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MANUAL DO VIGILANTE EM SEGURANÇA PESSOAL PRIVADA

Missão do “segurança de pessoas”: proteção do escoltado

De acordo com a legislação em vigor Segurança Pessoal é a atividade exercida


com a finalidade de garantir a incolumidade física de pessoas, incluindo no
serviço o retorno do vigilante com o retorno do vigilante com o respectivo
armamento e demais equipamentos, com os pernoites estritamente
necessários, inclusive nas hipóteses em que o serviço não abranger a volta dos
vigilantes juntamente com o beneficiado pela segurança pessoal, porém
munidos de todos os documentos aptos a comprovar a regularidade da
execução do serviço de segurança pessoal contratado. Logo, a missão da
Segurança Pessoal é proteger o VIP (very important person), pessoa muito
importante a ser protegida; executivo; dignitário, contra riscos intencionais ou
acidentais que possam afetar sua integridade física, sua imagem e seu
conforto, nas situações de embarque, deslocamento, desembarque e
permanência.

É importante que o profissional esteja devidamente treinado, preparado para


agir individualmente e em grupo, seja conhecedor de técnicas e ações táticas
que minimizem o risco real e potencial de sequestros, ataques, assaltos e
outras ações criminosas contra o protegido. Não podemos esquecer que,
devido a inúmeras situações decorrentes de seu serviço, o profissional deverá
estar habilitado a acompanhar o protegido, tanto em reuniões de executivos
assim como em festas, eventos, fazendas, praias, hotéis, aeroportos, etc. Deve
ter disponibilidade e desenvoltura para viajar e saber portar-se à mesa em um
banquete ou num simples almoço, usando convenientemente os talheres e
aparelho de jantar. A apresentação pessoal é de suma importância; o bom
porte físico, fisionômico e a boa forma física são desejáveis.

Sistemas de segurança pessoal


É importante frisar que, para se obter um bom grau de segurança aproximada,
deve-se ter poder para reação, evasão e proteção do escoltado. Isso é possível
a partir de um único Agente, de uma dupla de Agentes ou com grupos de três,
quatro ou mais Agentes (VSPP, Vigilante em Segurança Pessoal Privada),
dependendo do grau de risco. Vamos mostrar, a seguir, algumas formações
que geralmente são usadas e que poderão dar mais ou menos poder de defesa
à equipe:

Um Segurança:

O segurança designado para acompanhar o escoltado deverá permanecer


próximo a ele, de preferência um passo à retaguarda e posicionando-se
“descentralizadamente” em relação ao escoltado (à direita ou à esquerda,
dependendo da posição de sua arma, para facilitar uma possível reação).
1

Dois seguranças:

Com dois seguranças, é importante que um Agente nº 2 permaneça à frente


do escoltado e o líder (Agente nº1) esteja atrás, como vemos na foto a seguir:
1

Três seguranças:

O líder da equipe de segurança (Agente nº 1) deverá permanecer à retaguarda


do escoltado, enquanto um Agente permanece à frente e outro à retaguarda
do líder, formando o que chamamos de triângulo. É claro que tal formação
não é uma regra a ser seguida sempre, pois dependendo do layout do local, ou
das condições de área, a equipe se moldará com a formação ideal, analisando
o grau de risco a possíveis ataques.
3

Quatro seguranças:

Nesta formação, a equipe deverá formar um “diamante”, (formação ideal) em


que o poder de reação será maior do que nas formações anteriores. Em uma
reação a ataque com armas, por exemplo, dois dos Agentes partirão para o
contra-ataque e o escoltado será levado, pelo líder, com apoio do outro
Agente, até um local seguro.
3

2 1

Relacionamento entre vigilantes

É importante, antes de qualquer missão, que haja um “briefing” (instrução


resumida, antes de alguma ação, que visa preparar uma pessoa ou um grupo
para um determinado modo de agir) rápido com a equipe, informando o que
irá acontecer a partir do momento do recebimento da ordem. Por exemplo:
Quem será a pessoa, o que fazer (proteger, escoltar, acompanhar), quando (a
partir de que horas até que horas/dia), onde (local, por onde), etc. Uma vez
conhecedores da missão a ser cumprida, caberá a todos os Agentes atuarem
em perfeita harmonia, pois o êxito de qualquer missão será a soma dos
esforços de cada um da equipe.

Procedimentos em hotéis

O Agente deverá, antes da hospedagem, fazer contato com o Gerente do


hotel, bem como com o Chefe de Segurança (se houver), para o levantamento
dos pontos críticos e estratégicos, verificando, se for o caso, a planta do prédio
e a relação de hóspedes e reservas, bem como realizar uma inspeção
(varredura) no apartamento. Deve o Agente hospedar-se no apartamento ao
lado do VIP, caso a situação assim permita. O Agente tem que ter
conhecimento prévio dos funcionários que terão acesso ao apartamento do
VIP. Deverá, também, efetuar a triagem das mercadorias e correspondências
que forem enviadas ao VIP, além de manter vigilância constante da porta de
acesso a seu apartamento, não se esquecendo de possuir cópia das chaves do
aposento do executivo.

Procedimentos em aeroportos

Chegando ao aeroporto, o Agente realizará uma rápida inspeção na sala VIP,


para onde o protegido deverá ser conduzido. O Agente deverá permanecer na
referida sala. No caso do Agente acompanhar o VIP na viagem, no “check in”
(procedimentos para embarque) o Agente deverá providenciar para que o seu
lugar seja do lado do VIP (lado do corredor). Deverá providenciar, também, o
recolhimento de sua arma pela companhia responsável pelo vôo. É importante
salientar que a arma será identificada pelos órgãos competentes e logo
encaminhada, por funcionário responsável da companhia, para a aeronave
sob responsabilidade do Comandante. Quando for necessário o uso do táxi,
utilizar sempre veículo de frota (rádio-taxi). Não deverá ser fornecida a
identificação do VIP quando da solicitação e uso do táxi. Algumas medidas são
necessárias de serem tomadas antes da chegada ao aeroporto, como por
exemplo:

- Providenciar a planta do aeroporto;

- Conhecer o local de embarque e desembarque;

- Conhecer a localização da Sala VIP;

- Saber o horário de voo e a companhia aérea;

- Portar a documentação alfandegária, se necessário;

- Identificar bagagens sem nomes de pessoas, lacres invioláveis e canhotos;

- Saber onde estão os banheiros e áreas de alimentação;

- Locação de auto reservar antecipadamente;


- Conhecer o itinerário principal e alternativo de saída e chegada.

Procedimentos em festas e convenções

Verificar o local, tipo de festa ou da convenção, horário de inicio e


término; checar com antecedência a lista de convidados; verificar o tipo de
edificação ou ambiente, áreas VIP, índice de criminalidade da área, existência
de posto médico, unidade policial, banheiros e área de alimentação. Fazer
contato com administradores, chefe da segurança; checar entradas e saídas de
emergência; possuir mapa do local; conhecer locais estratégicos de
desembarque/embarque; testar comunicações; efetuar reconhecimento do
local para fins de varreduras; identificar vias de acesso e fuga, bem como para
levantamento dos pontos críticos e estratégicos. O Agente deverá permanecer
nas proximidades quando a situação assim o exigir.

Procedimentos em multidões

A equipe deverá acompanhar o escoltado, mantendo a observação constante


das imediações e utilizar as técnicas de observação da linguagem corporal,
como por exemplo: expressão facial (testa franzida, movimento dos olhos,
etc.), transpiração pesada, sintoma de nervosismo, aspecto estranho,
vestimenta em excesso, mãos escondidas, contínuo olhar no relógio.
Mantenha-se sempre com atenção e próximo ao escoltado.

Procedimentos na residência

Antes de o VIP retornar para sua residência, o Agente deverá contatar algum
funcionário (vigilante ou empregado) da casa, a fim de verificar a situação de
normalidade, utilizando senhas previamente estabelecidas. Antes de adentrar
a residência, o Agente deverá realizar uma vistoria, a fim de detectar veículos
ou pessoas em atitudes suspeitas, que possam estar nas imediações. Em caso
de qualquer suspeita, não parar o veículo. Procurar afastar-se do local e em
seguida solicitar o concurso da Polícia Militar.

Os Agentes da equipe de segurança na residência devem manter alguns


procedimentos no dia a dia, tais como:

- Manter os portões permanentemente trancados;

- Só atender os visitantes pelo interfone ou vídeo-porteiro;

- Não permitir a entrada de pessoas sem prévia autorização dos patrões, o que
inclui entregadores em geral e prestadores de serviço de telefonia, hidráulica,
etc.;

- Evitar deixar os portões abertos enquanto os empregados lavam a garagem e


a calçada;

- Não comentar nada sobre como é a vida na residência. Nem onde os patrões
trabalham ou o nome da escola das crianças;

- Não dar informações sobre horários de saída e chegada habituais das


pessoas da família;

- Quando atender telefonemas, não dar nenhuma informação adicional a


quem liga;

- Acionar os sistemas de segurança e emergências sempre que se sentir


ameaçado ou suspeitar de algo;

- Relatar aos patrões as ocorrências suspeitas, os casos estranhos ou mesmo


as cismas que tiver;

- Não convidar qualquer parente ou amigo para visitá-lo na moradia onde está
empregado, principalmente na ausência dos patrões;

- Quando receber alguma ligação pedindo para confirmar o número do


telefone, pergunte para qual número a pessoa ligou e informe se estiver
errado, mas não diga o número correto, o endereço, nem seu nome completo.
Muitas ligações podem ser apenas “trotes”, mas às vezes são testes ou buscas
de informações para futuras ações mal intencionadas;

- Tenha um extintor em local de fácil acesso, com manutenção adequada, e


saiba como usá-lo;

- Anote sempre a placa de veículos suspeitos que estacionam ou passam com


frequência em frente à residência. Acione a polícia, você pode obter
informações pelo telefone 190;

- Instrua os empregados a respeito das normas de segurança da residência.


Explique as atitudes que são recomendadas para atender a campainha,
telefonemas e prestadores de serviço.

Convívio com a família

O profissional de segurança deverá saber separar o lado profissional do


pessoal, pois o Agente estará em convivência constante com a família, que via
de regra possuirá um alto padrão de vida. Os integrantes da família, como
qualquer outra, têm seus hábitos pessoais; o profissional não deve se envolver
em qualquer que seja a atitude de qualquer membro da família, a não ser que
tal atitude possa vir comprometer sua segurança.

Procedimentos individuais ou na formação da equipe

Vestuário: roupas sociais de bom padrão e discretas, sapatos clássicos de cor


preta, com solado de borracha e cadarço, camisa branca, cinto tático VIP
resistente e fivela fixa.

Equipamentos: coldre de polímero, armamento padronizado (pistola 380) e


porta carregadores duplos, bastão retrátil, lanterna tática, instrumento de
corte (faca tática), colete balístico, agente químico lacrimogêneo (CS ou OC),
arma de choque elétrico; somente fornecidos pela empresa e devidamente
habilitado com os cursos específicos.

Comunicação: Rádio Nextel ID, HT (PP/Trunking) com fone de ouvido e


microfone de lapela, celular (backup).

Diversos: óculos com armação de metal e de lente escura, bloco de papel e


caneta, apito, lista de contatos (Grupo de Gerenciamento de Crises, Delegacia
Antissequestro, Órgãos Públicos), check-list padrão, dinheiro e cartão de
crédito, detector de metal, câmera digital, cones, fita zebrada, medicamentos
específicos, mantas, sinalizadores flash, mochila de primeiros socorros nível
médio com kits adulto e infantil; máscaras de gás, espelho convexo, binóculo,
cantil, marreta, bolsa tática, uma corda de 100m e uma de 10m, cabo solteiro,
kit freio 8 de resgate e mosquetão, compressor de ar portátil ou inflador
elétrico de pneus 12 V, capas de chuva para os Agentes e guarda chuva para o
VIP.

Atribuições de cada membro da equipe

Ø Agente nº 1/Líder: Líder da equipe de segurança aproximada acompanha


o escoltado no veículo blindado, estando à frente e ao lado do motorista.
Responsável direto pela segurança do escoltado; responsável pela retirada do
escoltado em situações de conflito.

Ø Agente nº 2: Assume o comando na falta do líder, é responsável pelo


carro escolta; dependendo do ataque, poderá tanto reagir quanto proteger o
líder que estará retirando o escoltado em situação de conflito.

Ø Agente nº 3: Apoio; reage ao ataque ou protege o líder que estará


retirando o escoltado em situação de conflito.

Ø Agente nº 4: Apoio; reage ao ataque ou protege o líder que estará


retirando o escoltado em situação de conflito.
Motorista do veículo Blindado/VIP: responsável pelo transporte do escoltado
e pela manutenção preventiva do veículo (checar calibração dos pneus, água
do radiador, óleo do motor e freios, ar condicionado, etc.), providencia a
lavagem do veículo e o abastecimento de combustível. Obs.: Não deixar o
combustível baixar para menos de ½ tanque.

Sigilo Profissional e das Operações

São imprescindíveis os conhecimentos referentes ao sigilo profissional,


pois o “vazamento” de informações relativas ao esquema de segurança, a
agenda do VIP, sua rotina, patrimônio, etc., facilitará ou induzirá a ação de
possíveis inimigos ou de quadrilhas de sequestradores. O profissional deve
estar conscientizado sobre a importância da compartimentação das
informações e também da necessidade do sigilo nas operações, pois se o
“modus operandi” da equipe de segurança for de conhecimento daqueles que
pretendem praticar um atentado, estes terão grandes chances de êxito.

Um bom exemplo é o do ex-embaixador americano Charles Burke Elbrik, que


foi sequestrado em 1969 porque um dos seus Agentes de Segurança
enamorou-se com uma sequestradora, que ganhou sua confiança e dele
obteve as informações que desejava a respeito da rotina da autoridade.

Responsabilidades sobre a atividade

Dentre as responsabilidades do Agente, as mais importantes são:

- preservar a integridade física do protegido;

- cumprir a agenda do escoltado;

- cumprir os horários;

- manter-se sempre bem apresentável.

Veículo adequado
Os veículos de 4 portas, com travas especiais, ar condicionado e vidros escuros
são os adequados. Quanto às quatro portas, são úteis num eventual
desembarque rápido; o ar condicionado, além do conforto, permite que os
vidros permaneçam constantemente fechados; os vidros escuros auxiliam no
anonimato. O veículo deve ser blindado e é interessante que possua um
sistema de comunicação de rádio com uma central de monitoramento. O
veículo deve possuir ainda sirene e microfone com sistema de áudio
amplificado, motor potente, amortecedores e chassi reforçados, e sistema de
pressurização (oxigênio). Deve-se ter todo o cuidado com o veículo; sempre
que possível, deve passar por revisões em oficinas autorizadas. O tanque não
pode ter menos da metade de combustível; água, pressão dos pneus e nível de
óleo devem ser vistoriados todos os dias, antes do início do expediente.
Font e: O'G ar a Hess

Embarque e desembarque do escoltado

Momentos extremamente críticos e perigosos são os de embarque e


desembarque, tendo em vista a exposição do escoltado. Para minimizar tal
exposição, os Agentes devem estar posicionados de forma a que todos os
ângulos estejam cobertos. É recomendável que o veículo esteja com o motor
ligado, sempre que o escoltado for embarcar ou desembarcar; o motorista
deve estar sempre alerta para uma possível fuga; os Agentes devem estar
atentos, cada qual cuidando de sua área de responsabilidade.

Em uma formação “diamante” de 4 Agentes, a equipe acompanha o escoltado


e para que o embarque seja realizado o Agente nº3 abre a porta do VIP e
passa por trás do veículo, posicionando-se do outro lado. Após o VIP ter
embarcado, o Agente nº 2 fecha a porta e o Agente nº1 embarca no banco da
frente; o Agente nº 4 faz cobertura da equipe.

MOT

3
2 Vip 1
4

Nos desembarques, o pisca alerta servirá como sinal no caso de uma parada
repentina. O veículo de apoio ultrapassa o veículo executivo, desembarcando
os Agentes 2, 3 e 4, que se posicionarão ao redor do veículo, apoiando o
desembarque do VIP. Os vidros do veículo executivo devem estar fechados e
as portas travadas, de modo que nada possa atingir o VIP.

Os Agentes não devem portar armas de maneira ostensiva, e sim


dissimuladamente; rádios devem estar do lado oposto da arma. No caso de
um ataque, a reação deve ser imediata, sendo que a retirada do escoltado da
cena do conflito deve ser automática, pois o lugar seguro será a proteção
balística que o veículo executivo oferece. A equipe deverá agir com precisão e
rapidez, uma vez que tanto a vida do escoltado estará em risco, como a vida
dos Agentes e transeuntes próximos. A destreza da equipe será colocada à
prova neste momento e todo o tempo de treinamento, habilidades individuais
e concentração deverão estar presentes com intensidade nessa hora.

PREPARAÇÃO PARA O DESEMBARQUE


3 MOT MOT
4 2 Vip 1

POSICIONAMENTO NO DESEMBARQUE

3
MOT MOT
Vip 1
2 4

POSICIONAMENTO PÓS-DESEMBARQUE
MOT
VIP
MOT

3
2 Vip 1
4

Nas formações acima, mostramos um esquema com 4 Agentes mais um


motorista da escolta. Mostraremos abaixo um esquema sem o motorista da
escolta:

PREPARAÇÃO PARA O DESEMBARQUE


4 3 MOT
2 Vip 1

Obs.: A ADR ou “área de responsabilidade” durante o deslocamento


embarcado do Agente nº 3 será das 6h ás 12h enquanto a ADR do Agente nº 2
será das 12h às 6h. O veículo do VIP permanece com as janelas fechadas.

A figura abaixo mostra um esquema com 3 Agentes:

PREPARAÇÃO PARA O DESEMBARQUE


3 MOT
2 Vip 1
Obs: A ADR ou “área de responsabilidade” durante o deslocamento
embarcado do Agente nº 3 será das 6h ás 12h enquanto a ADR do Agente nº 2
será das 12h às 6h. O veículo do VIP permanece com as janelas fechadas.
Desembarque De sl oca mento a pé
Carr o vip C arr o escolta Ca rro vip Carr o escolta
3

MO T MOT
V ip 1

2
3
1
Vip
2

ÁREA DE RESPONSABILIDADE

*(Compreende o ângulo de proteção de responsabilidade de cada VSP, de


forma que o somatório da equipe forme 360 graus.)

Com base na direção do dignitário (direção 12 horas no código horário), o


Agente, durante o seu deslocamento a pé ou motorizado, deverá assumir uma
área de responsabilidade pré-determinada entre os integrantes da equipe.
Abaixo, na figura 1, o deslocamento da equipe e a respectiva ADR (área de
responsabilidade) dos Agentes durante o desembarque.
F igura 1- desem barque

AD R - ÁR EA D E REP O NS ABILID AD E
V IP ESC OLTA
M OT
6 horas

2 1
3 horas 9 horas

12 horas

Obs: A ADR ou “área de responsabilidade” durante o deslocamento


embarcado do Agente nº 4 será das 6h ás 12h, enquanto a ADR do Agente nº 2
será das 12h às 6h. O veículo do VIP permanece com as janelas fechadas.

Observe, abaixo, na figura 2, o deslocamento da equipe e a respectiva ADR


(área de responsabilidade) dos Agentes durante o embarque.
F i g u ra 2 - e m b a rq u e

A D R - Á RE A D E RE PO N SA BI L I D A D E
E S CO L T A VI P
M OT

1 2 h ora s

3
1
9 hora s 2 3 hora s

6 hor a s

Obs: Note que houve uma mudança nas ADR's dos Agentes entre o
procedimento para embarque e para o desembarque.

Formação do comboio
O veículo executivo segue à frente do veículo de escolta, que estará
“descentralizado” atrás, para observar qualquer atitude de perigo; é
interessante que haja mais um veículo, chamado de precursor, à frente do
veículo executivo, pois este servirá como apoio ao comboio, para fechar faixas
de trânsito, caso necessário, ou até mesmo furar bloqueios no caso de
possíveis emboscadas.

Elaboração de itinerários

Para a elaboração do itinerário mais seguro é importante que o profissional


conheça o deslocamento nos seguintes pontos: rotineiro ou alternativo,
ostensivo ou sigiloso, diurno ou noturno, curto ou longo. É bom evitar a
rotina; todo deslocamento deve ser sigiloso, quanto à data e horário. Deve-se
fazer um mapeamento da área de atuação da equipe, cronometrar o tempo e
quilometragem dos trajetos principal e alternativo, fazer uma avaliação
antecipada do trânsito que poderá existir no horário do deslocamento, testar
a comunicação de rádios, etc. Deve-se, ainda, identificar alguns locais para
aumentar a proteção do escoltado, tais como:

Ø Pontos de controle - servem para controlar o deslocamento (pontes,


praças, viadutos, etc.);

Ø Zonas de perigo - locais que possam ser de interesse no trajeto (baixa


velocidade, estrangulamento, pouca visibilidade, pedágios, velocidade
reduzida, etc.);
Ø Pontos de choque - locais que possam ser relacionados como pontos de
emboscadas ou ataques (curvas fechadas, valetas, portas de garagens, túneis,
pontes, obras públicas, etc.);

Ø Refúgios - locais de segurança ou forças amigas (polícia, quartéis, etc.).

Obs.: Os motoristas e a equipe de segurança deverão ter em mente que, em


caso de ataque, devem sempre permanecer em movimento, pois um alvo
parado é mais fácil de ser acertado. O veículo blindado não é invulnerável, sua
proteção balística oferece segurança durante certo tempo; no momento do
ataque, mantenha sempre o veículo em movimento.

Uso de colete balístico (USO OBRIGATÓRIO EPI PO. 191/06 MTE).

Além do que se analisarmos os riscos, veremos que é imprescindível o uso do


colete, para maior segurança da equipe e do VIP. Seguranças em situações de
emboscadas foram salvos pelo uso do colete balístico que evita a transfixação
de um projétil de armas de porte (pistola e revólver), de acordo com seu nível
balístico. É permitido o uso dos coletes nível I, IIA, II, e IIIA, segundo legislação
específica.

Alarmes em veículos

Sistema de rastreamento por GPRS (General Packet Radio Service): é uma


tecnologia que permite o transporte de dados por pacotes (comutação por
pacotes); é a rede de transmissão de dados da tecnologia celular GSM. Esse
sistema permite bloquear, localizar e monitorar o veículo em áreas urbanas,
onde existam antenas (repetidoras). Através de um mapa digital, o veículo é
monitorado por uma central de monitoramento. O veículo fica on line e real
time.
Sistema de rastreamento por GPS – O sistema de posicionamento global GPS
(Global Positioning System) é um sistema de 24 satélites lançados pelos
Estados Unidos para proporcionar navegação por triangulação de ondas de
rádio. Ferramentas informatizadas permitem a localização e o
acompanhamento do veículo em tempo real, através de sistema de geo
posicionamento GPS (Global Positioning System), um sistema de comunicação
de troca de mensagens entre uma central de rastreamento e o veículo, e
sistema de mapas digitais, além do bloqueio do veículo e do monitoramento
de sensores instalados. O seu uso permite:

ü localização do veículo no mapa a qualquer momento;

ü controle total da frota e do motorista;

ü monitoramento dos tempos de paradas (ociosidade);

ü fim dos desvios de rota;

ü otimização de viagens de retorno;

ü troca de mensagens “two way” entre base e motorista;

ü integração com roteirizadores;

ü relatórios diários de jornada;

ü medição de parâmetros de desempenho do veículo (velocidade,


temperatura, pressão do óleo).

Alarmes e equipamentos de proteção para residências

Existem diversos tipos de alarmes e equipamentos de proteção usados em


residências. Entre eles, citamos: Sensor infravermelho ativo, Sensor
infravermelho passivo, Sensor infravermelho passivo Pet imunity, Sensor
Magnético, Cercas de choque pulsativo, Sirenes eletrônicas, CFTV – Circuito
Fechado de Televisão, etc.
Devido à diversidade de produtos e marcas, além de suas especificidades e
formas de utilização, recomendamos aos interessados a leitura de publicações
e livros específicos sobre o assunto.

Central de monitoramento

Tal serviço consiste no atendimento ao cliente através do telefone, tanto no


auxilio de operação do sistema, como em caso de alarme ou pânico.

Os sinais ou eventos de alarme emitidos pelos sistemas de segurança são


recebidos pela central de monitoramento através de uma linha telefônica
conectada a um modem, que transmite as informações para um computador.

Quando um alarme chega à central de monitoramento, imediatamente o


operador recebe na tela do monitor uma série de procedimentos que devem
ser seguidos passo a passo. Estes procedimentos são individuais e contém
particularidades de cada cliente. Outra função da Central de monitoramento é
a realização de testes periódicos em todos os clientes, a fim de testar os
equipamentos, a comunicação e os procedimentos.

Comunicação

Rádio sistema “trunking” - O "trunking" ou rádio troncalizado é um moderno


sistema de comunicação que permite a transmissão de voz e de dados de
forma segura e eficiente. Tem a mesma filosofia de um PABX telefônico e das
redes de telefonia celular. Ou seja, certo número de canais é disponibilizado
para os usuários e todos podem ser usados a qualquer instante.

Sistema Nextel

O sistema de comunicação trunking da Nextel incorpora opcionalmente o


rádio e o telefone em um só aparelho, com a mais alta tecnologia digital. Isto
significa um sistema de alta qualidade, sem congestionamentos, ruídos,
interferências, má recepção ou quedas do sistema. Seu raio de atuação é
grande devido à existência de várias repetidoras espalhadas por grandes
centros urbanos. Mesmo via rádio é possível se ter uma comunicação de longa
distância.

Sinais, palavras, comandos e outros meios

Os sinais devem ser simples, objetivos e rápidos.

Uso de códigos verbais

Ø Criptografados - contra possível interceptação de terceiros:

§ - Locais de encontro (Tókio, Paris, etc.);

§ - Nomes de pessoas (Neve, Chuva, etc.).

Ø Palavras chaves gestuais - para facilitar operações padrão:

§ - Etapas do evento (Limão, Laranja, etc.);

§ - Situações emergenciais (Branco, Verde, Vermelho, etc.)

Código Horário - Uma das maneiras mais simples de se comunicar e indicar a


localização de um suspeito, ou de outro detalhe, é a utilização do código
horário. O código horário consiste em simular a posição dos ponteiros do
relógio para indicar a posição do suspeito ou do ataque. Nesse sistema, o
protegido caminha na direção de 12 horas, seu lado direito representa 3
horas. O esquerdo, 9 horas e a retaguarda, 6 horas. Caso haja uma ameaça de
posição elevada, esta será denominada alta. Da mesma forma uma ameaça
vinda de baixo será denominada baixa. Assim sendo, arma 9 horas alta indica
um ataque do lado esquerdo acima.

Ø Ambientes - Para identificação de ambientes podemos adotar como


padrão o código de cores, onde cada lado da edificação receberá uma cor
padrão:

§ a cor branca para a frente da edificação, preto para a parte de trás da


edificação, verde para a parte esquerda da edificação e vermelho para a parte
direita da edificação. Andares são numerados do andar mais baixo para cima.

§ todas as paredes com face na mesma direção levam a cor


correspondente; ex: frente branco, atrás preto, esquerda verde e direita
vermelho;

§ Andares são numerados do andar mais baixo para cima – primeiro andar
– 1;

§ Em prédios, as janelas e portas são numeradas da esquerda para a


direita;

§ A terceira porta no andar térreo é referida como porta 3;

§ A segunda janela no terceiro andar é referida como – 3/ janela 2.


Uso de códigos corporais

Muitos sinais que aqui vamos mostrar foram aproveitados dos sinais manuais
de militares; outros surgiram a partir de situações só encontradas em
operações policiais. É claro que sinais manuais são de suma importância entre
a equipe de segurança, tendo em vista o posicionamento dos Agentes durante
situações adversas de layout em prédios, festas e convenções, hotéis,
aeroportos e outros locais. O emprego de tais sinais é muito útil na
operacionalidade das equipes.
NUMERAL

UM DOIS

TRÊS QUATRO

CINCO SEIS

SETE OITO

NOVE DEZ

SINAIS TÁTICOS
Alfabeto Fonético

O Alfabeto fonético é utilizado para soletrar ou pronunciar nomes de pessoas,


placas de automóveis ou ainda em situações especiais, para melhor discrição
durante o serviço:
A – Alp ha N – No vemb er
B – Bravo O – Os car
C – Char lie P –Papa
D – Delta Q – Qu ebec
E –Echo R – Romeu
F – Fo xtr ot S –Sierr a
G – Go lf T – Tang o
H – Ho te l U – Un ifo rm
I – Ín dia V – Victo r
J – Juliet W – Whiskey
K – Ki lo X – Xi ngu , XRay
L – Lima Y – Yankee
M – Mik e Z – Zulu

Código “Q”

Criado para simplificar mensagens, tornando-as mais objetivas e rápidas.


QRA – N om e do o perador QTA – Can cel ar
QRM – In terf erên ci a QTC – Mensagem
QRT – Para de t rans miti r QTH – Local o u End ereço
QRU – N ovi dade QTI – Ru mo verd adeiro
QRV – A d isposição QTO – Ban heiro
QRX – Ag uard ar QTR – Ho ra cer ta
QSJ – Dinh ei ro QTY – Estou a caminho
QSL – Ent en dido QAP – Estou n a escuta
QSM – Repetir TKS – Ob rig ado
QSO – Con tato p ess oal NI L– N ada, n en hu m

Mapas rodoviários impressos e mapas disponíveis

Antes de qualquer missão é necessário que a equipe possua o mapa impresso


do itinerário e do local do evento para onde conduzirá o VIP. Mapas
rodoviários e guias da cidade devem existir nos veículos, para consultas
esporádicas. Conhecer o itinerário principal e alternativo faz parte do
planejamento da escolta. Existem, hoje em dia, sites que oferecem consultas
em mapas digitais facilitando o trabalho de consulta e permitindo a
impressão.
Itinerários e variantes

Itinerário é todo trajeto realizado comumente pelo VIP, ou seja, casa -


trabalho - casa, ou locais freqüentados por ele. As variantes são as possíveis
rotas alternativas que podem ser adotadas durante o percurso, tendo em vista
congestionamentos, obras, condições climáticas, distúrbios civis, etc.

Batedores e reconhecimento prévio

Batedor é aquele que prepara logisticamente o avanço de uma força ou núcleo


em deslocamento, visando localizar pontos críticos, pontos evasivos, etc. Os
batedores cumprem missões de escolta de dignitários e de comboios, em que
o Motociclista Batedor exerce controle sobre o trânsito, garantindo a fluidez e
segurança do tráfego. É importante frisar que somente batedores militares
policiais têm o poder de controlar o trânsito. Tal missão será designada por
oficiais militares ou autoridade policial para escoltar comboios ou
personalidades políticas, religiosas, militares, etc. Os batedores devem realizar
um reconhecimento prévio do itinerário para levantamento de pontos críticos
durante o deslocamento, como lombadas, buracos, cruzamentos, bifurcações,
túneis, viadutos, pontes, estradas ou ruas não pavimentadas, pontos de
alagamentos, estradas férreas, etc.

Reconhecimentos de roteiros (pontos de apoio)

A equipe deverá também fazer mapeamento da área em que atua para o


levantamento de localização de delegacias, quartéis militares, hospitais ou
locais onde poderá encontrar apoio, no caso de possível fuga de emboscadas,
confrontos armados ou socorro a vitimas.

Reconhecimentos de veículos e indivíduos suspeitos

O Agente deve observar ao máximo o comportamento de pessoas que


estejam nas proximidades de sua área de atuação; nunca deve deixar de
acreditar na possibilidade de um ataque ou emboscada; deve imaginar a
possível ação dos marginais. Abaixo, algumas dicas de veículos ou indivíduos
suspeitos:

- Veículos ou motos seguindo há um bom tempo;

- Veículos na mesma velocidade;

- Motocicletas, especialmente se ocupadas por dois indivíduos;

- “Veículos insulfilmados”;

- Veículos sem placas;

- Mãos escondidas em bolsos;


- Veículos parados há algum tempo nas proximidades da residência e/ou
empresa;

- Individuo demonstrando ansiedade ou preocupação.

Direção defensiva e ofensiva

(emprego de técnicas, frenagem, choque, abalroamento, colisão, manobras


radicais, resistência e potência do veículo).

Em primeiro lugar é importante que os Agentes tenham conhecimento de


técnicas de direção defensiva, evasiva e ofensiva, pois na falta do motorista,
em uma possível emboscada, ficaria comprometida a segurança do VIP, se
este não soubesse como substituí-lo. A fuga pode vir a ser a melhor
alternativa, aliada a uma resposta imediata por arma de fogo. O motorista
deve possuir habilidade suficiente e controle total do veículo, usufruindo de
técnicas específicas de direção evasiva para uma fuga em casos de atentados,
sequestros ou abalroamento. Citamos alguns cuidados e técnicas básicas para
melhor controle do veículo:

- Controle do volante: O motorista deverá conduzir o veículo com as duas


mãos sobre o arco do volante; a posição poderá ser acertada com a regulagem
do assento e encosto do banco, com o objetivo de evitar que a perna fique
muito próxima ao arco da direção. O motorista deverá esterçar o volante
sempre com a pegada por fora do arco, e não por dentro, seja qual for a
manobra.

- Cinto de segurança: Deve ser utilizado sempre como medida de segurança.


Para um desembarque emergencial, por exemplo, o Agente sentado ao lado
do motorista deverá passar a mão direita por baixo do cinto enquanto a mão
esquerda simultaneamente aperta o liberador do cinto. A mão direita sacará a
arma, enquanto a mão esquerda, simultaneamente, puxará a maçaneta. O
joelho direito empurrará a porta, para facilitar o desembarque do veículo, com
destreza e rapidez.

- Retrovisores: Os espelhos externos devem estar regulados até que a imagem


do veículo esteja espelhada somente no canto do espelho; desta maneira, o
motorista ficará com um campo maior de aproveitamento, mas não total.
“Pontos cegos” existirão e o motorista deverá observar melhor, girando a
cabeça para o lado, anulando esses pontos. O espelho central deve estar
regulado para o meio do vidro traseiro.

Exercícios:

Slalon curto ou longo: Controle de direção; este exercício é aplicado para o


motorista realizar um zigue-zague, desviando dos cones que serão colocados
como obstáculos. Neste exercício, o motorista adquirirá a técnica ideal para
esterçar de forma correta e segura.

Slalon Invertido: Aumenta o controle do motorista em fugas de marcha a ré,


em áreas com obstáculos.

Frenagem: Melhora o controle do motorista no momento de frear.

Reversão frontal: Em uma fuga é necessário tal procedimento, provocando


uma derrapagem de traseira, girando o veículo até 180º graus. O motorista
deve ter controle total do veículo, fazendo uso da alavanca do freio e
esterçamento do arco da direção.

Reversão em ré: Esta manobra exige que o motorista esteja olhando


constantemente para trás, pelo centro do veículo; no momento da manobra
deverá esterçar a direção para o lado desejado e, logo após, com meio giro do
veículo, pisar no freio para estabilizar o giro de 180º graus É importante
imprimir velocidade alta para a manobra ser realizada com exatidão.

Obs.: No caso do veículo possuir câmbio manual, nas manobras radicais


(reversão frontal ou em ré) o motorista não deve esquecer de pisar na
embreagem para “cortar” a aceleração; dessa forma, o veículo não “morrerá”
e impossibilitará o descontrole do mesmo.

Abalroamento/colisão

De acordo com levantamento estatístico, as interceptações em


deslocamentos, nos casos de sequestros, são as mais prováveis. A ação da
equipe de segurança deverá ser imediata ante o ataque de sequestradores. A
equipe deverá estar preparada para uma ação bastante rápida; neste caso,
pode-se dizer que “a melhor defesa é o ataque”, já que o objetivo dos
sequestradores, sem sombra de dúvida, será a tomada do VIP como refém e
nada irá dissuadi-los no momento, pois todos estarão compenetrados na
missão. A certeza dos Agentes de que uma possível emboscada é real, será a
melhor maneira de se preparar para uma situação de estresse. Todo veículo
que, por sua vez, executa manobras na rua e permanece na transversal já
pode ser considerado como um risco; com certeza é de enorme suspeita, pois
muitas ações de sequestros têm como “modus operandi” tal atitude, sendo
possível que outro veículo esteja logo atrás. O ideal é evitar a colisão, mas
caso seja necessário, é melhor furar o bloqueio. Mostraremos algumas formas
de interceptação mais comuns, com possibilidades de fuga:

Case 1: Veículo dos sequestradores parado na transversal da rua e outro


veículo agressor logo atrás da escolta.

Possibilidade de fuga: Atingir o radiador do veículo à retaguarda, acelerar para


frente e ir de encontro à extremidade do veículo que está fechando a pista;
furar o bloqueio na posição do veículo em ângulo de 45º e utilizar a marcha de
tração.
Case 2: Veículo dos sequestradores simulando uma baliza no meio da rua.

Possibilidade de fuga: Veículo escolta atinge o veículo do sequestrador na


extremidade traseira, acelera com marcha de tração furando o bloqueio em
posição de 45º, acelera empurrando o adversário para a lateral da rua,
permitindo a fuga do veículo executivo.

Case 3: Motociclista emparelha com veículo executivo para ataque.

Possibilidade de fuga: Veículo escolta se coloca entre motociclista e veículo


executivo possibilitando a fuga.

Case 4: Veículo agressor “fecha” o veículo executivo, outro veículo impede a


passagem à retaguarda.

Possibilidade de fuga: Veículo executivo e escolta freiam. Veículo escolta de ré


fura bloqueio à retaguarda, liberando passagem do veículo executivo.
Obs.: Após a fuga, o veículo executivo e da escolta aplicam reversão em ré.

Case 5: Emboscada em cruzamento.

Possibilidade de fuga: O veículo escolta se antecipa, interceptando o veículo


do sequestrador, empurrando-o para fora da pista e bloqueando um 2º
veículo que tenta interceptar o veículo executivo no cruzamento. O veículo
executivo imprime fuga em ré, seguido de sua escolta que, simultaneamente à
fuga de ambos, tentará neutralizar o ataque dos agressores com arma de fogo.

Algumas manobras extremas, com colisão, para furar bloqueios


Frenagem

Mesmo estando preparado para enfrentar as condições adversas que possam


interferir em seu deslocamento, não basta somente ver o perigo para começar
a parar. Você vê o perigo, toma uma decisão e depois reage. Nada acontece
instantaneamente. Se ao ver um perigo você decidir frear, até que o veículo
pare, terá se passado algum tempo. Assim:

TR - Tempo de reação: É aquele que transcorre desde que o perigo é visto, até
que o motorista tome qualquer providência.

TMR – Tempo médio de reação: É o tempo que motorista, em estado normal,


gasta para reagir. Corresponde a ¾ de segundos.

TF – Tempo de frenagem: É o tempo gasto depois de acionado o freio, até


parar.

TP – Tempo de parada: É o tempo gasto desde que o motorista percebe o


perigo até o veículo parar.

TP=TR+TF.

Distância de reação, de frenagem, de parada e de seguimento.

Você sabe que um veículo não para instantaneamente. Desde que o perigo é
visto existe um espaço de tempo em que o veículo continua em movimento,
percorrendo certa distância. Para melhor caracterizar tal distância, precisamos
de algumas definições:

DR – Distância de Reação: É a distância que o veículo percorre, desde que o


perigo é visto, até que o motorista tome qualquer providência.

DF – Distância de frenagem: É a distância que o veículo percorre depois de


acionado o mecanismo de freio, até parar.
DP – Distância de parada: É a distância que o veículo percorre desde que o
perigo é visto até parar.

DP=DR+DF.

DS – Distância de seguimento: É a distância que sempre deve haver entre o


nosso veículo e o que está à frente. Obs.: Esta distância sempre deve ser
superior à DP – distância de parada e está diretamente relacionada com a
velocidade e com as condições da estrada, meteorológicas, do veículo, de luz e
do motorista.

Exemplo: Distância média de parada de um automóvel com todas as condições


normais, ou seja: estrada asfaltada, em boas condições, tempo seco, veículo
em ordem, luz do dia não ofuscante, motorista atento e em boas condições
físicas.

· A velocidade a 40 km/h resulta em uma distância de parada de 17m.

· A velocidade a 60 km/h resulta em uma distância de parada de 31m.

· A velocidade a 80 km/h resulta em uma distância de parada de 50m.

· A velocidade a 100 km/h resulta em uma distância de parada de 75m.

Portanto, o motorista que dirige defensivamente deve sempre manter, do


veículo que vai a frente, uma distância superior às indicações acima. Em
condições adversas, por exemplo, piso molhado, deve dobrar ou até triplicar
essa distância.
RESOLUÇÕES DE SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA

Registro no acervo da empresa

Após uma ocorrência é necessário que o Agente relate os fatos a sua chefia,
através de um relatório escrito. O relatório deverá conter o máximo de
informações possíveis, para permitir a análise por parte de sua empresa.
Abaixo, um exemplo do que deve ser informado:

Tipo de ocorrência:

Descrição geral:

Danos:

Local e data:

Hora de início: ______ Termino: ______

Pessoas e órgãos envolvidos:

· Adversários:

· Vitimas:

· Orgânicos:

· Terceirizados:

· Visitantes:

· Públicos:

Registro e documentação:

· Livro de ocorrência:

· BO:

· CFTV:
· Testemunhas:

· Outro:

Cronograma e descrição dos fatos:


Horário Espec ificação da ocorrência Comportame nto Ope racional Obse rv ações
·
·
·
·

Providências tomadas imediatamente:

· Anexo:

Croqui da área

Clippings de jornais

Material registrado

Obs.: As informações aos órgãos policiais serão registradas em boletim de


ocorrência e serão relatadas pelas vítimas. Caso haja a presença da imprensa,
qualquer informação deverá ser relatada pelo setor de relações públicas da
Empresa.

Técnicas e táticas utilizadas pelos criminosos

Geralmente, no Brasil, os ataques a empresários têm como finalidade o


sequestro. A facilidade de acesso, a compensação financeira, pessoas em
evidência na mídia, a boa saúde e a proximidade da vítima com os filhos e a
esposa, têm sido fundamentais para estimular os sequestradores.

Apresentamos aqui, uma síntese das táticas empregadas em suas ações:


a) Aproximação: esta é usada, na maioria das vezes, com o intuito de criar um
suposto elo. Envolve a atividade primária de coleta, processamento e
manipulação de informações, obtidas até mesmo com parentes, amigos e
funcionários.

b) Infiltração: baseada nas informações pré-recolhidas, adiciona-se ao quadro


de funcionários um ou mais espiões. Dentro da instituição, ele terá mais
condições de obter determinadas informações.

c) Preparação: Um conjunto de medidas que tem o objetivo de estruturar o


planejamento do sequestro.

d) Execução: Uma vez detentores de todas as informações, o plano será


executado de forma planejada, dentro de horário e dia específico, com rotas
de fuga e local certo para entrega da encomenda (vítima).

Planos de reação

Os Agentes devem reagir ao ataque de forma rápida, retirar o VIP da área de


conflito e levá-lo a um local de segurança, já pré-determinado pelo Plano de
Contingência, como por exemplo, Quartéis da Polícia Militar ou local seguro,
pré-determinado, conhecidos como “Bunkers”.

Procedimentos diante de imprevistos (pane no veículo, pneu furado,


acidentes, etc.)

Ø No caso de acidentes ou panes irreparáveis, colocar o VIP no carro


escolta e retirá-lo do local imediatamente.

Ø No caso de ter problemas apenas com o carro do VIP, acionar um veículo


sobressalente ou rádio táxi, e não identificar o VIP.

Ø Se o conserto for rápido, como um pneu furado, consertá-lo o mais


rápido possível, enquanto a equipe de segurança faz a proteção ao VIP.
No caso de acidentes como atropelamentos, acionar o resgate, deixando no
local o motorista ou um dos Agentes para acompanhar e, logo após, para
registro da ocorrência.

Procedimentos da equipe antes, durante e após atentados, sequestros,


ameaças de bomba, ofensas, telefonemas anônimos e outras ameaças.

Os Agentes devem trabalhar de maneira preventiva e nunca deixar de anotar


qualquer suspeita que tenham. Lembre-se que o criminoso primeiro irá se
aproximar e onde ele fará isso? Com certeza, nos lugares onde o VIP mais
frequentar (sua residência e empresa). Mantenham instruídos todos os
empregados, seguranças e familiares, pois os meliantes que vigiam, com
certeza estarão em algum ponto de observação e sairão desse lugar para
seguir o VIP e constatar o seu itinerário. Se você suspeitar disso, colete o
máximo de informação possível sem que os meliantes percebam que foram
identificados e relate suas suspeitas aos órgãos de segurança pública. Durante
o seu trajeto, sinalize com a seta para a direita e mude a direção para a
esquerda, force uma passagem em um semáforo amarelo, e observe o
comportamento do veículo que supostamente o esteja seguindo. Essas são
apenas algumas dicas que o ajudarão a confirmar se realmente o VIP está
sendo vigiado. Nos casos de ataques à escolta, tente ser o mais eficiente e
rápido possível; o objetivo é frustrar a ação dos marginais. Em um ataque com
arma de fogo, defenda-se e mantenha-se em movimento; seu objetivo é fugir
e não permanecer no local de conflito. Quando possível, em sua rota de fuga,
acione o Grupo de Gerenciamento de Crise e os órgãos de segurança pública,
que darão novas coordenadas. Para maior segurança, conduzir o VIP para um
local de refúgio.

Telefonemas anônimos

Hoje, com a facilidade de equipamentos na área da informática, é possível


tomar atitudes e procedimentos que visem a maior captação de informações
possíveis, através de identificadores de chamadas e gravadores de
conversação ao telefone. É muito importante prolongar a conversa. Não deixe
de anotar as características da voz, horário, data e assunto.

Relacionamento com a polícia

(grupo de gerenciamento de crises e grupo de operações especiais)

Como estabelece a legislação em vigor as atividades da Segurança Privada são


complementares às da Segurança Pública. Esta, por sua vez, conforme previsto
no artigo 144 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado,
responsabilidade e direito de todos.

Procedimentos no trato com a imprensa

A relação com a imprensa deve ficar por conta da assessoria de imprensa ou


do setor pré-determinado para tal função. Pessoas preparadas e instruídas
sobre a forma de se relacionar com jornalistas e repórteres das redes de
comunicação são orientadas e informadas pelo responsável pelo comitê de
crise, que dispõe das informações afetas ao acontecido. Os integrantes da
equipe de segurança não estão autorizados a dar nenhuma informação e
devem evitar, educadamente e sem violência, a aproximação de repórteres e
fotógrafos.

Como acionar os órgãos da SSP (Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e


Polícia Civil)

Devemos acionar a PM (190), PC (197) e PRF (191) informando a natureza do


evento, pois suas centrais providenciarão a equipe adequada para cada caso.

Grupos de gerenciamento de crises, anti sequestro e SWAT

A crise é um evento que exige uma resposta rápida do Comitê de Crise, a fim
de assegurar uma solução aceitável; as crises podem ser causadas por
acidentes (de trânsito, industriais, ambientais) ou podem ser intencionais
(sequestros, atentados, bombas, ameaças, telefonemas anônimos, etc.).

O gerenciamento de crise visa identificar, obter e aplicar os recursos


necessários à antecipação, prevenção e solução do problema, com o objetivo
de preservar vidas e resguardar o patrimônio, respeitada a legislação vigente.

O grupo de gerenciamento de crise deverá elaborar um Plano de Contingência,


em que a empresa, através de seus dirigentes, referendará os procedimentos
que devem ser adotados após a ocorrência do evento crítico. O plano deve
levar em conta que a Delegacia Anti sequestro tem como função investigar
casos de sequestros e, por isso, deve ser acionada assim que concretizado um
caso de sequestro.

Quadrilhas de sequestradores, Quadrilhas de assalto a bancos,

Quadrilhas de assalto a carros fortes e cargas

O modus operandi varia de acordo com sua classificação no mundo do crime,


sendo:

- Profissionais: Mais inteligentes, estruturados e versáteis, atuam


em células, possuem especialistas na sua formação, usam armas pesadas e
automáticas, vários carros, e suas operações e fugas são mais rápidas, precisas
e planejadas.

Os atos preparatórios são geralmente os mesmos:

· Levantamento do alvo com antecedência;

· Coleta de dados e informações para o planejamento do ataque;

· Escolha de itinerários para abordagem e fuga;

· Estudo dos hábitos dos vigilantes e dos funcionários;


· Preparação e ataque.

- Comuns: São improvisadores e desorganizados, utilizam armas


leves, e geralmente um veículo.

Ataques ao escoltado

a) ataque verbal: retirá-lo imediatamente do local;

b) ataque físico: (socos, pedras, pauladas, ovos, laranjas, etc.) – interpor-se


entre o escoltado e os agressores e retirá-lo rapidamente do local;

c) ataque com arma de fogo ou arma branca: proteger o escoltado com seu
corpo, reagir rápido com arma ou golpes, retirando em seguida e rapidamente
o escoltado para local seguro (carro blindado ou proteção barricada). Depois,
evadir-se da área de conflito. Durante a fuga, acionar apoio do corpo de
segurança e policial.

Reação A: Abaixo, um ataque com arma de fogo, em que o Agente nº 4, após


desembarcar e identificar o ataque, grita “Arma 12 horas”, saca e utiliza a sua
arma para neutralizar a ação do agressor, efetuando o disparo. Logo em
seguida, desloca-se uns 5 metros para atrair a atenção dos agressores. O
Agente nº 2 se desloca em sentido oposto ao do Agente nº 4, cerca de 25
metros, até se barricar e efetua disparos para neutralizar a ação dos
agressores; enquanto isso, o Agente nº 3 faz a cobertura para o Agente nº 1,
que retira o VIP da cena de conflito.

Obs.: O deslocamento do Agente nº 4 (Agente “ponta” neste instante) tem o


objetivo de atrair a atenção dos agressores, eliminando possivelmente
durante o ataque o risco à integridade física do VIP. Seu deslocamento será de
5 em 5 metros, com disparo de sua arma na direção dos agressores a cada
parada; é claro que neste momento, deverá procurar um abrigo para se
barricar. O objetivo do Agente nº 2 não é chamar a atenção para si, pois
servirá de surpresa aos meliantes, após se barricar, quando só então fará uso
de seu potencial de fogo contra os agressores. O objetivo do Agente nº 1 é
retirar o VIP do local de conflito e o Agente nº 3 (Agente à retaguarda neste
instante) é fazer a cobertura para a fuga do VIP.
Este agente Fuga sentido
Retirao VIP
faz sentido oposto da
cober tura 3 1 agressão
oposto
3
2 1
Ex:25metros
Ex: 25 metr os 2
5 metros 4 5metros
4
T IR TIRO
TIRO

Agressor
Agressor

Reação B: Nesta situação vemos um ataque em que os Agentes nº 2 e nº 4


partem para o ataque simultaneamente, oferecendo resistência aos
agressores. Apesar de a resistência ser em dobro, a posição dos mesmos
oferecerá perigo aos Agentes, que tentam se evadir do local. É claro que esta
situação requer muita cautela e perícia dos profissionais de segurança pessoal,
pois não somente eles, mas toda a equipe, e o protegido ficarão expostos na
linha de tiro dos agressores.
3

2 1 3

4 2 4
TIRO

TIRO

TIRO

TIRO

Agre sso r Ag re ssor

Obs.: Qualquer que seja o ataque, devemos o mais rápido possível conduzir o
protegido ao local mais seguro no momento. O veículo blindado, por possuir
resistência balística, dependendo da direção do ataque, talvez seja o local
mais correto para a proteção do escoltado.

REGISTROS NA POLÍCIA

Boletim de ocorrência

O Boletim de Ocorrência é a forma mais simples e básica de comunicação de


uma possível infração penal. Não é a única via de comunicação que a
autoridade dispõe. Com a diversidade tecnológica, outros meios de
comunicação podem ser adotados. Dependendo da natureza da infração
penal, as partes comparecerão à unidade distrital ou a comunicação poderá
ser feita via Internet.

Inquérito Policial

O inquérito policial pode ser interpretado como um conjunto de


procedimentos e uma sucessão de atos investigatórios visando apurar a
autoria e a materialidade da infração penal. Adotará a postura de “peça
instrumental”, para que o Ministério Público venha a oferecer a denúncia ou
pedir o arquivamento.

A autoridade policial fundamenta o inquérito baseado em auto de prisão em


flagrante, auto de apresentação espontânea, Portaria do Delegado, requisição
do Ministério Público, requisição do Ministro da Justiça, requisição do Juiz de
Direito e requerimento das partes. Usando este ordenamento, a autoridade
policial equacionará, juntamente com o corpo investigativo, uma série de
procedimentos apuratórios. Ex: Diligências com caráter expresso, oitivas das
partes e perícias.

As informações serão remetidas no prazo legal de 30 dias se o réu estiver em


liberdade e em 10 dias se o mesmo estiver preso. A comunicação da infração
penal deverá ser imediata para o Ministério Público. É importante ressaltar
que os prazos poderão ser prorrogados dependendo do entendimento da
autoridade judicial. No final, a autoridade policial confeccionará um relatório
visando concluir o procedimento apuratório com caráter investigativo.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Processo Penal

Quando a ação penal é pública, o processo inicia-se com o oferecimento de


denúncia-crime pelo Ministério Público, recebida pela autoridade judiciária,
que designa o interrogatório do réu. Depois de ouvidos, réus, vítimas e
testemunhas procedem-se às alegações finais do promotor e do advogado de
defesa e, por fim, a decretação da sentença de absolvição, condenação ou
arquivamento da infração penal.

Convênio com a Polícia Federal para prestar informações policiais

As informações policiais serão enviadas às Delesps – Delegacias de Controle de


Segurança Privada ou CV – Comissões de Vistorias, que são órgãos do
Departamento de Polícia Federal responsáveis pela fiscalização e controle das
atividades de Segurança Privada no âmbito de suas circunscrições (áreas de
atuação).

Em razão de sua estrutura organizada e do alto índice de desenvolvimento dos


núcleos de infiltração e investigação da Polícia Federal esta parceria é de
suporte técnico em uma investigação. Esporadicamente, em casos específicos,
a Polícia Federal pode fazer uma intervenção operacional direta.

Armamento e Tiro
Conforme a legislação vigente as empresas especializadas e as que possuem
serviço orgânico de segurança somente poderão utilizar as armas, munições,
coletes à prova de balas e outros equipamentos descritos na legislação em
vigor, cabendo ao Coordenador-Geral de Controle de Segurança Privada,
autorizar, em caráter excepcional e individual, a aquisição e uso pelas
empresas de outras armas e equipamentos, considerando as características
estratégicas de sua atividade ou sua relevância para o Interesse Nacional.

As empresas de vigilância patrimonial poderão dotar seus vigilantes, quando


em efetivo serviço, de revólver calibre 32 ou 38, cassetete de madeira ou de
borracha, além de algemas, vedando-se o uso de quaisquer outros
instrumentos não autorizados pelo Coordenador-Geral de Controle de
Segurança Privada.

As empresas de transporte de valores e as que exercerem a atividade de


escolta armada poderão dotar seus vigilantes de carabina de repetição calibre
38, espingardas de uso permitido nos calibres 12, 16 ou 20, e pistolas semi
automáticas calibre .380 e 7,65 mm, ou os armamentos previstos para o
vigilante de patrimônio.

As empresas que exercerem a atividade de segurança pessoal poderão dotar


seus vigilantes de pistolas semi automáticas calibre .380 "Short" e 7,65 mm,
ou os armamentos previstos para o vigilante de patrimônio.

...As armas devem estar acompanhadas pela respectiva cópia autenticada do


CR e carga completa.

As empresas de transporte de valores deverão, e as demais empresas de


segurança privada poderão, dotar seus vigilantes de coletes à prova de balas,
observando-se a regulamentação específica do Comando do Exército.

...

As empresas de segurança privada poderão dotar seus vigilantes de armas e


munições não letais e outros produtos controlados, classificados como de uso
restrito, para uso em efetivo exercício, segundo as atividades de segurança
privada exercidas.
Nas atividades de vigilância patrimonial e segurança pessoal, as empresas
poderão dotar seus vigilantes das seguintes armas e munições não-letais de
curta distância (até 10 metros):

I- borrifador (“spray”) de agente químico lacrimogêneo;

II- arma de choque elétrico.

O objetivo do curso de extensão em Segurança Pessoal Privada é habilitar o


aluno a manejar e usar com eficiência armamento diversificado empregado na
atividade especializada de segurança pessoal privada, como último recurso de
defesa pessoal ou de terceiros.

De acordo com a legislação, no curso de Extensão em Segurança Pessoal


Privada, o aluno deverá efetuar 70 tiros de Pistola .380 e, nos cursos de
Reciclagem de Segurança Pessoal Privada, o total será de 36 tiros .380.

Regras de Segurança

Ø Jamais aponte uma arma para alguém, mesmo que por brincadeira,
carregada ou não, a não ser em legítima defesa ou em estrito cumprimento de
um dever legal;

Ø A arma jamais deverá ser apontada em direção que não ofereça


segurança quanto a um disparo acidental;

Ø Nunca pergunte se uma arma está carregada, verifique você mesmo;

Ø Ao sacar ou coldrear uma arma, faça-o sempre com o dedo fora da tecla
do gatilho;

Ø Jamais transporte ou coldreie sua arma com o cão armado;

Ø Obtenha informações sobre o manuseio de sua arma com um


competente instrutor, antes de utilizá-la;

Ø Trate uma arma de fogo como se ela estivesse permanentemente


carregada;
Ø As travas de segurança de uma arma são apenas dispositivos mecânicos
e não um substituto do bom senso;

Ø Mantenha seu dedo fora da tecla do gatilho até que você esteja
realmente apontando para o objetivo e pronto para o disparo;

Ø Certifique-se de que a arma esteja descarregada antes de qualquer


limpeza;

Ø Nunca deixe de forma descuidada uma arma carregada;

Ø Ao guardar uma arma por longo tempo, guarde separadamente arma e


munição, sempre longe do alcance de crianças;

Ø Certifique-se de que seu alvo e a zona que o circunda é capaz de receber


os impactos com toda segurança;

Ø Drogas, álcool e armas não se misturam;

Ø Carregue e descarregue uma arma com o cano apontado para uma


direção segura;

Ø Nunca atire em superfícies planas e duras, ou em água, pois as balas


podem ricochetear;

Ø Quando estiver atirando, jamais coloque a mão sobre o cano da arma;

Ø Controle a munição a fim de verificar se corresponde ao calibre e


tamanho da arma;

Ø A arma deve sempre ser transportada no coldre, salvo quando houver a


consciente necessidade de utilizá-la;

Ø Nunca engatilhe a arma quando não houver a intenção de atirar;

Ø Quando a arma estiver fora do coldre, empunhada para o tiro, esteja


absolutamente certo de que não está apontada para qualquer parte de seu
corpo ou de pessoas de sua vizinhança;

Ø Tome cuidado com obstruções no cano quando estiver atirando; caso


ouça ou sinta algo de anormal com o recuo ou a detonação, interrompa
imediatamente os disparos e verifique cuidadosamente se há ou não a
presença de obstruções no cano;

Ø Sempre trate sua arma como instrumento de precisão, o que ela


realmente é;

Ø Nunca transporte uma arma no bolso, bolsa ou pochete; use a


embalagem ou um coldre apropriado;

Ø Armas de fogo desprendem lateralmente gases e alguns resíduos de


chumbo; mantenha as pessoas afastadas de sua vizinhança, bem como as
mãos distantes dessas zonas laterais quando em um disparo.

Um pouco de História

As pistolas semi automáticas tiveram suas raízes nos experimentos de Hiram


Maxim que, em 1883, desenvolveu a primeira arma automática de que se tem
notícia, uma metralhadora que usava a ação dos gases no momento do
disparo para ciclar a ação e colocar outro cartucho na câmara.

Dez anos mais tarde, em 1893, o alemão Hugo Borchardt criou o primeiro
protótipo de uma arma semi automática. Tratava-se de uma estranha e
desajeitada pistola que possuía um ferrolho em dobradiça que funcionava
como um joelho humano para conseguir a extração e a alimentação de seus
cartuchos. Era uma arma absolutamente imprópria, que só não caiu no
esquecimento porque um dos discípulos de Borchardt, o alemão George Luger,
tornou-a prática e esteticamente agradável. Surgiram então as famosas
pistolas Luger, adotadas pelo exército alemão em 1908.

Em 1896, Peter Paul Mauser desenvolveu uma pistola que tinha seu
carregador, de dez tiros, à frente do gatilho e um esquisito cabo que se
assemelhava a um cabo de vassoura. Foi uma pistola que teve uma regular
aceitação militar.

O norte-americano John Moses Browning, depois dos alemães, foi quem


propiciou o maior avanço em matéria de pistolas semi automáticas. Genial e
criativo inventor de armas, Browning criou a famosa pistola calibre .45 ACP
que foi adotada pelo exército norte-americano em 1911, a conhecida Colt
Governamental Modelo 1911. De desenho inigualável, era fabricada pela Colt;
porém, fora produzida por inúmeras outras firmas. Uma arma que ainda hoje
desperta paixão e ódio, tendo quem a considere a melhor arma de combate já
produzida e quem a considere uma arma antiga e obsoleta.

Anos mais tarde John Moses Browning aperfeiçoou sua criação e elaborou sua
também famosa pistola Browning Hi-Power, fabricada pela F.N. belga e
vendida em inúmeros países.

Baseadas nessas armas foram criadas as pistolas semi-automáticas que


conhecemos hoje.

Funcionamento das pistolas semi-automáticas cal. 380

O funcionamento das pistolas semi-automáticas se dá através da formação de


gases. Após o atirador puxar o gatilho, o percussor atinge a espoleta
provocando a queima da pólvora, formando gases e criando uma pressão que
provoca a propulsão do projétil à frente, ocasionando o recuo do ferrolho à
retaguarda; o estojo vazio é lançado pela janela de ejeção, através do ejetor
(figura abaixo). Com a mola recuperadora comprimida, o ferrolho volta a sua
posição normal, empurrando a próxima munição para dentro da câmara e
permitindo assim que a arma esteja pronta novamente para o próximo tiro.

Pistolas de ação simples – Imbel .380

As pistolas de ação simples requerem que o atirador, para efetuar o primeiro


disparo, desde que a câmara esteja “cheia”, as engatilhe manualmente,
puxando o cão para trás. Após o primeiro disparo, com a ação dos gases sobre
o ferrolho que o movimentam, ciclando a extração e a alimentação da arma, o
cão é naturalmente armado, sem a necessidade de qualquer outra operação
manual.

Com a câmara “vazia”, para se efetuar o disparo, é necessário que o atirador


manobre o ferrolho para trás, para permitir a entrada de um cartucho.

Inúmeros instrutores e especialistas em armas de fogo recomendam que um


Agente nunca deve apontar uma arma engatilhada, para evitar acidentes. Por
outro lado, sugerem que um Agente deve ter sua arma sempre em condições
de disparo, sem que seja preciso desativar travas de segurança ou engatilhar o
cão. Daí verifica-se a primeira vantagem das pistolas de ação dupla sobre as de
ação simples.

Pistolas de ação dupla – Taurus .380

Com uma pistola de ação dupla o primeiro disparo pode ser efetuado após um
longo puxar de gatilho, não sendo necessário o engatilhamento manual do
cão, desde que a câmara esteja “cheia”. Os disparos seguintes são efetuados
como nas pistolas de ação simples, com o cão sendo naturalmente armado
pelo movimento do ferrolho após o disparo.

São armas que transmitem maior segurança no porte, uma vez que
dificilmente dão ensejo a um disparo acidental.

As pistolas de ação dupla como a Taurus possuem uma trava localizada em seu
ferrolho que, ao serem acionadas, permitem que o cão seja desarmado
baixando-se para sua posição habitual. A grande vantagem desse tipo de trava
é a possibilidade de se desarmar o cão após a colocação de um cartucho na
câmara, ou após a feitura de alguns disparos, uma vez que, com esses
movimentos do ferrolho, o cão fica naturalmente armado, situação em que a
arma pode disparar com uma pequena pressão sobre o gatilho.

Incidentes de tiro
É possível ocorrer incidentes de tiro com as pistolas semi-automáticas devido
ao sistema de extração, munição, ou desgastes de peças. Apresentaremos
algumas das possíveis panes:

a) Falha de alimentação na rampa: Solução – Dar uma batida fraca com a


barriga da mão atrás do ferrolho para tentar fechá-lo e,
consequentemente, conseguir deixar a arma pronta para o disparo.
Caso não consiga com essa manobra, aperte o retém do carregador e
segure-o com o dedo mínimo da mão de tiro, dê dois golpes no
ferrolho para “limpar a arma”, dê um tapa fraco com a palma da mão
por baixo do carregador recolocando-o na arma e dê mais um golpe
no ferrolho para que uma munição entre dentro da câmara. Com este
procedimento é possível solucionar o problema.
b) Ferrolho entreaberto ou Chaminé: Isto ocorre quando uma cápsula
permanece bloqueando o ferrolho pela janela de ejeção não
permitindo que o mesmo feche; a aparência é de uma chaminé, pois a
cápsula fica aparente por cima do ferrolho. Solução – Mantenha a
arma apontada para direção segura, sem risco para outras pessoas, e
com a mão aberta à frente da cápsula deslize-a em sua direção, por
cima do ferrolho, para que você consiga tirá-la e, consequentemente,
permitir que o ferrolho feche. Após esta manobra é possível que a
arma esteja com ou sem a munição na câmara. Se você puxar o gatilho
e não houver o disparo, dê um golpe no ferrolho e tente novamente,
pois não havia munição dentro da câmara.
c) Dupla alimentação: Isto ocorre quando um estojo, após o disparo, não
foi extraído da câmara pelo extrator. Com o disparo a ação dos gases
faz com que o ferrolho se movimente à retaguarda e, no seu retorno,
empurre uma munição da mesa transportadora para dentro da
câmara, ocasionando a pane. O ferrolho permanece com a janela de
ejeção aberta devido a munição que é impedida de entrar na câmara
pelo estojo. Para solucionar, aperte o retém do carregador e segure
com o dedo mínimo da mão de tiro o carregador, dê dois golpes ou
mais no ferrolho para “limpar a arma”. Se não houver mais nenhum
estojo ou munição dentro da câmara, dê um tapa fraco com a palma
da mão por baixo do carregador, recolocando-o na arma, dê mais um
golpe no ferrolho para que uma munição entre dentro da câmara.
Com este procedimento pode-se solucionar o problema.
d) Ferrolho não abre após o disparo: Pode ter ocorrido uma dilatação do
estojo após o disparo. Só há uma forma de tentar sanar esta pane:
fique de joelho, não aponte a arma para nenhum local que ofereça
perigo a pessoas, retire o carregador da arma, mantenha o dedo fora
do gatilho e a arma virada para baixo. Golpeie o ferrolho com força na
sola de sua bota ou sapato para tentar tirar de dentro da câmara o
estojo dilatado, que impede o ferrolho de ciclar a munição. Assim que
você conseguir tirar o estojo de dentro da câmara, recoloque o
carregador, dê um golpe no ferrolho, e pronto, a arma já está pronta
para o uso novamente. Boa sorte!

NOMENCLATURA