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PSICOMOTRICIDADE, RECREAÇÃO E JOGOS

HELOÍSA CARDOSO VARÃO SANTOS


UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA

NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO - UEMAnet


CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

HELOÍSA CARDOSO VARÃO SANTOS

PSICOMOTRICIDADE, RECREAÇÃO E JOGOS

São Luís

2020

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SUMÁRIO

UNIDADE 1 - CONCEPÇÕES TEÓRICAS: Psicomotricidade; Enfoque


Psicogenético da Educação Psicomotora e Princípios Neurocientíficos
1.1 Correntes principais ...............................................................................................06
1.1.1 Correntes da Psicomotricidade ...........................................................................07
1.2 Enfoque Psicogenético da educação Psicomotora ...............................................09
1.3 Estágios (Wallon) ....................................................................................................11
1.3.1 Tendências da Educação Psicomotora sob o enfoque Walloniano .....................13
RESUMO .................................................................................................................14
REFERÊNCIAS .....................................................................................................15
UNIDADE 2- DESENVOLVIMENTO GLOBAL: intelectual, motor e afetivo da
criança. Tipos de Psicomotricidade; Contribuições da Psicomotricidade para a educação
e aprendizagem das crianças

2.1 Elementos básicos da Psicomotricidade ...............................................................18

2.2 Educação Psicomotora ...........................................................................................21

RESUMO ..................................................................................................................23

REFERÊNCIAS ......................................................................................................23

UNIDADE 3 - PSICOMOTRICIDADE NA RECREAÇÃO: brincadeiras e jogos; A


História e a Importância dos Jogos na Aprendizagem das crianças da Educação Infantil
e do Ensino Fundamental, anos iniciais; O brincar como um direito de aprendizagem na
Base Nacional Comum

3.1 Brincadeiras.............................................................................................................24

3.1.1 A Recreação e o Desenvolvimento Psicomotor ....................................................25

3.2 Jogos e brincadeiras na Educação Infantil ..........................................................29

3.2.1 A Psicomotricidade, Recreação e Jogos no Currículo ...........................................30

3.2.2 Brinquedos e Brincadeiras Apropriados para cada idade......................................33

3.3 Atividades Recreativas e Psicomotoras ................................................................34

RESUMO .......................................................................................................................45

REFERÊNCIAS ...........................................................................................................45

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APRESENTAÇÃO

Caro (a) estudantes,

Este material didático visa pontuar aspectos importantes no estudo sobre


Psicomotricidade, Recreação e Jogos e reúne concepções de autores e instituições sobre
a definição de Psicomotricidade e das áreas de intervenção da psicomotricidade e,
respectivamente, a psicomotricidade presente nas atividades lúdicas e recreativas
desenvolvidas com as crianças de Educação Infantil e Ensino Fundamental no sentido
de promover o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças.
O pedagogo é convidado a promover interações e brincadeiras como ações
estruturantes dos currículos e compreender a importância do movimento e das
atividades estimuladoras, por isso vamos neste estudo compreender os enfoques e as
tendências, destacando as contribuições de Wallon, os diferentes campos envolvidos de
modo a compreendermos todo o processo educativo que acontece por meio do corpo e
do movimento, denominado Educação Psicomotora num permanente diálogo tônico-
corporal e do olhar .
Este e-Book está organizado em três Unidades a fim de contemplar o conteúdo
da disciplina convido você a fazer outras leituras no acervo disponibilizado no
ambiente virtual.

Bons estudos!

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UNIDADE I -CONCEPÇÕES TEÓRICAS: Psicomotricidade; Enfoque
Psicogenético da Educação Psicomotora e Princípios Neurocientíficos

Objetivo:
Identificar as concepções teóricas de Psicomotricidade, estabelecendo relações entre os
diferentes enfoques, funções e princípios.
Figura 1 – Crianças brincando

Fonte :https://br.pinterest.com/pin/578571883358469472/?nic_v2=1a7eZn3SM

Quem não viveu experiências psicomotoras na roça, no quintal da casa, no terreiro


da casa ou mesmo na beira do rio ,como vemos nesta imagem que nos remete a infância,
deixando aquela sensação de “liberdade” de “alegria” e de desafios criativos na
companhia dos vizinhos e dos parentes numa passagem pelo rio ou mesmo
acompanhando a pessoa que foi ao rio lavar roupa. Cada leitura dessa imagem tem
muita relação com as experiências vividas. Encontrei no poema “Brincando de esconder
“, de José Ferreira de Sousa uma bela explicação para a importância das brincadeiras de
criança para o seu desenvolvimento cores, sabores e também cheiros diferentes e só
quem viveu muitas experiências se alegra com os cenários que lhe traz lembranças bela
explicação para a importância das brincadeiras de criança para o seu desenvolvimento,
pois ao falar de psicomotricidade, recreação e jogos, as interações e as brincadeiras se
fazem presentes .

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Ao ler o poema você pode voltar no tempo e escrever sobre as lembranças de sua
infância.

BRINCANDO DE ESCONDER

Quem de nós não foi criança?


Tintas de brincadeiras ,
um botãozinho de roseiras
Qual tatuagem de infância
Qualificada lembrança
motiva a gente a crescer!
Sabe-se já quem vai vencer !
Nessa acirrada corrida...
Se corre a morte atrás da vida
E brincando de se esconder .
Sinto um enorme prazer
quando recordo aquela idade
Lamentamos,na verdade
Os que não puderam nascer .
Já pensou? Essa nova criatura
escutar sua mãe dizendo :
“Menino ,estás fazendo o que ?”
E ele para se explicar
Como se ...estivesse trabalhando ,responde :
Brincando de esconder !
Desde o ventre materno
Patena”do corpo gestado
Cada ser ,ali gerado tem seu direito de crescer.
Um ser que não pode ser
Nos faz sofrer profundamente .
Nem pode fazer como a gente
Em brincando de esconder
Nascendo ,cresce ,compõe a família se renova .
Sabemos que haverá prova para ajudar -nos a crescer mas,
uma coisa lhe asseguro :A família é o futuro ,brincando de se esconder
(José Ferreira de Sousa)

Figura 2 – Crianças brincando no quintal

Fonte :https://pirilampokids.com.br/brincadeira-para-o-feriado-pirilampo-kids/cute-
children-playing-at-park/

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1.1 Correntes principais

A psicomotricidade como ciência vem sendo estudada desde o início do século


XIX, na tentativa de preencher algumas lacunas e necessidades médicas, especialmente
na área da neurologia.

É uma ciência terapêutica adotada na Europa há mais de 60 anos, principalmente


na França, que instituiu o primeiro curso universitário de Psicomotricidade em 1963
(ISPE-GAE, 2007).Tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em
movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades
de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada
ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e
orgânicas. (S.B.P.1999).

Os estudos sobre a psicomotricidade têm como objetivo estudar o


desenvolvimento da criança, bem como o atraso motor e intelectual, oferecendo melhor
qualidade de vida para crianças com necessidades especiais, a fim de proporcionar-lhes
maior autonomia e domínio do próprio corpo.

No Brasil, temos conhecimento que o surgimento decorreu da influência


francesa desencadeada por Dupré, um neurologista francês nas primeiras décadas do
século XX ao estudar as debilidades motoras e seus efeitos no desenvolvimento integral
do ser humano.

Para compreendermos a amplitude da psicomotricidade veremos os aspectos


comuns que são na área da saúde e da educação sob a ótica de vários teóricos do
desenvolvimento humano e do bem-estar, atentos aos efeitos psicomotores das
atividades que ocorrem no âmbito da comunidade, da escola visando garantir a
harmonização corpo e mente.

Figura 3- O que é psicomotricidade?

Fonte: https://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-psicomotricidade/

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Ao analisar a palavra psicomotricidade vemos a integração dos termos “psico” e
“motricidade” que integrados expressam:

PSICO: Intelectual, MOTRICIDADE: Movimento,


cognitivo, emocional, ato, ação, gesto;
afetivo, mental;
neurológico.

PSICOMOTRICIDADE é a realização de um pensamento através


de um ato motor coeso, econômico e harmonioso, exigindo
para isso uma afetividade equilibrada.

Gonçalves (2010, p.85) vê a psicomotricidade como: “É uma ciência que se


estuda o indivíduo por meio do seu movimento; movimento esse que exprime, em sua
ação, aspectos motores, afetivos e cognitivos, e que é resultado da relação do sujeito
com seu meio social.”

Para Oliveira (2001), o movimento é um suporte que ajuda a criança adquirir o


conhecimento do mundo que a rodeia através de seu corpo, de suas percepções e
sensações, a psicomotricidade permite ao homem “sentir-se bem na sua pele”,
possibilitando-lhe a livre expressão de seu ser, através da interação com o meio e de
suas próprias realizações e a psicomotricidade desempenha aí um papel fundamental.

1.1.1 Correntes da Psicomotricidade

Segundo Le Boulch (1982),há duas tendências que se apresentam :a educação


psicomotora , a da Reeducação Psicomotora; Terapia Psicomotora e Educação
Psicomotora. Observe:

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Fonte::http://julianasilvapedagogiaatuante.blogspot.com/2016/04/campos-de-atuacao-
da-psicomotricidade.htmlGoogle 2017

O domínio psicomotor geral: padrão de movimento diz respeito aos movimentos


corporais e ao controle expressos por meio dos comportamentos de contatar, manipular,
mover um objeto ou mesmo, controlar o corpo ou objetos buscando manter o equilíbrio.

Quando nos reportamos ao domínio psicomotor específico, estamos falando de


habilidade de mover e/ou controlar o corpo ou partes do corpo no espaço de forma
sequenciada num certo espaço de tempo sob condições previsíveis e/ou imprevisíveis e
até mutáveis .

A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2003) considera como campo de


atuação da Psicomotricidade as intervenções junto aos bebês de alto risco, as crianças
em fase de desenvolvimento, as crianças com dificuldades/atrasos no desenvolvimento
global que apresentem necessidades ou mesmo alguma deficiência, quer seja de ordem
sensorial, motora ,mental ou psíquica ,distúrbios sensoriais de percepção, audição ,
movimento e relacionais em consequência de lesões neurológicas apresentadas de forma
visível ao frequentar Creches , Pré-Escolas, Ensino Fundamental .

Le Boulch afirma que, a psicomotricidade tem por finalidade assegurar o


desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades das crianças e ajudar sua
afetividade a expandir-se e equilibrar-se através do intercâmbio com o ambiente
humano.

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Negrine afirma que a finalidade é promover através de uma ação pedagógica o
desenvolvimento de todas as potencialidades da criança, objetivando o equilíbrio
biopsicossocial.

1.2 Enfoque Psicogenético da Educação Psicomotora

As considerações de Wallon ( 1934;1941) sobre a ciência psicomotora é fértil,


pois estudando o desenvolvimento infantil, deu ênfase na sua teoria aos aspectos
motores e emocionais, uma vez que a emoção e a razão caminham juntas na formação
da imagem corporal, chegando até aos distúrbios psicomotores como influenciadores
no processo de desenvolvimento integral do educando.

Figura 4 – Os estágios apresentados por Wallon

ESTÁGIOS PERÍODOS CARACTERÍSTICAS

IMPULSIVO Recém-nascido Predominantemente afetivo em


EMOCIONAL que interage com as pessoas
pelas emoções, portanto, a
relação com o meio ambiente
desenvolve sentimentos
intraceptivos e fatores afetivos.

https://www.google.com/url?
TÔNICO 6 a 12 meses Os movimentos são
EMOCIONAL desorientados, mas respondem
aos estímulos do ambiente e a
criança vai passando da
desordem gestual para as
emoções diferenadas.
vida saudável - blogger

SENSÓRIO- 12 a 24 meses Flui a inteligência prática obtida


MOTOR pela interação com os objetos e
com o próprio corpo e a
inteligência discursiva adquirida
pela imitação e pela linguagem.

Revista Crescer
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PROJETIVO 1 a 3 anos A expressão oral e gestual são
caracterizadas pelo pensamento
como representação das
imagens mentais por meio de
ações de imitação onde a
criança atribui significado ao
símbolo e ao signo.
Tempo junto

PERSONALISMO 3 a 4 anos A predominância afetiva sobre o


indivíduo e é crucial para o
desenvolvimento da personalidade
do indivíduo e da autoconsciência
e nesta fase a criança opõe-se ao
adulto numa fase de negativismo,
também é uma fase de imitação
motora e social.
Bebê Abril - Grupo Abril

FONTE 6 aos 11 anos Predominância da inteligência sobre


CATEGORIAL as emoções quando se formam as
categorias mentais e aos conceitos
abstratos, pois é um estágio de
raciocínio simbólico como
ferramenta cognitiva.

By São Marcos Online

Fonte: Wallon- Adaptada pela Autora (2020).

A psicogenética de Wallon envolve o sujeito, os outros (entre os quais a figura


do educador destaca-se como mediador) e os objetos (produções histórico-culturais),
que podemos esquematizar como se segue: não há reação motora ou intelectual que não
implique um objeto fabricado pelas técnicas industriais, pelos costumes, pelos hábitos
mentais do meio. A atividade da criança só pode efetuar-se a propósito e por intermédio

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de instrumentos que lhe forneçam tanto o aparato material quanto a linguagem em uso
ao seu redor.

Wallon estuda a complexidade humana numa visão multidimensional e


integrada, daí ter resultado dos seus estudos a concepção de desenvolvimento não
homogêneo e não linear e ao apresentar os estágios, em sua sucessão, aparentando
oposição, ou alternância funcional dos polos afetivos-emocionais e cognitivos, um
predominando em cada ação específica no campo funcional.

Na sua visão, a função da motricidade é a resposta prioritária às suas


necessidades básicas e aos seus estados e básicos e aos seus estados emocionais e
relacionais. Considera, portanto, a motricidade como a primeira estrutura de relação e
correlação com o meio, com os outros prioritariamente, e com os objetos
posteriormente. É também a primeira forma de expressão emocional do comportamento,
visto que as expressões motoras comunicam desde cedo como acriança se encontra e
demonstra as suas necessidades neurovegetativas que denotam o bem-estar ou mal-
estar. As necessidades neurovegetativas, que contêm em si uma dimensão afetiva e
interativa que se traduz em uma comunicação somática não-verbal. Essa dimensão
psíquica, é um deslocamento no espaço de uma totalidade motora, afetiva e cognitiva.

O processo educativo que acontece por meio do corpo e do movimento do


sujeito é denominado de Educação Psicomotora, onde são tomados como ação
psicomotora deste, dirige-se ao Outro, às relações socioafetivas, priorizando-as por
meio da instauração do diálogo tônico-corporal, do olhar, gestos e posturas, mímicas e
imitações entre outros instrumentos próprios da psicomotricidade. Motricidade de
Relação, cujo predomínio da ação (psicomotricidade) é de caráter afetivo, voltado à
construção do Eu.

Com base na teoria Walloniana, a educação psicomotora é um processo que


acompanha e promove o desenvolvimento da criança e dos jovens, por meio de
atividades que abrangem diversos campos funcionais, a saber: a motricidade, a cognição
e a afetividade, buscando integrar os recursos sociais, afetivos, linguísticos, culturais,
físicos, espaciais, materiais e pedagógicos que possam favorecer a interação com seu

meio, chegando a mobilizar elementos para seu desenvolvimento, tendo em


conta as necessidades e tendências e atendendo ao princípio da alternância funcional do
desenvolvimento, conforme a concepção de Wallon.

1.3 Estágios (Wallon)

Os estágios descritos por Wallon desde o impulsivo-motor, notamos a


predominância na relação com o meio é o afetivo-emocional, e o vínculo estabelecido é
com o outro. A integração sensorial se projeta na exploração do mundo que a cerca para
conhecimento de mundo e interação afetiva com os outros e aquisições de hábitos e
aprendizagens.

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Os estágios descritos por Wallon desde o impulsivo-motor, notamos a
predominância na relação com o meio é o afetivo-emocional, e o vínculo estabelecido é
com o outro. A integração sensorial se projeta na exploração do mundo que a cerca para
conhecimento de mundo e interação afetiva com os outros e aquisições de hábitos e
aprendizagens.
Por meio dos avanços na psicomotricidade podemos perceber os seus
fundamentos que se revelam no: equilíbrio, lateralidade, tônus, praxia global, praxia
fina, noção do corpo e estruturação espaço-temporal.

Motricidade de Relação, em que as interações possibilitam o conhecimento do outro,


portanto, há o predomínio da ação (psicomotricidade) caráter afetivo, voltado à
construção do Eu.

Quadro 1- Motricidade Relacional - Wallon

Fonte: Wallon - Adaptada pela Autora (2020).

Motricidade de Realização, onde a ação do sujeito é de natureza cognitiva,


voltado para a construção de conceitos sobre o mundo (psicomotricidade) do sujeito é
de caráter cognitivo, voltado à construção do Mundo.

Com base na teoria Walloniana, a educação psicomotora é um processo que


acompanha e promove o desenvolvimento da criança e dos jovens, por meio de
atividades que abrangem diversos campos funcionais, a saber: a motricidade, a cognição
e a afetividade, buscando integrar os recursos sociais, afetivos, linguísticos, culturais,
físicos, espaciais, materiais e pedagógicos que possam favorecer a interação com seu
meio, chegando a mobilizar elementos para seu desenvolvimento, tendo em conta as
necessidades e tendências e atendendo ao princípio da alternância funcional do
desenvolvimento, conforme a concepção de Wallon.

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Figura 5 – Motricidade de Realização-Wallon

Fonte: Wallon - Adaptada pela Autora (2020).

1.3.1 Tendências da Educação Psicomotora sob o enfoque Walloniano

A estimulação sensorial é parte fundamental da psicomotricidade, como Fonseca


(2004, p. 52) relata que “[...] a integração sensorial da espécie humana inicia-se no útero
maternal como pré-requisito do desenvolvimento e da aprendizagem e prolonga-se [...]”
com isso, entende-se que desde a fase fetal, o ser humano já é exposto a uma grande
quantidade de estímulos vindos do meio exterior, levando-o ao desenvolvimento de suas
capacidades. Os canais como a visão, audição, olfato, tato e paladar, tornam-se alguns
dos principais condutores de tudo aquilo que vem do exterior, integrando todas as
informações e as transmitindo ao cérebro e seus sistemas. Observe:

Audição - um meio de aprendizagem, pela percepção dos sons vai


incorporando os sons da língua materna ao seu repertório, além de
familiarizar-se com o ambiente e com as pessoas, proporcionando
maior segurança;

Olfato - revela odores, cheiros e memórias que estimulam a criança a


experimentar emoções ;Cheiros, as memórias;

Tato - permite explorar o ambiente, o universo exterior, adquirindo noção


de temperatura, dor ou mesmo pressão e assim entra em contato com
os outros e com objetos, desenvolvendo a segurança, e a consciência
do seu corpo e também a caracterização dos objetos;

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Paladar - permite a criança perceber os sabores devido às papilas
gustativas e estabelecer diferentes sabores doce salgado ou mesmo o
amargo;

Visão - possibilita coletar informações, e exercer a vigilância, atenção e


a comunicação, pois é com a visão que a criança fixa no objeto e segue
os deslocamentos e ao olhar as pessoas decifra a mensagem afetiva
que lhe deixa segura e feliz .

.
Sugestão de Leitura
Relação entre psicomotricidade e desenvolvimento infantil: um relato de
experiência, de Kalícia Ingrid de Lacerda Rabelo e Giselle Braga de Aquino. Publicado
na Revista Científica da Famina. Disponível em:
http://unifaminas.s3.amazonaws.com/upload/downloads/20150409151300_869356.

Recomendamos ampliar as leituras com as indicações bibliográficas apresentadas a


seguir:

RESUMO

Encerramos a Unidade 1, afirmando que os estudos psicológicos do desenvolvimento


humano demonstraram a importância do uso do corpo no desenvolvimento cognitivo da
criança e que a relação entre corpo e mente no século XX por meio da ciência
denominada Psicomotricidade com base nos trabalhos de Wallon e Piaget, ressaltando a
relação entre o afeto e a emoção no desenvolvimento psicomotor, daí o entendimento de
que a relação evolutiva da motricidade com a formação do pensamento cognitivos são

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interligados o que justificam as práticas fundamentadas nas concepções psicomotoras
existentes tendem a considerar que os determinantes biológicos e culturais da criança
contribuem dialeticamente na construção do corpo (motor), da mente (pensamento e
inteligência) e da afetividade (emoção).

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOMOTIRCIDADE. O que é
Psicomotricidade.Disponível em: http://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-
psicomotricidade. Acesso em: 27 ago.2020.
CARVALHO, Elda Maria Rodrigues. Tendências da educação psicomotora sob o
enfoque walloniano –Revista Psicol. cienc. prof. v.23 n.3 Brasília set.
2003.Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
98932003000300012. Acesso em: 27 ago. 2020.
FONSECA, Vitor. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre:
Artmed, 2004.
GONÇALVES, Fátima. Psicomotricidade e educação física: Quem quer
brincar põe o dedo aqui. São Paulo: Cultural RBL, 2010.

LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento Psicomotor. Porto Alegre: Artes


Médicas,l982.
___________. Educação psicomotora: a psicomotricidade na idade escolar. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1987.

OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num


enfoque Psicopedagógico. 5.ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2001.

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UNIDADE 2 - DESENVOLVIMENTO GLOBAL: intelectual, motor e afetivo da
criança. Tipos de Psicomotricidade; Contribuições da Psicomotricidade para a educação
e aprendizagem das crianças

Objetivos:
Compreender a educação psicomotora e as situações práticas, destacando as
contribuições para o processo de letramento e a aprendizagem da criança;
Abordar a educação psicomotora com os elementos básicos que devem ser segundo Le
Boulch;

Demonstrar por meio de situações práticas as contribuições da psicomotricidade para o


processo de letramento e a aprendizagem da criança.

Figura 6 – Brincadeira - Tela de Ivan Cruz

Fonte:https://www.google.com/search?rlz=1C1RLNS_pt-
BRBR794BR794&source=univ&tbm=isch&q=Brincadeira+de+Ivan+Cruz&sa=X&ved
=2ahUKEwjkg5S3q-nrAhXvIbkGHdh1DUcQsAR6BAgJEA

O desenvolvimento integral da criança tem hoje o pleno reconhecimento das


ciências em relação a importância de cuidar e favorecer o desenvolvimento saudável
desde o ventre materno e nos mil dias ou seja , de o a 3 anos de idade, a primeiríssima
infância há uma necessidade premente de propiciar os estímulos e organizar os alicerces
que favorecerão o indivíduo, no futuro, a lidar com as complexas situações que a vida
venha a lhe apresentar.
Em todas as políticas públicas voltadas para a primeira infância é sempre
enfatizado que a atenção à criança deve ser integral e integrada. Há uma clara
consciência de que a base da formação biopsicossocial do indivíduo está nas interações
com as pessoas em diferentes espaços nos primeiros anos de vida, portanto, há
necessidade de concentração de investimentos e esforços no sentido de oferecer as
condições favoráveis para ajudar na constituição do ser humano integral e integrado.

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Para saber mais
Assista ao vídeo: A PRIMEIRA INFÂNCIA - | Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
Disponível em: www.fmcsv.org.br a-primeira-infancia https://youtu.be/ttJtRokJJIk
.
Há uma abordagem ecológica desenvolvida por Bronfenbrenner (1977; 1989;
1996), para a compreensão do desenvolvimento humano de forma contextualizada e em
ambientes naturais, diferentemente de experiências em laboratório, visando apreender à
realidade de forma abrangente (HADAD, 2001) trata de um modelo que diferencia as
várias camadas de ambientes e não se limita apenas a um ambiente único e imediato,
estão imbricados e interferem mutuamente entre si e afetam conjuntamente o
desenvolvimento da pessoa.
A criança pequena interage com pessoas da família e depois da escola, onde
aprende determinados padrões de comportamento, passa a exercer papéis e relações
interpessoais daí ser denominado de microssistema, pois envolve as características
físicas e materiais específicos (HADDAD, 1997, p 36-37).
Sempre que passar a outros ambientes denominados mesossistemas a criança
estabelece as interações na vizinhança, na igreja que a família faz parte.
Depois a criança é envolvida num exosssistema, e mesmo não sendo
participante ativa, mas recebe influências dos eventos externos que a afetem, como o
local de trabalho dos pais, a escola do irmão ou a rede de amigos dos pais.
O desenvolvimento humano envolve também o macrossistema que compreende
outros ambientes, que influenciam de acordo com a estrutura política e cultural da
família de agricultores do campo e de operários da cidade ou de uma comunidade
indígena ou quilombola .
Nesse contexto, é preciso a compreensão da forma de como a criança toma
consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio deste corpo.
A definição de desenvolvimento humano para Bronfenbrenner (1996) , consiste em:
[...] mudança duradoura na maneira pela qual uma pessoa percebe e lida com
o seu ambiente, [...] é o processo através do qual a pessoa desenvolvente
adquire uma concepção mais ampliada, diferenciada e válida do meio
ambiente ecológico, e se torna mais motivada e mais capaz de se envolver em
atividades que revelam suas propriedades, sustentam ou restituíram aquele
ambiente em níveis de complexidade semelhante ou maior de forma e
conteúdo. (BRONFENBRENNER, 1996, p. 5).

O desenvolvimento da psicomotricidade ocorre observando a evolução da criança,


na experiência vivida no meio, e ao adaptar-se e ampliar suas capacidades ao relacionar-
se com meio pelas conquistas de novos espaços em que utiliza seu corpo para
demonstrar o que sente intencionando como expressividade íntima, além de tornar seu

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comportamento significante.
Segundo Barreto(2000,p.32),” O desenvolvimento psicomotor é de suma
importância na prevenção de problemas da aprendizagem e na educação do tônus, da
postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo.”

2.1 Elementos básicos da Psicomotricidade

A psicomotricidade estabelece relação entre os movimentos, à mente e a


afetividade, contribuindo para o desenvolvimento integral da criança. Tem o objetivo de
enxergar o ser humano em sua totalidade, por meio da ação motora, estabelece o
equilíbrio desse ser, dando-lhe possibilidades de encontrar seu espaço e de se identificar
com o meio do qual faz parte (GONÇALVES 2010, p. 21). Engloba outras áreas do
conhecimento, a fim de estudar a relação corpo e mente do ser humano e, portanto, é
importante para o desenvolvimento infantil, trazendo contribuições significativas para a
vida escolar.

Saiba mais
Para saber mais sobre os Elementos básicos da Psicomotricidade leia o livro eletrônico

A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS PARA O


DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR, de Rosana Maciel Guimarães. Disponível
em: https://www.livrosdigitais.org.br/livro/38252HALF76SD4

O movimento psicomotor está carregado de intenção, pois é resultado de uma


ação planejada (psico) voltada a um fim determinado, cujas práticas a serem colocadas
em prática na escola requerem do professor conhecimentos sobre o que é motricidade e
seus elementos básicos, ter em mente que trabalhar com o corpo e seus sentidos, não se
limita apenas as aulas de educação física, mas sim a uma ação coordenada envolvendo a
todas as disciplinas a serem ministradas aos alunos. O aparato motor que o ser humano
possui é individual, pois os canais como a visão, audição, tato, paladar e olfato são
estimuladores.
Conhecer e registrar o nível motor das crianças é muito importante a fim de
acompanhar com base em parâmetros de crescimento e de comportamento motor
humano, que vai se modificando de acordo com a faixa etária.
A evolução física, orgânica, cognitiva e psicológica pode ser percebida em
relação a: Motricidade Fina como um ato de coordenação, controle e destreza,
caracterizada pela estimulação táctil e da percepção-visual do indivíduo e requer
precisão do movimento para desempenhar habilidade específica. Podemos exemplificar
os movimentos de preensão e pinça motor trípode (polegar-indicador-anular), como
rasgar papel livremente, recortar, pintar e escrever na Educação Infantil e nos anos do

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ensino fundamental, as habilidades motoras finas melhoram com rapidez, possibilitando
a criança não só escreva mais clara e facilmente, mas também toque um instrumento
musical, faça desenhos e desenvolva habilidades esportivas que requerem coordenação
motora fina (BEE, 2003, p. 147).
A Motricidade Global envolve grupos musculares em ação simultânea,
coordenada para execução de movimentos mais complexos, pois resultam do
movimento de diferentes membros, sem perder seu valor. O tônus muscular é o que
assegura a preparação da musculatura para a maioria dos movimentos e atividades
práticas (GONÇALVES, 2010, p. 100) e evolui com a maturação dos órgãos sensoriais
e podemos citar como exemplo (manter-se em postura ereta, caminhar nas pontas dos
pés e calcanhares, pular como sapo, coelho, pular corda e balançar-se em um pé sem
ajuda) .
Equilíbrio é a ação que diferencia segmentos corporais. Fonseca (2004, p.72) diz
que “sem domínio postural o cérebro não aprende, a motricidade não se desenvolve e a
atividade simbólica resulta indubitavelmente afetada”. Sem o equilíbrio necessário, o
cérebro perde a orientação, não consegue economizar energia em seus movimentos, e o
equilíbrio estático.
Organização Espacial segundo Rosa Neto (2002, p. 21), “todas as modalidades
sensoriais participam em certa medida na percepção espacial [...]”. Acima, abaixo, à
frente, atrás, esquerda, direita, distante, profundo, dentro e fora. São reflexões espaciais
que são definidas conforme diferentes receptores nos trazem informações. Pode-se citar
como exemplos exercícios de transposição como inverter as cores, substituir um
elemento por outro, modificar o tamanho de um desenho; exercícios de simetria simples
e desenhos inacabados. A evolução da noção espacial destaca a existência de duas
etapas: uma ligada à percepção imediata do ambiente, caracterizada pelo espaço
perceptivo ou sensório-motor; outra baseada nas operações mentais que saem do espaço
representativo e intelectual (ROSA NETO, 2002, p. 22).

A Organização Temporal é o transcorrer do tempo que é definido pelos mais


variados órgãos sensoriais dos corpos, sendo essa definição estruturada em especial pela
memória, com a qual se percebe a velocidade constante do tempo, ou seja, o futuro, o
passado e o presente, pois “[...] elabora-se e constrói-se por meio da ação do movimento
e dos dados sensoriais que são colhidos pelos sentidos, permitindo a ordenação,
organização e processamento da informação” como disse Gonçalves (2009, p.51).

A Lateralidade refere-se às vivências e noções de direita e esquerda com a


realidade ao redor. Também a preferência de utilização das partes simétricas corpóreas
como olho, mão, perna e pé. Rosa Neto (2002, p. 24) diz que “a lateralidade está em
função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a iniciativa da
organização do ato motor, o qual desembocará na aprendizagem [...]”, por isso
identificar a lateralidade da criança é muito importante para colocá-la em condições
essenciais para uma boa educação. Segundo Gonçalves (2010, p. 109), “a lateralidade é
função da dominância lateral, tendo um dos hemisférios à iniciativa da organização do

19
ato motor e, o outro, a função de apoio e auxílio, que incidem no aprendizado e no
desempenho das práxias”.

A ação psicocinética está voltada para as atividades corporais e ao movimento


humano, cujo objetivo seria atingido na medida em que o ato motor seja compreendido
como uma ação significativa para o ser humano como um todo em relação ao seu
entorno. Tem, portanto, o objetivo educacional de favorecer o desenvolvimento
humano, permitindo ao homem situar e agir no mundo por meio do conhecimento e
aceitação de si; um melhor ajustamento da conduta, desenvolvendo autonomia e
responsabilidade no âmbito social.

As ideias de Jean Le Boulch guiaram a atuação educativa de professores e


influenciaram as áreas de Educação Física, Pedagogia e Psicologia.

Saiba mais

Fonte:boowiki.info/images/b540/220px-Docteur_Jean_Le_boowiki.info

Jean Joseph Le Boulch nasceu em 28 de janeiro de 1924, em Lambézellec na França.


Formado em Educação Física, Psicologia e Medicina, iniciou sua carreira como
professor em 1947 até 1969, período em que iniciou suas críticas à educação francesa
em meio a diversos conflitos, interesses políticos partidários, do governo, de doutrinas
políticas e os debates sobre o programa nacional de educação. No que se refere à
Educação Física, encontrava-se envolto às novas orientações políticas conflitantes sobre
os métodos, acompanhadas da “libertação” da França após a guerra (LE BOULCH,
1983, 1983b, 2008). As ideias de Le Boulch guiaram a atuação educativa de professores
e influenciaram.

20
2.2 Educação Psicomotora

A Educação Psicomotora é compreendida como o processo educativo que


acontece por meio do corpo e do movimento do sujeito em relação ao outro e
permeado pelas relações socioafetivas, expressas por meio do diálogo tônico-corporal,
do olhar, gestos e posturas, mímicas e imitações entre outros instrumentos próprios da
psicomotricidade de caráter afetivo, voltado à construção do Eu .

O estudo feito por Le Boulch (1982) levou-o a afirmar que a educação


psicomotora é um meio prático de ajudar a criança a dispor deu uma imagem do
"corpo operatório", a partir da qual poderá exercer sua disponibilidade. Esta conquista
passa por vários estágios de equilíbrio, que correspondem aos estágios da evolução
psicomotora.

Ele considerar o corpo humano com toda a sua expressividade e os gestos do


corpo nas mais diversas possibilidades, como uma manifestação do corpo presente no
mundo. Desse modo, leva em conta a emoção, afetividade e expressividade são
inerentes ao corpo e ao movimento humano (LE BOULCH, 1987) Considera também,
a influência do meio onde a criança vive como primordial, não dependendo apenas das
especificidades biológicas, Desse modo, destaca o valor do papel do educador, nas
atividades de socialização da criança.

A Educação Psicomotora é compatível com a teoria psicogenética de Wallon à


medida que respeita a complexidade do ser humano, compreendendo-o em sua
multidimensionalidade psíquica, corporal e social. Quando falamos de
desenvolvimento humano ao enfatizar a importância do movimento para o
desenvolvimento humano, pois o ser humano como ser social vai sendo educado e se
educando na relação de comunicação com outrem, como um ser da coletividade.

A teoria da Psicocinética de Jean Le Boulch é a imagem do corpo, ou seja, um


conhecimento de si ou uma consciência do próprio corpo, daí a noção de esquema
corporal, desenvolver harmoniosamente e minimizar os problemas eventuais na
constituição do corpo; desenvolver a percepção correta do corpo de modo a assegurar
uma motricidade Le Boulch (1992,p.129)afirma que :
No estágio escolar, a prioridade constitui a atividade motora lúdica, fonte de
prazer, permitindo a criança prosseguir a organização de sua „imagem do
corpo‟ ao nível do vivido e de servir de ponto de partida na sua organização
da praxia, em relação com o desenvolvimento das atitudes de analise
perceptiva . A praxia se refere a uma desordem na realização de um gesto ou
de um ato motor sem caracterizar-se como anormalidade em canais
sensoriais ou motores e sem déficit de atenção ou de compreensão .

Daí percebermos a importância da psicomotricidade no contexto escolar a fim de


ajudar no desenvolvimento da afetividade, do tônus e movimento, na cognição,
lateralidade, organização do espaço e tempo, equilíbrio e expressividade por
intermédio dos elementos básicos.

21
Sabemos da importância das atividades desenvolvidas nas Creches e Pré-Escolas
em relação à apropriação espaço temporais e coordenação dos movimentos, visando
melhorar a organização dinâmica com respostas motoras mais ajustadas; a fazer
escolhas mais rápidas aos estímulos; economia e libertação do gesto; aperfeiçoar o
ritmo mantendo as integridades sensoriais para resolver situações que envolva a
locomoção ,rapidez de reação e atenção - promover o ajustamento da criança as várias
solicitações das competências escolares.

Compreende assim, as práticas desenvolvidas em diferentes espaços visando


trabalhar o corpo de forma integrada com a mente, auxiliam o desenvolvimento
integral, face as habilidades motoras e as trocas com as outras crianças e a exploração
de materiais diversos, segundo o Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação
(ISPE) e a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP).

Há algumas atividades que podemos desenvolver a lateralidade como:

– Controle dos pés: chutar a bolinha de papel com um dos pés e depois para outro pé;

– Pulando em círculos desenhados no chão ou usando bambolês e vão pulando para a


direita, pulando para a esquerda;

– Pulando de um pé só: para estimular o aluno a desenvolver a capacidade do corpo de


trabalhar a parte que ele mais tem facilidade de usar na realização de tarefas.

Sugestão de pesquisa
Assista ao documentário A Invenção da infância (curta-metragem), de Liliana
Sulzback e Mônica Schmiedt que recebeu 15 prêmios no Brasil e exterior. Disponível
em:https://www.youtube.com/watch?v=c0L82N1C7AQ

Leia o artigo A ABORDAGEM ECOLÓGICA DE URIE BRONFENBRENNER EM


ESTUDOS COM FAMÍLIAS, de Edna Martins e Heloisa Szymanski.Disponível em:
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/11111/8805

Leia o artigo Primeira infância: você sabe o que é? - Revista Crescer – Disponível em:
https://revistacrescer.globo.com/

Leia o artigo A LATERALIDADE CRUZADA E O DESEMPENHO DA LEITURA E


ESCRITA EM ESCOLARES, de Francisco Rosa Neto(1), Regina Ferrazoli Camargo
Xavier(2), Ana Paula Marília dos Santos(3), Kassandra Nunes Amaro(4), Rui Florêncio (5),
Lisiane Schilling Poeta. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v15n4/14.pdf

22
Sugestão das leituras dos seguites livos:

RESUMO

Os temas abordados na Unidade 2, mostram a importância da psicomotricidade no


contexto escolar desse a Creche para estimular o processo de desenvolvimento da
integral em relação a afetividade, movimento, cognição , lateralidade, organização
do espaço e tempo , equilíbrio e expressividade da criança . Sendo assim, a educação
psicomotora deve ser desenvolvida, e para isso, necessita da utilização das funções
motoras, perceptivas, afetivas e sociomotoras, pois assim a criança explora o
ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento
intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo à sua volta.

REFERÊNCIAS

BRONFENBRENNER, U. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos


naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

FONSECA, Vitor. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre:


Artmed, 2004.

GONÇALVES, Fátima. Psicomotricidade e educação física: Quem quer

brincar põe o dedo aqui. São Paulo: Cultural RBL, 2010.

LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento Psicomotor. Porto Alegre: Artes Médicas,


l982.

____________. Educação psicomotora: a psicomotricidade na idade escolar. Porto


Alegre: Artes Médicas, 1987.

ROSA NETO, F. et al. A Lateralidade cruzada e o desempenho da leitura e escrita


em escolares (2013). Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v15n4/14.pdf.Acesso em: 30 ago.2020.

23
UNIDADE 3 – PSICOMOTRICIDADE NA RECREAÇÃO: brincadeiras e jogos;
A História e a Importância dos Jogos na Aprendizagem das crianças da Educação
Infantil e do Ensino Fundamental, anos iniciais; O brincar como um direito de
aprendizagem na Base Nacional Comum

Objetivo

Compreender a importância dos jogos e brincadeiras para a aprendizagem das crianças


na Educação Infantil e no Ensino fundamental nos anos iniciais

Figura 7 – Brincadeiras Populares

Fonte : Xilogravura de Airton Marinho.

3.1 Brincadeiras

A brincadeira representa a ação de brincar e o brincar na visão de


Kishimoto(2010) é :

É uma ação prazerosa, de partilhar, expressar a individualidade e identidade


por meio de diferentes linguagens, de usar o corpo, os sentidos, os
movimentos, de solucionar problemas e criar. Ao brincar, a criança
experimenta o poder de explorar o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza
e da cultura, para compreendê-lo e expressá-lo por meio de variadas
linguagens, poder de tomar decisões, expressar sentimentos e valores, conhecer
a si, aos outros e o mundo.

24
A brincadeira é uma ferramenta importante para a criança aprender e
desenvolver-se, além de ampliar a capacidade de imaginar e mobilizar os significados.

Convido você a analisar a letra desta música Bola de Meia, Bola de Gude, de -
Milton Nascimento. Diponível em: https://www.letras.mus.br/milton-
nascimento/102443/

Há um menino, há um moleque /Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto balança /Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente/ O sol bem quente lá no meu quintal

Toda vez que a bruxa me assombra /O menino me dá a mão

Ele fala de coisas bonitas que /Eu acredito que não deixarão de existir

Amizade, palavra, respeito Caráter, bondade, alegria e amor

Pois não posso, não devo

Não quero viver como toda essa gente insiste em viver

Não posso aceitar sossegado /Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude /O solidário não quer solidão

Toda vez que a tristeza me /Alcança o menino me dá a mão

O menino que existe em nós adultos deve ser acolhido, e a melhor maneira é
proporcionando às crianças viverem todas as etapas do seu desenvolvimento com prazer
e com ludicidade sempre. Ao observarmos os direitos da criança consagrados
universalmente e pela legislação vigente em nosso país percebemos que toda criança
tem o direito de brincar e todo adulto já brincou um dia e percebeu quantas habilidades
foi capaz de desenvolver a partir dos jogos e brincadeiras

3.1.1 A Recreação e o Desenvolvimento Psicomotor

A criança vai ampliando a cada dia as possibilidades de pegar, puxar, marchar,


falar e ter o controle esfincteriano, além da formação da imaginação e da capacidade de
fazer de conta e de representar usando diferentes linguagens. As aquisições da infância
têm a dimensão orgânica e também as capacidades para discriminar cores, memorizar
poemas, representar uma paisagem através de um desenho etc., e essas constituições
universais biologicamente determinadas esperam o momento de amadurecer, mas são
culturalmente produzidas nas relações estabelecidas com as pessoas e com o mundo
precisando dos estímulos ambientais e das interações com pessoas mais experientes.

25
A motricidade, a linguagem, o pensamento, a afetividade e a sociabilidade são
aspectos integrados que vão se desenvolvendo a partir das interações que desde o
nascimento a criança vai estabelecendo com os familiares, os vizinhos e depois na
escola passa a conviver com diferentes parceiros.

Aos poucos vai adquirindo autonomia ao construir conhecimento por meio de


situações em que ela participa, ajudando os pais nas tarefas domésticas, confrontando
gestos e palavras, disputando brinquedos, cada criança vai modificando sua forma de
agir, sentir e pensar.

Vamos entender os conceitos de recrear, jogar, brincar, brinquedo e lazer. A


palavra recrear é derivada da palavra recreare, que significa “criar de novo”,
relacionado com atividades lúdicas que obedecem a um intervalo de descanso. O verbo
recrear também significa trazer alegria, satisfazer, aliviar o outro do trabalho árduo e ter
tempo de folga, entre outros.

A palavra brincar e brincadeira estão estreitamente ligadas à infância e às


crianças, e sempre foram atividades significativas na vida dos homens em diferentes
épocas e lugares (BORBA, 2007).

A experiência do brincar cruza diferentes tempos e lugares, passados, presentes e


futuros, sendo marcada ao mesmo tempo pela continuidade e pela mudança. De acordo
com Borba (2006, p.38):

É importante enfatizar que o modo próprio de comunicar do brincar não se


refere a um pensamento ilógico, mas a um discurso organizado com lógica e
características próprias, o qual permite que as crianças transponham espaços
e tempos e transitem entre os planos da imaginação e da fantasia explorando
suas contradições e possibilidades. Assim, o plano informal das brincadeiras
possibilita a construção e a ampliação de competências e conhecimentos nos
planos da cognição e das interações sociais, o que certamente tem
consequências na aquisição de conhecimentos nos planos da aprendizagem
formal.

O desenvolvimento psicomotor da criança ganha relevo ao integrara as


brincadeiras e jogos realizados em tempos e espaços diferentes, possibilitando
interações com adultos e crianças e aprendizagens necessárias ao desenvolvimento
integral da criança.

A criança brinca para conhecer-se a si própria e aos outros em suas relações


recíprocas, para aprender as normas sociais de comportamento, os hábitos são
determinados pela cultura; para conhecer os objetos em seu contexto, ou seja, o uso
cultural dos objetos; para desenvolver a linguagem e a narrativa; para trabalhar com o
imaginário; para conhecer os eventos e fenômenos que ocorrem a sua volta. Machado
(2003, p.21) afirma que:

Brincar é nossa primeira forma de cultura. A cultura é algo que pertence a


todos e que nos faz participar de ideais e objetivos comuns. A cultura é o
jeito de as pessoas conviverem se expressarem, é o modo como às crianças

26
brincam, como os adultos vivem, trabalham, fazem arte. Mesmo sem estar
brincando com o que denominamos „brinquedo‟, a criança brinca com a
cultura.

Pode surgir novas maneiras de pensar e de aprender sobre o mundo.

De acordo com Kishimoto (2010), o brinquedo possui duas funções: função


lúdica ao propiciar diversão, prazer e a função educativa ao ensinar e ampliar
conhecimentos e ajudar a compreender o mundo.

A palavra Jogar, é derivada do latim jocare e não de ludus, também é raiz da


palavra jogo em várias línguas (como francês, espanhol, italiano, romeno e português).
Jogar é uma palavra relacionada com atividades realizadas para a recreação do espírito,
distração. Na função educativa, o brinquedo ensina qualquer coisa que complete o
indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. Enquanto que
função lúdica propicia: diversão, prazer e até desprazer quando escolhido
voluntariamente.

Brinquedo – também derivada da palavra brinco, identifica objetos feitos para


entretenimento infantil, bem como as próprias brincadeiras. Está relacionado aos
artefatos construídos para fins lúdicos.

Lazer – deriva da palavra licere que em latim significa “tempo livre”. Está
associado, portanto, ao descanso, ócio, repouso, liberdade, para o sujeito fazer o que
quiser num tempo.

Considerado excedente, em que o indivíduo pode fazer qualquer coisa, inclusive


descansar.

Na Educação Infantil, o corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é


partícipe privilegiado das práticas pedagógicas por meio das diferentes linguagens,
como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz de conta, elas se comunicam e
se expressam no entrelaçamento entre corpo, emoção e linguagem.

O brincar envolve múltiplas aprendizagens. Vygotsky(2007,p.122) afirma que na


brincadeira “a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além
de seu comportamento diário; no brinquedo, é como se ela fosse maior do que ela é na
realidade.”

27
Figura 8 – Bincadeira de roda- Tela de Ivan Cruz

Fonte: https://www.google.com/search?rlz=1C1RLNS_pt-
BRBR794BR794&source=univ&tbm=isch&q=tela+de+Ivan+cruz&sa=X&ved=2ahUK
Ewisx6G52uvrAhXaH7kGHdntDkUQ7Al6BAgJEEs&biw=1366

Encontramos referência ao brincar no Estatuto da Criança e do Adolescente, no


artigo 16, inciso IV, dizendo que: “Art. 16 O direito à liberdade compreende os
seguintes aspectos: (...) IV. brincar, praticar esportes e divertir-se”.

No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (2002, p.27) “A


brincadeira é uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquilo que
é o “não brincar”“. Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação, isto
implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer
que é preciso haver consciência da diferença existente entre brincadeira e a realidade
imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se.

Vemos, portanto, que ao brincar a criança precisa apropriar-se de elementos da


realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa especificidade
da brincadeira ocorre em decorrência da vinculação entre a realidade e o imaginário das
crianças. Portanto, a importância da brincadeira para o desenvolvimento da criança
contribui para:

-aumentar a autoestima das crianças;


-ajudar na superação progressiva das descobertas e aquisições de forma criativa;
-contribuir para a interiorização de determinados modelos de adulto, no âmbito de
grupos sociais;
-interage com outras crianças e com adultos e conhece suas próprias limitações;
-aprender as normas sociais de comportamento, os hábitos determinados pela cultura;
-conhecer e explorar os objetos em seu contexto, desenvolve a linguagem e a narrativa;
explora a imaginação.

28
Figura 9 – Brincadeira de criança – Tela de Ivan Cruz

Fonte: : https://www.google.com/search?rlz=1C1RLNS_pt-
BRBR794BR794&source=univ&tbm=isch&q=tela+de+Ivan+cruz&sa=X&ved=2ahUK
Ewisx6G52uvrAhXaH7kGHdntDkUQ7Al6BAgJEEs&biw=1366

3.2 Jogos e Brincadeiras na Educação Infantil

De acordo com Piaget (2003), as manifestações lúdicas acompanham o


desenvolvimento da inteligência, pois estão vinculadas aos estágios de
desenvolvimento cognitivo. Caracteriza os Jogos da seguinte forma:

Jogo de exercício - nesse jogo sensorial motor não há necessidade de


pensamento nem estrutura representativa;

Jogo simbólico- a criança atribui novas funções a objetos ou se imagina em


alguma situação, finge ser outrem, devido o aparecimento da função simbólica
(representação de um objeto ausente) e pela representação;

Jogo de regras - ajuda a criança a submeter-se a regras, e se adaptar com as leis


(regras do jogo) que fazem com que o grupo se torne coeso e busquem um objetivo em
comum, mesmo sem questionar as regras, apenas as cumprem.

A criança atribui novas funções a objetos ou se imagina em alguma situação,


finge ser outrem, devido o aparecimento da função simbólica (representação de um
objeto ausente) e pela representação simbólica será capaz de reproduzir a realidade.
Quando a criança consegue se submeter a regras, e se adaptar com as leis (regras do
jogo) que fazem com que o grupo se torne coeso e busquem um objetivo em comum,
mesmo sem questionar as regras, apenas as cumprem.

Wallon entende que o jogo compõe aquilo que foi assimilado pelo adulto, e
classifica por fases: Jogos funcionais, Jogos ficção, Jogos de aquisição e Jogos de
fabricação. Observe:

29
Jogos funcionais-são aqueles que realizam movimentos simples com o corpo,
por meio dos sentidos. Execução de funções, por em ação/prática pela evolução da
motricidade; Exemplos: mover os dedos, tocar objetos, produzir ruídos e sons, dobrar os
braços ou as pernas, entre outras.

Jogos de ficção - são aqueles que envolvem a imaginação, o “faz de conta, a


representação e a imitação de situações, papéis do seu cotidiano;

Jogos de aquisição - são aqueles que envolvem a percepção, o entendimento a


imitação dos gestos, os sons, imagens;

Jogos de fabricaçâo - são aquele em que há a distração e a diversão com as


atividades manuais de criar, combinar, juntar e transformar. E a criança cria e improvisa
o seu brinquedo.

3.2.1 A Psicomotricidade, Recreação e Jogos no Currículo

As brincadeiras tiveram visibilidade nas Diretrizes Curriculares para a Educação


Infantil ao serem vistas como eixo estruturante do currículo de Educação Infantil, como
destacado nas Diretrizes Curriculares e na Base Nacional Comum Curricular. Obseve o
trecho do texto a seguir.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009) definem os princípios


Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão nas
diferentes manifestações artísticas e culturais a serem levado em conta nas atividades
com crianças da Educação infantil e no art. Art. 9º :

As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem


ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira, garantindo experiências que:
I – promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências
sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da
individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;
II – favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio
por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e
musical;
III – possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a
linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e
escritos;
IV – recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas,
formas e orientações espaço temporais;
V – ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e
coletivas;
VI – possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia
das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar;
VII – possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, que
alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogo e reconhecimento da
diversidade;
VIII – incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a

30
indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e
à natureza;
IX – promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas
manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro,
poesia e literatura;
X – promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da biodiversidade
e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não desperdício dos recursos
naturais – propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e
tradições culturais brasileiras;
XII – possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas
fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos. (DCNEI, 2009).

Wjskop (1999) afirma que é na situação de brincar que as crianças se podem


colocar desafios e questões além de seu comportamento diário, levantando hipóteses na
tentativa de compreender os problemas que lhes são propostos pelas pessoas e pela
realidade com a qual interagem.

Isso posto, confirma que ao brincar desenvolvem a imaginação, constroem


relações reais elaboram regras de organização e convivência. Portanto, a brincadeira é
uma situação privilegiada de aprendizagem onde o desenvolvimento pode alcançar
níveis mais complexos, exatamente pela possibilidade de interação entre os pares em
uma situação imaginária e pela negociação de regras de convivência e de conteúdos.
Observe o trecho do texto a seguir extraído da Base Nacional Comum curricular /MEC -
2017.

A Base Nacional Comum Curricular /MEC - 2017 apresenta um campo de experiências:


CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS visto perceber que o corpo, no contato com o mundo,
é essencial na construção de sentidos pelas crianças, inclusive para as que possuem
algum tipo de deficiência, transtornos globais de desenvolvimento, altas
habilidades/superdotação. Por meio do tato, do gesto, do deslocamento, do jogo, da
marcha, dos saltos, as crianças expressam-se, percebem, interagem, emocionam-se,
reconhecem sensações, brincam, habitam espaços e neles se localizam, construindo
conhecimento de si e do mundo.
Define o brincar como um dos direitos de aprendizagem e eixo curricular estruturante do
currículo junto aos direitos de:
-Brincar, utilizando criativamente práticas corporais para realizar jogos e brincadeiras e
para criar e representar personagens no faz de conta, no reconto de histórias, em danças
e dramatizações;
-Conviver com crianças e adultos em espaços diversos e vivenciar movimentos e gestos
que marcam sua cultura, utilizando seu corpo com liberdade e autonomia;
-Explorar um amplo repertório de mímicas, gestos, movimentos com o corpo, podendo
apoiar-se no uso de bolas, pneus, arcos, descobrindo variados modos de ocupação e de
uso do espaço com o corpo;
-Participar, de modo ativo, de diversas atividades que envolvem o corpo e de atividades de
cuidados pessoais, reconhecendo-o, compreendendo suas sensações e necessidades e
desenvolvendo autonomia para cuidar de si.

31
-Expressar corporalmente sentimentos, emoções e representações em diversos tipos de
atividades, como no reconto oral de histórias, em danças e dramatizações, nos momentos
de banho e de outros cuidados pessoais.

Fonte:http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=796
01-anexo-texto-bncc-reexportado-pdf-2&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=3

A BNCC tomando como referência as DCNEI´s no que diz respeito às


práticas pedagógicas da Educação Infantil estabelecem como eixos norteadores do
currículo as interações e brincadeiras e nesses documentos nota-se que o
desenvolvimento da criança é atrelado às interações que elas estabelecem entre si e com
os adultos nos diversos ambientes pelos quais transitam.
A BNCC reforça a centralidade da criança no processo educativo com a
mesma idade, ritmos diferentes- é preciso ter cuidado para não estigmatizar as crianças
pequenas, utilizando os objetivos de aprendizagem relacionados às faixas etárias como
algo rígido e estanque. De acordo com a BNCC 2017, os direitos de aprendizagem da
criança são:
- Conviver com crianças e adultos e experimentar, de múltiplas
formas, a gestualidade que marca sua cultura e está presente nos cuidados pessoais,
dança, música, teatro, artes circenses, jogos, escuta de histórias e brincadeiras;
-Brincar, utilizando movimentos para se expressar, explorar espaços,
objetos e situações, imitar, jogar, imaginar, interagir e utilizar
criativamente o repertório da cultura corporal e do movimento;
- Participar de diversas atividades de cuidados pessoais e do contexto
social, de brincadeiras, encenações teatrais ou circenses, danças e
músicas; desenvolver práticas corporais e autonomia;
-Explorar amplo repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e
mímicas; descobrir modos de ocupação e de uso do espaço com o
corpo e adquirir a compreensão do seu corpo no espaço, no tempo e
no grupo; e
-Expressar corporalmente emoções, ideias e opiniões, tanto nas relações
cotidianas como nas brincadeiras, dramatizações, danças, músicas etc.

32
3.2.2 Brinquedos e Brincadeiras Apropriados para cada idade

Recém-nascido a 1 Ano de Idade

Os brinquedos devem ser coloridos para atrair o olhar, a audição e o toque do


bebê, por isso destacamos como adequados os brinquedos: tapetes de atividade,
animais de pelúcia sem olhos ou nariz de botão, brinquedos para o banho, bonecos
macios, móbiles, livros de pano, blocos de madeira ou plástico de tamanho grande,
chocalhos.

Nessa fase, usamos brinquedos de textura macia: borracha, tecido etc.,


brinquedos de tipo musical: caixinha de música e chocalhos, que estimulam a acuidade
auditiva, de modo que possam ser manipulados sem oferecer perigos para as crianças.
Podemos prender brinquedos ao berço, como os móbiles coloridos que estimulam a
acuidade visual e o tato da criança. É recomendado brincar na hora do banho com a
água brinquedos de banho para ajudar na manipulação do espaço. Ao estimular a
capacidade visual-motora, podemos oferecer brinquedos de montar sem conter peças
pequenas para os bebês empilharem, encaixarem um dentro do outro. As brincadeiras
recomendadas e importantes são aquelas que a levam a se movimento, mesmo que
sejam potes plásticos e caixas de papelão, bolas coloridas, brinquedos que têm barulho e
podem ser puxados com barbante, cavalinhos que possibilitam a interação com o adulto
que também brinca e conversa estimulando a linguagem e a compreensão das coisas ao
seu redor.

Atividades de descobertas sensoriais para crianças de 1 ano

Cestos dos Tesouros ou Caixas do tesouro

Transformar objetos da cozinha e brinquedos para as crianças tocar, amassar e


perceber diferentes texturas e espessuras desde cedo.

33
Fonte: tempojunto.com Fonte: tempojunto.com

Percurso de obstáculos - aproveitando brinquedos, utensílios domésticos, cadeiras,


mesas, almofadas criar um caminho com obstáculos.

Fonte: http://chicklink.com/activities-for-18-24-month -olds/

3.3 Atividades Recreativas e Psicomotoras

Atividades de Percepção Visual Motora – Trilhando caminhos: com um roteiro traçado


com pegadas de cartolinas pelo chão, acompanhar o trajeto, falando em voz alta qual o
pé está usando, se direito ou esquerdo.

Fonte : http://chicklink.com/activities-for-18-24-month

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Fonte : http://chicklink.com/activities-for-18-24-month

Caminhada Sensorial

Andar em diferentes superfícies sensoriais é uma ótima atividade


massageadora e estimulante. Use papelão para recortar formas de pés e com a pistola de
cola quente para colar materiais sensoriais: arroz, bolas de algodão, tampas de garrafas,
feijão e esfregão. Caminho com saco de plástico bolhas como uma experiência
sensorial.

Fonte : http://chicklink.com/activities-for-18-24-month-olds/

Percepção Corporal

Colchonetes ou tapetes de vinil para colocar sobre o chão ou o gramado.


Objetivos: Relaxar; estimular o sentido do tato e o autoconhecimento corporal; e
descobrir o prazer no movimento. Estimule as crianças a deitar em diferentes posições
para perceber partes do corpo. Faça perguntas como: o que está encostando-se ao chão?
Quem está sentindo a perna? Quem está com o braço todo apoiado?

Coordenação Motora

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Fonte -https://institutoneurosaber.com.br/coordenacao-e-habilidades-motoras-o-que-
esperar-em-diferentes-idades/

Estímulo de coordenação motora fina

Cadê? Achou

Objetivo: Ajudar a criança a elaborar a ausência temporária da família.


Material: Bambolê com faixas de tules de diversas cores (o comprimento das faixas
deve ser o mesmo da altura do pé direito da sala).
Pendure firmemente o bambolê no teto da sala de modo que as faixas cheguem ao chão.
As crianças vão brincar de esconder atrás delas e entre elas, segurá-las para cobrir parte
do corpo e esconder os colegas. Com isso, vão descobrindo que a ausência do outro é
temporária e que eles sempre reaparecem.

Corrida do Saci
Objetivos: demonstrar a coordenação motora, o equilíbrio e velocidade.
Montar um ponto de partida e um de chegada, as crianças deverão ficar posicionadas em
fila, cada uma irá segurar uma das pernas flexionadas para trás, na posição de saci.
Quando for dado o sinal, elas devem sair pulando até alcançarem a linha de chegada.
Deverá ser eliminada a criança que colocar os dois pés no chão (sair da posição de saci)
e ganhará quem ultrapassar a linha de chegada primeiro.

Pulando e Brincando como um Saci-Pererê

Antes conte a lenda do Saci-Pererê e depois divida em dois grupos vá desafiando o Saci
a subiu a ladeira, o Saci corre num pé só fazendo zigue-zague.

Pula Varetas

Objetivos: Definir estruturação espacial e tomada de consciência do seu corpo em um


ambiente
Procedimentos: o professor deverá colocar algumas varetas (pode ser cabos de
vassoura) no chão com distância de vinte centímetros voltando para o início, mas elas
não deverão pular nas varetas. Ora pularão com um pé, ora com o outro, ora com os
dois. As outras crianças continuam a brincadeira, até que todos tenham participado.

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Elefantinho Colorido

Azul, vermelho, verde, amarelo... Qualquer objeto com essas cores se transforma em
pique. A atividade exige atenção e agilidade para correr e não ser pego.
Uma criança é escolhida para comandar. Ela fica na frente das demais e diz:
“Elefantinho colorido!” O grupo responde: “Que cor?” O comandante escolhe uma cor e
os demais saem correndo para tocar em algo que tenha aquela tonalidade. Vale se a cor
pedida estiver na roupa de alguém. Se o pegador encostar-se a uma criança antes de ela
chegar à cor, é capturada. O comandante tem de escolher uma cor que não está num
local de fácil acesso para dificultar o trabalho dos demais. Vence a brincadeira quem
não for pego.

Agacha-agacha

Nessa brincadeira de perseguição, a criançada corre, agacha e levanta, aperfeiçoam os


movimentos.
Uma criança é eleita o pegador. Para não serem apanhadas, as demais fogem e se
agacham. Quando o pegador consegue tocar um colega que está em pé, passa sua função
a ele. Não há um vencedor. A brincadeira acaba quando as crianças se cansam.

Podemos destacar ainda:


- Jogos de Construção - materiais grandes. Só dar materiais pequenos após a criança ter
aprendido a manipular os materiais grandes;
- Empilhar, encaixar, enfiar contas em um fio, enroscar, desenroscar, enrolar, amassar,
torcer e pinçar;
- Rasgar papéis, picar, amassar papéis - essas atividades são as primeiras a serem dadas
com o fim de preparar as crianças para recortes com tesouras;
- Picar papéis - só quando as crianças conseguirem rasgar com facilidade é que se passa
para a picotagem. Usar diferentes tipos de papéis (jornais, revistas, papel de seda, papel
sulfite etc.). Nesta idade as crianças picam num dia e colam no outro;
- Colagens - numa primeira fase a finalidade é saber usar a cola. Devem-se usar
materiais que não tenha avesso ou direito, por exemplo: jornais, revistas, palitos
grandes, papéis brancos, etc. Só depois que aprenderem a colar é que se deve usar
papéis ou materiais de duas faces. A criança deve passar cola no material que vai ser
colocado e não na folha de papel. Deve aprender gradativamente a quantidade de cola;
- Recortes - quando as crianças estiverem picotando papéis com relativa facilidades
deve-se introduzir o uso da tesoura. Nesta primeira etapa, deve-se usar o jornal e a
professora deve ensinar o modo correto de segurar a tesoura. Quando a criança estiver
manipulando razoavelmente a tesoura, devem-se dar revistas. Ao perceber que as
crianças estão conseguindo recortar cenas, deve-se dar uma gravura com três lados já
recortados (pela professora) e fazer, no quarto lado, uma linha bem grossa, com pincel
atômico, para a criança recortá-la;
Brincadeiras com massinhas (e formação de esculturas);

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Danças e jogos corporais;

Apropriação e reconhecimento corporal.

Crianças de 2 a 3 Anos

Nesta fase, a criança está mais independente e participa das brincadeiras com
maior autonomia e já é capaz de manejar coisas que exijam a oposição do polegar e do
indicador. Já pode brincar com pequenos objetos (desde que não corra o risco de serem
engolidas) e com brinquedos musicais ou mesmo instrumentos musicais. Os brinquedos
ao ar livre são apropriados para essa fase, portanto a caixa de areia é muito importante a
criança passa a empilhar, modelar, brincar na areia, brinquedos de construção e encaixe
e as histórias com muita conversa para possibilitar a livre expressão e a expansão dos
movimentos.

Ao cantar 5 patinhos foram passear (Xuxa ) com fantoches de dedo de luva de látex, e
cola penas e outros materiais neles.

Pegadas

Objetivos: Reconhecer a diferença entre os pés direito e esquerdo. Caminhar variando


as amplitudes do passo. Identificar cores para cada lado do corpo. Controlar o passo e o
apoio dos pés no solo.

Material: sapatos velhos (pelo menos um pé direito e um esquerdo, de tamanho maior


que o das crianças), tintas, recipientes e esponjas para imprimir.

Distribuição: Essa atividade consta de dois momentos diferenciados. Para estampar as


pegadas, a atividade realiza-se em pequenos grupos com a presença do adulto. Para a
segunda parte, cada criança se distribuirá livremente pelas zonas sinalizadas com
pegadas. Desenvolvimento da atividade: Será utilizada a sola de sapatos velhos como se
fossem carimbos para estampar. As crianças pisarão em poças de muito pouca
profundidade e seguirão o rastro das pegadas, pisando sobre elas.

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Feijão Queimou

As crianças fazem um círculo de mãos dadas, mas sem fechar. A primeira será a cabeça
e irá conduzir a fila. Para começar, ele irá dizer: Cabeça: Feijão queimou! Todos: Quem
queimou? Cabeça: Foi à vovó! Todos: Dá uma volta? Cabeça: Eu dou! A cabeça do
grupo puxa a fileira e passam todos por baixo das mãos da primeira dupla do outro lado
da fila. Quando passarem todos, a segunda criança vai ficar de costas com os braços
cruzados sobre o peito. Nenhuma criança poderá soltar os braços, para não arrebentar a
corrente. Quando terminar, somente as crianças das extremidades da fila estarão ao
contrário das demais. Alinhe lentamente as crianças para que ninguém se solte,
colocando-os lado a lado. Ao ouvir o sinal vão puxar para lados opostos. O grupo de
deixar arrebentar a corrente perde.

Passarela do Movimento

Objetivos: demonstrar as habilidades motoras de coordenação motora global, equilíbrio,


agilidade e força.

Disponha os colchonetes em sequência no chão, formando a passarela. As crianças vão


desfilar, realizando várias movimentações diferentes e em diversas posições: todos
engatinham na passarela (ida e volta); depois todos rolam (ida e volta); crianças ao lado
da passarela: agora ficam com as duas mãos em cima da passarela e o resto do corpo
fora dela. Caminham lateralmente – 2 passos com os pés e depois com as mãos; o
contrário da atividade anterior: os pés ficam na passarela e as mãos fora; agora se
rastejam na passarela como uma cobra; dando cambalhotas.

Cabana de Jornal

Quem diria que com folha de jornal enrolado você consegue montar uma estrutura de
uma cabana? Certamente dá trabalho para fazer, mas se você tiver crianças curiosas em
casa, elas devem se interessar pelo desafio. Funciona melhor com crianças maiores.

Brincadeiras no Pátio

Deixar livre para brincar de escorregador, balanço, gira-gira, bola, corda e atividades
dirigidas e jogos: Correr perseguindo um colega; Correr dado um sinal, pegar um
companheiro; Saltar com os pés juntos, dando as mãos a um companheiro; Saltar o mais
alto possível.

Minhoca

Objetivos: Desenvolver a coordenação dos grandes movimentos e a coordenação motora


fina.

É uma corrida de ida e volta, mas os participantes, ao invés de correrem, se arrastam


pelo chão. Ganha quem chegar primeiro imitando a minhoca.

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Corrida dos Sapatos

Formam-se duas equipes, que são dispostas em fileira. Uma cadeira ou bandeirinha
separa um time do outro. Os jogadores tiram os sapatos, que serão embaralhados. Dá-se
o sinal de início, e os jogadores devem sair correndo, até encontrarem seus dois pés de
sapato, calçando-os seguida. Feito isso, voltam ao ponto de partida. Os jogadores que
calçarem sapatos trocados, ou não o calçarem direito, serão desclassificados. Cada
jogador que retornar à linha de partida, e não for desclassificado, marcará um ponto para
a equipe. Ganhará a equipe que marcar o maior número de pontos.

Conduzindo a Bola

Objetivos: Perceber as iniciativas e estratégias adotadas pela criança em relação à


lateralidade e identificar o nível de compreensão da criança ao atendimento e
cumprimento das tarefas propostas como: lançar a bola para variadas direções; receber e
lançar a bola na posição estática ou em deslocamento.

Material: duas bolas de borracha; dois baldes

Divide-se a turma em duas colunas e cada coluna se posiciona em frente de um balde


aproximadamente dez metros de distância. O primeiro aluno de cada coluna, com a bola
na mão, se deslocará em direção ao balde podendo quicar ou não a bola. Ao chegar à
linha demarcada, lançará a bola em direção ao balde, na tentativa de efetuar uma cesta.
Pegará novamente a bola e retornará da mesma forma até a sua coluna entregando a
bola para o próximo da fila. Este receberá a bola e efetuará a mesma trajetória do colega
anterior.

Corrida do Tênis

Os participantes deverão retirar os tênis e colocá-los distantes. Dada à largada, eles


deverão correr e calçá-los o mais rápido possível. Em seguida, as crianças serão
divididas em duplas e cada criança buscará o calçado do seu par.

Dirigindo

Objetivos: desenvolver a criatividade o esquema de comunicação verbal e não verbal,


exercitar movimentos finos e comuns para expressar o movimento dos transportes.

1. Material: figuras de meios de transportes, fita adesiva

A professora colocará com fita adesiva figuras uma figura de um meio de transporte em
cada criança que deverá imitar o motorista e vai imitando o tipo de transporte
escolhido usando o som .Em seguida na roda a professora pergunta : “Que meios de
transporte foram imitados? “Quem lembra o meio de transporte do colega X .

40
Brincadeiras Para Crianças de 4 Anos e 5 Anos

Figura 10 – Colorindo a Infância- Tela de Ivan Cruz

Fonte: https://www.google.com/search?rlz=1C1RLNS_pt-
BRBR794BR794&source=univ&tbm=isch&q=tela+de+Ivan+cruz&sa=X&ved=2ahUKEwisx6G52uvrAh
XaH7kGHdntDkUQ7Al6BAgJEEs&biw=

As brincadeiras aparentemente simples são fontes de estímulo ao desenvolvimento


cognitivo, social e afetivo da criança. Também é uma forma de autoexpressão. O faz de
conta estimula a fantasia, a criatividade e dá possibilidades à criança de construir
símbolos, cenários, personagens únicos ou qualquer coisa que desejar. Além disso,
estimula a interação com outras crianças e a aquisição da linguagem.

A criança utiliza melhor lápis de cera, canetas, tinta e papel, pois se divertem muito
desenhando e pintando. Na modelagem, começa a querer agregar objetos à massa (como
palitos, contas coloridas e aparas de lápis). Ela quer construir suas próprias coisas e ter a
sensação de participar efetivamente.

Fonte: Pinteres - lazer & cultura » jogos & brincadeiras

Frescobol com balões

Jogo para 2 pessoas, só que com balões o que evita qualquer quebra-quebra.
Pode ser jogado como se fosse um frescobol ou como uma partida de tênis.

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Material-2 pratos de aniversário, de plástico ou papel; fita adesiva para dividir a área de
jogo (opcional); 2 palitos de picolé;1 grampeador;1 balão.
Como jogar- Faça as raquetes grampeando os pratos nos palitos de picolé. Jogam
apenas duas crianças de cada vez. Sorteia-se quem vai começar, impulsionando no balão
para cima com um golpe de raquete. Cada jogador tem que impedir que o balão caia no
chão ou na área atrás dele (do jogador), senão perde ponto para o adversário.

Os Bastões

Idade; 4 anos
Participantes: adultos e um pequeno grupo de crianças
Objetivos: coordenação psicomotora, simbolização.
Material: bastões de 1,20m de comprimento, que podem ser cabos de vassoura ou
invólucros cilíndricos utilizados para guardar papéis como plantas de edifícios,
desenhos etc.; poderão ser de madeira, de plástico ou de papelão, sendo um para cada
criança.
Atividades: cada criança brinca com seu bastão, explorando livremente todas as
possiblidades que este lhe oferece. Pode-se sugerir que „andem a cavalo pelo campo‟,
que „subam a montanha apoiados em seus bastões‟ etc.

Brincadeiras Tradicionais

Quem não se lembra das brincadeiras e brincadeiras que passam de geração em geração
e de origens indígena, africana e europeia. Os índios utilizavam uma trouxa de folha
cheia de pedras que eram amarradas numa espiga de milho e brincavam jogando esta
trouxa de um lado para outro, chamavam-na de Pe‟teka, que em tupi significa bater.

La Coxia
Todos sentados no chão formando um grande círculo. Um dos jogadores pega a “peia”
(pode ser um galho, o chinelo, o cinto etc.) e corre em volta enquanto os demais dizem
diversas vezes em coro:
Corre, corre La coxia,
Quer, de noite,
Quer, de dia.
Numa dessas voltas, a “peia” deve ser deixada atrás de um dos que estão sentados.
Se o “La coxia” conseguir dar a volta completa, pega a peia novamente e bate com toda
força no incauto que não reparou que a peia tinha ficado atrás de si e nesse caso esse
será o próximo “La Coxia”.

..

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Ciranda

É um a dança trazida de Portugal como dança adulta, mas logo sofreu transformações e

passou a alegras as brincadeiras infantis.

Fonte: brasilescola.uol.com.br

Figura 11 – Obra “RODA” -1942 –Milton Dacosta

Fonte: https://www.sabermais.am.gov.br/odas/obra-roda-1942-milton-dacosta

Amarelinha

A amarelinha é de origem francesa, e consiste em um desenho formado por blocos


numerados de 1 a 9, e com uma pedrinha que deve obedecer as paredes de cada bloco.

Pipa

A pipa já era usada há quase 1000 anos antes de Cristo, como forma de sinalização, aqui
no Brasil foi trazida pelos portugueses, como diversão para voar através da força dos
ventos e ser controlada por uma linha da que permite ao condutor deixá-la cada vez
mais alta ou mais baixa.

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Figura 12 – Soltanto Pipas - Portinari

Fonte:http://www.novaprint.com.br/professores/46-resg

Figura 13 - Pula Corda

Fonte: Ricardo Ferrari. Disponível em: www.todamateria.com.br/brincadeiras-folcloricas/

Atividade realizada individualmente ou em grupo. Quando envolve mais pessoas, duas


delas balançam e rodam a corda, para que outra pule. Se de a pessoa que pula pisar na
corda, é a vez de outro jogador. Essa atividade também pode envolver músicas
populares, cantadas pelas pessoas que balançam a corda.

Figura 14 - Carrinho de Rolemã

Fonte: Ricardo Ferrari. Disponível em:http://www.novaprint.com.br/professores/46-resg

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Sugestões de Leitura
BNCC de Educação Infantil

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.
pdf

Sugestão de Pesquisa
Leia a matéria sobre O Território do brincar - pesquisa, documentação sobre a cultura
da infância e sua expressão mais genuína: o brincar. Uma realização do Instituto
Alana, realizada de abril de 2012 a dezembro de 2013, em diversas regiões brasileiras,
incluindo comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, localidades
no sertão e no litoral, revelando o país através dos olhos das crianças com registros de
brinquedos e brincadeiras de regiões brasileiras. Site do Projeto Disponível
em:www.territoriodobrincar.com.br.

RESUMO

Nesta Unidade, apresentamos o universo lúdico da criança que pode ser explorado para
desenvolver habilidades psicomotoras e aprendizagens nas diferentes fases da vida e
indicamos atividades que podem ser realizadas desde a Creche visando estimular a
motricidade fina e grossa, a percepções sensoriais e também identificar as limitações e
dificuldades das crianças .As recomendações de leitura e vídeos ampliará o universo
de informações a fim de que possa propor atividades ,acrescentando brincadeiras que
marcaram sua infância e percebendo quais as habilidades que desenvolveram nos
aspectos de percepção auditiva, visual, olfativa e também as habilidades motoras ,
lateralidade, coordenação motora , equilíbrio , ritmo, atenção e rapidez de reação.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Silmara. A Educação Física na Educação Infantil. Curitiba:


Editora Gráfica Expoente ,2008.v.1.

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FERLAND, Francine. O desenvolvimento da criança no dia a dia. Do berço até à


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