas
pelo homem (BRASIL, 2012).
Neste contexto, objetivou-se com esta pesquisa mapear as classes de uso e
ocupação do solo e seus respectivos conflitos nas APPs na bacia hidrográfica do rio
Pardinho, ES.

2. Material e Métodos
A bacia hidrográfica do rio Pardinho (BHRP) está localizada na região sul do
estado do Espírito Santo, microrregião administrativa do Caparaó, contemplando os
municípios de Iúna e Irupi. A vegetação na área de estudo se encontra nos domínios do
bioma Mata Atlântica e a principal atividade econômica dos municípios presentes na área é
a cafeicultura, seguida da pecuária (leiteira e de corte) e de reflorestamento de eucaliptos
(INCAPER, 2012).
A delimitação da bacia hidrográfica do rio Pardinho, e os mapeamentos do uso e
ocupação do solo e das APPs foram realizados no aplicativo computacional ArcGIS 10.3®,
licença student. Para a delimitação automática da bacia em estudo, foram utilizados os
produtos ASTER GDEM (Global Digital Elevation Model), que constituem informações
altimétricas, com resolução espacial de 30 metros, disponibilizadas gratuitamente no site
do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A delimitação foi realizada com
auxílio da extensão do ArcGIS ArcHydro Tools, disponível no site da ESRI.
Para a obtenção das classes de uso e ocupação da terra se realizou a
fotointerpretação, na escala cartográfica de 1:1.500, de ortofotomosaicos (resolução
espacial de 0,25 m) do ano de 2015, cedidos pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e
Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA).
A delimitação das APPs foi realizada de acordo com a metodologia proposta por
Peluzio et al. (2010), levando em consideração os critérios estabelecidos pelo Código
Florestal vigente. Os produtos ASTER GDEM foram utilizados como input para a
delimitação das APPs de topo de morro e de declividade. As APPs de rios e nascentes
foram delimitadas a partir da rede de drenagem fotointerpretada dos ortofotomosaicos.

198
Para identificar as áreas de conflitos de uso e ocupação do solo em APPs, utilizou-
se a álgebra de mapas por meio da técnica de sobreposição.

3. Resultados e Discussão
A BHRP, resultante da delimitação automática, obteve uma área de 85,48 km². No
mapeamento do uso e cobertura da terra foram identificadas 15 classes distintas (Figura 1).

FIGURA 1. Uso e ocupação do solo na área de contribuição da bacia hidrográfica do rio Pardinho, ES.

41°40'0"O 41°36'0"O 41°32'0"O Classe km² %


20°19'0"S

Afloramento Rochoso 0,78 0,92


Área Edificada 3,18 3,72
Brejo 0,16 0,18
Café 45,42 53,14
20°21'0"S

Cultivo Agrícola Permanente 0,05 0,06


Cultivo Agrícola Temporário 0,18 0,21
Estrada Pavimentada 0,17 0,20
Massa D'á•
g ua 0,04 0,05
20°23'0"S

Mata Nativa 8,55 10,00


Mineração 0,03 0,04

0
Ü 2 4 km
Pastagem
Reflorestamento - Eucalipto
20,91
1,86
24,46
2,18
Regeneração 2,90 3,39
Hidrografia 0,20 0,23
Projeção Universal Transversa de Mercator
Solo Exposto 1,05 1,22
Elipsóide: SIRGAS 2000
ZONA 24 S Total 85,48 100,00

No que se refere ao uso e ocupação do solo na BHRP, a classe café foi


predominante, com 45,42 km², o que corresponde à 53,14% da área de estudo.
Em relação as atividades agropecuárias, considerando-a como uma das principais
responsáveis pela modificação da paisagem natural, constatou-se que as classes café,
cultivo agrícola - permanente, cultivo agrícola - temporário e pastagem, em conjunto,
corresponderam a 77,87% da área de estudo.
Essa expressiva participação das atividades agropecuárias na composição da
paisagem demonstra o intenso processo de antropização ao qual a área tem sido submetida.
Por meio da Tabela 1, pode-se observar que 34,60% da área da bacia é composta de
APPs, com maior representatividade para as APPs de topo de morro e rios com,
respectivamente, 17,02 e 14,87% em relação à área de estudo.

TABELA 1. Áreas de Preservação Permanentes mapeadas na área de contribuição da bacia hidrográfica do rio Pardinho,
ES.
Classe de APPs km² % - Total de APPs % - Área da BH
APP de Topo de Morro 14,55 49,19 17,02
APP de Declividade 0,29 0,98 0,34

199
APP de Rios 12,71 42,97 14,87
APP de Nascentes 2,03 6,86 2,37
Total 29,58 100,00 34,60

Resultado semelhante foi encontrado por Luppi et al. (2015) ao mapear as APPs no
município de João Neiva, ES, onde observaram que as APPs totais representam apenas
32,55% da área total do município.
A partir dos resultados obtidos para APPs de topo de morro (maior
representatividade na área) pode-se inferir que a área de estudo possui relevo ondulado, o
que evidencia a importância da preservação da vegetação nessas áreas, visando proteger
encostas, atenuar deslizamentos, minimizar o impacto das precipitações sobre o solo,
reduzir a erosão e preservar mananciais e nascentes de rios.
A partir dos dados apresentados na Tabela 2, em relação ao conflito de uso e
ocupação do solo em áreas de APPs, é possível observar que 23,47 dos 29,58 km²
(79,35%) de áreas que deveriam ser destinadas às APPs estão em conflito, com
predominância das classes café e pastagem, com respectivamente, 56,97 e 31,72% da área
total de conflitos.
TABELA 2. Conflito de uso do solo e ocupação em APPs na Bacia Hidrográfica do Rio Pardinho, ES.
Classe de Confronto km² %
Área Edificada 1,29 5,51
Café 13,37 56,97
Cultivo Agrícola Permanentes 0,02 0,07
Cultivo Agrícola Temporários 0,05 0,20
Estrada Pavimentada 0,04 0,17
Mineração 0,01 0,03
Pastagem 7,45 31,72
Reflorestamento - Eucalipto 0,92 3,94
Solo Exposto 0,32 1,38
Total 23,47 100,00

As áreas de vegetação nativa estão presentes em apenas 20,63% das APPs totais da
BHRP. Esse é um dado alarmante diante da importância e necessidade de se manter nessas
áreas a vegetação nativa intacta a fim de proporcionar o equilíbrio do regime hidrológico,
promovendo a estabilização das linhas de drenagem natural e suas áreas marginais.
Esse baixo percentual de vegetação nativa preservada, principalmente em topo de

200
morro, afeta diretamente o escoamento superficial e subsuperficial das águas, além de
favorecer o processo de erosão e o assoreamento de rios.
Nesse contexto, a utilização de mais da metade das áreas destinadas às APPs com
atividades agropecuárias, pode comprometer o uso sustentável da água e do solo,
principalmente ao se considerar a dependência das práticas agropecuárias pela
disponibilidade quantitativa e qualitativa destes recursos (Coutinho et al, 2013).
Por fim, remete-se à necessidade de implementação de políticas públicas capazes de
fiscalizar e prover a adequação ambiental das propriedades rurais e incentivar práticas
conservacionistas dos ambientes naturais.

4. Conclusão

O uso e ocupação dominante na BHRP é agropecuário, sendo que sua dinâmica se


apresenta muito ligada ao contexto regional onde predomina a cultura do café e da
pastagem.
As APPs representam boa parcela da área total de estudo. Entretanto, constatou-se,
que as APPs da bacia não estão totalmente preservadas conforme legislação vigente e que
estas vêm sendo ocupadas principalmente por café e pastagem.

5. Literatura Citada

BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre parâmetros, definições e


limites de Áreas de Preservação Permanente. Diário Oficial [da] República Federativa do
Brasil, Brasília, DF, 28 de maio 2012.
Coutinho, L.M.; Zanetti, S.S.; Cecílio, G.O.G.; Xavier, A.C. Usos da Terra e Áreas de
Preservação Permanente (APP) na Bacia do Rio da Prata, Castelo-ES. Floresta e Ambiente,
v.20, n.4, p.425-434, 2013. http://dx.doi.org/10.4322/floram.2013.043.
INCAPER – Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Café.
2012. http://www.incaper.es.gov.br/pedeag/setores03.htm. 11 mar. 2018.
Luppi, A.S.L.; Santos, A.R.; Eugenio, F.C.; Feitosa, L.A. Utilização de Geotecnologia para
o Mapeamento de Áreas de Preservação Permanente no Município de João Neiva, ES.
Floresta e Ambiente. v. 22, n. 1, p.13-22, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.0027.

201
MMA – MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Mata Atlântica. 2018.
http://www.mma.gov.br/biomas/mata-atlantica. 22 fev. 2018.
Peluzio, T.M.O.; Santos, A.R.; Fiedler, N.C. Mapeamento de áreas de preservação
permanente no ArcGIS 9.3. 1. CAUFES: Alegre, 2010.
SOS Mata Atlântica. Florestas: A Mata Atlântica. 2018. https://www.sosma.org.br/nossa-
causa/a-mata-atlantica/. 10 fev. 2018.

202
DECOMPOSIÇÃO DA SERAPILHEIRA EM UM FRAGMENTO DA CAATINGA
EM MOSSORÓ-RN

Keverson Assis Soares1, Mary Regina de Souza 2 Daniel Tavares de Farias3, Francisco Rodolfo da
Silva Barreto4, Thayna Cristine Souza Bastos5, Carlos José da Silva6
1
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (soareskeverson@gmail.com), 2Universidade Federal
Rural do Semi-Árido (maryrsouz@yahoo.com.br), ³Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(daniel.bky@gmail.com), 4Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(rodolfo_eng.florestal@hotmail.com), 5Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(thay_nabastos@hotmail.com), 6Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(carlos.silva@ufersa.edu.com)

RESUMO: O estudo da decomposição da serapilheira no bioma Caatinga é de grande


importância para melhor entender o processo de ciclagem de nutrientes deste bioma.
Dessa forma, o presente estudo buscou avaliar a perda de massa seca em uma área de
caatinga no município de Mossoró, RN. A decomposição foi avaliada utilizando litter bags
(bolsas decompositoras), 65 bolsas com aproximadamente 10 g cada, foram distribuídas
na superfície do solo em 10 pontos distintos dentro da área de coleta e mensalmente
retiradas uma de cada ponto, no qual foi avaliada a decomposição pelo método de perda
de massa seca. Foi avaliado também a influência da temperatura e da precipitação na
decomposição da serapilheira. Durante o período amostral a decomposição da
serapilheira foi maior nos períodos de maior precipitação e menor temperatura. A
decomposição não foi total dentro do período amostral indicando assim, que experimentos
mais longínquos são necessários para acompanhar todo processo de demposição.

Palavras-chave: serapilheira, decomposição, perda de massa

1. Introdução
O bioma Caatinga ocupa na sua porção nordeste uma área superior a 10% do
território brasileiro. Sua vegetação é dotada de várias adaptações fisiológicas e fenológicas,
que possibilitam a sobrevivência em meio à aridez. A presença de cactos, plantas
arbustivas e caducifólias, ou seja, que perdem suas folhas durante os períodos de estiagem,
são características marcantes desse complexo florestal (Beuchle et al., 2015).
A serapilheira é um dos compartimentos mais importantes do ecossistema florestal.
Atua como um sistema de entrada e saída, recebendo resíduos via vegetação e, por meio do
processo de decomposição, libera nutrientes para a biota e promove a dissipação do
dióxido de carbono. Sendo assim, a velocidade de decomposição da serapilheira regula o
acúmulo de matéria orgânica no solo e a ciclagem de nutrientes (Cunha Neto et al., 2013),
favorecendo a fertilidade do solo e produtividade do ecossistema.

203
Por ser um fator chave na manutenção dos nutrientes no ecossistema, o processo de
deposição da serapilheira, incluindo as taxas anuais de queda do material decíduo e o
processo de decomposição desse material, devem ser mais amplamente estudados e
conhecidos, especialmente nas condições dos trópicos, onde há grande ocorrência de solos
com baixos níveis de nutrientes (Santana & Souto, 2011).
Sendo assim objetivou-se com esse trabalho avaliar a decomposição da serapilheira
foliar de um fragmento de floresta nativa da caatinga.

2. Metodologia
O experimento foi instalado em uma parcela de 1 hectare na fazenda experimental
Rafael Fernandes no município de Mossoró – RN, a qual fica a 20 km do perímetro
urbano, O clima de Mossoró, segundo a classificação climática de W. Koppen, é do tipo
BSwh’, que significa “clima seco, muito quente e com estação chuvosa no verão e início
do outono. Amostras das frações folhas e galhos secos recém caídos sobre o solo foram
coletadas, secadas em estufa de circulação forçada de ar a 650C por 72 horas e
posteriormente foram pesadas e acondicionadas em bolsas de náilon de 30 cm x 30 cm,
com malha de 1-2 mm de diâmetro. Em cada bolsa decompositora devidamente
identificada, foram colocadas cerca de 10 gramas de material, considerando o peso de cada
fração separadamente. As bolsas (65 repetições) foram expostas às condições ambientais
das parcelas.

As coletas foram realizadas em intervalos regulares, sendo a primeira coleta com


um intervalo de quinze dias para observar o arranque da decomposição, e as demais
coletas, até completar um ano de amostragem, ocorreram com intervalos de trinta dias. As
amostras coletadas foram acondicionadas em sacos de plástico individuais e transportadas
ao laboratório de conservação da floresta na Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(UFERSA), Campus de Mossoró. O material foi exposto a estufa de circulação forçada de
ar a temperatura de 65°C, até atingir peso constante para obtenção do peso seco, em
seguida, o material foi pesado em balança de precisão (0,001g).

204
A perda de massa seca das frações constituídas da serapilheira foi determinada por
meio da diferença entre o peso inicial das litter bags e o peso final encontrado pós secagem
em estufa.

3. Resultados e Discussão
Durante o período experimental a precipitação pluviométrica apresentou uma
variação de de zero mm a 218 mm, já a temperatura variou de 32ºC a 37 ºC (Figura 1).

Figura 1 – Dados meteorológicos da área de estudo: Temperatura (ºC) e precipitação.

T MAX P
Precipitação pluviométrica

250 38,0

Temperatura (ºC)
200 36,0
150
34,0
(mm)

100
50 32,0
0 30,0
ago/16

dez/16
out/16
nov/16

fev/17
abr/16
mai/16
jun/16

mar/17
jul/16

jan/17
set/16

Meses

Embora esteja representada de forma crescente a perda de massa seca não


apresentou grandes variações até o mês de dezembro (Figura 2), quando se verificou uma
diminuição das temperaturas e um aumento na pluviosidade, o que pode ter contribuído
para o aumento da perda de massa seca do material disposto nas bolsas decompositoras. A
diminuição nas temperaturas dos meses subsequentes, também podem ter uma grande
contribuição para o aumento gradativo da degradação do material que foi mais expressiva
no mês março, quando houve a aferição dos menores valores de temperatura e maiores de
precipitação.

Figura 2 – Relação perda de massa seca e temperatura (ºC) durante o período experimental.

205
Perda de massa % T MAX
Perda de massa seca % 100 38
90 37

Temperatura (ºC)
80 36
70
60 35
50 34
40 33
30 32
20
10 31
- 30

nov/…

mar…
mai/…
abr/…

out/…

abr/…
ago/…

dez/…
jun/16

fev/17
jul/16

jan/17
set/16 Meses de coleta

A amior perda de massa seca foi observada no mês de março de 2017 cerca de
67,28%, isso pode ser explicado com chegada do período chuvoso que correspondem aos
meses de dezembro de 2016 a abril 2017, neste período o material vegetal sofre forte
influência, não só dos fatores bióticos que necessitam de umidade para realizar os
processos de degradação e mineralização, mas também de fatores abióticos, que agem de
forma física sobre o material que se encontra seca e que pode ser facilmente fragmentado
pelo impacto da gota da chuva, além disso os componentes como a lignina podem
funcionar como controladores do processo de decomposição, dados semelhantes foram
evidenciados nos trabalhos de (Neto Cunha et al., 2017; Alves et al., 2006)., o qual
analisou a perda de massa seca em diferentes épocas do ano em área de caatinga na
Paraíba, (Figura 3).

Figura 3 – Relação da Precipitação pluviométrica (mm) com a Perda de Massa durante no período
experimental.

Perda de massa % Precipitação mm


Precipitação pluviométrica

250 80,00
Perda de massa seca (%)

200 60,00
150
40,00
(mm)

100
50 20,00
0 -
ago/16

dez/16
nov/16
jun/16

fev/17
mar/17
abr/16

jul/16

jan/17
mai/16

set/16
out/16

Meses de coleta

Estudos que avaliaram a decomposição da serapilheira como os de Alves et al. (2006)


avaliando a decomposição da serapilheira observaram que o período experimental utilizado

206
não foi suficiente para decomposição total do material, o mesmo ocorreru nesse
experimento.

4. Considerações Finais
Diante do exposto pode-se considerar que o período de maior decomposição na
área de caatinga estudada foi o período chuvoso, e o de menores índices de decomposição
foram observados no período seco do ano.

5. Referências

ALVES, A. R. et al. Aporte e decomposição de serapilheira em área de Caatinga, na


Paraíba. Revista de Biologia e Ciências da Terra, Campina Grande-PB, v. 6, n. 2, p. 194-
203, 2006.

BEUCHLE R. et al. Land cover changes in the Brazilian Cerrado and Caatinga biomes
kfrom 1990 to 2010 based on a systematic remote sensing sampling approach. Appl Geogr.
v. 58, p. 116-127, 2015. CALDATO, S. L. et al. Producción y descomposición de
hojarasca en la selva ombrófila mixta en el sur de Brasil. Bosque, v. 31, n. 1, p. 3-8, 2010.

CUNHA NETO, F. V. et al. Acúmulo e decomposição da serapilheira em quatro


formações florestais. Ciência Florestal, v. 23, n. 3, p. 379-387, 2013.

CUNHA NETO, VIEIRA, Felipe, Santos Leles, Paulo Sérgio, Gervasio Pereira, Marcos,
Helmeer Bellumath, Vinicius Geraldo, Makhlouta Alonso, Jorge, ACÚMULO E
DECOMPOSIÇÃO DA SERAPILHEIRA EM QUATRO FORMAÇÕES FLORESTAIS.
Ciência Florestal [en linea] 2013, 23 (Julio-Septiembre) : [Fecha de consulta: 18 de
diciembre de 2017]

LIMA, Rissele Paraguai et al. Litter contribution and decomposition in the Caatinga in
Southern Piauí State, Brazil. Floresta e Ambiente, v. 22, n. 1, p. 42-49, 2015.

ROCHA ALVES, Allyson et al. Aporte e decomposição de serrapilheira em área de


Caatinga, na Paraíba. Revista de biologia e ciências da terra, v. 6, n. 2, 2006.

207
Dependência espacial do carbono estocado em unidade de conservação no
bioma Mata Atlântica

Laís Cândido Silva¹, Anna Luiza Sousa Oliveira¹, Julyana Gomes da Silva¹, Alexandre Miguel
Nascimento¹, Marco Antonio Monte¹, Emanuel José Gomes de Araújo¹.

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. E-mail: (laiscandido30@hotmail.com),


1

(annaluiza.maa@gmail.com), (julyanagomes.silva@gmail.com), (alexmnasci@gmail.com),


(marcomonte.ufrrj@gmail.com), (ejgaraujo@gmail.com)

RESUMO: O objetivo do presente estudo foi analisar e avaliar a estrutura de


dependência espacial do carbono estocado em floresta no bioma Mata
Atlântica. Os dados foram coletados em 40 pontos quadrantes alocados no
Parque Natural Municipal do Curió (PNMC). Nas árvores de cada ponto
foram mensuradas as variáveis DAP e Ht, além da coleta de baguetas via
tradagem, nas alturas 0,70; 1,30 e 1,80 m do solo. Após a análise do
material, a biomassa foi quantificada e o estoq ue de carbono e o gás
carbônico foram estimados. Para a análise geoestatística foi realizado o
estudo variográfico e ajustados os modelos Gaussiano, Exponencial e
Esférico pelo método dos mínimos quadrados ordinários. A variável gás
carbônico equivalente apresentou forte dependência espacial na área,
possibilitando a espacialização do mesmo pelo método de krigagem ordinária .

Palavras-chave: gás carbônico; geoestatística; variabilidade espacial

Introdução

As ferramentas geoestatísticas têm sido amplamente utilizadas para compreender o


comportamento de variáveis relacionadas aos ambientes naturais. O seu fundamento está
embasado no fato de as unidades amostrais próximas, no tempo e no espaço, serem mais
similares entre si, em relação às mais distantes (Isaaks & Srivastava, 1989).
A homogeneidade espacial de uma variável raramente ocorre (Yamamoto &
Landim, 2013). Pode-se dizer que as variações não são aleatórias e apresentam algum grau
de dependência espacial, viabilizando a aplicação da krigagem ordinária na estimativa da
variável em questão, estimando-a em um ponto não amostrado.
As florestas são importantes sumidouros de carbono da atmosfera e possuem
importância destacada na concentração de gases de efeito estufa (GEE). Por sua vez,
distintos tipos florestais armazenam diferentes teores de carbono em decorrência da

208
composição de espécies, da idade, dos estágios sucessionais e do manejo florestal. Em
decorrência da dificuldade de obtenção de dados confiáveis, o uso de ferramentas da
Geoestatística em florestas naturais (Wojciechowski et al., 2015) ainda é escasso.
Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi analisar e avaliar a estrutura de
dependência espacial do carbono estocado em floresta no bioma Mata Atlântica.

2. Material e Métodos
2.1 Área de estudo e coleta de dados
Os dados foram coletados em área de 10 ha, no Parque Natural Municipal do Curió
(PNMC), Paracambi, RJ, localizado nas coordenadas geográficas 22°36’39” S e 43°42’33”
W. O clima da região, segundo a classificação de Köeppen, é do tipo Aw, com altitudes
entre 100 e 690 m. A temperatura e a precipitação médias são de 23,4°C e 1.050 mm,
respectivamente (Fraga et al., 2012).
Foram alocados 40 pontos quadrantes, com distribuição sistemática e eixo das
ordenadas no sentido Norte-Sul. Em cada quadrante foi mensurado o diâmetro a 1,30 m do
solo (DAP) e a altura total (Ht) da árvore mais próxima da origem, com DAP ≥ 5,0 cm.

2.2 Estimativa do CO2eq


Para a determinação da densidade média básica (𝑑̅𝑏 ), em kg.m-3, foi realizada a
coleta de amostras de madeira do fuste, utilizando trado de incremento, nas alturas de 0,70,
1,30 e 1,80 m do solo, obtendo-se a (𝑑̅𝑏 ) para cada árvore (Smith, 1954).
O volume total (VTcc), de cada árvore, foi estimado por
𝑉𝑇𝑐𝑐 = 0,000074. 𝐷𝐴𝑃1,707348 . 𝐻𝑡1,16873 (CETEC, 1995). Também foi quantificada a
biomassa (B), em kg, dada por, 𝐵 = 𝑑̅𝑏 . 𝑉𝑇𝑐𝑐 e o estoque de carbono (EC), em kg, em cada
árvore, por meio da expressão, 𝐸𝐶 = 0,5. 𝐵. O Gás Carbônico Equivalente (CO2eq), em
t.ha-1, estocado em cada árvore foi estimado por meio da expressão 𝐶𝑂2𝑒𝑞 = 3,67. 𝐸𝐶.

2.3 Análise geoestatística

Para a variável CO2eq (t.ha-1), avaliou-se o semivariograma experimental, para obter


os parâmetros iniciais e ajustar os modelos Gaussiano, Exponencial e Esférico (Yamamoto
& Landim, 2013). O ajuste foi feito pelo método dos mínimos quadrados ordinários. O

209
desempenho de cada modelo foi avaliado por meio do erro médio reduzido (EMR),
coeficiente de determinação (R2) e validação cruzada.
Após o ajuste e obtenção dos parâmetros efeito pepita, contribuição, patamar e
alcance, estimou-se o índice de dependência espacial (IDE) para cada modelo. Este índice
é proposto por Zimback (2003) e classifica a dependência espacial como: dependência
espacial baixa (IDE ≤ 0,25), moderada (0,25 < IDE ≤ 0,75) e forte (IDE > 0,75).
Comprovada a dependência espacial da variável CO2 (t.ha-1), aplicou-se a krigagem
ordinária a fim de gerar os mapas com a espacialização do estoque de CO2. O estimador da
krigagem ordinária é dado por 𝑍(𝑥0 ) = ∑𝑛𝑖=1 𝜆𝑖 𝑍(𝑥𝑖 ), em que 𝑍(𝑥0 ) é igual a estimativa no
ponto não amostrado, 𝑍(𝑥𝑖 ) o valor observado no i-ésimo ponto amostral, 𝑛 o número de
pontos amostrados e 𝜆𝑖 o peso associado aos i-ésimos pontos amostrados.

3. Resultados e Discussão
As variáveis estimadas no PNMC apresentaram alta variabilidade, com valores de
coeficiente de variação (CV%) próximos de 200%. Esse comportamento é intimamente
relacionado com a dinâmica da biomassa em florestas inequiâneas e corrobora com a
rejeição da hipótese de normalidade dos dados, típica de florestas naturais.
Amaral et al. (2010) encontraram valores de CV% inferiores aos encontrados nesse
estudo, uma vez que foram avaliadas as variáveis biomassa e carbono totais, que possuem
menor grandeza e variabilidade do que a variável de interesse deste trabalho. Porém os
valores do IDE foram todos 100% (Tabela 1), indicando forte dependência espacial na
área, assim como foi encontrado pelos mesmos autores supracitados.

TABELA 1. Parâmetros e estatísticas dos modelos ajustados de semivariância para a variável gás carbônico.
Modelo Efeito Pepita Contribuição Patamar Alcance EMR R² IDE
Exponencial 0,00 111.743,56 111.743,56 46,29 319,85 0,0384 100%
Esférico 0,00 106.430,10 106.430,10 100,35 289,79 0,0345 100%
Gaussiano 0,00 107.735,05 107.735,05 47,77 235,78 0,0280 100%

Os mapas de krigagem para CO2eq para os três modelos ajustados (Figura 1)


indicam que, nas mesmas condições de ajuste, os modelos podem ser aplicados mesmo
gerando estimativas distintas nos locais não amostrados em virtude das especificidades de

210
cada um. Quando a variável não se apresenta estruturada espacialmente, as análises
baseadas na estatística clássica são mais recomendadas (Mello et al., 2009).

FIGURA 1. Espacialização do Gás Carbônico Equivalente em floresta do bioma Mata Atlântica para os
modelos exponencial (a), esférico (b) e gaussiano (c), por meio da krigagem ordinária.

4. Conclusões
A variável CO2eq estocado na vegetação arbórea possui forte dependência espacial,
permitindo a estimativa e espacialização, em locais não amostrados, por meio da krigagem
ordinária. Os estudos com a espacialização de variáveis em vegetações do bioma Mata
Atlântica são fundamentais para subsidiar a tomada de decisão e gestão das Unidades de
Conservação.

211
5. Literatura Citada
Amaral, L.P.; Ferreira, R.A.; Watzlawick, L.F.; Genú, A.M. Análise da distribuição
espacial de biomassa e carbono arbóreo acima do solo em floresta ombrófila mista.
Ambiência, v.6, ed. especial, p.103-114, 2010.
http://revistas.unicentro.br/index.php/ambiencia/article/view/885. 20 Fev 2018.
Fraga, M.E.; Braz, D.M.; Rocha, J.F.; Pereira, M.G.E.; Figueiredo, D.V. Interação
microrganismo, solo e flora como condutores de biodiversidade na Mata Atlântica. Acta
Botânica Brasilica, v.26, n.4, p.857-865, 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-
33062012000400015.
Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais - CETEC. Determinação de equações de
volumétricas aplicáveis ao manejo sustentável de florestas nativas no estado de Minas
Gerais e outras regiões do país. Belo Horizonte: SAT/CETEC, 1995. 295p.
Isaaks, E.H.; Srivastava, R.M. An introduction to applied geostatistics. New York: Oxford
University Press, 1989. 592p.
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Zimback, C.R.L. Geoestatística. Botucatu: UNESP, 2003. 25p.

212
Levantamento florístico e identificação da acessibilidade de seis praças
localizadas no município de Jaboatão dos Guararapes – PE
Heitor Bruno Barbosa de Azevêdo1, Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo2, João Gilberto Meza
Ucella Filho3, Anderson Aurelio de Azevêdo Carnaval4, Beatriz Farias Lucena de Mota e Silva5

¹Instituto de Educação Superior da Paraíba (heitorazevedo@live.com¹), 2-4Universidade Federal do


Rio Grande do Norte (tatianekellyengenheira@hotmail.com 2; 16joaoucella@gmail.com3;
carnaval552@gmail.com4); 5Universidade do Porto (b.arquiteturasustentavel@gmail.com5)

RESUMO: O conhecimento sobre a composição florística e acessibilidade de praças é de


fundamental importância para o melhor planejamento e soluções destes espaços públicos.
O objetivo desse trabalho foi avaliar a composição florística e analisar a acessibilidade
existente em seis praças localizadas no município de Jaboatão dos Guararapes -PE. Este
estudo foi realizado pela visita as praças, realizando levantamento florístico (árvores e
palmeiras), e identificação de determinados pontos de falha de acessibilidade. Das seis
praças analisadas, a maior diversidade de espécies foi encontrada na Praça da Prefeitura
de Jaboatão dos Guararapes, com 12 espécies e 42 indivíduos, porém destas, apenas 3 são
nativas. Espécies de origem exótica apresentaram maior destaque nas praças analisadas.
Das praças analisadas, 50% não apresentaram aspectos relacionados a acessibilidade,
como rampas de acesso, pavimentação e pavers, situação esta que causa dificuldades ao
cadeirante e deficientes visuais. Concluiu-se que as praças analisadas apresentaram baixa
diversidade de espécies, e a legislação acerca de acessibilidade não é cumprida.

Palavras-chave: Espaço público, área verde, espécies arbóreas, palmeiras

1. Introdução
Para conhecer a arborização da cidade é necessário fazer um levantamento
florístico com a finalidade de avaliar a situação e por meio dos resultados obtidos, verificar
as soluções possíveis para cada local (Assunção et al., 2014). Realizar o diagnóstico de
praças é importante para a elaboração do planejamento da arborização de uma cidade
(Schwab et al., 2014). As cidades brasileiras enfrentam sérios problemas acarretados pelo
mau planejamento da arborização urbana, podendo causar sérios danos, como o uso
inadequado de espécies arbóreas como queda de árvores de grande porte (Moser et al.,
2010), ou uso de plantas tóxicas e alergênicas.
No Brasil conforme o Censo 2010 da Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República – SDH-PR (2012), a Região Nordeste apresentou a maior taxa de
prevalência de pessoas com deficiência, com 26,62% e no Pernambuco a taxa foi de

213
27,58%, o que gera uma expectativa da população de maior implementação de ações
voltadas à melhoria da acessibilidade, por conseguinte de um fortalecimento da cidadania.
Esta percepção subjetiva do espaço público, com ênfase nas praças, tem sido trabalhada
por Duarte et al. (2013) cujo estudo de metodologia para diagnóstico de acessibilidade em
centros urbanos se apoia no conceito de eliminação da Exclusão Espacial.
Baseado nisso, este estudo teve como objetivo, realizar o levantamento florístico e
acessibilidade de praças do Município de Jaboatão dos Guararapes.

2. Material e Métodos
Este estudo foi realizado por meio de levantamento de dados com visita in loco em
junho de 2015 as seis praças localizadas no Município de Jaboatão dos Guararapes, PE,
conforme as localizações na Tabela 1.
TABELA 1. Seis praças localizadas no município de Jaboatão dos Guararapes e suas respectivas
informações quanto a acessibilidade, espécies arbóreas e depósito de lixo.

Praças Localização
Praça do Cemitério de Prazeres 08°09’13.7” S/ 34°55’29.9” O
Praça do Cruzeiro 08°10’15.9” S/ 34°55’48.0” O
Praça da Igreja de Piedade 8°10’09.96’’S/ 34°54’52.07’’O
Praça da Prefeitura de Jaboatão 08°09’53.5” S/ 34°55’21.5” O
Praça da Ruína 08°09’18.4” S/ 34°54’36.9” O
Praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário 08°10’18.0” S/ 34°59’56.4” O

Foi realizado levantamento de árvores e palmeiras das praças, identificando


espécies, número de indivíduos e origem (Brasil). A identificação taxonômica seguiu o
sistema proposto por APG IV (BYNG et al., 2016).
Observou-se a presença ou ausência da estrutura destinada a pessoas com
necessidades especiais, como rampas de acesso para cadeirantes, pavimentação, piso tátil
(pavers vermelhos) e placas de Desenho Universal para deficientes visuais (ABNT – NBR-
9050/04).

3. Resultados e Discussão
Ao realizar levantamento florístico dos indivíduos arbóreos e palmeiras existentes
na arborização das praças (Tabela 2), observou-se que a maior diversidade de espécies foi
encontrada na Praça da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, com 12 espécies e 42

214
indivíduos, entre árvores e palmeiras, porém destas, apenas três são nativas. A Praça do
Cruzeiro e a Praça de Nossa Sa. do Rosário apresentaram três espécies cada, porém para
ambas se sobressaíram origem exótica, retratando a desvalorização das espécies locais, ou
ainda, pela falta de conhecimento sobre.
TABELA 2. Levantamento florístico das seis Praças avaliadas, com seus respectivos nomes populares,
científicos e origem.
Praças Nome popular Nome científico Indivíduos Origem
Praça do Cemitério
Oiti Licania tomentosa (Benth.) Fritsch 19 N
de Prazeres
Praça do Cruzeiro Espirradeira Nerium oleander L. 1 E
Castanhola Terminalia catappa L. 2 E
Handroanthus impetiginosus (Mart. ex
Ipê roxo 1 N
DC.) Mattos
Praça da Igreja de
Côco Cocos nucifera L. 5 E
Piedade
Praça da Prefeitura de
Côco Cocos nucifera L. 3 E
Jaboatão
Palmeira Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex
4 N
macaíba Mart.
Palmeira NI 6 NI
Olho de pomba Adenanthera pavonina Linnaeus. 2 N
Ficus Ficus benjamina L. 1 E
Dendê Elaeis guineenses Jacq. 5 E
Palmeira anelada Hyophorbe verschaffeltii 1 E
Mangueira Mangifera indica L. 2 E
Tamarindo Tamarindus indica L. 1 E
Castanhola Terminalia catappa L 6 E
Ipê Tabebuia sp. 5 N
Palmeira leque Livistona chinensis (Jacq.) R.Br. ex Mart. 2 E
Praça da Ruína Brasileirinha Erythrina variegata 1 E
Praça da Igreja N. Sa.
Ficus Ficus benjamina L. 7 E
do Rosário
Paubrasilia echinata (Lam.) E. Gagnon,
Pau brasil 1 N
H.C. Lima & G.P. Lewis
NI NI 2 NI
*NI = Não identificada, N= Nativa, E= Exótica
Bastos et al. (2016), analisando praças em Santa Catarina, identificou uma
diversidade de 50 espécies, mostrando uma maior riqueza que a encontrada neste trabalho.

Em relação aos dados de acessibilidade sobre as Praças, foram encontrados alguns


pontos falhos a serem estudados, considerando medidas de modificação para facilitação.

215
Das seis praças analisadas, 50% não apresentaram aspectos relacionados a
acessibilidade, como rampas de acesso, situação esta que causa dificuldades ao cadeirante
no momento de locomoção de entrada a calçada. Foi observada, também, a ausência de
pavers, destinados a deficientes visuais, dificultando a mobilidade destas pessoas. Pessoas
com deficiências encontram muitas limitações em seu cotidiano, e os pavers são estratégias
eficientes (Wagner et al., 2010).
Na Figura 1 observa-se que duas das praças avaliadas, não apresentam
pavimentação (Praça do Cemitério de Prazeres e Praça Igreja de Piedade), e que a Praça da
Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes apresenta uma grade que a circunda, sendo
considerada uma barreira de acesso a população, fator este que descaracteriza o objetivo
destas áreas para o município.
FIGURA 1. Seis praças localizadas no Município de Jaboatão dos Guararapes -PE, com suas respectivas
arborizações e acessibilidades.

4. Conclusão
As praças analisadas apresentaram maior quantidade de espécies de origem exótica,
reforçando a falta de planejamento existente por parte dos órgãos públicos. Em se tratando

216
de acessibilidade nas Praças, registrou-se falta de estrutura adequada, acreditando que não
se trata apenas de uma questão de atendimento às leis e normas, mas a falta de uma cultura
de inclusão.

5. Literatura Citada
Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050: Acessibilidade a edificações,
mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2004.

Assunção, K. C.; Luz, P. B.; Neves, L. G.; Sobrinho, S. P. Levantamento quantitativo da


arborização de praças da cidade de Cáceres/MT. Revista da Sociedade Brasileira de
Arborização Urbana, Piracicaba, v. 9, n. 1, p.123-132, 2014.

Bastos, F. E. A.; Camargo, S. S.; Meneguzzi, A.; Kretzschmar, A. A.; Rufato, L.


Levantamento florístico e características das espécies em praças públicas em Lages – SC.
REVSBAU, Piracicaba – SP, v.11, n.1, p. 34-42, 2016.

Byng, J. W. et al. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the
orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society,
v. 181, n. 1, p. 1–20, 2016.

Duarte, C. R. S.; Cohen, R. et al.(Ors). Metodologia para diagnóstico de acessibilidade em


centros urbanos: análise da área central da cidade do Rio de Janeiro. Assis: Triunfal
Gráfica e Editora. UFRJ. Rio de Janeiro, 2013.

Moser, P.; Silva, A.C.; Higuchi, P.; Santos, E. M.; Schmitz, V. Avaliação pós tempestade
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Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Piracicaba, v. 5, n.2 p.36-46,
2010.

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH-PR. Cartilha do Censo


2010: Pessoas com Deficiência. Ed. Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da
Pessoa com Deficiência. Brasília, p. 32. 2012.

Schwab, N. T.; Girardi, L. B.; Neuhaus, M.; Backes, F. A. A. L.; Bellé, R. A.; Menegaes, J.
F. Diversidade florística do bairro Nossa Senhora das Dores em Santa Maria, RS. Revista
Brasileira de Horticultura Ornamental, Campinas, v. 20, n. 2, p.155-162, 2014.

Wagner, L. Lindemayer, C.; Pacheco, A.; Silva, L. CIÊNCIA EM MOVIMENTO -


Acessibilidade de pessoas com deficiência: o olhar de uma comunidade da periferia de
Porto Alegre. 2010. Disponível em
https://www.metodista.br/revistas/revistasipa/index.php/RS/article/viewFile/94/58 Acesso
em 19 de Abril de 2016.

217
Distribuição de indivíduos da ordem Hymenoptera em um fragmento de
Mata Atlântica

Letícia Siqueira Walter1, Roberto de Freitas Morais Sobrinho2, Tarcila Rosa da Silva Lins3,
Emmanoella Costa Guaraná Araujo4, Thiago Cardoso Silva5, Tarcísio Viana de Lima6
1
Universidade Federal do Paraná (leticiasiqueira.walter@gmail.com), 2 Universidade Federal Rural
de Pernambuco (robertomorais8@gmail.com), 3 Universidade Federal do Paraná
(tarcila.lins@hotmail.com), 4 Universidade Federal Rural de Pernambuco
(manuguarana@hotmail.com), 5 Universidade Federal Rural de Pernambuco
(thiagocardoso.pe@gmail.com), 6 Universidade Federal Rural de Pernambuco
(t.viana.delima@bol.com.br)

RESUMO: Dos organismos presentes no solo, a fauna edáfica, é responsável por funções
fundamentais para a manutenção dos ecossistemas. Seus integrantes podem ser utilizados
como bioindicadores, como por exemplo os da ordem Hymenoptera, presentes nos
ambientes terrestres e sensíveis a alterações edafoclimáticas. Objetivou-se analisar
quantitativa e qualitativamente a distribuição vertical de indivíduos da ordem
Hymenoptera, em área sob dossel e em área de clareira, em fragmento de Mata Atlântica.
As coletas foram realizadas no Jardim Botânico do Recife, totalizando dez amostras (cinco
de cada situação). As amostras foram beneficiadas em laboratório para a contagem e
identificação a nível de ordem dos indivíduos. Foi observado que a intensidade luminosa
foi superior nas áreas de clareira, apresentando também maior temperatura. A ordem
Hymenoptera foi encontrada em todas as áreas em avaliação, apresentando maior
ocorrência nas áreas de clareira, com maior densidade em relação com as demais ordens.
Palavras-chave: fauna edáfica, ecologia, Jardim Botânico.

1. Introdução
Os componentes da fauna edáfica têm influência na biodiversidade e desempenham
um importante papel para a manutenção dos ecossistemas, algumas das principais
atividades desempenhadas pela fauna de solo são a ciclagem de nutrientes, decomposição
da matéria orgânica e produção de húmus (Berude et al., 2015).

Existem diferentes organismos de acordo com o nível de tolerância às alterações


ambientais, sendo os mais sensíveis chamados de especialistas e os que toleram mais
alterações de generalistas. A partir dessas especificações são selecionados os organismos
indicadores, que irão apresentar alguma alteração comportamental de acordo com o
ambiente (Patucci et al., 2017).

As formigas, pertencentes à ordem Hymenoptera, fazem parte da macrofauna


edáfica, bem como as minhocas e cupins, que são organismos capazes de modificar o solo

218
por meio da abertura de galerias, interligando os seus horizontes (Balin et al., 2017).
Formigas são insetos que podem ser utilizados como bioindicadores, pois ocupam quase
todos os nichos disponíveis em ambientes terrestres, podendo construir seus ninhos desde a
copa das árvores até alguns metros de profundidade no solo (Oliveira et al., 2016).

Sendo assim, o trabalho teve por objetivo analisar quantitativa e qualitativamente a


distribuição vertical de indivíduos da ordem Hymenoptera, em serapilheira e solo, sob
dossel e em área de clareira em fragmento de floresta ombrófila densa.

2. Material e Métodos
O estudo foi feito no Jardim Botânico do Recife. Segundo a classificação de
Koppen, o clima da região é caracterizado como As’ Tropical costeiro ou “pseudo” tropical
da costa nordestina, quente e úmido, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano com
precipitação média anual de 1651 mm, e temperatura média de 24 ºC variando entre 18 e
32 ºC (Vasconcelos & Bezerra, 2000).
Foram coletadas dez amostras de necromassa e solo em área de cobertura de dossel
e dez em área de clareira, com a utilização de gabaritos de madeira (25 cm x 25 cm)
distribuídos em ziguezague a cada 10 metros. Em cada ponto, a necromassa foi retirada até
a exposição o solo e o solo foi amostrado até 20 cm de profundidade. A coleta foi realizada
às 10 horas, para a obtenção da temperatura na superfície do solo e de cada ponto de
retirada de material, bem como a incidência luminosa. Para as aferições foram utilizados
um termômetro convencional e um luximetro (marca Minipa, modelo MLM 1011).
As amostras foram levadas ao laboratório de Ecologia Florestal do Departamento
de Ciência Florestal da UFRPE, onde foram realizadas as triagens do material coletado
para retirada e separação dos indivíduos da macrofauna, que permaneceram
acondicionados em recipientes com álcool etílico a 70%, para posterior contagem e
identificação. Em seguida as amostras foram colocadas em funis Berlese-Tüllgren, onde
permaneceram por sete dias. Os indivíduos foram identificados à nível de ordem,
utilizando uma lupa e prancha de identificação e contabilizados. A partir dos dados, foram
calculados os índices de diversidade de Shannon-Wiener (H’) de uniformidade de Pielou
(J).

219
3. Resultados e Discussão
Foi possível observar que a ordem Hymenoptera apresentou maior ocorrência nas
áreas de clareira, em relação a áreas sob dossel. Além disso, a intensidade luminosa foi
superior nas áreas de clareira, apresentando também maior temperatura.
Os resultados apresentados na Tabela 1 indicam que as áreas de clareira, na
superfície, apresentaram maiores médias de temperatura quando comparadas com a área
sob dossel e a 20 cm de profundidade nas duas áreas em estudo, o que é esperado visto que
a intensidade luminosa na superfície do solo é maior do que nas áreas com cobertura
vegetal.

Tabela 1. Médias das temperaturas e intensidade luminosa no solo nas áreas de clareira e sob dossel, onde
foram analisados os contingentes populacionais de fauna edáfica na mata do Curado, Recife, Pernambuco,
2014.
Temperatura média do solo (ºC) Intensidade Luminosa (Lux)
Clareira Sob Dossel
20 cm de 20 cm de Clareira Sob Dossel
Superfície Superfície
profundidade profundidade
28,7 26,9 26,2 24,7 86.756.000 6.740.000

A intensidade luminosa na área de clareira apresentou valor 12,88 vezes maior em


relação a área sob dossel. Tais resultados comprovam que as áreas abertas recebem maior
incidência de radiação solar, que consequentemente aumentam as temperaturas do solo
nessas áreas. As áreas sob dossel, apresentaram tanto menor intensidade luminosa, quanto
menores temperaturas de solo, visto que a composição arbórea nessas áreas é mais densa,
dificultando a passagem de luz para as árvores em estratos mais baixos e também para a
necromassa.

Na área de clareira foram observados indivíduos de quatro ordens na necromassa e


três ordens no solo. Já na área sob dossel foram encontradas sete ordens na necromassa,
enquanto no solo foram observadas cinco ordens.
No solo e na necromassa da área de clareira foi encontrada uma grande quantidade
de representantes da ordem Hymenoptera, quando comparado com a área sob influência do
dossel (Tabela 2).

220
Tabela 2. Valores encontrados para número de indivíduos, Densidade Relativa, Índice de Diversidade de
Shannon e Índice de Uniformidade de Pieolou, dos contingentes populacionais de fauna edáfica, em área de
clareira e sob dossel, na mata do Curado, Recife, Pernambuco, 2014.
ÁREA DE CLAREIRA
Densidade Relativa Índice de Shannon Índice de Pielou
Fauna Edáfica
Necro Solo Necro Solo Necro Solo
Hymenoptera 37,5 55,71 0,1597 0,1415 0,2654 0,2966
Demais ordens 62,5 44,29 0,4140 0,1726 0,6874 0,3616
TOTAL 100 100 0,5737 0,3141 0,9528 0,6582
ÁREA SOB DOSSEL
Densidade Relativa Índice de Shannon Índice de Pielou
Fauna Edáfica
Necro Solo Necro Solo Necro Solo
Hymenoptera 6,12 14,06 0,0743 0,1198 0,0879 0,1714
Demais ordens 93,88 85,94 0,5915 0,2879 0,7000 0,4119
TOTAL 100 100 0,6658 0,4077 0,7879 0,5833
Legenda: Necro - Necromassa

A ordem Hymenoptera, representada pelas formigas, foi a única encontrada em


todas as áreas analisadas, possuindo maior densidade relativa na necromassa e no solo em
comparação às demais ordens. Esta alta frequência pode ser explicada pela grande
facilidade de locomoção desses indivíduos, que podem explorar diversas áreas a procura de
alimento para o fungo presente nos formigueiros.
Estes indivíduos são sensíveis a efeitos da fragmentação, sendo assim utilizados
para caracterizar o impacto causado por esse processo a partir da diversidade destes
insetos. Entretanto, foram encontrados neste estudo resultados superiores para diversidade
nas áreas de clareira em comparação às áreas sob dossel, o que pode ser explicado devido à
alta concentração de matéria orgânica presente nas clareiras, como folhas e troncos das
árvores caídas (Aguiar & Monteza, 1996; Santos et al., 2006).

3. Conclusões
A ordem Hymenoptera apresentou maior ocorrência nas áreas abertas (de clareira) e
foi contabilizada em todas as áreas de estudo, mostrando que são insetos com mais
possibilidades de estabelecimento em locais com características diferentes.

4. Literatura Citada

Aguiar, C.M.L & Monteza, J.I. Comparação da fauna de formigas (Hymenoptera,


Formicidae) associada a árvores de clareira e floresta intacta na Amazônia Central.
Sitientibus, n.15, p. 167-174, 1996.

221
Balin, N.M; Bianchini, C; Ziech, A.R.D; Luchese, A.V; Alvez, M.V; Conceição, P.C.
Fauna edáfica sob diferentes sistemas de manejo do solo para produção de cucurbitáceas.
Revista Scientia Agraria. v. 18 n.3, p. 74-84, 2017. DOI:
http://dx.doi.org/10.5380/rsa.v18i3.52133
Brescovit, A.D. Inventário de fauna edáfica como instrumento na avaliação de qualidade e
biodiversidade de solos urbanos: estudo de caso do parque CienTec. Boletim Paulista de
Geografia v. 96, 2017, p.66-90. http://www.agb.org.br/publicacoes/index.php/boletim-
paulista/article/download/667/574. 15 abr. de 2018
Oliveira, I.R.P; Ferreira, A.N; Viana Júnior, A.B; Dantas, J.O; Santos, M.J.C; Ribeiro,
M.J.B. Diversidade de formigas (Hymenoptera; Formicidae) edáficas em três estágios
sucessionais de Mata Atlântica em São Cristóvão, Sergipe. Agroforestalis News, v.1, n.1,
2016. DOI:http://orcid.org/0000-0002-7481-3982
Patucci, N.N; Oliveira Filho, L.C.L; Oliveira, D; Baretta, D; Bartz, M.L.C; Berude, M.C;
Galote, J.K.B; Pinto, P.H; Amaral, A.A. A mesofauna do solo e sua importância como
bioindicadora. Enciclopédia Biosfera, v.11 n.22; p. 2015 14, 2015.
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Santos, M.S; Louzada, J.N.C; DIAS, N; Zanetti, R; Delabie, J.H.C; Nascimento, I.C.
Riqueza de formigas (Hymenoptera, Formicidae) da serapilheira em fragmentos de
floresta semidecídua da Mata Atlântica na região do Alto do Rio Grande, MG, Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 96(1):95-101, 2006.
Vasconcelos, R.F.A. & Bezerra, O.G. Atlas Ambiental da Cidade do Recife. Recife:
Prefeitura da Cidade do Recife/Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente,
2000.

222
Distribuição vertical de indivíduos da ordem Diptera em fragmento
urbano de Mata Atlântica

Tarcila Rosa da Silva Lins 1, Roberto de Freitas Morais Sobrinho², Emmanoella Costa Guaraná
Araujo3, Thiago Cardoso Silva4, Elton Januario Silva 5 Tarcísio Viana de Lima6
UFPR (tarcila.lins@hotmail.com) ¹, UFRPE (roberto.morais@bol.com.br) ², UFRPE
(manuguarana@gmail.com) ³, UFRPE (thiagocardoso.pe@gmail.com)4 , UFRPE
(eltonjsilva@outlook.com) 5, UFRPE (t.viana.delima@bol.com.br)6

RESUMO: Os organismos presentes no solo têm funções indispensáveis para a


manutenção dos ecossistemas, como a contribuição na ciclagem de nutrientes e
decomposição de matéria orgânica. Objetivou-se com este trabalho analisar quantitativa e
qualitativamente a distribuição vertical de indivíduos da ordem Diptera, representados
pelas moscas, em área sob dossel e clareira, em fragmento de Mata Atlântica. As coletas
foram realizadas no Jardim Botânico do Recife, totalizando dez amostras em cada
ambiente. O material passou por triagem em laboratório para a contagem e identificação
em nível de ordem dos indivíduos. Foi observado que a intensidade luminosa foi superior
nas áreas de clareira, apresentando também maior temperatura. A ordem Diptera
apresentou maior ocorrência apenas na necromassa em ambas as áreas estudadas, o que
provavelmente ocorreu devido à preferência alimentar desta ordem por material em
decomposição.

Palavras-chave: fauna edáfica, moscas, necromassa

1. Introdução
O sistema solo-serapilheira é o habitat de uma série de organismos, que em
conjunto são conhecidos como fauna edáfica, e podem ser classificados de acordo com a
sua função, morfologia e categorias ecológicas. Esses organismos vivem permanentemente
ou parte da sua vida (como as larvas) no solo ou serapilheira, diferem entre si no tamanho e
no tipo de metabolismo. Os indivíduos da fauna edáfica participam de processos
fundamentais para a manutenção dos ecossistemas tais como a decomposição da matéria
orgânica e ciclagem de nutrientes (Machado et al., 2015; Brito et al., 2016; Almeida et al.,
2017).
Parâmetros biológicos têm sido muito utilizados como indicativos da qualidade do
solo, pois são sensíveis a alterações físicas e químicas do ambiente em que estão inseridos.
Atualmente os bioindicadores são recursos muito utilizados no monitoramento ambiental,

223
pois eles se adaptam para sobreviver, se reproduzir e dar andamento às suas funções no
ecossistema em condições diferentes das que estão acostumados (Costa et al., 2016).
O uso de invertebrados como bioindicadores se dá devido à grande sua diversidade,
que facilita a amostragem e possibilita a captura de uma quantidade maior de grupos e
proporciona uma análise mais robusta. Os indivíduos da classe Insecta são utilizados para
avaliar impactos ambientais, como em casos de fragmentação florestal, pois sua dinâmica é
facilmente afetada pelas alterações do meio. As ordens de maior potencial para o
monitoramento de impactos ambientais são Coleoptera, Hemiptera, Hymenoptera,
Lepidoptera, Orthoptera e Díptera. Os indivíduos desta última classe que têm potencial
como bioindicadores têm acentuada sensibilidade às alterações ambientais, de maneira que
dão respostas rápidas como alterações na composição das espécies (Gomes, 2017).
O estudo teve por objetivo analisar quantitativa e qualitativamente a distribuição
vertical de indivíduos da ordem Diptera, em serapilheira e solo, sob dossel e em área de
clareira de um fragmento de floresta ombrófila densa.

2. Materiais e Métodos
O estudo foi realizado no Jardim Botânico do Recife, que se situa no bairro do
Curado, cidade do Recife/PE. Segundo a classificação de Koppen, a região possui clima
As’ Tropical costeiro ou “pseudo” tropical da costa nordestina, quente e úmido, com
chuvas bem distribuídas no ano e com temperatura média de 24°C, variando entre 18 e
32°C (Vasconcelos & Bezerra, 2000).
Na área de estudo, dez amostras de necromassa e dez de solo, em área de cobertura
de dossel e em área de clareira foram coletadas. Foram utilizados gabaritos de madeira (25
cm x 25 cm), lançados em zigue-zague com 10 metros de distância entre eles. Em cada
ponto, a necromassa foi retirada até a exposição do solo do solo em aproximadamente 20
cm de profundidade. A coleta foi realizada às 10 horas da manhã, para a obtenção da
temperatura na superfície do solo e de cada ponto de retirada de material, bem como para
verificar a incidência luminosa. Para obter esses valores, foram utilizados um termômetro
convencional e um luximetro (marca Minipa, modelo MLM 1011).
A triagem do material foi realizada no laboratório de Ecologia Florestal do
Departamento de Ciência Florestal da UFRPE, para separação dos indivíduos da

224
necromassa, que permaneceram acondicionados em recipientes com álcool etílico a 70%.
Posteriormente, os indivíduos foram contados e identificados em nível de ordem e as
amostras foram postas em funis Berlese-Tüllgren, onde permaneceram por sete dias.
A partir dos dados, foram calculados os índices de diversidade de Shannon-Wiener
(H’) de uniformidade de Pielou (J).

3. Resultados e discussões
A partir dos resultados apresentados (Tabela 1), pode-se entender que as áreas de
clareira apresentaram maiores médias de temperatura quando comparadas com a área sob
dossel, bem como as áreas de superfície comparadas às de 20 cm de profundidade nas duas
áreas em estudo. Esse comportamento é esperado, pois a intensidade luminosa recebida
pela superfície do solo em áreas de clareira é maior que em áreas cobertas pelo dossel das
árvores.

TABELA 1. Médias das temperaturas e intensidade luminosa no solo nas áreas de clareira e sob dossel, onde
foram analisados os contingentes populacionais de fauna edáfica na mata do Curado, Recife, Pernambuco,
2014.

Temperatura média do solo (ºC) Intensidade Luminosa (Lux)


Clareira Sob Dossel
20 cm de 20 cm de Clareira Sob Dossel
Superfície Superfície
profundidade profundidade
28,7 26,9 26,2 24,7 86.756.000 6.740.000

Tais resultados corroboram com Freitas e Barreto (2008), que explicam que áreas
de mata fechada possuem melhores condições ecológicas de temperatura e umidade,
favoráveis a reprodução e alimentação dos organismos edáficos. Ferreira e Marques (1998)
citam também que áreas de clareira facilitam a evaporação da umidade presente no solo e
que este fator, juntamente com uma maior variação de temperatura e impacto da chuva,
causa redução na fauna presente nestas áreas.
Na necromassa da área de clareira foi encontrada uma maior densidade relativa da
ordem Diptera, quando comparado com a área sob influência do dossel (Tabela 2). Esses
resultados são contrários ao que se esperava, visto que a área sob o dossel proporciona

225
melhores condições para o estabelecimento e desenvolvimento dos indivíduos da ordem
em questão que estão presentes na fauna edáfica na forma larval.

TABELA 2. Valores encontrados para número de indivíduos, Densidade Relativa, Índice de Diversidade de
Shannon e Índice de Uniformidade de Pieolou, dos contingentes populacionais de fauna edáfica, em área de
clareira e sob dossel, na mata do Curado, Recife, Pernambuco, 2014.
ÁREA DE CLAREIRA
Densidade Relativa Índice de Shannon Índice de Pieolou
Fauna Edáfica
Necro Solo Necro Solo Necro Solo
Diptera 12,5 0 0,1129 0 0,1876 0
Outras ordens 87,5 100 0,4608 0,3141 0,7652 0,6582
TOTAL 100 100 0,5737 0,3141 0,9528 0,6582
ÁREA SOB DOSSEL
Densidade Relativa Índice de Shannon Índice de Pieolou
Fauna Edáfica
Necro Solo Necro Solo Necro Solo
Diptera 2,04 0 0,0345 0 0,0408 0
Outras ordens 97,96 100 0,6313 0,4077 0,7471 0,5833
TOTAL 100 100 0,6658 0,4077 0,7879 0,5833

As larvas de Diptera presentes no solo se alimentam da matéria orgânica em


decomposição, carcaças de animais mortos e excrementos, o que explicaria a sua
ocorrência exclusivamente nas amostras de necromassa tanto na área de clareira quanto na
área sob dossel e os maiores valores dos índices Shannon-Wiener e de Pieolou encontrados
nesta área. A fonte de alimentação desses organismos, por estar exposto à maior
luminosidade fornecida pela área de clareira, pode ter acelerado o seu processo de
decomposição e atraído indivíduos adultos desta ordem (Ducatti,2002).

4. Considerações Finais
A ordem Diptera apresentou ocorrência apenas na necromassa em ambas as áreas
estudadas, o que provavelmente ocorreu devido à preferência alimentar desta ordem por
material em decomposição.

226
5. Literatura citada
Almeida, H.S.; Silva, R.F.; Grolli, A.S.; Scheid, D.L. Ocorrência e diversidade da fauna
edáfica sob diferentes sistemas de uso do solo. Revista Brasileira de Tecnologia e
Agropecuária, v.1., n.1., p.15-23, 2017.

Brito, M.F.; Tsujigushi, B.P.; Otsubo, A.A.; Silva, R.F.; Mercante, F.M. Diversidade da
fauna edáfica e epigeica de invertebrados em consórcio de mandioca com adubos verdes.
Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.51, n.3, p.253-260, 2016.

Costa, R.M.C.; Borges, C.H.A.; Amorim, F.S.; Souto, J.S.; Souto, P.C. Abundância de
invertebrados do solo em mata ciliar no semiárido da Paraíba. Gaia Scientia, v.10, n.4., p.
424-431, 2016.

Ducatti, F. Fauna edáfica em fragmentos florestais e em áreas reflorestadas com espécies


da mata atlântica. Dissertação de Mestrado. ESALQ/USP, 2002. 70p.

Ferreira, R.L.; Marques, M.M.G.S.M. A fauna de artrópodes de serapilheira de áreas de


monocultura com Eucalyptus sp. e mata secundária heterogênea. Anais da Sociedade
Entomológica do Brasil, v.27, p.395- 403, 1998.

Freitas, A.C.S.; Barreto, L.V. Qualidade biológica do solo em ecossistemas de mata nativa
e monocultura do café. Enciclopédia Biosfera N.05. Goiânia. Instituto Construir e
Conhecer. 2008.

Gomes, D.F. Drosofilídeos (Insecta, Diptera) como indicadores de qualidade ambiental em


um remanescente de Mata Atlântica em Santa Catarina. Trabalho de conclusão de curso
(Ciências biológicas). Universidade Federal de Santa Catarina, 2017.

Machado, D.L.; Pereira, G.M.; Correia, M.E.F.; Diniz, A.R.; Menezes, C.E.G. Fauna
edáfica na dinâmica sucessional da Mata Atlântica em floresta estacional semidecidual na
bacia do Rio Paraíba do Sul – RJ.Ciência Florestal, Santa Maria, v. 25, n. 1, p. 91-106,
2015 .http://www.scielo.br/pdf/cflo/v25n1/0103-9954-cflo-25-01-00091.pdf. 25 abril 2018.

Vasconcelos, R.F.A.; Bezerra, O.G. Atlas Ambiental da Cidade do Recife. Recife.


Prefeitura da Cidade do Recife/Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente,
2000.

227
Distribuição vertical de indivíduos da ordem Polydesmida em fragmento
urbano de Mata Atlântica

Cibelle Amaral Reis 1, Roberto de Freitas Morais Sobrinho 2, Elton Januario da Silva3, Emmanoella
Costa Guaraná Araujo4, Thiago Cardoso Silva4,Tarcísio Viana de Lima4
1
Universidade Federal do Paraná - UFPR. E-mail: cibelleamaralreis@hotmail.com;
2
E-mail: robertomorais8@gmail.com; 3E-mail: eltonjsilva@outlook.com;
4
Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE. E-mails: manuguarana@gmail.com,
thiagocardoso.pe@gmail.com, t.viana.delima@bol.com.br

RESUMO: Indivíduos de Polydesmida são sensíveis a mudanças edafoclimáticas,


funcionando como um bioindicador de um sistema. O objetivo deste trabalho foi analisar a
distribuição vertical desta ordem em um fragmento de Mata Atlântica. As coletas foram
realizadas no Jardim Botânico do Recife, totalizando dez amostras de solo e dez de
serapilheira em ambiente de clareira e dossel. O material passou por triagem em
laboratório para a contagem e identificação dos indivíduos. Observou-se que a
intensidade luminosa foi superior nas áreas de clareira, apresentando também maior
temperatura. Apenas um indivíduo da ordem Polydesmida foi encontrado neste estudo,
coletado na área de clareira, sendo seu número reduzido e ausência um indicador de
algum desequilíbrio no ecossistema que se encontra em meio a pressões antrópicas devido
à sua localização em malha urbano-industrial.

Palavras-chave: fauna edáfica, diplopoda, floresta urbana, uniformidade, equitabilidade

1. Introdução
Os organismos presentes no sistema solo possuem uma grande variedade de
espécies, tamanhos e metabolismos, sendo responsáveis por inúmeras funções no ambiente
edáfico. Dentre os invertebrados do solo, a macrofauna é essencial para o funcionamento
do ecossistema, pois afeta a produção primária da decomposição da matéria e a ciclagem
de nutrientes, participando também da estruturação do solo e importante elo na teia trófica
(Socarrás, 2013; Almeida; Xavier; Souto, 2015). Portanto, o uso destes organismos como
indicadores da qualidade do solo é bastante relevante, principalmente em ambientes que
sofreram perturbações antrópicas.
Um ecossistema é uma unidade funcional caracterizada por fatores bióticos e
abióticos e a interação destes regula a dinâmica deste sistema de forma interdependente,
portanto, qualquer alteração interna ou externa que afete essas relações, afetará o equilíbrio
da unidade como um todo. As atividades antrópicas exercem grandes pressões nos
ecossistemas, especialmente naqueles em sua proximidade, situação recorrente em diversos

228
fragmentos de Mata Atlântica. A atenção em relação às atividades impactantes e suas
consequências neste ecossistema tem ganhado cada vez mais notoriedade nos relatórios de
avaliação de impactos e levado a considerações na elaboração de políticas públicas para a
sua conservação (SCHERER, 2011).
Dentre as inúmeras ferramentas de diagnóstico, a riqueza de espécies em um
ambiente pode ser utilizada, em conjunto com outras análises, para identificar uma possível
alteração no equilíbrio e auxiliar na avaliação ecológica de uma área. Essa riqueza pode ser
verificada pela abundância de indivíduos presentes, levando em consideração aspectos
como a uniformidade (equitabilidade),
O estudo teve por objetivo analisar quantitativa e qualitativamente a distribuição
vertical de indivíduos da ordem Polydesmida, em serapilheira e solo, sob dossel e em área
de clareira de um fragmento de floresta ombrófila densa, utilizando índices de abundância.

2. Material e Métodos
O estudo foi realizado no Jardim Botânico do Recife, situado no bairro do Curado,
cidade do Recife/PE. De acordo com a classificação de Köppen, a região possui clima As’
Tropical costeiro ou “pseudo” tropical da costa nordestina, quente e úmido, com chuvas
bem distribuídas no ano e com temperatura média de 24°C, variando entre 18 e 32°C
(Vasconcelos & Bezerra, 2000).
Dez amostras de necromassa e dez de solo foram coletadas em área de cobertura de
dossel e de clareira utilizando-se de gabaritos de madeira (25 cm x 25 cm), lançados em
zigue-zague com 10 metros de distância entre eles. Em cada ponto, a necromassa foi
retirada até o solo exposto e o solo na profundidade de aproximadamente 20 cm. A coleta
foi realizada às 10 horas, para anotação da temperatura na superfície do solo em cada ponto
de retirada de material, bem como a incidência luminosa. Para obter esses valores, foram
utilizados um termômetro convencional e um luxímetro (marca Minipa, modelo MLM
1011).
Em seguida, realizou-se a triagem em laboratório e posterior acondicionamento dos
indivíduos em recipientes com álcool etílico a 70% em sequência com triagem em funis
Berlese-Tüllgren por sete dias.

229
A partir dos dados, foram calculados os índices de diversidade de Shannon-Wiener
(H’) de uniformidade de Pielou (J).

3.Resultados e Discussão
As temperaturas em área de clareira foram mais elevadas em ambos os pontos em
comparação com as medidas tomadas em área sob dossel, fator explicado pela maior
intensidade luminosa na primeira área (Tabela 1).

TABELA 1. Médias das temperaturas e intensidade luminosa no solo nas áreas de clareira e sob dossel, onde
foram analisados os contingentes populacionais de fauna edáfica na mata do Curado, Recife, Pernambuco,
2014.

Temperatura média do solo (ºC) Intensidade Luminosa (Lux)

Clareira Sob Dossel

20 cm de 20 cm de Clareira Sob Dossel


Superfície Superfície
profundidade profundidade

28,7 26,9 26,2 24,7 86.756.000 6.740.000

Condições favoráveis presentes em fragmentos florestais, como a cobertura vegetal


e a umidade, geram um mosaico de microclimas que facilitam a permanência de diversos
grupos, realizando a manutenção da biodiversidade local. Segundo Choudari, Dumbare e
Theukar (2014), as condições físicas sob dossel resultantes da redução de luminosidade em
comparação com áreas de clareira acarretam em um redução da potencial riqueza desta
localidade, enquanto Gava (2004) afirma que diplopodas não possuem tolerância a altos
percentuais de umidade, condições encontradas sob dossel em razão da menor
luminosidade. Tal fato é ilustrado pela não ocorrência de Polydesmida em área sob dossel
neste estudo, sendo encontrada apenas no solo de área de clareira (Tabela 2), representada
por um único indivíduo.

TABELA 2. Valores encontrados para número de indivíduos, Densidade Relativa, Índice de Diversidade de
Shannon e Índice de Uniformidade de Pielou, dos contingentes populacionais de fauna edáfica, em área de
clareira, na mata do Curado, Recife, Pernambuco, 2014.
ÁREA DE CLAREIRA
Densidade Relativa Índice de Shannon Índice de Pielou
Fauna Edáfica
Necro Solo Necro Solo Necro Solo
Polydesmida 0 0,71 0 0,0153 0 0,0321
Outras ordens 99,29 99,29 0,4608 0,2988 0,7652 0,6261
TOTAL 100 100 0,5737 0,3141 0,9528 0,6582

230
Os baixos índices de Shannon e de Pielou obtidos neste trabalho demonstram a
baixa diversidade e riqueza destes indivíduos nas comunidades. Por serem organismos
detritívoros, tem relação com a dinâmica nutricional do solo e serapilheira, portanto, o
baixo número de espécimes pode indicar uma redução da disponibilidade de alimento ou
alterações na composição da serapilheira (Silva, 2017). Como esses invertebrados estão
sujeito à sazonalidade e variações bruscas nas condições ambientais, outra hipótese de seu
reduzido número pode estar relacionada à migração do ambiente em busca de condições
mais favoráveis (Mesa-Pérez et al., 2016; Santos-Silva et al, 2018). Sua ausência portanto
pode indicar desequilíbrio no sistema (Cabrera; Robaina; Léon, 2011), hipótese suportada
pelas pressões antrópicas sofridas pelo fragmento e seu isolamento, já que este complexo
processo afeta a quantidade e qualidade do habitat em questão. Este processo é ainda mais
grave na Mata Atlântica, que possui alto índice de fragmentação e considerável isolamento
de seus fragmentos, que muitas vezes possuem pequenas extensões inseridos em matrizes
altamente impactantes, sendo de suma importância o conhecimento de sua estrutura,
composição e dinâmica de seus componentes.

É válido salientar que a perda de guildas dentro de um sistema acarreta também em


uma deficiência na sua função dentro da comunidade, comprometendo, no caso de
indivíduos edáficos, a resiliência do solo. Portanto, é de grande valia identificar e
compreender a dinâmica de populações de fauna edáfica e seus fatores correlatos para um
correto diagnóstico das condições e relações de um sistema e razões para seu desequilíbrio.
Tal diagnóstico aliado à demais análises de estrutura vegetacional e edafo-climática, vem
sido utilizada como ferramenta para a compreensão de relações e funcionamento de
ecossistemas, contribuindo assim para a elucidação de metodologias e elaboração de
propostas para a conservação e políticas públicas.

4. Conclusão

Em associação com estudos sobre a dinâmica, características do ambiente em que


estão presentes e a identificação das espécies em conjunto com sua ecologia, indivíduos do
táxon Polydesmida podem atuar como indicadores de alterações em um ecossistema.

5. Literatura Citada

231
Almeida, M.A.; Xavier, A.; Souto, J.S. Sazonalidade da macrofauna edáfica do Curimataú
da Paraíba, Brasil. Ambiência Guarapuava (PR), v. 11, n. 2, p.393-407, 2015.

Cabrera, G.; Robaina, N.; León, D. P. Composición funcional de la macrofauna edáfica en


cuatro usos de la tierra en las provincias de Artemisa y Mayabeque, Cuba. Pastos y
Forrajes, Matanzas, v.34 n.3, 2011.
Choudari, C. R.; Dumbare, Y.K.; Theukar, S.V. Diversity of millipedes along the Northern
Western Ghats, Rajgurunagar (MS), India (Arthropod: Diplopod). Journal of Entomology
and Zoology Studies, v.2, n.4, p.254-257, 2014.
Gava, R. Vertical distribution of Diplopoda populations from deciduous forests. Archives
of Biological Sciences, v. 56, n. 1-2, p. 59-64, 2004.
Mesa-Pérez, M.A.; Echemendía-Pérez, M.; Valdés-Carmenate, R.; Sánchez-Elías, S.;
Guridi-Izquierdo, F. Edaphic macrofauna, indicator of contamination by heavy metals in
livestock production soils of Mayabeque, Cuba. Pastos y Forrajes, Matanzas, v. 39, n.3,
p.182-190, 2016.
Scherer, M. Análise da qualidade técnica de estudos de impacto ambiental em ambientes
de Mata Atlântica de Santa Catarina: abordagem faunística. Biotemas, v. 4, n. 4, p. 171-
181, 2011.
Socarrás, A. Mesofauna edáfica: indicador biológico de la calidad del suelo. Pastos y
Forrajes, v. 36, n. 1, p.5-13, 2013.
Santos-Silva, L.; Pinheiro,T.G.; Chagas-Jr, A; Marques, M.I.; Battirola, L.D.. Temporal
and spatial variation of Myriapoda (Diplopoda and Chilopoda) assemblages in a
Neotropical floodplain. Biota Neotropica, v. 18, n. 2,p. 1-10, 2018.
Silva, V.M. Artrópodes da classe diplopoda: qualidade e atributos do solo e decomposição
de resíduos de cafeeiro. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Produção
Vegetal, do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias da Universidade Federal do
Espírito. Alegre - ES 2017.
Vasconcelos, R.F.A.; Bezerra, O.G. Atlas Ambiental da Cidade do Recife. Recife.
Prefeitura da Cidade do Recife/Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente,
2000.

232
Diversidade arbórea da praça Veiga Cabral, no município de Macapá,
Amapá, Brasil

Kleber Luiz Rodrigues Pires1, Paulo Adller Alves de Araújo 1, Yara Soares Sales Barros1, Patrícia
dos Santos Chaves1, Camila de Oliveira e Silva1, Breno Marques da Silva e Silva1
1
Universidade do Estado do Amapá (UEAP). E-mails: klrp10@uol.com.br,
pauloadller19@gmail.com, yarasoaressb@gmail.com, patyscfavacho@gmail.com,
kamilaoliveira@gmail.com, breno.silva@ueap.edu.br

RESUMO: A diversidade de espécies arbóreas na arborização de praças contribui para a


manutenção do equilíbrio ecológico e auxilia na proteção de espécies e valorização da
flora brasileira. Portanto, o objetivo deste trabalho foi determinar a diversidade e
composição de espécies arbóreas utilizadas na arborização da praça Veiga Cabral,
município de Macapá, AP, Brasil. O censo da arborização das praças incluiu todos os
indivíduos arbóreos, com CAP ≥ 10 cm e altura ≥ 1,3m, onde as espécies foram
identificadas por meio de comparação com materiais já depositados na Coleção Didática
da Universidade do Estado do Amapá e por meio de consulta a literatura. Foram
encontrados 41 indivíduos, de 12 espécies e 7 famílias. A família com maior riqueza de
espécies e número de indivíduos foi a Fabaceae, com 5 espécies e 22 indivíduos. A espécie
mais frequente foi a Adenanthera pavonina L. (22 %). A maioria das espécies identificadas
e o maior número de indivíduos é de origem exótica, correspondendo a 75% e 71% do
total, respectivamente.

Palavras-chave: arborização, silvicultura urbana, conservação

1. Introdução
O crescimento desordenado das cidades gera problemas notórios como poluição,
falta de infraestrutura, saneamento sanitário precário, que culminam em inúmeros
problemas de saúde. Além disso, o avanço da urbanização influencia na perda de espaços
verdes, gera a fragmentação dos habitats e a introdução de espécies exóticas (Isernhagen et
al., 2009).
Porém, com a implantação adequada da arborização urbana, é possível amenizar
conflitos entre a urbanização, a estrutura da cidade e a qualidade de vida da população
(Mazioli, 2012).
As praças são espaços urbanos de fundamental importância, pois as árvores
contribuem com a melhoria da qualidade do ar através do processo fotossintético, onde há
fixação de carbono (CO2) e liberação de oxigênio (O2) para o meio e seu espaço físico

233
serve para recreação das famílias e prática de atividades físicas, o que contribui também
para saúde do homem (Freitas et al., 2015; Pereira et al., 2016).
Assim, como os demais ambientes urbanos, as praças devem ter sua arborização
bem planejada. Nesse contexto, inventários quali-quantitativos são recomendados para que
se conheça a situação atual da arborização urbana, e os resultados obtidos auxiliam no
planejamento e na tomada de decisão em possíveis intervenções (Assunção et al., 2014).
Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo determinar a diversidade de
espécies arbóreas presentes na praça Veiga Cabral, Macapá, Amapá, Brasil.

2. Material e Métodos
A praça Veiga Cabral está localizada no bairro do Trem, área urbana do município
de Macapá, Estado do Amapá, Brasil.
O levantamento arbóreo, foi realizado pelo método de inventário quali-quantitativo
do tipo censo, onde todos os indivíduos arbóreos, com circunferência acima do peito
(CAP) ≥ 10 cm e altura ≥ 1,3m, presentes nas calçadas e canteiro central, foram incluídos.
Em seguida, para os indivíduos, foram calculados o número de espécies por famílias e as
frequências absolutas e relativas (Santos-Junior & Costa, 2014).
Para identificação das espécies, o material fértil, com flor e/ou fruto foram
coletados, herborizados e tombados na Coleção Didática de Plantas da Universidade do
Estado do Amapá (UEAP). Em seguida, a identificação foi realizada por meio de
bibliografias especializadas e por meio de comparação com materiais depositados no
HAMAB do IEPA e Coleção Didática de Plantas da UEAP e classificados de acordo com
o APG IV (Angiosperm Phylogeny Group, 2016). A grafia dos nomes foi confirmada no
Site do Missouri Botanical Garden (www.tropicos.org).

3. Resultados e Discussão
Na praça Veiga Cabral foram encontrados 41 indivíduos, pertencentes a 12
espécies, distribuídos em 7 famílias botânicas. As famílias com maior riqueza de espécies
foram a Fabaceae (5 espécies) e Arecaceae (2 espécies). E as com maior número de
indivíduos foram Fabaceae (22 indivíduos), Anacardiaceae (7 indivíduos) e Arecaceae (5
indivíduos) (Tabela 1). De forma diferente, na praça Floriano Peixoto, Macapá-AP, são

234
encontrados 240 indivíduos, distribuídos em 10 famílias, 18 gêneros e 19 espécies (Dantas
et al., 2016).
TABELA 1. Diversidade de espécies arbóreas da praça Veiga Cabral, Macapá - Amapá - Brasil. *Or -
Origem fitogeográfica, FA - Frequência absoluta, FR - Frequência relativa.
Família Espécie Or* FA* FR*

Anacardiaceae Mangifera indica L. E 7 17,1

E 1 2,4
Dypsis lutescens (H. Wendl.) Beentje & J. Dransf.
Veitchia merrillii (Becc.) H.E. Moore
Arecaceae E 4 9,8

Bignoniaceae Handroanthus serratifolius (Vahl) S.O. Grose


N 2 4,9

Chrysobalanaceae Licania tomentosa (Benth.) Fritsch


N 3 7,3

Combretaceae Terminalia catappa L.


E 1 2,4
Adenanthera pavonina L. E 9 22,0
Andira inermis (W. Wright) Kunth ex DC. N 7 17,1
Fabaceae Bauhinia variegata L. E 1 2,4
Delonix regia (Bojer ex Hook.) Raf. E 4 9,8
Tamarindus indica L.
E 1 2,4

Myrtaceae Syzygium malaccense (L.) Merr. & L.M. Perry E 1 2,4

A espécie mais frequente na praça Veiga Cabral é a Adenanthera pavonina L.


(22%), seguida pela Andira inermis (W. Wright) (17,1%), Mangifera indica L. (17,1%),
Delonix regia (Bojer ex Hook.) (9,8%) e Veitchia merrillii (Becc.) (9,8%) (Tabela 1). A
maioria das espécies identificadas, bem como o maior número de indivíduos, é de origem
exótica, correspondendo a 75% e 71% do total, respectivamente (Tabela 1). De forma
diferente, na praça Nossa Senhora da Conceição, há predominância de espécies nativas
(Gomes et al., 2016).

235
4. Conclusão
Na praça Veiga Cabral há baixa diversidade arbórea, um pequeno número de
famílias, com poucas espécies, na maioria de origem exótica, bem como poucos
indivíduos.

5. Literatura Citada

ANGIOSPERM PHYLOGENY GROUP (APG) IV. An update of the Angiosperm


Phylogeny Group Classification for the orders and families of flowering plants: APG III
Botanical. Journal of the Linnean Society, [s.n.], não paginado, 2016.

Dantas, A.R.; Gomes, E.M.C.; Pinheiro, A.P. diagnóstico florístico da Praça Floriano
Peixoto na cidade de Macapá, Amapá. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização
Urbana, v.11, n.4, p. 32-46, 2016.

Gomes, E.M.C; Rodrigues, D.M.S.; Santos, J.T.; Barbosa, E.J. Análise quali-quantitativa
da arborização de uma praça urbana do Norte do Brasil. Nativa, v.4, n.3, p.179-186, 2016.

Isernhagen, I.; Bourlegat, J.M.G.L.; Carboni, M. Trazendo a riqueza arbórea regional para
dentro das cidades: possibilidades, limitações e benefícios. Revista da Sociedade Brasileira
de Arborização Urbana, v.4, n.2, p.117-138, 2009.

Mazioli, B.C. Inventário e diagnóstico da arborização urbana de dois bairros da cidade de


Cachoeiro do Itapemirim, ES. 2012. 53f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Engenharia Florestais) – Universidade Federal do Espírito Santo, Jerônimo Monteiro,
2012.

Freitas, W.K.; Pinheiro, M.A.S.; Abrahão, L.L.F. Análise da arborização de quatro praças
no bairro da Tijuca, RJ, Brasil. Floresta e Ambiente, v. 22, n. 1, p. 23-31, 2015.

Assunção, K.C.; Luz, P.B.; Neves, L.G.; Paiva Sobrinho, S. Levantamento quantitativo da
arborização de praças da cidade de Cáceres/MT. Revista da Sociedade Brasileira de
Arborização Urbana, v. 9, p. 123-132, 2014.

Pereira, L.B.P.; Silva, T.R.; Delbim, L.R.; Hunger, M.S.; Zavarize, S.A.M. O profissional
de Educação Física e o meio ambiente: uma experiência de educação ambiental e a
melhora da qualidade de vida dos moradores dos centros urbanos. Arch Health Invest, v.5
n.4, p. 223-228, 2016.

Santos-Junior, A.; Costa, L. M. Espécies empregadas na arborização urbana do bairro


Santiago, JI-Paraná/RO. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 9, n. 1,
p. 78‐91, 2014.

236
Diversidade da arborização da Praça Nossa Senhora da Conceição no
município de Macapá, Amapá, Brasil

Greyci Alves de Sousa 1, Paulo Adller Alves de Araújo 2, Yara Soares Sales Barros 3, Patrícia dos
Santos Chaves4, Camila de Oliveira e Silva 5e Breno Marques da Silva e Silva6
1
Universidade do Estado do Amapá (UEAP)(greycialvess@gmail.com.),
2
UEAP)(pauloadller19@gmail.com), 3UEAP (yarasoaressb@gmail.com), 4UEAP
(patyscfavacho@gmail.com), 5UEAP (kamilaoliveira@gmail.com) e 6UEAP
(breno.silva@ueap.edu.br)

RESUMO: A diversidade de espécies na arborização urbana contribui para a


manutenção do equilíbrio ecológico e auxilia na proteção de espécies e valorização da
flora brasileira. Portanto, o objetivo deste trabalho foi determinar a diversidade e
composição de espécies arbóreas-arbustivas utilizadas na arborização da praça Nossa
senhora da Conceição, do município de Macapá, AP, Brasil. O censo da arborização da
praça incluiu todos os indivíduos arbóreos, com CAP ≥ 10 cm e com altura ≥ 1,3m, e as
espécies foram identificadas por meio de comparação com materiais já depositados na
Coleção Didática da Universidade do Estado do Amapá e por meio de consulta à
literatura. Foram encontrados 166 indivíduos, de 21 espécies e 7 famílias. A família com
maior riqueza de espécies e número de indivíduos foi a Fabaceae, com 8 espécies e 52
indivíduos. A espécie mais frequente foi a Mangifera indica L. (36,75 %). Quanto a origem
fitogeográfica, a maioria das espécies é nativa, correspondendo a 76,19% do total,
enquanto, 23,81 % é de espécies exóticas.

Palavras-chave: arborização, praça, Macapá.

1. Introdução
O crescimento desordenado das cidades gera problemas notórios como poluição,
falta de infraestrutura, saneamento sanitário precário que culminam em inúmeros
problemas de saúde. Além disso, o avanço da urbanização influencia na perda de espaços
verdes, gera a fragmentação dos habitats e a introdução de espécies exóticas
(ISERNHAGEN et al., 2009). Para Gomes et al., (2016) o crescimento das cidades
representa parcela significativa na mudança física natureza causada pelo avanço da
antropização.
Vieira et al., (2016) afirma que com a expansão da urbanização parte do ambiente
natural é removido dando espaço para as construções de prédios, imóveis e rodovias e a
introdução de espécies exóticas. No entanto, esse autor enfatiza que espécies exóticas
podem trazer problemas a natureza e ou a humanos e que a arborização urbana deve
priorizar a utilização de espécies nativas para fins de conservação de espécies.

237
Para Pereira et al., (2016), as praças configuram um espaço ideal para o
planejamento da arborização urbana, por apresentarem menor confronto com a rede
elétrica e as edificações, além disso, as praças são usadas como área recreativa para as
famílias e prática de atividades física, que contribuem para a saúde física e mental do
homem.
Ademais, a arborização dos espaços livres das cidades é caracterizada por
apresentar inúmeros benefícios à população e a fauna, tais como melhoramento do
microclima, diminuição das ondas de calor, auxiliando na diminuição do consumo de
energia elétrica, diminuição de ruídos, atua como filtro na purificação do ar, além de servir
de abrigo e fornecer alimentos para a fauna, espaço recreativo para a população e de
valorizar áreas urbanas (GONÇALVES et al., 2012).
Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo determinar a diversidade da
arborização urbana da Praça Nossa Senhora da Conceição, Macapá, Amapá, Brasil.

2. Material e Métodos
A Praça Nossa Senhora da Conceição está localizada no bairro do Trem, área
urbana do município de Macapá, Estado do Amapá, Brasil.
O levantamento arbóreo, foi realizado pelo método de inventário quali-quantitativo
do tipo censo, onde todos os indivíduos de porte arbóreo e arbustivo presentes nas calçadas
e canteiro central com circunferência acima do peito (CAP) ≥ 10 cm e com altura ≥ 1,3m
foram incluídos.
O material fértil, com flor e/ou fruto foi coletado, herborizado e tombadas na
Coleção Didática de Plantas da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), segundo
Fidalgo e Bononi (1989). Em seguida, a identificação foi realizada por meio de bibliografia
especializada (LORENZI, H., 2000; LORENZI, H., 2003; LORENZI, H., 2009) e por meio
de comparação com materiais depositados no HAMAB do IEPA e Coleção Didática de
Plantas da UEAP e classificados de acordo com o APG IV (ANGIOSPERM
PHYLOGENY GROUP, 2016). A grafia dos nomes foi confirmada no Site do Missurri
Botanical Garden (www.tropicos.org).

3. Resultados e Discussão

238
Fora encontrados 166 indivíduos distribuídos em 7 famílias botânicas, 18 gêneros e
21 espécies, sendo que as famílias Fabaceae (8), Bignoniaceae (4) Anacardiaceae (3) e
Myrtaceae (3) apresentaram os maiores números de espécies, (Tabela 1). Dantas et al.,
(2016), ao inventariarem a Praça Floriano Peixoto, encontraram 240 indivíduos,
distribuídos em 10 famílias, 18 gêneros e 19 espécies.

TABELA 1. Diversidade de espécies da arborização urbana da Praça Nossa Senhora da Conceição, Macapá -
Amapá - Brasil.

Nome Vulgar Nome Científico Família Or. FA


Mangueira Mangifera indica L. Anacardiaceae E 61
Cajueiro Anacardium occidentale L. Anacardiaceae N 14
Taperebá Spondias mombi L. Anacardiaceae N 4
Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Gancho. N 3
Ipê Amarelo f. ex S Moore Bignoniaceae
Handroanthus chrysotrichus Var. obtusatus N 1
Ipê Amarelo (A.DC.) Mattos Bignoniaceae
Ipê Amarelo Handroanthus serratifolius (Vahl) S.O. Grose Bignoniaceae N 4
Ipê Rosa Handroanthus sheptaphyllus (Vell.) Mattos Bignoniaceae N 1
Oití Licania tomentosa (Benth.) Fritsch Chrysobalanaceae N 12
Alvineira Andira inermis (Sw.) Kunth Fabaceae N 27
Faveira Clitoria fairchildiana R.A. Howard Fabaceae N 12
Flamboyant Delonix regia L. Fabaceae E 5
Pata De Vaca Bauhinia variegata L. Fabaceae N 1
Faveira Albizia lebbeck Fabaceae N 2
Jatobá Hymenaea courbaril L. Fabaceae N 2
Ingá Pracuuba Ingaura guensis Hook. &Arn. Fabaceae N 1
Saboneteira Sapindus saponaria L. Fabaceae N 2
Mogno Swietenia macrophylla Rei Meliaceae N 4
Ameixeira Syzygium cumini (L.) Skeels Myrtaceae E 2
Jambeiro Syzygium malaccense (L.) Merr. & L.M. Perry Myrtaceae E 6
Goiabeira Psidium guajava L. Myrtaceae E 1
Abil Pouteria caimito (Ruiz &Pav.) Radlk. Sapotaceae N 1

De forma semelhante, nos municípios de Carlinda, Nova Monte Verde e Alta


Floresta (MT), as famílias botânicas com maior número de espécies foram Myrtaceae (4),
Anacardiaceae (3) e Fabaceae (3) a partir de inventário de 663 indivíduos (37 espécies),
conforme Almeida e Rondon-Neto (2010).

239
De acordo com estudos realizado por Barbosa e Lopes (2015) nas praças de São
João dos Patos (TO) foram registrados 290 indivíduos, pertencentes a 37 espécies e 23
famílias botânicas, sendo que as famílias com maiores números de espécies arbórea-
arbustivas foram Fabaceae (4), Myrtaceae (3) e Apocynaceae (3), resultados que não
corroboram com os encontrados na Praça Nossa Senhora da Conceição.
A espécie mais frequente foi Mangifera indica L. com 61 indivíduos, o que
representa (36,75%) do total de indivíduos amostrados, seguida das espécies Andira
inermis (Sw.) Kunth com 27 indivíduos (16,26%), Anacardium occidentale L. com 14
indivíduos (8,43%), Clitoria fairchildiana R.A. Howard e Licania tomentosa (Benth.)
Fritsch com 12 indivíduos (7,23%) cada uma. Quanto à origem fitogeográfica das espécies
inventariadas, do total de 21 espécies encontrada na arborização, 5 espécies são exóticas
(representando 23,81%) e 16 são nativas (representando 76,19%), Dantas et al.; (2016),
afirma que Clitoria fairchildiana R.A. Howard é exótica, mas, para Silva et al., (2017), a
espécie é nativa.

4. Conclusão
A arborização da praça Nossa Senhora da Conceição apresenta diversidade
semelhante à outras cidades da Amazônia Brasileira.

5. Literatura Citada
Almeida, D.N; Rondon, R. M. Análise da arborização urbana de três cidades da região
norte do Estado de Mato Grosso. Instituto Nacional de Pesquisas da AmazôniaVol. 40(4)
2010: 647 – 656.
ANGIOSPERM PHYLOGENY GROUP (APG) III. An update of the Angiosperm
Phylogeny Group Classification for the orders and families of flowering plants: APG III
Botanical. JournaloftheLinneanSociety, [s.n.], não paginado, 2009.
ANGIOSPERM PHYLOGENY GROUP (APG) III. An update of the Angiosperm
Phylogeny Group Classification for the orders and families of flowering plants: APG III
Botanical. Journalofthe LinneanSociety, [s.n.], não paginado, 2016.
Barbosa, L.A.; Lopes, C.G.R. Levantamento Das Espécies Vegetais Das Praças De São
João Dos Patos - MA. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v.10, n.1, p.
19-29, 2015.

240
Dantas, A.R.; Gomes, E.M.C.; Pinheiro, A.P. diagnóstico florístico da Praça Floriano
Peixoto na cidade de Macapá, Amapá. REVSBAU, v.11, n.4, p. 32-46, 2016.
Gomes, E.M.C; Rodrigues, D.M.S.; SANTOS, J.T.; Barbosa, E.J. Análise quali-
quantitativa da arborização de uma praça urbana do Norte do Brasil. Nativa, v.4, n.3,
p.179-186, 2016.
Gonçalve, S,A.; Camargo, L. S.; Soares, P. F. Influência da vegetação no conforto térmico
urbano: Estudo de caso na cidade de Maringá – Paraná. Anais do III Seminário de Pós-
Graduação em Engenharia Urbana, 2012.
Isernhagen, I.; Bourlegat, J.M.G.L.; Carboni, M. Trazendo a riqueza arbórea regional para
dentro das cidades: possibilidades, limitações e benefícios. Revsbau, v.4, n.2, p.117-138,
2009.
Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas
nativas do Brasil. 3. ed. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudo da Flora, 2000. v.1. 352
p.
Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas
nativas do Brasil. 3 vols. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2009.
Lorenzi, H. Árvores exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Nova
Odessa: Plantarum, 2003. 384 p.
Pereira, L.B.P.; Silva, T.R.; Delbim, L.R.; Hunger, M.S.; Zavarize, S.A.M. O profissional
de Educação Física e o meio ambiente: uma experiência de educação ambiental e a
melhora da qualidade de vida dos moradores dos centros urbanos. Arch Health Invest, v.5
n.4, p. 223-228, 2016.
Silva, B.M.S.; Santos, I.M.B.; Araújo, P.A.A.; Soares, R.N.; Silva, C.O. emergência de
plântulas de faveira (Clitoria fairchildiana R.A. Howard) em diferentes substratos. Revista
Agronegócio e Ambiente, v. 10, n. 2, p. 555-566, 2017.
Vieira, J.G.P.; Gonçalves, T.C.; Pasin, L.A.A.P. Levantamento florístico de espécies
arbóreas na Praça Coronel José Vieira em Paraisópolis/MG. Revista Brasileira de Gestão
Ambiental, v. 10, n.1, p.30-34, 2016.

241
Eficácia dos poleiros artificiais na restauração de área degradada no
semiárido da Paraíba

João Henrique do Nascimento Neto1,Jailson Medeiros Silva2,Jacob Silva Souto3,Francisco de Assis


Pereira Leonardo4,Pedro Hermógenes de Medeiros Neto5,Patrícia Carneiro Souto6
1
Aluno de Pós-graduação em Ciências Florestais/UFRN (joão_1601@hotmail.com), 2 Aluno da
graduação em Engenharia Florestal/UFCG (jailson_federa@hotmail.com), 3Professor da Unidade
4
Acadêmica de Engenharia Florestal/UFCG (jacob_souto@yahoo.com.br), Bolsista
5
PNPD/CAPES/UFCG (fa_pl2002@yaahoo.com.br) Aluno de graduação em Engenharia
Florestal/UFCG (pedrohermogenes.show@hotmail.com), 6Professora da Unidade Acadêmica de
Engenharia Florestal/UFCG (pcarrneirosouto@yahoo.com.br).

RESUMO: A restauração ecológica trata-se de uma intervenção humana intencional em


ecossistemas degradados com o intuito de facilitar o processo natural de sucessão
ecológica. No presente estudo objetivou-se avaliar a eficiência do uso de poleiros
artificiais na restauração de área degradada no Núcleo de Desertificação do
Seridó/Paraíba. Instalou-se experimento na Fazenda Experimental Cachoeira de São
Porfírio, município de Várzea, Paraíba, utilizando-se poleiros do tipo “seco”, com 2,0 m
de altura e coletores de sementes fixados em sua base. Utilizou-se delineamento em blocos
casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos consistiram do
espaçamento entre poleiros: 1) 5,0m x 5,0m; 2) 10,0m x 10,0m; 3) 15,0m x 15,0m; 4)
20,0m x 20,0m e 5) tratamento controle, inserido em área de caatinga preservada. Cada
unidade experimental consistiu do conjunto de quatro poleiros. Os dados referentes ao
número e peso de sementes, e peso de excretas de aves foram obtidos no período de
agosto/ 2017 a janeiro/ 2018. Verificou-se que os poleiros artificiais propiciaram a
atração de diversas aves, que trouxeram sementes de outras áreas, comprovado pelas
observações realizadas nas excretas encontradas nos coletores. Constatou-se que à
medida que se aumentou o espaçamento entre poleiros ocorreu maior número de sementes
depositadas nos coletores.
Palavras-chave: Caatinga, desertificação, ecologia da restauração, excreta de aves,
zoocoria

1. Introdução
A conservação da caatinga está intimamente associada ao combate à desertificação,
processo de degradação ambiental que ocorre em áreas áridas, semiáridas e sub-úmidas
secas. No Brasil, 62% das áreas susceptíveis à desertificação estão em zonas originalmente
ocupadas por caatinga, sendo que muitas já estão bastante alteradas (Souto et al., 2017).
Alterações na caatinga tiveram início com o processo de colonização do Brasil. Ao
longo do tempo, além da pecuária e práticas agrícolas rudimentares, outras formas de uso

242
da terra no semiárido brasileiro foram adotadas, a exemplo da diversificação da agricultura
e da pecuária, com a inserção dos caprinos e ovinos, aumento da extração de lenha para
fins madeireiros, produção de carvão e uso em cerâmicas, olarias e panificadoras, dentre
outros.
Vê-se pelo exposto que as ações antrópicas têm sido imperativas em relação ao
meio natural, com o homem enfrentando grandes desafios referentes à capacidade limitada
dos ecossistemas em sustentar o atual nível de consumo material decorrente das atividades
econômicas e crescimento populacional. Diante dessa constatação torna-se crescente a
ideia da conservação dos ecossistemas naturais e da restauração dos ecossistemas
degradados pelo homem.
Para Reis e Kageyama (2003) a interação fauna-flora cria um cenário favorável à
restauração de áreas degradadas, haja vista que a polinização das flores e a dispersão das
sementes são as duas interações mais importantes entre animais e plantas. Isso também é
ratificado por Souto et al. (2017) ao afirmarem que a fauna faz parte do ecossistema
florestal e possui papel fundamental na manutenção do equilíbrio de uma floresta tropical,
atuando principalmente nos processos de polinização e dispersão de sementes.
Assim como em outros ecossistemas, as espécies arbóreas da caatinga também
necessitam de agentes dispersores para transportarem as sementes dos fragmentos de
floresta às áreas degradadas. Neste sentido, as aves e os répteis apresentam papel
fundamental para que as sementes das árvores dos fragmentos de floresta preservada
possam promover o processo de regeneração em área degradada ou em processo de
restauração.
Para Silveira et al. (2015) a necessidade de iniciativas para restaurar as áreas
degradadas surge como algo necessário para o estado da Paraíba. A retirada da cobertura
vegetal de áreas degradadas provoca danos à biodiversidade, uma vez que de interfere nas
condições físicas e afetam o desenvolvimento e a manutenção de atividades ligadas ao
social, econômico e ambiental. Enfim, ocasiona impactos em áreas que estão direta ou
indiretamente relacionadas à manutenção do bioma Caatinga.
No presente estudo objetivou-se avaliar a eficiência do uso de poleiros artificiais na
restauração de área degradada no Núcleo de Desertificação do Seridó/Paraíba.
2. Material e Métodos

243
Foram instalados, em agosto de 2017, poleiros do tipo “seco” com 2,0 m de altura
e coletores de sementes fixados em sua base. Os coletores, confeccionados com tela de
náilon de 1,0 m², foram dispostos no intuito de formar uma estrutura côncava, com cerca
de 0,20 m de profundidade, com auxílio de arame de 1,0 mm, fixado ao solo com piquetes
de ferro.
Utilizou-se delineamento em blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro
repetições. Os tratamentos consistiram do espaçamento entre poleiros: 1) 5,0m x 5,0m; 2)
10,0m x 10,0m; 3) 15,0m x 15,0m; 4) 20,0m x 20,0m e 5) tratamento controle, inserido em
área de caatinga preservada. Cada unidade experimental consistiu do conjunto de quatro
poleiros, inclusive o tratamento controle, onde foram instalados os poleiros dentro de área
de caatinga contígua.
Mensalmente, durante seis meses foram coletadas as sementes e excretas de aves
nos coletores de cada tratamento. Em seguida, esse material foi conduzido ao Laboratório
de Nutrição Mineral de Plantas do Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade
Federal de Campina Grande, onde foram quantificados, pesados e identificadas as
sementes das espécies ali depositadas.
3. Resultados e discussão
Ao se visualizar a tabela 1 verifica-se que o número e o peso médio das sementes
coletadas foram maiores no tratamento em que os poleiros estavam espaçados 10,0m x
10,0m.

Tabela 1. Número e peso de sementes coletadas em poleiros artificiais distribuídos em diferentes


espaçamentos no semiárido da Paraíba.

Espaçamentos Nº de sementes Peso de Sementes (g)

5,0m x 5,0m 0 0

10,0m x 10,0m 8 1,09

15,0m x 15,0m 2 0,21

20,0m x 20,0m 4 0,47

Controle 5 0,60

Total 19 2,38

244
Os resultados mostrados acima são um indicativo de que as aves que frequentam a
área experimental são de porte intermediário, onde o seu voo se dá a pequenas distâncias.
O número de sementes observado na tabela 1 está relacionado à sazonalidade da
frutificação das espécies pertencentes ao fragmento florestal próximo à área degradada. As
principais sementes coletadas foram de umburana (Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B.
Gillett) e faveleira (Cnidoscolus quercifolius Pohl).
O número e peso das excretas de aves que visitaram os poleiros artificiais na área
experimental são observados na tabela 2. Nota-se que foram recolhidas 286 excretas, sendo
que, o maior número foi encontrado nos coletores que estavam dispostos no tratamento em
que os poleiros distavam 20,0 m entre si. Resultados similares foram encontrados por
Guedes (2017) ao desenvolver trabalho na mesma área experimental.
Tabela 2. Número e peso médio de excretas (g) de aves coletadas em poleiros artificiais distribuídos em
diferentes espaçamentos no semiárido da Paraíba.

Espaçamentos Nº de excretas Peso de Excretas

5,0m x 5,0m 54 2,09

10,0m x 10,0m 54 3,48

15,0m x 15,0m 54 2,69

20,0m x 20,0m 119 6,26

Controle 5 0,45

Total 286 14,97

É importante destacar que a presença de poleiros artificiais em ambientes


degradados favorece, ao longo do tempo, as condições edáficas como temperatura,
umidade, nutrição e fertilidade, pela adição gradual de excretas das aves, melhorando o
solo para o recrutamento do banco de sementes. Essa constatação também é corroborada
por Guedes (2017).
4. Conclusão
Os poleiros artificiais apresentam potencial para serem usados em área em processo
de restauração, pois são de baixo custo e propiciam condições para se avaliar o papel da
avifauna nesse processo;

245
O uso de poleiros é de fundamental importância para o estudo da excreta das aves
que frequentam a área em processo de restauração.
Agradecimentos
Agradecemos à FAPERN/CAPES, pelo auxílio financeiro.

5. Literatura Citada

Guedes, A.F. Uso de poleiros artificiais na restauração de área degradada no Seridó da


Paraíba. 2017. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais). CSTR/UFCG, Patos - PB.
2017. 52 p.
Reis, A.; Kageyama, P.Y. Restauração de áreas degradadas utilizando interações
interespecíficas. In: Kageyama, P.Y.; Oliveira, R.E.; Moraes, L.F.D.; Engel, V.L.;
Gandara, F.B. (Org.). Restauração ecológica de ecossistemas naturais. Botucatu: FEPAF.
2003.
Silveira, L.P.S.; Souto, J.S.; Damasceno, M.M.; Mucida, D.P.; Pereira, I.M. Poleiros
artificiais e enleiramento de galhada na restauração de área degradada no semiárido da
Paraíba, Brasil. Nativa, v. 03, n. 03, p. 165-170, 2015.
Souto, J.S.; Leonardo, F.AP.; Souto, P.C. Aplicação de técnicas nucleadoras na restauração
de áreas degradadas o semiárido brasileiro. In: Moura, F.B.P.; Silva, J.V. Restauração na
caatinga. Maceió: Edufal, 2017. p.103-123.

246
Espécies arbóreas utilizadas na arborização dos canteiros centrais das
avenidas principais de dois loteamentos no Bairro Jardins, São Gonçalo do
Amarante - RN
João Gilberto Meza Ucella Filho1, Débora de Melo Almeida2, Heitor Bruno Barbosa de Azevedo³,
Fernanda Moura Fonseca Lucas4, Túlio Brenner Freitas da Silva5,Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo6
1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (16joaoucella@gmail.com); ²Univerisdade Federal do Rio
Grande do Norte (debooraalmeida@gmail.com); ³Instituto de Educação Superior da Paraíba
(heitorazevedo@live.com); 4Universidade Federal do Rio Grande do Norte (fernanda-
fonseca@hotmail.com); 5Universidade Federal do Rio Grande do Norte (tuliobrenner29@gmail.com);
6
Universidade Federal do Rio Grande do Norte(tatianekellyengenheira@hotmail.com)

RESUMO: A arborização presente nos canteiros centrais das avenidas das cidades brasileira
são bastante diversificadas, variando de acordo com os fatores econômicos, culturais e sociais.
Diante o exposto, este trabalho teve por objetivo identificar a variabilidade de
espécies presentes na arborização dos canteiros centrais de dois loteamentos
planejados no bairro Jardins, São Gonçalo do Amarante -RN. O estudo foi
realizado nos canteiros centrais dos loteamentos Cidade das Rosas e Cidade das
Flores, durante o mês de março de 2018. As espécies que foram identificadas in
loco, tiveram seu nome popular ou científico anotado, enquanto para as
desconhecidas realizou-se anotações das características morfológico da planta.
Os dados obtidos foram estruturados em uma planilha e submetidos a análise
estatística descritiva, para à estruturação de tabelas e gráficos no programa
Microsoft Excel® versão 2010. Foram encontrados 402 indivíduos, pertencentes a
11 famílias e distribuídos em 22 espécies arbóreas, onde 11 foram classificad as
como nativas, 10 exóticas e 1 não identificada. A família e espécie mais
representativa foi a Fabaceae (27,27%) e a Azadirachta indica A. Juss. (42,79%),
respectivamente. O levantamento constatou um número de espécies nativas
superior as exóticas, porém, o número de indivíduos exóticos foi superior aos
indivíduos nativos.

Palavras-chave: Paisagismo, áreas verdes, patrimônio arbóreo

1. Introdução
Os ambientes urbanos arborizados possuem papel importante na qualidade de vida e
bem-estar de uma população, não só relacionados ao embelezamento do ambiente, mas também
a capacidade de desempenhar funções ecológicas de grande relevância, estando presente em
áreas particulares, praças, parques, calçadas e canteiros (Gonçalves, 2015).

247
Os canteiros centrais das avenidas das cidades brasileiras apresentam, em sua
composição, uma grande diversidade, variando de acordo com os fatores econômicos, culturais e
sociais (Lucena et al., 2015). Esses espaços exercem influência positiva no bem estar dos
transeuntes, assim como confere um caráter plástico a paisagem, fazendo-se necessário um bom
planejamento, selecionando espécies arbóreas adequadas e prezando pela boa diversidade,
evitando que surja conflitos da vegetação com as estruturas urbanas (Andreatta et al., 2011;
Moraes e Machado, 2014).
Diante o exposto, este trabalho teve por objetivo identificar a variabilidade de espécies
presentes na arborização dos canteiros centrais de dois loteamentos planejados no bairro Jardins,
São Gonçalo do Amarante-RN.

2. Material e Métodos

Os loteamentos Cidade das Rosas e Cidade das Flores estão localizados no bairro Jardins,
município de São Gonçalo do Amarante – RN, situado na mesorregião do Leste Potiguar, entre
as coordenadas 5º47’36” S e 35º19’46” O. O clima local é caracterizado como tropical chuvoso
com verão seco, de acordo com a classificação de Köppen, com temperatura média de 27,0°C,
umidade relativa de 76% e precipitação pluviométrica média anual de 1.193.0 mm (Idema,
2013).
O levantamento das espécies arbóreas presentes nos canteiros centrais, foi realizado nas
avenidas Cidade das Rosas, Cidade das Flores, Flores dos Campos e Flores Silvestres, durante o
mês de março de 2018. As espécies que foram identificadas in loco, tiveram seu nome popular
ou científico anotado, enquanto para as desconhecidas realizou-se anotações das características
morfológico da planta, além da retirada de flores, frutos e folhas (Lima et al., 2015; APG IV,
2016).
As famílias e espécies foram classificadas de acordo com sua origem (exóticas e nativas).
Os indivíduos tiveram a sua frequência absoluta (somatório do número de indivíduos de uma
espécie) e relativa (razão entre o número de indivíduos da espécie e o número total de
indivíduos, multiplicada por 100) calculada, tal como Camaño et al. (2015).
Os dados obtidos foram estruturados em uma planilha e submetidos a análise estatística
descritiva, para à estruturação de tabelas e gráficos no programa Microsoft Excel® versão 2010.

248
3. Resultados e Discussão

Foram encontrados 402 indivíduos, pertencentes a 11 famílias e distribuídos em 22


espécies arbóreas, onde 11 foram classificadas como nativas, 10 exóticas e 1 não identificada
(Tabela 1). As famílias que apresentaram maior diversidade de espécies foram a Fabaceae,
Anacardiaceae e Bignoniaceae, com 27,27%, 22,72% e 13,63%, respectivamente, enquanto as
demais somaram 36,66%. Situação semelhante foi observada por Lucena et al. (2015) nos
canteiros centrais da cidade de Patos-PB, em que as famílias Fabaceae (50%) e Bignoneaceae
(14,28%) foram as mais representativas em números de espécies.
TABELA 1. Listagem de famílias (em ordem de alfabética) e espécies arbóreas coletadas nos canteiros centrais nas
avenidas principais dos loteamentos Cidade das Rosas e Cidade das Flores, bairro Jardins, São Gonçalo do
Amarante-RN.

Família Nome Ciêntifico Nome Popular Origem FR (%) FA


Anacardiaceae Anacardium occidentale L. Cajueiro N 12,19 49
Mangifera indica L. Mangueira E 5,22 21
Spondias purpurea L. Seriguela E 1,24 5
Spondia spp. NI NI 1,49 6
Myracrodruon urundeuva All. Aroeira N 0,75 3
Bignoniaceae Handroanthus impetiginosus (Mart. ex Ipê roxo N 14,42 58
DC.) Mattos
Tabebuia alba (Cham.) Sandwith Ipê amarelo N 0,99 4
Handroanthus heptaphyllus (Vell.) Ipê rosa N 1,49 6
Mattos
Combretaceae Terminalia catappa L. Castanhola E 0,75 3
Chrysobalanaceae Licania tomentosa (Benth.) Fritsch Oiti N 0,25 1
Fabaceae Mimosa interrupta Benth. Espinheiro E 1,99 8
Zygia sanguinea (Benth.) L. Rico Ingá velho N 0,49 2
Paubrasilia echinata (Lam.) E. Gagnon, Pau Brasil N 3,98 16
H.C. Lima & G.P. Lewis
Prosopis juliflora (Sw.) DC. Algaroba E 0,25 1
Clitoria ternatea L. Cunhã E 0,75 3
Caesalpinia pyramidalis Tul. Catingueira N 0,49 2
Malvaceae Talipariti tiliaceum (L.) Fryxell Algodão da E 6,46 26
Praia
Meliaceae Azadirachta indica A. Juss. Nim E 42,79 172
Moraceae Ficus benjamina L. Figueira- E 1,49 6
Benjamina
Myrtaceae Psidium guajava L. Goiabeira E 0,25 1
Rubiaceae Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.) Jenipapo N 0,25 1
K.Schum.
Sapindaceae Sapindus saponaria L. Saboneteira N 0,49 2
NI - - - 5
TOTAL 100% 402

249
(E=Exótica; N=Nativa; N°= Número de indivíduos; NI=Não identificadas; FA=Frequência Absoluta; FR=
Frequência relativa)
O uso das espécies da família Fabaceae é bastante comum na arborização urbana das
cidades brasileiras, devido a sua capacidade adaptativa e boa cobertura vegetal, sendo utilizadas
para fins paisagísticos e ornamentais (Camaño et al., 2015; Cabreira e Canto-Dorow, 2016).
Quanto a origem dos indivíduos encontrados, 61% foram classificados como exóticos,
36% como nativos e 3% não foram identificados (Figura 1). Resultado menos positivo foi
encontrado na pesquisa realizada por Lucena et al. (2015), onde constatou-se a predominância
de indivíduos exóticos acima de 70% em relação aos nativos. As avenidas e ruas das cidades do
Brasil possuem uma predominância de árvores exóticas, causando problemas como a invasão
biológica, ocupando o lugar de espécies nativas, por apresentarem desenvolvimento mais
agressivo (Souza et al., 2015; Silva, 2009).
FIGURA 1. Percentual dos indivíduos, quanto a origem (espécies nativas e espécies exóticas), encontrados nos
canteiros centrais das avenidas principais dos loteamentos Cidade das Rosas e Cidade das Flores, Bairro Jardins,
São Gonçalo do Amarante – RN.
3%
Exótica
Nativa
36% NI
61%

A espécie com o maior número de indivíduos presentes nos canteiros centrais das
avenidas principais dos loteamentos estudados foi Azadirachta indica, conhecida popurlamente
como nim, com 42,79% do número total de indivíduos amostrados. O mesmo foi observado
também por Lucena et al. (2015), em que a espécie apresentou a maior frequência relativa com
42,42%. Alguns autores como Milano e Dalcin (2000) afirmam que, para um bom planejamento
da arborização urbana é necessário que cada espécie a ser usada não ultrapasse 15% do total de
indivíduos de uma população, para que seja evitado problemas como ataque de fungos e pragas.

4. Conclusão
Embora o número de espécies nativas tenha sido superior ao número de exóticas, é
possível constatar que apesar dos loteamentos em estudos serem planejados, não houve a

250
preocupação com a arborização do local, devido à baixa variabilidade de espécies e o grande
número de indivíduos exóticos.
5. Literatura citada
Andreatta, T.R.; Backes, F.A.A.L.; Bellé, R.A; Neuhaus, M.; Girardi, L.B.; Schwab, N.T.;
Brandão, B.S. Análise da arborização no contexto urbano de Avenidas de Santa Maria, RS.
Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 6, n.1, p.36-50, 2011.

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Cabreira, T.N.; Canto-Dorow, T.S. Florística dos componentes arbóreo e arbustivo do campus
da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS. Ciência e Natura, Santa
Maria, v. 38, n. 1, p.9-23, 2016.

Camaño, J.D.Z.; Barroso, R.F.; Souto, P.C.; Souto, J.S. Levantamento e diversidade da
arborização urbana de Santa Helena, no semiárido da Paraíba. Agropecuária Científica no
Semiárido, Patos, v. 11, n. 4, p. 54-62, 2015.

Gonçalves, W. Diagnose qualitativa de florestas urbanas. Viçosa: o autor, 2015. 93p.

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Perfil do seu município: Macaíba. IDEMA: Natal, 2013. 21 p.

Lima, J.P.; Kreutz, C.; Pereira, O.R. Levantamento florístico das espécies utilizadas na
arborização de praças no município de Nova Xavantina – MT. Revista da Sociedade Brasileira
de Arborização Urbana, v.10, n.3, p. 60-72, 2015.

Lucena, J.N.; Souto, P.C.; Camaño, J.D.Z.; Souto, J.B.; Souto, L.S. Arborização em canteiros
centrais na cidade de Patos, Paraíba. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento
Sustentável, v. 10, n. 4, p.20-26, dez. 2015.

Moraes, L.A. e Machado, R.R.B. A arborização urbana do município de Timon/MA: inventário,


diversidade e diagnóstico quali-quantitativo. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização
Urbana, v.9, n.4, p 80-98, 2014.

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Silva, P.S. 2009. Controles Operacionais na Arborização Pública. 35f. Monografia (Especialista
em Engenharia de Produção) – Instituto a vez do Mestre, Universidade Candido Mendes, Rio de
Janeiro.

251
Souza, P. F.; Bourscheid, C.B.; Pompéo, P. N.; Stang, M.B.; Manfroi, J.; Rodrigues, M.D.S.;
Silva, A.C.; Higuchi P. Inventário e recomendações para a arborização do centro da cidade de
São Joaquim, SC. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 9, n. 4, p. 99-112,
2015.

252
Espécies florestais com potencial de uso em Floresta Estacional Decidual
ripária, no noroeste do Rio Grande do Sul

Camila Andrzejewski1, Solon Jonas Longhi2, Rafael Marian Callegaro 3, Ana Claudia Bentancor
Araujo4, Fernanda Dias dos Santos1, Francieli de Fatima Missio1
1
Universidade Federal de Santa Maria (camiandrzejewski@gmail.com;
fernandadiotti@hotmail.com; franmissio@yahoo.com.br), 2Universidade Federal de Santa Maria
(longhi.solon@gmail.com), Universidade Federal do Espírito Santo (rafael.callegaro@ufes.br),
3
Instituto Federal Farroupilha (ana.araujo@iffarroupilha.edu.br)

RESUMO: O estudo teve como objetivo a realização de levantamento arbóreo elencando


os principais usos potenciais das espécies amostradas na região noroeste do Rio Grande
do Sul. Foram instaladas, em Floresta Estacional Decidual ripária, 18 parcelas de 200 m²
cada, onde se inventariou a vegetação arbórea com diâmetro à altura do peito ≥ 5 cm.
Determinou-se o potencial de uso das espécies, as quais foram divididas em classes de
acordo com cada uso: madeireiro, paisagismo, recuperação de áreas degradadas (RAD),
medicinal e alimentício. Foram amostradas 43 espécies, onde 81% das espécies podem
fornecer madeira para usos múltiplos, 79% podem ser utilizadas para recuperação de
áreas degradadas, 70% das espécies possuem potencial para paisagismo, 54% são
consideradas medicinais e 28% podem ser empregadas na alimentação humana.
Destacam-se as espécies Cordia trichotoma, Apuleia leiocarpa, Myrocarpus frondosus e
Campomanesia xanthocarpa para uso madeireiro, Casearia sylvestris, Machaerium
paraguariense, Sorocea bonplandii, Strychnos brasiliensis para RAD, além das espécies
da família Myrtaceae para amplo uso na alimentação. Com esse trabalho, podemos
associar usos alternativos as espécies encontradas e difundir a ideia de aproveitamento
sustentável dos recursos naturais, além de incentivar a conservação desses remanescentes.

Palavras-chave: mata ciliar, etnobotânica, valor econômico, biodiversidade

1. Introdução
O desmatamento e a exploração insustentável têm diminuído os recursos naturais
oriundos de florestas. Contudo, a riqueza de espécies arbóreas presentes nos remanescentes
permite a obtenção de produtos não madeireiros e madeireiros de forma a causar impactos
reduzidos, desde que o processo esteja associado ao manejo adequado desses recursos.
Para determinar o uso potencial de espécies arbóreas em fragmentos florestais é necessário
realizar o inventário florestal, o que permitirá conhecer as espécies ocorrentes e a
capacidade de suas populações de suportar os diferentes tipos de exploração.
As florestas existentes são poucos utilizadas devido à falta de conhecimento das
espécies e a existência de legislação limitativa na maioria dos estados. Assim, o

253
aproveitamento de material oriundo de remanescentes florestais poderia ser associado ao
uso alternativo da terra, obtendo assim, produtos diversos através de manejo sustentável.
Essas ações acarretariam em incentivo ao proprietário rural, ou população como um todo, a
preservar e manter os recursos florestais renováveis (Aguiar et al., 2004). Diante do
exposto, o presente estudo teve como objetivo a realização de levantamento florístico de
um fragmento florestal e a determinação dos potenciais usos das espécies encontradas,
valorizando os recursos naturais da região.

2. Metodologia
O estudo foi desenvolvido no município de Guarani das Missões, região noroeste
do estado do Rio Grande do Sul, em Floresta Estacional Decidual ripária. Para amostragem
da vegetação foram instaladas 18 parcelas de dimensões 10 x 20 m (200 m²) em um
fragmento florestal, nas coordenadas centrais 28º13’10,88” S e 54º36’03,36” O. As
parcelas foram distribuídas em três faixas perpendiculares ao leito do Rio Ijuí. A
vegetação foi inventariada em todas as parcelas, onde se incluiu os indivíduos arbóreos
com diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,3 m de altura do solo) ≥ 5 cm. Para
determinação dos usos múltiplos das espécies encontradas utilizou-se consulta em
bibliografias e a partir disto, as espécies foram distribuídas em classes de potencial uso: a)
madeira; b) paisagismo; c) recuperação de áreas degradadas (RAD); d) medicinal; e)
alimentícia.

3 Resultados e Discussão
Foram amostrados 514 indivíduos (1428 indivíduos/ha), pertencentes a 42 espécies
identificadas e uma espécie não identificada (Tabela 1).

TABELA 1: Espécies amostradas com valores de densidade e classificação de uso potencial. Guarani das
Missões, RS, Brasil, 2018.
Família Nome científico Ind.ha-1 Uso
Achatocarpaceae Achatocarpus praecox Griseb. 6 a1
Annonaceae Annona neosalicifolia H.Rainer 3 ad1,2
Boraginaceae Cordia americana (L.) Gottschling & J.S.Mill. 31 abcd2
Boraginaceae Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud. 3 abcd3
Euphorbiaceae Actinostemon concolor (Spreng.) Müll.Arg. 269 a4
Euphorbiaceae Gymnanthes klotzschiana Müll.Arg. 64 abcd3
Euphorbiaceae Sebastiania brasiliensis Spreng. 119 abcd4,5
Fabaceae Albizia niopoides (Spruce ex Benth.) Burkart 3 abc2
Fabaceae Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F.Macbr. 3 abcde3,6
Fabaceae Lonchocarpus nitidus (Vogel) Benth. 67 ab2,6

254
Fabaceae Machaerium paraguariense Hassl. 56 abc1,2,14
Fabaceae Machaerium stipitatum Vogel 6 abcd1,7,8
Fabaceae Myrocarpus frondosus Allemão 33 abcd3,5,6,14
Fabaceae Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan 6 abcd3
Fabaceae Senegalia sp. 3 -
Lamiaceae Vitex megapotamica (Spreng.) Moldenke 14 abcde2,5
Lauraceae Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez 86 abcd4
Loganiaceae Strychnos brasiliensis Mart. 19 cd4,14
Malvaceae Luehea divaricata Mart. & Zucc. 19 abc1,3,5
Meliaceae Trichilia elegans A.Juss. 39 c14
Moraceae Morus nigra L. 3 abde9,10
Moraceae Sorocea bonplandii (Baill.) W.C.Burger et al. 6 abcd3,5
Myrtaceae Campomanesia guazumifolia (Cambess.) O.Berg 11 acde1,11
Myrtaceae Campomanesia xanthocarpa (Mart.) O.Berg 119 abcde4
Myrtaceae Eugenia involucrata DC. 8 abce1,3,12,14
Myrtaceae Eugenia pyriformis Cambess. 14 abcde4
Myrtaceae Eugenia uniflora L. 8 abcde3
Myrtaceae Plinia rivularis (Cambess.) Rotman 139 abce12,13
Phytolaccaceae Seguieria aculeata Jacq. 6 c14
Polygonaceae Ruprechtia laxiflora Meisn. 42 abc7,11
Rutaceae Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl. 11 abc3
Rutaceae Pilocarpus pennatifolius Lem. 17 abd1,7
Rutaceae Zanthoxylum petiolare A.St.-Hil. & Tul 6 a14
Salicaceae Banara tomentosa Clos 17 c4,14
Salicaceae Casearia decandra Jacq. 39 abcd4,13
Sapindaceae Allophylus edulis (A.St.-Hil. et al.) Hieron. ex Niederl. 14 abcde1
Sapindaceae Allophylus guaraniticus (A. St.-Hil.) Radlk. 8 bc4
Sapindaceae Cupania vernalis Cambess. 6 abcd4
Sapindaceae Diatenopteryx sorbifolia Radlk. 11 abcd4,13
Sapindaceae Matayba elaeagnoides Radlk. 72 abc4
Sapotaceae Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler ex Miq.) Engl. 3 ace1,13
Verbenaceae Citharexylum montevidense (Spreng.) Moldenke 3 c14
NI NI 19 -
NI: não identificada; a: madeira; b: paisagismo; c: recuperação de áreas degradadas; d: medicinal; e:
alimentícia; 1: Zuchiwschi et al. (2010); 2: Saueressig (2014); 3: Leite & Pinha (2011); 4: Aguiar et al.
(2012); 5: Backes & Irgang (2004a); 6: Marchiori (2007); 7: Reitz et al. (1988); 8: Campos Filho & Sartorelli
(2015); 9: Backes & Irgang (2004b); 10: Boscolo & Valle (2008); 11: Lorenzi (2002); 12: Marchiori &
Sobral (1997); 13: Lorenzi (1998); 14: autores.

De acordo com a classificação realizada, 81% das espécies inventariadas no


fragmento possuem potencial de uso para aproveitamento de madeira (Figura 1). No
entanto, o conhecimento restrito da população a algumas espécies e/ou a qualidade
superior da madeira, fazem com que estas sejam alvo de exploração com maior frequência,
como por exemplo as espécies Cordia trichotoma, Apuleia leiocarpa, Myrocarpus
frondosus e Campomanesia xanthocarpa. A demanda madeireira da população para uso
em construções e lenha também é um aspecto a ser considerado e associado a exploração
das espécies anteriormente citadas, entre outras.
Os pequenos fragmentos além de possuírem flora singular podem subsidiar o

255
planejamento da restauração ecológica nas regiões onde ocorrem e atuar como fontes de
propágulos das espécies colonizadoras de áreas com algum grau de perturbação. A
vegetação arbórea utilizada no paisagismo assume o papel de amenizar as temperaturas,
promover sombreamento e proporcionar conforto visual (embelezamento). Percebe-se a
abundância de espécies que podem compor os projetos paisagísticos de praças, cidades,
jardins, entre outros.

FIGURA 1: Proporção de uso potencial de espécies e de indivíduos amostrados. Guarani das Missões, RS,
Brasil, 2018.

Mad: madeira; Pai: paisagismo; RAD: recuperação de áreas degradadas; Med: medicinal; Alim: alimentícia.

Boscolo & Valle (2008) relataram que a utilização de plantas medicinais está
associada as gerações de mais idade, que vivem em áreas rurais. De acordo com os autores,
residir distante de recursos médicos e farmacêuticos também estimula a população a buscar
plantas medicinais próximas de suas casas ou que cultivadas em sua residência. Da mesma
maneira, as plantas alimentícias também são, em sua maioria, cultivadas em proximidades
das residências, demonstrando que as plantas com partes comestíveis encontradas nos
fragmentos florestais são pouco utilizadas pela população.

4. Considerações Finais
Os diferentes usos potenciais de espécies arbóreas nativas fornecem subsídios para
a valorização da flora natural da região. O potencial madeireiro das espécies expõe a
possibilidade de explorar com impacto reduzido remanescentes florestais e de plantio. A
implantação da flora nativa no ambiente urbano torna as cidades mais harmônicas com o
ambiente natural adjacente ao perímetro urbano. O uso potencial para a recuperação de
áreas degradadas, como fonte de alimento ou medicamento podem suprir demandas
futuras da sociedade e ainda, associar usos alternativos às florestas nativas.

256
Literatura Citada

Aguiar, M. D. de; Silva, A. C. da; Higuchi, P.; Negrini, M.; Fert Neto, J. Potencial de uso
de espécies arbóreas de uma floresta secundária em Lages, Santa Catarina. Revista de
Ciências Agroveterinárias, Lages, v. 11, n. 3, p. 238-247, 2012.
http://revistas.udesc.br/index.php/agroveterinaria/article/view/5259/3468. 23 Mar. 2018.
Backes, P.; Irgang, B. Mata Atlântica: as árvores e a paisagem. Porto Alegre: Paisagem do
Sul, 2004. 396 p.
Backes, P.; Irgang, B. Árvores cultivadas no sul do Brasil: guia de identificação e interesse
paisagístico das principais espécies exóticas. Porto Alegre: Paisagem do Sul, 2004. 204 p.
Boscolo, O. H.; Valle, L. de S. Plantas de uso medicinal em Quissamã, Rio de Janeiro,
Brasil. Iheringia, Série Botânica, Porto Alegre, v. 63, n. 2, p. 263-277, 2008.
http://www.fzb.rs.gov.br/upload/20140328114019ih63_2_p263_278.pdf. 20 Mar. 2018.
Campos Filho, E. M.; Sartorelli, P. A. R. Guia de árvores com valor econômico. São
Paulo: Agroicone, 2015. 139 p.
Leite, L. L.; Pinha, P. R. S. Síntese dos resultados. In: Coradin, L.; Siminski, A.; Reis, A.
(Org.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas
para o futuro - Região Sul. Brasília: MMA, 2011. 934 p.
Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do
Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum da Flora, 1998. v. 2. 352 p.
Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas
nativas do Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002. v. 1 368 p.
Marchiori, J. N. C.; Sobral, M. Dendrologia de angiospermas: myrtales. Santa Maria:
Editora da UFSM, 1997. 304 p.
Marchiori, J. N. C. Dendrologia de angiospermas: leguminosas. Santa Maria: Editora da
UFSM, 2007. 199 p.
Reitz, R.; Klein, R. M.; Reis, A. Projeto Madeira do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:
SUDESUL/SEC. AGRIC. e DES./HBR, 1988. 525 p.
Saueressig, D. Plantas do Brasil: árvores nativas. Irati: Editora Plantas do Brasil, 2014.
432p.

257
Zuchiwschi, E.; Fantini, A. C.; Alves, A. C.; Peroni, N. Limitações ao uso de espécies
florestais nativas pode contribuir com a erosão do conhecimento ecológico tradicional e
local de agricultores familiares. Acta Botanica Brasilica, Belo Horizonte, v. 24, n. 1, p.
270-282, 2010. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062010000100029.

258
Estrutura da vegetação em três trechos de Caatinga sob diferentes
condições no município de Girau do Ponciano, Alagoas

Janeide da Silva1, Michaell Silva Moura1, Henrique Costa Hermenegildo da Silva1


1
Universidade Federal de Alagoas, Campus de Arapiraca. E-mails: janeidesilva02@gmail.com;
michaellmoura2012@gmail.com; hhermenegildo@gmail.com

RESUMO: O trabalho teve como objetivo comparar a estrutura e fisionomia da vegetação


arbustiva-arbórea de três fragmentos de Caatinga sob diferentes condições no
Assentamento Dom Hélder Câmara, Girau do Ponciano, Alagoas. Em cada área foram
instaladas 15 parcelas medindo 10 x 20 m com distância de 10 metros entre elas, e
considerados os indivíduos que se individualizaram ao nível do solo com altura ≥ 1 m e
diâmetro do caule ao nível do solo ≥ 9 cm. Verificou-se que a área I apresenta maior
diversidade com Índice de Shannon-Winner igual a 2.103 nats.ind-1 e menor densidade
com 1323 individuos.ha-1; o diâmetro da área I (µ= 4.36 cm) foi diferente da área II (µ=
9.3 cm) e área III (µ= 8,17 cm) com p < 0.0001; a altura média dos indivíduos na área I
(3.2 m) foi diferente da área II (2.3 m) e área III (2.5 m) com p < 0.01. Não houve
diferença quanto a riqueza (p < 0.4626). As espécies que mais se destacaram foram o
Croton blanchetianus Baill, Croton rhamnifolius (Kunth.) Muell. Arg e Poincianella
pyramidalis (Tul.) L.P. Queiroz. Diferentes perturbações implicam no aumento da
densidade de indivíduos devido à muitas plantas pioneiras com altura e diâmetro
reduzidos.

Palavras-chave: cenopopulações regenerantes, conservação da Caatinga, respostas à


perturbação

1. Introdução
A exploração da Caatinga tem levado a uma rápida degradação ambiental (Ferraz et
al., 2014) causando um processo de regeneração natural, que consiste no mecanismo
predominante de resiliência de ecossistemas florestais naturais (Lucena et al., 2017). Ao
estudarem a estrutura da vegetação sob diferentes históricos de perturbação em
Cajazeirinhas (PB), Holanda et. al. (2015) perceberam variações diretamente na estrutura
da vegetação arbustiva-arbórea adulta e no processo de regeneração natural.
Desta forma, este trabalho teve como objetivo comparar a estrutura e fisionomia da
vegetação arbustiva-arbórea de três trechos de Caatinga sujeito a diferentes condições no
Assentamento Dom Hélder Câmara, no município de Girau do Ponciano, Alagoas.

259
2. Material e Métodos
2.1 Área de estudo
O Assentamento Dom Hélder Câmara está situado na Zona Rural do município de
Girau do Ponciano, Alagoas, cuja região possui vegetação do tipo xerófila e clima
semiárido. Dados da Seplag (2015), indicam temperatura mínima de 21°C e máxima de 38
°C na região.
Para este trabalho foi realizada uma comparação entre três trechos. Área I: Área de
Reserva Legal (ARL) sujeita a pastagem, Área II: Contínua com uma Área de Reserva
Legal (ARL), mas inserida num lote de produção. A área I e a área II estão localizadas
dentro de um fragmento que possui 1413 ha, sendo a área I mais no interior e a área II mais
próximo as residências dos assentados; já Área III consiste em uma faixa descontínua com
a ARL encontrada no interior dos lotes dos assentados em um fragmento isolado que mede
100 ha; a menor distância entre a ARL e área descontinua é de 700 m.

2.2 Coleta dos dados


Em cada área foram instaladas 15 parcelas de 10 x 20 m com uma distância de 10
metros entre as parcelas. Foram considerados os indivíduos vivos que se individualizaram
ao nível do solo com altura total ≥ 1 m e diâmetro do caule ao nível do solo ≥ 9 cm
adaptado de Rodal & Nascimento (2002), os quais tiveram a sua altura total e diâmetro do
caule na altura da base mensurados. O material botânico foi coletado para identificação no
herbário da Universidade Federal de Alagoas Campus de Arapiraca e posterior depósito.

2.3 Análise dos dados


Foram levados em consideração a composição florística, parâmetros relativos de
frequência relativa, dominância, densidade e índice de valor de importância, riqueza e
diversidade através do Índice de Shannon-Weaver (H’) e equabilidade de Pielou (J’)
(Magurran, 2011) pelo software Fitopac (Shepherd, 1995). Para as comparações dos
parâmetros fisionômicos (densidade, dominância, altura e diâmetro) foi utilizado o pacote
estatístico Bioestat 5.0 (Ayres et al., 2005). Ao tratar de dados com variável discreta ou
que não apresentem frequência de distribuição normal, utilizou-se o teste não-paramétrico
Kruskall-Wallis e para os dados que apresentaram uma variável contínua e frequência de
distribuição normal, aplicou-se o teste paramétrico Anova. Para avaliar se os dados

260
apresentam distribuição normal aplicou-se o teste de normalidade Shapiro-Wilk (W).

3. Resultados e Discussão
3.1 Fisionomia
A Área I apresentou uma densidade de 1323 individuos.ha-1, menor que a Área II
(4543 individuos.ha-1) e a Área III (7156 indivíduos.ha-1). Verificou-se diferença (H =
32.007, GL= 2, p = 0) entre as áreas I e II (p < 0.0002) e entre as áreas I e III (p < 0.0001).
A baixa densidade da área I pode estar relacionada ao raleio para favorecer ervas, típico na
pecuária extensiva (Oliveira & Sales, 2015).
As áreas apresentaram diferenças quanto as médias de altura (F= 20.19; p= <0.0001
e GL= 2) e diâmetro (H = 31.7308; p = 0 e GL= 2): a) a altura média dos indivíduos da
área I (3.2 m) apresentou diferença em relação a área II (2.3 m) e área III (2.5 m) com
valor de p < 0.01. b) quanto ao diâmetro, foi possível verificar que a área I (µ= 4.36 cm) é
diferente da área II (µ= 9.3 cm) e da área III (µ= 8.17 cm) com valor de p < 0.0001. Estes
valores foram próximos ao encontrado por Alves et. al. (2013), que encontram indivíduos
com diâmetros entre 3.5 a 6.5 cm e altura média de 3,4 m, e inferiores ao encontrado por
Souza et. al. (2017), que encontraram indivíduos com altura média de 6,7 m e diâmetro
médio de 11,22 cm. Os baixos valores de diâmetro e altura são característicos de áreas que
possuem perturbação e que se encontram em processo de regeneração.

3.2 Estrutura

Apesar da Área I ter tido um número menor de indivíduos apresentou diversidade


florística superior, de acordo com Índice de Shannon-Winner (H’= 2.103 nats.ind-1) e
equabilidade de Pielou (J’= 0.691). Isso pode ser explicado através do efeito de área, uma
vez que maiores áreas e contínuas apresentam maior diversidade e riqueza (Hill & Curran,
2003).
Quanto a riqueza não foi verificada diferença significativa entre as áreas (p =
0.4626). As espécies que mais se destacaram estruturalmente nas três áreas foram: o
Croton blanchetianus Baill (NI = 1757; FR = 9.20%; DR= 44.97%; DoR= 39.52%; IVI =
93.69%); o Croton rhamnifolius (Kunth.) Muell. Arg. (NI= 854; FR = 5.46%; DR=
21.86%; DoR= 22.00%; IVI = 49.32%) e Poincianella pyramidalis (Tul.) L.P. Queiroz (NI
= 525; FR = 12.64%; DR = 13.44%; DoR = 19.30%, IVI = 45.38%). Souza & Medeiros

261
(2013) verificaram a representatividade do Croton blanchetianus em todos os parâmetros
fitossociológicos. A predominância de espécies como o Croton blanchetianus e Croton
rhamnifolius, indica que as áreas estão em processo de sucessão secundária, visto que as
espécies de Croton spp. são espécies colonizadoras das caatingas sucessionais pois se
desenvolvem bem em áreas perturbadas.

4. Conclusão

As diferentes formas de perturbações modificam de maneira significativa a


estrutura da vegetação, causando um aumento na densidade de indivíduos devido à muitas
plantas de caráter pioneiro com altura e diâmetro reduzidos.

5. Literatura Citada

Alves, A.R.; Ribeiro, I.B.; Sousa, J.R.L.; Barros, S.S.; Sousa, P.S. Análise da estrutura
vegetacional em uma área de caatinga no município de Bom Jesus, Piauí. Revista Caatinga,
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Abelhas. http://dx.doi.org/10.18378/rvads.v12i2.4588.

263
Estrutura de duas comunidades vegetais da caatinga com diferentes
níveis de perturbação

Ingrid Bezerra Silvestre ¹, Diego Fernandes Lima ², Mairlis Almeida de Menezes³, Carlos Leandro
Costa Silva4, Maria Amanda Menezes da Silva5
1
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (ingridbezerra96@gmail.com),
2
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (ferdiegolima@gmail.com),
3
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (mairles.almeida@gmail.com),
4
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (carlosleandro232@gmail.com),
5
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (amanda.menezes@ifce.edu.br)

RESUMO: A perturbação acontece por meio de processos que modificam o ambiente,


tendo grandes efeitos sobre a estrutura das comunidades. O objetivo deste trabalho foi
comparar a estrutura de duas áreas da caatinga, com diferentes graus de perturbação. A
amostragem foi realizada próximo ao Açude Cedro, localizado no município de Quixadá-
CE. Foram selecionadas duas áreas, sendo a primeira um local com maior intervenção
antrópica (Área I) e a segunda com maior nível de preservação (Área II). Três parcelas de
10,0 x 10,0 m foram distribuídas de forma sistemática em cada área, com distância de 1 m
entre elas. Nas parcelas foram medidas altura e diâmetro de todos os indivíduos com
circunferência ao nível do solo (CNS) > 9,0 cm. Foram encontrados 48 indivíduos de nove
espécies na área II e 33 indivíduos de oito espécies na área I. Foram encontrados para a
área I os valores de índice de Shannon-Wienner e equabilidade de 1,482 nats/ind. e 0,713,
respectivamente, e para área II de 2,161 nats/ind. e 0,901, indicando maior nível de
perturbação na localidade em que se obteve os menores valores, retratando diferença de
estrutura da comunidade, e observando menor número de espécies em sua cobertura
vegetal.

Palavras-chave: fitossociologia, equabilidade, diversidade

1. Introdução
A Caatinga apresenta alta heterogeneidade ambiental e varia de acordo com o
volume das precipitações, da qualidade dos solos, da rede hidrológica e da atividade de
seus habitantes. É costumeira a divisão da caatinga, assim concebida, em duas faixas de
vegetação que são também dois tipos distintos de paisagem, com base nos graus de
umidade: agreste, possuidor de maior umidade por estar próximo ao mar e o solo mais
profundo, com vegetação mais alta e densa; sertão, mais seco, com solo raso e/ou
pedregoso, e vegetação mais baixa e pobre, ocupando enormes extensões para o interior. O
aspecto da vegetação, de modo geral, caracteriza-se por árvores e arbustos de porte
pequeno, folhas pequenas e caducifólias, com mecanismos de adaptação como espinhos,

264
desenvolvidos como forma de recolher o excesso de transpiração causada pelo longo
período de estiagem (Drumond et al., 2002).
A alternância de períodos de seca com outros com chuvas torrenciais, o
desmatamento, as queimadas, a mineração, a pecuária extensiva e o aumento da população
e das áreas de cultivos na terra seca, entre outras atividades do homem no sertão,
contribuem para acentuar o processo de desertificação que tem sido identificado em muitas
áreas do semiárido (Ramalho, 2013). Esses problemas são agravados pelos demais fatores
associados com ação antrópica, que tendem a retirar a cobertura vegetal do ecossistema,
deixando o solo empobrecido, sem nutrientes e comprometendo a estrutura das
comunidades naturais.
Sabe-se que a caatinga encontra-se em acentuado processo de degradação,
provocada principalmente pelo desmatamento, devido à ocupação de áreas com atividade
agrícola e pecuária, bem como pelo uso inadequado dos recursos naturais. Portanto, o
objetivo deste trabalho é comparar a estrutura da comunidade de duas áreas de caatinga,
com diferentes graus de perturbação. Deste modo, será possível identificar como ações
causadas pelo homem interferem nos ambientes naturais.

2. Material e Métodos
Este trabalho foi desenvolvido na área de preservação ambiental no entorno do
Açude do Cedro, localizado no município de Quixadá-CE. Segundo o Instituto de Pesquisa
e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE, 2016), o município se enquadra dentro de um
clima tropical quente semiárido, com precipitação anual de 838,1 mm e temperatura média
de 26° a 28°C. A vegetação do município é constituída principalmente por caatinga
arbustiva densa, caatinga arbustiva fechada e floresta caducifólia espinhosa.
Foram escolhidas duas áreas com 300 m de distância uma da outra para coleta de
dados relacionados à comunidade vegetal com diferentes níveis de degradação por ação
antrópica: Área I, localizada na borda da mata, de fácil acesso e claramente devastada para
corte seletivo de madeira; e Área II, localizada no interior da mata, de difícil acesso, com
maior nível de preservação, indicando pouca interferência do homem.

265
Para analisar os dados estruturais das duas comunidades, em cada área, foram
instaladas três parcelas de 10 x 10 m distribuídas de forma sistemática, com distância de
1m entre elas. Nas parcelas foram medidos altura e diâmetro de todos os indivíduos com
circunferência ao nível do solo (CNS) maior ou igual a 9,0 cm. As variáveis analisadas
foram: número de indivíduos, de espécies e de famílias, densidade, área basal e volume
total, diversidade e equabilidade. As análises foram realizadas com auxílio do software
Fitopac2.

3. Resultados e discussão
Os resultados obtidos mostraram que as comunidades são diferentes
estruturalmente. Tais mudanças podem ser explicadas como um reflexo da ação do
homem, sendo a Área I a mais usada para corte de madeira e, portanto, apresentando
menor número de indivíduos e densidade total, em comparação com a Área II. No
entanto, foi observado que os indivíduos da Área I são mais grossos, pois mesmo com
menos indivíduos possui área basal e volume bem maiores (Tabela 1). Analisando a área
basal, em ambas as áreas, os valores de 0,554m2 e 0,271m2 foram extremamente baixos
em comparação com outros trabalhos que também analisaram a vegetação da caatinga,
como no trabalho de (Costa et al. 2009) que, atribuindo critérios de inclusão mais
abrangentes como diâmetro basal maior ou igual a 1 cm e altura maior ou igual 1 m,
obtiveram o menor valor igual a 2,12m2 e o maior de 14,41m2. Situações em que o critério
de inclusão se assemelha ao adotado nesse trabalho, também encontraram valores maiores
(Calixto Júnior & Drumond, 2014; Sabino et al. 2016).
Os valores do Índice de Shannon-Wiener (H´) estão de acordo com o esperado, já
que o maior valor está na área menos perturbada, indicando que há maior riqueza e
uniformidade nessa área, enquanto que o valor na área I é praticamente igual ao de
indivíduos adultos de um ambiente usado para criação de ovinos e bovinos encontrado no
trabalho de Holanda et al (2015).
Na área II foram encontradas 11 espécies e a equabilidade de 0,901, enquanto que
na Área I a riqueza foi de oito espécies e a equabilidade de 0,713 (Tabela 1). Essas
equabilidades podem ser consideradas altas quando comparadas as encontradas por

266
Pereira Júnior et al. (2013) na Fazenda Mocó de Baixo no município de Monteiro, PB,
que fizeram um estudo fitossociológico em uma área de caatinga conservada, visando um
projeto de preservação futuro. Porém, os valores para equabilidade foram semelhantes aos
encontrados por Calixto Júnior e Drumond (2011) que também fizeram comparações
fitossociológicas em dois fragmentos de caatinga com diferentes níveis de conservação
em Petrolina, PE, mostrando que não houve domínio considerável de nenhuma espécie
sobre as outras, indicando, assim, a heterogeneidade dos fragmentos estudados por eles,
ocorrendo o mesmo nas áreas estudadas em Quixadá.

Tabela 1- Parâmetros estruturais das comunidades de caatinga estudadas no Município de Quixadá, CE.
PARÂMETROS ÁREA I ÁREA II
No. de indivíduos 33 48
No. de espécies 8 11
No. de famílias 8 7
Densidade Total 1100 1600
Área Basal Total 0,554 0,271
Volume Total 7,303 1,352
Índice de Shannon-Wiener 1,482 2,161
Equabilidade 0,713 0,901

4. Conclusão
Apesar de a Área I e II fazerem parte de uma área de preservação, as duas
localidades apresentam níveis de perturbação diferentes, e por isso estão em estágios de
recuperação distintos. Por isso, estudos como esse, que podem ajudar na compreensão da
estrutura das comunidades são de extrema importância, contribuindo para conservação
mais eficaz da caatinga.

5. Literatura Citada
Calixto Júnior, J. T.; Drumond, M. A. Estudo comparativo da estrutura fitossociológica
de dois fragmentos de Caatinga em níveis diferentes de conservação. Pesquisa Florestal
Brasileira, Colombo, v. 34, n. 80, p. 1-11, out./dez. 2014.
http://doi.org/10.4336/2014.pfb.34.80.670.
Calixto Júnior, J. T.; Drumond, M. A. Estrutura fitossociológica de um fragmento de
caatinga sensu stricto 30 anos após corte raso, Petrolina-PE, Brasil. Revista Caatinga,
Mossoró, v. 24, n. 2, p. 67-74, 2011.

267
Costa, T. C. C.; Accioly, L. J. O; Oliveira, M. A. J.; Silva, F. H. B. B. Análise da
degradação da caatinga no núcleo de desertificação do Seridó (RN/PB). Revista
Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 13, p. 961–974,
2009. http:// dx.doi.org/10.1590/S1415-43662009000700020.
Drumond, M. A.; Kill, L. H. P.; Nascimento, C. E. S. Inventário e sociabilidade de
espécies arbóreas e arbustivas da Caatinga na região de Petrolina, PE. Brasil Florestal,
Brasília, v. 21, n. 74, p. 37-43, set. 2002.
Holanda, A. C.; Alves, A. R; Dourado, R. G.; Lima, F. T. D.; Silva, B. M. Estrutura da
vegetação em remanescentes de caatinga com diferentes históricos de perturbação em
Cajazeirinhas (PB). Revista Caatinga, Mossoró, v. 28, n. 4, p. 142-150, out./dez. 2015.
http://dx.doi.org/10.1590/1983-21252015v28n416rc.
INSTITUTO DE PESQUISA E ESTRATÉGIA ECONÔMICA DO CEARÁ (IPECE).
Perfil Básico Municipal 2016 Quixadá. Ceará, 2016.
Pereira Júnior, L. R.; Andrade, A. P.; Araújo, K. D. Composição florística e
fitossociológica de um fragmento de caatinga em Monteiro, PB. Revista Holos, Natal, v.
6, n. 8, p. 73-87, 2013. http://doi.org/10.15628/holos.2012.1188.
Ramalho, M. F. J. L. A fragilidade ambiental do Nordeste brasileiro: o clima semiárido e
as imprevisões das grandes estiagens. Revista Sociedade e Território, Natal, v. 25, n. 2,
p. 104-114, Edição Especial, 2013.
Sabino, F. G. S.; Cunha, M. C. L.; Santana, G. M. Estrutura da Vegetação em Dois
Fragmentos de Caatinga Antropizada na Paraíba. Floresta e Ambiente, v. 14, n. 1, p. 26-
37, 2016.

268
Estrutura e conservação de espécies florestais nativas, presentes em
quintais agroflorestais na Caatinga

Lúcia dos Santos Rodrigues1, Jonathan Garcia Silva2, Josias Divino Silva de Lucena³, Henrique
Costa Hermenegildo da Silva 4
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco (lucia.ufal@gmail.com), 2Universidade Federal de
Alagoas (silva.jonathangarcia@gmail.com), 3 Universidade Federal Rural de Pernambuco
(josiaslucenaeng@gmail.com), 4Universidade Federal de Alagoas (hhermenegildo@gmail.com)

RESUMO: Os quintais agroflorestais são áreas de sistema de manejo tradicional que


abrigam plantas nativas da região onde estão localizados. O presente trabalho objetivou
avaliar quintais agroflorestais quanto à conservação de espécies florestais nativas em uma
região de Caatinga no município de Girau do Ponciano – Alagoas. Os dados foram
coletados em quintais agroflorestais no assentamento Dom Hélder Câmara que possui
4493,24 hectares, e está inserido no maior remanescente de Caatinga do estado de
Alagoas. Foram amostrados indivíduos com circunferência ao nível do solo ≥ 9 cm e
altura ≥ 1 m, presentes em 50 parcelas de 200 m2. Os dados foram analisados por meio do
Software Fitopac® 2 para os cálculos dos parâmetros relativos e Valor de Importância.
Registraram-se 5.406 indivíduos pertencentes a 31 espécies agrupadas em 14 famílias. As
famílias mais representativas em número de espécies foram Fabaceae e Euphorbiaceae.
As espécies mais abundantes foram Croton blanchetianus Baill (Marmeleiro), Croton
rhamnifolius (Kunth.) Muell. Arg. (Velame) e Poincianella pyramidalis (Tul.) L.P. Queiroz
(Catingueira). Os quintais agroflorestais mostraram-se importantes para a conservação
da Caatinga, por funcionarem como abrigo de várias espécies nativas.

Palavras chaves: semiárido, conservação, manejo sustentável

1. Introdução
A Caatinga possui uma rica biodiversidade vegetal. Sua cobertura vegetal na região
Nordeste abrange mais de 800.000 Km², o que corresponde a 70% da região (MMA,
2017). Ao longo do tempo, os processos de extrativismo, pecuária extensiva, construção de
barragens e agricultura de subsistência têm causado a perda da biodiversidade vegetal de
plantas da Caatinga, além de provocar erosão e desertificação no ambiente (Souza et al.,
2015).
Na Caatinga, parte das plantas nativas está dentro de quintais agroflorestais, que
são áreas de sistema de manejo tradicional sustentável em que são feitos plantios de
árvores, cultivo de grãos, hortaliças, plantas medicinais, ornamentais e criação de animais,
na mesma unidade de terra e em associação com a vegetação já existente na área (Freitas et
al., 2012).

269
Muitos quintais agroflorestais servem como refúgio para espécies nativas que
muitas vezes estão em perigo ou ameaçadas de extinção em seu ecossistema natural e são
mantidas em quintais para que sejam conservadas. Os quintais agroflorestais podem
fornecer subsídios para composição de iniciativas de produção capazes de conciliar
conservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais e qualidade de vida
dos habitantes do semiárido brasileiro (Carvalho et al., 2013).
Nessa perspectiva, a presente pesquisa objetivou avaliar quintais agroflorestais
quanto à conservação de espécies florestais nativas em uma região de Caatinga no
município de Girau do Ponciano – Alagoas.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi realizada no município de Girau do Ponciano, microrregião de


Arapiraca, região agreste de Alagoas, Nordeste do Brasil, sua população compreende cerca
de 37.858 habitantes. O município abrange uma área total de 502,23 km².
De acordo com a classificação de Köppen (Álvares et al., 2014), o clima da região é
do tipo (As), tropical chuvoso com verão seco, estação chuvosa no outono/inverno, a
temperatura varia de 21 °C a 38 °C, e a pluviosidade média anual é de 686 mm.
A área escolhida no município para a realização da pesquisa foi o Assentamento
Dom Hélder Câmara, com 4.493,24 hectares. É o maior assentamento em extensão
territorial de Alagoas e está inserido no maior remanescente de Caatinga do estado.
Constam no assentamento espaços para desenvolver trabalhos agropecuários, divididos em
287 lotes familiares medindo em média de 08 a 12 ha cada.
Foi realizado um trabalho fitossociológico, em quatro lotes (considerados como
quintais agroflorestais), onde foram instaladas 50 parcelas de dimensão 10 m x 20 m.
Foram registradas todas as plantas lenhosas do interior das parcelas, com pelo menos 9 cm
de circunferência ao nível do solo e 1 m de altura, segundo a proposta de Rodal (2013).
Foram medidas altura e CAP das plantas amostradas.
As plantas foram coletadas para herborização das espécies e as exsicatas foram
encaminhadas ao herbário da Universidade Federal de Alagoas. Para a confirmação do
nome científico das plantas utilizou-se o site do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, tendo
por base o sistema de classificação das angiospermas APG IV (Byng et al., 2016).

270
Os dados foram trabalhados no software de dados estatísticos FITOPAC® 2 para
obtenção dos parâmetros fitossociológicos relativos (Densidade, Dominância e Frequência)
e Valor de Importância (VI).

3. Resultados e Discussão

No levantamento fitossociológico, foram encontrados 5.406 indivíduos


pertencentes a 31 espécies agrupadas em 14 famílias. As famílias mais significativas em
número de espécies foram Fabaceae e Euphorbiaceae, com oito e quatro espécies,
respectivamente. Essas famílias mais representativas também foram registradas no trabalho
de Lemos & Meguro (2015), são famílias de plantas nativas de ambiente de Caatinga.
As espécies mais representativas (Tabela 1) foram Croton blanchetianus Baill com
49,56% do total de plantas amostradas; Croton rhamnifolius (Kunth.) Muell. Arg. com
21,59% da amostra e Poincianella pyramidalis (Tul.) L.P. Queiroz com 10,88% do total da
amostra. Essas espécies são semelhantes às encontradas no trabalho de Oliveira et al.
(2007), realizado em uma região do semiárido pernambucano; as plantas encontradas nos
quintais são nativas da Caatinga, o que demonstra que os quintais são ambientes
interessantes para a conservação de plantas locais.
O valor da Densidade Relativa (DR) de C. blanchetianus correspondeu à metade do
valor da DR de todas as plantas da amostra. Dessa forma, do ponto de vista
fitossociológico, os quintais são uma importante fonte para a conservação dessa espécie.
Bessa & Medeiros (2011) assumiram que C. blanchetianus produz grande quantidade de
sementes, cuja dispersão acontece de forma fácil, tanto no momento da deiscência dos
frutos, quanto posteriormente, através de vetores biológicos.
A espécie P. pyramidalis também foi uma espécie muito bem representada em
número de indivíduos nos quintais. O sucesso dessa espécie pode ser atribuído a sua
característica de pioneirismo, além de ser resistente à seca e ter uma boa capacidade de
competição por luz (Lima, 2014).

Tabela 1 – Lista das famílias e espécies mais representativas na área estudada, onde Nind (Número de
Indivíduos), DR (Densidade Relativa), FR (Frequência Relativa), DR (Dominância Relativa) e VI (Valor de
Importância).
Família/Nome científico Nome local Nind DR FR DR VI
Euphorbiaceae

271
Croton blanchetianus Baill Marmeleiro 2679 49,56 8,25 42,86 100,67
Croton rhamnifolius (Kunth.) Muell. Arg. Velame 1167 21,59 7,73 17,07 46,39
Jatropha molissima (Pohl) Baill. Pinhão-bravo 101 1,87 7,22 0,53 9,62
Fabaceae
Poincianella pyramidalis (Tul.) L.P. Queiroz Catingueira 588 10,88 12,37 18,49 41,73
Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger Espinheiro-branco 278 5,14 11,34 6,85 23,33
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Jurema-preta 70 1,29 4,12 3,76 9,17
Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud Pata-de-vaca 60 1,11 6,44 0,76 8,31

4. Conclusão

Todas as espécies encontradas no estudo são plantas nativas de vegetação de


Caatinga, as mesmas são mantidas nos quintais por seus proprietários. Dessa forma, notou-
se que os quintais agroflorestais estudados são importantes para a conservação da
vegetação local, por abrigarem plantas típicas do ambiente onde estão inseridos que é a
Caatinga.
5. Literatura Citada

Álvares, C. A.; Stape, J. L.; Sentelhas, P. C.; Moraes, J. L.; Gonçalves, J. L. M.; Gerd
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272
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273
Estrutura fitossociológica com grupos ecológicos do componente arbóreo
em um fragmento de floresta ombrófila densa do estado de Pernambuco

Mariana da Silva Leal1, Stheffany Carolina da Silva Lóz2, Clara Andrezza Crisóstomo Bezerra
Costa3, Raquel Elvira Cola4, Andréa de Vasconcelos de Freitas Pinto 5, Carlos Frederico Lins e
Silva Brandão6
1
Graduanda do Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Alagoas
(marianaleal_@hotmail.com), 2Graduanda do Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de
Alagoas (stheffanyloz@gmail.com), 3Graduanda do Centro de Ciências Agrárias, Universidade
Federal de Alagoas (clara.crisostomo@hotmail.com), 4Graduanda do Centro de Ciências Agrárias,
Universidade Federal de Alagoas (raquelelvira@outlook.com), 5Docente do Centro de Ciências
Agrárias, Universidade Federal de Alagoas (andrea.pinto@ceca.ufal.br), 6Docente do Centro de
Ciências Agrárias, Universidade Federal de Alagoas (cflsbrandao@hotmail.com)

RESUMO: Este trabalho teve como objetivo realizar uma análise florística e
fitossociológica do componente arbóreo em um fragmento florestal. Foi realizado um
levantamento do componente arbóreo em uma área de 71 ha no município de Moreno,
localizado na região metropolitana de Recife, Pernambuco. Foram mensurados dados de
15 parcelas sobre os indivíduos arbóreos com circunferência a altura do peito (CAP)≥15
cm, além da mensuração da altura e identificação botânica das espécies. Foi realizado o
levantamento florístico e dos parâmetros fitossociológicos. Os parâmetros
fitossociológicos identificaram como espécies de maior valor de importância, em ordem
decrescente, as seguintes: Tapirira guianensis, Miconia prasina, Protium heptaphyllum,
Schefflera morototoni, Inga edulis e Eschweilera ovata.

Palavras-chave: mata atlântica, fitossociologia, estrutura horizontal, diversidade arbórea

1. Introdução
A cobertura vegetal natural de um determinado território é uma expressão local dos
fatores ambientais como o solo, o clima e a topografia, sendo resultado da adaptação,
interação e evolução das espécies que se instalaram em determinado ambiente (Floriano,
2014).
Neste contexto, a Floresta Atlântica, em particular com fisionomia de ombrófila
densa, é considerada um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, pois abrange um
vasto número de espécies endêmicas e apresenta elevado grau de ameaça aos seus
remanescentes florestais, prejudicando sua riqueza biológica (Guedes, 2016).
Devido a sua importância, é necessária a realização de estudos e levantamentos
fitossociológicos, pois geram dados qualitativos e quantitativos que permitem fazer a
avaliação momentânea da estrutura, do grau de conservação da vegetação e têm como

274
objetivo a descrição das características quantitativas das comunidades vegetais naturais de
maneira sistematizada, abrangendo a composição florística, a estrutura horizontal e vertical
da vegetação, a regeneração natural, as associações e os relacionamentos entre as espécies
e sua distribuição (Negrelle 2016).
Conforme Callegaro et al. (2016) outra forma de conhecer sua estrutura é através da
composição das categorias sucessionais, a partir da classificação das espécies em grupos
ecológicos, ferramenta essencial para o entendimento do funcionamento de uma floresta,
seja para uso no manejo, conservação ou recuperação florestal.
Desta forma, é possível avaliar através de parâmetros fitossociológicos as espécies
e caracterizá-las quanto ao estágio de desenvolvimento, qualidade e produtividade
(Dionisio et al, 2016). Diante do exposto, o objetivo principal deste trabalho foi realizar
um levantamento florístico e fitossociológico com a classificação sucessional do
componente arbóreo em um fragmento florestal no município de Moreno – PE.

2. Material e métodos
Área de estudo
O estudo foi realizado em um fragmento florestal cuja fisionomia é de floresta
ombrófila densa, localizado no município de Moreno, no estado de Pernambuco à
aproximadamente 33 km da capital do estado, Recife. A área municipal ocupa 191,3 km² e
representa 0,19% do estado de Pernambuco (CPRM 2005). O clima da região é tropical
chuvoso, uma temperatura média de 24.5 °C, e tem como índice pluviométrico de 1.271
mm.ano-1 (Climate-Data.Org 2018).
Coleta e análise de dados
Em toda a área estudada (71 ha), foram colocadas 15 parcelas de 10 x 20 m (200
m2) gerando uma área amostral de 3.000 m2. Nas parcelas foram consideradas todas as
árvores mensuráveis com circunferência acima do peito ≥ 15 cm, medido a 1,30 m do solo.
A altura dos indivíduos que se enquadravam no levantamento foi estimada com auxílio de
uma régua graduada em metros (m) e quando não foi possível a utilização desta, houve a
estimativa visual. A identificação botânica procedeu-se in loco para cada uma das árvores
amostradas com auxílio de um especialista.

275
Foram realizados os cálculos dos parâmetros fitossociológicos do componente
arbóreo (Martins, 1993) como densidade, densidade relativa, dominância, dominância
relativa, frequência, frequência relativa e valor de importância (VI), que representa a soma
dos valores relativos dos três parâmetros anteriormente citados (dominância, densidade e
frequência). Para o cálculo dos parâmetros fitossociológicos e também do índice de
diversidade de Shannon, foi utilizado o Microsoft office Excel.
A classificação dos grupos ecológicos foi realizada de acordo com Budowski
(1965), dessa forma as espécies foram distribuídas em: pioneira, secundária inicial,
secundária tardia e clímax.

3. Resultados e discussão
Nas 15 parcelas amostradas, foram encontradas 54 espécies arbóreas, pertencentes a
29 famílias botânicas, entre elas 45 foram identificadas no nível específico, 6 em nível de
gênero, 2 em nível de família e 1 espécie não foi identificada. Em relação aos parâmetros
fitossociológicos encontrados, o presente estudo permitiu a mensuração de 433 indivíduos
gerando uma densidade de 1.443 ind.ha-1, valor acima do que foi encontrado por Lima et
al. (2017), cuja densidade apresentada foi de 609 ind.ha-1 e abaixo dos valores encontrados
nos trabalhos de Oliveira et al. (2013) e Lima et al. (2013), cujas densidades apresentadas
foram respectivamente, 10.853 e 8.160 ind.ha-1. A área basal estimada foi de 13,35 m².ha-1,
valor abaixo do que foi encontrado no trabalho de Lima et al. (2017), com uma área basal
total de 56,53 m².
Em relação a ordem decrescente de valor de importância (VI), segue na figura 1 as
espécies com maior VI do remanescente florestal.
As espécies de maior valor de importância (VI) da área estudada foram
respectivamente, Tapirira guianensis e Miconia prasina. Ambas são espécies pioneiras
com ampla ocorrência podendo ser encontradas na restinga e em diversas formações da
floresta atlântica. São espécies presentes nas bordas de remanescentes florestais e em
médias e grandes clareiras (Lorenzi, 2015).

Figura 1. Seis espécies com maior valor de importância (VI), representado pela soma de densidade (DR),
frequência (FR) e dominância (DoR) relativas, no fragmento florestal de Moreno, em Recife – PE.

276
Schefflera morototoni
DR
Inga edulis Mart.
FR
Eschweilera ovata
DoR
Protium heptaphyllum
Tapirira guianensis
Miconia prasina

0 10 20 30 40 50

O índice de diversidade de Shannon neste estudo foi de 3,34 nats.ind-1, valor acima
dos trabalhos descritos por Lima et al. (2013) e Estigarribia (2017) que encontraram
respectivamente 3,20 e 3,12 nats.ind-1 por hectare, e abaixo dos trabalhos de Oliveira et al.
(2013) e Lima et al. (2017), onde foram encontrados respectivamente 4,00 e 3,45 nats.ind-1
por hectare.
Em relação aos grupos ecológicos das espécies amostradas, 42,59% foram
classificadas como secundárias iniciais, 20,37% secundárias tardias, 18,51% não foram
classificadas, 16,6% pioneiras e 1,85% clímax. Somando as espécies pioneiras e
secundárias iniciais é possível verificar que a área encontra-se em estágio inicial a médio
de sucessão e que juntamente com os parâmetros de densidade e área basal percebe-se que
está em desenvolvimento.

4. Conclusão
Os parâmetros de densidade e dominância (área basal) juntamente com os grupos
ecológicos das espécies arbóreas amostradas demonstra que o fragmento apresenta-se em
estágio inicial a médio de sucessão, dado que houve um grande número de espécies
secundárias iniciais somadas às pioneiras e que o remanescente se encontra em
desenvolvimento.

5. Literatura Citada
Budowski, G. Distribution of tropical American rain forest species in the light of
sucessional precesses. Turrialba, San José, v.15, n.1, p. 40-42, 1965.
Callegaro et al. R. M. Composição das categorias sucessionais na estrutura horizontal,
vertical e diamétrica de uma Floresta Ombrófla Mista Montana. Agrária, Recife, v.11, n.4,
p.350-358, 2016. https://doi.org/10.5039/agraria.v11i4a5406.

277
Climate-data.org. Clima: Moreno. https:/pt.climate-data.org/location43135. 02 de abril de
2018.
CPRM. Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea. Diagnóstico do
município de Moreno, estado de Pernambuco. Recife, v. 1, n. 1, 2005. 11p.
Dionisio, L. F. S.; Bonfim Filho, O. S.; Crivelli, B. R. S.; Gomes, J. O. P. Importância
fitossociológica de um fragmento de floresta ombrófila densa no estado de Roraima,
Brasil. Revista Agro@mbiente online, v. 10, n. 3, 2016. p. 243-252.
Estigarribia, F. Regeneração natural em fragmento florestal do refúgio de vida silvestre
Mata de Miritiba, Abreu e Lima, Pernambuco. Dissertação - Universidade Federal Rural de
Pernambuco, 2017.
Floriano, E. P. Fitossociologia florestal. Rio Grande do Sul: São Gabriel, ed. 1, 2014.
136p.
Guedes, J.; Krupek, R. A. Florística e fitossociologia do componente arbóreo de um
fragmento de floresta ombrófila densa do estado de São Paulo. Revista Acta Biológica
Catarinense, Joinville – SC, Unville, v. 3, n. 1, 2016. p. 12-24.
http://dx.doi.org/10.21726/abc.v3i1.184.
Lima et al. R. B. A. Potencial regenerativo de espécies arbóreas em fragmento de Mata
Atlântica, Pernambuco, Brasil. Revista Verde, Pombal, v. 12, n.4, p.666-673, out.-dez.,
2017. https://doi.org/10.18378/rvads.v12i4.5002.
Lima, Rosival Barros de Andrade et al. Estrutura fitossociológica e diamétrica de um
fragmento de mata atlântica, Pernambuco, Brasil. Desafios, [S.l.], v. 4, n. 4, p. 143-153,
dez. 2017. https://doi.org/10.20873/uft.2359-3652.2017v4n4p143.
Lorenzi, H. Árvores Brasileiras: Manuel de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas
Nativas do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, ed. 7, 2016. 384p.
Martins, F. R. Estrutura de uma floresta mesófila. Campinas: UNICAMP, 1993. 245p.
Negrelle, Raquel Rejane Bonato. Composição e estrutura do componente arbóreo de Mata
com Acuri no Pantanal Matogrossense, Brasil. Revista Ciência Florestal. V.26 n.2, 2016.
http://dx.doi.org/10.5902/1980509822759.
Oliveira, L.; Marangon, L.; Feliciano, A.; O. Cardoso, M.; de Lima, A.; J. B. de
Albuquerque, M. Fitossociologia da regeneração natural de uma Floresta Ombrófila densa

278
em Moreno, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, 2013. pp.119-
124. http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=119025752011. 05 Abr. 2018.

279
Estágio sucessional de um fragmento de Mata Atlântica na Paraíba de
acordo com a Resolução CONAMA 391/2007

Tamires L. de Lima 1*, Regis V. Longhi2, Andréa de V. F. Pinto2


1
Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte
(tamires_leal22@hotmail.com), 2 Universidade Federal de Alagoas (regis.longhi@icbs.ufal.br;
andrea.pinto@ceca.ufal.br)

RESUMO: Os parâmetros empregados na definição dos estágios sucessionais encontram-


se descritos em resoluções específicas para cada estado, sendo que a resolução CONAMA
391/2007 é própria para as florestas atlânticas da Paraíba. Este estudo objetivou
caracterizar a vegetação e verificar a aplicação dos critérios quantitativos e qualitativos
da Resolução CONAMA 391/2007 na definição do estágio sucessional de um fragmento de
Floresta Ombrófila Densa no município de Pedras de Fogo/PB. Em uma área de 5,25
hectares foram alocadas de forma aleatória 13 parcelas com dimensão de 10 x 20 metros
cada, sendo mensurados os indivíduos com CAP≥10 cm, a altura total, além da
identificação botânica de cada indivíduo. Foram encontradas 20 espécies e uma densidade
de 1273 ind.ha-1, onde 92% constitui-se de espécies pioneira e secundária inicial. Os
indicadores dendrométricos mostram que a vegetação em estudo está em estágio
secundário médio de regeneração, porém, os indicadores qualitativos da CONAMA
391/2007 apresentaram subjetividade quando da avaliação da espessura da camada da
serrapilheira, presença de epífitas e trepadeiras, além das espécies indicadoras.

Palavras-chave: legislação ambiental, floresta ombrófila densa, floresta secundária.

1. Introdução
A correta classificação dos estágios sucessionais das florestas da Mata Atlântica
possui inferência direta na possibilidade ou restrição de uso da terra, uma vez que é
utilizada por órgãos ambientais como parâmetro balizador para o licenciamento de
atividades impactantes. Para o Estado da Paraíba, a resolução CONAMA 391/2017 é a que
define a vegetação primária e secundária nos estágios inicial, médio e avançado de
regeneração. Entretanto, a falta de uma normatização padronizada da amostragem
compromete os valores limites das variáveis estabelecidas para diferenciar os estágios de
regeneração (Siminisk et al., 2013; Andreacci & Marenzi, 2017)
Além dos parâmetros quantitativos (área basal, DAP médio, altura média) e
espécies indicadoras, a CONAMA 391/2017 apresenta também parâmetros qualitativos
como características da comunidade de epífitas, trepadeiras, da serapilheira e do sub-
bosque da floresta, sendo estes subjetivos se considerar que para adjetivos como “finos”,

280
“abundantes”, “expressivos” e outros descritos na Resolução, não há uma definição
padronizada, dendrométrica, que garanta que pessoas distintas ao mensurar uma
determinada vegetação encontre os mesmos dados levantados por outro pesquisador.
Diante do exposto, a presente pesquisa possui como objetivo principal realizar um
estudo de caso em um fragmento de Floresta Ombrófila Densa na Paraíba, com intuito de
caracterizar quali-quantitativamente a comunidade e, assim, verificar a eficiência da
aplicação dos parâmetros indicadores na classificação de seu estágio sucessional.

2. Material e Métodos
O estudo foi conduzido em um fragmento de Floresta Ombrófila Densa, localizada
no município de Pedras de Fogo, PB. O clima da região, segundo a classificação de
Köppen, é do tipo As, tropical com estação seca de verão, apresentando temperatura média
de 25,4ºC e precipitação anual de 1436 mm (Alvares et al., 2013).
No fragmento florestal com área de 5,25 hectares foram alocadas de forma aleatória
13 parcelas de 10 x 20 m (200 m²) cada, perfazendo uma área amostral de 2600 m². Os
indivíduos arbóreos com circunferência à altura do peito (CAP) ≥ 10cm presentes no
interior da parcela foram identificados botanicamente e mensuradas a CAP e altura total.
As espécies indicadoras ocorrentes no local foram determinadas de acordo com as espécies
de maior valor de importância na estrutura horizontal da comunidade. Além disso, cada
espécie foi classificada de acordo com seu grupo sucessional, tendo como base os trabalhos
desenvolvidos por Brandão et al. (2009) e Lima et al. (2017). A camada de serapilheira foi
medida com uma régua em 2 pontos aleatórios no interior de cada parcela. A presença de
sub-bosque, trepadeiras e epífitas foi avaliada por observação visual. Todas as variáveis
foram confrontadas com os parâmetros indicadores da Resolução CONAMA 391/2007
para avaliar as possíveis subjetividades na classificação do estágio sucessional do
fragmento. Os dados foram processados com auxílio do software Mata Nativa 2 e planilha
eletrônica do Microsoft Excel 2010 ®.

3. Resultados e Discussão
O fragmento florestal em estudo apresentou a ocorrência de 20 espécies,
pertencentes a 16 famílias botânicas. As espécies Xylopia frutescens, Tapirira guianensis,
Byrsonima sericea e Schefflera morototoni foram consideradas as espécies indicadoras do

281
estágio sucessional da comunidade, pois apresentaram maior valor de importância, juntas
somando 76,9% do VI (Tabela1). Constatou-se que 92% dos indivíduos amostrados
pertencem a espécies pioneiras e secundária inicial, e apenas 8% (25 indivíduos)
classificadas como espécies do grupo ecológico secundária tardia. Considerando a
Resolução CONAMA 391/2007, a predominância de indivíduos de espécies pioneiras é um
indicador de vegetação secundária em estágio inicial de regeneração, podendo tal
inferência ser considerada também para as espécies secundárias iniciais, uma vez que
possuem características semelhantes. Além disso, as espécies indicadoras encontradas no
presente constam todas no estágio inicial de regeneração (Tabela 2).

TABELA 1. Parâmetros da Estrutura Horizontal dos indivíduos ocorrentes em um remanescente de Floresta


Ombrófila Densa, localizado no município de Pedras de Fogo/PB, considerando espécies com VI > 2%.
DA DR FR DoA DoR VI
Nome Científico GE
(n/ha) % % (m²/ha) % %
Xylopia frutescens Aubl. Si 588,5 46,2 16,5 4,70 34,6 32,4
Tapirira guianensis Aubl. Si 153,9 12,1 11,4 4,92 36,2 19,9
Byrsonima sericea DC. Si 161,5 12,7 15,2 1,54 11,3 13,1
Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. P 176,9 13,9 15,2 0,72 5,3 11,5
Cecropia pachystachya Trécul P 34,6 2,7 6,33 0,79 5,84 4,96
Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. Si 34,6 2,7 6,33 0,63 4,63 4,56
Nectandra cuspidata Nees St 23,1 1,8 6,33 0,05 0,39 2,84
Aspidosperma sp. St 38,5 3,0 3,8 0,06 0,44 2,42
Demais espécies (13) 2P;5Si;6St 61,6 4,8 19,0 0,18 1,36 8,39
TOTAL 1273 100 100 13,59 100 100
Em que: GE = grupo ecológico; Si = secundária inicial; St = secundária tardia; P = pioneira; DA = densidade
absoluta; DR = densidade relativa; FR = Frequência relativa; DoA = dominância absoluta; DoR =
dominância relativa; VI = valor de importância.

Em relação aos parâmetros dendrométricos do fragmento foi observada uma


densidade de 1273 ind.ha-1 e área basal de 13,59 m².ha-1 (Tabela 1). Os valores obtidos do
diâmetro médio (9,8 cm) e altura média (8,0 m) indicam estágio médio de regeneração
(Tabela 2). O erro amostral para a média volumétrica foi de 13,73% com α = 0,05.

TABELA 2. Classificação conforme os parâmetros que definem o estágio sucessional da vegetação


secundária da Mata Atlântica na Paraíba (CONAMA 391/2007, Art. 2°).
Estágio inicial de regeneração Estágio médio de regeneração Estágio avançado de
(Inciso I) (Inciso II) regeneração (Inciso III)
- Fisionomia herbáceo/arbustiva de porte - Fisionomia arbórea e/ou arbustiva - Fisionomia arbórea dominante
baixo, altura máxima de 5 (cinco) metros, predominando sobre a herbácea, sobre as demais, formando dossel
podendo ocorrer árvores adultas podendo constituir estratos fechado e relativamente uniforme no
remanescentes; diferenciados com altura de 5 (cinco) a porte, podendo apresentar árvores

282
15 (quinze) metros emergentes com altura total superior
a 15 (quinze) metros
- Espécies lenhosas com distribuição
diamétrica de pequena amplitude; com
- Distribuição diamétrica apresentando - Distribuição diamétrica de grande
Diâmetro à Altura do Peito - DAP médio
amplitude moderada com DAP médio amplitude, com DAP médio superior
inferior a 8 (oito) cm, podendo ocorrer
de 8 (oito) a 15 (quinze) centímetros a 15 (quinze) centímetros
árvores isoladas remanescentes, com DAP
médio superior ao citado;
- Epífitas, se existentes, são representadas - Tendência de aparecimento de
- Epífitas presentes em grande
principalmente por líquens, briófitas, epífitas vasculares com maior nº de
número de espécies e com grande
pteridófitas e bromeliáceas, com baixa indivíduos e espécies em relação ao
abundância
diversidade estágio inicial
- Diversidade biológica variável com poucas
- Cobertura arbórea fechada, com
espécies arbóreas, podendo apresentar - Copas superiores horizontalmente
ocorrência eventual de indivíduos
plântulas de espécies características de amplas
emergentes
outros estágios
- Trepadeiras, se presentes, sendo - Trepadeiras, quando presentes, são
- Trepadeiras geralmente lenhosas
geralmente herbáceas predominantemente lenhosas
- Serrapilheira, quando existente, formando - Serrapilheira presente, variando de
camada fina pouco decomposta, contínua ou espessura de acordo com as estações do - Serrapilheira abundante
não ano
- Maior diversidade de espécies - Eventual ocorrência de espécies
- Espécies pioneiras abundantes
lenhosas em relação ao estágio inicial dominantes

- Sub-bosque normalmente menos


- Ausência de sub-bosque - Sub-bosque presente
expressivo do que no estágio médio

- Área basal de 4 (quatro) a 14


- Área basal de até 4 (quatro) metros - Área basal acima de 14 (quatorze)
(quatorze) metros quadrados por
quadrados por hectare metros quadrados por hectare
hectare
- Composição florística representada
- Composição florística representada
pelas seguintes espécies indicadoras:
pelas seguintes espécies indicadoras:
Parkia pendula; Virola gardneri;
Bowdichia virgilioides; Sclerolobium
- Composição florística representada pelas Ficus spp.; Sloanea obtusifolia;
densiflorum; Tapirira guianensis;
seguintes espécies indicadoras: Cecropia Bowdichia virgilioides; Caraipa
Sloanea obtusifolia; Caraipa
spp.; Stryphnodendron pulcherrimum; densifolia; Manilkara salzmannii;
densifolia; Eschweilera luschnathii;
Byrsonima sericea; Schefflera morototoni; Simarouba amara; Schefflera
Inga spp.; Schefflera morototoni;
Cupania revoluta; Xylopia frutescens; morototoni; Tabebuia sp.; Ocotea
Protium heptaphyllum; Heliconia
Guazuma ulmifolia; Trema micrantha; spp.; Plathymenia foliolosa; Licania
angusta; Lasiacis divaricata; Costus
Tapirira guianensis; Mimosa bimucronata; kunthiana; Sclerolobium
arabicus; Guapira spp.; Apuleia
Scleria bracteata; Heliconia angusta; densiflorum; Protium heptaphyllum;
leiocarpa; Byrsonima sericea; Pera
Cnidoscolus urens Pterocarpus rohrii; Aspidosperma
glabrata; Manilkara salzmannii;
sp.; Dipterys alata; Eriotheca
Pogonophora schomburkiana; Couepia
gracilipes; Hymenaea spp.; Pera
spp., Hymenaea spp.
glabrata; Tapirira guianensis.

Quanto a serapilheira, o estudo apresentou camada variando de 0-11 cm nos pontos


avaliados, não sendo possível realizar uma avaliação precisa pela resolução CONAMA
391/2007, uma vez que para os pontos relativos à camada da serapilheira, classificados
como fina, variando a espessura ou abundante, seria necessário um parâmetro norteador
exato devido sua subjetividade. O mesmo ocorre com os parâmetros relativos à presença e
ausência de sub-bosque, em que para estágio avançado de regeneração há uma comparação
com o sub-bosque presente no estágio médio (não definido), presença de epífitas
comparando a ocorrência do estágio médio com o inicial e a presença de trepadeiras, em

283
que há parâmetros iguais mencionados para os estágios médio e avançado, diferindo
apenas nos adjetivos “geralmente” e “predominantemente”, permitindo assim a influência
do profissional ou pesquisador quando da aplicação da Resolução CONAMA 391/2007.

4. Considerações Finais
A aplicação da Resolução CONAMA 391/2007 mostrou-se eficiente quanto aos
parâmetros dendrométricos da vegetação, indicando estágio médio de regeneração, porém, as
espécies indicadoras do fragmento estudado, apontam para estágio inicial de regeneração. Os
demais parâmetros de presença de epífitas, trepadeiras e camada de serrapilheira mostraram-
se subjetivos para a correta classificação, dificultando a sua aplicação eficiente quando da
autorização para supressão de vegetação nativa por parte de órgãos ambientais que utilizam a
mesma como referência.

5. Literatura citada

Alvares, C.A.; Stape, J.L.; Sentelhas, P.C.; Gonçalves, J.L.M.; Sparovek, G. Köppen’s
climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, p. 711-728,
2013. http://dx.doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507

Andreacci, F.; Marenzi, R. C. Avaliação da aplicação da Resolução CONAMA 04/94 na


definição dos estágios sucessionais de fragmentos florestais da Floresta Ombróila Densa de
Santa Catarina. Biotemas, v. 30, n. 4, p. 117-128, 2017. http://dx.doi.org/10.5007/2175-
7925.2017v30n4p117

Brandão, C.F.L.S.; Marangon, L.C.; Ferreira, R.L.C.; Lins e Silva, A.C.B. Estrutura
fitossociológica e classificação sucessional do componente arbóreo em um fragmento de
Floresta Atlântica em Igarassu-Pernambuco. Agrária, v. 4, n. 1, p. 55-61, 2009.
http://dx.doi.org/10.5039/agraria.v4i1a9

Lima, R.B.A.; Marangon, L.C.; Freire, F.J.; Feliciano, A.L.P.; Silva, R.K.S. Potencial
regenerativo de espécies arbóreas em fragmento de Mata Atlântica, Pernambuco, Brasil.
Revista Verde, v. 12, n. 4, p. 666-673, 2017. http://dx.doi.org/10.18378/rvads.v12i4.5002

Siminski, A.; Fantini, A.C.; Reis, M.S. Classificação da vegetação secundária em estágios
de regeneração da Mata Atlântica em Santa Catarina. Ciência Florestal, v. 23, n. 3, p. 369-
378, 2013. http://dx.doi.org/10.5902/1980509810548

284
Etnoconhecimento de plantas medicinais em uma comunidade no vale do
rio Araguari, Amazônia oriental

Adriano Castelo dos Santos1, Luiz Leno da Costa de Moraes2, João da Luz Freitas 3 João Ramos de
Matos Filho4, Raullyan Borja Lima e Silva 5, César Henrique Alves Borges 6
1
Instituto Estadual de Florestas do Amapá (adrianocasteloeng@gmail.com) 2Universidade do
Estado do Amapá (lenomoraes2009@hotmail.com) 3Instituto de Pesquisas Científicas e
Tecnológicas do Estado do Amapá (joao.freitas@iepa.ap.gov.br) 4Universidade do Estado do
Amapá (joaoramos_jr@hotmail.com) 5Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado
do Amapá (raullyan.silva@uol.com.br) 6Universidade Federal Rural de Pernambuco
(cesarhenrique27@yahoo.com.br)

RESUMO: A Amazônia possui muitas espécies vegetais com potencial para uso medicinal
e um vasto conhecimento tradicional acumulado ao longo dos anos pelos povos
tradicionais que habitam a região. O objetivo deste estudo foi documentar as principais
espécies utilizadas por uma comunidade que teve sua área alagada pelo reservatório
de uma hidrelétrica na região do vale do rio Araguari, Amapá, Brasil. Para a coleta de
dados utilizou-se entrevista estruturada e observação participante. Foram encontradas
48 espécies com indicativo de uso medicinal, distribuídas em 31 famílias botânicas.

Palavras-chave: etnobotânica, comunidades rurais, etnoespécie, hidrelétricas

1. Introdução
O uso de etnoespécies pela população mundial tem sido muito significativo nos
últimos anos (Ribeiro et al., 2017). O papel elementar desempenhado pelas árvores parece
evidente através dos etnoconhecimentos, na utilização de produtos florestais não
madeireiros (PFNMs) como alimentos, medicamentos, fibras, combustíveis, alimentação
animal e seu valor cultural e espiritual (Dawson et al., 2014). Esses saberes são de grande
importância para o uso e a conservação das espécies florestais.
No município de Ferreira Gomes, Amapá, a comunidade São Tomé possuía essa
interação histórica de conhecimento e uso de plantas para a cura e/ou prevenção de
doenças e devido à construção das hidrelétricas Cachoeira Caldeirão e Ferreira Gomes
Energia a área física da comunidade foi alagada e os moradores remanejados. Assim, o
objetivo do trabalho foi documentar os conhecimentos tradicionais relativos ao uso de
plantas medicinais pelos moradores da comunidade.

285
2. Material e Métodos
2.1 Área de estudo
O estudo foi realizado na área onde localizava-se a comunidade São Tomé, no
município de Ferreira Gomes, Amapá, margem esquerda do rio Araguari, entre as
coordenadas N 00 49'31,1'' e W 051 18'33,6''. A vegetação da área é composta por floresta
densa de terra firme, floresta densa aluvial, campos e cerrado.
2.2 Coleta de dados
Realizou-se um levantamento das unidades domiciliares no período de maio a
outubro de 2014, por meio de entrevistas estruturadas e observação participante. Foram
entrevistadas 15 famílias com idades que variaram de 25 a 69 anos, sendo considerados
especialistas locais, onde utilizou-se como metodologia a técnica da “bola de neve”
(Bailey, 1994).

3. Resultados e Discussão
Catalogou-se junto aos entrevistados, por meio de questionários, 48 espécies,
distribuídas em 31 famílias, destacando as famílias Fabaceae e Lamiaceae (Tabela 1).
A partir do estudo na comunidade, foram indicadas 48 espécies de plantas
utilizadas pelos moradores como medicinais.

TABELA 1. Lista de plantas medicinais utilizadas na comunidade São Tomé, município de Ferreira Gomes,
Amapá.

Família / Nome Científico Etnoespécie


AMARANTHACEAE
Chenopodium ambrosioides L. Mastruz
ANACARDIACEAE
Mangifera indica L. Mangueira
Spondias mombin L. Taperebazeiro
APOCYNACEAE
Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll.Arg.) Woodson Sucuúbeira
Parahancornia amapa (Huber) Ducke Amapazeiro amargo
ARACEAE
Caladium lindenii (André) Madison Brasileirinho
ASTERACEAE
Galinsoga parviflora Cav. Picão
Spilanthes oleracea L. Jambú
Vernonia condensata Baker Boldo
BIGNONIACEAE

286
Anemopaegma arvense (Vell.) Stellfeld ex De Souza Catuaba
Arrabidaea chica (Bonpl.) Verl. Pariri
Tabebuia sp. Ipê
CARICACEAE
Carica papaya L. Mamoeiro
COSTACEAE
Costus spicatus (Jacq.) Sw. Canaficha
CRASSULACEAE
Bryophyllum calycinum Salisb. Pirarucú
CRYSOBALANACEAE
Licania macrophylla Benth Anoerá
EUPHORBIACEAE
Pedilanthus tithymaloides (L.) Poit. Coramina
FABACEAE
Dalbergia monetaria L. f. Verônica
Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Cumarú
Hymenaea courbaril L. Jatobá
Hymenaea sp. Jutaí
Pentaclethra macroloba (Willd.) Kuntze Pracaxizeiro
LAMIACEAE
Aeollanthus suaveolens Mart. ex Spreng. Catinga-de-mulata
Mentha pulegium L. Hortelanzinho
Ocimum minimum L. Manjericão
Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. Hortelã
LAURACEAE
Cinnamomum zeylanicum Blume Caneleira
MALVACEAE
Scleronema micranthum Ducke Cedrinho
MELIACEAE
Carapa guianensis Aubl. Andirobeira
MYRTACEAE
Psidium guajava L. Goiabeira
OCHNACEAE
Ouratea hexasperma (A. St.-Hil.) Baill. Barbatimão
OLACACEAE
Ptychopetalum olacoides Benth. Marapuamba
OXALIDACEAE
Averrhoa bilimbi L. Limão Caiena
PEDALIACEAE
Sesamum indicum L. Gergilim
PHYTOLACCACEAE
Petiveria alliacea L. Mucuracaá

287
PIPERACEAE
Piper callosum Ruiz & Pav. Elixir paregórico
PLANTAGINACEAE
Plantago major L. Tanchagem
POACEAE
Cymbopogon citratus (DC.) Stapf Capim marinho/Capim santo
PORTULACACEAE
Portulaca pilosa L. Amor crescido
RUBIACEAE
Morinda citrifolia L. Noni
Uncaria tomentosa (Willd. ex Roem. & Schult.) DC. Unha-de-gato
RUTACEAE
Ruta graveolens L. Arruda
SIMAROUBACEAE
Quassia amara L. Quina
STYRACACEAE
Styrax argenteus C. Presl Esturaque
VERBENACEAE
Lippia alba (Mill.) N.E. Br. ex Britton & P. Wilson Erva Cidreira/cidreira

Na Amazônia, algumas espécies florestais apresentam diversos usos e elevado


potencial para exploração, por exemplo, a utilização do óleo da Carapa guianensis,
andirobeira (Sist et al., 2014) e o pracaxizeiro (Pentaclethra macroloba), cuja casca é
bastante utilizada pelos povos da floresta em tratamentos de doenças (Dantas, 2013).
Cada local ou região possui um conjunto de rituais específicos e de manejo na
utilização de etnoespécies que são transmitidos ao longo de gerações (Albuquerque et al.,
2012; Oliveira et al., 2015; Ribeiro et al., 2016). Lima et al. (2013) ressaltam que o
reconhecimento dos saberes tradicionais deve ser considerado em ações de valorização do
patrimônio cultural local.

3. Considerações Finais
Em São Tomé constatou-se que sua população, embora pequena, possuía acesso e
conhecimento a uma ampla variedade de plantas medicinais relacionadas à cura e/ou
prevenção de enfermidades que acometiam seus habitantes e que de forma irreversível se
perdeu em função dos reservatórios das hidrelétricas instaladas na região.

Literatura Citada

288
Albuquerque, U.P.; Ramos, M.A.; Melo, J.G. New strategies for drug discovery in tropical
forests based on ethnobotanical and chemical ecological studies. Journal of
Ethnopharmacology, v. 140, p. 197-201, 2012. https://doi.org/10.1016/j.jep.2011.12.042

Bailey, K. Methods of social reserch. 4th ed. New York: The Free Press, 1994. 588p.

Dantas, A. R. Dinâmica populacional de Pentaclethra macroloba (Willd) Kuntze, em


floresta de várzea do estuário amazônico. 2015. 80f. Dissertação. (Programa de Pós-
graduação em Ciências Florestais) Universidade Federal Rural de Pernambuco.
http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/139883/1/CPAF-AP-2015-
Dissertacao-Dinamica-e-distribuicao-espacial.pdf

Dawson, C.I.K.; Leakey, R.; Clement, C.R.; Weber, J.C.; Cornelius, J.P.; Roshetko, J. M.;
Vinceti, B.; Kalinganire, A.; Tchoundjeu, Z.; Masters, E.; Jamnadass, R. The management
of tree genetic resources and the livelihoods of rural communities in the tropics: Non-
timber forest products, smallholder agroforestry practices and tree commodity. Forest
Ecology and Management, v. 333, p. 9-21, 2014.
https://doi.org/10.1016/j.foreco.2014.01.021

Lima, P.G.C.; Silva, R.O.; Coelho-Ferreira, M.R.; Pereira, J.L.G. Agrobiodiversidade e


etnoconhecimento na Gleba Nova Olinda I, Pará: interações sociais e compartilhamento de
germoplasma da mandioca (Manihot esculenta Crantz, Euphorbiaceae) Bol. Mus. Para.
Emílio Goeldi. Cienc. Hum., v. 8, n. 2, p. 419-433, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S1981-
81222013000200012

Oliveira, D.R.; Krettli, A.U.; Aguiar, A.C.C.; Leitão, G.G.; Vieira, M.N.; Martins, K.S.;
Leitão, S.G. Ethnopharmacological evaluation of medicinal plants used against malaria by
quilombola communities from Oriximiná, Brazil. Journal of Ethnopharmacology, v. 173, p.
424-434, 2015. doi:10.1016/j.jep.2015.07.035

Ribeiro, R.V.R.; Bieski, I.G.C.; Balogun, S.O.; Martins, D.T.O. Ethnobotanical study of
medicinal plants used by Ribeirinhos in the North Araguaia microregion, Mato Grosso,
Brazil. Journal of Ethnopharmacology, v. 205, p. 69-102, 2017. doi:10.1016 /
j.jep.2017.04.023

Ribeiro, S.C.; Melo, N.D.P.; Barros, A.B. Etnoconhecimento de pequenos agricultores


tradicionais sobre plantas medicinais no tratamento de dores provocadas pelo trabalho.
Cad. Ter. Ocup. UFSCar, v. 24, n. 3, p. 563-574, 2016.http://dx.doi.org/10.4322/0104-
4931.ctoAO1249

Sist, P.; Sablayrolles, P.; Barthelon, S.; Sousa-Ota, L.; Kibler, J.F.; Ruschel, A.; Santos,
M.M.; Ezzine-De-Blas, D. The Contribution of Multiple Use Forest Management to Small
Farmers Annual Incomes in the Eastern Amazon. Forests, v. 5, p. 1508-1531, 2014.
doi:10.3390/f5071508

289
Evolução da cobertura florestal da bacia do Rio São Francisco no estado de
Sergipe

Breno Correia Cruz Santos1, Janaína Costa Chaves Silva 1, Cassandra Mendonça de
Oliveira 1, Alisson de Santana Silva 1, Milton Marques Fernandes 1
1
Universidade Federal de Sergipe (brenobfloresta@hotmail.com, nanna.cct@hotmail.com,
cassandramoliveira@gmail.com, alisson.santanasilva@hotmail.com, miltonmf@gmail.com)

RESUMO: O objetivo deste trabalho foi avaliar a dinâmica da cobertura florestal da


porção da bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe. Foram utilizadas imagens
Landsat dos anos 1992, 2003 e 2013 para levantar os dados de cobertura florestal para
cada ano. Entre os anos de 1992 a 2003 houve um aumento na cobertura florestal na
bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe, entretanto de 2003 a 2013 ocorreu
intenso desmatamento da Caatinga e conversão em áreas de regeneração. Baseado nos
resultados considera-se que o estado de Sergipe necessita de políticas públicas para a
redução do desmatamento e reflorestamento da porção da bacia do Rio São Francisco,
haja vista a importância da cobertura florestal na geração de serviços ecossistêmicos na
qualidade e quantidade de água do Rio São Francisco.

Palavras-chave: uso da terra, desmatamento, Caatinga

1. Introdução
A bacia do Rio São Francisco estende-se pelos estados de Minas Gerais, Bahia,
Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Goiás e o Distrito Federal, inseridos nas regiões Nordeste,
Sudeste e Centro-Oeste com área total de 619.543,94 km² (CODEVASF, 2011).

A caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, ocupa uma área de aproximadamente


850 mil km², equivalentes a 10% do território nacional, em Sergipe, a região semiárida é
marcada pela degradação da cobertura florestal e é inevitável deixar de relacioná-la com os
modos de produção predominante. Desse modo, destacam-se: (i) a disseminação de
práticas agrícolas inadequadas; (ii) o pastoreio excessivo; (iii) o desmatamento; (iv) a
destruição de áreas com vegetação nativa. (v) o desaparecimento de muitas espécies
animais e vegetais, colocando-se em questão a própria capacidade de uso da terra e dos
recursos para a manutenção das atividades produtivas e para a garantia de serviços
ecossistêmicos (SERGIPE, 2014).
Apesar disso, ainda há escassez de estudos sobre as alterações no uso e na cobertura
da terra na região semiárida de Sergipe. Dessa forma, é de suma importância estudos

290
voltados para essa região buscando avaliar a situação da cobertura vegetal, de forma a
produzir base científica para subsidiar o entendimento dos processos de desmatamento e a
definição de políticas públicas e de diretrizes para o uso sustentável do bioma Caatinga
nesse Estado (FERNANDES et al., 2015).
O objetivo deste trabalho foi avaliar a dinâmica da cobertura florestal da porção da
bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe.

2. Material e Métodos
A área de estudo compreende a porção do estado de Sergipe inserida na bacia do
Rio São Francisco. O clima da região é semiárido do tipo Bsh segundo a classificação de
Koppen, com baixa incidência pluviométrica, que varia entre 250 e 900 mm. ano-¹.

Foram adquiridas imagens do satélite Landsat-5 dos anos de 1992 a 2003 e do


satélite Landsat-8 do ano 2013, com resolução espacial de 30 m. As imagens foram
submetidas à classificação supervisionada por máxima verossimilhança no Quantuis, sendo
classificadas em dois tipos: Caatinga e Regeneração (áreas de Caatinga aberta que
sofreram alguma degradação e estão em processo de regeneração natural).

Para cada ano (1992, 2003 e 2013) as imagens classificadas foram processadas no
QuantumGis e convertidas para formato vetorial. Os mapas vetoriais foram editados como
mapa temático para quantificação das classes temáticas (Caatinga e regeneração natural).

A análise da dinâmica temporal da cobertura florestal remanescente foi realizada a


partir dos mapas de uso da terra gerados. Foram estimados as classes de Caatinga e
regeneração natural em três períodos: (I) 1992 a 2003, (II) 1992 a 2003 e (III) 1992 a 2013.

3. Resultados e Discussão
No ano de 1992 a bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe apresentou
255999,00 ha para Caatinga e de 3122,00 ha para regeneração (Figura 1).

291
Figura 1. Mapa da cobertura florestal da bacia do Rio São Francisco de Sergipe do ano de 1992.

Em relação ao ano de 2003 a Caatinga inserida na bacia do Rio São Francisco em


Sergipe obteve um total de 311.285,3401 ha e para regeneração 27.369,2386 ha. Em
comparação ao ano de 1992, observa-se que no ano de 2003 houve um aumento de
55.286,34 ha de Caatinga e de 24.247,28 ha de regeneração (Figura 2).

Figura 2. Mapa da cobertura florestal da bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe do ano de 2003.

A porção da bacia do Rio São Francisco inserida no estado de Sergipe para o ano de
2013 apresentou 120.685,59 ha de Caatinga e a regeneração obteve um total de 66.156,39

292
ha (Figura 3). Houve um processo acelerado de desmatamento da Caatinga entre os anos
de 2003 a 2013, com um desmatamento de 190.599,80 ha, superando o valor remanescente
de Caatinga de 2013. Observa-se que ocorreu um aumento nas áreas de regeneração entre
2003 a 2013 num valor de 38.787,2 ha, sendo este aumento provavelmente devido ao
desmatamento da Caatinga ocorrido neste período surgindo novas áreas de regeneração.

Figura 3. Mapa da cobertura florestal da bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe no ano de 2013.

Analisando-se todo o período (1992 a 2003) observa-se que houve um intenso


desmatamento da Caatinga de Sergipe inserida na bacia do Rio São Francisco resultando
em 135.313,4 ha de Caatinga desmatada. As áreas de regeneração apresentaram um
aumento de 63.034,4 ha, o que está relacionado ao intenso desmatamento das áreas de
Caatinga e abandono dessas áreas. Fernandes et al. (2015), avaliando o desmatamento da
região semiárida de Sergipe observaram que a conversão de Caatinga em pastagens tem
sido a principal causa do desmatamento da Caatinga de Sergipe nos últimos 21 anos.

4. Conclusão
No primeiro ano de análise, 1992, a bacia do Rio São Francisco no estado de
Sergipe apresentou maior área de Caatinga comparada a regeneração. Entre os anos de
1992 a 2003 houve um aumento na cobertura florestal de fragmentos de regeneração
mesmo com maior área de caatinga na bacia do Rio São Francisco no estado de Sergipe.
Entretanto de 2003 a 2013 ocorreu intenso desmatamento da Caatinga e conversão
em áreas de regeneração, aumento da fragmentação e alteração na dinâmica do uso e
ocupação.

293
Baseado nos resultados considera-se que o estado de Sergipe necessita de políticas
públicas para redução do desmatamento e reflorestamento da porção da bacia do Rio São
Francisco, em função da importância da cobertura florestal na geração de serviços
ecossitêmicos na qualidade e quantidade de água do Rio São Francisco.

5. Literatura Citada
Fernandes, M. R. M.; Matricardi, E. A. T.; Almeida, A. Q.; Fernandes M. M.
Mudanças do Uso e de Cobertura da Terra na Região Semiárida de Sergipe. Floresta
Ambiente. v.22, n.4, 2015.
Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco edo Parnaíba -
CODEVASF [online]. 2010. [citado 201abr.26]. Disponível em http://www.codevasf.gov.br
Sergipe. Diagnóstico Florestal de Sergipe. 1. ed. Aracaju:Secretaria do Estado do
Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos; 2014.

294
Fauna epígea como bioindicadora em ambiente de caixetal no Parque
Natural Municipal de Gericinó - RJ

Raíssa Nascimento dos Santos1, Marcos Gervasio Pereira2, Wilbert Valkinir Cabreira 3, Marco
Aurélio Passos Louzada4, Gilsonley Lopes dos Santos5, Ana Caroline Rodrigues da Silva6,
1
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (nsantos.raissa@gmail.com) , 2Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro (mgervasiopereira01@gmail.com) , 3Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (wilbertvalkinir@gmail.com) , 4Instituto Federal do Rio de Janeiro
(marco.louzada@ifrj.edu.br) , 5Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
(leylopes85@hotmail.com), 6Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (aana.r@hotmail.com)

RESUMO: Os organismos que compõem a fauna do solo estão associados aos processos
de decomposição e ciclagem de nutrientes, que são de fundamental importância para a
manutenção da produtividade de um ecossistema. Este estudo teve como objetivo avaliar a
eficiência da fauna epígea como bioindicadora de qualidade do solo em áreas de solo
hidromórfico com predominância da espécie T. cassinoides, no Parque Natural Municipal
de Gericinó – RJ. As áreas selecionadas foram: caixetal (CX) onde há oscilação do lençol
freático sob o solo e área externa (AE) paralela ao caixetal onde a influência do lençol
freático não ocorre de forma tão marcante. As armadilhas do tipo Pitfall foram utilizadas
para avaliar a fauna epígea. Foram utilizadas cinco armadilhas por repetição, sendo
deixadas em campo por sete dias e coletadas em fevereiro de 2018. O grupo Collembola
foi o mais representativo em ambas as áreas. Devido as condições ambientais e
alagamento do caixetal, o maior número de indivíduos foi quantificado na área externa. A
fauna epígea não se mostrou eficiente como bioindicadora para a qualidade ecológica no
ambiente do caixetal devido suas condições ambientais específicas.

Palavras-chave: fauna edáfica, pitfall-trap, hidromorfismo, Tabebuia cassinoides

1. Introdução
A Tabebuia cassinoides (Lam.) DC. (caixeta) ocorre em áreas alagadas e nas
planícies costeiras formando populações denominadas de caixetais. Fazem parte das
chamadas Florestas Paludosas que como características localizadas em solos hidromórficos
(Visnadi, 2009).
Os organismos que compõem a fauna do solo estão associados aos processos de
decomposição e ciclagem de nutrientes (Manhaes & Francelino, 2013), além de agirem
como bioindicadores da qualidade de um solo, sendo sensíveis a quaisquer distúrbios que
aconteçam no ambiente podendo, resultantes de manejo do solo ou fatores ambientais
(Oliveira Filho et al., 2016).

295
Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar a eficiência da fauna epígea
como bioindicadora de qualidade do solo em áreas de solo hidromórfico com
predominância de T. cassinoides (caixetais) no Parque Natural Municipal de Gericinó
(PNMG) – RJ.

2. Material e Métodos
O estudo foi desenvolvido no Parque Natural Municipal de Gericinó (PNMG)
situado no município de Nilópolis no estado do Rio de Janeiro. Foram selecionadas duas
áreas: a primeira, com predominância de indivíduos de T. cassinoides denominada caixetal
e a segunda, uma área externa localizada paralela ao caixetal tendo cobertura hérbacea com
predominância de capim-rabo-de-burro (Andropogon bicornis L.). Para cada área (caixetal
– CX; área externa – AE), foram realizadas três repetições. A classe de solo predominante
no parque é o Planossolo Háplico.
Para a captura da fauna, foram utilizadas armadilhas do tipo “pitfall” que consistem
em recipientes plásticos e cilíndricos com 10 cm de diâmetro e 10 cm de altura. Foram
distribuídas aleatoriamente cinco armadilhas por repetição no CX e com uma distância
entre si de cinco metros na AE. Com auxílio de uma cavadeira, foram abertos pequenos
orifícios no solo para instalação da armadilha, sendo ou estas enterradas até que sua
abertura estivesse nivelada com a superfície do solo e utilizada uma prancha de proteção
para evitar queda de impurezas. Para a conservação da fauna foi utilizado formaldeído a
1%. A coleta foi realizada no período entre 31 de janeiro até 07 de fevereiro de 2018, após
esse período as armadilhas foram retiradas do solo e encaminhadas para laboratório para
triagem da fauna. A identificação dos organismos da fauna foi realizada com auxílio de
lupa binocular, sendo os indivíduos classificados em grandes grupos taxonômicos (ordem,
classe ou família).
Para avaliação da atividade da fauna epígea, o número de indivíduos coletados foi
calculado para número de indivíduos armadilha dia (ind. arm-1. dia -1). Além disso, foram
calculados índices de diversidade de Shannon, Equitabilidade de Pielou e riqueza média.

3. Resultados e Discussão
Foram coletados, 668 indivíduos na área do CX e 2628 indivíduos na AE (Tabela

296
1). O número de indivíduos por armadilha por dia e erro padrão variaram entre as áreas
(Tabela 1), a área CX obteve os menores valores para ambos e os maiores para AE.
Segundo Nunes et al. (2012) um elevado erro padrão, revela grande heterogeneidade
espacial em determinado ambiente.

TABELA 1: Número de indivíduos armadilha dia (ind. arm-1. dia -1), índices ecológicos, riqueza média e total
médio de indivíduos da fauna epígea em caixetal (CX) e área externa (AE) no Parque Natural Municipal de
Gericinó, RJ.
Tratamento Ind/arm/dia Erro Padrão Shannon Riqueza média Pielou Total de indivíduos
CX 6,55b 1,16 2,54a 7,33b 0,67a 668b
AE 26,94a 6,32 2,46a 9,65a 0,61a 2628a
*Valores seguidos de letras diferentes na coluna diferem entre si (p<0,05), pelo teste t.

Os organismos do solo foram distribuídos em 21 grupos taxonômicos (Tabela 2). A


maioria deles (14 grupos) ocorreram nos dois ambientes. Cinco grupos apresentaram sua
presença restrita à área AE como Auchenorryncha, Diplopoda, Heteroptera, Isoptera e
Thysanura, e apenas dois grupos restrito ao CX sendo eles Blattodea e Enchytraeidae.

TABELA 2: Número de indivíduos por armadilha por dia da comunidade da fauna epígea em caixetal (CX) e
área externa (AE) no Parque Natural Municipal de Gericinó, RJ.
Grupos CX Erro AE Erro
Acari 0,23 0,08 4,24 1,02
Aranea 0,19 0,07 0,20 0,06
Auchenorryncha - - 0,21 0,08
Blattodea 0,01 0,01 - -
Coleoptera 0,10 0,05 0,19 0,04
Diplopoda 0,00 0,00 0,22 0,08
Diptera 0,36 0,14 0,42 0,12
Enchytraeidae 0,03 0,02 - -
Entomobryomorpha 1,63 0,40 8,73 1,74
Formicidae 0,64 0,20 1,92 0,40
Heteroptera - - 0,03 0,02
Hymenoptera 0,04 0,03 0,07 0,02
Isopoda 0,05 0,03 0,01 0,01
Isoptera - - 0,01 0,01
Larva Coleoptera 0,03 0,02 0,01 0,01
Larva Lepidoptera 0,01 0,01 0,01 0,01
Oligochaeta 0,01 0,01 0,01 0,01
Orthoptera 0,03 0,02 0,10 0,03
Poduromorpha 2,32 0,67 6,87 2,23
Stermorryncha 0,04 0,03 0,19 0,03
Symplypleona 0,82 0,41 10,74 1,99
Thysanoptera 0,01 0,01 0,14 0,03
Thysanura - - 0,01 0,01
Crustáceo 0,01 0,01 - -
Anfíbio - - 0,03 0,01

297
Segundo Schmelz et al. (2013) os Enchytraeidae que fazem parte da subclasse
Oligochaeta, ocorrem em solos úmidos e com altos teores de matéria orgânica. Pode-se
notar também a presença de Oligochaeta em ambas as áreas, pelo fato do lençol freático ser
mais superficial, fazendo com que elas permanecessem mais na superfície do solo.
Os grupos Collembola e Acari foram os de maior representatividade na AE e menos
frequente na área de CX, padrão similar verificado por Bartz et al. (2014) em uma área
antropizada e uma de vegetação nativa.
Em ambos os ambientes os grupos que se destacaram foram Entomobryomorpha,
Poduromorpha e Symplypleona que são pertencentes à superordem Collembola. De acordo
com Oliveira Filho & Baretta (2016) nos primeiros meses do ano há uma maior ocorrência
desses grupos por conta abundância de água, visto que são dependentes desta.
Diferindo do que se é normalmente verificado na literatura (Bartz et al., 2014;
Nunes et al., 2014) em que a área de cobertura florestal é a que apresenta os maiores
valores em relação aos indivíduos, no presente estudo a área antropizada (AE) deteve
maiores valores em comparação a área CX que é o ambiente de cobertura florestal.
Levando-se em consideração as condições do ambiente no caixetal que por ser alagado,
cria um ambiente com condições restritas o qual limita a presença desses indivíduos nessa
área.

4. Conclusão
A fauna epígea não se mostrou eficiente como bioindicadora para a qualidade
ecológica no ambiente do caixetal visto que seus índices ecológicos se apresentaram
inferiores ao da área externa.

5. Literatura Citada
Bartz, M.L.C.; Brown, G.G.; Orso, R.; Mafra, A.L.; Baretta, D. The influence of land use
systems on soil and surface litter fauna in the western region of Santa Catarina. Revista
Ciência Agronômica, v.45, n.5, p.880-887, 2014. https://dx.doi.org/10.1590/S1806-
66902014000500003.

298
Correia, M. E. F. Potencial de utilização dos atributos das comunidades de fauna do solo e
de grupos chaves de invertebrados como bioindicadores do manejo de ecossistemas.
Seropédica: Embrapa Agrobiologia, p.23, n.157, 2002.
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/624781/1/doc157.pdf.

Manhaes, C. M. C.; Francelino, F. M. A. Biota do solo e suas relações ecológicas com o


sistema radicular. Nucleus, v.10, n.2, p.127-138, 2013.
http://dx.doi.org/10.3738/1982.2278.815

Nunes, L.A.P.L.; Silva, D.I.B.; Araújo, A.S.F.; Leite, L.F..C.; Correia, M.E.F.
Caracterização da fauna edáfica em sistemas de manejo para produção de forragens no
Estado do Piauí. Revista Ciência Agronômica, v.43, n.1, p.30-37,
2012. https://dx.doi.org/10.1590/S1806-66902012000100004.

Oliveira Filho, L.C.I.O.; Filho, O.K.; Baretta, D.; Tanaka, C.A.S.; Sousa, J.P. Collembola
Community Structure as a Tool to Assess Land Use Effects on Soil Quality. Rev. Bras.
Cienc. do Solo, v.40, p.1–18, 2016. https://dx.doi.org/10.1590/18069657rbcs20150432.

Oliveira Filho, L.C.I.; Baretta, D. Por que devemos nos importar com os colêmbolos
edáficos? Scientia Agraria, v.17, p.21-40, 2016. https://
http://dx.doi.org/10.5380/rsa.v17i2.48242.

VISNADI, S.R. Briófitas do caxetal, em Ubatuba, São Paulo, Brasil. Trop. Bryol. v.30,
p.8-14, 2009. http://dx.doi.org/10.11646/bde.30.1.3

Schmelz, R.M.; Niva, C.C.; Römbke, J.; Collado, R. Diversity ofterrestrial Enchytraeidae
(Oligochaeta) in Latin America: Current knowledge and future research potential. Appl.
Soil Ecol. v.69, p.13–20, 2013. https://doi.org/10.1016/j.apsoil.2012.12.012

299
Fenologia da cobertura de folhagem de espécies arbóreas da Caatinga
em diferentes estágios sucessionais

Bruna Rafaella Ferreira da Silva¹, Anderson Aurélio de Azevêdo Carnaval¹, Thalles Luiz
Negreiros da Costa¹, João Gilberto Meza Ucella Filho¹, Tatiane Kelly Barbosa de Azevêdo¹

¹Universidade Federal do Rio Grande do Norte (brunarafaellaf@hotmail.com;


carnaval552@gmail.com;thallesengflorest@gmail.com; 16joaoucella@gmail.com;
tatianekellyengenheira@hotmail.com)

RESUMO:A fenologia é o estudo das fases ou atividades do ciclo vital das plantas e sua
ocorrência temporal ao longo do ano. Este trabalho teve como objetivo avaliar as
características fenológicas vegetativas de espécies da Caatinga em diferentes estágios
sucessionais. O experimento foi desenvolvido em três diferentes estágios sucessionais,
sendo eles classificados como jovem, intermediário e adulto. Foi feita a coleta mensal dos
dados de todas as espécies durante um ano, pelo método de Fournier (1974). Com relação
ao regime pluviométrico regional, os dados durante os meses de observação das plantas
indicam que o período chuvoso é de dezembro a maio. É possível observar a distribuição
das folhas verdes ao longo do ano, no qual os três estágios se mantiveram uniformes
durante o ano de avaliação, havendo redução de folhas somente de setembro a novembro.
Nestes meses, onde em geral ocorrem baixos índices pluviométricos, as plantas perderam
as folhas. No período seco, constatou-se que houve redução de folhas verdes para todos os
estágios. As espécies dos estágios sucessionais jovens e intermediárias apresentam maior
presença de folhas secas no período seco, sendo o estágio maduro o primeiro a perder as
folhas.

Palavras-chave: folhas verdes, folhas secas, estudos fenológicos

1. Introdução
A Caatinga ocupa uma extensão territorial de aproximadamente 750.000 km² e está
presente em todos os estados do Nordeste e ainda no norte do estado de Minas Gerais
(Alves et al., 2009). A vegetação da região é caracterizada por apresentar um conjunto de
adaptações ao déficit hídrico, que se prolonga por vários meses do ano, tendo como
características marcantes a rápida renovação das copas no início do período chuvoso e a
caducifólia durante parte da estação seca (Barbosa et al., 2003).
A fenologia tem como base a observação de fenofases das espécies, que
correspondem aos estádios de desenvolvimento, como a emergência das gemas, o
desenvolvimento das folhas, a floração, a frutificação, a descoloração das folhas e a
senescência (Freire et al., 2013). Normalmente, em regiões de Caatinga onde os períodos

300
secos e úmidos são bem determinados, os eventos fenológicos são afetados principalmente
pela sazonalidade das chuvas e disponibilidade de água no solo (Paz & Souza, 2018).
Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo avaliar as características
fenológicas de cobertura de folhagem de espécies da Caatinga em diferentes estágios
sucessionais.
2. Material e Métodos
O experimento foi conduzido no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2008
na Fazenda Tamanduá, município de Santa Terezinha – PB, nas coordenadas geográficas
de 07°00'00"S e 37°23'00"W. Os dados de precipitação durante o período de observação
das plantas foram coletados através de pluviômetros instalados na área de estudo.
O trabalho foi desenvolvido em três diferentes estágios sucessionais, sendo eles
classificados como jovem, intermediário e adulto. O estágio jovem foram as áreas
anteriormente utilizadas como pastagens para o gado ou para fins agrícolas, que tiveram
regeneração natural nos últimos 3 a 5 anos, contendo vegetação herbácea, arbustiva e
arbórea, com diâmetro a altura do peito (DAP) inferior a 3 cm; para o estágio
intermediário, a área teve o mesmo uso, porém a regeneração natural ocorreu nos últimos
10 a 15 anos, contendo em sua vegetação principalmente arbustos e árvores com DAP até 5
cm; enquanto o estágio adulto caracterizou-se por apresentar grande diversidade de
espécies arbóreas com DAP superior a 5 cm.
As parcelas possuíam 30 x 60 m e foram cercadas, no interior das mesmas foi
delimitada uma sub parcela de 20 x 50m, com o objetivo de manter uma área (10m de
largura) para a movimentação do pessoal técnico na coleta de dados, causando o mínimo
de dano à vegetação.
A coleta de dados fenológicos nas parcelas estudadas foi realizada no período de
dezembro de 2007 a dezembro de 2008, onde foram avaliados mensalmente o percentual
de folhas verdes e secas nas espécies arbóreas. A emissão de folhas foi determinada através
da presença de primórdios foliares, geralmente de coloração verde claro a verde escuro,
avermelhados ou violáceos. A presença de folhas secas foi identificada pela coloração
marrom claro a marrom escuro. Para avaliar a duração de cada fenofase, os dados para
cada indivíduo incluíram, além da presença ou ausência das fenofases, a sua porcentagem
em relação às demais. Estas porcentagens foram estimadas visualmente e enquadradas em

301
cinco categorias: I (0%), II (1-25%), III (26 – 50%), IV (51 – 75%) e V (76 – 100%)
(Fournier, 1974). A análise estatística utilizada para a fenologia foi do tipo descritivo.
3. Resultados e Discussão
Na Figura 1 está descrito o regime pluviométrico regional, durante o período de
avaliação das características fenológicas das plantas, e mostra que o período seco da região
aconteceu nos meses entre junho e novembro de 2008, com exceção de uma presença de
chuvas no mês de julho, havendo uma precipitação de 8 mm no mês.
FIGURA 1. Dados pluviométricos encontrados na Fazenda Tamanduá de dezembro de 2007 a dezembro de
2008.

O período chuvoso se estendeu de dezembro de 2007 a maio de 2008, e iniciou


novamente em dezembro de 2008, sendo encontrada no mês de março a maior precipitação
mensal (597,2 mm). O período seco é o mesmo encontrado por Paz et al. (2016) em
trabalho realizado em região da Caatinga.

Na Figura 2 é possível visualizar a distribuição de folhas verdes ao longo do ano.


De forma geral, os três estágios sucessionais mantiveram os padrões fenológicos uniformes
durante todo o ano de monitoramento. Houve redução de folhas no período de setembro a
novembro para ambos os estágios.

Houve certa variação para a porcentagem de folhas verdes das espécies nos meses
de dezembro de 2007 e janeiro de 2008 nos estágios sucessionais. No mês de março
(2008), a vegetação apresentou folhagem completa para todos os estágios sucessionais,
provavelmente por ter sido o mês de maior pluviosidade. Resultado semelhante a este
também foi encontrado por Souza et al. (2014), no qual o brotamento de novas folhas pode

302
ter sido atribuído à disponibilidade hídrica, por meio da precipitação no início da estação
chuvosa.
FIGURA 2. Percentual de folhas verdes referente FIGURA 3. Percentual de folhas secas referente a
a dezembro de 2007 a dezembro de 2008 dezembro de 2008 a dezembro de 2009 presentes
presentes nos estágios sucessionais jovem, nos estágios sucessionais jovem, intermediário e
intermediário e adulto. adulto.

O percentual de folhas secas foi maior nos meses de setembro de 2008 a novembro
de 2008 (Figura 3), coincidindo com o período de baixo índice pluviométrico, mostrando
que as espécies são caducifólias. Em seu estudo Botrel et al. (2015) visualizaram que a
perda de folhas, em ambientes com déficit hídrico, é uma estratégia fisiológica das plantas
para reduzir a perda de água eliminada pela transpiração. Em trabalho realizado por Paz &
Souza (2018) com algumas espécies da Caatinga, a perda de folhas também teve início no
mês de agosto, devido ao decréscimo de brotamento de folhas novas nesse período.
De acordo com os resultados descritos neste trabalho, evidencia-se que as fenofases
podem se correlacionar com fatores abióticos, principalmente com a precipitação.
4. Conclusão
Constatou-se que houve redução de folhas verdes para todos os estágios
sucessionais no período seco e elas apresentaram porcentagem máxima no mês com maior
pluviosidade.
As espécies dos estágios sucessionais jovens e intermediárias respectivamente
apresentam maior presença de folhas secas no período seco, sendo o estágio adulto o
primeiro a perder as folhas.
5. Literatura citada

303
Alves, J.J.A.; Araújo, M.A.; Nascimento, S.S. Degradação da caatinga: uma investigação
ecogeográfica. Caatinga, v. 22, n. 3, p. 126-135, 2009.
Barbosa, D.C.A.; Barbosa, M.C.A.; Lima, L.C.M. Fenologia de espécies lenhosas da
caatinga. In: LEAL, I.R.; TABARELLI, M.; SILVA, J.M.C. (Eds.). Ecologia e
conservação da caatinga. Recife: Universitária UFPE, 2003. p.657-693.
Botrel, R.T.; Brito, D.R.S.; Sousa, W.C.; Souza, A.M.; Holanda, A.C. Fenologia de uma
espécie arbórea em ecótono Caatinga / Cerrado no sul do Piauí. Revista Verde, Pombal -
PB v. 10, n.3, p 07 – 12 jul-set, 2015.
Freire, J.M.; Azevedo, M.C.; Cunha, C.F.; Silva, T.F.; Resende, A.S. Fenologia
reprodutiva de espécies arbóreas em área fragmentada de Mata Atlântica em Itaborai, RJ.
Pesquisa Florestal Brasileiro, v.33, n.75, p.243-252, 2013. Disponível em:
doi.10.4336/2013.pfb.33.75.454.
Fournier, L.A. Un método cuantitativo para lamedición de características fenológicas
enárboles. Turrialba, San José, v. 25, n. 4, p. 422-423, 1974.
Paz, G.V.; Silva, K.A.; Almeida-Cortez, J.S. Banco de sementes em áreas de caatinga com
diferentes graus de antropização no Sertão de Itaparica-PE. Journal of Environmental
Analysis and Progress, v.1, n.1, p.61-69, 13 out. 2016.
http://dx.doi.org/10.24221/jeap.1.1.2016.987.61-69.
Paz, W.S.; Souza, J.T. Fenologia de espécies vegetais arbóreas em um fragmento de
caatinga em Santana do Ipanema, AL, Brasil. Diversitas Journal, Santana do Ipanema/AL,
v. 3, n. 1, p.39-44, 30 mar. 2018. Galoa Events Proceedings.
http://dx.doi.org/10.17648/diversitas-journal-v3i1.566.
Souza, D.N.N.; Camacho, R.G.V.; Melo, J.I.M.; Rocha, L.N.G.; Silva, N.F. Estudo
fenológico de espécies arbóreas nativas em uma unidade de conservação de caatinga no
Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Biotemas, Florianópolis, v. 27, n. 2, p.31-42, 6 fev.
2014. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). http://dx.doi.org/10.5007/2175-
7925.2014v27n2p31.

304
Fenologia reprodutiva de espécies arbóreas da caatinga em
diferentes estágios sucessionais

Bruna Rafaella Ferreira da Silva¹, Anderson Aurélio de Azevêdo Carnaval ², Thalles Luiz
4 5
Negreiros da Costa³, Nathally Stephany Silva Mousinho , Jacob Silva Souto , Tatiane
Kelly Barbosa de Azevêdo6

¹-4, 6Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 5Universidade Federal de Campina


Grande, (brunarafaellaf@hotmail.com)1, (carnaval552@gmail.com)²,
(thallesengflorest@gmail.com)³, (nathallymousinho@gmail.com)4,
(jacob_souto@yahoo.com.br)5, (tatianekellyengenheira@hotmail.com)6

RESUMO: Os estudos fenológicos visualizam os efeitos vegetativos e reprodutivos da


planta no decorrer de um período, e suas relações com os fatores ambientais e bióticos.
O presente estudo teve como objetivo avaliar a fenologia reprodutiva de espécies da
caatinga em diferentes estágios sucessionais. O experimento foi desenvolvido em três
diferentes estágios sucessionais, sendo eles classificados como jovem, intermediário e
adulto. Foi feita a coleta mensal dos dados de floração e frutificação de todas as
espécies durante um ano, pelo método de Fournier (1974). Com relação ao regime
pluviométrico regional, os dados durante os meses de observação das plantas indicam
período seco de junho a novembro. O período de floração das espécies avaliadas
concentrou-se nos meses de setembro a novembro de 2008. No período de frutificação o
estágio adulto alcançou maior frequência no decorrer dos meses, e o estágio jovem
com maior percentual de frutos nos meses de setembro a novembro. Conclui-se que a
floração dos estágios sucessionais ocorre no período seco respectivamente, tendo
maior incidência de floração no estágio jovem. Para a frutificação no estágio adulto
ocorre tanto em período chuvoso como em período seco, já os estágios jovem e
intermediário apresentam frutos apenas no período seco.

Palavras-chave: floração, frutificação, fenologia, xerófilas


1. Introdução
De ocorrência exclusiva no Brasil, o bioma Caatinga está localizado
principalmente na Região Nordeste, ocorrendo também em um pequeno trecho da
Região Sudeste (norte do Estado de Minas Gerais), no qual o clima semiárido domina
na região (menos de 800mm de precipitação/ano), totalizando 734 mil km² (Silva et al.,
2004). A sazonalidade climática anual, especialmente da precipitação, influencia no
ciclo de crescimento anual da vegetação da caatinga, que foi identificado através da
fenologia da vegetação (Becerra et al., 2015).
O desenvolvimento das plantas pode ser avaliado através de estudos fenológicos,
que visualizam os seus efeitos vegetativos e reprodutivos no decorrer de um período,

305
bem como as relações desses eventos com os fatores ambientais e bióticos (Fournier,
1974; Silva & Santos, 2008). Pode-se ressaltar que as fases fenológicas vão variar de
acordo com as condições climáticas, sendo a temperatura do ar e a precipitação os
principais fatores que causam efeitos (Scoriza & Piña-Rodrigues, 2014).
Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a fenologia
reprodutiva de espécies da caatinga em diferentes estágios sucessionais.
2. Material e métodos
O experimento foi conduzido no período de dezembro de 2007 a dezembro de
2008 na Fazenda Tamanduá, município de Santa Terezinha – PB. Os dados de
precipitação durante o período de observação das plantas foram coletados através de
pluviômetros instalados na área de estudo.
O trabalho foi desenvolvido em três diferentes estágios sucessionais, sendo eles
classificados como jovem, intermediário e adulto. O estágio jovem foram as áreas
anteriormente utilizadas como pastagens para o gado ou para fins agrícolas, que tiveram
regeneração natural nos últimos 3 a 5 anos, contendo vegetação herbácea, arbustiva e
arbórea, com diâmetro a altura do peito (DAP) inferior a 3 cm; para o estágio
intermediário, a área teve o mesmo uso, porém a regeneração natural ocorreu nos
últimos 10 a 15 anos, contendo em sua vegetação principalmente arbustos e árvores
com DAP até 5 cm; enquanto o estágio adulto caracterizou-se por apresentar grande
diversidade de espécies arbóreas com DAP superior a 5 cm.
As parcelas possuíam 30 x 60 m e foram cercadas, no interior das mesmas foi
delimitada uma sub parcela de 20 x 50m, com o objetivo de manter uma área (10m de
largura) para a movimentação do pessoal técnico na coleta de dados, causando o
mínimo de dano à vegetação. A coleta de dados fenológicos nas parcelas estudadas
foram realizadas durante um ano, onde foram avaliados o percentual de flores e frutos
nas espécies arbóreas mensalmente.
O período de avaliação da floração foi até o final do período de antese das flores.
O de frutificação, desde a formação visível dos frutos até a sua queda. Para avaliar a
duração de cada fenofase, os dados para cada indivíduo incluíram, além da presença ou
ausência das fenofases, a sua porcentagem em relação às demais. Estas porcentagens
foram estimadas visualmente e enquadradas em cinco categorias: I (0%), II (1-25%), III

306
(26 – 50%), IV (51 – 75%) e V (76 – 100%) (Fournier, 1974). A análise estatística
utilizada para a fenologia foi do tipo descritivo.
3. Resultados e discussão
Na Figura 1 está descrito o regime pluviométrico regional, durante o período de
avaliação das características fenológicas das plantas, e mostra que o período seco da
região aconteceu nos meses entre junho e novembro de 2008, com exceção de uma
presença de chuvas no mês de julho, havendo uma precipitação de 8 mm no mês.
FIGURA 1. Dados pluviométricos encontrados na Fazenda Tamanduá de dezembro de 2007 a dezembro
de 2008.

O período chuvoso se estendeu de dezembro de 2007 a maio de 2008, e


novamente em dezembro de 2008, sendo encontrada no mês de março a maior
precipitação mensal (597,2 mm). O período chuvoso encontrado neste trabalho se
assemelha ao encontrado por Kiill et al. (2013) em trabalho realizado em área da
Caatinga do estado de Pernambuco, se diferindo apenas no mês de maior pluviosidade,
que foi o mês de abril.

Na Figura 2 é possível observar que o período de floração das espécies avaliadas


foi nos meses de setembro a novembro de 2008, e pode-se visualizar que há
diversificação de floração nos estágios sucessionais analisados no decorrer dos meses,
ocorrendo pico da antese do estágio sucessional jovem no mês de setembro de 2008.
O período de floração das espécies de todos os estágios aconteceu na estação
seca, indicando que a produção de flores das espécies utilizadas neste trabalho está
diretamente relacionada com a ausência de precipitação. Este mesmo padrão foi
encontrado por Medeiros et al. (2017), estudando a fenologia da Anadenanthera
colubrina, que visualizaram que a floração ocorreu predominantemente no período de

307
menor precipitação. Isto porque, segundo Lima e Rodal (2010), algumas espécies não
dependem primariamente da precipitação para iniciar suas fenofases, pois estas
apresentam características próprias de acúmulo de água e podem, inclusive, iniciarem
sua floração no período menos favorável.
FIGURA 2. Percentual de flores presentes nos FIGURA 3. Percentual de frutos presentes nos
estágios sucessionais jovem, intermediário e adulto. estágios sucessionais jovem, intermediário e
adulto.

Na Figura 3 é possível observar que o período de frutificação variou para os


estágios sucessionais, sendo que o estágio adulto alcançou maior frequência de frutos no
decorrer dos meses, porém o estágio jovem apresentou um maior percentual de frutos
nos meses de setembro a novembro, isto ocorreu devido à heterogeneidade das espécies.
Os padrões fenológicos observados parecem refletir o padrão sazonal das
chuvas, sendo o período seco e o início de período chuvoso a época de frutificação
encontrada nos estágios sucessionais. Os meses com maiores médias de frutificação
coincidiram com o período de menor precipitação pluviométrica, tendo sido registrado
entre os meses de setembro a novembro, onde os mesmos resultados foram encontrados
por Costa et al. (2016) para a Libidibia ferrea.
4. Conclusão
A floração dos estágios sucessionais ocorre no período seco respectivamente,
tendo maior incidência de floração no estágio jovem. A frutificação do estágio
sucessional adulto ocorre tanto em período chuvoso como em período seco, já os
estágios jovem e intermediário apresentam frutos no período seco.

308
5. Literatura citada
Becerra, J.A.B.; Carvalho, S.; Ometto, J.P.H.B. Relação das sazonalidades da
precipitação e da vegetação no bioma Caatinga: abordagem multitemporal.Anais XVII
Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR. João Pessoa-PB: INPE, 2015. p.
6668 – 6674.
Costa, K.J.A.; Lameir, O.A.; Assis, R.M.A.; Moura, R. Aspectos fenológicos do jucá –
Caesalpinia ferrea Martius ex Tul. (Fabaceae). In: VIII Encontro Amazônico de
Agrárias, 2016, Belém/PA. Anais... Belém: 2016. p. 40 - 46.
Fournier, L. A. Un método cuantitativo para lamedición de características fenológicas
enárboles. Turrialba, San José, v. 25, n. 4, p. 422-423, 1974.
Kiill, L.H.P.; Silva, T.A.; Araújo, F.P. Fenologia reprodutiva de espécies e híbridos do
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Lima, A.L.A.; Rodal, M.J.N. Phenology and Wood density of plants growing in the
semi-arid region of northeastern Brazil. Journal of Arid Environments, London, v. 74, n.
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Medeiros, R.L.S.; Silva, J.J.R.; Souza, V.C.; Nascimento, R.G.S.; Anjos, F. Fenologia
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Silva, C.S.P.; Santos, M.L. Comportamento fenológico no evento pós-queima e biologia
reprodutiva de Spiranthera odoratissima A. St.-Hil. (Rutaceae). Biotemas,
Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 29-39, 2008.

309
Fenologia reprodutiva e vegetativa de Mimosa tenuiflora em um
fragmento de Floresta Estacional Decidual

Kyvia Pontes Teixeira das Chagas 1, Ageu da Silva Monteiro Freire 1, Fernanda Moura Fonseca
Lucas1, Fábio de Almeida Vieira1
1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mails: kyviapontes@gmail.com;
ageufreire@hotmail.com; fernanda-fonseca@hotmail.com; vieirafa@gmail.com

RESUMO: Os estudos fenológicos auxiliam na compreensão do comportamento das


plantas frente as características ambientais, possibilitando estabelecer estratégias tanto de
conservação quanto de exploração. O estudo teve por objetivo avaliar o comportamento
fenológico de uma população natural de Mimosa tenuiflora. Foram realizadas 24
observações das fenofases, no período entre maio de 2017 e março de 2018. A queda
foliar foi mais constante durante todo o período de observação, ocorrendo em maior
intensidade no mês de novembro. Diferentemente, a brotação foliar apresentou maior
oscilação com vários picos durante o período observado, sendo os maiores nos meses de
janeiro e março de 2018. As fenofases reprodutivas demonstraram ter o padrão anual,
com ocorrência de floração intensificada no mês de outubro e de frutificação no mês
novembro. Os dados obtidos no presente estudo podem possibilitar a caracterização dos
eventos vegetativos e reprodutivos da espécie, além de fornecer informações que podem
servir de subsídio para outras atividades, como coleta de sementes.

Palavras-chave: jurema-preta, fenofases, frutificação, Fournier

1. Introdução
A Mimosa tenuiflora (Fabaceae), conhecida popularmente como jurema-preta, é
uma espécie decídua e pioneira nativa da Caatinga. Possui elevado potencial econômico e
ecológico, suas raízes têm uma alta capacidade de desenvolvimento em solos compactados,
sendo uma espécie indicadora dos estágios iniciais de sucessão (Azevedo et al., 2012;
Souza et al., 2016). A casca tem grande potencial devido às propriedades medicinais,
podendo ser utilizada em tratamentos de infecções, tendo efeito antimicrobiano e antifebril
(Araújo et al., 2017; Magalhães et al., 2018).
Compreender sobre as espécies e suas interações com o ambiente só é possível por
meio das informações ecológicas, e uma das ferramentas que auxiliam nessa compreensão
é a fenologia. As observações fenológicas contribuem na obtenção dos conhecimentos
sobre os aspectos vegetativos e reprodutivos das plantas. Na maioria dos casos, os estudos
de fenologia são realizados com plantas cultivadas, sendo necessários estudos que
promovam o conhecimento das espécies nativas em populações naturais (Freire et al.,
2013).

310
Desta forma o presente estudo objetivou avaliar o padrão fenológico da Mimosa
tenuiflora em vegetação de Floresta Estacional Decidual, Macaíba/RN.
2. Material e Métodos
O estudo foi realizado no município de Macaíba, no estado do Rio Grande do
Norte, nas coordenadas 5°53’57’’S e 35°22’10’’W. A vegetação é classificada como
Floresta Estacional Decidual de Terras Baixas, e conforme a classificação de Köppen o
clima é uma transição entre os tipos As’ e BSh’, com precipitação média anual de 1.086
mm (IBGE, 1992; EMPARN, 2017).
Foram selecionados 20 indivíduos adultos, os quais foram avaliados
quinzenalmente no período de maio de 2017 a março de 2018, perfazendo 24 observações.
Foram observadas seis fenofases, sendo duas vegetativas (queda e brotação foliar) e quatro
reprodutivas (botão floral, floração, fruto imaturo e maduro). Para quantificar os eventos
fenológicos, usou-se o Índice de Atividade e o Índice de Intensidade de Fournier (1974),
onde os valores adquiridos quinzenalmente foram somados, divididos pelo valor máximo
possível, e posteriormente transformados em valor porcentual (D’eça-Neves & Morellato,
2004).
3. Resultados e Discussão
A queda foliar esteve presente em todas observações, com maior pico de
intensidade de Fournier em novembro de 2017, os valores apresentaram declínio a partir do
mês de janeiro de 2018 (Figura 1A). Esta fenofase teve pouca variação, se mantendo
relativamente constante durante todas as avaliações. Já a brotação foliar foi mais variável,
o que pode ser um indicativo da sensibilidade às variações ambientais. A intensidade na
brotação foliar ocorreu em todo o período, sendo os maiores picos nos meses de janeiro e
março de 2018 (Figura 1B).
FIGURA 1. Porcentagem de queda foliar (A) e brotação foliar (B) em uma população natural de
Mimosa tenuiflora em Macaíba, RN.

O menor valor para brotação foliar ocorreu no mês de novembro, sendo

311
correspondente ao mês com maior queda foliar. Ter conhecimento sobre os padrões de
brotamento e de queda foliar é de suma importância quando se visa interpretar a relação
dos vegetais com as mudanças climáticas sazonais, como precipitação e temperatura
(Morellato et al., 1990).
Os estudos dos eventos reprodutivos são importantes para o entendimento de
ecologia e dinâmica das espécies. A fase reprodutiva de emissões de botões florais iniciou
no mês de julho, e atingiu seu ápice no mês de outubro de 2017 (Figura 2A). A floração
iniciou juntamente com a emissão de botões no mês de julho e ocorreu de forma intensa
em outubro de 2017 (Figura 2B). O período de maior intensidade de floração teve curta
duração e logo em seguida houve decréscimo na intensidade. A fenofase de frutos
imaturos teve o maior período de intensidade observada no segundo semestre do ano,
iniciando sua atividade em agosto, com o pico de intensidade de frutos imaturos em
novembro (Figura 2C). Padrão semelhante foi observado para os frutos maduros, com
início da observação em setembro e ápice da produção em novembro (Figura 2D).
FIGURA 2. Porcentagem de botão floral (A), flor (B), frutos imaturos (C) e frutos maduros (D) em
uma população natural de Mimosa tenuiflora em Macaíba, RN.

O padrão observado demonstra que a espécie provavelmente possui


característica anual, sendo caraterizado por apresentar um episódio de floração e
frutificação durante o ano (Newstrom et al., 1994). Períodos maiores de observação
são necessários para a compreensão das mudanças fenológicas entre os anos, bem
como para analisar a relação da planta com as variáveis ambientais.

312
De acordo com os dados INMET (2018), o período de junho/julho teve maior
precipitação, coincidindo com o início das atividades reprodutivas. Em estudos
fenológicos no município de Macaíba, Rocha et al. (2015) observaram que para a
Copernicia prunifera a frutificação foi menor quando ocorreu baixa precipitação,
mostrando que as variáveis ambientais provocam alterações nos eventos reprodutivos.
Normalmente devido à baixa disponibilidade de água no solo, as espécies da Caatinga
tendem a apresentar floração e frutificação no período chuvoso, como foi observado
para o presente estudo.

4. Conclusão
Os eventos reprodutivos se concentraram no segundo semestre do ano, com o ápice
nos meses de outubro e novembro, caracterizando a espécie com padrão anual. As
informações obtidas no presente estudo auxiliarão na compreensão dos mecanismos de
sobrevivência da espécie, além de fornecer subsídios para o estabelecimento de estratégias
de coleta de sementes, conservação ex situ e produção de mudas para a recuperação de
áreas degradadas.

5. Agradecimentos
À Fundação de Apoio à Pesquisa no Rio Grande do Norte/Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Fapern/Capes), pelo auxílio financeiro.

Literatura Citada
Araújo, E.S.; Pimenta, A.S.; Feijó, F.M.C.; Castro, R.V.O.; Fasciotti, M.; Monteiro,
T.V.C.; Lima, K.M.G. Antibacterial and antifungal activities of pyroligneous acid from
wood of Eucalyptus urograndis and Mimosa tenuiflora. Journal of Applied Microbiology.
n. 124, p. 85-96, 2017.
Azevedo, S.M.A.; Bakke, I.A.; Bakke, O.A.; Freire, A.L.O. Crescimento de plântulas de
jurema preta (Mimosa tenuiflora (Wild) Poiret) em solos de áreas degradadas da caatinga.
Engenharia Ambiental, Espírito Santo do Pinhal. v. 9, n. 3, p. 150-160, 2012.
D'eça-Neves, F.F.; Morellato, L.P.C. Métodos de amostragem e avaliação utilizados em
estudos fenológicos de florestas tropicais. Acta Botanica Brasilica, v.18, n. 1, p. 99-108,
2004.

313
EMPARN. Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte. Disponível em:
<www.emparn.rn.gov.br>. Acesso em: 29 dez 2017.
Fournier, L. A. Un método cuantitativo para la medición de características fenológicas em
árboles. Turrialba, v. 24, n. 4, 1974.
Freire J.M.; Azevedo, M.C.; Cunha, C.F.; Silva, T.F.; Resende, A.S. Fenologia reprodutiva
de espécies arbóreas em área fragmentada de Mata Atlântica em Itaborai, RJ. Pesquisa
Florestal Brasileira, v. 33, n. 75, p. 243-252, 2013.
IBGE - Departamento de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. Manual Técnico da
Vegetação Brasileira. CDDI-IBGE, Rio de Janeiro, n. 1, 1992.
INMET – Instituto Nacional de Meteorologia. Disponível em:
<http://www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=avisoMeteorologico/listarAvisos&offset=0>
. Acesso em: 20 de mar. 2018.
Magalhães, F.E.A; Batista, F.L.A.; Serpa, O.F.; Moura, L.F.W.G.; Lima, M.C.L.; Silva,
A.R.A.; Nogueira, A.B.; Barbosa, T.M.; Holanda, B.A.; Damasceno, M.B.W.V.; Melo
Júnior, J.M.A.; Barroso, L.K.V.; Campos, A.R. Orofacial antinociceptive effect of
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poiret. Biomedicine & Pharmacotherapy, v. 97, p. 1575–1585,
2018.
Morellato, L.P.C.; Leitão Filho, H.L. Estratégias fenológicas de espécies arbóreas em
floresta mesófila na Serra do Japi, Jundiaí, São Paulo. Revista Brasileira de Biologia, São
Paulo-SP, v. 50, n.1, 1990.
Newstrom, L.E.; Frankie, G.W.; Baker, H.G. A new classificacion for plant phenology
based on flowering patterns in lowland tropical rain forest trees at La Selva, Costa Rica.
Biotropica, Kansas, v. 26, n. 2, p. 141-159, 1994.
Rocha, T.G.F.; Silva, R.A.R.; Dantas, E.X.; Vieira, F.A. Fenologia da Copernicia
prunifera (arecaceae) em uma área de Caatinga do Rio Grande do Norte. Cerne, v. 21, n.
4, p. 673-681, 2015.
Souza, T.A.F; Rodriguez-Echeverría, S.; Andrade, L.A.; Freitas, H. Arbuscular
mycorrhizal fungi in Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir from Brazilian semi-arid. Brasilian
Journal of Microbiology, v. 47, p. 359-366, 2016.

314
Fitossociologia da bacia do rio Gambá no Projeto de Assentamento Mata
Verde, Espírito Santo-RN.

Yasmim Borges Câmara1, Talvanis Clóvis Santos de Melo1, José Augusto da Silva Santana1
1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mails: yasmimb17@gmail.com,
talvanisdemelo@hotmail.com, augusto@ufrnet.br

RESUMO: Um estudo fitossociológico foi realizado com o objetivo de caracterizar a


vegetação da bacia do rio Gambá, no Projeto de Assentamento Mata Verde, uma região
de ecótono entre a Caatinga e a Mata Atlântica, localizado no município de Espírito
Santo-RN, contribuindo para aquisição de informações destinada a manutenção e manejo
desta vegetação e subsidiar intervenções futuras. Os seguintes parâmetros
fitossociológicos foram estudados: densidade, frequência, dominância e valor de
importância. Foram amostrados 163 indivíduos, distribuídos em 36 espécies. A espécie
mais ocorrente foi Brosimum glaziovii e a espécie com maior valor de importância (VI) foi
Anacardium occidentale. Em relação à distribuição das espécies, as únicas que ocorreram
nas três parcelas inventariadas foram: Cupania revoluta e Tetracera breyniana,
apresentando a maior frequência relativa que foi de 5,88%, para as duas espécies.
Constatou-se que de acordo com os parâmetros analisados a área estudada apresentou
composição florística variada, com presença de espécies comuns tanto ao bioma Caatinga
como ao bioma Mata Atlântica, e que apesar de ser uma Área de Preservação Permanente
encontra-se degradada necessitando de um plano de recuperação.

Palavras-chave: Caatinga, ecótono, degradada

1. Introdução
Segundo Chaves et al. (2013), o estudo da Fitossociologia envolve a compreensão
de todos os fenômenos que se relacionam com a vida das plantas dentro do ecossistema,
envolve a vegetação, o solo e clima. De acordo com Kunz et al. (2014), o conhecimento da
estrutura fitofisionômica e da dinâmica sucessional, é de suma importância para subsidiar
programas de conservação da cobertura florestal e também desenvolver estratégias de
restauração de acordo com a necessidade das áreas. A área estudada corresponde a um
ecótono, região de transição entre Mata Atlântica e Caatinga.
Os parâmetros de densidade, dominância e frequência são dados estruturais que
revelam aspectos essenciais na composição florística das florestas (Chaves et al., 2013).
Por meio desses, pode se determinar os graus de hierarquização entre as espécies e avaliar
o grau de urgência na tomada de medidas voltadas para a preservação e recuperação
(Chaves et al., 2013; Bulhões et al., 2015).

315
Este trabalho teve como objetivo realizar um estudo fitossociológico,
caracterizando a diversidade de um fragmento de uma região de transição entre Caatinga e
Mata Atlântica, contribuindo para aquisição de informações destinadas a manutenção e
manejo desta vegetação, além de subsidiar intervenções futuras.

2. Material e Métodos

2.1. Caracterização da área


O Projeto de Assentamento Mata Verde localiza-se no município de Espírito Santo-
RN e possui área de 541,02 hectares. De acordo com a classificação de Köppen o clima da
região é do tipo As’, que corresponde a um clima tropical chuvoso com verão seco e
estação chuvosa no outono. A temperatura média anual é de 26ºC com amplitude de 7ºC e
umidade relativa do ar oscilando entre 50% a 80% (CPRM, 2005). O relevo é plano, de
baixa altitude, variando de 100 a 200 m, com os Tabuleiros Costeiros apresentando relevos
planos (CPRM, 2005).
2.2. Coleta dos dados
Os dados da vegetação foram obtidos em duas parcelas medindo 10 m x 20 m (200
m²) cada uma, nas quais foram identificados todos os indivíduos pelo nome comum local e
medidos a circunferência à altura do peito (CAP) a 1,30 m do solo e altura total. Na
segunda fase, foi feita a classificação dos indivíduos á nível de família e espécie.
No campo foram coletados os dados de CAP obtidos com o uso da fita métrica, os
quais foram transformados para DAP (diâmetro à altura do peito). A partir desses dados,
foram calculados a densidade relativa (DeR), densidade absoluta (DA), dominância
absoluta (DoR), frequência relativa (FrR), frequência absoluta (FA), índice valor de
importância (VI) e área basal por espécie.

3. Resultados e Discussão
A APP é composta por uma vegetação com altura média inferior a 7,0 m, a faixa de
altura mais representativa entre os indivíduos encontra-se entre 5,0 e 6,0 m, comum em
ambientes perturbados. Lima et al. (2017) em uma mesma tipologia, registrou altura média
de 8,29 m, um pouco superior à altura média encontrada nesse levantamento. Já as alturas
registradas em uma área de caatinga por Santos et al. (2017), variaram de 1,4 m a 7,0 m

316
sendo o dossel composto por indivíduos arbóreos com alturas superiores a 6,0 m, como é o
caso da Poincianella pyramidalis, Myracroduon urundeuva, Amburana cearensis, Mimosa
caesalpinifolia e Anadenanthera colubrina.