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LFG – PROCESSO PENAL – Aula 09 – Prof.

Renato Brasileiro – Intensivo I – 22/04/2009

O tema (competência para processar e julgar crime contra a fé pública) é maravilhoso


para provas objetivas. Quem julga o delito de falsificação de Carteira Nacional de Habilitação?
Quem julga falsificação de CPF e seu uso perante instituição privada? Para responder isso, há
fórmulas que podem facilitar:

1ª Regra: “Em se tratando de crimes de falsificação, a competência será determinada de


acordo com o ente responsável pela confecção do documento.”

Cuidado com isso. Não confundir os crimes contra a fé publica: Falsidade (297),
falsidade material de documento público (298), falsidade material de documento particular (299)
e falsidade ideológica. Diante de um crime de falsificação, para que eu cheque à competência, eu
preciso saber quem confeccionou o documento. É óbvio que se eu confecciono o documento eu
tenho interesse que esse documento não saia por aí sendo falsificado pelas demais pessoas.

Exemplos:

 Quem julga crime de moeda falsa: Justiça Federal ou Estadual? Federal.


 Carteira Nacional de Habilitação – Não é porque é “Nacional” que é julgado pela
Justiça Federal. Aqui funciona mais ou menos como quando eu falei pra vocês nos
crimes contra o meio ambiente do “patrimônio nacional”. Não tem nada a ver com
interesse da União. CNH quem julga é a Justiça Estadual porque é o Detran, órgão
estadual, que tem competência para emitir esse documento.
 Falsificação de Carteira da OAB – Mesmo raciocínio. Quem emite essa carteira é
a OAB, autarquia. Competência da Justiça Federal.
 Falsificação de CPF – quem processa e julga esse delito? Só raciocinar. Quem
emite CPF? Secretaria da Receita Federal, que é um órgão na estrutura do
Ministério da Fazenda, logo, quem falsifica CPF atenta contra o interesse da
União.
 Falsificação de Carteira de Habilitação de Arraes Amador – Carteira para pilotar
embarcação (comprou sua lancha, precisa dessa carteira para pilotar). Quem emite
essa carteira é a Marinha do Brasil. E quem processa e julga essa falsificação?
Muito comum em cidades próximas a represas. Esse delito, marquem com
asterisco (questão certa para prova da UNB). Quanto a esse tema, há divergência
entre os tribunais:
 Para o STJ – A competência seria da Justiça Militar da União, na
medida em que você está atentando contra um interesse da Marinha.
 Para o STF – A competência seria da Justiça Federal. O STF tem uma
interpretação restritiva da interpretação da Justiça Militar. Ele vai
reduzindo cada vez mais a competência da JM e entende que, nesse
caso, a Marinha emite esse documento, mas numa atribuição que não lhe
é própria, subsidiária, o que não justificaria a intervenção da Justiça
Militar.

2ª Regra: “Em se tratando de crime de uso de documento falso, por agente que não
tenha sido o responsável pela falsificação, é irrelevante a natureza do documento, sendo a
competência determinada pela pessoa física ou jurídica prejudicada pelo uso.”

Vamos dar um exemplo bem tranquilo. Quando você desce na estação da Sé e sobe as
escadas, já tem uma galera gritando (“Atestado! Atestado!”). Aí você compra. Nesse caso, você
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é responsável pelo uso do documento porque não foi você quem falsificou. Neste caso, você
esquece a natureza do documento para levar em consideração a pessoa física ou jurídica que foi
prejudicada pelo uso.

Na BR-040 (Brasília-RJ) eu sou parado numa blitz. Eu apresento uma carteira falsa para
os Policiais Rodoviários Federais. De quem é a competência? Neste caso, estou usando o
documento falso, a competência é determinada por quem foi prejudicado pelo uso. Aqui a
competência é da Justiça Federal.

3ª Regra: Uso de passaporte falso - O sujeito comprou um passaporte já com visto


americano e canadense. Saiu de Guarulhos. Para embarcar para o exterior você tem que passar
pela Polícia Federal. Quando você chega em Miami, essa falsidade é evidenciada e você é
deportado, retornando ao Brasil pelo aeroporto do Galeão (RJ). Quem é que vai julgar esse uso
de passaporte falso? Eu apresentei o passaporte em Guarulhos, mas lá ninguém percebeu. Ela só
foi percebida nos Estados Unidos. Sem dúvida alguma, a competência de uso de passaporte falso
é da Justiça Federal, mas eu quero saber o seguinte: quem vai julgar, é a Justiça Federal de SP ou
do RJ? Cuidado com isso. Nesse caso, vale o que diz a Súmula 200, do STJ. Eu sou fã dela,
porque vejam como é bem redigida :

Súmula 200, do STJ: “O Juízo Federal competente para


processar e julgar acusado de crime de uso de passaporte falso é o
do lugar onde o delito se consumou.”

É uma súmula fantástica porque ela diz o que o Código diz: a competência é,
normalmente, determinada pelo local do julgamento. Sumular desse jeito é melhor não sumular.
O que, na verdade ela está dizendo? Ela está dizendo que a competência para julgar o uso de
passaporte falso é do juízo federal em que o documento foi apresentado (é aí que se consuma o
uso do documento falso). No exemplo, eu apresentei o documento em Guarulhos. A
competência, pois, será da Justiça Federal de Guarulhos. O fato de a falsidade não ter sido
percebida em Guarulhos é irrelevante.

4ª Regra: “Em caso de uso de documento falso pelo próprio autor da falsificação,
prevalece que o uso será considerado mero exaurimento da falsificação anterior (pos factum
impunível), sendo a competência determinada pela natureza do documento.”

Essa regra nos diz, então, que se eu falsifiquei e eu estou usando, neste caso, você tem
que ficar atento à falsificação porque prevalece que o uso pelo próprio autor da falsificação seria
mero exaurimento e, pelo princípio da consunção, esse pos factum impunível não seria levado
em consideração.

5ª Regra: “Caso a falsidade seja usada como um meio para o estelionato (Súmula 17,
do STJ), a competência será determinada de acordo com o sujeito passivo do crime
patrimonial.”

Súmula 17, do STJ: “Quando o falso se exaure no


estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”

O melhor exemplo: Falsifica uma folha de cheque e faz uma compra com ela (obtém uma
vantagem ilícita). Ele falsifica para o cometimento do estelionato. É o melhor exemplo da
Súmula 17. O estelionato vai absorver o crime-meio de falsificação.

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Neste caso, como a falsidade vai ser absorvida, você não tem que levar em consideração
o documento porque eu não vou responder pelo crime contra a fé pública. Você tem que levar
em consideração somente o sujeito passivo do crime patrimonial. Se o sujeito passivo for um
daqueles entes que a gente viu (União, autarquia, empresa pública), aí a Justiça é Federal. Caso
contrário, a competência é da Justiça Estadual.

Último exemplo: O cidadão falsificou um CPF (como é documento público, o crime seria
o do art. 297) e com esse CPF em mãos, ele foi até uma financeira e deu nelas um tombo.
Praticou um estelionato contra uma instituição privada. Quem julga? Nesse caso concreto, não
houve a aplicação da Súmula 17 (não há que se falar em crime-fim absorvendo crime-meio).
Então, você vai denunciar o agente pelo delito de falsidade e também pelo delito de estelionato.
Eu pergunto: onde é que você vai processar e julgar o cidadão? Cuidado com esse exemplo
porque eu estou denunciando pelos dois delitos, quem julga o delito de falsificação do CPF?
Justiça Federal (documento emitido pela Receita Federal) e quem julga esse estelionato praticado
contra uma instituição financeira qualquer? Justiça Estadual, sem dúvida alguma. Aí eu
pergunto: Entre esses dois crimes, há uma relação de conexão probatória. Aí eu pergunto: crimes
conexos, de quem é a competência? De acordo com a Súmula 122, do STJ, prevalece a
competência da Justiça Federal.

Até aí já estaria bom, mas eu acrescento um dado. O que acontece se na hora da sentença
o juiz federal aplicar o princípio da consunção? O que diz esse princípio? Que a falsidade seria
absorvida pelo estelionato. Então, na hora da sentença, ele diz que só vai condenar pelo
estelionato (“para mim isso é só estelionato”). O que ele vai fazer? Isso caiu no TRF da 3ª
Região, na última prova objetiva. O juiz federal absolveu pelo crime da sua competência (delito
de falsidade). Ele pode sentenciar o processo ou é obrigado a remeter o processo para a Justiça
Estadual? Pode! Todo mundo erra porque você raciocina que se sobrou o crime estadual, ele tem
que mandar. Mas não! E sabe por que não? Porque há uma regra expressa no Código (e o aluno
esquece isso), no art. 81, do CPP:

“Art. 81.  Verificada a reunião dos processos por conexão


ou continência, ainda que no processo da sua competência própria
venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que
desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua
competência, continuará competente em relação aos demais
processos.”

Então, por mais que um juiz federal absolva com relação ao crime conexo, por mais que
ele desclassifique o crime que justificava a sua competência, ele continua competente em relação
aos demais. Por mais que amanhã o juiz federal resolva absorver pela falsidade, ele continuará
julgando o delito de estelionato.

Súmulas Importantes do STJ e do extinto TFR:

Súmula 104, do STJ: “Compete à Justiça Estadual o


processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de
documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.”

Se é estabelecimento particular de ensino, não há interesse da União. Nesse caso, a


competência seria da Justiça Estadual.

Súmula 31, TFR: “Compete à Justiça Estadual o processo


e julgamento de crime de falsificação ou de uso de certificado de

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conclusão de curso de 1º e 2º graus, desde que não se refira a


estabelecimento federal de ensino ou a falsidade não seja de
assinatura de funcionário federal.”

Exemplo interessante: Falsificação de diploma de faculdade. De quem é a competência?


Faculdades Anhanguera, instituição particular de ensino. De quem é a competência? Lembrem-
se que o diploma tem um pequeno detalhe que não pode ser ignorado. No verso, já deram uma
olhada? Quem assina? Um funcionário do Ministério da Educação. O diploma, por mais que seja
um diploma de faculdade particular, obrigatoriamente você vai acabar falsificando essa
assinatura do funcionário federal, por isso, a competência é da Justiça Federal.

Quem julga o delito de falsa anotação na Carteira de Trabalho (eu não estou falando em
falsificação da Carteira de Trabalho, o que seria óbvio, Justiça Federal, já que a CTPS é emitida
pelo Ministério do Trabalho)? Vou dar um exemplo: você recebe 5 mil reais como empregado de
uma determinada empresa. Porém só R$ 450 está lá falsamente anotado na CTPS. Quem julga?

Súmula 62, STJ: “Compete à Justiça Estadual processar e


julgar o crime de falsa anotação na Carteira de Trabalho e
Previdência Social, atribuído à empresa privada.”

Nesse exemplo em que uma pessoa física fez uma falsa anotação, se você responde que
quem processa e julga é a Justiça Estadual, você errou! Porque essa Súmula está ultrapassada!
Essa Súmula vai cair em prova da UNB e quando isso acontecer, todo mundo vai errar. É o tipo
da questão que você sai da prova jurando que acertou. O julgado que alterou isso aí: STJ: CC
58443. Aí vem a melhor pergunta: por que essa súmula está ultrapassada?

“Essa súmula está ultrapassada em virtude da nova redação dada ao Código Penal pela
Lei 9.983/00, que acrescentou os parágrafos 3º e 4º ao artigo 297.”

Essa lei é uma lei que surge em 2000, extremamente preocupada com a previdência social
(INSS) e essa lei, além de ter criado o art. 168-A (apropriação indébita previdenciária), o art.
337-A (sonegação de contribuição previdenciária), ela ainda inseriu dois parágrafos no art. 297.
Vamos dar uma olhada no parágrafo 3º:

Ҥ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz


inserir:
         I – na folha de pagamento ou em documento de
informações que seja destinado a fazer prova perante a
previdência social, pessoa que não possua a qualidade de
segurado obrigatório;”

Se eu estou inserindo informações falsas numa carteira de trabalho é óbvio que é para
trazer prejuízo para o INSS. Por que eu anoto 400 ao invés de anotar 5 mil na CTPS? Para
recolher contribuição previdenciária a menos. Então, é óbvio que eu estou atentando contra o
interesse da autarquia federal. A Sumula é anterior a essa lei de 2000. Por isso ela está
ultrapassada.

p) Contravenções penais

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Quem é que processa e julga contravenções penais? Cuidado com isso porque aqui houve
uma clara opção do legislador por não trazer contravenções para a Justiça Federal. No inciso IV,
do art. 109, da Constituição Federal, o legislador constituinte originário foi categórico:

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em
detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da
Justiça Eleitoral;”

Então, tomem cuidado com isso porque contravenções penais JAMAIS serão julgadas
pela Justiça Federal. A competência em relação a elas será sempre da Justiça Estdual. Mas
mesmo se houver conexão? Sim. Se eu, por exemplo, praticar um crime contra a União e uma
contravenção penal, haverá a separação dos processos. A contravenção vai embora para a Justiça
Estadual, especificamente para os juizados enquanto que a Justiça Federal julgaria o crime contra
a União.

Eu li num manual outro dia o autor dizendo que caso a contravenção seja praticada por
um Juiz Federal poderá ser julgada pelo TRF, o que seria uma exceção a essa regra. Gente, pelo
amor de Deus! Se ele está falando em Juiz Federal, ele não está mais falando em competência
em razão da matéria. Ele está falando em competência por prerrogativa de função, que não é o
tema que estamos analisando agora.

Súmula 38, STJ: “Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de


1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços
ou interesse da União ou de suas entidades.”

Fiquem atentos: Justiça Federal não julga contravenções. Está aí a Súmula 38 para
confirmar isso.

E se por acaso eu praticar uma contravenção hoje (lembrando que contravenções são
julgadas pela Justiça Estadual), amanhã ela é transformada em crime por conta de uma lei penal
mais grave (lex gravior). Nesse exemplo, serei julgado onde? Aqui, tudo bem que lei que altera
competência tem aplicação imediata é que aqui é uma lex gravior. Nesse caso, continua tratando
como se fosse contravenção, sendo julgado pela Justiça Estadual, mesmo porque quando
praticou era contravenção penal e não crime. Esse exemplo aconteceu em relação a alguns
crimes ambientais. Hoje, alguns crimes, hoje previstos na Lei 9.605, antes eram contravenções
penais. Então, você não pode entender que pelo fato de eles serem transformados em crime,
automaticamente a competência seria da Justiça Federal.

q) Atos infracionais

Vamos imaginar que um menor de 14 anos pratique um crime contra um funcionário


público federal no exercício de suas funções. De quem é a competência. Neste caso, a
competência será da Justiça Estadual. A Federal não julga atos infracionais. Quando se fala em
Justiça Estadual, leia-se Juizado da Infância e Adolescência.

Aqui concluímos a análise do art. 109, IV, da Constituição.

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11.2. ANÁLISE DO ART. 109, V, DA CONSTITUÇÃO:

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 


V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional,
quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse
ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;”

A tortura é crime previsto em tratado ou convenção internacional. De quem é a


competência? Justiça Estadual. E aí o aluno erra! Eu digo: crime previsto em tratado ou
convenção internacional e você raciocina que vai para a Justiça Federal. Cuidado para não
cometer o erro! Para que o crime seja da competência da Justiça Federal, não basta que ele seja
previsto em tratado ou convenção internacional. Além disso, ele deve, “iniciada a execução no
País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente.” A tortura é
prevista em tratado ou convenção internacional. Mas eu pergunto: uma tortura praticada por
policiais civis em uma delegacia de Polícia Civil de São Paulo, quem julga? É óbvio que é a
Justiça Estadual. Então o inciso V exige dois requisitos que deverão estar presentes:

 1º Requisito: “Crime tem que estar previsto em tratado ou convenção


internacional”

 2º Requisito: “A chamada internacionalidade territorial do resultado


relativamente à conduta delituosa.”

Além de estar previsto em tratado ou convenção internacional, você tem que raciocinar se
esse crime começou no Brasil e terminou fora ou se começou fora e terminou no Brasil. Aí sim,
aí vai ser da Justiça Estadual. Qual é o melhor exemplo desse tipo de crime? Tráfico
internacional de drogas.

Quer ver como eu consigo complicar isso para vocês? Imagine o seguinte: o cidadão
brasileiro em Londres pratica crime previsto em tratado ou convenção internacional. De quem é
a competência? Justiça Federal ou Justiça Estadual? Aqui entra a análise da extraterritorialidade
da lei brasileira (direito penal), prevista no art. 7º, do CP:

  “Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos


no estrangeiro: II - os crimes: a) que, por tratado ou convenção, o
Brasil se obrigou a reprimir;”

Então, nesse caso aí, vocês têm um crime praticado por brasileiro em Londres previsto
em tratado ou convenção. É um exemplo de extraterritorialidade condicionada da lei brasileira
porque você vai ter que preencher os requisitos do § 2º:

“§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira


depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente
no território nacional;  b) ser o fato punível também no país em
que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos
quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o
agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e)

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não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro


motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais
favorável.”

Então, crime previsto em tratado ou convenção internacional praticado por brasileiro em


Londres, estará sujeito à lei brasileira. Essa é a matéria do Rogério. Vamos trazer para a minha
matéria: Ele vai ser julgado onde? Não basta essa previsão em tratado. Tem que ter um caráter
internacional: começa no Brasil e termina fora ou começa fora e termina no Brasil. Eu pergunto,
nesse caso, o segundo requisito não estará presente? Não. Então, a competência será da Justiça
Estadual.

Outro detalhe: Mas Justiça Estadual de onde, se o crime foi praticado em Londres? Diz o
art. 88, do CPP:

         “Art. 88.   No processo por crimes praticados fora do


território brasileiro, será competente o juízo da Capital do Estado
onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver
residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da
República.”

Se ele morava em Presidente Prudente (SP), será julgado em SP, capital.

Vocês já viram os dois requisitos do inciso V. Agora vou trazer um rol exemplificativo de
crimes:

a) Tráfico Internacional de Drogas

É um bom exemplo de crime que será julgado pela Justiça Federal com base no inciso V.
Primeiro porque está previsto em tratado ou convenção internacional (Convenção de Viena) .
Diz o art. 70, da Lei de Drogas (Lei 11.343/06):

“Art. 70.  O processo e o julgamento dos crimes previstos


nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional,
são da competência da Justiça Federal.”

Só para vocês anotarem: o que caracteriza essa transnacionalidade?

“Essa transnacionalidade (antes se exigia que houvesse uma organização internacional.


Hoje, não mais) deve ser compreendida como a violação à soberania de dois países”

Se eu, Renato, com uma bicicleta entro na Bolívia e trago cocaína na garupa, isso é
tráfico internacional porque estarei violando a soberania dos dois países.

“O tráfico internacional pressupõe o intuito da transferência da droga envolvendo mais


de um país, não sendo necessária a efetiva ocorrência do resultado.”

Aeroporto de Guarulhos. 21hs. Está lá o torcedor do Corinthians paramentado, usando no


calor uma jaqueta. Embarque internacional, com uma passagem para a África do Sul. O agente
revista e está lá com 10 kg de cocaína. Tráfico internacional ou não? O tráfico internacional
pressupõe o intuito da transferência da droga envolvendo dois países, não sendo necessária a
efetiva ocorrência do resultado. Nesse exemplo, por mais que nosso corinthiano tenha roubado a

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passagem e por mais que não tenha chegado à África do Sul, era esse o seu objetivo. Portanto,
tráfico internacional de drogas. Vai responder na Sub-seção Judiciária de Guarulhos.

A própria Lei de Drogas dá uma dica interessante sobre o que seria o tráfico internacional
porque o art. 40, I, traz uma causa de aumento de pena.

“Art. 40.  As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são


aumentadas de um sexto a dois terços, se: I - a natureza, a
procedência da substância ou do produto apreendido e as
circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do
delito;”

Então, vocês podem usar isso como elemento indicativo se tráfico seria ou não
internacional.

Tráfico de cocaína é tráfico internacional? Por que essa pergunta? É que a cocaína não é
produzida no Brasil. Cuidado com isso para não cair em pegadinha. Exemplo: Cidadão do
Paraguai entra com cocaína no Brasil e me vende a droga em Foz do Iguaçu. Eu não tenho nada
a ver com a organização criminosa dele, chego lá em Foz e compro 5 kg de cocaína para vender
em São Paulo. Isso é tráfico internacional? A conduta dele é tráfico internacional. A minha não.
A minha conduta evidencia tráfico doméstico.

“O simples fato de a droga ter sido provavelmente adquirida em outro país não atrai a
competência da Justiça Federal.”

Senão você pode chegar ao raciocínio absurdo de que, pelo fato de a cocaína não ser
produzida no Brasil, sempre será tráfico internacional. Da mesma forma, em se tratando de
ecstasy, que é fabricado na Europa. Tudo depende do caso concreto. No meu exemplo, como eu
comprei a droga em Foz e trouxe para SP, o tráfico é doméstico, competência da Justiça
Estadual. Agora, logicamente, se eu pertenço à organização criminosa do cara, se trouxe do
Paraguai, é diferente, a competência é da Justiça Federal.

Maradona é pego em Curitiba com 10 mil frascos de cloreto de etila (lança-perfume) para
vender no carnaval. Ele entrou no país de ônibus. De quem é a competência? Justiça Estadual na
comarca de Curitiba? Justiça Federal na Sub-Seção de Curitiba? Justiça Estadual de SP (destino
final)? Justiça Federal de SP? Tribunal Penal Internacional? Esse exemplo é bom porque o aluno
pensa em tráfico internacional, só que tem um detalhe que não pode passar despercebido. O
cloreto de etila não é considerado substância entorpecente na argentina. Se aqui é droga, mas lá
não é droga, eu pergunto: houve a violação à soberania de dois países? Não. Isso, na verdade é
um tráfico doméstico, de competência da Justiça Estadual.

“Para que se possa falar em tráfico internacional, é indispensável que a droga apreendida
no Brasil também seja considerada ilícita no país de origem ou de destino.”

Mesmíssimo exemplo nos casos da Holanda, onde a maconha é legalizada. Alguém que
traga para o Brasil um bolo de maconha ao Brasil, é tráfico estadual. O problema é que você tem
que vir de avião e crime cometido a bordo de avião é justiça federal. No exemplo do Maradona,
então, a resposta é Justiça Estadual de Curitiba.

Outro exemplo interessante para a gente concluir essa análise: Tráfico internacional de
drogas cometido por militares em avião da FAB. Caso concreto. Lastimável, mas caso concreto.
Tinha major no meio. Eles saíam no RJ com escala em Recife com destino à Europa. Esse

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exemplo é campeão. Raciocina comigo, lendo a CF, art. 109, IV. Lendo a Constituição,
interessante perceber, quando fala na competência da Justiça Federal, que é sempre feita a
ressalva em relação à competência da Justiça Militar.

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em
detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da
Justiça Eleitoral;”

O inciso IV ressalva a competência da Justiça Militar. Vamos lá para o inciso IX, do


mesmo artigo:

         “IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves,


ressalvada a competência da Justiça Militar;”

Está sendo feita a ressalva à competência da Justiça Militar. Então, eu pergunto a vocês,
nesse exemplo que eu dei dos militares: Justiça Federal ou Justiça Militar? Federal! Putz! Mas
tudo indicava que a competência seria da Justiça Militar... È que no inciso IV e no inciso IX é
ressalvada a competência da Justiça Militar, mas não no inciso V, que é o que a gente está
trabalhando. Leia comigo o inciso V e dá uma olhada se ele ressalva a competência da Justiça
Militar. Não ressalva:

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 


V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional,
quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse
ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;”

Ao contrário dos incisos IV e IX, não é feita a ressalva da Justiça Militar e, julgando o
caso concreto, o Supremo jogou no inciso V. O Supremo tende a restringir a competência da
Justiça Militar. Então, no caso que eu dei, a competência é da Justiça Federal.

O tráfico internacional de drogas é julgado por quem? Pela Justiça Federal. Agora vem a
questão interessante: E se por acaso o juiz federal, julgando esse tráfico internacional, na hora da
sentença condenatória, entender que, na verdade, é um tráfico doméstico? Isso é muito comum.
O juiz olha para o caso concreto e conclui, na hora de sentenciar que não é tráfico internacional.
Ele, juiz federal, pode julgar ou não? Ou é obrigado a remeter para a Justiça Estadual. Cuidado
com a sua resposta. Vamos ler o art. 81, de novo, que fala de crimes conexos, o que não é o caso.

“Art. 81.  Verificada a reunião dos processos por conexão


ou continência, ainda que no processo da sua competência própria
venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que
desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua
competência, continuará competente em relação aos demais
processos.”

No exemplo, só há um único delito. Nesse exemplo, o juiz, se verifica que é tráfico


doméstico, ele tem que remeter para a Justiça Estadual. Nesse exemplo, não se aplica a
perpetuação de jurisdição. Ele é obrigado a remeter os autos á Justiça Estadual. É a posição que
prevalece, tanto no STJ, quanto no STF.

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(Fim da 1ª parte da aula)

b) Tráfico Internacional de Armas de Fogo

Esse delito, que está no estatuto do desarmamento, também será da competência da


Justiça Federal. Compro 20 pistolas no Paraguai e trago para o Brasil. Tenho aí um crime que é
previsto em tratado ou convenção internacional que é a Convenção Interamericana contra o
Tráfico de Arma de Fogo. Como esse crime está previsto em tratado e convenção e dado seu
caráter internacional, a competência é da Justiça Federal. Exemplo bem tranquilo.

c) Tráfico Internacional de Pessoas

Esse delito está previsto no Código Penal, no art. 231:

“Art. 231. Promover, intermediar ou facilitar a entrada, no


território nacional, de pessoa que venha exercer a prostituição ou
a saída de pessoa para exercê-la no estrangeiro:”

As pessoas que moram em cidade grande podem achar que isso não acontece, mas é o
crime mais comum que você pode pensar, sobretudo na Região Norte e Nordeste. Em Manaus, a
quantidade de garotas para as Guianas para exercer a prostituição é um absurdo.

Esse crime tem caráter internacional e também está previsto em tratado ou convenção. O
Brasil é signatário de várias convenções, entre elas a Convenção de ?, que é uma convenção das
Nações Unidas contra o tráfico de pessoas. Sabe qual é o detalhe importante? Esse tráfico, para
que seja da competência da Justiça Federal, tem que ser mulher e criança ou pode ser homem
também? Cuidado porque o art. 231 fala em pessoa, mas para que seja da Justiça Federal você
tem que pensar o que é pessoa na convenção internacional. Alguns doutrinadores dizem que,
para que o crime seja julgado pela justiça federal, teria que ser mulher e criança. O homem
estaria fora. Só que a convenção não limita isso. Portanto, você pode aí incluir: mulheres,
crianças e homens. Existe tráfico de travesti para o exercício da prostituição.

d) Transferência Ilegal de Criança ou Adolescente para o Exterior

Esse é um outro crime que, mais uma vez o Brasil é signatário e está presente o caráter da
internacionalidade. Está previsto no art. 239, do ECA.

“Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato


destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com
inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter
lucro:”

O Brasil é signatário da convenção sobre direitos da criança.

e) Pornografia (pedofilia) por meio da Internet

Esse delito é o mais importante. Será o da prova!

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Essa pornografia infantil está prevista no art. 241-A, do ECA, e foi alterado no ano
passado, pela Lei 11.829/08:

“Art. 241-A.  Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir,


distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por
meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou
outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica
envolvendo criança ou adolescente:”

Esse crime, sem dúvida alguma, está previsto em convenção ou tratado internacional. O
Brasil é signatário da Convenção Sobre os Direitos da Criança. Aí vem o detalhe: se eu mandar
uma criança em cena de sexo explícito e mando pela internet para um vizinho. De quem é a
competência?

Cuidado para não dizer que crime praticado pela internet a competência é da Justiça
Federal. A Constituição não diz isso em momento algum. Esse crime está previsto em tratado ou
convenção internacional. E a internacionalidade territorial do resultado, relativamente à conduta
delituosa. Está presente ou não? Não está. Esse exemplo é campeão. Quando você fala em
pedofilia pela internet, o aluno acha logo que por se tratar da rede mundial de computadores, é
federal. No meu exemplo, eu mandei as fotos para o meu vizinho. Então, não há a
internacionalidade. É bem diferente se eu, Renato, confecciono um site de pedofilia. Aí, sim.
Esse site é disponível em todo planeta e, nesse ponto, a internacionalidade estaria presente.

“Caso a comunicação pela internet se restrinja a duas pessoas residentes no Brasil, a


competência será da Justiça Estadual; se restar provado que a conduta se deu além das
fronteiras nacionais, a competência será da Justiça Federal.”

E-mail transmitidos para Holanda, Justiça Federal. Para dentro do País, Justiça Estadual.

Qual é o juízo territorialmente competente para esse delito? Você vai se valer de um
provedor que está fora do País. Será que o fato de o meu provedor estar localizado fora do país
produz algum reflexo na delimitação da competência? Não.

“A competência territorial será do local de onde emanaram as imagens pornográficas,


pouco importando a localização do provedor de acesso à Internet.”

STJ na semana passada julgou nesse sentido. O que interessa é o local onde você está
sentado, diante do computador e de onde emanaram as imagens.

11.3. ANÁLISE DO ART. 109, V-A, DA CONSTITUÇÃO:

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º
deste artigo;”

“§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos,


o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar
o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados
internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte,

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poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em


qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento
de competência para a Justiça Federal.”

A justificativa disso é que a partir do momento em que o Brasil se tornou signatário da


Convenção Interamericana de Direitos Humanos, o Pacto São José da Costa Rica, e também a
partir do momento que reconheceu a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos,
a União seria responsabilizada no campo internacional por culpa de um Estado-membro, sem
que ela tivesse instrumento para cumprir esse tratado. Se o Estado não fizer nada, a competência
vai para a Justiça Federal.

1º Requisito: “Crime praticado com grave violação aos direitos humanos” - Isso é
amplo e genérico.

2º Requisito: “Demonstração concreta de risco de descumprimento de obrigações


decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil, resultante da inércia ou
negligência do Estado-membro em proceder à persecução penal.”

Para que fique bem claro, num caso concreto, o STJ entendeu que envolvia grave
violação dos direitos humanos. Porém o segundo requisito não teria sido preenchido. O Estado
em questão (do Pará) tomou todas as providências cabíveis.

Em relação ao IDC (incidente de deslocamento de competência) nesse caso, é do PGR e a


competência para apreciar esse IDC é do STJ. Sobre o inciso V-A, era o que eu tinha para
trabalhar.

11.4. ANÁLISE DO ART. 109, VI, DA CONSTITUÇÃO:

                 “Art. 109. Aos juízes federais compete processar e
julgar: VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos
casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem
econômico-financeira;”

a) Crimes Contra a Organização do Trabalho

Será que qualquer crime contra a organização do trabalho será julgado pela Justiça
Federal? Quando morre um traficante, o que os comerciantes são obrigados a fazer? A fechar o
comércio. Isso é um crime. Olha o que diz o art. 197, do CP:

Atentado contra a liberdade de trabalho “Art. 197 -


Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça: I - a
exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a
trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em
determinados dias: II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de
trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de atividade
econômica:”

Esse artigo inaugura o rol dos crimes contra a organização do trabalho. Se o examinador
pergunta: “O crime de atentado contra a liberdade de trabalho está previsto em qual título?”

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Você responde: No dos Crimes Contra a Organização do Trabalho. E esse crime será julgado por
quem? Pela Justiça Federal ou pela Estadual. Você pode automaticamente entender que é
Federal. Mas não. A jurisprudência restringe isso. Só será federal quando houver lesão aos
direitos considerados coletivamente.

“Só serão julgados pela Justiça Federal crimes contra a organização do trabalho
quando violados direitos dos trabalhadores considerados coletivamente.”

Nesse caso do art. 197 eu estou constrangendo apenas alguns indivíduos, então, nesse
caso, a competência será da Justiça Estadual.

Outro exemplo: Você, como empregador pode ter feito isso (outro crime previsto no
mesmo título):
“Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito
assegurado pela legislação do trabalho:”

Esse crime atenta contra os direitos dos trabalhadores considerados coletivamente? Óbvio
que não. É lesão individual ao direito do trabalhador. É Justiça Estadual.

Exemplo interessante da Justiça Federal é o do art. 207:

“Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de


uma para outra localidade do território nacional:”

Aliciamento de trabalhadores de uma Unidade da federação para outra. Exemplo: Eu


trabalho com café em São Paulo. Vou numa região pobre no interior da Bahia, recruto os
trabalhadores e vou trazê-los. Isso é lesão coletiva. Competência da Justiça Federal.

Para concluir, eu sou obrigado a chamar a atenção para um crime importante:

b) Crime de Redução a Condição Análoga à de Escravo

Quem julga esse delito? Ele está previsto no Código Penal, no seu art. 149, que não está
entre os crimes contra a organização do trabalho, mas está previsto dentro do título que trata dos
crimes contra a liberdade individual.

“Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de


escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho,
quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de
dívida contraída com o empregador ou preposto:”

Quem julga? Entendia-se que a competência seria da Estadual. Hoje, prevalece que quem
processa e julga esse crime, é a Justiça Federal (STF: RE 398041 e no mesmo sentido, RE
541627).

c) Crimes Contra o Sistema Financeiro e a Ordem Econômico-Financeira

Quem processa esses crimes? Leia comigo a Constituição e você não vai errar nunca
mais: crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem econômico-financeira são julgados
pela Justiça Federal, nos casos determinados por lei:

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                 “Art. 109. Aos juízes federais compete processar e
julgar: VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos
casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem
econômico-financeira;”

É preciso olhar a lei para ver se a lei diz. “Nos casos determinados por lei, se a lei disser,
o delito será julgado pela Justiça Federal.” É esse o cuidado que você deve ter para não errar na
hora da prova.

1º Exemplo: Lei 7.492/86, que define os crimes contra o sistema financeiro nacional
(evasão de divisas, art. 22). Essa lei diz.

“Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será
promovida pelo Ministério Público Federal, perante a Justiça
Federal.”

Lei 4.595 cria o sistema financeiro nacional e não diz nada. Se não fala nada, os crimes
nela previstos são da competência da Justiça Estadual.

Agiotagem (empréstimo a juros exorbitantes). Quem processa e julga esse cara? Aquela
pessoa que, com recursos próprios empresta dinheiro a juros exorbitantes? Uma dica para saber
se esse tipo de conduta fere o sistema financeiro, tem que ir ao art. 1º da Lei.

         “Art. 1º Considera-se instituição financeira, para efeito


desta lei, a pessoa jurídica de direito público ou privado, que
tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou
não, a captação, intermediação ou aplicação de recursos
financeiros (Vetado) de terceiros, em moeda nacional ou
estrangeira, ou a custódia, emissão, distribuição, negociação,
intermediação ou administração de valores mobiliários.”

Até aí, só pessoa jurídica, pública ou privada, mas cuidado com parágrafo.

“Parágrafo único. Equipara-se à instituição financeira: I -


a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio,
consórcio, capitalização ou qualquer tipo de poupança, ou
recursos de terceiros; II - a pessoa natural que exerça quaisquer
das atividades referidas neste artigo, ainda que de forma
eventual.”

Eu pergunto: O agiota, que empresta dinheiro com recurso próprio responde com base
nesta lei? Negativo!

“A pessoa física que empresta dinheiro com recurso próprio cobrando juros exorbitantes
responde pelo crime do art. 4º, da Lei 1521/51, que é um crime contra a economia popular.”

No meu exemplo, eu estou emprestando dinheiro com recurso próprio. É diferente


quando a pessoa física capta dinheiro de outros e vai repassando para todo mundo. A pessoa
física capta dinheiro a uma taxa de juros para repassar a outros cobrando uma taxa maior. Neste
caso, não é recurso próprio. No caso do recurso próprio, é o art. 4º, da Lei 1.521/51 (crime contra
a economia popular):

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“Art. 4º. Constitui crime da mesma natureza a usura


pecuniária ou real, assim se considerando: a) cobrar juros,
comissões ou descontos percentuais, sobre dívidas em dinheiro
superiores à taxa permitida por lei; cobrar ágio superior à taxa
oficial de câmbio, sobre quantia permutada por moeda
estrangeira; ou, ainda, emprestar sob penhor que seja privativo de
instituição oficial de crédito;”

Quem julga o crime do art. 4º? Quem julga crimes contra a economia popular que não
deixam de ser crimes contra a ordem econômico-financeira? Mas a lei não diz nada e se não diz
nada, crimes contra a economia popular deverão ser julgados pela Justiça Estadual.

Súmula 498, STF: “Compete a justiça dos estados, em


ambas as instâncias, o processo e o julgamento dos crimes contra
a economia popular.”

2º Exemplo: Crime de Combustível Adulterado. É um crime contra a ordem econômica.


Está previsto no art. 1º, da Lei 8.176/91. A lei não diz nada. Portanto, a competência é da Justiça
Estadual.

3º Exemplo: Lei 8.137/90. Está na época dessa lei (época da declaração de Imposto de
Renda). Essa lei, que trata dos crimes contra a ordem tributária, diz alguma coisa? Não. Portanto,
pelo menos em tese, a competência é da Justiça Estadual. Mas e se eu praticar crime contra a
ordem tributária envolvendo Imposto de Renda, serei julgado onde? Justiça Federal. Por que? É
por causa do inciso VI, do art. 109, da CF. Não. É por causa do inciso IV (interesses, bens e
serviços da União). Por isso, a competência é da Justiça Federal.

3º Exemplo: Formação de cartel, art. 4º, da Lei 8.137/90:

“Art. 4° Constitui crime contra a ordem econômica: I -


abusar do poder econômico, dominando o mercado ou eliminando,
total ou parcialmente, a concorrência mediante: a) ajuste ou
acordo de empresas;”

Exemplo: As padarias do bairro formaram um cartel e tabelaram o preço do pãozinho.


Formaram um cartel interestadual sobre combustíveis. Quem julga?

“Caso o ilícito abranja vários Estados da Federação, prejudique setor econômico


estratégico para a economia nacional ou o fornecimento de serviços essenciais, a competência
será da Justiça Federal.”

4º Exemplo: Crime de lavagem de capitais. Tem doutrinador que fala sobre isso e fala
de maneira equivocada. Cuidado com a terminologia. Exemplo: Cracolândia em SP.
Organização criminosa lava o dinheiro. Adquiriram uma locadora de filme para isso. Não sabe
dizer o movimento da locadora. Eu justifico a entrada desse capital em dinheiro miúdo. Quem
julga esse delito?

“Em regra, a competência é da Justiça Estadual. Será, todavia, da Justiça Federal:


 Quando praticado em detrimento de bens, serviços ou interesse da União, suas
autarquias e empresas públicas.

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 Quando o crime antecedente for de competência da Justiça Federal.”

O problema é que a lavagem é cada vez mais requintada. Hoje, geralmente, pra lavar
dinheiro, você não faz isso no Brasil, mas manda para fora. Se você faz isso, está praticando um
crime contra o sistema financeiro (evasão de divisas) e já foi-se embora para a Justiça Federal. A
regra é que seja estadual, mas ela é tão rara que você acaba achando que a exceção é a regra.
Então, cuidado com isso.

Analisando esse artigo 109, VI, concluímos esse item. Vamos para o próximo.

11.5. ANÁLISE DO ART. 109, IX, DA CONSTITUÇÃO:

         “Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves,
ressalvada a competência da Justiça Militar;”

Fazer a leitura do art. 5º, §§ 1º e 2º do Código Penal porque isso caiu numa prova de
Delegado da Polícia Federal e quatro ou cinco assertivas só sobre isso porque o legislador
mistura direito penal com direito processual penal:

“Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções,


tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no
território nacional.”

Crime cometido no Brasil, aplica-se a lei brasileira. Isso é tranquilo, não cai em prova. O
que cai é o parágrafo primeiro:

“§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como


extensão do território nacional as embarcações e aeronaves
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro
onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente
ou em alto-mar.”

Isso cai em prova. Um avião brasileiro de natureza pública, sobrevoando território


americano. Onde quer que ele esteja, é território nacional.

“§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes


praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de
propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em
porto ou mar territorial do Brasil.”

O que eu entendo com a bordo de navio e o que eu entendo como a bordo de avião?

Navio aí colocado é a embarcação apta para a navegação em alto mar. Navio é conceito
mais amplo, não é qualquer coisa não. Não se abarca no conceito os barquinhos infláveis
motorizados para brincar no lago. O navio está fundeado e você vai até o porto de lanchinha. Na

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hora de subir as escadas do navio, eu caio e morro. De quem é a competência? Isso aconteceu a
bordo?

“Para os fins do inciso IX, a expressão a bordo de navio, significa interior de


embarcação de grande porte.”

Nesse caso da escadinha, o STJ entendeu que não estava dentro do navio, e então não
estava dentro da competência. Na verdade, o que a Constituição quer preservar é exatamente o
que acontece dentro do navio com pessoas são transportadas em viagens internacionais. Neste
caso, de a pessoa sair subindo as escadas, a competência é da Justiça Estadual.

Qual é o conceito de aeronave extraído do Código Brasileiro de Aneronave?

“Aeronave é todo aparelho manobrável em voo que possa sustentar-se e circular no


espaço aéreo, mediante reações aerodinâmicas, apto a transportar pessoas ou coisas.”

É o conceito legal. Eu pergunto: Pára-quedas é aeronave? Não (ele só tem a finalidade de


amortecer a queda). Agora, percebam que esse conceito de aeronave não é tão amplo quanto o de
navio. Navio precisa ser algo para navegação em alto mar. Teco-teco já entra no conceito de
aeronave, assim como o ultraleve. E balão? Eu acho que balão é aeronave. Balão pode não ter
motor, mas o conceito de motor não faz parte do conceito de aeronave e ele é apto para
transportar pessoas e é manobrável mediante reações aerodinâmicas.

Acidente envolvendo o jato Legacy e o avião 737-800 da Gol. Foi julgado pelo STJ. É
raro você ver um conflito positivo de negativo. Normalmente, o conflito é negativo (ninguém
quer). Nesse caso, de repercussão nacional, todo mundo queria. A competência foi discutida e o
STJ entendeu que seria da justiça Federal, com base nesse inciso e com base no crime do art.
261, do CP. Isso porque a classificação que foi dada para a conduta dos pilotos do jato Legacy
foi a do art. 261. Mas qual é o nome do delito? Atentado contra a segurança do transporte aéreo.
Eu pergunto a vocês, a quem compete explorar o serviço aéreo? À União, além disso, o crime
teria sido cometido a bordo de aeronave porque há uma suspeita de que eles teriam desligado o
transponder.

               “Atentado contra a segurança de transporte marítimo,


fluvial ou aéreo: Art. 261 - Expor a perigo embarcação ou
aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a
impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea:”

Outro exemplo: quem julga um roubo cometido contra carga que está dentro de um avião
em solo? O detalhe é o seguinte: Será que o avião precisa estar voando, ou será que quando ele
está em terra a competência também é federal? Cuidado que esse é um caso concreto. Uma
quadrilha invadiu o aeroporto e roubou dinheiro do Banco do Brasil que estava sendo
transportado em malotes dentro de um avião.

“Pouco importa que a aeronave encontre-se em ar ou em terra. E, ainda, quem seja o


sujeito passivo do delito.”

Foi julgado tanto pelo STJ e quanto pelo STF e nas duas decisões ficou estabelecido que
pouco importava se o avião estava estacionado ou voando, se o dinheiro é meu ou seu. Se o
dinheiro estava dentro da aeronave o crime acabou sendo cometido a bordo de aeronave, logo, a
competência é da Justiça Federal.

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Tráfico de drogas a bordo de aeronave. De quem é a competência? Justiça Federal, mas


não mais por conta do inciso V, e sim por conta desse inciso IX.

Olha o exemplo que complica: Eu fui lá em Cuiabá e pego um avião para SP e minha
jaqueta está recheada de cocaína. Há um problema no voo e o avião pousa em Brasília. Saio do
avião e sou preso no saguão do aeroporto. De quem é a competência?

“Se a prisão do agente se der fora da aeronave (v.g. saguão do aeroporto), competência
da Justiça Estadual.”

11.6. ANÁLISE DO ART. 109, XI, DA CONSTITUÇÃO:

            “Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
XI - a disputa sobre direitos indígenas.”

Quem julga crime praticado contra ou por índio? Raciocina. Índio Pataxó, alvo da
brincadeira dos jovens em Brasília. A regra é que a competência seja da Justiça Estadual. Há,
inclusive, uma súmula:

Súmula 140, STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual


processar e julgar crime em que o indígena figure como autor ou
vítima.”

Quando é que, no entanto, esse crime envolvendo índio será julgado pela federal?

“Quando esse crime cometido contra índio envolver direitos indígenas, aí a competência
será da Justiça Federal.”

Mas direitos indígenas é uma expressão muito genérica. Para que você saiba o que são
direitos indígenas, tem que olhar o art. 231, da CF:

         “Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização
social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos
originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam,
competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos
os seus bens.”

Quando aquele índio pataxó morreu no ponto de ônibus, aquilo não tem nada a ver com
disputa sobre direitos indígenas. Mas se na disputa entre macuxis e arrozeiros, lá em Roraima, o
chefe da tribo é assassinado, é óbvio que isso envolve a disputa sobre a terra ocupada pelos
índios. É óbvio que a competência é da Justiça Federal.

Genocídio contra índios – quem julga isso? Isso já caiu em três provas. “A quem compete
processar e julgar o delito de genocídio contra os índios?” E te dá dez linhas para responder.
Genocídio significa exterminar uma etnia. Isso envolve direitos indígenas e a competência será
da Justiça Federal porque envolve a própria existência dessa etnia. Se cai isso na prova, o aluno
pensa: que fácil, Justiça Federal e para por aí. Mas ele não enfrenta o principal ponto da questão:

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Tudo bem que é julgado pela Justiça Federal, isso é fácil de ser respondido. Mas lá dentro
da Justiça Federal, quem julga? Juiz singular federal ou tribunal do júri federal? É a essa
pergunta que você tem que responder, só que é óbvio que o examinador não te pergunta isso
porque ele não vai te dar a dica. Ele quer saber se você sabe responder. Quem julga genocídio? O
tribunal do júri julga crime doloso contra a vida. O genocídio é ou não é um crime doloso contra
a vida? Não é! E o aluno erra! Raciocinem comigo: Lei 2889/56 (define e pune o crime e
genocídio).

O genocídio tutela a existência de um grupo nacional, étnico, nacional ou religioso. Se eu


quiser praticar um genocídio, como é que eu faço? O aluno acha que genocídio só é praticado
matando. E não é assim. Olha o que diz o art. 1º, da Lei 2.889/56:

“Art. 1 - Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em


parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: a)
matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade
física ou mental de membros do grupo; c) submeter
intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de
ocasionar-lhe a destruição física ou parcial; d) adotar medidas
destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) efetuar a
transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.”

Matar é uma das formas, mas não é a única. Se eu ministro nas índias remédios
anticoncepcionais, dizendo que é vitamina, estou praticando genocídio. Estou matando alguém?
Não. Se o genocídio não é crime doloso contra a vida, quem julga? Juiz singular federal.
Tranquilo.

Mas aí eu acrescento um outro dato ao problema. Mas e se ao invés de dar


anticoncepcional para as índias, eu resolvo matar uma índia por dia. E faço isso. Estou matando.
E agora? Agora, se matou, eu aplico o princípio da consunção? Crime-fim absorve o crime-
meio? Negativo. Você não pode aplicar nenhum dos princípios do conflito aparente de normas.
Moral da história: eu vou responder pelos homicídios que eu praticar e também pelo genocídio.
Sabe qual é o detalhe? Homicídio contra índios são julgados onde? Tribunal do júri federal. O
que o tribunal do júri federal vai exercer em relação ao crime conexo de genocídio? Moral da
história: Genocídio contra índios, juiz singular federal, mas se você praticar o genocídio
matando, a competência se desloca para o tribunal do júri federal.

“Em regra, genocídio contra índios é da competência de um juiz singular federal, pois o
bem jurídico tutelado é a existência de grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Porém, se o
genocídio for praticado mediante morte de membro do grupo, o agente deverá responder pelos
crimes de homicídio em concurso formal impróprio com o delito de genocídio, não sendo
possível a aplicação do princípio da consunção. Nesse caso, os homicídios serão julgados por
um tribunal do júri federal, que exercerá força atrativa em relação ao crime conexo de
genocídio.”

Isso é decisão do Supremo sobre o assunto, ao examinar um recurso extraordinário


exatamente nesse sentido.

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