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CURSO DE HOMILÉTICA I

“Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar,
que maneja bem a palavra da verdade.” (II Tm 2:15)

“Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e
pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda
longanimidade e ensino.” (II Tm 4:1-2)

PROFESSOR: PR. WOSTENES LUIZ LÚCIO DOS SANTOS


SETEBRAE – SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO B
ETEL BRASILEIRO E AÇÃO EVANGÉLICA
COORDENAÇÃO ACADÊMICA – PLANO DE CURSO
DISCIPLINA: HOMILÉTICA I
PROFESSOR: WOSTENES LUIZ LÚCIO DOS SANTOS
N.º DE CRÉDITOS: 02

I – OBJETIVO GERAL: Levar o aluno a ter uma compreensão das ferramentas oferecidas pela
homilética para ajudar o ministro do Evangelho na preparação e transmissão das “insondáveis riquezas
de Cristo”.

II – OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Mostrar aos alunos o grande privilégio e a imensa responsabilidade que temos como
ministros da Palavra de Deus.
- Conhecer os recursos que nos são oferecidos pela homilética no preparo e apresentação do
Sermão.
- Oferecer aos alunos princípios e ferramentas que os ajude a enriquecer seus sermões, no
exercício do ministério.
- Apresentar aos alunos a necessidade atual de expositores das sagradas Escrituras que
transmitam uma mensagem bíblica com fidelidade e poder do Espírito Santo.
- Despertar no aluno o interesse pela pregação bíblica, levando-o a assumir um compromisso
com a exposição das sagradas Escritas como algo essencial e de suma importância na vida
do ministro do Evangelho.

III – PROGRAMA:

HOMILÉTICA I:

Unidade 01 – A Origem e Benefícios da Homilética


A – Origem da Palavra
B – Origem da Conversa
C – Origem do Discurso
D – A Retórica e a oratória
E – Processo Histórico da Homilética
F – O Termo Homilética
G – Os Benefícios da Homilética

Unidade 02 – O Pregador
A – A Origem da Palavra Pregador
B – O Chamado do Pregador
C – A Personalidade do Pregador
D – A Mensagem do Pregador

Unidade 03 – O Preparo do Sermão


A – Os Primórdios do Sermão
B – A Motivação para o Sermão
C – Determinação do Objetivo
D – Fases do Preparo do Sermão
E – Conselhos Básicos na Preparação do Sermão

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Unidade 04 – Estrutura do Sermão I
A – O Título do Sermão
B – O Texto do Sermão
C – A Introdução do Sermão
D – A Elucidação do Sermão

Unidade 05 – Estrutura do Sermão II ( A Proposição do Sermão)


A – Definição de Proposição
B – Relação
C – A Importância da Proposição
D – O Processo de Desenvolvimento da Proposição
E – Princípios para a Preparação da Proposição
F – Observações Gerais Sobre a Proposição

Unidade 06 – Estrutura do Sermão III


A – A Argumentação do Sermão
B – A Conclusão do Sermão

IV - BIBLIOGRAFIA
1. BRAGA, JAMES. “Como Preparar Mensagens Bíblicas”, Ed. Vida.
2. LLOYD-JONES, MARTYN. “Pregação e Pregadores”, Ed. FIEL.
3. LACHLER KARL. “Prega a Palavra”, Ed. Vida Nova.

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Unidade I – A Origem e os Benefícios da Homilética

A – ORIGEM DA PALAVRA

Está perfeitamente comprovado que a palavra surgiu da necessidade humana de comunicar-se.


Daí, o fato de se afirmar que A PALAVRA É UM VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO.

1. Como Expressar a Palavra – no exercício da comunicação, entre outros, a palavra pode ser
expressa dos seguintes modos:

a) Sinais Corporais (Gestos)


b) Sinais Sonoros (Fala)
c) Sinais Gráficos (Escrita)
d) Sinais Luminosos (Luzes)

2. A Palavra Falada – é sobre a palavra falada que iremos tratar todo o curso. Esta palavra
falada é um fenômeno Bio-Psíquico-Social, cujas características são assim expressas:

a) Biológico – porque ela só é possível a um ser dotado de um cérebro capaz de comandar


o sistema nervoso que atue sobre o sistema fonador.
b) Psíquico – porque este cérebro produz pensamento.
c) Social – porque o cérebro reconhece o valor dos indivíduos para desenvolver a
comunicação.

B – ORIGEM DA CONVERSA

O convício social, que levou o homem a inventar a palavra, produziu também a conversa.

1. Definição – a conversa é um diálogo entre duas ou mais pessoas.

2. Aspectos Históricos – historicamente, temos conhecimento que os gregos chamavam a


conversa de HOMILIA (de onde veio a palavra HOMILÉTICA), enquanto que os romanos
a chamavam de SERMONIS (de onde veio SERMÃO).

C – ORIGEM DO DISCURSO

O discurso surgiu através do mesmo instrumento que gerou a palavra e a conversa, isto é, o
convívio social.
1. Conceituação – o discurso é um diálogo imaginário, onde o que fala imagina a participação
direta dos que ouvem.

2. Como surgiu? Imagina-se que tenha surgido da necessidade de alguém alterar a intensidade
da voz para se comunicar com um grupo de pessoas.

D – A RETÓRICA E A ORATÓRIA

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Mesmo que não possamos ter uma certeza quanto a origem do discurso, quando nasceu, é
possível precisar informações sobre quando ele começou a ser escutado como instrumento de
comunicação social.
1. A Retórica – do ponto de vista do estudo das técnicas do discurso, os gregos foram os
primeiros a estudá-las.
Processo de Surgimento – dado a liberdade dos cidadãos em falar nas praças, participando
das discussões e deliberações dos problemas comuns, todos queriam vencer os debates. Daí
surgiram os cidadãos falantes (vitoriosos das discussões).
Falar em público passou a ser desejo de todos. Todos queriam aprender a falar em público.
Surgiu a retórica. Deriva-se de “Retôs” = Palavra Falada.
As normas do Discurso – foram os gregos que criaram a retórica, isto é, as normas para o
discurso.
O primeiro homem a traçar estas normas foi CORAX (500 a.C.) dividindo em: a) Proêmio
(introdução), b) narração, argumento, observações adicionais e c) peroração (conclusão).

Por volta de 500 a 300 a.C. os gregos Córax, Sócrates, Platão e Aristóteles desenvolveram a
retórica, aperfeiçoada pelos romanos na forma de oratória.
O maior orador grego foi Demóstenes.

2. A Oratória – a grande influência cultural sofrida dos gregos, levou os romanos a absorver a
retórica grega com o nome de ORATÓRIA (de Oris, Boca).
O Maior Prático – a história registra que Cícero foi o maior orador romano.
O Maior Teórico – ninguém conseguiu superar Quintiliano. Ele escreveu a mais completa
obra de oratória da antigüidade a “INSTITUIÇÃO ORATÓRIA”.

Definição (dicion.) - Retórica = Oratória = Adornos pomposos de um discurso. Conjunto de


regras relativas a eloquência (capacidade de falar e exprimir-se com facilidade, a arte e o
talento de persuadir ou comover por meio da palavra.)
Oratória = Arte de falar ao público

E – PROCESSO HISTÓRICO DA HOMILÉTICA

1. Na antiguidade – neste período o indivíduo era identificado com o grupo pela RAÇA,
RELIGIÃO E POLÍTICA. As religiões faziam parte da vida das pessoas de modo natural
e integral. Não havia comunicação formal da religião. Logo não havia pregação e,
consequentemente, não havia homilética.
Após o exílio babilônico foi desenvolvida a homilia primitiva, em que passagens das
Escrituras Sagradas eram lidas em público ou nas sinagogas – Ex.: Ne 8:1-12,18:

1 Quando chegou o sétimo mês e os israelitas tinham se instalado em suas cidades, todo o povo
juntou-se como se fosse um só homem na praça, em frente da porta das Águas. Pediram ao escriba
Esdras que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR dera a Israel. 2 Assim, no primeiro
dia do sétimo mês, o sacerdote Esdras trouxe a Lei diante da assembléia, que era constituída de
homens e mulheres e de todos os que podiam entender. 3 Ele a leu em alta voz desde o raiar da
manhã até o meio-dia, de frente para a praça, em frente da porta das Águas, na presença dos
homens, mulheres e de outros que podiam entender. E todo o povo ouvia com atenção a leitura do
Livro da Lei. 4 O escriba Esdras estava numa plataforma elevada, de madeira, construída para a
ocasião. Ao seu lado, à direita, estavam Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à
esquerda estavam Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. 5 Esdras
abriu o Livro diante de todo o povo, e este podia vê-lo, pois ele estava num lugar mais alto. E, quando

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abriu o Livro, o povo todo se levantou. 6 Esdras louvou o SENHOR, o grande Deus, e todo o povo
ergueu as mãos e respondeu: "Amém! Amém!" Então eles adoraram o SENHOR, prostrados, rosto em
terra. 7 Os levitas Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias,
Jozabade, Hanã e Pelaías, instruíram o povo na Lei, e todos permaneciam ali. 8 Leram o Livro da Lei
de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido. 9
Então Neemias, o governador, Esdras, o sacerdote e escriba, e os levitas que estavam instruindo o
povo disseram a todos: "Este dia é consagrado ao SENHOR, o nosso Deus. Nada de tristeza e de
choro!" Pois todo o povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da Lei. 10 E Neemias
acrescentou: "Podem sair, e comam e bebam do melhor que tiverem, e repartam com os que nada têm
preparado. Este dia é consagrado ao nosso Senhor. Não se entristeçam, porque a alegria do SENHOR
os fortalecerá". 11 Os levitas tranqüilizaram todo o povo, dizendo: "Acalmem-se, porque este é um dia
santo. Não fiquem tristes!" 12 Então todo o povo saiu para comer, beber, repartir com os que nada
tinham preparado e para celebrar com grande alegria, pois agora compreendiam as palavras que
lhes foram explicadas. 18 Dia após dia, desde o primeiro até o último dia da festa, Esdras leu o
Livro da Lei de Deus. Eles celebraram a festa durante sete dias, e no oitavo dia, conforme o ritual,
houve uma reunião solene.

“Homilia” = pregação em estilo familiar e quase coloquial sobre o Evangelho.


A Homilia primitiva apenas seguia a ordem natural do texto da Escritura e visava
meramente ressaltar, mediante a elaboração e a aplicação, as sucessivas partes da passagem
como esta se apresenta.

3. Início do Cristianismo – após Jesus Cristo, nas sinagogas, e os apóstolos e outros


pregadores neotestamentários, começaram a surgir na história do Cristianismo homens que
procuraram desenvolver sua pregação segundo as normas da retórica e da oratória. Aqui
nasceu a Homilética. Coube ao Cristianismo a tarefa de criar a Homilética. Isto porque foi o
Cristianismo na verdade, a primeira religião universal que o mundo conheceu.
A Retórica (dos gregos) e a Oratória (dos romanos), passaram a ser conhecidas no meio
cristão como Retórica Sacra e Oratória Sacra.
Neste período a Homilética era conhecida como a “ARTE DE CONVERSAÇÃO”.
A homilética propriamente dita só despontou no século IV com os pregadores gregos,
Basílio, Crisóstomo (boca de ouro) e com os latinos Ambrósio e Agostinho.

4. Na idade Média – neste período qualquer discurso proferido do púlpito da igreja era
considerado sermão.
A Homilética era quase a única forma de oratória conhecida. Aqui a Homilética era
conhecida como a “ARTE DE FAZER SERMÕES”.

5. Na Reforma – a Bíblia passou a ser o centro da pregação. Os sermões deixaram de ser


discursos éticos e litúrgicos, e se transformaram em verdadeiras mensagens evangélicas.
Neste período a Homilética passou a ser “A ARTE DE PREGAR O EVANGELHO”,
conceito que tem sido mantido até o presente.

F – O TERMO HOMILÉTICA

Já mencionamos anteriormente que Homilia (deu origem à Homilética) e Sermonis (deu origem
a sermões) significavam apenas conversa. Contudo, com o passar do tempo, estas palavras sofreram
alterações semânticas e vieram a significar DISCURSO.
Foi no século XVII que a retórica sacra e oratória sacra passaram a chamar-se Homilética.

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Definições:

1. Definição Etimológica – o termo homilética deriva do substantivo grego “homilia”que


significa literalmente associação, companhia e do verbo “homileo” que significa falar.

2. Definição Universal – é a disciplina teológica que estuda a ciência, a arte e a técnica de


analisar, estruturar e entregar a mensagem do Evangelho.

G – BENEFÍCIOS DA HOMILÉTICA

Vimos que a homilética é a arte de pregar o Evangelho. Esta começou a ser desenvolvida no
início do cristianismo, quando os pregadores do Evangelho começaram a organizar seus discursos
utilizando-se da oratória e da retórica.
Que benefícios esta organização das mensagens trouxe para o Evangelho? Em que a homilética
beneficia o pregador e os seus ouvintes?

1. Benefícios para o Pregador

a) Descobrir as Várias Alternativas do Texto – a mensagem bíblica não é estática, ela é


dinâmica. Daí, o pregador beneficiado pela Homilética, quando pode tomar o texto
bíblico e encontrar as mais variadas alternativas para trabalhá-lo.

Ex.: Você pode, com o auxílio da homilética, se utilizar do mesmo texto para fazer um
sermão temático, textual ou expositivo (3 principais qualificações do sermão) .

Ef 5:22-33 – Alternativas de abordagem:


 Relacionamento entre o marido e a esposa
 Relacionamento entre Cristo e a Igreja

b) Facilita o Preparo do Sermão – vamos descobrir que a preparação do sermão é algo


sério, e que exige do pregador muita responsabilidade. Daí, a Homilética apresenta-se
como o instrumento que tornará mais fácil a tarefa de preparar o sermão.
A homilética dá ao pregador diretrizes para a construção do sermão, mostra o caminho
que ele deve seguir. Claro que ela nos oferece princípios e não regras inflexíveis, pois se
assim fosse ela tolheria a criatividade (ou o dom de Deus) que cada pregador possui.
A homilética não nos dá o peixe frito, mas nos ensina a pescar. Por isto ser um bom
pregador depende do Dom divino e da dedicação de cada pregador ao ministério da
pregação.

Ilust.: “O autêntico sermão é aquele que é forjado na bigorna do estudo disciplinado da


Palavra e que tem por lastro intensa oração intercessória.”

c) Enriquece o Sermão – um dos grandes benefícios da Homilética para o pregador é o


fato de que esta dará ao mesmo a capacidade para que os sermões sejam enriquecidos, e
também se tornem mais apreciáveis.

Exemplos de elementos ou ferramentas fornecidos pela homilética que enriquecem o


sermão:

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 Tema central que dá uma linha lógica ao sermão e evita que o pregador saia do
assunto.
 As ilustrações que dão luz ou ajudam a esclarecer as verdades que o pregador deseja
apresentar.
 As divisões principais que auxiliam ao pregador a se localizar no “tempo e no
espaço” da pregação (do sermão) e sistematiza o conteúdo do sermão.

Obs.: A necessidade de sermões com conteúdo nos púlpitos das igrejas hodiernas.

Cit.: “O pregador não conseguirá a atenção do seu público se falar apenas da plenitude
do seu coração e da vacuidade da sua cabeça.”

d) Ordenar o Conteúdo do Sermão – Muitos pregadores, por desconhecerem ou


desprezarem os princípios homiléticos, têm profundas dificuldades em colocar em
ordem o material do seu sermão. Aqui de modo consciente e equilibrado, o pregador
tem a oportunidade de por o conteúdo de sua mensagem em ordem.
O pregador deve não somente ter uma mensagem com conteúdo, mas organizar este
conteúdo e transmiti-lo de forma ordenada.

e) Ordenar as Ideias – aqui observamos o valor da Homilética, ajudando o pregador a


ordenar as suas ideais compreendidas com maior eficácia pelos ouvintes.

2. Benefícios para os Ouvintes

Está claro que a homilética traz grandes benefícios ao pregador, a igreja e aos ouvintes da
pregação. São muitos os benefícios para os ouvintes, porém resumiremos naqueles que
consideramos de grande valor.

a) Compreensão da Mensagem – comunicar com eficiência aquilo que passa na sua cabeça
não é fácil. Quando o ouvinte se trata de um grupo grande de pessoas as dificuldades
aumentam. Por isto não são poucas as vezes que os ouvintes são prejudicados na
compreensão da mensagem que lhes é transmitida. Assim, entendemos que se o
pregador procura apresentar a mensagem dentro dos princípios homiléticos, o povo terá
facilidade em compreender aquilo que lhe está sendo pregado.
Ex.: Transmitir uma mensagem para 2 ou 3 pessoas.
Transmitir um sermão numa igreja
Pregar em um culto ao ar livre para uma multidão.

b) Qualidade da Mensagem – ora, o público será evidentemente beneficiado pela pregação


no que diz respeito à sua qualidade. Isto porque a Homilética tem em seus benefícios,
instrumentos que oferecem ao pregador condições para melhorar o nível da qualidade
de sua mensagem.

c) Transmissão da Mensagem – os ouvintes serão grandemente beneficiados pela


pregação, se a transmissão da mensagem for clara e equilibrada. Portanto, vemos aqui
mais um benefício da Homilética para o ouvinte, pois esta ajuda o pregador a tornar a
transmissão de sua mensagem mais apreciável.

d) Valorização da Mensagem – quando o pregador consegue fazer-se compreender, revela


qualidade em sua mensagem e consegue uma agradável transmissão da mesma, toda a

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comunidade aprenderá a valorizar a sua pregação. Daí, podemos ver mais uma vez, o
papel beneficente da homilética ajudando os ouvintes na valorização da mensagem. Um
dos problemas atuais da igreja brasileira é a desvalorização pela pregação no culto. De
quem será a culpa, dos ouvintes somente ou também dos pregadores?

3. Benefícios Oferecidos à Homilética

É importante observar que a Homilética, como arte, não está isolada de outras ciências,
especialmente, dentro da enciclopédia teológica. Portanto, apresentaremos aqui duas
ciências que têm uma significativa influência na Homilética: a Hermenêutica e a Exegese.
A Hermenêutica e a Exegese são duas disciplinas fundamentais para a Homilética.

a) Benefícios da Hermenêutica na Homilética – a Hermenêutica como ciência da


interpretação textual (bíblica), oferece à Homilética as técnicas para melhor
aproveitamento do texto a ser usado na pregação. A Homilética depende da
Hermenêutica porque a pregação cristã se fundamenta num documento textual: A
Bíblia.
Assim como, pela hermenêutica conhecemos o que é o Evangelho, pela Homilética
aprendemos como pregá-lo.
Pelo bom uso da Hermenêutica, o pregador faz com que se eleve o conteúdo da
Homilética.

b) Benefícios da Exegese na Homilética – a exegese com arte de expor uma ideia, oferece
para a homilética as técnicas de exposição do texto bíblico para um uso eficaz na
pregação.
A finalidade da exegese é dispor os elementos a serem expostos, de modo claro, lógico,
sequencial, progressivo e estético, de sorte a formar um conjunto convincente de ideais.
A homilética ganha na forma e profundidade quando o pregador procura ser um homem
aplicado à Exegese.

Unidade II – O Pregador

No estudo da homilética, é absolutamente conveniente que se abra o espaço para uma unidade
sobre o Pregador, o qual poderá utilizar das normas e princípios que lhe são oferecidos.
Na presente unidade queremos oferecer a você informações, que consideramos de expressivo
valor, para todos aqueles que estão envolvidos na aprendizagem de pregar o Evangelho. Portanto, a
pessoa será o nosso destaque no estudo que se segue.

A – A ORIGEM DA PALAVRA PREGADOR

O processo de origem da palavra pregador desenvolve-se a partir de um verbo grego que ocorre
mais de 60 vezes no N.T., o verbo “KERYSSO”.

1. Significado de “KERYSSO” – este verbo tem o significado de “Proclamar como arauto”.


Na antiguidade o ARAUTO era um homem de integridade de caráter, usado pelo rei para as
proclamações públicas.

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O Arauto tinha a obrigação de transmitir com fidelidade, exatamente o que o Rei queria
falar ao seu povo, sem acrescentar nem tirar nenhuma palavra.
Nós somos Arautos do Rei Jesus, e temos que ser fiéis em nossa missão.
Logo “PREGADOR” passou a significar “ANUNCIAR COMO ARAUTO”.
Semanticamente o termo “KERYSSO” veio a ter o significado de “ATIVIDADE DA
PREGAÇÃO”.

2. O termo pregador – com o desenvolver do termo Kerysso chegamos ao Kerigma que é “A


PALAVRA PROCLAMADA”, e que difere de DIDAQUE (a “INSTRUÇÕ ÉTICA OU
ENSINO”).
O termo grego usado para pregador é KERYX (2 Pe 2:5).
Embora a pregação ou proclamação da Palavra de Deus ensine, possua o seu lado didático
doutrinário, há uma distinção entre a pregação (apresentação de um sermão) e o ensino
(didático/doutrinário) da Palavra.

B – O CHAMADO DO PREGADOR

1. Temos tido conhecimento de que o cristão se encontra envolvido por três tipos de vocação:

a) Vocação Natural – uma inclinação natural para a realização de tarefas especiais.


b) Vocação para Salvação – chamado pelo Senhor para uma nova vida e uma vida eterna.
c) Vocação Ministerial – chamado Divino específico para exercer ministérios por ele
outorgado.

O pregador está fundamentalmente enquadrado em dois tipos de vocação, ou seja, a


vocação para a salvação e a vocação ministerial.
Ninguém pode falar em Nome do Senhor se não receber autoridade para tal. Portanto, se
Deus não chama e não dá a mensagem, é perigoso arriscar-se e ir em seu Nome.
Lembre-se: somos chamados para falar em Nome do Senhor. Para dizer: “ASSIM DIZ O
SENHOR”.
Faz-se necessário lembrar que a chamada divina, em todo o seu conteúdo, apresenta-se de
modo claro, específico e pessoal (Ef 4:11; At 9:15; Jo 15:16).

Cit.: Dn. Lídia diz que no seminário há os que se enviam a si mesmo, os enviados do diabo,
e os enviados por Deus.

“O Pregador é alguém que toma consciência de um chamamento. Não é ele quem decide
fazer tal coisa.” (Dr. Martyn Lloyd Jones).

2. Elementos que norteiam o pregador:

a) Vocação – no V.T. o pregador era profeta. O termo grego é “prophetes” que por sua
vez é tradução livre do hebraico “nabhi”, significando alguém que é chamado, alguém
que tem uma vocação.
No N. T. o pregador era um apóstolo, um enviado de Deus. Apóstolo = procurador,
alguém que tem plena autoridade.

b) Posicionamento do pregador no plano de Deus – Mc 1:2. Esta posição possui três


aspectos:

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 A ordem – a única justificativa para a pregação é a convicção dada por Deus de que
Ele disse: “Eu te envio”.
 A mensagem – João Batista é descrito como “meu mensageiro”, aquele que é
portador de uma mensagem do Deus vivo, o criador do universo.
 A Função – a responsabilidade do pregador é “preparar o caminho do Senhor”. A
missão do pregador consiste em entregar a mensagem e retirar-se depois.

C – A PERSONALIDADE DO PREGADOR

Falharíamos na apresentação deste assunto se omitíssemos algumas informações a cerca das


características que são fundamentais na formação do caráter ou personalidade do pregador.
Na apresentação destas características, procuraremos apresentá-las como “Perfis da
Personalidade”:

1. Perfil Espiritual – o pregador deve ser um homem de fé. Ora, como pode um pregador falar
da vida espiritual se ele não tem fé?
Portanto, se o pregador vai ensinar e pregar a fé, ele deve ter conhecimento dos
fundamentos da fé cristã (o que cremos).
Precisa, especificamente, da fé do novo nascimento (Jo 3:3; 1 Co 2 :14,15).
É importante lembrar que a vida espiritual é uma vida permeada pela fé.

2. Perfil Moral – sabemos que a fé genuína é acompanhada de uma mudança de vida. Logo, o
pregador deve ser um homem exemplo de nova vida (2 Co 5:17).

Cit.: Provérbio brasileiro: “Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”. Como
pregadores devemos ter cuidado com esta máxima.
O pregador deve dizer como Paulo:
“Rogo-vos, portanto, que sejais meus imitadores.” (1 Co 4:16)
“Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.” (1 Co 11:1)
“Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo
que tendes em nós;” (Fl 3:1)

Cuidado! Não pregue aos outros o que você não consegue viver.
Lembrar! A vida moral do pregador deve ser um espelho de suas palavras.
É muito expressivo para nós pregadores, lembrar que a mensagem deverá fazer diferença
antes na minha vida, depois aos outros.
Obs.: se pregarmos algo que ainda não vivemos devemos ser sinceros e apresentar como o
“ideal” para nossas vidas (nos incluindo na mensagem) e não como o real em nossas vidas.

O caráter do pregador – como em nenhuma outra vocação, no ministério o caráter é


decisivo, 1 Tm 3:1-7; 4:12-16.
Aquilo que nós somos determina a espécie de mensagem que os nossos ouvintes recebem.
Não podemos viver descuidadamente desde a Segunda-feira até o Sábado e esperar pregar
com poder no Domingo.
Para Ter poder no púlpito o pregador deve falar da experiência, ele não pode partilhar o que
não possui, nem revelar o que não viu. Não pode ganhar outros para uma fé com a qual ele
próprio não se comprometeu plenamente – Rm 2:21; 1 Co 9:27.

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Ilust.: o jovem que falou para o pregador: fala mais alto porque aquilo que você vive não
me deixa ouvir aquilo que você prega.

Ilust.: a história do palhaço do circo que chegou na cidade que acabou com a frequência da
igreja. Procurado pelo pastor o palhaço responde: a diferença é que eu falo a mentira como
se fosse verdade e você fala a verdade como se fosse mentira.

3. Perfil Intelectual – o pregador abraça uma carreira intelectual. Isto porque, todo o seu
trabalho envolverá muito mais o uso do cérebro do que as mãos e braços.
Exigências necessárias ao pregador: seja inteligente; seja amante dos livros; seja criativo;
seja culto.

Cit.: 2 Tm 2:15; 2 Co 6:4,7a.

Não devemos nos esconder atrás do “Pescador” (Pedro). Pois Paulo era culto e foi um
grande instrumento do Senhor, e em muitas ocasiões usou da sua cultura no ministério, para
gloria de Deus.
Não devemos aceitara o Mito do Seminário: de que a intelectualidade é contrária a
espiritualidade. Nem a interpretação erronia de 2 Co 3:6, de que “a letra mata mas o
Espírito vivifica”. Paulo está falando do pacto da Lei = letra. Isto ocorre exatamente por
falta de estudo da hermenêutica, que já vimos que é uma disciplina fundamental para a
homilética.

Ex.: missionários humilhados por um advogado no interior da Bahia.

4. Perfil Psicológico – o equilíbrio mental e emocional é algo indispensável à vida do


pregador. As palavras revelam o equilíbrio psicológico do homem.
Diz a Psicologia da linguagem: as palavras são portadoras de idéias, emoções,
temperamentos e até revelam motivações inconscientes.
Cuidado! Porque as palavras acompanhadas das emoções podem revelar os temperamentos
e até as motivações conscientes ou inconscientes.
O púlpito não é um divã de psicanálise, onde o pregador derrama a sua personalidade para
os ouvintes.
Nota triste: há pregadores que falam mais de si mesmos do que das verdades de Deus; estas
sim, que o povo precisa ouvir.
O Púlpito não é lugar de desabafo, nem de auto exaltação (não é um palanque político).
Devemos nos lembrar das palavras de João Batista: “é preciso que Ele cresça e que eu
diminua”.
Devemos Ter cuidado com os testemunhos superfaturados.
O pregador deve ter o ministério do “Holofote” como o tem o Espírito Santo. A sua luz é
somente para apontar para Jesus e não para si mesmo.

5. Perfil Físico – o púlpito não é uma passarela. Contudo a expressão física de um pregador
ajudará muito na apresentação do sermão.
O pregador deve apresentar-se de modo atraente (com discrição).

Pessoas com defeitos físicos terão dificuldades. Por isso, lhes serão exigidos maior esforço.

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Devemos Ter cuidado para não chamarmos a atenção do povo para nossa aparência e fazê-
los esquecerem-se da mensagem. As mulheres devem ter um cuidado especial neste aspecto
(não se enfeitar muito, nem usar roupas sensuais), porém os homens não se excluem dessa
regra.
Outra questão são os movimentos, gestos, e postura no púlpito. Ex.: Pregadores que andam
demais de um lado para outro, os ouvintes parecem estar numa partida de tênis; outros
ficam muito estáticos, parecem robôs; outros fazem gestos obscenos; outros têm um tic-
nervoso; etc.

6. Perfil Sonoro – o instrumento de trabalho do pregador é a voz. Logo, entendemos que a voz
é essencial para o sucesso do pregador.
A voz é distinta por dois elementos fundamentais:

a) Timbre (qualidade distinta do som). O ideal é o médio, sendo importante a variação da


voz na pregação.
Pregadores que gritam demais, outros que falam muito baixo (dá sono).
A questão da ênfase é fundamental. A pregação tem um ponto inicial, tem um
desenvolvimento e um clímax. Há pregadores que já começam no clímax, enfatizando
tudo e quando chega no meio do sermão não tem mais voz, nem força.
“Quem enfatiza tudo acaba não enfatizando nada”. A pontos no sermão, momentos,
palavras, citações que devem ser enfatizadas e outras não, por isto tem que haver a
variação da voz na pregação.

b) Dicção – (emissão correta dos sons da voz). Pronúncia correta, firmeza e clareza.
Cuidado com as cacofonias (som desagradável ou palavra obscena proveniente da união
das sílabas finais de uma palavra com as iniciais da seguinte)
É terrível ouvir alguém que fala “muito errado”. Ou pessoas que tem problema de
dicção.

7. Perfil Social – ninguém gosta de fazer “Má Figura” perante a sociedade. Daí, se justifica o
grande medo do vexame público. Este medo gera timidez ou inibição (comum: Pregadores
iniciantes). A causa fundamental é a insegurança:
Emocional (falta de experiência em relacionar-se com o auditório)
Intelectual (decorre de sua insipiência (ignorância) cultural).
O pregador deve dominar a matéria que vai expor, bem como as emoções.

D – A MENSAGEM DO PREGADOR

1. Seu conteúdo – toda verdadeira pregação repousa na afirmação básica: “Assim diz o
Senhor”. Esta afirmação ocorre aproximadamente duas mil vezes nas Sagradas Escrituras.
Com a Palavra de Deus nos é dado o conteúdo da pregação.
No N.T. a pregação era essencialmente a simples proclamação dos fatos do Evangelho que
assumia o seguinte padrão:

a) A identidade messiânica de Cristo


b) A vida impecável de Jesus Cristo
c) Sua morte expiatória e Sua ressurreição
d) A soberania de Jesus Cristo
Ao Pregador é dada uma difícil tarefa: At 20:26,27 – vemos aqui um sentimento do dever
cumprido. O pregador não pode ser parcial tem que falar todo o designo de Deus, tudo o

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que a Palavra diz a respeito de determinado assunto. Não é algo fácil, pois a verdade
agrada, mas também desagrada e dói em muitos, ela sara mas também fere, ela edifica mas
também destrói (o pecado e o erro) – Gr 1:4-10.

2. Seu Poder – a grande comissão (Mt 28:18-20) diz ao pregador o que fazer; At 2 diz-lhe
como fazê-lo.
No poder de Deus, nosso falar torna-se o falar de Deus – 1 Ts 2:13.

3. Seu Objetivo – toda pregação bíblica tem por objetivo a persuasão para a vida da fé. O
sermão é o lugar de encontro da alma com Deus, procurando canalizar a graça de Deus para
crentes e descrentes.
Após a salvação, a ênfase é às “coisas que acompanham a salvação” (Hb 6:9). A
necessária nutrição e motivação da vida cristã envolve os seguintes objetivos:
a) Consagração – Rm 12:1
b) Doutrinação – Ef 4:11-16 – nossos sermões devem ser doutrinários
c) Inspiração -
d) Fortalecimento – At 4:19-20

A João Batista foi concedido o mais alto tributo que poderia vir a um ministro do
Evangelho, a um pregador: quando ouviram João, “seguiram a Jesus” (Jo 1:37). Hoje
muitos pregadores fazem discípulos de si mesmo, mas não fazem discípulos de Jesus, temos
que ter cuidado para não cairmos no erro de falarmos mais de nós do que do Senhor Jesus
para que as pessoas não nos sigam ao invés de Jesus. Precisamos dizer com João Batista: Jo
3:30 – “É necessário que ele cresça e que eu diminua”.

Unidade III – O Preparo do Sermão

Estamos entrando numa fase do curso, onde as informações que estamos oferecendo estão
diretamente vinculadas ao preparo do sermão. O valor que o aluno atribuir a esta unidade, determinará
em muito a qualidade de sua aprendizagem nesta disciplina. Assim, aconselhamos que tenha um sério
interesse por tudo aquilo que procuraremos desenvolver nesta presente unidade.

A – OS PRIMÓRDIOS DO SERMÃO

Concordamos com o pensamento de Willian Blackwood no que ele chama de “MINISTÉRIO


DA PREGAÇÃO”. Isto é, nenhum pregador pode dizer, com certeza o tempo em que o sermão
começa a ser formado em sua vida para que venha prepará-lo.
Conscientes de que o Espírito Santo de Deus tem toda a liberdade de agir em nossa vida,
preparando-nos para aquele momento em que precisaremos começar o preparo da mensagem a ser
exposta, todos nós pregadores devemos elaborar mensagens inteiramente pessoal.
É verdade que é o Espírito Santo que guia e unge o pregador, porém temos a nossa
responsabilidade e devemos estabelecer uma regra sem exceções: Começar, prosseguir e terminar com
oração.

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B – A MOTIVAÇÃO PARA O SERMÃO

A motivação é absolutamente necessária à vida do ser humano. De modo especial, nós, pastores
e pregadores também precisamos de motivação para o exercício do nosso ministério. Todos nós
sabemos que o chamado é essa motivação maior.
Contudo no que diz respeito ao preparo do Sermão, nós pastores e pregadores também temos a
necessidade de motivação para a elaboração das mensagens.
Assim, o pastor ou pregador encontrará motivação para o preparo do sermão dos seguintes
modos:

1. Fora do Gabinete de Trabalho – quando nas visitas pastorais nos lares ou em hospitais. No
contato geral com as pessoas. Nos acontecimentos do cotidiano.

2. Trabalho no Gabinete – através da leitura da Bíblia. Lendo livros evangélicos. Na leitura de


revistas, jornais ou ainda outros períodos evangélicos.

3. Canteiro Particular – nas suas anotações de estudos ou devocionais. Nas anotações e


rascunhos de estudos ou outras mensagens ouvidas. Nos recortes de artigos e boletins, etc.

A motivação para o sermão surge do canteiro do pregador. Este canteiro é formado do


acúmulo da leitura, observação, pensamentos, meditação e experiência de vida do pregador.
Denominamos este canteiro de “Jardim Homilético”.
Conselho: Faça o seu Canteiro Homilético – crie o hábito de fazer anotações do que você
lê, escuta, e do que Deus fala para você durante a meditação ou oração, que você julga ser
importante para utilizar em seus sermões.
O valor de um sermão poderá depender do número de semanas, meses ou mesmo anos que
levou crescendo no coração do pregador.

4. Calendário Cristão – através de datas especiais do calendário eclesiástico. Neste caso,


enquadramos os convites com temas específicos.

C – DETERMINAÇÃO DO OBJETIVO

Qualquer que seja a origem do sermão, o pregador terá que decidir sobre o seu objetivo.
Nota triste: frequentemente os ouvintes ficam sem saber o que pensar ou o que fazer diante das
mensagens que ouvem.
O objetivo visa mover a vontade do ouvinte à ação, o que talvez aconteça apenas no íntimo do
coração.
Portanto, logo que o pregador tenha escolhido o seu objetivo, poderá usá-lo para guiar e
controlar tudo o que fizer no sermão.

D – FASES DO PREPARO DO SERMÃO

Entendemos que o pregador deve ter a consciência de que cada sermão deve ser elaborado
debaixo de um sério e cuidadoso preparo. Assim, para que o pregador alcance êxito no seu labor
homilético, este precisa preparar convenientemente.
Assim, na preparação do sermão o pregador envolve-se em duas fases básicas:

1. A Coleta do Material:

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a) O Texto do Sermão – o texto a ser usado no sermão é o texto bíblico. Por isso é que se
diz na homilética, que o texto é a porção bíblica tomada para o sermão.

b) Outras Fontes de Assunto – além da aplicada pesquisa no texto bíblico, o pregador


também poderá recorrer a outras fontes na coleta do material para o preparo do seu
sermão:

 LIVROS (reserve tempo para a leitura de livros)


 REVISTAS (colecione revistas que ensinam e edificam)
 JORNAIS (recorte tudo que achar interessante)
 EVENTOS (congressos, conferências, cursos, etc.)

2. A Esquematização do Sermão – na esquematização o pregador está elaborando o seu


trabalho de pregação, e deve levar ao sermão somente aquilo que é essencial para o objetivo
da mensagem.
Após definido os elementos do sermão, dispondo-os de modo lógico e racional é possível
elaborar um esquema daquilo que vai ser o próprio sermão.
O ESQUEMA - ESBOÇO – é um resumo das ideais significativas do sermão, em sua
disposição técnica.

E – CONSELHOS BÁSICOS NA PREPARAÇÃO DO SEMÃO

A observância dos conselhos a seguir certamente ajudará o pregador na sublime e árdua tarefa
de preparar o sermão.

1. Quanto ao Tempo – gaste bastante tempo no preparo do sermão.


2. Quanto ao Objetivo – estabeleça um alvo ou objetivo. Escolha o texto de acordo com o
objetivo do sermão.
3. Quanto ao Material – reúna todo o material possível. Agrupe o material de acordo com o
objetivo. Organize o material do sermão.
4. Quanto a Estrutura – decida sobre a introdução. Pense nas ilustrações. Elabore um esquema.
5. Quanto a Apresentação – não leve as panelas (coisas prontas de outros pregadores) para o
púlpito. Confie ao Senhor aquilo que você preparou.

O pregador deve pregar “a Palavra” e confiar em Deus para abençoar a pregação de Sua
Palavra – Is 55:10,11. Quando nossos sermões são bíblicos temos a confiança e a certeza
que Ele será uma bênção, pois é Deus quem derrama a unção sobre a Sua Palavra.

“A unção é algo derramado sobre a preparação e sobre a apresentação ou exposição do


sermão”.

“Unção é algo que não se pode definir com clareza, mas que se pode sentir com facilidade a
sua falta.”

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Unidade IV – A Estrutura do Sermão I

Entre os elementos principais em torno dos quais gira o discurso, “A Forma de Falar” (a
disposição das várias partes que constituem o discurso) tem sido a maior preocupação dos mestres da
retórica e da oratória, igualmente, os mestres da homilética também têm se preocupado com as partes
do Sermão, a sua estrutura, porque acreditam que este aspecto é fundamental para ajudar no melhor
preparo e exposição da mensagem bíblica aos seus ouvintes.
D. Martyn Lloyd-Jones, afirmou a respeito de pregação que o “Sermão é uma mensagem cujo
objetivo é ser ouvida e causar impacto imediato sobre os ouvintes”. Considerando a afirmação de
Lloyd-Jones, somos levados a pensar que o sermão deve ser elaborado de um modo que os ouvintes
venham a entender claramente o ponto principal da mensagem. Assim, para que o sermão venha
alcançar esta característica impactual, ele deve ter as seguintes características:

➢ Ser isento de ambiguidades (impreciso, incerto, com mais de um sentido, difícil de perceber
pelos sentidos).
➢ Não conter material alheio ao tema principal
➢ Obedecer a um padrão distinto
➢ Continuidade de pensamento nas suas ideias
➢ O discurso deve dirigir-se para um alvo definido. Ter início, meio e fim determinados.

Está perfeitamente evidente que não há caminho fácil para a preparação dos sermões. Preparar
sermão exige um estudo sério, laborioso e paciente por parte do pregador. E justamente aqui, entra a
necessidade de um conhecimento e aproveitamento daquilo que a estrutura homilética oferece como
benefício para os pregadores e seus ouvintes.

Alguns autores têm denominado o sermão como uma peça literária que se compõe de várias
partes. Estas partes da estrutura homilética variam de acordo com os autores, contudo, elas sempre se
aproximam do pensamento iniciado por Corax (500 a.C.). Portanto, queremos apresentar aqui a
estrutura homilética com a qual trabalharemos durante o curso:

A – Título E – Tema Central: Proposição e Sentença de Transição


B – Texto F – Argumentação: Divisões Principais e Subdivisões
C – Introdução G – Conclusão
D – Elucidação

A – O TÍTULO DO SERMÃO

1. O Termo – Titlos (Grego) e Titulos (Latim) – Inscrição em Relevo

2. Definição Homilética – é o nome do sermão, posto em destaque, para ser identificado com
uma peça literária.
É uma expressão do aspecto específico a ser apresentado, formulado de um modo que seja
um anúncio adequado ao sermão.

3. Características – na elaboração do sermão o título pode antecipar o texto ou até mesmo ser
a última coisa que o pregador venha a fazer.
A função do título é chamar a atenção, interessar e atrair as pessoas.
É função nitidamente psicológica.
Pode haver ocasiões em que o título e o tema sejam os mesmos, desde que o tema seja
suficientemente interessante.

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4. A Importância do Título – vem se acentuando cada vez mais, em nossos dias, por causa do
desenvolvimento das técnicas de comunicação e de publicidade, a necessidade do uso do
título no sermão.
A maioria dos pregadores não dá importância ao título do sermão.
Como pregadores da nova geração, reconhecendo o valor da comunicação atual que o título
representa, devemos aprender a valorizá-lo em nossa pregação.

5. Qualidades do Título:

a) Atraente (sugestivo, interessante) – pela atualidade da sua linguagem e do conteúdo;


pela sua relação com o contexto externo.
b) Discreto – pela seriedade que apresenta. Não sensacionalista, não malicioso, não
constrangedor.
c) Honesto – pela exatidão com que guarda a verdade. Não pretensioso (promete o que não
pode dar).
d) Impactual – pelo inusitado dos contrates, ou contradições aparentes que sugere. Nem
todos os sermões podem ter títulos impactuais.

6. Princípios Básicos para a Preparação de Títulos:

a) Deve ser pertinente ao texto ou à mensagem – deve haver uma relação definida do título
com o texto ou com o sermão.
Exemplo: Gn 22:1-8 - Ideia dominante: Obediência / “O Preço da Obediência”
- Ideia dominante: Paternidade / “Um Pai Exemplar”

Exemplo: Mt 6.25-34 - Ideia dominante: Cuidados ou preocupações deste mundo/ “O


mal deste século, como vencê-lo! - Como vencer ansiedade!

b) Deve ser interessante:

 Despertando interesse e curiosidade


 Atraente não como mera novidade, mas por gerar interesse às pessoas
 Relacionar-se: situações e necessidades da vida (Pastor, esteja alerta)
 Ser adequado às circunstâncias e interesses da congregação, evitando títulos sem
significação especial ou que não transmita nada às pessoas.

c) Deve manter a dignidade do púlpito:

 Títulos extravagantes ou sensacionalistas surgem, muitas vezes do esforço


exagerado de alguns pregadores despertar a atenção dos ouvintes.
 Cuidado com o uso de títulos fantásticos, rudes e irreverentes
Exs.: “Vinho, Mulheres e Canção”, “As Barbas do Gato”, “Espetáculo ao Estilo do
V.T.”, “Deve o Marido Bater na Esposa?”, “O Grande Maricas”, “O Lugar Quente”.

d) Deve ser breve:

 Compacto é mais eficaz do que uma afirmativa longa


Ex.: Os dois caminhos (compacto)

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O caminho que leva ao céu ou a vida eterna e o caminho que leva ao
inferno ou a morte eterna (longo)

 Ser curto, mas não abrupto ao ponto de sacrificar a clareza


Ex.: Caminhos

e) Pode vir em forma de afirmação, interrogação ou exclamação – haverá ocasiões em que


será necessário o uso de uma sentença completa. Essa sentença pode ser declarativa,
interrogativa ou exclamativa.
Exs.: Interrogativos: “Porque os Santos Sofrem?”
“Qual o Significado da Fé?”

Declarativos: “Deus Pode Cuidar dos Teus Problemas”


“O que a Bíblia diz Acerca da Morte”

Exclamativos: “Para Melhor, Não para Pior!”


“Ganho Mediante a Perda”
“Morte para Vida!”

f) Pode consistir de uma frase seguida de uma pergunta


Ex.: “As Perplexidades da Vida: Com encará-las?”

g) Aparecer na forma de sujeito composto


Ex.: “O Cristão e Seus Amigos”

h) Pode consistir de uma breve citação do texto bíblico


Exs.: “Prepare-se para encontra-se com o Seu Deus”
“Quem é meu Próximo?”
“Seja feita a Tua vontade”

B – O TEXTO DO SERMÃO

1. O que é o texto – na homilética o texto do sermão é aquela porção tomada como base para o
sermão. A base fundamental para o sermão do pregador é a Palavra de Deus, a Bíblia
Sagrada, portanto ela não deve ser desprezada pelo mesmo.

2. O uso do Texto para o Sermão:

a) Erros a evitar – na utilização do texto bíblico para a elaboração do sermão há dois erros
básicos que todo pregador deve procurar evitar:

 O desprezo pelo texto (sermão sem base bíblica)


 O texto por pretexto (sermão com aparente base bíblica)

b) Vantagens do Texto – o uso inteligente do texto sagrado, no sermão, dá ao pregador


algumas vantagens significativas, como:

 Garante a atenção natural dos ouvintes (a Palavra de Deus tem poder em si mesma)
 Dá seriedade à pregação

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 Dá autoridade ao pregador
 Seus temas são os mais atraentes
 Ensina o povo a interpretar a Palavra de Deus. O surgimento das controvérsias
doutrinárias, das heresias e das seitas se dá por causa da má interpretação bíblica.
 Estimula o uso da Bíblia no culto (Há um desprezo da Bíblia por parte de muitos na
igreja hodierna)

3. A coleta de Textos – tendo consciência da importância fundamental do texto para o sermão,


nós, pregadores, precisamos dispor continuamente de uma apreciável quantidade de textos
que nos atendam na necessidade constante de pregar.
Esta coleta de textos por parte do pregador ocorre de três modos distintos:

a) Lendo constantemente a Bíblia:

 Sistematicamente (estudo sistemático)


 Devocionalmente
 Homiléticamente

b) Anotar tudo que tiver interesse homilético (reportagens, discursos, sermões, etc. -
Canteiro Homilético)

c) Colecionando as suas anotações (Canteiro Homilético)

4. O Trabalho do Texto – para um melhor aproveitamento do texto bíblico no sermão, o


pregador deverá trabalhá-lo, tomando as seguintes providências:

a) Determinar a extensão do texto

b) Determinar a interpretação do texto (gramatical, literária e culturalmente). O ângulo que


o texto vai ser abordado.

c) Procurar destacar o tema – qual o tema central que o texto aborda?

d) Elaborar os argumentos – o que vou usar para defender meu tema?

e) Destacar a conclusão – a que fim quero chegar com meus ouvintes?

C – A INTRODUÇÃO

1. Definição – é o processo pelo qual o pregador procura preparar a mente dos ouvintes e
prender-lhes o interesse na mensagem que vai proclamar.

2. Informações Fundamentais – é a parte inicial do sermão, momento em que o pregador inicia


o seu relacionamento com o auditório.
O pregador entra em contato pessoal e direto com seus ouvintes
A introdução é parte vital do sermão, contudo, o êxito da mesma depende do pregador.

3. O Propósito da Introdução:

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a) Conquistar a boa vontade dos ouvintes – a pessoa do pregador é o fator primordial, pois
aquilo que somos determina a aceitação do que dizemos. A introdução deve ser
apresentada de tal modo que consiga a boa vontade dos ouvintes.

b) Despertar interesse pelo tema – aspectos que dificultam a atenção dos ouvintes:
Ambientais (culto ao ar livre), Físicos (acomodação dos ouvintes) e Espirituais
(operação demoníaca).
A introdução deve despertar a atenção e desafiar o pensamento do povo, de tal modo,
que seja levado a interessar-se ativamente pelo assunto.

4. Características de uma boa Introdução:

a) Aborda o assunto sem exagero – consegue o direito de entrada na “cidadela da alma


humana”. Se a introdução é cheia de entusiasmo, talvez faça surgir esperança que o
resto do sermão não possa satisfazer. Seja moderado na introdução.

b) Apropriada sem ser vulgar – apropriada a ocasião, ao orador e a mensagem. Cuidado


com as vulgaridades. Spurgion fala sobre o “poder da surpresa”. Dizer a coisa
apropriada de forma inesperada.

c) Cordialidade sem efusão (veemência, ímpeto) – orador amável – conquista a confiança


do povo. O pregador não deve pedir desculpas do que tem a dizer, nem se julga ter a
última (ou única) palavra sobre o assunto.
Evitar a efusão logo no começo do sermão, para não cair no exagero.

d) Apresentar-se de modo variado – ter o cuidado para não repetir as palavras de sua
introdução em outros sermões. Use a variedade na sua introdução.

 Pequenas histórias reais


 Fábulas ou lendas
 Histórias bíblicas
 Frases ou Pensamentos
 Fatos eclesiásticos (testemunhos)
 Fatos do cotidiano (atualidades)

5. Princípios para preparação da Introdução:

a) Em geral deve ser breve – o objetivo da mensagem – levar a palavra de Deus


Evitar a tendência de alongar-se com desculpas, piadas ou gratulações esmeradas.
Perigo! A introdução deve ser curta, mas não abrupta. O começo abrupto faz mais mal
do que bem.

b) Deve ser interessante – os primeiros minutos do sermão são muitíssimos importantes.


Aqui se ganha a atenção dos ouvintes.
Perdemos a atenção com introduções maçantes, monótonas e triviais. Algo interessante
conquista logo o interesse dos ouvintes.
Métodos para prender a atenção:

 Despertar a curiosidade
 Criar interesse pela variedade

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 Dar e explicar o título do sermão
 Relacionar o sermão com as situações da vida.

c) Deve levar a ideia dominante – a introdução deve visar diretamente o assunto. As


afirmativas devem levar ao objetivo principal do sermão.

d) No esboço a introdução deve consistir em poucas e breves sentenças ou frases –


evitemos sentenças longas e compostas. Devem ser abreviadas e claras para serem lidas
de relance.

D – A ELUCIDAÇÃO

1. O Termo – o temo elucidar significa tornar claro, fazer compreender, esclarecer, explicar.

2. O Conceito – é o processo mediante o qual o pregador leva aos ouvintes um importante


esclarecimento quanto ao texto que está sendo usado como base no seu sermão. Através
deste esclarecimento os ouvintes ficarão situados na Palavra de Deus.

3. A Importância da Elucidação:

a) Leva os ouvintes a entenderem que as mensagens devem ter base na Palavra de Deus.
b) Ajuda a esclarecer o porquê do uso daquele texto na elaboração do sermão.
c) Leva o pregador a valorizar o texto usado no seu sermão.

4. Tipos de Elucidação:

a) Narrativa – o pregador faz uma narração, com suas próprias palavras, do texto
(Paráfrase).
b) Histórica – quando o pregador esclarece o texto abordando aspectos históricos
geográficos do texto.
c) Explicativa – o pregador seleciona umas poucas palavras do texto, pertinentes ao tema
da mensagem, e explica-as no seu sentido original do texto.
d) Analítica – aqui o pregador trabalha um pouco mais e faz uma maior análise do texto
escolhido para a mensagem.

Ilust.: Dar exemplos de sermões

EXERCÍCIO:

1. Prepare um título apropriado para os seguintes textos: Rm 15:1; 2 Sm 24:24; Sl 84:11; Hb 11:27;
Gr 15:16a.

2. Selecionar 3 textos bíblicos e dar a cada um, o título, a introdução e a elucidação (uma narrativa,
uma histórica e uma explicativa).

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Unidade V – A Estrutura do Sermão II
A Proposição do Sermão

A – DEFINIÇÃO DE PROPOSIÇÃO

É uma declaração simples do assunto que o pregador se propõe apresentar, desenvolver, provar
ou explicar. É uma afirmativa clara da principal lição espiritual ou da verdade eterna e de
aplicação universal do sermão, reduzida a uma sentença declarativa.

Exs.: - Prop.: A meditação diária nas Escrituras é vital para o crente.


Título: O Alimento Vital
- Prop.: Ninguém pode fugir às consequências de seu próprio pecado
Título: Pagamento Inevitável
- Prop.: Os que dão a Deus o primeiro lugar, jamais terão falta de nada
Título: O segredo da Prosperidade

- Texto: Ef 2:8 – deste texto podemos tirar algumas verdades eternas:


- Embora a salvação seja de graça, só se torna nossa se a aceitarmos pela fé.
- Todo pecador salvo é produto do favor imerecido de Deus.
- A provisão divina da salvação está inteiramente fora da ação humana.

B – A IMPORTÂNCIA DA PROPOSIÇÃO

A proposição apresenta-se como sendo o aspecto mais essencial no preparo do sermão. Daí
devemos encarar com seriedade a sua importância:

1. Ela é o fundamento de toda a estrutura do sermão – a proposição é a base do sermão, o


seu alicerce. Cada palavra da proposição deve expressar a ideia principal do sermão.
A proposição é o coração do sermão, todos os demais elementos que constituem a
estrutura do sermão giram em torno dela.
Se formulada corretamente ela possibilita ao pregador organizar seu material em torno da
sua ideia dominante. Caso contrário, toda estrutura de pensamento se enfraquece ou
desorganiza.

2. Indica claramente o rumo que o sermão deve tomar – a proposição indica o objetivo da
mensagem, e quando bem elaborada ajuda tanto ao pregador a manter-se dentro do seu
objetivo que deseja alcançar, como aos ouvintes acompanharem com clareza e facilidade o
desenvolvimento até a conclusão da mensagem.

C – O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA PROPOSIÇÃO

Criar a proposição é uma das tarefas mais difíceis para o principiante. Vezes há em que a
grande ideia vem à mente do pregador logo no início do sermão, mas, via de regra, a descoberta da
verdade principal da passagem e o consequente preparo da proposição resultam dos passos dados na
elaboração da mensagem.

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1. Estudo exegético do texto – uma exegese cuidadosa é pré-requisito para uma exposição
correta do texto.

2. Descobrir a ideia principal do texto – Haddon W. Robinson, chama de “Ideia Exegética”.


A Idéia Exegética consiste em duas partes: um Sujeito e um ou mais Complementos, que se
combinam numa sentença geral.

a) O Sujeito – é aquilo sobre o que o pregador vai falar ou pregar


b) O(s) Complemento(s) consiste naquilo que o pregador vai dizer acerca do sujeito.

A tarefa do pregador é descobrir o sujeito e o que o texto diz sobre ele.


A aplicação das palavras interrogativas quem, o que, porque, como, quando e onde, ao
conteúdo da passagem, muitas vezes ajuda a descobrir o sujeito.
Ex.: Gl 3:13 (ver livro – pg. 103)

3. Descobrir a Verdade principal que o texto parece transmitir – a Idéia Exegética, em geral,
difere da Proposição, ou Idéia Homilética:

a) Idéia Exegética – consiste na afirmativa de uma única sentença do que o texto diz.
b) Idéia Homilética ou Proposição – consiste numa verdade espiritual ou princípio eterno,
transmitido pelo texto.

Há casos em que a ideia exegética e a verdade eterna, ou proposição, podem ser a


mesma. Por exemplo, em Gl 6:7. Este texto é, ao mesmo tempo, uma declaração do
conteúdo de Gl 6:7-8, bem como um princípio universal aplicável a todos os homens,
em todos os lugares.

Cit.: Gl 6. 7 Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem
semear, isso também colherá. 8 Quem semeia para a sua carne, da carne colherá
destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.

Contudo, quando a ideia exegética não consiste numa verdade fundamental, podemos
fazer as seguintes perguntas para descobrirmos a ideia homilética: “Que diz o texto em
relação a mim?” ou: “Que verdade vital e eterna a passagem pretende ensinar?”.
Neste ponto entra a nossa dependência do Espírito Santo para saber o que o Senhor quer
ensinar ou falar para a sua Igreja naquela ocasião.
Percebemos que a ideia exegética serve como base para a ideia homilética.

Ex.: Ef 6:10-18
Idéia Exegética: “O crente encontra-se num combate espiritual no qual recebe direção e
provisão para ser um guerreiro bem-sucedido.
Idéia Homilética: “Na guerra espiritual em que se encontra, o cristão pode ter a certeza
de ser um guerreiro bem-sucedido.”

4. Afirmativa da Proposição numa sentença sucinta e direta – ao cristalizar-se a proposição no


pensamento do orador, talvez ele tenha de reformulá-la a fim de expressá-la numa sentença
concisa e vigorosa. O pregador deve certificar-se de que a sua proposição revela com
fidelidade o conceito da passagem bíblica.

24
D – PRINCÍPIOS PARA A PREPARAÇÃO DA PROPOSIÇÃO

1. A Proposição deve expressar numa sentença completa a ideia principal ou essencial do


sermão – aprendemos que a proposição, quando corretamente formulado, promove a
unidade estrutural da mensagem. Não pode haver mais de uma ideia dominante no sermão.

Ex.: Afirmativa com duas ideias: “As escrituras nos ensinam a levar vidas santas e a sermos
servos fiéis de cristo.”
Temos aqui duas proposições ou ideias, o que destrói a unidade estrutural do sermão e
impossibilita um sermão com uma única unidade de pensamento.

Ex.: Afirmativa incompleta: “A segunda vinda de Cristo”


Sozinho, esse tópico nos daria uma ideia incompleta, por não informar o que dizer acerca
do sujeito. Portanto, precisamos acrescentar um predicado (complemento), que sempre
inclui um verbo, a fim de nos expressarmos com precisão acerca do sujeito. Daí,
acrescentamos ao nosso sujeito a Frase “É A ESPERANÇA DOS CRENTES QUE
SOFREM”. Unindo o sujeito ao predicado, temos agora uma ideia completa numa só frase:
“A SEGUNDA VINDA DE CRISTO É A ESPERANÇA DOS CRENTES QUE
SOFREM.”

2. A Proposição deve ser uma sentença declarativa – aqui a sentença do assunto deve ser uma
afirmativa explicativa e positiva. Não é recomendável o uso de sentenças negativas na
proposição. Como por exemplo: “Não honramos o Senhor quando reclamamos de nossas
circunstâncias da vida”. O correto seria: Honramos o Senhor quando aceitamos nossas
circunstâncias da vida.

3. A Proposição deve ser uma verdade eterna, em geral formulada no tempo presente – a
proposição é um princípio ou verdade universal; é um padrão para a vida ou conduta. Daí, a
necessidade imperativa de ser biblicamente sadia. Em geral, deve ser formulada com o
verbo no presente.
Lembre-se a proposição deve ser uma sentença completa (com sujeito e predicado). Evite
sentenças fragmentadas. Ex.: “A necessidade do povo de Deus em tempos de tribulação”.
Isto não é uma sentença completa que contém uma verdade universal. Se o pregador tentar
usá-la como proposição seu sermão ficaria ambíguo e vazio. Porém se o pregador dissesse:
“O povo de Deus sempre pode ir a ele em tempos de tribulação”, teria uma afirmativa
válida, ou uma verdade universal para todas as épocas.
Também não se deve usar uma “ordem” na proposição. Ex.: “Seja diligente em sua obra”
Também devemos evitar referências geográficas ou históricas e nomes próprios (a não ser
da Divindade). Ex.: “Assim como o Senhor chamou a Amós de Tecoa, na terra de Judá, a
fim de pregar no reino do Norte, da mesma forma ele chama alguns hoje para irem a outras
terras a fim de servi-lo.” O correto seria: “O Senhor, em sua soberania, chama crentes para
servi-lo onde Ele quiser”.

4. A Proposição deve ser formulada com simplicidade e clareza – não deve haver
ambiguidade ou imprecisão. Nem se usar linguagem rebuscada e difícil. A redação da
proposição deve ser simples e clara, para ser imediatamente inteligível.

5. A Proposição deve ser a afirmação de uma verdade vital – ao apresentar uma mensagem
bíblica o pregador lida com reações humanas básicas, como culpa, frustração, amor, perdão

25
paz, etc. Assim a proposição, que é o âmago do sermão, deve ser expressa em termos que
tenham importância para a vida dos indivíduos.

Ex.: “Os peixes nadam rio acima” ou “Gosto não se discute”. Embora sejam verdades
universais, não têm significado especial, não influem nos assuntos mais importantes da
vida.

Ex.: “Os crentes podem ser gloriosamente triunfantes em Cristo”. Esta verdade é universal
e de significado importante para os ouvintes.

6. A Proposição deve ser específica – mesmo expressando a verdade eterna e universal do


sermão, a proposição deve limitar-se a um conceito específico. Se ela for apresentada em
termos demasiados gerais, faltar-lhe-á vigor e assim não desafiará o interesse dos ouvintes.

Ex.: “Há grande valor na oração”. “Devemos estudar a Palavra de Deus.”(muito gerais e
sem vigor)
Ex.: “O crente que ora exerce poderosa influência”.
“O estudo da Palavra de Deus produz grandes benefícios para a vida.” (específicas e
com vigor)

7. A Proposição deve ser apresentada tão concisamente quanto possível, sem perder a clareza
– a proposição eficaz é resumida e clara. Por isto o pregador deve evitar afirmativas longas
e vagas. Uma boa regara é limitar a oração a dezessete palavras ou menos.
É importante lembra que a proposição não é uma afirmativa formal das divisões principais.
O objetivo da proposição não é revelar o plano do sermão (isto tira o “poder da surpresa”),
mas apresentar, em termos simples, a ideia principal em forma de verdade eterna. Cada
divisão do sermão deve originar-se da proposição e desenvolver um aspecto pertinente a
ela.

E – OBSERVAÇÕES GERAIS SOBRE A PROPOSIÇÃO

Como Relacionar a Proposição às Divisões Principais? Para isto utilizamos três elementos, que
juntos compõe o que denominamos de Sentença de Transição:

1. Oração Interrogativa - em geral, a proposição vem ligada ao sermão por uma pergunta,
seguida de uma oração de transição. Usa-se qualquer um dos cinco advérbios interrogativos
para ligar a proposição aos pontos principais do sermão. Estes advérbios são: por que,
como, o que, quando e onde.

2. Oração de Transição - A oração interrogativa leva à de transição, que por sua vez une a
proposição aos pontos principais e fornece uma mudança suave da proposição para as
divisões principais e para conclusão.

3. Palavra Chave - A sentença de transição deve sempre conter uma palavra-chave, que
classifica ou delineia o caráter das divisões principais do sermão. A palavra-chave é um útil
instrumento homilético que possibilita caracterizar ou classificar, na sentença de transição
as divisões principais do sermão. O esboço, é claro, deve possuir unidade estrutural. Sem
essa unidade, não pode haver uma palavra-chave que ligue a oração de transição a cada
divisão principal, e as divisões principais entre si. Portanto, um bom teste da unidade

26
estrutural do esboço é ver se podemos aplicar a mesma palavra a cada uma das divisões
principais. (Ver lista de palavras chaves na pg. 113 do livro).

Ex.: (do livro pg. 112 – “Um Ministério Exemplar”)

Obs.: às vezes não se faz necessário haver uma oração interrogativa e mais uma oração de
transição. Note que neste exemplo podemos tirar a oração de transição e o elo seria feito. O
sermão não ficaria incompleto.

Ex.: (do livro pg. 112 – “A Mente de Cristo”)

4. Formas alternativas de Proposição – para evitar a monotonia, pode-se usar em lugar de uma
verdade eterna uma forma interrogativa, exortativa ou exclamativa de proposição.

Exs.: Interrogativa: Pg. 114 – Título: “A vida de dependência” – Prop.: Porque a vida
cristã é uma vida de constante dependência?”
Obs.: notemos que a oração interrogativa toma o lugar da proposição.

Exortativa: Pg. 114 – “O Estudante Mais Sábio conhece a Deus mais de perto”.

Exclamativa: Pg. 115 – “Deus é Supremamente Bendito”

5. O lugar da Proposição no Esboço – a proposição deve, em geral, vir no final da introdução


ou elucidação. A introdução ou elucidação leva à proposição que, juntamente com suas
orações interrogativas e de transição, conduz ao corpo principal ou argumentação do
sermão.
Elaborando o sermão desta forma, ou seja, com a proposição ou tese antes dos pontos que a
provam, estamos usando o método dedutivo, que é o mais usado nos textos de homilética.
Há pregadores que usam o método indutivo, ou seja, omite a proposição no início do
sermão, apresentando-a no final da pregação. (Ex.: pg. 117 – “Cometendo Suicídio
Nacional”).

Unidade VI – A Estrutura do Sermão III


Argumentação e Conclusão do Sermão

É justamente na argumentação que está a área do maior trabalho na elaboração do sermão. Isto
porque, é aqui a oportunidade que o pregador tem para provar o tema (a proposição) escolhido para o
seu sermão, e o faz desenvolvendo as divisões principais através de uma discussão equilibrada do
assunto, usando quando possível boas citações, ilustrações, e aplicações, o que certamente acarretará,
dependendo do seu sério trabalho e da orientação do Espírito Santo, numa significativa argumentação
do sermão e edificação espiritual dos ouvintes.

A – AS DIVISÕES DO SERMÃO

1. Definição – são as seções principais da argumentação do sermão. Elas formam as linhas


principais de argumentação da proposição discutida no sermão.

2. O valor das divisões para o pregador

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a) Promove a clareza de ideias:
 O sermão deve ser edificado sobre ideias definidas.
 A estrutura de pensamento do sermão deve ser distinta e precisa.
 A disposição do material de modo organizado oferece ao pregador condições de
apresentar suas ideias distinta e claramente, tornando a mensagem clara na sua
mente.

b) Promove a unidade de pensamento – a unidade é essencial à construção da mensagem.


É na elaboração das divisões que o pregador descobrirá se a sua mensagem contém
unidade estrutural.

c) Ajudam o pregador a descobrir o tratamento correto de um assunto – enquanto o


ministro organiza o seu material, ele poderá ver o assunto como um todo, seus vários
aspectos e a relação que as partes têm entre si. Alguns aspectos sobressairão como
tendo importância especial e, portanto, merecedores de tratamento ou ênfase especial.
Outros podem ser vistos como destituídos de importância e, assim, eliminados do
sermão.
Aqui o pregador também é beneficiado com o fato de poder colocar as várias partes do
sermão na ordem em que devem ser apresentadas, promovendo a progressão de
pensamento.

d) Ajudam o pregador a lembrar-se dos pontos principais – se o pregador esboçou a sua


mensagem com clareza, conseguirá lembras das divisões. Cuidado! Evite fitar os olhos
mais tempo nas anotações do que na congregação.

3. O valor das divisões para a congregação

a) Esclarecem os pontos do sermão – uma mensagem bem organizada facilitará para o


ouvinte acompanhá-la. O ouvinte consegue identificar a relação das partes entre si. É
possível para a congregação discernir a progressão da mensagem.

b) Ajudam a recordar os aspectos principais do sermão – as divisões principais funcionam


com “cabide” na mente do ouvinte, assim é possível recordar os pontos principais da
mensagem.

4. Princípios para a preparação das divisões principais:

a) Elas devem originar-se da proposição – as divisões principais são o desenvolver da


proposição. Portanto, cada uma delas deverá ter origem na proposição e contribuir para
o desenvolvimento da mesma.

b) Devem ser totalmente distintas umas das outras – embora se originem da proposição, as
divisões não devem sobrepor-se. Quando o pregador comete o erro de sobrepor às
divisões principais ele estará se repetindo. (Ver ex. Pg. 124 – “O ideal do Cristão).

c) Devem ser dispostas em forma de progressão – a ordem das divisões dependerá de


vários fatores, contudo a progressão deve estar presente. Pode dispor obedecendo o
seguinte: espaço (sequência natural apresentada no texto), situação geográfica, padrão
lógico, importância, da causa para o efeito, do efeito para a causa, comparação, etc.

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Quando usar itens negativos e positivos, os negativos devem ser colocados antes dos
positivos.

d) Devem esgotar ou defender apropriadamente a proposição (tese proposta) – no sermão


em que a proposição requer provas, o esperar por razões convincentes em defesa do
mesmo, é um direito do ouvinte. Se o pregador apresenta evidências insuficientes, o
efeito do sermão certamente será insatisfatório. Ex.: Pg. 127, Pr. 1 e 2

e) Cada divisão principal deve conter apenas uma ideia básica – é possível tratar cada
divisão principal como uma unidade em si mesma, desde que nos preocupemos em
limitar uma ideia básica a cada uma delas.

f) Devem expressar uma ideia completa – cada divisão deverá ser trabalhada de tal modo
que seu significado seja clara e imediatamente compreendido pelo ouvinte. Cada uma
delas precisa relacionar-se com a sentença de transição de modo a expressar uma idéia
completa. ( Ver Ex. pg. 128 – Josué 1:1-9).

g) O número de divisões principais deve ser o menor possível. Cuidado! Não introduza
divisões desnecessárias ao sermão, procure limitá-las ao menor número possível, sem
perder a inteireza da proposição. Em geral, três divisões principais bastam para
desenvolver a proposição. Porém, dependendo do assunto, é possível usar duas, quatro,
e, até mesmo cinco, mas não mais que isso.

h) O plano do sermão deve variar de semana a semana – procuraremos variar o número de


divisões principais dos nossos sermões. É necessário variar o modo de introduzir as
divisões principais:

 Evite usar os temos “primeiro ponto”, “segundo ponto”, etc. e também “coisas”.
 Não anuncie o número de divisões principais antecipadamente.
 As expressões numéricas podem ser usadas, mas não abusemos delas.
 Procure usar as expressões como: para começar, além do mais, continuando,
finalmente, e outras que você aprenderá a desenvolver.
 A referência da proposição (ou pelo menos a S.T. com a “palavra chave”) antes de
cada divisão principal é muito importante.
 A recapitulação das divisões principais anteriores, antes de introduzir a seguinte,
pode tornar as divisões distintas na mente das pessoas.

i) Elas devem possuir uma estrutura paralela – estrutura paralela é a disposição de um


esboço em forma simétrica, de modo que as divisões se equilibrem e se combinem.
Neste caso as divisões principais seguem um padrão uniforme. Por exemplo, se a
primeira divisão é apresentada em forma de uma afirmação, as demais divisões também
devem consistir em afirmações. Se, porém o primeiro ponto for uma pergunta, os outros
também devem ser perguntas. A mesma uniformidade deve ocorrer com as palavras que
ocupem posição de destaque. Por exemplo, se a primeira divisão começa com certa
categoria gramatical (verbo por exemplo), as demais, em regra geral, também devem
começar com a mesma categoria (verbo).

5. A Transição das divisões principais – para que o ouvinte tenha melhores condições de
acompanhar a sequência de pensamento do pregador, se faz necessário que a transição
(passagem) de uma divisão principal para outra seja cuidadosamente construída. A

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transição deve ser feita de modo a permitir a passagem suave e fácil de idéias de uma para
outra parte do sermão.
Uma transição eficaz pode: relacionar a divisão com a proposição ou com a sentença de
transição; revisar uma ou mais divisões principais; despertar interesse na próxima unidade
de pensamento; ou, referir-se à divisão principal anterior e indicar a mudança da unidade
anterior de pensamento para a próxima.
A transição deve também unir a última divisão principal à conclusão. Um dos meios mais
úteis de fazer transições é a palavra-chave contida na sentença de transição (a palavra-chave
deve ser aplicável a cada ponto).(Ver Ex. pg. 133)
A transição pode também ser feita repetindo-se a proposição e/ou a S.T. antes de cada
divisão principal. Esta repetição pode ser literal (se as mesmas forem breves) ou resumida.
Isto é muito bom, pois contribui para que a proposição fique gravada na mente e no coração
dos ouvintes.

6. Princípios para a Preparação das Subdivisões – a construção das subdivisões segue de perto
os mesmos princípios das divisões principais, há porém algumas diferenças na aplicação
desses princípios.

a) As subdivisões derivam de suas respectivas divisões principais e são um


desenvolvimento lógico destas. Em certo sentido a divisão principal é um tema, e cada
subdivisão uma divisão dele. (Ver Ex. pg. 134 – Sl 23 e pg. 136 – “O lugar... Calvário”)

b) As subdivisões devem possuir estrutura paralela – como no caso das divisões principais,
as subdivisões devem ser simétricas e equilibradas.

c) O número de subdivisões deve ser limitado – não devemos usar mais de três ou quatro
subdivisões para cada divisão principal.

d) À semelhança das divisões principais, as subdivisões não precisam seguir a mesma


ordem do texto. Na preparação das divisões principais e das subdivisões do sermão
expositivo, é melhor acompanhar a ordem do texto. Entretanto, por causa da progressão
lógica haverá ocasiões em que é preferível usar uma ordem diferente daquela da
passagem bíblica.

B – A DISCUSSÃO DO SERMÃO

1. Definição – é o desdobramento do sermão através da disposição das idéias contidas nas


divisões.

2. Qualidades da Discussão

a) Unidade – cada divisão principal é uma unidade em si mesmo. Não permita discussão
nem introdução de assuntos alheios ao tema principal.

b) Proporção – procure equilibrar o conteúdo das divisões principais com o material de


estudo. Evite gastar demasiado tempo em uma só divisão principal. Porém, quando uma
divisão é de uma importância especial no sermão ela pode ser ampliada. P.S.:
Geralmente há uma divisão no sermão que leva mais ênfase.

30
c) Progressão – as ideias do sermão devem indicar um movimento definido de
pensamento, isto porque estas ideias deverão obedecer a uma progressão ordenada. O
relacionamento progressivo das divisões principais ajudará a causar maior impacto na
mente do ouvinte.

d) Brevidade – procure falar o necessário no tempo adequado. Evite trivialidades,


repetições ou explicações desnecessárias, bem como o uso de ilustrações supérfluas.
Lembre-se! O povo que está ouvindo também cansa. Não seja um “Contador de
Histórias”, mas um pregador da Palavra.

e) Clareza – o propósito da discussão é revelar mais claramente as idéias do sermão. As


divisões são esclarecidas na argumentação, portanto, procure usar as palavras de modo
compreensível. Evite linguagem demasiadamente elevada. No uso de termos teológicos
ou filosóficos, explique-os aos ouvintes.
f) Vitalidade – mesmo com boa estrutura, ortodoxia e base bíblica, é possível que o
sermão seja falho no seu propósito de desafiar os ouvintes. Portanto, devemos
relacionar a nossa mensagem com os fatos e situações que sejam pertinentes ao
momento da vida. Devemos aplicar porções proféticas, didáticas e exortativas aos
problemas ou situações atuais da nação, da igreja local, e de cada ouvinte.
g) Variedade – evite usar citações do mesmo escritor famoso. Ilustrações da vida dos seus
filhos. Tenha o seu material de fontes variadas, mas certifique-se que o mesmo é de
interesse humano. Não se torne um contador de histórias tristes, nem um humorista
(piadas). P.S.: contudo há um lugar para o “humor santo” no púlpito, que promova um
momento de descontração e empatia.

3. As Fontes de Material para a Discussão

a) Bíblia – é da Palavra de Deus que extraímos nosso material principal para a elaboração
e para a discussão do sermão. É fundamental descobrir o que o texto realmente diz.
Perguntas como: “quem, o que, onde, quando, porque, como”, ajudarão o pregador a
descobrir o que a passagem contém, para a seguir, anotar suas descobertas mais
importantes. (ver Ex. pg. 149)

b) Outras formas de literatura:

 Literatura religiosa – comentários críticos, expositivos, devocionais, manuais,


biografias, dicionários bíblicos, geografia, arqueologia e costumes dos povos
bíblicos, etc.
 Literatura em geral – qualquer área do campo do conhecimento humano (ciência e
médica).
 Informativos – jornais, diários e revistas.

c) Experiência do pregador – este é também um meio importante que o pregador pode usar
para expandir suas divisões no sermão. Não abuse das referências às suas experiências
pessoais, e tenha cuidado para não chamar a atenção para si mesmo. Tenha cuidado ao
relatar nomes e referências de outras pessoas, para não expô-las de forma a desfazer sua
imagem.

d) Observação do mundo que nos cerca – use os apontamentos do quotidiano para


melhorar a sua discussão, relacionando-os com as verdades espirituais das Escrituras.

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e) A imaginação do pregador – já dissemos antes que uma das características necessárias
ao pregador é a criatividade. Criar imagens mentais ajudam bastante o pregador na
eficácia da discussão do sermão. Conselhos necessários:

 Cuide para que sua imaginação não o leve a extremos


 Evite criar quadros mentais improváveis ou irreais.
 No uso da imaginação cultive a moderação e o bom gosto.
 Cuide para que sua imaginação não diga aquilo que a Bíblia não diz.

4. O Método de Registrar os Processos Retóricos nas Notas do Sermão

Ao preparar as notas para o sermão, o pregador deve fazê-lo de forma a ver, de relance, o
que vai dizer. Cada afirmativa da expansão da mensagem deve ser tão concisa quanto o
permitir a legibilidade. Sempre que possível, em vez de sentenças completas o ministro
deve usar frases curtas. As palavras mais longas também podem ser abreviadas.
Por amor à clareza e para que as notas de cada seção do esboço sejam lidas de relance,
deve-se formular cada ideia numa linha separada, e o material de cada divisão principal ou
subdivisão deve vir em forma de parágrafo. (ver Ex. pg. 136 – Lc 19:1-10 – “Conquistado
Pelo Amor”).
Exercício: Escolher um texto e fazer um esboço de um sermão com os alunos.

5. O Uso das Citações na Discussão – Pv 25:11 nos diz: “Como maçãs de ouro em salvas de
prata, assim é a palavra dita a seu tempo”. Isto é uma verdade significativa, também para o
pregador. Precisamos buscar ou cultivar a habilidade de colocar as palavras certas na hora
certa.
Aqui, ressaltamos o valor das citações de um sermão. As quais, se bem empregadas,
poderão causar e acrescentar maior interesse à mensagem apresentada. O pregador deve
guardar-se para não empregar citações em demasia.

a) Textos Bíblicos – a citação oportuna de uma expressão bíblica dá muito mais autoridade
ao conteúdo do sermão. Certifique-se de que os textos citados são apropriados e
pertinentes.

b) Ditos Breves – o uso de provérbios populares, bem como provérbio de outros povos,
também oferece vantagens à mensagem quando bem utilizados. É igualmente vantagem
usar citações de verdades espirituais, apresentadas em poucas palavras. Devemos
colecionar e organizar muitos ditos breves de modo que estejam ao nosso alcance
quando necessário.

c) Afirmativas Confiáveis – o uso de afirmativas é significativo, mas você deve verificar


se a fonte da mesma é confiável. As afirmativas não precisam ser necessariamente
teológicas, mas devem ser pertinentes à mensagem. É bom o pregador mencionar o
autor da citação.

d) Poesia – a citação de poesia também tem o seu lugar apropriado no sermão. É útil a
citação de hinos tradicionais ou cânticos evangélicos. Ao usar a poesia secular, esteja
atento que seja corretamente citada. Cuidado para não citar poesias longas demais e não
exagerar na quantidade de poesias.

32
C – AS ILUSTRAÇÕES DO SERMÃO

1. Definição – tem-se dito com frequência que a ilustração é para o sermão o que a janela é
para a casa. Assim como a janela permite a entrada da luz, a boa ilustração possibilita o
esclarecimento da mensagem.
O próprio significado da palavra “ilustrar” é: tornar claro mediante um exemplo ou
exemplos. Portanto, ilustração é o meio pelo qual se lança luz sobre um sermão através de
um exemplo.

2. O Valor das Ilustrações – é preciso esclarecer o fato de que o componente mais importante
do sermão não é a ilustração, mas a explanação do texto. A parte mais importante da
mensagem é a interpretação, que deve levar o peso do sermão. Vejamos alguns valores das
boas ilustrações:

a) Dão clareza ao sermão – a verdade bíblica é, às vezes, tão profunda, que o pregador, por
mais que se esforce em explicá-la, seu povo não conseguirá compreendê-la até que a
coloque em forma de retrato falado (ou seja, ilustração).

b) Tornam o sermão interessante – a falha de muitos sermões não está no seu conteúdo
doutrinário, mas no peso ou monotonia com que a verdade é apresentada. A mensagem
pode ser árida e sem interesse ao ponto de o ouvinte ter dificuldade em prestar-lhe a
devida atenção. As boas ilustrações relaxam a mente, despertam a atenção, dão vida à
mensagem e preparam o ouvinte para o que se há de seguir. Ex.: pg. 173.

c) Dão viveza à verdade – a única parte da mensagem que algumas pessoas guardam na
lembrança é a ilustração, pois esta impressiona a mente pela força dos quadros que
retrata, nos quais coisas complexas ficam claras, e fatos monótonos e abstratos são
transformados em verdades vivas, fazendo as pessoas verem mediante a imagem verbal,
o que doutra forma não compreenderiam com clareza.

d) Dão ênfase à verdade – em várias ocasiões o pregador precisa demonstrar a importância


de uma verdade. Ele pode fazê-lo enfatizando seu significado, expressando-a em termos
vigorosos ou repetindo-a de outro modo. Uma boa ilustração é outro meio de ressaltar
uma verdade. Ao mostra um exemplo específico, a ilustração esclarece a lição que o
pregador procura ensinar. Com efeito, quanto mais a propósito for o quadro verbal,
tanto maior será a ênfase.

3. Princípios a Observar no Uso das Ilustrações:

a) Usar ilustrações apropriadas – segundo a etimologia da palavra, a ilustração deve


elucidar ou esclarecer. Se ela não levar a uma melhor compreensão do ponto que está
sendo apresentado, ou se a própria ilustração não for clara, seria melhor omiti-la.

b) Usar ilustração claras – como já aprendemos, o significado básico da palavra “ilustrar”


é tornar claro ou óbvio. Uma história ou incidente contado durante o sermão com o
objetivo de aumentar o entendimento de alguma verdade, perde o seu propósito se não
explanar nem esclarecer.

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c) Usar ilustrações críveis – ilustrações exageradas só trarão descrédito ao ministério e
levarão o povo a acreditar que o pregador tem tendências ao exagero e é crédulo o
suficiente para acreditar no que não é digno de fé.

d) Usar ilustrações exatas – a ilustração que vale a pena ser apresentada, vale a pena ser
bem apresentada. Em regra geral, não deve ser lida. Como o sermão, a ilustração lida
perde sua força. Portanto, ao usar uma ilustração, o pregador deve conhecer muito bem
os detalhes, ao ponto de relatá-los de memória com exatidão. Se ele se esquecer de um
detalhe ou omitir uma ou duas partes essenciais, pode arruinar a ilustração.

e) Em regra geral, usar ilustrações breves – a ilustração não deve ter tanta proeminência
quer roube o poder da mensagem. Afinal de contas, a finalidade principal da ilustração é
esclarecer. Portanto, em regara geral, elas não devem ser longas. Com efeito, alguns
quadros mentais são mais eficazes quando apresentados concisamente. Mas se for
necessário usar uma ilustração longa em certa parte do sermão, seria aconselhável
relegar ao mínimo outras ilustrações na mesma mensagem.

f) Usar discriminação na seleção de ilustrações – não se deve usar ilustrações


indiscriminadamente. O bizarro e grotesco não tem lugar na pregação. Se o pregador o
usar, expor-se-á à acusação de frivolidade, vulgaridade ou irreverência – faltas que
jamais devem ser atiradas à porta do ministro do evangelho.
Devemos ter cuidado não só quanto ao caráter das ilustrações, mas também quanto ao
seu número em qualquer mensagem. O ministro que usa ilustrações demais pode ser
chamado “de contador de histórias.” Mas, se o objetivo principal do pregador for pregar
a Palavra, ele introduzirá ilustrações somente para tornar o texto mais inteligível e
proporcionar uma melhor compreensão da verdade.
Quanto à proporção das ilustrações empregadas no corpo do sermão, em geral uma
ilustração em cada divisão principal é suficiente.

D – A APLICAÇÃO DO SERMÃO

1. Definição – a aplicação é um dos elementos mais importantes do sermão. Mediante esse


processo, apresentamos ao ouvinte as reivindicações da Palavra de Deus, a fim de obter sua
reação favorável à mensagem. Quando adequadamente empregada, a aplicação mostra a
pertinência dos ensinos da Bíblia à vida diária da pessoa, tornando aplicáveis a ela as
mensagens da revelação cristã.
É muito melhor o ministro aplicar as verdades da mensagem a si mesmo e também ao povo.
Ele deve deixar claro que também pode precisar de admoestação, reprovação ou exortação e
isso fará que os ouvintes vejam o ministro ao nível deles, também possuindo necessidades
espirituais, fraquezas humanas e paixões semelhantes às do povo.
Portanto, definimos a aplicação como o processo retórico mediante o qual se aplica direta e
pessoalmente a verdade ao indivíduo, a fim de persuadi-lo a reagir de modo favorável. Esta
definição abarca tanto o pregador como os ouvintes.

2. A Hora de Fazer-se a Aplicação – deve ser determinada pelo conteúdo da mensagem. Em


regra geral, faz-se a aplicação depois da apresentação de cada verdade espiritual. Isso
significa entrelaçar o apelo com todo o sermão, e aplicar as verdades durante o
desenvolvimento da discussão.

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Ocasiões há, porém, em que é bom fazer a aplicação no final de cada subdivisão ou no fim
de cada divisão principal. Por outro lado, há momentos em que a aplicação pode vir antes
dos outros processos retóricos, a saber: antes da argumentação, da citação e da ilustração,
mas raramente deve preceder a explanação.
Em alguns casos é melhor omitir o apelo do corpo do sermão e deixar o impacto pessoal
para o fim da apresentação. Isso é especialmente válido com referência ao argumento
lógico, onde cada parte está incompleta até sua total apresentação. Inserir algum tipo de
aplicação muito cedo prejudicará a discussão e enfraquecerá o clímax do argumento. Os
sermões evangelísticos, em geral, pertencem a essa categoria.
Outro fator o qual devemos estar atentos é o tempo dedicado à aplicação. O pregador não
deve dedicar tempo demasiado a aplicação, pois ele deve lembrar que sua responsabilidade
maior é interpretar a Palavra de Deus de modo tão claro que todos a compreendam. Por isto
o pregador deve alcançar um equilíbrio, e um tempo adequado para a aplicação. Contudo,
sempre que for necessária a aplicação prática ele não deve deixar de fazê-la.

3. Princípios para a Aplicação da Verdade

a) Relacione o sermão aos problemas e necessidades humanas – na comunicação da


Palavra de Deus, é necessário não somente ter sensibilidade para com os problemas e
necessidades fundamentais das pessoas, mas também saber relacionar o sermão às
perplexidades e tentações que as assaltam diariamente. Devemos descobrir como o texto
se aplica às condições do povo a que nos dirigimos.

b) Use a imaginação de modo a dar vida às cenas e personagens bíblicos – a imaginação


pode desempenhar papel importantíssimo no sermão. Isso se verifica particularmente na
aplicação da verdade. Mas devemos sempre ter o cuidado de usá-la judiciosamente, de
modo a não apresentar imagens mentais exageradas, inadequadas ou de mau gosto. (ver
ex. pg. 193)

c) Empregue ilustrações que mostrem como a verdade pode ser aplicada à vida do povo
nas lides diárias – o ministro prega a homens e mulheres, rapazes e moças que
enfrentam as realidades da vida dia a dia. Encaram pressões, frustrações, tentações,
problemas e dores de coração, e precisam ver como a Bíblia exerce influência prática
sobre seus afazeres mediante ilustrações tiradas não só do texto bíblico, mas também
das situações da vida.

d) Tire do texto princípios universais aplicáveis em todas as épocas – durante a exegese,


verdades admiráveis que saltam do trecho bíblico em estudo parecem atacar o pregador.
Sempre que essas verdades surgirem, o exegeta deve escrevê-las. Embora não as use
todas no sermão em preparo, podem ser úteis numa ocasião posterior. (ver ex. pg. 196)

e) Certifique-se de que cada aplicação esteja de acordo com a verdade bíblica – a


aplicação correta da Bíblia depende da interpretação exata do texto. é por isso que
devemos fazer todo o possível para compreender corretamente o trecho bíblico. Embora
a exegese seja uma tarefa lenta e difícil, é de suma importância termos certeza do
verdadeiro significado do texto, a fim de apresentá-lo. Enquanto não descobrirmos o
significado correto da passagem não poderemos ter certeza se a aplicação que estamos
fazendo segue a verdade do texto à nossa frente. (Ex.: Fl 4:13 – “posso todas as
coisas...)

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f) Em geral, a aplicação deve ser específica ou definida – muitas vezes os apelos são feitos
em termos tão gerais, ou de maneira tão vaga ou indireta, que não conseguem transmitir
à congregação a importância que têm. Isso, em geral, se deve à falta de objetividade do
próprio sermão, ou, talvez, a um medo doentio que o pregador tem de ser acusado de
fanatismo, radicalismo ou estreiteza mental.

g) Desperte os ouvintes com a motivação correta – se o pregador aplicou o sermão aos


problemas e necessidades dos ouvintes, de modo a perceberem como a verdade se
relaciona diretamente com eles, é, então, natural que o pregador lhes aponte uma
solução. Para tanto, contudo, ele terá de providenciar uma motivação ou incentivo
adequados. O pregador pode levar os membros da congregação a agirem, apelando para
os instintos mais nobres e também admoestando-os dos resultados da negligência ou
inação. Pode ainda motivá-los citando algum exemplo da verdade ou ação que procura
ensinar-lhes.

h) Relacione a verdade à época atual – se desejamos que alguém, em meio a grandes


cataclismos sociais, descubra significação na Palavra de Deus, devemos mostra-lhe não
apenas o significado da Bíblia, mas também como suas verdades lhe são diretamente
aplicáveis em face de todas as confusões do mundo hodierno. A pregação que aplica a
verdade à época e às condições presentes, chama-se pregação interpretativa. É a
apresentação de fatos bíblicos que lançam luz sobre assuntos do mundo atual e o efeito
desses acontecimentos sobre os membros da igreja.

E – A CONCLUSÃO DO SERMÃO

1. Definição – é o clímax do sermão, onde o objetivo constante do pregador atinge seu alvo
em forma de uma impressão vigorosa.

2. Considerações Gerais – é a parte final, na qual tudo aquilo que foi dito anteriormente se
concentra com força, a fim de causar impacto nos ouvintes.
Este não é o lugar para se introduzir novas ideias ou argumentos.
A conclusão é parte integral da mensagem.

3. Propósito da Conclusão – através da conclusão tudo aquilo que já foi dito será ressaltado,
reafirmado, estabelecido ou terminado, isto com o propósito de colocar na mente dos
ouvintes o objetivo principal da mensagem.
A conclusão tem sido considerada como o elemento mais poderoso de todo o sermão, tendo
o poder de enfraquecer ou fortalecer as partes anteriores da mensagem quando mal ou bem
executadas respectivamente.

4. Principais formas de conclusão

a) Recapitulação – quando usar: Mensagem cujos argumentos consistem numa série de


ideias que exigem dos ouvintes muita atenção ao pensamento do pregador.
Lembrar os aspectos básicos da mensagem, preparando o povo para a sua lição final.
Não é uma mera repetição das divisões principais do sermão.
Ao apresentar este resumo procure não apresentar as mesmas palavras das divisões
principais, e sim expressões que resumam aquelas palavras.

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b) Ilustração – é possível levar uma mensagem ao seu clímax por meio de uma ilustração,
especialmente quando esta ilustração é uma síntese da verdade principal da mensagem
apresentada.
Neste caso não há necessidade de apresentar mais nada à mensagem.

c) Aplicação ou Apelo – é a pergunta que surge: O que essa verdade tem que ver comigo?
Aqui o pregador deverá concluir o sermão com um chamado a uma resposta do ouvinte
às verdades da mensagem.
Às vezes a simples repetição da proposição consiste numa aplicação eficaz.

d) Motivação – o pregador deve oferecer ao ouvinte um incentivo para que o mesmo


responda pessoalmente ao desafio apresentado na mensagem.
Neste momento as palavras do pregador devem ser tão diretas e vigorosas quanto
possível, porém devem ser apresentados alvos e não palavras em forma de denúncias
movejantes.
Cuidado! Evite terminar o sermão com apelos emocionais patéticos.

5. Princípios Importantes no preparo da Conclusão

a) A conclusão deve ser breve – mesmo sendo considerada uma parte vital do sermão, a
conclusão não precisa ser longa.
Não nos é possível precisar a quantidade do tempo para a conclusão do sermão, mas
devemos aprender a sermos concisos em nossa conclusão, respeitando a expectativa dos
nossos ouvintes. Há pessoas que têm dificuldade de concluir.
Cuidado! Nunca diga: “para concluir”, e comece tudo de novo. Isto cansa ou ouvintes.

b) A conclusão deve ser simples – devemos evitar uma linguagem demasiadamente


elaborada e uma conclusão muito ornamentada.
O efeito das palavra simples, claras e positivas será muito mais vigoroso na vida dos
ouvintes.

c) Escolher com cuidado as últimas palavras da conclusão – o propósito destas últimas


palavras é imprimir na congregação o assunto discutido, realçando a sua importância e
urgência.
Aspectos que podem ajudar nas palavras finais:
 Uma reprodução forte e vívida do pensamento principal do sermão.
 A citação do próprio texto.
 Citação de outra passagem bíblica apropriada ao sermão.
 Citação de um poema apropriado ou uma estrofe de um hino.
 Um apelo ou desafio imperioso.

d) Deve ser expressa no esboço com poucas palavras – procure memorizar o conteúdo da
conclusão para evitar a leitura da mesma, o que poderá acarretar em perda de
comunicação com o ouvinte.

Pr. Wostenes Luiz Lúcio dos Santos


ACEV CG.

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