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Atividade da disciplina de OTEC

O presente texto propôs-se a analisar os dez anos da LDB (1997 a 2007), nos limites adotados
para consolidar, aperfeiçoar ou modificá-la, mediante políticas públicas propostas para o setor
educacional, no decorrer desse período.

Na primeira parte do estudo, desenvolver uma reflexão sobre a concepção de educação básica
definida na Lei Maior, incluindo aspectos relativos às três etapas que a compõem: educação infantil,
ensino fundamental e ensino médio. (*)

Na segunda parte, analisaram-se alguns dados e elementos novos relacionados ao tema, focando,
em especial, os atuais debates em relação a mudanças introduzidas após a promulgação da LDB, como a
ampliação do ensino fundamental para nove anos de duração e a formação técnico-profissional no ensino
médio integrado.

Tentamos refletir as mudanças sociais e explicar suas expectativas e necessidades ao refletir suas
experiências na escola e na educação informal, mas essas mudanças nem sempre têm impacto nas
políticas públicas.

Interrogando o discurso das políticas formuladas para a área, a partir dos interesses que
representam e dos princípios teórico-práticos que seguem, confirmou-se a polêmica hipótese entre as
diferentes versões dos projetos sociais e educacionais, progressistas e conservadoras.

Na formulação da LDB, a influência exercida por grupos e instituições internos (em âmbito
nacional ou local) e as influências externas devem ser diferenciadas das organizações internacionais no
setor de educação. Essas múltiplas vozes resultaram não apenas em conquistas para os diferentes setores
sociais representados no processo de sua construção, mas geraram também contradições, ambiguidades e
omissões no texto da Lei. É importante, agora, acompanhar a execução dessas políticas e investigar o seu
impacto na sociedade como um todo e nos grupos específicos para os quais se dirige, visando à integração
e à justiça social. Principalmente, até que ponto essas políticas ajudam a melhorar os padrões de acesso, a
persistência e a qualidade da educação para a maioria dos brasileiros.

(*)Os meios para progredir no mundo do trabalho, em sua fase inicial, devem ser desenvolvidos
de maneira precípua pelo ensino médio, uma vez que a LDB inclui, entre as finalidades específicas desse
nível de escolarização, a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando (art.35). Para que
esse intento seja concretizado, a Lei Maior define diretrizes a serem observadas no currículo escolar do
ensino médio, de modo a que seja destacada

(...) a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o

processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de

comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania (art. 36).

O PNE propõe, ainda, medidas para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais
para a educação infantil, na perspectiva da melhoria da qualidade[2]. A recomendação expressa no
aludido Plano é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças das famílias de menor
renda, mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela, devendo ser também contemplada a necessidade do
atendimento em tempo integral para crianças menores, das famílias de renda mais baixa, quando os pais
trabalham fora de casa.

Aspecto inovador da LDB, em relação ao tema, é não estabelecer limite de idade para o direito ao ensino
fundamental obrigatório, que, até então, por força da legislação anterior, destinava-se exclusivamente às
crianças e jovens dos 7 aos 14 anos. Com isso, ampliou-se o direito à escolaridade obrigatória para todos
os brasileiros que a ela não tiveram acesso ou dela foram precocemente excluídos, independentemente
da faixa etária, o que implica a responsabilização do Poder Público. É o que expressa o dispositivo da Lei
abaixo transcrito:

Art. 4º O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I

– ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na

idade própria;[3] (...)

O direito de acesso ao ensino fundamental de uma parcela considerável da população, em sua maioria
constituída de trabalhadores de baixa qualificação profissional, desempregados e pessoas socialmente
marginalizadas, que formam a imensa massa de analfabetos e excluídos do sistema educacional,
representa uma conquista democrática e denota uma nova compreensão do papel da educação na
construção de uma sociedade igualitária e justa.