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CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO EM

PSICANÁLISE

DISCIPLINA: NOÇÕES BÁSICAS DE


PSICANÁLISE
NOÇÕES BÁSICAS DE PSICANÁLISE

O objetivo do presente trabalho é apresentar de


maneira concisa, coerente e seletiva, algumas
informações básicas sobre a Psicanálise.
Destacando os elementos de maior interesse e
importância da área.

1 ‐ As Cinco Premissas da Psicanálise:

1. Existe um inconsciente dinâmico.

2. Existe uma sexualidade infantil.

3. O núcleo da neurose é o complexo de Édipo.

4. A neurose do adulto é a repetição da neurose


infantil.
5. O indivíduo adoece com a diminuição da
capacidade de amar.

O inconsciente dinâmico exerce grande influência


na conduta dos pacientes.

A sexualidade infantil é o conjunto de


transformações no corpo e no psiquismo que se
iniciam no nascimento e culminam na fase fálica.

A neurose está ligada a uma tendência a repetir


situações traumáticas.

Freud: focalizava suas teorias no complexo de


Édipo e na sexualidade infantil.

Pós‐Freudianos: focalizavam nas primeiras


experiências emocionais infantis.
2 ‐ AS DUAS HIPÓTESES FUNDAMENTAIS DA
PSICANÁLISE:

As duas hipóteses fundamentais são o


determinismo psíquico e o inconsciente.

Teoria Psicanalítica é um corpo de hipóteses sobre


o funcionamento e desenvolvimento da mente
humana.

O Determinismo Psíquico afirma que nada


acontece por acaso na mente, tudo está relacionado
com algo anterior. Os sonhos também estão sujeitos
a essa regra.

A Técnica Psicanalítica são métodos indiretos para


o estudo de fenômenos psíquicos ocultos.
A Associação Livre é a essência da técnica
psicanalítica.

O Pré‐consciente detém tudo aquilo que é de fácil


acesso, como memórias e lembranças que podem
facilmente tornar‐se conscientes.

O Inconsciente detém aquele conteúdo de difícil


acesso e exerce grande influência na vida mental.

Os Atos falhos ocorrem por influência do


inconsciente.

3 ‐ IMPULSOS
Impulsos são forças instintivas que, juntamente às
percepções sensoriais, vinculam a Psicanálise com
a Biologia.

A diferença entre instinto e impulso está na


resposta motora do impulso que é mediada pelo
Ego.

Os impulsos são dinâmicos, pois possuem uma


fonte, uma finalidade, um objeto e uma força,
empregado energia psíquica (catexia); são inatos e
internos ao organismo; estão no limite entre o
somático e o psicológico (no limite entre as
necessidade fisiológicas e as necessidades
psicológicas); pertencem ao inconsciente, mas
tornam‐se conscientes quando se ligam a um afeto
ou a uma representação.

Representações abrangem sensações e


experiências emocionais primitivas que ficam
impressas no Ego.
Pulsões (impulsos) são dinâmicas, originam‐se do
corpo (fonte), visam obter satisfação (finalidade),
possuem um objeto que pode ser uma pessoa ou a
própria pessoa, e empregam uma energia e
intensidade (força/catexia) que é constante enquanto
não há satisfação.

As pulsões passam por vicissitudes, que são a


transformação ou deslocamento da energia psíquica
de uma pulsão para outra.

Tensão é o estado de excitação psíquica provocada


por um impulso que impele o indivíduo a buscar
alguma gratificação.

A Energia Psíquica é a energia envolvida na tensão


provocada por um impulso.
Catexia é a quantidade de energia psíquica
associada à representação mental de uma pessoa
ou objeto.

Libido é a energia com um componente erótico


originária de um impulso sexual. A libido abrange
todas as pulsões que se relacionam ao amor.

Destruto é a energia com um componente destrutivo


originária de um impulso agressivo.

Fases do desenvolvimento psicossexual são


fases de fluxo gradual e variável, denominadas fase
oral, fase anal, fase fálica, latência e fase genital. Os
nomes estão relacionados ao objeto e modalidade
de gratificação em que está investida grande energia
psíquica.

As três primeiras fases (oral, anal e fálica)


compreendem o desenvolvimento psicossexual da
criança. A fase oral e a fase anal são conhecidas
também como a fase narcísica.
Tanto o impulso libidinal quanto o impulso agressivo
participam da progressão das fases.

As pulsões normais são aquelas observadas no


desenvolvimento psicossexual.

Intercâmbio de pulsões podem ser exemplificadas


quando o sadismo vira masoquismo ou o voyeurismo
vira exibicionismo.

A transformação de pulsões pode ser


exemplificada pelos mecanismos de sublimação ‐
quando a energia da pulsão sexual é empregada em
outra atividade; repressão ‐ quando a energia é
reprimida para o inconsciente; e pela formação
reativa ‐ quando a energia é manifesta de uma
forma contrária à pulsão original.

Compulsão a repetição trata‐se da tendência de


voltar a catexia para objetos que já foram altamente
catexizados e repetir a modalidade de gratificação.
Fixação da libido é a permanência de forte catexia
libidinal em algum objeto ou modalidade de
gratificação de uma fase passada.

Refluxo ou regressão é quando, na progressão


normal do desenvolvimento psicossexual, a catexia
libidinal retorna para um objeto de alguma fase
anterior. Quando é desencadeada por um impulso
trata ‐ se de uma regressão instintiva.

Auto‐erotismo é voltar a catexia libidinal


dispensada a um objeto para o próprio corpo.

Infantilismo psicossexual: refere‐se àquelas


pessoas que se tornam fixadas em algum estágio do
desenvolvimento psicossexual e não atingem a
maturação para a heterossexualidade.
4 ‐ O APARELHO PSÍQUICO

A mente é dinâmica em seu amadurecimento e


funcionamento. As fases não possuem uma divisão
bem definida e eventos marcantes em cada fase
costumam influência a vida mental por um longo
tempo.

A diferença entre pré‐consciente e inconsciente


é que aquilo que está no pré‐consciente torna‐se
consciente facilmente.

A Psicologia Profunda (ou Ψ do Ics.) trata dos


conteúdos e processos mentais impedidos de atingir
a consciência por alguma força psíquica.
As três hipóteses do Aparelho Psíquico:

1ª. Hipótese Telescópica (ou do Trauma): modelo


funcional → uma percepção ou sensação chega a
mente e provoca uma resposta motora (sistema
perceptivo → mente → sistema motor). Paradigma:
o neurótico possui remanescências que precisam ser
revividas.

2ª. Hipótese Topográfica: dividia a mente em


consciente, pré‐consciente e inconsciente.
Paradigma: o que é inconsciente precisa se tornar
consciente.

3ª. Hipótese Estrutural: divide a mente em Id, Ego


e Superego. Paradigma: onde há Id precisa haver
Ego.

Diferença entre a 2a e a 3a Hipótese: a 3a hipótese


é mais dinâmica.
Id é onde residem os impulsos. Ego é onde a mente
interage com o ambiente e onde os impulsos do Id
são intermediados com os preceitos morais do
Superego. Superego é onde residem os preceitos
morais.

As funções do Ego são o controle motor, a


percepção sensorial, as lembranças, os sentimentos
e os pensamentos.

A Prova da Realidade é uma função do Ego que


consiste em distinguir os estímulos do ambiente
(externos) dos impulsos e desejos do Id (internos).

Os fatores de desenvolvimento gradativo do ego são


dois: o crescimento físico sistema nervoso central
(maturação) que é geneticamente determinado e os
fatores experienciais.
O corpo do bebê tem uma importância fundamental
para o desenvolvimento do Ego, pois, diferente dos
demais objetos, o corpo não é apenas sentido, mas
também sente. Isso define o Ego corporal.

Identificação é o processo que enriquece o ego


para melhor ou para pior.

A identificação com o agressor ocorre quando um


objeto é catexizado pela energia agressiva e o
indivíduo sente satisfação de participar ele próprio,
pelo menos em fantasia, do poder e da glória que
atribui ao seu oponente.

O Superego é formado durante o complexo de


édipo, como subproduto do medo da castração – é
uma instância psíquica que se separou do ego. É a
internalização simbólica da figura paterna e da
cultura ideal. O Superego age como consciência,
mantendo o senso de moral e de proibição, e por
tender a ficar em constante oposição aos desejos do
Id acaba sendo agressivo com o Ego. Diz ‐ se que o
Superego é o herdeiro do complexo de édipo por
sua formação estar marcada pelas proibições
paternais que impedem a realização dos desejos
incestuosos dessa fase. Ele emerge da solução
dada pela criança a esse impedimento, na forma da
introjeção dos pais para si (identificação).

O Superego também encontra a energia para sua


formação no sentimento de hostilidade da criança
para consigo mesma.

As três funções principais do Superego são:

Auto‐observação;

Consciência moral – responsável pela culpa;

Ideal – responsável pelo sentimento de inferioridade.

Ideal do Ego é uma subdivisão do ego,


relativamente autônoma, que surge com a perda do
narcisismo individual e permite a submissão de
grupos à figura de um líder.
Ego Auxiliar são objetos do Superego que se
organizam como aliados do Ego, estabelecendo
limites e impondo valores de forma não agressiva

Processo primário é o modo original como funciona


aparelho psíquico, característico de um Ego imaturo.
No processo primário a energia psíquica se desloca
e descarrega no Id ou no Ego imaturo.

A tendência a gratificação imediata, a facilidade com


que a catexia pode ser deslocada do objeto original
ou a facilidade com que um método de descarga
pode ser substituído por outro são características do
processo primário.

O deslocamento está ligado ao modo como o Ego


originalmente se manifesta, até evoluir e se tornar
capaz de retardar a descarga da energia catéxica.

O pensamento do processo primário é ilógico,


atemporal, confuso, não verbalizado e sem
seqüência.
São três os aspectos do pensamento do
processo primário:

Deslocamento: uma parte representa o todo ou o


todo representa uma parte de uma idéia ou objeto.

Simbolismo: linguagem inconsciente para objetos e


idéias proibidas.

Condensação: várias idéias são representadas por


uma idéia ou parte de uma idéia.

Renegação: o indivíduo acredita em nível


inconsciente ter sofrido a castração, sem ter sido
deveras castrado.

Perverso polimórfico: é a capacidade de utilizar


qualquer tipo de objeto como fonte de prazer. É
característico das fases iniciais do desenvolvimento
psicossexual, a catexia fica dispersa em vários
órgãos.

O processo secundário é o modo característico de


funcionamento do Ego maduro. São características
do processo secundário o pensamento consciente,
primariamente verbal que obedece as leis habituais
da sintaxe e da lógica.

Neutralização é colocar a energia de um impulso a


serviço do Ego. No processo primário a energia do
impulso não é neutralizada. No processo secundário
a energia do impulso é neutralizada.

A frustração é importante para a maturação e


desenvolvimento do Ego pois estabelece os limites
entre o "eu" e o "não eu".

O Ego pode opor‐se aos impulsos e desejos do Id, e


até mesmo combatê‐los.O desenvolvimento do Ego
determina inevitavelmente um certo grau de
enfraquecimento do Id.
Os processos de gratificação fantasiosa são
devaneios ou sonhos onde os desejos do Id se
encontram parcialmente realizados, trazendo uma
certa gratificação.

O Princípio do Prazer é a tendência da mente em


obter prazer e evitar o desprazer. O Id é dominado
pelo princípio do prazer e pelo processo primário.

É importante notar a diferença entre o princípio do


prazer e o processo primário: o processo primário é
objetivo, enquanto o princípio do prazer é subjetivo.
5 ‐ DUAS TEORIAS DA ANSIEDADE

1ª. Teoria da Ansiedade: a ansiedade seria resultado


da transformação da libido represada.

2ª. Teoria da Ansiedade: a ansiedade seria


conseqüência da influência de estímulos que podiam
emanar dos impulsos ou do ambiente.

A ansiedade é causada por estímulos internos do Id


ou externos do ambiente que ficam represados e
não são adequadamente assimilados pelo Ego,
dando origem a uma situação traumática.

Ansiedade de alarme é uma função do ego que visa


prevenir o trauma por meio da antecipação da
ansiedade de uma situação traumática, em uma
situação de perigo ou de perigo eminente.

A função normal da ansiedade é permitir ao Ego


inibir os impulsos e desejos perigosos do Id.
6 ‐ MECANISMOS DE DEFESA DO APARELHO
PSÍQUICO

Defesa (atividade defensiva do Ego) é o controle


exercido pelo Ego sobre os impulsos do Id, usando a
ansiedade que age sobre o "onipotente" princípio do
prazer.

Contracatexia é a energia empregada pelos


mecanismos de defesa e que faz oposição às
catexias.

Supressão: atividade consciente de "esquecer" um


conteúdo.

Mecanismos de Defesa:
Repressão: atividade inconsciente em que um
conteúdo é bloqueado ao acesso do consciente.

Formação reativa: transformar um sentimento em


seu oposto.

Isolamento do sentimento: uma fantasia ou


pensamento aparece no consciente isolada de seu
respectivo sentimento.

Anulação: ação que visa anular suposto dano.

Projeção: atribuir impulso ou desejo seu a outra


pessoa.

Voltar‐se contra si próprio: utilizar‐se como meio de


gratificação a um impulso destrutivo.

Negação: negar a realidade externa.

Identificação: introjetar as características de outrem.


Regressão: voltar a uma fase anterior relacionada
ao trauma que desencadeia o mecanismo.

Sublimação: gratificar os impulsos por meio de uma


atividade produtiva e aceita pelo Superego.

Os mecanismos de defesa raramente são


empregados de modo isolado ou mesmo aos pares,
ao contrário, muitos são usados em conjunto. Em
geral um ou dois mecanismos sobressaem‐se como
sendo os mais importantes.

7 ‐ AS TRANSFORMAÇÕES SOFRIDAS PELO


EGO
Segundo Freud não haveria ego no recém‐nascido,
no início apenas o Id está presente. Madeleine Klein
e outros refutam essa idéia, para os pós‐freudianos
o ego é inato.

O Ego Arcaico (ou Ego do prazer puro) já permite


interação com o mundo exterior, mas é incapaz de
diferenciar o "eu" do "não eu" por não possuir
condições neurobiológicas para tanto. Nesta fase o
bebê expele (projeta) tudo que for desagradável e
retém (introjeta) tudo o que for agradável.

No Ego da Realidade Primitiva persiste a


indiscriminação entre o "eu" e o "outro", a realidade
exterior. O processo de representações no ego está
em pleno andamento.

O Ego da Realidade Definitiva é o estágio em que a


criança procura reencontrar no exterior um objeto
real que corresponda à representação de um objeto
primitivamente satisfatório e perdido.
8 ‐ AS FUNÇÕES DO EGO

Freud definiu o Ego como sendo um conjunto de


funções e de representações a nível inconsciente e
consciente. Na Psicanálise Clássica a preocupação
era com os conflitos que se processavam no plano
inconsciente entre as pulsões e as defesas; já na
Psicanálise Contemporânea Vincular, embora
persista a valorização da abordagem clássica, é
concedida grande importância a muitos outros
aspetos do plano consciente.

As Funções Egóicas apresentam implicações


inconscientes mas manifestam‐se principalmente no
plano consciente. Estão intimamente ligadas aos
órgãos dos sentidos, contatam diretamente a
realidade externa com a finalidade adaptativa.

As funções inconscientes do Ego são os


mecanismos de defesa e a ansiedade.
Atividades com participação consciente do Ego:

Percepção: é como o indivíduo percebe o mundo


exterior e a possível intenção dos outros, e como o
indivíduo percebe a si próprio.

Pensamento: a capacidade para pensar de forma


eficaz tem origem no plano inconsciente do ego.
Depende da capacidade do sujeito se deprimir para
possibilitar a formação de símbolos que permitam a
generalização e abstração do pensamento. O ato de
pensar requer o estabelecimento de confrontos e
correlações entre idéias, fatos presentes e passados
e entre aspectos contraditórios de si mesmo.

Juízo Crítico: supõe a capacidade do ego em


articular e discriminar diversos pensamentos que são
separados entre si, relaciona‐se a capacidade de
raciocínio (articulação de diversos juízos).
Capacidade de Síntese: consiste em juntar e integrar
os mesmos elementos que estão sendo pensados,
mas com um novo arranjo combinatório de modo a
possibilitar um novo significado.

Conhecimento: função egóica importante na prática


psicanalítica pois permite tomar ciência das
verdades penosas, externas e internas.

Linguagem e Comunicação: dá boa ou má resolução


das funções do pensamento e conhecimento, e
resultará na qualidade da estrutura lingüística e
comunicacional.

Ação: função do ego que se refere ao plano


comportamental . Depende da harmonia entre as
funções de pensamento de conhecimento com as
funções de conduta (ação). A falha nesta função
egóica acarretará na reprodução das vivências de
impotência infantil e na descarga da ansiedade na
forma de actings e de condutas sintomas.
Diferença entre a visão Psicanalítica da visão
Behaviorista do comportamento: os Psicanalistas
valorizam a participação do Ego (mundo interior) na
conduta do indivíduo, já os Behavioristas
preocupam‐se apenas com os estímulos positivos e
inibitórios provenientes do ambiente, que geram a
resposta ou conduta exterior.

Atividades com participação inconsciente do Ego:

Formação de ansiedade: divide‐se em dois tipos de


angústia. A angústia automática ocorre quando há
um excesso de estímulos que o Ego não consegue
processar e, por isso, reprime‐os. A angústia sinal é
concebida como "sinal" emitido pelo ego diante de
uma ameça, para então processar‐se a repressão.

Mecanismos de defesa, também são uma atividade


inconsciente do Ego.
9 ‐ ANSIEDADES E ANGÚSTIAS IDENTIFICADAS
POR FREUD

Ansiedade: receio sem relação com qualquer


contexto de perigo de causa psicológica
inconsciente.

Angústia: ansiedade ou aflição intensa.

Angústia de Nascimento: situação traumática primal.

Angústia de Desamparo: deriva da incapacidade do


ego em processar os traumas psíquicos e pode ser
considerada como o protótipo de todas as demais
angústias. Manifesta‐se com uma terrível sensação
de desvalia e abandono.

Angústia de perda: ocorre em momentos de


separação do objeto catexizado.

Angústia de perda do amor dos pais: ocorre no


complexo de édipo e é importante no
desenvolvimento psicossexual da criança.

Angústia de castração: também ocorre no complexo


de édipo. Quando mal resolvida pode gerar
problemas como insegurança.

Angústia de culpa e medo diante do Superego:


ameaça de punição em nível de vida mental caso
houver transgressão do código de valores impostos
pelo Superego.
Angústia devido à presença do instinto de morte
(thanatos): desejo inato ao ser humano de
autodestruição.

1ª. Teoria da Ansiedade: a ansiedade é resultado da


descarga de um represamento inadequado da libido.
A ansiedade era a libido transformada em uma
manifestação patológica.

2ª. Teoria da Ansiedade: a ansiedade é o problema


central da neurose e tinha uma base biológica
herdada. Sendo o ego o local de todas as emoções,
a ansiedade deveria, portanto, ser sentida no ego.
Quanto mais desenvolvido for o ego mais ele será
capaz de dominar ou descarregar os estímulos
produzidos quer sejam eles de ordem interna ou
externa. A situação se tornaria traumática apenas
quando esses estímulos superarem a capacidade do
ego de digerí‐los adequadamente.
Diferença entre a 1ª Teoria da Ansiedade e a 2ª
Teoria da Ansiedade: na primeira teoria a ansiedade
é originada por estímulos internos, na segunda teoria
a ansiedade pode tanto ser originada por estímulos
internos quanto externos.

10 ‐ MECANISMOS DE DEFESA DO EGO


São processados pelo Ego e são praticamente
inconscientes. Quanto mais imaturo e menos
desenvolvido estiver o ego, mais primitivas e
carregadas de magia serão as defesas. O
mecanismo fundamental do ego é rejeitar de
qualquer forma a vivência e a tomada de
conhecimento de experiências emocionais
ansiogênicas.

A importância dos mecanismos de defesa: todos os


mecanismos de defesa participam do
enriquecimento do Ego, ou seja, são estruturantes
para a época do seu surgimento. A forma e o grau
do emprego destes mecanismos diante da
ansiedade é que vai determinar a natureza da
formação de uma normalidade ou patologia nas
diferentes estruturas psíquicas.

11 ‐ SÍMBOLOS

A Formação de Símbolos é uma capacidade


exclusiva do ser humano e é por meio dela que a
criança terá acesso a outras capacidades de
conceituar, generalizar, abstrair, verbalizar, construir
metáforas e criar, sendo que a aquisição e a
verbalização da palavra que designa fatos e idéias –
característica do processo secundário – representa
um dos mais nobres símbolos.

12 ‐ IDENTIFICAÇÃO

Identificação é a aquisição de um sentimento de


identidade coesa e harmônica resulta do
reconhecimento e da elaboração de diferentes
identificações parciais que foram sendo incorporadas
aos indivíduos pela introjeção dos valores dos pais
que, por sua vez, transmitem os valores que
assimilaram da sociedade.

Dois tipos de identificação

Proto‐identificação: tem natureza arcaica e divide‐se


em 4 modalidades:

Adesiva, quando há uma fusão e não se forma uma


identificação acompanhada de uma necessária
individuação (o indivíduo absorve a característica
como ela é, sem adaptá‐la à sua subjetividade).

Especular, comum na infância quando a criança


comporta‐se como se fosse uma mera imagem que
só reflete os desejos da mãe.
Aditiva, quando o indivíduo não encontra sua
identidade própria e torna‐se dependente de certas
pessoas que complementam as lacunas de sua
personalidade.

Imitativa, que é a identificação saudável, quando a


criança introjeta as características sem anular‐se,
sem tornar‐se dependente, e adaptando‐as às sua
subjetividade.

Identificação propriamente dita é aquela que resulta


dos processos de introjeção de figuras paternais
dentro do ego sob a forma de representação objetais
‐ símbolos ‐ e no superego.

Tipos e causas das identificações propriamente ditas

Com a figura amada e admirada, tipo mais sadio e


harmônico de identificação;

Com a figura idealizada, costuma ser frágil devido à


pequena tolerância às decepções e custa ao
indivíduo um esvaziamento de suas capacidades
afetivas;

Com a figura odiada, que configura a identificação


com o agressor;

Com a figura perdida, base do processo depressivo;

Com a figura que, na realidade ou na fantasia, foi


atacada ‐ identificação com a vítima;

Com valores impostos pelos pais, mais evidente ao


final do complexo de édipo.

A identificação pode se dar por meio da projeção ,


onde características do próprio indivíduo que, de
início, não podem ser assimiladas por ele, são
projetadas em outrem para então serem introjetadas.

A aquisição do sentimento de identidade se dá em


vários planos ‐ sexual, social, profissional ‐ e inicia‐
se com as múltiplas identificações parciais ou totais,
saudáveis ou não. A identidade sofre contínuas
transformações ao longo da vida. Existem vários
transtornos do sentimento de identidade, tais como
os normais ‐ como a adolescência ‐, até as formas
patológicas que aparecem em indivíduos psicopatas.

“Falso Self” é uma percepção errada que o indivíduo


possui de si mesmo, que o leva a agir de maneira
diferente àquela que seria de se esperar de sua
formação.

Difusão de identidade é quando o indivíduo projeta


suas características nos outros e as encontra de
maneira desintegrada em si mesmo.

FIM DO MÓDULO INTRODUTÓRIO

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