Você está na página 1de 8

3281: Atividades pedagógicas do quotidiano da criança

1.Observação e conhecimento individualizado das crianças- técnicas e


procedimentos

A observação e o registo constituem os principais instrumentos de que o educador


dispõe para apoiar a sua prática.

Por meio deles o educador pode registar, contextualmente, os processos de


aprendizagem das crianças; a qualidade das interações estabelecidas com outras
crianças, funcionários e com o educador e acompanhar os processos de
desenvolvimento obtendo informações sobre as experiências das crianças na
instituição.

Para que as observações não se percam e possam ser utilizadas como instrumento de
trabalho, é necessário que sejam registadas.

As fichas de observação da criança devem:


• Descrever o mais objetivamente possível o comportamento das crianças;
• Descrever a intervenção escolhida,
• Descrever os resultados dessa intervenção,
• Pôr em evidência os factos observados, descrevendo um comportamento.

As conclusões só serão tiradas se houver comportamentos repetitivos e, depois de


haver esses comportamentos, fazer uma análise cuidada da sua frequência.

O educador deve assegurar-se que cada criança seja observada em situações variadas.
O conjunto dessas observações pode dar ao educador uma visão global do
desenvolvimento da criança. Cada registo pode ser elaborado ao gosto de cada um.

Pode-se observar como exemplo, a escolha das áreas; o comportamento da criança; a


frequência de um determinado comportamento; a atividade orientada; a rotina diária;
espaço exterior; espaço interior…

Exemplos de Fichas de Registo.

2.Relação e comunicação com as crianças


Comunicação significa entrada e saída: o que chega vindo de ti para mim, o que vai de
mim para ti, e o que vai de mim para ti. Significa entrar em contacto usando todo o teu
ser: o teu pensamento mágico, o teu corpo e o seu movimento, os teus efeitos de som,
os sentidos – algumas vezes separadamente, outras em conjunto.

Os seres humanos não têm de falar para comunicar, mas não há dúvida de que as
palavras clarificam muito melhor a transmissão de informações e pensamentos. Nos
primeiros anos de vida, a linguagem corporal desempenha um papel mais importante.

O crescimento da linguagem ilustra a interação entre todos os aspetos do


desenvolvimento: físico, cognitivo, emocional e social. À medida que as estruturas
físicas, necessárias à produção de sons, sofrem maturação, e que as conexões
neuronais, necessárias à associação de sons e de significados se tornam ativadas, a
interação social com os adultos inicia os bebés na natureza comunicativa do discurso.

O educador e auxiliar educativo, no jardim-de-infância, têm um papel único a


desempenhar na descoberta da utilização que a criança faz da linguagem (para que a
utiliza e como o faz). Devem observá-la primeiro na relação com os outros, adultos e
crianças, e só depois na situação escolar.

Deverão estar atentos a quaisquer sinais de dificuldade da linguagem e fala da criança,


que podem confundir-se com atrasos de desenvolvimento ou virem a criar-lhe
problemas nas suas relações com os outros e na aprendizagem.

Se o educador ou o auxiliar identificarem as dificuldades da criança, poderão facilitar a


comunicação com ela e entre ela e as outras crianças, o que influenciará positivamente
a aprendizagem e desenvolvimento social de todas.

A principal prioridade do educador deverá ser sempre a construção de um


relacionamento empático e afetivo com cada uma das suas crianças. A segunda
prioridade, mas não menos importante, deverá ser com as aprendizagens e com o
desenvolvimento de competências dos mesmos.

É importante que o educador conduza os trabalhos no sentido da descoberta de


formas assertivas de relacionamento, estabelecendo com os participantes um clima de
autoafirmação, que permita desenvolver:
• O sentido do humor, da simpatia e do acolhimento;
• A capacidade de observação das situações;
• Um relacionamento aberto e franco fundado na segurança da personalidade;
• A qualidade da informação/comunicação, ou de dar/receber feedback;
• A capacidade de escutar e apreciar os outros.

3.Relação e comunicação com os diferentes adultos

Em instituições de cuidado às crianças o adulto desempenha sempre o papel de


vigilante. É ele o responsável pela segurança e ótimo desenvolvimento da criança.

O vigilante/adulto desempenha assim, diferentes papéis. O papel de animador do


grupo, facilitador do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança e de
coordenador dos comportamentos da criança.

Ao assumir-se como animador das crianças nas diferentes situações que ocorrem, o
vigilante tem por finalidade chegar à personalidade de cada criança e ao mesmo
tempo do grupo. Este desempenho por parte do adulto requer que se dê importância
ao registo afetivo e relacional adotado pela criança.

Há uma série de comportamentos e atitudes de apoio e colaboração que os adultos


podem pôr em prática, que vão proporcionar uma relação de diálogo, apoio e
colaboração entre a criança e o adulto, favorecendo a confiança da criança.

São elas:
1. Apoio do adulto nos momentos de chegada e de partida da criança.
2. Apoio do adulto ao longo das atividades livres.
3. Apoio do adulto ao longo do tempo de grupo.
4. Apoio do adulto nos momentos de refeição.
5. Apoio do adulto nos momentos de rotina de cuidado do corpo.
6. Apoio do adulto nos momentos de descanso.

Os adultos devem responder apropriadamente às vocalizações do bebé, à manipulação


que fazem dos objetos e aos seus movimentos, já que estes são os meios deles
comunicarem. Os adultos pegam e tocam frequentemente nos bebés; falam e cantam
para eles numa voz calmante e segura; sorriem e mantêm contacto visual.

Em relação às crianças de 1-2 anos, os adultos mantêm-se por perto, dando atenção e
conforto físico sempre que necessário. Repetem as palavras das crianças, parafraseiam
ou usam sinónimos ou ações para as ajudar a ter a certeza de que são compreendidas.
À medida que as crianças crescem, as respostas dos adultos são caracterizadas por
menor comunicação física e maior resposta verbal, apesar de que um imediatismo seja
ainda mais importante.

Os adultos deveriam também ter consciência, com todos os grupos etários, da


poderosa influência do exemplo e de formas de comunicação não-verbal; as ações dos
adultos devem ser compatíveis com as suas mensagens verbais e devem confirmar que
as crianças compreendam o que elas querem comunicar.

Os adultos facilitam à criança a realização de tarefas com sucesso, proporcionando


apoio, atenção focalizada, individualizada, proximidade física e encorajamento
verbal.

Os comportamentos dos adultos em relação às crianças que nunca devem ser


aceitáveis, incluem: gritar alto e com zanga; negligenciar; infligir dor física ou
emocional; criticismo na pessoa da criança ou da família, ridicularizando, atribuindo
culpas, gozando, insultando, ou usando castigos ameaçadores ou humilhantes.

Os adultos não devem rir do comportamento da criança, nem discuti-lo entre si na


presença das crianças.

Os adultos facilitam o desenvolvimento do auto controle nas crianças.

As crianças aprendem auto controlo quando os adultos as tratam com dignidade e


usam técnicas de disciplina, tais como:
• Orientar as crianças através de limites claros, consistentes e justos em relação
ao comportamento na sala, ou no caso de crianças mais velhas, ajudando-as a
estabelecer os seus próprios limites;
• Valorizar os erros como oportunidades da aprendizagem;
• Reorientaras crianças para comportamentos ou atividades mais aceitáveis;
• Escutar as crianças quando falam sobre os seus sentimentos e frustrações;
• Guiar as crianças para que elas resolvam conflitos, modelando competências
que ajudem as crianças a resolver os seus próprios problemas;
• Lembrar pacientemente às crianças, quando tal seja necessário, as regras e as
razões para essas mesmas regras.

4.Desenvolvimento do trabalho em equipa


As diferentes modalidades de educação pré-escolar podem agrupar-se entre si ou em
estabelecimentos próximos de outros níveis de ensino. Esta inserção num
estabelecimento ou num território educativo constitui uma modalidade organizacional
que permite tirar proveito de recursos humanos e materiais, facilitando ainda a
continuidade educativa.

Cabe ao diretor pedagógico de cada estabelecimento ou estabelecimentos, em


colaboração com os educadores, encontrar as formas e os momentos de trabalho em
equipa.

Estas equipas podem ainda beneficiar do apoio de diferentes profissionais, tais como
educadores de educação especial, psicólogos, trabalhadores sociais, animadores e
outros que, enriquecendo o trabalho da equipa, facilitam a procura de respostas mas
adequadas às crianças e às famílias.

O trabalho em equipa torna-se fundamental para reflectir sobre a melhor forma de


organizar o tempo e os recursos humanos, no sentido de uma acção articulada que
responda às necessidades das crianças e dos pais.

Porque o projeto educativo do estabelecimento ou território deve ter em conta o meio


social em que vivem as crianças, há vantagens em que inclua a participação de outros
parceiros da comunidade, como autarcas e outros serviços e instituições locais que
podem contribuir para melhorar a resposta educativa.

Materiais, equipamentos e espaços

O espaço será, sempre que possível, diferente do espaço habitual da sala em que se
realizam as atividades curriculares. Como comentava uma educadora, "pensar, como
nós adultos, não gostamos de estar todo o dia no mesmo local de trabalho, e
aproveitamos a oportunidade para sair um pouco à hora do almoço, ou durante um
pequeno intervalo, ajuda a perceber como a permanência num mesmo espaço pode
ser cansativa para as crianças".
Sempre que possível, o espaço exterior é um local privilegiado do tempo de animação
socioeducativa.

Convém assim refletir sobre:


• Quais os espaços possíveis? Como rentabilizar espaços existentes na
comunidade?
• Como organizar esse espaço para o tornar mais atraente e íntimo? Como
pode o espaço facilitar a escolha de atividades e as brincadeiras das crianças?
• Qual o contributo das crianças para a escolha do(s) espaço(s) e para a sua
organização?

Esta organização passa pela escolha de materiais e pela forma como estão dispostos.

Na escolha dos materiais serão de privilegiar a originalidade – diferentes dos que são
habitualmente utilizados em tempo curricular, a versatilidade – possibilidades diversas
de utilização e transformação.

Assim, serão de privilegiar materiais com mais de uma utilização e facilmente


deslocáveis, destacando-se dois tipos-base: materiais de jogo simbólico e de
psicomotricidade.

A título de exemplo citam-se alguns materiais de entre estes dois tipos. Como recursos
para a motricidade podem citar-se – bolas de vários tamanhos e texturas, arcos,
triciclos, carrinhos para andar e empurrar, ringues e também blocos grandes de
espuma, ou outro material leve, que permitam várias construções (casas, castelos,
barcos), onde as crianças possam entrar e sair e, ainda, "papagaios" ou pára-quedas
que possam lançar.

Os materiais de jogo simbólico podem incluir – bonecos, arca de trapalhadas e


adereços de várias profissões, que as próprias crianças poderão fabricar.
Poderá ainda haver animais em miniatura, domésticos ou selvagens, etc. Também os
fantoches são um recurso importante que as crianças poderão utilizar livremente.

Será ainda de pensar em instrumentos musicais – feitos pelas crianças, materiais de


carpintaria, etc.

A utilização criativa de materiais de desperdício pode ser ainda uma solução


económica, que permite uma grande variedade de utilizações, que desafia a
criatividade dos adultos e permite às crianças uma grande liberdade na sua utilização.

Também os livros poderão ser um recurso privilegiado para as crianças verem,


comentarem e "lerem".

5.Desenvolvimento de atitudes e comportamentos

5.1.Responsabilidade

A responsabilidade bem como a autonomia vão-se adquirindo como consequência da


liberdade e do sentido de autoridade com que fomos orientados. É um valor que se vai
traduzindo nos comportamentos de forma progressiva ao longo da vida. Aos poucos as
crianças vão aprendendo a decidir e pensar por si, embora sabendo ouvir e atender à
opinião dos outros.

O papel dos pais e dos adultos com funções educativas é estimular, dar confiança, criar
oportunidades para que a criança possa fazer escolhas, assumir responsabilidades e
adquirir o gosto pela independência de forma equilibrada.

As crianças necessitam de estruturas orientadoras e de limites. É uma ajuda saberem o


que é exigido ou permitido e quais são as regras, juntamente com as razões que as
fundamentam, bem como o saberem se estas regras são no seu interesse ou no
interesse de outros.

5.2.Iniciativas pessoais

A inteligência de uma criança só se desenvolverá de forma satisfatória se esta


necessidade for correspondida durante a infância. Tal como o corpo requer alimento
para permitir o desenvolvimento físico e tal como uma dieta equilibrada é essencial
para o crescimento normal, assim as novas experiências são um requisito para o
intelecto.

Os ingredientes vitais desta dieta são, na primeira infância, o jogo e a linguagem.


Através deles, a criança explora o mundo e aprende a enfrentá-lo. Isto é tão
verdadeiro em relação ao mundo subjetivo e interior dos pensamentos e dos
sentimentos.

As novas experiências facilitam a aprendizagem de uma das lições mais importantes


nos primeiros anos de vida: aprender a aprender, e aprender que o domínio sobre algo
traz consigo alegria e um sentimento de realização. A educabilidade não depende só
das capacidades inatas, mas tanto — ou mais — das oportunidades e estímulos
fornecidos pelo meio.

O clima emocional e cultural do lar, bem como o envolvimento e as aspirações dos pais
podem acalentar, limitar ou prejudicar o crescimento mental.

O jogo corresponde, principalmente de duas formas, à necessidade de novas


experiências: dando à criança a possibilidade de conhecer o mundo; e fornecendo-lhe
meios para enfrentar e resolver emoções contraditórias, visto permitir que a fantasia
se sobreponha à realidade e à lógica.

Você também pode gostar