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GRUPO SANTA FÉ

FACULDADE SANTA FÉ
SANTA FÉ PÓS GRADUAÇÃO

APOSTILA DE DISCIPLINA DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA

INTRODUÇÃO

Em cada lar onde nasce uma criança portadora de necessidade especial, a


impressão que temos é que o mundo vai cair nas cabeças dos seus componentes.
O mesmo acontece nos lares dos deficientes auditivos (D.A).
Por outro lado, os meios de comunicação, bem como a educação, resolveram
divulgar o que nos parece obvio: A criança especial é uma pessoa e como tal precisa de
amor, respeito, credibilidade, professores especializados, escola comprometida com o
processo.
Pensando nisso, resolvemos deixar expressa neste trabalho de pesquisa, a
nossa experiência com os D.A, o nosso estudo e a nossa consciência do seu ritmo
próprio, de suas diferenças individuais.
Esperamos que, ao término da leitura de nossa pesquisa, o leitor com otimismo
e perseverança, busque o seu próprio caminho para fazer do deficiente auditivo uma
pessoa cada vez mais FELIZ.

I DEFICIÊNCIA AUDITIVA – CONCEITO, CALSSIFICAÇÃO E


CARACTERÍSTICAS

Perceber que uma criança é D.A além da difícil aceitação, necessita de olhos
especializados, para que não ocorra um diagnóstico impreciso. O diagnóstico errado
poderá levar a criança a um déficit de aprendizagem irrecuperável. Existe uma
tendência muito grande de confundir o D. A com outras deficiências, uma vez que as
características se confundem.
Para que todas as possibilidades de erro sejam eliminadas, a família e o
professor, precisam em conjunto, submeter à criança, a partir de observações feitas, a
uma avaliação de um médico especialista em audição. Portanto, uma prova clinica.
Muitas vezes essa dificuldade da criança só é percebida quando ela começa a freqüentar
uma sala de aula.
Antes de iniciarmos nossa pesquisa, precisamos classificar os D. A quanto ao
nível de perda. Desta forma encontramos a hipoacusia que é uma diminuição persistente
da audição que provoca dificuldade de percepção da linguagem.
Outra classificação que vemos é a surdez que é o maior grau de deficiência
auditiva onde a percepção da linguagem oral é impossível.
Neste nível a perda auditiva encontra-se acima de 80 dbs.
Muitas são as causas que levam uma criança a perda auditiva. Essa
classificação é apenas para estudos, com fins de diagnóstico.
Causas Pré-natais – são os fatores genéticos herdados, bem como os acidentes
cromossômicos. Encontramos ainda as doenças infecto-contagiosas, adquiridas pela
mãe enquanto gestante. Não podemos esquecer de ressaltar aqui a exposição constante
da gestante à irradiação.
Perinatais – são os acidentes durante o parto que muitas vezes é prematuro em
tempo e peso. Nesta classificação encontramos o parto com uso inadequado de
instrumentos ou doenças sexualmente transmissíveis que prejudicam o bebê pela
contaminação vaginal, além da má oxigenação no momento do nascimento.
Pós-natal – neste momento o prejuízo auditivo se dá por uso inadequado de
medicamentos, freqüentes otites, meningite, viroses etc. Esses aspectos favorecem a
perda progressiva da audição.
A perda auditiva repercute muito na comunicação do indivíduo, prejudicando
a linguagem e a cognição. O deficiente auditivo no que diz respeito a leitura e a escrita,
encontra-se no nível senso – motor, necessitando de muito tempo para relacionar
fonema com grafema.
Durante a realização da audiometria, a perda auditiva recebe a seguinte escala:
fundamentar
De 0 a 20 – normal
De 20 a 40 – hipoacusia ligeira
De 40 a 60 – hipoacusia moderada
De 60 a 80 – hipoacusia severa
Mais de 80 – hipoacusia profunda.
Entendemos por audição, a percepção de estímulos captados e transformados
em potencialidades bio-elétricas (impulsos nervosos). Esses estímulos chegam a área
cerebral via auditiva. Todo esse processo acontece através de dois fenômenos. O
primeiro deles é fisiológico que consiste na estimulação do órgão e informação ao
córtex cerebral. O segundo fenômeno e psicocortical que engloba a compreensão do
som, análise e arquivo do som compreendido. Tudo isso ocorre porque a linguagem e a
audição estão relacionadas. Uma depende da outra, numa relação estreita, de total
dependência, de forma rápida, tão rápida quanto à luz.
A deficiência auditiva se caracteriza por ser estável e generalizada em seu
processo cognitivo. A composição sonora da palavra não se dá perfeitamente levando ao
prejuízo no processo básico de análise e síntese. A fragmentação nesse processo impede
ou dificulta a análise fonética, conseqüentemente a separação de sílabas. Observaremos
agora o que ocorre com a memória. Nela, o processo de seleção dos ruídos é associado
às imagens retidas. Se o ruído não é selecionado, não é diferenciado e
conseqüentemente não é armazenado por não se perceber a diferença. Este é o processo
de análise é síntese.

II ESTIMULAÇÃO PRECOCE – O SEGREDO DO COMEÇO

Nem todas as perdas auditivas são iguais. Portanto, sua repercussão no


desenvolvimento da linguagem oral do indivíduo, varia muito. O papel da família é
fundamental para o desenvolvimento integral e harmônico desse ser portador de
necessidades especiais.
A estimulação precoce é o começo de tudo. A falta desse estímulo bem cedo na
vida do indivíduo, cria uma ruptura comunicativa que muitas vezes é irreversível. O
meio micro e macro social são importantes, pois podem ser o início de distúrbios sociais
e emocionais que impedirão a comunicação.
A dificuldade de aquisição da linguagem pode levar à dificuldade de
pensamento. O desenvolvimento da análise e síntese leva a criança a generalização e a
compreensão.
É sabido que a generalização não se dará de forma completa pela falta de
linguagem de senhas que favoreça a esta generalização de idéias.
A sua memória é puramente mecânica dificultando assim a abstração.
Sempre que o ser humano sofre uma perda em um dos seus sentidos, outros se
desenvolvem mais, compensando assim a perda sofrida. A perda auditiva é compensada
pela visão e pelo tato.
O trabalho de estimulação precoce tem inicio no momento em que a perda
auditiva é descoberta.
É uma ação conjunta da família, escola e demais profissional que lidam com a
criança.
A comunicação é feita através da leitura labial, associada a linguagem de gestos.
Após o diagnostico preciso, iniciaremos o trabalho de estimulação com o uso correto
de aparelhos auditivos, com o objetivo de estimular o nervo auditivo para a aquisição
e armazenamento desse estímulo pelo cérebro. Associado a este trabalho, é
importante o atendimento sistemático de uma fonoaudióloga com o objetivo de
estreitar as relações entre percepção, atenção, aquisição de vocabulário e
conhecimento do mundo real.

Durante o processo de estimulação precoce é importante verificar o grau de


afetação auditiva, o momento em que apareceu a perda, em que freqüência ocorreu, o
nível em que se apresenta a linguagem, as características da criança, suas
potencialidades, as condições em que se desenvolve.
A perda auditiva pode ser provocada por diferentes fatores. Teceremos agora
algumas considerações importantes:
Fatores pré-natais - São antecedentes de surdez familiar, vírus materno no primeiro
trimestre de gravidez, traumatismo durante a gestação, exposição a radiações ou
medicamentos durante o primeiro trimestre de gestação.

Fatores Perinatais – criança prematura em tempo e em peso, parto difícil


necessitando uso de instrumentos, intoxicação por bilirrubina sanguínea, síndrome de
insuficiência respiratória.
Fatores Pós-natais – uso de medicações, meningite, doenças no ouvido,
traumatismos cranianos.
Sabemos que nem todas as perdas auditivas são iguais, porém todas repercutem
no desenvolvimento da linguagem oral, variando sua gravidade, de individuo para
indivíduo.
No momento em que detectamos a perda auditiva, para iniciarmos o trabalho o
quanto antes é importante avaliarmos o nível em que se encontra o desenvolvimento da
linguagem, o tempo em que ela surgiu, a prótese adequada e o nível de compensação
dessa prótese.
Verificamos ainda as características individuais dessa criança bem como as
suas possibilidades de desenvolvimento e em que condições estão se desenvolvendo.
Para uma correta intervenção pedagógica é necessário classificar o nível de perda.