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Lição 5: A mordomia da Igreja Local

INTRODUÇÃO

Temos estudado até a última lição sobre a mordomia do Ser do homem - corpo, alma e espírito -
bem como seu primeiro habitat social, isto é, a família. Desta em diante, estudaremos as
relações humanas do cristão fora do eixo de sua família: a igreja local. A expressão ‘igreja
local’ não é encontrada nas Escrituras, mas veio a ter largo uso de modo a distinguir os
diferentes significados da palavra igreja (ekklesia) como aparece no Novo Testamento. O Novo
Testamento toma essa palavra, comum no mundo grego daqueles dias para descrever um
ajuntamento de cidadãos convocados a se reunirem para fazer o negócio do Estado, e passam a
aplicar a pessoas convocadas por Deus para fazerem o negócio do céu. Essa idéia de um povo
‘convocado’ ou ‘chamado para fora’ servia perfeitamente ao conceito bíblico de um povo a
quem Deus ‘chamou das trevas, para a sua maravilhosa luz’ (1Pe 2.9). O uso mais adequado da
palavra igreja em nossa Bíblia tem referência com todos os que responderam ao chamado do
evangelho (2Ts 2.14) e entraram numa nova relação com Deus. O movimento que eles fizeram
não é espacial, mas espiritual. Eles, pela fé, deixaram o mundo de valores tenebrosos e vieram
para a luz do Filho de Deus (Cl 1.13). É neste sentido que Jesus fala da igreja em Mateus 16.18
e também Paulo em Atos 20.28 e Efésios 5.25. É muito importante entender que o chamado de
Deus é um chamado individual e pessoal. O povo chamado pode ser ‘de toda tribo, língua, povo
e nação’ (Ap 5.9) mas não vem a Cristo em grupos. A escolha de deixar as trevas e caminhar na
luz é muito pessoal. Temos que chegar ao Senhor individualmente. Não há ninguém mais que
seja parte do pacto que fazemos com ele. Se nenhuma outra alma na terra reconhecer Jesus
Cristo como Senhor, nosso compromisso com ele permanece o mesmo. Isto então é onde a
igreja de Deus (o povo convocado que pertence a Deus) começa, com o compromisso pessoal
de indivíduos por toda a parte que respondem em fé ao chamado de Deus no evangelho (Ef
1.13). Assim, eles foram chamados no Pentecostes, quando o evangelho foi pregado
inicialmente, um por um, arrependendo-se de seus pecados e sendo batizados em nome de Jesus
para a remissão dos mesmos (At 2.38,41). E assim sempre foi, desde então, um por um,
comprometendo-se com Cristo e sendo chamados ‘cristãos’ segundo aquele que é o centro de
suas vidas (At 11.20-26). Esta grande família de todo o povo de Deus nunca está destinada nesta
vida a ser reunida em um lugar ou a conhecer uns aos outros como um todo, mas todos foram
‘batizados em um corpo’ (1Co 12.13). Eles são a ‘universal assembléia e igreja dos
primogênitos arrolados nos céus’ (Hb 12.22,23). Para este corpo universal de crentes não há
sede terrestre (Cl 1.18) para arrastá-los para entidades nacionais ou internacionais para que
possam funcionar como uma unidade. No entanto, eles eram e são filhos do mesmo Pai, irmãos
e irmãs em Cristo. - Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. A MORDOMIA DOS BENS ESPIRITUAIS

1. A mordomia e a valorização da Palavra de Deus. Na presente dispensação, a igreja é


militante, isto é, convocada para uma guerra santa, e de fato nela está emprenhada. Isto,
naturalmente, não significa que ela deve gastar suas forças em lutas sangrentas de
autodestruição, mas, sim, que tem o dever de levar avante uma incessante guerra contra o
mundo hostil em todas as formas em que este se revele, seja na igreja ou fora dela, e contra
todos os poderes espirituais das trevas. A igreja não pode passar o tempo todo em oração e
meditação, embora estas práticas sejam tão necessárias e importantes, nem tampouco deve parar
de agir, no pacífico gozo da sua herança espiritual. Ela tem que estar engajada com todas as suas
forças nas pelejas do seu Senhor, combatendo numa guerra que é tanto ofensiva como
defensiva. Se a igreja na terra é a igreja militante, no céu é a igreja triunfante. Lá a espada é
permutada pelos louros da vitória, os brados de guerra se transformam em cânticos triunfais, e a
cruz é substituída pela coroa. A luta é finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo
para todo o sempre. Nestes dois estágios da sua existência, a igreja reflete a humilhação e a
exaltação do seu celestial Senhor. Os católicos romanos falam, não somente de uma igreja
militante e triunfante, mas também de uma igreja padecente. Esta igreja, de acordo com eles,
inclui todos os crentes que já não estão na terra, mas que ainda não penetraram nos gozos do
céu, e agora estão sendo purificados dos seus restantes pecados no purgatório. A interiorizarão
da Palavra de Deus é a melhor arma do cristão para se defender contra a invasão do pecado.
Sem minimizar os outros aspectos da liturgia do culto, a pregação é o grande meio escolhido por
Deus para proclamar o evangelho aos perdidos e nutrir na fé os filhos e filhas de Deus.
Martinho Lutero considerava a pregação como a parte central do culto público e colocava a
pregação da Palavra até mesmo acima da sua leitura.

2. A mordomia na evangelização e no discipulado. Evangelização e discipulado são


responsabilidades da Igreja local, mas, também, são responsabilidades individuais de todo
aquele que, pela graça de Deus, nasceu “da água e do Espírito” (Jo 3.5). O texto clássico da
Grande Comissão é a chave que apresenta o discipulado como a ferramenta utilizada por Jesus
Cristo para Evangelismo e Missões. Com seus discípulos, o primeiro núcleo que daria origem à
Igreja composta de todos os salvos, Jesus Cristo inicia o seu ministério chamando quem ele quis
para fazer parte de um círculo mais íntimo de seu relacionamento (Mc 3.13,14). É assim que o
Mestre começa o discipulado com homens simples que se tornariam, anos mais tarde, expoentes
na história do cristianismo. Segundo Paulo, além (e acima) de se engajar nas atividades da
Igreja, cada crente tem um compromisso individual com a evangelização e discipulado (1Co
9.16,17). Mesmo correndo risco de morte, diante do furioso Sinédrio, Pedro e João disseram:
“Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não
podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4.19,20). Não há dúvidas;
evangelizar e discipular é missão imperativa e individual. Cada discípulo de Jesus, deve se
sentir desafiado a proclamar o evangelho e a cuidar dos convertidos.

3. A mordomia no uso dos dons espirituais. Os dons espirituais eram usados não para a
exaltação de quem os tinha, mas no interesse amoroso para o benefício de outros na igreja (1Co
12.7.13). O dom espiritual é uma habilidade sobrenatural que Deus concede por sua graça a
cada cristão por meio da qual o Espírito Santo ministra ao corpo de Cristo. A palavra grega
(charisma) enfatiza o aspecto gratuito do dom. As categorias de dons espirituais são
apresentadas em textos como Romanos 12.3-8; 1 Coríntios 12.4-10. É interessante que Pedro
enfatiza o fato de que o crente é um despenseiro da multiforme graça. O despenseiro é
responsável pelos recursos de outra pessoa. O crente não é dono de seus dons, mas Deus lhe tem
dado dons para edificar a Igreja e render-lhe glória. Em 1 Coríntios 14.33, Paulo dá a chave: A
igreja em adoração a Deus deve refletir o caráter e a natureza dele porque ele é um Deus de paz
e harmonia, ordem e clareza, não de briga e confusão (Rm 15.33; 2Ts 3.16; Hb 13.20). Temos
acompanhado uma avalanche de Igrejas pentecostais que estão se “neopentecostalizando”. Isso
é uma decorrência da falta de sólida formação bíblico-teológica. Assim, algumas igrejas estão
reproduzindo as práticas estranhas à Bíblia e à tradição do pentecostalismo histórico.

II. A MORDOMIA DA AÇÃO SOCIAL DA IGREJA

1. A assistência social no Antigo Testamento. No Antigo Testamento, encontramos o


fundamento para a obra de assistência social:

1.1. Nos salmos. Davi, homem de Deus, analisando a situação do próximo, afirmou: “Fui moço,
e agora sou velho, mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o
pão” (Sl 37.25). Certamente, já com idade avançada, o salmista podia concluir que o “Jeová
Jiré” não desampara jamais aqueles que o servem (Sl 82.3,4).

1.2. Nos provérbios. O sábio escreveu: “Informa-se o justo da causa do pobre, mas o ímpio não
compreende isso” (Pv 29.7). O texto mostra que não podemos nos omitir quanto à necessidade
de nossos irmãos.

1.3. Nos profetas. Isaías, o profeta messiânico, clamou pelos necessitados (Is 1.17). Jeremias, o
“profeta das lágrimas”, falou em defesa dos oprimidos (Jr 22.3). O profeta Ezequiel não deixou
de contribuir, protestando contra Jerusalém, pela sua omissão em atender aos pobres (Ez 16.49).
Zacarias foi usado por Deus de igual modo para exortar sobre o cuidado com os necessitados,
incluindo órfãos, viúvas e estrangeiros (Zc 7.9,10).[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 3º
Trimestre 2019. Lição 5, 4 Agosto, 2019]

Tiago nos informa que a fé sem obras ela é morta. Assim como o corpo sem espírito está morto,
também a fé sem obras está morta (Tg 2.26). É descrito no antigo testamento algumas leis
especificas para que o povo de Deus observasse sobre essa responsabilidade social em estar
ajudando os pobres. Neste mundo, onde há tanto ricos quanto pobres, freqüentemente os que
têm abastança material tiram proveito dos que nada têm, explorando-os para que os seus lucros
aumentem continuamente (ver Sl 10.2, 9,10; Is 3.14,15; Jr 2.34; Am 2.6,7; 5.12,13; Tg 2.6). A
Bíblia tem muito a dizer a respeito de como os crentes devem tratar os pobres e necessitados.

O zelo de Deus pelos pobres e necessitados. Deus tem expressado de várias maneiras seu
grande zelo pelos pobres, necessitados e oprimidos.

(1) O Senhor Deus é o seu defensor. Ele mesmo revela ser deles o refúgio (Sl 14.6; Is 25.4), o
socorro (Sl 40.17; 70.5; Is 41.14), o libertador (1Sm 2.8; Sl 12.5; 34.6; 113.7; 35.10; cf. Lc
1.52,53) e provedor (cf. Sl 10.14; 68.10; 132.15); (2) Ao revelar a sua Lei aos israelitas,
mostrou-lhes também várias maneiras de se eliminar a pobreza do meio do povo (ver Dt 15.7-
11). Declarou-lhes, em seguida, o seu alvo global: “Somente para que entre ti não haja pobre;
pois o SENHOR abundantemente te abençoará na terra que o SENHOR, teu Deus, te dará por
herança, para a possuíres” (Dt 15.4). Por isso Deus, na sua Lei, proíbe a cobrança de juros nos
empréstimos aos pobres (Êx 22.25; Lv 25.35,36). Se o pobre entregasse algo como “penhor”, ou
garantia pelo empréstimo, o credor era obrigado a devolver-lhe o penhor (uma capa ou algo
assim) antes do pôr-do-sol. Se o pobre era contratado a prestar serviços ao rico, este era
obrigado a pagar-lhe diariamente, para que ele pudesse comprar alimentos a si mesmo e à sua
família (Dt 24.14,15). Durante a estação da colheita, os grãos que caíssem deviam ser deixados
no chão para que os pobres os recolhessem (Lv 19.10; Dt 24.19-21); e mais: os cantos das
searas de trigo, especificamente, deviam ser deixados aos pobres (Lv 19.9). Notável era o
mandamento divino de se cancelar, a cada sete anos, todas as dívidas dos pobres (Dt 15.1-6).
Além disso, o homem de posses não podia recusar-se a emprestar algo ao necessitado,
simplesmente por estar próximo o sétimo ano (Dt 15.7-11). Deus, além de prover o ano para o
cancelamento das dívidas, proveu ainda o ano para a devolução de propriedades - o Ano do
Jubileu, que ocorria a cada cinqüenta anos. Todas as terras que tivessem mudado de dono desde
o Ano do Jubileu anterior teriam de ser devolvidas à família originária (ver Lv 25.8-55). E, mais
importante de tudo: a justiça haveria de ser imparcial. Nem os ricos nem os pobres poderiam
receber qualquer favoritismo (Êx 23.2,3,6; Dt 1.17; cf. Pv 31.9). Desta maneira, DEUS impedia
que os pobres fossem explorados pelos ricos, e garantia um tratamento justo aos necessitados
(ver Dt 24.14); (3) Infelizmente, os israelitas nem sempre observavam tais leis. Muitos ricos
tiravam vantagens dos pobres, aumentando-lhes a desgraça. Em conseqüência de tais ações, o
Senhor proferiu, através dos profetas, palavras severas de juízo contra os ricos (ver Is 1.21-25;
Jr 17.11; Am 4.1-3; 5.11-13; Mq 2.1-5; Hc 2.6-8; Zc 7.8-14). (APAZDOSENHOR)

2. Assistência social no Novo Testamento. Aqui também encontramos fundamentos para a


obra de assistência social:

2.1. Nos Evangelhos. Jesus, em seu ministério, multiplicou pães e peixes duas vezes para
alimentar as multidões (Mt 14.13-21; Mt 15.29-39). Isso indica que Jesus deu muita importância
à necessidade de socorrer os famintos. Assim, na igreja local, os cristãos têm o privilégio de
prover o alimento necessário para aqueles que necessitam do pão cotidiano.

2.2. Nos Atos dos Apóstolos. Os diáconos foram escolhidos para cuidar da assistência social da
igreja. Tal trabalho foi considerado pelos apóstolos um “importante negócio” (At 6.1-6). Dentre
as características da Igreja Primitiva, vemos que os crentes “tinham tudo em comum” (At
2.44,45).

2.3. Nas Epístolas. O apóstolo Paulo, ensinando sobre os dons, dá ênfase ao ministério de
socorro aos pobres e carentes (Rm 12.8). O apóstolo Tiago, de início, em sua carta, já afirma
que a verdadeira religião é visitar os órfãos e as viúvas e guardar-se da corrupção (Tg 1.27),
pois “a fé sem as obras é morta em si mesma” (Tg 2.17). [Lições Bíblicas CPAD, Revista
Adultos, 3º Trimestre 2019. Lição 5, 4 Agosto, 2019]

Simplicidade, franqueza e generosidade sincera é o padrão do cristão no Novo Testamento. O


cristão que contribui de maneira adequada não o faz para receber agradecimentos ou
reconhecimento, mas para glorificar a Deus (cf. Mt 6.2; At 2.44,45; 4.37-5.11; 2Co 8.2-5).
Cristão é aquele que demonstra efetivamente uma empatia e sensibilidade para com aqueles em
sofrimento e aflição, e que tem tanto a disposição quanto os recursos para ajudar a minimizar as
aflições deles. Geralmente, esse dom acompanha o dom da exortação.

As Responsabilidades da Igreja (Discípulos Agindo Coletivamente). Simplicidade,


franqueza e generosidade sincera é o padrão do cristão no Novo Testamento. O cristão que
contribui de maneira adequada não o faz para receber agradecimentos ou reconhecimento, mas
para glorificar a Deus (cf. Mt 6.2; At 2.44,45; 4.37-5.11; 2Co 8.2-5). Cristão é aquele que
demonstra efetivamente uma empatia e sensibilidade para com aqueles em sofrimento e aflição,
e que tem tanto a disposição quanto os recursos para ajudar a minimizar as aflições deles.
Geralmente, esse dom acompanha o dom da exortação.

a) O principal papel da igreja é espiritual. 1 Timóteo 3.14,15 diz: "Escrevo-te estas coisas,
esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na
casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade." A missão básica da
igreja é espiritual, não física nem social. Porém, pessoas passam por dificuldades financeiras, e
precisamos seguir o padrão do Novo Testamento para saber como lidar com tais necessidades.
Antes de chegar a conclusões, vamos examinar a evidência, considerando diversos trechos que
falam sobre igrejas do primeiro século. "Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em
comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida
que alguém tinha necessidade" (At 2.44,45). "Da multidão dos que creram era um o coração e
a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo,
porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do
Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado havia entre
eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores
correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à
medida que alguém tinha necessidade" (At 4.32-35). "Ora, naqueles dias, multiplicando-se o
número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas
deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então, os doze convocaram a
comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de
Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação,
cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos
consagraremos à oração e ao ministério da palavra" (At 6.1-4). "Naqueles dias, desceram
alguns profetas de Jerusalém para Antioquia, e, apresentando-se um deles, chamado Ágabo,
dava a entender, pelo Espírito, que estava para vir grande fome por todo o mundo, a qual
sobreveio nos dias de Cláudio. Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram
enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o
aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo" (At 11.27-30). "Mas, agora, estou de
partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar
uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém" (Rm 16.25,26).
"Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No
primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua
prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for. E, quando tiver
chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que
aprovardes" (1Co 16.1-3). "...pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da
assistência aos santos" (2Co 8.4). "Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é
desnecessário escrever-vos.... Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade
dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta
ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de
Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos" (2Co 9.1,12,13). O que
podemos aprender desses trechos? Quais são os limites colocados por Deus em relação ao
trabalho benevolente da igreja? Observamos no Novo Testamento que:

1) Esses versículos falam sobre pessoas necessitadas. A assistência aos santos não é para
fornecer luxo ou fazer de todos ricos. Jesus falou em Mateus 6.25-33 que devemos buscar o
reino de Deus e confiar no Senhor para nos dar as coisas necessárias (o que comer, o que beber,
com que nos vestir). Uma das maneiras como ele cuida das necessidades dos santos é através da
benevolência da igreja, satisfazendo as necessidades dos irmãos pobres.

2) As pessoas ajudadas pela igreja são os próprios santos, ou irmãos em Cristo. Algumas
pessoas podem estranhar lendo os relatos do Novo Testamento, porque muitas igrejas nos
últimos dois séculos se transformaram em grandes agências sociais oferecendo ajuda material
para todas as pessoas, cristãs ou não. Os nomes de algumas denominações aparecem com mais
frequência em hospitais e orfanatos do que em casas de oração e louvor. Mas as tendências
históricas não mudam os fatos bíblicos. As igrejas do Senhor no Novo Testamento ajudaram os
santos necessitados. Como já observamos, cristãos ajudaram outros individualmente e não
sobrecarregaram a igreja com tais obras sociais.

3) O dinheiro da igreja foi usado ou para ajudar os necessitados na própria congregação, ou


enviado de uma congregação para outra para ajudar os santos pobres no outro lugar. Nisso
encontramos um padrão definido de cooperação entre congregações, onde as mais ricas
enviaram dinheiro para suprir as necessidades das congregações mais pobres. O trabalho de
benevolência foi feito pelas igrejas quando a necessidade surgiu. O trabalho principal da igreja,
o ensinamento da palavra de Deus, nunca para. Mas as igrejas nesses exemplos bíblicos não
alocaram fundos de rotina a algum trabalho de benevolência. Quando a necessidade surgiu, não
mediram esforços para ajudar os irmãos.

4) Podemos ver que a ajuda sempre foi dada, não emprestada. A prática de muitas igrejas de
oferecer empréstimos que serão pagos de volta à igreja é mais um exemplo da desobediência de
homens que seguem opiniões humanas e não respeitam a palavra de Deus (veja Pv 14.12; Is
55.8,9; Jr 10.23). A igreja não é banco.

b) Tomando Decisões Sábias. Como seguidores de Cristo, temos que aceitar nossa
responsabilidade para usar o dinheiro da igreja numa maneira que agrada a Deus. Devemos
sempre agir segundo os princípios ensinados por Jesus em Mateus 22.37-39: "Amarás o Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o
grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como
a ti mesmo." O amor ao próximo exigirá sacrifícios (Tg 2.15,16; 2Co 8.2-4). O amor ao Senhor
exigirá cuidadosa adesão ao padrão dele, respeitando os limites que ele nos deu. Por exemplo,
pessoas que amam a Deus não tolerarão a preguiça de homens que desrespeitam a palavra de
Deus: "se alguém não quer trabalhar, também não coma" (2Ts 3.10). Colocando a palavra de
Deus acima das nossas próprias opiniões, jamais acrescentaremos ao trabalho da igreja algo que
Deus não mandou. A igreja não tem autorização de Deus para dar ajuda benevolente aos
cristãos que não têm necessidade. O papel da igreja é suprir as necessidades da vida diária (At
6.1). Ela não pode sustentar os preguiçosos (2Ts 3.10). Uma vez que o trabalho da igreja é
espiritual, especialmente o de ensinar a palavra, ela não deve negligenciar esse aspecto do
trabalho em relação aos irmãos necessitados. Presbíteros, evangelistas e outros professores
devem orientar irmãos sobre as próprias responsabilidades. O irmão necessitado pode precisar
de comida hoje, mas não devemos deixar de ajudá-lo a saber como cuidar de si mesmo amanhã.
Devemos ensinar sobre a responsabilidade de cada irmão em relação a sua família (1Tm 5.8).
Ele deve trabalhar (2Ts 3.10). Deve procurar viver dentro das suas condições (Lc 3.14; At
20.33,34; 1Tm 6.8). Numa época em que muitas pessoas se afogam em dívidas, devemos
exortar os nossos irmãos a falar sempre a verdade (Ef 4.25; Mt 5.37). Comprar a prazo quando
não se tem condições para pagar é uma maneira de mentir, e pode até chegar a ser fraude.
Enquanto cada irmão deve procurar suas próprias soluções através de trabalho honesto e de boa
administração dos seus bens, existem casos de necessidade verdadeira entre cristãos. Devemos
praticar o amor não fingido, mostrando a compaixão digna dos filhos de DEUS. Cada um de nós
deve ler com frequência as instruções importantíssimas de Romanos 12.9-16: "O amor seja sem
hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com
amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No zelo, não sejais remissos; sede
fervorosos de espírito, servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperança, sede pacientes na
tribulação, na oração, perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; praticai a
hospitalidade; abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com
os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os
outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios
aos vossos próprios olhos."

3. Agindo para glória de Deus e o alívio do próximo. A Bíblia diz que ajudar o próximo é
uma parte muito importante da vida do crente. Ajudar o próximo é expressar o amor de Deus.
Existem muitas formas de ajudar o próximo. Jesus disse que o segundo maior mandamento,
depois de amar a Deus, é amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39). O amor verdadeiro
se expressa em ações. Quem não ajuda seu próximo nas necessidades não o ama de verdade
(1Jo 3.16,17). A contribuição com a obra de Deus e a oferta aos pobres e necessitados é uma
prática bíblica inegável. Infelizmente, vivemos hoje dois extremos nesta questão: aqueles que,
alimentados pela ganância, ultrapassam os limites das Escrituras e astuciosamente arrancam o
último vintém dos incautos, e aqueles que amam mais o dinheiro do que a Deus e fecham o
coração e o bolso, negligenciando a graça da contribuição, sendo infiéis na mordomia dos bens.
A devolução dos dízimos é um claro ensino bíblico, presente antes da lei, durante a lei e depois
da lei. A contribuição pessoal, voluntária, generosa, sistemática e alegre está presente tanto no
Antigo como no Novo Testamento. O rei Davi oferece-nos alguns princípios importantes sobre
a contribuição que glorifica a Deus, quando se preparava para construir o templo de Jerusalém.
Esses princípios podem ser vistos no texto de 1 Crônicas 29.1-22. Em primeiro lugar, devemos
contribuir porque a obra de Deus a ser realizada é muito grande (1Cr 29.1). Davi disse: “… esta
obra é grande; porque o palácio não é para homens, mas para o Senhor Deus”. Davi estava
construindo o templo e o palácio. Queria fazer o melhor e dar o melhor para Deus. Tudo o que
fazia não era pensando nos homens, mas em Deus. Igualmente, a igreja está realizando uma
grande obra. Há templos a serem construídos, igrejas a serem plantadas, pessoas necessitadas a
serem assistidas, missionários a serem enviados, muito terreno a ser conquistado aqui e além
fronteira. Em segundo lugar, devemos contribuir com liberalidade porque Deus merece o
melhor (1Cr 29.2). Davi, com todas as suas forças preparou para a Casa de Deus, em
abundância, aquilo que existia de melhor. Deus é o dono de tudo. Tudo o que temos vem das
suas mãos. Tudo o que damos, também procede de suas dadivosas mãos. Ele é Deus de
primícias. Merece o melhor e não as sobras. As coisas de Deus precisam ser feitas com
excelência. Não podemos ofertar a Deus com usura, pois ele não nos dá suas bênçãos por
medida. Ao ofertar ao Senhor, devemos colocar aí o nosso coração e a nossa força. Em terceiro
lugar, devemos contribuir movidos por grande amor a Deus e à sua obra (1Cr 29.3). Davi não
apenas recolheu ofertas dos outros, mas ele pessoalmente deu para a Casa do seu Deus o ouro e
a prata particulares que tinha. E fez isso, porque amava a Casa do seu Deus. Quem ama dá.
Quem ama é pródigo em ofertar. Nosso amor por Deus não passa de palavrório vazio se não
ofertamos ao Senhor com generosidade. Nossa contribuição, ainda que sacrificial, não tem valor
diante de Deus, se não é motivada pelo nosso amor ao Senhor e a sua obra. O apóstolo Paulo diz
que ainda que entreguemos todos os nossos bens para os pobres, se não tivermos amor, nada
disso aproveitará. Em quarto lugar, devemos contribuir espontaneamente motivados pela alegria
de Deus (1Cr 29.5-9). A contribuição é uma graça que Deus nos dá. É um privilégio ser
cooperador com Deus na sua obra. O ato de contribuir é uma expressão de culto e adoração.
Deus ama a quem dá com alegria. A voluntariedade e a alegria são ingredientes indispensáveis
no ato de contribuir. Davi perguntou ao povo: “Quem está disposto, hoje, a trazer ofertas
liberalmente ao Senhor? O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente; porque de
coração íntegro deram eles liberalmente ao Senhor; também o rei Davi se alegrou com grande
júbilo” (1Cr 19.5,9). Devemos vir ao gazofilácio para ofertar, exultando de alegria e não com
tristeza. Em quinto lugar, devemos contribuir conscientes de que Deus é dono de tudo e que
tudo deve ser feito para a sua glória (1Cr 29.10-22). O resultado da alegre, generosa e abundante
oferta do rei e do povo foi a manifestação da glória de Deus. Davi louvou a Deus pela sua
glória, poder e riqueza, reconhecendo que as ofertas que deram tinham vindo do próprio Deus.
O povo adorou a Deus e houve grande regozijo. O maior propósito da nossa contribuição deve
ser a manifestação da glória de Deus. John Piper tem razão em dizer que o Senhor é mais
glorificado em nós quanto mais nos deleitamos nele. Que tudo o que somos e temos esteja a
serviço de Deus e seja um tributo de glória a Deus. Que os bens que Deus nos deu estejam no
altar de Deus, a serviço a Deus.

III. A MORDOMIA DOS CRENTES NA IGREJA LOCAL

1. Em primeiro lugar é preciso congregar. Talvez você não saiba o que significa a palavra
“desigrejismo” e fique muito desconfiado ao ver uma lição sobre isso. Afinal, será mesmo que
este é um dos “ismos de nossos dias”. Se é, então por que nunca ouvi falar dele? Bem, embora
a palavra seja desconhecida de muitos cristãos e seja bem esquisita, com certeza você já se
deparou com aquilo que ela representa. Desigrejismo é a tendência atual de muitos crentes
acharem que podem ter um cristianismo sem igreja e, por isso, abandonam a igreja e tentam
viver a fé cristã sozinhos. A adoração coletiva na congregação é uma parte vital da vida
espiritual. Essa é uma advertência contra a apostasia num contexto escatológico (2Ts 2.1).

2. Líderes cristãos como mordomos. Não deixar um legado é como roubar o futuro da
próxima geração. Líderes sem legado são líderes sem história. O cristão é um escravo (doulos)
de Deus, propriedade exclusiva de seu Rei e Senhor (1Pe 2.9,10 cf. Dt 7.6; 14.2). Ele e seus
dons, habilidades, bens de produção e de consumo, pertencem ao Criador do qual e para o qual
é toda natureza: mineral, animal e vegetal. Somente o cristão verdadeiro e fiel pode ser escravo
consciente, capaz de compreender e aceitar o direito de propriedade do Criador sobre sua obra
criada e sobre o homem, reconhecendo, na teoria e na prática, sua condição de servo, mas com a
dignidade social, moral e espiritual de mordomo. O eleito escolhido na economia da graça é
“escravo consciente.” Todos os seres humanos, porém, uns mais, outros menos, conforme a
capacidade, o poder e a responsabilidade de cada um, podem ser, e efetivamente são, usados por
Deus, tudo conforme os objetivos da criação. “Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio (poder de governar) sobre os peixes do mar,
sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda terra e sobre todos os repteis
que rastejam pela terra” (Gn 1.26). “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no
Jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gn 2.15). Eis as missões delegadas à criatura
humana pelo Criador: governar, produzir e preservar. Sempre que o homem age em
cumprimento a tais princípios, seja crente ou ateu, cumpre o desiderato original e serve a Deus.
Quando, porém, procede contrariamente, desgovernando, malbaratando o tempo e depredando
os bens naturais, torna-se anti-servo, comportando-se como “adversário” do Criador.

3. A mordomia dos membros e congregados. Tenhamos em mente o que foi discutido nos
pontos anteriores sobre a Doutrina da Mordomia: tudo pertence a Deus; nós somos apenas
mordomos ou administradores; isso inclui corpo, mente, talentos, oportunidades,
relacionamentos, dinheiro, bens, tudo mesmo; um dia, teremos que prestar contas a Deus da
nossa mordomia.

CONCLUSÃO
Deus, em sua soberania, jamais desprezou sua Criação, mas a cada dia, através do seu Espírito,
Ele renova a face da terra: "Envias o teu Espírito e são criados, e assim renovas a face da
terra" (Sl 104.30). Dessa maneira o Senhor nos ensina princípios divinos com relação à
mordomia dos bens espirituais, morais e materiais (Lc 16.2). Tudo o que recebemos na vida
espiritual vem do Senhor (Cl 1.16), Ele é o doador dos bens espirituais (Tg 1.17) e da nossa
salvação (Jo 3.16), de maneira que nossa vida espiritual deve ser administrada com sabedoria
(2Jo 8). Não podemos desprezar a nossa salvação (Hb 2.3), nem nossa confiança no Senhor (Hb
10.35), pois um dia iremos prestar contas a Ele pela maneira como administramos os bens
espirituais (Ap 22.12). Compreender a mordomia cristã como uma oportunidade de melhor
servir ao Senhor é uma grande bênção (Jo 12.26). Tudo sucede quando entendemos que o
Senhor é dono de todas as coisas (Jo 1.3) e que somos apenas serviçais para cumprir o propósito
divino (Jo 2.5). Quando agimos assim as bênçãos divinas nos alcançarão (Dt 28.2).

Aula 06 – A MORDOMIA DA ADORAÇÃO

INTRODUÇÃO

Em continuidade ao estudo sobre Mordomia Cristã, trataremos nesta Aula a respeito da


Mordomia da Adoração. A ordem do Senhor a todos os seus mordomos é: “Ao Senhor teu Deus
Adorarás” (Mt 4.10). Não adorar a Deus significa não obedecer à sua Palavra. A Mordomia da
Adoração, que na Antiga Aliança era feita no Templo, mediante sacrifícios, na Nova Aliança,
ela se realiza "em espírito e em verdade" (Jo 4.23). Ou seja, hoje, a verdadeira adoração não está
mais centrada no ritualismo ou no simbolismo da Antiga Aliança, mas na Pessoa bendita de
Jesus Cristo. Ele é o centro. Ele é o tudo. Ele é o nosso Senhor e Salvador.

I. O QUE É ADORAÇÃO

01. Conceito. Adoração é uma honra que se presta a Deus, em virtude do que Deus é e do que
significa para os que O adoram. O termo Adoração vem do latim “adorationem”, cujo
significado é “orar para alguém”. No grego, língua em que foi escrito o Novo Testamento, é
“proskyneo”, que significa “um ato de prostração e reverência”; é o homem prostrado diante
de Deus em sinal de reconhecimento de Sua soberania, de Seu poder, de Sua grandeza, de Sua
glória, tal como João o viu sendo adorado no Céu: “Os vinte e quatro anciãos prostraram-se
diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o sempre; e
lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: Digno és, Senhor, de receber glória, e
honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap
4.10,11). Nesta declaração feita no Céu nós podemos encontrar o fundamento da Mordomia da
Adoração. Deus deve ser adorado porque ele é o Criador e o sustentador de todas as coisas:
“...porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”. O Salmista
entendeu esta verdade, e declarou: “Ó, vinde adoremos e prostremo-nos; ajoelhemo-nos diante
do Senhor que nos criou” (Sl 95.6). Na adoração, o Mordomo prostra-se diante do seu Criador
em reconhecimento de que só Ele é o Senhor.

2. No Antigo Testamento. O ser humano adora a Deus desde o início da história. Adão e Eva
tinham comunhão regular com Deus no jardim do Éden (cf. Gn 3.8). Caim e Abel trouxeram a
Deus oferendas de vegetais e de animais (Gn 4.3,4). Os descendentes de Sete invocavam “o
nome do SENHOR” (Gn 4.26). Noé construiu um altar ao Senhor para oferecer holocaustos
depois do dilúvio (Gn 8.20). Abraão assinalou a paisagem da terra prometida com altares, nos
quais oferecia holocaustos ao Senhor (Gn 12.7,8; 13.4,18; 22.9), e falou intimamente com Ele
(Gn 18.23-33; 22.11-18). Somente depois do êxodo, quando o Tabernáculo foi construído, é que
a adoração pública tornou-se formal. A partir de então, sacrifícios regulares passaram a ser
oferecidos diariamente, e especialmente no sábado, e Deus estabeleceu várias festas sagradas
anuais como ocasiões de culto público dos israelitas (Êx 23.14-17; Lv 1-7; Dt 12; 16). O culto a
Deus foi posteriormente centralizado no Templo de Jerusalém (cf. os planos de Davi, segundo
relata 1Cr.22-26). Quando o Templo foi destruído, em 586 a.C., os judeus, no cativeiro
babilônico, construíram sinagogas como locais de ensino da lei e adoração a Deus, e aonde quer
que viessem morar. Com o retorno a Jerusalém, os judeus repatriados, incentivados por Esdras e
Neemias, reavivaram o culto levítico (Ne 2.22-30). O Templo foi restaurado e os sacerdotes
voltaram a realizar o culto divino, conforme Deus tinha proposto. As sinagogas continuaram em
uso para o culto de adoração a Deus, mesmo depois de construído o segundo templo por
Zorobabel (Ed 3-6).

3. No Novo Testamento. A adoração na Igreja Primitiva era prestada tanto no Templo de


Jerusalém quanto em casas particulares (At 2.46,47). No início da Igreja haviam sinagogas na
terra de Israel e em todas as partes do mundo romano (cf. Lc 4.16; Jo 6.59; At 6.9; 13.14; 14.1;
17.1,10; 18.4; 19.8; 22.19). Fora de Jerusalém, os cristãos prestavam culto a Deus nas
sinagogas, enquanto isso lhes foi permitido. Quando lhes foi proibido utilizá-las, passaram a
cultuar a Deus noutros lugares, geralmente em casas particulares (cf. At 18.7; Rm 16.5; Cl 4.15;
Fm 2), e, às vezes, em salões públicos (At 19.9,10).

II. COMO ADORAR A DEUS

“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e
em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e
importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24). A principal
incumbência da Igreja não é missões, mas adoração. Muitos têm se iludido achando que Deus se
agrada se cumprirmos tão somente os deveres litúrgicos, ou seja, se rendermos a Deus um culto
formal em alguma igreja local. A essência do culto está na adoração ao Senhor, e nunca é
demais enfatizarmos essa verdade, pois adoração vazia significa culto frio e sem propósito. A
adoração a Deus é o gesto concreto de nosso reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas
as coisas, inclusive de nosso ser. É através da adoração que Deus é reconhecido como Senhor e
o homem, como seu servo. Jesus declarou duas coisas importantes sobre a verdadeira adoração:
primeiro, como se deve adorar a Deus; segundo, onde se deve adorar a Deus.

1. Como devemos adorar a Deus?

1.1. "Em espírito e em verdade" (Jo 4.23). Foi o que Jesus disse à mulher samaritana. Quando
adoramos ao Senhor, “em espírito e em verdade”, trazemos o Senhor até aquele local de uma
forma especial. O Senhor Jesus disse que Deus procura a estes adoradores e disse que estaria
onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome (Mt 18:20). Assim sendo, quando nos
reunimos em nome do Senhor, quando realmente O adoramos, Ele se faz presente de uma forma
toda especial, ou seja, como Companheiro, como Intercessor, como Salvador, como Provedor.
A verdadeira adoração é a chave para sentirmos a presença do Senhor e para que haja salvação
de vidas, operação de sinais e maravilhas, demonstração do poder de Deus. Quando não há
adoração, nada disso se verifica e este é um sinal patente da ausência de Deus numa
determinada Igreja Local.

1.2. Com reverência. Quando lemos na Palavra de Deus, observamos que o Senhor sempre
exigiu reverência, respeito e consideração nas reuniões coletivas de adoração. Deus é
infinitamente sublime em majestade, poder, santidade, bondade, amor e glória. Por isso,
devemos adorá-lo e servi-lo com toda reverência, fervor, zelo, sinceridade e dedicação. “Pelo
que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual
sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor” (Hb 12.28,29). Quando Deus se
manifestou a Moisés, imediatamente mandou que ele não se aproximasse da sarça ardente e,
ainda, descalçasse seus pés, pois o lugar onde se encontrava era terra santa, em virtude da
presença do Senhor (Ex 3.5), algo que, anos mais tarde, seria repetido em relação ao sucessor de
Moisés, Josué (Js 5.15). Isto prova que a adoração não se desprende da reverência. A
reverência, o respeito, a consideração, traduzem, aliás, o que a Bíblia chama de “temor do
Senhor”, ou seja, o reconhecimento da soberania e do senhorio de Deus sobre cada ser humano,
o que nos leva a respeitá-lo, ou seja, “olhá-lo com atenção”, “levá-lo em consideração”,
“prestar-lhe atenção”, “dar-lhe ouvidos”. Hofni e Finéias, filhos do sacerdote Eli, sacerdotes
no Tabernáculo de Deus, eram muito irreverentes na Casa de Deus. A Bíblia diz que o Senhor
queria trazer juízo sobre eles por se comportarem de forma imoral perante o povo de Israel
(1Sm 2.22-25). Eles endureceram o coração e pecaram abertamente e sem constrangimento. Eli
os advertiu, mas a advertência de Eli não teve efeito moral sobre eles. Deus os entregou à sua
própria sorte. Para eles, tinha se passado o dia da salvação, estando, pois, destinados por Deus à
condenação e à morte, à semelhança daqueles referidos em Romanos 1.21-32. Iam morrer como
resultado da sua própria e insolente desobediência e da sua recusa de arrepender-se. Nadabe e
Abiú, filhos do sumo sacerdote Arão, se apresentaram diante do altar do incenso de forma
irreverente e irresponsável. Pecaram deliberadamente contra o Senhor Deus de Israel. O juízo
do Senhor foi imediato: eles morreram, não apenas fisicamente, também espiritualmente. Isto
nos ensina uma lição: não apenas a adoração a falsos deuses é proibida, mas também a adoração
ao verdadeiro Deus de maneira errada. -Os sacerdotes à época de Malaquias se comportavam
muito mal diante de Deus. A irreverencia deles era tão pútrida que Deus pediu que eles não
fizessem mais culto a Ele no Templo de Deus, e que fechassem as portas do Templo. “Quem há
também entre vós que feche as portas e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho
prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oblação” (Ml 1.10).
Por causa disso, Deus os advertiu de que sofreriam uma condenação terrível caso não se
arrependessem e mudassem de atitude. Na Nova Aliança, também, Deus exige que o seu povo
ande em santidade e pureza diante d’Ele, como exorta o apóstolo Pedro: “mas, como é santo
aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15).
Devemos, pois, estarmos cônscios de que Deus não se deixa escarnecer (Gl 6.7); Ele exige
santidade, pureza e reverência de cada um de seus filhos, quando formos nos apresentar diante
d’Ele, principalmente daqueles que fazem parte do ministério eclesiástico e que estão sempre
em evidência.

1.3. Com sinceridade. O adorador precisa entender que a adoração não é uma questão de
performance diante dos homens, mas de sinceridade diante de Deus (Jo 4.24). Certa feita, Jesus
levantou a sua voz e disse aos fariseus: “Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como
está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mc
7.6). Davi compreendeu que Deus procura a verdade no íntimo: “Eis que amas a verdade no
íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria” (Sl 51.6). O povo de Israel, à época do
profeta Amós, não adorava a Deus com sinceridade. Deus os reprendeu energicamente:
“Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum
prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei
deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o
estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Antes, corra o juízo
como as águas; e a justiça, como ribeiro perene” (Am 5.21-24). O respeito leva-nos, portanto,
a ter algumas regras e normas no culto a Deus, normas estas que devem ser observadas e que
revelam o próprio ato de adoração que está presente em cada culto coletivo a Deus. Até as
vestes são levadas em consideração, quando nos apresentamos a Deus em adoração. “Adorai ao
Senhor vestidos de trajes santos; tremei diante dele, todos os habitantes da terra” (Sl 96.9). O
nosso culto, portanto, ou é verdadeiro e bíblico ou é anátema. Deus não se impressiona com
pompa; Ele busca a verdade no íntimo. Em outras palavras, o culto tem que ser bíblico, tem que
ser em verdade, conforme estabelecido, prescrito por Deus, e ele tem que ser sincero - “em
espírito e em verdade”.

1.4. Com entendimento, a partir de um "culto racional". A adoração não é um culto sem
entendimento (Jo 4.22). Disse Jesus à mulher samaritana: “Vós adorais o que não conheceis;
nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus”. Os samaritanos
adoravam o que não conheciam. Havia uma liturgia desprovida de entendimento. Havia um
ritual vazio de compreensão. O culto racional significa cultuar a Deus "com razão de ser",
motivados espiritualmente, portadores de uma sinceridade profunda. Ele é incompatível com
meninices e com práticas como o “reteté” e emocionalismo delirante. A presença do poder de
Deus como havia no princípio da Igreja, a plenitude do Espírito Santo, jamais significou o
irracionalismo, o emocionalismo que hoje é, por muitos, considerado como “sinal da presença
de Deus”. A Palavra de Deus é a verdade e o poder de Deus não se confunde com desatinos e
espetáculos lamentáveis.
O crente não deve ficar fora da racionalidade ou da consciência do culto devido a Deus. Pense
nisso!

2. Onde adorar a Deus? Para a mulher samaritana o lugar correto de adoração era o Monte
Gerizim, em Samaria (Jo 4.20). Os judeus diziam que o lugar correto de adoração era o Monte
Moriá, em Jerusalém (Jo 4.20). Mas, Jesus disse que chegaria um tempo em que o essencial da
adoração não seria o lugar geográfico, ou o local sagrado, pois "os verdadeiros adoradores
adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.21,23,24). Na Nova Aliança, não existe lugar
mais sagrado do que outro. Não é o lugar que autentica a adoração, mas a atitude do adorador.

3. A atitude do adorador. O verdadeiro adorador, aquele que adora a Deus “em espírito e em
verdade”, no exercício da Mordomia, adora em qualquer situação. Vejamos a atitude do
adorador em três fases: na Planície, no Vale e no Monte. Planície, Vale e Monte falam de três
tempos, ou de três momentos de nossa vida espiritual. No exercício da Mordomia da Adoração,
o mordomo fiel precisa reconhecer o poder, a majestade, a soberania de Deus, estando na
Planície, no Vale, ou no Monte.

1) Adorando a Deus na Planície – Daniel adorou. “...e três vezes ao dia se punha de joelhos e
orava e dava graças, diante do seu Deus, como também dantes costumava fazer” (Dn 6.10).
Espiritualmente, estar na Planície significa estar vivendo um momento de tranquilidade, de paz;
é quando tudo está bem, é quando tudo está dando certo - não há subidas íngremes e nem
ladeiras perigosas. É como estar em Elim, onde havia muita água e muita sombra - sombra e
água fresca em pleno deserto - “Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta
palmeiras; e ali se acamparam junto das águas” (Êx 15.27). Assim, era como estava vivendo o
velho estadista e fiel servo de Deus, Daniel. Ele era um homem realizado em todos os sentidos.
Tinha tudo o que um homem natural gostaria de ter: era rico, poderoso, respeitado, amado. Há
cerca de setenta anos que ele ocupava naquele Império a posição de maior prestigio depois do
imperador. E aquele era o maior e mais poderoso império do mundo de então. Daniel estava,
agora, entre 85 e 86 anos de idade, com muita saúde, dinheiro, fama e poder. Tinha também
tudo o que um homem espiritual gostaria de ter: Daniel era um homem muito amado por Deus,
conforme lhe declarou o anjo Gabriel: “...e eu vim, para to declarar, porque és mui amado ...”
(Dn 9.27). Amado por Deus, amado e respeitado pelo imperador, o homem mais poderoso da
Terra. Daniel estava vivendo numa imensa Planície - material e espiritual. Mas Daniel
continuava sendo um verdadeiro adorador. Três vezes ao dia “se punha de joelhos e orava, e
dava graças, diante do seu Deus”. Daniel era um adorador em todo o tempo. Era um bom
mordomo no exercício da Mordomia da Adoração. Têm crentes que quando estão na Planície
esquecem de Deus, dão “férias” à adoração, são maus mordomos no exercício da Mordomia da
Adoração.

2) Adorando a Deus no Vale - Paulo e Silas adoraram. “E, perto da meia-noite, Paulo e Silas
oravam e cantavam hinos a Deus...” (At 16.25). Espiritualmente, estar no Vale significa estar
passando por duras provas, por momentos de dificuldades; é quando tudo parece ter dado
errado; é quando a solidão espiritual quer nos dominar e Satanás sopra em nossos ouvidos que
Deus se esqueceu de nós; é quando o céu parece ter-se fechado. É um momento difícil de se
poder exercer a Mordomia da Adoração. Se você já esteve no Vale, ou mesmo no fundo do
Vale, então você pode me entender. Adorar quando parece que Deus nos abandonou, adorar no
silêncio de Deus, adorar quando parece que o céu se fechou, é difícil; mas, pela Palavra de
Deus, sabemos ser possível. A Bíblia registra a história de muitos homens de Deus que
adoraram, mesmo estando no fundo do Vale. Poderíamos discorrer, dentre outros, sobre Jó,
José, Davi, Jeremias, etc., porém, vamos, aqui, nos deter apenas em Paulo e Silas. Paulo e Silas,
em Filipo, desceram ao fundo do Vale. Apanharam com varas em praça pública. Foram feitos
espetáculo para os homens. “E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados,
rasgando -lhes os vestidos, mandaram açoita-los”. Após serem açoitados foram lançados num
cárcere fétido e presos com correntes num tronco. “E, havendo-lhes dado muitos açoites, os
lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. O qual tendo
recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco” (At 16.22-
25). Paulo e Silas desceram ao fundo do Vale. Tudo parecia ter dado errado. O Senhor Jesus não
veio e não mandou nenhum anjo socorrê-los. Permitiu que tudo aquilo lhes acontecesse. Ali
estavam os dois homens de Deus no fundo de um cárcere - acorrentados num tronco, com as
costas cortadas por varas. Era uma situação assaz difícil para ser entendida e explicada. Eles
tinham tudo para estarem abatidos, confusos, até revoltados. Adorar a Deus quando tudo está
bem, é fácil, mas o verdadeiro adorador, no exercício da Mordomia da Adoração, adora a Deus
em todo o tempo e em quaisquer circunstâncias: “...o Pai procura a tais que assim o adorem”
(Jo 4.23). Há crentes que quando se encontram no fundo do Vale, se desesperam, murmuram,
reclamam... e até pecam. Paulo e Silas, no entanto, mesmo no fundo do Vale, adoraram a Deus
através da oração e do louvor. “E perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos
a Deus, e os outros presos os escutavam” (At 16.25). A adoração move o coração de Deus. O
barulho do clamor do povo, a fúria dos magistrados, os gemidos de Paulo e Silas não moveram
o coração de Deus, mas, a adoração moveu, e ele se manifestou com poder, desde os céus. “E
de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo
se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos” (At 16.26). A Adoração, através
do louvor, é um instrumento mais poderoso do que os gemidos e as lágrimas. Se Paulo e Silas
estivessem gemendo e chorando, talvez nada tivesse acontecido. Mas, como esqueceram-se da
dor e começaram a adorar a Deus, as portas se abriram e as prisões se soltaram. Talvez você
esteja, neste momento, no fundo do Vale. Você já cansou de chorar, de clamar... e você até já
murmurou; então, por que não experimenta adorar a Deus com oração e louvor? Jó fez isto, e
deu certo. Paulo e Silas fizeram isto, e deu certo. Adorar a Deus, no fundo do Vale, este pode
ser o caminho para mover o coração de Deus. Pense nisso!

3) Adorando a Deus no Alto do Monte - Abraão adorou. “E disse Abraão a seus moços:
ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a
vós” (Gn 22.5). Espiritualmente, estar no alto do Monte significa ter vencido uma batalha, ter
passado por uma provação, ter alcançado uma bênção. Não se chega ao alto do Monte sem o
sacrifício de uma subida íngreme e difícil. Às vezes, depois de uma subida tão penosa, chega-se
no alto do Monte tão abatido que se corre o perigo de esquecer a adoração. Isto, porém, não
ocorreu com Abraão. Abraão estava com cerca de 115 anos quando subiu o Monte Moriá, 40
anos depois de sua chamada em Ur, na Caldéia. Era um homem experimentado e amadurecido
em muitas batalhas. Um homem que viveu na Planície, que desceu ao fundo do Vale, e que
agora ia celebrar sua maior vitória - no alto do Monte. Certamente que de todas as grandes
batalhas travadas por Abraão, esta foi a mais árdua, a que mais fez sangrar sua alma. Quando o
problema é apenas pessoal, fica mais fácil; quando envolve um ente querido, então a dor é mais
intensa. Nesta batalha, do ponto de vista humano, o que estava em perigo era a vida do filho
querido, com cerca de 15 anos. “...toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem
amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto...” (Gn 22.2). Abraão se propôs a
fazer o que Deus lhe mandou fazer. Foram três dias de caminhada. Os três dias mais longo, mais
penosos de toda sua vida. Mas Abraão subiu, não apenas no sentido literal, também no sentido
espiritual. Abraão subiu e chegou no alto do Monte Moriá. Ali, após vencer aquela dura batalha,
Abraão adorou a Deus conforme havia prometido: “... eu e o moço iremos até ali, e havendo
adorado, tornaremos a vós”. Quem não se dispuser a pagar o preço da subida não poderá adorar
a Deus no alto do Monte. Pense nisso!

III. GESTOS E ATITUDES NA ADORAÇÃO A DEUS

Adorar a Deus está muito acima de cantar, dançar ou tocar algum instrumento musical. Também
vai muito além de gestos, tais como levantar as mãos, chorar, pular, gritar, entre outros gestos
corporais. Reduzir a adoração a pequenos impulsos sentimentais, gestos ou cânticos é cometer
erro gravíssimo. Se assim pensamos sobre a adoração, logo tem razão do culto não ser tão
interessante, a administração da Palavra ser tão “fraquinha” e os louvores serem tão vazios e
sem graça.

1. Ajoelhar-se e prostrar-se. Adorar vem de uma palavra que significa "inclinar-se, prostrar-
se em deferência diante de um superior". No contexto bíblico, portanto, essa palavra significa
um prostrar-se diante de Deus em reconhecimento à sua divindade. Existem vários exemplos na
Bíblia desta forma de adoração a Deus. Salomão, na inauguração do Templo, em Jerusalém.
Diante de todo o povo, Salomão se pôs de joelhos, adorando a Deus: "Sucedeu, pois, que,
acabando Salomão de fazer ao Senhor esta oração e esta súplica, estando de joelhos e com as
mãos estendidas para os céus, se levantou de diante do altar do Senhor" (1Rs 8.54). Jesus
prostrou-se diante do Pai em súplica (Mt 26.39). Daniel, três vezes no dia se punha de joelhos, e
orava, e dava graças, diante do seu Deus (Dn 6.10). João, na ilha de Patmos, em uma visão ele
viu os “vinte quatro anciãos” prostrados adorando ao Rei dos reis e Senhor dos senhores: “os
vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, adoravam
o que vive para todo o sempre e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: Digno és,
Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade
são e foram criadas” (Ap 4.10,11).

2. Louvar e Cantar. A adoração a Deus também se expressa com cânticos e hinos de caráter
espiritual. O louvor era um elemento-chave na adoração de Israel a Deus (cf. Sl 100.4; 106.1;
111.1; 113.1; Sl 117), bem como na adoração cristã primitiva (At 2.46,47; 16.25; Rm 15.10,11;
Hb 2.12). O Antigo Testamento está repleto de exortações sobre como cantar ao Senhor (cf. 1Cr
16.23; Sl 95.1; 96.1,2; 98.1,5,6; 100.1,2). A exortação à Igreja é oferecer “sempre a Deus
sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15). Uma
maneira autêntica de louvar a Deus é cantar salmos, hinos e cânticos espirituais (Cl 3.16). Na
ocasião do nascimento de Jesus, a totalidade das hostes celestiais irrompeu num cântico de
louvor (cf. Lc 2.13,14); e a igreja inicial do Novo Testamento era um povo que cantava (1Co
14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13). “falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos
espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Ef 5.19). Os cânticos dos
cristãos eram cantados, ou com a mente (isto é, num idioma humano conhecido) ou com o
espírito (isto é, em línguas - ver 1Co 14.15). Em nenhuma circunstância os cânticos eram
executados como passatempo. A verdadeira música espiritual vem do Céu e é endereçada ao
Céu. Diz o salmista: “e pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o
verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” (Sl 40.3). Quem deve estar na mente do crente na
hora do louvor é o Senhor. Qualquer outro objetivo fora este é um desvirtuamento do louvor.
Lamentavelmente, vemos hoje os “louvorzões”, os “festivais de música evangélica”, os
“shows” e “apresentações” que nada estão a dever dos seus similares da música profana.
Nestas ocasiões, os aplausos, os fãs estão presentes e são a tônica destas reuniões. Podemos,
porventura, dizer que isso é culto ou reunião de adoração? Tenhamos cuidado, Deus não se
agrada disto e a mesma repugnância que teve com Herodes Agripa (At 12.21-23), terá, sem
dúvida, com estes “artistas” que se põem no lugar que é único e exclusivamente reservado ao
Senhor. O apóstolo Paulo nos exorta a praticar a verdadeira adoração de forma consciente e
profunda: "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria ensinando-
vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao
Senhor com graça em vosso coração" (Cl 3.16). Nós louvamos a Deus porque somos
agradecidos a Ele porque nos salvou e nos deu a vida eterna. É o sentimento de gratidão que tem
de mover o louvor, sem o que este louvor não será genuíno. “Ó, vinde, adoremos e prostremo-
nos! Ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou” (Sl 95.6).

3. Com atos. Na adoração, mesmo sem palavras, apenas com atos, nos humilhamos diante de
Deus, reconhecemos e exaltamos a glória, majestade e poder. Maria, a que ungiu os pés de Jesus
com precioso bálsamo, enxugando-os com seus cabelos, é um exemplo impressionante. Essa
mulher não pronunciou qualquer palavra, mas sem dúvida, o seu gesto foi um sublime ato de
adoração (Jo 12.3). Esse ato de Maria demonstra que adoração não consiste apenas em palavras;
aliás, nem sempre a adoração que consiste apenas de palavras não agrada a Deus. Em Isaías
29.13, Ele afirma: "Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me
honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em
mandamentos de homens". Portanto, adoração envolve mais do que palavras e pensamentos,
envolve todo o nosso ser, nossas atitudes. Fazer uma contribuição financeira para a Obra de
Deus ou externar um ato de misericórdia a algum necessitado é um ato de adoração a Deus,
embora nenhuma palavra seja pronunciada por aquele que contribuiu. Ao invés de utilizar
palavras, ele está fazendo uma declaração por meio de seus atos; está dizendo: "Deus é o
Senhor do meu bolso, bem como de outros aspectos de minha vida. Ele é o Senhor do meu
dinheiro e dos meus bens". Na adoração nada se pede, nada se reivindica; apenas exaltamos,
glorificamos ao Senhor nosso Deus pelo que Ele é; apenas adoramos, e nos alegramos pela
simples presença de Deus. "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda
que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho
seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor,
exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como
os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos" (Hc 3.17-19).

CONCLUSÃO

Aprendemos que a adoração agrada a Deus, e nos faz ficar mais perto d’Ele. Devemos ter esta
consciência de que a nossa vida é a base de toda a nossa adoração. Adorar a Deus significa
servi-lo a todo instante, a todo o momento. O catecismo de Westminster diz que o fim principal
do homem é glorificar a Deus e deleitar-se nele para sempre. Que possamos adorá-lo com
reverência, sinceridade, com atos, pois somente Ele é digno de toda honra, de toda glória e de
todo louvor. Louvado seja o seu nome! “Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus
seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1Tm 1.17).

LIÇÃO Nº 6 – A MORDOMIA DA ADORAÇÃO

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos a definição do termo adoração e seu conceito bíblico; pontuaremos o que é
adoração segundo a Bíblia; veremos alguns elementos da verdadeira adoração; e por fim,
elencaremos as características da genuína adoração.

I – DEFINIÇÃO DE ADORAÇÃO

1.1 Definição do termo. A palavra portuguesa “adoração, adorar” é derivada do latim:


“adoratione, adorare” que significa: “ato de adorar, reverenciar com muito respeito, render
culto, reconhecimento outorgado ou devido a alguém, prestar homenagem ou respeito”. Uma
das palavras usadas no AT relacionada a adoração, é o termo hebraico “shahâ” traduzido por:
“prostrar-se, curvar-se ou inclinar-se”, refere-se ao ato de um indivíduo inclinar-se diante de
uma autoridade (Gn 18.2,7; 19.1; 37.5,7,8; Êx 34.8; Rt 2.10; 1Sm 24.8), nesses casos, o ato de
inclinar-se é um sinal de respeito e honra e não adoração no sentido de culto. Quando “shahâ”
se refere à adoração que é oferecida a Deus, pode indicar um ato individual ou coletivo (Gn
22.5; Jó 1.20; Sl 29.2), e sua tradução literal seria: “beijar a mão ou o chão diante de”. O fato
de que esta palavra ocorre mais de 170 vezes na no AT mostra sua importância. Essa palavra
também quer dizer: “veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania
sobre o universo”.

1.2 Conceito bíblico. Adoração em seu sentido bíblico é a expressão máxima de obediência e
reverência ao Senhor. É o ato de reverenciar e obedecer a Deus. O verbo grego empregado no
NT é “proskyneo” e significa: “homenagear e reverenciar”. É o reconhecimento direto a Deus,
da sua natureza, atributos, caminhos e reivindicações, quer pela saída do coração em louvores e
ações de graças, quer por ações feitas em tal reconhecimento. No mundo religioso, o termo
adoração, é usado para a “devoção reverente, serviço ou honra prestada a Deus, quer pública
quer individual” (Gn 24.26; 2Sm 12.20; Sl 66.4). A rigor, segundo as Escrituras, o adorador não
é, necessariamente, um músico ou cantor, mas um servo do Senhor, que reconhece, ao mesmo
tempo, a sua própria pequenez e a grandeza do Todo-poderoso (Jn 1.9; At 16.14).

II – O QUE É ADORAÇÃO SEGUNDO A BÍBLIA

2.1 Adorar é um ato de rendição a Deus. Nas línguas bíblicas, o sentido do termo adoração é
“chegar-se a Deus de modo reverente, submisso e agradecido, a fim de glorificá-lo”. Adorar é
um ato de total rendição, gratidão e exaltação jubilosa a Deus (Sl 95.6; 2Cr 29.30; Mt 2.11). É o
Espírito Santo que habilita o crente a adorar com profundidade e temor a Deus (Jo 4.23,24; Ef
5.18,19; 1Co 14.15; At 10.46; Fp 3.3).

2.2 Adorar é um ato de serviço a Deus. O servir a Deus tem relação direta com o adorá-lo (Mt
4.10; Ap 2.19). O serviço que fazemos para Deus por amor e gratidão é uma forma de adoração.
Em 2 Coríntios 9.12, a palavra adoração é traduzida por “serviço”. A oferta apresentada como
gratidão a Deus, para o sustento de sua obra, é um ato de adoração (2Co 9.7-12). O termo
também é empregado em Filipenses 2.17,30, descrevendo o “serviço da fé”, isto é, o esforço
pessoal empreendido pelo servo de Cristo a favor de sua obra. Portanto, essa palavra tem uma
relação direta com o culto que fazemos a Deus, seja no serviço da adoração, contribuição
financeira ou realização da obra do Senhor (Mt 4.10; Jo 16.2; Hb 9.9; Ap 2.19).

2.3 Adorar é um ato de reverência a Deus. Deus é infinitamente sublime em majestade,


poder, santidade, bondade, amor e glória. Por isso, devemos adorá-lo e servi-lo com toda
reverência, fervor, zelo, sinceridade e dedicação (Hb 12.28,29). Portanto, adoração e reverência
são elementos inseparáveis em nosso culto a Deus. Adorar é também exaltar e reconhecer que
Deus é o Senhor, Criador de todas as coisas (Sl 95.3-6). O apóstolo Paulo nos ensinou a
louvarmos com cânticos espirituais (Cl 3.16). Louvar a Deus com uma vida que não esteja em
acordo com a sua Palavra é o mesmo que oferecer fogo estranho ao Senhor.

2.4 Adorar é um ato de experiência interior. E sendo Deus infinito, há muitas maneiras de
adorá-lo (Sl 95.6,7). A adoração a Deus, no qual vivemos, nos movemos e existimos, é, acima
de tudo, uma atitude interior do ser humano, imagem e semelhança do Criador (At 17.28). Faz
parte da estrutura espiritual de quem crê, teme, ama e serve ao Eterno, a necessidade interior de
adorá-lo (Ef 1.6,12,14). A experiência pessoal na adoração é algo que flui do coração grato (Ne
12.43).

III - ELEMENTOS DA ADORAÇÃO

3.1 A oração é um elemento da adoração. A oração é um princípio de adoração e comunhão


constante com o Senhor que necessitamos para sermos vitoriosos e mantermos seguros que Ele
nos escuta sempre (Sl 3.4; 30.8; 120.1; Jn 2.2; Mt 6.6; 1Jo 5.14). O crente deve estar confiante
que Deus se importa com ele e sente profundamente as suas aflições (Sl 34.18; Is 57.15). A
Bíblia nos exorta a adorarmos a Deus apresentando nossas queixas e ansiedades através da
oração a fim de repousarmos n’Ele (Sl 4.1; 18.6; Fp 4.6; 1Pe 5.7).

3.2 O louvor é um elemento da adoração. O verbo louvar deriva-se de “laudare” em latim,


que é uma declinação do verbo “laudo”. Segundo o dicionário, laudo é um parecer ou
documento descrevendo uma decisão. Quando louvamos alguém estamos dando um parecer de
que aquele alguém merece ser elogiado. Nosso Criador espera que reconheçamos a grandeza
dos seus feitos e entreguemos a Ele o nosso laudo de louvor (Êx 15.11; Lv 22.29). No
Evangelho de Lucas encontramos importantes cânticos como: (1) O cântico de Maria
“magnificat” (Lc 1.46-55); (2) O cântico de Zacaria “benedictus” (Lc 1.68-79); (3) O cântico
dos anjos “Glória in excelsis Deo” (Lc 2.13,14); e, (4) O cântico de Simeão “nunc dimittis”
(Lc 2.29-32). O louvor é a expressão, a verbalização, a exteriorização, do que pensamos e
sentimos acerca do Senhor (Sl 108.1). O louvor não se limita ao cântico, mas abarca tudo o que
há em nós (Sl 103.1,2; 149.1).

3.3 A confissão de pecados é um elemento da adoração. A Igreja tem um papel relevante no


que diz respeito à obra redentora de Jesus. A Igreja não salva, mas é através dela que a salvação
é difundida e recebida através da confissão de pecados e arrependimento sincero. O crente, que
foi salvo da condenação do pecado, deve aqui viver em santidade prática, liberto do poder do
pecado, e vencedor por Cristo, mediante a fé (Hb 11.17-39).

3.4 A pregação da Palavra é um elemento da adoração. Em toda a Bíblia e principalmente no


livro dos Salmos encontramos belos hinos de adoração a Deus (Êx 15.1-19; Is 6.3; 12.1-6; Sl
23; 91; 139; Rm 11.33-36; Fp 2.6-11; 1Tm 3.16; Ap 4.8; 5.9,10). Na adoração e ministração da
Palavra de Deus, a ignomínia do pecado é revelada e a necessidade de salvação é demonstrada
(Sl 51.10-12,17; 32.5-7). O homem sob o poder do pecado não é capaz de avaliar o perigo
eterno que aguarda aquele que é escravo do pecado. Mas, uma vez remido e salvo do pecado, o
crente deseja adorar ao Senhor que o salvou (Sl 32.1,2; 34.15-22).

IV – CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ADORAÇÃO

4.1 A verdadeira adoração é teocêntrica. O verdadeiro louvor não pode ser antropocêntrico
(homem no centro), mas teocêntrico (Deus no centro). Como a Bíblia nos ensina a verdadeira
adoração é teocêntrica (2Cr 20.3,4,18,19,21; Mt 4.10), pois ela prioriza Deus e não as nossas
necessidades (Jó 1.20-22; Mt 15.25). De acordo com o AT, a adoração tem uma característica
marcante que é a prostração reverente diante do Senhor (Gn 24.26; Êx 12.27; 34.8,9; 2Cr 20.18;
29.29; Ne 8.6; Jó 1.20: Sl 95.6).

4.2 A verdadeira adoração é cristocêntrica. A adoração ao Pai está centrada na pessoa


bendita de Jesus Cristo. Nesse sentido, não é o ritualismo ou o simbolismo que pauta a
adoração, mas a pessoa de Jesus. Ele é o centro. Ele é o tudo. Ele é o nosso Salvador. O louvor
para o cristão só terá um verdadeiro sentido se este for endereçado a Cristo, não existe outro que
tenha esta preeminência. O louvor cristocêntrico é aquele que reconhece em Cristo Jesus o
centro da adoração. O Senhor Jesus revelou ao apóstolo João que o conteúdo da adoração deve
ser cristocêntrico (Ap 4.8,11; 5.9,12-14; 7.12; 19.1). Em Filipenses 3.17 o apóstolo Paulo trata
agora de motivações; seja em ação, seja por palavras, tudo precisa ser feito em nome de Cristo,
com atitude. Quando Cristo é o centro de nossa adoração o louvor é utilizado para expressar
exatamente isto. A Igreja primitiva aprendeu logo cedo a exaltá-lo, e usar o momento de louvor
no culto para evidenciar a soberania de Cristo.

4.3 A verdadeira adoração é ultra-circunstancial. A verdadeira adoração vem do coração,


não é só um ato exterior. A adoração ao Senhor deve brotar de um coração pronto e agradecido
(Sl 57.7) que não adora apenas nos momentos de abundância e felicidade, mas também nas
horas de escassez e tristeza (At 16.25; Fp. 4.12,13; Hb 3.17). A adoração genuína é ultra-
circunstancial (2Cr 20.2,12,15; Hc 3.17,18); ou seja, não se limita às circunstâncias favoráveis.
A adoração ultra-circunstancial é um estado de consciência onde se reconhece simultaneamente
a grandiosidade de Deus e a efemeridade da condição humana (Jo 4.23). É a busca insaciável
por mais da pessoa de Deus, sem nenhum interesse alheio a esse fim. Não é fácil esquecer-se
das lutas e dificuldades que enfrentamos no nosso dia a dia, em que muitas delas são embates
tenebrosos contra o inimigo. Porém, crente que confia e obedece ao Senhor aproveita estes
momentos difíceis para adorar ao Senhor em gratidão pelos grandes livramentos alcançados (Sl
18.3).

4.4 A verdadeira adoração é desinteressada. A verdadeira adoração deve partir do nosso


desejo de fazer tudo para que Deus seja glorificado (Sl 103.1,2). Uma das verdades mais
impressionantes que encontramos na Bíblia é que Deus procura os verdadeiros adoradores (Jo
4.23), pois, existem aqueles que o adoram desinteressadamente, na maioria das vezes estão em
busca de algo de Deus e não em busca da presença de Deus. Muitos cantam, mas não louvam
nem adoram ao Senhor (Am 5.23; Is 29.13). Adoração não deve ser mecanizada, ela deve ser do
mais íntimo do coração. Adoração que não é sincera não é adoração, só ritual sem valor (Jo
4.23). A adoração se inicia no coração. É o amor a Deus expressado em louvor e agradecimento.
Adoração não é um sentimento sem expressão ou uma formalidade vazia (Is 29.13; Mc 7.6,7).

CONCLUSÃO

Na mordomia da adoração, precisamos saber que Deus não vê apenas o gesto exterior como
expressão de louvor, mas também a motivação do coração (1Sm 16.7). Com base no Antigo e
no Novo Testamento, a adoração é a veneração elevada que se presta ao Deus único e Criador.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A mordomia da adoração

Sinceridade e quebrantamento, assim, Deus busca os verdadeiros adoradores. A lição desta


semana tem como objetivo geral mostrar o quanto Deus deseja encontrar pessoas que o adorem
verdadeiramente. O nosso andar com Deus deve ser marcado por esta preocupação: ser
encontrados por Deus.

Resumo da lição
A presente lição está estruturada assim: 1) O conceito da palavra “Adoração”; 2) Como adorar a
Deus; 3) Gestos e atitudes na adoração. Em primeiro lugar, a lição conceitua a adoração como
“veneração elevada que se presta ao Deus único e Criador”. Em segundo lugar, ela explica
como adorar a Deus, mostrando que esse ato deve ser feito em “espírito e verdade”, a partir de
um “culto racional”. Finalmente, a lição pontua que o “ajoelhar-se”, o “prostrar-se”, o “louvar”,
o “cantar” e o “glorificar” a Deus também são expressões de atitudes ou gestos de adoração.
Adorar a Deus é uma necessidade do ser humano. Quando este não adora o Deus verdadeiro,
colocará uma divindade em seu lugar, até mesmo, travestida com o nome de “ateísmo”. O ser
humano precisa justificar o seu vazio e a percepção de que tudo não se explica com a matéria. A
sede da alma humana por algo que a preencha é a prova cabal de que precisamos do Altíssimo.
Rebelar-se contra Deus e colocar outra divindade no seu lugar é um pecado gravíssimo. Quando
adoramos ao Pai, em espírito e em verdade, estamos obedecendo à natureza divina que Ele nos
constituiu quando nos criou. Nesse sentido é preciso nos apresentar a Ele com coração
quebrantado, espírito reto. Assim, seremos encontrados por Ele.

Aplicação da lição
Para aplicar a lição é importante que a relacione diretamente para com a vida devocional do
aluno. É o momento em que podemos refletir sobre como adoramos a Deus no lar, na igreja
local. Sim, falar dos gestos e das atitudes passa por essa reflexão. Embora não definam a
adoração, os gestos e as atitudes apresentados diante do Senhor dizem muito a respeito.
Procure estimular à classe a valorizarem o momento do culto a Deus. Valores como reverência,
temor, sinceridade devem estar na ordem do dia. Quando nos reunimos, o fazemos para adorar
ao Pai em espírito e em verdade. É o momento onde Deus se encontra com o seu povo. Nesse
encontro, podemos viver uma comunhão profunda, espiritual e aquecida pelo Espírito Santo.
Nesse sentido, a verdadeira adoração é um estilo de vida.

A Mordomia da Adoração

A presente lição tem como verdade prática, a seguinte descrição: Deus procura os verdadeiros
adoradores, e não as celebridades. Enunciado que é ratificado pelo objetivo geral: mostrar que
Deus procura os verdadeiros adoradores. E como objetivos específicos: Conceituar a palavra
adoração; Explicar como adorar a Deus; e, Pontuar gestos e atitudes na adoração a Deus.
O texto áureo proporciona conhecer que Deus não está limitado ao tempo e espaço. E quando
alguém nasce no Espírito, Ele pode se comunicar com Deus onde quer que esteja [...] Jesus
disse que a adoração é algo do coração. Em verdade é o que está em harmonia com a
natureza e a vontade de Deus. É o contrário de tudo que é falso. A verdade aqui é
especificamente a adoração a Deus por meio de Jesus Cristo. A questão não é onde alguém
adora, e sim como e quem alguém adora.

I – O QUE É ADORAÇÃO

Compreende que adoração é o louvor, a adoração e a reverência a Deus, tanto em público


quanto em particular. É a celebração da excelência de Deus, e, por meio da adoração, damos
honra ao nome do Senhor. Da palavra hebraica shaha compreende que adoração é o ato de
curvar diante de Deus, enquanto a palavra hebraica abad transmite como definição o serviço a
Deus. Portanto, adoração no Antigo Testamento corresponde ao ato de servir e de se inclinar
diante de Deus. Já no Novo Testamento a palavra grega proskuneo identifica a adoração com a
prestação de homenagem ao ponto de beijar a mão. E as palavras grega latreía que significa
serviço no ato contínuo do culto e leitougia que corresponde com a organização no culto.

II – COMO ADORAR A DEUS

Conforme o texto áureo a adoração deverá ser em Espírito e em verdade, isto elimina a
existência de um local fixo para a ocorrência do culto e enaltece a atitude do adorador que
deverá ser em verdade. Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os
vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (Rm
12.1). O culto racional segundo o texto Sagrado deverá ser a apresentação do corpo em
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. A descrição sacrifício vivo corresponde ao ato
desenvolvido na Antiga Aliança em que o animal era imolado consumando a adoração na morte
do animal, porém na Nova Aliança não é necessário a morte, mas em contrapartida a adoração
deverá ser desenvolvida em um corpo vivo. Além de ser um corpo vivo também é necessário à
apresentação ao Senhor em santidade, tornando assim o sacrifício um ato agradável a Deus. [...]
Racional indica que ofertar é a única reação possível de ser pensada diante de todas as boas
dádivas que Deus nos deu.

III – GESTOS E ATITUDES NA ADORAÇÃO A DEUS

O tópico apresenta as seguintes ações no ato da adoração: ajoelhar-se, prostrar-se, louvar, cantar
e glorificar a Deus. Portanto, é necessário que o cristão compreenda que Deus é grandioso,
motivo inicial da adoração do crente; a adoração eleva o espírito, e quando desenvolvida pela
congregação proporciona estímulo aos crentes fracos; e, por fim, a adoração realizada em
Espírito e em verdade desperta o poder de Deus na vida de cada servo obediente.
Por fim, adorar é apenas concentrar toda a nossa mente, coração e vida em algo em que
encontramos satisfação. Por isso, as pessoas de alguns lugares constroem estátuas para
agradar os espíritos que, segundo acreditam, irão ajudar ou atrapalhar a vida delas.
Pessoas de outros lugares se devotam ao trabalho, aos ideais políticos, aos passatempos e
assim por diante. Mas para o cristão, só Jesus, o Pai e o Espírito Santo são dignos de
adoração. Só eles mantêm tudo junto e dão sentido e propósito para a vida.