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O CULTO INFANTIL E O CULTO DOMÉSTICO

Introdução.

Nunca é demais lembrar que os filhos são herança do Senhor Deus, são como flechas a serem preparadas
para encher a aljava. Tê-los e cria-los é cumprir o Mandato Social instituído na criação como fruto do pacto
do Senhor Deus com o seu povo. Por isso, cada um deles está debaixo da promessa e deve crescer
aprendendo a amar a Deus e ao seu Evangelho. Esta é a responsabilidade dos pais que, na busca da glória de
Deus, preparam seus filhos para a eternidade.

E aqui está, sem dúvida alguma, um grande desafio a ser vencido pelos pais crentes, a criação de seus filhos
fazendo-os participar e amar o Clto Solene. O trabalho é duro, pois devem sempre buscar a transformação
de um coração depravado em um coração temente a Deus, temor este que resultará também num cidadão
de bem, tanto na sociedade como do céu.

Sabemos que desde os primórdios da humanidade muitas são as teorias que tratam deste assunto na
tentativa de dar um direcionamento aos pais quanto ao ensino de seus filhos. Aliás, a sociedade ocidental
sempre se construiu conforme os padrões do homem natural que, na maioria das vezes, são falhos e
pecaminosos. É como afirma Abraham Kuyper (1837-1920):

O Modernismo está comprometido em construir um mundo próprio a partir de elementos do


homem natural, e a construir o próprio homem a partir de elementos da natureza.1

As teorias científicas, filosóficas ou ideológicas nunca chegaram a um acordo sobre este assunto de criação
de filhos. Há as que incentivam a imposição de limites, há as que são contra qualquer imposição de limites,
orientando aos pais para que deixem seus filhos totalmente à vontade para tomarem as suas próprias
decisões.

Em meio às teorias variadas encontramos as Sagradas Escrituras com a revelação do Senhor Deus, Criador
de todas as coisas. E aqui está o impasse do cristão, ou seja, até que ponto se deve ouvir a voz das várias
teorias humanas contrastadas com a absoluta e perfeita Lei de Deus? Pois a impressão que fica é que os
argumentos quanto à não participação dos filhos pequenos ao lado de seus pais no Culto Solene não possui
base nas Escrituras, nem direta nem indiretamente. Portanto, o argumento busca outras teorias sobre
crianças, como a psicologia do desenvolvimeno e a pedagogia.

Esta deve ser a indagação quando tratamos sobre o Culto Solene e a participação das criancinhas de acordo
com a Lei do Evangelho, descartando toda ideia contrária à vontade divina. Além disso, não podemos
concentrar no aspecto negativo quanto a este assunto. Devemos também pensar positivamente, ou seja,
descobrir como é maravilhoso compreender o Pacto divino com seu povo e como toda a família está inserida
neste pacto e como há os desdobramentos aplicados ao Culto Solene, que não deve ser confundido com uma
sala de aula ou um momento de palestra, mas como um momento de adoração a Deus com toda família
reunida. Isto devemos transmitir aos nossos filhos desde a tenra idade.

Que o Senhor Deus nos abençoe!

1
KUYPER, Abraham. Calvinismo. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2015. P. 19.
1
Treinando os filhos para amarem e participarem no Culto Solene.

Veja esta palavra dita pelo Rev. Gerard van Groningen, um dos maiores especialistas em Velho Testamento:

O último princípio de que vou tratar é que o culto é para toda a família. Pais, como chefes do
lar, representando o rei; mães, como as rainhas, tão reais quanto o pai; e os filhos, que são
os príncipes e as princesas; todos tiveram que estar lá no culto a Deus, no Sinai. Quando Deus
fez um pacto com o Seu povo, eles todos tiveram que estar presentes, até mesmo as crianças
de peito; e não havia um culto especial para as crianças lá (estou pisando em terreno
perigoso?) Talvez possamos falar um pouco sobre isso. No Antigo Testamento, as crianças
tinham que ser trazidas ao templo já no oitavo dia para circuncisão, e na idade de 12 anos já
deviam ser consideradas adultas, no que diz respeito ao culto; as crianças eram os futuros
servos do rei. Deixem-me lembrar também que as crianças deviam participar da páscoa, e
elas tinham inclusive o privilégio de perguntar: "O que significa isso"? E os pais tinham que
responder. Isso certamente foi na época em que o culto estava centralizado na família, mas
o mesmo é verdadeiro quando o culto foi transferido e centralizado no templo. Eu sou pai de
oito filhos, e eu e minha esposa temos experimentado o que é educar, em termos de culto, a
essas crianças. Eu sei o que estou falando; nós somos avós de vinte e nove meninos e
meninas, então podemos falar a partir de uma situação concreta. Estou pronto para falar
sobre isso. Eu acredito em culto familiar, em casa e na Igreja.2

O tema que aborda sobre o culto infantil parece se tratar de um terreno minado, polêmico, mesmo que seja
uma prática tão recente na Igreja.

Mas afinal de contas, quais são os argumentos utilizados para justificar a prática do culto infantil? Vejamos
uma coletânea de argumentos retirados de várias páginas da Internet especializadas no tema. Ao mesmo
tempo, será apresentadas as devidas contestações.

O culto infantil promove a integração futura no culto dos adultos

Parece que os resultados promovem exatamente o contrário. Como a criança convive apenas com outras crianças
durante muito tempo no culto infantil, o esforço de integrá-la com os adultos no Culto Solene será trabalhoso na
maioria das vezes.

O culto infantil possibilita a participação ativa no culto (leitura bíblica, cântico e oração) num contexto maior da
congregação.

A participação das crianças com seus pais no Culto Solene não as excluem do privilégio de acompanhar a leitura
bíblica, de cantar e de acompanhar a oração dirigida por liturgos e pregadores adultos.

O culto infantil cria a interação maior com o pastor (é muito comum as crianças dizerem: “aquele é o meu pastor”,
pois cada uma se sente valorizada ao ouvir e ver a este pastor pregando para elas).

Penso que aqui ocorre exatamente o contrário. A falta de convívio com o pastor e com sua pregação no Culto Solene
faz com que prefiram as professoras e seus recursos didáticos e por vezes lúdicos.

O culto infantil é uma forma didática de ensinar às crianças doutrinas importantes.

Geralmente os dirigentes do culto infantil buscam nivelar sua linguagem à linguagem da criança. Neste caso, não há
o estímulo ao amadurecimento, mas, sim, à permanência no vocabulário infantilizado (algo que, geralmente, não
ocorre no contexto escolar). Quanto à didática, o que percebemos é o reinado daquilo que a ciência determina como

2
Gerard Van Groningen, As Influências do Culto do Antigo Testamento na Liturgia. Texto encontrado na página eletrônica:
ipcb.org.br/site/index.php/14-sample-data-articles/115-influencias
2
aprendizado em detrimento daquilo que as Escrituras ordenam. É até verdade que crianças muito novas terão
dificuldades de apreender todo o conteúdo do sermão, mas se os pais forem zelosos, em casa eles podem recontar
o sermão de Domingo aos filhos pequeninos de maneira que entendam.

O culto infantil dá a criança um profundo senso de autovalorização, tal qual Jesus fez quando pegou as crianças
no seu colo e disse aos discípulos que não as impedissem. Precisamos nos dedicar às crianças, mais do que
simplesmente passar a mão na sua cabeça.

Bem, se autovalorização vem como contrário à baixa autoestima, então mais uma vez a ciência tenta sobrepor o
Evangelho, pois este não ensina o desenvolvimento da autovalorização, ao contrário, o Evangelho ensina o negar-se
a si mesmo, atitude que nos coloca em nosso devido lugar promovendo a santidade e o temor do Senhor3.

O culto infantil faz com que a criança não fique sem o aprendizado necessário no momento do sermão.

A criança deve estar no culto com os pais, não apenas quando terá a capacidade de compreender a totalidade do
sermão, a criança deve estar presente no Culto Solene porque esta é a ordem do Senhor Deus nas Escrituras
(veremos isto mais à frente).

Quanto ao aprendizado, como já afirmei no item quatro, se os pais são fiéis no ensino das Escrituras em casa no
culto doméstico e na explicação da mensagem pregada no Domingo, esta criança será fartamente alimentada com
a Verdade de Deus. Por outro lado, uma criança que passa a semana em casa sem nunca vivenciar o culto doméstico,
sem nunca ouvir de seus pais as doutrinas bíblicas, certamente permanecerá estagnada e fraca em sua vida
espiritual.

Apenas como exemplo, vejamos uma conta simples. Suponhamos que os pais dediquem meia hora por dia para
ensinar informalmente a doutrina bíblica ao seu filho, além do culto doméstico com mais 50 minutos semanais. Esta
criança também permanece quase uma hora na sala da Escola Bíblica Dominical e, após o Culto Solene, ao retornar
para casa, aprende por cerca de meia hora sobre o que foi pregado. O total de horas que esta criança foi exposta ao
ensino das Escrituras é de cinco horas e vinte minutos na semana. Agora vejamos, o tempo em média do sermão
varia entre 50 minutos à uma hora por semana, uma vez que este sermão só ocorre no Culto Solene. Daí surge a
dúvida. Por que muitos afirmam que se esta criança permanecer no Culto Solene ouvindo o pregador isto trará
grandes prejuízos ao seu crescimento no conhecimento das Escrituras, se ela já é fartamente ensinada em outros
horários, inclusive na igreja? Por que 50 minutos no Culto Solene (a pregação) são tão mais fortes, mais
determinantes, mais conclusivos que cinco horas e vinte minutos (culto doméstico, Escola Bíblica Dominical, ensino
informal)? Por que a criança será prejudicada por não entender o sermão se seus pais, por zelo, explicará a ela o que
foi pregado pelo pregador?

Outro ponto a se considerar. Se a prática do culto infantil é recente na Igreja, como então avaliar as crianças que,
nos séculos passados, não tinham este costume e permaneciam com os pais na Igreja do Velho e do Novo
Testamento? Estas crianças do passado foram duramente prejudicadas devido a ausência do culto infantil? Observe
bem, talvez até você que está lendo este texto nunca tenha participado de um culto infantil na época em que era
criança. Isto significou prejuízos significativos quanto ao seu relacionamento e aprendizado das Escrituras?

O culto infantil faz com que os pais participem do culto com mais tranquilidade.

Este é, sem dúvida, o argumento mais triste de todos embora seja, infelizmente, o que a maioria dos pais espera e
deseja. Neste caso, então, o culto infantil não é um “culto” paralelo, mas um serviço de creche formado por irmãos
e irmãs que cuidam e, por que não dizer, suportam também as crianças que são indisciplinadas. Embora haja crianças
educadas e disciplinadas, há também aquelas que são indisciplinadas quando nem os pais conseguem dominar. Não
é justo retirar irmãos e irmãs do Culto Solene para que fiquem cuidando ou até suportando estas crianças que vivem
sem limites. Atrevo-me a dizer que a exigência do culto infantil por aqueles que são dominados pelos filhos ocorre
porque vivemos numa época onde as responsabilidades dos pais é transferida para terceiros. Claro que nem todos

3
Para uma discussão mais ampla recomendo o excelente livro Autoestima, uma perspectiva bíblica escrito por Jay Adams e
publicado pela editora Nutra/Associação Brasileira de Aconselhamento Bíblico.
3
os pais e nem todas as crianças são assim, mas negar que exista esta realidade é “tapar o sol com a peneira”.

A Escola Bíblica Dominical também não se encontram nas Escrituras, todavia é uma atividade consolidada na
Igreja. O mesmo ocorre com o culto infantil.

É verdade, as Escrituras não falam nem ordenam algo parecido com a Escola Bíblica Dominical, assim como as
Escrituras nada falam sobre outras tantas atividades como as sociedades domésticas, o conselho missionário,
cerimônia fúnebre ou matrimonial, estudo bíblico durante a semana etc. Todavia, não podemos esquecer de que
todas estas atividades descritas não possuem nenhuma ligação direta com o Culto Solene. Já o culto infantil afeta
diretamente o âmago do Culto Solene por dois motivos. Primeiro, os filhos são separados dos pais neste momento
tão sagrado. Segundo, afirma-se que o culto infantil também é Culto Solene.

Portanto, não se trata de uma atividade semelhante à Escola Bíblica Dominical. Trata-se de uma interpretação
teológica e de uma prática de culto que não está contida nas Escrituras e nem em nossos Símbolos de Fé. Por falar
nisso, lembremos que nós reformados adotamos o Princípio Regulador do Culto (assunto que abordarei no tópico
seguinte).

Resumindo o que foi dito até aqui, embora muitos defensores do culto infantil busquem o que julgam ser o
melhor para as nossas crianças; embora haja muita gente crente, honesta e bem intencionada que busca a
glória de Deus por meio do ensina da Palavra no culto infantil; embora muitos pais sejam movidos por um
desejo sincero e verdadeiro de conceder o melhor para seus filhos; o culto infantil, na verdade, retira destes
pais o privilégio e a responsabilidade do ensino e da disciplina sobre seus filhos para que aprendam a se
comportar, amar e participar do Culto Solene conforme a vontade de Deus.

Há também aqueles pais que são incapazes de controlar seus filhos no momento da adoração, tendo no culto
infantil a melhor alternativa para suprir esta dificuldade na busca de tranquilidade no momento do sermão.
Se as Escrituras contivessem algum texto que tratasse do Culto Solene e da necessidade do culto infantil,
seria tranquilo, o problema é que não há nada na Bíblia sobre os pais permanecerem tranquilos no momento
do sermão enquanto outras pessoas se encarregam de ensinar, moldar ou até mesmo suportar crianças
mimadas e indisciplinadas. Como já foi dito, nem todas as crianças são assim.

Notemos que todos os argumentos utilizados em favor do culto infantil estão alicerçados na ciência, no
pragmatismo, na necessidade imediata e na experiência pessoal. Nunca nas Escrituras.

O que as Escrituras nos dizem?

Este é o ponto mais importante sobre o argumento contrário ao culto infantil, pois as Escrituras são
autoridade sobre nós. Para tanto é necessário esclarecer sobre duas posturas das Sagradas Escrituras ligadas
ao culto: o Princípio Normativo do Culto e o Princípio Regulador do Culto.

O Princípio Normativo do Culto adotado por Lutero e seguido pela esmagadora maioria das igrejas
evangélicas pode ser resumido da seguinte forma: com relação ao Culto Solene, o que está ausente nas
Escrituras, pode ser usado neste culto. Por causa desta visão é que a Igreja Luterana utiliza velas, incenso etc.
É também por este motivo que a maioria das igrejas evangélicas substitui o Culto Solene ou utiliza nele
pantomimas, teatro, palmas para Jesus, exorcismo, fantoches, cantatas, dança litúrgica, louvorzão, culto
infantil etc.

O segundo modelo se chama Princípio Regulador do Culto adotado pelos reformados. Este princípio diz que,
com relação ao Culto Solene, o que está ausente nas Escrituras, está absolutamente proibido. Isto já seria
um forte argumento para não utilizarmos o culto infantil. Mas, para reforçar, vejamos o que alguns textos

4
das Escrituras que tratam sobre a participação das crianças no Culto Solene. Observe os destaques.

Então, Moisés e Arão foram conduzidos à presença de Faraó; e este lhes disse: Ide, servi ao Senhor
Êxodo vosso Deus; porém quais são os que hão de ir? Respondeu-lhe Moisés: Havemos de ir com os nossos
10.8-9 jovens, e com os nossos velhos, e com os filhos, e com as filhas, e com os nossos rebanhos, e com os
nossos gados; havemos de ir, porque temos de celebrar festa ao Senhor.

Quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, e dos heteus, e dos amorreus, e dos
heveus, e dos jebuseus, a qual jurou a teus pais te dar, terra que mana leite e mel, guardarás este rito
Êxodo neste mês. Sete dias comerás pães asmos; e, ao sétimo dia, haverá solenidade ao Senhor. Sete dias se
13.5-8 comerão pães asmos, e o levedado não se encontrará contigo, nem ainda fermento será encontrado
em todo o teu território. Naquele mesmo dia, contarás a teu filho, dizendo: É isto pelo que o Senhor
me fez, quando saí do Egito.

Vós estais, hoje, todos perante o SENHOR, vosso Deus: os cabeças de vossas tribos, vossos anciãos e
os vossos oficiais, todos os homens de Israel, os vossos meninos, as vossas mulheres e o estrangeiro
que está no meio do vosso arraial, desde o vosso rachador de lenha até ao vosso tirador de água,
Deuteronômio para que entres na aliança do SENHOR, teu Deus, e no juramento que, hoje, o SENHOR, teu Deus, faz
29.10-15 contigo; para que, hoje, te estabeleça por seu povo, e ele te seja por Deus, como te tem prometido,
como jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. Não é somente convosco que faço esta aliança e este
juramento, porém com aquele que, hoje, aqui, está conosco perante o SENHOR, nosso Deus, e
também com aquele que não está aqui, hoje, conosco.

Esta lei, escreveu-a Moisés e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca da Aliança do
SENHOR, e a todos os anciãos de Israel. Ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos,
precisamente no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer
perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel. Ajuntai
Deuteronômio
o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para
31.9-13
que ouçam, e aprendam, e temam o SENHOR, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras
desta lei; para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer o SENHOR, vosso Deus,
todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para a possuir.

Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moisés ordenara, que Josué não lesse para toda a
Josué congregação de Israel, e para as mulheres, e os meninos, e os estrangeiros, que andavam no meio
8.35 deles.

Então, Josafá teve medo e se pôs a buscar ao SENHOR; e apregoou jejum em todo o Judá. Judá se
congregou para pedir socorro ao SENHOR; também de todas as cidades de Judá veio gente para
2 Crônicas buscar ao SENHOR. Pôs-se Josafá em pé, na congregação de Judá e de Jerusalém, na Casa do SENHOR,
20.3-5,13,14 diante do pátio novo (...). Todo o Judá estava em pé diante do SENHOR, como também as suas
crianças, as suas mulheres e os seus filhos. Então, veio o Espírito do SENHOR no meio da congregação,
sobre Jaaziel, filho de Zacarias, filho de Benaia, filho de Jeiel, filho de Matanias, levita, dos filhos de
Asafe...

Enquanto Esdras orava e fazia confissão, chorando prostrado diante da Casa de Deus, ajuntou-se a
Esdras 10.1 ele de Israel mui grande congregação de homens, de mulheres e de crianças; pois o povo chorava com
grande choro.

No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande
Neemias 12.43 alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se
ouviu até de longe.

5
Tocai a trombeta em Sião, promulgai um santo jejum, proclamai uma assembleia solene. Congregai
Joel
o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, reuni os filhinhos, e os que mamam, saia o noivo
2.15-16
da sua recâmara, e a noiva, do seu aposento.

Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o
Efésios 6.1-3
primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.

Todos estes textos possuem as seguintes características:

– Se referem ao Culto Solene;


– Falam de crianças pequeninas, inclusive das que mamam;
– Ordenam a presença da criancinha, mesmo que ela não compreenda o que ocorre no culto;

Está claro que o Senhor Deus desejava a presença de toda a família no Culto Solene. O Senhor Jesus, quando
esteve nessa terra, abençoou muitas crianças trazidas por seus pais nos momentos em que os ensinava. Não
há nos textos acima a ordem para que as crianças saiam do ambiente onde os pais estão para cultuar em
lugar distinto. Como já foi dito, quando se defende a prática do Culto Infantil, esta defesa encontra respaldo
apenas na ciência e, em alguns casos, no conforto dos pais. Nada nas Escrituras! Mas quanto à participação
delas no Culto Solene, os textos acima são claros. Não podemos esquecer de que nossos filhos são membros
da comunidade do pacto e por este motivo devem participar do culto junto aos pais. Veja o que Randy Booth
diz a respeito:

Nós precisamos entender de forma clara que todas as promessas de Deus com relação ao
pacto pertencem a “ti e teus filhos”. Os filhos da aliança são membros da comunidade da
aliança e tem direito a seus benefícios. Assim como a circuncisão era um benefício dos judeus
– “Muita, sob todos os aspectos” (Rm3:2) – assim também, aqueles que receberam o sinal
do pacto e selo do batismo têm todos os privilégios do pacto. Paulo especialmente aponta
para o fato de que o principal privilégio deles é que a eles foram dados “os oráculos de Deus”.
Ou seja, a Palavra de Deus é dada a todos os membros da comunidade do pacto, incluindo as
crianças pequenas.4

Acrescento o que diz Harold Best ao chamar a prática do chamado Culto Infantil de corporativismo no Culto
Solene. Prática injustificável biblicamente.

Dividir congregações por grupos etários, estilos ou preferencias é quase como ser, ou
realmente ser corporativista. O corpo de Cristo é inteiro em faixa etária e estilo tanto quanto
o é em espiritualidade. É irônico – pior, é biblicamente injustificável – ver igrejas locais
partidas em grupos, cada um deles em seu nicho de adoração, pois é isso que realmente
parece ser. É desolador pensar que a liderança da igreja sucumbiu em favor de coisa
secundárias como ajuntamentos corporativos que se sentem constrangidos a ir nessa
direção.5

Retira-las do convívio com os pais, fazer com que não ouçam os ministros da Palavra, exclui-las do ambiente
solene, levando-a para um ambiente onde, em certa medida, os professores e professoras infantilizarão a
mensagem, parece ser algo estranho. Claro que o pregador precisa ser sensível e saber que há crianças no
culto. Por isso ele deve aplicar a mensagem também a elas, além de manter um vocabulário simples e
acessível. Também é necessário colocar nas mãos das crianças meios para que fiquem atentos a tudo o que
acontece no culto. Estes meios podem ser um encarte no boletim destinado a elas.

4
BOOTH, Randy. A participação das crianças no Culto Solene. 1 Ed. Recife: CLIRE, 2013. p 8
5
BEST, Harold. Unceasing worship: biblical perspectives on worship and the arts. Downers Grove: InterVarsity. p. 74. APUD HYDE,
Daniel. O berçário do Espírito Santo: acolhendo as crianças no culto. 1 Ed. Recife: Os Puritanos, 2017. p 26.
6
E quando a criança não entendeu nada, o que deve ser feito? Bem, não podemos nos esquecer das palavras
do Senhor Jesus em Mateus 21.16, ao citar o Salmo 8.2, quando diz: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos
e crianças de peito tiraste perfeito louvor?6 Além disso, veja a resposta no texto abaixo quando o Senhor Deus
instrui a Igreja no Velho Testamento com relação à celebração da Páscoa, observe os destaques:

Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito: Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês
do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro,
segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então,
convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por
aí calculareis quantos bastem para o cordeiro. O cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um
cordeiro ou um cabrito; e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação
de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da
porta, nas casas em que o comerem; naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas
amargas a comerão.
(...) Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel e lhes disse: Escolhei, e tomai cordeiros segundo as vossas
famílias, e imolai a Páscoa. Guardai, pois, isto por estatuto para vós outros e para vossos filhos, para sempre. E, uma
vez dentro na terra que o SENHOR vos dará, como tem dito, observai este rito. Quando vossos filhos vos perguntarem:
Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao SENHOR, que passou por cima das casas dos filhos de Israel
no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou. E foram os filhos de
Israel e fizeram isso; como o SENHOR ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram. 7

Este texto nos mostra quatro pontos importantes:

– O Senhor instrui quanto ao princípio daquilo que deve acontecer no culto;


– A família toda deve participar do culto, isto inclui as crianças;
– Há crianças que não entendem o que está ocorrendo no culto, mas devem permanecer com os pais;
– Os pais são responsáveis para explicar o significado daquilo que a criança não entendeu no culto.

Daniel Hyde, comentando sobre a celebração da Páscoa no Antigo Testamento afirma:

É fato que a refeição da Páscoa pode ser considerada aquilo que nós chamamos de adoração
familiar, com cada família ou grupo de famílias reunidas em uma casa para prestar adoração.
Contudo, uma vez que, naquela noite, todo Israel celebrou a Páscoa, esta assumiu a forma
de uma cerimônia de adoração corporativa. E o senhor queria assegurar que os filhos tinham
um papel vital em sua liturgia (ordem de culto). O costume dos judeus é que as crianças mais
novas na casa façam as perguntas na refeição da Páscoa, as quais recebem de pronto uma
explicação do pai.8

Os filhos devem aprender a cultuar com os pais.

Não podemos negar que a ajuda prestada pelo Departamento Infantil é preciosa e muito bem-vinda. A Escola
Bíblica Dominical é um exemplo claro quanto a esta ajuda. Também é correta a realização separada de
palestras destinadas às crianças paralelas às conferências temáticas realizadas na igreja. A igreja precisa
investir alto no ensino infantil. Mas quando se trata de Culto Solene, o contexto é outro. Culto Solene é o
momento mais importante da Igreja destinado às famílias do pacto que se reúnem para adorar a Deus e ouvir

6
O termo força no Salmo 8.1 é explicada por Daniel Hyde da seguinte forma: “...força tributada a Deus no louvor. A tradução grega
do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta (LXX), traduz isto como “Da boca dos bebês e crianças de peito suscitaste
perfeito louvor”. Em Mateus 21.16, Jesus segue esta tradução.”
7
Êxodo 12 1-28
8
HYDE, Daniel. O berçário do Espírito Santo: acolhendo as crianças no culto. 1 Ed. Recife: Os Puritanos, 2017. p 26.
7
a sua voz. Portanto, as crianças devem permanecer e a responsabilidade do ensino à criança quanto ao Culto
Solene é unicamente dos pais ou dos responsáveis pela criação desta criança.

Sabemos que não é fácil, pois vivemos numa sociedade onde as crianças são agitadas ao extremo. E mantê-
las comportadas durante uma hora e meia de culto pode ser um desafio muito cansativo e desestimulante.
Mas os pais não podem desistir nunca deste privilégio. Trago aqui algumas dicas para o Domingo, o dia do
Senhor, que podem ajudar:

1. Após o almoço, coloque seu filho para dormir um pouco, isso ajudará para que não fique estressado;

2. Mantenha um ambiente tranquilo em casa, não deixe que seu filho tenha ou participe de qualquer
atividade que venha a agita-lo. Isto fará com que ele fique inquieto e irritadiço durante o culto;

3. Converse muito com os filhos no retorno para casa após o culto. Faça perguntas sobre o sermão, fale sobre
as músicas e a mensagem fazendo as devidas aplicações;

4. Nunca leve brinquedo, jogo, tablet, smartphone, quebra-cabeça, história em quadrinhos, livros para colorir
ou qualquer outra atividade que distraia e desconecte seu filho daquilo que acontece no culto. Cuidado com
o que você está semeando no coração dele;

5. Antes do culto dê água ao seu filho e leve-o ao banheiro. Pregunte se ele está satisfeito e pronto para
prestar culto ao Senhor Deus;

6. Deixe claro a seu filho que a disciplina corretiva poderá acontecer durante o culto sem empecilho algum.
Mostre que se ele pecar, este pecado será tratado normalmente. Neste sentido, se ele apresentar um
comportamento inadequado, com discrição chame a sua atenção. Caso isto não resolva, retire-o do culto
com cuidado, discipline-o e traga-o de volta.

7. Ainda neste contexto, procure sentar nas últimas fileiras próximas à porta para que, se necessário, você
possa sair com facilidade. Neste sentido, lembre-se, não fique o resto do tempo do culto na área externa
deixando seu filho solto e correndo de um lado para o outro enquanto você fica observando e conversando
com alguém. Lembre-se de quem estamos cultuando, lembre-se do que você está ensinando ao seu filho. É
como diz Randy Booth:

Quando os pais ensinam a seus filhos de forma consistente que o que eles dizem é sério e os
punirão de forma consistente se eles não obedecerem, suas crianças estarão mais inclinadas
a atender à correção sussurrada durante o culto. Se seu filho quebrar as regras durante o
culto, e uma correção menor não o fizer se conformar, então os pais deverão retirar-se com
a criança, discipliná-la e trazê-la de volta. Levá-la simplesmente para fora do culto ou levá-la
à sala de berço sem disciplina não funcionará. Eles simplesmente aprenderão que seu mau
comportamento os habilita a manipular seus pais.9

8. Faça com que os filhos participem do culto. Faça com que ele veja você cantando com entusiasmo. Também
dê a ele o encarte infantil do boletim e uma Bíblia. Mesmo que ainda não seja alfabetizado, não se preocupe,
deixe-o se sentir participante de tudo que está acontecendo.

9. Quando seu filho pequenino estiver chorando sem parar, não se preocupe, isto é normal para a idade dele.
Nestes casos, saia do salão de culto com discrição e dirija-se ao berçário para tentar acalma-lo, quem sabe,
amamentando-o. Caso haja mais alguém no berçário tentando acalmar o filho, não puxe conversa, não fique

9
Idem, p. 14
8
batendo papo, mas procure acalmar seu filho para que possa retornar o mais breve possível. Quando ele se
acalmar, volte novamente para o seu lugar. Neste assunto, Daniel Hyde traz algumas orientações, ele diz:

Primeiro, tanto quanto possível, tente manter suas crianças em idade de berçário no culto,
pois isso as ensinará a estar no culto desde muito cedo. Segundo, use qualquer serviço de
berçário disponível somente quando você realmente tiver de usar. Não faça do berçário um
ponto de apoio para quando o culto se prolongar em determinado dia do Senhor ou quanto
o seu filho ficar inquieto com objetivo de informar que você deve ficar no culto somente
quando este lhe parecer interessante ou até o momento em que ele queira ir brincar.
Terceiro, haverá momentos em que seu filho ficará inquieto ou barulhento, apesar dos seus
melhores esforços. Se o seu filho não vai ficar quieto, retire-o objetivo de aplicar uma rápida
disciplina e visando preservar as pessoas que estão em adoração.10

E Hyde segue dizendo:

E se você precisar utilizar qualquer serviço do berçário, sinta-se livre para fazê-lo sem
constrangimento. Lembre-se, se a sua igreja tem um berçário, fraldário ou sala de choro, é
para ajudá-lo temporariamente à medida que você treinar seus pequeninos.11

10. Mesmo que para você o ritmo da aprendizagem de seu filho pareça lento, não desanime, o importante é
que eles estão aprendendo e que todo o seu esforço resultará numa criança que entenderá o significado do
culto, demonstrando amor a Cristo.

Uma palavra pastoral

Gostaria de encerrar este item transcrevendo aqui uma carta pastoral utilizada em nossa igreja para
esclarecer os membros sobre o assunto:

Queridos irmãos.

Nossa doutrina tem como um dos focos centrais a Aliança que Deus estabeleceu com
famílias. Podemos mencionar, por exemplo, Gênesis.17.9-10: Disse mais Deus a Abraão:
Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a
minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós
será circuncidado.

Este é um dos textos bíblicos fundamentais para a nossa prática do Batismo Infantil: entender
que todo filho de crente não é deixado à parte da aliança firmada entre seus pais e Deus. Por
meio do batismo, todo filho de crente é também solenemente admitido na igreja visível,
recebendo esse sinal como selo do pacto da graça. Os pais crentes devem estar atentos em
obedecer a este preceito, conforme a Confissão de Fé de Westminster, capítulos 28 e 29.

Além de apresentar seus filhos ao batismo, cabe aos pais a grata responsabilidade de lhes
ensinar as Sagradas letras conforme Deuteronômio 6.6,7: Estas palavras que, hoje, te ordeno
estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa,
e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

Em 2 Timóteo 3.15 o apóstolo Paulo reconhece a eduação que Timóteo havia recebido desde
a infância por meio de sua mãe Loide e sua mãe Eunice. Essa é uma prática recorrente do
povo da aliança, conforme encontramos no Salmo 78.3-4: O que ouvimos e aprendemos, o

10
HYDE, Daniel. O berçário do Espírito Santo: acolhendo as crianças no culto. 1 Ed. Recife: Os Puritanos, 2017. p 72.
11
Idem, p. 72-73.
9
que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura
geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez.

A advertência para que os pais recorram à disciplina física como recurso para ensinar seus
filhos a andar nos caminhos do Senhor, reforça a responsabilidade destes em educá-los a
andar no caminho da justiça e retidão encontrados em Deus (Provérbios. 13.24; 22.15; 23.13;
29.15).

Nosso Manual do Culto, na primeira forma para o batismo de crianças, instrui as seguintes
perguntas que devem ser solenemente respondidas por aqueles que apresentam seus filhos
para o batismo:

• Prometeis que se o Senhor Deus for servido conserver a vida deste vosso filho até a idade
da razão, haveis de instruí-lo na crença seguida pelo povo de Deus, como vem ensinada na
Sagrada Escritura?

• Prometeis ensinar-lhe a ler para que venha a ler por si mesmo a Santa Escritura; orar com
ele e por ele; servi-lhes vós mesmos de bom exemplo de piedade e religião, e esforçar-vos por
todos os meios designados por Deus , para criá-lo na disciplina e correção do Senhor?

• Prometeis ler com ele a Bíblia e trazê-lo à igreja com assiduidade, ensiná-lo desde a mais
tenra idade a respeitar o culto divino e participar dele? (destaques deste Conselho).

Tais perguntas reforçam dois aspectos. Primeiro, a instrução bíblica da responsabilidade dos
pais em ensinar a seus filhos acerca da Palavra de Deus e; segundo, a instrução bíblica de
fazer com que seus filhos vejam-se parte do povo da aliança, adorando a Deus
comunitariamente: trazendo-os com assiduidade ao culto divino e ensinando-o a respeitá-lo
desde a mais tenra idade (isto, claro, requererá fidelidade a Deus e muita paciência dos pais).
Essa é uma expressão importante da compreensão e a aplicação dos preceitos bíblicos por
parte da Igreja Presbiteriana do Brasil referente à responsabilidade dos pais na instrução de
seus filhos.

Assim sendo, este Conselho reafirma sua decisão pela não continuidade e manutenção do
chamado “Culto Infantil”:

1. Conquanto tenha decidido pelo encerramento do “Culto Infantil” a partir do ano de 2018,
os líderes e professors decidiram – por livre e espontânea vontadade – não dar continuidade
essa atividade, algo entendido como sinalização divina afirmativa sobre a deliberação deste
Conselho;

2. As várias prescrições bíblicas aos pais que instruam os filhos a andarem nos caminhos do
Senhor permitem o uso de uma variedade de instrumentos como, por exemplo, o culto
doméstico – poderosa atividade para esse fim, que pode ser usado inclusive diariamente.

3. A inexistência do chamado “Culto Infantil” não traz prejuízo espiritual à criança, uma vez
que a instução do coração da criança é, por natureza, responsabilidade dos pais e não da
Igreja enquanto instituição. Esta já apresenta apoio ao crescimento espiritual e bíblico da
criança e dos adultos por meio da Escola Bíblica Dominical (EBD).

4. A presença de crianças no Culto Solene é uma excelente oportunidade para que os pais as
instruam e consolidem princípios como: pertencimento ao povo da aliança, atenção às
instruções da Palavra ao povo de Deus, respeito à solenidade do ajuntamento, dentre outros.

5. Há, por parte deste Conselho, um grande interesse por ajudar e apoiar a todo pai e mãe
na missão de trazer seu filho regularmente ao Culto Solene. Além de cada um dos membros
10
deste Conselho estar à disposição de todos os pais da igreja, tem sido oferecido apoio por
meio de uma classe de EBD para os pais e um boletim infantil direcionado especificamente
às crianças, com a finalidade de ajudar os pequeninos a participarem de maneira mais efetiva
ainda no Culto Sonele.

Rogando as bênçãos do Senhor sobre as famílias de nossa igreja, subescrevemo-nos no amor


do Senhor.

Pelo Conselho.12

A importância do culto doméstico

A forma mais eficaz para ensinar nossos filhos a amar e a se comportar no Culto Solene é a prática do culto
doméstico. Nele os pais podem ensinar, por meio da correção ou da prevenção, não só o comportamento
adequado que se requer deles no momento de Culto Solene no dia do Senhor, o Domingo, mas também o
comportamento de um crente fiel que glorifica ao Senhor Deus por meio da busca da piedade cristã
requerida no Evangelho.

Não podemos confundir o culto doméstico com o ensino informal das Escrituras em casa destinado
exclusivamente às crianças. Neste ensino informal, geralmente, os pais podem utilizar livros ilustrados,
figuras, quadros, filmes, histórias etc13. E este formato de ensino pode acontecer, por exemplo, no aconchego

12
Esta carta pastoral, de autoria do Rev. Heleno Guedes Montenegro Filho, foi publicada no boletim dominical da Primeira Igreja
Presbiteriana de Roraima no dia 15 de Maio de 2017.
13
Aqui cabe a lembrança de que o uso deste material deve ser feito com sabedoria, evitando aqueles que ferem o segundo
mandamento, ou seja, que trazem imagens que representem qualquer uma das pessoas da trindade. O nosso Catecismo Maior, em
sua pergunta 109, traz: Quais são os pecados proibidos no segundo mandamento? Os pecados proibidos no segundo mandamento
são (...) o fazer qualquer imagem de Deus, de todas e qualquer das três pessoas, quer interiormente no espírito, quer exteriormente
em qualquer forma de imagem ou semelhança de criatura alguma. O Catecismo de Heidelberg, em sua pergunta 96, traz: Que exige
Deus no segundo mandamento? Que não façamos a imagem de Deus em hipótese alguma (...). Na pergunta 97, traz: Então, não
podemos fazer nenhum tipo de imagem? Deus não pode nem deve ser visivelmente representado de nenhuma maneira. As criaturas
podem ser representadas, mas Deus nos proíbe fazer ou ter imagens delas (...). E, em sua pergunta 98, traz: Quer dizer que não se
pode tolerar as imagens nas igrejas como “livros para os leigos”? Não. Pois não devemos querer ser mais sábios do que o próprio
Deus. Ele quer que o Seu povo seja ensinado não por meio de ídolos mudos, mas pela pregação viva da Sua Palavra. A Segunda
Confissão Elvética, em seu capítulo IV, . Dos ídolos ou imagens de Deus, de Cristo e dos santos, argumenta em seis tópicos a
proibição de imagens da Santíssima Trindade: 1. Visto que Deus como Espírito é, em essência, invisível e imenso, não pode,
certamente, ser expresso por qualquer arte ou imagem. Por essa razão, não tememos afirmar com a Escritura que imagens de Deus
não passam de mentiras. 2. Assim, rejeitamos não somente os ídolos dos gentios, mas também as imagens dos cristãos. Embora
Cristo tenha assumo a natureza humana, não a assumiu para fornecer modelo a escultores e pintores. Afirmou que não veio
“revogar a lei ou os profetas” (Mt 5.17). E as imagens são proibidas pela lei e pelos profetas (Dt 4.15; Is 44.9). Afirmou que a sua
presença corporal não seria de proveito para a Igreja, e prometeu que estaria junto de nós, para sempre, pelo seu Espírito (Jo
16.7). 3. Quem, pois, haveria de crer que uma sombra ou semelhança de seu corpo traria qualquer benefício para as almas
piedosas? (II Co 5.5). Se ele vive em nós pelo seu Espírito, somos já os templos de Deus (I Co 3.16). Mas, “que ligação há entre o
santuário de Deus e os ídolos?” (II Co 6.16). E desde que os espíritos bem-aventurados e os santos do céu, quando viviam aqui na
terra, rejeitaram qualquer culto de si mesmos (At 3.12 ss; 14.11 ss; Ap 14.7; 22.9) e condenaram as imagens, poderá alguém achar
plausível que os santos e anjos celestiais se agradem com suas imagens, diante das quais os homens se ajoelham, descobrem as
cabeças e dispensam outras honras? 4. Para instruir os homens na religião e relembrá-los das coisas divinas e da sua salvação, o
Senhor ordenou que se pregasse o Evangelho (Mc 16.15) - e não que se pintassem quadros para ensinar os leigos. Instituiu também
os sacramentos, mas em nenhum lugar estabeleceu imagens. 5. Além disso, para onde quer que volvamos os olhos, vemos as
criaturas de Deus, vivas e verdadeiras ao nosso olhar, as quais, se bem examinadas como convém, causam ao observador uma
impressão muito mais viva do que todas as imagens ou pinturas vãs, imóveis, frágeis e mortas, feitas pelos homens, das quais com
razão disse o profeta: “Têm olhos, e não vêem” (Sl 115.5). 6. Por isso aprovamos a opinião de Lactânio, escritor antigo, que diz:
“Indubitavelmente nenhuma religião existe onde há uma imagem”. Afirmamos, também, que o bem-aventurado bispo Epifânio
procedeu bem quando, ao encontrar nas portas de uma igreja um véu no qual estava pintada uma figura que se dizia ser de Cristo
ou de algum santo, rasgou-o e o arrancou dali, por ver, contra a autoridade da Escritura, a figura de um homem afixada na Igreja
de Cristo. Por isso, ele ordenou que dali por diante tais véus, que eram contrários à nossa religião, não fossem afixados na Igreja
de Cristo, mas antes fossem removidas essas coisas duvidosas, indignas da Igreja de Cristo e dos fiéis. Além disso, aprovamos esta
afirmação de Santo Agostinho sobre a verdadeira religião: “Não seja a nossa religião um culto de obras humanas: os próprios
11
da cama um pouco antes de dormir.

O culto doméstico, apesar da simplicidade extrema, deve possuir um caráter minimamente formal, ou seja,
um lugar em casa onde toda a família se reúne com amor e santo temor. Pode ser ao redor da mesa de jantar,
no sofá da sala, na varanda etc. Além disso, ao contrário do ensino informal, no culto doméstico não se deve
utilizar o recurso audiovisual (imagens ou figuras), mas apenas a instrução verbal, uma vez que esta prática
doméstica deve remeter à prática da Igreja como um todo no Culto Solene no dia do Senhor, o Domingo.

O culto doméstico deve sempre ser dirigido em todas as suas partes pelo pai que trará os seguintes
elementos:

1. Cânticos: utilize sempre as músicas, hinos e salmos cantados no Culto Solene, deixe as musiquinhas infantis
para o momento do ensino informal, lembre-se de que este culto em casa é para toda a família, e não apenas
para as crianças menores;

2. Leitura e instrução das Escrituras: a instrução simples, breve e objetiva é feita pelo pai que deve aplicar a
mensagem por meio de perguntas e respostas para com os filhos;

3. Oração: a família deve orar por vários assuntos que dizem respeito ao Reino de Deus;

4. Símbolos de Fé: a última parte do culto acontece com a leitura e fixação na memória do Breve Catecismo.

O culto doméstico deve ser breve, formal e objetivo e, como já dito, sempre dirigido pelo pai, salvo pela mãe
se aquele não se encontra no lar. Com o passar dos anos, o pai pode solicitar aos filhos homens para partilhar
algum texto das Escrituras, treinando-o para dar continuidade à prática do culto doméstico quando
futuramente se casar e constituir família.

Caso os filhos menores não se comportem devidamente, utilize a disciplina corretiva começando com uma
advertência, seguida da disciplina física caso haja reincidência. Ensine-o sobre a importância do respeito e
temor necessários para este momento. Ensine-o também a amar a Cristo, mostrando que nós o cultuamos
como manifestação de nossa obediência e alegria em Deus que nos trouxe redenção.

Pontos para reflexão.

• De quem é a responsabilidade de ensinar os filhos a se comportarem adequadamente no culto?


• Por que o culto doméstico, e não o culto infantil, é o mecanismo eficaz para que os filhos aprendam
o Evangelho e a vivenciar o Culto Solene?

Conclusão.

Ter filhos é um privilégio que o Senhor Deus concedeu às criaturas de suas mãos. Ter filhos debaixo do pacto
divino é um privilégio maior ainda ao sabermos que temos nossos filhos como um tesouro herdado do
Senhor, seres que devem, pelos pais, ser encaminhados no Evangelho e treinados para amarem e servirem a
Cristo.

Mas é claro que o desafio é grande diante da triste realidade de que nossos filhos são pecadores desde a sua

artistas que as fazem são melhores do que elas; no entanto, não devemos adorá-los” (De Vera Religione, IV, 108).
12
concepção. Pecadores que desde o primeiro momento após o nascimento tentarão nos dominar a todo o
custo.

Por isso cabe a nós dominar nossos filhos com carinho, respeito, honra, mas também firmeza quando ainda
pequeninos para que aprendam sobre o respeito, a pureza e a submissão, comportamentos que advém de
uma vida piedosa diante do Senhor. Para que estes filhos vivam o quinto mandamento conforma as Escrituras
dizem:

Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que
é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a
terra.14

Lembremo-nos da graça do Senhor Deus sobre nós para que confiemos nos resultados de nossos esforços
como pais. Graça necessária para que nossos filhos se tornem piedosos e pessoas que amam a santa lei. Por
isso, pais, não desistam, mas continuem nesta jornada difícil, dura e, por vezes, cansativa. Que os filhos
ouçam de muitos o que Timóteo ouviu de Paulo ao dizer:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, de conformidade com a promessa da
vida que está em Cristo Jesus, ao amado filho Timóteo, graça, misericórdia e paz, da parte
de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. Dou graças a Deus, a quem, desde os meus
antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas
orações, noite e dia. Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu
transborde de alegria pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que,
primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que
também, em ti.15

Coragem, persistência e humildade são os ingredientes necessários para pais fiéis que desejam o melhor de
seus filhos. E que cada um de nós diga com temor no coração:

Prefiro ver meus filhos se tornarem catadores de papelão na rua, mas servos fervorosos de Deus, a vê-los
bem sucedidos numa invejável carreira profissional, mas distantes do Senhor.

Toda glória seja dada ao Senhor Deus, o nosso Pai celeste!

14
Efésios 6.1-3
15
1 Timóteo 1.1-5
13

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