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Cap.

1 – A democracia

1.1 Etimologia de democracia


A democracia tem sua origem na Grécia Antiga (demo = povo e kracia = governo).
O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía ou "governo do povo").
Que foi criado a partir de δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder") no
século V a.C.
Para denotar os sistemas políticos então existentes em cidades-Estados gregas,
principalmente Atenas
Este sistema de governo foi desenvolvido em Atenas (uma das principais cidades da
Grécia Antiga).
Embora tenha sido o berço da democracia, nem todos podiam participar nesta cidade.
Mulheres, estrangeiros, escravos e crianças não participavam das decisões políticas da
cidade. Portanto, esta forma antiga de democracia era bem limitada.
Atualmente a democracia é exercida, na maioria dos países, de forma mais
participativa. É uma forma de governo do povo e para o povo.
Não se tem nenhum registro de quando e quem concebeu a palavra demokratia, o que se
sabe é que embora a maioria das pessoas costume traduzir por “governo do povo” ou
ainda “poder do povo” a palavra apresenta um significado ambíguo. [12]
O primeiro termo dessa palavra composta, demos, possuía uma série de definições na
Atenas dos séculos V e IV a. C.
Demos poderia designar a totalidade do povo (entende-se por povo, o conjunto de
homens adultos) ou ainda a população comum e pobre em contraste com as camadas
mais elevadas da sociedade. Assim, para um democrata ateniense, demokratia poderia
significar o governo do povo como um todo
A democracia surgiu nas cidades-estados da Grécia antiga, durante o primeiro milênio
antes de Cristo, e tomou sua forma clássica no auge político da cidade de Atenas. Sua
etimologia provém dos termos “demo” (povo) e “cracia” (governo), significando
literalmente “o governo do povo”.

1.2 Definição de democracia

O conceito de democracia, embora estreitamente vinculado à ideia de lei e ao


constitucionalismo, não se resume à igualdade jurídica, e também depende do acesso
democrático (isto é, igual para todos) a espaços e benefícios sociais diversos.
A democracia é um sistema político em que os cidadãos podem participar das decisões
relacionadas ao Estado de forma direta ou representativa ( indirecta ).

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Consiste na escolha da população, por meio de eleições, de representantes para que
tomem decisões em seu nome.
Como é de se supor, é a população de um país que participa das tomadas de decisão.
Não obstante, para que um governo seja considerado democrata, ele precisa garantir a
igualdade e a liberdade do povo, além do Estado de direito.
As tomadas de decisão podem ser relativas à escolha de representantes para que
decidam em nome do povo sobre assuntos diversos, como a criação de leis.

1.3 Tipos de democracia

A democracia pode ser exercida de duas formas , que são : democracia directa e
democracia representativa ( indirecta )
a) Democracia direta
Quando os cidadãos participam directamente das decisões políticas de um Estado, estes
vivem em uma democracia direta. As tomadas de decisão são feitas por votações,
consultas populares (como plebiscitos e referendos).
Entretanto, atualmente não há nenhum país em que a democracia direta seja exercida. A
maioria dos países opta pelo modelo democrático de democracia indireta
(representativa). Assim, os cidadãos escolhem representantes para que tomem decisões
em seu nome.
Há certo consenso de que nunca houve uma democracia direta. Na Grécia Antiga, por
exemplo, somente parte da população tinha direito a participar de decisões.
É visto por muitos como um modelo que pode não funcionar efetivamente. Isto porque
questões em que milhares de pessoas precisam decidir sobre determinado assunto
poderiam ser difíceis de se obter consenso claro.
b) Democracia indireta ou representativa
Em uma democracia indireta (representativa), os cidadãos escolhem representantes em
intervalos regulares para que estes votem sobre assuntos para a administração do
país .Mas variam de país para país.
Por isso, é importante que os cidadãos em uma democracia indireta (representativa)
estejam atentos sobre quem escolhem para os mandatos políticos. Isto porque irão
representá-los no governo e tomar decisões em seu nome.

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Cap. 2 – A história da democracia

2.1 Surgimento da democracia

A democracia nasceu quando um nobre grego chamado Sólon decidiu propor em 594
antes de Cristo um novo sistema de governo para Atenas, uma das mais poderosas
cidades-estado da Grécia antiga.
A população ateniense estava cansada dos regimes autoritários e das leis opressoras que
vinham sendo impostas à cidade desde que o legislador Drácon, patrocinado pela
aristocracia que comandava Atenas, promulgou um sistema de leis extremamente
rígidas.
Em oposição ao pensamento de Drácon, Sólon elaborou uma constituição que estipulava
que todas as decisões referentes à vida dos atenienses deveriam ser tomadas com a
participação do povo, só que naquele momento o “povo” era constituído apenas pelos
“cidadãos” de Atenas, o que excluía as mulheres, os escravos e os estrangeiros.

Por volta de 510 a.C. a democracia foi implementada em Atenas através da vitória do
político aristocrata grego Clístenes que implementou um novo regime político .
Considerado o "Pai da Democracia", ele liderou uma revolta popular contra o último
tirano grego, Hípias, que governou entre 527 a.C. e 510 a.C..

Clístenes (em grego: Κλεισθένης, translit. Kleisthénês; Atenas, 565 a.C. — Atenas,
492 a.C.) foi um político grego antigo, que levou adiante a obra de Sólon e, como este
último, é considerado um dos pais da democracia.[1] Embora fosse um membro da
aristocracia ateniense, além de liderar uma revolta popular, reformou a constituição da
antiga Atenas em 508 a.C..[2]
Realizou uma verdadeira reforma política que proporcionou aos cidadãos,
independentemente do critério de renda, o direito de voto e ocupação dos mais diversos
cargos. Era filho de Agarista de Sicião e de Mégacles; sua mãe é filha de Clístenes
(tirano de Sicião).[3]
Como pertencia à família dos Alcmeónidas, obteve o apoio necessário para a
dest0ituição de Hípias, filho do tirano Pisístrato, de uma família rival; abriu caminho
para a adoção de uma postura democrática para Péricles. Após esse evento, Atenas foi
dividida em dez unidades denominadas chamadas “demos”, que era o elemento
principal dessa reforma e, por esse motivo, o novo regime passou a se chamar
“demokratia”. Atenas possuía uma democracia direta, onde todos os cidadãos atenienses
participavam diretamente das questões políticas da polis.

Solon, iniciou reformas de ordem política e social que resultariam na consolidação da


democracia em Atenas.

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De tal modo, Clístenes, baseada nas legislações anteriormente apresentadas por Dracon
e como forma de garantir o processo democrático na cidade, Clístenes adotou o
“ostracismo”, onde os cidadãos que demostrassem ameaças ao regime democrático
sofreriam um exílio de 10 anos. Isso impediu a proliferação de tiranos no governo
grego.

Sendo assim, o poder não estava somente concentrado na mão dos eupátridas. Com isso,
os demais cidadãos livres maiores de 18 anos e nascidos em Atenas poderiam participar
das Assembleias (Eclésia ou Assembleia do Povo), embora as mulheres, estrangeiros
(metecos) e escravos estavam excluídos.

Diante disso, podemos intuir que a democracia ateniense não era para todos os cidadãos
sendo, portanto, limitada, excludente e elitista. Estima-se que somente 10% da
população desfrutavam dos direitos democráticos.

Além de Clístenes, Péricles deu continuidade à política democrática. Ele foi um


importante democrata ateniense que permitiu ampliar o leque de possibilidades para os
cidadãos menos favorecidos.
A constituição feita por Sólon possibilitou que os cidadãos atenienses elegessem seus
governantes e também que deliberassem em praça pública, chamada de Ágora, sobre os
principais assuntos que diziam respeito à vida da cidade.
Nessas assembléias eram tomadas as decisões e eram eleitos aqueles que conseguissem
o maior número de votos, já que todos os cidadãos eram considerados iguais pela
constituição ateniense.
No começo, o povo de Atenas acabou elegendo alguns nobres que monopolizaram o
poder e foram chamados de tiranos. Mas eles não duraram muito, já que os atenienses
baniram os tiranos assim como qualquer político que tivesse um grande número de
eleitores “cativos”.
Um dos expoentes da democracia grega foi Péricles, um hábil orador que nas
assembléias fazia parecer aos cidadãos que eles estavam tomando decisões, quando na
verdade estavam apoiando as propostas defendidas por ele. Várias vezes reeleito pelo
povo, Péricles tornou-se um dos mais importantes governantes atenienses e a partir de
sua liderança a cidade floresceu de forma econômica, militar e cultural.

Por volta de 404 a.C., a democracia ateniense sofreu grande declínio, quando Atenas foi
derrotada por Esparta na Guerra do Peloponeso, evento que durou cerca de 30 anos.

Enquanto isso, os romanos, que eram bravos combatentes, ficaram durante quase um
século lutando entre eles próprios.
Os patrícios, como eram chamados os homens pertencentes à casta dos nobres,
duelaram intensamente pelo poder com os plebeus, a classe popular.
Ao final, o governo romano tinha à frente dois cônsules, um eleito pelos patrícios e
outro pelos plebeus.
Se os atenienses tinham inventado a democracia, os romanos criaram a república, isto é,
seu estado era organizado de forma a servir a coisa pública.

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Em sua estrutura política, os romanos mantinham assim como os atenienses uma
assembléia na qual todos os cidadãos pudessem participar, só que os votos não eram
contados individualmente e sim por tribos ou centúrias (divisão política formada por
cem cidadãos). Mas essas assembléias não eram soberanas, como eram as de Atenas.
Foi com esse modelo político que Roma fez sua incrível expansão militar e econômica,
conquistando inclusive a Grécia, para se tornar no século 2 antes de Cristo o mais
poderoso império do mundo antigo.
A democracia inventada pelos gregos sucumbiu frente ao Império Romano e quase não
seria mais posta em prática por um longo tempo que durou até o final da Idade Média,
quando os homens redescobriram a cultura grega.
No Renascimento, como foi chamado esse momento, a democracia ressurgiu como uma
das principais inspirações para os movimentos que passaram a contestar o autoritarismo
e a tirania política.
Em Atenas, havia a democracia direta ou representativa a onde todos os cidadãos
votavam para decidir as questões políticas mais importantes.
Essa participação sem intermediários é chamada de democracia direta. Ela foi viável na
Grécia antiga por conta do tamanho das cidades-estado e de suas populações (Atenas
tinha na época 500 mil habitantes e nem todos eram considerados “cidadãos”, na
verdade, apenas dez por cento dessa população tinha direito a votar).
Na era moderna, as democracias são representativas, afinal as nações e as populações
tornaram-se bem maiores, o que, entre outras razões, inviabilizou a prática da
democracia direta.
Assim, na democracia representativa, o povo elege seus representantes e são esses que
legislam e governam. Os partidos políticos são uma das principais instituições da
democracia representativa.
Com os avanços tecnológicos em comunicação, o exercício da democracia direta pode
voltar a ser viável, embora sua prática nos dias atuais seja motivo de polêmica entre os
estudiosos.

2.2 Democracia ateniense


Características da Democracia Ateniense

 Democracia direta ;
 Reformas políticas e sociais ;
 Reformulação da antiga Constituição ;
 Igualdade perante a lei (isonomia) ;
 Igualdade de acesso aos cargos públicos (isocracia) ;
 Igualdade para falar nas Assembleias (isegoria) ;
 Direito de voto aos cidadãos atenienses ;

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A polis grega eram as cidades estados da Grécia Antiga, as quais foram fundamentais
para o desenvolvimento da cultura grega no final do período homérico, período arcaico
e período clássico.
Sem dúvida Atenas e Esparta merecem destaque como as cidades gregas (polis) mais
importantes do mundo grego.

2.2.1 Principais Instituições Democráticas

A democracia ateniense era exercida de forma direta pelos cidadãos, que discutiam
coletivamente em praça pública os problemas e assuntos da polis.Na democracia em
Atenas, apenas os indivíduos considerados cidadãos é que tinham direito ao voto e à
fala.

A composição dessa democracia também era bastante distinta da qual estamos


habituados. Naquela época não havia departamentos governamentais, serviço público e,
tampouco, deputados, senadores e vereadores. As principais instituições democráticas
atenienses no século V a.C. eram a Eclésia, a Boulé, o Areópago e a Helieia.

Eclésia ou Assembleia

Pnyx, onde se encontravam os atenienses para tomar decisões políticas

A Eclésia foi um órgão básico da democracia e muito atuante no modelo democrático


ateniense. Reuniam-se em torno de 40 vezes por ano e todas as decisões referentes à
pólis eram discutidas e tomadas pelo voto popular. As sessões eram públicas, ao ar livre
e divulgadas com antecedência. Os cidadãos vinham de todos os lugares e apertavam-se
nas arquibancadas talhadas na colina Pnyx. Todo cidadão ateniense poderia comparecer
à reunião no determinado dia em que ela tivesse sido marcada. Todos tinham o direito
de dar a sua contribuição tomando a palavra e exercendo o voto.

Embora a população de cidadãos nesse período flutuasse entre 20 e 50 mil pessoas e


todos tivessem o direito de participar da Assembleia, segundo registros históricos o
número dos que compareciam era relativamente pequeno.

Nunca mais de cinco mil cidadãos haviam de fato assistido a uma Eclésia, por mais
grave que fosse o assunto.

A grande parte dos que participavam da Eclésia eram trabalhadores e comerciantes da


cidade de Atenas, por causa de sua localização geográfica, encontravam mais
facilidades para exercerem os direitos políticos, do que os habitantes do interior e do
litoral, que a ela compareciam com pouca intensidade

Considerado por muitos o esplendor da experiência democrática em Atenas, a


Assembleia estava presente em vários aspectos da política grega. Nela eram tomadas
todas as decisões sobre tratados, orçamentos e obras públicas. Propunha e discutia leis,
firmava alianças, decidia sobre a guerra e a paz, além de julgar crimes de natureza
política e condenar alguém por ostracismo. Dez vezes ao ano, os magistrados prestavam
contas à Eclésia, ou seja, ela também supervisionava as magistraturas da democracia.

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As reuniões começavam ao raiar do dia. A Assembleia iniciava com o sacrifício de
vários porcos, ofertados aos deuses, em especial a Zeus. Depois o epístata dos prítanes,
uma espécie de presidente, lia o probouleuma – relatório sobre as questões do dia – e
explicava as especificidades de cada lei que iria ser votada.

A seguir vinham as discussões, onde qualquer um poderia se manifestar. Normalmente


chegava-se a um consenso sobre determinado assunto após um único dia de debate.
Vencia a decisão o lado que obtivesse a maioria simples dos presentes. O voto era dado
de mão erguida, também conhecido por cheirotonia, com exceção de alguns casos como
o ostracismo, onde o voto era secreto.

Alguns estudos sugerem que havia um número reduzido de pessoas que exerciam o
direito à fala na Assembleia. Muitos líderes políticos destacavam-se durante o discurso
pela sua facilidade em formular as linhas de conduta política a serem adotadas. Era
notória a importância dos sofistas na preparação dos homens públicos para o debate por
meio do ensino da retórica, ou seja, da utilização de um discurso persuasivo.

Entretanto, a decisão final sobre os assuntos debatidos cabia sempre à Assembleia


popular e não a uma única pessoa. Nesses termos o reconhecimento por parte do corpo
político da necessidade de ter uma liderança não implicava, em hipótese alguma, a
renuncia de seu poder decisório. [53]

Boulé ou Conselho dos 500

Também chamado de Conselho dos 500, a Boulé, junto com a Eclésia, era peça
fundamental do regime democrático. As sessões ocorriam no Bouleuterion, ao sul da
Ágora e eram públicas, mas não poderiam ter a interferência de outras pessoas.

Os bouleutas (membros da Boulé) eram escolhidos anualmente através do sorteio dos


nomes que constavam em uma lista estabelecida por cada demo. Cada tribo tinha direito
a ter 50 cidadãos compondo a Boulé. Todos eles deveriam ter 30 anos ou mais, pois se
acreditava que assim já estavam mais maduros e experientes.

Antes de assumir o cargo público, tinham que passar pelo exame da dokimasia, exame
preliminar onde se averiguava a conduta do indivíduo. Caso fossem aprovados,
prestavam o juramento ao cargo junto a um bloco de pedra . Esses cidadãos serviam
apenas duas vezes na vida e não poderia ser seguida, fator que contribuía para que uma
grande parcela da população pudesse participar da Boulé.

A maneira como a Boulé era recrutada e operava mostra o cuidado que os atenienses
tomavam para manter nesse órgão pessoas até certo ponto amadoras, evitando com isso
que ela adquirisse um poder político independente do controle exercido pela Eclésia.

Os bouleutas eram responsáveis por preparar os assuntos a serem debatidos na


Assembleia, redigir decretos e zelar para que as decisões da Assembleia fossem
cumpridas. Também supervisionavam a construção de navios e a condição dos arsenais
de guerra, as entradas de impostos, os leilões públicos de bens confiscados, as licitações
dos trabalhos públicos, ratificavam tratados de paz e alianças, e controlavam a
organização militar da cidade.

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Com as reformas de Elfiates, em 462 a. C., foram transferidos do Areópago para o
Conselho dos 500 os poderes de instituir acusações de traição e mau procedimento
(eisangelia), inquirição de novos magistrados (dokimasia) e a auditoria do desempenho
de novos magistrados (euthyna).

A Boulé dividia-se em dez comitês, as chamadas pritanias. Cada uma delas continha 50
prítanes, como eram conhecidos os integrantes que a compunham. Os prítanes
presidiam as sessões da Eclésia e do Conselho dos 500.

Através de um sorteio se designava a sequência em que as tribos exerceriam a pritania.


Os prítanes ficavam todos reunidos durante o exercício de suas funções no Pritaneu, que
durava cerca de trinta e cinco a trinta e seis dias. O presidente, ouepistata, desses 50
prítanes era escolhido diariamente e a ele era confiada a chave do tesouro e os selos da
cidade. A alimentação deles era concedida no Pritaneu, onde recebiam os embaixadores
estrangeiros e hóspedes importantes. O custo da alimentação deles cabia à cidade.

Péricles instituiu uma contribuição (misthos) aos bouleutas, que, no século IV a.C.,
equivalia a cinco óbolos, já que nenhum cidadão deveria ser impedido de contribuir para
a pólis em razão da pobreza.

Areópago

O Areópago era o tribunal mais antigo de Atenas, herança de tempos anteriores à


democracia, ganhou esse nome por causa do rochedo dedicado ao Deus Ares, localizado
entre a Acrópole e a Pnyx, onde os areopagitas encontravam-se e realizavam as reuniões
que auxiliavam, na época Arcaica, o rei de Atenas. A relação do Areópago com o Deus
Ares apresenta três versões bastante controversas.

A primeira delas relata que o culto ao Deus da Guerra estava vinculado a antigas
tradições da região. A segunda delas remonta a tragédia Eumênides, de Ésquilo, onde é
proposto que as filhas do Deus Ares, as Amazonas, estabeleceram sobre a colina um
altar em honra ao Deus. A terceira e última hipótese é derivada de um fragmento dos
Hinos Homéricos em que Ares era evocado como tendo grande poder de justiça.

Na época arcaica o Areópago era um conselho de anciãos, formado por representantes


das famílias mais nobres. A partir de 487 a. C., os magistrados passaram a ser
escolhidos de forma democrática, por sorteio, e não mais como antigamente no tempo
de Sólon, onde eram eleitos entre os dois primeiros grupos censitários.

Era o conselho dominante da pólis, propondo a adoção de leis e regulando os assuntos


religiosos e judiciários.

Nos séculos VI a.C. e V a.C., os areopagitas acabaram perdendo grande parte de


influência política , a começar por Clístenes, com a criação de um segundo conselho, a
Boulé dos Quinhentos. Em 487 a.C., quando o arcontado tornou-se uma magistratura
anual, o Conselho do Areópago, que era um conselho vitalício, passou a acolher todos
os ex-arcontes que deixavam o posto após cumprirem um ano de serviço.

Em 462 a.C., Efialtes retira do Areópago todos os poderes que decorriam da atribuição
da custódia das leis, em essência a maioria dos poderes judiciários, e os reparte entre a

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Assembleia, a Boulé e a Helieia, salvo a jurisdição nos crimes de homicídio, incêndios
criminosos, envenenamento e sacrilégio.

Segundo alguns estudiosos, com essa reforma proposta por Efialtes, o Areópago perdeu
três funções principais: a eisangelia, a dokimasia e a euthyna. Efialtes também chegara
a mandar transportar as tábuas de madeira que continham os textos das leis da sede do
Areópago para a sede da Boulé.

Efialtes pagou por essas reformas com a própria vida. Líder da linha popular, ele foi
assassinado por um grupo de adversários políticos, logo após as reformas.
Posteriormente, em 403 a.C., os areopagitas ficaram encarregados de supervisionar a
aplicação das leis e garantir que a justiça estava sendo exercida.

Apesar de ter um papel coadjuvante no regime democrático, em muitas ocasiões o


Areópago foi empossado de maiores poderes e tido como o guardião da constituição e
das leis.

Durante o século IV a.C. a principal função do Areópago era julgar os casos de


homicídio, mas seu poder não era ilimitado. Durante um julgamento, o acusador
deveria, em primeiro lugar, prestar juramento de fidelidade em relação ao que dizia e
caso cometesse perjúrio ele mesmo, seus parentes e sua família deveriam ser destruídos.

Segundo Demóstenes , esse juramento deveria ser feito sobre as entranhas de um javali,
um carneiro ou um touro, animais sacrificados especialmente para isso. Entretanto, o
juramento por si só não garantia a confiabilidade da informação.

Caso fosse comprovado o perjúrio, não apenas aquele que mentiu teria sua honra
manchada, mas também seus filhos e parentes. Os réus prestavam o mesmo juramento
que os acusadores, mas diferentemente deles poderiam deixar o julgamento depois de
seu discurso sem que ninguém o impedisse. Durante o julgamento cada lado poderia
pronunciar quantos discursos achasse necessário.

Ésquines , no século IV a.C., elogiando o Areópago, chegou mesmo a afirmar que o


veredito desse conselho baseava-se muito mais em seus próprios conhecimentos e
investigações do que nos argumentos ou belos discursos expostos por ambos os lados.

Tendo em vista o caráter vitalício dessa magistratura e do exercício anterior dos


membros do Areópago como arcontes, quando teriam adquirido experiência em presidir
diversos tribunais em Atenas, acredita-se que eles teriam muito mais experiência do que
os júris de outros tribunais.

Se a denúncia fosse verdadeira, o acusador não tinha o poder de castigar o acusado,


apenas o oficial designado é quem tinha o poder de efetuar a pena de acordo com a lei.
Contudo, o acusador poderia presenciar o pagamento da pena pelo acusado.

Helieia

Tratava-se de um tribunal popular, constituído por 6.000 cidadãos atenienses, em razão


de 600 por tribo. A participação dentro dessa instituição durava cerca de um ano e era
necessário ter 30 anos ou mais, assim como estar em pleno gozo de seus direitos civis e
políticos para poder atuar nos julgamentos.

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Ao tribunal popular cabia julgar as causas privadas e públicas. Existiam dois tipos de
ação penal. Na primeira delas, as ações públicas (graphaí), qualquer pessoa poderia dar
início, pois se buscava proteger os interesses da pólis. As multas aplicadas ao acusado
deveriam ser pagas por ele à pólis, sendo que o acusador ganhava apenas uma pequena
porcentagem.

O segundo tipo de ação penal eram as ações privadas (dikaí), que tinham como base
proteger os interesses de um cidadão ou de sua família. Apenas aqueles que tivessem
sido lesados poderiam iniciá-las. Caso o condenado tivesse que pagar uma multa, esta
seria encaminhada para o ofendido. Vale ressaltar que para acontecer o processo, um
particular teria que dar início a ação, pois não existia Ministério Público ou coisa similar
na democracia ateniense.

Os heliastas, dentro desse grupo de 6000 cidadãos, eram selecionados por sorteio na
manhã do processo que iriam julgar, a fim de evitar qualquer tipo de manipulação.
Faziam o uso do kleroterion, uma máquina de sorteio, para descobrir quais seriam os
juízes de cada ação penal. Para um melhor desempenho das atividades, o Tribunal era
dividido em dez seções conhecidas como dicastérios, tendo cada uma delas seiscentos
membros.

2.2.2 Sorteio ou Eleição

Temendo que algumas pessoas se aproveitassem do poder político do qual dispunham e


viessem a se tornar muito influentes, de modo a prejudicar a vida democrática, os
gregos estabeleceram alguns obstáculos ao poder dos magistrados. Quase todos os
magistrados eram sorteados( bouletas , areopagista , heliastas , arcontes , etc. ). Apenas
em casos onde se exigia um conhecimento específico é que se procedia através da
eleição, como, por exemplo, as magistraturas militares, o arquiteto da cidade, o
superintendente do abastecimento de águas e o conselho de arquitetos navais, entre
outras. A maioria dos funcionários era selecionada pela forma democrática do sorteio,
pois assim até os atenienses mais pobres poderiam exercer um cargo.

De forma geral, acredita-se que essa sistemática favoreceu a população, pois dessa
maneira qualquer cidadão teria chances iguais de participar das instituições. Os
mandatos eram de curta duração, geralmente de um ano, onde era proibido o magistrado
ser reeleito para o mesmo cargo, bem como, acumular outros da mesma natureza. As
eleições aconteciam durante a 7ª ou 8ª pritânia de um ano e todos os cidadãos, fossem
eles eleitos ou sorteados, passavam por um processo chamado de dokimasia, onde se
averiguava a conduta do indivíduo.

2.2.3 Participação e Exclusão

- Cidadãos : Em Atenas eram considerados cidadãos homens livres (eleutheroí),


maiores de 18 anos, filhos de pai ou mãe ateniense – após 451 a. C. deveriam ter pai e
mãe ateniense –, e serem inscritos nos registros cívicos do demos. Tinham como direito
a participação política, a propriedade da terra e a defesa do território cívico. Aos que
não possuíam cidadania política, como mulheres e estrangeiros, esses direitos eram
muitas vezes inacessíveis. Estima-se que cerca de 10% da população ateniense era
composta por cidadãos, o que, para época, era considerado um número relativamente
alto.

10 | P á g i n a
- Mulheres Atenienses : A mulher ateniense tinha como função principal gerar filhos e
sua educação estava direcionada a se tornar mãe e esposa de cidadão. A mulher cidadã,
apesar de sua exclusão da esfera política, participava ativamente da pólis em
importantes funções cívicas no campo religioso, cruciais para o bem estar dos gregos

- Metecos ( estrangeiros residentes nas poleis ) : A partir do século IV a.C., tornou-se


recorrente a vinda de metecos para Atenas por causa de sua vibrante vida intelectual.
Além de nomes famosos como o filósofo Aristóteles, também foram para Atenas
artesão, comerciantes e refugiados políticos.Mesmo estando presentes em inúmeras
funções da pólis ateniense, os metecos eram expressamente proibidos de ocupar
qualquer cargo político dentro da democracia ateniense.

Os metecos que residiam em Atenas tinham que pagar um imposto chamado metoikion,
pago anualmente para a pólis. Os homens pagavam doze dracmas e as mulheres seis.
Eles também deveriam servir no exército ateniense e tinham obrigações financeiras
como qualquer outro cidadão.

Os metecos mais ricos serviam na infantaria pesada dos hoplitas e os mais pobres na
infantaria leve ou na frota naval. Nenhum meteco poderia fazer parte da
cavalaria.Porém, nos tribunais atenienses deveriam ser representados por um cidadão
que pudesse responder por ele.

11 | P á g i n a