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Resumo de conteúdo

Prova de segunda fase

• 1 peça

• 4 questões

→ Temos que conhecer as teses de defesa


Conceito tripartido de crime

1. Fato típico

2. Fato ilícito

3. Agente culpável
Conceito tripartido de crime

1. Fato típico → princípio da insignificância

2. Fato ilícito

3. Agente culpável
Conceito tripartido de crime

1. Fato típico

2. Fato ilícito → estado de necessidade; legítima defesa

3. Agente culpável
Conceito tripartido de crime

1. Fato típico

2. Fato ilícito

3. Agente culpável → doença mental


Se o fato é típico e ilícito e o agente é culpável...
• Haverá crime

• Assim, deve-se analisar o devido processo legal (ampla defesa,

contraditório, juiz imparcial, juiz natural etc.)

• Em caso de descumprimento do devido processo legal: são

invocadas as nulidades
Se há observância ao devido processo legal...

• São analisadas as condições de punibilidade (prescrição,


decadência etc.)

• Há crime + foi cumprido o devido processo legal + estão


presentes as condições de punibilidade = será aplicada a pena
No caso de aplicação de pena→ analisar a dosimetria

• O juiz aplicou corretamente o critério trifásico?

• Cabe a suspensão condicional do processo?

• Cabe a substituição da PPL por PRD?

• Cabe a suspensão condicional da pena?

• O regime inicial de cumprimento da pena está correto?

• Cabe livramento condicional?


O trabalho do advogado criminalista não se
limita ao conceito analítico de crime

• Nem tudo é teoria do crime

• A tese pode estar:

→ no devido processo legal

→ nas condições de punibilidade

→ na dosimetria da pena
Princípio da insignificância

É uma causa de exclusão da tipicidade material


Princípio da insignificância
(requisitos objetivos)

a) Mínima ofensividade da conduta do agente

b) Nenhuma periculosidade social da ação

c) Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento

d) Inexpressividade da lesão jurídica provocada


Princípio da insignificância
(requisito subjetivo)

• Não ser reincidente, portador de maus antecedentes,


criminoso habitual etc.
Crimes que não aceitam a incidência do princípio

• Praticados com violência ou grave ameaça a pessoa


• Tráfico de drogas
• Posse de drogas para consumo (posição majoritária)
• Moeda falsa
• Contrabando
• Maria da Penha (Súmula 589 do STJ)
• Praticados contra a Administração Pública (Súmula 599 do STJ)
• Casos de transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência
Descaminho (art. 334 do CP)

• Valor sonegado até R$ 20.000,00 (STF e STJ)


Desistência voluntária

• Conduta negativa (não fazer)


• O agente desiste de prosseguir na execução
Arrependimento eficaz

• Conduta positiva (fazer)


• O agente toma uma providência para impedir a produção do
resultado
Desistência voluntária e arrependimento eficaz
(consequência)

• O agente somente responde pelos atos já praticados.


• Art. 15 do CP - O agente que, voluntariamente, desiste de
prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza,
só responde pelos atos já praticados.
Crime impossível

• É uma causa de exclusão da tipicidade.


• Art. 17 do CP - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime.
Crime impossível (hipóteses)

1. Ineficácia absoluta do meio


2. Impropriedade absoluta do objeto
3. Flagrante preparado
Súmula 145 do STF

Não há crime, quando a preparação do flagrante


pela polícia torna impossível a sua consumação.
Súmula 567 do STJ

Sistema de vigilância realizado por monitoramento


eletrônico ou por existência de segurança no interior de
estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a
configuração do crime de furto.
Conceito analítico de crime

Fato típico

CRIME Ilicitude ou
antijuricidade

Culpabilidade
Código Penal

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:


I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício
regular de direito.
Legítima defesa

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando


moderadamente dos meios necessários, repele injusta
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Requisitos da legítima defesa

a) Agressão injusta, atual ou iminente


b) Direito próprio ou alheio, atacado ou posto em risco de agressão
c) Reação com os meios necessários
d) Uso moderado desses meios
Legítima defesa real

Legítima defesa putativa


Espécies de penas (art. 32 do CP)

1. Privativas de liberdade
2. Restritivas de direitos
3. Multa
Penas privativas de liberdade

Fixação das penas privativas de liberdade



Critério trifásico
Critério trifásico para fixação das PPL

Art. 68 do CP - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério


do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as
circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de
diminuição e de aumento.
1ª fase
Art. 59 do CP - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta
social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do
crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja
necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de
pena, se cabível.
Súmula 444 do STJ

É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações


penais em curso para agravar a pena-base.
2ª fase

• Agravantes (arts. 61 e 62 do CP)


• Atenuantes (arts. 65 e 66 do CP)
3ª fase

• Majorantes ou causas de aumento


• Minorantes ou causas de diminuição
Código Penal (art. 68, parágrafo único)

No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na


parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma
só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente
ou diminua.
Sistemas de aplicação da pena

• Cúmulo material
• Exasperação
Sistema do cúmulo material

1. Concurso material (art. 69, caput, CP)


2. Concurso formal impróprio ou imperfeito (art. 70, caput, 2ª parte, CP)
Sistema da exasperação

1. Concurso formal próprio ou perfeito (art. 70, caput, 1ª parte, CP)


2. Crime continuado
Concurso material (art. 69 do CP)

• Requisitos: pluralidade de condutas + pluralidade de resultados


Concurso formal (art. 70, caput, CP)

• Requisitos: unidade de conduta + pluralidade de resultados


Concurso formal próprio ou perfeito

• Art. 70, caput, 1ª parte, do CP


• Não há desígnios autônomos em relação aos resultados
• Sistema da exasperação
Concurso formal impróprio ou imperfeito

• Art. 70, caput, 2ª parte, do CP


• Há desígnios autônomos em relação aos resultados
• Sistema do cúmulo material
Crime continuado
• Art. 71 do CP

• Requisitos:

a) pluralidade de crimes da mesma espécies;

b) condições objetivas semelhantes (tempo, lugar e maneira de execução)

c) unidade de desígnio ou liame subjetivo entre os eventos


Espécies de prescrição

• PPP: prescrição da pretensão punitiva

• PPE: prescrição da pretensão executória


Efeitos da PPP

• Obsta o início da ação penal


• Apaga todos os efeitos da sentença penal condenatória
• A sentença condenatória não gera reincidência
Efeitos da PPE

• Somente apaga o principal efeito da condenação (pena)


• Todos os demais efeitos da condenação permanecem intactos
• A sentença condenatória pode gerar reincidência
Espécies de PPP

1. Propriamente dita
2. Superveniente, subsequente ou intercorrente
3. Retroativa
PPP propriamente dita

• Não há trânsito em julgado para nenhuma das partes


• Regula-se pela pena máxima em abstrato
• Devem ser observados os prazos do art. 109 do CP
Regras para a contagem do prazo prescricional

1. São incluídas as qualificadoras


2. São incluídas as majorantes e minorantes
3. É incluída a tentativa
4. Não são incluídas as agravantes e atenuantes
5. Observar o art. 115 do Código Penal
6. Concurso de crimes: observar o art. 119 do CP
Competência em razão da matéria

a) Competência do Tribunal do Júri


b) Competência criminal da Justiça Eleitoral
c) Competência criminal da Justiça Militar
d) Competência criminal da Justiça Federal
Justiça Federal

• Expressa
• Taxativa
Constituição Federal (art. 109)

Aos juízes federais compete processar e julgar:


(...)
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em
detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da
Justiça Eleitoral.
Súmula 42 do STJ

Compete à Justiça comum estadual processar e julgar as


causas cíveis em que é parte sociedade de economia
mista e os crimes praticados em seu detrimento.
Súmula 38 do STJ

Compete à Justiça estadual comum, na vigência da


Constituição de 1988, o processo por contravenção penal,
ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou
interesse da União ou de suas entidades.
Constituição Federal (art. 109)

Aos juízes federais compete processar e julgar:


(...)
V - os crimes previstos em tratado ou convenção
internacional, quando, iniciada a execução no País, o
resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente.
Lei de Drogas (art. 70 da Lei 11.343/06)

O processo e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a


37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional, são da
competência da Justiça Federal.
Revisão da peça
Fase pré-processual – após o crime
(provocação ao Delegado ou ao Juiz)

• Requerimento de instauração de IP
• Representação ao Delegado de Polícia
• Retratação da representação
• Queixa-crime
Fase pré-processual – após a denúncia
(defesas preliminares)
• Resposta preliminar (Lei de Drogas)
• Resposta preliminar (Crimes funcionais)
• Resposta preliminar (JECrim)
• Resposta preliminar (Competência originária)
Fase pré-processual ou processual
(prisão e liberdade)
• Relaxamento da prisão em flagrante
• Revogação da prisão preventiva
• Revogação da prisão temporária
• Liberdade provisória
• Revogação de medida cautelar diversa
• Habeas corpus
Fase processual – antes da sentença
(resposta à acusação e memoriais)

• Resposta à acusação (procedimento comum)


• Resposta à acusação (procedimento do Júri)
• Memoriais (procedimento comum)
• Memoriais (procedimento do Júri)
Fase processual – depois das decisões do art.
581 do CPP

• Recurso em sentido estrito


Fase recursal – depois da sentença
(antes do trânsito em julgado)

• Apelação (procedimento comum)


• Apelação (procedimento do Júri)
• Apelação (Lei 9.099/95)
• Embargos de declaração (de sentença ou de acórdão)
• Embargos de declaração (Lei 9.099/95)
Fase recursal – depois da sentença
(antes do trânsito em julgado)

• Embargos infringentes
• Embargos de nulidade
• Recurso ordinário constitucional
• Recurso especial
• Recurso extraordinário
Fase processual ou recursal
(outros recursos)

• Carta testemunhável
• Correição parcial
Ações autônomas de impugnação

• Habeas corpus
• Revisão criminal
• Mandado de segurança em matéria criminal
Fase da execução da pena
(em regra depois do trânsito em julgado)
• Livramento condicional
• Progressão de regime (crimes comuns e crimes hediondos)
• Remição da pena
• Trabalho externo
• Indulto e comutação
• Unificação das penas
• Agravo em execução
Resposta à acusação
(Peça prático-profissional / XXI Exame de Ordem Unificado)
Gabriela, nascida em 28/04/1990, terminou relacionamento amoroso com
Patrick, não mais suportando as agressões físicas sofridas, sendo expulsa do
imóvel em que residia com o companheiro em comunidade carente na
cidade de Fortaleza, Ceará, juntamente com o filho do casal de apenas 02
anos. Sem ter familiares no Estado e nem outros conhecidos, passou a
pernoitar com o filho em igrejas e outros locais de acesso público,
alimentando-se a partir de ajudas recebidas de desconhecidos. Nessa época,
Gabriela fez amizade com Maria, outra mulher em situação de rua que
frequentava os mesmos espaços que ela.
No dia 24 de dezembro de 2010, não mais aguentando a situação e vendo o filho chorar e
ficar doente em razão da ausência de alimentação, após não conseguir emprego ou ajuda,
Gabriela decidiu ingressar em um grande supermercado da região, onde escondeu na roupa
dois pacotes de macarrão, cujo valor totalizava R$18,00 (dezoito reais). Ocorre que a conduta
de Gabriela foi percebida pelo fiscal de segurança, que a abordou no momento em que ela
deixava o estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, e apreendeu os dois produtos
escondidos.

Em sede policial, Gabriela confirmou os fatos, reiterando a ausência de recursos financeiros e


a situação de fome e risco físico de seu filho. Juntado à Folha de Antecedentes Criminais sem
outras anotações, o laudo de avaliação dos bens subtraídos confirmando o valor, e ouvidos os
envolvidos, inclusive o fiscal de segurança e o gerente do supermercado, o auto de prisão em
flagrante e o inquérito policial foram encaminhados ao Ministério Público, que ofereceu
denúncia em face de Gabriela pela prática do crime do Art. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II,
ambos do Código Penal, além de ter opinado pela liberdade da acusada.
O magistrado em atuação perante o juízo competente, no dia 18 de janeiro de 2011,
recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, concedeu liberdade provisória à
acusada, deixando de converter o flagrante em preventiva, e determinou que fosse
realizada a citação da denunciada. Contudo, foi concedida a liberdade para Gabriela antes
de sua citação e, como ela não tinha endereço fixo, não foi localizada para ser citada.

No ano de 2015, Gabriela consegue um emprego e fica em melhores condições. Em razão


disso, procura um advogado, esclarecendo que nada sabe sobre o prosseguimento da ação
penal a que respondia. Disse, ainda, que Maria, hoje residente na rua X, na época dos fatos
também era moradora de rua e tinha conhecimento de suas dificuldades. Diante disso, em
16 de março de 2015, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país, Gabriela e o
advogado compareceram ao cartório, onde são informados que o processo estava em seu
regular prosseguimento desde 2011, sem qualquer suspensão, esperando a localização de
Gabriela para citação.
Naquele mesmo momento, Gabriela foi citada, assim como intimada, junto ao
seu advogado, para apresentação da medida cabível. Cabe destacar que a ré,
acompanhada de seu patrono, já manifestou desinteresse em aceitar a proposta
de suspensão condicional do processo oferecida pelo Ministério Público.

Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade de advogado(a) de


Gabriela, a peça jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas
as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá ser
datada no último dia do prazo. (Valor: 5,00)

Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser
utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do
dispositivo legal não confere pontuação.
Resposta à acusação

Art. 396 do CPP. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a


denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á
e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por
escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

Art. 396-A do CPP. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares


e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e
justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas,
qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.
Esquema da peça

1. C 5. C 9. TP
2. C 6. C
3. P 7. P
4. A 8. E
Esquema da peça

1. Cliente 5. Competência 9. Teses e Pedidos

2. Crime e pena 6. Ciclo processual

3. Procedimento 7. Peça

4. Ação penal 8. Endereçamento


Esquema da peça
1. C: Gabriela 5. C: Justiça Estadual
2. C: furto simples tentado (art. 155 c/c art. 14, 6. C: fase processual
II, ambos do CP) - reclusão, de 1 a 4 anos
3. P: comum ordinário 7. P: resposta à acusação
4. A: pública incondicionada 8. E: Juiz de Direito da ... Vara
Criminal da Comarca de
Fortaleza/CE
9. TP: recebimento da R.A., extinção da
punibilidade (prescrição), atipicidade do fato
(princípio da insignificância), exclusão da
ilicitude (estado de necessidade), absolvição
sumária, rol de testemunhas, prazo correto
(26/03/2015)
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara Criminal da Comarca de Fortaleza/CE:

Processo n.º ...

GABRIELA..., já qualificada nos autos da ação penal que lhe move o Ministério
Público, por seu procurador firmatário, procuração anexa (fl. ...), vem, à presença de Vossa
Excelência, com fundamento nos artigos 396 e 396-A, ambos do Código de Processo Penal,
apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, pelas seguintes razões de fato e de direito:
1. DOS FATOS

A acusada foi denunciada pelo Ministério Público pela prática de furto simples tentado,
capitulado no artigo 155, caput, combinado com o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal.

De acordo com a exordial acusatória, no dia 24 de dezembro de 2010 a denunciada ingressou


em um grande supermercado da região, onde escondeu na roupa dois pacotes de macarrão, cujo
valor totalizou R$ 18,00 (dezoito reais). Ainda conforme a denúncia, como a conduta da acusada foi
percebida pelo fiscal de segurança, Gabriela foi abordada no momento em que deixava o
estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, os quais foram apreendidos.

A denunciada foi presa em flagrante, tendo o Ministério Público oferecido a respectiva


denúncia, que foi recebida pelo Juízo em 18 de janeiro de 2011, ocasião em que lhe fora concedida
liberdade provisória.

A ré foi citada somente em 16 de março de 2015, mesma data da intimação da defesa para
apresentação da medida cabível, razão pela qual é oferecida a presente resposta à acusação.
2. DO DIREITO

2.1. Da preliminar de prescrição

O fato imputado à acusada ocorreu em 24 de dezembro de 2010. Como Gabriela nasceu no


dia 28 de abril de 1990, ela tinha apenas 20 anos por ocasião do evento. Assim, a prescrição
deve ser contada pela metade, conforme disposto no artigo 115 do Código Penal.

Foi imputado à ré o crime de furto simples tentado. A pena máxima (artigo 155, caput, do
Código Penal) é de 4 anos. Com a diminuição de um terço em razão da tentativa, chega-se a 2
anos e 8 meses. Assim, a prescrição é de 8 anos (artigo 109, IV, do Código Penal). Em face do
disposto no supracitado artigo 115, o lapso prescricional final é de 4 anos.

Como a denúncia foi recebida em 18/11/2011, passaram-se mais de 4 anos, razão pela qual
deve ser reconhecida a prescrição da pretensão punitiva estatal, com a consequente extinção da
punibilidade (artigo 107, inciso IV, do Código Penal) e absolvição sumária da acusada (artigo 397,
inciso IV, do Código de Processo Penal).
2.2. Do princípio da insignificância

Conforme entendimento dos Tribunais Superiores, o princípio da insignificância é causa de


exclusão da tipicidade material. Ou seja, não basta a mera tipicidade formal (subsunção do fato à
norma), sendo ainda necessária a tipicidade material (efetiva ofensa ao bem jurídico tutelado).

A res furtiva foi avaliada em R$ 18,00 (dezoito reais), valor ínfimo levando-se em conta,
sobretudo, as condições econômicas da pessoa jurídica vítima (grande supermercado da cidade).
Por sua vez, a acusada é primária e portadora de bons antecedentes, como atesta a folha de
antecedentes criminais (sem outras anotações).

Assim, requer-se a absolvição sumária da ré, em face da incidência do princípio da


insignificância, com base no artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal.
2.3. Do estado de necessidade

Como referido pela acusada desde a fase policial, o fato somente foi praticado pela
ausência de recursos financeiros e pela situação de fome e risco físico de seu filho, criança
que, à época, tinha apenas 2 anos de idade.

Assim, deve incidir o estado de necessidade, causa excludente da ilicitude. De acordo


com o artigo 24 do Código Penal, considera-se em estado de necessidade quem pratica o
fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável
exigir-se.
Havia perigo atual, em face da situação de risco a que passavam a denunciada e seu
filho em razão da ausência de alimentação. Por outro lado, o perigo não foi criado pela ré,
mas sim, como ela mesma referiu nos autos policiais, por ter sido expulsa de casa pelo ex-
companheiro que a agredia, além de não conseguir emprego ou ajuda financeira de quem
quer que seja. Ademais, na ponderação entre os bens jurídicos em conflito (integridade
física da criança e patrimônio do supermercado), não seria razoável que a acusada
sacrificasse bem de maior valor (integridade física do filho) em detrimento de bem jurídico
de menor valor (patrimônio da pessoa jurídica).

Por tais razões deve ser decretada a absolvição sumária de Gabriela, com fundamento
no artigo 397, inciso I, do Código de Processo Penal, em face de manifesta causa
excludente da ilicitude do fato, qual seja, o estado de necessidade (artigos 23, inciso I, e 24,
ambos do Código Penal).
3. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

a) O recebimento da presente resposta à acusação;

b) O acolhimento da preliminar suscitada, a fim de que seja reconhecida a prescrição


da pretensão punitiva estatal, forte no artigo 107, inciso IV, do Código Penal, com
consequente absolvição sumária da acusada, com fulcro no artigo 397, inciso IV, do
Código de Processo Penal;

Em caso de não acolhimento da preliminar:


c) A absolvição sumária da acusada, diante da incidência do princípio da
insignificância, já que o fato narrado evidentemente não constitui crime, forte no
artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal;
d) A absolvição sumária da acusada, diante da existência de manifesta causa excludente da
ilicitude do fato, qual seja, o estado de necessidade, forte no artigo 397, inciso I, do Código
de Processo Penal;

Em caso de não acolhimento dos requerimentos de absolvição sumária:


e) A instrução do feito, com a produção de todas as provas em direito admitidas,
especialmente a testemunhal, conforme rol de testemunha abaixo apresentado.

Nesses termos, pede deferimento.

Fortaleza, 26 de março de 2015.


Advogado...
OAB...

Rol de testemunha:
1) Maria, qualificação e residência... .
Recurso em sentido estrito
(Peça profissional / XI Exame de Ordem Unificado)

Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante
preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa
decide ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para
realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa
sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista
que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via.

Não obstante a presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais
testemunhas, Diogo falece em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Instaurado o
respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público decide
oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso
simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP).
Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado
que poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além
de não atentar para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz
competente e todos os atos processuais exigidos em lei foram regularmente
praticados. Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente
fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória.

O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-


feira). Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos
fornecidos, elabore o recurso cabível e date-o com o último dia do prazo para a
interposição. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.
Recurso em sentido estrito

ART. 581 DO CPP

Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:


(...)
IV - que pronunciar o réu.
Esquema da peça

1. C 5. C 9. TP
2. C 6. C
3. P 7. P
4. A 8. E
Esquema da peça

1. Cliente 5. Competência 9. Teses e Pedidos

2. Crime e pena 6. Ciclo processual

3. Procedimento 7. Peça

4. Ação penal 8. Endereçamento


Esquema da peça
1. C: Jerusa 5. C: Justiça Estadual
2. C: homicídio simples tentado (art. 121 6. C: fase processual
c/c art. 14, II, ambos do CP) - reclusão, de
6 a 20 anos
3. P: especial do Júri 7. P: recurso em sentido estrito
4. A: pública incondicionada 8. E: Juiz de Direito da ... Vara Criminal
do Tribunal do Júri da Comarca ...
(interposição) + TJ... (razões)
9. TP: conhecimento do recurso, pedido
de reconsideração, desclassificação do
crime doloso para culposo (art. 419 do
CPP), prazo correto (09/08/2013)
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara Criminal do Tribunal do Júri da
Comarca ...

Processo n.º ...

JERUSA, já qualificada nos autos da ação penal que lhe move o Ministério Público,
por seu procurador firmatário, procuração anexa (fl. ...), vem, à presença de Vossa
Excelência, com fundamento no artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal,
interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, apresentando, desde logo, suas razões
recursais para a reforma da decisão.
Requer, ainda, uma vez recebido e processado o recurso, a retratação de Vossa
Excelência, com base no artigo 589 do Código de Processo Penal, ou, em caso
negativo, a sua remessa à Superior Instância para análise e julgamento.

Nesses termos, pede deferimento.

Local..., 09 de agosto de 2013.

Advogado...
OAB...
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...
COLENDA CÂMARA CRIMINAL
EMINENTE PROCURADOR DE JUSTIÇA
Processo criminal n.º ...
Recorrente: JERUSA
Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO

RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

1. DOS FATOS

A ré foi denunciada pelo Ministério Público pela prática do crime de homicídio doloso simples,
na modalidade dolo eventual, capitulado no artigo 121, “caput”, combinado com o artigo 18, inciso I,
parte final, ambos do Código Penal.

Finda a instrução probatória, o Juízo pronunciou a acusada pelo crime apontado na inicial
acusatória. A defesa foi intimada na data de 02/08/2013.
2. DO DIREITO

2.1. Da ausência de dolo no agir da acusada

De acordo com o artigo 18, inciso I, parte final, do Código Penal, haverá dolo eventual
quando o agente assumir o risco de produzir o resultado, sendo adotada, neste particular, a
teoria do consentimento.

No caso dos autos, a ré não agiu com dolo eventual, já que em nenhum momento assumiu
o risco de causar a morte da vítima. Veja-se que a acusada conduzia o veículo respeitando os
limites de velocidade, além de ter sido responsável por chamar o socorro logo depois do
acidente.

Portanto, a denunciada deve responder pela prática de homicídio culposo na direção de


veículo automotor, já que sua conduta se amolda àquela descrita no artigo 302 do Código de
Trânsito (Lei 9.503/97).
2.2. Da desclassificação

Havendo delito diverso daqueles referidos no artigo 74, § 1º, do Código de


Processo Penal (crimes dolosos contra a vida), o Tribunal do Júri não será competente
para apreciá-lo, devendo ser operada a necessária desclassificação.

Assim, como o agir da ré se enquadra no tipo penal disposto no artigo 302 do


Código de Trânsito (homicídio culposo), e não no artigo 121 do Código Penal
(homicídio doloso), deve ocorrer a desclassificação, nos termos do artigo 419 do
Código de Processo Penal.
3. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

a) Preliminarmente, o conhecimento do presente recurso em sentido estrito;

b) No mérito, o seu provimento, a fim de que seja operada a desclassificação do delito de


homicídio doloso (artigo 121 do Código Penal) para o crime de homicídio culposo na direção de
veículo automotor (artigo 302 do Código de Trânsito), com base no artigo 419 do Código de
Processo Penal.

Nesses termos, pede deferimento.

Local..., 09 de agosto de 2013.

Advogado...
OAB...
Apelação
(Peça prático-profissional / XXII Exame de Ordem Unificado)

Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar
um crime de roubo em um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o
dinheiro constante do caixa. Narrou o plano criminoso para Roberto, seu vizinho, mas
este se recusou a contribuir. Leonardo decidiu, então, praticar o delito sozinho.
Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele ingressou e, no momento em que
restava apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o ameaçou de morte, o que
fez com ele saísse, já que a intenção de Leonardo era apenas a de subtrair bens do
estabelecimento.
Leonardo, em seguida, consegue acesso ao caixa onde fica guardado o dinheiro,
mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o único funcionário que
estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas.
Arrependido, antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o
local sem nada subtrair, mas, já do lado de fora da loja, é surpreendido por
policiais militares. Estes realizam a abordagem, verificam que não havia qualquer
arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano criminoso do
vizinho para a Polícia.
Tomando conhecimento dos fatos, o Ministério Público requereu a conversão da
prisão em flagrante em preventiva e denunciou Leonardo como incurso nas
sanções penais do Art. 157, § 2º, inciso I, c/c o Art. 14, inciso II, ambos do
Código Penal. Após decisão do magistrado competente, qual seja, o da 1ª Vara
Criminal de Belo Horizonte/MG, de conversão da prisão e recebimento da
denúncia, o processo teve seu prosseguimento regular. O homem que fora
ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois não foi localizado, e, na data dos fatos,
demonstrou não ter interesse em ver Leonardo responsabilizado.
Em seu interrogatório, Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive
destacando que se arrependeu do crime que pretendia praticar. Constavam no
processo a Folha de Antecedentes Criminais do acusado sem qualquer anotação
e a Folha de Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela
prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, com decisão definitiva de
procedência da ação socioeducativa. O magistrado concedeu prazo para as partes
se manifestarem em alegações finais por memoriais. O Ministério Público
requereu a condenação nos termos da denúncia. O advogado de Leonardo,
contudo, renunciou aos poderes, razão pela qual, de imediato, o magistrado abriu
vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais.
Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento
de fixar a pena-base, reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da
representação julgada procedente em face de Leonardo enquanto era
inimputável, aumentando a pena em 06 meses de reclusão. Não foram
reconhecidas agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o
magistrado em 1/3 a pena, justificando ser desnecessária a apreensão de arma
de fogo, bastando a simulação de porte do material diante do temor causado à
vítima. Com a redução de 1/3 pela modalidade tentada, a pena final ficou
acomodada em 4 (quatro) anos de reclusão.
O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o magistrado
que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo
Horizonte todos os dias. Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência da
decisão. A irmã de Leonardo o procura para, na condição de advogado, adotar as
medidas cabíveis. Constituída nos autos, a intimação da sentença pela defesa
ocorreu em 08 de maio de 2017, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo
o país.
Com base nas informações expostas acima e naquelas que podem ser inferidas
do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus,
no último dia do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas
pertinentes. (Valor: 5,00)

Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser
utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do
dispositivo legal não confere pontuação.
Apelação
Art. 593 do CPP

Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:

I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas


por juiz singular.
Esquema da peça

1. C 5. C 9. TP
2. C 6. C
3. P 7. P
4. A 8. E
Esquema da peça

1. Cliente 5. Competência 9. Teses e Pedidos

2. Crime e pena 6. Ciclo processual

3. Procedimento 7. Peça

4. Ação penal 8. Endereçamento


Esquema de peça
1. C: Leonardo 5. C: Justiça Estadual
2. C: roubo majorado tentado (art. 157, § 2º, I, c/c art. 14, II, 6. C: fase recursal
ambos do CP) - reclusão de 4 a 10 anos e multa
3. P: comum ordinário 7. P: apelação
4. A: pública incondicionada 8. E: Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca
de Belo Horizonte/MG (interposição) + TJMG
(razões)
9. TP: conhecimento do recurso, preliminar de nulidade desde
as alegações finais da defesa (o réu não foi intimado para
constituir novo advogado), absolvição com fundamento na
desistência voluntária, ausência de representação em relação
ao crime remanescente (ameaça), pena-base no mínimo legal,
atenuantes da menoridade relativa e da confissão,
afastamento da majorante da arma, redução máxima da
tentativa, “sursis”, regime inicial diverso do fechado,
provimento do recurso com expedição de alvará de soltura,
prazo correto (15/05/2017)
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de Belo
Horizonte/MG:

Processo n.º ...

LEONARDO, já qualificado nos autos da ação penal que lhe move o Ministério Público,
por seu procurador firmatário, procuração anexa (fl. ...), vem, à presença de Vossa
Excelência, com fundamento no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal, interpor
RECURSO DE APELAÇÃO, apresentando, desde logo, suas razões recursais para a reforma
da decisão.
Requer, ainda, uma vez recebido e processado o recurso, a sua remessa à
Superior Instância para análise e julgamento.

Nesses termos, pede deferimento.

Local..., 15 de maio de 2017.

Advogado...
OAB...
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
COLENDA CÂMARA CRIMINAL
EMINENTE PROCURADOR DE JUSTIÇA
Processo criminal n.º ...
Apelante: LEONARDO
Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO
Razões do recurso de apelação

1. DOS FATOS

O apelante foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de roubo
majorado tentado, previsto no artigo 157, § 2º, inciso I, combinado com o artigo 14, inciso
II, ambos do Código Penal.

Em sentença, o Juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de


fixar a pena-base, reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da
representação julgada procedente em face do réu enquanto era inimputável, aumentando
a pena em seis meses de reclusão. Não foram reconhecidas agravantes ou atenuantes.
Na terceira fase, incrementou o Magistrado em um terço a pena, justificando
ser desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de porte
do material diante do temor causado à vítima. Com a redução de um terço pela
modalidade tentada, a pena final ficou acomodada em quatro anos de reclusão.

O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o


Julgador que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os
cidadãos de Belo Horizonte todos os dias.
2. DO DIREITO

2.1. Da preliminar de nulidade

Os atos processuais praticados desde a apresentação das alegações finais


pela defesa estão eivados de nulidade. Vejamos.

O apelante tinha advogado constituído nos autos, o qual veio a renunciar.


Diante disso, o Magistrado deveria ter intimado o réu, que está preso, para
informar se tinha interesse em constituir novo advogado ou ser assistido pela
Defensoria Pública. A decisão do Juiz de, imediatamente, encaminhar os autos
para a Defensoria Pública viola o princípio da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV,
da Constituição Federal) na vertente da defesa técnica.
Houve, certamente, prejuízo ao recorrente, já que suas alegações finais
foram apresentadas sem qualquer contato com o defensor, além de, ao final,
ter sido condenado.

Assim, em preliminar, requer a nulidade da sentença e de todos os atos


processuais anteriores desde as alegações finais apresentadas pela defesa.
2.2. Da desistência voluntária

No mérito, impõe-se a absolvição do apelante com fundamento no instituto da


desistência voluntária. De acordo com o artigo 15 do Código Penal, o agente que,
voluntariamente, desiste de prosseguir na execução somente responde pelos atos já
praticados.

A desistência voluntária não se confunde com a tentativa. Nesta, o sujeito inicia os


atos de execução, mas não consuma o crime por circunstâncias alheias à sua vontade.
Naquela, por sua vez, o agente tem possibilidade de prosseguir na empreitada criminosa,
mas antes de esgotar todos os meios que tem à sua disposição, desiste voluntariamente de
prosseguir e consumar o delito. A particularidade da desistência voluntária é que ela é uma
chamada “ponte de ouro” de volta para a legalidade, pois o agente somente responderá
pelos atos já praticados e não pela tentativa do crime que pretendia cometer
originariamente.
No caso dos autos, claramente o recorrente poderia prosseguir na empreitada
criminosa, mas optou por desistir. Iniciada a execução, teve acesso ao caixa do
estabelecimento comercial contendo dinheiro; no entanto, ao verificar que o funcionário
do local possuía dificuldades de locomoção, arrependeu-se e abandonou a execução do
delito.

Assim, ao réu restariam apenas os atos já praticados, no caso uma ameaça ao cliente
que estava no local. Ocorre que o crime de ameaça é de ação penal pública condicionada à
representação (artigo 147, parágrafo único, do Código Penal) e, como esta nunca ocorreu,
o apelante não poderia ser condenado por este delito também.

Pelo exposto, o recorrente deve ser absolvido do crime que lhe foi imputado na
denúncia.
2.3. Da dosimetria da pena

Com base no princípio da eventualidade, em sendo mantida a condenação, a pena


imposta ao apelante deve ser revisada.

Na primeira fase, impõe-se a fixação da pena-base no mínimo legal. Isso porque a


existência de representação pela prática de ato infracional não justifica o reconhecimento
de maus antecedentes, pois a punição do réu quando inimputável não pode prejudicá-lo
penalmente, gerando o aumento de sua pena.

Na segunda fase, devem ser consideradas duas atenuantes: em primeiro lugar a


atenuante da menoridade relativa (artigo 65, inciso I, do Código Penal), pois o apelante era
menor de 21 anos na data dos fatos; em segundo lugar a atenuante da confissão (artigo 65,
inciso III, alínea “d”, do Código Penal), pois o réu confessou espontaneamente a autoria do
fato em Juízo.
Na terceira fase, deve ser afastada a causa de aumento pelo emprego de
arma de fogo, já que não há prova de sua utilização. Veja-se que o réu simulou
estar armado, sendo certo que a vítima nem mesmo foi ouvida e não foi
apreendida qualquer arma de fogo com ele. O objetivo do legislador ao prever a
punição mais severa em caso de emprego de arma foi que a integridade da vítima
seria colocada em maior risco. A simulação de porte de arma, contudo, não traz
este incremento do risco, além de nem mesmo se adequar ao princípio da
legalidade, já que não houve prova de sua efetiva utilização.

Impõe-se, portanto, a redução máxima da tentativa, a fim de que o apelante


seja beneficiado com a suspensão condicional da pena, prevista no artigo 77 do
Código Penal.
Finalmente, no que se refere ao regime inicial de cumprimento da pena,
este deve ser diverso do fechado, já que a fundamentação utilizada pelo
Magistrado para impor o regime mais gravoso foi insuficiente. Nos termos
das Súmulas 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, e 440 do Superior
Tribunal de Justiça, a gravidade em abstrato do crime não justifica o
reconhecimento de regime inicial de pena mais severo do que aquele de
acordo com a pena aplicada.
3. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

a) Preliminarmente, a nulidade da sentença, devendo os atos desde a


apresentação das alegações finais pela defesa serem anulados;

b) No mérito, a absolvição tanto do crime descrito na denúncia (roubo


majorado tentado), com fundamento no artigo 15 do Código Penal, quanto dos
atos já praticados (ameaça), pois não houve representação da vítima;
c) Caso seja mantida a condenação: c.1) a aplicação da pena-base no mínimo
legal; c.2) o reconhecimento das atenuantes da menoridade relativa e da confissão
espontânea; c.3) o afastamento da majorante do emprego de arma de fogo; c.4) a
redução máxima da tentativa; c.5) a concessão do “sursis” da pena; e c.6) a fixação do
regime inicial aberto ou semiaberto para cumprimento da sanção penal;

d) O provimento do recurso, com consequente expedição do alvará de soltura.

Nesses termos, pede deferimento.

Local..., 15 de maio de 2017.

Advogado...
OAB/... n.º...
Suas dúvidas de Direito Penal

No concurso formal, previsto no artigo 70 do código penal, em sua primeira parte, trata-
se do concurso formal próprio (exasperação da pena) e na segunda parte do concurso
formal impróprio (cumulação da pena), quando será empregado o dolo e desígnios
autônomos na conduta para caracterizar o concurso formal impróprio.

De Gabryela Ribeiro
Suas dúvidas de Direito Penal

Qual a diferença entre revogação da prisão cautelar e o pedido de liberdade provisória,


se ambos se dão diante de prisão legal quando não mais subsistem os motivos desta?

De Marianny Venceslau
Suas dúvidas de Direito Penal

Nas aulas, o professor passa a dar exemplos que configuram estrito cumprimento de
dever legal, mas não consegui visualizar uma situação que o cumprimento de dever legal
desse causa a uma ação criminal. Poderia me dar um exemplo para melhor
compreender, por favor?

De Júlia T. Bonfim
Suas dúvidas de Direito Penal

Uma dúvida a respeito do art. 21, CP. Quando se diz que o erro de proibição do caso é
inevitável e por consequência haverá a isenção da pena, já que isso descaracteriza a
culpabilidade e por consequência o crime também, é tudo um fato atípico?
O cliente assim não pode ser condenado? E dessa forma não criará antecedentes?

De Bianca Maria Freitas

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