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ESTADO DE RONDÔNIA

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Tribunal Pleno / Gabinete Des. Valter de Oliveira

Processo: 0800056-89.2015.8.22.0000 - MANDADO DE SEGURANÇA (120)

Relator: VALTER DE OLIVEIRA

Data distribuição: 09/07/2015 19:18:39

Data julgamento: 18/07/2016

Polo Ativo: DIRECIONAL AMBAR EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA.

Advogados do(a) IMPETRANTE: JULIO DE CARVALHO PAULA LIMA - MG90461, GABRIEL ELIAS BICHARA -
ROA6905000

Polo Passivo: DESEMBARGADOR PAULO KIYOCHI MORI

RELATÓRIO

Cuida-se de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado por Direcional Ambar
Empreendimento Imobiliário Ltda. contra ato judicial praticado pelo relator da apelação cível n. 0022973-06.2013.8.22.0001,
desembargador Kiyochi Mori, que não conheceu do recurso, declarando-o deserto em razão do não recolhimento das custas
[diferidas para o final] com o preparo recursal.

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Alega ter havido insuficiência de preparo, caso em que deveria ser aplicado o disposto no art. 511, § 2º, do
CPC, que fixa um prazo de 5 (cinco) dias para a parte complementar o valor recolhido a menor, o que não foi oportunizado à
impetrante, daí sustentar a ocorrência de violação ao direito de petição previsto no art. 5º, XXXIV, da Constituição Federal.

Ressalta que manejou agravo interno contra a decisão que julgou deserto o apelo, mas a autoridade
impetrada não conheceu do recurso por estar em desconformidade com o parágrafo único do art. 7º da Instrução Conjunta n.
14/2010-PR/CG, que implantou o processo eletrônico no âmbito do 2º grau de jurisdição do Tribunal de Justiça do Estado de
Rondônia.

Pugna pela concessão da segurança a fim de anular a decisão que não conheceu do agravo interno interposto
por meio físico, determinando o seu processamento para viabilizar a abertura de prazo para a impetrante completar o valor do
preparo, que, repisa, foi insuficientemente recolhido.

Requerida, a liminar foi indeferida.

Em suas informações, a autoridade impetrada ressalta que a impetrante obteve no juízo de origem o
diferimento das custas para o final do processo, todavia, ao interpor o recurso de apelação recolheu apenas o preparo recursal,
deixando de comprovar o pagamento das custas processuais, conforme determina o Regimento de Custas (Lei Ordinária Estadual
n. 301/1990, art. 6º, § 6º). Afirma que a espécie não comporta a complementação do preparo conforme postulado, ocorrendo,
assim, a deserção.

Destaca que contra a referida decisão caberia a interposição de agravo interno pelo Sistema Digital de
Segundo Grau, todavia, a impetrante protocolou a petição por meio físico, em total desacordo com a instrução normativa do
TJ/RO (Instrução Conjunta n. 14/2010-PR/CG), razão pela qual não conheceu do agravo e manteve a decisão que julgou deserto o
recurso de apelação intentado.

A Procuradoria-Geral de Justiça, em parecer da lavra do procurador de justiça Osvaldo Luiz de Araújo,


apresentou parecer pela denegação da segurança.

É o relatório.

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VOTO

DESEMBARGADOR VALTER DE OLIVEIRA

Esta impetração possui dupla finalidade, uma vez que visa a atacar decisão monocrática da lavra
do ora impetrado, relator da apelação cível n. 0022973-06.2013.8.22.0001, que não conheceu do recurso ante o não
recolhimento das custas com o preparo recursal, e a suscitar, ainda, a violação ao direito de petição
constitucionalmente garantido, isso em razão de a interposição do agravo interno ter sido manejada por meio físico,
contrariando as normas estabelecidas pela Instrução Conjunta n. 14/2010-PR/CG, que implantou o sistema digital de
segundo grau no âmbito deste Tribunal.

Anote-se, desde logo, que o pronunciamento judicial rechaçado, quanto ao primeiro aspecto
aludido, por desafiar a interposição do recurso de agravo interno, a teor do art. 5º, II, da Lei 12.016, de 7/8/2009,
impede que o Pleno desta Corte conheça do mandamus para análise do acerto ou desacerto da questão pertinente
ao não recolhimento das custas diferidas pelo juízo de origem, assim se entendendo porque se trata de questão a ser
objeto de recurso perante a autoridade competente, no âmbito das Câmaras.

Nesse passo, adianta-se que o writ deverá ser parcialmente conhecido, apenas para análise da
alegada violação ao direito de petição, porquanto, nos termos da Súmula 267 do Supremo Tribunal Federal, “não
cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correção”.

Não desconheço que esse entendimento tem sido relativizado, mormente quando o emprego do
remédio constitucional se dá contra ato judicial manifestamente ilegal ou teratológico, o que mostra-se perfeitamente
aceitável.

No caso, porém, a decisão não revela ilegalidade alguma, já que apenas foi decretado deserto o
recurso ante o não recolhimento das custas iniciais cujo pagamento foi diferido para o final.

Repise-se que a verificação sobre a pertinência da decisão que não conheceu do recurso em face
do não pagamento das custas, na verdade, é questão a ser decidida pela Câmara Cível, mediante agravo interno.

Incabível, portanto, o manejo do mandado de segurança para essa finalidade.

Passa-se, pois, ao exame do mandamus apenas sob o reclamado direito de petição, lembrando
que a impetrante não observou o sistema digital do segundo grau quando da interposição do agravo interno,
fazendo-o por petição física, diretamente no setor de protocolo do TJ/RO.

O processo eletrônico, no âmbito do 2º grau, foi implantado pela Instrução Conjunta n.


014/2010-PR/CG, em vigor desde o dia 6 de dezembro de 2010, portanto, quatro anos antes da interposição do
agravo, circunstância que, por si só, demonstra não ser razoável a alegação de desconhecimento pelos advogados,
ainda que não militantes no Estado.

Destarte, ao dispor sobre o recebimento de embargos, agravos e petições interlocutórias, o art. 7º


da Instrução Conjunta estabeleceu um prazo de 180 dias para possibilitar, de forma excepcional, a apresentação de
peças por meio físico ou em arquivo digital contido em CD ou DVD, via protocolo integrado, prevendo o parágrafo
único, de forma explícita, que, findo referido prazo, somente será permitida a apresentação de embargos, agravos,
petições interlocutórias e recursos destinados a Tribunais Superiores por meio do SDSG.

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Ou seja, havendo previsão expressa quanto ao não recebimento de petições e recursos
manejados por meio físico, não há falar que tenha a decisão cerceado o direito de petição constitucionalmente
garantido pelo art. 5º, XXXIV, da Carta Magna.

Aliás, as decisões tomadas pelas Câmaras Cíveis desta Corte, ao contrário do que defende a
impetrante, corroboram o entendimento dado pela autoridade impetrada quanto ao não conhecimento do recurso.
Vejam, a propósito, os precedentes:

Agravo Interno. Decisão monocrática em Embargos de Declaração. Não conhecimento do recurso. Sistema
digital segundo grau. Protocolização da petição. Meio físico. Não conhecimento. Manutenção da decisão. Sendo o
processo digital, a protocolização de petição recursal (Embargos de Declaração) por meio físico enseja o seu não
recebimento e, consequente, não conhecimento, por desrespeitar as normas previstas na legislação vigente (Instrução
Conjunta n. 014/2010). Não se conhece da matéria exposta em recurso anterior, que não foi conhecido em razão de sua
protocolização ter sido realizada por meio de petição física". (Agravo n. 0211894-22.2008.822.0001, rel. des. Alexandre
Miguel, j. 21/3/2012)

Agravo Interno. Decisão monocrática em Embargos de Declaração. Sistema digital de segundo grau.
Protocolo de petição por meio físico. Não conhecimento. Recurso desprovido. Tratando-se de processo digital, a
protocolização de petição recursal por meio físico - Embargos de Declaração - enseja o seu não recebimento por
desrespeitar as normas previstas na legislação vigente. Instrução Conjunta n. 014/2010. Não se conhece da matéria
exposta em recurso anterior que não foi conhecido, em razão do protocolo ter sido realizado por meio de petição
física. (Agravo n. 0020578-75.2012.8.22.0001, rel. des. Isaías Fonseca Moraes, j. 21/1/2015)

Por ocasião do último julgado, lembrou o eminente relator que a concessão do prazo para
implementação do processo eletrônico visou à adesão gradativa dos advogados ao SDSG, permitindo que todos
pudessem se adaptar ao inovado sistema (art. 7º, parágrafo único).

Ademais, ressaltou que o sistema digital foi amplamente divulgado na mídia local e no âmbito
deste Tribunal, informando que o término do prazo para adaptação ao sistema ocorreria em 3/6/2011 (sexta-feira), e
que, a partir de 6/6/2011 (segunda-feira), as petições deveriam ser apresentadas exclusivamente pelo sistema digital.

A propósito, citam-se os precedentes desta Corte, dentre tantos outros: autos n.


0001876-52.2010.8.22.0001 agravo regimental em apelação, j. 6/6/2012, autos n. 0008880-43.2010.8.22.0001 agravo
regimental em apelação, j. 25/4/2012, autos n. 0211894-22.2008.8.22.0001 agravo em apelação, j. 21/3/2012, MS
0011659-03.2012.8.22.0000, j. 12/1/2013, todos sob relatoria do des. Isaias Fonseca Moraes.

Por fim, anote-se que o Conselho Nacional de Justiça já enfrentou a questão, por meio do
procedimento de controle administrativo n. 0003802-50.2011.2.00.0000, promovido pela OAB-RO, em sua 141ª
sessão plenária, de 14/2/2012, e concluiu pelo indeferimento dos pedidos de obrigatoriedade de recebimento de
petições físicas em processos eletrônicos, definindo ser obrigatória a implementação do uso de login e senha nos
sistemas de processos eletrônicos.

Ante o exposto, conheço parcialmente do mandamus, ante a ausência de liquidez e certeza do


direito vindicado, denego a segurança.

É como voto.

DESEMBARGADOR ROOSEVELT QUEIROZ COSTA

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A lei do Mandado de Segurança é expressa nesse sentido.

Peço vista.

DESEMBARGADORA IVANIRA FEITOSA BORGES

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR ROWILSON TEIXEIRA

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR MOREIRA CHAGAS

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR WALTER WALTENBERG SILVA JUNIOR

Aguardo.

DESEMBARGADOR MARCOS ALAOR DINIZ GRANGEIA

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR MIGUEL MONICO NETO

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR ALEXANDRE MIGUEL

DECLARAÇÃO DE VOTO

Peço vênia para divergir do relator, pois entendo ser o caso de não conhecimento do mandamus.

Isso porque, da decisão que não conheceu do seu agravo interno caberia um novo agravo para
que a própria câmara decidisse sobre a questão nova, qual seja, o não conhecimento do agravo anterior.

Vale anotar, portanto, que cabia recurso interno para o órgão colegiado a fim de reapreciar a
questão decidida de modo monocrático pelo relator. Basta notar os infindáveis embargos de embargos e agravo de
agravos que estamos acostumados a julgar.

Além disso, o STJ tem precedentes admitindo até mesmo recurso especial contra decisão
monocrática, quando esta inviabiliza o esgotamento da instância.

De qualquer sorte entendo aplicável à hipótese a Súmula 267 do STF, a qual prevê: “Não cabe
mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.”, razão pela qual, voto pelo não
conhecimento do mandado de segurança.

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É como voto.

DESEMBARGADOR GILBERTO BARBOSA

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR OUDIVANIL DE MARINS

Aguardo.

DESEMBARGADOR ISAIAS FONSECA MORAES

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR HIRAM SOUZA MARQUES

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR EURICO MONTENEGRO

Aguardo.

DESEMBARGADOR RENATO MARTINS MIMESSI

Aguardo.

CONTINUAÇÃO DO JULGAMENTO 18-07-2016

VOTO-VISTA

DESEMBARGADOR ROOSEVELT QUEIROZ COSTA

Trata-se de mandado de segurança contra ato judicial praticado pelo relator da apelação cível n.
0022973-06.2013.8.22.0000, des. Kiyochi Mori, que não conheceu do recurso, declarando-o deserto em razão do não
recolhimento das custas - diferidas para o final – com o preparo recursal.

Aduz ter havido insuficiência de preparo e que deveria ter sido oportunizado o complemento do
valor recolhido a menor, o que não ocorreu à impetrante, daí sustentar violação ao direito de petição.

Salienta que manejou agravo interno contra a decisão que julgou deserto o apelo, mas a
autoridade impetrada não conheceu do recurso, sobrevindo o pedido de concessão da segurança para anular essa
decisão.

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A douta autoridade coatora ressalta o diferimento das custas e não ignora que de sua decisão
caberia agravo interno pelo sistema digital e não por meio físico, motivando-lhe o não conhecimento do agravo.

O nobre relator trouxe fundamentação para a resolução da controvérsia e na parte dispositiva diz “
conhecer parcialmente do mandamus, ante a ausência de liquidez e certeza do direito vindicado”, finaliza denegando
a segurança.

A decisão publicada no DJ do dia 09-06-2016 retrata o resultado parcial do julgamento: após o


voto do relator rejeitando a prejudicial de não conhecimento do mandado de segurança, levantada pelo
desembargador Alexandre Miguel, e denegando a segurança, no que foi acompanhado pelos desembargadores
Ivanira, Rowilson, Moreira Chagas, Marcos Alaor, Miguel Monico, Gilberto, Isaias e Hiram Marques (que anteciparam
os votos) (...).

Considerando o que resultou do julgamento parcial: a) de que conhecia parcialmente, ao tempo


que b) não conhecia integralmente, conforme a ementa, a c) conclusão de denegação da ordem, e vislumbrando que
a controvérsia não é recurso e sim ação originária nesta Corte, pedi vista dos autos para melhor exame, anotando
nesta ocasião que recebi o feito somente no final de semana, véspera do julgamento da sessão, mas, considerando o
adiantado da hora da última sessão, alguns processos foram adiados e este foi incluído.

Inicialmente, uma digressão oportuna.

Estamos a tratar de mandado de segurança e aqui permitam-me retomar a um tema antigo,


pertinente, e que é usual em todas as Cortes, mas não serei incisivo como fui há quase 20 anos atrás. Trata-se do
termo “conhecer” e “não conhecer”. Data venia, terminologia imprópria, usual apenas para os recursos, que no juízo
de admissibilidadesendo positivo, o passo seguinte é o de enfrentamento do outro juízo, o demérito recursal.

Despiciendo dizer que nunca fui juiz formalista, ao contrário, sou daqueles como o médico
cirurgião plástico, também tenho feito cirurgias plásticas em processos, sanando e superando nulidades que
extinguiriam o processo sem resolução do mérito, mas ao invés disso o aproveito sem o rigor do formalismo, tenho
passado por cima de filigranas para poder examinar o mérito, sempre na perspectiva de fazer a tão sonhada justiça,
de dar a cada um o que é seu.

Como prova dessa assertiva, apesar de não concordar com a dita terminologia para as ações aqui
aportadas (que não são recursos), com pequenas observações tenho acompanhado os colegas, mas sem me deter
em detalhes como o fiz em 2002 e também em 2003, em voto-vista, na Ação Revisional n. 200.000.2003.008990-5 (
apesar de em anos anteriores assim já me posicionar).

Quero destacar que juízo de admissibilidade e juízo de mérito, nos recursos, não é novidade a
ninguém, pois usamos tais terminologias todos os dias em nossos julgamentos, acertadamente, examinando
recursos. A questão, data venia, é o “conhecer” ou “não conhecer” nas ações originárias nos tribunais, o que
diariamente acontece inclusive na Suprema Corte (STF) e no Tribunal da Cidadania (STJ).

Também sei que para alguns o debate (mas sem pretensão de debater) sobre o tema é firula,
superficialidade que nada acresce, mas não podemos olvidar que dependendo da terminologia podemos ter
resultados e consequências jurídicas diversas, confusões, data venia. Disso todos sabemos, daí a importância do
tema que vem sendo debatido há quase um século, pois, conforme citarei, desde 1920tem sido motivo de discussão,
inclusive na maior Corte do País, de onde, se não me falha a memória, já ouvi o ministro Marco Aurélio Melo lembrar
do tema citando o renomado jurista José Carlos Barbosa Moreira.

E dirão: e daí? Conhecer ou não conhecer não parece ter a importância que se deseja dar.
Respondo: Não me parece que é tão simples assim. Pode, sim, dar margem a discussões, dúvidas, mal-entendidos.
É o que ensina o citado autor. Não vamos longe, aqui mesmo neste casocogitou-se a necessidade de retificação do
julgamento parcial para desconsiderar os votos já proferidos para voltarmos aquestão de ordem ainda não apreciada
e que avançou o julgamento denegando a segurança. E corretíssimoesse entendimento.

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Pois bem. A rigor, teríamos que retornar, retificar o que ficou assentado para dirimir a questão de
ordem e só então dar o passo para a decisão meritória, mas aindadigressionando.

Não pretendo insistir no tema “conhecer” porque para alguns pares parece que o termo não tem
tanta relevância e que isso não passa de firula, mas permitam-me rememorar o que apresentei na ocasião a respeito,
principalmente porque o colegiado de então (o qual a maioria dos membros presentes não integravam) terminou
encampando o meu voto-vista e porque como diz o sempre lembrado, Barbosa Moreira, o qual acompanho, com as
vênias de quem entende de forma diversa:

“Se a questão é relevante, então compensa que a elase volte de vez em quando, tênue que seja a
esperança de vê-laum dia bem resolvida. Ao menos nisto não se dirá que pecamos por omissão”.

Então, eis alguns tópicos do meu voto de priscas eras, aplicáveis a esse mandamus, mutatis
mutandis.

O eminente relator examinou as condições da ação: legitimidade ativa, possibilidade jurídica do pedido e interesse
de agir e concluiu como opinou a douta Procuradoria, ou seja, pelo não conhecimento da revisão criminal.

Data venia, vou discordar do eminente relator no referente ao desfecho: “não conhecimento”, bem como com o
fundamento sobre o interesse de agir, no meu entender de mérito, razão porque pedi vista dos autos por vislumbrar situação
semelhante a que em voto de vista, em agosto/2002 sustentei e esta Corte acolheu o assertório de que em ação revisional não
se aplica a terminologia em comento e noutros julgamentos tenho lembrado sobre a questão, aparentemente insignificante mas
que variam os efeitos do julgamento.

Não ignoro que os Tribunais, inclusive os Superiores e a doutrina, em grande parte não estão atentos à correta
terminologia do termo e o seu não emprego apropriado pode abrir-se margem à fáceis e nocivas confusões, ante os efeitos
gerados pela decisão. Assim, há mais de 3 (três) anos atrás, estudei a matéria, pesquisando alguns julgados e vendo diversos
autores e sobre estes um se destaca e é sempre lembrado, citado, jurista de renome, intérprete e ex-aplicador da lei, vox legis
mas não um juiz autômato, escravo da lei, mas juiz que dava vida à letra fria da norma . Assim, seguirei a sua esteira na
narrativa anunciada de que não é de hoje que os Tribunais enfrentam a questão do "conhecer".

Ninguém suponha que o cuidado em distinguir as aludidas hipóteses, para dar a cada qual o
tratamento adequado, se resolva em puro e simples escrúpulo técnico, ou menos ainda em excessivo
apego a certo tipo de formalismo, hoje muito justificadamente caído em desgraça. As distinções
conceptuais são importantes na medida em que geram conseqüências práticas de relevo. Ora, incorrerá
em erro grave quem subestimar aqui o relevo das conseqüências práticas e imaginar que, decida o
Tribunal como decidir, diga que "não conhece" ou que "nega provimento", não variam os efeitos do
julgamento, e vem tudo, afinal de contas, a dar na mesma (José Carlos Barbosa Moreira).

O eminente Barbosa Moreira ainda adverte que a confusão a respeito do assunto ocorre inclusive nos Tribunais
Superiores, no colendo STJ, a exemplificação com o texto constitucional, art. 105, III, letra "c", que o coloca em situação
embaraçosa, e diz:

Eis o pobre Superior Tribunal de Justiça, sem culpa sua, em dilema implacável: diante do
recurso especial, ou o julga, a fim de ver se a lei federal foi violada, e arrisca-se a, concluindo pela
negativa, exceder os limites traçados pela Carta da República; ou então se abstém de julgá-lo, e assume o
risco de descumprir a atribuição constitucional, porque sempre era possível que a lei federal tivesse
realmente sido violada (...) Não é crível que a Constituição haja querido pôr o Superior Tribunal de Justiça
em situação a tal ponto embaraçosa, condenando-o a jamais ter como desincumbir-se com tranqüilidade
da missão que se lhe confiou. Torna-se patente que ao texto do art. 105, n. III, letra a, cumpre dar
inteligência que evite convertê-lo em tão angustiante beco sem saída.

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O referido autor é exaustivo, mas à colação continuarei apresentando um resumo, desde logo dizendo que nas
suas preleções esclarece que a solução não é difícil, bastando que:

(...) abandone o apego à literalidade – aqui talvez mais funesto que alhures – na interpretação
da letra a do art. 105, III. Deve ler-se o texto de tal maneira que se reduza à sua dimensão própria o
elemento valorativo introduzido na descrição do "tipo".

Ainda pergunta e responde:

Como se equaciona, então, o problema? Sempre admitida, por hipótese, a satisfação dos
outros requisitos, é suficiente, para o cabimento do recurso especial, a alegação de que a decisão
recorrida contrariou lei federal. Se o recorrente faz tal alegação, tem o Superior Tribunal de Justiça de
conhecer do recurso. Em seguida, averiguará se a alegação é fundada, isto é, se na verdade se consumou
a ofensa...

Ainda leciona que:

Salta aos olhos a profunda diferença entre "não conhecer" do recurso especial e "negar-lhe
provimento".

O mesmo processualista assinala que, sob o regime constitucional anterior, costumava o eg. STF, na hipótese de
recurso extraordinário correspondente a do atual art. 105, n. III, a, empregar terminologia equivocada, ou seja:

...dizia, com efeito, não conhecer do recurso sempre que lhe parecia infundada a impugnação,
do mesmo modo que o dizia quando ao recurso faltava algum requisito de admissibilidade. Foi-lhe
impossível deixar de enfrentar o problema da competência para a rescisória, o qual não comportava, à
evidência, tratamento igual nos dois casos.

E explicita que a solução terminou se incorporando na Súmula 249, nestes termos:

É competente o Supremo Tribunal Federal para a ação rescisória quando, embora não tendo
conhecido do recurso extraordinário, ou havendo negado seguimento ao agravo, tiver apreciado a questão
federal.

E pergunta o que significa "apreciar a questão federal"? para em seguida responder:

À evidência, apurar se assiste razão ao recorrente, na crítica que faz à decisão recorrida: em
outras palavras, averiguar se tal decisão foi correta ou incorreta. É concebível, então, que o Tribunal
aprecie a questão federal e, não obstante, deixe de conhecer do recurso? Se o for, teremos de admitir que
"não conhecer" é locução capaz de assumir duplo sentido, de designar ora o julgamento em que se
declara que o recurso é inadmissível, ora o julgamento em que se declara que ele é infundado. Nesta
segunda acepção, curiosamente, a expressão "não conhecer" será antônima não de "conhecer", mas de
"prover". Nas hipóteses sob exame, o Tribunal julgaria assim: de início, controlando outros requisitos de
admissibilidade (v.g., a tempestividade), optaria entre "conhecer" e "não conhecer": ultrapassada essa
etapa, ao apreciar a questão federal, caber-lhe-ia optar entre "prover" e... de novo, "não conhecer"!
Eventualmente, viria a declarar que "não conhecia" depois de haver declarado que "conhecia...

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E o autor, nesta parte, arremata esclarecendo que a proposição da citada Súmula do STF:

...encerrava e encerra estridente incongruência. Nela, o atentado à lógica brada aos céus. Se
nos julgamentos se respeitasse a boa terminologia, não seria preciso lançar mão de tão esdrúxulo artifício.

Extrai-se ainda de suas lições, a exortação e o aconselhamento para a adoção de terminologia que evite
mal-entendidos, como haver-se dito que "não se conhecia" do recurso extraordinário principal, chegou-se a aludir, no STF, ao
"não-conhecimento" por motivo de mérito.

São locuções – perdoe-se a ousadia – qui hurlent de se trouver ensemble. Falar assim
decididamente em nada contribui para tornar mais claras as coisas. Só serve para fornecer munição a
quem queira denunciar a linguagem da Justiça como enigma indecifrável.

O eminente processualista, jurista e Desembargador Barbosa Moreira evidencia que suas considerações foram
inspiradas pela leitura de acórdão do STJ, proferido pela 3ª Turma, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso
Especial n. 45.672, no qual o Relator, Ministro Nilson Naves, deu-lhe a honra de uma referência ao entendimento acerca da
matéria, qualificando-o, diz Barbosa Moreira, com generosidade singular, de "lição tão magistral e tão fascinante".

Ao ensejo, respondendo a citação, asseverou:

... não obstante os desvanecedores adjetivos, pelos quais manifestamos a nossa gratidão,
revela o teor do julgado que o preclaro Ministro – unanimemente acompanhado, aliás, por seus ilustres
Pares – não se convenceu do acerto da tese por que nos batemos. Tivemos a preocupação de examinar as
razões, constantes da motivação do acórdão, pelas quais a nossa "lição", a despeito de "magistral" e
"fascinante", não mereceria acolhida. Assim procedemos com o intuito de pôr à prova a solidez de nossa
posição: a oportunidade era boa para verificar se ela seria capaz de resistir a uma crítica proveniente de
tais alturas. Sem o mais leve propósito de polemizar com o eminente Ministro ou com o Superior Tribunal
de Justiça, e enfaticamente ressaltando o profundo respeito que temos por um e por outro, vemo-nos
forçados a proclamar que continuamos a pensar como pensávamos.

Do exposto, digo, a lição magistral do autor é exaustiva, convincente, racional, coerente e lógica, de modo a evitar
perplexidade, aflitivo embaraço, incongruências ou teratologia judicial.

Dessome-se mais que o lúcido Barbosa Moreira não aceita o argumento do acórdão com a sobrecarga de trabalho
que adviria para o STJ, facilitando a interposição do especial. Eis as suas lúcidas palavras:

Esse argumento, pertinente à interposição, está aí visivelmente deslocado. (...) A quantidade


de trabalho não é posta em jogo: ela permanecerá obviamente igual, quer o Superior Tribunal de Justiça,
na hipótese sob exame, declare que não conhece dos recursos quer declare que lhes nega provimento. No
instante em que o Tribunal opta por uma ou por outra dessas fórmulas, já fez todo o trabalho que
precisava ser feito: nada mais lhe resta senão expressar o resultado do julgamento. Não vislumbramos,
destarte, em que poderia contribuir o emprego da terminologia correta para constranger o tribunal a deixar
de "cumprir a sua missão constitucional" – calamidade que certamente ninguém deseja (menos que todos,
o autor deste artigo), e com a qual não é desprezível, atrevemo-nos a supor a possibilidade de que o
acórdão tenha acenado à feição de simples figura de retórica.

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Mais a frente reconhece o exagero da gentileza do eminente Ministro Relator o haver dito, como disse, que
reconhecia a sua autoridade:

Pouca, na verdade, pensamos ter; mas força é convir que muitas tinham e têm outras vozes
que, de longa data, vêm sustentando a mesma posição: não só na doutrina (limitamo-nos aqui a recordar
as Lições de Pontes de Miranda, Coment., cit., Vol. VIII, pp. 196 e segs. e Tratado da Ação Rescisória, 5ª
ed., Rio de Janeiro, 1976, pp. 154), sublinhe-se, senão no próprio âmbito do Judiciário, e nomeadamente no
seio da Corte Suprema, onde mais de um Ministro reagiu contra a prática errônea.

Ao ensejo recordou, a propósito, o luminoso voto proferido por Edmundo Lins no julgamento dos Embargos no RE
n. 1.337, de 21/9/1921 (Rev. do STF, vol. 38, pp. 74/6. cf. antes, o voto no julgamento dos Embargos no RE n. 1.328, de 13/10/
1920, na mesma revista, Vol. 27, p. 76. Outro Ministro que sempre se pronunciou no mesmo sentido foi Philadelpho Azevedo,
de quem se podem citar, v.g., os votos na AR n. 28, in Um Triênio de Judicatura, Vol. V, São Paulo, s.d., p. 116, e no RE n.
9.181, in A J, vol. 78, p. 299). Ali se começa por dizer:

Conheço de todo o recurso extraordinário que haja subido a esta instância, desde que: a) o
recorrente, ao interpô-lo, haja invocado um dispositivo constitucional, que o admita; b) tenha sido,
oportunamente, tomado por termo e, oportunamente, haja sido apresentado na Secretaria do Tribunal.
Tudo o mais já não é questão "preliminar", mas "mérito" da "causa". Com efeito, preliminar, como a
própria palavra o está a dizer, é a questão que se resolve antes de se examinar e resolver a relativa à
matéria principal, sobre que versou a ação, deduzida em juízo, ou sobre que recai o recurso: é o que se
resolve antes desse exame, por ser dele, in totum, independente.

Em continuação, pergunta o Ministro: “Se (...) a parte invocar um caso em que, em tese, caiba o recurso, mas
nessa tese não se compreender a hipótese, ainda assim conhecerei do mesmo recurso?” E responde:

É claro, claríssimo, que sim; porquanto, sem examinar a litiscontestação e a sentença, não
poderei decidir a questão ventilada, isto é, se a tese se adapta ou não ao caso concreto. É essa uma das
questões "do mérito" do feito, e é até, no recurso extraordinário, a única juridicamente possível.

Com lucidez ressalta: “Não há, de fato, nenhuma outra, absolutamente nenhuma, atinente ao `mérito´, que se
possa decidir”. E, em certeira crítica à praxe equivocada:

O que ainda não cheguei a compreender (...) é o que faz, quotidianamente, a maioria do
Tribunal: examina a litiscontestação e a sentença recorrida; à vista desse exame, conclui, muito
juridicamente, que, no caso, por exemplo, a Justiça local aplicou a Lei Federal invocada, ou que, se não o
fez, é porque a mesma era inaplicável, e, em vez de tomar conhecimento do recurso e negar-lhe
provimento, conclui: – `dele não conhecer, por não ser caso´.

E arremata: “... me parece que é o que, em lógica, se chama contradictio in adjecto, ou quiçá fallacia grammatica:
não conhece, porque já conheceu!”.

Sem mais me alongar e dando-me por satisfeito neste voto, trazendo à colação alguns dos muitos tópicos
pertinentes ao que pretendia elucidar, vou concluir mais uma vez reportando-me às palavras do mesmo Magistrado.

Em direito, como em toda ciência, as denominações têm de ser unívocas. Faça-se idéia da
confusão que se instalaria, por exemplo, na geometria, se se pudesse usar nalgum caso a palavra

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"triângulo" para denominar qualquer outra coisa além do polígono de três lados. Os restos mortais do
pobre Tales decerto não teriam descanso no túmulo, sacudidos pela aflição com a sorte da lei que ele, em
vida, enunciou(...)

Ainda, se a questão é relevante, “então compensa que a ele se volte de vez em quando, tênue que seja a
esperança de vê-lo um dia bem resolvido. Ao menos nisto não se dirá que pecamos por omissão”.

Com essas explanações e algumas digressões, como então decidir a controvérsia anunciada?

O que apresentei, ainda que mais pertinente aos recursos, mutatis mutandi, tem inteira aplicação, mormente se o
desfecho do voto foi por não conhecer a revisão criminal.

Mais uma vez vou aqui repetir o que disse em tempos idos.

[…]

Em suma, a revisão é meio de impugnação extraordinário das sentenças penais condenatórias irrecorríveis, que
possibilita o reexame de uma causa penal julgada. Enfim, como garantia constitucional do condenado, por atingir a res judicata,
igualmente protegida constitucionalmente, no mesmo patamar do habeas corpus e do mandado de segurança como
instrumento do garantismo estatal, enfim, tenho que a revisão é concebida como ação penal desconstitutiva negativa.

Se assim é sua natureza jurídica, o seu tratamento não pode ser o de recurso - de conhecer ou não conhecer, de
prover ou não prover. Aqui encerro a questão. Não aplicarei, em hipótese nenhuma o termo “não conhecer”.

Trata-se de uma ação, repito, não recurso, e o seu desfecho é o das ações comuns, nas quais analisam os
pressupostos processuais e as condições da ação para depois analisar o mérito.

Acertadamente o eminente relator, implicitamente deu como preenchidos os pressupostos e quanto as condições
da ação examinou uma a uma e concluiu que não presente o “interesse de agir”. É nesta parte e na conclusão é que vou
discordar, datíssima vênia, e pego de empréstimo a própria fundamentação do voto para respaldar meu entendimento.

Explicito. Nos termos já esquadrinhados a motivação da parte sobre o interesse de agir, em verdade, examinou o
mérito da demanda, mas assim não será a parte dispositiva de meu voto, nem a de carência de ação porque na minha ótica
presentes todas as condições da ação.

Anotou o voto:

[…]

Diante do exposto, tendo a sentença de primeiro grau, no caso concreto, empregado


acertadamente à justiça, sou pelo não-conhecimento da presente ação de revisão criminal, por não
estarem presentes os requisitos legais necessários a surtir os efeitos da tutela jurisdicional reclamada,
fundamentada no art. 621, inc. I, do CPP.

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Digo eu. Presente o interesse de agir, porquanto este surge de uma relação de necessidade e de uma relação de
adequação do provimento postulado. In casu, o demandante foi condenado por uma sentença penal transita em julgada e a via
eleita e adequada é a ação de revisão. Portanto, confirma-se a relação de necessidade-adequação. Transcrevo a lição e o
equívoco na terminologia “conhecer”.

É de rigor o conhecimento de ação revisional, mesmo que o pedido não seja expressamente
elencado nas hipóteses do art. 621 e incisos do CPP, à medida que a revisão é a derradeira oportunidade
que tem o réu de ver reparado eventuais erros ou injustiças, mormente quando não teve acesso ao
Segundo Grau de Jurisdição (RJDTACrim 30/482, citado por Júlio F. Mirabete, CPP Interpretado).

[...] e como a revisão criminal é uma ação penal rescisória é de aplicar as regra de processo civil [...]

Em face do exposto, pedindo vênia ao eminente relator divirjo...

Fecho o parêntese do voto em comento para dizer: Afinal, como resolver o caso? Vamos voltar a
questão de ordem ainda em aberto e tornar sem efeito os votos adiantados no mérito?

Em princípio, teríamos que retornar, retificar o que ficou assentado para decidir a questão de
ordem e só então dar o passo seguinte, solucionar meritoriamente a demanda.

Eis a questão do “não conhecimento”. Se fosse recurso, nenhuma dificuldade, simplesmente


estaríamos no juízo de admissibilidade negativo, significando dizer que o mérito recursal não é analisado.

Mas a hipótese versada é uma ação originária na Corte, como uma outra ação ou mesmo um
mandado de segurança no juízo de primeiro grau, onde o magistrado vai examinar se estão presentes os
pressupostos processuais, as condições da ação, preliminares processuais etc e vai extinguir o processo com ou sem
resolução do mérito. Aqui não é diferente.

Nada obstante, o que tenho observado ao longo das décadas de judicatura é que quando os
tribunais dizem que não conhecem, em se tratando de ações originárias, a mim parece claro estarem expressando a
hipótese de extinção do processo sem resolução do mérito.

Nesse sentido, estou a visualizar a questão de ordem apresentada, pois o nobre colega assevera,
com fundamento no direito sumular, o não cabimento do mandado de segurança contra ato judicial, apesar de que,
com o Novo Caderno Processual, parece-me que vai crescer o número de mandados de segurança, considerando
que o Código procurou prever, em numerus clausus, os casos desafiadores do agravo de instrumento, e outros fora
do rol do art. 1.015, as de recorribilidade diferida, mas “se a interlocutória tiver potencialidade de causar imediato
gravame de difícil ou impossível reparação”, pode ser, de imediato, “submetida ao tribunal competente para
conhecer da apelação, pelo exercimento do mandado de segurança da correição parcial”.

Para a sessão anterior disponibilizei o meu projeto de voto, sinalizando a denegação da


segurança, interpretando o voto do eminente relator e a própria questão de ordem que foi pelo não conhecimento,
assinalando que em resumo estava configurada a falta de direito líquido e certo, de forma que fundamentei mais ou
menos nos termos seguintes e que agora reformulo para concluir de forma diversa.

Disse ter anotado bem o relator que a impetração possui dupla finalidade, a) uma visando a
atacar a decisão monocrática da lavra do impetrado, relator da apelação, que não conheceu do recurso ante o não
recolhimento das custas com o preparo recursal; outra, b) alegar violação ao direito de petição, em razão de a
interposição do agravo interno ter sido feita por meio físico.

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Relevante a assertiva que tanto o nobre relator, des. Valter de Oliveira, como a autoridade
coatora, o des. Kiyochi Mori, examinaram no âmbito de suas competências, ou seja, este quando relator da apelação,
decretando sua deserção, e aquele como relator deste writ.

Portanto, num primeiro momento nenhum reparo a fazer sobre a deliberação que julgou deserta a
apelação, pois de fato o preparo recursal não veio acompanhado das custas diferidas, e, segundo a previsão legal,
exige-se que estas devem vir no momento da interposição do recurso, art. 6º, § 6º, da Lei Estadual 301/90,
Regimento de Custas.

Também nenhuma dúvida sobre a inadmissão do agravo interno, que terminou não sendo
conhecido porque interposto pelo meio físico e não eletronicamente, no âmbito do 2º Grau de Jurisdição.

É verdade que o processo eletrônico no 2º Grau foi implantado nesta Corte; houve o tempo para
adesão gradativa dos advogados, art. 7º, parág. único da Instrução Conjunta n. 14/2010-PR/CG; passou pelo crivo do
CNJ, por meio de procedimento de controle administrativo n. 0003802-50.2011.2.00.0000, promovido pela seccional
da OAB local, em sua 141ª Sessão Plenária, de 14/2/2012.

No concernente ao direito de petição, constitucionalmente garantido no Estatuto Político, inc.


XXXIV, do art. 5º, também se poderia dizer não ter havido violação se a impetrante teve a oportunidade de peticionar
em ocasião própria e o fez mas de maneira inadequada, imprópria.

Noutro giro, o direito sumular do STF, verbete 267, preconiza “não cabe mandado de segurança
contra ato judicial passível de recurso ou correição”. Semelhante é a Lei 12.016/09.

Igualmente oportuna é a lembrança de que não se ignora a relativização do emprego do remédio


heroico constitucional que se dará contra ato judicial manifestamente ilegal ou teratológico.

Então, à primeira vista não teria cabimento o mandado de segurança, daí a minha assertiva de o
“não conhecer”, na minha modesta interpretação, conforme esquadrinhado, em se tratando de ação (que não é
recurso), ser perfeitamente enquadrável na hipótese de inexistir direito líquido e certo e que o dispositivo do julgado
deveria ser o de denegação da segurança, extinguindo o processo sem resolução do mérito, conforme preconizado
no § 5º do art. 6º da Lei 12.016/09, com remissão expressa ao art. 267 do CPC revogado.

Foi assim o meu projeto de voto inicial, correto e em conformidade com os fundamentos e
deliberações dos relatores, do mandamus e da apelação (com a deserção) e do agravo interno, mas no meu íntimo
uma inquietação: na quase certeza de que em momento algum foi dada a chance de a impetrante/apelante/agravante
completar o depósito (o preparo completo), conferi e a resposta foi positiva.

Veja que a decisão inaugural do juiz substituto no gabinete do des. Mori, a contrario sensu,
pareceu enxergar ilegalidade e abusividade quando categoricamente afirma: “Isso, a princípio, não é suficiente para
inquinar de manifesta ilegalidade ou conceber como abusiva a decisão impugnada” e completou: “não se vê
como relevantes os fundamentos para determinar liminarmente o processamento do agravo”.

Data venia, eu digo, relevante, sim, os fundamentos para deliberar de forma diferente, não
podendo aí prevalecer o tecnicismo, o formalismo, fechando as portas para a impetrante exercitar o seu sagrado
direito de recorrer, máxime se não há outra oportunidade para ver restabelecido tal direito, o de reversão da situação
da deserção, óbice intransponível para se chegar ao exame do mérito recursal, lá da apelação.

Ora, a espécie comportaria rever a situação até de ofício quanto mais se veio por provocação. Se
isso não aconteceu, ainda é tempo de se fazer justiça à impetrante, invocando, o que já fiz por diversas vezes nesta
Corte e no Regional Eleitoral, o princípio da instrumentalidade(finalidade hermenêutica), pelo qual o processo deve
ser encarado como um instrumento de realização de concretização do direito; também o princípio da
proporcionalidade, da razoabilidade; ainda trazendo à baila a convicção da necessidade de oportunizar a aplicação
do sagrado princípio constitucional de acesso à justiça, na preocupação de que a ciência processual atual busca

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garantir o bom funcionamento do mecanismo judicial, por meio de um sistema eficiente assegurador de um resultado
útil ao processo e a prevalência de sua efetividade, ou seja, o formalismo (meio) jamais se sobrepondo sobre a
Justiça (fim).

Enfim, bem examinando a fattispecie, estou convicto de que a impetrante merece, por direito,
reverter a situação, conforme faculta a lei processual o direito de completar o reclamado depósito. É a justiça no caso
concreto. No meu sentir é saída para o problema, pois não adiantará denegar a segurança pela resolução sem
mérito, o que de regra poderia voltar ao Judiciário, mas por qual ação ou recurso? Nenhum. Sua chance é esta e
única, concedendo-lhe a segurança.

Mas, conceder a ordem com qual fundamento, mais do que já foi exposto? A impetrante tem a
seu favor a legislação, a doutrina e a jurisprudência.

É verdade que a Lei do Mandado de Segurança veda o uso deste remédio constitucional, mas
ressalva Cassio Scarpinella Bueno: desde “que o impetrante possa recorrer administrativamente, impugnando
eficazmente o ato ou o fato que entende ilegal ou abusivo”, qual seja, circunstância de inexistir interesse jurídico na
impetração.

Esse mesmo jurista é categórico em assertório de que:

Toda e qualquer restrição ao mandado de segurança ou à sua eficácia não pode ser prestigiada pelo
intérprete e pelo aplicador do direito. É flagrante a inconstitucionalidade de qualquer norma que procure, valendo-se
de qualquer pretexto, minimizar, obstacularizar ou dificultar o acesso ao Judiciário (CF, art. 5º, XXXV). Mormente
quando a hipótese é de mandado de segurança, direito e garantia fundamental expressamente previstos no art. 5º,
LXIX, da Constituição Federal de 1988. (In Mandado de Segurança, p. 63).

No concernente ao inc. II do art. 5º da LMS, também afasta o cabimento do mandado de


segurança contra ato judicial sempre que contra a decisão judicial respectiva couber recurso com efeito suspensivo,
ou seja, na mesma linhagem do inciso I. E doutrinando Scarpinella anota que o “mandado de segurança contra ato
judicial para ser adequadamente empregado como `sucedâneo recursal`, vale enfatizar, pressupõe algum ponto de
estrangulamento do sistema e não, meramente, o insucesso pontual de algum pedido ou requerimento negado pelo
magistrado do caso concreto”.

No meu sentir, um dos pontos de estrangulamento foi o de ser o causídico advogado de fora do
Estado, desconhecedor das normas internas, como o do regimento de custas e o ato implantador do processo
eletrônico. É claro que isso não é o bastante para deferir o pleito, pois deveria ser mais diligente e se informar, mas
não pode deixar de ser considerado.

Ainda digna de nota a lição do mesmo e citado publicista:

Inversamente, toda vez que o sistema recursal não tiver aptidão para evitar a consumação de lesão ou ameaça na
esfera jurídica do recorrente, toda vez que não se aceitar uma interpretação suficientemente ampla de regras processuais para
evitar situação de ameaça ou de lesão ao recorrente, o mandado de segurança contra ato judicial tem pleno cabimento. Seu
cabimento em tais casos justifica-se, a bem da verdade, para salvaguardar o direito do recorrente e como forma de colmatar
eventual lacuna decorrente da ineficiência do sistema recursal.

Friso, em princípio parece inexistir interesse para o mandado de segurança se a decisão judicial
poderia ser atacada por recurso dotado de efeito suspensivo. Sim, a impetrante/recorrente postulou com medida
própria e tempestiva, mas desconhecendo não ser possível na forma física, terminou sofrendo a sanção de não
conhecimento, de modo que, no meu entender, nas circunstâncias como se deram as coisas, nasceu, sim o interesse
jurídico na impetração da ação mandamental, porquanto o meio de impugnação não teve condição de tutelar eficaz e
prontamente o direito do então recorrente, agora impetrante.

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Nessa linha, entendo cabível o mandamus, ante a situação excepcional, mormente ao considerar
que a impetrante tem o direito de ser intimada, conforme norma expressa, no sentido de completar o depósito, ainda
pelo fato da confusão que normalmente ocorre com o termo diferimento - custas pagas ao final -, numa outra ocasião,
como acontece quando for o caso de execução.

A respeito do tema, deserção, data venia, só poderia ser decretada após o cumprimento do § 2º
do art. 511 (revogado), que gizava: “A insuficiência no valor do preparo implicará deserção, se o recorrente,
intimado, não vier a supri-lo no prazo de cinco dias”.

O novo caderno processual não é diferente: “A insuficiência no valor do preparo implicará


deserção, se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias
”, § 2º, do art. 1.007.

Rica é a jurisprudência e julgados a respeito, e, de Nelson Nery anotando, extrai-se que na dúvida
sobre a deserção resolve-se a favor da parte pejudicada: “Outrossim, qualquer dúvida fundada em torno da
deserção há ser resolvida em favor do recorrente”.

À guisa de ilustração e como fundamento para solução desta lide, outras lições e, ainda, citado
processualista Nery que adverte:

Com a devida vênia, a decisão não nos parece estar de acordo com o sistema processual vigente, pois foi
negado seguimento ao REsp sem que tivesse sido dada oportunidade ao recorrente para sanar a irregularidade do
preparo, conforme autorizava e garantia o CPC/1973 511 § 2º.

Mais à frente, em sua obra Comentário ao Código de Processo Civil – Novo CPC, assevera ser
demasiadamente rigorosa a decisão de negar seguimento porque:

a) é ilegal porquanto dá a consequência de não conhecimento a recurso sem previsão expressa na lei nesse
sentido, já que se trata de situação restritiva de direito,... b) é ilegal porque desatendeu ao comando do CPC/1973... c) é ilegal
porque privilegiou a forma em detrimento do conteúdo, ofendendo o princípio da instrumentalidade das formas.

Em suma, parece-me flagrante a violação do direito líquido e certoda impetrante, porquanto a


norma processual lhe assegura o direito de complementar o pagamento devido para reverter a situação de deserção
de seu recurso (CPC 1.007, §§ 2º e 4º).

Conforme previsto na nova estrutura de processo civil, é o mesmo regido pela ideia de
colaboração (CPC 6º), jamais, portanto, admitindo a ausência de preparo que leve à deserção do recurso, sem antes
intimar a parte para efetivar o depósito. Viola, destarte, o dever de diálogo, cujo fundamento está também no direito
fundamental ao contraditório (5º LV).

Ademais, de inteira aplicação os princípios da instrumentalidade, da proporcionalidade,


razoabilidade, e caso seja negado o direito com aplicação da sanção de deserção, anota Nelson Nery, comentando a
atual norma e após transcrever decisão da Corte Superior: “com a devida vênia, essa decisão restringe
flagrantemente o acesso à justiça”.

No caso sub examine,a doutrina, a jurisprudência, a legislação específica tanto do mandado de


segurança como do Código de Processo Civil não deixam dúvida a respeito da pretensão buscada no remédio
heroico, no qual o direito líquido e certo da impetrante tem arrimo na Constituição Republicana (e legislação
infraconstitucional), que tem como finalidade fornecer ao cidadão um mecanismo eficiente de controle dos atos
públicos, visando a evitar abusos e ilegalidades, art. 5º LXIX.

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Depreende-se que a Lei n. 12.016/09, ao fazer remissão ao antigo art. 267 do CPC, tem como
resultado a extinção do processo sem resolução do mérito, mas a espécie requer o deferimento do pleito,
meritoriamente, vencendo o formalismo, com a preocupação de que a ciência processual busca garantir o bom
funcionamento do mecanismo judicial, por meio de um sistema eficiente assegurador de um resultado útil ao
processo ea prevalência de sua efetividade, onde a Justiça deve se sobrepor sempre, e que in casua impetrante
deveria, inclusive, ser intimada para cumprir o comando legal, o direito de completar, friso, o pagamento, conforme a
jurisprudência pátria, ato que deveria ser de ofício, data venia.

Em face do exposto e com supedâneo no art. 5º da Lei 12.016/09, conjuminado com os arts. 487,
I, e 1.007, § 2º e 1º, 6º e 8º, todos do novo Estatuto Processual Civil e art. 5º, inc. LXIX, da Constituição Federal, vou
divergir com todas as vênias possíveis para CONCEDER A SEGURANÇA, porquanto evidente o direito líquido da
impetrante em ver conhecido o seu recurso, desde que efetive o complemento do pagamento que gerou a sanção,
oportunizando-lhe para tanto a faculdade legal em referenciada.

É como voto.

DESEMBARGADOR VALTER DE OLIVEIRA

Conhecido os termos do voto-vista do Desembargador Roosevelt Queiroz Costa, mantenho meu voto
no sentido de conhecer parcialmente o mandamus e no mérito, denegar a segurança.

DECLARAÇÃO DE VOTO

DESEMBARGADOR WALTER WALTENBERG SILVA JUNIOR

Senhor presidente, penso que tem razão o des. Roosevelt quando luta pela precisão vernacular
neste Tribunal, pois, de fato, a questão que aqui se coloca é a análise do mandado de segurança, ação originária
apresentada pela primeira vez a esta corte. Então, não se trata de recurso, razão por que se revela imprópria a
utilização dos termos “conhecer” ou “não conhecer”.

Entretanto, usualmente nós cometemos este equívoco, porque estamos tão acostumados a lidar
com recursos, estamos acostumados a conhecer e não conhecer as insurgências das partes, que essa expressão
acaba sendo usada como um sinônimo de admissibilidade do processo.

Assim,apesar de se tratar de equívoco costumeiro,penso que de fato é relevante a correção de tal


terminologia.

Aproveito a oportunidade, ainda, para dissentir em relação à interpretação da Súmula n. 267 do


Supremo Tribunal Federal e deixar registrado meu entendimento no sentido de que, quando se afirma ser incabível o
mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso, na realidade, ocorre o julgamento do próprio mérito do
mandado de segurança, e nãoaextinção sem a resolução do mérito.

Não desconheço que a jurisprudência pátria tem reiteradamente decidido que a hipótese se trata
de decisãomeramente terminativa (julgamento sem análise do mérito), entretanto, creio que para se apreciar se é
possível ou não o manejo da ação mandamental, é imprescindível que se adentre ao mérito.

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Peço vênia, então, aos que entendem em sentido contrário para deixar firmada minha posição no
que se refere a este ponto.

Finalmente, em relaçãoà questão de fundo,registro não conseguir acreditarquetodo o movimento


constitucional inaugurado por Maximillien deRobespierre,no auge da Revolução Francesa, possa ser desconsiderado
a fim de que os Tribunais, ainda queimbuídosde um sentimento de justiça,deixemde lado a legislação
constitucionalmente válida.

O que se julga aqui? Se julga o ato da autoridade apontada como coatoraque prolatouum ato
supostamenteilegal, abusivo.Visa-se, então,àcorreção desse atoque se afirma ilegal.

Entretanto, ao se analisar o caso, verifica-se quenadaháde ilegal no ato daquele magistrado que,
ao observar a total inadequação do meio para manifestação do recurso, que deveria ser interposto diretamente pelo
Sistema Digital de Segundo Grau – SDSG, deixou de analisá-lo.

Este é o procedimento adotado por todos os membros deste Tribunal, razão por que não pode ser
considerado ato ilegal, até mesmo porque se encontra amparado por inúmeras normas emanadas do TJ/RO, como
bem ressaltado no voto do relator.

É preciso que se compreenda que aqui existem duas partes contrárias litigando no processo e
que ambas devem se submeter às regras constitucionais e infraconstitucionais que regema matéria,sem que
nenhuma delas seja beneficiada em detrimento da outra.

Portanto, se o ora impetrante, ao interpor o agravo internonos autos n.


0022973-06.2013.8.22.0001, o fez de forma incorreta, pois protocolizou a petição física em vez de protocolizá-la de
imediato no SDSG e diante de todos os regramentos expedidos por este Tribunal, não se verifica, de fato, ilegalidade
na conduta apontada como coatora.

Diante do exposto, peço vênia ao des. Roosevelt para, apoiando-o na questão relativa ao uso
adequado da terminologia quando se trata de ação originária, acompanhar o relator para denegar a segurança, com a
ressalva de que tal decisão constitui o próprio mérito domandamus.

É como voto.

DESEMBARGADOR DANIEL RIBEIRO LAGOS

Acompanho o relator.

DESEMBARGADOR OUDIVANIL DE MARINS

Com a vênia à divergência, vou acompanhar o relator.

DESEMBARGADOR ISAIAS FONSECA MORAES

Com a vênia à divergência, vou acompanhar o relator.

DESEMBARGADOR VALDECI CASTELLAR CITON

Acompanho o relator.

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DESEMBARGADOR EURICO MONTENEGRO

Acompanho o relator com os adendos do desembargador Waltenberg.

DECLARAÇÃO DE VOTO

DESEMBARGADOR RENATO MARTINS MIMESSI

A parte doutrinária relacionada à forma adequada de se encarar a falta de condição da ação,


como é o caso do mandado de segurança, foi muito bem posta pelo des. Roosevelt Costa, cujo voto é irretocável
nesse aspecto.

Com relação à questão de fato, obviamente um mandado de segurança contra decisão judicial
não é cabível, quando há previsão legal da existência de outros recursos. Na hipótese, em tese, caberia um recurso,
que inclusive foi manejado pela parte e não foi conhecido pela impropriedade da via utilizada. Então essa é a questão
posta.

Agora, o que me ocorreu durante os debates, é que aconteceu um diferimento das custas iniciais.
O des. Paulo Mori, ao fazer os esclarecimentos, falou que não é o caso de insuficiência de recolhimento de custas,
de preparo insuficiente. E a questão é que houve um diferimento das custas iniciais. Então, o que o impetrante
recolheu afinal? Fez o preparo recursal e não fez o pagamento das custas?

A questão seria, no fundo, essa: se a falta de recolhimento das custas iniciais diferidas para o
final equivaleria a uma insuficiência de preparo, a lei de custas deste Estado diz que o pagamento das custas
diferidas deve realizar-se com o preparo, esse é o ponto.

O problema é pontuar se haveria ou não a necessidade de intimação da parte, porque, caso se


considere haver insuficiência de preparo, devida seria a intimação da parte para poder complementar, isso à luz do
CPC antigo e também à luz do atual.

Mas evidentemente a falta de recolhimento das custas iniciais diferidas não se considera como
uma insuficiência de preparo, são distintos, já que o preparo, sabidamente, consiste nas custas devidas em razão do
recurso.

A decorrência disso é que efetivamente entendo não caber o mandado de segurança, pois,
conforme a lei que o rege, não é cabível esta ação mandamental contra a decisão judicial passível de recurso. No
caso, tanto há o recurso que o impetrante o manejou, mas o fez pela via imprópria. Assim, esta ação deve ser
indeferida, extinta, sem enfrentamento do mérito.

No entanto, embora custas iniciais diferidas e preparo não se confundam, entendo que estamos
diante de uma situação em que o Judiciário de ofício deve conhecer, porque se trata da questão de, sempre que
possível, facultar à parte o pagamento de custas para que possa prosseguir. Esse é o princípio que entendo que deva
prevalecer no julgamento que ora se faz, pois implícito tanto no regramento anterior como ainda o é atualmente, no
novo CPC. Em suma, entendo que deveríamos considerar a situação de fato como se tivesse ocorrido uma
insuficiência de preparo e facultar à parte o recolhimento do que falta.

Fica claro que o impetrante não foi intimado para recolher a custa faltante e julgo que deva ser
isso feito, já que se trata de providência que caberia ao juiz adotar ex officio. No recurso não conhecido e neste
mandado de segurança, estamos analisando questões processuais relacionadas a requisitos de admissibilidade e

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condições da ação, mas não se chegou a afirmar que a parte não deveria ser intimada para recolher as custas
faltantes. Como entendo que deveria o juiz fazê-lo de ofício, importa que seja dada essa oportunidade ao impetrante.
Neste ponto concordo com o des Roosevelt Costa.

Diante disso, data vênia, atento ao direito de petição, voto para que seja facultado à parte o
recolhimento das custas diferidas para o final, intimando-a para tanto.

DESEMBARGADOR SANSÃO BATISTA SALDANHA

Não conhecido em parte e denegada a segurança, vencidos os desembargadores Roosevelt


Queiroz Costa, Renato Mimessi e Alexandre Miguel.

EMENTA

Mandado de segurança. Custas diferidas ao final. Não recolhimento no ato de interposição da


apelação. Deserção. Agravo interno. Sistema Digital de Segundo Grau. Protocolo de petição por meio
físico.

A teor da Súmula 267 do Supremo Tribunal Federal, não cabe mandado de segurança contra
decisão judicial da qual caiba recurso previsto na legislação processual civil, com efeito suspensivo.

Em se tratando de processo digital, a interposição de agravo interno por meio físico enseja o não
conhecimento por desrespeito às normas previstas na legislação vigente.

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ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Magistrados da Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do
Estado de Rondônia, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, em, "CONHECIDO EM PARTE O
MANDADO DE SEGURANÇA, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR, POR MAIORIA. VENCIDOS OS
DESEMBARGADORES ALEXANDRE MIGUEL, ROOSEVELT QUEIROZ COSTA E RENATO MARTINS
MIMESSI.SEGURANÇA DENEGADA, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR, POR MAIORIA. VENCIDOS OS
DESEMBARGADORES ROOSEVELT QUEIROZ COSTA E RENATO MARTINS MIMESSI".

Porto Velho, 18 de Julho de 2016

VALTER DE OLIVEIRA

RELATOR PARA O ACÓRDÃO

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