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SÃO LUCAS EDUCACIONAL DE JI-PARANÁ

Acadêmicos: Diêgo Marques da Silva


Curso: Direito - Noturno
Disciplina: Direito Civil - Contratos
Professor: Aroldo Bueno de Oliveira

TED DIREITO CIVIL – PRINCÍPIO – CASO ZECA PAGODINHO


Sobre tal aspecto, merece ser trazido à baila o entendimento do MARTINS-
COSTA, Judith. (A boa-fé no direito privado. São Paulo: RT, 1999. p. 46), do
qual assevera que é conceituado uma norma de ética de conduta quando um
contratante honra uma palavra dada, ou quando não causa prejuízo em relação
ao outro contratante. Trata-se de uma norma impositiva de conduta leal,
geradora de um dever de correlação que domina o tráfego negocial.
Parafraseando, a função social e o princípio da boa-fé tiveram os seus
surgimentos com a finalidade de visar harmonia entre as partes contratantes. E
os surgimentos desses preceitos ocorreram em virtude da transformação da
teoria geral dos contratos, visto que ocasionaram muitas mudanças no domínio
dos contratos pela intervenção do estado no século XIX. Nas relações sociais,
os estados deixaram de seguir os padrões individualistas e voluntaristas e
passaram a impor a ordem social com a existência do princípio da boa-fé
objetiva e o estado social.
Contudo, existem duas eficácias no princípio da função social: Eficácia interna
e Eficácia externa. No que tange a eficácia interna, entende-se que os
interesses serão atendidos somente entre os contratantes, dessa forma esta
eficácia trabalhará a maneira interna do contrato. Se uma das partesrealizarem
algo desproporcional e desvantajoso ao interesse de outro contratante,
ocorrerá a violação da função social do contrato. Sendo assim, o equilíbrio é
fundamental na função social do contrato.
Além do mais, em relação à eficácia externa, do qual é chamada de tutela
externa de crédito, os interesses atenderãoos contratantes e os terceiros.A
eficácia externa atentará à proteção de direitos metaindividuais e difusos. Ou
seja, a eficácia externa, pela virtude de ir além das partes contratantes,ela
atenderá a função socioambiental do contrato.
O princípio da boa-fé objetiva é analisado e entendido como um
comportamento de honestidade entre as partes relacionadas. A boa-fé possui
algumas funções primordiais: integrativa, interpretativa, corretiva, limitativa e
supletiva.
Encontra-se a respeito à função integrativa no artigo 422 do Código Civil.
Entende-se nesta função que o princípio da boa-fé cabe em qualquer relação
obrigacional. O objetivo é tutelar as partes envolvidas de maneira que seja
imposta mutuamente os deveres anexos.
A função interpretativa encaixa-se tanto no fator objetivo quanto no subjetivo. A
condição subjetiva tem a finalidade de esclarecer a intenção e pensamento das
partes, do qual será verificado se ocorrerá algum equívoco. A razão objetiva
será analisada as condutas e os cumprimentos entre as partes, dentro dos
padrões éticos estabelecidos.
A função corretiva tem a finalidade de manter o equilíbrio contratual quando
ocorrer na relação jurídica certos desiquilíbrios. Um exemplo fundamental para
esta função é “se na revisão de contratos de trato sucessivo (ou de
execução continuada) em decorrência de situação superveniente
imprevisível ou extraordinária que torne a prestação excessivamente
onerosa para uma das partes, gerando lesão objetiva por fato
imprevisível.” Neste caso, será necessário a função corretiva.
A função limitativa ocorre tanto pelo supressio quanto pelo surrectio. O
supressio acontece quando é impossibilitada o exercício de um direito subjetivo
mediante a constante inércia de seu titular, do qual será capaz de gerar a justa
expectativa em outrem, do qual o direito jamais será executado. Surrectio, ao
contrário, é a aquisição do direito a que a situação jurídica permaneça
inalterada, em vista da supressio. Isto se dá em virtude da boa-fé objetiva, que
tutela os indivíduos do contrato em caso de superveniência de comportamento
contraditório do outro. 
Portanto, a função supletiva cria deveres assessórios, anexos, laterais, dos
qual é garantido um cumprimento de melhor eficácia ao contratado, do qual
não será concedido a vontade das partes relacionadas. Dessa forma, serão
realizadas pela boa-fé objetiva, prestações fixadas pelas partes. A informação,
a cooperação, equidade, lealdade e o sigilos são exemplos importantíssimos
pelos deveres anexos, dos quais são existentes desde o início do contrato. Se
existir violação dos deveres acessório, o contrato será violado, do qual
ocasionará a sua resolução e a reparação dos danos.
Conforme o caso do Zeca Pagodinho, do qual fez um contrato de trabalho com
a cervejaria Nova Schin até o fim do ano, porém em decorrência dos fatos, a
Brahma o aliciou a fazer um contrato com outra empresa de cervejaria. Dessa
forma, consoante o artigo 608 do CC, prevê que se o indivíduo aliciar a outrem,
que já tem um contrato firmado, a executar serviço em outra localidade, pagará
a este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito,
houvesse de caber durante dois anos.
A empresa de bebida Brahma não observou o princípio da função social do
contrato. No artigo 421 do CC, respaldaque “A liberdade de contratar será
exercida em razão e nos limites da função social do contrato”. Mediante a este
caso, em virtude de aliciar, o aliciadordeverá exercer o pagamento eventual da
indenização e o Zeca Pagodinho será condenado. Além disso, neste noticiário,
o princípio de boa-fé não foi respeitado, pois a cervejaria Brahma e o cantor
não estabeleceram um padrão ético. O artigo 422 deixa claro que até o fim do
contrato, os contratantes são obrigados a guardar e executar os princípios de
probidade e boa-fé.
Assevera Martins-Costa:
“Desmontado o dogma, têm lugar o princípio e a sua significação: a eficácia
transubjetiva da relação negocial está a nos dizer que certos pactos não devem
mais ser concebidos como se respeitantes tão só às partes contratantes, como
se imunes fossem aos condicionalismos das circunstâncias e às esferas
alheias que acabam por afetar. De tudo resta relativizado o princípio da
relatividade dos contratos, falando-se em ‘tutela externa do crédito’ (Antonio
Junqueira de Azevedo) ou no ‘contrato para além do contrato’ (Teresa
Negreiros). Essa mesma noção tem, caso PENNZOIL vs TEXACO da
jurisprudência norte-americana, um poderoso precedente, ocorrido na década
de 80 e célebre por ter resultado numa das maiores indenizações já impostas
por uma Corte dos EUA: 7,53 bilhões de dólares de indenização, impostos a
TEXACO em demanda promovida por PENNZOIL, mais 1 bilhão de dólares de
punitivedamages (indenização punitiva). Esse precedente funda-se na mesma
racionalidade (jurídica) do “caso Zeca Pagodinho”,vale dizer: a necessidade do
afastamento da “razão cínica”, a fim de resguardar o nível mínimo de confiança
no tráfico negocial, para assegurar, no capitalismo, a própria funcionalidade
das práticas comerciais.” (Martins-Costa, Judith, “Zeca Pagodinho, a razão
cínica e o novo Código Civil brasileiro",disponível no:
http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI4218,101048-
Zeca+Pagodinho+a+razao+cinica+e+o+novo+Codigo+Civil+Brasileiro).
Portanto, no que tange o caso do Zeca Pagodinho, poderia simplesmente
pagar a indenização que foi estabelecida juridicamente. Nessa circunstância,
Brahma ficaria alheia à questão, pois,em conformidade com as pesquisas,teria
realizado com o Zeca Pagodinho um contrato em assumir o compromisso de
pagar todas perdas e danos a que ele será certamente condenado.

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