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Abordagens sobre Personalidade.

Segundo (Cloninger, 1999, 2003). Personalidade” é um conceito muito fácil de


entender para a maioria das pessoas: é o que faz você, “você”. É um
conjunto de características que abrange todos os traços, qualidades,
defeitos e peculiaridades que distinguem a sua pessoa de todas as outras.
Chamamos de personalidade o conjunto de características cognitivas, afetivas e volitivas
que formam a construção pessoal de um indivíduo. Ela está diretamente ligada à forma
como interiorizamos nossos sentimentos, pensamentos, valores e experiências.

A personalidade está composta por dois elementos: temperamento e


caráter; um tem uma origem genética e o outro de tipo social, quer dizer,
será determinado pelo ambiente que vive o indivíduo, respectivamente. Por
exemplo, quando uma pessoa reage e age duramente diante do fracasso de
algo ou de alguém que o rodeia, costuma-se dizer que tem um
temperamento forte, seria algo como o grau de carga emocional colocado
nas situações que, no caso, pode ser forte ou fraco. E por outro lado, o
caráter indica o modo como atuamos, expressamos e pensamos (Cloninger,
1999, 2003).
Traços de Personalidade
Os traços referem-se assim a um conjunto mais focalizado de caraterísticas, que podem ser
atribuídas a uma pessoa em diferentes grupos (Cloninger, 1999, 2003). Dessa forma, a
teoria dos traços tem como objetivo primordial o estudo dos comportamentos do sujeito a
fim de o compreender, sendo a sua explicação baseada nos fatores hereditários, na
predisposição que o indivíduo tem para o desenvolvimento de vários traços e nos fatores
ambientais (Nunes, Hutz, & Giacomoni, 2009). O traço de personalidade pode ser definido
pela resposta do indivíduo, ou seja, pela qualidade do comportamento e caraterísticas
emocionais apresentadas na interação com o meio e que, agrupadas, contribuem para a
definição da personalidade (Conceição, 2011; Sousa, 2012; Thomas & Castro, 2012).
Assim, pode-se afirmar que o meio se assume como um dos fatores essenciais no
resultado dos traços de personalidade, pois, à imagem da personalidade, também estes
são caraterísticas relativamente estáveis de sentir, pensar e atuar, existindo, contudo, a
possibilidade de mudança, resultado da interação com o meio social (Sisto & Oliveira,
2007). Prova disto é o fato das caraterísticas emocionais e comportamentais que as
pessoas apresentam no seu meio e nas suas relações poderem determinar o tipo de
personalidade (Lundin, 1972, citado por Thomas & Castro, 2012).
Assim, ao longo do tempo, a personalidade acaba por ser resultado da organização que o
indivíduo vai elaborando das respostas às diversas situações do meio, reagindo às
mesmas, de maneira padronizada, harmonizando-se mais e melhor ao seu meio (Telles,
1982).

Teorias da personalidade
A palavra personalidade vem do latim persona, máscara teatral que artistas usavam para
interpretar diferentes papéis e identidades nos palcos. O que define a personalidade de
um indivíduo é a sua construção pessoal, baseada nas características de seu
temperamento.

O desejo de desvendar os mistérios da personalidade vem de muitos e muitos séculos,


especificamente do século IV a.C., na Grécia Antiga. Hipócrates, considerado o “pai da
medicina”, criou a teoria dos humores corporais, que inspirou Galeno a desenvolver a
tipologia acerca dos temperamentos.

Essas teorias incentivaram o surgimento de outros estudos que resultariam, séculos mais
tarde, nas teorias da personalidade — mais precisamente no século XX, quando
efetivamente psicólogos e psiquiatras, a fim de tratar transtornos mentais, mergulharam
fundo nas pesquisas buscando embasamento teórico sobre a personalidade.

Dentre as teorias da personalidade mais conhecidas hoje estão a de Sigmund Freud e Carl
Gustav Jung, que serão apresentadas neste conteúdo.

Teoria da personalidade segundo Freud.

É também conhecida como teoria psicanalítica da personalidade, devido à psicoterapia —


prática defendida pelo neurologista austríaco Sigmund Freud.

Para Freud, toda ação é movida por forças internas, que estão diretamente ligadas ao
prazer, ou seja, para ele o desenvolvimento da personalidade é regido pela libido.

A personalidade é desenvolvida no indivíduo quando criança, tendo como motivadores


primários os impulsos sexuais e agressivos. A fim de explicar a sua teoria, Freud
subdividiu a estrutura da personalidade em três sistemas: o id, o ego (eu) e o superego
(eu superior).

 id: seria o sistema original da personalidade, ligado às ações primárias e às


pulsões inconscientes, ou seja, as satisfações e prazeres corporais.
 ego: lado racional, que obedece aos princípios da realidade, controlando os
impulsos do id.
 superego: lado da personalidade responsável pelos valores sociais e morais. É o
superego que dá a noção de certo e errado ao indivíduo.
Segundo Duane e Sydney Schultz, autores do livro Theories of Personality, a subdivisão do
ponto de vista de Freud explica os processos psicológicos trabalhando juntos,
funcionando como um todo na personalidade, onde o id desempenha o fator biológico, o
ego o psicológico e superego o social.

Embora apresente os conceitos de consciente e subconsciente e a ideia de que a


personalidade tem relações com a infância, a teoria de Freud acaba sendo um tanto
quanto limitada por apontar motivações sexuais e agressivas como fatores determinantes
a todas as ações do indivíduo.

Teoria da personalidade junguiana


Para Carl Gustav Jung, a personalidade — ou psique, como ele a chamava — é formada
por sistemas isolados que atuam de forma dinâmica uns sobre os outros.

O psiquiatra e psicoterapeuta era um estudioso assíduo, bebeu de várias fontes e por


muito tempo foi um dos discípulos de Freud. Embora viesse a usar suas referências sobre
consciente e subconsciente, Jung não concordava com a visão de Freud sobre os fatores
de motivação da personalidade.

Na visão junguiana, existem quatros funções psicológicas básicas (sentir, pensar, perceber
e intuir) e dois tipos de caráter (introvertido e extrovertido). Cada indivíduo desperta em si
uma função básica e um tipo de caráter, originando assim a sua personalidade.

Ao todo, a teoria de Jung apresenta oito tipos de personalidade:

Reflexivo extrovertido
Personalidade de indivíduos mais racionais e objetivos, que geralmente apresentam
cargos importantes. Os reflexivos extrovertidos são céticos, pouco sensíveis, narcisistas,
prepotentes e manipuladores.

Reflexivo introvertido
Pessoas com essa personalidade são definidas pelo lado intelectual e um forte apego à
filosofia. Embora sejam muito interessantes, possuem dificuldade de relacionamento e
são bastante teimosas.

Sentimental extrovertido
Essa psique é facilmente encontrada em mulheres. Os sentimentais extrovertidos são
empáticos e compreensivos, possuem facilidade de comunicação e relacionamento, forte
poder de sedução e persuasão; no entanto, tendem a sofrer mais com rejeições.
Sentimental introvertido
Geralmente são pessoas solitárias, possuem dificuldade de relacionamento, gostam de
silêncio, são melancólicas, pouco sociáveis e fazem o possível para não chamar a atenção,
mas são sensíveis às necessidades alheias.

Perceptivo extrovertido
Essa personalidade possui um lado místico, forte percepção e identificação com objetos.
Indivíduos perceptivos extrovertidos são muito bons com detalhes e costumam colocar o
seu prazer como prioridade.

Perceptivo introvertido
A maior característica dessa personalidade é a ênfase sensorial. É caracterizada por
valorizar cores, texturas e formas como uma maneira de exteriorizar suas emoções.
Geralmente são indivíduos relacionados à arte e à música.

Intuitivo extrovertido
Pessoas aventureiras fazem parte dessa personalidade. São ativas, inquietas,
determinadas e corajosas, mas em geral egoístas e não ligam muito para o bem-estar
coletivo.

Intuitivo introvertido
Personalidade característica de indivíduos extremamente sensíveis, com alto senso
intuitivo. É muito comum pessoas assim estarem ligadas à religião. Os intuitivos
introvertidos também são idealizadores, muito criativos e sonham alto.

Tanto a teoria de Freud quanto a de Jung são questionáveis, incertas e limitadas, que se
diferem por fatores associados ao embasamento de cada um. Por um lado temos o
determinismo da teoria freudiana, por outro a ideia do exercício de livre arbítrio
defendida pela teoria de Jung.

Contudo, ambos os estudos sobre teorias da personalidade são de extrema importância


hoje ao campo da psicologia e psiquiatria, ainda que não sejam efetivas em seu propósito.
Freud e Jung colaboraram significativamente com suas ideias para a evolução da
psicanálise, e ainda orientam novos pesquisadores.

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