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POR QUE O TRABALHO FOI

REALIZADO?
Este Relatório trata do resultado de auditoria de
Avaliação dos Resultados da Gestão que teve o
Ministério da Transparência objetivo de analisar as alienações de imóveis
e Controladoria-Geral da inservíveis da Casemg, devido à detecção de
União irregularidades na alienação do imóvel de
Tupaciguara/MG, quando dos trabalhos de
auditoria anual de contas, que resultou no
Relatório nº 201701124 e no Parecer de
RELATÓRIO Nº 201702530
Irregularidade das Contas do exercício de 2016.
QUAL FOI O
TRABALHO
QUAIS AS CONCLUSÕES
REALIZADO?
ALCANÇADAS? QUAIS
O presente trabalho foi
realizado junto à Companhia
RECOMENDAÇÕES FORAM
de Armazéns e Silos do EMITIDAS?
Estado de Minas Gerais Verificaram-se irregularidades nas alienações
(Casemg), com foco no dos quatro imóveis analisados. A Casemg
macroprocesso denominado realizou a alienação do imóvel de Frutal/MG
“Alienação de imóveis com valor subavaliado, devido a
inservíveis”. Foram irregularidades no Laudo de Avaliação
analisados os processos Mercadológica. O imóvel de Bonfinópolis de
Concorrência nº 01/2017, Minas/MG foi alienado sem o devido processo
Leilões nº 02/2015, 05/2015, licitatório e os imóveis de Patos de Minas/MG
06/2015 e 02/2016, Convite nº e Paracatu/MG foram alienados por meio de
02/2013 e Dispensa nº leilões simulados.
04/2017. Recomendou-se a apuração de
responsabilidade disciplinar e por dano ao
erário além da instauração de Procedimentos
Administrativos de Responsabilização (PAR)
destinados a apurar a responsabilidade de
pessoas jurídicas pela prática de atos contra a
administração pública.

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1
Unidade Auditada: Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais
Exercício: 2017
Processo:
Município: Belo Horizonte - MG
Relatório nº: 201702530
UCI Executora: CONTROLADORIA REGIONAL DA UNIÃO NO ESTADO DE
MINAS GERAIS

_______________________________________________
Análise Gerencial

Senhor Superintendente da CGU-Regional/MG,

Por meio deste relatório, apresentam-se os resultados do trabalho de Avaliação dos


Resultados da Gestão na Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais
realizado de acordo com os preceitos contidos na Ordem de Serviço n.º 201702530 e em
atendimento ao inciso II do Art. 74, da Constituição Federal de 1988, de acordo com o qual
cabe ao Sistema de Controle Interno: “comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto
à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e
entidades da administração federal”.

1. Introdução

O presente trabalho foi realizado em Belo Horizonte - MG, com o objetivo de avaliar a gestão
da unidade. Para tanto, foi selecionado o macroprocesso denominado alienação de imóveis
inservíveis. O macroprocesso foi selecionado devido à detecção de irregularidades quando
dos trabalhos de auditoria anual de contas, que resultou no Relatório nº 201701124 e no
Parecer de Irregularidade das Contas do exercício de 2016. O escopo do trabalho se
restringiu à análise dos processos Concorrência nº 01/2017, Leilões nº 02/2015, 05/2015,
06/2015 e 02/2016, Convite nº 02/2013 e Dispensa nº 04/2017.

Os trabalhos de campo foram realizados no período de 15 a 19 de janeiro de 2018, em estrita


observância às normas de auditoria aplicáveis ao Serviço Público Federal.

Nenhuma restrição foi imposta à realização dos exames.

2. Resultados dos trabalhos

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A abordagem adotada pela CGU objetivou responder às seguintes questões de auditoria,
referentes a regularidade nas alienações de imóveis:
- Os processos licitatórios para alienação dos imóveis atendem às exigências da Lei nº
8.666/93?
Não. Os exames realizados demonstraram que os processos conduzidos pela Casemg para
alienação de imóveis não guardaram conformidade com os ditames da lei de licitações, tendo
em vista as seguintes situações que são detalhadas na segunda parte desse relatório:
simulação de processos licitatórios, direcionamento na alienação de imóveis, dispensa
indevida de licitação e contratação de leiloeiro com indícios de irregularidades.

- Os valores de alienação dos imóveis se pautaram em Laudos Técnicos que refletem o valor
de mercado?
Não. Nos exames realizados verificou-se a alienação de imóvel com valor subavaliado, uma
vez que o Laudo de Avaliação, que serviu de parâmetro para o valor da licitação, sugeriu
valor para venda com desconto de 40%, para “liquidação forçada”, em relação ao valor de
mercado. Tal fato está relatado no item 1.1.1.1, na segunda parte desse relatório.

3. Conclusão

Verificou-se, por meio do presente trabalho, irregularidades nas alienações dos imóveis de
Frutal/MG, Patos de Minas/MG, Paracatu/MG e Bonfinópolis de Minas/MG. A Casemg
realizou a alienação de imóvel de Frutal/MG com valor subavaliado, devido a irregularidades
no Laudo de Avaliação Mercadológica. O imóvel de Bonfinópolis de Minas/MG foi alienado
sem o devido processo licitatório e os imóveis de Patos de Minas/MG e Paracatu/MG foram
alienados por meio de leilões simulados.
As recomendações registradas neste relatório serão acompanhadas por meio do Sistema
Monitor.

Belo Horizonte/MG, 16 de agosto de 2018.

Relatório supervisionado e aprovado pelo:

Superintendente da Controladoria Regional da União no Estado de Minas Gerais

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_______________________________________________
Ordem de Serviço nº 201702530

1 GESTÃO DO SUPRIMENTO DE BENS/SERVIÇOS


1.1 PROCESSOS LICITATÓRIOS
1.1.1 OPORTUNIDADE DA LICITAÇÃO
1.1.1.1 CONSTATAÇÃO

Alienação de imóvel em Frutal/MG com valor subavaliado, acarretando prejuízo de


R$ 2.959.613,00 à Casemg.

Fato

A Casemg realizou a Concorrência Pública nº 001/2017 (Processo nº 089/2017), em


07/08/2017, com o objetivo de alienar três de seus imóveis:

- Lote 1: Imóvel localizado no município de Frutal/MG, urbano, com área total de 16.360
m², localizado na Rua Euvaldo Lodi confrontando com as Ruas Olavo Bilac, Castro Alves e
Minas Gerais, Centro;

- Lote 2: Imóvel localizado no munícipio de Iturama/MG, rural, situado na Vila São Miguel
- Fazenda Santa Rosa; com área total de 48.400 m²;

- Lote 3: Imóvel localizado no município de Santa Vitória/MG, urbano, com área total de
48.067 m², localizado na Av. Genésio Franco Morais, nº 2.755, Centro;

Os Lotes 02 e 03 não obtiveram propostas. Participou do certame apenas a empresa


Armazém Luso Brasileiro Ltda. - ME, inscrita no CNPJ sob nº 11.412.311/0001-84, que
ofereceu a proposta de R$3.680.000,00 para o “Lote 1”, sendo R$ 1.104.000,00 à vista e o
restante dividido em 24 parcelas mensais, sucessivas e com correção pelo índice TR, sendo
a primeira no valor de R$ 107.333,33, vencível no dia 07/09/2017.

Na análise desse processo verificou-se que a alienação do imóvel de Frutal/MG (Lote 1) foi
realizada com valor subavaliado, uma vez que o Laudo de Avaliação que serviu de parâmetro
para o valor da licitação, sugeriu o valor ideal para venda com desconto de 40% para
“liquidação forçada”.

O Laudo de Avaliação do Imóvel de Frutal, constante às fls. 20 a 31 do processo nº 89/2017,


foi realizado em 16/05/2017, pela Ochoa Engenharia e Cia Ltda, CNPJ 19.002.879/0001-39,
baseado nas normas ABNT NBR 14.653-1:2001 e 14.653-2:2004, utilizando o “Método
Comparativo Direto de Dados de Mercado - MCDDM”. Tomando, como base de dados, 4
imóveis referenciados em sítios eletrônicos, chegou-se ao valor de R$ 350,00 o m² do
terreno, mais R$ 147,28 o m² da área construída e o valor Global de R$ 6.639.613,00 (seis
milhões seiscentos e trinta e nove mil, seiscentos e treze reais).

Entretanto, no item 14 do laudo, o avaliador argumenta que “diante da situação atual do


país de recessão generalizada, aliada a queda das atividades econômicas dos municípios
(...) Por se tratar de um imóvel do setor público a recomendação e que realize a alienação
diante dos altos custos incorridos, via os custos de manutenção e administrativo incorridos
junto ao ativo. Para a realização da alienação do ativo somente via liquidação forçada, com
taxa de desconto (...)

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4
Baixo Desconto 35% R$ 4.315.748,00
Médio Desconto 40% R$ 3.983.768,00
Alto Desconto 45% R$ 3.651.787,00

Sugerimos que o valor avaliado ideal para venda é o que apresenta o desconto médio.”

Conforme a Norma ABNT NBR 14.653-2:2004, como procedimento específico, “quando


solicitado, além do valor de mercado, pode constar no laudo de avaliação o valor para
liquidação forçada para uma certa data, adotando-se critérios acordados entre contratantes
e contratados.” (original sem grifo).

Contudo, não existe nenhuma justificativa ou solicitação da Diretoria da Casemg (como


contratante) para a confecção de um laudo de avaliação com “liquidação forçada”. Também
não foi apresentado documento de autorização do Conselho de Administração para esse
percentual de desconto utilizado no laudo.

O serviço de avalição do imóvel foi contratado por meio do Processo de Dispensa nº


031/2017. A Casemg realizou cotação de preços com os seguintes prestadores: Brant Ferreira
Consultorias, CNPJ 08.343.644/0001-94, Ochoa Engenharia e Cia Ltda., CNPJ
19.002.879/0001-39, Antônio Luiz Batista, CRECI 5355 e Arantes Negócios Imobiliários
Ltda – ME, CNPJ 11.016.333/0001-35. Inicialmente, a empresa Arantes Negócios
Imobiliários Ltda – ME foi a escolhida por ofertar o preço de R$ 1.500,00, em 7 de abril de
2017. Entretanto, 21 dias após, em 28 de abril de 2017, a empresa declinou o direito de
prestar o serviço justificando decorrência do prazo de validade da proposta. Assim, a
empresa Ochoa Engenharia e Cia Ltda foi chamada a prestar o serviço com o valor da
proposta de R$ 4.400,00, em 4 de maio de 2017.

A Ordem de serviço nº 11, de 15 de maio de 2017, descreve o serviço a ser prestado em seu
item 16 como “Parecer técnico de Avaliação de Mercadológica (PTAM), contendo os
preços Máximo, Médio e Mínimo para alienação do imóvel a seguir:.” Entretanto, além de
apresentar o preço de avaliação, o avaliador apresenta valores com descontos de 35% a 45%,
aplicando-se o método de “liquidação forçada”. As taxas de desconto apresentadas pelo
avaliador para a “liquidação forçada” não possuem justificativas, referências ou memórias
de cálculo. Também não há documento oriundo da Casemg solicitando a aplicação de tais
descontos.

Destaca-se que na documentação apresentada pelo avaliador, juntamente com o laudo, a


certidão de matrícula atualizada do imóvel, com Selo Eletrônico nº BKG98436, foi requerida
junto ao Ofício de Registro de Imóveis de Frutal pela empresa Brant Ferreira Consultorias,
em 12 de maio de 2017.

Ressalta-se que além de concorrente no processo de contratação da empresa Ochoa


Engenharia e Cia Ltda, a Brant Ferreira Consultorias, foi citada no Relatório nº 201701124
da CGU/MG por emissão de laudo considerado inidôneo, na realização da Concorrência
Pública nº 003/2016 (Processo nº 096/2016) referente a alienação de imóvel no município
de Tupaciguara/MG.

Ademais, o Laudo realizado pela empresa Ochoa apresenta semelhança com o Laudo
inidôneo da Brant Consultoria, utilizado na alienação fraudulenta do imóvel de Tupaciguara
(Processo nº 096/2016), sendo que sua formatação é a mesma, em questão de numeração e
título dos itens e formato das letras, conforme gravuras a seguir, demonstrando um possível
vínculo entre as empresas participantes:

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5
Capa do Laudo de Frutal Capa do Laudo de Tupaciguara

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6
Laudo de Frutal - Fls 24 e 29 do processo nº89/2017. Laudo de Tupaciguara - Fls 24 e 31 do processo
nº96/2016.

Destaca-se que o valor de referência utilizado para a alienação do imóvel de Frutal, não foi
o recomendado pelo laudo, com 40% de desconto. O Parecer Jurídico nº 029/2017, de 26 de
junho de 2017, do gestor jurídico da Casemg (CPF ***.032.586-**), sem embasamento
técnico, recomendou que fosse observado o valor mínimo da avaliação. Sendo assim, o valor
de referência utilizado foi ainda menor, representando 45% de desconto do valor de
avaliação do imóvel, acarretando um prejuízo de R$ 2.959.613,00, para a Casemg.
ato
/F
#

Causa

A Gerência Administrativa da Casemg contratou laudo de avaliação que irregularmente


apresenta um valor estimado em “liquidação forçada”.
s
au
/C
#

Manifestação da Unidade Examinada

Por meio do Ofício nº 009/2018/PRESI, de 15 de janeiro de 2018, o Diretor Presidente da


Casemg encaminhou a Comunicação Interna GERA/014/2018, de 26 de janeiro de 2018 e a
Comunicação Interna DEJUR/CPL/00/2018 de 26 de janeiro de 2018 com as seguintes
informações, respectivamente:

“Em resposta a CI 005/2018 da PRESI informamos que em nenhum momento houve por
parte do GERENTE Administrativo pedido de liquidação forçada ao avaliador do imóvel de
Frutal. Quanto aos valores de descontos adotados para alienação referente ao processo
089/2017 não é atribuição desta gerência e não foram definidos pela mesma. ”

“De início cumpre observar que integra o Processo Licitatório nº089/2017, Concorrência
nº 01/2017, a Ata de Reunião Ordinária de Diretoria Executiva nº 211, de 18.05.2017, (fls.
265/271).

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Colaciona-se do Item 07, da referida Ata, a seguinte decisão colegiada:
“7) Alienação ou Concessões de bens imóveis inservíveis ou não-operacionais – O Diretor-
Presidente, W. A., explicou que me virtude da real falta de caixa para a realização de
investimentos e outras ações necessárias para a Companhia, será aberto em junho o
primeiro lote/2017 de alienações ou concessões dos imóveis inservíveis e não operacionais
da empresa. Destacou que em reunião de alinhamento com as estatais federais e o
Ministério Supervisor-MAPA, foi sinalizado que a Companhia deve de fato dar celeridade
aos processos de alienações ou concessões, sinalização esta que foi abonada pelos
presidentes dos Conselhos de Administração e Fiscal da companhia que também estavam
presentes na reunião” (grifou-se).

Não bastasse o reconhecimento fático e documental da realidade econômica deficitária da


Companhia, associada a determinação de “dar celeridade aos processos de alienações”,
licitações pretéritas de imóveis outros restaram, em outras ocasiões, em tentativas
frustradas ou desertas de alienação.

Urge ainda informar que o Anexo I do Edital esclarece às fls. 146 que o imóvel, objeto do
referido Processo Licitatório nº 089/2017, Concorrência nº 01/2017, encontrava-se “sub
judice” - Ação de Reintegração de Posse nº 0271.12.000.751-0, AINDA EM
TRAMITAÇÃO – em razão da posse indevida exercida por estabelecimentos comerciais e,
inclusive, instituição pública estadual – Polícia Civil, totalizando 10 (dez) posseiros, a
saber: Município de Frutal, Ivan Antônio Lopes, Supermercado JB Ltda., Plasjam Indústria
Comércio de Sucatas de Plásticos, Academia Center Gym, Rhema Máquinas e Confecções
Ltda.-ME, Disk Lavanderia Frutal Ltda.-ME, Indústria E Comércio Arizona Têxtil Ltda.,
Serralheria MG e Estado de Minas Gerais.)

Há que se levar em conta que o suposto interessado/ganhador que acudisse os lotes 01 e 03,
NÃO teria a POSSE IMEDIATA dos imóveis, já que teria que se habilitar em complexo
processo judiciário de Reintegração de Posse.

Insta ainda ressaltar, que à época da licitação, bloqueio judicial no valor de


R$2.395.968,38 (dois milhões, trezentos e noventa e cinco mil, novecentos e sessenta e oito
reais e trinta e oito centavos), em consequência de Ação Reclamatória Trabalhista em
desfavor desta Companhia, na data de 21/07/2017, gerou o agravamento da situação
financeira já deficitária da empresa.

Por fim, relembre-se a realidade econômica do País, no ano de realização da alienação,


desfavorável ao mercado imobiliário.

Pelo exposto, e por imposição lógica, o critério de escolha do julgamento firmado em


licitação não desassociou-se da realidade fático-econômica da Companhia, em que urgia
e ainda urge a captação de recursos para fazer frente às despesas mais singulares, tão pouco
desassociou-se da situação especialíssima e precária do imóvel a ser alienado, classificado
como inservível ou não-operacional, e ainda sub judice em complexa ação de reintegração
de posse.

Tais circunstâncias só reafirmam as dificuldades que a Administração da CASEMG


encontrava e encontra para superar seu déficit financeiro.

Também por imposição lógica permite-se aferir que o julgamento deu se em estrita
consonância com a máxima jurídica tempus regit actumde - “o tempo rege o ato”.

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NESTE CONTEXTO, é que foi instaurado e formalizado o referido Processo Licitatório
nº089/2017, Concorrência nº 001/2017.

DO PARECER JURÍDICO

Consta do Processo Licitatório, o Parecer Jurídico nº 029/2017, que assim discorre acerca
do critério de julgamento:
“(...) Assim, diante de uma minuciosa análise do Edital de Licitação – Concorrência Nº
001/2017, este Departamento Jurídico concluiu que o procedimento licitatório no tocante
ao edital obedeceu integralmente todos os dispositivos legais que versam acerca do tema
em questão.

Anterior à conclusão desta manifestação técnica, é importante salientar que, no que tange
aos critérios de valoração estipulados no Laudo de Avaliação, recomenda-se que seja
observado o valor mínimo de avaliação para fins de piso para arrematação. Isto se pauta
no aumento da competitividade do mercado, ao momento financeiro pelo qual passa a
companhia, em especial após o aumento do passivo trabalhista da empresa com iminência
de execuções de considerável monta” (grifou-se).

DA ATA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Colaciona-se do Item 08, da Ata de Reunião Ordinária do Conselho de Administração nº


202, de 30.06.2017, (fls. 272/275), a seguinte decisão colegiada:
“O Conselho de Administração posicionou-se de forma unânime e favorável à alienação
dos imóveis na forma em se encontram apresentados no processo administrativo
apresentado, nº089/2017 com lote previsto para os imóveis de Tupaciguara (sub judice),
Frutal (sub judice), Iturama e Santa Vitória, e em consonância com o posicionamento
técnico do Departamento Jurídico da CASEMG”. (grifou-se).

LICITAÇÃO – PRESENÇA DE UM ÚNICO INTERESSADO

Extrai-se do preâmbulo do Edital, a seguinte modalidade licitatória: “CONCORRÊNCIA,


do tipo MAIOR OFERTA”.

A presente Licitação, dividida inicialmente em 04 (quatro) lotes, para fins de alienação de


imóveis dos Municípios de (1) Frutal, (2) Iturama, (3) Santa Vitória e (4) Tupaciguara (lote
posteriormente suprimido do edital), restou deserta para os lotes 02(dois) e 03 (três) dos
Municípios de Iturama e Santa Vitória.

Com relação ao lote 01 (um), do Município de Frutal, objeto de questionamento, um único


interessado acudiu o referido lote, restringindo o poder julgador não a análise de ofertas e,
sim, a análise de uma única oferta.

Neste contexto, pode-se afirmar, ainda, que um único interessado acudiu a TODA A
LICITAÇÃO, já que não houveram propostas para os demais lotes, os quais tiveram,
TAMBÉM, como referência de valor mínimo de avaliação do imóvel, O VALOR DE
ALTO DESCONTO, aplicando-se o MESMO CRITÉRIO a toda a licitação, dentro do
poder discricionário de escolha.

DO CRITÉRIO DE JULGAMENTO – ESTRITA OBSERVÂNCIA DA REGRA LEGAL

Impunha-se, por óbvio, que o poder julgador se coaduna com a modalidade licitatória –
CONCORRÊNCIA, (art. 23, “C”, §3º da Lei Federal nº8.666/93) e ainda, respeitando-se a
regra editalícia do valor mínimo de avaliação, o que indubitavelmente ocorreu.

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9
A modalidade Concorrência, diferentemente do Pregão Presencial ou Eletrônico não admite
a fase de lances, restringindo o poder julgador a análise fria e estrita da oferta formulada.

Diferentemente do Pregão Presencial ou Eletrônico, as expectativas da Administração, em


uma Concorrência, não oscilam de forma crescente ou decrescente como na fase de lances.
A realidade única e palpável em uma Concorrência é a análise da proposta formulada à luz
das regras editalícias.

Assim, a escolha do valor mínimo da proposta se deu na tentativa de aumentar a


competitividade e possibilidade de êxito do certame, diante das situações fático/jurídicas
pré-licitação já demonstradas.

A proposta não só coaduna-se com a regra editalícia acima disposta, como também
SUPERA o valor mínimo: R$ 3.680.000,00 (três milhões, seiscentos e oitenta mil reais).

Neste contexto impõe-se a seguinte conclusão: qualquer alienação que levasse em


consideração o valor mínimo, o que de fato restou respeitado, é determinada como legal.

Igualmente, na ausência de Lei que imponha ao julgador obediência a “valor médio” ou


“médio desconto”, transborda na mesma conclusão de que a alienação deu-se de forma
justa e correta.

Não bastasse, o laudo de avaliação restou considerado pelo julgador, já que SUGERE, mas
não obriga a adoção do desconto médio. Colaciona-se do laudo:
“Sugerimos que o valor avaliado ideal para venda é o que apresenta o desconto médio”
(grifou-se).

Ressalte-se que “valor ideal” é o que qualquer Administração persegue, já que a semântica
da palavra ideal origina-se de idealidade/idealismo, em suma, aspiração.

Contudo, a concretude da palavra ideal (aspiração) também se observa no julgado


proferido na presente Concorrência, já que a conotação da palavra ideal amplia-se em seu
campo semântico, dentro de um contexto fático-jurídico inafastável: crise econômica,
imóvel inservível, imóvel subjudice, imóvel em que sequer poderia se exercer a posse
imediata.

Neste sentido, importa destacar que o laudo de avaliação, além de apresentar em sua
conclusão, mera aspiração de valor ideal, não pode representar, por si só, DIANTE DA
AUSÊNCIA DE LEI, a limitação absoluta do julgador diante de oferta legal, justa e acima
do valor mínimo.

Repisa-se que para os lotes 02 e 03, para fins de alienação de imóveis do Município de
Iturama e Santa Vitória, SEQUER O VALOR MÍNIMO FOI OBTIDO – já que os lotes
restaram desertos.

Conferir à conclusão/sugestão, poder absoluto decisório-restritivo é imputar ao mesmo


valoração que este NÃO COMPORTA, já que lhe falta STATUS DE NORMA LEGAL
IMPOSITIVA, desassociada do contexto fático-jurídico já demonstrado, mediante
indevida supressão total do poder discricionário.”.

Após ciência do Relatório Preliminar a Casemg encaminhou o Ofício nº033/2018/PRESI, de


22/06/2018, manifestando o seguinte:

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10
“1. Conforme Regimento Interno da CASEMG (cópia anexa) art. 17°, alínea VIII, o setor
responsável pela abertura de processos administrativos para compra e/ou serviços na
Companhia é a Gerência Administrativa — GERAD, consequentemente esta é a Gerência
competente para promover cotações de preços e efetuar a seleção de avaliadores.

2. Quanto à origem do laudo que acarretou a alienação do imóvel de Frutal/MG, verificou-


se que no processo administrativo 031/2017 que deu origem à contratação do avaliador,
que o encaminhamento inicial do referido processo ocorreu através da
CI/006/2017/GAP/GERAD de 20/02/2017 fl.05 (cópia anexa), emitida pelo então Chefe de
Gabinete à época, solicitando que fosse providenciada a emissão de laudos de avaliação
para concessão de direito de uso dos imóveis de Frutal, Canápolis e Alfenas, confeccionado
através de Engenheiro da CASEMG com habilitação para emissão de pareceres técnicos
imobiliários para concessão de direito de uso.

3. Entretanto verificou-se que no mesmo processo fl.0l (cópia anexa), consta e-mail enviado
pelo Ex. Diretor Técnico Operacional em 28/03/2017, para o Gerente Administrativo da
GERAD, encaminhando os contatos dos avaliadores para a unidade de Frutal/MG.
Importante frisar que é uma situação totalmente desconhecida pela Presidência e Diretoria
Administrativa-Financeiro da Companhia.

4. No final do mês de março/2017 o setor da GERAD enviou e-mails (cópias anexas) de


cotações para os avaliadores indicados à fl. 01, solicitando orçamento para a confecção do
laudo de avaliação mercadológica para alienação. Além dos avaliadores indicados à fl. 01,
a GERAD encaminhou solicitação de orçamento também a outro perito que não constou na
listagem enviada pelo Ex. Diretor Técnico Operacional.

5. As cotações foram encerradas em meados de abril e a autorização de serviço 007/2017


para contratação do avaliador com base na menor proposta e regularidade fiscal foi emitida
em 26/04/2017 fls.40.

6. Em 28/04/2017 o avaliador contratado "Arantes Imóveis" encaminhou e-mail informando


"não ser possível dar prosseguimento na execução da ordem de serviço 07 com data de
26/04/2017 (fls.36 cópia anexa).

7. Considerando a desistência da Contratada Arantes Imóveis, a GERAD encaminhou e-


mail em 04/05/2017 para o avaliador que havia apresentado a proposta contendo o segundo
menor valor, empresa "Ochoa Engenharia e CIA LTDA-ME", solicitando o envio dos
documentos de regularidade fiscal. (fls.41 cópia anexa).

8. Após a apresentação dos documentos pela citada empresa foi emitida em 15/05/2017 a
ordem de serviço 011/2017 fl. 56 (cópia anexa), contendo a especificação detalhada dos
serviços. Importante frisar que em nenhum momento foi autorizado a aplicação da
liquidação forcada, (grifos nossos).

9 O laudo de avaliação mercadológica para o imóvel de Frutal/MG foi emitido na data de


16/05/2017. conforme fis. 58/70.

10. Em razão dos apontamentos no relatório n° 20172530 da CGU que confrontaram o


laudo de avaliação mercadológica para alienação de Frutal/MG, com o laudo de avaliação
mercadológica de Tupaciguara, citado no relatório n° 201701124 da CGU, a Presidência
e a Diretoria Administrativo-Financeira iniciaram apuração interna em todos os processos
de contratação de avaliadores de imóvel do ano de 2017.

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11
11. No processo administrativo 075/2017 e 078/2017 foi contratada a empresa “Ochoa
Engenharia e CIA LTDA-ME” para a confecção dos laudos de avaliação mercadológico de
Centralina e Canápolis. (Cópia dos laudos anexos).

12. Verificou-se ainda que dos laudos de avaliações de Centralina e Canápolis constam
assinaturas em conjunto dos Srs. R. L. O. P. e L. S. F. Situação que coincide com o que fora
constatado pela CGU no que tange a formatação dos laudos de Frutal constante no processo
administrativo 089/2017 e de Tupaciguara constante no processo administrativo 096/2016.

13. Por fim é importante ressaltar que a Presidência e a Diretoria Administrativo-


Financeira não participam dos processos de contratação dos fornecedores, conforme
competência regimental, cabendo unicamente a autorização da despesa pela Diretoria
Administrativo-Financeira quando do encerramento da fase de orçamentos e regularidade
fiscal e que tampouco autorizaram a contratação de avaliador para elaborar laudos de
avaliação mercadológicos com liquidação forçada

14. Salienta-se que o Diretor Presidente e a Diretora Administrativa-Financeira tomaram


ciência do instituto da liquidação forçada após orientação dos auditores da CGU na
auditoria de Tomada de Contas de 2016, realizada no ano de 2017, tendo o Diretor
Presidente dado ciência sobre a matéria aos senhores Conselheiros na 207ª Reunião
Ordinária do Conselho de Administração da Companhia. Para além disso, determinou a
suspensão de todos os processos licitatórios de alienação de bens imóveis na Companhia,
(atas 206ª e 207ª anexa). Cabe destacar também que na ata 205ª da Reunião Ordinária do
Conselho de Administração, o lote de alienações que estava previsto foi pactuado para
adoção do preço médio, visando combater a adoção do preço mínimo nas alienações de
imóveis da Companhia, conforme reuniões preliminares que estavam ocorrendo à época
com a CGU.

15. Salienta-se ainda que o Diretor Presidente e a Diretora Administrativa-Financeiro nas


reuniões da Diretoria Executiva conforme atas 216ª e 217ª (cópia anexa), após reuniões
com a CGU, detectaram a necessidade de melhoria continua nos processos licitatórios,
formulação de check list para contratação de avaliadores, aplicação da norma ABNT
NBR15653/2001-2004 com a finalidade de evitar a aplicação de liquidação forçada e a
comprovação do registro do avaliador do CRECI/COFECI, além da inclusão de cópia do
processo administrativo de contratação do avaliador como parte integrante do processo
administrativo para alienação de bens imóveis e a conseqüente análise prévia da auditoria
interna da Companhia antes da abertura do certame.”
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Análise do Controle Interno

O departamento jurídico da Casemg inicia sua manifestação, acerca dos fatos apontados,
apresentando a Ata de Reunião Ordinária de Diretoria Executiva nº 211, de 18 de maio de
2017, mais especificamente no Item 07, que informa da necessidade de dar celeridade aos
processos de alienações ou concessões dos imóveis inservíveis, situação abonada pelos
presentes à reunião. Importa registrar que a equipe da CGUMG não se contrapôs a essa
necessidade. Mas objetivou apresentar evidências de fraude na elaboração do laudo de
avaliação do imóvel de Frutal/MG, que acarretou sua alienação com valor subavaliado, e
nessa ata não há menção sobre decisão de redução dos valores de avaliação dos bens a serem
alienados.

O Departamento Jurídico acrescenta que o futuro adquirente teria que se habilitar em


complexo processo judiciário em decorrência do imóvel encontrar-se em posse indevida de
terceiros. Entretanto, não foi demonstrado o quão dispendioso seria habilitar-se no processo
judiciário de reintegração, com o propósito de mensurar o desconto no valor para a alienação

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12
do imóvel. Ademais, o Supermercado JB Ltda, CNPJ nº 18.510.982/0007-12, citado na
manifestação como um dos estabelecimentos que tem a posse indevido do imóvel e que
gerou a “Ação de Reintegração de Posse nº 0271.12.000.751-0”, tem os mesmos sócios,
CPF ***.256.466-** e ***.602.736-**, da empresa Armazém Luso Brasileiro Ltda. - ME
que adquiriu o imóvel. Portanto, a aquisição foi feita por empresa que já estava ilegalmente
estabelecida no imóvel adquirido.

A manifestação do DEJUR cita, ainda, o Parecer Jurídico nº 029/2017, de 26 de junho de


2017, do gestor jurídico da Casemg (CPF ***.032.586-**), e destaca o seguinte trecho do
documento: “Anterior à conclusão desta manifestação técnica, é importante salientar que,
no que tange aos critérios de valoração estipulados no Laudo de Avaliação, recomenda-se
que seja observado o valor mínimo de avaliação para fins de piso para arrematação
(...).Contudo, o parecer não apresenta justificativas técnicas, nem acrescenta informações
para sua recomendação de aumentar o desconto recomendado pelo laudo. Importante frisar
que o Laudo já considerou as situações adversas para recomendar a “liquidação forçada”.
Ressalta-se que o edital, apesar de ser anterior a esse parecer, já contempla como valor de
referência o valor mínimo da avaliação, atendendo ao parecer jurídico, antes mesmo de sua
elaboração, diferentemente da recomendação do próprio laudo, que sugere que o valor ideal
para a venda é o de desconto médio. Importante frisar que o Laudo de Avaliação realmente
não é vinculante como manifestado pelo departamento jurídico, mas foi solicitado e
contratado pela administração como um parecer técnico que embasasse o valor de referência
para a venda do imóvel.

O DEJUR cita ainda trecho da Ata de Reunião Ordinária do Conselho de Administração nº


202, de 30 de junho de 2017. Entretanto, da forma como foi extraído parte do texto da Ata
dá a entender que o Conselho deu seu aval expressamente sobre o aspecto financeiro ou
valores de descontos. No intuito de esclarecer o posicionamento adotado pelo Conselho,
acerca do Processo Administrativo nº 089/2017, apresenta-se o Item 8 em sua integralidade:

“08) - Outros assuntos de ordem geral: O Diretor Presidente pediu a palavra para informar
aos presentes que a Controladoria Geral da União - CGU vem realizando auditoria na
companhia e que os trabalhos por eles realizados tem sido deveras importante no sentido
de melhorar a gestão da empresa em especial na parte de contratos. O Diretor Presidente
trouxe a apreciação do Conselho um questionamento da CGU sobre a ocupação do cargo
de Diretor Interino Administrativo Financeiro pelo Gestor Jurídico da companhia e não
pelo Diretor Técnico Operacional como prevê o Estatuto Social da Empresa. O Conselheiro
R. C. ponderou que assuntos como este não deveriam ser tratados em assuntos de ordem
geral e o Presidente do Conselho de Administração pugnou pela entrada do assunto na
pauta da próxima reunião. O Diretor Presidente pediu, a palavra para informar aos
presentes sobre a questão de alienação de imóveis desta companhia que serão licitados, em
específico os imóveis de Frutal e de Tupaciguara que se encontram sub Judice, e que obteve
o posicionamento técnico do Departamento Jurídico da empresa de que não há óbice quanto
a venda, submetendo ao Conselho de Administração a questão da alienação dos imóveis sub
judice. O Conselho de Administrarão posicionou-se de forma unanime e favorável a
alienação dos imóveis na forma em que se encontram apresentados no Processo
administrativo apresentado, n° 089/2017 com lote previsto para os imóveis de Tupaciguara
(sub Judice), Frutal (sub Judice), Iturama e Santa Vitoria, e em consonância com o
posicionamento técnico do Departamento Jurídico da CASEMG.”

O Conselho anuiu a situação, informada pelo Diretor Presidente, sobre a alienação de


imóveis com pendências judiciais (sub judice). Não consta em Ata, o aspecto do desconto
financeiro a ser concedido para a alienação de imóveis pertencentes ao patrimônio da
empresa.

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13
A manifestação da Diretoria da Casemg após ciência do Relatório Preliminar apresenta os
agentes responsáveis pela contratação do Laudo de Avaliação do imóvel de Frutal. Ela
chama a atenção para o prazo improvável da confecção do Laudo dentro de um processo
regular, uma vez que a data do Laudo (16/05/2017) é um dia posterior à emissão da Ordem
de Serviço (15/05/2017) para sua confecção.

Não foi contestada a irregularidade apontada sobre a alienação do imóvel por valor
subavaliado devido ao Laudo de Avaliação com “Liquidação Forçada”.
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Recomendações:
Recomendação 1: Apurar responsabilidade disciplinar e por dano ao erário pela utilização
de laudo de avaliação que acarretou a alienação do imóvel de Frutal/MG com valor
subavaliado.

Recomendação 2: Instaurar Procedimento Administrativo de Responsabilização, segundo a


Lei no 12.846/2013, sobre a empresa Ochoa Engenharia e Cia Ltda, CNPJ 19.002.879/0001-
39, que emitiu Laudo de Avaliação de Imóvel com valor subavaliado, utilizando "Liquidação
Forçada".

1.1.1.2 CONSTATAÇÃO

Simulação de processos licitatórios e direcionamento na alienação dos imóveis de


Patos de Minas/MG e de Paracatu/MG.

Fato

A Casemg alienou os imóveis de sua propriedade situados em Patos de Minas/MG e


Paracatu/MG por meio dos Leilões nº05/2015 e 06/2015, realizados em 09/12/2015 e
16/12/2015, respectivamente, na cidade de Uberlândia. Ambos imóveis foram arrematados
pelas empresas MC Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ nº 13.746.089/0001-81
e LMN Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ nº 03.334.792/0001-29 em parceria,
nos valores de R$6.760.000,00 e R$ 4.402.000,00, respectivamente, sendo 30% à vista e o
restante em 36 (trinta seis) parcelas consecutivas e mensais.

A análise dos processos demonstra evidências de que eles foram simulados e que ocorreu
direcionamento nas alienações desses imóveis. Ademais, os atos administrativos não se
pautaram nos princípios que regem a administração pública como o da publicidade,
igualdade, devido processo legal, além do princípio de vinculação ao instrumento
convocatório do processo licitatório, conforme evidências relatadas a seguir:

A) A administração realizou os referidos leilões sem a devida publicação dos certames, em


cumprimento a princípio básico da administração e determinação da Lei nº 8.666/93.
Verificou-se que a publicação dos Avisos de Licitação no Diário Oficial da União, dos dois
certames, divulgou como objeto a“concessão de uso, a título oneroso”. Entretanto, o edital,
e todo o processo, refere-se à alienação dos imóveis, conforme demonstrado nas imagens a
seguir:

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14
Publicação do Leilão nº 6/2015, no Diário Oficial Publicação do Leilão nº 5/2015, no Diário Oficial
da União de 13 de novembro de 2015. da União de 09 de novembro de 2015.

Igualmente errônea foi a publicação dos referidos leilões no jornal regional. Ocorreu a
publicação do Aviso de Licitação do Leilão Presencial/ONLINE nº005/2015 tendo como
objeto a “Concessão de Uso” no jornal “Hoje em Dia” de 06/11/2015, pág., 5; de
07/11/2015, pág. 15 e de 08/11/2015, pág. 25. E ainda, o Aviso de Licitação do Edital do
Leilão Presencial/ONLINE nº 006/2015, tendo como objeto a“Concessão de Uso”, foi
publicado no jornal “Hoje em Dia” de 12/11/2015 pág. 18, de 13/11/2015, pág. 13; e de
14/11/2015, pág. 14.

As publicações dos Avisos dos Leilões com objeto diferente do constante no Edital
comprovam a afronta ao princípio da publicidade que é um dos princípios basilares da
Administração Pública no Brasil. Esse princípio representa a necessidade de se dar
transparência aos atos administrativos e, mais especificamente em relação às licitações,
amplia a competição, extinguindo favorecimentos, tráficos de influência e outras práticas
que afrontam a moralidade e contribuem para a malversação do patrimônio público. A
ausência da publicação restringiu a ampla participação o que está confirmado pela
participação apenas das empresas que arremataram o imóvel.

Ressalta-se que com a ausência de publicação, não ficou demonstrado como as empresas que
adquiriram os imóveis tomaram ciência da alienação dos mesmos, indicando o
direcionamento na venda.

B) Ademais, os editais dos certames estabelecem como local de realização das sessões
públicas o Galpão do Leiloeiro Oficial G. B. C., no município de Uberlândia/MG,
descumprindo a Lei nº 8666/93, que em seu art.20 assevera que “as licitações serão
efetuadas no local onde se situar a repartição interessada, salvo por interesse público,
devidamente justificado”. A sede administrativa da Casemg é em Belo Horizonte/MG e não
consta justificativa, nem no processo de contratação do leiloeiro, nem no processo de
alienação, para a realização do leilão em município diferente da sede da repartição. Cumpre
esclarecer que a escolha do leiloeiro se deu irregularmente baseada no Contrato nº16/2014,
de serviço para alienação de bens móveis inservíveis da Casemg. Além do objeto desse
contrato não prever a alienação de bens imóveis, ocorreram falhas no processo que serão
tratadas no item 1.1.1.3 desse relatório.

C) Ressalta-se, ainda, que a escolha da modalidade de licitação para a alienação também


descumpre determinação do art. 17 da Lei nº8.666/97 que estabelece que a alienação dos
bens imóveis será realizada na modalidade de concorrência. A alienação por meio dos leilões
acarretou uma despesa adicional ao arrematante de 5% do valor do lance vencedor
(R$558.100,00), que foi pago diretamente ao leiloeiro.

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15
D) Nos processos de alienação não consta o cumprimento das exigências de habilitação dos
itens 10.1 e 10.2 do edital que exigem dos licitantes cheque caução no ato da inscrição, no
valor de 5% da avaliação, para participar das sessões e certidão negativa do sistema de
seguridade social, respectivamente. Da mesma forma, não ficou demonstrado no processo,
a apresentação da documentação exigida no item 22.8.2 do edital para comprovação das
condições de contratação com a administração pública, como cédula de identidade e CPF
dos sócios e certidões de quitação de tributos estaduais e municipais. Essa falta de cuidado
na exigência da documentação é um indício de direcionamento das alienações.

E) Existe inconsistência na cronologia dos processos, o que evidencia a simulação dos


mesmos, conforme demonstrado no quadro a seguir que apresenta as etapas do processo na
ordem subsequente que deveriam se realizar:

Etapas dos processos de Leilão para alienação de imóveis


Etapa Leilão 05/2015 Leilão 06/2015
Solicitação de início do processo do CI nº17/2015 de 04/11/2015 CI 18/2015 de 09/11/2015
gabinete para a CPL
Parecer “De acordo” da Diretoria CI nº31/2015 de 12/11/2015 CI nº32/2015 de 12/11/2015
Administrativa e Financeira com a
abertura do processo
Edital 03/11/2015 09/11/2015
Análise jurídica do processo e do edital Parecer nº056/2015 de Parecer nº054/2015 de
24/11/2015 23/11/2015
Publicação do Edital no Hoje em dia 06 a 08/11/2015 12 a 14/11/2015
Publicação do Edital no DOU 09/11/2015 13/11/2015
Fonte: Processos nº113/2015 e 114/2015

Conforme observa-se no quadro, a publicação dos editais se deu antes da autorização da


Diretoria e do Parecer Jurídico acerca do mesmo.

F) As duas únicas empresas que participaram dos leilões arremataram cada uma 50% dos
imóveis, sendo que no edital não havia previsão de possibilidade de arrematação de fração
do objeto.

G) Por fim, o edital bem como a publicação do Aviso dos leilões nos jornais locais referem-
se a Leilão Presencial e On-Line. Contudo, no processo não há demonstração da realização
do procedimento on line sendo mencionado apenas na ata do certame que “o imóvel foi
arrematado presencialmente”.
Os pontos citados anteriormente demonstram a ilegalidade na alienação dos imóveis da
Casemg e sugerem que houve simulação da realização dos Leilões 05/2016 e 06/2016, com
favorecimento das empresas que adquiriram os imóveis.
Resta esclarecer que quanto ao valor da alienação do imóvel de Paracatu, a Casemg contratou
a empresa FGM Engenharia e Soluções Ltda., CNPJ 04.367.599/0001-57, que apresentou
Laudo Técnico, de 04/11/2015, baseado no Método Comparativo Direto de Dados de
Mercado, com o valor mínimo para a venda de R$4.387.448,62. Contudo, esse mesmo
imóvel foi avaliado pela empresa A-SIIM Imóveis Imobiliária Ltda, CNPJ 12.975.180/0001-
06, em 21/03/2014, pelo valor mínimo de 5.396.650,00 que foi utilizado como valor de
referência para alienação através do Leilão 02/2015, ocorrido em 13/04/2015, e que foi
deserto.
ato
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Causa

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16
A Presidêcia da Casemg determinou à Comissão de Licitação que realizasse a alienação dos
imóveis de Paracatu e Patos de Minas por meio de Leilão, e a assessoria jurídica deu parecer
favorável à essa realização e conformidade no processo, mesmo sem a comprovação da
publicação do certame.
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Manifestação da Unidade Examinada

Após ciência do Relatório Preliminar a Casemg encaminhou o Ofício nº033/2018/PRESI, de


22/06/2018, manifestando o seguinte:

“Informamos que esta Diretoria Executiva não tem esclarecimentos a fazer quanto à venda
dos imóveis de Patos de Minas e Paracatu, tampouco sobre a contratação do leiloeiro, em
razão de se tratar de demandas oriundas de gestões passadas.”
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Análise do Controle Interno

Considerando-se que não houve manifestação da unidade examinada, a análise do Controle


Interno consta registrada no campo “fato”. #/A
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Recomendações:
Recomendação 1: Apurar responsabilidade disciplinar e por dano ao erário na alienação dos
imóveis de Patos de Minas/MG e de Paracatu/MG.

Recomendação 2: Instaurar Procedimento Administrativo de Responsabilização, segundo a


Lei no 12.846/2013, sobre as empresas MC Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ
nº 13.746.089/0001-81 e LMN Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ nº
03.334.792/0001-29, que adquiriram os imóveis de Patos de Minas/MG e Paracatu/MG por
meio de leilão simulado.

Recomendação 3: Instaurar Procedimento Administrativo de Responsabilização, segundo a


Lei no 12.846/2013, sobre o Leiloeiro Oficial G. B.C., do município de Uberlândia, por
possível simulação de realização de leilão para a alienação dos imóveis de atos de Patos de
Minas/MG e Paracatu/MG.

1.1.1.3 CONSTATAÇÃO

Contratação de leiloeiro com indícios de irregularidades.

Fato

Para a realização da alienação dos imóveis de Patos de Minas/MG e de Paracatu/MG, Leilões


nº 05/2015 e 06/2015, respectivamente, a Casemg utilizou o serviço do Leiloeiro Oficial G.
B. C., Contrato nº 016/2014, resultante do Processo Licitatório nº 040/2013, Carta Convite
nº 002/2013.

A análise desse processo demonstrou que esse contrato tem como objeto a alienação de bens
móveis sem condições de aproveitamento, das Unidades de Armazenamento e Negócios
(UAN) de Araguari, Uberlândia, Bonfinópolis, Centralina e Tupaciguara. Portanto, esse
contrato não poderia ter sido utilizado para a realização dos citados leilões. Além do mais,
ocorreram irregularidades no processo licitatório para essa contratação.

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17
O Processo nº 40/2013 inicia com a solicitação da Gerência Administrativa, por meio da CI
nº621/2013, de 14/10/2013, de abertura de processo para credenciamento de Leiloeiro
Oficial para alienação de bens patrimoniais das UAN da Casemg. A Comissão de Licitação
preparou um processo de inexigibilidade de licitação, avalizado pela Nota Técnica
nº25/2013, de 24/10/2013, da Assessoria Jurídica da Companhia. Mas a Gerência
Administrativa não concordou com a inexigibilidade de licitação e solicitou abertura de
processo licitatório, argumentando que existe possibilidade de competição para essa
contratação.

Foi então confeccionado edital para licitação na modalidade “Convite”, a ser realizado no
dia 27/11/2013. Constam, às pags 124 à 127 do processo, recibos do dia 25/11/2013, de
recebimento do edital por 3 leiloeiros. Constam, ainda, às págs 146 a 152, email
encaminhando o edital, em 21/11/2013, para 6 leiloeiros.

Contudo, a ata da sessão pública do Convite, no dia 27/11/2013, constate à pág 128 do
processo, registra a presença, apenas, do Leiloeiro G. B. C., tendo sido analisados os
documentos de habilitação e a proposta apresentada e registrado o encaminhamento do
processo para deliberação do Presidente da Casemg. Esta ata não registra o agendamento de
novo certame, uma vez que não foram obtidas 3 propostas válidas, conforme determinação
da Súmula nº 248 do Tribunal de Contas da União.

No processo constam, ainda, as atas de sessão do Convite em 10/01/2014 e 27/01/2014, às


pags 153 e 166, respectivamente, ambas registradas como desertas. Contudo, o processo não
apresenta novos convites ou documentos que comprovem a divulgação de datas para
repetição do certame, em atendimento ao art 22, §6º, da Lei nº 8.666/93. Portanto, não ficou
comprovada a efetiva realização dessas 2 outras sessões do Convite nº02/2013.

Ademais, na sequência de montagem do processo nº 40/2013, o Contrato nº 016/2014,


constante às pags 154 a 161, vem antes da Ata de Sessão do certame, supostamente ocorrido
em 27/01/2014, que está à pg 166 do processo.

Registra-se que o contrato prevê que a remuneração do leiloeiro será de 5% do valor do bem
arrematado, pagos pelo arrematante.

O Parecer Jurídico nº 109/2013, de 03 de fevereiro de 2014, às pag 167 a171 do processo,


sobre a regularidade do mesmo, relata que “a comissão de licitação procedeu ao convite de
outras empresas sempre em número maior para a próxima sessão”. (...) Nesses casos,
emerge a possibilidade de contratação de forma direta do serviço almejado haja vista, como
é o caso dos autos, que dos mais de vinte profissionais convidados, apenas um manifestou
formalmente seu interesse.” Contudo, apesar desse relato do parecer, esses convites não
foram demonstrados no processo. O Parecer conclui que “este Departamento Jurídico pugna
pela contratação direta do profissional que externou interesse, com fulcro no artigo 24,
inciso V da Lei 8.666/93.”

O Contrato nº16/2014 foi publicado no Diário Oficial da União, de 25/08/2014, como


resultante da Carta Convite nº 002/2013.

Pelos fatos narrados, concluímos que a contratação do Leiloeiro G. B. C. (Contrato nº


016/2014) não seguiu os ritos formais do processo licitatório, uma vez que não ocorreu a
repetição do certame ao não obter-se o mínimo de 3 propostas válidas. Contudo, a situação
é agravada pelos seguintes fatos:

- A comissão de Licitação registra 2 atas de sessão do certame, sendo que o processo não
demonstra que as mesmas realmente aconteceram;

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18
- O Parecer Jurídico afirma a repetição do certame por duas vezes, citando vinte convidados,
sem constar documentos no processo que comprovem esses convites e evidenciem a efetiva
realização das sessões.
ato
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Causa

A Presidência da Casemg autorizou a contratação da única proposta obtida no Convite,


baseando-se no parecer jurídico que afirma ter ocorrido a repetição do certame, apesar de
não ter comprovação no processo. A comissão de licitação registou atas de realização de
sessões do convite sem comprovação de sua efetiva realização.
s
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Manifestação da Unidade Examinada

Após ciência do Relatório Preliminar a Casemg encaminhou o Ofício nº033/2018/PRESI, de


22/06/2018, manifestando o seguinte:

“Informamos que esta Diretoria Executiva não tem esclarecimentos a fazer quanto à venda
dos imóveis de Patos de Minas e Paracatu, tampouco sobre a contratação do leiloeiro, em
razão de se tratar de demandas oriundas de gestões passadas.”
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Análise do Controle Interno

Considerando-se que não houve manifestação da unidade examinada, a análise do Controle


Interno consta registrada no campo “fato”. #/A
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Recomendações:
Recomendação 1: Instaurar procedimento administrativo para apuração da veracidade das
atas de sessão de realização do Convite nº02/2013 e para responsabilização dos envolvidos.

1.2 CONTRATOS DE OBRAS, COMPRAS E SERVIÇOS


1.2.1 CONTRATOS SEM LICITAÇÃO
1.2.1.1 CONSTATAÇÃO

Dispensa indevida de licitação para a alienação do imóvel de Bonfinópolis de


Minas/MG.

Fato

A Casemg alienou o imóvel de sua propriedade situado em Bonfinópolis de Minas/MG de


forma direta, por meio do processo nº 06/2017, Dispensa 04/2017, em 01/02/2017, para a
empresa Braga Forro Indústria e Comércio de PVC Ltda, CNPJ nº 13.053.396/0001-87, no
valor de R$600.000,00, sendo 30% à vista e o restante em 24 parcelas mensais fixas.

O Processo nº 06/2017 inicia com a solicitação do Presidente da Comissão Permanente de


Licitação, à Diretoria Executiva, por meio da CI nº02/2017, de 31/01/2017, de autorização
para alienação de forma direta do imóvel de Bonfinópolis de Minas.

No mesmo dia, o Diretor-Técnico concordou com a solicitação, justificando que as três


últimas tentativas de alienação desse imóvel foram desertas. E o Diretor-Presidente
autorizou a realização, desde que nas condições do último edital de licitação, da
Concorrência nº03/2016, ou seja, pelo valor de R$600.000,00.

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Consta na página 04 do processo, um email, de 12/01/2017, da Unidade de Armazenamento
e Negócio (UAN) de Buritis, informando da reiteração, por meio telefônico, do interesse da
empresa Braga Forro em adquirir o imóvel de Bonfinópolis de Minas. Ele informa que a
empresa não tomou conhecimento dos leilões anteriores.

Para comprovação das tentativas anteriores de licitação do imóvel, o processo contempla, à


pg 22, a Ata do Leilão Presencial nº02/2015, realizado em 13/04/2015, no qual foi
apresentado o imóvel em tela, para propostas de valor mínimo de R$900.000,00, não tendo
nenhum lanço. A seguir, à pg 26, é apresentada a Ata do Leilão Presencial nº02/2016,
realizado em 04/10/2016 (18 meses após o primeiro), no qual foi apresentado o mesmo
imóvel, para propostas de valor mínimo de R$700.000,00, também não tendo nenhum lanço.
Registra-se que, como apontado no item 1.1.1.2 desse relatório, a modalidade de licitação
para alienação de imóveis é a Concorrência, sendo impróprio o Leilão, e no item 1.1.1.3 é
descrito que o Leiloeiro não foi contratado para realizar alienação de imóveis da Casemg.

Como comprovação de terceira tentativa de alienação do imóvel, à pg 28 do processo, consta


a Ata da Sessão da Concorrência Pública nº03/2016, de 22/12/2016, que registra que não
acorreram interessados na aquisição do imóvel de Bonfinópolis de Minas, que tinha um valor
mínimo de proposta de R$600.000,00. Resta esclarecer que o Relatório nº201701124 da
CGUMG aponta que essa licitação foi simulada, e que de fato não ocorreu.

Portanto, como as três tentativas anteriores de licitação do imóvel de Bonfinópolis de Minas


apresentaram irregularidades que indicam simulação desses processos, concluímos que foi
indevida a dispensa de licitação para sua alienação.

Conforme consta no processo, da pg 52 à 67, a empresa Braga Forro apresentou sua proposta
de aquisição e sua documentação em 26/01/2017. Registra-se que no processo não constam
os documentos de regularidade fiscal da empresa, nem a certidão negativa de pedido de
falência, concordata ou recuperação judicial, documentos necessários para comprovação da
capacidade de pagamento do bem adquirido.

O Parecer nº04/2017, de 30/01/2017, do Coordenador Jurídico da Casemg, constante à pg


68 do processo, considerando a frustação dos 3 processos licitatórios citados, conclui que
“entende que a alienação do imóvel de Bonfinópolis de Minas, pode ser dispensada, com
base no art. 24, V, da Lei de Licitações, a fim de evitar prejuízos aos cofres da Casemg. (...)
possível a realização (...) através de dispensa de licitação, desde que observadas as
condições constantes no edital da licitação frustada.”.
ato
/F
#

Causa

A Diretoria Executiva da Casemg autorizou a alienação direta do imóvel de Bonfinópolis de


Minas/MG baseado em três processos anteriores que se demonstraram irregulares e no
parecer favorável do departamento jurídico.
s
au
/C
#

Manifestação da Unidade Examinada

Após ciência do Relatório Preliminar a Casemg encaminhou o Ofício nº033/2018/PRESI, de


22/06/2018, manifestando o seguinte:

1. Ao analisar o processo administrativo 06/2017, dispensa 04/2017, referente à alienação


do imóvel de Bonfinópolis, verificou-se que o processo se iniciou com solicitação do
Presidente da CPL à época, através da CI/CPL/002/2017 datada de 31/01/2017 (cópia
anexa), na qual propõe a alienação de forma direta. O Diretor Técnico Operacional à época

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exarou o seguinte despacho: “A CPL, Prezado G., De Acordo com a venda direta do imóvel
de Bonfinópolis de Minas, uma vez que foi julgada deserta as três últimas tentativas". Com
base na solicitação do Presidente da CPL e após o despacho do Diretor Técnico
Operacional foi autorizado pelo Diretor Presidente a venda nas condições do último edital
de licitação (concorrência 003/2016, processo administrativo 096/20161).

2. Compulsando processo administrativo 096/2016, às fls 01 (cópia anexa), o Diretor


Presidente à época autorizou a abertura de procedimento licitatório nos seguintes termos
"De Acordo, providenciar abertura de processo licitatório conforme parecer técnico
mercadológico, sendo do imóvel de Bonfinópolis pelo limite inferior, uma vez que em
quatro outros certames não logrou êxito preço no valor médio e, Tupaciguara no valor
médio, conforme aprovado na Direx anterior".

3. Seguindo os tramites do processo administrativo 031/2017 com fincos ao embasamento


legal, o gestor do Departamento Jurídico à época emitiu o Parecer nº 004/2017 datado de
30/01/2017, dizendo que: entende que é possível a realização da alienação do imóvel de
Bonfinópolis de Minas/MG através de DISPENSA DE LICITAÇÃO.", tendo por base a
argumentação de que haviam sido realizadas 03 (três) tentativas de alienação e restaram
frustradas.

4. Importante ressaltar que a autorização do Diretor Presidente para a abertura do


processo de Dispensa de Licitação para venda de Bonfinópolis, foi precedida de arcabouço
técnico e parecer jurídico favorável. Cabe destacar que o atual Diretor Presidente foi
nomeado na 1ª reunião extraordinária do CONSAD em 12/01/2017.

5. Importa esclarecer que a responsabilidade administrativa é a que decorre do Estatuto


Social da Companhia ao qual o Diretor Presidente está submetido. Denota-se que a venda
direta proposta ocorreu após análises realizadas pela Comissão Permanente de Licitação
nomeada em 27/04/2016 e pelo Departamento Jurídico da Companhia no Parecer Jurídico
citado acima, que são os setores competentes para promoverem os estudos técnicos visando
a aplicação da modalidade licitatória para a alienação de bens móveis e imóveis conforme
legislação vigente. Dessa forma se houveram tentativas frustradas conforme atesta o
relatório n° 201702530 da CGU, toda a instrução do processo e arcabouço técnico partiu
dos setores competentes.

6. Por fim, tem-se que a análise para uma possibilidade de venda direta teve origem na
Comissão Permanente de Licitação — CPL, responsável pela instrução de todo o processo
administrativo 006/2017, que tinha por presidente um Assessor com formação jurídica,
portanto, conhecedor da legislação, sendo ainda o processo analisado pelo gestor do
Departamento Jurídico da época que emitiu parecer favorável à venda direta. Ressalta-se
entendimento do TCU quanto à responsabilidade de gestor quando da delegação de
competência: No processo registrado sob o nº 575.569/1996-4, Acórdão n° 372/2001, da
Segunda Câmara do Tribunal de Contas da União - TCU: "Esta Corte de Contas também
já entendeu que em algumas situações essa presunção de responsabilidade do ordenador
em relação a todos os atos que compõem sua gestão não deve subsistir, sob o fundamento
de que não se deve exigir dos dirigentes máximos da entidade que sua atividade de
supervisão seja tão profunda a ponto de tornar sem sentido o instituto da delegação de
competência."

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Análise do Controle Interno

Em sua manifestação a Diretoria da Casemg chama a atenção para os agentes envolvidos na


instauração do processo de alienação do imóvel de Bonfinópolis de Minas e que

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apresentaram a possibilidade técnica de realização por meio de dispensa de licitação, não
discordando da irregularidade apontada pela equipe de fiscalização.

A manifestação chama a atenção para o Parecer nº 004/2017 do Departamento Jurídico, de


30/01/2017, data anterior à CI/CPL/002/2017, de 31/01/2017, que solicita a abertura do
processo, evidenciando o interesse de se realizar a alienação de forma direta, favorecendo a
empresa Braga Forro Indústria e Comércio de PVC.

Frisa, ainda, a recente data de posse do atual Diretor Presidente, que se deu 19 dias
anteriormente à abertura do processo.
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#

Recomendações:
Recomendação 1: Apurar responsabilidade disciplinar e por dano ao erário pela
irregularidade da alienação, por dispensa de licitação, do imóvel de Bonfinópolis de
Minas/MG.

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