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NORMATIVO ENGENHARIA E TREINAMENTOS

Elaborado em DEZEMBRO/2019

Elaboração e Responsabilidade Técnica do Conteúdo


Específico:

Eng. Marcelo Oliveira

Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho;

Esp. Gerenciamento de Projetos - FGV;

CREA 4439-3

Criação Gráfica:

Curso Projeto Elétrico

2
À minha amada esposa Patrícia, pela sua dedicação
incansável em ser minha parceira e me apoiar em tudo.

3
Notas:

1. As figuras deste e-book tem caráter ilustrativo.

2. As situações citadas neste e-book têm caráter ilustrativo e


podem ou não ser reais.

3. O conteúdo é de autoria da equipe Curso Projeto Elétrico,


tendo como base as próprias normas regulamentadoras e
normas técnicas da ABNT, bem como fontes diversas,
inclusive textos publicados na internet disponíveis ao
público.

4. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial


deste conteúdo, sendo o mesmo protegido por direitos
autorais da empresa NORMATIVO ENGENHARIA E
TREINAMENTOS.

5. Tabelas e itens serão referenciados à NBR-5410, salvo


indicação.

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO
6

PASSO 1 - DEFINIR A QUEDA DE TENSÃO


9

PASSO 2 - CALCULAR A QUEDA DE TENSÃO


14

PASSO 3 - DEFINIR O MÉTODO DE INSTALAÇÃO


17

PASSO 4 - DEFINIR OS FATORES DE CORREÇÃO


19

PASSO 5 - CALCULAR A CAPACIDADE DE CONDUÇÃO


23

PASSO 6 - COMPARAR OS RESULTADOS


28

CONCLUSÃO
30

CONTEÚDO BÔNUS
32

ISOLAÇÃO DOS CONDUTORES - COMO ESCOLHER?


32

NOTAÇÃO DE CABOS EM PROJETOS


36
5
INTRODUÇÃO

É comum que alguns projetistas, experientes ou não, se


depararem com dúvidas no momento de dimensionar um
condutor elétrico. Afinal, a literatura técnica é muito extensa,
tanto em livros, quanto em normas internacionais e nacionais.

Porém, no Brasil temos uma norma que visa especificamente o


Projeto, Construção e Manutenção de Instalações Elétricas em
Baixa Tensão1 : a NBR 5410 - Instalações Elétricas em Baixa
Tensão.

Neste livro, vamos nos concentrar em comentar as orientações


que esta norma (NBR-5410) nos apresenta.

Porém, mesmo que nos concentremos apenas nesta norma, a


leitura e interpretação da mesma pode se tornar difícil para
alguns. São vários itens que estão muitas vezes
correlacionados. Além disto há várias notas de rodapé, tabelas,
anexos e quando você se dá conta, até já esqueceu do que
estava procurando. Que dirá entender e aplicar na prática o
que a norma diz.

Bem mas fique tranquilo que este é justamente o objetivo deste


livro.

Sem mais delongas, vamos aos conceitos técnicos.

1Os conceitos aqui apresentados também são aplicáveis ao dimensionamento de condutores em Média Tensão.
Neste caso, a Norma que nos orienta é a NBR 14039:Instalações Elétricas em Média Tensão de 1kV a 36,2kV.

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Ao dimensionar um condutor, nosso objetivo é garantir que o
circuito entrega uma tensão elétrica aceitável à carga. Ou seja,
o condutor deve garantir que o nível de tensão elétrica ao final
do circuito seja o suficiente para acionar corretamente o tipo
de carga previsto.

Mas de nada adianta o condutor entregar uma tensão


aceitável, se o mesmo não suportar a corrente elétrica nominal
do circuito em regime permanente, levando em consideração o
“ambiente" ao qual foi instalado (eletroduto ou eletrocalhas em
parede, no piso, enterrado no solo, etc) e também a “vizinhança"
(quantos condutores energizados ao seu redor).

Então, de forma simples, nos 2 parágrafos anteriores


explicamos os 2 principais critérios para dimensionamento dos
condutores elétricos:

1 - Critério da Queda de Tensão;

2- Critério da Capacidade de Condução;

Mas surge uma pergunta..

Qual critério devo considerar? A resposta é simples: o método


que retornar a maior seção. E para verificar isto, você precisará
verificar os dois.

Sempre deve-se levar em consideração os dois critérios.

Porém, com o passar do tempo, quanto mais experiência


prática você desenvolver, vai notar que em alguns casos o

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Critério da Queda de Tensão estará sempre inferior ao Critério
da Capacidade de Condução.

Já em outros casos, o Critério da Queda de Tensão estará


sempre superior ao Critério da Capacidade de Condução.

Por exemplo:

A) Circuitos terminais de tomadas de uso geral residenciais,


determinados com seção mínima de 2,5 mm2 pela NBR 5410
item 6.2.6.1.1, tabela 47, menores que 100m de comprimento
total, normalmente não vão ser influenciados pela Queda de
Tensão. Estes circuitos teriam seção aceitável de 0,5 ou até
menor por este critério. Mas a norma já o define com seção
mínima de 2,5mm. Muitas vezes esse requisito já supera
tanto o critério de queda de tensão quanto o critério da
capacidade de condução.

B) Circuitos alimentadores entre painéis em instalações


industriais de grande porte. É esperado que estes circuitos
tenham longas distâncias, altas correntes e baixa tensão.
Então, já se considera como predominante o critério da
Queda de Tensão pois este certamente será o que exigirá
que a seção nominal do condutor seja maior.

Mesmo assim, se você estiver em dúvida sobre um condutor,


recomendo sempre que confira os dois critérios em conjunto.

Agora vamos entrar nos detalhes envolvidos em cada um dos


critérios e aprender um passo-a-passo para você por em
prática em seus projetos.

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PASSO 1 - DEFINIR A QUEDA DE TENSÃO

Neste 1o passo, nosso objetivo é determinar qual o valor limite


máximo admissível para a situação que estamos projetando.

E porque precisamos pensar na situação ou no contexto?

Porque a NBR-5410 prevê limites diferentes para cada situação.

Diferente do que muitos pensam, não existe um número correto


para todas as situações! Muito pensam 4% ou 3% e querem
aplicar este valor a toda e qualquer situação. Então este é o
primeiro mito que este livro quer desmitificar:

Não existe regra geral para queda de tensão!

De acordo com a NBR 5410, item 6.2.7, temos os seguintes limites


toleráveis para queda de tensão, de acordo com cada situação
ou contexto do condutor.

7% Entre o terminal secundário do trafo até o


circuito terminal (quando a instalação for
alimentada por um trafo exclusivo, seja próprio
ou da concessionária)

5% Entre o ponto de entrega e o circuito terminal


(instalação alimentada por rede secundária BT)

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Observação: Caso um circuito seja considerado "carga
essencial” e alimentado por eventual gerador na instalação, o
mesmo deve considerar 7% entre a saída do gerador e o
circuito terminal.

Uma dúvida frequente que recebo dos meus alunos é sobre


qual corrente usar no cálculo da queda de tensão, se usa o
corrente de projeto ou se usa a corrente “corrigida” por fatores
de correção (agrupamento, temperatura, etc). A resposta é bem
clara no item 6.2.7.4 da NBR-5410. A corrente a ser usada é a de
projeto! Simples assim. Não precisamos complicar nada nesta
hora.

Suponha um caso real de um projeto de uma edificação


c o m e rc i a l c o m 2 2 p a v i m e n to s ( m ú l t i p l a s u n i d a d e s
consumidoras).

Você está neste momento projetando o circuito alimentador da


sala comercial 2001 (obviamente localizada no 20o andar),
distante do Centro de Medição em 150 metros.

Pergunta: Qual valor máximo para queda de tensão você


usaria?

Neste caso a resposta correta seria: DEPENDE !!

E mais, você que deveria agora me retornar uma outra


pergunta.. “A edificação está conectada na rede primaria ou
secundária da concessionária? “

Pois bem, então vamos supor que a edificação é alimentada


por transformador exclusivo da concessionária.
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Ótimo, neste caso então podemos afirmar que a queda de
tensão deste circuito deve ser 7%, correto?

ERRADO!

Atente bem para o que está escrito na norma, aqui entra uma
boa dose de interpretação!

7% é entre os terminais do transformador e qualquer ponto de


uso da instalação, ou seja, o extremo mais extremo, o último
circuito terminal desta instalação.

Neste exemplo estamos tratando de APENAS UMA PARTE desta


instalação por um todo. Um trecho que compreende entre o
Centro de Medição e o Quadro de Distribuição Geral da sala
2001. Veja a figura abaixo para entender melhor.

CM QDG- Circuito
Terminal
2001

O circuito do nosso exemplo está representado pela linha


vermelha. Já os 7% mencionados anteriormente e na norma
cobre a linha azul, ou seja, a instalação por completo.

Precisamos então definir quanto será cada trecho!

Então temos os seguintes trechos:

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Trecho 1: Trafo-CM

Trecho 2: CM-QDG2001

Trecho 3: QDG2001-Circuito Terminal

Então é isso? Eu simplesmente divido esses 7% como eu quiser?


Nasci assim com o rei na barriga? Não!

Agora é o momento de levar em consideração o item 6.2.7.3 da


NBR 5410. Este item afirma que os circuitos terminais precisam
ter no mínimo 4% de Queda de Tensão admissível. Logo, nosso
trecho 3 deve ser 4% ou 5% ou 6%.

7% não dá senão não sobra nada para os outros trechos.

Vamos escolher 4% então. Neste caso nos resta 3% para os


outros 2 trechos.

Suponha que o trecho 1 é bem menor que o trecho 2. Neste caso


então convém distribuir os 3% da seguinte forma: 1% para o
trecho 1 e 2% para o trecho 2 ! Logo, temos:

Trecho 1: Trafo-CM 1%

Trecho 2: CM-QDG2001. 2%

Trecho 3: QDG2001-Circuito Terminal 4%

TOTAL: 7%

Acredito que você agora compreendeu. Não podemos arbitrar


uma queda de tensão para todos os circuitos. Neste nosso

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primeiro passo, precisamos fazer uma análise do projeto como
um todo e realmente definir os trechos e seus respectivos
valores de Queda de Tensão de cada trecho.

Sendo assim, neste momento estamos prontos para o nosso


próximo passo.

Tenha em mente este exemplo pois vamos prosseguir utilizando


este caso para os nossos próximos passos.

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PASSO 2 - CALCULAR A QUEDA DE TENSÃO

Então agora vamos ao cálculo!

Tenha em mãos as grandezas:

- Corrente de Projeto (I) em amperes;

- Comprimento do circuito (L) em km;

- Resistividade do Condutor (usaremos a constante 1/58 do


cobre);

- Queda de Tensão Máxima (!△V);

Sem delongas e sem enrolação! Você precisa saber de 2


fórmulas!

Circuitos Monofásicos:

Circuitos Trifásico:

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Voltemos então ao exemplo do nosso circuito alimentador da
sala comercial 2001.

Vamos considerar os seguintes dados:

L = 150 metros

Carga Total Demandada = 25kVA

Tensão = 380V (trifásica)

Corrente de Projeto (I) = 38 A

Queda de tensão máxima admissível (!△V) = 2% ( 2%x380 =


7,6V)

Agora, basta substituir os valores na fórmula para circuitos


trifásicos para encontrar o valor abaixo:

S = 7,47 mm2

Logo, o condutor de seção nominal para atender a seção


mínima será o condutor de seção 10 mm2.

Ótimo, então acabamos de calcular este condutor pelo critério


de Queda de Tensão!

Estamos prontos para ir ao próximo passo.

Nota: Venhamos e convenhamos, para você ganhar tempo e


praticidade, nada como uma boa planilha em Excel para fazer
estes cálculos por você. O fato é que nós da equipe Curso
Projeto Elétrico já preparamos esta planilha e está à sua
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disposição junto com aulas explicativas, dentro do curso
Segredos da NBR-5410. E o melhor, a um valor que você nunca
viu igual. Se você quiser aprofundar ainda mais estes conceitos
e de quebra receber esta planilha que faz este e outros cálculos
automáticos, basta acessar o link: (_____)

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PASSO 3 - DEFINIR O MÉTODO DE INSTALAÇÃO

Neste passo, devemos tomar a decisão da forma de instalação


deste condutor. Muitas vezes esta é uma decisão que vai pesar
financeiramente ao longo de toda a vida útil da edificação, do
projeto até a manutenção. Vários outros fatores podem e
devem ser levados em consideração neste momento, a título de
escolha e determinação do projetista.

Não abordaremos toda essa discussão a fundo, mas o fato é


que neste passo, devemos ter determinado o tipo de linha
elétrica deste circuito. Se será via leito, eletrocalha lisa ou
perfurada, eletrodutos enterrados ou embutidos na parede,
enfim.. decida o melhor para cada situação do seu projeto!

De acordo com a NBR-5410, na tabela 33 você encontrará 49


tipos de Linhas Elétricas.

Cada tipo de linha elétrica possui um número de Método de


Instalação associado.

Cada Método de Instalação terá o seu respectivo Método de


Referência (9 possibilidades -A1, A2, B1, B2, C, D, E, F, G) para
verificação da capacidade de condução.

Não vamos reproduzir por completo neste livro todas as


tabelas, citadas. Para tirar melhor proveito deste conteúdo,
acompanhe com a sua cópia da NBR-5410 em mãos, pois
iremos fazer referência à esta norma e suas tabelas diversas
vezes.
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Então a sequência aqui é:

1. Definir o tipo de linha elétrica e o método de instalação na


tabela 33 da NBR 54-10;

2. Verificar o método de referência associado na tabela 33 da


NBR-5410;

Em nosso exemplo, os condutores de alimentação serão


acomodados em leitos, desde o CM até o QDG da sala
comercial. Em pequenos trechos os condutores estarão em
eletrodutos, porém, comparado com a distância que os
mesmos vão percorrer via leitos, esses trechos são desprezíveis.
2

Logo, o nosso tipo de linha elétrica é “Cabos unipolares ou cabo


multipolar em leito”, cujo método de instalação é o de número
16. Vamos utilizar condutores unipolares, logo nosso Método de
Referência será o “F”. Veja a figura abaixo, retirada da tabela 33
da NBR-5410:

Figura 01 - Método de instalação número 16 e método de


referência E e F.

2Se você encontrar situações em que os condutores “passam” por diferentes métodos de instalação ao longo de
trechos consideráveis, compare os valores e adote o que indicar a maior seção, ou seja, vá pelo pior caso. (item
6.2.5.8)

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PASSO 4 - DEFINIR OS FATORES DE CORREÇÃO

Neste passo, precisamos determinar algumas condições


ambientes nas quais o condutor estará submetido. Imagine o
que estará ao redor do condutor.

Qual a temperatura do ambiente no qual estará inserido?

Se o condutor estiver no solo, qual a resistividade térmica do


solo? Ou seja, o quanto o solo consegue “filtrar” o calor externo
até o condutor.

Quantos circuitos estarão agrupados no mesmo eletroduto,


leito ou eletrocalha?

As 3 perguntas acima refletem características do ambiente que


influenciarão diretamente na capacidade de condução de
corrente condutor.

Logo, precisamos definir numericamente, o quanto realmente


estas condições irão alterar a capacidade de condução.

Estes são os fatores de correção previstos pela NBR-5410:

1. Fator de Correção para Temperatura Ambiente (FCT)

2. Fator de Correção para Resistividade térmica do solo (FCR)

3. Fator de Correção por Agrupamento (FCA)

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Então vamos à definição dos fatores de correção.

1. Fator de Correção para Temperatura Ambiente (FCT)

O valor a ser considerado de temperatura é o da temperatura


ambiente do meio circundantes quando o condutor
considerado não estiver conduzindo corrente elétrica. (item
6.2.5.1.1)

Precisamos levar em consideração este fator quando estamos


fora da premissa das tabelas 36-39, que é 30 graus Celsius
para a temperatura ambiente.

Na realidade podemos ter temperaturas mais altas ou mais


baixas. Então, defina a temperatura ambiente que estará seu
condutor, tendo em mente também a isolação do condutor que
pretende usar (PVC, EPR ou XLPE).

Daí, basta usar a tabela 40 e definir o FCT.

Em nosso exemplo, nossa edificação fica em uma região do


Brasil onde a temperatura facilmente chega a 35 graus Celsius.
Logo, para condutores de PVC, nosso FTC é 0,94.

2. Resistividade térmica do solo

Use este fator (tabela 41) caso esteja trabalhando com linhas
enterradas no caso específico de estar projetando um condutor
para solos muitos secos. São casos bem específicos. Na grande
maioria dos casos, você não precisará utilizar esse fator.

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3. Fator de Correção por Agrupamento (FCA)

Em breve utilizaremos as tabelas 36-39 para verificarmos a


capacidade de condução dos condutores. Porém, note que nas
colunas destas tabelas temos as indicações de 2 ou 3
condutores carregados.

Ou seja, estas tabelas já estão prevendo o “agrupamento” de


um condutor carregado com outro condutor carregado (2 ou 3).

Mas o que é um “condutor carregado”. Dito de forma simples,


um condutor que pode conduzir corrente: Fase, Neutro ou
Retorno.

Por exemplo, um circuito trifásico possui 3 condutores


carregados. Um circuito bifásico com neutro possui 3
condutores carregados.

Mas e no casos em que temos mais de um circuito? Dois


circuitos trifásicos já seriam 6 condutores carregados certo?

Então é neste momento que entre em questão o fator de


agrupamento. E é bem simples de aplicar. Você precisa apenas
ter em mente:

1. Quantidade de circuitos;

2. Tipo de Linha Elétrica;

3. Quantidade de camadas;

Usaremos a Tabela 42 para circuitos agrupados em camada


única.
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Usaremos a Tabela 43 para circuitos agrupados em múltiplas
camadas.

Usaremos a Tabela 44 para circuitos com condutores


diretamente enterrados.

E por fim, usaremos a Tabela 45 para circuitos em eletrodutos


enterrados.

Voltando ao nosso exemplo, vamos definir mais premissas para


o nosso circuito alimentador da sala comercial 2001.

Neste projeto, a edificação possui 20 pavimentos. Em cada


pavimento temos 8 salas comerciais. Então, com o objetivo de
não “super lotar” um único leito, dividimos as unidades
consumidoras em 4 leitos que irão subir para as unidades
consumidoras. Logo, no leito que irá acomodar o nosso circuito
em estudo, teremos 40 circuitos, divididos em 4 camadas de 10
circuitos.

Logo, consultando a tabela 43, temos o FCA de 0,49 (veja tabela


abaixo).

Definimos então os fatores de correção (FCT= 0,94 e FCA=0,49).


Estamos prontos para o próximo passo.

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PASSO 5 - CALCULAR A CAPACIDADE DE CONDUÇÃO

Daí você pode me perguntar: Calcular?? Mas a capacidade de


condução já está na tabela! Como assim “calcular”?

E a resposta a esta pergunta nos leva diretamente a um dos


erros mais comuns ao se dimensionar um condutor.

Neste ponto muitas pessoas se confundem na interpretação da


norma.

Fiz uma pesquisa em nosso Instagram recentemente.

A pergunta era bem clara: Os fatores de correção devem ser


aplicados em…

A) Corrente de Projeto

B) Capacidade de condução

C) Nenhuma das anteriores

E pra minha surpresa, 80% das pessoas não marcaram a


resposta correta!

Foi um dos motivos que me incentivou a escrever este livro.

Então vamos deixar bem claro:

Os fatores de correção devem ser aplicados diretamente à


capacidade de condução do condutor!

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Os fatores de correção não devem ser aplicados à corrente de
projeto, conforme a várias pessoas pensam.

A base teórica para isto é a interpretação de vários itens da


NBR-5410. A própria idéia de palavra “correção" e “aplicação" já
passa uma idéia de “redução”. Mas redução do que? Veja a
nota 1 do item 6.2.5.5.4.

“Os fatores de redução para agrupamento de circuitos são


valores médios calculados para as dimensões de condutores,
tipos de cabos e condições de instalação considerados. Deve-
se atentar para as notas de cada tabela”

Então fica claro que estes fatores se aplicam realmente nos


valores citados nas tabelas. Em nenhum momento se faz
referência à corrente de projeto.

Então por favor, vamos esquecer essa idéia de multiplicar a


corrente de projeto pelos fatores de correção.

O correto é multiplicar a Capacidade de Condução do Cabo


(retirada da tabela) pelos fatores de correção (FCA, FCT, etc).

Então, uma vez que já temos os fatores de correção definidos e


o método de instalação definido, vamos buscar nas tabela 36,
37, 38 e 39 qual o condutor se adequa à nosso necessidade.
Mas essa busca já deve ser pelos valores da tabela com a
aplicação dos fatores de correção!

Vamos ao exemplo pois tenho certeza que vai ficar muito claro
para você!

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Até o momento, temos as seguintes premissas para o
dimensionamento do circuito alimentador da sala comercial
2001.

Carga Total Demandada = 25kVA

Tensão = 380V (trifásica)

Corrente de Projeto (Ib) = 38 A

Método de Referência da Instalação = "F"

FCA= 0,49

FCT= 0,94

Tipo dos condutores: PVC

Então a tabela que nos atende é a 38. Nosso circuito possui 3


condutores carregados. Logo, para uma corrente de 38
amperes, encontramos o condutor de 6mm2, que segundo a
tabela podo conduzir até 43 amperes (Ic = Corrente do
condutor) nesta condição.

Neste momento temos a Ic que é a corrente do condutor na


tabela e vamos calcular a corrente do condutor corrigida pelos
fatores de correção (Ic’)

Aplicando os fatores de correção temos:

Ic’ = Ic x FCA x FCT

Ic’ = 43 x 0,49 x 0,94

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Ic’ = 19,80A

Logo, este condutor não atende nestas circunstâncias.

Vamos repetir o procedimento para o condutor de 16mm2, que


segundo a tabela 38 pode conduzir até 82 amperes (Ic).

Aplicando os fatores de correção temos:

Ic’ = Ic x FCA x FCT

Ic’ = 82 x 0,49 x 0,94

Ic’ = 37,8A

Observe que este condutor ficou bem próximo da nossa


corrente de projeto (Ib). Logo, pelo critério de capacidade de
condução de corrente, este é o condutor a ser adotado
(16mm2).

Observe bem que o fator “de peso” para esta determinação foi
o FCA que está reduzindo a capacidade de condução em
quase 50%. Isto se dá porque as condições que estamos
submetendo este circuito são bem desfavoráveis. Lembre-se
que estamos agrupando com outros 40 circuitos. Imagine o
campo magnético neste leito em uma situação de “pico” de uso
de energia elétrica!

Nesta situação, se não levássemos em consideração este


agrupamento, as consequências seriam:

- Vibração excessiva;

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- Desgaste prematuro da isolação;

- Curto-circuito;

- Princípio de incêndio;

- Aquecimento excessivo;

- Ponto quente nas conexões do condutor;

Isso apenas para citar algumas! Então entendemos aqui a


importância de aplicar corretamente os fatores de correção.

Vamos agora então para o último passo do nosso


dimensionamento.

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PASSO 6 - COMPARAR OS RESULTADOS

Agora que temos todas as premissas, determinações e cálculos


realizados, chegou a hora de definir o nosso condutor.

Neste passo vamos comparar as seções resultantes de cada


critério e adotar a maior seção obtida. Simples assim. Seguimos
aquela velha expressão: “vamos pelo pior caso”.

Aproveitando, vamos fazer um resumo de todas as premissas


do nosso circuito de exemplo, ao estilo Memorial de Cálculo
para o dimensionamento deste condutor.

Dimensionamento dos condutores do Circuito Alimentador da


Sala Comercial número 2001.

- Origem: CM (Centro de Medição

- Destino: QDG-2001

- Comprimento L = 150 metros

- Carga Total Demandada = 25kVA

- Tensão = 380V (trifásica)

- Corrente de Projeto (I) = 38 A

- Queda de tensão máxima admissível (!△V) = 2% ( 2%x380 =


7,6V)

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- Seção pelo critério da Queda de Tensão = 10m2

- Método de Instalação - F

- FCA = 0,49

- FCT = 0,94

- Seção pelo critério da Capacidade de Condução = 16mm2

Especificação final:

Condutor Monopolar, Isolação 0,6/1kV em PVC 70ºC, com seção


16mm2,PVC 70ºC, Classe de encordoamento 2.

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CONCLUSÃO

Chegamos ao fim deste livro digital! O objetivo deste conteúdo


era te passar de forma, prática e simples, um método eficaz
para dimensionamento de condutores elétricos.

Acredito que cumpri este objetivo. Foram esclarecidos aqui


diversos pontos nos quais encontramos dúvidas muito
frequentes.

O meu maior desejo é que este conteúdo realmente te ajude no


seu dia a dia, no seu trabalho e ao longo da sua carreira
profissional.

Eu gostaria de te ensinar e te fornecer muito mais conteúdo


prático, porém, em um livro estamos com a comunicação
limitada.

E como você viu, a NBR-5410 tem muitas informações valiosas,


muitas vezes em itens e notas de rodapé “com letras pequenas”
cabendo a nós a correta interpretação para por em prática.

Pensando nisso, preparei um curso online, onde consigo te


ensinar melhor por meio de vídeo-aulas e material de apoio
(planilha excel) a como colocar todos estes principais conceitos
em prática.

Por exemplo: Seria uma mão na roda ter todos estes cálculos
prontos em uma planilha Excel, pra você apenas inserir os

30
dados e automaticamente definir seus condutores! Essa
planilha será entregue como bônus do curso:

SEGREDOS DA NBR-5410

E claro, a minha preocupação também é tornar acessível este


conteúdo, então te garanto que você irá se surpreender com o
valor deste treinamento online.

Para saber mais sobre o curso Segredos da NBR-5410, acesse o


link abaixo:

https://cursoprojetoeletrico.kpages.online/s5410

Se houver algum problema com o link, entre em contato com a


Equipe do Curso Projeto Elétrico, no site:

www.cursoprojetoeletrico.com.br

Muito obrigado pela sua atenção e leitura deste livro. Desejo


sucesso e muitos projetos a todos vocês!

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CONTEÚDO BÔNUS

ISOLAÇÃO DOS CONDUTORES - COMO ESCOLHER?

De acordo com a NBR 5410, item 6.2.3.2, são previstos 3 tipos de


condutores com suas respectivas normas de referência:

- Isolação em EPR, NBR-7286;

- Isolação em XLPE, NBR-7287;

- Isolação em PVC, NBR-7288 ou 8661;

Os condutores de PVC são muito usados em instalações de


baixa tensão, não apenas pela vantagem competitiva de
preços menores, mas também porque são limitados à tensões
de até 6kV.

Já a isolação XLPE e EPR, são aplicáveis a tensões bem


maiores, chegando até à 138kV. Porém, em alguns casos são
também aplicados em BT.

Quando devo usar a isolação PVC, XLPE ou EPR?

Atente que a isolação em PVC quando em sinistro de incêndio,


produz gases tóxicos. Por este motivo, normas de proteção
contra incêndio não recomendam o uso de PVC em lugares de
grande concentração de pessoas (exemplo: aeroportos, túneis,
edifícios comerciais como: hotéis, cinemas, shopping centers,

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hospitais) e que em caso de incêndio, a evacuação do local seja
longa e difícil, áreas estas classificadas como BD2, BD3 e BD4,
pela NBR 5410 e NBR 13570.

Nestas edificações, recomenda-se isolação ATOX (LSHF/A), cujo


material possui características de baixa emissão de fumaça e
propagação de chamas.

Porém, nos outros casos, o que determinará a especificação é a


temperatura sob a qual estarão os condutores. Temos 3
situações previstas:

1. Serviço Contínuo

2. Sobrecarga (500 horas ao longo da vida útil)

3. Curto-circuito (5 segundos)

Visto que os condutores XLPE/EPR suportam maiores


temperaturas, as capacidades de condução também são
maiores do que o PVC. Para uma mesma seção, o condutor
XLPE/EPR conduz até cerca de 30% a mais do que o de PVC.

Então cabe aqui uma análise de "custo x benefício" caso a caso.

O condutor XLPE/EPR pode ter seção menor, porém é mais


caro. Então, essa é uma decisão a ser analisada caso a caso,
dificilmente vamos encontrar uma regra geral. Mas tenha em
mente que condutores EPR/XLPE serão adotados para circuitos
de alta potência e grandes distâncias.

33
Ok, falamos sobre o material da isolação. Mas e a Tensão de
Isolação?

A tensão de isolação será escolhida pela tensão nominal do


circuito ou por requisitos de esforço mecânico.

Para um circuito com tensão nominal 380V pode ser


especificado um condutor com tensão de isolação 0.6/1kV? Sim.
Mesmo não tendo este nível de tensão e especialmente se este
estiver sob as seguintes condições:

1. Eletrodutos/ Banco de Dutos Enterrados;

2. Condutores sujeitos à maiores esforços mecânicos (curvas,


agrupamento, etc);

Então podemos exemplificar 5 situações:

A) Condutores em circuitos residenciais ou comercias, internos


à edificação, em eletrodutos embutidos no forro ou parede:
Utilize condutores PVC 70ºC, 450/750V.

B) Condutores em circuitos comerciais de grande afluência de


público, internos à edificação, em eletrodutos embutidos no
forro ou parede: Utilize condutores ATOX 70ºC, 450/750V.

C) Condutores em circuitos residenciais ou comercias, externos


à edificação ou embutidos em eletrodutos no solo: Utilize
condutores PVC 70ºC, 0.6/1kV.

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D) Condutores em circuitos comerciais de grande afluência de
público, externos à edificação ou embutidos em eletrodutos no
solo: Utilize condutores ATOX 70ºC, 0.6/1kV.

E) Condutores em função de alimentação de QGBT’s em uma


Planta Industrial/Comercial, longas distâncias e altas potências:
Utilize condutores EPR/XLPE 70ºC, 0.6/1kV.

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NOTAÇÃO DE CABOS EM PROJETOS

Nesta seção vou te ensinar algo simples, porém muito útil para
a área de projetos.

É comum em projetos de grande e médio porte termos que


representar muitos circuitos em vários trechos.

Se fôssemos realmente repetir todos os circuitos, um por um, a


cada trecho que ele passa em um eletroduto ou eletrocalha,
nem todos os papéis do mundo caberiam tanta informação
visual dos projetos.

Por isso usamos a notação abaixo para identificar os


condutores de um circuito:

A figura acima indica as seguintes informações. A tag 25


representa um circuito trifásico com 3 condutores fase de
35mm2, um condutor de neutro de 35mm2 2 um condutor de
proteção de 25mm2. O mesmo se origina no Centro de Medição
2 e está inserido em eletroduto de 2 e 1/2 polegadas.

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