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A neurulação é uma fase do desenvolvimento embrionário, pelo qual a placa

neural forma o tubo neural.


Ao final da terceira semana, as extremidades laterais da placa neural se
tornam elevadas, formando as pregas neurais, enquanto a região média deprimida
forma o sulco neural.
Gradualmente, as pregas neurais se aproximam uma da outra na linha
média, onde elas se fundem.
A fusão começa na região cervical (quinto somito) e continua cranial e
caudalmente. Como resultado, forma-se o tubo neural.
O fechamento do neuróporo cranial ocorre aproximadamente no vigésimo
quinto dia, enquanto o neuróporo posterior se fecha no vigésimo oitavo dia. A
neurulação se completa, então, e o sistema nervoso central torna-se representado
por um estrutura tubular fechada com uma porção caudal estrita, a medula espinal,
e uma porção cefálica muito mais larga.

DEFEITOS DO TUBO NEURAL


O que é um defeito do tubo neural (DTN)?
Esse fechamento do tubo neural pode ocorrer de forma defeituosa.
Um defeito do tubo neural (DTN) é uma malformação congênita que ocorre
entre o 20º e 28º dia após a concepção.
As células da placa neural que formam o sistema nervoso do feto não se
fundem.
Essa não fusão das placas pode ocorrer na extremidade superior, na parte
cranial, ou na extremidade inferior, na parte caudal.
O tubo neural não consegue se fechar completamente. O cérebro em
crescimento e a medula espinhal ficam então expostos (dependendo da localização
da anomalia).
As formas mais comuns de DTN são anencefalia e espinha bífida.
O que é anencefalia?
A anencefalia ocorre quando a extremidade superior do tubo neural não se
fecha. Crianças com esta desordem nascem sem o couro cabeludo ou sem o
cerebelo.
A meninge, os dois hemisférios cerebrais e a calota craniana também estão
ausentes, embora eles normalmente tenham parte do tronco cerebral.
O tecido cerebral restante é protegido apenas por uma fina membrana. O
bebê pode ser cego e não ter, ou ter apenas poucos reflexos. 25% das crianças
anencéfalas que vivem até o fim da gravidez morrem durante o parto, 50% têm uma
expectativa de vida de alguns minutos a um dia e 25% vivem até 10 dias (Jaquier
2006).

Durante a gravidez, a mãe não apresenta nenhum sintoma específico de que


o bebê está desenvolvendo uma má-formação.

Geralmente, o diagnóstico é feito ainda em período pré-natal, através do


exame de ultrassom a partir das 12 semanas de gestação. Esse exame faz parte
da rotina pré-natal e revela imagens do desenvolvimento do bebê ao longo da
gravidez.
Como o crânio ainda não está completamente formado até as 12 semanas, o
diagnóstico de anencefalia só pode ser dado após esse período.
Caso a mulher não tenha feito acompanhamento pré-natal, o diagnóstico é
feito no momento do parto pelo exame físico do bebê.

Ao encontrar sinais de anencefalia no ultrassom, o médico pode pedir uma


dosagem de alfa-fetoproteína no soro materno ou no líquido amniótico após as 13
semanas de gestação. Casos de anencefalia estão relacionados a um nível alto de
alfa-fetoproteína.
O soro materno é extraído do sangue como em um exame de sangue normal.
Já o líquido amniótico é extraído por meio de uma ​amniocentese​, um procedimento
que consiste em uma punção que vai até a bolsa amniótica e retira uma pequena
amostra do líquido para análise.
O que é Espinha bífida?
Se o tubo neural permanece aberto na sua extremidade inferior, é um caso
de Espinha Bífida. A medula espinhal e do osso da coluna não conseguem se
desenvolver completamente a as crianças têm uma abertura em suas costas, por
onde a bolsa de líquido que contém parte da medula espinhal pode emergir.
A extensão da incapacidade permanente depende da localização do defeito
no osso da coluna. Quanto maior for a lesão, maiores os riscos de paralisia dos
membros inferiores.
Quando as lesões são menores, os riscos também são menores e as
consequências mais comuns são a falta de controle da bexiga e do intestino.
Podem haver três tipos:
● Espinha bífida oculta​, que se caracteriza pelo fechamento incompleto da
coluna vertebral, sendo que não há envolvimento da medula espinhal e das
estruturas que a protegem.
● Espinha bífida cística​, que se caracteriza pelo fechamento incompleto da
coluna vertebral, com envolvimento da medula espinhal e das estruturas que
a protegem, através de uma saliência nas costas do bebê. Ela pode-se dividir
em:
○ Meningocele​, que é a forma mais leve de espinha bífida cística, pois a
saliência nas costas do bebê envolve apenas as estruturas que
protegem a medula espinhal, ficando a medula espinhal dentro das
vértebras, como é normal.
○ Mielomeningocele​, que é a forma mais grave de espinha bífida
cística, pois a saliência nas costas do bebê contém, além das
estruturas que protegem a medula espinhal, também tem parte dela.

O diagnóstico da espinha bífida oculta pode ser feito através das


ultrassonografias realizadas durante a gravidez e da amniocentese para avaliar a
quantidade de alfa-fetoproteína no líquido amniótico, que se encontra muito alta em
caso de espinha bífida.

O tratamento para espinha bífida depende do seu tipo. A espinha


bífida oculta, na maioria dos casos, não necessita de tratamento.
Em caso de espinha bífida cística, o tratamento consiste na cirurgia que deve
ser realizada nos primeiros dias de vida da criança para voltar a reintroduzir todas
as estruturas no interior da coluna vertebral e fechar o defeito na coluna. No
entanto, esta cirurgia nem sempre consegue evitar alguns problemas neurológicos.

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