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{ MEMÓRIAS DE UM

SE M I N A R I S T A . . . }

HELTON MOREIRA
POR
Organizado por The Culture of R
esus
{ MEMÓRIAS DE UM
SEMINARISTA... }

HELTON MOREIRA
POR
The Culture of R
esus
Copyright 2020 Autor: Helton Moreira
Culture do Evangelho
Categoria: Vida Cristã
Diagramação: Helton Moreira
Capa: Helton Moreira
Preparação: Helton Moreira
Primeira Edição 2020 Revisão: Helton Moreira
Todos os direitos reservador.
É proibida a reprodução total
ou parcial sem permissão Coordenação editorial:
escrita dos editores Helton Moreira

As citações Bíblicas foram


extraídas da edição
Nova Almeida Atualizada

Rua Esmeralda, 445


Joquei Clube - Boa Vista/RR
CEP. 69313-112
thecultureofjesus@gmail.com

(95) 99171-7265
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SEMINARISTA... }

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Caso você
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pelo amor de
Deus entre
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Editora: The Culture of Jesus ..
Projeto editorial: Helton Moreira
Coordenação editorial: Helton Moreira
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Capa: Helton Moreira ..
Diagramação: Helton Moreira
Revisão: Helton Moreira ..
Copyright © 2020 ..
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The Culture do Evangelho
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QU E D E U S
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6
‘‘ e o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o
a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem
os outros. ‘‘ 2 Timóteo 2.2

No mês de junho de 2014 Aceitei o convite e no dia que


apareceu uma série de estava marcado para levar a
questionamentos e um deles foi: mensagem fui almoçar em um
“Senhor, o que é ministério, o Recanto com a família, lá
que é ser ministro do Senhor?”. recebemos duas noticias que
mudariam meus pensamentos,
Tive que fazer escolhas que caráter e atitudes.
afetariam não só a mim, mais a
toda minha família, sem saber A primeira notícia era que dois
quais decisões tomar, prostrei- primos haviam sofrido um grave
me diante do Senhor e disse: “Eu acidente e que tinham falecido e
me rendo! Perdi, sem o Senhor a segunda notícia foi que um
no controle é GAME OVER!”. amigo e pastor que estava de
fér ias havia sofr ido um
Abandonei ministérios e cargos, aneurisma cerebral e seu estado
permiti que a ira e o rancor era gravíssimo. Pois bem, já não
entrassem em meu coração, dava mais para continuar
sentei no banco da Igreja e estava almoçando, passei o resto do dia
decidido não servir mais ao resolvendo os assuntos do
Senhor. Foi quando eu intendo funeral e a noite foi levar a
que Deus, não por querer mensagem para a Igreja, uma das
castigar, mas sim, por amor a pregações mais difíceis de minha
mim, começou a me corrigir. vida.

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A empresa em que trabalhava minha família, com estudos no
me despediu, e fui ficando e horário diurno e noturno com
me envolvendo com a o suo da biblioteca, além de
comunhão dos irmãos da IBJD, forma informal teríamos que
quando me dei conta o pastar ensinar a Língua Portuguesa e
já estava de volta e nos fins de semana teríamos
conversamos sobre minha vida, que dar apoio a uma igreja
meu ministério e meu local, desenvolvendo diversas
chamado. atividades.

Ajudou-me a reorganiza-los de Atualmente estamos nos


modo que me matriculei no preparando para irmos para
Seminário Teológico Batista essa nova etapa de nossa
Logos – STBL. caminhada cristã.

Conversei com o pastor da


Igreja onde congregávamos e
me deu a carta de
transferência, com o inicio das
aulas, me foi proposto uma
bolsa integral de estudo no
Seminário Teológico da
Venezuela, onde poderia levar

O objetivo deste livro é ajudar a você prostrar-se diante da majestade e


soberania de Deus, contemplando-o em cada texto das Sagradas
Escrituras, sendo moldado e transformado pelo poder do Evangelho
para a que o Senhor seja glorificado a traves da forma como vivemos.
Paulo disse: Porque nós somos cooperadores de Deus.

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CAPÍTULO I

Biografia

Quem sou eu?

Quem se define se limita, sou um eterno aprendiz, servo do


Senhor!

H elton Moreira nascido em primeiro de novembro de 1976 em


Goiânia, estado Goiás, casado com Irisbel Moreira, Pos
Graduada em Pedagoga para Jovens e Adultos, pai de Higor
Moreira (9 anos), Licenciado em Teologia, menção Pastoral pelo
Seminário Teologico Bautista de Venezuela e Pregador da Palavra de
Deus.

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Iniciei meu ministério na Igreja Batista Jardim Floresta em 2004,
como Vice Moderador, e tive o privilégio de experimentar vários
ministérios, como Juventude, Pequenos Grupos, Missões e
Evangelismo, Ministério com Crianças, Ministério de Discipulado,
Ministério de Casais, Ministério com Mídias Áudio Visuais.

Durante todo esse tempo o Senhor me permitiu cada vez, mas estar
me capacitando e formando para muitas outras áreas como por
exemplo fiz alguns cursos pela Universidade da Família - UDF, tais
como: Veredas Antigas I e II, Crow (Finanças à Maneira de Deus)

Em 2013, apoiei na Igreja Batista Nova Canaã, onde foi Vice


Moderador, e fundei a da Rede Jovens Identidade, tornei-me
Missionário Voluntário em 2013 da Organização Eu Escolhi Agir -
EEA onde tenho pautado minha vida e meu ministério na ética e no
compromisso com a verdade, cumprindo assim: o "IDE" de JESUS.
Atualmente sou membro da Igreja Batista Jardim de Deus e apoiado
todo o trabalho que vem sendo desenvolvido ali.

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A Conversão

Minha conversão aconteceu em um momento bem extremo e difícil


de minha vida. Estava sofrendo uma crise existencial, por conta de
uma separação, em que realmente eu não sabia que tipo de atitude
tomar.

Neste momento de minha vida estava casado, na modalidade civil, ou


seja, no cartório, e minha antiga esposa, muito jovem, entendeu que
deveria se envolver com outra pessoa, e assim cometeu alguns atos de
adultérios. Me encontrava em uma situação que não sabia como
resolver, minha mente estava cheia de conflitos, não sabia que tipo de
atitude tomar.

Então, nesse momento de crise existencial questionei a Deus: “Deus,


se você existe? Então prova para mim!” No exato momento que fechei
meus lábios, Deus provou quem ele era, quem era Deus em minha
vida. Posso afirmar que a dias não dormia, e essa noite, foi a noite,
mas maravilhosa que eu pude ter, porque a vários meses já não
conseguia dormir.

Por primeira vez em minha vida a Palavra do Senhor fez efeito em


minha vida e pude experimentar o que o salmista diz:

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“Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a
vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã
irrompe a alegria.”
Salmos 30:5

Foi a noite que chorei com mais intensidade em minha vida, um


pranto de libertação, um pranto em que sentir que Deus tirou de
minhas costas um fardo pesado que carregava. outra vez me vez a
Palavra em minha mente:

28
“Venham a mim, todos os que estão cansados e
sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. 29 Tomem sobre vocês
o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de
coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. 30
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
Mateus 11:28-30

O choro havia durado quase uma noite, mas a alegria veio pela manhã,
e essa foi minha primeira experiência com Deus, contemplei dessa
Graça Maravilhosa de Deus. Essa Graça Maravilhosa e irresistível me
tomou, me envolveu e me encheu de Paz.

Pela manhã do dia seguinte, depois do café da manhã, quando menos


esperava o telefone toca inesperadamente, era meu tio e pastor, nesse
momento pastoreava Igreja Batista Jardim Floresta, a chamada era
para convidar a nós como família para celebrar o aniversário de 10

12
anos da Igreja. Me explicou seriam três noites com extensas
Conferências com a Exposição da Palavra baseada na segunda carta de
Paulo a Timóteo, e durante o dia de sábado teria campeonato de
futebol, gincanas, churrasco nas instalações da igreja, e etc.

Perguntei: “Tio, está me convidado para o culto à noite?”

Ele respondeu: “Sim, posso passar para buscar vocês, mas tem que ser
as 17:30h.” Nesse momento confirmei que poderia passar nos
buscando.

Exatamente as 17:30h ele chegou, escutamos uma buzina, entramos


no carro, nos saudamos e praticamente não falamos mais nada até
quando chegamos na igreja. Tudo ocorreu normalmente, até o final
da exposição da mensagem, e me lembro como hoje o versículo que
foi exposto, 2 Timóteo 2.2: “E as coisas que me ouviu dizer na
presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam
também capazes de ensinar a outros”, isso foi suficiente para mim, o
expositor não fez chamado para levantar a mão ou para que fosse a
frente, mas senti nesse momento que deveria responder ao chamado
que o próprio Jesus me estava fazendo, me levantei e comecei a
caminha em direção do púlpito, quando olho para trás, percebo que
vinham juntos minha mãe e meus dois tios, Alcione ou como à
chamamos Tia Ninha e Tio Welber.

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Quando Deus faz, ele faz por completo. Minha mãe era alcoólatra e
fumante e eu já praticamente ia chegar a esse ponto, mas a
misericórdia nos alcançou nesse dia e nos purificou.

Lições Práticas
Existem certas aplicações desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição
Deus nunca te abandona, ele sempre está presente em sua vida,
mesmo que você não perceba, mesmo que seu coração esteja tão duro
ao ponto de não perceber que Deus é presente, que Deus ama, que
Deus cuida, que Deus guarda, que Ele é contigo.

Segunda lição
Somente Cristo pode mudar a sua forma de pensar, como em
Romanos 12.1 - Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de
Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus;
este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste
mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que
sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus. Pois pela graça que me foi dada digo a
todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado

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do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito
equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”.
Esse foi o momento em que tive entendimento, de que realmente eu
era pequeno, miserável pecador e que necessitava dessa graça
maravilhosa de Cristo, pude perceber a vida pecaminosa que
caminhava, sem Cristo. Ele me deu Vida Nova, uma nova chance para
realmente viver.

Terceira lição
Entendi bem a pregação do dia em que confirmei e testifiquei quem
eu sou em Cristo, o texto está na segunda carta de Timóteo capítulo
2, versículo 2. Deus está à procura de homens fiéis e idôneos, que
sejam capazes de ensinar o verdadeiro evangelho a outros, que
também sejam capazes de pregar o Cristo verdadeiro a outros que
necessitem também.

Primeiro de maio de 2003, o dia em que o Senhor pela sua graça e


misericórdia me alcançou. Ditoso o dia em que aceitei do meu Senhor
a salvação; A grande paz que eu alcancei perdura no meu coração.
Que prazer eu senti no dia em que me converti! Agora sinto o seu
amor, segurança, paz e fervor. Sou feliz, pois em Jesus me satisfiz!
Aquilo que eu então entreguei minha alma, sim, o cumprirá. Em cada
dia renderei louvor a Deus, que me ouvirá. Exulta, pois, meu
coração, no Filho do supremo Deus; Porque me deu a redenção e me
trouxe perdão.

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O Casamento

Depois de meu coração ter sido restaurado, ressalto que neste


momento não estava procurando uma companheira, na realidade,
neste momento o que ocupava minha mente era evangelizar e
discipular. Foi quando a empresa de telefonia Tim havia acabado de
chegar no estado de Roraima, adquirir uma linha que tinha um
programa de chat, nesse momento se chamava Blah. Através desse
Blah enviava mensagens evangelísticas para as pessoas, e as pessoas
podiam responder, acabei conhecendo a minha amada esposa a Irisbel.

Depois de um certo tempo somente conversando por mensagem, sem


ver fotos, sem nunca ter feito uma ligação, sem nunca ter ouvido sua
voz, resolvemos nos conhecer. O dia escolhido foi justamente no dia
de meu aniversário, nos encontramos em uma Praça Movimentada,
comemos um cachorro-quente. Os dias se passaram e tive a
oportunidade de evangelizar e discipular, logo veio uma proposta para
o casamento.

Não quero me alongar muito esse relato de memória, porque isso é


material para um novo livro, que também estou escrevendo.

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O Filho

Casados a três anos, sabíamos que era hora de ter um filho, entramos
em um processo, Iris estava tentando ficar grávida, porém não
conseguia, momento doloroso para nós. Já havíamos tentado quase
tudo, e não ficávamos grávidos, então uma bela noite, já cansado de
ver a minha esposa chorando, aos prantos decepcionada, orei, impus
minhas mãos sobre seu ventre, e com todas as minhas as forças e fé
orei, pedindo para que o Senhor nos concedesse o privilégio de ter
um filho ou uma filha, nessa oração o seu ventre ardia como se
estivesse sendo queimado. Alguns meses depois, o Senhor nos
concedeu o privilégio de sermos pais, o Higor nasceu em 17 de abril
de 2010.

Lições Práticas
Existem certas lições práticas diante desses testemunhos de meu
casamento e nascimento de nosso filho.

Primeira lição
Eu aprendi que, quando estamos focados em viver uma vida que
agrada a Deus, Ele pode, por misericórdia e graça te abençoar, e isso
não significa que vai, porque Deus é soberano e tem o controle de
tudo e todos em suas mãos.

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O Chamado

Logo depois de minha conversão, no dia seguinte dia 2 de Maio de


2000, segunda-feira às 19:30 da noite, fui surpreendido por uma
quantidade de carros e jovens chegando em minha casa, com eles
traziam, mesas e cadeiras, muitas massas de pastel, queijo, presunto
e refrigerantes, era uma festa para mim, e eu não sabia, eles estavam
celebrando a Cristo por mais um pecador que se rendeu diante de
Cristo, celebravam minha conversão. Isso realmente impactou minha
vida e fez diferença para realmente buscar, mas de Deus e
compreender o chamado que Deus estava fazendo em minha vida.

Na noite seguinte, terça-feira 3 de maio, comecei a participar de um


curso de evangelismo, durou três noites, foi bastante intenso para
mim nesse momento, porque estava respondendo a tantas perguntas
que tinha em minha mente.

Na sexta-feira 6 de maio começa a Casa do Julgamento®, que é uma


apresentação teatral interativa que lida com as escolhas feitas pelas
pessoas e as consequências dessas escolhas nesta vida e na eternidade.

Mas Casa do Julgamento® é bem mais do que isso. Nem uma outra
ferramenta tem se mostrado tão eficaz em apresentar às pessoas uma
oportunidade de escolherem um relacionamento pessoal com Jesus
Cristo. Em mais de 20 anos de história Casa do Julgamento® tem

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estabelecido um impressionante registro como uma das mais eficazes
ferramentas de evangelização para alcançar aqueles que têm certa
resistência de virem a um culto tradicional ou eventos evangelísticos.

Desde seu início em 1983 um número estimado de 3.9 milhões de


pessoas já assistiram a uma apresentação de Casa do Julgamento® e
390.000 tomaram, pela primeira vez, a decisão de seguir a Jesus.
Além disso, Casa do Julgamento® tem um incrível impacto sobre as
igrejas e organizações que escolhem, em parceria conosco, montarem
Casa do Julgamento® em sua cidade. Essas igrejas e organizações
estão continuamente relatando que a montagem de Casa do
Julgamento® unifica as pessoas, traz foco e enriquece a vida de
oração, também fortalece o compromisso de alcançar os sem igreja
em sua comunidade.

Casa do Julgamento® uma ideia inovadora em termos de teatro: ao


invés do público ficar imóvel e os atores entrarem e saírem de cena,
trocar cenários, etc. é o público quem se movimenta indo de sala em
sala (num total de oito). As pessoas que vêm assistir à apresentação
são recebidas por recepcionistas e solicitadas a preencherem uma ficha
de inscrição. Depois de feita a inscrição, são colocadas em grupos que
variam de 12 a 25 pessoas. A cada 10 ou 15 minutos um grupo começa
sua viagem pelas diversas salas da montagem. Para guiá-los ao longo
do caminho e ajuda-los a entender a história que se desenrola um guia
acompanha o grupo durante todo o tempo. O guia para do lado de

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fora de cada porta e dá um breve resumo da cena anterior e os prepara
para a cena que irão ver em seguida.

Nas primeiras salas as cenas contam uma história única que acaba
levando a uma tragédia, depois da qual alguns dos personagens
centrais da história, bem como todo as pessoas assistindo,
experimentam aquilo que Casa do Julgamento® acredita ser o que
acontece com aqueles que morrem. Isto inclui uma cena sobre o
julgamento final, nesta cena os personagens principais são enviados
para seus destinos finais, baseado nas suas decisões de aceitar ou
rejeitar o presente de Deus: um relacionamento pessoal com o
salvador Jesus Cristo. Em seguida os visitantes têm uma breve visão
daquilo que os espera no céu quando aceitam o presente de Deus, bem
como uma pequena parte da separação eterna de Deus no inferno, que
é a consequência de se rejeitar o mesmo presente.

O guia os leva então para a última sala onde alguém faz um resumo
geral da história e dá oportunidade para as pessoas aceitarem o
presente de Deus através de Jesus Cristo Seu filho. Aqueles que
tomam uma decisão ou têm dúvidas são convidados a acompanhar um
conselheiro numa conversa pessoal e por quanto tempo acharem
necessário.

Todo esse processo leva em média de 45 minutos, à uma hora, para


ser completado, como um novo grupo inicia sua viagem a cada 10 ou

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15 minutos, uma média de aproximadamente 120 pessoas por hora
pode assistir a uma apresentação de Casa do Julgamento®.

Cheguei a sétima sala, a sala que se chama o apelo, ali estava alguns
irmãos amigos que tinha feito nesses dias que havia conhecido, como
por exemplo, hoje o Paulo Roberto, hoje é pastor, mas naquele
momento Paulo Roberto, Paulinho era só um jovem com a mesma
sede que eu tinha de Cristo. Também estava o Troy, outro jovem,
filho de um pastor americano, me convidaram para permanecer na
sala.

Por um certo tempo permaneci prestando bem atenção no que eles


estavam fazendo, faziam convites, chamados, era um resumo do que
tinha acontecido em cada uma das cenas da Casa do Julgamento e
depois convidaram as pessoas há um arrependimento.

Depois de um certo tempo observando os grupos que passavam fui


surpreendido quando o Paulinho se apresentou e disse que eu teria
algumas palavras para compartilhar, havia um grupo de jovens ali
sentados, isso me pegou de surpresa, meu primeiro desafio, porque
realmente eu não sabia o que fazer, fui instrumento do Senhor, esta
noite tive o privilégio e a alegria de experimentar a graça e
misericórdia do Senhor, fiz o resumo do que eu tinha visto, ao final
fiz o chamado, um convite para aquelas pessoas que estavam ali, 12
pessoas realmente entregaram suas vidas a Cristo e essa foi a maior
experiência que eu vivi depois da minha conversão. O poder é de

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Deus, a glória é de Deus, mas a alegria é nossa de poder fazer parte
dos planos de Deus, nessa noite foram mais de mil pessoas que
entregaram suas vidas a Cristo.

Sou grato a Deus, porque desde o princípio ele me fez parte da sua
grande obra. Logo em seguida disso, começou um processo de
discipulado em minha vida, foi ensinado há ter sede pela leitura da
Palavra de Deus, sede de conhecer esse Deus maravilhoso, que tinha
acabado de me resgatar do lamaçal de pecados e todos esses hábitos
saudáveis começaram a entrar na minha vida, não tinha mais nenhum
rancor das coisas velhas, que haviam passado na minha vida, estava
totalmente sarado e restaurado e louvo a Deus por isso!

Pouco a pouco Deus foi permitindo que tivesse certas


responsabilidades na igreja por um período de quase um ano e meio
foi esse processo e discipulado de aprendizagem de crescimento de
Madureira de espírito uau experimentando algumas oportunidades de
ministério entre as quais evangelismo discipulado que trabalham com
ministério infantil com as crianças trabalho com os jovens e
adolescentes da igreja e logo a igreja minha estava elegendo como o
vice moderador por 7 anos tive o privilégio de servir ao Senhor e aos
amados irmãos da Igreja Batista Jardim Floresta onde junto construir
um ministério saudável Ministério voltado realmente há em ensinar a
palavra é uma igreja que se preocupou sempre desde o princípio a
realmente é pregar o verdadeiro evangelho sem da meias voltas mas
com humildade como se dão nas palavras com respeito e nesse

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processo de 7 anos o senhor me capacitou mas sempre com desejo,
desejo de querer crescer mais de querer ministrar de uma forma
diferente na vida dos irmãos tentei duas vezes fazer o seminário a
primeira vez saiu uma extensão no seminário palavra da vida e eu fiz
dois semestres um ano seminário depois por diversas circunstâncias
dificuldade da vida não tive condições de seguir pagando a seguir
estudando também me complicava porque estava num processo de
formação de família parcelas de situações que me pediram e não
abandonei o seminário anos depois o seminário Logos aqui da
convenção Batista de Boa Vista foi reativada e eu comecei a fazer o
seminário fiz um semestre nesse que eu estava constando teve a
oportunidade de conhecer o pastor Carlos Godoy um venezuelano
engraçado do seminário teológico batista de ver isso ela já viu e aqui
no Brasil atualmente como quase 20 anos e nesse momento ele estava
com o vice-presidente da convenção e dava aula no seminário Logos
então ele me falou do seminário teológico mas o celular da Venezuela
e disse porque tu não mora, então eu contei algumas dificuldades que
eu tinha compartilhei com ele que a minha esposa aí espera ou ela
sentava quase todas as coisas que vem de Deus mas uma das nossas
dificuldades como esposa era que ela não queria ser esposa de pastor
porque ela vê o que passa as esposas de Pastores ela ver o que os
pastores passam como as igreja os membros tração em cada um dos
pastores ela dizia que não queria isso para minha vida nem para vida
dela essa noite a gente conversou eu cheguei em casa e compartilhei
com ela porque ele tinha conversado comigo que Pastor Carlos Godoy
havia conversado comigo e para minha surpresa ela disse vamos orar

23
e isso é um espaço de tempo de 2 meses para minha surpresa ela disse
eu já orei e Deus Confirmou que realmente esse é o momento para
nós darmos um upgrade na nossa vida realmente eu pensei que vai ser
bom para nós E aí continuamos orando mais um período para
confirmar se realmente era essa vontade de Deus para não ter dúvida
e colocamos diante de Deus da vida do nosso filho O Igor no momento
ele tinha 4 anos e vamos para confirmação e as coisas foi fluindo
naturalmente e foram também milagre de Deus porque nesse
momento então eu estava desempregado havia sido perdido o
emprego porque não compactuava com a forma em que a empresa
que ele ia trabalhar e queria sonegar impostos Então me viu Obrigado
a realmente pedir para sair e não compactuamos com essa forma
errada Minha esposa também teve algumas dificuldades na empresa
que ela queria fazer acordo para sair a gente ter esses recursos para
dar entrada no passaporte, tirar a Visa, que é um visto especial, a Visa
Missionária, para poder estar corretamente no outro país né e fazer
os estudos e pouco a pouco Deus levantou os recursos pessoas que
poderão apoiar desde já também eu quero deixar aqui registrado o
meu muito obrigado os meus sinceros agradecimento pela fidelidade
de Deus em usar a minha mãe nesse processo mesmo que foi um
processo de dor doloroso é difícil para ela se distanciar de mim daí do
Igor que ela ama tanta gente isso seria difícil para ela né estar longe de
nossa Além do mais eu sou filho único e como não ficaria o coração
da minha mãe mesmo assim Deus consolou Deus cuidou dela né E ela
nos apanhou financeiramente Praticamente em tudo para tirar o
passaporte para pagar o vírus aqui não era não era barato nesse

24
momento enfim Adeus também porque usou o pastor Carlos Godoy
nesse processo da nossa vida e até que enfim estava tudo pronto o
dinheiro para as passagens o contato no seminário todo esse processo
já pronto para viagem.

25
A Confirmação do chamado
No mês de junho de 2014 apareceu uma série de questionamentos e
um deles foi: “Senhor, o que é ministério, o que é ser ministro do
Senhor?”. Tive que fazer escolhas que afetariam não só a mim, mais a
toda minha família, sem saber quais decisões tomar, prostrei-me
diante do Senhor e disse: “Eu me rendo! Perdi, sem o Senhor no
controle é Game Over!”. Abandonei ministérios e cargos, permiti que
a ira e o rancor entrassem em meu coração, sentei no banco da Igreja
e estava decidido não servir mais ao Senhor. Foi quando eu intendo
que Deus, não por querer castigar, mas sim, por amor a mim,
começou a me corrigir.

Recebi um convite de um pastor e amigo que estava entrando de férias


e estava fazendo uma escala de pregação, já há meses não pregava.
Aceitei o convite e no dia que estava marcado para levar a mensagem
fui almoçar em um Recanto com a família, lá recebemos duas notícias
que mudariam meus pensamentos, caráter e atitudes.

A primeira notícia era que dois primos haviam sofrido um grave


acidente e que tinham falecido e a segunda notícia foi que o Pr.
Cleones que estava de férias havia sofrido um aneurisma cerebral e
seu estado era gravíssimo. Pois bem, já não dava mais para continuar
almoçando, passei o resto do dia resolvendo os assuntos do funeral e
a noite foi levar a mensagem para a Igreja, uma das pregações mais
difíceis de minha vida.

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A empresa em que trabalhava me despediu, e fui ficando e me
envolvendo com a comunhão dos irmãos da IBJD, quando me dei
conta o pastar já estava de volta e conversamos sobre minha vida, meu
ministério e meu chamado. Ajudou-me a reorganiza-los de modo que
me matriculei no Seminário Teológico Batista Logos – STBL.
Conversei com o pastor de minha antiga Igreja e me deu a carta de
transferência, com o início das aulas, me foi proposto uma bolsa
integral de estudo no Seminário Teológico da Venezuela, onde
poderia levar minha família, com estudos durante o dia e a noite nós
deveríamos em contra partida ensinar a Língua Portuguesa, nos fins
de semana deveremos dar apoio a uma igreja local, desenvolvendo
diversas atividades. Atualmente estamos nos preparando para irmos
para essa nova etapa de nossa caminhada cristã.

Lições Práticas
Existem certas lições que podemos aprender com relação ao
chamado, confirmação e providencia.

Primeira lição
O chamado de cada um é diferente e para uma tarefa diferente e
específica, tarefa essa que somente você poderá executar. Jesus em
Mateus 25:15, reparte entre pessoas recursos (talentos), e parte. O
que esperava Jesus é que eles pusessem em pratica as habilidades que
possuíam e que houvesse um resultado produtivo através das ações e
atitudes desses homens que haviam recebido os talentos de Jesus.

27
Jesus não esperava que eles fizessem as mesmas coisas, ele esperava
que fizessem algo. Assim apliquei em minha vida esse aprendizado,
compreendi meu chamado, aceitei meu chamado, fui me capacitar
para o meu chamado (ministério) e agora fui enviado a cumprir meu
chamado.

Segunda lição
Também aprendi que sem humilhação, adoração e oração é impossível
escutar e compreender a vontade de Deus para sua vida. Porque uma
coisa é congregar em uma igreja e outra coisa é viver sendo igreja.
Quero exemplificar melhor usando uma ilustração de “a treliça e a
videira”:

Temos duas treliças em nosso quintal. Uma está presa à parede de trás
da garagem; é uma treliça muito bem feita. Gostaria de reivindicá-la
como minha própria criação, mas não posso. Ela é forte, confiável e
projetada com habilidade; a pintura verde-oliva tem sido mantida
nova. Falta apenas uma coisa: uma videira.

Imagino que antes existia uma videira, a menos que a construção da


treliça tenha sido uma daquelas obras de um faz-tudo que demorou
tanto, que, ao final, ninguém apareceu para plantar algo que crescesse
na treliça. Alguém certamente dedicou muito tempo e cuidado à sua
construção. Ela é quase uma obra de arte. Mas, se já houve uma

28
videira que se estendeu em volta desta linda treliça, hoje não há
qualquer traço disso.

A outra treliça se apoia na cerca lateral e quase não é visível por baixo
de uma trepadeira de jasmim florescente. Com um pouco de
fertilizante e rega ocasional, o jasmim se mantém produzindo novos
brotos, expandindo-se para o lado, através e por cima da cerca,
expondo suas flores brancas delicadas, quando chega o calor da
primavera. Poda é necessária constantemente, bem como a remoção
de ervas daninhas ao redor da base. Preciso também jogar spray uma
ou duas vezes para impedir que as lagartas se banqueteiem da seiva das
folhas verdes. Mas o jasmim continua se desenvolvendo.

É difícil afirmar qual é a condição da treliça por baixo do jasmim, mas,


em alguns pontos, onde ela é visível, posso ver que não tem sido
pintada há muito tempo. Em uma extremidade, a treliça foi
desprendida pelos ramos insistentes do jasmim; e embora eu a tenha
prendido de novo, algumas vezes, isso foi inútil. O jasmim tem
prevalecido. Sei que terei de fazer algo a respeito disso, a longo prazo,
porque, no final, o peso do jasmim separará a treliça totalmente da
cerca, e tudo ruirá.

Tenho pensado frequentemente em tirar uma muda do jasmim e ver


se ela crescerá na bela, mas vazia treliça da garagem, embora pareça
uma vergonha encobri-la.

29
Como a obra de treliça predomina?

Quando estava sentado na varanda de trás e observava as duas treliças,


ocorreu-me mais do que uma vez o pensamento de que a maioria das
igrejas é uma mistura de treliça e videira. A obra fundamental de
qualquer ministério cristão é pregar o evangelho de Jesus Cristo no
poder do Espírito de Deus e ver pessoas convertidas, mudadas e
crescendo para a maturidade nesse evangelho. Essa é a obra de
plantar, regar, fertilizar e cuidar da videira.

No entanto, assim como algum tipo de estrutura é necessária para


ajudar uma videira a se desenvolver, assim também ministérios
cristãos precisam de alguma estrutura e apoio. Talvez não precisemos
de muito, mas, pelo menos, de um lugar onde possamos nos reunir,
de algumas Bíblias que possam ser lidas e de alguma estrutura básica
de liderança em nosso grupo. Todas as igrejas, associações e
ministérios cristãos têm algum tipo de treliça que lhes dá forma e
apoio para a obra. À medida que o ministério cresce, a treliça também
precisa de atenção. Gerência, finanças, infraestrutura, organização,
governança – todas estas coisas se tornam mais importantes e mais
complexas à medida que a videira cresce. Neste sentido, bons
obreiros de treliça são inestimáveis, e todos os ministérios que
crescem precisam deles.

Qual é o estado da treliça e da videira em sua igreja?

30
Talvez o trabalho de treliça tenha predominado sobre o trabalho de
videira. Há comissões, estruturas, programas, atividades e
levantamento de fundos, e muitas pessoas gastam muito tempo em
mantê-los todos funcionando, mas a obra atual de fazer a videira
crescer recai sobre poucos. De fato, talvez o único tempo real de
crescimento seja no culto regular de domingo, ocupado somente pelo
pastor ao pregar o seu sermão.

Se a sua igreja está nesta condição, então, há toda chance de que a


videira esteja parecendo cansada. As folhas são menos verdes, as flores
são menos abundantes, e já faz algum tempo que não se veem novos
brotos. O pastor continua trabalhando intensamente, sentindo-se
sobrecarregado, pouco apreciado e desencorajado pelo fato de que sua
obra fiel a cada domingo parece não produzir muito fruto. De fato,
ele sente muitas vezes que gostaria de fazer mais para ajudar e
incentivar outros a se envolverem na obra de videira, a obra de regar,
plantar e ajudar pessoas a crescerem em Cristo. Mas a verdade triste
é que recai sobre ele a organização da maior parte da obra de treliça –
rol de membros, propriedades e questões de prédios, comissões,
finanças, orçamento, supervisionar o escritório da igreja, planejar e
administrar eventos. Não há tempo suficiente.

E este é o fato a respeito da obra de treliça: ela tende a predominar


sobre a obra de videira. Talvez porque a obra de treliça seja mais fácil
e menos pessoalmente ameaçadora. A obra de videira é pessoal e exige
muita oração. Exige que dependamos de Deus e abramos a boca para

31
falar a Palavra de Deus, de alguma maneira, para outras pessoas. Por
natureza (ou seja, por natureza pecaminosa), nos retraímos disso. O
que você prefere fazer: sair com um grupo de voluntários da igreja e
realizar alguns serviços de limpeza ou compartilhar o evangelho com
seu vizinho face a face? Qual é mais fácil: ter uma reunião para discutir
o estado do carpete ou um encontro particular difícil no qual você
tem de repreender um irmão por seu comportamento pecaminoso?

A obra de treliça também parece mais impressionante do que a obra


de videira. É mais visível e estrutural. Podemos apontar alguma coisa
tangível – uma comissão, um evento, um programa, um orçamento,
uma infraestrutura – e dizer que fizemos algo. Podemos construir
nossa treliça até que ela atinja os céus, na esperança de fazermos um
nome para nós mesmos, mas ainda haverá pouco crescimento na
videira.

A concentração na obra de treliça que é tão comum em muitas igrejas


deriva-se de uma visão institucional do ministério cristão. É muito
possível igrejas, organizações e até denominações inteiras se darem
totalmente à manutenção de sua instituição. Conheço uma igreja que
tem 23 organizações e estruturas diferentes que funcionam
semanalmente, e todas elas são listadas no boletim semanal. Todas
estas atividades diferentes começaram, em algum momento do
passado, como boas ideias para o crescimento da vida da igreja e
resultam, certamente, em muitas pessoas circulando pelo edifício da
igreja durante a semana para fazerem muitas coisas. Todavia, quanto

32
trabalho de videira real está acontecendo? Quantas pessoas estão
ouvindo a Palavra de Deus e, pelo poder de seu Espírito, crescendo
em conhecimento e piedade? Nesta igreja específica, a resposta é bem
poucas.

Independentemente da razão, não há dúvida de que, em muitas


igrejas, manter e aprimorar a treliça predomina constantemente sobre
o cuidar da igreja. Fazemos reuniões, mantemos prédios, nos
reunimos em comissões, designamos os empregados e
supervisionamos o trabalho deles, cuidamos da administração,
levantamos fundos e geralmente cumprimos as exigências que nossa
denominação deseja que cumpramos.

De algum modo, isto tende a acontecer especialmente quando


ficamos mais velhos. Começamos a ficar cansados da obra de videira
e assumimos mais e mais responsabilidades organizacionais. Às vezes,
isto pode até acontecer porque somos vistos como desenvolvedores
de videiras bem-sucedidos e, por isso, saímos da obra de crescimento
de videira para a obra de falar aos outros sobre como realizar o
crescimento de videiras.

No entanto, as coisas pioram ainda mais quando paramos para


considerar a comissão que Deus entregou a todos nós como seu povo.
A parábola da treliça e da videira não é apenas um quadro das lutas de
minha própria igreja local; é também um quadro do progresso do
evangelho em minha rua, bairro, cidade e mundo.

33
A videira e a comissão

Em 1792, um jovem chamado William Carey publicou um pequeno


livro intitulado An Enquiry into the Obligations of Christians to use
Means for the Conversion of the Heathen (Uma Inquirição sobre as
Obrigações de Cristãos Usarem Meios para a Conversão dos Pagãos).
No livro, Carey argumentou contra a opinião prevalecente de que a
Grande Comissão, dada em Mateus 28, fora cumprida pelos primeiros
apóstolos e não se aplicava à igreja em gerações posteriores. Carey via
essa ideia como uma abdicação de nossa responsabilidade. Ele
entendia a Grande Comissão como um dever e privilégio para todas
as gerações, e assim começou o movimento de missões moderno.

Para a maioria de nós, isto não é mais controverso. É claro que


devemos enviar missionários aos confins da terra e procurar alcançar
todo o mundo para Cristo. Mas isto é realmente o que Mateus 28 nos
chama a fazer? A comissão se aplica a nossa própria igreja e a cada
discípulo cristão? Estes versículos famosos são dignos de observação
mais atenta.

Quando os discípulos levemente assustados viram o Senhor Jesus


ressuscitado num monte da Galileia, se prostraram diante dele com
uma mistura de temor e dúvida no coração. E, quando Jesus veio e
falou com eles, suas palavras não fizeram nada para acalmá-los.

34
Ele lhes disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt
28.18). Esta afirmação impressionante tem nuanças de Daniel 7.
Quando “um como o Filho do Homem” foi até à presença do Ancião
de Dias, conforme Daniel 7, “foi-lhe dado domínio, e glória, e o
reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o
servissem” (Dn 7.13-14).

“Isto é o que eu sou”, Jesus estava dizendo a seus discípulos. E, nos


três anos passados, os discípulos tinham-no visto por si mesmos. Jesus
estivera entre eles como o poderoso Filho do Homem, curando
enfermos, ressuscitando mortos, ensinando com autoridade,
perdoando pecados e dizendo coisas como estas:

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos


com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações
serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como
o pastor separa dos cabritos as ovelhas (Mt 25.31-32).

E agora, na presença do Filho do Homem, em um monte da Galileia,


eles estão vendo o cumprimento da visão de Daniel. Aqui está o
Homem diante do qual todas as pessoas, de toda nação e de toda
língua, se dobrarão.

É com base nisto – a autoridade suprema, única e universal do Filho


de Deus ressuscitado – que Jesus comissiona seus discípulos a fazerem
discípulos de todas as nações. Às vezes, nossas traduções da Bíblia dão

35
a impressão de que “ide” é a ênfase do mandamento, mas o verbo
principal da oração é “fazei discípulos”, que conta com três particípios
subordinados e ligados a ele: indo (ou “à medida que você vai”),
batizando e ensinando.

“Batizando” e “ensinando” são os meios pelos quais os discípulos devem


ser feitos. Talvez o batismo possa significar alguma outra coisa, mas
aqui ele se refere à iniciação dos discípulos no arrependimento e na
submissão ao soberano Jesus, o Senhor que governa o mundo.

O “ensinar” que os discípulos deveriam fazer reproduz o que o próprio


Jesus havia feito com eles. Jesus fora o “Mestre” deles (cf. Mt 12.38;
19.16; 22.16, 24, 36; 26.18). E, porque Jesus os ensinou, eles
cresceram em conhecimento e entendimento. Os discípulos devem,
agora, por sua vez, fazer novos discípulos por ensinarem outros a
obedecer todo mandamento dado por seu Mestre. No relato da
missão feito por Lucas, esta ordem de “fazer discípulos por ensinar”
corresponde a pregar o evangelho. Nesse relato, vemos que Jesus
disse “que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de
pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.47).

E como devemos entender o “indo”? Tradicionalmente (ou pelo


menos depois de Carey), isto tem sido entendido como um mandato
missionário, um esquema para enviar obreiros do evangelho ao
mundo. Todavia, isto pode levar igrejas locais a pensarem que estão
obedecendo à Grande Comissão se enviam dinheiro (e missionários)

36
para o exterior. De fato, o particípio seria melhor traduzido por
“quando você for” ou “à medida que você vai”. A comissão não é
fundamentalmente sobre missões em algum lugar de outro país. É
uma comissão que torna o fazer discípulos a agenda e a prioridade
normal de cada igreja e de cada discípulo cristão.

A autoridade de Jesus não está limitada em qualquer aspecto. Ele é o


Senhor e Soberano de minha rua, meus vizinhos, meu bairro, meus
colegas de trabalho, minha família, minha cidade, minha nação – e,
sim, de todo o mundo. Jamais deveríamos parar de enviar
missionários para pregar o evangelho em lugares onde ele precisa ser
ouvido, mas devemos também ver o fazer discípulos como a tarefa
central em nossos lares, vizinhanças e igrejas.

A instrução de Jesus sobre “fazer discípulos”, registrada em Mateus


28.19, não é apenas uma mensagem específica para os apóstolos
reunidos em volta dele no tempo de sua aparição final, após a
ressurreição. Os primeiros discípulos foram instruídos a “fazerem
discípulos” de outros. E, visto que estes novos discípulos estavam sob
o senhorio universal de Cristo e deviam obedecer ao que Jesus
ensinara, ficaram sob a mesma obrigação dada aos doze originais, de
prosseguir o trabalho de anunciar o senhorio de Cristo, como fizeram
seus ouvintes, e assim por diante “até à consumação do século”.

Don Carson conclui que “a ordem é dada pelo menos aos onze, mas
aos onze em seu papel como discípulos (v. 16). Portanto, eles são

37
paradigmas para todos os discípulos… Cumpre a todos os discípulos
de Jesus fazerem de outros aquilo que eles mesmos são – discípulos
de Jesus Cristo”.

Ser um discípulo significa ser chamado a fazer novos discípulos. É


claro que os cristãos recebem dons e exercem diferentes ministérios
(falaremos mais sobre isso nos capítulos seguintes). Mas, porque
todos somos discípulos de Cristo e temos com ele uma relação de
professor e aluno, mestre e seguidor, todos nós somos fazedores de
discípulos.

Portanto, o alvo do ministério cristão é muito simples e, até certo


ponto, mensurável: estamos fazendo e nutrindo verdadeiros
discípulos de Cristo? A igreja sempre tende em direção ao
institucionalismo e à secularização. O foco muda para a preservação
de programas e estruturas tradicionais, e se perde o alvo de
discipulado. O mandato de fazer discípulos é o critério que determina
se nossa igreja está engajada na missão de Cristo. Estamos fazendo
verdadeiros discípulos de Jesus Cristo? Nosso alvo não é fazer
membros de igreja ou membros de nossa instituição, e sim
verdadeiros discípulos de Jesus.

Ou, retornando à nossa parábola – nosso alvo é dar crescimento à


videira e não à treliça.

38
CAPÍTILO II

O Contato
No final de do mês de outubro de 2014, já havíamos mudado de
igreja, essa mudança era para apoiar ao pastor que tínhamos conhecido
na Igreja Batista Nova Canaã e que estava começando seu ministério
na Igreja Batista Jardim de Deus.

Eu tinha sido convidado para pregar na ausência do pastor porque ele


estaria de férias por duas semanas na Ilha de Margarita, Venezuela.
Mas chegando no hotel, aconteceu o inesperado, começou a passar
mal, e sofreu um AVC.

A notícia se tardou um pouco para chegar no Brasil, mas rapidamente


se espalhou pela denominação e muitas igrejas se uniram em oração e
se mobilizaram para coletar recursos financeiros para que o pastor
pudesse receber intervenção médica. Seu estado era gravíssimo e

39
havia um temor enquanto a cirurgia, os médicos explicaram que era
uma cirurgia de grande risco, mais que ele correria grande risco
também não fazendo a cirurgia.

Tudo isso acontecendo e eu não sabia ainda, estávamos como família


passeando em um local retirado da cidade, quando vi no noticiário que
uma caminhoneta S-10 havia caído da Ponte do Murupú, e que duas
pessoas haviam morrido afogadas. Esperando o almoço me surpreendi
com os nomes mencionados, era de meus primos. Minha mãe ficou
pálida, a fome sumiu, e nos apressamos para buscar mais informações.
O local que estávamos era muito próximo, rapidamente nos dirigimos
para o local, mas já haviam retirado o carro e os corpos.

Então seguimos para a cidade, ao IML, encontramos meu outro primo


que já estava cuidando dos assuntos do funeral, mas havia um detalhe,
também tinha chegado uma outra mensagem em meu celular, outra
notícia muito difícil para assimilar, a mensagem dizia: “...oremos pela
vida do Pr. Cleones Santos, ele sofreu um AVC assim que chegou na
Ilha de Margarita.

O resto da tarde apoiei no que podia para agilizar no funeral de meus


primos, e logo a noite tinha o compromisso de pregar na igreja onde
o pastor havia sofrido o AVC, foi um dia intenso, humanamente
difícil, de muita dor, apoiar a família e logo levar uma palavra de força
e fortaleza para uma igreja que não esperava passar por essa
dificuldade, sim, pois era uma igreja que havia passado um longo

40
tempo sem pastor. E a igreja não sabia o que tinha acontecido com
minha família, eu também tinha perdido dois familiares no mesmo
dia.

Deus atuou no coração de sua igreja, dias e noites de vigílias, irmãos


empenhados em orar 24 horas, muitos se revezando em oração,
trabalho e família, mas no final, Deus foi glorificado, os recursos
necessários para fazer a cirurgia, medicação, e hospedagem do pastor
foi alcançado e assim pode ser feita a cirurgia, e logo o pastor estava
no Brasil, em sua casa e se recuperando.

Como família ficamos apoiando o trabalho ali na IBJD, enquanto o


pastor seguia de recuperação, e pouco a pouco fomos nos sentindo
parte dessa família chamada Jardim de Deus, criamos amor pelos
irmãos e os irmãos o mesmo por nós.

Depois da recuperação do pastor tive algumas dificuldades que não


estava conseguindo entender, fiquei desempregado e um desanimo
veio sobre mim. Foi quando o pastor me fez algumas visitas e me
ajudou a entender o que estava acontecendo. Só aí que percebi e
compreendi, havia um chamado, Deus estava me chamando para me
capacitar para sua obra.

O pastor me ajudou a perceber algumas características que possuía e


que ainda não havia percebido, como liderança, aconselhamento, etc.,
então me aconselhou a orar juntamente com minha esposa e pedir

41
discernimento e clareza em relação a isso que estava acontecendo em
minha vida.

Logo percebi que poderia responder a esse chamado, o Seminario


Logos, da Convenção Batista de Roraima estava abrindo inscrições
para o próximo ano letivo, me inscrevi, e em janeiro do ano seguinte
já estava estudando. Foi quando conheci o pastor Carlos Godoy,
venezuelano, vivendo aqui já há 13 anos. Godoy neste momento
ministrava a classe de Introdução ao Antigo Testamento, sempre ao
final das aulas ficávamos um tempo conversando, e em uma dessas
conversas, surgiu a pergunta de como ele havia chegado ao Brasil,
especificamente a Boa Vista?

Carlos havia estudado no Seminário Teológico Bautista de Venezuela


– STBV, situado no estado de Miranda, cidade de Los Teques, bem
em cima de uma montanha, cercado de Pinheiros, com um clima
muito agradável, com temperaturas entre 8 e 18 graus. O STBV neste
momento de 2015, com 44 anos de existência, constituído de dois
edifícios, uma reitoria, uma capelania (capilla), que é um local para
realizar os cultos, salas de aulas, uma biblioteca com mais de treze mil
livros, um refeitório, seis pequenos apartamentos para estudantes
casados, uma quadra de esportes e professores, todos pastores
graduados desse mesmo seminário, em sua grande maioria os
professores possuem mestrado e doutorado.

42
Essa conversa fez brotar um sentimento em meu coração, sonhei
como um sonhador que sou, meus pensamentos formaram imagens
em minha mente, imagens de como seria esse Seminário, visualizava
todo o local e mais, imaginava estar estudando lá. Só tinha um
problema, minha esposa não queria ser esposa de pastor.

Chegando em casa contei tudo isso a minha esposa, Iris, mas não disse
que tinha esse desejo. O interessante foi que depois de escutar tudo
isso, Iris disse muito friamente: “Vamos orar!”

Tudo seguiu normal, dia após dia, se passaram dois meses e para
minha surpresa, Iris me chamou para conversar, e disse: “orei, e senti
que agora esse é o momento, por muito tempo fui a culpada de você
não responder ao chamado.”

Iris tinha medo ser esposa de pastor, porque sabia o que eles passam,
muitas vezes são bombardeados pela igreja com cobranças intensas,
muitas vezes pensam que porque pagam um salário, o pastor tem que
trabalhas fazendo tudo, se esquecem que, assim como eles, o pastor
também tem família e sentimentos.

Iris também sonhou, e podia ver que era Deus quem estava fazendo a
obra na vida dela, eu conhecia seu temperamento e caráter, seu
coração era duro em relação a isso, mas pude escutar Iris dizer:
“...penso que é hora, seria bom nos preparar, seria bom não se

43
preocupar com contas e casa, seria bom servir ao Senhor com todo
nosso ser. Sinto o chamado do Senhor!”

Lições Práticas
Existem certas lições desse processo que nós passamos, processo esse
que não foi fácil e que na verdade só estava começando. Não tínhamos
ideia de tudo que ainda estava por vir.

Primeira lição
Aprendi que o Senhor me examina, dia e noite e me submete a provas,
sonda meus sentimentos e minha mente (Salmos 26:2); me colocou a
prova e ainda segue me colocando, afim de me purificar como a prata
(Salmos 66:10); Pude entender claramente o Senhor me refinando, e
não só a mim, mas também a minha esposa.

Eu pensava que nunca minha esposa pudesse sentir e aceitar um


chamado, mais o Senhor já a estava tratando e quebrantando seu
coração. Foram longos 11 anos em uma espera para que ela pudesse
despertar para o chamado, já havia perdido as esperanças, mais Deus
estava trabalhando, mesmo que eu não pudesse ver. Claramente Deus
estava nos refinando, ainda não como prata, mais já estávamos na
fornalha (Isaías 48:10).

44
Segunda lição
Deus é o único capaz de sondar profundamente o coração e a mente
nossa, porque é o criador, nos compreende de forma pessoal
(Jeremias 17:10). Deus foi capaz de usar circunstancias para nos
direcionar nas decisões em que tínhamos que tomar.

Sonhador como sou, ele me fez sonhar o sonho dele primeiro, Deus
sabia que eu ficaria encantado, me encheu de amor, me deu
esperanças e logo depois disso, tratou todos os temores e medos que
Iris tinha em seu coração e purificou nosso coração.

45
O processo de oração
O passo seguinte foi conversar com nosso filho Higor Moreira, coisa
que não foi fácil, porque ficava em nossas mentes, como explicar a
Higor? Como ele reagiria? Ele sendo uma criança de 3 anos, teria a
capacidade de compreender o chamado que tínhamos como família?

Em oração buscávamos de Deus as palavras corretas para poder


conversar com ele, para explicar a ele que como família tínhamos um
chamado, e que ele fazia parte dele também. As conversas com ele
aconteciam quase que diárias, lhe explicando que essa viagem
implicaria estar distante de sua avó, de seus primos, implicaria
conhecer outro país, aprender outro idioma, conhecer e viver outra
cultura. Sabíamos que seria bem difícil por causa da alimentação que
ele tinha, sempre foi bem complicado os tipos de alimentos que ele
preferia.

Explicando que seria um processo doloroso, que seria um processo de


novas descobertas, um processo em que nós não saberíamos o que iria
acontecer, que estaríamos longe do Brasil, que estaríamos em outro
país (Venezuela).

A princípio Higor não conseguia compreender muito bem, mas


orávamos juntos em família, orávamos pedindo confirmação do
Senhor e que se fosse a vontade do Senhor, que as coisas fossem se
resolvendo.

46
Lições Práticas
As lições neste momento começaram a ser bem práticas, Deus
começou a transformar nossa maneira de como deveríamos orar. E
que transformação, quando descobrimos realmente como orar, ver o
poder de Deus atuando em nossas vidas.

Primeira lição
Fazer as coisas sem consultar, isso pode nos levar a ter resultados não
desejados. A oração deve ser feita pedindo para que Deus ilumine sua
mente com a sabedoria que vem do alto. Deus é grandiosamente sábio
para nos orientar em todas as decisões que temos que tomar. Uma
decisão tomada as presas, por emoção, podem causar grandes
desastres em nossas vidas, porém, uma decisão que tomamos ouvindo
e seguindo a sabedoria e vontade de Deus pode nos levar a grandes
lugares, e como resultado o nome do Senhor será exaltado e
glorificado.

Segunda lição
Aprendi que orar com egoísmo, ou fazer orações para simplesmente
nos satisfazer com bens materiais ou em nosso favor sempre vai nos
causar dores e sofrimento. Proem quando sabemos orar com
discernimento e sabedoria, colocando o reino em primeiro lugar,
então o resultado será diferente.

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A oração precisa glorificar a Deus, exaltar a Deus e certamente
diminuir a nós.

Terceira lição
A oração que fazemos e que temos a consciência de que vivemos pela
dependência da graça de Deus é a oração que agrada a Ele. Quando
pedimos que seja feita a vontade de Deus para as nossas vidas
declaramos que Ele é Senhor, e que somos governados pela sua
vontade. A oração certa agrada a Deus, é realmente essa que pode
fazer toda a diferença para nossa vida.

Uma oração agradável à Deus, é aquela em que o protagonista é Deus


e nós somos os coadjuvantes. O todo poderoso é Deus, todas as coisas
foram feitas por Ele, e para Ele. Exaltamos sua bondade e misericórdia
e declaramos nossa pequenez diante de sua grandeza e majestade.

48
O processo de documentação
Começamos a perceber que era Deus quem nos direcionava a esse
chamado, o desemprego. Deus havia dado o ponta pé inicial para todo
esse processo que nós iríamos passar, nesse momento eu tinha acabado
de sair da empresa que e trabalhava. Gerenciava uma equipe de vendas
com dezoito vendedores, vendíamos para do o estado de Roraima, e
tinha um bom salário, mas agora já não mais. Iris era pedagoga no
Colégio Macunaíma Objetivo de Boas Vista, trabalha somente um
horário por que entendíamos que era importante que ela pudesse se
dedicar na educação de nosso filho.

O motivo que me levou a sair da empresa, foi uma questão de caráter


e princípios do reino. A empresa queria que eu aplicasse uma política
de vendas em que sonegássemos impostos, fazendo somente 50
porcento do valor da nota fiscal para os supermercados que nós
fazíamos as vendas. Isso ia contra o que eu tinha aprendido, não era
ético, nem moral, e como cristão, como poderia compactuar
comisso? O resultado não foi favorável para mim e minha família.

Logo pensamos que Deus estava com raiva de nós, porque com meu
salário pagávamos uma casa, e muitos luxos, como internet a rádio,
tv por assinatura, e as contas fixas como, água, luz, telefone, plano de
saúde, alimentação, gasolina e farmácia. Parecia que tudo estava indo
contra os planos.

49
Como responder ao chamado agora? Era um momento difícil, e tinhas
que conseguir os recursos para tirar o passaporte para os três
(duzentos e dez reais por pessoa), recursos para traduzir nossos
documentos (trezentos reais), recursos para solicitar a Visa, esse era
em dólar (cento e cinquenta dólares por pessoa).

Não era uma Visa de turista, de fácil solicitação, era uma Visa
Religiosa, enquanto buscávamos os recursos para tudo isso, orávamos
para que o Senhor fosse a frente, tocando nos corações da família,
amigos e irmãos, para que pudessem nos ajudar.

Seguíamos o passo a passo, e chegamos na etapa da solicitação da Visa


Religiosa, e para nossa surpresa descobrimos de o Consul
Venezuelano era cristão e que frequentava a Igreja da Paz. Ao
examinar nossa carta de solicitação o Consul foi tocado por Deus, logo
marcou nossa entrevista e disse que sua esposa estava de viagem
marcada na mesma semana para Caracas e que levaria nosso processo
em mãos, nos explicou que esse tipo de Visa Religioso era bem difícil
de conseguir.

Quinze dias depois recebemos um e-mail do consulado solicitando


mais alguns documentos, isso era bom, porque avançávamos mais
uma etapa e também estavam marcando a segunda entrevista,
vencemos outra etapa.

50
Trinta dias depois da segunda entrevista, pagamos os $450 da Visa
Religiosa e dentro de quinze dias chegou nossa Visa Religiosa, com
isso poderíamos ficar 5 anos sem termos problemas na Venezuela.

O Consul também festejou conosco, porque isso foi um milagre,


ninguém em muitos anos havia conseguido esse tipo de Visa e em tão
pouco tempo, o processo todo durou somente 60 dias. Não havia mais
dúvidas, Deus já tinha tudo preparado para nós.

Lições Práticas
A lição apendida aqui, é que Deus tem o controle de nossas vidas em
suas mãos. Dono do oura e da prata e certamente nos faz participantes
de sua grande obra, não porque merecemos, mais por graça

Primeira lição
Quando vejo o que Deus projetou para nós, sei que Ele já tem tudo
traçado.

“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes


que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por
profeta.”
Jeremias 1:5

51
Deus já traçou tudo e não importa o tanto que lutaremos contra a
vontade dele, sempre a sua vontade vai prevalecer, você é que escolhe
se vai ser com dor ou sem dor.

Segunda lição
Mesmo que você pense ser impossível por causa dos recursos, não
devemos limitar a Deus. “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o
Senhor dos Exércitos”, (Ageu 2:8). Sendo assim não é você o
provedor, e sim Deus. Permita Deus controlar sua vida, suas finanças
e poderá ver as grandes maravilhas de deus em sua vida.

Terceira lição
E por último, quando entendemos que Deus nos permita fazer parte
de sua obra, a “Missio Dei”.

Existe um antigo termo latino “Missio Dei” que significa a “Missão de


Deus” ou o “Envio de Deus” - refere-se à grande missão de Deus para
restaurar a humanidade a Si mesmo (enviando Jesus) e sua vocação a
nós, Sua Igreja, para participar na missão. É uma missão que está em
jogo há milhares de anos e continua até hoje.

Jesus é a chave para esta missão. Por meio dele, temos acesso para
participar dela. Seu tempo na terra foi significativo. Por que ele veio,
o que fez e como fez, foram todos os movimentos intencionais de

52
Deus nos convidando a viver Nele e mostrando como seria essa vida
em missão.

Você conhece a “Grande Comissão”: o mandamento de Jesus nos


dizendo para “irmos por todo o mundo ...” Esse é o nosso chamado
para participar da missão. É uma honra podermos trabalhar com Deus
como parceiros na grande missão conjunta de contar e mostrar às
pessoas as boas novas da história da redenção de Deus e como ela se
aplica a eles hoje.

“Missio Dei é simplesmente viver a mensagem de Jesus


em comunidade sabendo que Deus também está
trabalhando na comunidade.”

O que te impede de fazer parte da Missio Dei?

53
Como comunicar a família?
Nesse momento havia uma pergunta em nossa mente, a pergunta que
estava em nosso pensamento era: como eu, filho único e minha mãe
íamos nos separar? Além do mais, não podemos deixar de pensar no
Higor, a ideia de estar longe do Higor era algo que afetaria
drasticamente a minha mãe. Como comunicar isso a ela? Como contar
que o Senhor tem colocado em nosso coração o desejo de estarmos
longe, em outro país, desejo de estarmos nos capacitando e formando?

Minha mãe talvez poderia ver essa situação de outra forma, de outra
perspectiva, poderia estar em sua mente que estaríamos nos
afastando, nos distanciando dela e esse processo seria doloroso para
ela. Porém Deus em sua infinita graça e misericórdia tratou de
preparar o coração da minha mãe, e não só o de minha mãe, como de
nossos familiares também. Então depois de comunicado, explicado e
orado junto com a família e familiares poderíamos ir em paz, e assim
as coisas foram se desenvolvendo.

Lições Práticas
Existem algumas lições que aprendi sobre esse assunto e com certeza
essas lições foram umas das mais intensas para mim. Foi necessário
aprender a me expressar bem, dizer o que Deus estava fazendo em
nossas vidas e o mais difícil, orar para que o Espírito Santo pudesse
faze-los se sentirem parte dessa grande obra que só estava começando.

54
Primeira lição
O ato de comunicar é a materialização do pensamento, é a expressão
dos sentimentos através de palavras. Meu coração estava carregado e
explodindo com tantas emoções. Primeiro, Deus usou uma pessoa
para mostrar o que ele tinha reservado para mim, e mais ainda, esse
projeto que Deus tinha incluía minha família e isso me leva para a
segunda lição.

Segunda lição
Agora o desejo que tinha de me capacitar, Deus havia posto também
no coração de minha esposa e nos dava a oportunidade de ampliar
nossos horizontes de conhecimentos. Deus ampliou de tal forma que
agora minha esposa se juntava nesse projeto e juntos poderíamos
inflamar a outros e nossos familiares também.

A comunicação estava em sincronia, sim, Deus usava as circunstâncias


e nos dava oportunidade de falar de missões a nossos familiares e
amigos. Podíamos comunicar com clareza e o mais bonito, podíamos
orar jutos.

Terceira lição
Orar juntos! Deus quando faz, ele faz por completo. Familiares se
juntaram em oração para que não houvesse empecilhos, para que
portas se abrissem, para que a igreja tivesse os recursos para nos

55
auxiliar. O agir de Deus foi grande ao ponto de minha mãe
compreender nosso chamado, mesmo que para ela fosse difícil aceitar
que estaria longe de nós.

Deus faz as coisas de forma extraordinária, Deus pos em nossas bocas


as palavras certas para podermos comunicar e expressar o que ele
estava por fazer em nós. Agora já não éramos só nós, éramos muitos,
juntos orando, agradecidos pelo que Deus já tinha feito e pelo que ele
ainda iria fazer.

56
CAPÍTILO III

A viagem
Então chegou o dia, o dia tão esperado para nós e tão sofrido para
minha mãe, o dia em que nós iremos nos separar. No dia 10 de agosto
de 20015 saímos de viagem, isso foi em uma segunda-feira, o pastor
Carlos Godoy que havia nos acompanhado também nesse processo,
disse que nos levaria até o seminário. Então, saímos cedo, a viagem se
daria da seguinte forma, iríamos de táxi, desde Boa vista até
Pacaraima, chegando em Pacaraima tinha que resolver as questões de
passaporte, e isso foi outro processo que começaria em nossa vida,
porque a fila era bem grande, começamos a enfrentar a fila as 9h da
manhã e só resolvemos tudo praticamente as 13h da tarde, era inviável

57
seguir viagem nesse mesmo dia, pois levávamos 25 malas e maletas.
Decidimos passamos a noite ali e seguir viagem no dia seguinte.

No dia seguinte saímos as 4h da manhã, agora havia um detalhe,


Godoy propositalmente, e nós não sabíamos, nos deixou seguir
viagem com o taxista e ele não falava português e nós não falávamos o
espanhol, esse foi o segundo desafio, de Santa Elena até Porto Ordaz,
o taxi nos deixou no Hotel que Godoy havia combinado com ele. Aqui
foi outra situação, o quarto que supostamente estava agendado para
nós ainda não estava disponível, porque ainda não havia sido limpo, e
depois de uma longa tentativa de falar por primeira vez o espanhol,
eu e a recepcionista regamos a nos entender. Ah, foi um alivia, não
foi um discursão, foi minha primeira tentativa de me comunicar em
outro idioma, claro, eu havia passado por um curso expresso de
espanhol como o taxista, foram 10 horas de Santa Helena até Porto
Ordaz.

Logo depois de nos acomodar no hotel, descobrimos que não seria


possível entrar em contato com Godoy, havia um pequeno detalhe,
não tínhamos chip de uma operadora da Venezuela, e o WiFi do hotel
naquele dia estava com problemas, enfim, outra coisa que eu teria que
resolver, pois necessitava providenciar comida para minha família.
Saímos caminhando em busca de um restaurante ali próximo, logo
almoçamos e passeamos por um mini shopping que havia nas
proximidades. Ao retornarmos para o hotel consegui entrar em
contato com Godoy. Fomos instruídos a esperar até o dia seguinte

58
quando ele viria nos buscar para seguir viagem, agora de avião até
Caracas.

No dia seguinte próximo de meio dia Godoy chegou para nos buscar,
fomos para o aeroporto fazer check-in e em seguida nos dirigimos para
o Shopping Orinoco. A ideia era esperar a hora de partida, almoçar e
comprar dois chips para nosso uso. A esposa de Godoy também nos
acompanhava, porem ficaria em Porto Ordaz na casa do Pr. Adriano.

Não havia mencionado, mas o Pr. Adriano foi outro instrumento de


Deus em nossa vida, quando tudo começou, era necessário uma carta
de recomendação para fazermos a solicitação do visa, sim, Pr. Adriano
se prontificou em nos ajudar, fez a carta em que solicitava a nós como
família missionária e isso foi um passo importante no momento da
Visa Religiosa.

Então pela manhã, ainda no hotel, precisávamos tomar café, claro,


estava incluso na diária, mas seria outro desafio, outro país, outra
cultura, outro tipo de café da manhã. Não havia pão, só arepa, mais
havia outras coisas que o Higor comia, como ovos fritos e claro, nos
havíamos levado farinha.

Depois que tomamos o café da manhã, resolvemos sair outra vez para
caminhar e esperar que chegasse a hora que Godoy chegaria para nos
buscar. Iris fez umas comprinhas, pulseiras, batons, coisas de
maquiagem e um adaptador para recarregar os celulares.

59
As 11:30 Godoy chegou, me ajudou a fechar a conta do hotel e
seguimos em direção do aeroporto. Como havia comentado, fizemos
o check-in, aqui outro detalhe, no Brasil você pode levar bagagem um
pouco acima do peso, pagando o excesso, já na Venezuela não se paga
excesso de bagagem, então de nossas malas tivemos que fazer uma
escolha, retirar de nossas malas, roupas ou alimentos. Escolha difícil,
pois Iris não queria deixar suas roupas, sapatos, chapinhas, essas coisas
de mulheres. Por fim chegamos em um acordo e ficaram alguns
shampoos, condicionadores, alguns alimentos e fomos para o
Shopping Orinoco porque queríamos fazer um saque no Banco, outra
surpresa para nós, aprendemos que os nos shoppings tem bancos.
Sacamos dois cheques, o limite que poderia ser sacado, almoçamos,
fizemos a compra dos chips e corremos para o aeroporto.

Agora mais tranquilos, pegamos o voo, tudo parece que estava


começando a ficar mais fácil, já conseguia começar a entender o
espanhol e seguir a outra metade da viagem de avião foi muito bom,
ao invés de fazer outra viagem de 12 horas de carro, fizemos em 45
minutos e pela primeira vez pudemos ver o mar, mesmo que de uma
janelinha de avião, sim, porque o avião chega no aeroporto de
Maiquetía, Caracas pela costa do Mar do Caribe.

60
Lições Práticas
A lição que aprendi foi praticamente a mesma que estava acostumado
a ler sobre Abraão, uma coisa é ler, outra coisa é viver, viver os
projetos de Deus não é fácil, mais é gratificante.

Primeira lição
A vida de Abraão toma boa parte da narrativa de Gênesis desde
sua primeira menção em Gênesis 11:26 até a sua morte em Gênesis
25:8. Embora saibamos muito sobre a vida de Abraão, sabemos pouco
sobre seu nascimento e infância. Quando conhecemos Abraão pela
primeira vez, ele já tem 75 anos de idade. Gênesis 11:28 registra que
o pai de Abraão, Tera, morava em Ur, uma cidade influente no sul da
Mesopotâmia, situada no rio Eufrates, a meio caminho entre a cabeça
do Golfo Pérsico e a cidade moderna de Bagdá. Também aprendemos
que Tera tomou sua família e partiu para a terra de Canaã, mas se
estabeleceu na cidade de Harã, no norte da Mesopotâmia (na rota
comercial da antiga Babilônia, a meio caminho entre Nínive e
Damasco).

A história de Abraão realmente se torna interessante no início de


Gênesis 12. Nos três primeiros versículos, vemos o chamado de
Abraão por Deus:

“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua


parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te

61
mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te
engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te
abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão
benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:1-3).

Deus convoca Abraão a deixar a sua casa em Harã e diz-lhe para ir a


uma terra que Ele mostrará. Deus também faz três promessas a
Abraão: 1) A promessa de uma terra própria; 2) a promessa de gerar uma
grande nação; e 3) a promessa de bênção. Assim como Deus falou com
Abraão, também falou a mim e me fez promessas essas que talvez
sejam incompreensíveis momentaneamente, mas que claramente no
decorrer do preparo de meu chamado foi ficando clara em minha
mente.

Essas promessas formam a base para o que mais tarde será


chamado de Aliança Abraâmica (estabelecida em Gênesis 15 e
ratificada em Gênesis 17). O que realmente torna Abraão especial é
que ele obedeceu a Deus. E é isso que me encorajou a seguir meu
chamado, mas, a pergunta é e você tem ouvido seu chamado? Gênesis
12:4 registra que, depois que Deus chamou Abraão, ele foi “como lho
ordenara o Senhor”. O autor de Hebreus usa Abraão como um exemplo
de fé várias vezes e se refere especificamente a esse ato
impressionante: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um
lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.”
(Hebreus 11:8).

62
Me lembro que o pastor quando foi orar em nossa despedida
para a viagem, disse:

“...Helton, que bom seria, se vocês soubessem o que vem


pela frente! Cada passo, cada situação que os espera no futuro,
assim poderíamos nos precaver. Mas deus quando chama não
mostra tudo, simplesmente manda e o servo obedece. É uma
prova que o servo tem que passar, confiar e depender.”

Quantos de nós deixaríamos para trás tudo o que nos é familiar


para simplesmente partir sem conhecer nosso destino? O conceito de
família significava tudo para uma pessoa que vivia no tempo de
Abraão. Naquela época, as unidades familiares eram fortemente
unidas. Era incomum que os membros da família vivessem a centenas
de quilômetros uns dos outros. Além disso, nada nos é dito sobre a
vida religiosa de Abraão e sua família antes de seu chamado. O povo
de Ur e Harã adorava o antigo panteão dos deuses da Babilônia, em
particular o deus da lua, Sin, então Deus convocou Abraão de uma
cultura pagã. Abraão conheceu e reconheceu o chamado de Javé, o
SENHOR, e obedeceu voluntariamente, não hesitantemente.

Segunda lição
Outro exemplo da vida de fé de Abraão é visto no nascimento
de seu filho, Isaque. Abraão e Sara não tinham filhos (uma verdadeira

63
fonte de vergonha nessa cultura), mas Deus prometeu que Abraão
teria um filho (Gênesis 15:4). Este filho seria o herdeiro da vasta
fortuna de Abraão com a qual Deus o abençoou e, mais importante,
seria o herdeiro da promessa e a continuação da linha divina de Sete.
Abraão creu na promessa de Deus, e essa fé é creditada a ele como
justiça (Gênesis 15:6). Deus reitera Sua promessa a Abraão em
Gênesis 17, e sua fé é recompensada em Gênesis 21 com o nascimento
de Isaque.

A fé de Abraão seria testada em relação a seu filho, Isaque. Em


Gênesis 22, Deus ordena que Abraão sacrificasse Isaque no topo do
Monte Moriá. Não sabemos como Abraão reagiu internamente a este
comando. Tudo o que vemos é Abraão fielmente obedecendo ao Deus
que era seu escudo (Gênesis 15:1) e que havia sido
extraordinariamente gracioso e bom para ele até este ponto. Como
no mandamento anterior de deixar sua casa e família, Abraão
obedeceu (Gênesis 22:3). Sabemos que a história termina com Deus
impedindo Abraão de sacrificar Isaque, mas imagine como Abraão
deve ter se sentido. Ele estava esperando há décadas por um filho, e o
Deus que prometera-lhe esta criança estava prestes a levá-lo embora.
O ponto é que a fé de Abraão em Deus era maior do que seu amor
por seu filho, e ele confiou que mesmo se sacrificasse Isaque, Deus
seria capaz de trazê-lo de volta dos mortos (Hebreus 11:17-19).

Aqui envolve nosso filho Higor. De certa forma Deus pediu para
que sacrificássemos no pequenino filho, não o mesmo sacrifício de

64
Isaque, mas o sacrifício de Higor seria, aprender dois idiomas, a
alimentação dele era bem complicada, seria bem difícil para ele se
adaptar a outras comidas, também o fato de estar longe de sua avô.
Mas confiávamos, tínhamos fé de que Deus poderia mudar tudo, nossa
fé nos fazia seguir a frente sem duvidar, mesmo sabendo que Higor
não comeria nenhuma arepa, nenhuma das comidas típicas da
Venezuela.

Deus supriu as necessidades de Higor, usando muitas pessoas lá,


para que pudesse comprar as coisas que Higor comia, já que nós não
tínhamos cédula de identidade venezuelana e para poder comprar era
necessário.

A Bíblia deixa claro que Abraão teve seus momentos de fracasso


e pecado (como todos nós), e não se esquiva de relatá-los. Sabemos
de pelo menos duas ocasiões em que Abraão mentiu a respeito de seu
relacionamento com Sara a fim de proteger-se em terras
potencialmente hostis (Gênesis 12:10-20; 20:1-18). Em ambos os
incidentes, Deus protege e abençoa Abraão, apesar de sua falta de fé.
Também sabemos que a frustração de não ter uma criança foi muito
difícil para Abraão e Sara. Sara sugeriu que Abraão tivesse um filho
com a serva dela, Agar, em seu nome; Abraão concordou (Gênesis
16:1-15). O nascimento de Ismael não apenas demonstra a futilidade
da loucura e falta de fé de Abraão, mas também a graça de Deus (em
permitir que o nascimento aconteça e até mesmo em abençoar
Ismael). Curiosamente, Abraão e Sara eram chamados Abrão e Sarai

65
naquela época. Mas quando Ismael tinha treze anos, Deus deu a Abrão
um novo nome junto com o pacto da circuncisão e uma renovada
promessa de dar-lhe um filho através de Sarai, a quem Deus também
deu um novo nome (Gênesis 17). Abrão, que significa “pai superior”,
tornou-se Abraão, “pai de uma multidão”. De fato, Abraão teve
muitos descendentes físicos, e todos os que depositaram sua fé em
Deus através de Jesus também são contados como herdeiros
espirituais de Abraão (Gálatas 3:29). O “Pai dos Fiéis” teve seus
momentos de dúvida e descrença, mas ainda é exaltado entre os
homens como um exemplo de vida fiel.

Uma lição óbvia a concluir da vida de Abraão é que devemos


viver uma vida de fé. Abraão pôde levar seu filho Isaque até o monte
Moriá porque sabia que Deus era fiel em cumprir suas promessas. A
fé de Abraão não era uma fé cega; sua fé era uma certeza e confiança
estabelecidas naquele que se provou fiel e verdadeiro. Se fôssemos
olhar para trás em nossas próprias vidas, veríamos a mão da
providência de Deus sobre elas. Deus não tem que nos visitar
acompanhado de anjos ou falar da sarça ardente ou partir as águas do
mar para ser ativo em nossas vidas. Deus está supervisionando e
orquestrando os eventos de nossas vidas. Às vezes pode não parecer
assim, mas a vida de Abraão é uma evidência de que a presença de
Deus em nossas vidas é real. Até mesmo os fracassos de Abraão
demonstram que Deus, embora não nos proteja das consequências de
nosso pecado, trabalha graciosamente a Sua vontade em nós e através
de nós; nada que façamos pode frustrar o Seu plano.

66
Não cometi os mesmos erros de Abraão, mais cometi muitos
outros erros, na busca por acertar. Deus me deu o privilégio de me
tornar um homem reconhecido na comunidade onde está localizado o
seminário, me deu a oportunidade de fundar duas igrejas sendo a
primeira com mais de 120 membros, evangelizados, discipulados e
devidamente capacitados para os ministérios. A segunda igreja com
mais 70 pessoas, bem encaminhada e pronta para ser emancipada
como igreja. Mas o melhor disso tudo é que a gloria é somente de
nosso Senhor, o poder é dele e tudo é para ele, a mim, fica o gozo e a
alegria de ser instrumento de Deus para aquela comunidade e país.
Mais isso é algo que irei testemunhar mais na frente.

Terceira lição
A vida de Abraão também nos mostra a bênção da simples
obediência. Quando ordenado a deixar a sua família, Abraão
obedeceu. Quando ordenado a sacrificar Isaque, Abraão “levantou-se
de madrugada” para fazê-lo. Pelo que podemos discernir da narrativa
bíblica, não houve hesitação na obediência de Abraão. Abraão, como
a maioria de nós, pode ter se agonizado com essas decisões, mas,
quando chegou a hora de agir, ele agiu. Quando discernimos um
verdadeiro chamado de Deus ou lemos Suas instruções em Sua
Palavra, devemos agir. A obediência não é opcional quando Deus
ordena algo.

67
Quarta lição
Também aprendemos com Abraão sobre como é ter um
relacionamento ativo com Deus. Embora Abraão tenha sido rápido
em obedecer, ele não se equivocou de fazer perguntas a Deus. Abraão
acreditava que Deus daria a ele e Sara um filho, mas se perguntou
como isso chegaria a acontecer (Gênesis 17:17-23). Em Gênesis 18,
lemos o relato de Abraão intercedendo por Sodoma e Gomorra.
Abraão afirmou que Deus era santo e justo e não podia imaginá-lo
destruindo os justos com os pecadores. Ele pediu a Deus que poupasse
as cidades pecaminosas se nelas houvesse cinquenta justos e continuou
diminuindo o número até dez. Em última análise, não havia dez
homens justos em Sodoma, mas Deus poupou o sobrinho de Abraão,
Ló, e sua família (Gênesis 19). É interessante que Deus revelou Seus
planos a Abraão antes de destruir as cidades e que Ele não ficou
surpreendido pelas perguntas dele. O exemplo de Abraão aqui nos
mostra como é interagir com Deus em relação aos Seus planos,
interceder pelos outros, confiar na justiça de Deus e se submeter à
Sua vontade.

Os lapsos da fé de Abraão, particularmente em relação à situação


com Agar e Ismael, mostram-nos a loucura de tentar resolver os
problemas com nossas próprias mãos. Deus havia prometido um filho
a Abraão e Sara, mas, em sua impaciência, o plano deles de fornecer
um herdeiro a Abraão saiu pela culatra. Primeiro, surgiu o conflito
entre Sara e Agar e, mais tarde, o conflito entre Ismael e Isaque. Os

68
descendentes de Ismael acabaram se tornando amargos inimigos do
povo de Deus, como mais tarde aprendemos na narrativa do Antigo
Testamento, e assim continua até hoje no conflito entre Israel e seus
vizinhos árabes. Não podemos cumprir a vontade de Deus em nossa
própria força; nossos esforços acabam criando mais problemas do que
resolvem. Esta lição tem aplicações abrangentes em nossas vidas. Se
Deus prometeu fazer alguma coisa, devemos ser fiéis e pacientes e
esperar que Ele a realize em Seu próprio tempo.

Teologicamente falando, a vida de Abraão é um exemplo vivo


da doutrina da sola fide, justificação somente pela fé. Duas vezes o
apóstolo Paulo usa Abraão como um exemplo dessa doutrina crucial.
Em Romanos, o quarto capítulo inteiro é dedicado a ilustrar a
justificação pela fé através da vida de Abraão. Um argumento
semelhante é feito no livro de Gálatas, onde Paulo usa a vida de
Abraão para mostrar que os gentios são, pela fé, herdeiros com os
judeus das bênçãos de Abraão (Gálatas 3:6-9, 14, 16, 18, 29). Isso
remonta a Gênesis 15:6: “Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi
imputado para justiça.” A fé de Abraão nas promessas de Deus foi
suficiente para Deus declará-lo justo diante dEle, provando assim o
princípio de Romanos 3:28. Abraão não fez nada para merecer
justificação. Sua confiança em Deus foi o suficiente.

Vemos nisso o funcionamento da graça de Deus bem cedo no


Antigo Testamento. O evangelho não começou com a vida e a morte
de Jesus, mas remonta a Gênesis. Em Gênesis 3:15, Deus fez uma

69
promessa de que a “semente da mulher” esmagaria a cabeça da
serpente. Teólogos acreditam que esta seja a primeira menção do
evangelho na Bíblia. O restante do Antigo Testamento narra o
resultado do evangelho da graça de Deus através da linha da promessa
começando com Sete (Gênesis 4:26). O chamado de Abraão foi
apenas mais uma peça na história da redenção. Paulo nos diz que o
evangelho foi pregado de antemão a Abraão quando Deus lhe disse:
“Em ti, serão abençoados todos os povos” (Gálatas 3:8).

Quinta lição
Outra coisa que aprendemos com a vida de Abraão é que a fé não é
hereditária. Em Mateus 3:9, Lucas 3:8 e João 8:39, aprendemos que
não é suficiente ser fisicamente descendente de Abraão para ser salvo.
A aplicação para nós é que não basta ser criado em um lar cristão; não
entramos em comunhão com Deus ou ganhamos entrada no céu com
base na fé de outra pessoa. Deus não é obrigado a nos salvar
simplesmente porque temos um pedigree cristão impecável. Paulo
usa Abraão para ilustrar isso em Romanos 9, onde diz que nem todos
os descendentes de Abraão foram eleitos para a salvação (Romanos
9:7). Deus soberanamente escolhe aqueles que receberão a salvação,
mas essa salvação vem através da mesma fé que Abraão exerceu em
sua vida.

Nossa oração é que todas essas experiências possam auxiliar e serem


de peso para nosso filho Higor possa tomar a decisão certa, a decisão

70
de se entregar completamente a vontade de Deus. Que Cristo seja seu
tudo, não poque já nos entregamos, mais porque Higor pode ter suas
experiências pessoais com Deus.

Finalmente, vemos que Tiago usa a vida de Abraão como uma


ilustração de que a fé sem obras é morta (Tiago 2:21). O exemplo que
ele usa é a história de Abraão e Isaque no Monte Moriá. Mero
assentimento às verdades do evangelho não é suficiente para salvar. A
fé deve resultar em boas obras de obediência que mostrem uma fé
viva. A fé que foi suficiente para justificar Abraão e considerá-lo justo
aos olhos de Deus (Gênesis 15) foi a mesma fé que o moveu em ação
ao obedecer a ordem de Deus de sacrificar seu filho Isaque. Abraão
foi justificado por sua fé e sua fé foi comprovada por suas obras.

Em última análise, vemos que Abraão foi um indivíduo exemplar, não


tanto em sua piedade ou vida perfeita (ele tinha suas deficiências,
como vimos), mas porque sua vida ilustra muitas verdades da vida
cristã. Deus escolheu Abraão dentre milhões de pessoas na Terra para
ser o objeto de Suas bênçãos. Deus usou Abraão para desempenhar
um papel fundamental no desenrolar da história da redenção,
culminando no nascimento de Jesus. Abraão é um exemplo vivo de fé
e esperança nas promessas de Deus (Hebreus 11:8-10). Nossas vidas
devem ser vividas de tal forma que, quando chegarmos ao fim dos
nossos dias, nossa fé, como a de Abraão, permanecerá como um
legado duradouro para os outros.

71
Deus tem nos usados para um propósito e tenha certeza de que Deus
tem um propósito para você também, ouça seu chamado, aceite seu
chamado e viva o melhor de Deus para sua vida.

72
A chegada no Seminário

Desembarcamos, fretamos um taxi e seguimos viagem de Caracas


para Los Teques, porem um detalhezinho a mais, a distância de
Caracas até Los Teque é como de Boa Vista ao município de Cantá,
aproximadamente 38 km em 35 minutos, porém de Caracas a Los
Teques gastamos mais de 3 horas.

Ao sair do aeroporto vimos outra vez aquele grande mar, grandes


montanhas que cercavam Caracas. Cidade surpreendente para mim,
nós nunca tínhamos visto tanto trânsito, tantos viadutos, um por cima
do outro, tantos os carros, tantas motos, e Higor e Iris já haviam se
esquecido que já tínhamos passado por algumas dificuldades. Quando
olhávamos para nosso lado esquerdo podíamos ver Petare, é uma
cidade venezuelana e capital do município de Sucre, Miranda. Possui
a maior Favela da América e do Ocidente, e está localizada na região
metropolitana de Caracas. A Favela de Petare ocupa um território três
vezes maior do que o da Rocinha, a maior favela do Brasil, no Rio de
Janeiro. Um filme passou por nossa cabeça, traficantes, drogas,
armas, metralhadoras e tiros, eu não imaginava que um dia eu poderia
ir lá, e fui, mais isso é história mais pra frente.

Seguíamos rumo ao seminário, tudo era extraordinário, grandioso,


impossível descrever a quantidade de sentimentos que passava em
nosso coração, outra coisa surpreendente é que passarmos por dentro

73
de túneis nas montanhas, tuneis feitos para passar por baixo de
montanhas, tuneis longos, onde você passa em alta velocidade por
cinco, seis ou até mais minutos dentro desse túnel, tudo escuro,
somente vemos as luzes do túnel e faróis.

Nosso destino era Los Teques, a capital de Miranda. Em uma tentativa


de burlarmos o trânsito caótico de Caracas, Godoy pediu para que o
taxista fosse pela carreteira velha. Embora o voo tivesse durado
somente 45 minutos, demoramos bastante para pegar nossas malas e
conseguir um taxi grande, para poder caber tudo e acabamos saindo
do aeroporto quase as 16 horas da tarde e toda a dificuldade do
transito e uma parada rápida em uma padaria para comprar algo para
nós jantarmos, chegamos quase as 8 horas da noite no seminário.

Esperava por nós uma amiga brasileira e seu esposo uruguaio, Rafaela
e Maurício, eles estavam responsáveis por nos auxiliar, nos levaram a
nossas acomodações. Rafaela havia feito intermediações e traduções
entre nós e a vice-reitora do seminário, Tamar Montilla e Massiel
Suarez Guevara, que era a responsável pelo Centro de Controle
estudantil. Na manhã do dia seguinte, dia 14 de agosto, levantamos
cedo, e Rafaela havia preparado para nós um delicioso café da manhã,
havia pão para nossa surpresa, tudo foi de muita alegria.
Comentávamos que tudo era surpreendente, que não esperávamos
aquela recepção, e os presentes que ganhamos quando chegamos.
Nunca havíamos ganhado e arroz, açúcar de presente, no Brasil não
damos presentes assim. Na noite anterior haviam alguns seminaristas

74
que estavam no seminário por conta que alguns tinham filhos que
estavam estudando. Esses presentes de boas-vindas, me lembro como
hoje, Jesus e Maria (esposos) e Anaís (filha), nos deram 1kg de açúcar,
Josué e Rebeca (esposos) e Josué David (filho), nos deram 1Kg de
arroz e 1Kg de arina pan. Como comentei, o que ganhamos nos como
presentes aqui no Brasil? Ganhamos roupas, perfumes, um calçado,
sei lá, um livro, mais ganhar comida, nunca havia ganho, isso foi
impactante, mais impactante ainda, foi descobrir que estavam tirando
do pouco que eles tinham. A crise econômica na Venezuela estava
começando, e tirar comida de sua própria boca para dar aos outros é
algo que não vemos aqui no Brasil. No Brasil as pessoas tem empreso,
tem salários, e com isso se pode pagar por comida, transporte, água,
gás etc., enquanto que na Venezuela já quase não alcançava para isso.

Em seguida tivemos uma reunião com a vice-reitora, a professora


Tamar Motilla, e para nossa surpresa descobrimos que não houve
convênio entre o Seminário Logos e o Seminario Teológico Bautista
de Venezuela (STBV). Tamar sequer sabia que o reitor do STBV,
Richard Serrano, estava conversando com o Pr. Carlos Godoy, que
nessa época era vice-presidente da CBRR e estava responsável pelo
Seminário Logos. Para nossa surpresa existia sim conversas não
oficiais entre eles, mais nada havia sido posto em papal. Para
completar a situação o reitor estava de féria, viajando para Panamá, é
um país no istmo que liga a América Central à do Sul. O Canal do
Panamá, uma reconhecida proeza de engenharia, corta o centro do
país, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico e criando uma importante

75
rota de navegação. Na capital, a Cidade do Panamá, arranha-céus
modernos, cassinos e casas noturnas contrastam com as construções
coloniais do distrito de Casco Viejo e com a floresta tropical do
Parque Natural Metropolitano., e que somente retornaria dentro de
sete a dez dias.

Todas as entrevistas e formulários que havíamos feito estavam com o


reitor. Tamar não sabia como prosseguir, mais que não nos
preocupássemos, estaria entrando em contato com ele, porque o caso
era de suma urgência. Fomos acomodados em outras habitações que
pareciam ser um pouco maior, a intenção que Tamar tinha era de nos
sentirmos melhor, como se estivéssemos em casa. Só havia mais um
detalhe, era sexta-feira e nos fins de semana não se serviam
alimentação no seminário. Ao lado do seminário existe um edifício
com quatro apartamentos bem cômodos, no estilo americano,
podemos dizer, luxuoso, pertencente ao STBV. Essa era a solução
momentânea, que passássemos o fim de semana no apartamento, pois
a Massiel Suarez, professora da Matéria de Missões (Misología) e
Coordenadora do Controle Estudantil vivia em um desses
apartamento e assim não ficaríamos a sós e teríamos onde nos
alimentar.

Mais ainda precisávamos resolver os pagamentos do seminário, os


recursos que levamos alcançava e era só fazer o pagamento que incluía
nosso café, almoço e da sena, que é um lanche das 17:30h. Como não
tinha convenio assinado teríamos que arcar com todos esses custos, e

76
a igreja que havia nos enviados não sabia desses custos, pois até o
momento era que existia o convênio. Outra coisa que precisávamos
era de uma conta bancaria, pois nossos recursos estavam na conta de
Godoy e ele precisava usar seu cartão de débitos enquanto estivesse
na Venezuela, a solução veio, Tamar se propôs em emprestar uma
conta que ela usava somente uma vez por mês, ode caia uma pensão e
Godoy então faria os pagamentos e transferiria o restante para essa
conta, assim eu poderia fazer saques ou usar o cartão.

Ótimo, tudo estava se encaixando, almoçamos e Rafaela se


prontificou em me acompanhar ao centro para comprar alguma coisa
de para comer, frutas e pão para o Higor. Porém ela acabou pegando
no sono, estava ficando tarde. Então tomei a decisão de buscar
informação se havia algo próximo, mercadinho ou frutaria, e resolvi
ir só. Quando estava saindo escuto gritos me chamando, era a Massiel,
perguntava para onde estava indo sozinho, dizendo que era bastante
perigoso, que esperasse um pouquinho, pois Tamar pediu para que
me acompanhasse.

E chegou o primeiro fim de semana, Massiel nos levou para seu


apartamento, e no dia seguinte, sábado pela manhã, ela tinha alguns
compromissos da igreja onde ela frequentava, nos deixou acomodados
em seu apartamento e com comida. No domingo levantamos bem
cedo e Massiel nos levou para o culto da Primera Iglesisa Bautista de
San Antoni de Los Altos – PIBSA, ao chegamos na igreja fomos bem
recebidos pelos irmãos, Tamar e conhecemos o Pr. Richard, o reitor.

77
Lições Práticas
“Dar e receber”, “compartilhar e dividir”, são coisas que pude aprender na
prática, pois, dar significa muitas vezes dar não somente o que temos,
mais também o que não temos. E receber é compreender que Deus
graciosamente usa pessoas para nos mostrar sua misericórdia.
Enquanto que compartilhar é ter a certeza que Deus é teu provedor,
que você só está compartilhando, porque você já foi abençoado e
dividir é mais extraordinário ainda, porque ao dividir você pode
mostrar seu caráter de misericórdia, uma característica dos atributos
de Deus.

Como disse Jó:


“Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus
olhos.” (Jó 42:5)

Posso dizer que hoje conheço a Deus não porque li sua Palavra, mais
conheço a Deus pelas experiencias que me fez passar, assim hoje sei o
significado de seus nomes, não porque foram traduzidos, mais porque
houveram situações em que pude chama-lo de:

Primeira lição
O Senhor que está presente, o “Deus presente” – “Yhwh-Shammah”
(Ezequiel 48:35). Deus esteve presente durante nosso tempo de
capacitação no seminário. A presença de Deus trouxe paz em meio a

78
tantas dificuldades que pudemos viver e ainda segue nos brindando de
sua presença!

Cada passo que demos no antes, durante e depois, devemos ter essa
clareza de que Deus é presente para nós, como diz em sua Palavra.

“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito,


diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar
o fim que esperais.”
Jeremias 29:11

Segunda lição
O Senhor que proveu, o “Deus proverá” – “Yhwh-Yireh” (Gênesis 22:14).
Deus desde o início do chamado proveu. Proveu o contato, os meios,
os recursos, pessoas, lugar, alimento, paz e gozo. Esse é o Deus todo
poderoso, o “Grande El Shadai” (Gênesis 17:1-22). O Deus que tem
poder para prover, o Deus “Yhwh-Raah” (Salmos 23:1), que me
pastoreou durante esse tempo de capacitação e formação. Sempre nos
levando a pastos verdejantes, aguar refrescantes e paz!

Terceira lição
Aprendi que o Senhor é a minha bandeira - “Yhwh-Nissi” (Êxodo
17:15), sempre a frente demosntrando quem tem poder, o Deus
Forte – “El Elyon” (Isaías 14:13), não havia impessiolho para nenhuma
alcabala, nunca houve situação em que ficamos detidos, mesmo

79
quando inúmeras vez as situações pareciam sem saída, fronteira
fechadas, nada impedia o Senhor, porque sempre foi o Deus justiça
nossa - “Yhwh-Tsidkenu” (Jeremias 23:6), sempre guardando nossa
vida.

Poderia citar todos os nomes de Deus aqui e contar inúmeros


testemunhos de como cada node de Deus hoje tem significado para
nós, porém, quero ressaltar que quando decidimos viver, não mais
para nós, como disse Paulo:

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas
Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a
pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si
mesmo por mim.”

Gálatas 2:20

Assim poderemos ter verdadeira experiências com Deus e disfrutar


de sua graça e misericórdia. O que está faltando para que você tenha
essa oportunidade? O que te impede? O que você precisa fazer para
também viver os propósitos de Deus em sua vida e conhecer nosso
Deus não só pela Palavra, mais por verdadeiras experiências.

80
A primeira noite, a crise de choro!
Pois bem, descobrimos que não havia convênio entre os seminários,
estava claro que teríamos que pagar mensalmente uma mensalidade,
essas situações ou circunstâncias não estavam em nossos planos,
proem estavam nos planos de Deus. Percebi que Iris havia entrado em
uma crise, uma crise de choro, tal crise durou toda uma noite, não foi
fácil!

Ficava em minha mente uma pergunta, como consolar e aconselhar


minha esposa se nunca tínhamos vivido isso? Minha mente também
buscava essa resposta. Eu sabia que teríamos grandes desafios em
relação de como ia buscar mantenedores? Porque nós até nesse
momento não tínhamos, só tínhamos intercessores que estariam
orando por nós, mas não tínhamos mantenedores que nos apoiariam
financeiramente, nem sequer a igreja tinha ainda decidido a se nos
apoiaria financeiramente, ou com quanto iria apoiar.

Então Iris entrou em parafuso, chorando e muito preocupada com o


Higor, já era o quinto dia desde que havíamos saído do Brasil e Higor
não queria se alimentar. Não tínhamos ainda conseguido comprar o
que habitualmente ele comia, nem onde cozinhar tínhamos.
Estávamos acomodados em dois cubículos do seminário e Higor não
colaborava, sempre exigindo o que estava acostumado a comer. Íris
me perguntava o que eu ia fazer? Como íris resolver? Como suprir as
necessidades do seu filho? Além disso, Iris não conseguia entender ou

81
falar. Como se comunicar? Se não sabe falar outro idioma. O
desespero havia entrado em nosso coração

Lições Práticas
As lições foram tremendas nessa noite, primeiro manter o controle
para poder escutar a Deus, em segundo lugar, toda crise é uma
oportunidade para aprender e crescer e por último o choro pode
durar uma noite mais a alegria vem pela manhã.

Primeira lição
Mantenha o controle, porque dele depende seu ser, sua família e tudo
que estar em volta. Sim, eu não poderia me desesperar como Iris,
também não poderia duvidar de Deus. Ele chamou e enviou, antão ele
tinha o controla. Precisava tranquilizar a íris, para que o Higor
também não se abalasse. Orando, a única coisa que me vinha a mente
era essas frases, nada do que eu falasse poderia acalmar a Iris, mas,
minha fé em Deus teria que ser suficiente para nós três. Minha
confiança de que nada tinha sido em vão precisava ser demonstrado
para íris.

Segunda lição
Essa primeira crise era a oportunidade que Deus estava nos dando de
confiar e depender de sua graça e misericórdia, e nós nos agarramos a
isso, fé.

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“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de
fatos que não se veem.”

Hebreus 11:1
Esse versículo só faz sentido quando temos que colocar em prática,
não é fácil ter a convicção se você ainda não aprendeu a viver na
dependência de Deus. E era isso que deus estava nos ensinando, viver
por dependência.

Terceira lição

Aprendi que o versículo que diz que “o choro pode durar uma noite, mas
a alegria vem pela manhã”, significa que pelas misericórdias do Senhor
a tristeza não é algo duradouro e definitivo na vida do crente. O povo
de Deus não está imune às angústias; porém o cuidado do Senhor
sempre o conduz a um estado de alegria incomparável.

Foi o salmista Davi quem escreveu que ao choro pode durar uma
noite, mas a alegria vem pela manhã (Salmo 30:5). O texto bíblico
mostra que Davi escreveu essas palavras após ter enfrentado um
momento muito difícil em sua vida.

O salmista aplica a palavra “choro” como sinônimo de dor, tristeza,


aflição e angústia. Apesar de não sabermos a exata ocasião e natureza
da dor que atingiu Davi, suas palavras soam de forma familiar para
mim e com certeza para você também.

83
Independentemente da idade, da nacionalidade, do nível intelectual,
da posição social e econômica, todos os seres humanos experimentam
o sofrimento em suas vidas. A principal causa do choro é o pecado, e
todos nós somos pecadores.

Quem escreveu que “o choro pode durar uma noite” não foi um camponês
humilde de Israel que estava passando por dificuldades; mas foi o rei
da nação; foi um dos homens mais poderosos da época, e que pouco
antes havia pensado ser invencível (Salmo 30:6).

Mas é interessante perceber que o salmista faz questão de enfatizar


que a visita do choro é realmente passageira. O choro dura uma noite
apenas, não mais do que isto. Ao amanhecer, porém, vem a alegria.
A expressão “a alegria vem pela manhã” no original transmite o sentido
de que o choro que se escuta à noite, pela manhã dá lugar a um brado
de alegria.

É notável como o amanhecer é usado na Bíblia como figura de uma


renovação, de um novo começo. A Palavra de Deus diz que a cada
manhã, as misericórdias de Deus se renovam (Lamentação 3:22,23).
É realmente frequente o testemunho bíblico de que o auxílio de Deus
vem desde o romper da manhã (Salmos 46:5).

O conceito de que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem
pela manhã, também é amplamente desenvolvido no Novo

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Testamento. O próprio Jesus explicou a seus discípulos que eles
sentiriam tristeza e chorariam; mas Deus haveria de converter essa
tristeza em alegria (João 16:20-22).

Sim, devemos exultar ao Senhor tanto pelo choro que dura uma noite,
como pela alegria que vem pela manhã; tanto pelo sofrimento que é
um visitante passageiro, como pelo gracioso favor divino que nos
acompanha desde agora e por toda eternidade.

85
O idioma
Durante o tempo que estávamos buscando os recursos e fazendo todos
os tramites de tradução de documentos, passaportes e a Visa religiosa,
me propus a aprender um pouco de espanhol. A irmã Beatriz, que é
professora de espanhol se propôs e m nos ajudar e nos deu duas aulas
bem rápidas, e além de estarmos praticando as lições que ela havia
passado, resolvi buscar por Youtube músicas cristãs que conhecia,
porém, que houvesse uma versão em espanhol, assim pude preparar
uma sequência de músicas que sendo a primeira em português e logo
a mesma em espanhol e assim tocasse consecutivamente as músicas.
Aparentemente cantar foi fácil, porem falar demorou um pouquinho.

Nossa chegada no seminário foi quinze dias antes das aulas, para que
nós pudéssemos ir indo nos habituando e familiarizando com o
idioma. Quando já estávamos em Los Teques, Deus me deu o
discernimento de aprender.

Desenvolvi algumas técnicas, a primeira foi sair para comprar as coisas


com uma caderneta e caneta. Isso foi hilário, me aproximava de
pessoas quando estavam comprando, por exemplo em uma frutaria,
com minha caderneta de bolso escutava as pessoas pedindo alguma
fruta ou verdura, então fazia a anotação do item em português e logo
no espanhol, tal como eu escutava a pronuncia. Assim aprendi o que
era alyama, yuca, cambur, pan, e todas as verduras. Todos os dias meu
léxico ia aumentando.

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No seminário, me recordo como hoje, que Higor chorava por que não
consegui se comunicar coma as outras crianças e um de seus
amiguinhos, o Josué David dizia para sua mãe que ele estava
aprendendo inglês com Higor. Mas isso não durou muito, em menos
de um mês Higor já estava formando frases e já estava brincando com
seus amigos. Eu demorei um pouco mais e a Iris, bom a Iris, aprendeu
a compreender e falar o necessário.

Lições Práticas
Aprendi literalmente sobre o dom de línguas, não sei como nos
comunicamos, mas nos comunicávamos. Iris fez amizade com Rebeca
nenhuma falava o idioma da outra, mais só pelos gestos elas se
comunicavam. É incrível o que Deus pode fazer, encher nossos
corações com o Espírito Santo ao ponto de nos entendemos sem
falarmos.

Primeira lição
A observação pode nos ensinar muito, muitas vezes nossa língua é
afiada no falar, porem nosso ouvido precisa ser treinado no ouvir. Esse
momento em minha vida aprendi que nós como ministros do senhor

87
devemos ouvir mais, ouvir com atenção, valorizar o que as pessoas
tem para falar. Como poderia ser um conselheiro se não sabia ouvir?
Como aconselhar e não souber escutar, orar, analisar?

“Vocês sabem estas coisas, meus amados irmãos. Cada um esteja


pronto para ouvir, mas seja tardio para falar e tardio para
ficar irado.”
Tiago 1:19

Segunda lição
Peça sabedoria e seja dependendo do poder de Deus, só assim
encontrará as estratégias necessárias para poder seguir adiante. João
nos alerta:

“Até agora vocês não pediram nada em meu nome; peçam e


receberão, para que a alegria de vocês seja completa.”
João 16:24

Terceira lição
Deus é galardoador, só precisamos saber o que e como pedir. Deus já
sabe o que precisamos antes mesmo da palavra sair de nossas bocas.
Mas, o ato de nós pedirmos demonstra que necessitamos, que
dependemos e que confiamos de que Deus nos atenderá, não porque
merecemos, mais porque dependemos dessa graça maravilhosa.

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“— Por isso, digo a vocês: Peçam e lhes será dado; busquem e
acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Pois todo o que pede
recebe; o que busca encontra; e a quem bate, a porta será aberta.”
Lucas 11:9,10

Muitas vezes reconhecer que você perdeu o controle, que não pode
fazer sem o intermédio do pode de Deus é muito difícil, porque você
pode está acostumado pensar que está no controle de sua vida e
atitudes.

Reconheça que necessita da ajuda de Deus, peça com humildade,


toque nas portas dos céus, por experiencia posso lhe assegura que
você receberá. O que te faz pensar que não necessitas de Deus? O que
te faz pensar que você é fonte de sabedoria?

89
A adaptação
Não estava sendo fácil, porem não podia dizer que Deus não estava a
frente, nos ajudando e batalhando nossas guerras junto. Esse processo
de adaptação durou os quatro anos que estivemos ali. Não foi fácil,
não entendíamos porque tinha que sairmos a nos capacitar e formar
em outro país, aprender outro idioma, cultura e passar pelas mesmas
situações que os venezuelanos estão passando.

Tivemos que enfrentar filas de um dia inteiro para comprar um litro


de óleo, outras vezes enfrentava uma fila sem saber se o que estavam
vendendo iria alcançar para quando chegasse nossa vez.

Ficamos no meio de tiroteio, duas facções atirando, rajadas de tiros


para todo lado. Isso foi tremendo, Deus nos ensinando através da
inocência de nosso filho. Lembro-me que nesta noite haviam poucos
seminaristas no seminário e fomos surpreendidos por duas facções, ou
bandas, como eles dizem. Ficamos no meio do tiroteio que durou
praticamente duas horas e.

Um seminarista que tem o apelido de tigre, nesse dia se tornou um


gatinho afugentado e atordoado por causa dos barulhos de tanto tiro.
E Higor dentro de nossa casinha de dois cômodos sentado em sua
cama dizia para uma seminarista:

90
“Roxy, não tenha medo. Você deve orar e confiar em
Deus!”

Como é lindo você passar por isso e ter um testemunho desse para
contar. Literalmente muitos versículos só fizeram sentido quando
experimentados.

“Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nos insultos, nas


privações, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo.
Porque, quando sou fraco, então é que sou forte.”
2 Coríntios 12:10

Lições Práticas
Não era compreensível, porem passamos por provas. Era doloroso,
difícil, muitas vezes ficávamos sem rumo. Porem aprendemos!

Primeira lição
Apendi que precisamos deixar sermos moldados pelo Espírito de
Deus, quanto mais lutamos ou temos medo, mais difícil é.

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Segunda lição
Muitas vezes não vamos poder questionar a Deus, ele não contara
todos os seus planos para nós, porque como somos frágeis, pequenos,
certamente temeremos a prova e fugiremos.

Terceira lição
Mais certamente não existem provações que não podemos enfrentar,
como disse o salmista:

1O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. 2Ele me faz repousar em pastos


verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; 3refrigera-me a alma.
Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. 4Ainda que eu ande
pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás
comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. 5Preparas-me uma mesa na
presença dos meus adversários, unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice
transborda. 6Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da
minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.
Salmos 23:1-6

Não sabia porque tinha que viver quatro anos assim, muitos nos
questionavam, nos chamavam de loucos. Outros nos acusavam de
negligentes, porque permitíamos que Higor passasse por isso. Mais
cada vez mais ficávamos calados, mudos como ovelhas no matadouro.
Algumas vezes respondíamos, mais a maioria das vezes calávamos.

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Os anos passaram e os venezuelanos começaram a fugir da crise, e só
assim foi que descobrimos o motivo porque tínhamos que passar pelo
que passamos. O que Paulo falou em Filipenses 4 agora faz sentido e
é indubitável:

“Fiquei muito alegre no Senhor porque, agora, uma vez mais,


renasceu o cuidado que vocês têm por mim. Na verdade, vocês
já tinham esse cuidado antes, só que lhes faltava oportunidade.
Digo isto, não porque esteja necessitado, porque aprendi a
viver contente em toda e qualquer situação. Sei o que é passar
necessidade e sei também o que é ter em abundância; aprendi
o segredo de toda e qualquer circunstância, tanto de estar
alimentado como de ter fome, tanto de ter em abundância como
de passar necessidade.”
Filipenses 4:10-12

Depois de aprender que no aconselhamento é necessário ouvir mais e


falar somente depois de instruído pelo Espírito Santo, agora também
posso aconselhar aos venezuelanos desesperados e sem esperanças,
pois é incontestável, por também vivemos a calamidade, sei o que é
estar em um país e passar fome, não ter, água, não ter gás e o dinheiro
não dá para comprar nada.

Sei o que passa pelo coração de cada um, além de poder ensinar nossos
amigos, familiares e irmãos a viver com satisfação com Deus, sem
desperdiçar tudo que o Senhor tem nos dado com abundancia aqui no

93
Brasil. Precisamos ser mais compassivos, mais misericordiosos,
precisamos ser como a igreja primitiva:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no


partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e
muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos.
Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.
Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto
entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão
de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e
singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a
simpatia de todo o povo. Enquanto isso, o Senhor lhes
acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.”
Atos 2:42-47

Pense nisso!
Está fazendo? Quanto está fazendo? O que pode fazer para melhorar?

94
CAPÍTILO IV

A primeira aula
Chegou o grande dia, o ano letivo começaria e nós estávamos mais
perdidos que um sego no tiroteio. Uma jornada de etapas que teria
que cumprir, primeiro passar pelo controle es estudos, logo em
seguida passávamos pela administração para confirmar o pagamento
da inscrição e a primeira cota da mensalidade, em seguida por mais
duas salas e por último a assinatura da vice-reitora.

Se estivesse apto em toda essa jornada poderia entrar na sala de aula.


Esse era o primeiro dia, e esse processo durava o dia todo!

95
Então no dia seguinte o primeiro dia de aula, eu praticamente só
entendia e fazia uma tentativa de pronunciava algumas palavras.
Levantamos bem cedo, fomos para o comedouro para tomar café da
manhã, isso foi espetacular, entrar e ver mais de cem alunos sentados,
vozes por todo lado, alguns já se conheciam, outros se conhecendo,
risadas, como eles dizem: “mucha bulla”. Tomamos café e nos
dirigimos ao salão 614, esse tinha que ser nosso salão, porque éramos
uma turma de 35 novos de primeiro ano. Logo percebi quando
entramos que necessitava sentar bem a frente de tudo, por causa de
minha debilidade.

Então entrou no salão a professora, me lembro como hoje, baixinha,


morena, quase uma caboquinha, e nos cumprimentou. Ao se
apresentar, em suas palavras começou a decorrer um vasto
curriculum, me dei conta que era uma pessoa muito estudada e
capacitada, só tinha um problema, ela falava rápido demais.

Beatriz Alcalar seu nome, pequena, porém imponente, professora de


Hebráico Bíblico I, nascida em Maturín, é uma cidade da venezuelana
capital do estado de Monagas e do município de Maturín. Porque fiz
questão de mencionar isso? Simples, quem nasce nessa região tem uma
capacidade de falar muito rápido, não só essa região mas como os da
Ilha de Margarita, os Maracuchos os de El Tigre, e quero leva-los a
pensensar nisso e ver como de certa forma tudo isso foi hilário,
porque, eu extregeiro, tendo aulas de Hebráico Bíblico em espanhol
com uma maturinheira (maturiñera).

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Como aprender um idioma em outro idioma? Ah! ah! ah!, é isso
mesmo, uma gargalhada, pode sorrir, mas consegui. Os meses foram
passando e eu me desesperando, não conseguia aprender e nem
pronunciar hebraico em espanhol. Aproveitando a oportunidade, na
Venezuela o ano letivo começa na última semana de agosto e vai até a
segunda semana dezembro, o sistema de medida de notas é medido
de zero (0) a vinte (20), sendo que doze reprova, então o mínimo que
poderia ter como nota nessa matéria seria o 13, me propus a estudar
todos os dias as 4 horas da manhã, com muito esforço descarreguei do
Youtube vídeos em espanhol de cada assunto que estávamos
estudando no salão, assistia e fazia as atividades da aula, sim, porque
no salão eu ia somente para pegar a presença. Então os dias foram
passando e eu comecei a compreender o hebraico, não por causa das
aulas, mais por causa dos vídeos. Ah! ah! ah!

Agora eu já estava adiantado, antes de ir para o salão eu já havia


estudado o assunto e quando professora começava a explicar eu já
sabia, é tem uma coisa que não contei, parece que ela fazia de
proposito, durante suas aulas ela sempre fazia perguntas para mim,
desde o início das aulas, parecia que ela me perseguia, ah! ah! ah!

O semestre estava apertado, não bastava o problema que tinha com


hebraico bíblico, eu tinha mais outras oito matérias e ainda por cima
de tudo isso precisava encontrar uma obra pratica (pasantía), ou
melhor traduzindo, um estágio. Terminei o semestre como as
seguintes notas e com minha pasantía em dias, introdução bíblica 1,

97
nota:18 (Richadr Serrano - Reitor do STBV), vida discipular, nota:20
(Alex Cortez - Secretário da CBV), linguagem e comunicação,
nota:16 (Lastenia Atencio), evangelização, nota:18 (Pastor César
Domador), introdução a pregação, nota:17 (Antonio Corzo), história
da igreja, nota:17 (Dr. em filosofia Antonio Ceballo), ensino e
capacitação bíblica, nota:19 (Tamar motilla - Vice-reitora do STBV),
introdução al antigo testamento, nota:20 (Abihail Lara), pasantía
1,nota:aprovado bom (Tamar motilla - Vice-reitora do STBV) e
deixei por último hebráico bíblico I, nota:13 (Mestre em Bíblia
Beatriz Alcalar)

Lições Práticas
O Deus colocar em tuas mão faça...

Primeira lição

Segunda lição

Terceira lição

98
A obra prática
Na classe de orientação ministerial (pasantía), explicaram como era
todo o processo, o que seria a obra pratica, o sistema de notas e o mais
importante, que a responsabilidade de encontrar uma obra prática era
do estudante. Agora pense como eu: Como eu encontraria uma igreja?
Sendo eu estrangeiro e não conhecia nada, o máximo que eu sabia era
ira ao centro comprar frutas e verduras. Essa não seria uma tarefa fácil
para mim. Então na sexta-feira depois do almoço começou o primeiro
êxodo, os estudantes se juntaram e muitos saíram em direção de
Caracas, outras para suas cidades e nós, nos dirigimos para o
apartamento do STBV.

No sábado atarde acompanhamos a Massiel para PIBSA, pois havia


uma atividade com crianças, e domingo outra vez fomos para o culto.
Sempre que chegávamos éramos cumprimentados pelos irmãos,
Tamar e Richard e eles diziam: “estamos orando por vocês, para que
vem fazer pasantía aqui”, porem durante a semana quando tínhamos
classe de orientação ministerial a professora Tamar cobrava dizendo:
“Vocês ainda não têm obra pratica? Quem não conseguir pode ser reprovado e
muito provavelmente não poderá seguir estudando”. Eu não conseguia
entender, como que nos fins de semana Tamar me tratava com um
sorriso que ia de uma orelha a outra e durante a semana nos
questionava com severidade, o porquê, que ainda não tínhamos uma
obra pratica? Porque oravam tanto e não agiam?

99
Conversando com Eliazár (estudante do 4º ano) me propôs ir
conhecer o local de sua obra prática, surpreendentemente estava
localizada em Petare, sim, aquela Petare que comentei no inicio dessa
jornada. A Petare que é palco de traficantes altamente armados e que
comandam quem entra e quem sai.

No fim de semana seguinte fomos visitas e isso foi uma aventura,


precisávamos ir de metrô até uma parte e depois mini ônibus e mais
outro mini ônibus, todo esse percurso durou praticamente duas horas
e meia e ficava somente na entrada para subir uma escadaria sem fim,
eu a chamo de “a grande escadaria para o céu”. Na entrada Eliazár nos
orientou como seria o processo para subir. Na primeira curvinha
estava, dois malandros carregando pistolas, pochetes e fumando. Nós
carregávamos mochilas nas costas e, bom, como falei, uma das
orientações era estar com a Bíblia em mãos, então eles perguntaram:
“que haces? Para donde van? – respondeu Eliazár: “para riba, a la
iglesia”. – outra pregunta veio a tona: y ellos? – resposta rápida, para
não dar muita chance: “son pastores misioneiros”.

Os malandros então fizeram uma ligação, sem muita enrolação,


simplesmente dizendo uma frase: “Los pastores llegaron, van a subir,
estan coninvitados. Que pasen!” – ao passo que subíamos houveron
mais alguns nos caminhos que faziam ligações confirmando nossa
autorização para passar.

100
Subimos a favela Petare, disfrutamos de um bom tempo de adoração,
conhecemos pessoas e depois ao final da tarde retornamos para o
STBV. Foi uma experiência indescritível, caminhar entre traficantes e
ser respeitado porque você é um servo de Deus.

Então durante a semana seguinte conversando Luis Escalona


(estudante), companheiro de salão, decidimos que íamos fazer uma
visita a uma igreja situada em outro estado, há 6 horas de viagem, pois
eles estavam precisando de seminaristas para trabalhar.

Entramos em contato com o pastor Jerry Acosta confirmando assim


que iriamos na sexta-feira. Chegando a San Felipe, cidade e a capital
do Estado de Yaracuy, na Venezuela, o pastor aguardava a nós. Nos
levou para conhecer a obra e onde ficaríamos, jantamos e na manhã
seguinte fomos visitar uma missão que estava em andamento, la
conheci alguns irmãos, inclusiva a Raudzon e sua esposa, hoje estão
aqui no sul do estado a frente de uma obra missionária.

O resto do semestre estivemos apoiando a obra que estava sendo


desenvolvida ali no estado de Yaracoy, porém Jerry havia feito
algumas promessas para nós como seminaristas, sua responsabilidade
era nos fornecer lugar para dormir, comida e os recursos para ir e
vim. Porem na prática não foi assim, algumas vezes não havia comida,
outras vezes dormimos no chão, todo fim de semana acontecia
situações diferentes.

101
Depois do primeiro retorno ao Brasil, havíamos entrado em acordo
para retornar nosso trabalho em janeiro de 2016. Chegando lá o
trabalho estava bem avançado, Raudizon havia consolidado os 12
pequenos grupos de 10 a 12 pessoas, e então batizamos essa multidão
de irmãos, e fundamos a Iglesia Bautista de Ciudadela, deixamos a
igreja na responsabilidade do pastor Ricardo e agradecemos a
oportunidade que tivemos ali e isso foi de setembro de 2015 ao final
de fevereiro de 2016, pouco mais de 5 meses, não poderíamos mais
seguir a obra prática pois a igreja que nos apoiava estava sem recursos,
a crise estava mais forte e dar comida para quatro pessoas, mais o
transporte não estava fácil era muito dinheiro e ficaram somente com
Luis Escalona.

Retornando ao seminário, quando chegamos estava nos esperando na


pracinha o pastor Aristes Perez, Peruano e missionário da Convención
Bautista de Venezuela – CBV. Aristes estava um pouco agitado,
nervoso, se aproximou e disse que estava orando por mim e minha
família, e que precisava muito conversar comigo, pois tinha uma
proposta para fazer. Lhe falei que estava chegando de viagem com a
família, estávamos cansados, mas que no dia seguinte conversaríamos.

Assim foi, me fez a proposta de começar uma obra nova ali no setor
mesmo do seminário, pois a muto tempo que não se trabalhava o
evangelho ali, desde que os americanos se foram. Estivemos um
tempo orando, mas, não poderia me dar o luxo de ficar sem obra
pratica. Aceitei a proposta, o que era muito conveniente para mim,

102
por vários motivos, poderíamos estar ali mesmo no seminário, em
nossa casinha e ficava bem flexível os horários que teria que trabalhar.

Depois de dois meses a crise ficou tão forte que Aristes, teve que
tomar uma decisão bem difícil, foi buscar trabalho no Peru e outras
formas para sustentar a obra e nos ficamos responsáveis pelo trabalho.

Os anos passaram e o trabalho não foi fácil, porém ao final do 4º ano


pude entregar outra obra consolidada, com apoio da Igreja Coreana
que adotou mais de 50 crianças, onde todos os sábados dávamos
comida, aulas de reforço escolar, atividades para crescimento na
Palavra, jogos e brincadeiras. O resultado foi tão bom que
precisávamos fazer algo para atender aos pais, claro, eles iam deixar
os filho e como sabiam que havia comida começaram a ficar por lá.
Então criamos duas atividades para eles, no primeiro momento havia
a escola para pais, e tratávamos te temas de como apoiar, educar e
amar seus filhos. No segundo momento fazíamos dois tipos de
atendimento, um atendimento com uma seminarista psicóloga que
trabalhava conosco e em seguida aconselhamento comigo, como o
pastor da Missão Batista Vida Abundante.

Depois disso eles começaram a ouvir o evangelho, e se entregaram,


se renderam diante da majestade de nosso Jesus. Começaram a ajudar
no preparo da alimentação que era para todos, e também começaram
a apoiar nas atividades de reforço escolar e nas brincadeiras e jogos.

103
Enfim, uma igreja linda, com mais 90 pessoas entre adultos e crianças.
Quando entregamos a missão estava na etapa de começar a dar entrada
dos documentos para a fundação de igreja.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

Segunda lição

Terceira lição

104
O primeiro retorno al Brasil

Mais não acabava por aí, este fim de ano foi bem tumultuado, pois
haviam eleições, e houve uma preocupação muito grande da parte do
reitor e vice-reitorado, havia rumores que fechariam a fronteira e
Richard me enviou para casa 10 dias antes de encerrar as aulas. Apesar
de todos os esforços para nos ajudar, não foi possível. Fomos ao
terminal para comprar passagem, passamos a noite ali para poder
comprar a passagem, havia muitas pessoas comprando passagens,
muitos estavam de certa forma fugindo das eleições. As 10:30 am o
ônibus saio em direção a Santa Elena. Foram quase 34 horas de viagem
e quando chegamos a fronteira de Santa Elena, uma surpresa, uma fila
imensa de carros enfileirados na estrada, tudo escuro, muitas pessoas
caminhando, e então o taxista disse, você não vão consegui passar,
com certeza acabaram de fechar a fronteira, então me perguntou: “...O
que irá fazer? Retorna para Santa Elena ou fica?” – respondi sem duvidar:
“me quedo.”

Era praticamente 7:30 da noite, cansados e com os corações cheios de


dúvidas, mais tínhamos uma coisa em comum, queríamos chegar em
casa e passar o natal com a família. Nos dirigimos ao guarda, nos
identificamos como brasileiros, porém o guarda muito, ríspido e seco
respondeu: “no hay passo!” – então lhe respondi: “estoy cansado, comi

105
esposa y mi hijo de 4 años, venimos de llejos y no tenemos plata para regresá
a sante Elena. Donde passo la noche? El carrito ya se fue!”

Ele respondeu: “que puedo hacer?” – outra vez voltei a falar manso e
humilde: “ayudame” – porém a resposta foi o silencio. Pelo pouco de
tempo que estivemos na Venezuela aprendi que precisamos ser
pasciente com os venezuelanos quando desejamos algo. Precisamos
dar tempo para que seus corações sejam quebrantados. Mais junto
com nós estava um rapaz venezuelano e que a esposa estava
hospitalizada em Pacaraima, para você vê como Deus faz as coisas, o
rapaz me disse: “quedate tranquilo, el guarda es mi primo, mi esposa esta
enbarazada em el hospital de Pacaraima, el me v adejar pasar” . mais ou
menos 30 minutos depois voltei com o guarda e ele disse: “quedate
aqui, calladito, en um rato te voy a dejar a pasar”.

Estava com 3 malas e mais duas sacolas grandes, e quando me assustei


era o rapaz venezuelano e o guarda me chamado e dizendo: passem
por aqui, eles te vão ajudar a passar pela “trocha” – cainho clandestino.
Veio um medo em nosso coração, começamos a pensar esse guarda e
esse rapazes dizem que vão nos ajudar, mas, na verdade eles querem
é roubar nossas coisas e depois nos matar nesse caminho. Era bom
demais para ser verdade, ele está ali, e além disso três rapazes certinho
para carregar nossas três malas, e eu carregava as sacolas.

Olhava para Iris, ela olhava para mim e pensávamos iguais: “pronto, é
hoje que vamos morrer” – começamos a caminhar, dando a volta por traz

106
da aduana da fronteira, mais ou menos 2 km, no escoro, em um
charco em que a lama vinha até na altura de nossas cochas, o coitado
do Higor quase não podia caminhar. Estava atento a qualquer atitude
dos venezuelanos, coração saindo pela boca, e puxando o Higor,
quando estava já do outro lado da fronteira, eles disseram: “vente por
aqui, para que la policía no te atrapes” - eu respondi: “...no!que te vayas
tu, nosotros somos brasileños, no passa nada a nosotros.”

Assim de uma vez agarrei minhas malas, lhes agradeci e corremos em


direção da Policia Federal, buscamos uma taxi e seguimos viagem para
Boa Vista, eram só mais 3 horas, mais o mais importante era que já
estávamos no Brasil e mais nado podia nos acontecer.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

Segunda lição

107
Terceira lição

Os passeios
Ah, os passeios! Quando nos apelidaram de os 101 dálmatas, também
ganhamos outro apelido, “os turistas”. Já era de se esperar que
também fossemos chamados de turistas.

Em nosso primeiro ano tivemos a oportunidade de ir conhecer


diversos lugares da Venezuela, como Caracas, Plaza Caracas, Centros
Comerciais, a “Calle de hanbre” - a “Rua da Fome” e tantos outros
lugares.

Cada vez que entravamos no salão 614 um dos professores dizia: “los
vi por Plaza Venezuela”, outro: “los vi por la calle de hambe” e isso
virou quase uma piada. Mas como éramos conhecidos como os 101
dálmatas, e isso é uma história mais para frente que irei relatar, fica
aqui o apelido.

108
Fomos em Vargas, estado localizado na costa, e isso significa praias.
Conhecemos a Praia de los Corales, Marian Grande e Los Coquitos.

Conhecemos a Colônia Tovar, que é um município localizado no


município de Aragua, Venezuela, a 60 km de Caracas, com 6.000
habitantes. Foi fundado em 1843 por imigrantes alemães. Local em
que os habitantes cultivam muitas verduras, frutas e hortaliças. Se
produz cervejas artesanais, linguiças alemãs, compostas e geleias de
frutas como de morangos, amoras, pêssegos. É um lugar
extraordinário.

Ainda nesse estado de Aragua a Convenção Batista da Venezuela


possue uma casa de praia, e nos como estudantes do seminário
podemos ir desfrutar dessa maravilha da natureza, se chama Baía da
Cata, é uma praia do estado de Aragua, de grandes dimensões, areia
fina, águas claras e adornada com a sombra dos coqueiros na vertical.
A Baía de Cata é uma área costeira de grande concorrência. Possui
cabanas e restaurantes a 58 km de Maracay, bem longe da estrada de
El Limón.

A pessoa responsável por esse paraíso é a senhora Marta Gallo, uma


argentina que com o coração impulsionado por missões chegou a
Venezuela a mais de 30 anos e faz um grande trabalho evangelizador
com os turistas nesta praia.

109
Fui tantas vezes que no final ela me adotou como filho, nem o
presidente da convenção quando chega por lá ganha água de coco
geladinho, um privilegio que poucos conquistaram, além de amar a
Higor, claro, porque ela possui muitos gatos, e Higor igual.

Também fui convidado para pregar a Palavras em vários lugares,


foram tantas viagens. Muitas vezes tinha que rejeitar algumas por que
tinha outras responsabilidades com a igreja e não podei me ausentar
tanto. Preguei em aniversários de igreja, igreja que me convidava para
palestras sobre missões, a igreja de Cúa foi uma em que estive
ministrando por três dias.

Tantos lugares, tantas aventuras e tantos aprendizados, só meu Pai


celestial para me proporcionar tudo isso.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

110
Segunda lição

Terceira lição

O Jubileu
De tudo que acontecia no seminário o Jubileu sempre foi o mais
esperando pela comunidade seminarista. Dois dias carregados de
tantas obrigações, porém dois dias carregados de tantas alegrias,
presentes e amizades.

O Jubileu acontece todos os anos, nesse dia todas as damas das igrejas
batistas pertencentes a CBV se reúne no seminário para levar aos
estudantes presentes.

Em nosso primeiro jubileu escutávamos comentários de que alguns


estudantes de quarto ano ainda tinham coisa que haviam ganho de
quando chegaram no seminário. E isso era verdade, eles levavam
tantos presentes que os estudantes não precisavam mais se preocupar
com muitos itens de higiene, por exemplo. Mais quando chegamos no
seminário a crise estava começando a surgir, e isso foi em agosto de
2015, agora já era março de 2016.

111
A igreja que nos enviou para estudar não havia mandado a oferta, na
verdade isso é uma outra história, eles pararam de enviar. E a verdade
é que nesta data não tínhamos mais comida e me lembro como hoje,
Higor asneava por voltar ao Brasil, queria poder comer tomar um
sorvete ou comer um cachorro-quente e nós não tínhamos nem para
come no outro dia, foi quando na noite que antecedia o Jubileu ele
orou, e disse que estava seguro que ganharia muitas coisa, inclusive a
comida que precisávamos e dinheiro. Essa foi a primeira vez que
pudemos testemunhar do poder de oração de Higor, pois no dia
seguinte, era o dia tão esperado.

Dia de organizar tudo, pois a noite nos estudantes em agradecimento


a tudo que as damas faziam por nós, elaborávamos uma noite de festa,
com apresentações para agradecer a esse esforço que faziam por nós.
A na manhã do dia seguinte, também éramos responsáveis por um
culto de gratidão pelas vidas delas e por todas as bençãos recebidas e
por fim começavam a chamar estudante por estudante, quando por
fim chamaram ao nome de Higor e começaram a entregar caixas, e
caixas com comida, materiais escolares, brinquedos, roupas e adivinha
o que mais? Sim, dinheiro! Haviam levado três envelopes com
dinheiro, produtos de higiene e de limpeza.

“Naguaraaaaaá” – essa é a expressão de assombro que ficou guardada


em nossa mente, tantas coisas que ganhamos nesse dia, tanto amor e

112
dedicação daquelas damas. Isso só poderia ser graça de Deus, não tem
outra explicação. Graça, graça!!!
Nos também recebemos muitos presentes nesse dia, mais o que quero
ressaltar aqui é a fé que Higor tinha, ele falou com tanta certeza do
que Deus iria fazer, que com o dinheiro que ele recebeu e eu duvidei
pudemos sair para passear naquela tarde, e fomos ao “Centro
Comercial La cascada” - tomamos sorvete, comemos pizza,
compramos maquiagem para Iris e brinquedo para o Higor e ainda
sobrou bastante dinheiro para os lanches da escola do Higor.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

Segunda lição

Terceira lição

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O Almoço dos Coreanos
Sem sobra de tudo, esse dia era muito esperado. A igreja coreana
sempre gostou de apoiar ao seminário na capacitação e formação dos
ministros na Venezuela, e por isso todos os anos os coreanos apoiava
ao seminário com 10 becas seminaristas, o que é isso? Eles pagavam a
mensalidade de dez estudantes, algumas vezes com até 100 por cento
da mensalidade, outras vezes com cinquenta por cento da
mensalidade.

Além disso, uma vez ao ano, no segundo semestre os coreanos


brindavam aos estudantes um almoço digno de um rei, ah, ah, ah! Esse
dia ninguém queria tomar café, para poder comer mais. O mais
saboroso é que toda a comida, o menu, era coreana, todos os pratos
eram bem apimentados, muita carne, macarrão, saladas e saladas, esse
dia era fabuloso.

114
E para finalizar o ano, próximo o encerramento das classes traziam
brinquedos para as crianças. Era um dia encantado para elas, tantos
sorrisos, tanta alegria estampado em seus rostos, sem falar que os pais
ficavam mais felizes ainda, em saber que seus filhos estavam ganhando
um presente, coisa que já não estava sendo possível ser feito, a
situação crítica da Venezuela não deixa a possibilidade de que os pais
possam brindar seus filhos.

As crianças ganham e os estudantes também, porém, não são


brinquedos. Nos estudantes ganhamos uma caixa, sim uma caixa
recheada com comida, isso é fabuloso, significa ter um natal
garantido.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

Segunda lição

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Terceira lição

O Semillero Misionero
Começou como um projeto simples, mais no decorrer do templo se
aperfeiçoou, a principio era poder proporcionar a oportunidade para
estudantes terem a oportunidade de ter uma experiencia de uma
viagem missionária. O proposito nunca mudou, mais havia um certo
receio ou medo de explorar essa área, seria bastante responsabilidade
para o seminário responder por um grupo de estudantes em uma
viagem missionária para outro país.

O “Semillero Misionero” – Sementeira Missionária, foi ganhando


força e muitos foram se agregando. Havia alguns critérios para poder

116
participar, um deles seria a nota na matéria de missões, outro pre
requisito é que deveria se matricular nas aulas de português, onde a
estudante e também brasileira Rafaela ministrava as aulas, minha
tarefa nesse projeto era contactar a CBRR através do secretário,
pastores e igreja, com o intuito de formalizar um contrato bilateral,
ou seja, que as igreja e pastores pudessem apoiar aos missionários por
15 dias na igreja com alimentação e habitação e que os missionários
arcariam com passagens e estariam dispostos a apoiarem o trabalho
missionário e evangelístico da respectiva igreja.

O Semillero Misionero foi um sucesso, e pudemos desenvolver


muitas habilidades, dons e talentos nas três edições, além dos
estudantes terem tido essa experiencia maravilhosa.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

Segunda lição

117
Terceira lição

A era de solteiro
Em meu ultimo ano letivo, agosto de 2019, precisávamos tomar uma
decisão muito difícil. Venezuela chegou ao extremo de tudo que possa
imaginar, a crise devorava o país e ainda devora. É como se fechar seus
olhos e ver uma escuridão cobrindo tudo, ela vem como uma nuvem
negra, escurecendo, secando tudo que é verde, vistoso e bonito.
Pessoas morrendo por falta de medicamentos, outros morrendo por
não ter o que comer, uma geração de crianças que suas mentes são
maquiavélicas, sempre buscando os meios para fazer o mal, pessoas

118
mais corruptas que os próprios governantes. Assim como conhecemos
Sodoma e Gomorra, o homem em sua essência está assim.

Como nos tempos do dilúvio, que havia tanta corrupção e maldade e


Deus ao fitar seus olhas não encontrou bondade, o venezuelano está
nesse ponto. O fim dos tempos está próximo, é inevitável o que está
acontecendo nesse país e minha esposa e eu decidimos que seria
melhor que ela e Higor ficasse no Brasil e eu retornasse para meus
estudos só. Seria mais fácil por muitas questões, comida, tanto menos
custo como a facilidade de eu poder comer qualquer coisa.

Nossos passaportes já estavam retidos a mais de um ano no SIMER, e


não renovavam nossa Visa e nem entregavam nossos passaportes.
Então, de certa forma estávamos irregulares, o que para a polícia
serviria de uma desculpa para extorquir algo de nós.

Sem falar que nesse mesmo período nós tínhamos ido juntamente com
dois amigos, Luis Escalona e Iris Godoy para a casa de praia da CBV
comemorar meu aniversário de 41 anos. Ao retornarmos para casa
naquele dia, assim que saímos do terminal sentido ao seminário,
dentro do ônibus haviam três rapazes e uma moça, todos armados com
pistolas e nos roubaram.

Nesse dia pudemos ver o poder de Deus, sabe aquelas coisas que só
lemos na Bíblia, por exemplo quando Pedro estava preso e um anjo o
salvou (Atos 12), esse homens roubaram nossos celulares e mais nada,

119
apesar de que foi uma hora e meia de tormentos psicológicos, golpes
fortes em muitos passageiros, tiros e terem roubado todos os anéis,
brincos, correntes bolsas, inclusive alguns ficaram sem parte de suas
roupas e sapatos, o Senhor nos guardou, nos livrou desse mal e não
perdemos nossas vidas.

A polícia e guardas estavam mais corruptos e agressivos, tentando


extorquir qualquer coisa e de qualquer um, e isso representava mais
perigo para Iris e Higor. Enfim, o melhor era a escolha para que eles
ficassem no Brasil e como somente eu retornaria, deveria, segundo as
regras do seminário, estar nas dependências como solteiro.
Devo dizer que foi uma grande experiência, não foi fácil, mas foi
muito gratificante. Estar solteiro no seminário me proporcional passar
mais tempo com os rapazes (muchachos) e poder participar de certas
brincadeiras que como casado não poderia. Todos as noites era uma
história diferente, festas (rumbas). Calma, não eram festas normais,
eram muitas presepadas, começava bem cedo, tipo, as 18:30 PM
quando começávamos a preparar nossa janta (cena), isso era loucura,
juntávamos tudo, cada uma levava o que tinha, arroz, arepa, tomate,
pimentão, sei lá, aparecia muitas coisa, só não aparecia nada para os
recheios, tipo: carne, mortadela, queijo, atum, nada disso, ah, ah, ah!

Depois um tempo de bromas na biblioteca e pelos corredores


(pasillos), ali acontecia muitas coisas, shows de calouros, violões,
pianos, poesias, aconselhamentos, brigas, discursões. E assim éramos
felizes. Alguns queriam estudar, fazer seus ensaios, se prepararem par

120
exposições do dia seguinte. Era uma miscelânia de pensamentos. Mais
o melhor ficava para as 10 horas da noite, onde nos supostamente
deveríamos seguir as regras, apagar as luzes e dormir, porém, isso não
acontecia.

Essa era a hora do show, acontecia despedidas de solteiros, e tínhamos


nosso próprio bichinho de fazer licor, não era alcoólico mais era umas
bactérias ou fungos, não sei ao certo que alimentávamos com açúcares
e algo cítrico que produzia um liquido muito saboroso. Daí podia
espera, alguns caminhando de cueca, outros jogando dominó ou
cartas, outros ligando para a família ou namorada, outros vendo filme.
Tudo isso acontecia na noitada, não tinha fim e no outro dia era como
se nada tivesse acontecido.

Essa experiencia guardo em meu coração, não pecávamos, não era


orgia, não, éramos como crianças. Livres, sem macula, somente
aproveitando um tempo livre, mais nada.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

121
Primeira lição

Segunda lição

Terceira lição

Os 101 Dálmatas e a formatura


Em muitos anos não havia entrado uma turma tão grande de
estudantes, nós quebramos esse número, desta vez entramos em um
numero muito expressivo, 35 estudantes para primeiro ano. Woooo,
quando nos juntavam era muita “bulla”, e isso logo fez com que nos
destacássemos mais que os de terceiro e quarto ano.

Assumimos rapidamente, claro que com muito cuidado e respeito, o


controle de tudo. Músicos nas capillas e cultos, e no ano seguinte,
conseguimos muitas coisas, todos os cargos do grêmio estudantil eram
nossos, as atividades extracurriculares eram ditadas por nós, e a maior
façanha que obtivemos foi já no segundo ano poder estudar as matérias
optativas. Cada estudante quando chega no quarto ano precisa se
inscrever em pelo menos quatro matérias que não seja de seu curso,
por exemplo: optei por menção pastoral, então precisaria me

122
inscrever em pelo menos quatro matéria da menção de missões ou
educação cristã. Com isso podendo ser adiantado, de uma vez optem
por fazer duas matérias em meu primeiro semestre do segundo ano e
no segundo semestre do segundo ano mais duas, o que me deu a
oportunidade de no terceiro ano me inscrever em mais duas. O
curioso e que não percebi é que apesar de ter optado por pastoral,
inconscientemente somente me inscrevi em matérias de missões, ao
final de meu curo quando fui ao centro de controle de estudantes a
responsável me disse: “Helton, se você tivesse se inscrito em mais uma
matéria de missões teria feito as duas menções” – enfim os 101 Dálmatas
juntos foram moldados, muita arrogância e altivez foram arrancadas
por humildade e serviço. Limpamos os tanques onde nossa água erra
deposita, e isso foi um grande feito, pois ninguém em 47 anos de
seminário havia feito. Marcamos nossa era e fizemos a diferença.

Lições Práticas
Existem certas lições desse testemunho de vida e é isso um dos
motivos que impulsionou meu coração a escrever este livro, que
nomeei “Memorias de um Seminarista”.

Primeira lição

123
Segunda lição

Terceira lição

CAPÍTILO V

124
Seminário é uma instituição conhecida historicamente, mas
extremamente desconhecida pela verdade dos fatos. Às vezes nos
apegamos a estereótipos quase infantis como o de que um pastor se
faz como se faz receita de bolo: juntando um ingrediente aqui, outro
ali, esperando o tempo necessário, e “voilà!”, forma-se um ministro
perfeito. Não é tão fácil assim. Conhecemos os estereótipos, mas
poucas vezes ouvimos falar a partir de dentro o que realmente
acontece.

Pensando nisso, seria possível elencar algumas verdades sobre a vida


de seminário que poucas vezes são comentadas por aí, como as
seguintes:

Formar não é colocar numa forma


Como dissemos, não se trata de juntar ingredientes ou fazer cálculos
matemáticos. A formação de um ministro é muito complexa. Em
primeiro lugar porque cada um tem uma história própria. Em segundo
lugar porque a configuração em Cristo é um movimento muito mais
interior que exterior. Em outras palavras, requer força de vontade,
convicção, caráter e, sobretudo, fé. A maior parte desse processo

125
depende da disposição do candidato a adequar-se ao “molde” que
chamamos Cristo. Você pode passar 4 anos formando um candidato.
Se ele endurece o interior, não há forma capaz de conter a pressão que
ele próprio representa. Portanto, formar é dar diretrizes para que o
próprio candidato se converta à luz do Espírito Santo. Sem a
participação ativa do maior interessado na vocação, não há forma
capaz de dar o formato almejado.

Há conflitos
Mais uma vez aqui pesa a história de vida de cada um. Porém, essa
talvez seja a mais natural das verdades sobre a vida de seminário.
Afinal, todos viemos de determinados grupos, como a família, os
amigos, o trabalho, etc. Se por um lado faz parte da nossa condição
humana viver em sociedade, por outro cada pessoa que atravessa a
nossa história representa um desafio. O mais interessante do convívio
com as diferenças no seminário é que ele representa uma verdadeira
escola para o convívio com os irmãos e ministros (nem sempre
agradáveis) da nossa futura igreja.

Não passamos o dia orando


Eis mais um estereótipo ingênuo. Temos uma vida extremamente
diversificada, ainda que disciplinada: jogamos futebol, lavamos louça,
jogamos cartas, estudamos, oramos, assistimos TV e até saímos para
assistir a um filme de vez em quando…Não só na vida de seminário,
mas para todos é importante ter uma rotina equilibrada, que

126
contemple diferentes necessidades. Normalmente a formação
ministerial cuida desses aspectos dividindo didaticamente a vida do
candidato em quatro dimensões: Intelectual, Pastoral, Espiritual e
Humano-afetiva. Isso é importante para que o futuro ministro saia do
seminário mais que intitulado ministro, que saia com uma
personalidade integrada e mais parecida com o rosto de Cristo. Apesar
de que quando estamos no seminário somos chamados de pastores ou
ministros.

Dizer sim todos os dias é mais difícil


No começo temos muitas expectativas, queremos dar tudo a Cristo,
até o sangue se fosse necessário. Com o tempo, assim como o namoro,
as coisas vão se esfriando, o sim dito lá atrás vai aos poucos se
transformando numa distante lembrança de um tempo que não volta.
Às vezes temos a impressão de que estamos apenas nos arrastando e
esperando o dia da ordenação (ou o da morte se não for pedir muito).
Apesar de ser um desafio, dizer sim todos os dias vale muito mais a
pena. Assim as coisas deixam de ter um peso para assumirem a bela
dimensão da grandiosidade daquilo que esperamos.

Um ministro não se faz no dia da ordenação


Um dos nossos formadores sempre diz: “Um pastor não se faz no
improviso”. Grande verdade! Pode até parecer cansativo esse
exemplo para alguns, mas se não acordo todos os dias para ir à capilla
no seminário, dificilmente terei disposição para instituir um culto

127
cedo na igreja em que serei ordenado, ainda que seja uma necessidade
para a igreja. Outro exemplo: se não crio o hábito de orar pelos meus
companheiros todos os dias, quando pastor sempre inventarei alguma
outra atividade “mais importante”. Criar hábito é forjar-se. Isso é
difícil, requer sacrifício e abnegação. Porém, quando temos diante dos
olhos o Modelo, Cristo Jesus, qualquer sacrifício se torna um ato
verdadeiramente salvífico, para nós e para os outros.

Estudar teologia não é garantia de espiritualidade


Passar quatro anos estudando teologia sem criar uma relação de
amizade com Cristo é como construir uma casa sobre a areia. Não
temos “encontros com Cristo” na sala de aula. Se alguém teve essa
experiência, que me conte o quanto antes! Na verdade, o
relacionamento com Cristo é sempre anterior. Nesse contexto a
teologia entra para aumentar o amor, para edificar as bases da
construção. Em suma, não é estudar teologia e sim fazer teologia:
“Para cada um reconheça que “fazer teologia” é uma disciplina importante para
a compreensão e expressão comprometida da fé cristã hoje.”

Você aprende a ter misericórdia


Misericórdia é a coisa mais bela que um homem pode oferecer a
outro. Quanto mais quando essa atitude vem de um servo de Deus!
O tempo de seminário é um tempo essencialmente de prova. Cada
dificuldade, cada desafio, cada tristeza tem de servir como lição para
que um dia o ministro também se identifique com a miséria dos

128
outros. Fica para sempre na memória do seminarista o abraço de
misericórdia que Deus lhe estendeu numa situação difícil. É esse o
abraço que o ministro terá a oferecer ao mundo.

Nem todos atingirão a meta


Por um lado, infelizmente nem todos atingirão a meta, pois, como a
parábola do semeador (Mt 13), muitas coisas podem acontecer com a
semente ao longa do caminho. Por outro lado, felizmente, muitos
descobrem a verdadeira vocação dentro dessa vocação. Seminário é
tempo de discernimento. Temos de ter a consciência de que cada um
que entra no seminário já é digno de louvor pelo simples fato de ter
renunciado ao mundo para tentar uma vida em Deus. Não podemos
julgar ninguém que deixa de ser seminarista como se tivesse
aprontado ou abandonado a guerra na metade. Como cristãos,
deveríamos acolhê-los bem em nossas comunidades e ajuda-los a
recuperar o norte (direção), depois de uma experiência tão profunda
quanto o chamado à vida consagrada.

Somos felizes
Sim. Aqui não há tempo ruim. Podemos reclamar, dizer que as coisas
poderiam ser melhores, mas na maior parte do tempo somos muito
felizes. Podemos dizer isso com convicção porque não dá para ficar
24 horas confinado num lugar se não for por amor. Nessa dinâmica,
descobrimo-nos felizes porque estamos próximos de quem mais
queríamos estar: Jesus Cristo. Você pode até encontrar um

129
seminarista mal humorado por aí, mas nunca infeliz, nunca mal
humorado a ponto de estar sempre de cara amarrada. Eu mesmo
nunca encontrei um desses. Talvez o nosso grande defeito seja
justamente esse: somos felizes demais para se dar conta disso o tempo
todo.

Solidão é diferente de abandono


Somos chamados por graça, por amor do reino de Deus, uns solteiros
outros casados. O amor é pura relação. Por mais que não tenhamos a
família ao nosso lado, ficamos satisfeitos com a relação que assumimos
com Deus e mais concretamente com a Igreja. Muitos querem
arranjar um problema no fato de abandonar empregos carreiras e
família. Pelo contrário! Olhe ao redor de um seminarista…muitas
vezes, de fato, ele tem dificuldade de encontrar tempo para si.
Portanto, ao ver um seminarista sozinho, não ache que ele está
abandonado, ele só está amando da forma em que foi chamado a amar.

Agora que já sabemos um pouco mais do que se diz sobre os


seminaristas, talvez tenha dado para perceber que esse caminho nem
sempre é fácil. Importa a cada dia orar para que tenhamos verdadeiros
ministros, santos, pois aonde há um bom homem, há ali também uma
parte do que o mundo precisa para ser melhor.

Nesse último capítulo essas palavras estão regadas de lágrimas e


recordações e escrever este pequeno resumo de nosso tempo no

130
seminário me encheu de sentimentos indescritíveis. Traz à lembrança
recordações, relembranças, muitas experiências boas e más, dores,
sofrimentos, alegrias. Aprendemos muito, uma verdadeira escola que
nos ajuda e nos conduz a uma busca incessante pela humildade,
respeito, mansidão, dedicação e amor.

Certamente os aniversários que no Brasil podem ter muitas


guloseimas e os convidados são esnobes, depois da festa saem falando
mal da comida. Aprendemos que não são necessárias muitas
guloseimas para poder disfrutar de uma boa festa de aniversário.
Enquanto no brasil cantamos uma musica de parabéns, aprendi que
podemos cantar muitas musicas para quem estar de aniversário, e isso
é o mais gostoso, poder celebrar a vida, as amizades, muitos risos e
risadas.

Muitos eventos escritos aqui não estão em ordem cronológica, e nem


poderiam estar, a ideia de escrever esse livro não era de ter de ensinar
teologia, mas de compartilhar das maravilhas de Deus em nossas vidas.

Ter momentos como esses são mais valiosos que presentes caros e
chiques. Sou grato a Deus porque me deu a oportunidade de aprender
que a simplicidade de gestos pode encher seu coração de alegria.

Aprendi a viver no muito e no pouco. Por muitas vezes o seminário


não tinha alimento para nós, porem sempre Deus sempre derramava
de sua misericórdia, mesmo que fosse para nós comermos somente

131
uma arepa seca, sem recheio ou manteiga, simplesmente com um
copo com água.

Lembro-me quando estávamos em nosso segundo ano e a crise


apertou tanto que no café da manhã comemos feijão preto, no almoço
feijão preto e na janta outra vez feijão preto. Não foi fácil, foram mais
de 45 dias assim, e louvado seja o Senhor por esse alimento que um
irmão que plantava feijões e doou dois sacos de 50kg. O resultado não
era bom, imagine passar pelos corredores e tudo cheirava pum, ah,
ah, ah! Sim comendo feijões pretos três vezes por dia e durante mais
de 30 dias o resultado não poderia ser outro.

Depois dos feijões vieram as “yucas”, ou melhor dizendo, as


macaxeiras, era arepa de macaxeira, era almoço de macaxeira e janta
de macaxeira. Mais agora tinha um complemento, sim, o famoso
feijão preto!

Em seguida tivemos a oportunidade de conhecer todo tipo de saladas,


salada de repolho e cenoura, esse era nosso cardápio diário, arroz e
essa maravilhosa salada.

Houve outra época de muita abundância, em que os “desayunos”, cafés


da manhã eram arepas recheadas com queijo, mortadela e
acompanhada com manteiga e feijões pretos, café com leite e suco.
Os almoços eram regados de arroz, macarrão, um pedaço bem grande
de frango, carne desfiada, saladas que não eram só repolho e cenouras.

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A “cena”, ou o que antecedia a janta, eram panquecas doces com mel
e recheadas com queijo, as vezes bolos e sucos. Porem em nosso
ultimo ano já não havia mais as cenas, não havia recursos para isso e
nós nos virávamos. Sim, tivemos tempos de fartura e tempos de secas.

Muta coisa foi mudando nossa forma de viver, outra situação que nos
ensinou muito foi a falta de água. Quando chegamos ao seminário
havia em abundancia, já no segundo ano começamos a fazer
racionamento, no terceiro ano só abríamos a água duas vezes por dia,
sedo da manhã e ao final do dia. Nesse momento minha “asignación”,
ou tarefa semanal que era obrigatória para todo estudante foi estar
responsável pela distribuição da água, eu ligava as bombas todos os
dias duas vezes para que a água pudesse chegar aos estudantes.

Outras vezes a água demorava até 3 meses para chegar no setor e então
a solução era comprar aqueles caminhões cisternas com água, algumas
vezes o seminário tinha os recursos outras vezes não. Algumas
situações nos, os estudantes fizemos aquela vaquinha para comprar
uma cisterna.

Em seguida começou a faltar gás, é o gás era fundamental para poder


cozinhar nossos alimentos. Isso era uma tortura, porque sem gás o que
comer? Os caminhões que faziam a entrega, as vezes demoravam,
passavam do prazo para coletar e entregar os botijões cheios.

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Alexandro que é um dos vigilantes do seminário criou um jargão,
sempre que olhava para a Iris dizia com sua voz velha e roca: “Irisxi...
no hay agua”. Lembro-me como hoje, cedo da manhã Alejandro e
Elódio, caminhando pelos corredores e pelo seminário, vistoriando os
estudantes que tinha a asiguinación de varrer, limpar os salões de aula,
corredores, vidros, Biblioteca, capilla, capinar (com o facão) e lavar
as louças do café, almoço e cena. Além de Alexandro e Elódio, estava
Edgar o chefe da manutenção, se precisasse concertar qualquer coisa
era só falar com ele.

A vida em comunidade não era fácil de viver, diferentes pensamentos,


cada estudante querendo ser o melhor, com atitudes que te faz
duvidar que eles e eu tenhamos um chamado. Mentiras, roubos, coisas
que te chocam, até mesmo atitudes dos próprios administradores do
seminário. Quando você chega no seminário, pensa que ali é um lugar
santo, separado, sem intrigas, brigas e tantas coisas que entristece o
coração de Deus. Mas sabe, o seminário não é diferente de sua igreja,
nem tão pouco do local onde você trabalhava, da universidade ou
escola que você frequentou, nem muito menos de sua casa.

Pensamos que não haverá problemas, tensões, pensamos que vamos


orar 24 horas por dia, criamos um novo mundo em nossa mente. Mas,
ao contrario disso nos deparamos com pessoas em um processo de
santificação, pessoas que irão errar, pecar, mentir. E o que precisamos
está atento com isso? Que estamos incluídos nesse senário, e que se
permitirmos seremos todos, juntos, moldados pelo poder de Deus.

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Aprendi a ser tardio em falar e jugar, porque é no seminário vamos
aprender a sermos compassivos, amáveis e perdoadores. O seminário
tem sim matérias teológicas, mas o mais importante que podemos
adquirir com o estudo da Palavra, coma as matérias, com os livros
serão nosso tempo de convivência em comunidade.

Viver em comunidade me ensinou como será na glória, se aqui temos


discórdias é porque permitimos, se aqui temos diferenças ou jugamos
é porque assim desejamos. Lhes convido a amar mais sua igreja! O que
é igreja? Não se esqueça que igreja são pessoas em um processo igual
ao seu, estão sendo moldadas pelo Espírito Santo, por tanto, perdoe
mais, ame mais e sirva mais.

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