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Fundamentos da Termodinâmica

UNIDADE I
FUNDAMENTOS DA TERMODINÂMICA
UNIDADE 1

Calor e Propagação de Calor

Palavras do professor

Olá, estudante! Tudo bem? Seja bem-vindo à nossa disciplina Fundamentos da Termodinâmica. Será uma
experiência gratificante colaborar para seu aprendizado, desta forma, conto com seu comprometimento
nessa nova jornada de estudo.

Orientações da Disciplina

Caro (a) aluno (a), nesta primeira unidade de Fundamentos de Termodinâmica estabeleceremos os con-
ceitos básicos de temperatura, onde aprenderemos de forma bem simples o processo de medida desta
grandeza, e como transformar a temperatura de um sistema de medidas para outro que chamaremos de
escala termométricas. Em seguida, estudaremos alguns dos principais efeitos das mudanças de tempe-
ratura nos mais diversos materiais, principalmente os efeitos de expansão térmica (ou dilatação térmica),
por fim, nesta unidade, ainda aprenderemos qual grandeza promove as mudanças de temperatura, e
consequentemente os efeitos de expansão.

Antes de você iniciar a leitura do seu guia de estudo, gostaria de lembrar à importância da leitura do seu
livro-texto, pois ele irá nortear seus estudos. Em alguns momentos vou indicar a leitura de alguns links e
vídeos também. Assista a nossa videoaula, ela foi elaborada com o objetivo de facilitar seu aprendizado.
Em caso de quaisquer dúvidas não perca tempo! Envie uma mensagem para seu tutor, ele está apto para
quaisquer tipos de esclarecimentos.

Vamos embarcar em uma bela viagem no conhecimento científico? Vamos lá!

BREVE HISTÓRICO

Palavras do Professor

Prezado (a) estudante, antes de iniciar nosso tema é importante trazer algumas informações para seu
conhecimento, fique atento ao breve histórico.

O período referente aos séculos XVIII e XIX corresponde a uma fase de profundas mudanças sociais e
econômicas, quando os métodos da ciência experimental estabelecidos no século XVII passaram a ser
aplicados aos diversos ramos do conhecimento, e essas aplicações foram utilizadas para propiciar as
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transformações nos meios de produção, o que “promoveu” a revolução industrial, e esta constituiu um
estímulo à atividade científica, voltando-se a problemas suscitados pela indústria. É neste sentido que a
termodinâmica evoluiu.

São muitos os pesquisadores que contribuíram para o desenvolvimento da termodinâmica, como por
exemplo: James Watt (1764) com a máquina à vapor, James Prescott Joule (1843) com a formulação da
primeira lei Rodolf Clausius (1850) e William Thonson (1850), que se tornou lorde Kelvin com os ensina-
mentos da segunda lei, além do tardiamente reconhecido Nicolas Sadi Carnot (1796-1832) com a proposta
de uma máquina térmica de máximo rendimento.

TEMPERATURA E LEI ZERO DA TERMODINÂMICA

Em termos globais, a termodinâmica é a parte da física que estuda um sistema físico do ponto de vista
macroscópico. A palavra termodinâmica é derivada das palavras das gregas “themé” (calor) e “dynamis”
(força). Uma vez que a força pode ser entendida como ação, à etimologia da palavra traduz exatamente
esta ideia.

As leis da termodinâmica foram desenvolvidas a partir de meados do século XVIII, porém já havia noções
de temperatura e calor, frutos da observação humana da natureza, ou seja, o conceito de temperatura que
representaremos por T e tem origem nas ideias qualitativas de “quente e frio”. Contudo, os conceitos de
quente e frio não são bons parâmetros para a definição da temperatura.

Para Refletir

Imagine que dois irmãos gêmeos trabalhem na mesma avenida qualquer de uma ci-
dade, e seus estabelecimentos comerciais estejam localizado um a frente do outro.
Um dos irmãos possui uma padaria e o outro um frigorífico, ou seja, bastavam sair das
lojas para se encontrarem. Um belo dia de sol, eles marcaram um encontro e na hora
do encontro a temperatura no lado de fora das lojas era de 35°C. O tempo está quente
ou o tempo está frio?

Para esta mesma temperatura, os irmãos terão sensações diferentes, o que saiu do frigorífico terá a
sensação de tempo quente, quase insuportável, porém o irmão que saiu da padaria terá a sensação que a
temperatura de 35°C é bem agradável, pois estava ele antes num ambiente de maior temperatura. Desta
forma, quente e frio são sensações que estão mais ligadas a nossas variações de temperatura, tendo
relação com a temperatura que estávamos antes do encontro.

Dica

Definiremos temperatura como a grandeza que mede o “grau” de agitação das partícu-
las que compõe o corpo.

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Mas professor, como mediar à temperatura? Como estimar este “grau” de agitação das partículas que
compões um corpo? Pois bem! Percebeu-se que muitas propriedades da matéria sofrem mudanças consi-
deráveis quando sua temperatura varia, quando sofrem variações de temperatura.

Guarde essa ideia!

O volume de um corpo muda, o comprimento de uma barra de metal aumenta ou dimi-


nui, a resistência elétrica de um fio condutor é alterada, a pressão de um gás apresenta
mudanças, entre outras propriedades.

As características da matéria mudam quando um determinado corpo sofre alguma mudança na sua tem-
peratura e qualquer dessas mudanças pode ser usada como base de um instrumento que nos ajude a com-
preender o conceito da temperatura, embora que ainda macroscopicamente. A grandeza da temperatura
talvez tenha sido a primeira grandeza termodinâmica a ser medida.

??? Você sabia?

Em 1592, o astrônomo e físico italiano Galileu Galilei construiu um aparelho com base
numa destas mudanças da matéria em relação à mudanças de temperatura. Este equi-
pamento foi chamado de termoscópio. O termoscópio indica se houve ou não mudança
de temperatura no corpo por meio da medida de qualquer uma das características do
corpo que muda com a temperatura, mas não indica o valor da temperatura. Para repre-
sentar numericamente uma determinada temperatura é necessário graduar o termos-
cópio, ou seja, é preciso ter uma escala de temperatura no termoscópio.

Quando graduado, o termoscópio recebeu o nome de termômetro, que é o aparelho usado para a medida
da temperatura dos corpos. A partir da construção de Galileu, diversos termômetros foram construídos,
como por exemplo, o termômetro do alemão Gabriel Fahrenheit (1713), do francês René Réaumur (1730)
e do sueco Anders Celsius (1742).

Estes termômetros e outros não citados se baseiam em um mesmo processo: o aparelho entra em equi-
líbrio térmico com o corpo que cuja temperatura se busca medir. A figura 1 ilustra bem a observação de
James Clerk Maxwell.

Um termoscópio C é colocado em contato com um corpo A, numa caixa isolada termicamente. O ter-
moscópio apresentará uma leitura (não necessariamente uma temperatura) após o sistema entrar em
equilíbrio. Ao colocar o termoscópio C no corpo B (figura 1b), observou-se que a leitura do termoscópio,
após ser estabelecido o equilíbrio foi a mesma obtida na experiência anterior, o que demonstra que A e B
estão na mesma temperatura, ou seja, em equilíbrio térmico. Esta observação é conhecida como lei zero
da termodinâmica.

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“Se dois corpos, A e B, estão separadamente em
equilíbrio com um terceiro corpo C, então A e B estão
em equilíbrio térmico entre si.”

Fonte: Figura 1 - Em (a) o termoscópio é colocado em contato com A. (b) o termoscópio é colocado em contato com
B. (c) o termoscópio é colocado em contato com ambos os corpos.(Fundamentos de Física – Halliday, Resnick – Vol.
2 – 2009 – LTC)

A importância desta lei só foi reconhecida depois que a primeira e a segunda lei foram anunciadas. E
como esta é a lei básica em relação às demais, foi assim intitulada de lei zero da termodinâmica.

Escalas Termométricas

Palavras do Professor

Prezado (a) aluno (a), agora que você já aprendeu sobre a temperature e a lei zero da termodinâmica,va-
mos dar continuidade ao nosso estudo, conhecendo as escalas termométricas.

O termômetro mais utilizado para fins práticos é o termômetro de mercúrio. Este termômetro é constituído
por um reservatório de vidro (denominado de bulbo) cheio de mercúrio, que se comunica com uma haste
de vidro, cuja luz tem diâmetro muito fino, comparável com um fio de cabelo (haste capilar). Quando a tem-
peratura do termômetro aumenta o mercúrio sofre uma dilatação térmica, ou seja, seu volume aumenta e
consequentemente, o mercúrio sobe ao longo da haste.

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Como propriedade termométrica desse termômetro, nós utilizaremos em vez do volume de mercúrio, cuja
variação estudaremos mais tarde, a altura h da coluna de mercúrio na haste. Assim, Como a dilatação do
mercúrio é uniforme entre os dois pontos fixos fundamentais pré-definidos na graduação do termômetro,
automaticamente qualquer outra temperatura nesse intervalo estará definida, pois a cada altura da colu-
na de mercúrio corresponderá à temperatura do corpo em questão.

Geralmente os pontos fixos fundamentais são os pontos de fusão (congelamento) da água e o ponto de
valorização (ebulição ou fervura), e assim tem-se que construção de diversas escalas termométricas.

A escala Celsius divide-se entre os dois pontos fixos (denominado intervalo fundamental) em 100 (cem)
partes iguais. Cada uma dessas partes constitui a unidade da escala, denominada graus Celsius (símbolo:
ºC). Para a escala Fahrenheit, o intervalo fundamental é dividido em 180 (cento e oitenta) partes iguais,
cada uma das quais constitui o grau Fahrenheit. Assim, o grau Fahrenheit (°F) corresponde a 1/1,8 do
intervalo fundamental.

Prezado (a) aluno (a), vamos aprender como encontrar a equação que promove a conversão em escalas
Celsius, Kelvin e Fahrenheit. O primeiro passo a fazer uma mudança de escala é determinar algumas tem-
peraturas que sejam conhecidas nas duas ou três escalas que você queira converter.

Exemplo

O ponto de fusão e o ponto de valorização da água são os mais usados. O ponto de fusão é aquele que
o gelo começa a derreter nas condições normais de pressão e temperatura. O ponto de vaporização que
também podemos chamar de ponto de ebulição é aquele que a água entra em ebulição nas condições
normais e pressão. A escala de temperatura Celsius apresenta valor zero (0°C) e para o ponto de vapori-
zação 100°C. Na escala Fahrenheit onde o termômetro em Celsius registraria 0°C está registrada 32°F e o
ponto de vaporização correspondem a 212°F. Observem que são os mesmos fenômenos físicos (ponto de
fusão do gelo e ponto de vaporização), mas os números registrados em cada termômetros são diferentes.
Se o termômetro estiver graduado em Celsius o gelo funde em 0°C e se ele estiver graduado na escala
Fahrenheit a fusão ocorre a 32°F. Por isso é preciso encontrar uma equação onde é possível converter uma
escala em outra.

Outra escala que estudaremos nesta disciplina é à escala Kelvin, ou escala absoluta, o valor zero desta
escala, representa fisicamente que todas as partículas que compõe o corpo estejam em repouso (da
definição da temperatura que mede o “grau” de agitação das partículas). Mas você sabia que não se
pode parar totalmente o movimento de uma partícula? A mecânica quântica prova que sempre haverá um
movimento, sempre um mínimo de agitação das partículas que compõe o corpo, e assim, nunca é possível
atingir o zero kelvin (0K), também conhecido como zero absoluto.

A escala Kelvin é absoluta e por isso não tem o “grau” como nas duas escalas que já descrevemos ante-
riormente, as escalas Celsius e Fahrenheit. As temperaturas na escala kelvin que correspondem ao ponto
de fusão e de vaporização da água são respectivamente 273K e 373K.

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A relação entre estas escalas, e consequentemente com qualquer outra escala é dada pelo teorema de
Talles que diz que: “retas paralelas cortadas por retas transversais, produzem segmentos de retas pro-
porcionais.” Por este teorema é possível relacionar uma temperatura qualquer na escala Celsius, com
uma temperatura qualquer na escala Fahrenheit, com uma temperatura qualquer na escala Kelvin ou uma
escala arbitrária. Então, como obter essa relação? Observe que para encontrar a relação é necessário
fazer uma simples proporção, uma vez que os segmentos de reta gerados no teorema de Talles são pro-
porcionais.

Fonte: Figura 2 – Escalas termométricas Celsius, Fahrenheit e Kelvin e o teorema de Talles para conversão de tem-
peraturas. (http://www.brasilescola.com/quimica/as-escalas-termometricas.htm)

As linhas imaginárias que passam pelas temperaturas de vaporização da água (100°C, 212°C e 373K)
são paralelas as linhas imaginárias que passam pelos pontos TC, TF e TK e são também paralelas a reta
imaginária que une os pontos de fusão da água (0°C, 32°F e 273K). As escalas são as retas transversais.

Para Refletir

Você consegue ver os segmentos de reta gerados?

Observe que a diferença de temperatura entre o ponto 0°C e a temperatura TC na escala Celsius (TC – 0).
Esta diferença é um segmento de reta e proporcional ao segmento caracterizado pela diferença (TF – 32)
e ao mesmo tempo proporcional a diferença de temperatura na escala Kelvin (TK – 273). A proporção é
calculada pela divisão de cada segmento (diferença de temperatura entre a leitura do termômetro e o
ponto de fusão da água) pelo tamanho da escala em questão, ou seja, pela diferença de temperatura
entre o ponto de fusão e o ponto de valorização. No caso da escala Celsius o segmento de reta definido
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pela diferença (100 – 0), que representa o tamanho da escala. Para as escalas Fahrenheit e Kelvin tem-se
tamanhos iguais a (212 – 32) e (373 – 273).

Fazendo então a relação tem-se:

Simplificando a equação temos:

Observa-se a escala Celsius e a escala kelvin tem exatamente o mesmo tamanho (100 partes). Isso faz
com que as variações de temperaturas na escala kelvin sejam iguais as variações de temperatura na
escala Celsius.

Podemos simplificar esta relação entre as escalas e reescrevê-las da seguinte forma:

Essa é a relação de conversão de temperatura entre as escala Celsius, Fahrenheit e kelvin, ou seja, a
equação que vamos utilizar para transformar qualquer mudança de temperatura de escala Celsius para
Fahrenheit ou para Kelvin.

Veja o vídeo!

Caro (a) aluno (a), um exemplo que mostra a utilização do teorema de Talles para a
conversão de temperatura de uma escala para outra pode ser visto neste vídeo com
aproximadamente 10 minutos e 49 segundos, seria interessante vê-lo agora, pois se
for preciso fazer uma conversão de temperatura para uma escala desconhecida, uma
escala arbitrária? A relação acima não me ajudará. Então, como fazer? Vejamos um
exemplo:

Exemplo

Uma escala termométrica arbitrária X atribui o valor 20°X para a temperatura de fusão do gelo e 80°X
para a temperatura de ebulição da água, sob pressão atmosférica. Qual a temperatura na escala Celsius
que representa a temperatura de 25°X sob mesma pressão?

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Para fazer a conversão da temperatura da escala arbitrária X para a escala Celsius, desenhamos as esca-
las e desta forma, podemos perceber o segmento que representa a leitura da temperatura e o segmento
que representa o tamanho da escala.

Assim substituindo TX = 25°X, temos:

Dica

No seu livro texto, você encontrará outros exercícios para que possa fixar bem como fa-
zer conversões de temperatura de uma escala para outra escala quando for necessário.

Dilatação Térmica

O que os pequenos espaços entre viadutos, os espaços colocados nos trilhos de uma ferrovia e um termô-
metro possuem em comum? Embora possa parecer que nada tenham em comum, todos estes fenômenos
se utilizam de um mesmo fenômeno.

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Vimos na secção anterior, na qual estudamos os termômetros e as escalas termométricas, que as mu-
danças de temperatura provocam mudanças nas características da matéria. Uma das mais importantes
dessas mudanças é o fato de que as dimensões dos objetos mudam com a temperatura. O comprimento
de uma barra, a área de uma superfície ou o volume de determinado sólido cresce quando a temperatura
aumenta e diminui quando a temperatura do corpo é reduzida.

Caro (a) estudante (a) chamamos esse fenômeno de dilatação térmica, e nos concentraremos agora no
estudo das dilatações dos sólidos e dos líquidos.

Esta variação no tamanho dos materiais é divido ao maior grau de vibração das partículas do sistema, que
faz com que a distância média entre as partículas aumente. Quando consideramos o aumento entre todas
as partículas de um objeto, temos uma variação considerável, e mesmo assim, a dilatação da maioria dos
materiais não atinge grandes valores. Embora o crescimento ou redução das dimensões dos materiais em
função da temperatura seja muito pequena ao olho humano, estas dilatações são de fundamental impor-
tância, e se não forem levados em consideração estes efeitos, toda uma obra ou criação na engenharia
pode ser perdida.

Figura 3 – O trilho à esquerda mostra o resultado de uma construção sem levar em consideração as juntas de
dilatação (espaços entre os trilhos) para garantir variações de tamanho do trilho com as variações de temperatura
(Fonte: Fundamentos de Física – Halliday, Resnick – Vol. 2 – 2009 – LTC)

O detalhe a direita mostra as juntas de dilatação numa ponte chamada Puerta da Europa em Barcelona
feita para evitar fissuras e rachaduras na construção.

A figura 3 ilustra duas situações bem distintas. Na situação à esquerda, o trilho de uma ferrovia ficou
deformada porque no seu projeto de construção não havia cálculos prevendo as juntas de dilatação. Com
o aumento da temperatura devido à exposição ao sol, o trilho não tinha espaço para crescer e deformou.
Na situação à direita a ponte chamada de puerta da Europa contém juntas de dilatação em seu projeto,
permitindo o crescimento da ponte com as variações de temperatura e garantindo maior durabilidade da
obra.
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Mas como se calcula este efeito? Como prever este crescimento? Veremos agora como podemos obter
uma relação para calcular a dilatação dos materiais.

DILATAÇÃO LINEAR DOS SÓLIDOS

Palavras do Professor

Chamaremos de dilatação térmica linear a dilatação de objetos cujo comprimento é muito maior do que
as outras duas dimensões, tornando a dilatação das outras dimensões desprezíveis quando comparada ao
comprimento. É o caso de uma barra ou fio.

Considere uma barra de comprimento inicial Lo, feita com determinado material metálico ilustrada na
figura 4.

Figura 4 – Dilatação térmica linear. A barra possui um comprimento Lo, quando está numa temperatura To e apre-
senta um comprimento final L, a uma temperatura final T = To + ΔT
Fonte: http://www.webcalc.com.br/engenharia/dilatacao.html.

Ao aquecer a barra fazendo sua temperatura variar ΔT, de modo que sua temperatura final seja T = To + ΔT.
O comprimento da barra após o aquecimento ΔT será L = Lo + ΔL, em que ΔL é variação de comprimento
da barra.

De forma empírica (ou seja, por meio de observações experimentais), podemos verificar que a dilatação
de uma barra é proporcional a:

• Variação de Temperatura (ΔT) – Quanto mais aumenta a temperatura mais cresce a barra e
quanto mais diminui a temperatura da barra mais ela reduz o seu tamanho.
• Ao seu comprimento inicial (Lo) – Quanto maior o comprimento inicial de uma barra qualquer,
mais ela crescerá ou reduzirá com as variações de temperatura.

Assim, podemos escrever que:

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Em que ΔL é a variação de comprimento da barra que representa o quanto a barra cresceu ou o quanto
a barra diminuiu; Lo é o comprimento inicial da barra; ΔT é α variação de temperatura da barra e (alfa) é
uma constante de proporcionalidade e está relacionada com o tipo do material a ser aquecido. A constan-
te α é conhecido como o coeficiente de dilatação térmica linear do material de que a barra é feita.

A unidade de media de α é o inverso da medida da temperatura, ou seja, no sistema internacional de


unidades, a unidade de medida de α é 1/K (ou K-1). Mas, você lembra que quando estudamos no inicio
desta unidade, as escalas termométricas Celsius e kelvin tinham o mesmo tamanho (100 divisões)? Pois
bem, nossa conclusão naquela ocasião foi que devido a esta semelhança, as variações de temperatura
na escala Celsius são iguais às variações de temperatura na escala kelvin, e portanto, não há alterações
nos valores dos coeficiente de dilatação linear dos materiais quando representamos a unidade de medida
da constante pelo o inverso do “grau celsius” como 1/°C (ou °C-1). Assim, podemos estudar as dilatações
dos materiais usando as temperaturas nas escalas celsius sem cometermos erros.

Fisicamente, a constante α é exatamente valor do crescimento linear de uma barra qualquer, que possui
inicialmente um metro de comprimento quando ela é aquecida por uma variação de um grau celsius na
sua temperatura.

A tabela 1 a seguir mostra o coeficiente de dilatação linear de diversos materiais à temperatura ambiente
e sob condições normais de pressão atmosférica.

Tabela 1- Coeficientes de dilatação linear

Para objetos de mesmo comprimento inicial e submetidos à mesma variação de temperatura, quanto
maior o coeficiente de dilatação linear do material, mais ele cresce. Em outras palavras, o chumbo tende
a crescer mais que o alumínio, que tende a crescer mais que o ferro.

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Qual a aplicabilidade deste conceito em nossas vidas?

Exemplos

1. Você é um engenheiro convidado a projetar uma ponte de ferro, cujo comprimento será de 2,0 km. Os
efeitos de contração de expansão térmica na cidade onde será construída a ponte é tal que nesta cidade
a temperatura pode apresentar um mínimo de temperatura de -40ºC e um máximo de + 40ºC. Sendo o
coeficiente de dilatação linear do ferro, segundo a tabela 1, é de 12 x 10-6 ºC-1. Desta forma, qual é a
máxima variação esperada no comprimento desta ponte?

A solução do problema é simples, escrevemos a equação que descreve o fenômeno de dilatação ou ex-
pansão térmica linear e em seguida vamos substituir os valores.

Observe que a máxima variação esperada no comprimento da ponte (ΔL) se dará quando houver a máxi-
ma variação de temperatura que será a diferença entre o máximo e o mínimo de temperatura da cidade.
Substituindo os valores, temos:

Este resultado índica que é necessário uma junta de dilatação de quase dois metros nesta ponte, que
pode e deve ser distribuído em pequenas juntas de dilatação ao longo da ponte.

Visite a Página

Essa observação e muitas outras podem ser encontradas em um


simulador on line da dilatação térmica linear dos materiais, que
encontra-se no Link. Faça uma visita no link e simule o compor-
tamento do comprimento dos materiais com as variações de tem-
peratura.

Dilatação superficial e volumétrica dos sólidos

Quando um corpo sofre dilatação em duas dimensões, ou seja, quando uma chapa ou uma placa qualquer
sofre uma variação de temperatura, as duas dimensões da chapa dilatam proporcionando um aumento da
área de sua superfície.

A variação da área (ΔA) é proporcional à área inicial (Ao) e a variação da temperatura (ΔT). A constante
de proporcionalidade é conhecida com coeficiente de dilatação superficial do material, e é igual ao dobro
do coeficiente linear. Assim, de forma análoga as dilatações lineares, temos:

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Em que o termo em parênteses no lado direito na equação é o coeficiente de dilatação superficial do
material.

Chamamos de dilatação superficial o fenômeno de expansão em que a terceira dimensão do material é


muito pequena quando comparada com as outras duas dimensões. Quando as três dimensões de determi-
nado sólido estão na mesma ordem de grandeza, dizemos que a dilatação térmica do corpo é volumétrica.

A figura 5 ilustra um cubo de volume inicial Vo quando está numa temperatura To.

Figura 5 – Dilatação térmica volumetrica. O cubo possui um volume Vo, quando está numa temperatura To e apre-
senta um volume final V, a uma temperatura final T = To + ΔT

Ao ser aquecido, o cubo sofre uma variação de temperatura ΔT, e sua temperatura final é T = To + ΔT. As
três dimensões do corpo aumentam e, consequentemente, o seu volume, que passa a ter um valor V. As-
sim como na dilatação linear e na superficial, a variação do volume ΔV do corpo é proporcional ao volume
inicial Vo e a variação de temperatura ΔT.

A constante de proporcionalidade depende do material de que é feito o corpo e é denominada de coefi-


ciente de dilatação volumétrica do material e representada pela letra beta ). Portanto, podemos escrever
a relação:

Em que é três vezes o valor de a = 3).

Como os coeficientes superficiais e volumétricos são múltiplos do coeficiente linear, é necessário ter co-
nhecimento dos coeficientes de dilatação térmica linear, em que alguns deles estão listados na tabela 1.

E se uma chapa metálica qualquer tiver um orifício circular de raio ro, o que acontece com o orifício da
chapa ao ser submetido a uma variação de temperatura? E se um cubo tiver uma cavidade qualquer no
seu interior? O que acontece com esta cavidade ao ser aquecido ou resfriado?

O orifício circular da chapa terá seu raio alterado com as variações de temperatura, ou seja, o orifício
crescerá se for aquecido e diminuirá se for resfriado. O mesmo ocorre para a cavidade no interior do
corpo. Pode parecer estranho a resposta para estas perguntas, mas é assim que a natureza atua. O vazio

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dilata como se fosse feito do material que o circunda. Como assim? Se a chapa for de ferro, por exemplo,
o orifício na chapa variar como se ele fosse de ferro.

DILATAÇÃO DOS LÍQUIDOS

Se tratando dos líquidos, os estudos são realizados apenas sobre a dilatação volumétrica, pelo fato de
não possuírem forma própria. De fato, a mesma lei que se aplica à dilatação dos sólidos se aplica também
a dos líquidos. Portanto, as equações matemáticas da dilatação dos sólidos são usadas nos cálculos da
dilatação dos líquidos.

Em outras palavras, um líquido ao ser aquecido também dilata, embora a relação da variação de volume
de um líquido com a temperatura não seja linear, para pequenos intervalos de temperatura, podemos
escrever uma relação linear, como nas expressões anteriores. Assim, podemos escrever:

Em que, ΔVliq é a variação do volume sofrida pela liquido, Vo(liq) é o volume inicial do liquido e liq é o
coeficiente de dilatação do líquido.

Os coeficientes de dilatação volumétrica dos líquidos são aproximadamente 100 vezes maiores que o
coeficiente de dilatação dos sólidos. Isso indica que os líquidos dilatam mais facilmente que os sólidos.
Desta forma, quando tratamos os líquidos confinados em um recipiente, o aquecimento se dará tanto
no líquido quanto no próprio recipiente que contém o líquido. Desta forma ambos dilatam, e o resultado
observado é uma combinação dos dois efeitos, fornecendo uma dilatação que não é real, chamada de
dilatação aparente.

Onde ΔVap é a variação de volume aparente; ΔVliq é a variação de volume do líquido e ΔVrec é a variação
do volume do recipiente que contém o líquido.

Assim, um recipiente cheio de um líquido até sua borda, quando aquecido. O conjunto é aquecido e o
líquido transbordará, pois como já havíamos estudado, os líquidos dilatam mais do que os sólidos. A
quantidade que transbordou do recipiente é a dilatação aparente do líquido (ΔVap).

Se conhecermos a dilatação do recipiente (ΔVrec), então não será complexo determinar a dilatação real
do líquido (ΔVliq).

Leitura complementar

Prezado (a) aluno (a), para auxiliá-lo no processo de aprendizagem


da dilatação térmica dos líquidos, visto que é o mais complexo das
teorias de dilatação, é indicado fazer a leitura do texto no Link
que fará a mesma abordagem com outras palavras, proporcionan-
do-lhes uma nova ótica sobre a dilatação térmica dos líquidos.

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Para finalizar esta unidade é importante saber que de todos os materiais e substâncias, apenas um deles,
em um intervalo pequeno de temperatura, não segue a teoria de dilatação que aprendemos nesta unida-
de, a água.

No intervalo entre 0°C e 4°C, a água aumenta seu volume quando é resfriada, e quando aquecida contrai-
se, diminuindo o seu volume. Este comportamento inverso da água em relação a dilatação térmica mostra
o porque os recipientes deformam ou quebram quando congelamos a água, e é também responsável por
fazer a água de lagos e rios não congelarem totalmente nos invernos rigorosos do hemisfério norte, ga-
rantindo assim a vida aquática destes ecossistemas.

Palavras do Professor

Prezado (a) estudante, assim espero que esse guia de estudo tenha lhe ajudado na compreensão dos
conteúdos referentes a essa unidade, e espero que você consiga assim fazer os exercícios que foram
propostos e as atividades dos fóruns fornecendo sua opinião à cerca dos temas abordados. Qualquer
dúvida com relação aos conteúdos ou às questões de exercícios entre em contato com seu tutor, ele está
apto para quaisquer tipos de esclarecimentos. E espero que depois de ter estudado os conteúdos dessa
unidade você esteja apto para iniciar os estudos da próxima unidade.

Até a próxima unidade.

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